UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO
TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO
ELO
CENTRO CULTURALALUNA
MARIANA MACHADO COSTA ORIENTADOR
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Universidade Federal do Ceará
Biblioteca Universitária
Gerada automaticamente pelo módulo Catalog, mediante os dados fornecidos pelo(a) autor(a)
C874c Costa, Mariana Machado.
Centro Cultural ELO / Mariana Machado Costa. – 2018. 83 f. : il. color.
Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Tecnologia, Curso de Arquitetura e Urbanismo, Fortaleza, 2018.
Orientação: Prof. Dr. Ricardo Alexandre Paiva.
1. Centro Cultural. 2. Cultura. 3. Lazer. 4. Arquitetura. I. Título.
ELO
CENTRO CULTURALBANCA EXAMINADORA
PROF. DR. RICARDO ALEXANDRE PAIVA
ORIENTADOR
PROF. ME. RENAN CID VARELA LEITE
PROFESSOR CONVIDADO DAU-UFC
DENNIS BZYL FEITOSA
ARQUITETO CONVIDADO
“Agradeço todas as
dificulda-des que enfrentei; não fosse
por elas, eu não teria saído do
lugar. As facilidades nos
impe-dem de caminhar. Mesmo as
críticas nos auxiliam muito.”
AGRADECIM
ENT
OS
À minha mãe, que sempre esteve ao meu lado, me incentivando e acre-ditando que eu era capaz.
Aos meus familiares, que contribuíram de alguma forma para minha formação.
Às amigas de colégio, que mesmo não estando tão presentes, me apoia-ram e sempre estiveapoia-ram comigo quando precisei.
Às amizades que fiz nesta casa, que me proporcionaram experiências únicas e partilharam comigo não apenas momentos bons, mas também as agonias, as tristezas e o cansaço que fizeram parte desse período. Aos meus amigos, que participaram direta e indiretamente para a con-clusão deste trabalho.
Ao meu orientador, pelo suporte e auxílio nesta pesquisa.
À esta instituição, pelo aconchegante ambiente oferecido aos seus alu-nos e pelos profissionais qualificados que disponibiliza para alu-nos ensi-nar.
Enfim, agradeço a todas as pessoas que fizeram parte dessa etapa decisiva em minha vida.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 09
Tema 10
Justificativa 10
Objetivo 11
Ministério de Educação e Saúde 24
Parque Eduardo Guinle 27
Rede CUCA 29
Sesc 24 de Maio 31
NASP 33
Partido 48
Linguagem Arquitetônica e Materiais 49 Estrutura 49 Conforto 49 Programa de Necessidades 50 Conclusão 80 14 Cultura 16 Centros Culturais
18 Parcerias Público e Privado na Produção Cultural
20 Flexibilidade na Arquitetura
38 Bairro
40 Terreno
41 Entorno
44 Diagnóstico da Área de Intervenção 45 Legislação 82 Referenciada 82 Consultada 83 Endereços Eletrônicos
13 PESQUISA
REFERÊNCIAS PROJETUAIS 23
PROJETO 47
CONSIDERAÇÕES FINAIS 79
37 ÁREA DE INTERVENÇÃO
53 DESENHOS
81 BIBLIOGRAFIA
INTR
ODUÇÃ
10 INTRODUÇÃO
TEMA
Este trabalho de conclusão de curso (TCC) pretende abordar um projeto arquitetônico de um Centro Cultural na região centro-oeste da cidade de Fortaleza-CE, localizado no bairro Jóquei Clube.
JUSTIFICATIVA
A busca por espaços de lazer e entretenimento vem aumentando nesses últimos anos, principalmente pelo público jovem e com isso também tem crescido a demanda por eventos culturais e artísticos. Como consequên-cia, é necessário que hajam espaços públicos e privados para tais ativi-dades.
Em Fortaleza, verifica-se a ausência de equipamentos de cultura e lazer gerais que satisfaçam esta demanda, principalmente na região centro-o-este, que não dispõe de muitas alternativas para a população, que acaba por recorrer exclusivamente aos shoppings como espaços para fins de lazer. A carência de equipamentos desse gênero na região supracitada é patente, posto que, os três CUCAS existentes (Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esportes) e o Centro Cultural Bom Jardim estão localizados nos bairros periféricos da cidade, outros centros culturais, como Caixa Cultural e Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura localizados na área central; e os dois principais centros de eventos e convenções da cidade ficam na região leste. Diante disso, foi escolhido o bairro Joquéi Clube para receber essa intervenção arquitetônica.(MAPA 01)
O público alvo ao qual esse equipamento se destina constitui-se de todos os tipos de artistas como dançarinos, músicos, atores, escultores, pin-tores, assim como toda a população que queira usufruir das atividades e eventos ofertados. Serão disponibilizados vários tipos de oficinas e cursos de artes e idiomas para aqueles que desejarem trabalhar em sua área. Além de possuir espaços de exposições e eventos para os artistas mos-trarem seus trabalhos.
Portanto, a criação do Centro Cultural ELO trará para a cidade um espaço de lazer coletivo, onde a população poderá usufruir tanto da área externa como da área interna do edifício, valorizando a cultura, incentivando o uso do espaço público e trazendo uma melhoria para a qualidade de vida da população. Além de promover eventos e atividades diversas relacionadas tanto com a cultura nacional como estrangeira, como apresentações de artes cênicas, exposições, feiras, aulas de idiomas, shows, oficinas, even-tos entre outros. Podendo até se transformar em um potencial atrativo turístico para a cidade de Fortaleza.
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INTRODUÇÃO
MAPA 01 - CENTROS CULTURAIS FORTALEZA
cucas (barra, mondubim, jangurussu) outros centros culturais
centro de eventos e convenções área de intervenção (bairro jóquei clube)
Fonte: Elaborado pela autora.
OBJETIVOS
O TCC visa produzir projeto arquitetônico de um Centro Cultural, a partir dos princípios de multifuncionalidade e flexibilidade, buscando a apropria-ção do espaço para lazer e entretenimento de toda a populaapropria-ção. O edifício deverá abrigar auditório, salas de aula e de ensaio, biblioteca, espaços para exposição, áreas de convívio, cantina, espaço para eventos, entre outros ambientes.
Outros objetivos propostos por este projeto, são:
• Projetar espaços para convívio e lazer, tanto na área externa como na área interna, utilizando estratégias de multifuncionalidade e flexi-bilidade;
• Prever a acessibilidade das áreas externas e internas do edifício; • Projetar espaços que atendam aos requisitos de desempenho acústico
e térmico;
• Prever o conforto ambiental e paisagismo para tornar o espaço devi-damente atrativo para a população e adequado aos frequentadores e participantes dos eventos e atividades.
PESQUIS
14 PESQUISA
CULTURA
“Cultura... é o complexo no qual estão incluídos conhecimentos, cren-ças, artes, moral, leis, costumes e quaisquer outras aptidões e há-bitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade.” (TYLOR, 1871, p.1)
Cultura é tudo o que o Homem produz e aplica na sociedade, sejam ideais, crenças, tradições, objetos, costumes, hábitos e até conhecimentos. Todos os povos possuem comportamentos e particularidades que determinam seu modo de viver e os diferenciam dos demais, por isso a cultura simbo-liza a identidade de um povo e através dela é possível compreender uma sociedade. Outra consideração é que mesmo existindo diversas culturas nenhuma é isolada, pois estão sempre conectadas e em constante trans-formação, trocando influências umas com as outras.
“O homem é ser histórico porque transforma o mundo, isto é, cria cultura; como tal ele se compreende a si mesmo e esta compreensão é, na unidade de um mesmo ato, reconhecimento de um sentido ob-jetivo, ou seja, comunicável a outro homem: o sentido mesmo que se encarna na criação cultural.” (VAZ, 1966. p.5 e 6)
Segundo Arantes (2012), cultura é inclusão, é uma porta de entrada para que tenhamos uma sociedade mais justa e mais humana. A cultura tem uma função muito importante para a sociedade, visto que traz para a mesma um conhecimento e uma riqueza inimagináveis, além de ser através dela e da educação que podemos construir novas posturas e novos saberes. Uma de suas vantagens é atingir um público diversificado e sem faixa etária, como mulheres, homens, idosos, crianças, jovens e adultos. A cultura deveria ser um dos instrumentos indispensáveis na formação do ser humano, pois, uma vez que as crianças crescem com a cultura presente em suas vidas elas se tornam pessoas mais sensíveis, tolerantes, disciplinadas e menos agressivas e destinadas a escolherem caminhos hostis.
