USO DO MÉTODO BDq EM UMA ÁREA DE CAATINGA SUBMETIDA AO MANEJO FLORESTAL
JOÃO HENRIQUE DO NASCIMENTO NETO
Macaíba/RN Janeiro de 2020
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO
UNIDADE ACADÊMICA ESPECIALIZADA EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS - UAECIA ESCOLA AGRÍCOLA DE JUNDIAÍ - EAJ
JOÃO HENRIQUE DO NASCIMENTO NETO
USO DO MÉTODO BDq EM UMA ÁREA DE CAATINGA SUBMETIDA AO MANEJO FLORESTAL
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como parte das exigências para obtenção do título de Mestre em Ciências Florestais (Área de Concentração em Ciências Florestais - Linha de Pesquisa: Biodiversidade, Conservação e Uso dos Recursos Genéticos Florestais).
Orientador: Prof. Dr. Alan Cauê de Holanda
Macaíba/RN Janeiro de 2020
ii
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof. Rodolfo Helinski - Escola Agrícola de Jundiaí - EAJ
Nascimento Neto, João Henrique do.
Uso do método BDq em uma área de caatinga submetida ao manejo florestal / João Henrique do Nascimento Neto. - 2020.
39f.: il.
Dissertação (Mestrado) Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Unidade Acadêmica Especializada em Ciências Agrárias, Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais, Macaíba, RN 2020.
Orientador:Alan Cauê de Holanda.
1. Manejo Florestal - Quociente de Liqcourt - Dissertação. 2. Distribuição diamétrica - Dissertação. 3. Floresta Seca -
Dissertação. I. Holanda, Alan Cauê de. II. Título.
RN/UF/BSPRH CDU 630*6
iii USO DO MÉTODO BDq EM UMA ÁREA DE CAATINGA SUBMETIDA AO
MANEJO FLORESTAL
João Henrique do Nascimento Neto
Dissertação julgada para obtenção do título de Mestre em Ciências Florestais (Área de Concentração em Ciências Florestais - Linha de Pesquisa: Biodiversidade, Conservação e Uso dos Recursos Genéticos Florestais) e aprovada pela banca examinadora em janeiro de mês de 2019.
Banca Examinadora
_________________________________________________ Prof. Dr. Alan Cauê de Holanda
DCAF/UFERSA Presidente
______________________________ Profa. Dra. Juliana Lorensi do Canto
UAECIA/UFRN
Examinadora externa ao programa
________________________________________________ Prof. Dr. Allyson Rocha Alves
DCAF/UFERSA
Examinador externo a instituição
Macaíba/RN Janeiro de 2020
iv DEDICO Esta dissertação "In Memorian" a minha mãe MARIA GONÇALO DO NASCIMENTO e a minha irmã ELENICE GONÇALO DO NASCIMENTO, que não estiveram presentes aqui conosco para ver essa minha conquista, mas sei que lá do céu estão felizes pela pessoa que estou sendo aqui na terra. Dedico também ao meu Pai, seu MANOEL BORGES DO NASCIMENTO, homem forte, guerreiro, honesto, dedicado, disciplinado, bom pai, conselheiro, que nunca baixou à guarda para nenhuma dificuldade na sua vida, me ensinou a amar as coisas simples da vida, obrigado meu Pai, a ti dedico. “In Memorian” dedico aos meus avós paternos (JOÃO HENRIQUE e JOSEFA BORGES) e maternos (GONÇALO PEDRO NERI e MARIA PEREIRA), aproveito também para agradecê-los, estejam onde estiverem.
v AGRADECIMENTOS
___________________________________________________________________________ Agradeço à...
Deus pelo dom da vida e por sempre está comigo em todos os momentos. A Nossa Senhora por sempre me proteger com seu manto sagrado.
Aos meus pais, Manoel Borges do Nascimento e Maria Gonçalo do Nascimento, agradeço por tudo que fizeram e estão fazendo por mim.
Aos meus irmãos, Edivan Gonçalo, Gonçalo Neri (Sales), José Gonçalo (Duda) e Manoel Borges, pela confiança, conselhos e ajuda no dia a dia.
As minhas irmãs, Erypaula, Eridan, Edivani, Evanice, Eliane, Maria Gonçalo, Maria José, Nilda, obrigado por sempre estarem do meu lado, pelos conselhos, confiança, ajuda e por sempre levantar a minha autoestima.
Aos meus tios (as), sobrinhos (as), primos (as), cunhados (as) pelo apoio que me deram sempre nessa caminhada, obrigado por tudo.
Ao meu orientador, Prof. Dr. Alan Cauê de Holanda, pelas orientações, incentivos, confiança e pelos conhecimentos transmitidos que contribuíram para a conclusão desta dissertação.
Aos membros da banca examinadora, Profª Drª Juliana Lorensi do Canto e Allyson Rocha Alves pelas contribuições e conhecimentos.
Ao Prof. Dr. Jadson Coelho de Abreu, da Universidade do Estado do Amapá UEAP, obrigado pelos ensinamentos e contribuições.
Aos Professores(as) da pós-graduação em ciências florestais.
E assim foi você. Tu mudaste a minha visão, o meu modo de vida, tu deste-me motivos para lutar e melhorar, também me ajudou a crescer e a amadurecer, agradeço a você Yasha de La Salles, por tudo que faz por mim.
Agradeço a todos os amigos da Pós-graduação em ciências florestais da UFRN/JUNDIAI, pela convivência no dia a dia, conversas e alegrias a cada dia que foi vivido com vocês.
vi RESUMO
__________________________________________________________________________ USO DO MÉTODO BDq EM UMA ÁREA DE CAATINGA SUBMETIDA AO
MANEJO FLORESTAL
O método BDq está baseado no conceito de floresta balanceada e, sua aplicação leva a população florestal a um estoque remanescente. O trabalho teve por objetivo analisar a viabilidade técnica na aplicação de três intensidades de corte e seis cenários em vegetação da Caatinga submetida ao manejo florestal sustentável. O trabalho foi desenvolvido na Fazendas Baixa da Oiticica, Rancho da Velha e Tabuleiro de Dentro, situados no município de Upanema-RN. Com área de 343,0472 hectares de área de manejo, foram instaladas 11 unidades amostrais de 20 m x 20 m, onde foi realizado um inventário florestal numa área de 4.400 m2. Foram mensurados todos os indivíduos com CAP ≥ 6 cm. Os indivíduos foram identificados in loco, sendo adotado o sistema de classificação APG IV para organização da lista dos nomes científicos e das famílias das espécies. Para a aplicação do método BDq, foram propostas três alternativas de manejo, com 40% (Cenário 1), 50% (Cenário 2) e 60% (Cenário 3) de redução da área basal e volume real. Inventariou-se 1.680 indivíduos distribuídos em 10 famílias, 18 espécies e 16 gêneros. No C1, com redução de 40% da área basal, há uma estimativa de colheita de 831 fustes, sendo mais representativo no centro de classe diamétrica 2,45 cm. No C2 a 50%, possibilitou uma permanência de 70,42% dos fustes e uma estimativa de colheita de 29,58% dos indivíduos, e no C3 com redução de 60%, possibilitou uma permanência de 82,68% dos fustes e uma estimativa de colheita 17,32%. No C1, com redução de 40% do volume real, há uma estimativa de colheita de 1.040 fustes. No C2 a 50%, possibilitou uma permanência de 62,38% dos fustes e uma estimativa de colheita de 37,62% dos indivíduos, e no C3 com redução de 60%, possibilitou uma permanência de 76,79% dos fustes e uma estimativa de colheita 23,21%. Levando em consideração à dinâmica, sucessão ecológica, exploração comercial e a floresta balanceada, a combinação que apresentou resultados mais efetivos foi o Cenário 3, com redução de 60% da área basal e do volume real, devido ao alto número de indivíduos aptos a atividades silviculturais e garantia da sustentabilidade da regeneração natural.
