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Direito Penal III - 4º Bimestre

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Dafne Sobral - Resumo de Direito Penal III - 4º Bimestre Página 1

Direito Penal III

Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.850, de 2013) (Vigência)

Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente.

ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA (Art. 288)

Introdução: O rótulo, o nome jurídico desse tipo penal era formação de bando ou quadrilha, a Lei 12.850/13 alterou alguns aspectos:

1. Reduziu o número mínimo de agentes (de 04 para 03)

2. A causa especial de aumento de pena foi modificada para também contemplar a hipótese de participação de criança ou adolescente (ou uso de arma) como aumento de pena -§U

3. Redução da causa de aumento de pena (se aumenta pela metade e não mais em dobro) 4. A lei trata especificamente das organizações criminosas, que não se confunde com associação. Núcleo do tipo: associar-se (reunir de forma estável pelo menos três pessoas para cometer crimes)

1. Estabilidade: resulta de um vinculo duradouro, caso contrário seria uma reunião ocasional (concurso eventual de agentes, art. 29 do CP)

2. Em regra os atos preparatórios não são punidos, excepcionalmente, por política criminal o Estado pune alguns comportamentos preparatórios, como no caso da associação.

3. Não se exige a prática de crime, basta a reunião com o propósito de cometer crimes.

4. Se a associação for para cometer um ÚNICO crime não haverá o delito mas sim concurso eventual de pessoas

Bem jurídico Tutelado: paz pública (mediatamente), de forma imediata não há, pois são atos preparatórios

 Roxin critica a teoria dos bens jurídicos, alguns delitos são punidos por determinação do poder político, mas sem qualquer bem jurídico a ser protegido de forma imediata, assim o papel do direito penal é proteger a norma e o que o poder público entender importante, e não o bem jurídico.

Sujeitos: crime comum (no mínimo 03 pessoas)

1. Ativo: 03 pessoas, são computados inclusive os inimputáveis (inclusive há aumento de pena para participação de criança ou adolescente)

2. Passivo: coletividade.

Consumação e tentativa: via de regra instrução preliminar que identifique o vinculo duradouro, fato que autoriza a providencia de policia judiciária de forma coercitiva, prisão em flagrante. Excepcionalmente, em alguns casos não se precisa. Ex: a polícia verifica dois planos e todos os instrumentos.

 O crime é permanente.

 A tentativa NÃO é admitida em ato preparatório excepcionalmente punido pelo ordenamento. Pena: 01 a 03 anos

Causa de aumento de pena: se o grupo for armado ou se houve participação de criança ou adolescente.

Diferença da organização criminosa: Considera-se organização criminosa a associação de (a) 04 ou mais pessoas (b) estruturalmente ordenada e com divisão de tarefas (estável), ainda que informalmente, (c) com objetivo de obter vantagem de qualquer natureza, (d) mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 04 anos, ou que sejam de caráter transnacional.

 Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa.  Leis sobre organização criminosa: Tratado de Palermo (apenas com viés economico), Lei 9.034/95 (trouxe

procedimento), Lei 12.694/12 (redefiniu mas sem conduta tipificada), Lei 12.850/13 (tipificou a conduta).  Elementos normativos: cujas penas sejam superiores a 04 anos, de caráter transnacional e organizações

terroristas INTERNACIONAIS.  Pena: 03 a 08 anos

 Aumento: no caso de uso de arma de fogo.

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Dafne Sobral - Resumo de Direito Penal III - 4º Bimestre Página 2 Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. (Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012)

CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA: (Art. 288-A) Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código

 Milícia particular: grupo de pessoas que alegadamente pretende garantir a segurança de famílias, residências e estabelecimentos, imposta mediante coação.

 Organização paramilitar: associação civil constituída de civis (pode contar com militares) mas em atividade civil, com estrutura similar a militar,

 Grupo ou esquadrão: grupos de extermínio. INFORMAÇÕES GERAIS:

1. Bem jurídico tutelado: fé pública, legitimidade de outros títulos e papeis públicos. 2. Sujeito ativo: qualquer pessoa.