Além de ser um instrumento indispensável para a formação de um povo, a cultura também é um produto comercializável, que pode favorecer na geração de emprego e renda, e que juntamente com a economia, tornam-se primordiais no detornam-senvolvimento de uma sociedade. Por isso, no mundo globalizado, percebe-se uma maior necessidade de relacionar estratégias de produção de bens e serviços com elementos do campo cultural, pelo motivo de que um povo que não desenvolve sua identidade cultural mostra maiores problemas para se destacar dentre outros. Isto é, uma sociedade sem um referencial cultural não se diferencia e nem ganha identidade pró-pria. Por essa razão foi criado o Plano Nacional de Cultura (PNC) pelo
Con-Figura 01 - Cultura Egípcia. Fonte: https://www. unprofesor.com/ciencias-sociales/cultura-egipcia-caracteristicas-generales-1891.html
Figura 02 - Cultura Indígena. Fonte: http://www. jornaldaorla.com.br/noticias/27510-obra-destaca-ri-queza-da-cultura-indigena/
Figura 03 - Cultura Africana. Fonte: https://www. geledes.org.br/cultura-africana/
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PESQUISA
selho Nacional de Política Cultural (CNPC), tendo como objetivo orientar o desenvolvimento de programas, projetos e ações culturais que garantam a valorização, o reconhecimento, a promoção e a preservação da diversida-de cultural existente no Brasil. Dessa maneira, percebe-se a importância e o peso que os valores culturais representam para um povo ou país, e que a sua ausência ou falta de acesso determinam a postura de um país. O Brasil é um país com uma economia forte e possui uma ampla diversi-dade cultural, justamente por concentrar uma grande variediversi-dade de raças, cores, costumes, línguas, religiões, hábitos, pessoas e povos que vêm de vários lugares do mundo. Apesar disso, a infraestrutura cultural do Brasil ainda é muito primária se comparada com o tamanho de sua economia. Então, existe uma demanda e uma necessidade de criação de políticas pú-blicas e equipamentos que garantam a valorização e o acesso à cultura. Dado o exposto, em outubro de 2007 foi lançado pelo Governo Federal o Programa Mais Cultura, caracterizado pelo reconhecimento da cultura como necessidade básica, direito de todos os brasileiros, tanto quanto a alimentação, a saúde, a moradia, a educação e o voto. Com a realiza-ção desse programa, o Governo Federal introduz a cultura como vetor considerável para o desenvolvimento do país, inserindo-a como política estratégica de estado para reduzir a desigualdade social e a pobreza. Esse programa possibilita a integração e inclusão social, valorizando a diversi-dade e o diálogo com os múltiplos contextos da sociediversi-dade brasileira, sendo uma grande conquista do Ministério da Cultura. Em Fortaleza, o primeiro espaço criado do Programa Mais Cultura foi o CUCA (Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esportes) em 2009. Esse equipamento oferece di-versas atividades de formação cultural e profissional, prática esportiva e assistência social para jovens. Até 2017, foram construídas 3 unidades do CUCA, o CUCA Barra, o CUCA Mondubim e o CUCA Jangurussu.
Portanto, ter acesso à cultura é essencial para uma sociedade. Por essa razão, quanto mais políticas públicas e equipamentos com esse foco forem criados, como os centros culturais, para que as pessoas tenham acesso à música, arte e demais manifestações artísticas, além de empregos, maior será o resultado positivo destas ações, tanto para as pessoas como para a sociedade, país ou nação.
Figura 04 - Cultura Asiática, Ano Novo Chinês. Fonte: http://entrelinhas23.blogspot.com.br/2016/04/ cultura-asiatica.html
Figura 05 - Cultura Brasileira, Capoeira. Fonte: http://www.bujinkan-events.com/category/capo-eira/
Figura 06 - Cultura Brasileira, Nordeste. Fonte: http://noritmonordestino.blogspot.com.br/2012/06/ as-dancas-nordestinas.html
16 PESQUISA
CENTROS CULTURAIS
“Os Centros Culturais são tidos como um exemplo de participação, onde são realizadas oficinas de música, canto, arte, contação de his-tórias e diversos outros tipos de manifestações culturais. Estas pro-porcionam momentos de descontração, valorização, reconhecimento, prazer e, ao mesmo tempo, conscientizam a população de que indife-rente da classe socioeconômica, o lazer é um direito de todos” (SILVA, LOPES, XAVIER apud PINTO, PAULO, SILVA, 2012. Pg. 87)
Segundo Ramos (2007), o conceito de centro cultural geralmente refere-se a uma instituição mantida pelos poderes públicos, de porte maior, com acervo e equipamentos permanentes, como salas de teatro, cinema, biblio-tecas, etc. Estas instituições orientam-se para um conjunto de atividades que são desenvolvidas sincronicamente e oferecem alternativas variadas a seus frequentadores, de modo perene e organizado. Dessa maneira, os centros culturais são equipamentos que abrigam atividades com objetivos variados, como criação, fruição, reflexão, interação e distribuição de bens culturais. Esses espaços devem possuir infraestrutura apropriada para abrigar suas mais diversas atividades e devem proporcionar a relação, interação e o encontro entre as pessoas. Os centros culturais não devem ser apenas um local de lazer, mas um espaço de aprendizagem, entreteni-mento, atração de pessoas e inserção social.
As origens dos centros culturais ainda são motivos de pesquisa, alguns estudiosos defendem que as origens vieram do Egito, com a Biblioteca de Alexandria, construída no século II a.C., com a finalidade de difundir e con-servar os saberes da época por meio de elementos e espaços culturais. Segundo Milanesi (1997), esse edifício pode ser caracterizado como o mais nítido e antigo centro de cultura.
Outros estudiosos assumem que a principal influência e modelo para o desenvolvimento e construção de vários centros culturais pelo mundo foi o Centre National d’Art et Culture George Pompidou, construído em 1977, França, projetado pelos arquitetos Renzo Piano e Richard Rogers. Esse edifício possui uma arquitetura impactante e agressiva junto ao uso de alta tecnologia e tornou-se um marco como centro cultural.
No Brasil, o interesse pelos centros culturais começou desde a década de 60, com a ideia da criação das Casas de Cultura do Brasil e do Programa de Ação Cultural do MEC. Entretanto, só na década de 80 que os primeiros centros culturais foram criados, na cidade de São Paulo. Os primeiros equipamentos a surgirem foram o Centro Cultural Jabaquara e o Centro Cultural São Paulo, ambos financiados pelo Estado. Estes foram seguidos
Figura 07 - Biblioteca de Alexandria. Fonte: https:// fernandonogueiracosta.wordpress.com/2015/02/14/ intolerancia-religiosa-x-biblioteca-de-alexandria/
Figura 08 - Pompidou. Fonte: http://www.panoramio. com/photo/21353808
Figura 09 - Sesc Pompéia. Fonte: http://www. infoartsp.com.br/guia/museus-e-instituicoes/ sesc-pompeia/
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PESQUISA
pelo Sesc Pompéia, de Lina Bo Bardi. Depois, começaram a se propagar pelo resto do país.
Em Fortaleza, a referência de centro cultural é o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, construído em 1999 pelos arquitetos Delberg Ponce de Leon e Fausto Nilo. Esse equipamento é administrado pelo Instituto Dragão do Mar, que foi a primeira Organização Social (OS) criada no Brasil na área da cultura e está vinculado à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará. Além do Dragão do Mar, o Instituto é responsável por outros equipamentos culturais no Estado do Ceará, como Centro Cultural Bom Jardim, Escola Porto Iracema das Artes, Cineteatro São Luiz, Theatro José de Alencar, entre outros.
Os centros culturais são equipamentos de grande importância para a so-ciedade, pois através deles as pessoas entram em contato com diversas manifestações artísticas, criam, discutem, aprendem, interagem e con-vivem com outras pessoas, sendo ao mesmo tempo um espaço de lazer. Assim, essa união de atividades e informações possibilitam o desenvolvi-mento do senso crítico, criativo e dinâmico da comunidade. A interação de diversas atividades atuando de maneira simultânea, multidisciplinar e interdependente em um mesmo espaço e abrigando as mais diferentes camadas da sociedade faz do centro cultural um local democrático, que difunde a inclusão social. Esses espaços devem ser acessíveis a todos, onde o público e o privado se misturam.
A cidade de Fortaleza possui espaços públicos insuficientes para que a população desfrute das manifestações culturais existentes. Muitos locais que seriam apropriados para tais eventos e atividades não estão em con-dições favoráveis para o uso, como muitas praças que estão abandonadas e degradadas, fazendo com que as pessoas busquem por outras opções de lazer e entretenimento, como os shoppings centers. Em vista disso, os Centros Culturais apresentam uma grande importância tanto por se-rem um estímulo a valorização da cultura como por sese-rem espaços que promovem o lazer e a inserção social. Além da relevância de investir em equipamentos desse gênero, é interessante pensar em parcerias públicas e privadas, como empresas que promovem eventos culturais, para ser mais um incentivo a produção, consumo e valorização da cultura.
Figura 10 - Centro Dragão do Mar. Fonte: http:// tribunadoceara.uol.com.br/empregos/tag/dragao-do-mar/
Figura 12 - Theatro José de Alencar. Fonte: http://www.mochileirodasmaravilhas.com. br/2014/08/20/o-que-fazer-em-fortaleza-e-arre-dores/uol-teatro-jose-de-alencar-em-fortaleza/ Figura 11 - Centro Cultural Bom Jardim. Fonte: http:// diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/ caderno-3/online/projeto-e-noiz-perifa-seleciona -artistas-do-grande-bom-jardim-1.1691356
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PARCERIAS PÚBLICO E PRIVADO NA PRODUÇÃO CULTURAL
Observando o rápido crescimento nos últimos anos de uma tribo que se in-teressa pela cultura estrangeira, principalmente a asiática, e consequen-temente a baixa oferta de espaços voltados para esse tema, e que possam receber esses eventos apropriadamente, justifica a possibilidade de uma parceria entre o Centro Cultural proposto e determinadas empresas e eventos com o foco nesse tema específico.