vii ABSTRACT
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USE OF THE BDq METHOD IN A CAATINGA AREA SUBMITTED TO FOREST MANAGEMENT
The BDq method is based on the concepto of balanced forest and its application leads the forest population to a remaining stock. The work aimed to analyze the technical feasibility in the application of three cutting intensities and six scenarios in Caatinga vegetation submitted to sustainable Forest Management. The work was carried out at Fazendas Baixa da Oiticica, Rancho da Velha and Tabuleiro de Dentro, located in the municipality of Upanema-RN. With an area of 343.0472 hectares of management area, 11 sample units of 20 m x 20 m were installed, where a forest inventory was carried out in an area of 4,400 m2. All individuals with CAP ≥ 6 cm were measured. The individuals were identified in loco, using the APG IV classification system to organize the list of scientific names and species families. For the application of the BDq method, three management alternatives have been proposed, with 40% (Scenario 1), 50% (Scenario 2) and 60% (Scenario 3) of reduction of the basal area and real volume. 1,680 individuals were distributed in 10 families, 18 species and 16 genera. In C1, with a 40% reduction in the basal area, there is an estimated harvest of 831 shafts, being more representative in the center of 2.45 cm diameter class. In C2 at 50%, it allowed a permanence of 70.42% of the stems and a harvest estimate of 29.58% of the individuals, and in C3 with a reduction of 60%, it allowed a permanence of 82.68% of the stems and a harvest estimate 17.32%. In C1, with a 40% reduction in the actual volume, there is an estimated harvest of 1,040 stem. In C2 at 50%, it allowed 62.38% of the stems to remain and a harvest estimate of 37.62% of the individuals, and in C3 with a 60% reduction, 76.79% of the stems and a harvest estimate 23.21%. Taking into account dynamics, ecological succession, commercial exploitation and balanced forest, the combination that showed the most effective results was Scenario 3, with a 60% reduction in the basal area and the actual volume, due to the high number of individuals able to activities forestry and guaranteeing the sustainability of natural regeneration.
viii SUMÁRIO __________________________________________________________________________ Página 1. INTRODUÇÃO ... 1 2. REVISÃO DE LITERATURA ... 2 2.1. O bioma Caatinga ... 2
2.2. Manejo florestal sustentável na Caatinga ... 3
2.3. Composição Floristica ... 4
2.4. Distribuição Diamétrica ... 5
2.5. Corte Seletivo ... 6
2.6. Método BDq ... 7
3. MATERIAL E MÉTODOS ... 10
3.1. Localização e caracterização da área ... 10
3.2. Coleta de Dados ... 11
3.3. Estimativa da Frequência por Classe Diamétrica e da Constante “q” De Liocourt...12
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 14
5. CONCLUSÕES ... 22
ix LISTA DE FIGURAS
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Figura 1. Mapa de localização do município de Upanema dentro do estado do Rio Grande do Norte...10 Figura 2. Representação gráfica da suficiência amostral das espécies inventariadas em um fragmento de Caatinga, no município de Upanema-RN...14 Figura 3. Distribuição do número dos indivíduos amostrado por classe de diâmetro na área de manejo florestal...16 Figura 4. Distribuição da área basal por classe diamétrica na área de manejo florestal...17
x LISTA DE TABELAS
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Tabela 1. Relação dos indivíduos lenhosos inventariados na Área de Manejo Florestal...15 Tabela 2. Valores dos coeficientes β0 e β1 considerando as áreas basais e volume real remanescentes e Dmáx de 32,45 cm, na área de manejo florestal...18 Tabela 3. Distribuição média por hectare do número de fustes, para a estrutura observada, previsto e estimado para as estimativas de colheita por centro de classe diamétrica, com redução de 40% (Cenário 1), quociente de De Liocourt q= 2,3; redução de 50% (Cenário 2), quociente de De Liocourt q= 2,0 e redução de 60% (Cenário 3) da área basal, quociente de De Liocourt q= 1,7. Diâmetro máximo Dmáx = 32,45 cm...19
Tabela 4 Distribuição média por hectare do número de fustes, para a estrutura observada, previsto e estimado para as estimativas de colheita por centro de classe diamétrica, com redução de 40% (Cenário 1), quociente de De Liocourt q= 2,3; redução de 50% (Cenário 2), quociente de De Liocourt q= 2,0 e redução de 60% (Cenário 3) dos indivíduos pelo volume real, quociente de De Liocourt q= 1,7. Diâmetro máximo Dmáx = 32,45 cm...21
xi LISTA DE ABREVIATURAS
__________________________________________________________________________ cm - Centímetro
ha - Hectares
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística m - Metro mm - Milímetro m2 - Metro quadrado nº - Número O - Oeste S - Sul ºC - Grau Celsius % - Porcentagem
CAP- Circunferência altura do peito
BDq - (B), do diâmetro máximo (D) desejado e do quociente (q) de De Liocourt AB - Área basal
DAP- Diâmetro altura do peito ≥ - Maior ou igual
π - pi > - Maior
APG IV- Angiosperm Phylogeny Group
1
1. INTRODUÇÃO
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O bioma Caatinga é o ecossistema de maior cobertura vegetal na região Nordeste. Sua área geoecológica representa uma extensão de aproximadamente 844.453 km2, sob as latitudes subequatoriais, compreendidas entre 2º45’ e 17º21’ S. Sua área territorial representa cerca de 70% da Região Nordeste e 11% do território brasileiro, estando incluso no denominado polígono das secas (ALVES, 2007). Este bioma vem sofrendo com o grande avanço do desmatamento, entretanto, mesmo diante de algumas dificuldades, a sua utilização de forma correta pode contribuir grandemente para o crescimento da Região Nordeste e do país, considerando seu alto potencial para a conservação de serviços ambientais, bioprospecção e uso sustentável (SFB, 2013).
A prática de uso sustentável surge como propagador da economia local, reduzindo a taxa de desmatamento, e consequentemente, preservando o bioma e de suas funções essenciais ao ambiente (ARAÚJO, 2015). A sustentabilidade do uso dos recursos florestais é obtida através do manejo florestal, que visa minimizar os impactos ecológicos da exploração e aumentar a capacidade de regeneração da floresta (VERÍSSIMO; PEREIRA, 2014).
Dentre os métodos de regulação, o método BDq é uma das opções de manejo, visto que promove ações para a condução da regeneração natural, estabelece critérios de remoção das árvores da floresta e estabelece meios de colheita. Com a aplicação desse método, estima-se o menor impacto sobre a população remanescente na obtenção de uma produção mais sustentável (SOUZA; SOUZA, 2005; SOUZA; SOARES, 2013).
O método BDq encontra-se fundamentado no conceito de floresta balanceada, e a sua aplicação como método de determinação de corte seletivo, leva a população a um estoque remanescente, promovendo a manutenção da estrutura diamétrica da vegetação (SOUZA; SOARES, 2013).