3. Sujeito passivo: Estado e a coletividade.

FALSIDADE DE TITULOS E OUTROS PAPEIS PÚBLICOS (Art.293) Art. 293 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:

I – selo destinado a controle tributário, papel selado ou qualquer papel de emissão legal destinado à arrecadação de tributo; (Redação dada pela Lei nº 11.035, de 2004)

II - papel de crédito público que não seja moeda de curso legal; III - vale postal;

IV - cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro estabelecimento mantido por entidade de direito público;

V - talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro documento relativo a arrecadação de rendas públicas ou a depósito ou caução por que o poder público seja responsável;

VI - bilhete, passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada pela União, por Estado ou por Município: Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.

§ 1o Incorre na mesma pena quem: (Redação dada pela Lei nº 11.035, de 2004)

I – usa, guarda, possui ou detém qualquer dos papéis falsificados a que se refere este artigo; (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004)

II – importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda, fornece ou restitui à circulação selo falsificado destinado a controle tributário; (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004)

III – importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda, mantém em depósito, guarda, troca, cede, empresta, fornece, porta ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, produto ou mercadoria: (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004)

a) em que tenha sido aplicado selo que se destine a controle tributário, falsificado; (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004) b) sem selo oficial, nos casos em que a legislação tributária determina a obrigatoriedade de sua aplicação. (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004)

§ 2º - Suprimir, em qualquer desses papéis, quando legítimos, com o fim de torná-los novamente utilizáveis, carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

§ 3º - Incorre na mesma pena quem usa, depois de alterado, qualquer dos papéis a que se refere o parágrafo anterior. § 4º - Quem usa ou restitui à circulação, embora recibo de boa-fé, qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem este artigo e o seu § 2º, depois de conhecer a falsidade ou alteração, incorre na pena de detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.

§ 5o Equipara-se a atividade comercial, para os fins do inciso III do § 1o, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em vias, praças ou outros logradouros públicos e em residências. (Incluído pela Lei nº 11.035, de 2004)

Núcleo do tipo: FALSIFICAR de objeto verdadeiro (mediante fabricação/criação, alteração/modificação), de forma que cause engano.

Incorre na mesma pena quem:

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Dafne Sobral - Resumo de Direito Penal III - 4º Bimestre Página 3 2. IMPORTA, EXPORTA, ADQUIRE, VENDE, TROCA, CEDE, EMPRESTA, GUARDA, FORNECE, RESTITUI à circulação selo

falsificado destinado a controle tributário;

3. IMPORTA, EXPORTA, ADQUIRE, VENDE, TROCA, CEDE, EMPRESTA, GUARDA, FORNECE, EXPOE À VENDA, MANTEM EM DEPOSITO, PORTA ou UTILIZA em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, produto ou mercadoria:

a) em que tenha sido aplicado selo que se destine a controle tributário, falsificado;

b) sem selo oficial, nos casos em que a legislação tributária determina a obrigatoriedade de sua aplicação.  SUPRIMIR em qualquer desses papéis carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização com o fim de torná-los

novamente utilizáveis (reclusão de 01 a 04 anos).

o Incorre na mesma pena quem usa, depois de alterado Objeto material:

1. selo destinado a controle tributário, papel selado ou papel de emissão legal destinado à arrecadação de tributo 2. papel de crédito público que não seja moeda de curso legal;

3. vale postal;

4. bilhete, passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada pela União, por Estado ou por Município

5. talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro documento relativo a arrecadação de rendas públicas ou a depósito ou caução por que o poder público seja responsável;

6. cautela de penhor e caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro estabelecimento mantido pelo poder público;

Elemento subjetivo: dolo.

Consumação: consuma-se com a falsificação ou alteração.  Tentativa possível.

Figura privilegiada: USAR ou RESTITUIR à circulação, embora recibo de boa-fé, qualquer dos papéis falsificados ou alterados depois de conhecer a falsidade ou alteração (06 meses a 02 anos)

PETRECHOS DE FALSIFICAÇÃO (Art. 294 e 295) Petrechos para falsificação de moeda

Art. 291 - Fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, possuir ou guardar maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.

Núcleo do tipo: FABRICAR, FORNECER, ADQUIRIR, POSSUIR ou GUARDAR objeto especialmente destinado à falsificação de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior.

