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Déficit Hídrico na Região Nordeste: Variabilidade Espaço-Temporal

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Djane Fonseca da Silvaa*; Clênia Rodrigues Alcântarab Resumo

Neste trabalho foram utilizados gráficos do número de dias com déficit hídrico na região nordeste para o período de 1998 a 2004, obtidos através da SUDENE-CPTEC-INPE. Percebeu-se que durante eventos de El Niño, o número de dias considerados secos ou com déficit hídrico parecem ser maiores em relação aos períodos em que se observam eventos de La Niña ou anos de neutralidade na região, levando prejuízos à agricultura, por exemplo. Para um período maior, o percentual de dias com déficit em toda região semi-árida é bastante alto chegando, em algumas áreas, a quase 100%.

Palavras-chave: Semi-árido nordestino. ENOS. Variabilidade pluviométrica. Abstract

This work used graphs showing the numbers of days with hydric deficit in the northeast region from 1998 to 2004, obtained from SUDENE-CPTEC-INPE. It was perceived that, during the El Niño events, the number of days considered dry or with hydric deficit seems to be higher in relation to the periods when La Niña events are observed, or in neutral years in the region, causing, for instance, damage to agriculture. In a longer period, the percentage of days with hydric deficit in all the semi-arid region is sufficiently high, achieving, in some areas, almost 100%. Key-words: Northeastern semi-arid. ENSO. Pluviometric variability.

1 Introdução

O Semi-Árido Brasileiro se estende por uma área que abrange a maior parte de todos os Estados da Região Nordeste (86,48%), a região setentrional do Estado de Minas Gerais (11,01%) e o norte do Espírito Santo (2,51%), ocupando uma área total de 974.752 Km2 (MIN, 2005).

A região semi-árida, que sofre com suas características climáticas e deficiência hídrica, ainda é influenciada por resultados das atividades predatórias desencadeando a degradação e o empobrecimento da natureza, da qual a desertificação é uma das modalidades mais impactantes. Esse fenômeno, todavia, também pode resultar de um processo de mudança climática ainda mais sério.

O déficit hídrico mundial cresce a cada ano, tornando-se cada vez mais difícil de administrar. Se fossem estabilizados todos os lençóis freáticos bombeando menos água, a colheita mundial de grãos cairia em cerca de 160 milhões de toneladas, ou 8%, e os preços dos grãos disparariam. Se o déficit continuar a alargar-se, o ajuste a ser feito será ainda maior (SEMI-ÁRIDO..., 2005).

Deste modo, esse trabalho analisa a variabilidade espaço-temporal e a ocorrência de dias com déficit hídrico na região

semi-árida, consequentemente indicando uma tendência prevista para a região, a qual pode ser uma ferramenta de muito valor para os órgãos responsáveis e para a população local.

1.2 Região semi-árida nordestina

No semi-árido, as precipitações anuais estão entre 400-800 mm, variando, também, nas épocas de início e de fim da estação chuvosa. Prevalecem, entretanto, as chuvas de verão/ outono. Outra característica marcante do regime de chuvas na área é a grande variação que se manifesta tanto na distribuição das precipitações ao longo da estação chuvosa, como nos totais anuais de precipitação entre diferentes anos em uma mesma localidade ao longo da história. Há anos em que as chuvas se concentram num curto período da estação chuvosa. Em outros, a precipitação anual alcança valores bem abaixo de sua média, o que é característico dos chamados anos de “Seca” (SEMI-ÁRIDO..., 2005).

Do ponto-de-vista hídrico, o semi-árido é conhecido por características tais como: apenas uma pequena parcela da região tem uma média pluviométrica anual inferior a 400 mm. No semi-árido como um todo, essa média sobe para 750 mm por ano. É bem verdade, que se têm problemas de má distribuição espaço-temporal dessa chuva, mas, de fato, não existe ano sem chuva. Os anos mais secos dificilmente são inferiores a 200 mm (SEMI-ÁRIDO..., 2005).