No BDq, considera-se as classes de tamanho, como por exemplo, a distribuição dos diâmetros, mostrando-se uma importante ferramenta na tomada de decisões e no planejamento do manejo a ser inserido em determinada área. A distribuição diamétrica permite caracterizar uma tipologia florestal, examinar o histórico das espécies na área, a quantidade de árvores passíveis de colheita, a regeneração natural e a sustentabilidade da espécie após a colheita (LIMA et al., 2014; RODE et al., 2015, SILVA et al., 2018).
Dentro deste contexto, poucos estudos são encontrados na literatura utilizando o método BDq em áreas de Caatinga e, diante disso, este trabalho teve por objetivo analisar a viabilidade
2 técnica na aplicação do método, considerando três intensidades de corte e seis Cenários em vegetação da Caatinga submetida ao manejo florestal sustentável.
2. REVISÃO DE LITERATURA
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2.1 O BIOMA CAATINGA
O nome Caatinga apresenta origem indígena e o seu significado é mata branca (caa - mata; tinga - branca, clara, aberta) (NASCIMENTO, 1998). A vegetação predominante na região semiárida brasileira forma um complexo denominado de Caatinga, a qual é caracterizada pela presença de uma miscelânea de arbustos espinhosos e florestas sazonalmente secas que cobrem a maior parte do território dos estados do PI, CE, RN, PB, PE, AL, SE, BA e fração do nordeste de MG, no vale do Jequitinhonha (LEAL et al., 2005).
O bioma Caatinga é predominante na região do Nordeste e sua estrutura é apontada como a mais diversificada - com suas espécies endêmicas e uma riqueza inestimável de espécies e animais - comparada com os outros biomas nas mesmas condições edafoclimáticas, todavia, encontra-se em estado de degradação avançado pela ação antrópica (ARAÚJO, 2010; MEDEIROS, 2013).
O Nordeste brasileiro é um caso muito peculiar e particular dentro do território brasileiro no que se refere à configuração de sua cobertura vegetal. Fato este que o diferencia das demais regiões brasileiras, visto que apresenta uma variedade de ecossistemas em sua extensão territorial, desde fragmentos da Mata Atlântica até encraves de Cerrado (SANTOS; MELO 2010).
Leal et al. (2005) relatam que o conhecimento do bioma Caatinga não está somente nos estudos da diversidade biológica e nos inúmeros endemismos presentes, a caatinga é considerada uma anomalia climática que funciona como um laboratório para os estudos de fauna e flora, analisando como estes se comportam quando submetidos a um período de chuvas irregulares.
Apresentando um patrimônio biológico bastante diversificado, a caatinga com suas espécies endêmicas e uma riqueza inestimável de espécies e animais, mostra-se como o único bioma em que seus limites estão restritos ao território nacional. No entanto, encontra-se em estado de degradação avançado pela ação antrópica (MEDEIROS, 2013).
3 Nas estiagens prolongadas, a caatinga entra em condição de latência, sua aparência é de que as plantas estejam mortas, porque ocorre à perda das folhas, os galhos apresentam aspectos secos e seu desenvolvimento desacelera com a falta de água. No período chuvoso, as folhas e flores brotam e mudam rapidamente o visual da paisagem (MENDES, 1987).
Conforme Souto et al. (2015), o semiárido brasileiro tem se tornado suscetível ao processo de desertificação por consequência da elevada dependência e uso dos recursos da Caatinga pela população que depende para sua sobrevivência. Ferreira et al. (2014), relataram que o uso de técnicas incorretas ou práticas insustentáveis são fatores que ajudam a provocar grande desequilíbrio dos ecossistemas, ocasionando problemas na flora, fauna e de degradação, além de prejudicar o banco de sementes do solo, afetando assim, o estoque de sementes viáveis e impossibilitando a regeneração natural naquele ambiente.
Uma alternativa para acabar com o uso da caatinga de forma incorreta sem ocasionar a degradação e o mau uso de seus recursos florestais são os Projetos de Manejos Florestais Sustentáveis (PMFS), pois, o manejo de forma correta ajudam a conservam o ecossistema e seus componentes a médio e longo prazo, garantindo uma fonte de renda ao homem do campo, diferentemente do reflorestamento, o manejo florestal não necessita de nenhum investimento inicial para sua execução (MELO; CATARINA; RODOLFO JUNIOR, 2007).
Pareyn (2010) cita outros benefícios na realização do PMFS na área trabalhada sob manejo, que são eles: a legalização da produção, o uso sustentável dos recursos, a geração de emprego e renda, a redução de passivo ambiental além do fornecimento de bens e serviços. É necessário entender as atividades humanas para a compreensão homem/natureza, visando que a maneiras tradicionais de forma de uso e o aproveitamento dos recursos da caatinga são bastante precários, onde na maioria das vezes são conduzidas de maneira insustentável, desrespeitando a complexidade presente nesse ecossistema (SILVA et al., 2014).
2.2 MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVEL NA CAATINGA
O manejo florestal sustentável pode ser compreendido como o conjunto de intervenções realizadas em uma área florestal, tendo como o objetivo de adquirir de forma continua os produtos e serviços da floresta, a manutenção de sua capacidade produtiva e a diversidade biológica (GARIGLIO, 2010). Para o Ministério do Meio Ambiente (2008), para ser viável, o manejo florestal deve basear-se na capacidade produtiva da floresta, de modo que tenha uma maior produção de forma sustentável, levando em conta a o ponto de vista social, econômico e ambiental.
4 O manejo florestal na Caatinga vem sendo bastante contestado, no que se refere a sua sustentabilidade, sendo confundido com o desmatamento puro e simples, um motivo deles pode ser porque os tipos de cortes aplicados nesta região são bastante intensivos, tipo o cortes rasos, que é diferentemente daqueles usados nas florestas tropicais úmidas (RIEGELHAUPT et al., 2010). Segundo o mesmo autor, esta opinião “pouco informada” sobre os impactos do manejo na Caatinga desconsidera duas informações necessárias: a primeira é que cada tipo de vegetação tem características peculiares e a segunda e que cada uma tem uma técnica vantajosa em determinado tipo florestal, em outra, pode não ter iguais valores ou impactos.
Uma das características que esse bioma possui é o clima marcado por fortes secas e queimadas clandestinas, nessas condições, as espécies arbóreas dominantes têm desenvolvido adaptações como: Alta capacidade de regeneração por brotação de tocos e cepas; rápida resposta e alta taxa de crescimento em períodos úmidos; caducifólia e redução considerável do metabolismo em períodos secos (RIEGELHAUPT et al., 2010).
Riegelhaupt et al. (2010) relataram que o manejo nessa região tem viabilidade e sustentabilidade técnica além do esperado, as taxas de crescimento são altas, em comparação a outras florestas; a recuperação dos estoques ocorre em prazos relativamente curtos, alta capacidade de regeneração e crescimento inicial da rebrota de tocos e raízes; a não utilização de maquinário pesado, agrotóxicos e do fogo levam à boa conservação do solo; e os grupos biológicos estudados nas áreas de manejo apresentam níveis de diversidade praticamente iguais nas áreas conservadas, e a diversidade de habitats criada em áreas manejadas possibilita ainda o aparecimento de novas espécies.
Dessa maneira, é necessário o uso de uma técnicas de exploração com base no manejo florestal, levando assim, a pesquisa de técnicas que conduzam o uso dos recursos florestais sem grandes perdas ecológicas e com ganhos econômicos e sociais, visto que a vegetação da Caatinga tem um importante papel socioeconômico, e é a fonte mais importante de produtos energéticos para algumas populações (SILVA, 2005).