 Pune-se ato preparatório

 É subsidiário, a falsificação efetiva absorve.

Qualificada: Se o agente é funcionário público, prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte. EMISSÃO DE TÍTULO AO PORTADOR SEM PERMISSÃO LEGAL

Art. 292 - Emitir, sem permissão legal, nota, bilhete, ficha, vale ou título que contenha promessa de pagamento em dinheiro ao portador ou a que falte indicação do nome da pessoa a quem deva ser pago:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

Parágrafo único - Quem recebe ou utiliza como dinheiro qualquer dos documentos referidos neste artigo incorre na pena de detenção, de quinze dias a três meses, ou multa.

FALSIFICAÇÃO DO SELO OU SINAL PÚBLICO

Art. 296 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:

I - selo público destinado a autenticar atos oficiais da União, de Estado ou de Município;

II - selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público, ou a autoridade, ou sinal público de tabelião: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.

§ 1º - Incorre nas mesmas penas:

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Dafne Sobral - Resumo de Direito Penal III - 4º Bimestre Página 4 II - quem utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio.

III - quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

§ 2º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO (Art. 297)

Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.

§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte. § 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular.

§ 3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

§ 4o Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no § 3o, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Núcleo: FALSIFICAR, no todo ou em parte, documento público, ou ALTERAR documento público verdadeiro.

1. Quem OMITE nos documentos: o nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.

2. Quem INSERE ou FAZ INSERIR:

a. na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;

b. na CTPS do empregado ou em documento similar declaração falsa ou diversa.

c. em documento contábil ou outro relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado

Objeto material: documento público ou emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular

Pena: de 02 a 06 anos, e multa.

Qualificada: Se o agente é funcionário público, prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.

Súmula 17 do STJ - “Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido”.

Esse entendimento decorre da aplicação do princípio de direito penal na qual o meio é absorvido pelo crime-fim, que consubstancia o chamado "princípio da consunção (ou absorção)". Não se confunde com o concurso de crimes, onde há vários delitos praticados. No conflito aparente, há um único crime e duas ou mais leis aplicáveis. Como exemplo, o agente falsifica um determinado documento (como um cheque) e, até esse ponto, responde pelo crime de falsificação. No entanto, se prosseguir em sua conduta delitiva, com a finalidade de utilizar esse documento para induzir em erro uma vítima e, com isso, obter indevida vantagem econômica, responderá pelo crime de estelionato, restando absorvido o crime de falsificação.

ADEMAIS, crime de falsificação de documento público é absorvido pelo uso de documento falso, uma vez que aquele é caminho para se praticar este (o crime fim absorve o crime meio).

A simples omissão de anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) não configura, por si só, o crime de falsificação de documento público (art. 297, § 4º, do CP). Isso porque é imprescindível que a conduta do agente preencha não apenas a tipicidade formal, mas antes e principalmente a tipicidade material, ou seja, deve ser demonstrado o dolo de falso e a efetiva possibilidade de vulneração da fé pública.

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Dafne Sobral - Resumo de Direito Penal III - 4º Bimestre Página 5 Art. 298 - Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.

Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou débito. (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012) Vigência

Núcleo: FALSIFICAR, no todo ou em parte, documento particular ou ALTERAR documento particular verdadeiro. Objeto Material: Documento particular, feito sem intervenção de funcionário púbico.

 Equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou débito Pena: de 01 a 05 anos, e multa.

FALSIDADE IDEOLÓGICA (Art. 299)

Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular.

Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte.

Núcleo:

1. OMITIR, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar 2. INSERIR ou FAZER INSERIR declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita.

o Razão do tipo conter o "fazer inserir":

 Autoria mediata; quando o sujeito usa outros para executar o tipo incriminador  Teoria do fato: o agente tem posição de comando, ele é o mandante.

Elemento subjetivo: Dolo especifico, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.

Pena:

 01 a 05 anos, e multa, se o documento é público  01 a 03 anos, e multa, se o documento é particular.

Qualificada: Se o agente é funcionário público, prevalecendo-se do cargo, OU se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte.

