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E
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E
-E
E
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EE
E
E
E
íE
EE
PRODUÇÃO
DO
CONHECIMENTO EM
_: -‹ 040 867Rose
Marie
Siqueira
VillarERGONOMIA
NA
ENFERMAGEM
Dissertação
de
Mestrado
Florianópolis
:U
PRODUÇAO
DO
CONHECIMENTO EM
ERGONOMIA
NA
ENFERMAGEM
Dissertação apresentadaao
Programa
de
Pós-Graduação
em
Engenharia
da Produção da
Universidade Federal
de
Santa Catarinacomo
requisito parcial paraobtenção
do
títulode
Mestreem
Engenharia
de
Produção
Orientador Prof.
Roberto
Moraes
Cruz,
Dr.Florianópolis
PRODUÇÃO
Do
coNi-|EoiMENTo
EM
ERGoNoMiA
NA
ENFERMAGEM
Esta dissertação foi julgada e
aprovada
para aobtenção
do
títulode Mestre
em
Engenharia
de
Produção
no
Programa de Pós-Graduação
em
Engenharia
da Produção
da
4Universidade Federal
de Santa
CatarinaFlorianópolis, 17
de
tubrode
2002.Prof. Dr.
Edson
'/Jheco
PaladinfCoordenad
Programa
BANCA EXAMINADORA
z‹lz«~¬
Prof. 'ø Ro rto Moraes Cruz
___ Orie or
(mac/se»
=
\,i,‹/\,¿
pelo
apoio
e
compreensão
do
meu
caminhar
profissional.
Agradecimentos
No
decorrer deste estudo, foi importante a participaçãode
muitaspessoas
que
contribuíram
de
alguma
forma para asua
realização.Meus
agradecimentos
a todose
especial aDeus
pela forçaque
me
concedeu.
Ao meu
orientador,que
acreditouem
mim
aceitando-mecomo
aluna,quero
expressar
meu
reconhecimento
pelacompetência
profissionalcom
que
conduziu
minha
orientação, pelasua compreensão,
estímuloe
incentivo.Aos
docentes
do programa
de
pós graduação
pelo ensino específiconas
diferentes áreas
da Ergonomia
que
contribuíram para omeu
novo
olharprofissional.
Aos
familiaresque
me
apoiaram e
demonstraram seu
carinhoem
tantosmomentos.
Às
amigas e
batalhadoras pela melhoriada Enfermagem,
Alda Aparecida,
Ana
Maria,Damares,
Elaine, Maria Lúciae Olga
Laura,pela amizade, incentivo
e
valiosas contribuições científicas.À
Sonia Regina
por compartilharmomentos de
estudose
pelaamizade gerada
em
momentos
de
alegriae
inquietude duranteo
mestrado.Aos
docentes
da Faculdade
Evangélicado
Paraná, Mariade
Fátimae
Mário Sérgio pelo apoio
e demonstrações
de
amizade.À
Isabel, bibliotecáriada
Faculdade
Evangélicado
Paraná, pelas informaçõesfornecidas, pela atenção
e
apoiono
decorrer deste trabalho.Ao
Luiz Carlos,que
mesmo
de
tão longepode
contribuir significativamentena
elaboração
do
banco de
dados
e
formataçãodos
relatórios.À
Isadora pelo trabalhode
digitação, formatação, pelasua dedicação e
carinhosempre
presentes.Aos
enfermeiros docentes, assistenciaise
equipede Enfermagem,
“Os
verdadeiroselementos
que
constituem
uma
boa
Enfermagem
são
pouco
compreendidos
tanto paraos saudáveis
como
para os doentes.As
leisda
saúde ou de Enfermagem,
que
são
na realidade asmesmas,
aplicam-se
aos
que
são
saudáveiscomo
aos
que
sao
doentes”Resumo
VILLAR,
Rose
Marie Siqueira.Produção do
Conhecimento
em
Ergonomia
na
Enfermagem.
2002. 121f. Dissertação (Mestradoem
Engenharia
de
Produção)
-
Programa de Pós-Graduação
em
Engenharia
de
Produção,UFSC,
Florianópolis.O
objetivo desta pesquisa foi caracterizar o estadoda
artedo
conhecimento
em
Ergonomia na
Enfermagem
com
base no
estudode
teses e dissertaçõesproduzidas
no
campo
de conhecimento da
Enfermagem
no
Brasil.Buscando
identificar convergências
na percepção da
abordagem
ergonômica nas
atividades
de
enfermagem
em
pesquisadoresno
Brasil, foram analisados2162
resumos
de
pesquisas produzidasno
períodode 1963
a 2000, catalogadosna
Associação
Brasileirade Enfermagem.
As
pesquisasforam
caracterizadasem
relação
às
seguintes variáveis: grau acadêmico, instituições,ano de
defesa eáreas
do
conhecimento..Os
estudos sobre trabalhoe
ergonomia,foram
analisados
e
classificados por áreasda
Ergonomia. Paralelamenteao
desenvolvimento
do
trabalho, foram feitas pesquisasem
bases
de dados
nacionais
e
internacionaiscom
o
propósito buscarbases
teóricas à sustentaçãodos
dados
empíricos encontrados. Evidenciadas pesquisas sobre Trabalho,referentes a aspectos fisicos, cognitivos, psíquicos
e
organizacionaisalém
de
estudos sobre satisfação, prazer, sofrimento, desconforto
e
dor relacionados àpostura
e movimentação, demonstraram
a contribuiçãoda Ergonomia na
Enfermagem.
A
utilizaçãodos conhecimentos da Ergonomia pode
significar apossibilidade
de
mudanças,
criaçãode
novas
áreasde
atuaçãoe
contribuiçãopara o trabalho
e
àsaúde
do
trabalhadorde enfermagem.
Este estudo ressaltaa importância
da
pesquisana produção
do
conhecimento
transformando aprática
em
obraacadêmica
enfatizando a caracterizaçãodas
inter-relaçõesentre a
abordagem
da Ergonomia e
aprodução
do
saberna Enfermagem,
bem
como
a contribuiçãoda
Enfermagem
no
saberda
Ergonomia.Abstract
VILLAR,
Rose
Marie Siqueira.Production
of theKnowledge
inErgonomics
in Nursing. 2002. 121f. Dissertation (Master's
degree
in Engineering ofProduction) -
Program
of Mastersdegree
in Engineering of Production,UFSC,
Florianópolis.