2.3 COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA
A análise da composição florística é conceituada como sendo o estudo da identificação, diversidade e associação das espécies existentes em uma área. De acordo com Araújo (2007), a composição florística deve ser um aspecto introdutório a ser estudado em área de floresta, por representar objeto de pesquisa na silvicultura ou em qualquer atividade que englobe os recursos vegetais.
5 A análise estrutural através da florística e fitossociologia permite monitorar eventuais alterações na estrutura da vegetação e pode contribuir para o aumento do conhecimento sobre o bioma, sendo possível estabelecer ações que preservem seu patrimônio genético e sua utilização de forma racional (PEREIRA JÚNIOR; ANDRADE; ARAÚJO, 2013).
Estudos da composição florística e da análise da estrutura da vegetação são indispensáveis para a elaboração de planos de manejo e adoção de práticas silviculturais, direcionadas para a conservação da diversidade de espécies (SCOLFORO et al., 1998). É possível manter a diversidade florística quando o regime de manejo florestal é previsto com antecedência, preservando a floresta nativa, e compreendendo a importância de cada espécie para a comunidade e sua distribuição espacial na floresta (SCOLFORO et al., 2000).
Dessa forma, estudos neste segmento são de grande importância na preparação de planos de manejo e na adoção de práticas de silvicultura, interligadas à conservação de espécies e sua diversidade. Quando há previsão de intervenções que tem como base o regime de manejo para a floresta nativa, há a possibilidade de manutenção da diversidade florística, além da compreensão da importância de cada espécie para a comunidade e de sua distribuição espacial na floresta (SCOLFORO et al., 1998).
Métodos de descrição da vegetação baseados na florística identificam as espécies vegetais que determinam a comunidade, devendo-se observar critérios em relação à identificação da espécie vegetal, a amostragem e a medida de abundância para cada espécie (FELFILI; REZENDE, 2003).
2.4 DISTRIBUIÇÃO DIAMÉTRICA
A distribuição diamétrica ou estrutura diamétrica tem por conceito a distribuição do número total de árvores por hectare ou densidade absoluta por classe de diâmetro à altura do peito (DAP). A distribuição diamétrica é usada para retratar tipologias vegetais, regimes de manejo e processos de dinâmicas de crescimento e produção, sendo utilizada como guia de corte e, principalmente, como verificador de sustentabilidade ambiental de manejo (SOUZA; SOARES, 2013).
Os modelos de distribuição diamétrica permitem variações a partir da exposição do ciclo de corte, da avaliação da viabilidade econômica de se executar ou não o manejo florestal e de quantos indivíduos de uma espécie poderão ser retiradas (PULZ et al., 1999).
A distribuição diamétrica típica de populações florestais que são estáveis e autoregenerativas têm a forma de “J-invertido”, indicando que árvores de menor dimensão estão
6 representadas pela maioria da população e que existe um balanço entre mortalidade e o recrutamento dos indivíduos.
Lima et al. (2013) relataram que o francês De Liocourt, em 1898, deu início às primeiras pesquisas voltadas à distribuição diamétrica, nas quais verificou-se que a estrutura diamétrica de florestas naturais demostra uma curva decrescente na forma de “J-invertido” ou exponencial negativa. Entretanto, vários são os modelos matemáticos para estudo desse tipo de distribuição, sendo a função de Meyer a mais utilizada para florestas nativas (LOETSCH et al., 1973, citados por SILVA et al., 2004).
Meyer (1952) introduziu o termo floresta balanceada para retratar as florestas que mantêm uma taxa constante na diminuição do número de árvores com o aumento do diâmetro. Para que haja a manutenção do equilíbrio da estrutura diamétrica faz-se necessário manejar a floresta propondo conduzi-la a uma distribuição “balanceada” que seja capaz de induzir a comunidade florestal a um nível de produção sustentada (CUNHA, 1995).
Dentre os primeiros pontos para que um povoamento florestal seja manejado de maneira adequada, está o conhecimento de sua estrutura. E a distribuição diamétrica surge como um método essencial na compreensão do comportamento da estrutura de uma comunidade florestal (QUEIROZ, 2004). O mesmo autor relata que, a partir do conhecimento da estrutura diamétrica é possível estimar as produções e definir as intervenções que serão realizadas em um povoamento florestal, garantindo que haja sustentabilidade econômica e ecológica.
Segundo Silva et al. (2004) a distribuição constante do número de indivíduos por classe diamétrica promove a conservação da espécie em uma comunidade natural, com a garantia do equilíbrio da floresta, assim como a permanência de espécies reprodutivas. Diante disso, a análise da distribuição diamétrica de florestas em associação aos estudos fitossociológicos, viabilizam melhor conhecimento e entendimento das espécies presentes na comunidade, possibilitando melhor planejamento para que sejam estabelecidas estratégias adequadas para a conservação e manejo.
2.5 CORTE SELETIVO
No Brasil, as florestas nativas têm sido, em sua maioria, exploradas de modo predatório e, sobretudo, sem considerar os princípios do manejo ou da produção sustentada. Em áreas de Caatinga, nas quais são utilizadas técnicas de manejo, a exploração tem sido conduzida comumente utilizando o sistema de corte raso ou talhadia simples, tendo pouco destaque a utilização de outras técnicas, como a de corte seletivo (BARREIRA et al., 2000).
7 O corte seletivo ou talhadia seletiva trata-se de um sistema policíclico e é uma das alternativas mais viáveis no aproveitamento da vegetação de maneira sustentável, sendo o mais recomendado, por imitar o processo de mortalidade natural, para apoderar-se do estoque de madeira e dinamizar a sucessão florestal (SOUZA, 2003).
É necessário para isso, unir ações na condução da regeneração natural e determinar critérios tanto para a retirada de árvores da floresta, como para a colheita, visando a diminuição dos impactos à população remanescente (SCOLFORO, 1998).
Além disso, o corte seletivo de árvores mostra-se como uma prática correta do uso da vegetação nos âmbitos dos setores econômico, social e ambiental, levando em consideração que nesse tipo de intervenção, são selecionadas quais e quantas espécies serão retiradas de uma área pré-determinada, com base em critérios de sustentabilidade da vegetação (BARREIRA et al., 2000).
Quando aplicado de forma correta, respeitando as leis ecológicas impostas pela natureza, esse sistema de corte é claramente uma prática sustentável de melhoramento de uma floresta, aumentando a proporção das espécies de interesse na área, através do processo de regeneração dirigida, e conduzindo a população a uma produção sustentável e ecologicamente viável (SCOLFORO, 1998).
De acordo com Ferraz (2011), para que haja o equilíbrio de uma comunidade tendo como base o manejo, faz-se necessário proceder com cortes seletivos através de classes diamétricas, com controle da área basal, retirando árvores em todas as classes de diâmetros, e mantendo determinada quantidade de indivíduos em sucessivas classes diamétricas, com objetivo de conservar a estrutura inequiânea da floresta remanescente. Considera-se que, alterações locais são inevitáveis, e poderão afetar as características da floresta, baseado na intensidade da intervenção. Decorrente disso, faz-se necessário, para aplicação deste método, o conhecimento da composição florística, da estrutura fitossociológica e das distribuições diamétrica e espacial das espécies vegetais da área (SOUZA, 2003).