Lei de Execuções Penais: Art. 130. Constitui o crime do artigo 299 do Código Penal declarar ou atestar falsamente prestação de serviço para fim de instruir pedido de remição.

FALSO RECONHECIMENTO DE FIRMA OU LETRA (Art. 300)

Art. 300 - Reconhecer, como verdadeira, no exercício de função pública, firma ou letra que o não seja:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público; e de um a três anos, e multa, se o documento é particular.

Núcleo: RECONHECER, como verdadeira firma ou letra que o não seja. Há previsão no Código Eleitoral.

Sujeito ativo: Trata-se de crime próprio, pois somente os tabeliães, agentes consulares etc., isto é, os funcionários públicos e os a ele equiparados.

Elemento subjetivo do tipo: dolo. É necessária a ciência de que o manuscrito ou a firma sejam falsos.

Consumação e tentativa: Consuma-se com reconhecimento de firma ou letra (crime formal). Tentativa admissível. Pena:reclusão

 01 a 05 anos, e multa, se documento é público  01 a 03 anos, e multa, se o documento é particular. CERTIDÃO OU ATESTADO IDEOLOGICAMENTE FALSO (Art. 301) Certidão ou atestado ideologicamente falso

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Dafne Sobral - Resumo de Direito Penal III - 4º Bimestre Página 6 Art. 301 - Atestar ou certificar falsamente, em razão de função pública, fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem:

Pena - detenção, de dois meses a um ano.

Núcleo: ATESTAR ou CERTIFICAR falsamente fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem.

Objeto: documentos especificamente destinados a atestar fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem.

Sujeito ativo: próprio, somente funcionário público Elemento subjetivo: dolo

Consumação e tentativa: Consuma-se com a entrega do atestado ou certidão falsa a terceiro (destinatário ou interessado) e não com a mera formação do documento pelo funcionário público, embora haja divergência na doutrina. A tentativa é admissível.

Pena: detenção, de 02 MESES a 01 ano.

Forma qualificada: (§ 2º) Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se, além da pena privativa de liberdade, a de multa (Incide no caput E no § 1º). Não é necessária a efetiva obtenção de lucro para sua incidência.

FALSIDADE MATERIAL DE ATESTADO OU CERTIDÃO (ART.301,§1)

Falsidade material de atestado ou certidão

§ 1º - Falsificar, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou alterar o teor de certidão ou de atestado verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem:

Pena - detenção, de três meses a dois anos.

§ 2º - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se, além da pena privativa de liberdade, a de multa. Núcleo: FALSIFICAR atestado ou certidão, ou ALTERAR o teor de certidão ou de atestado verdadeiro

Elemento subjetivo: dolo especifico, prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem.

Pena: detenção, de 03 MESES a 02 anos.

Forma qualificada: (§ 2º) Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se, além da pena privativa de liberdade, a de multa (Incide no caput E no § 1º). Não é necessária a efetiva obtenção de lucro para sua incidência.

FALSIDADE DE ATESTADO MÉDICO ( Art. 302)

Art. 302 - Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso: Pena - detenção, de um mês a um ano.

Parágrafo único - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa. Núcleo: DAR o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso.

 O interessado que obtém o atestado médico falso e o utiliza pratica o crime do art. 304 (uso de documento falso)

Sujeito ativo: Trata-se de crime PRÓPRIO, somente o médico pode praticá-lo

 Excluídos, portanto, o dentista, o psicólogo etc, se o fizerem configura falsidade ideológica.  É perfeitamente possível o concurso de pessoas.

 Se o medico é funcionário público, há crime de certidão ou atestado ideologicamente falso. Sujeito passivo: É o Estado e o terceiro eventualmente lesado pela conduta delitiva.

Elemento subjetivo: É o dolo

Consumação. Tentativa: Consuma-se com a entrega do falso atestado a outrem. A tentativa é possível. Pena: detenção, de um mês a um ano.

Forma qualificada (§U): Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa Não é necessário o efetivo recebimento.

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Dafne Sobral - Resumo de Direito Penal III - 4º Bimestre Página 7 Moeda Falsa

Art. 289 - Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro: Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa.

§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda falsa.