O nosso déficit hídrico é de longe um grave fenômeno natural, o qual é devido:

Déficit Hídrico na Região Nordeste: Variabilidade Espaço-Temporal

Hydric Deficit in the Northeast Region: Space-time Variability

a Doutora em Recursos Naturais - Universidade Federal de Campina

Grande (UFCG-PB). E-mail: [email protected].

b Doutoranda em Meteorologia - Universidade de São Paulo (USP). São

Paulo. E-mail: clê[email protected].

* Endereço para correspondência: Av. Prof. Moraes Rego, 1235 - Cidade Universitária, CEP: 50670-901, Recife - PE.

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• Ao elevado potencial de perda de água por evapotranspiração, que chega a 2.500 mm ao ano;

• Escassez de água nos rios perenes, que garantam a qualidade e quantidade de água, em alguns períodos do ano, suficiente para a subsistência da população local;

• Baixo nível de aproveitamento das águas das chuvas: os reservatórios existentes são poucos e não adaptados, tendo sido utilizada, até hoje, a tecnologia dos grandes açudes que concentram a água em amplos e espaçosos reservatórios (grandes espelhos de água) que facilitam a evaporação; • Armazenamento e utilização da água por processos de

escoamento de pontos mais altos para o acúmulo em pontos mais baixos dos terrenos. No seu deslocamento até o local do armazenamento a água leva consigo diversos tipos de sujeiras. Na sua utilização, pessoas e animais compartilham a mesma água, naturalmente contaminada.

1.3 O Problema do déficit hídrico

A ocorrência de déficit hídrico em plantas cultivadas afeta o crescimento e o desenvolvimento das culturas em todo o mundo. Desde os antigos povos sumérios, o homem tem procurado uma alternativa mais efetiva do aproveitamento da água para superar os efeitos do déficit hídrico às plantas. O déficit hídrico é uma situação comum à produção de muitas culturas, podendo apresentar um impacto negativo substancial no crescimento e desenvolvimento das plantas (LECOEUR; SINCLAIR, 1996); assim, existe um conflito entre a conservação da água pela planta e a taxa de assimilação de CO2 para produção de carboidratos (TAIz; zEIGER, 1991). A necessidade de se resolver este conflito leva a planta a desenvolver mecanismos morfofisiológicos que as conduzem a economizar água para uso em períodos posteriores (MCCREE; FERNÁNDEz, 1989) levando assim as plantas a tentarem atingir a produção de sementes.

Sem água disponível ou armazenada a população fica inteiramente dependente das variações climáticas da região, as plantas sofrem fisiologicamente e os danos sócio-econômicos aumentam consideravelmente.

A deficiência hídrica provoca alterações no comportamento vegetal cuja irreversibilidade vai depender do genótipo, da duração, da severidade e do estádio de desenvolvimento da planta. Segundo Levitt (1980) no entendimento das respostas das plantas ao déficit hídrico é de fundamental importância se quantificar a capacidade de armazenamento de água no solo e analisar a influência dos mecanismos de adaptação das plantas à redução da disponibilidade de água no solo, pois, de acordo com Kiehl (1979) a quantidade de água armazenada no solo disponível às plantas varia com a textura e as características físicas do solo, levando a planta a apresentar diferentes respostas em seus mecanismos de resistência morfofisiológicos.

A frequência e a intensidade do déficit hídrico constituem os fatores mais importantes à limitação da produção agrícola mundial. De acordo com Ortolani e Camargo (1987) sem considerar os efeitos extremos, esta limitação é responsável por 60 a 70% da variabilidade final da produção, razão

pela qual, no planejamento da agricultura irrigada, é de fundamental importância o conhecimento das condições meteorológicas durante o período de desenvolvimento das plantas, principalmente quanto aos períodos de baixa precipitação e elevada demanda na evapotranspiração. Na agricultura de sequeiro, entretanto, a prioridade é associar a época de plantio ao período mais adequado de disponibilidade de água às plantas, principalmente em regiões de baixas latitudes.