2.6 MÉTODO BDQ
Dentre vários modelos de sistemas de manejo aplicáveis às florestas tropicais naturais, o sistema de corte seletivo por meio do método BDq (B = área basal remanescente, D = diâmetro máximo desejável e q = constante de De Liocourt), é um dos indicados, pois mantém a estrutura inequiânea da floresta remanescente e permite manter a regulação florestal (SOUZA; SOUZA, 2005). Possibilitando a sustentabilidade da floresta, uma vez que combina ações para a
8 condução da regeneração natural e, possui critérios de remoção de árvores e colheita, possibilitando o menor impacto possível sobre a população remanescente (SCOLFORO, 1997). O método BDq baseia-se na observação da estrutura diamétrica, tornando possível a utilização do conceito de floresta balanceada por meio da identificação de classes diamétricas nas quais existe menor ou maior quantidade de árvores a serem removidas. Resultando na busca de características de uma floresta normal a partir do estudo de florestas irregulares, demostrando uma constante de proporcionalidade entre o número de árvores por categoria diamétrica sucessiva, conhecido por quociente q, proposto por Liocourt em 1898 (HESS, 2012; SCOLFORO; GAMA; BENTES-GAMA, 2005).
O quociente q reflete a qualidade de sítio, a competição entre as espécies presentes no ambiente, a dominância de algumas espécies, refletindo na necessidade de desbastes, possibilitando a probabilidade de movimentação entre as classes (ingresso), o recrutamento, a mortalidade e as situações ecológicas. Essa distribuição indica a necessidade de se avaliar como se processará a reposição das árvores das classes superiores depois da exploração (BRAZ, 2010; CAMPOS; RIBEIRO; COUTO, 1983).
O quociente q representa a razão constante entre as classes e é de grande importância por interferir no número de indivíduos por classe diamétrica, onde é utilizado juntamente com a área basal remanescente (B) e o diâmetro máximo desejável (d) no ajuste da função de Meyer, para ser encontradas novas estimativas dos parâmetros das funções de diferentes alternativas de manejo. Qualquer modificação no valor de q resulta em mudança na estrutura da floresta. A alteração no valor de q interfere na inclinação da curva de remoção, de modo que, se o novo q for menor que o valor original, mais indivíduos serão removidos nas menores classes diamétricas. Se o novo q for maior que o original, haverá remoção de um número maior de árvores nas dimensões maiores, considerando, nestas duas situações, a remoção de uma mesma área basal (HESS, 2012; SOUZA; SOARES, 2013).
Esta distribuição foi descrita pelo Francês De Liocourt, no ano de 1898, o qual publicou o primeiro trabalho numérico sobre distribuição diamétrica, observando que a razão entre o número de indivíduos em uma determinada classe de diamétrica e o número de indivíduos em uma classe diamétrica adjacente mantinham-se constante, gerando um quociente “q” (CAMPOS et al., 1983). Segundo Felfili et al. (1998) esse quociente “q” permite também avaliar as taxas de mortalidade e de recrutamento em populações vegetais, todavia, a razão constante entre as classes diamétricas pretende afirmar que a taxa de recrutamento será igual à taxa de mortalidade, sendo, portanto, a distribuição considerada balanceada.
9 Umas das vantagens do método BDq, está nos princípios que adota para obter uma produção mais sustentável, onde é possível dimensionar a intensidade de corte por hectare em número de árvores, volume ou área basal, caracterizada por ser uma técnica de corte seletivo mais racional em comparação com a técnica que corta somente árvore de grande porte ou de grande valor econômico (CAMPOS; RIBEIRO; COUTO, 1983).
10
3. MATERIAL E MÉTODOS
__________________________________________________________________________
3.1 Localização e caracterização da área
O estudo foi desenvolvido em propriedades rurais denominadas Fazendas Baixa da Oiticica, Rancho da Velha e Tabuleiro de Dentro, localizadas no município de Upanema-RN (figura 1). A área sob manejo florestal possuía 343,0472 hectares e está situada entre as coordenadas geográficas S 5º29’58,2” e W 37º20’28,8”.
Figura 1. Mapa de localização do município de Upanema dentro do estado do Rio Grande do Norte.
Fonte: Google
O clima da região é o Tropical da Zona Equatorial, quente e semiárido, com sete a oito meses secos, podendo chegar a nove meses, e estação chuvosa irregular que acontece entre os meses de fevereiro a julho. A média pluviométrica anual é de 670 mm, apresentado déficit hídrico anual de 1.000 mm e temperaturas médias quentes, maiores que 28°C em todos os meses do ano (IBGE, 2002).
A vegetação regional compreende a Savana Estépica Arborizada ou Caatinga hiperxerófila arbustiva arbórea rala com dossel de três metros de altura, estrato arbóreo formado por árvores baixas providas de acúleos ou espinhos, e estrato gramíneo-lenhoso periódico com diversas cactáceas (IBGE, 2004).
11 3.2 Coleta de dados
Para a coleta dos dados foi realizado um inventário florestal na área, sendo locadas de forma aleatória 11 unidades amostrais quadradas de 20 m x 20 m (RMFC, 2005). Dentro das unidades amostrais foram mensurados todos os indivíduos lenhosos com circunferência a altura do peito (CAP) ≥ 6,0 cm. Para verificar a suficiência amostral do inventário florestal foram realizados cálculos estatísticos para amostragem casual simples para populações finitas.
Para as mensurações e cálculos volumétricos, cada fuste foi considerado um indivíduo, sendo obedecidos os seguintes critérios: a) as árvores ou arbustos com bifurcação entre o nível do solo e 30 cm de altura foram tratados como indivíduos distintos (RMFC, 2005); b) as árvores ou arbustos com bifurcação acima de 30 cm de altura do nível do solo foram considerados como um só indivíduo, e os diversos CAP’s dos fustes medidos foram homogeneizados pela fórmula das circunferências equivalentes: 𝐶𝐴𝑃𝑖 = √∑ 𝐶𝐴𝑃𝑛2. A distribuição paramétrica foi calculada a partir do Diâmetro a Altura do Peito (DAP, obtido a partir do CAP), sendo considerada uma amplitude de cinco centímetros.
As circunferências foram transformadas em diâmetro e posteriormente calculado a área basal, usando a seguinte formula:
G = 𝜋. (𝐷𝐴𝑃 2) 40000 Onde:
G = área basal; π = “pi” (3,1416...); DAP2 = diâmetro a altura do peito, ao quadrado (em centímetros); 40.000 = fator de conversão quadrática de centímetros para metros (do DAP);
A volumetria foi calculada considerando o CAP com casca das árvores e arbustos mensurados nas parcelas de árvores adultas, com a aplicação das expressões:
𝑉𝐶𝑐/𝑐=
𝜋. (𝐷𝐴𝑃)2. 𝐻𝑇 40000 𝑉𝑅 = 𝑉𝐶𝑐/𝑐 . 𝑓𝑓 Onde:
VCc/c = volume cilíndrico da árvore com casca; HC = altura total da árvore (em metros); VR = volume real (em metros cúbicos – m3); ff = fator de forma (0,9 adimensional) (ZAKIA, PAREYN e RIEGELHAUPT, 1988).