§ 2º - Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à circulação, depois de conhecer a falsidade, é punido com detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

§ 3º - É punido com reclusão, de três a quinze anos, e multa, o funcionário público ou diretor, gerente, ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a fabricação ou emissão:

I - de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei; II - de papel-moeda em quantidade superior à autorizada.

§ 4º - Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja circulação não estava ainda autorizada.

Núcleo: FALSIFICAR, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro.

 Equiparado: importa ou exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda falsa.

 Súmula n. 73 do STJ: ‘A utilização de papel-moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, de competência da Justiça Estadual’.

 Súmula 17 do STJ: “Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido”.

Sujeito ativo: Qualquer pessoa, pois constitui de crime comum.

Sujeito passivo: É o Estado e a coletividade, também vítima a pessoa física ou jurídica. Elemento subjetivo: É o dolo, não ha finalidade especifica.

Consumação e tentativa: Consuma-se com a efetiva falsificação (crime formal)

Forma privilegiada: Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à circulação, depois de conhecer a falsidade, é punido com detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

Forma qualificada:

1. Primeira espécie: funcionário público ou diretor, gerente, ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a fabricação ou emissão:

a. moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei; b. de papel-moeda em quantidade superior à autorizada.

2. Segunda espécie: qualquer pessoa que desvia e faz circular moeda (verdadeira), cuja circulação não estava ainda autorizada. Efetiva-se com a circulação, o mero desvio gera tentativa.

O princípio da insignificância – causa supralegal de exclusão da tipicidade – não é admitido na seara dos crimes contra a fé pública, aí incluindo-se a moeda falsa, ainda que a contrafação ou alteração recaia sobre moedas metálicas ou papéis-moeda de ínfimo valor. Na linha da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal:

A Turma indeferiu habeas corpus em que condenado pela prática do delito previsto no art. 289, § 1.º, do CP – por guardar em sua residência duas notas falsas no valor de R$ 50,00 – pleiteava a aplicação do princípio da insignificância. (…) Enfatizou-se, ademais, que o bem violado seria a fé pública, a qual é um bem intangível e que corresponde à confiança que a população deposita em sua moeda, não se tratando, assim, da simples análise do valor material por ela representado. HC 96.153/MG, rel. Min. Cármen Lúcia, 1.ª Turma, j. 26.05.2009, noticiado no Informativo 548. Com igual conclusão: HC 97.220/MG, rel. Min. Ayres Britto, 2.ª Turma, j. 05.04.2011, noticiado no Informativo 622. É também o entendimento consagrado no Superior Tribunal de Justiça: HC 132.614/MG, rel. Min. Laurita Vaz, 5.ª Turma, j. 1.º.06.2010, noticiado no Informativo 437; e HC 129.592/AL, rel. Min. Laurita Vaz, 5.ª Turma, j. 07.05.2009, noticiado no Informativo 393.

CRIMES ASSIMILADOS AO DE MOEDA FALSA (Art. 290) Crimes assimilados ao de moeda falsa

Art. 290 - Formar cédula, nota ou bilhete representativo de moeda com fragmentos de cédulas, notas ou bilhetes verdadeiros; suprimir, em nota, cédula ou bilhete recolhidos, para o fim de restituí-los à circulação, sinal indicativo de sua inutilização; restituir à circulação cédula, nota ou bilhete em tais condições, ou já recolhidos para o fim de inutilização:

Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.

Parágrafo único - O máximo da reclusão é elevado a doze anos e multa, se o crime é cometido por funcionário que trabalha na repartição onde o dinheiro se achava recolhido, ou nela tem fácil ingresso, em razão do cargo.(Vide Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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Dafne Sobral - Resumo de Direito Penal III - 4º Bimestre Página 8 Núcleo:

1. FORMAR cédula, nota ou bilhete representativo de moeda com fragmentos de cédulas, notas ou bilhetes verdadeiros;

2. SUPRIMIR em nota, cédula ou bilhete recolhidos sinal indicativo de sua inutilização para o fim de restituí-los à circulação;

3. RESTITUIR à circulação cédula, nota ou bilhete em tais condições, ou já recolhidos para o fim de inutilização. Sujeito ativo: Qualquer pessoa

Sujeito passivo: É o Estado, a coletividade, bem como a pessoa física ou jurídica individualmente prejudicada. Elemento subjetivo: Nas modalidades formar e restituir (deve conhecer a condição em que se encontra a cédula, nota ou bilhete). Na modalidade suprimir, exige-se o fim especial de agir de restituir à circulação

Pena: reclusão, de dois a oito anos, e multa.