De acordo com Confalone e Dujmovich (1999) o suprimento de água para uma cultura resulta de interações que se estabelecem ao longo do sistema solo-planta-atmosfera. As influências recíprocas entre esses componentes básicos tornam o sistema dinâmico e fortemente interligado, de tal forma que a condição hídrica da cultura dependerá sempre da combinação desses três segmentos. À medida que o solo seca, torna-se mais difícil às plantas absorverem água, porque aumenta a força de retenção e diminui a disponibilidade de água no solo. Entretanto, quanto maior for a demanda evaporativa da atmosfera mais elevada será a necessidade de fluxo de água no sistema solo-planta-atmosfera.

O movimento da água do solo para a atmosfera através da planta depende das características físicas do solo. Em um extremo, encontram-se os solos arenosos, que possuem menor área superficial e apresentam grandes espaços porosos ou canais entre as partículas; em outro extremo, solos argilosos, com partículas e poros menores, que dificultam a drenagem e retêm a água mais firmemente. Essas características interferem na capacidade de retenção da água no solo e, assim, com exceção aos solos do cerrado, a capacidade de retenção de água é maior em solos de textura argilosa e com alto teor de matéria orgânica e menor em solos de textura arenosa (KIEHL, 1979; TAIz; zEIGER,1991).

Segundo Carlesso (1995) o suprimento de água às plantas é determinado pela habilidade da cultura em utilizar a água armazenada no solo, enquanto a demanda da atmosfera, por outro lado, está relacionada à combinação dos fatores meteorológicos interagindo com o dossel vegetativo da cultura. A resposta das plantas ao potencial de água no solo tem sido estudada por muitos pesquisadores; entretanto, o potencial de água no solo não indica, de maneira geral, as condições de déficit ou excesso de água na profundidade do solo explorado pelo sistema radicular das plantas (CARLESSO, 1995). Desta forma, Ritchie et al. (1972) e Carlesso (1995) fazem restrição ao uso do potencial de água no solo para caracterizar a intensidade de ocorrência de déficit hídrico.

Outros efeitos do déficit hídrico incluem a redução no desenvolvimento das células, na expansão das folhas, transpiração e redução na translocação de assimilados (HSIAO, 1973). Para Michelena e Boyer apud Ball, Oosterhuis e Mauromoustakos (1994) plantas de milho não inibem a manutenção do turgor em condições de déficit hídrico, mas reduzem o desenvolvimento. Os trabalhos de

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Herrero e Johnson (1981) trabalhando com milho, e Ball, Oosterhuis e Mauromoustakos (1994) trabalhando com algodão, demonstraram que, em condições de déficit hídrico, há um acentuado declínio na expansão das folhas. Trabalhando também com milho, Carlesso (1993) demonstrou a influência do déficit hídrico no enrolamento da folha e na redução da elongação1

.

Segundo Belaygue et al. (1996) a mudança no índice de área foliar em condições de déficit hídrico depende da mudança individual da área foliar que ocorre em cada folha. Lawlor, Day e Turner (1981), estudando os efeitos do déficit hídrico na cultura da cevada, verificaram que no período compreendido entre a emergência e a antese2, o índice de área foliar diminuiu significativamente em função da menor expansão e do número de folhas, além de antecipar a senescência3. Para Belaygue et al. (1996) em muitas espécies, como o milho ou girassol, o número de folhas já é determinado geneticamente; entretanto, NeSmith e Ritchie (1992) relatam queocorrência de déficit hídrico antes do florescimento das plantas reduz o número de folhas do milho.

O enchimento de grãos também é afetado pelo déficit hídrico que ocorre após a antese (KOBATA; PALTA; TURNER, 1992). Investigações de zinselmeier et al. (1988) não evidenciaram a influência da ocorrência de déficit hídrico durante a antese, no rendimento de grãos de milho; entretanto, trabalhos de Herrero e Johnson (1981) e Bassetti e Westgate (1993) demonstraram efeitos significativos do déficit hídrico na redução do índice de expansão nos órgãos reprodutores femininos (estilete) durante a antese causando, assim, impacto negativo no rendimento de grãos.

Em relação ao efeito do déficit hídrico como promotor da indução floral, Castro Neto (1995) tem discutido que o principal problema é que a aplicação de déficit hídrico não tem sido realizada de maneira correta, ficando a planta com bastante água ainda disponível para o crescimento vegetativo. O autor fundamenta sua sugestão no fato de que os pomares situados sob as mesmas condições, mas tratados com déficit hídrico por excesso de água, apresentam uma floração satisfatória.