The
objective of this researchwas
to characterize the state of the art of theknowledge
inErgonomics
in Nursery,based
in the study of thesesand
dissertations
produced
in the field ofknowledge
of Nursery in Brazil. Looking forto identify
convergences
in the perception of theergonomic approach
in theNursing activities in researchers in Brazil,
2162 summaries
of researchesproduced
in the period from1963
to2000
and
classified in the BrazilianAssociation of Nursing
were
analyzed.The
researcheswere
characterized inrelation to the following variables:
academic
degree, institutions, year ofdefense and
areas of the knowledge.The
studieson work and ergonomics
were
analyzedand
classified by areas of the ergonomics. Parallel to thedevelopment
of the work,were
made
researches in nationaland
internationaldata bases, with the
purpose
to look for theoreticalbases
to the support of thefound empiric data.
Evidenced
researcheson Work,
referring to physical,cognitive, psychic
and
organizational aspectsand
studies about satisfaction,pleasure, suffering, discomfort
and
pain related to the postureand movement,
demonstrated
the contribution of theErgonomics
in Nursing.The
use
of theknowledge
of theErgonomics can
mean
the possibility of changes, creation ofnew
areas ofperformance
and
contribution for the Nursing worker's healthand
work. This study points out the importance of the research in the production of
the
knowledge
transforming the practice inacademic work emphasizing
thecharacterization of the interrelations
between
theapproach
of theErgonomics
and
the production of theknowledge
in Nursing,as
wellas
the contribution ofNursing in the
knowledge
of the Ergonomics.su|v|ÁR|o
Resumo
... ..viAbstract
... ._ viiLista
de
Figuras,Quadros
e
Tabelas
... ..x1
INTRODUÇÃO
... ._ 1 1.1Contexto
da Pesquisa
... _. 1 1.2Problema de Pesquisa
... ._6
1.3 Justificativae Relevância
... .. 7 1.4 Objetivos ... ._ 8 1.4.1 Objetivo geral ... ._ 8 1.4.2 Objetivos específicos ... _. 8 1.5 Estruturado
Trabalho
... ._ 92
|=uNDA|v|ENTos
TEÓR|cos
... ..1o2.1
As
Representações
Sociaisdo
Trabalho
... ._ 102.1.1 Conceitos
e
representaçõesdo
trabalho ... _. 112.1.2
A
Ergonomia e
a análisedo
trabalho ... _. 182.1.3.
A
Ergonomia no
Brasil ... ._25
2.1.4
Os
novos
desafios da Ergonomia na
Saúde
... ._30
2.2
Enfermagem
como
Campo
de
Pesquisa
e Intervençãoem
Saúde
.... _.33
2.2.1
Saúde
e
evoluçãoda
Enfermagem moderna
... _.33
2.2.2
A
formação
profissionale
processode
trabalhona
áreade
Enfermagem38
2.2.3 Perspectiva Histórica para a Pesquisa
em
Enfermagem
... ._44
2.3
Caracterização
da
Produção
do
Conhecimento da Ergonomia
em
Enfermagem
no
Brasil ... _.49
3
MÉToDo
... ..733.1
Natureza e
Característicado
Estudo
... ..73
3.2
Procedimentos
e Instrumentos
... ._75
3.3
Percurso
Metodológico
... ._75
3.3.1 Primeira etapa ... ._
75
4.1
Produção
do Conhecimento
da Ergonomia
na
Enfermagem
4.2Especialidades
de
Ergonomia
na
Enfermagem
... _.5
coNs|DERAÇoEs
|=|NA|s
... _.6
REFERÊNc|As
B|B|.|oeRÁ|=|cAs
... ..Lista
de
Figuras,
Quadro
e
Tabelas
Figura 1 -
Fluxograma
da
proposta metodológica. ... _.79
Figura 2: Classificação
das
teses/dissertaçõesde
profissionaisde
Enfermagem
no
Brasil, catalogadas porano
de
defesa. ... ._84
Quadro
1:Produção
do
Conhecimento
em
Ergonomia na Enfermagem,
com
base nas
tesese
dissertaçõesde
profissionaisde Enfermagem. 95
Tabe
a 1:C
assificaçãodas
teses/dissertaçõesde
profissionaisde
Enfermagem
'
no
Brasi cataogadas
por Instituição-
períodode
1963
a 1999. 81Tabe
a 2:C
assificaçãodas
teses/dissertaçõesde
profissionaisde
Enfermagem
no
Brasi , cataogadas
porEstados
Brasileiros. ... __82
Tabe
a
3:C
assificaçãodas
teses/dissertaçõesde
profissionaisde
Enfermagem
no
Brasi , cataogadas
porGrau Acadêmico.
... _.83
Tabe
a 4:C
assificaçãodas
teses/dissertaçõesde
profissionaisde Enfermagem
no
Brasi , cataogadas
porÁrea
de
Enfermagem.
... ._85
Tabe
a 5:C
assificaçãodas
teses/dissertaçõesde
profissionaisde
Enfermagem
no
Brasi , cataogadas
porÁrea
de
Enfermagem
e
Trabalho. ... __86
Tabe
a 6:Área
do Conhecimento
da
Ergonomia
Físicaem
trabalhosde
Enfermagem.
... ._88
Tabe
a 7:Área do Conhecimento da Ergonomia
Cognitivaem
trabalhosde
Enfermagem.
... _.89
Tabea
8:Área do Conhecimento da Ergonomia
Organizacionalem
trabalhosde
Enfermagem.
... _.90
Tabe
a
9: Classificaçãodas
teses/dissertaçõesde
profissionaisde Enfermagem
no
Brasil, catalogadas porÁrea
temáticade
Enfermagem
e
Ergonomia. ... ._
92
Tabela
10: Classificaçãodas
teses/dissertaçõesde
profissionaisde
Enfermagem
no
Brasil, catalogadas porsub-tema
Trabalhoe ano de
defesa ____________________________________________________________________________________________ ._
93
Tabela
11: Classificaçãodas
teses/dissertaçõesde
profissionaisde
Enfermagem
no
Brasil, catalogadas porsub-tema Ergonomia e
ano
de
defesa ... __94
Tabela
12: Classificaçãodas
13 teses/dissertaçõesconforme
definiçãoda IEA
1
|NTRoDuçÃo
Este capítulo
tem
por finalidade caracterizar o contexto, o problema,os
pressupostos
da
pesquisa,seus
objetivos geral e específicose
a estruturado
presente estudo.
1.1
Contexto
da Pesquisa
A
sociedade
contemporânea
tem
sidodesafiada
acaminhar
para aconstrução
de
uma
universidade compatívelcom
a exigênciados novos
tempos
e os
cursosde
pós-graduação
têm
proporcionado aaproximação
de
referenciais teóricos e práticos
que
venham
a subsidiar a prática educativae
adar suporte para a necessária
busca de
transformações e a construçãodo
conhecimento.