O público alvo desses eventos e atividades são geralmente jovens que pos-suem um interesse específico em determinados assuntos, como os nerds e geeks que se interessam por games, histórias em quadrinhos, seriados, filmes, super-heróis e tecnologia; ou os fãs da cultura japonesa (otakus) que gostam de animes, mangás e cosplay; e também, um novo grupo que está ganhando vários adeptos nos últimos anos, os admiradores da dança e da música pop coreana (Kpop – Korean pop), os chamados Kpoppers. Um dos eventos possíveis de parceria seria o SANA¹ – Super Amostra Na-cional de Animes que acontece na cidade de Fortaleza. O evento foi criado em 2001 e é realizado pela Fundação Cultural Nipônica Brasileira (FNCB). Já teve mais de 20 edições e ocorre duas vezes ao ano, geralmente no período de férias (janeiro e julho). O SANA é o maior evento de Cultura Pop e Geek do Norte e Nordeste e um dos maiores do Brasil, atraindo pessoas de vários estados. Anualmente reúne um público de 100 mil pessoas e é considerado um acontecimento turístico da cidade de Fortaleza. O even-to dispõe de concursos de desenho, videogame, Kpop, cosplay; stands de venda e arte japonesa; atrações nacionais e internacionais, como bandas, dubladores e youtubers; espaços temáticos dedicados a cultura japonesa e coreana; entre outras atividades.
Outro evento seria a Geek Expo², criada no Rio de Janeiro e promovida pela empresa Red Produções. O evento é inspirado na Comic-Con, a maior con-venção de quadrinhos do mundo que ocorre em San Diego, Estados Unidos. Em 2015, foi realizada uma edição em Fortaleza pela Phoenix Produções. A Geek Expo tem como atrações: desfiles de moda, cosplay e performances; novidades do mercado de games e tecnologia; lançamentos editoriais e do mercado audiovisual; feirão de HQs; exposições de action figures e de tra-balhos independentes; novidades do universo da música, principalmente rock e pop oriental, como o Kpop; entre outras.
O Kpop na praça e o K-fest são outros exemplos de eventos que foram criados recentemente com o foco na cultura coreana. De acordo com Ja-naína Caetano, coordenadora de Kpop do SANA, o Kpop na praça surgiu em
Figura 14 - SANA, Kpop. Fonte: Facebook do SANA
Figura 15 - SANA, stands de venda. Fonte: http:// diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/ cidade/online/sana-fest-2016-deve-reunir-40-mil -pessoas-1.1479283 Figura 13 - SANA, games. Fonte: http://tribunadocea-ra.uol.com.br/blogs/investe-ce/tag/sana-fest-2017/
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PESQUISA
setembro de 2016 da necessidade de se reunir com os amigos ao ar livre, pois a maioria dos eventos com esse foco ocorrem em locais fechados e sem um espaço confortável para se interagir com os outros. Além de reu-nir os amigos, discutir sobre Kpop, dançar, brincar, a intenção também é levar os familiares para conhecerem mais sobre essa cultura. Já o K-fest, foi criado em abril de 2017 pela Creative Produções, que percebeu a ne-cessidade de eventos de Kpop gratuitos, de qualidade e fácil acesso, com atrações como dança, brincadeiras, lojas e youtubers convidados. Para manter os fãs já existentes e atrair novos adeptos desse gênero.
Assim como os eventos apresentados, outros desse mesmo universo acontecem em Fortaleza, e muitos não possuem um local fixo para serem realizados e acabam ocorrendo nos shoppings ou mesmo em locais aluga-dos, que não são apropriados para essas atividades. Então, conceber um espaço cultural multifuncional e flexível visa valorizar a cultura e incenti-var o uso do espaço público, trazendo uma melhoria para a qualidade de vida da população.
Figura 16 - SANA, cosplay. Fonte: https://henshin.com.br/agenda/evento/sana-domina-fortaleza/
¹ Fonte: http://www.portalsana.com.br ² Fonte: http://expogeekbrasil.com.br
Figura 17 - SANA, estátua Hulk. Fonte: http://informe-gameonline.blogspot.com.br/p/comentarios.html
Figura 18 - Geek Expo. Fonte: Facebook da Geek Expo
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FLEXIBILIDADE NA ARQUITETURA
Flexibilidade: “ 1. Qualidade do que é flexível; elasticidade; 2. Facili-dade de ser utilizado ou manejado, maleabiliFacili-dade; (...) 5. CapaciFacili-dade para se aplicar a estudos de carácter diverso ou realizar diferentes atividades, disponibilidade de espírito; 6. Capacidade de se adaptar a diferentes situações, adaptabilidade; 7. Possibilidade de adaptação de algo aos interesses de alguém. ” (Dicionário infopédia da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico, Porto Editora, 2003-2017) Flexibilidade quando relacionada à arquitetura pode sugerir movimento, transformação e alteração na configuração do espaço, porém abrange ou-tros significados e fatores. Segundo VALAGÃO (2015), a arquitetura flexível é aquela com capacidade para abrigar diversas funções, atividades e for-mas de ocupação, simultaneamente ou ao longo do tempo, tal como diver-sas maneiras de distribuição interior, reagindo de forma diferenciada às necessidades atuais e futuras dos seus utilizadores. Ou seja, a flexibilidade na arquitetura capacita o edifício para moldar-se a variados fins, assim, conseguindo reagir diante de novas demandas, ajustando-se a programas e necessidades diferentes e permitindo a diversidade do espaço.
“O edifício adaptável admite, à vez, muitas funções diferentes e vai mais além da função. Permite também a possibilidade de uma mudan-ça de uso. Do viver ao trabalhar, do trabalhar a atividades de lazer, ou vários usos em simultâneo. ” (MACCREANOR, 1998, p.40)
Podemos ainda, relacionar flexibilidade com adaptabilidade, que de acordo com SCHNEIDER e TILL (2005), adaptabilidade seria a possibilidade do edi-fício acomodar diversos usos, alcançada por meio de espaços que possam ser usados de diferentes maneiras; já a flexibilidade seria a possibilidade do edifício se moldar a diversas configurações de espaço, obtida por meio da modificação física do mesmo. Então, pode-se dizer que a adaptabilidade é parte integrante da flexibilidade.
Consequentemente, a flexibilidade é uma propriedade potencialmente qualificadora da arquitetura, essencial ao objeto arquitetônico. Em razão disso, existem estratégias que podem ser aplicadas no projeto, tanto em relação a sua construção como a sua distribuição espacial, para que o mesmo possa ser considerado flexível. Dessas estratégias podemos ci-tar: disponibilizar espaços para a apropriação personalizada dos grupos de convivência por meio de espaços de dimensões equivalentes, que per-mitam ser apropriados para usos diferentes; auxiliar na sistematização do projeto e neutralidade na produção em série, através de modulação; permitir a transposição, organização espacial e complementação de
am-Figura 20 - Flexibilidade na Arquitetura. Fonte: https://thewaywelive.wordpress.com/2007/11/15/
flexibility-in-architecture/
Figura 21 - Flexibilidade na Arquitetura. Fonte: http:// www.abcdesign.com.br/por-um-detalhe/?utm_sour- ce=feedburner&utm_medium=email&utm_campaig-n=Feed:+Abcdesign+(abcDesign)
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PESQUISA
bientes de acordo com a necessidade do usuário, através de divisórias leves ou móveis; auxiliar na concentração de elementos fixos e sistemas de instalações hidráulicas e energéticas, através de núcleos de serviços e circulação; utilizar formas geométricas simples; e, permitir fluidez dos espaços, através da planta livre, um dos cinco pontos de Le Corbusier da arquitetura moderna, onde uma estrutura independente permite a livre locação das paredes, que não precisam mais exercer a função estrutural. Diante disso, acaba-se por referir não apenas à flexibilidade, mas tam-bém à multifuncionalidade, visto que uma arquitetura flexível é tamtam-bém adaptável e multifuncional, pois um edifício com flexibilidade oferece es-paços e funções diversas com possibilidades de modificações tanto de uso como da distribuição espacial, permitindo várias opções de atividades e serviços, simultâneos ou não. Assim, o centro cultural proposto pretende alcançar tais características através das estratégias de projeto citadas, principalmente permitindo a fluidez dos espaços, através da planta livre.