Durante o déficit hídrico há menor translocação de foto-assimilados na planta, devido à redução da fotossíntese nas folhas e à inibição do crescimento dos órgãos da planta (SIONIT; KRAMER, 1977). A translocação de foto-assimilados é afetada, indiretamente, por estresse moderado, por causa da alteração da relação fonte/demanda. Com a expansão celular reduzida, ocorre diminuição da fonte (folhas) e, consequentemente, dos fotossintatos disponíveis para translocação em direção aos grãos, resultando numa diminuição no tamanho da demanda. Caso o déficit hídrico ocorra após a expansão foliar, haverá diminuição da competição entre folhas e frutos pelos fotossintatos, sendo

a demanda prejudicada somente pela menor disponibilidade destes, ou seja, pela diminuição na taxa fotossintética (HALE; ORCUTT, 1987).

Confalone e Dujmovich (1999) verificaram a influência do déficit hídrico durante o período reprodutivo, sobre o desenvolvimento, rendimento e componentes do rendimento da soja e concluíram que os últimos estágios reprodutivos foram os mais sensíveis à deficiência de água. De acordo com os autores, o déficit hídrico no início do período reprodutivo reduz a área foliar, mas não afeta o rendimento final de grãos. Já o déficit hídrico no final do período reprodutivo, provoca uma forte diminuição no rendimento de grãos, sendo a produção de legumes por unidade de superfície a componente de rendimento mais afetada.

Se os governos dos países carentes de água não adotarem medidas urgentes para estabilizar a população e elevar a produtividade hídrica, a escassez de água em pouco tempo se transformará em falta de alimentos. No número crescente de países com déficit hídrico, incluindo os gigantes, China e Índia, o risco é que a necessidade de importar grãos suplante a oferta exportável dos países com excedentes de alimentos, como os Estados Unidos, Canadá e Austrália. Isso poderá desestabilizar os mercados mundiais de grãos. Outro problema em lidar com o déficit é que alguns países de baixa renda e com escassez de água não tenham condições financeiras para importar os grãos de que necessitam, condenando milhões dos seus habitantes à indigência hidrológica, à sede e à fome (DÉFICIT, 2005).

Em condições ideais de disponibilidade hídrica, a quantidade de água consumida pelas plantas é igual à evapotranspiração máxima da cultura (ETm). Esta, por sua vez, é dependente das condições meteorológicas que ocorrem durante o ciclo de desenvolvimento das plantas (MATzENAUER; BERGAMASCHI; BERLATO, 1998), do tipo de solo e características da planta como área foliar, sistema radicular e altura de plantas. Já o déficit hídrico é caracterizado pela ocorrência de chuvas inferior à evapotranspiração das culturas. Uma das alternativas para fugir dos períodos mais sujeitos à ocorrência de déficit hídrico consiste no planejamento da atividade agrícola, fazendo coincidir as épocas de maior consumo de água pelas plantas com a maior disponibilidade hídrica da região. (CARLESSO; PETRY; ROSA, 2001). Mas a maneira mais segura de se reduzir o risco causado pela deficiência hídrica é através do uso da irrigação. O uso da irrigação possibilita o aumento na produtividade dos cultivos e a melhoria na qualidade da produção, além de diminuir consideravelmente os riscos da atividade agrícola. Entretanto, como a água é um bem finito e os custos inerentes à aplicação da água (consumo de energia + depreciação do equipamento) são consideráveis, o uso da irrigação deve ser cuidadosamente 1 Fís.): No movimento periódico de uma partícula, o seu afastamento instantâneo em relação à posição de equilíbrio. (Ort.): Processo mediante o qual se procura conseguir alongamento de algumas estruturas anatômicas.

2 (Bot.): Abertura dos botões florais em flores; florescência. 3 Qualidade ou estado de senescente; que está envelhecendo.

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planejado para evitar prejuízos econômicos à atividade.

2. Material e Método

Neste trabalho foram utilizados gráficos do número de dias com déficit hídrico na região nordeste para o período de 1998 a 2004, obtidos através da SUDENE-CPTEC-INPE.

