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Congresso Internacional em Avaliação Educacional
Avaliação: Perspectivas para a Escola Contemporânea
AVALIANDO A AÇÃO DOCENTE SUPERVISIONADA – ADS:
UMA TEORIA EM PRÁTICA
Firmiana Santos Fonseca Siebra (autora)
Universidade Regional do Cariri – URCA [email protected]
Yedda Maria Lôbo Soares de Matos (co-autora)
Secretaria da Educação Básica do Estado – CREDE 18/CEJA [email protected]
Introdução
Numa perspectiva multicultural, instalada pela Nova Ordem Mundial, acreditamos que a concepção de educar, no cenário atual, significar transcender o mero domínio do repasse de informação, mas também desen-volver competências de ordem ética, intelectual e social, que permitam ao cidadão uma convivência cotidiana onde as diferenças sejam motivadoras da busca pela igualda-de e nunca um fator igualda-de acirramento ao individualismo.
Considerando a existência das diferenças sociocul-turais, o maior desafio da prática docente supervisionada é expresso em garantir ao aluno-docente a compreensão e concretização dos objetivos da escola, enquanto com-ponente integrador de função social maior como território de aprendizagem dos conteúdos instigando uma partici-pação social e política e promovendo possibilidades de construção de uma sociedade mais justa e democrática.
Balizados nessas premissas acerca dos prespostos pedagógicos que norteiam a ação docente su-pervisionada e que se iniciam como exigência curricu-lar e se desenvolvem durante o trajeto profissional, no exercício da prática docente, acreditamos que a expe-riência escolar associada à expeexpe-riência de vida é fator
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positivo na soma do exercício profissional de quem se dispõem a ensinar.
Objetivos
• Identificar as relações de parceria entre as Insti-tuições de Ensino e demais Órgãos envolvidos; • Caracterizar o perfil atual do profissional de
edu-cação;
• Diagnosticar as possíveis mudanças promovidas pela ação docente junto aos alunos;
• Promover a discussão entre os membros envolvi-dos sobre a prática docente e a responsabilida-de social da escola.
Procedimentos Metodológicos
Para os procedimentos de investigação dessa pes-quisa optou-se pelos seguintes questionamentos:
Quais as articulações institucionais que integram a 1.
ação docente supervisionada?
Como a ação docente supervisionada é avaliada pe-2.
los diferentes atores envolvidos nesse processo? As Resoluções CNE/CP nº 02 de 19-02-2002 e CNE nº 3.
07 de 31-05-2004 estão proporcionando uma mudança positiva da prática docente?
Na obtenção das informações necessárias para re-alização desse estudo realizou-se pesquisa bibliográfica, documental e entrevista com Coordenadores e Alunos
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envolvidos na ação docente como também a leitura das Resoluções indicadas acima, alem da compreensão das exigências estabelecidas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) e a Lei de Diretrizes e Bases da Edu-cação Nacional (LDBEN).
Discussões
A análise preliminar da Ação Docente Supervisio-nada demonstra que um dos fatores positivos desse pro-cesso é a possibilidade de ampliar a discussão sobre o sistema público de Educação Básica na Região do Cariri e da importância da participação efetiva de toda a comu-nidade acadêmica como de outros segmentos da socie-dade civil, através de seus representantes diversos, no sentido de incrementar uma proposta de transformação social.
De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacio-nais, a ação docente supervisionada constitui-se em um processo de trânsito profissional, que procura ligar duas lógicas: educação e trabalho, e que proporciona ao es-tudante a oportunidade de demonstrar conhecimentos e habilidades adquiridos, como também treinar as compe-tências que ele já detém, sob a supervisão de um profis-sional da área.
Como eixo norteador e fator de articulação a ADS deve ser uma etapa que estimula o aluno a dar continui-dade na formação profissional, instigando-o a buscar o novo; a pesquisar o existente e a planejar sua contribui-ção para o aprimoramento da sua prática docente. Demo (2006:74) afirma que “o aluno não vem para a escola es-cutar aula, vem para reconstruir conhecimento e arqui-tetar sua cidadania integral”, e nesse processo é preciso
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que o professor continue a aprender, sem tréguas, sob pena de ser absorvido pelas inegáveis dissimulações que circundam o cotidiano da sala de aula.
A Ação Docente Supervisionada trata também de conhecer a GIDE – Gestão Integrada de Desenvolvi-mento Escolar, da escola, para estudá-la como processo de organização e desenvolvimento da mesma, obser-vando suas exigências legais, propósitos e expectativas da comunidade escolar. Nesse cenário o professor e os alunos assumem o desempenho de novas posturas edu-cacionais, com caráter democratizador e mediador, inte-grando alunos entre si e a comunidade escolar na qual estão inseridos.
No exercício dessas ações a aprendizagem deve ser um processo de construção de conhecimentos e valo-res de interação com a realidade e com os demais indiví-duos, dos quais são colocadas em uso suas capacidades pessoais. Sob essa ótica o professor incorpora o papel de mediador do processo buscando oportunizar uma relação simbiótica onde os conhecimentos técnico-científicos, sociais e educacionais sejam somados a experiência de vida e proporcionem o afloramento do ensino-aprendiza-gem no âmbito dessas relações.
O aluno que esteja em prática de estágio deve ex-ternar na sala de aula, durante os encontros pedagógi-cos, todas as atividades desenvolvidas na escola em que ele exerce sua docência. Esses encontros deverão moti-var discussões abertas e debates acerca do relato dos alunos e provocar reflexões constantes sobre uma otimi-zação da prática docente.