Figura 22 - Flexibilidade na Arquitetura. Fonte: https://br.pinterest.com/search/ pins/?rs=ac&len=2&q=flexibility%20architec- ture&eq=flexibility%20a&etslf=7159&term_me-ta[]=flexibility%7Cautocomplete%7Cundefined&term_ meta[]=architecture%7Cautocomplete%7Cundefined
REF
ER
ÊNCIAS PR
OJETU
24 REFERÊNCIAS PROJETUAIS
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E SAÚDE
Arquiteto: Lucio Costa
Equipe: Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Moreira, Oscar Niemeyer e Ernani Vasconcellos
Ano do Projeto: 1936
Localização: Rio de Janeiro/RJ, Brasil
O projeto surgiu através da ideia de construir a sede do Ministério da Educação e Saúde, para isso foi aberto um concurso no qual ganhou a pro-posta neocolonial de Arquimedes Memória. Porém, o Ministro da Educação e Saúde da época, Gustavo Capanema, ficou descontente com o resultado, pedindo para Lucio Costa para montar uma equipe e projetar a sede. Lu-cio e sua equipe convidaram o arquiteto francês, Le Corbusier a visitar o Brasil e participar do projeto. Além dessa equipe, outros profissionais contribuíram com o projeto, como Roberto Burle Marx com o paisagismo, Cândido Portinari com os murais, e Celso Antônio, Bruno Giorgi, e Jacques Lipchitz com as esculturas.
Figura 25 - Ministério da Educação e Saúde. Fonte: https://br.pinterest.com/ pin/516928863456359657/?lp=true
Figura 23 - Ministério da Educação e Saúde, croqui. Fonte: http://cabanodatabauera.blogspot.com.
br/2012/02/o-fantasma-do-corvo.html
Figura 24 - Ministério da Educação e Saúde, desenho de Le Corbusier. Fonte: http://espacoarquiteto.
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REFERÊNCIAS PROJETUAIS
O edifício foi apoiado nos princípios modernistas de racionalidade e fun-cionalidade, apresentando ainda os cinco pontos da Arquitetura Moderna, sendo eles, planta livre, construção sobre pilotis, terraço jardim, fachada livre e janelas em fita. A liberação da planta sobre pilotis facilitou a inte-gração com o entorno urbano e a cidade, além de permitir a flexibilidade dos espaços.
Planta Livre: Através de uma estrutura independente permite a livre locação
das paredes, já que estas não mais precisam exercer a função estrutural.
Fachada Livre: Resulta igualmente da independência da estrutura. Assim, a
fa-chada pode ser projetada sem impedimentos.
Pilotis: Sistema de pilares que elevam o prédio do chão, permitindo o trânsito
por debaixo do mesmo.
Terraço Jardim: “Recupera” o solo ocupado pelo prédio, “transferindo-o” para
cima do prédio na forma de um jardim.
Janelas em Fita: Possibilitadas pela fachada livre, permitem uma relação
de-simpedida com a paisagem.
“A construção é marcada pelo contraste entre a verticalidade do bloco principal, destinado a escritórios, e a horizontalidade do primeiro andar, que abriga o auditório e o salão de exposições. O bloco horizontal tem uma dispo-sição tal que seu eixo principal está quase na direção N-S (18º de diferença). O bloco de escritórios, com mais de 14 andares, também com planta retangular, tem seu eixo principal perpendicular ao eixo do primeiro andar. O partido adota-do concentrou as áreas de serviço nas extremidades, crianadota-do um amplo espaço flexível. A área construída tem mais de 2700m² com uma altura máxima de 82m. O térreo, salvo alguns locais, como a sala de ingresso, a recepção, depósito e outras dependências, forma um espaço aberto sob pilotis, que suportam todo o edifício. A zona livre serve para passagem de pedestres e parte dela está ajar-dinada (...)” (CORBELLA E YANNAS, 2003, p. 60).
O edifício é formado por dois blocos que se interceptam perpendicular-mente, uma barra horizontal e uma lâmina vertical, ambas apresentam áreas abertas em pilotis que separam as áreas fechadas do pavimento térreo, cada bloco possui uma modulação de pilotis diferente. O edifício se configura em um formato T, formado por volumes fechados nas três pon-tas e no ponto de cruzamento separados pelas áreas aberpon-tas e fluidas dos pilotis. Na cobertura do bloco vertical, alguns volumes recuados abrigam os salões de refeições, a cozinha, e a administração do edifício, rodeados por terraços e jardins.
Figura 27 - Ministério da Educação e Saúde, mural. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-134992/ classicos-da-arquitetura-ministerio-de-educacao-e-saude-slash-lucio-costa-e-equipe
Figura 28 - Ministério da Educação e Saúde, escultura. Fonte: http://www.archdaily.com.br/ br/01-134992/classicos-da-arquitetura-ministerio-de-educacao-e-saude-slash-lucio-costa-e-equipe Figura 26 - Ministério da Educação e Saúde, paisagismo. Fonte: http://www.archdaily.com.br/ br/01-134992/classicos-da-arquitetura-ministerio-de-educacao-e-saude-slash-lucio-costa-e-equipe
26 REFERÊNCIAS PROJETUAIS
As fachadas laterais do edifício vertical são empenas cegas. A fachada sul ficou totalmente envidraçada, formando uma lâmina continua de vidro simples. Já a fachada norte, que recebe insolação na maior parte do ano nos horários de trabalho, foi adotada a proteção por brise-soleil composto por placas horizontais basculantes de fibrocimento, fixadas em grandes lâminas de concreto, para garantir proteção da fachada norte em função da insolação e luz excessivas, além de assegurar a ventilação e a visibili-dade.
A volumetria geometricamente pura e a sutil articulação no terreno, junta-mente com os princípios modernistas tornaram o Ministério da Educação e Saúde, atual Palácio Capanema, como marco da Arquitetura Moderna Brasileira.
Tendo em vista a grande importância deste edifício para a arquitetura bra-sileira, é no estudo destes princípios, principalmente da planta livre, que o projeto proposto se apoia. Considerando ainda aspectos de flexibilidade, proteção solar e conforto ambiental.
Figura 29 - Ministério da Educação e Saúde, fachada sul. Fonte: https://www.flickr.com/pho-tos/93256055@N00/15084322880
Figura 30 - Ministério da Educação e Saúde, fachada norte. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-
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REFERÊNCIAS PROJETUAIS
PARQUE EDUARDO GUINLE
Arquiteto: Lucio Costa Ano do Projeto: 1948-1954
Localização: Rio de Janeiro/RJ , Brasil
O complexo residencial se localiza no Parque Eduardo Guinle, criado em 1920 para ser os jardins do palácio neoclássico de Eduardo Guinle. Nos anos 40, a posse do parque foi para o Governo Federal e em 1943, foi de-senvolvido um plano de urbanização pelo arquiteto Lucio Costa, na época diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que proje-tou um conjunto de seis blocos residenciais. Esse foi o primeiro conjunto de edifícios habitacionais construído especificamente para a elite carioca. O complexo apresenta influências do racionalismo, possíveis de observar através das composições dispostas no parque, servindo de experiência para o padrão residencial das superquadras do Plano Piloto de Brasília. O projeto original é composto por seis blocos de apartamentos assentados no perímetro do terreno, dos quais apenas três foram construídos: o Nova Cintra (1948), o Bristol (1950) e o Caledônia (1954). O primeiro difere-se dos demais por sua implantação norte-sul, paralela a uma das ruas la-terais do parque, possibilitando a criação de galerias comerciais que se relacionam diretamente com a via. Este possui ainda sete pavimentos de apartamentos, enquanto os demais apenas seis.
Contudo, todo o conjunto possui a mesma linguagem arquitetônica, firmada através dos princípios da arquitetura moderna, como pilotis, fachada livre e brises, que se misturam à cultura local por meio do uso de elementos como cobogós de cerâmica e brises de madeira.
Na concepção do edifício, foi proposto que os blocos tivessem orientações diferentes, Bristol e Caledonia orientados com as suas fachadas principais
Figura 33 - Parque Eduardo Guinle. Fonte: http:// www.archdaily.com.br/br/01-14549/classicos-da-ar-quitetura-parque-eduardo-guinle-lucio-costa Figura 32 - Parque Eduardo Guinle. Fonte: http://arqguia.com/obra/parque-guin-le-edificios-residenciais/?lang=ptbr
28 REFERÊNCIAS PROJETUAIS
para o oeste, enquanto o edifício Nova Cintra posicionado perpendicular a estes, sendo orientado para o sul. O problema da insolação foi resolvido usando elementos como brises e cobogós, que tiveram a função de fil-trar o excesso de luz, o que permite uma visão para o exterior e protege a privacidade dos apartamentos. Ambos elementos de proteção solar e amenização térmica configuram a modulação da fachada e estão dispos-tos sob uma lógica irregular. Os módulos de cobogós ora apresentam uma abertura central, ora são planos uniformes, enquanto os de brises são interruptos com uma abertura no seu quadrante superior direito.
Assim, a linguagem arquitetônica alcançada por este complexo residencial é o que se pretende utilizar no projeto do Centro Cultural, ou seja, elemen-tos como fachadas de cobogós e a criação de um espaço entre o aberto e o fechado, que foram possibilitados pela utilização dos princípios da arqui-tetura moderna como a planta livre, além de proporcionar a entrada de luz natural, ventilação e ajudar na climatização do bloco.