Dessa
forma, a universidadedeve
ser localde
reflexaoe
de
questionamentos, pois
no
dizerde Buarque
(1996, p.11) éna
universidadeque
(...) a comunidade começa a questionar e negar os
mesmos
produtosconsiderados benignos da ciência e da tecnologia perguntando-se se,
o desenvolvimento científico e tecnológico tem promovido o
bem
estar, ou ao contrário, tem induzido à formação de ilhas de
humanismo
em
meio aum
oceano de desumanização.Esta problemática torna-se
um
desafio, poishá
consciênciada
importânciade
um
processode
reflexão para a construçãodo
conhecimento,porém
com
fundamentação e sob
o aspecto critico.Lüdke e André
(1986, p.3)afirmam
que
“oconhecimento
não
é algoacabado,
mas
uma
construçãoque
faz e se refaz, constantemente"; portanto,o
conhecimento
pode
ser analisadode
formaque
a informaçãopossa
ser vistacomo
elemento
ativona
construçãodo
homem,
bem
como
da sua formação
A
construção do conhecimento é o diferencial maior dos paísesem
tennos de oportunidade de desenvolvimento, e que este tipo de
construção deve ser abarcado, definido e promovido pelo sistema
educacional, especialmente pela universidade, para que o
desenvolvimento seja humano e sustentado.
A
Universidade tevecomo
missão
inicial cultivar e transmitir o saberhumano
acumulado,
tomando
como
base
a evolução históricada
sociedade;posteriormente, redefiniu
seus
objetivosnao
apenas
centradona
transmissaodo
conhecimento
já existente,mas
no
investimentona produção do
conhecimento
eou
saberque
aindanão
existe,de
forma a atendermelhor
asnecessidades
sociais.Kourganoff (1990, p.31) diz
que
“não sepode
restringir o papelda
Universidade
ao
ensino:nao
se trataapenas de
formarhomens,
mas também
de
promover
o progressodos conhecimentos
atravésda
pesquisa".Se
apesquisa, portanto,
é
função precipuada
Universidadeé
imprescindívelque
se
desenvolva
o processode
investigação científica e divulgaçãodo
conhecimento.
A
educaçao
superior,em
especial após
graduação,deve
privilegiar a
produção do conhecimento
próprio, instigar abusca e o
questionamento,
enfim,
desenvolver o potencial críticode
sua
clientela.No
Brasil, apreocupação
com uma
universidade voltada para aprodução e
difusão
do
saber,formaçao
de
proflssionais competentes, críticose
conscientes,
bem
como
serum
centrode
reflexãodas questões
nacionaismarca
seu
períodode
efervescência a partirda
década de
60.A
preocupação
com
anova missão
do
ensino, pesquisa eextensão
somente
veio efetivar oficialmentecom
apromulgação de
Leide
Diretrizese
Bases da Educação
(LDB)
n°. 4.024,em
20 de
dezembro
de
1961,reafirmados
na Reforma
Universitária instituída peloGoverno
Federalcom
a Lei n°. 5.540,Com
referênciaao
ensino universitário, a referida lei diz:Art. 1°.
O
ensino superior tem por objetivo a pesquisa, odesenvolvimento das ciências, letras e artes e a formação de
profissionais de nivel universitário.
Art. 2°.
O
ensino superior indissociável da pesquisa será ministradoem
universidades e, excepcionalmente,em
estabelecimentosisolados, organizados
como
instituições de direito público ou privado.Luckesi et al (1997, p.29), analisando o
conteúdo desses
artigos,tecem
oseguinte comentário:
O
que percebemos, na quase totalidade do ensino superior brasileiro,é a paulatina inversão de valores: o terceiro objetivo se transformou,
na prática
em
preocupação primordial; o principal e primeiro objetivoda Lei, reforçado no art. 2° está desaparecendo das preocupações
reais dos nossos ambientes universitários.
O
que se constata éum
ensino sempre mais mercantilizado, de nível cada vez mais baixo,mesmo
nas grandes universidades públicas.Segundo
Carneiro (1998, p.111), a pesquisa,enquanto
objetivoda
educação
do
ensino superior,mais
uma
vez é
encontradona
Leide
Diretrizese
Bases
da Educação, na
Lei n°. 9.394,promulgada
em
20 de
dezembro de
1996.
No
artigo 43,que
determina as finalidadesda educação
superior, osincisos III
e
IV estabelecem:Ill. Incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando
o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão
da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do
homem
edo meio
em
que vive;IV. Promover a divulgação de conhecimentos culturais, cientificos e
técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o
saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de
Saviani (1996, p.146) diz
que
Para compreender o real significado da legislação não basta ater-se à
letra da lei; é preciso captar o seu espírito. Não é suficiente analisaro
texto; é preciso examinar o texto. Não basta ler nas linhas; é
necessário ler nas entrelinhas.
Percebe-se
que
hánecessidade
de
interpretar a legislação e reconhecer aspráticas educacionais
como
práticas sociais, identificandoas mediações
pelasquais
passam
oconhecimento
científicoe
o cotidiano,quando
seconstróem
relações individuais
e
coletivas. Tais relações seapresentam
como
processos
educacionais,
produção e
divulgaçãodo conhecimento
edevem
se
constituirem
esforçosde
construçãoda
cidadania.Nesse
sentido,Demo
(1998, p.127)afirma
que
A
alma da vida acadêmica é constituída pela pesquisa,como
principiocientífico e educativo, ou seja, como estratégia de geração de
conhecimento e de promoção da cidadania e que pesquisa significa o
diálogo crítico e criativo com a realidade, culminando na elaboração própria e na capacidade de inten/enção.
Acredita-se
que
duranteo
periodode
formação
e durante a vidaprofissional, alunos e/ou profissionais
devem
ser/estar preparados para odesenvolvimento
da
pesquisa,na
própria áreade atuação e
de
inter-relaçãocom
áreas afins,assegurando
asmudanças
necessárias e inerentesao
próprioexercicio profissional.