As espécies foram identificadas in loco por seus aspectos dendrológicos (formato da copa, folhagem, casca e caule), nomes populares e, quando possível, por coleta de material botânico para herborização (flores e frutos), e posterior identificação para confirmação dos nomes
12 científicos, que foram obtidos por consultas à literatura especializada. Foi adotado o sistema Angiosperm Phyloheny Group IV (2016) para organização da lista dos nomes científicos e das famílias das espécies florestais, incluindo informações sobre a situação na lista oficial de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção.
3.3 Estimativa da Frequência por Classe Diamétrica e da Constante “q” De Liocourt
Para uma estrutura de floresta balanceada e condução, utilizou-se o método BDq de seleção, apresentado por Meyer (1952) e empregado por Campos et al. (1983). Foi ajustado o modelo de distribuição diamétrica por Meyer (1952) para estimar o número de árvores por classe de diâmetro conforme, Campos e Leite (2013):
𝑌𝑗 = 𝑒𝛽0+ 𝛽1 .𝐷𝑗. 𝜀 𝑗 Em que:
Yj = número de árvores por hectare; e = base do logaritmo neperiano; β0 e β1 = parâmetros a serem estimados; Dj = centro de classe de DAP, em cm; ɛj = erro aleatório.
Os diferentes valores estimados de β0 e β1, fornecem diferentes estruturas diamétricas, obtidas por meio do método dos mínimos quadrados ordinários. O valor de β0 indica a densidade relativa do povoamento para uma determinada classe de diâmetro; o valor de β1 indica a taxa de decréscimo do número de indivíduos por classe (CAMPOS; LEITE, 2013). De posse do modelo ajustado, foi calculado o quociente de De Liocourt (q), conforme a equação:
𝑞 = 𝑒
(𝛽0+𝛽1 D𝑖)
𝑒(𝛽0+𝛽1 D𝑖+1)
Em que:
q = é a razão entre a frequência de uma classe de diâmetro qualquer pela frequência imediata acima; D = é o centro de classe de dap (cm).
Após a obtenção do valor da constante “q”, foram recalculados os parâmetros β0 e β1 com as equações seguintes: 𝛽1 = ln (𝑞) 𝐷𝑗− 𝐷𝑗+1 𝛽0 = 𝑙𝑛 ( 40000. 𝐺 𝜋 . ∑𝐽 𝐷2 𝑗 . 𝑒𝛽1.𝐷𝑗 𝑗=1 ) Em que:
13 e = exponencial; *β0 e β1= coeficientes desejados; G = área basal remanescente; Dj = centro de classe de DAP, em cm; G = área basal remanescente; ln = logaritmo neperiano; π = constante Pi; Dj+1 = centro da classe de diâmetro imediatamente acima;
Para a análise, foram simulados três Cenários utilizando o método BDq. O Cenário 1 (C1) com redução de 40%, Cenário 2 (C2), com redução de 50% e o Cenário 3 (C3), com redução de 60% da população observada pelas variáveis de área basal e volume real. A tabulação, o processamento e as análises dos dados foram realizados utilizando-se a planilha Microsoft Office Excel.
14 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
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A suficiência amostral (figura 1), demonstrada pela curva coletora indica que a partir da oitava (8) parcela ocorre estabilização da curva, sugerindo que a área mínima representativa florísticamente foi atingida, havendo uma estagnação no número de espécies encontradas, mostrando ser satisfatória para a área, de modo a atingir o mínimo de parcelas a ser utilizadas para caracterização da composição florística.
Figura 2. Representação gráfica da suficiência amostral das espécies inventariadas em um fragmento de Caatinga, no município de Upanema-RN.
foram amostrados 1.680 indivíduos lenhosos que estão distribuídos em 10 famílias botânicas, 18 espécies e 16 gêneros. Das famílias apresentadas na área, a Fabaceae foi à mais representativa em número de espécies (9). a espécie Combretum leprosum (mofumbo) foi a de maior destaque, pois apresentou o maior número de indivíduos (406).
As famílias Anacardiaceae, Boraginaceae, Brassicaceae, Burseraceae, Combretaceae, Euphorbiaceae, Malvaceae e Olecaceae foram representadas por apenas uma espécie, correspondendo a 46,74% dentre as encontradas. Na tabela 1 encontra-se a relação dos indivíduos inventariados no Plano de manejo Florestal Sustentável.
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 400 800 1200 1600 2000 2400 2800 3200 3600 4000 4400 Nú m er o d e es p écies Área amostral (m2) Observado Estimado Plateau N = 7,11429 + 0,0035x R2= 85,6% N = 17,5 (plateau)
15 Tabela 1. Relação dos indivíduos lenhosos inventariados na Área de Manejo Florestal
Famílias/Espécies Nome Popular Indivíduos
NºI Parcelas Anacardiaceae
Myracrodruon urundeuva M. Allemão Aroeira 7 5, 6, 8
Apocynaceae
Aspidosperma pyrifolium (Mart.) Pereiro 196 1, 2, 4, 8, 11
Boraginaceae
Cordia oncocalyx Allemão Pau branco 5 6, 8
Brassicaceae
Capparis hastata (Jacq.) Feijão bravo 5 10
Burseraceae
Commiphora leptophloeos (Mart.)
J.B.Gillett
Imburana de Cambão
43 1, 4, 6, 7, 8, 9, 10, 11
Combretaceae
Combretum leprosum (Mart.) Mofumbo 406 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11
Euphorbiaceae
Croton blanchetianus (Baill.) Marmeleiro 108 1, 3, 5, 11
Fabaceae
Amburana cearensis (F. Allemão) A. C.
Mith
Cumaru 9 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11
Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan
var. Cebil (Griseb.) Altschul
Angico vermelho 14 9, 10
Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud Mororó 164 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11
Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.)
L.P.Queiroz var. ferrea
Jucá, Pau ferro 1 6
Mimosa caesalpiniifolia (Benth.) Sabiá 102 2, 3, 8, 9, 10
Mimosa ophthalmocentra Mart. ex
Benth.
Jurema de imbira 159 2, 4, 5, 6, 7, 8, 10, 11
Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. Jurema preta 68 2, 3, 4, 5, 7, 11
Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke Jurema branca 116 1, 2, 3, 4, 8, 9
Cenostigma pyramidale (Tul.) E.
Gagnon & G.P.Lewis var pyramidale
Catingueira 124 1, 2, 3, 5, 6, 7, 8, 9, 10
Malvaceae
Pseudobombax marginatum (A.St.-Hil.)
A. Robyns
Embiratanha 3 7, 10
Olacaceae
Ximenia americana L. var. Ameixeira 12 2, 10, 11
Mortas 138 1, 2, 3, 4, 5,6, 7, 9, 10, 11
Total 1.680
A quantidade de espécies bidibia finventariada é considerada alta, quando comparada com um levantamento realizado por Medeiros et al. (2018) em um fragmento de Caatinga no municipio de São Mamede-PB, onde os autores encontraram, em 8 unidades amostrais, 304
16 indivíduos, pertencentes a 8 famílias, 13 espécies e 13 gêneros.
Por outro lado, considera-se baixo o número de espécies em comparação aos levantamentos de Marangon et al. (2013) no município de Floresta, PE, com registro de 1.227 indivíduos distribuídos por 18 famílias; Lemos e Meguro (2015), em Aiuaba, CE, estimaram em 6.014 indivíduos e 20 famílias e, Leite et al. (2015) estimaram 3.069 indivíduos distribuídos em 24 famílias, na região de Teixeira, PB. Na Caatinga, os levantamentos florísticos e fitossociológicos mostram grande variabilidade na densidade de indivíduos.