Forma qualificada: O máximo da reclusão é elevado a doze anos e multa, se o crime é cometido por funcionário que trabalha na repartição onde o dinheiro se achava recolhido, ou nela tem fácil ingresso, em razão do cargo.

REPRODUÇÃO OU ADULTERAÇÃO DE SELO OU PEÇA FILATÉLICA

Art. 303 - Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica que tenha valor para coleção, salvo quando a reprodução ou a alteração está visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou peça:

Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

Parágrafo único - Na mesma pena incorre quem, para fins de comércio, faz uso do selo ou peça filatélica. USO DE DOCUMENTO FALSO (Art. 304)

Uso de documento falso

Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302: Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.

Núcleo: Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados dos arts. 297 a 302 (não constituindo falso grosseiro).

Ter consigo documento falso não é o mesmo que fazer uso deste.

Há crime ainda quando o agente o exibe para a sua identificação em virtude de exigência por parte de autoridade policial.

Prescrição: crime instantâneo de efeitos permanentes, o prazo prescricional a correr a partir da utilização. Na hipótese em que o próprio falsário faz uso do documento falsificado: o uso constitui fato posterior não

punível.

Competência: local da falsificação. Se desconhecido, a competência será fixada pelo local em que se deu o uso do documento falso.

Sujeito ativo: Qualquer pessoa

Sujeito passivo: É o Estado e o terceiro prejudicado Elemento subjetivo: É o dolo

Consumação e tentativa: Consuma-se com o efetivo uso do documento falso. Não se admite a tentativa Pena: a cominada à falsificação ou à alteração.

SUPRESSAO DE DOCUMENTO (art. 305) Supressão de documento

Art. 305 - Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, se o documento é público, e reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é particular.

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Dafne Sobral - Resumo de Direito Penal III - 4º Bimestre Página 9 1. DESTRUIR (extinguir, eliminar. Ex: rasgar em muitos pedaços, queimar), SUPRIMIR (eliminar o documento como tal, permanece o papel, mas desaparece o documento. Ex: documento coberto de tinta), ou OCULTAR (esconder, encobrir, ele permanece intacto mas inacessível)

Classificação: é crime de forma livre (pode ser executado de varias maneiras), instantâneo de efeitos permanentes nas formas destruir e suprimir e permanente na conduta de ocultar.

Objeto Material: Documento público ou particular verdadeiro. Bem jurídico tutelada: fé pública.

Sujeitos:

1. Sujeito ativo: Crime comum, até mesmo o proprietário do documento, quando não tem dele disponibilidade 2. Sujeito passivo: Estado, bem como as pessoas físicas ou jurídicas prejudicadas.

Momento consumativo: é formal independente de obter algum beneficio.

Tentativa: É crime plurissubsistente, a execução pode ser fracionada, que admite a tentativa. Elemento subjetivo do tipo: dolo (o elemento subjetivo especial) em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor.

Pena:

1. reclusão de 02 a 06 anos, e multa, se o documento é público. 2. reclusão de 01 a 05 anos, e multa, se o documento é particular.

Ação penal: pública incondicionada pois o texto da lei não especifica de outra forma. Informações:

1. A duplicata é documento que pode ser substituído pela triplicata. Por isso, sua supressão ou destruição pelo devedor em prejuízo do credor não caracteriza a figura típica inserida no art. 305 do Código Penal.

2. Não há crime do art. 305 do CP se o objeto material for translado, certidão ou cópia autêntica de documento original existente. No entanto, poderá ocorrer outro delito, como dano ou furto. Se o documento é falso, poderá configurar o crime de fraude processual (art. 347) ou favorecimento pessoal (art. 348).

3. No crime de dano há um atentado contra o documento em si; na supressão objetiva-se prejudicar alguém (o agente destrói o documento como meio de prova).