As
constantes transformações pelas quaispassa
asociedade
brasileirasão
evidentes
em
todas oscampos
de
atuação. Tais transformaçõestêm
estimulado pesquisadores
que
analisam asações no
campo
da
saúde
auma
reflexão
permanente
sobre os papéisque
as diversas profissõesdesempenham
em
seu
âmbitode
ação.Compreender
esta trajetória implicaem
mergulharno
passado e
questionarcientíficas, educacionais
e
tecnológicas, vivenciadas pelaEnfermagem
no
decorrer
da sua
história. Ribeiro (1998, p.52) dizque
No momento onde estão acontecendo grandes transições históricas,
evoluções tecnológicas e científicas, ainda há questionamentos sobre
um
dos pontos cruciais de que sustentam a Enfemtagemem
seusdiferentes segmentos: a função do enfermeiro.
Os
enfermeiros,em
sua
maioriacom
grande
experiênciade
campo,
limitamsuas
realizações,apresentando
de
forma restritasuas
conquistas profissionaise
aprodução
científica sobre o resultadode
seu
trabalho,sendo
que
essas são
de
fundamental importância para a divulgaçãodas
transformações ocorridas nodesenvolvimento profissional.
Durante o século
XX,
a evoluçãoda
profissão parece ter sido associada àatividade profissional
que
atuana
prestaçãode
serviços.O
aprofundamento
científico
promovendo
maiorconhecimento das
diversas áreas, a participaçãoem
áreas diferenciadas, oavanço da
tecnologiae
maior facilidadede
comunicação,
levaram auma
consciência críticacada vez
maiornos
aspectospessoais
e
profissionais,dando
alternativasde
trabalhoe novas
perspectivasprofissionais.
Observa-se,
de
um
modo
geral,que
as investigações científicasem
Enfermagem
não
explicitam aspectos técnicos e científicosda
Ergonomia,que
considerada
como
um
conjuntode
conhecimentos
interdisciplinares,tem
acontribuir
com
aEnfermagem
na
prática profissional eno
desenvolvimentode
novos
conhecimentos.Partimos
do
pressupostoque
as investigações científicasem
Enfermagem
que
valorizam aspectos científicose
tecnológicosda Ergonomia enriquecem
aconstrução
do
conhecimento da
ciênciada Enfermagem.
Portanto, apropriar-sede
conhecimentos
em
Ergonomia
pelaEnfermagem
seriamais
uma
forma
de
consolidar a construção
da
ciênciada
Enfermagem
pormeio de novas
áreasde
atuação,
novos saberes e
fazeresem
Enfermagem.
Como
o
propósito deste estudoé
caracterizar aprodução do conhecimento
dissertações elaboradas por enfermeiros
no
Brasil,que
pudessem
orientarna
coleta e análise
de
dados.1.2
Problema de Pesquisa
O
problema
da
pesquisa foi formulado atravésda
seguinte questão:As
investigações científicas
em
Enfermagem
estãosendo
cotejados porconhecimentos
oriundosdo
campo
da Ergonomia?
O
equacionamento
desta questãode
pesquisa permitiu identificar osseguintes fatores:
o características
que configuram abordagem
ergonômica
em
tesese
dissertaçoes elaboradas por enfermeiros brasileiros;
.
percepção
de
trabalhosde
pesquisanas
áreasde
Enfermagem
e
Ergonomia
por enfermeiros brasileiros conte›‹tualizando historicamente;o identificaçao
das
vários cursosde
pós graduaçao nas
diversas regioesdo
país, áreasde
Enfermagem
e
ênfasesda
Ergonomia;o contribuição
da Ergonomia no
saberda Enfermagem.
Neste
estudo,os
instrumentossão
entendidoscomo
a apropriaçãode
conhecimentos
de
outras áreasdo
saber,especificamente da
Ergonomia, paracriação, adaptação, implementação, diferenciados e utilizados por enfermeiro
no
desempenho
das suas
atividades profissionais. Estesconhecimentos
sistematizados
são
direcionados para a soluçãode
problemas de
saúde de
indivíduos
ou
grupos, ensinadose ou
aplicadosna
prática, constituindo, assim,1.3 Justificativa e
Relevância
O
particular interesseem
estudarergonomia é
apreocupação dos
possíveisefeitos
das
condiçõesde
trabalho nasaúde
ena
vidado
profissionalde
enfermagem,
que
no
decorrerdo
exercício profissionalem
hospitalde
ensino,observou-se
o
trabalhadorde
enfermagem
cuidando
da saúde
de
outros, oque
não
faz para si próprio.O
acompanhamento do
cotidianodo
pessoalde Enfermagem, seus
sonhos,dificuldades e precárias condições
de
trabalho,sempre
me
motivaram
acolaborar
com
oscaminhos
da
prestaçãode
serviços. Enveredei muitopouco
pelos
caminhos da
investigação científica,apesar
da
pesquisa ser parteimportante
e
inquestionáveldo
processode
trabalho.O
mestrado
em
Ergonomia
favoreceu abusca
de
novos
conhecimentos, eampliaram minha
visãoquanto
ànecessidade
de
novas
idéiase abordagens na
Enfermagem,
proporcionandonovas opções não
apenas
na áreado
conhecimento,
mas
a aberturade
novos
campos de
trabalho.Com
base nos
estudos desenvolvidos durante a realizaçãodo
mestrado,me
vi motivada a mergulhar
num
processo de
pesquisaonde
me
fosse possívelfazer
algumas
considerações acercada
pesquisaem
Enfermagem.
Desta
forma, o estudo aqui apresentado permite atentare
refletir sobre aEnfermagem
que, pressionada pelodesafio de
tornar-se ciênciae
profissão,se
propõe
cada vez mais
a responsabilizar-se peloseu
desenvolvimentoe
acredita-se
que
o aperfeiçoamentoda
práticadepende
de
investigaçõescientíficas.
O
estudoem
questão
originou-sena
possibilidadede
que
possa
vir a sermais
um
estímulo à pesquisacom
o intuitode
contribuirna
incrementaçãoda
produção
científicae
enfatizar anecessidade
de
conscientizaçãodos
profissionais
de
Enfermagem
acercada
importânciados
trabalhos cientificos.A
relevância deste estudo resideem
identificar fatoresque
na
práticada
Enfermagem
constituem atividadescom
abordagens
ergonômicas,podendo
oconhecimento
de
tais fatores significar a possibilidadede
mudanças
equem
estabelece relaçõesde
ensino aprendizagem,além
de
novas
áreasde
atuação.
Este estudo pretende inovar
em
termos
de
caracterizaçãodas
inter-relaçõesentre
as abordagens
em
Ergonomia
e aprodução
do
saberna
Enfermagem,
procurando detectar
nos
diferentes níveisde complexidade das
propostasteórico-metodológicas
das
pesquisas realizadasno
Brasil,um
campo
interdisciplinar efetivo
de
construçãode
conhecimento
ede
intervençãoprofissional.