Figura 36 - Edifício Nova Cintra, planta baixa; pav. 1,3,5; e 2,4,6, respectivamente. Fonte: http://www. archdaily.com.br/br/01-14549/classicos-da-arquitetura-parque-eduardo-guinle-lucio-costa Figura 34 - Parque Eduardo Guinle. Fonte: http://
napracinha.com.br/2014/10/passeio-no-rio-de-janei-ro-parque/
Figura 35 - Parque Eduardo Guinle. Fonte: http:// www.archdaily.com.br/br/01-14549/classicos-da-ar-quitetura-parque-eduardo-guinle-lucio-costa
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REFERÊNCIAS PROJETUAIS
REDE CUCA
Projeto: Prefeitura de Fortaleza Ano do Projeto: 2009-2013 Localização: Fortaleza/CE, Brasil
O CUCA (Centro Urbano de Cultura. Arte e Esporte) foi o primeiro Es-paço Mais Cultura criado em Fortaleza, através de uma parceria entre o Ministério da Cultura e a Prefeitura Municipal. Essa rede contaria com seis sedes, uma para cada Secretaria Executiva Regional. Até 2017, foram construídas 3 unidades, o CUCA Barra (2009), o CUCA Mondubim (2013) e o CUCA Jangurussu (2013).
Esse equipamento cultural foi configurado para ser um espaço de apren-dizagem, convivência e inserção social, tendo como foco principal a capa-citação de jovens para o mercado de trabalho, concedendo-os bagagem cultural e responsabilidade social. São ofertados cursos para capacitação e diversas atividades para que os jovens se desenvolvam pessoal e pro-fissionalmente, como como programas de acesso ao primeiro emprego, projetos de incubadora de empresas, atendimento médico e psicológico e espaço destinado a discussões dos assuntos comunitários. Além de cur-sos, os CUCAs contam com equipamentos abertos à comunidade, como quadras e pistas de skate, e espaços de convivência que propiciam sombra e segurança.
Figura 37 - CUCA Barra. Fonte: https://www.fortaleza.ce.gov.br/noticias/cuca-barra-recebe-inscrico-es-para-cursos-extensivos-ate-sabado-24
Figura 39 - CUCA Barra. Fonte: http://diariodonor-deste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/ festival-revela-ganhadores-1.935254
Figura 38 - CUCA Barra. Fonte: http://www.vitruvius. com.br/revistas/read/projetos/06.065/2640?pa-ge=3
30 REFERÊNCIAS PROJETUAIS
O CUCA Barra foi dividido em blocos, o pré-existente, onde ficam as salas de aula, administração e áreas de apoio; o bloco lateral, com os vestiários, terraço/mirante e lanchonete; o teatro e o ginásio poliesportivo. Os blocos são interligados por uma praça de convívio interna onde se dá o acesso ao equipamento. As demais atividades foram distribuídas em espaços aber-tos, como a praça de exposições, anfiteatro, piscina, esportes radicais e quadras de areia.
Já os CUCAs Mondubim e Jangurussu, possuem projetos semelhantes, diferenciando na implantação. Em ambos, a maior parte dos ambientes se concentram em um bloco pavilhonar, marcado por um pátio interno dividindo duas circulações, que juntamente com as aberturas zenitais fa-vorecem a ventilação e iluminação natural, fazendo do espaço interno um local mais agradável. Além do pavilhão, existe o teatro, a quadra coberta e outros ambientes que foram distribuídos pelo terreno, como quadra de areia, pista de skate, piscina e anfiteatro.
“O CUCA é um espaço para o jovem ocupar o tempo e a cabeça, além de mudar a percepção que o jovem tem da vida, da cidade e do futuro. ” (Luiziane Lins)
Desta forma, percebe-se a importância de um equipamento cultural com diversidade de atividades e espaços, assim como de programa, gerando um ambiente flexível e multifuncional.
Figura 41 - CUCA Mondubim. Fonte: http://lagoanew- sonline.com.br/rede-cuca-oferece-5-mil-vagas-em-julho-para-cursos-em-fortaleza/ Figura 40 - CUCA Barra. Fonte: https://www.fortale- za.ce.gov.br/noticias/prefeitura-de-fortaleza-pro-move-colonia-de-ferias-na-barra-do-ceara
Figura 42 - CUCA Jangurussu. Fonte: http://www.ver- dinha.com.br/noticias/9820/cuca-jangurussu-ofe-rece-30-vagas-para-curso-de-formacao-em-radio/
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REFERÊNCIAS PROJETUAIS
SESC 24 DE MAIO
Projeto: Paulo Mendes da Rocha e MMBB Ano do Projeto: 2017
Localização: São Paulo/SP, Brasil
O projeto dessa nova unidade da rede Sesc foi uma obra de intervenção em uma antiga loja de departamento, chamada Mesbla, localizada no centro da cidade. A rede Sesc é uma entidade privada que tem como objetivo pro-porcionar o bem-estar e qualidade de vida aos trabalhadores deste setor e suas famílias, promovendo ações no campo da Educação, Saúde, Cultura, Lazer e Assistência, ou seja, é um conjunto complexo de instalações de recreação e serviços.
Dentre os príncipios propostos pelo projeto pode-se citar:
Recuperar, aproveitar ao máximo a construção existente, demolindo-se acréscimos posteriores ao edifício original, principalmente a fim de clare-ar espaços e fazer o conjunto respirclare-ar melhor e também implantclare-ar-se de forma mais adequada aos novos usos; concentrar e isolar as instalações técnicas e principalmente mecânicas de apoio às diversas atividades su-geridas no programa da entidade; valorizar recintos e evitar a monotonia da simples sobreposição de andares tipo; organizar um sistema de circu-lação vertical, eficiente e claro e principalmente assegurar um conjunto de rampas que percorra toda a espacialidade do edifício; construir uma estrutura independente, nova, apoiada em quatro pilares que sustentam os grandes salões intercalados; dispor alguns espaços em níveis
estraté-Figura 43 - Sesc 24 de Maio. Fonte: http://www.mmbb.com.br/projects/fullscreen/45/1/2314
Figura 44 - Sesc 24 de Maio. Fonte: http://www. mmbb.com.br/projects/fullscreen/45/1/2316
Figura 45 - Sesc 24 de Maio. Fonte: http://www. mmbb.com.br/projects/fullscreen/45/1/2315
32 REFERÊNCIAS PROJETUAIS
gicos com o sentido de praças cobertas, sem vedação nas fachadas; des-tacar e garantir autonomia ao conjunto.Seguindo o programa específico elaborado pela entidade, o Sesc 24 de Maio engloba área de convivência, espaço de brincar, oficinas, espaço de tecnologia e artes, salas de ati-vidades físicas, expressão corporal e de ginástica multifuncional, teatro, café, restaurante, biblioteca, área de exposição, consultórios e piscina recreativa, entre outros.
O edifício é composto por subsolo, térreo e mais 13 pavimentos, todos marcados por enormes esquadrias de vidro e grandes espaços sem pa-redes, permitindo a flexibilidade e multifuncionalidade dos ambientes. Os pavimentos são interligados por uma grande rampa principal de concreto, escadas e elevadores. Na parte central do prédio se destaca um grande vazio, antes a cúpula de iluminação da antiga loja, onde foram locados qua-tro grandes pilares para a sustentação da piscina localizada na cobertura. Em vista disso, os princípios abordados pelo Sesc 24 de Maio, como pro-grama multifuncional e flexível, estrutura independente, fachadas sem ve-dação, vazios, concentração de instalações e circulações, criação de uma circulação vertical acessível e convidativa, entre outros, são elementos pertinentes para o projeto proposto.
Figura 48 - Sesc 24 de Maio, planta baixa; pav. 9. Fonte: http://www.mmbb.com.br/projects/fullscre-en/45/2/2278
Figura 46 - Sesc 24 de Maio. Fonte: http://www. mmbb.com.br/projects/fullscreen/45/1/2333
Figura 47 - Sesc 24 de Maio. Fonte: http://www. mmbb.com.br/projects/fullscreen/45/1/2340
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REFERÊNCIAS PROJETUAIS
NASP - SEDE NATURA SÃO PAULO
Projeto: Dal Pian Arquitetos Ano do Projeto: 2012-2015 Localização: São Paulo/SP, Brasil
O projeto foi o ganhador do concurso promovido pela Natura, em 2011, para a construção da sua nova sede administrativa em São Paulo. Localizado em terreno de topografia variada e áreas de vegetação densa, ao lado do Centro de Distribuição da empresa, o NASP foi proposto para contemplar 1.600 colaboradores, com uma área construída de 29.700 m², além de áreas de apoio, serviços e utilidades. Sua implantação tem o objetivo de reduzir o impacto de sua ocupação e absorver em seus espaços a magni-tude da paisagem e do ambiente natural.