A prática docente curricular deve ser vivenciada desde o início do curso, logo no primeiro ano, desenvol-vendo-se em territórios escolares e não-escolares, ge-rando uma inserção do aluno no contexto educacional,
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visando não apenas o cumprimento de uma exigência curricular, mas, também e acima de tudo, dando movi-mento e vida ao exercício do compromisso pedagógico que deve balizar o desempenho profissional da prática docente.
Como todos sabem o bojo da Lei de Diretrizes e Ba-ses da Educação – LDB, a conhecida Lei 9.394-96, aponta para uma reconceptualização significativa dos estágios supervisionados para os cursos de licenciatura, em virtu-de do esgotamento do movirtu-delo anterior. Nessa premissa é vital que se considere mais que o mero cumprimento de uma exigência legal, mas sim uma expressão da ne-cessidade premente nos cursos que como licenciaturas formam, sobretudo, professores.
Esse formato de estágio, ainda em gestação, não soluciona definitivamente a equação relacionada ao mer-cado de trabalho, que com toda a complexidade que o envolve constitui um grande desafio que extrapola ha-bilidades e competências, porém a ação docente super-visionada que aqui estamos apresentando, por si só já se constitui em grande desafio para os atores envolvidos nesse cenário, pois requer um importante olhar pedagó-gico, responsável e comprometido nas diversas e multifa-cetadas ações didático-pedagógicas do processo ensino-aprendizagem.
Como referência de pesquisas que dão respaldo científico as Ações Docentes Supervisionadas podemos citar pesquisas realizadas pela Professora Drª Meirice-le Calíope Leitinho e Professora Drª Maria de Lourdes P. Brandão que em vários trabalhos pesquisados se posicio-nam favoráveis a uma discussão do ponto de vista teórico metodológico e científico, situando o cotidiano como es-paço da ação docente supervisionada.
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Podemos também respaldar esses processo de prá-tica docente na afirmativa de Demo (1992), quando afir-ma que teorizar a prática significa não separar a produ-ção do conhecimento frente à realidade, exaltando que a aprendizagem começa pela prática e posteriormente é que a mesma é teoricamente confrontada. O Estágio Su-pervisionado de Ensino é uma relação pedagógica entre um profissional reconhecido e o aluno-estagiário, desen-volvida em território escolar, sob a supervisão do Orien-tador de Estágio.
A Universidade Regional do Cariri – URCA como Instituição de Ensino Superior legitima o Projeto Político Pedagógico dos seus cursos de Licenciatura Plena pau-tada na valorização do “aprender/fazendo” e “aprender a aprender”.
Assim sendo, trata-se de uma capacitação em ser-viço, onde a regência docente deve proporcionar a cons-trução do conhecimento, da reflexão e da análise do pro-cesso educativo, em todas as atividades pedagógicas desenvolvidas na comunidade. É o exercício da prática docente experimental direcionada a um cumprimento das ações didáticas pautadas no exercício da busca pelo conhecimento.
Cabe ao professor orientador do Estágio Supervi-sionado, responsável pela ADS - ação docente supervi-sionada, promover discussões e debates sobre a gama de relatos e experiências vivenciadas pelos alunos, in-centivando uma reflexão constante acerca de suas ações docentes, buscando compreender a realidade do cenário pedagógico, no sentido de subtrair a distância entre a prática ideal e a possível. É também necessário desen-volver criticamente as competências e habilidades ne-cessárias à aplicação dos saberes disciplinares ao longo
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Avaliação: Perspectivas para a Escola Contemporânea do curso de graduação possibilitando alcançar dimen-sões formadoras, sociais e políticas da cidadania.
Conclusões Parciais
Neste trabalho estão expostas as considerações que fortalecem a experimentação da Ação Docente Su-pervisionada como exercício da prática docente. Ainda não podemos fazer afirmações definitivas e comprovadas por ser ainda parte de um processo em andamento, não é uma condição finda e concreta.
Ao contrário do que comumente se almeja, não te-mos como meta a delimitação e o engessamento das ati-vidades e como também dos resultados obtidos; não ob-jetivamos definir padrões de “correto” e “incorreto” para o resultado desse processo.
É preciso que se considere a realidade vivenciada pelos alunos e pelos estagiários sob a supervisão do pro-fessor orientador como palco de vivência e, portanto de liberdade de ações e pensamentos. Esse trabalho tem como principal riqueza o diagnóstico do concreto, da vi-vência capturada pelo exercício da prática docente e que, a partir daí possa haver uma maior integração do ensino e da aprendizagem em todos os campos do saber.
Bibliografi a
DEMO, Pedro. Formação de formadores básicos. Em Aberto. Brasília, ano 12, n. 54, p.23-42, abr./jun.1992. __________ Ser Professor é cuidar que o aluno aprenda. Porto Alegre: Mediação, 2004, p.74.
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB 9.394/96.
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Projeto Curso de Formação para Professores do Ensino Médio em Áreas Específicas/Plano de Ação Docente Su-pervisionada - ADS. Crato/CE:URCA, 2006. Volume V. Projeto Político Pedagógico do Curso de Graduação de Li-cenciatura Plena em Geografia da Universidade Regional do Cariri – URCA. Departamento de Geociências: URCA, 2005.
Resoluções CNE/CP nº 02 de 19-02-2002. Resolução CNE nº 07 de 31-05-2004.
Resolução nº 013/2004 – CEPE/URCA – Universidade Re-gional do Cariri.