4. Tratando-se, como efetivamente se trata, de crime de dano, se as cópias forem preservadas e os originais recompostos, não se pode falar em crime contra a fé pública.

5. Entende-se que a supressão de documento descaracteriza a prática do crime de furto ou apropriação indébita anterior. Quando se trata de documento judicial ou processo e o agente é o procurador ou advogado, configura-se o crime do art. 356 do CP (Sonegação de papel ou objeto de valor probatório) Sonegação de papel ou objeto de valor probatório Art. 356 - Inutilizar, total ou parcialmente, ou deixar de restituir autos, documento ou objeto de valor probatório, que recebeu na qualidade de advogado ou procurador Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa.

LEI DE DROGAS:(ART.28 E 33)

Conceito de drogas: substancia ou produto capaz de causar dependência, por meio de uma portaria do poder executivo.

Pessoa no aeroporto com substancia nova pode ser presa? se não esta no rol o fato é atípico (não é droga para fins penais) apreende-se a substancia e pode prender o sujeito por contrabando ou descaminho. A diferença entre o USUÁRIO e TRAFICANTE é feito caso a caso, no caso do usuário, a droga é de uso pessoal (Art. 28) no caso do traficante, oferece-se a alguém para consumo em conjunto (Art. 33)

Para o usuário do tráfico:

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:

I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade;

III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

§ 1o Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica.

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Dafne Sobral - Resumo de Direito Penal III - 4º Bimestre Página 10 § 2o Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente.

§ 3o As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 5 (cinco) meses.

§ 4o Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.

§ 5o A prestação de serviços à comunidade será cumprida em programas comunitários, entidades educacionais ou assistenciais, hospitais, estabelecimentos congêneres, públicos ou privados sem fins lucrativos, que se ocupem, preferencialmente, da prevenção do consumo ou da recuperação de usuários e dependentes de drogas.

§ 6o Para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se refere o caput, nos incisos I, II e III, a que injustificadamente se recuse o agente, poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente a:

I - admoestação verbal; II - multa.

§ 7o O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do infrator, gratuitamente, estabelecimento de saúde, preferencialmente ambulatorial, para tratamento especializado.

Sujeito ativo: Qualquer pessoa Sujeito passivo: coletividade

Elemento subjetivo do tipo: dolo com a finalidade de consumo pessoal.  Terceiro de boa fé: pode provar erro de tipo.

Objeto jurídico: saúde publica.

Conduta: Quem ADQUIRIR, GUARDAR, TIVER EM DEPÓSITO, TRANSPORTAR OU TROUXER CONSIGO drogas sem autorização

 Forma equiparada: Submete-se quem, para seu consumo pessoal (o juiz verifica no caso concreto) SEMEIA, CULTIVA ou COLHE plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância.

Elemento normativo: sem autorização ou em desacordo com determinação legal Não admite tentativa, na forma ADQUIRIR há duas correntes.

Medidas educativas: pode o juiz valer-se de admoestação verbal e multa como garantia para o cumprimento de medidas educativas.

I - advertência sobre os efeitos das drogas;

II - prestação de serviços à comunidade (prazo maximo de 05 meses, se reincidente, 10 meses) em locais que preferencialmente se ocupem, preferencialmente, da prevenção do consumo ou da recuperação de usuários e dependentes de drogas.

III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo (prazo maximo de 05 meses, se reincidente, 10 meses)

Extra:

Tratamento especializado para o infrator (§7) juiz determina, preferencialmente ambulatorial. Não é possível prisão em flagrante (§2 art. 48)

Quantidade de drogas (voto) a distinção entre o usuário e traficante está na quantidade do porte de 25 gramas. Sobre o traficante:

Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa. § 1o Nas mesmas penas incorre quem:

I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas;

II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas;

III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas.

§ 2o Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga: (Vide ADI nº 4.274)

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Dafne Sobral - Resumo de Direito Penal III - 4º Bimestre Página 11

§ 3o Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a consumirem: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa, sem prejuízo das penas previstas no art. 28.

§ 4o Nos delitos definidos no caput e no § 1odeste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa.