O edifício foi pensado como uma Torre Horizontal transparente e de gran-de permeabilidagran-de, gran-de aproximadamente 100 metros gran-de comprimento. Composto por seis pavimentos (térreo, três andares-tipo e dois subsolos), todos ligados internamente por um vazio integrador. Em torno desse vazio se articulam as várias atividades do edifício, promovendo a integração en-tre os espaços internos. A interligação dos pavimentos é feita através de escadas, elevadores e uma grande rampa, distribuídos ao longo do bloco. O projeto aproveitou a vegetação nativa e ainda trouxe jardins, áreas ver-des, espelhos d’água e espaços de lazer para o interior do prédio, gerando um maior conforto térmico. Além disso, as fachadas norte e sul são contí-nuas e envidraçadas, protegidas por brises metálicos. Já as fachadas les-te e oesles-te exibem uma pele bioclimática composta por passadiços metáli-cos e brises de vidro temperado e laminado serigrafado. Esses elementos utilizados também promovem um eficiente conforto ambiental.
Figura 49 - NASP. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/879981/nasp-sede-natura-sao-paulo-dal-pian-arquitetos-associados
Figura 50 - NASP. Fonte: https://www.archdaily.com. br/br/879981/nasp-sede-natura-sao-paulo-dal-pian -arquitetos-associados
Figura 51 - NASP. Fonte: https://www.archdaily.com. br/br/879981/nasp-sede-natura-sao-paulo-dal-pian -arquitetos-associados
34 REFERÊNCIAS PROJETUAIS
Dado o exposto, percebe-se a preocupação dos arquitetos em seguir os princípios fundamentais que conduzem as ações da empresa Natura (sus-tentabilidade, compromisso socioambiental e transparência), se utilizando de estratégias arquitetônicas como brises, vidro, espaços fluidos, vazios, acessibilidade, transparência, vegetação nativa, jardins, espelhos d’água, entre outros. Tais elementos são importantes para que o edifício seja per-meável, sustentável e confortável para seus usuários. Portanto, o empre-go desses conceitos é essencial para um Centro Cultural.
Figura 52 - NASP, planta baixa térreo. Fonte: http://www.mmbb.com.br/projects/fullscre-en/45/2/2278
Figura 53 - NASP, planta baixa, pav. 1. Fonte: http://www.mmbb.com.br/projects/fullscre-en/45/2/2278
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REFERÊNCIAS PROJETUAIS
Figura 54 - NASP, vazio. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/879981/nasp-sede-natura-sao-pau-lo-dal-pian-arquitetos-associados
Figura 55 - NASP, rampa. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/879981/nasp-sede-natura-sao -paulo-dal-pian-arquitetos-associados
ÁR
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VENÇÃ
38 ÁREA DE INTERVENÇÃO
BAIRRO
Para o seguinte trabalho foi escolhido um terreno no bairro Jóquei Clu-be como área de intervenção arquitetônica, que está localizado no setor centro-oeste da cidade de Fortaleza/CE, Brasil. O Jóquei Clube pertence a regional III do município de Fortaleza, fazendo fronteira com outros seis bairros: Pici, Henrique Jorge, João XXIII e Bonsucesso na mesma regional; Parangaba e Demócrito Rocha na regional IV. Seu perímetro se delimita pelas seguintes vias: ao norte pela Av. Carneiro de Mendonça, ao sul pela R. Júlio Braga, ao leste pela Av. Augusto dos Anjos/Av. Américo Barreira, e ao oeste pela Av. Lineu Machado e R. Estrada do Pici.
O bairro Jóquei Clube até a segunda metade dos anos 40 era conhecido por São Cristóvão e pertencia à Parangaba. Em 1800 foram encontrados indícios de um cemitério indígena, de tribos que habitaram o local. Essa área era um grande sítio que pertencia a Nestor Cabral, mas acabou sendo hipotecado por seu filho. O sitio foi comprado em 1930 por um alemão cha-mado Franz Wierzbick. Durante a Segunda Guerra, o alemão foi pressio-nado por militares, levando-o a vender parte de suas terras, que em 1947 se tornariam o Jockey Clube Cearense, com o hipódromo Stênio Gomes da Silva.
MAPA 02 - LOCALIZAÇÃO BAIRRO
MAPA 03 - LIMITES BAIRRO
Fonte: Elaborado pela autora.
Fonte: Elaborado pela autora.
jóquei clube
av. carneiro de mendonça r. júlio braga av. augusto dos anjos/av. américo barreira av. lineu machado r. estrada do pici
MAPA 04 - FRONTEIRAS
jóquei clube (regional III)
bairros pici, henrique jorge, joão XXIII e bonsucesso (regional III) bairros demócrito rocha e parangaba (regional IV)
Fonte: Elaborado pela autora.
pici
henrique jorge demócrito rocha
parangaba joão XXIII
39
ÁREA DE INTERVENÇÃO
700 m
A instalação do Jockey Clube Cearense transformou o São Cristóvão em Bairro Jóquei Clube, além de valorizar a área e promover o rápido cresci-mento da região, através da chegada de novos moradores, houve a aber-tura de vias e instalação de outros equipamentos. Essa instalação perma-neceu no local até 2008, depois mudou-se para o município de Aquiraz. Assim, o terreno foi vendido e cedeu espaço para novos empreendimentos, como o North Shopping Jóquei, Hospital da Mulher e condomínios residen-ciais. No Jóquei, também se encontra um parque ambiental, o Ecopoint, onde era uma parte do antigo sítio que deu origem ao bairro. Esse equipa-mento é um espaço de lazer e diversão, que conta com piscina, zoológico, arvorismo, tirolesa e brinquedos para crianças.
No contexto atual, o Jóquei é predominantemente residencial e dispõe de diversos serviços e comércios, incluindo os grandes equipamentos exis-tentes, como o North Shopping Jóquei, Hospital da Mulher, Ecopoint, Hiper-mercado Extra, entre outros.
MAPA 05 - PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS
hospital da mulher north shopping jóquei hipermercado extra feira da parangaba ecopoint
campo do fortaleza faculdade estácio fic terminal da lagoa
40 ÁREA DE INTERVENÇÃO
TERRENO
A área escolhida para a implantação do Centro Cultural ELO está situada na região leste do bairro Jóquei Clube, em frente ao Hipermercado Extra, ocupando quase uma quadra inteira, dividindo a mesma com uma recente instalada franquia de fast-food Habib’s. O terreno é delimitado pelas vias: ao norte pela R. Augusto Araújo, ao sul pela R. Mozart Firmeza, ao leste pela Av. Américo Barreira e ao oeste pela R. Rio Grande do Sul. Possui apro-ximadamente 19.000 metros quadrados, sendo suficiente para a locação do edifício e para uso de área externa, recurso desejado no projeto a ser desenvolvido com uso de paisagismo, mobiliário e área para descanso e convivência no geral.
A escolha do local se deu devido às dimensões e características físicas do terreno e à facilidade de acesso para os usuários que utilizam do trans-porte público como principal meio de locomoção, pois, por estar próximo ao Terminal da Lagoa, várias linhas de ônibus passam nas intermediações. Outro motivador para tal escolha foi o fato do terreno está localizado na região em desenvolvimento do Jóquei Clube, onde muitos edifícios resi-denciais e comerciais estão sendo construídos, além da proximidade com os principais equipamentos do bairro.
D
500 m
MAPA 06 - LOCALIZAÇÃO TERRENO
Fonte: Google Earth adaptado pela autora. MAPA 07 - LIMITES TERRENOFonte: Google Earth adaptado pela autora.
av. américo barreira r. rio grande do sul
r. mozart firmeza r. augusto araújo
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ÁREA DE INTERVENÇÃO
ENTORNO
Figura 56 - vista esquina r. rio grande do sul com r. mozart firmeza. Fonte: acervo da autora
Figura 57 - vista esquida r. rio grande do sul com r. augusto araújo. Fonte: acervo da autora
Figura 58- vista esquida r. mozart firmeza com av. américo barreira. Fonte: acervo da autora
Figura 59 - vista av. américo barreira. Fonte: acervo da autora
150 m
MAPA 08 - USOS DO SOLO
Fonte: Google Earth adaptado pela autora.
residencial comercial misto serviço institucional áreas livres terreno hospital da mulher north shopping jóquei
ecopoint
faculdade estácio fic campo do fortaleza
hipermercado extra feira da parangaba-terminal da lagoa
150 m
av. américo barreira
r. rio grande do sul
av. lineu machado
r. estrada do pici
av. augusto dos anjos
r. júlio braga
av. fernandes távora
av. aluísio de azevedo
av. carneiro de mendonça
MAPA 09 - SISTEMA VIÁRIO
Fonte: Google Earth adaptado pela autora.
44 ÁREA DE INTERVENÇÃO
DIAGNÓSTICO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO
Segundo o estudo feito sobre os usos do solo no Jóquei Clube, percebe-se a predominância de edificações residenciais, principalmente na região central do bairro, e um grande uso de edificações mistas ao longo das vias principais que delimitam o mesmo. A área escolhida para a implantação do Centro Cultural ELO encontra-se em um terreno vazio, posicionado pró-ximo aos principais equipamentos do Jóquei. Esse equipamento pretende satisfazer o déficit de equipamentos públicos e espaços de uso coletivo no local.