1.4 Objetivos
1.4.1 Objetivo geral
Caracterizar a
produção
do
conhecimento
em
Ergonomia na
Enfermagem
tomando
como
base
o conjuntodas
dissertações e teses defendidasem
Programas
de Pós Graduaçao
no
Brasil.1.4.2 Objetivos específicos
Para
alcançar este objetivo construímos o seguinte percursode
trabalho:. caracterizar
as
pesquisasem
Ergonomia
naEnfermagem,
em
relaçãoas
seguintes variáveis: Instituição, grau acadêmico,
ano de
defesae
áreasde
conhecimento;z identificar as diferentes formas
de abordagem
ergonômica nas
pesquisas sobre as atividades
de
trabalhona
Enfermagem
no
Brasil;O
alcancedesses
objetivos certamente favorecerá:o refletir sobre a prática
de Enfermagem
considerando alternativasdecorrentes
das concepções ergonômicas
em
Saúde;
¢
compreender o
valore
a importânciadas
confluênciasda Ergonomia
1.5 Estrutura
do
Trabalho
Esta dissertação está estruturada
em
04
capítulos, organizadosde
forma adiscutir
os
temas
Ergonomia, trabalhoe
Enfermagem
articuladamente.No
primeiro capitulo faz-se a introduçãodo
assunto, a explicitaçãoda
justificativa, a caracterização
do
problema, a importânciada
pesquisa, adefinição
dos
objetivose
pressupostos.O
segundo
capitulo apresenta omarco
referencial teórico, atravésdo
qualencontram-se ancorados
osdados
obtidosem
pesquisas,estando
subdivididoem
quatro partes.A
primeira parte,denominada
o Trabalho e Ergonomia,apresenta conceituações, origens
e
a organizaçãodo
trabalhopontuando
aimportância
da
teoria histórico-cultural para a representação socialdo
homem.
Aborda
aspectos históricos, conceituaise
contribuiçõesda Ergonomia e
caracteriza as transformações
no
mundo
do
trabalhoe novos desafios
com
ênfases
na
saúde.A
segunda
parte consiste naabordagem
sobre aEnfermagem
como campo
de
pesquisae
Intervençãoem
Saúde,
em
seus
aspectos históricos, evolução,
educação e
processode
trabalhona
áreade
Enfermagem
e
a perspectiva histórica para a pesquisaem
Enfermagem.
Finalmente a terceira parte apresenta a
produção
do
conhecimento da
Ergonomia na Enfermagem.
No
terceiro capítuloé
apresentada a Metodologiade
investigaçãocom
vistas
a
sugeriruma
proposta metodológica.O
quarto capítulo apresentaos
dados
obtidos atravésda
pesquisa.Destaca
a relevância
da Ergonomia na
Enfermagem
e
caracteriza as convergências e aproduçao
do
conhecimento
com
vistas a avaliar anecessidade
de
construçao2
FUNDAMENTOS
TEÓRICOS
O
presente capitulotem
por objetivo criar as condições teóricas para odesenvolvimento deste estudo - contribuições
da Ergonomia
naprodução
do
conhecimento na Enfermagem.
Aborda
os conceitosde
Trabalhoe
Ergonomia,procurando evidenciar as representações históricas sobre o signiflcado
do
trabalho e sobre as caracteristicas
da
produção do conhecimento
em
Ergonomia no
Brasil. Enfatiza aErgonomia
como campo
de
ação e
transformação, os
seus desafios
atuaise
importância para a áreada
saúde.Trata
também
de
aspectos históricos relacionados à saúde,o
papelfundamental
do
trabalhode
Florence Nightingale, as contribuições para odesenvolvimento
da
Enfermagem
como
profissão
e ressalta aeducação
na
formação
profissionaldo
enfermeiroe
o 'processode
trabalhona
áreade
Enfermagem.
2.1
As
Representações
Sociaisdo
Trabalho
Pode-se
compreender
que
o trabalhoocupa
um
espaço
muito importantena
vida
dos
individuos.O
processode
trabalhoemerge
de necessidades
determinadas
socialmenteque
permite entender apresença do
que
énecessário
em
saúde
como
geradordos
processosde
trabalhoem
seu
caráternão
só socialcomo também
individual.A
escolha deste estudo pelaabordagem
ergonômica
se faz representar pelotrabalho
humano
e pela ergonomia,que congrega conhecimentos
produzidosem
diversa áreasdo conhecimento
e contribuiaos
trabalhadoresna
compreensão
do seu
processode
trabalhoe nas
possibilidadesde
2.1.1 Conceitos
e
representaçõesdo
trabalhoEm
quase
todos os idiomas, o vocábulo trabalhoprovém
de
uma
raizque
indica algo
penoso
ao
homem. Na
língua grega, aexecução do
trabalhoé
expressa
pelos termos ponos,que
indicaum
grande
esforço, kámatos,que
designa
ocupação
exigindocapacidade
e
esforço intelectuale
kopos
que
querdizer esforço corporal e extenuante.
Na
língua latina distingue-se entre opus,que
significa a obra e labor,que
designa esforço, sofrimento.A
palavra labor,por
sua vez
derivado
verbo Iaboque
quer
dizer vacilar sobreum
grande
peso
e sofrer
uma
grande
dor.Na
linguaespanhola
emprega
se aexpressao
laborare trabajar;
na
língua francesa, travail designa,em
sua
origem, tudoque
fazsofrer;
em
alemão
a palavra arbeit significa moléstia.Em
portuguêstemos o
termo
Iabuta,que
também
estáimpregnado
do
sentidode
pena, sacrifício.A
origemda
palavra trabalho é relacionadatambém como
os
vocábulostribu/um (atribulação), trabs (obstáculo) e tripalium (instrumento
de
torturados
escravos
e
réusde determinados
crimes).O
conceitode
trabalhohumano
nao
é
único, poiscomporta
uma
sériede
reflexões singulares. Diversos autoresestudam
o
assunto sobreos mais
váriosenfoques
eapresentam
uma
definiçaoou
um
significado, sintetizadosassim
porGonçalves
(1998, p.4):o o trabalho é
uma
atividade instrumental executada por sereshumanos, cujo objetivo é preservar e manter a vida, e que é
dirigida para
uma
alteração planejada de certascaracterísticas do meio ambiente (Neff, 1968);
o trabalhar é colocar
em
ação forma de pensamento, é utilizaralgoritmos ou heurísticas, é empregar técnicas e estratégias,
é tomar decisões. (Faverge, 1972);
o trabalho é
uma
atividade que produz algo de valor para asoutras pessoas. (O'toole, 1973).