Santos et al. (2017) em estudo realizado em área de Caatinga na Paraíba, observaram que as famílias mais importantes, tanto em número de espécies quanto de indivíduos em ambas as áreas, foram Fabaceae e Euphorbiaceae. Essas famílias abrangem a maior parte das espécies lenhosas da flora do bioma Caatinga (CALIXTO JÚNIOR; DRUMOND, 2014), corroborando com Leite et al. (2015) e Holanda et al. (2015).
Na figura 2, a floresta apresenta o formato de J invertido, onde o maior número de indivíduos encontra-se concentrado nas duas primeiras classes diamétricas, representando 89,16% do total.
Figura 3. Distribuição do número dos indivíduos amostrado por classe de diâmetro na área de manejo florestal
Os valores de percentuais de indivíduos encontrados no presente trabalho foram superiores aos encontrados no estudo de Medeiros et al. (2018) onde nas três primeiras classes diamétricas observou-se uma representação de 67% dos indivíduos. De acordo com Guedes (2012), a maior concentração de indivíduos nas classes de diâmetros menores é característica de florestas inequiâneas, indicando o potencial de regeneração natural na comunidade.
0 200 400 600 800 1000 2,45 7,45 12,45 17,45 22,45 27,45 32,45 Nº d e In d iv íd u o s. h a -1
17 A caatinga tende à presença de áreas com número muito elevado de indivíduos nas menores classes de diâmetro (SANTANA; SOUTO, 2006) que pode ser uma possível estratégia de se restabelecer após intervenções antrópicas e longos períodos de seca.
Na figura 3, verifica-se a distribuição da área basal por centro de classes de diâmetro e, o valor de área basal total de 7,0499 m2ha-1, sendo os maiores valores encontrados nos três primeiros centros de classes diamétricas, representando 74,44% de toda área basal. A distribuição desta variável seguiu a mesma tendência de distribuição do número de indivíduos, a de um J invertido, indicando uma comunidade em regeneração.
Figura 4. Distribuição da área basal por classe diamétrica na área de manejo florestal.
Em estudo realizado por Moreira (2014) em uma área de Caatinga situada no município de São José de Espinharas-PB, o mesmo observou uma área basal superior a encontrada nesse estudo, de 9,977 m2 ha-1. Tanto os maiores valores para área basal ha-1 distribuídos nos primeiros centros de classe diamétrica, quanto a tendência de distribuição, foram semelhantes ao observado nesta pesquisa. Resultado equivalente foi encontrado também por Diniz (2011) em seu estudo realizado na fazenda Andreza, município de Diamante-PB, no entanto o autor observou um valor de área basal ainda maior, de 14,651 m2 ha-1.
Após o ajuste do modelo de Meyer, os valores estimados para os coeficientes β0 e β1 foram: β0 = 7,464229126, β1 = -0,2092553462. Para o quociente q de De Liocourt, o valor estimado foi igual a 2,84.
Com a definição do quociente q De Liocourt da área basal, volume real remanescente e do Dmáx = 32,45 cm, os novos valores recalculados de β0 e β1 desejados estão apresentados nas tabelas 2. 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 2,45 7,45 12,45 17,45 22,45 27,45 32,45 Á rea B asal ( m ². h a -1)
18 Tabela 2. Valores dos coeficientes β0 e β1 considerando as áreas basais e volume real remanescentes e Dmáx de 32,45 cm, na área de manejo florestal.
Área basal total Área basal remanescente (m2.ha-1) β
0 β1
7,0499 m2.ha-1
4,44 (redução de 40%) 6,564174924 -0,17 3,52 (redução de 50%) 5,863664107 -0,14 2,82 (redução de 60%) 5,072380072 -0,11 Volume total Volume real remanescente (m3.ha-1) β
0 β1
8,8154 m3.ha-1
5,29 (redução de 40%) 6,787655163 -0,17 4,40 (redução de 50%) 6,104046954 -0,14 3,52 (redução de 60%) 5,363928222 -0,11
Tanto para atribuição de valores de área basal remanescente, quanto para valores de volume real remanescente, foi considerado, em todos os Cenários, o valor do quociente “q” De Liocourt escolhido aleatoriamente, sendo estes 2,3, 2,0 e 1,7.
Souza et al. (2013) em estudo realizado no Estado do Amapá, testaram combinações de BDq para cinco espécies arbóreas comerciais, tendo sido observado que, respeitado o diâmetro máximo que se deseja explorar, um “q” de 1,5 foi sugerido na remoção de indivíduos nas quatro primeiras classes diamétricas, o que torna as classes aptas para o manejo menos exploradas. Assim sendo, os autores afirmaram que é mais viável utilizar um q > 2, por valorizar a regeneração e explorar um maior número de indivíduos nas classes aptas ao manejo. Em contrapartida, a escolha do quociente de 1,7, não interferiu no resultado final de déficit de árvores nas classes diamétricas.
De posse desses valores, estabeleceram-se as novas distribuições do número de fustes por classe diamétrica para os valores remanescentes e para as estimativas de colheita. Na tabela 3 encontram-se demonstrados os valores de redução de 40% (Cenário 1), com a redução de 50% (Cenário 2) e redução de 60% (Cenário 3) dos indivíduos pela área basal observada, onde podemos observar que.
No Cenário 1 foi simulada a redução de 40% (2,81 m2ha-1) da área basal total (7,0499 m2ha-1), possibilitando uma permanência de 82,68%, representando 1.389 fustes e, uma estimativa de colheita de 17,32%, representado por 291 fustes entre as classes diamétricas estabelecidas, sendo as mais representativas 2,45 (123 fustes), 7,45 (72 fustes) e 12,45 (42 fustes). Nesse Cenário, o método BDq indicou a retirada de indivíduos em todas as classes diamétricas, sem a ocorrência de déficit de fustes no ambiente de colheita.
19 No Cenário 2 foi simulada a redução de 50% (3,52 m2ha-1) da área basal total (7,0499 m2.ha-1), possibilitando a permanência de 70,42% dos fustes, representando 1.183 fustes e uma estimativa de colheita de 29,58% dos indivíduos, representando 497 fustes entre as classes diamétricas estabelecidas, sendo as mais representativas 2,45 (251 fustes), 7,45 (125 fustes) e 12,45 (63 fustes). O método BDq indicou retirada em todos os centros de classes diamétricas, não ocorrendo déficit de indivíduos.
No Cenário 3 foi simulada a redução de 60% (4,22 m2ha-1) da área basal total (7,0499 m2ha-1), possibilitando a permanência de 50,54% dos fustes, representando 849 fustes e uma estimativa de colheita 49,46%, representando 831 fustes entre as classes diamétricas estabelecidas, sendo as mais representativas 2,45 (471 fustes), 7,45 (205 fustes) e 12,45 (89 fustes). Foi indicado retirada em todos os centros de classes diamétricas, não ocorrendo déficit de indivíduos entre as classes.
Tabela 3. Distribuição média por hectare do número de fustes, para a estrutura observada, previsto e estimado para as estimativas de colheita por centro de classe diamétrica, com redução de 40% (Cenário 1), quociente de De Liocourt q= 2,3; redução de 50% (Cenário 2), quociente de De Liocourt q= 2,0 e redução de 60% (Cenário 3) da área basal, quociente de De Liocourt q= 1,7. Diâmetro máximo Dmáx = 32,45 cm.