No entorno, bem como no restante do bairro, predominam gabaritos bai-xos. Em geral, são edificações com térreo, térreo mais um pavimento ou térreo mais dois pavimentos. As edificações de gabaritos maiores são al-guns poucos prédios e condomínios residenciais. Entretanto, esse número tende a aumentar em alguns anos, pois estão sendo construídos mais edi-fícios verticais desse porte, tanto residenciais como comerciais.
Ao observar os condicionantes físicos e ambientais, como insolação e ventilação natural, que são fatores indispensáveis para proporcionar me-lhores condições de conforto térmico e eficiência energética no edifício, pode-se perceber que o terreno não possui uma inclinação significativa em relação ao norte e suas faces maiores estão voltadas para norte e sul, assim, as fachadas que se voltarem para essas faces do terreno não serão alvo de insolação direta pela manhã e pela tarde. Já as faces meno-res estão voltadas para leste e oeste, ou seja, as fachadas voltadas para essas faces precisarão de estratégias que protejam o edifício da radiação solar. Em relação a ventilação natural, as faces sul e leste são as que recebem os ventos predominantes, que vêm da direção sudeste, assim, as fachadas voltadas para sudeste precisam ter aberturas que possibi-litem a circulação dos ventos, aumentando o conforto ambiental, porém, as aberturas voltadas para a face leste necessitam de proteções contra a insolação direta. O conforto ambiental do local também é aumentado por estar próximo a Lagoa da Parangaba, um dos grandes recursos hídricos da cidade de Fortaleza.
Sobre o sistema viário, nota-se que é bem articulado, possuindo vias arte-riais e coletoras que tanto cortam quanto delimitam o bairro, que resultam em uma facilidade na sua distribuição interna, no seu acesso e na sua interligação com outros bairros. Segundo o Plano Diretor de Fortaleza, a Av. Carneiro de Mendonça, Av. Augusto dos Anjos/Av. Américo Barreira, R. Júlio Braga e Av. Fernandes Távora são Vias Arteriais; a Av. Lineu Ma-chado, R. Rio Grande do Sul e Av. Aluísio de Azevedo são Vias Coletoras; e MAPA 10 - CONDICIONANTES CLIMÁTICOS
Fonte: Google Earth adaptado pela autora. 90 m
45
ÁREA DE INTERVENÇÃO
as demais são Vias Locais. O terreno adotado está localizado entre duas Vias Arteriais e uma Via Coletora, tornando-o uma área de fácil acesso, principalmente para pessoas que utilizam do transporte público para se locomoverem, pois, por estar próximo ao Terminal da Lagoa, em ambas as vias circulam várias linhas de ônibus, além de possuírem paradas próxi-mas ao local. Em razão disso, há um maior fluxo de pessoas e de veículos nessa região.
LEGISLAÇÃO
Segundo o Plano Diretor de Fortaleza, a área escolhida para intervenção encontra-se na Zona de Requalificação Urbana 1 (ZRU 1), caracterizada pela “insuficiência ou precariedade da infraestrutura e dos serviços urbanos, principalmente de saneamento ambiental, carência de equipamentos e espaços públicos, pela presença de imóveis não utilizados e subutiliza-dos (...)”. Essa zona destina-se à requalificação urbanística e ambiental, à adaptação das condições de habitabilidade, acessibilidade e mobilidade e ao aumento e diversificação do uso e ocupação do solo dos imóveis não utilizados e subutilizados.
Assim, a implantação do Centro Cultural ELO pretende satisfazer alguns dos objetivos delegados pelo Plano Diretor de Fortaleza para essa zona. Dentre eles podemos citar:
- Ampliar a disponibilidade e conservar espaços de uso coletivo, equipa-mentos públicos, áreas verdes, espaços livres voltados à inclusão para o trabalho, esportes, cultura e lazer;
- Implementar instrumentos de indução ao uso e ocupação do solo, princi-palmente para os imóveis não utilizados e subutilizados;
- Incentivar a valorização, a preservação, a recuperação e a conservação dos imóveis e dos elementos característicos da paisagem e do patrimônio histórico, cultural, artístico ou arqueológico, turístico e paisagístico.
QUADRO 01 - PARÂMETROS DA ZRU 1
Fonte: Plano Diretor de Fortaleza.
Art. 93 - São parâmetros da ZRU 1: I - índice de aproveitamento básico: 2,0; II - índice de aproveitamento máximo: 2,0; III - índice de aproveitamento mínimo: 0,20; IV - taxa de permeabilidade: 30%;
V - taxa de ocupação: 60%;
VI - taxa de ocupação de subsolo: 60%; VII - altura máxima da edificação: 48m; VIII - área mínima de lote: 125m2; IX - testada mínima de lote: 5m; X - profundidade mínima do lote: 25m.
PR
OJET
48 PROJETO
PARTIDO
O seguinte projeto foi elaborado partindo de princípios que desde o início foram visados, dentre eles pode-se citar: a multifuncionalidade e flexibi-lidade do edifício; a acessibiflexibi-lidade e fácil acesso; a criação de espaços de convivência e lazer; e a integração, fluidez e permeabilidade dos espaços. Dessa maneira, a base do projeto foi a criação de um edifício para abrigar as atividades do Centro Cultural e o restante do terreno seria destinado à uma grande área de praça, que faria a interligação das duas praças já existentes, a praça do campo do Fortaleza e a da Feira da Parangaba, localizadas no entorno. Assim, criando mais um espaço público na cidade, onde as pessoas possam transitar, conviver e usufruir dos equipamentos oferecidos.
O programa do Centro Cultural ELO foi baseado nas propostas das redes CUCA e Sesc, com base nisso o programa foi dividido em setores dispostos pelo terreno. Esta separação foi de caráter funcional, apesar de existi-rem ambientes com diferentes necessidades espaciais. Os setores foram classificados da seguinte maneira: Setor Cultural, Educacional, Biblioteca/ Midiateca, Administrativo, Serviço/Apoio e Convivência/Entretenimento. O edifício foi locado na parte noroeste do terreno, deixando uma generosa área de praça na parte sul, justamente para a integração com as outras praças citadas anteriormente, e a nordeste foi deixada uma área para abrigar o estacionamento.
Na praça foram criados vários espaços de convivência juntamente com equipamentos diversos, como anfiteatro, food park, espaço para feirinha, academia ao ar livre, playgroung e pista de skate. Em relação ao estacio-namento, adotou-se um número de vagas restrito, com a justificativa do principal meio de acesso ser o transporte coletivo e os modais alternati-vos, como as bicicletas.
O Centro Cultural ELO foi dividido em três blocos de diferentes dimensões, o menor, que interliga os outros dois foi destinado ao foyer; o médio, locali-zado à oeste, foi atribuído ao auditório; e o maior, à leste, abriga as demais atividades do equipamento. Essa disposição foi escolhida principalmente pela possibilidade do auditório funcionar de forma independente. Como o bloco maior foi destinado aos demais setores do programa, demandou-se uma maior área para abrigá-los, assim, foi dividido em quatro pavimentos (térreo + 3). Todos interligados por uma grande rampa no vazio central. No térreo estão localizadas áreas de exposições, lojas, serviço e apoio. O primeiro pavimento abriga a parte administrativa e a
biblioteca/midia-praça praça bloco bloco bloco principal auditório foyer praça praça equipamentos estacionamento estacionamento integração
Figura 60 - Croquis do estudo da implantação do terreno. Fonte: acervo da autora.
49
PROJETO
teca. O segundo e terceiro pavimentos destinam-se a parte educacional, sendo o segundo pavimento também destinado ao restaurante/café. Além disso, os banheiros e a circulação vertical, escada e elevador, foram con-centrados em uma “torre” na parte norte do bloco, interligando todos os pavimentos.
Na questão dos acessos, decidiu-se fazer dois acessos tanto para o foyer como para o Centro Cultural, facilitando a fluidez e a permeabilidade do lo-cal. Foram utilizadas escadas e rampas para os acessos do bloco principal, para vencer o desnível do terreno nessa área.
LINGUAGEM ARQUITETÔNICA E MATERIAIS
No que diz respeito a linguagem adotada, todos os blocos possuem uma estética simples e geométrica, utilizando-se de poucos materiais e ele-mentos. As fachadas do edifício maior são marcadas por duas sacadas que indicam os acessos, pelas linhas das lajes e pelos “fechamentos” que alternam entre cobogós, guarda-corpos e alvenarias, estas que servem tanto de tela para os próprios artistas divulgarem suas obras como para contribuírem de forma a dar vida ao edifício, tornando-o uma obra de arte dinâmica.
ESTRUTURA
Sobre a estrutura, tanto no bloco principal quanto no foyer optou-se pelo uso do concreto, tanto nas vigas, como nas lajes (nervuradas) e nos pi-lares, estabelecendo eixos de 8.40x8.40 metros (bloco principal) e eixos menores variados (foyer). No auditório as estruturas foram mescladas entre vigas metálicas e pilares e vigas de concreto, pela necessidade de superar o grande vão. As cobertas dos blocos variam entre telhas metáli-cas, lajes impermeabilizadas e a coberta de policarbonato translúcido que ilumina o vazio central.