Bem jurídico tutelado: incolumidade publica

 É crime insuscetível de graça, fiança e indulto, veda também liberdade provisória na prática. Sujeito

1. Ativo: qualquer pessoa, no caso de prescrever é próprio (médico) 2. Passivo: coletividade

Condutas: Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas  Equiparado:

a. importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas;

b. semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas;

c. utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas.

d. Causa de diminuição de pena: na forma equiparada poderão ser reduzidas de 1/6 a 2/3, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa.

Forma privilegiada:

1. Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga

2. Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a consumirem

Elemento subjetivo: dolo genérico.

Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir, entregar a qualquer título, possuir, guardar ou fornecer, ainda que gratuitamente, maquinário, aparelho, instrumento ou qualquer objeto destinado à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 1.200 (mil e duzentos) a 2.000 (dois mil) dias-multa.

Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.200 (mil e duzentos) dias-multa.

Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre quem se associa para a prática reiterada do crime definido no art. 36 desta Lei.

Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei: Pena - reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000 (quatro mil) dias-multa. Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, organização ou associação destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e pagamento de 300 (trezentos) a 700 (setecentos) dias-multa.

Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas necessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 50 (cinqüenta) a 200 (duzentos) dias-multa.

Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao Conselho Federal da categoria profissional a que pertença o agente. Art. 39. Conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de drogas, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, além da apreensão do veículo, cassação da habilitação respectiva ou proibição de obtê-la, pelo mesmo prazo da pena privativa de liberdade aplicada, e pagamento de 200 (duzentos) a 400 (quatrocentos) dias-multa.

Parágrafo único. As penas de prisão e multa, aplicadas cumulativamente com as demais, serão de 4 (quatro) a 6 (seis) anos e de 400 (quatrocentos) a 600 (seiscentos) dias-multa, se o veículo referido no caput deste artigo for de transporte coletivo de passageiros.

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Dafne Sobral - Resumo de Direito Penal III - 4º Bimestre Página 12

Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços, se:

I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito;

II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância;

III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou policiais ou em transportes públicos;

IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de arma de fogo, ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva;

V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal;

VI - sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem tenha, por qualquer motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de entendimento e determinação;

VII - o agente financiar ou custear a prática do crime.

Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um terço a dois terços.

Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o previsto no art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente.

Art. 43. Na fixação da multa a que se referem os arts. 33 a 39 desta Lei, o juiz, atendendo ao que dispõe o art. 42 desta Lei, determinará o número de dias-multa, atribuindo a cada um, segundo as condições econômicas dos acusados, valor não inferior a um trinta avos nem superior a 5 (cinco) vezes o maior salário-mínimo.

Parágrafo único. As multas, que em caso de concurso de crimes serão impostas sempre cumulativamente, podem ser

aumentadas até o décuplo se, em virtude da situação econômica do acusado, considerá-las o juiz ineficazes, ainda que aplicadas no máximo.

Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 a 37 desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça, indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de suas penas em restritivas de direitos.

Parágrafo único. Nos crimes previstos no caput deste artigo, dar-se-á o livramento condicional após o cumprimento de dois terços da pena, vedada sua concessão ao reincidente específico.

Art. 45. É isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob o efeito, proveniente de caso fortuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação ou da omissão, qualquer que tenha sido a infração penal praticada, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

Parágrafo único. Quando absolver o agente, reconhecendo, por força pericial, que este apresentava, à época do fato previsto neste artigo, as condições referidas no caput deste artigo, poderá determinar o juiz, na sentença, o seu encaminhamento para tratamento médico adequado.

Art. 46. As penas podem ser reduzidas de um terço a dois terços se, por força das circunstâncias previstas no art. 45 desta Lei, o agente não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esdeterminar-se entendimento.

Art. 47. Na sentença condenatória, o juiz, com base em avaliação que ateste a necessidade de encaminhamento do agente para tratamento, realizada por profissional de saúde com competência específica na forma da lei, determinará que a tal se proceda, observado o disposto no art. 26 desta Lei.

O narcotráfico é caracterizado pela venda de substancia ilicitas, uma atividade ilegal. O faturamento da venda é extraordinário.

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