De
acordo
com
Daviese
Shackleton (1977),uma
das mais
simplesdefinições
de
trabalho talvez seja ade
que
ele constitui omeio
pelo qualsao
produzidos
os bens e
serviçosque
a sociedade deseja.O
trabalhotambém
para o amor-próprio, pois, através
dos
outros, o individuopode
cotejar aavaliação
que
fazde
simesmo com
a avaliaçãodos
outros aseu
respeito eobter, assim,
um
sentimentode
valor pessoal.Guareschi
e
Ramos
(1989) relatam diferenciação entre dois tiposde
trabalho,
que
denominam
labor - para os livres,que
trabalhamno
que
lhespertence
e
tripalium -designação
do
trabalho para os escravos.Albornoz (1992) enfatiza
que
na cultura européia, este possuium
significadode
acentuado conteúdo
de
esforço e cansaço. Dizque
todo o trabalho tendepara
uns preponderantemente
físicoe
para outros intelectual, pois o trabalhoé
o
esforçoe
também
seu
resultado: a construçãoenquanto
processoe
ação,e
aobra concluída.
Para
Fialhoe Cruz
(1999, p.6) “o trabalhoé
uma
atividade essencialmentehumana.
Sua
característica principalé sua ação
transformadora,sua
capacidade
de
modificação de
um
dado
aspectoda
realidade. Trabalhar ésempre
desafiar
a realidade, procurando superá-la”.Segundo
esses
autores,é
através
do
trabalhoque
ohomem
busca se afirmar
como
individuoe
que
osignificado social
do
trabalho está relacionadoàs
atividades desenvolvidas peloindivíduo,
na sociedade
a qual pertence.Fialho
e Cruz
(1999, p.7) citam ainda, "que se analisarmos as condiçõesde
trabalho existente
em
nossa sociedade
e as atividades exigidas para arealização, verificaremos
o quanto é
difícil realizare
realizar-seno e
pelotrabalho".
Afirmam
que
aconcepção do
trabalhopode
ser contraditória ecomplexa, pois
seu
significadopode
ser percebidode
váriasformas e sua
representação cognitiva,
depende
da
cultura,das
características individuaise
dos meios
sociais. Constata-seque
o
trabalho,de
acordo
com
os referenciaisteóricos, ainda
permanece
associado às idéiasde
esforçoe
cansaço,caracterizado
também
na
perspectiva psicológicae
de
representação social.Na
concepção de Kanaane
(1999, p.16-17)é
necessário resgatar diferentesabordagens
visando ampliar asconcepções
de
trabalhoe
refere-se à posiçãode
EricFromm
ao
afirmar: "no processode
moldar
a
natureza externa a ele,o
homem
molda e modifica
a simesmo".
Relata,também, na expressão
de
Jean
energia,
ação
sobre a natureza, produção, destruição e, portanto, trabalho".Ao
citar Bérgson, afirma: "o trabalho
humano
consisteem
criar utilidade e,enquanto o
trabalhonão
está feito,não há
nada,nada
daquiloque
se queriaobter". Por fim,
Kanaane
(1999, p.16-17) conclui “que o trabalhoé
uma
ação
humana
exercidanum
contexto social,que
sofre influências oriundasde
distintas fontes, o
que
resultanuma
ação
recíproca entre o trabalhadore
osmeios
de
produção”.Na
Grécia Clássica,no
século IV a.C., Aristóteles enunciavaque
ohomem
(cidadão)
deve
ser livre para se dedicar à própria perfeiçãoe o
trabalho braçale
práticoimpede que
ele atinjasua
plenitude. Estemesmo
pensamento
prevaleceu até a Idade Média.
O
trabalhonesse
período eraencarado
como
atividade
de
escravos e serviçais,ou
seja, vistocom
desvalore
o lucro eraconsiderado "usura".
Segundo
Foucault (1990, p.271), o trabalhocomo
atividadeeconômica
"sóapareceu na
Históriado
mundo
no
diaem
que
oshomens
se
achavam
numerosos
demais
parapoderem
nutrir-sedos
frutosespontâneos
da
terra".Afirma
que
ohomem
não
existiaenquanto
objetode
conhecimento; isto sedeu
na sociedade
moderna
pelasnecessidades
materiaise de
estruturaçãodo
próprio trabalho
como
meio
de
inserção social.Na
Reforma
Protestante, o trabalhoaparece
como
uma
forma
de
dever, poistal ato implica
em
servir a Deus,sendo
o ócio considerado anti-naturale
pernicioso.
Desse
modo, o
trabalhoé
tidocomo
virtude,fazendo
parteda
obrigação religiosa. Tal ideologia parece justificar a divisão social
do
trabalho,onde
a providência divina provê aschances de
lucroe
enriquecimentodos
homens
de
negócio.Para
Weber
(1983), a classeburguesa
ocidentaltem
suas
particularidadesrelacionadas
com
a organização capitalistado
trabalho.O
desenvolvimentodas
possibilidades técnicas escondidas
no
capitalismoburguês
influencioufortemente as condições
de
vidadas massas,
que
foram
encorajadas pornecessidades econômicas. Ainda
para o autor, o capitalismo racionalnão
estáestruturado
somente
nos
meios
técnicosde
produção,mas também
num
O
capitalismona
visãode Codo, Sampaio,
Hitomi (1993)tem
o esforçodirecionado
no
sentidode
transformar o indivíduonum
instrumentode
trabalhoe
esteem
forçade
trabalho. Istopode
ser consideradocomo
indicativode
criseno
capitalismoem
decorrênciada
drásticadominação
da
importânciado
trabalho individual na produção.
A
vidados
homens
não deve
ser reduzidaao
trabalho,
mas
não
pode
sercompreendida sua
ausência.O
trabalho faz parteda
vidado
homem
e
onde
querque
estejam ascausas
de
sofrimento estarãosuas
próprias vidas.Guattari (1987)
afirma
que
o idealdo
capital está centradosenão
em
doistipos
de
categorias sociais: as relativasaos
assalariados e as relativas àassistência. Conclui
que
o
capitalismoapodera-se
de
desejosque
o
homem
carrega
em
si, poisse
instalaem
seus
corações pormeio
do
serno
mecanismo
maquínico.
Para
Pires (1998), as alternativas tecnológicas organizacionaissão
fortalecidas pelo capital para controlar o trabalho
com
a finalidadede aumentar
o
lucroe
se resguardardas
crises.Novos
equipamentos
enovas formas
de
organizar o trabalho estão ligados à jornada
de
trabalhoou
àredução da
remuneração.