CONFORTO
Em relação ao conforto ambiental, as fachadas alternadas e o recuo das paredes de alvenaria criam espaços de circulação que juntamente com o uso dos cobogós favorecem o fluxo da ventilação natural e reduzem a incidência solar direta nas alvenarias. Além disso, o vazio central e a coberta translúcida com aberturas laterais permitem que a iluminação natural chegue no interior do edifício, também auxiliando na ventilação e no conforto.
50 PROJETO PROGRAMA DE NECESSIDADES CULTURAL EDUCACIONAL BIBLIOTEDA/MIDIATECA auditório (280 pessoas) camarins c/ wc acessíveis estar artistas depósito salas técnicas foyer exposições
salas de dança tipo A salas de dança tipo B salas de dança tipo C salas de música tipo A salas de música tipo B salas de música tipo C salas de aula tipo A salas de aula tipo B oficinas de artes tipo A oficinas de artes tipo B oficinas digitais tipo A oficinas digitais tipo B salas multiuso miniauditório exposições acervo leitura em grupo leitura individual sala de jogos sala de vídeo depósito cineminha brinquedoteca 01 02 01 01 02 01 01 02 01 01 02 01 01 02 01 02 01 02 01 02 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 549,63 m² 23,35 m² 21,55 m² 21,55 m² 43,65 m² 491,46 m² 400,00 m² 59,84 m² 45,28 m² 53,21 m² 59,84 m² 45,28 m² 53,21 m² 106,42 m² 93,96 m² 59,84 m² 45,28 m² 59,84 m² 45,28 m² 184,00 m² 93,96 m² 250,00 m² 560,25 m² 32,76 m² 35,91 m² 25,45 m² 24,57 m² 24,57 m² 93,96 m² 185,62 m² -1x25,65m²/1x18m² bilheteria/guarda-volume/wcs/dml/café -2x29,92m² -2x29,92m² -2x53,21m² -2x29,92m² -2x29,92m²
-2x92,00m²/com divisórias removíveis -recepção/guarda-volume/leitura
-51 PROJETO ADMINISTRATIVO SERVIÇO/APOIO CONVIVÊNCIA/ENTRETENIMENTO recepção secretaria/tesouraria coordenação salas sala de reunião diretoria arquivo almoxarifado copa/estar funcionários wc feminino wc masculino wc acessível dml copa/estar funcionários depósito almoxarifado lixo/gás wc público acessível recepção/informações segurança ambulatório estacionamento lojas café/restaurante anfiteatro food park feirinha academia ao ar livre playground pista de skate 01 01 01 01 01 01 01 01 04 04 04 04 01 01 01 01 01 01 01 01 -03 01 01 01 01 01 01 01 19,44 m² 25,20 m² 32,29 m² 40,95 m² 28,35 m² 18,90 m² 15,75 m² 28,35 m² 21,74 m² 20,98 m² 4,70 m² 3,26 m² 39,35 m² 11,52 m² 11,52 m² 23,40 m² 45,90 m² 25,10 m² 21,26 m² 21,26 m² 1116,00 m² 198,42 m² 230 m² 271,60 m² 770,00 m² 788,00 m² 295,20 m² 267,59 m² 653,40 m²
-61 vagas(29 carro/15 moto/16 bicicleta/3 ônibus) 2x53,21m²/1x92,00m²
-DES
D A A D C C B B
r. augusto araújo
r. mozart firmeza
r. grande do sul
av. américo barreira/av. josé bastos
91° 90° 90° 150.77 53.00 69.00 57.4 4 220.84 .72 .38 2.06 .47 13.6 01 .34.24 4.13.35 .84.65.62.72 .72 acesso principal acesso foyer acesso foyer acesso secundário acesso serviço acesso veículos 15.12 12.84 29.58 43.15
LEGENDA:
1 anfiteatro 2 auditório 3 foyer 4 bloco principal 5 espaço feirinha 6 lixo/gás 7 estacionamento 8 wc público 9 food park 10 playground 11 academia ao ar livre 12 pista de skate 1 2 3 4 5 6 7 7 8 9 10 11 12PLANTA IMPLANTAÇÃO
ESC.: 1:650
QUADRO DE ÁREAS: Área terreno: 20029,08 m² Área total térreo: 4290,23 m²Área total primeiro pavimento: 2310,63 m² Área total segundo pavimento: 1927,59 m² Área total terceiro pavimento: 1927,59 m² Área total construída: 10456,04 m² Taxa de ocupação: 21,42 % Índice de aproveitamento: 0,52 Taxa de permeabilidade: 36,62 % Gabarito: 21,80 m
5 6 7 8 9 10 4 3 2 1 11 A B C D E F G H I J K L M N O P +0.00 12 4.75 4.75 4.75 4.75 10.60 10.60 3.00 8.40 8.40 8.40 8.40 14 13 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 5.40 5.50 5.50 5.50 5.50 5.50 1.87 3.63 3.27 2.23 acesso principal acesso foyer acesso foyer acesso secundário acesso serviço acesso veículos +0.22 -0.78 +0.00 +0.00 -1.26 +0.00 -1.51 -1.60 +0.00 -3.00 -1.30 -2.15 -3.15 +0.00 +1.29 -0.80 i = 8.33% i = 8.33% i = 8.33% s s s s i = 8.33% s
projeção primeiro pav.
projeção primeiro pav.
projeção marquise projeção coberta projeção marquise projeção coberta D A A D C C B B +0.00 +0.00 +0.00 1 2 3 3 4 4 5 6 7 7 8 9 10 11 11 12 13 14 14 15 15 15 16 17 18 19 20 21 22 23 23 24 25 26 27 28 LEGENDA: 1 anfiteatro 2 estar artistas 3 camarim 4 wc camarim 5 depósito 6 auditório 7 sala técnica 8 foyer 9 café 10 bilheteria 11 wc foyer 12 espaço feirinha 13 exposições 14 wc público/serviço 15 loja 16 depósito serviço 17 almoxarifado 18 estar funcionários 19 recepção 20 segurança 21 ambulatório 22 lixo/gás 23 estacionamento 24 wc público 25 food park 26 playground 27 academia ao ar livre
28 pista de skate
PLANTA TÉRREO
i = 8.33% +4.50 laje impermeabilizada laje impermeabilizada/calha laje impermeabilizada telha metálica i = 5% laje impermeabilizada laje 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 s 8 9 10 11 J K L M N O P 12 13 14 D A A D C C B B impermeabilizada LEGENDA: 1 recepção 2 secretaria/tesouraria 3 coordenação salas 4 sala de reunião 5 diretoria 6 arquivo 7 almoxarifado 8 copa/estar funcionários 9 wc 10 leitura em grupo 11 leitura individual 12 biblioteca/midiateca 13 sala de jogos 14 depósito 15 sala de vídeo 16 cineminha
17 brinquedoteca
PLANTA PRIMEIRO PAVIMENTO
ESC.: 1:600
1 2 3 4 5 6 7 8 9 9 10 11 12 13 14 15 16 17+9.00 i = 8.33% laje impermeabilizada s 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8 9 10 11 J K L M N O 12 13 D A A D C C B B laje impermeabilizada laje impermeabilizada/calha laje impermeabilizada telha metálica i = 5% laje impermeabilizada laje impermeabilizada laje impermeabilizada LEGENDA:
1 sala de música tipo A
2 sala de música tipo B
3 sala de dança tipo B
4 sala de dança tipo A
5 wc
6 café/restaurante
7 sala multiuso
8 miniauditório
9 sala de dança tipo C
10 sala de música tipo C
PLANTA SEGUNDO PAVIMENTO
ESC.: 1:600
1 1 2 3 4 4 5 5 6 7 8 9 10s 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 8.40 i = 8.33% laje impermeabilizada +13.50 8 9 10 11 J K L M N O 12 13 D A A D C C B B laje impermeabilizada laje impermeabilizada/calha laje impermeabilizada telha metálica i = 5% laje impermeabilizada laje impermeabilizada laje impermeabilizada LEGENDA:
1 oficina digital tipo A
2 oficina digital tipo B
3 oficina de arte tipo B
4 oficina de arte tipo A
5 wc
6 exposições
7 sala multiuso
8 sala de aula tipo B
9 sala de aula tipo A
PLANTA TERCEIRO PAVIMENTO
ESC.: 1:600
1 1 2 3 4 4 5 5 6 7 8 9 9+18.00 +18.00 +21.50 +4.50 +9.00 +9.00 laje impermeabilizada laje impermeabilizada laje impermeabilizada/calha laje impermeabilizada/calha +18.00 laje impermeabilizada
telha metálica i = 5% telha metálica
i = 5%
coberta de policarbonato translúcido
i = 5% D A A D C C B B laje impermeabilizada laje impermeabilizada/calha laje impermeabilizada telha metálica i = 5% laje impermeabilizada laje impermeabilizada laje impermeabilizada LEGENDA: 1 1 2 3 4 5 auditório 2 foyer 3 bloco principal 4 lixo/gás