Serão analisadas as variabilidades espacial e temporal do parâmetro em estudo, tentando verificar a localização de áreas mais secas, dimensão da mesma, ocorrência ou frequência dos eventos de secas dentro do tempo de estudo, além de tentar encontrar uma tendência para os próximos anos, com base no presente.

A área de estudo é a região nordeste mostrada na figura 1:

Em 2000 ocorreu um fraco LN seguido de ano neutro até meados de 2001 (figura 4). Possivelmente o fraco sinal positivo do LN não causou muita precipitação na região semi-árida, provocando a ocorrência de uma grande área com déficit hídrico. Regiões abrangendo os Estados do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Bahia e pequenas partes de Alagoas e Sergipe apresentaram de 80 a 90 dias de déficit hídrico. O Estado do Maranhão não apresentou deficiência hídrica.

Figura 1: Localização da região Nordeste em relação ao território brasileiro

Maranhão Piauí

Bahia

Ceará Rio Grande do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe 3. Resultados e Discussão

Durante 1998 deu-se início a um evento de El Niño (EN) considerado forte e já no mês de julho apresentava-se situação de La Niña (LN) moderada (figura 02). Possivelmente devido a ocorrência desse EN o número de dias considerados secos ou com déficit hídrico foi alto durante esse período (1998/99). Pode-se perceber que a baixa precipitação atingiu grande parte da região Nordeste do Brasil (NEB), desde o centro da Bahia até o litoral do Rio Grande do Norte e parte do Estado do Ceará, atingindo também regiões bem próximas à costa litorânea. Toda essa região apresentou a ocorrência de 80 a 90 dias de déficit hídrico, em média.

A figura 03 mostra a distribuição do número de dias com déficit hídrico na região nordeste do Brasil durante 1999/2000. A área de maior ocorrência de déficit hídrico diminuiu em relação ao ano anterior possivelmente devido ao evento de LN ocorrido em 1999 a 2000. Na região semi-árida houve a ocorrência mínima de 40 a 50 dias com déficit hídrico. Na região do Baixo São Francisco, área muito importante, foi detectado o maior número de dias de evaporação maior que a precipitação nessa região, fato que pode ter sido influenciado pela presença do rio São Francisco e condições atmosféricas locais durante o período.

Número de dias com déficit hídrico

0 - 10 10 - 20 20 - 30 30 - 40 40 - 50 50 - 60 60 - 70 70 - 80 80 - 90 Fonte: CPTEC/INPE.

Figura 2: Número de dias com déficit hídrico (1998/99 – Transição de EN para LN)

Número de dias com déficit hídrico

0 - 10 10 - 20 20 - 30 30 - 40 40 - 50 50 - 60 60 - 70 70 - 80 80 - 90 Fonte: CPTEC/INPE).

Figura 3: Número de dias com déficit hídrico (1999/2000 – Presença de LN)

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Número de dias com déficit hídrico

0 - 10 10 - 20 20 - 30 30 - 40 40 - 50 50 - 60 60 - 70 70 - 80 80 - 90 Fonte: CPTEC-INPE.

Figura 4: Número de dias com déficit hídrico (2000/01- Tran-sição de LN para ano neutro)

Número de dias com déficit hídrico

0 - 10 10 - 20 20 - 30 30 - 40 40 - 50 50 - 60 60 - 70 70 - 80 80 - 90 Fonte: CPTEC-INPE.

Figura 5 - Número de dias com déficit hídrico (2001/02 – ano neutro)

Já durante o ano neutro de 2001 até março de 2002 (figura 05) maior parte da região ficou com o número de dias com déficit hídrico entre 20 e 40 dias, diminuindo bastante em relação aos anos de EN. Grande área do Estado do Piauí e pequena parte do Maranhão tiveram aumento da evaporação nesse período e grande parte dos Estados da Bahia e Pernambuco apresentaram problemas em decorrência do déficit hídrico ocorrido. Verificou-se que na região Verificou-semi-árida a agricultura ocorre de maneira delicada, sendo fortemente dependente de acompanhamento meteorológico e climatológico, além da utilização da irrigação.