Relata, ainda,que
aquestão
fundamental era o controledo
trabalho alienado,
da
forçade
trabalhocomprado
e
vendido. Tais controlessão
estabelecidos por regras rigidamente ditadas pela gerência, visando
ao
trabalhador
apenas
executá-lascumprindo
os devidostempos que
foram
previamente determinados, ocorrendo
assim
ruptura entre aconcepção e
aexecução
do
trabalho.De
acordo
com
Ruas
(1985), asmudanças
nas
relaçõesde produção
introduzidas pelo taylorismo
tendem
a acelerar a intensidadedo
trabalhoe
areduzir
a
porosidadeem
sua
jornada integrando o trabalhohumano
com
asrotinas
de
produção conforme
o desenvolvimentoda
máquina,determinando
oque
deve
ser feitoe
como
fazere
em
que
tempo.Como
característicafundamental
do
sistemapodemos
afirmar
que
o
trabalho parece estarcercado
de
um
fracionamentomáximo
bem
como
uma
grande
rigidez.Na
visãode
Dejours (1992, p.29), o trabalho taylorizado confronta osconstrangimento, pois
o
sistema o obriga a seguir as regras estabelecidas paranão
prejudicar a produção. "Tal é oparadoxo
do
sistemaque
dilui asdiferenças, cria
o anonimato e o
intercâmbioenquanto
individualiza oshomens
frenteao sofrimento".
Ainda
para Dejours (1993, p.164) “asconseqüências
do
tayiorismo ultrapassam
amplamente
ocampo
da
saúde
mental e físicados
trabalhadores,
podendo
estenderseu
alcance sobre os próximos e atémesmo
prejudicar o desenvolvimento mental
da
segunda
geração”.Acredita-se
que
o trabalho tantode
forma individualcomo
socialtem
como
importante instrumento a própria organização,
que
deve
ser considerada apartir
da
adequação do
ambiente
quer seja físicoou
socialao
processode
trabalho.
Organização do
trabalhoé
um
tema amplo
e
complexo, constituídode
muitas variáveis.
Pode-se
considerarque
as organizaçõessão
estruturascompostas
porunidades
internas,com
suas
peculiaridades, as quais interagemcom
omeio
externo,em
processo contínuode
inter-relaçãocom
interferência mútua.A
organizaçãodo
trabalho é,na
realidade,um
grande
desafio
atual para asdiversas
empresas,
uma
vez
que
há
aspectos divergentes entreos
interessesde
trabalhadorese empregadores e
que
as condições fisicas, ambientaise
organizacionais
de
execução
de
trabalho proporcionam diversos grausde
desgaste
e
sofrimentodo
trabalhador.Dejours
e
Abdoucheli (1994, p.26)afirmam
que
"a organizaçãodo
trabalhoé,
de
certa forma, avontade
do
outro. Ela é, primeiramente, a repartição entreos trabalhadores, isto é, a divisão
de
homens:
a organizaçãodo
trabalhorecorta assim,
de
uma
só vez, oconteúdo
da
tarefae
as relaçõeshumanas
de
trabalho".
De
formacomplementar,
Faria (1984) trata a organizaçãodo
trabalhocomo
sendo
um
conjuntode
conhecimentos
oriundosda
ciência sociale
humana, da
ciência exata,da
lógica,da
tecnologia, para estabelecernão
simplesmente
métodos, mas, sobretudo as condiçõesmais
favoráveis àsatisfação, à
saúde
e
a produtividadedo
homem
ao
trabalho.De
acordo
com
Dejours (1994)quando
não
se torna possível o rearranjoda
organizaçao
do
trabalho pelo trabalhador, a relação conflitualdo
aparelhoencontra
descarga no
exercíciodo
trabalho, resultandoum
sentimentode
insatisfação, fadiga
e
tensão.Na
percepção
deste, a origemda
carga psíquicado
trabalho estána
relaçãodo
homem
com
a organizaçãodo
trabalhoe
aflexibilização
da
mesma,
permite plenoemprego
das
aptidões psicomotoras,psicossensoriais
e
psíquicas,de
modo
a deixar maior liberdadeao
trabalhadorpara rearranjar
seu
agire
utilizar-sede
gestoscapazes de
lhe proporcionarprazer, transformando
um
trabalho fadiganteem
trabalho equilibrado.Chanlat (1993) considera a organização, contrariamente à idealização
freqüente
no
mundo
dos
negócios,tem
semostrado
muitasvezes
como
um
local próprio
ao
tédio, à violência física e psicológica,não
apenas
nos
escalõesinferiores,
mas também
nos
niveis intermediárioe
superior.Atualmente
num
mundo
dominado
pela racionalidade instrumentale
por categoriaseconômicas,
os
trabalhadores geralmentesão
vistos,como
meros
recursos,ou
seja,como
quantidades materiais cujo
desempenho
deve
ser satisfatório, talcomo
osequipamentos, as ferramentas
e
a matéria-primae desse modo,
associadosao
universo
das
coisas, tornam-se objetos.Dejours (1993) considera
que
a atividade profissionalnão é
somente
um
modo
de
ganhar
a vida,mas também
uma
forma
de
inserçao social,onde
osaspectos psíquicos
e
físicos estão fortemente implicados eque
o indivíduo pormeio
do
trabalho engaja-senas
relações sociais paraonde
transferequestões
herdadas
do
passado e
de
sua
históriade
vida.Atualmente,
o
trabalhoocupa
um
lugar centralna
vidadas pessoas e de
diferentes
comunidades
eé
uma
ação
humanizada
exercidanum
determinado
contexto social
com
influênciasdas mais
diversas fontes, resultandonuma
ação
recíproca entreo
trabalhadore
os
meios
de
produção.De
acordo
com
Kanaane
(1999),na
perspectiva sociológica o trabalho éelemento chave
naformação
de
coletividadeshumanas
muitos diferentes porseu
tamanho
e
funções.O
progresso tecnológicotem
modificado
as atividadesde
trabalhocausando
mudanças
significativasnas condutas e
reaçõesindividuais
e
grupais.O
trabalhoé
fator fundamentalna
estratificação sociale
na
mobilidade social.Ainda
para o autor, o trabalho,do
pontode
vistapsicológico, provoca diferentes graus
de
motivaçãoe
de
satisfaçãodo
trabalhador,
quanto
a formae
ao meio no
qualdesempenha
sua
tarefa.Ressalta
que
tantona
abordagem
sociológicaou
na psicológicado
trabalho,há
a interdependência
de
fatores intrínsecose
extrínsecosao
trabalhador,tornando,
dessa
forma, viável acompreensão
dos
processos sócio-interativosno
cotidianodas
organizações.É
pelo trabalhoque
ohomem
modifica seu
próprio meio,
podendo
modificar
a si própriona medida
em
que
possa
exercersua capacidade
criativa e participandodo
processode
construçãodas
relaçõesde
trabalhoe da comunidade.