Moreira (2014) em estudo realizado em São José de espinharas-PB, com quociente q de De Liocourt de 1,94, ao simular o corte seletivo em área de Caatinga com redução de 40% (3,99 m².ha-1), da área basal total (9,97 m².ha-1), possibilitou uma permanência de 981 indivíduos (43,10% fustes) e uma estimativa de colheita de 1.294 fustes, representando 56,1% dos mesmos. Já na simulação de redução de 50% (4,98 m².ha-1) da área basal total (9,97 m².ha-1), observou
Centro de classe Valor observado Valor Estimado Desejado Cenário 1 Desejado Cenário 2 Desejado Cenário 3 Nº.ha-1 AB (m²ha-1) Nº.ha-1 Nºha-1 Nºha-1 Nºha-1
2,45 834 2,151 1042 123 251 471 7,45 664 2,450 366 72 125 205 12,45 100 1,093 129 42 63 89 17,45 64 0,506 45 25 31 39 22,45 5 0,189 16 15 16 17 27,45 11 0,513 6 9 8 7 32,45 2 0,203 2 5 4 3 Total 1680 7,0499 1606 291 497 831
20 uma estimativa de colheita de 64,2%, (1.458 fustes), e uma permanência de 35,8% (817 fustes) e na simulação de redução de 60% da área basal (5,98 m².ha-1) do seu valor estimado, Moreira (2014) observou que se mantiveram 28,7% dos fustes (655 fustes), com estimativa de colheita de 71,2% (1620 fustes).
Diniz (2011) para uma área de Caatinga, na Fazenda Andreza, município de Diamante-PB, onde o valor do quociente De Liocourt foi de q = 2,61, e ao simular uma redução de 40% (6,5061 m2.ha-1) da área basal total (14,651 m2.ha-1), recomendou-se o corte de 50,72% (2.079,16 fustes) de indivíduos (4.100 fustes). Ao simular o corte seletivo de 50% (7,3531 m2.ha-1) da área basal total (14,651 m2.ha-1), recomendou corte de 58,38% (2.393 fustes) e uma permanência de 41,62% (1707 fustes). E na simulação do corte seletivo de 60% (8,791m2.ha-1) da área basal total (14,651m2.ha-1), observando um corte de 66,71% (2.735 fustes) de um total de indivíduos (4.100 fustes).
A estimativa de colheita dos fustes no estudo de Moreira (2014) foi superior ao valor encontrado por Diniz (2011), e ao encontrado nesse estudo. Já para a permância de fustes na área para o equilibrio da regeneração florestal e o balançeamento florestal, os resultados encontrados nesse estudo foram superiores aos encontrados por Moreira (2014) e Diniz (2011).
A estimativa de interveção por hectare mostra que nos três Cenários as distribuições não apresentaram déficit de árvores nas classes diamétricas no fragmento como um todo, demonstrando que tais formações florestais se encontram balanceadas. Com isso, pode ser concluido que a taxa de recrutamento das espécies esta compensando a mortalidade e/ou remoção destas.
Na tabela 4, são apresentados os valores da estimativa de que foram encontrados após a simulação de redução em 40%, 50% e 60% do volume real, para os Cenários 1, 2 e 3.
No Cenário 1, com redução de 40% (3,52 m3.ha-1) do volume total (8,8154 m3.ha-1), possibilitou uma permanência de 76,79% dos fustes e uma estimativa de colheita de 23,21%, representando um total de 390 fustes entre as classes diamétricas, sendo as mais representativas 2,45 (165 fustes), 7,45 (97 fustes) e 12,45 (57 fustes). Não houve déficit de árvores entre as classes diamétricas
No Cenário 2, com redução de 50% (4,40 m3ha-1) do volume total (8,8154 m3ha-1), possibilitou uma permanência de 62,38% dos fustes e uma estimativa de colheita 37,62%, representando um total de 632 fustes entre as classes, sendo as mais representativas 2,45 (319 fustes), 7,45 (159 fustes) e 12,45 (80 fustes), não havendo déficit de árvores nas classes diamétricas.
21 No Cenário 3, com redução de 60% (5,29 m3.ha-1) do volume total (8,8154 m3.ha-1), onde possibilitou uma permanência de 38,10% dos fustes e uma estimativa de colheita de 61,90%, representando um total de 1040 fustes entre as classes, sendo as mais representativas 2,45 (165 fustes), 7,45 (97 fustes) e 12,45 (57 fustes).
Tabela 4. Distribuição média por hectare do número de fustes, para a estrutura observada, previsto e estimado para as estimativas de colheita por centro de classe diamétrica, com redução de 40% (Cenário 1), quociente de De Liocourt q= 2,3; redução de 50% (Cenário 2), quociente de De Liocourt q= 2,0 e redução de 60% (Cenário 3) dos indivíduos pelo volume real, quociente de De Liocourt q= 1,7. Diâmetro máximo Dmáx = 32,45 cm.
Souza e Souza (2005) recomendaram que a remoção periódica de árvores deve ocorrer nas menores classes de tamanhos, planejando o balanceamento da distribuição dos diâmetros entre as classes e, acima de tudo, conduzindo a floresta a uma estrutura balanceada ao longo do ciclo de corte, com o aproveitamento contínuo dos produtos florestais madeireiros presentes.
Nestes três Cenários, assim como nos anteriores, foi observado que as distribuições não apresentaram déficit de árvores nas classes diamétricas no fragmento com um todo, demonstrando que tais formações florestais se encontram balanceadas, e que com uma prátca de manejo adequada, pode-se evitar no futuro a extinção local de um grupo de espécies no fragmento. De acordo com Felfili (1997), as espécies requerem escala espacial e temporal muito amplas para atingir equilíbrio entre mortalidade e recrutamento. E pode-se dizer que neste estudo foi observado equilíbrio entre os indivíduos.
O manejo adequado desse povoamento florestal de forma sustentável, com o manejo adequado dos indivíduos de maiores diâmetros, proporcionará maior espaço para as espécies
Centro de classe Valores Observado Valores Estimado Desejado Cenário1 Desejado Cenário 2 Desejado Cenário 3 Nº.ha-1 Vol m3.ha-1) Nº.ha-1 Nº.ha-1 Nº.ha-1 Nº.ha-1
2,45 834 0,8768 1042 165 319 590 7,45 664 3,7416 366 97 159 256 12,45 100 1,4722 129 57 80 111 17,45 64 0,7784 45 33 40 48 22,45 5 0,1936 16 20 20 21 27,45 11 1,3504 6 11 10 9 32,45 2 0,4024 2 7 5 4 Total 1680 8,8154 1606 390 632 1040
22 remanescentes, contribuindo dessa forma para o seu desenvolvimento, tendo em vista que diminuirá a competição por espaço, luz e nutrientes. O método BDq dispõe de diversas alternativas de corte na área, permitindo assim uma melhor estrutura de exploração, e consequentemente otimizando a produção madeireira, com isso, o Cenário 3 da área basal e volume real foi as melhores propostas de colheitas pelo método BDq.
5. CONCLUSÃO
__________________________________________________________________________________ Levando em consideração a dinâmica, sucessão ecológica, exploração comercial e floresta balanceada, a combinação que apresentou os resultados mais efetivos foi o Cenário 3 da área basal e do volume real, devido ao alto número de indivíduos aptos a atividades silviculturais e à garantia da sustentabilidade da regeneração natural.
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