Número de dias com déficit hídrico

0 - 10 10 - 20 20 - 30 30 - 40 40 - 50 50 - 60 60 - 70 70 - 80 80 - 90 Número de dias com déficit hídrico

0 - 10 10 - 20 20 - 30 30 - 40 40 - 50 50 - 60 60 - 70 70 - 80 80 - 90 Fonte: CPTEC/INPE.

Figura 7: Número de dias com déficit hídrico (2003/04 – ano neutro)

Fonte: CPTEC/INPE.

Figura 6: Número de dias com déficit hídrico (2002/03 – Presença de EN)

O número de dias com déficit hídrico mostrado na figura 6 revela que uma ampla faixa da região nordeste teve muitos dias com déficit hídrico, sendo que as áreas com mais de 80 dias de déficit atingiram fortemente os Estados de Pernambuco, Paraíba, norte da Bahia, e o leste de Alagoas e Sergipe. Como este foi um período de EN com intensidade de fraco a moderado, a precipitação diminuiu fazendo com que o déficit hídrico aumentasse em relação a 2001-2002, que foi neutro. Deste modo, em anos de EN, a agricultura, a disponibilidade hídrica, o abastecimento e a irrigação, entre outros, sentem-se prejudicados.

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O período 2003-2004 (figura 7) foi bastante atípico mesmo sendo um ano neutro, pois tanto a área quanto a quantidade de dias em que se observou déficit hídrico na região NEB foram pequenas. Tudo isso devido a uma associação de sistemas de grande escala, principalmente o vórtice ciclônico de ar superior, e mesma escala que proporcionaram precipitações acima da média em grande parte do NEB (BRITO; BRAGA, 2005; XAVIER, 2005).

Por fim, a figura 8 mostra o percentual de dias com déficit hídrico para a região nordeste no período compreendido entre 01/10/1970 e 31/12/1990. Percebe-se que em toda região semi-árida o percentual é bastante alto, chegando a algumas áreas, a quase 100% de dias com déficit hídrico. Nas áreas no entorno da região semi-árida, o percentual permanece entre 40 e 50%. Com exceção da faixa litorânea a leste da região, em que o percentual está abaixo de 40%, sendo que a área no litoral do Estado baiano tem percentual entre 0 e 10 de dias com déficit hídrico.

déficit hídrico durante o evento de El Niño. Deste modo, em anos de El Niño, a agricultura sente-se prejudicada.

Nos anos neutros, a maior parte da região Nordeste ficou com o número de dias com déficit hídrico entre 20 e 40, o que de fato, é bem menor do que aqueles observados em anos de El Nino (mais de 80 dias).

O Estado do Maranhão, que não faz parte do semi-árido, foi o menos afetado ou teve menor área afetada com déficit hídrico. Já os Estados de Pernambuco e Paraíba tiveram mais dias com déficit hídrico e maior área foi afetada.

Do ponto de vista deste parâmetro, a agricultura é uma atividade desfavorecida na região semi-árida do nordeste brasileiro, a não ser por pequenos períodos do ano (partes da estação chuvosa) e em algumas áreas em que não se observa déficit hídrico.

Então, sugere-se que estudos mais detalhados da variabilidade espaço-temporal da variável aqui estudada, aliado a estudos de outras variáveis, tais como precipitação e número de dias com chuva, sejam realizados para um entendimento mais detalhado das características da região nordeste do Brasil. Sugere-se também que a agricultura utilize o acompanhamento pluviométrico e informações meteorológicas para a diminuição de perdas nos cultivos agrícolas em períodos críticos e ao mesmo tempo para que a irrigação ocorra de modo adequado.

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Percentual de Dias com Déficit Hídrico no Período 01/10/1970 - 31/12/1990

Fonte: Ministério da Integração Nacional, 2005.

Figura 8: Percentual de dias com déficit hídrico (1970/1990) 5 Conclusões

Durante eventos de El Niño, o número de dias considerados secos ou com déficit hídrico parecem ser maiores, em relação aos períodos em que observa eventos de La Niña ou anos de neutralidade na região, com uma média entre 80 a 90 dias com

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Referências

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