Acredita-se
que
em
todo trabalho práticohá
uma
atividade intelectualque
aantecede.
Segundo
Aranha e
Martins (1998, p.23) “àmedida
que
asociedade
humana
se tornamais
complexa, algunshomens
passam
a se dedicarao
trabalho teórico“.
Afirma
que
o trabalhador intelectual seocupa
com
aproblematização
da
prática, refletindono
agirhumano
paramelhor
compreendê-lo. Refere, ainda,
que
o trabalho intelectualnão é
materiale
porisso
seu
resultadoé
uma
obrade pensamento
vinculadaao seu
autor.Geralmente,
há
uma
separação
entreconcepção
e execução;de
um
lado,há o
trabalhador intelectual na
produção do
sabere
de
outroos
trabalhadoresmanuais,
que
excluídosdo
acesso à
educação
formal,tendem
a exercerum
trabalho
mecânico
por faltade
clareza a respeitodas causas e fins
do
seu
agir.Kanaane
(1999)afirma que
oenfoque
mecanicistaadotado nas
relaçõesde
trabalho
e
o
distanciamento entreo
trabalhadore os meios
de
produção,têm
determinado
disfunçõescomportamentais
em
indivíduose
gruposno
contextode
trabalho.As
concepções
sobre o trabalhonão apresentam
o real significado,pois
os
papéisdesempenhados
explicitam contradiçõese
conflitosno
âmago
das
organizações.A
representação socialdo
trabalho implicaem
considerar as categoriasprofisslonais
e os
processosde
trabalhoque
realizam, atéporque
mantém
entre si relações interdependentes
que demonstram
valores própriosda
realidade, refletindo
concepções
ideológicas, políticas, sociaise
culturaisassociadas
ao
trabalhoe às
posiçõesocupadas
em
determinado
contextosocial.
A
posiçaoocupada
pelo indivíduoem
dada
realidade social implicamesmo
elabora sobre a realidadeem
que
se inseree
sobre o trabalhoque
desenvolve.A
produtividadee
a eficiência organizacional,como
meta
essencial àsobrevivência
das empresas,
tem
originadoconseqüências
nem
sempre
adequadas
ao
bem-estardos empregado.
Para Dejourse
Abdoucheli (1994),o
trabalho
é
um
ato imprescindível às pessoas, pois se refere à própriasobrevivência
e
condicionamento sociaisdo
indivíduo.2.1.2
A
Ergonomia
e a análisedo
trabalhoA
abordagem
ergonômica
do
trabalho é desenvolvidana Europa
Ocidental,mas
éna
Inglaterraque
se encontra a origemdo
emprego
do
termoe
também
a
Ergonomia
como
disciplinaautônoma.
A
Ergonomia estendeu suas bases
científicas pelo
mundo
atravésda
Biometria, Biomecânica, Fisiologia,Psicologia, dentre as principais.
Na
Inglaterra, Bélgica, Suíça,Holanda e nos
países nórdicos, aErgonomia
é
consideradano
ensinoe na
pesquisaapenas
no
setor público,mas
são
numerosos
os estudos.Nos
Estados
Unidos, aErgonomia
tem
se
desenvolvidono
campo
da
tecnologiado
homem
no
trabalho. Hoje, aErgonomia
tem
uma
história secular,
apesar dos
diferentes posicionamentos acercada
determinação
específicade seu
campo
de
atuação, as controvérsiasexpressam-se na
multiplicidadede
definiçõesque
a disciplina apresenta. Pelasintervenções existentes, a
Ergonomia
atualmente apresenta doisenfoques
segundo
o
tipode
abordagem do
homem
no
trabalho: oamericano
eo
europeu.
Para
Montmollin (1986), oenfoque americano
relaciona-se principalmente aaspectos físicos
da
interfacehomem-máquina,
visando dimensionar postosde
trabalho,
sendo que
a linha européia privilegia as atividadesdo
operadorpriorizando a
compreensão
da
tarefa, resoluçãode
problemas,tomada
de
decisão. Refere
que
o enfoque mais
antigo e omais americano
considera aErgonomia
como
a utilizaçãodas
ciências para melhorar as condiçõesdo
considera
como
o estudo específicodo
trabalhohumano
como
objetivode
melhorá-lo.
É
interessante considerarque
ambos
osenfoques
não
secontradizem
mas
se
complementam,
e pode-se
constatarque
a maioriados
autores utiliza a palavra trabalho
ao
definir Ergonomia.Segundo Moraes
e
Mont'Alvão (2000), a palavraErgonomia
tem
origem no
grego,
ergon
= trabalhoe
nomos
= leis.O
termo foi proposto por WoitejYastem-Bowski,
professore
engenheiro naturalista polonês,em
1857,em
seu
artigo "Estudos
de
Ergonomia,ou
Ciênciado
TrabaIho"baseado
nas
LeisObjetivas
da
Ciência sobre a Natureza,onde
era proposta a construçãode
um
modelo de
atividade laboralhumana,
que
relaciona aErgonomia
com
aproteçao
do
homem
no
trabalho.Na
visãode
Palmer
(1976, p.5)A
ergonomia é comumente definidacomo
o estudo científico darelação entre o
homem
e seu ambiente de trabalho. Nesse sentido otermo ambiente abrange não apenas o meio propriamente dito
em
que o
homem
trabalha,mas
também os instrumentos, as matérias-primas, os métodos e a organização deste trabalho. Relacionada a
tudo isso está a natureza do próprio
homem
que inclui suashabilidades, capacidades e limitações.
Historicamente, a
Ergonomia recebeu
vários conceitos.Wisner
(1987, p.38)considera
que
Ergonomia
éO
conjunto dos conhecimentos científlcos relativos aohomem
enecessários para a concepção de ferramentas, máquinas e
dispositivos que possam ser utilizados
com
o máximo de conforto, desegurança e de eficácia.
Laville (1977 p.6),
ao comentar
a definiçaode
Wisner, considera "que face acomplexidade
do desempenho do
homem
no
trabalho, aErgonomia
ampliouprogressivamente o
campo
de
suas bases
científicas”. .Para Chapanis
(1972),Ergonomia é
aadaptação dos
instrumentos,condições