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Transferência de estado quântico em cadeias de spin

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Academic year: 2021

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(1)

DEPARTAMENTO DE F´ISICA TE ´ORICA E EXPERIMENTAL BACHARELADO EM F´ISICA

Samihr Valentim Hermes

TRANSFERˆ

ENCIA DE ESTADO QU ˆ

ANTICO

EM CADEIAS DE SPIN

Natal-RN

Outubro de 2017

(2)

Transferˆ

encia de Estado Quˆ

antico

em Cadeias de Spin

Monografia de Gradua¸c˜ao apresentada ao Departamento de F´ısica Te´orica e Experimental do Centro de Ciˆencias Exatas e da Terra da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para a obten¸c˜ao do grau de bacharel em F´ısica.

Orientador:

Professor Tommaso Macr`ı

Universidade Federal Do Rio Grande Do Norte — UFRN Departamento De F´ısica Te´orica E Experimental — DFTE

Natal-RN Outubro de 2017

(3)

Hermes, Samihr Valentim.

Transferência de estado quântico em cadeias de spin / Samihr Valentim Hermes. - Natal, 2017.

61f.: il.

Monografia (graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Exatas e da Terra. Departamento de Física Teórica e Experimental.

Orientador: Tommaso Macrì.

1. Física quântica. 2. Transferência de estado quântico. 3. Cadeias de spin. 4. Hamiltoniano de troca de Heisenberg. 5. Informação quântica. 6. Interações de longo alcance. 7. Tecnologia quântica. I. Macrì, Tommaso. II. Título.

RN/UF/CCET CDU 530.145

(4)

Te´orica e Experimental do Centro de Ciˆencias Exatas e da Terra da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sendo aprovada por todos os membros da banca examinadora abaixo especificada:

Prof. Dr. Tommaso Macr`ı

Universidade Federal do Rio Grande do Norte Departamento de F´ısica Te´orica e Experimental

Prof. Dr. Claudionor Gomes Bezerra Universidade Federal do Rio Grande do Norte Departamento de F´ısica Te´orica e Experimental

Prof. Dr. Felipe Bohn

Universidade Federal do Rio Grande do Norte Departamento de F´ısica Te´orica e Experimental

(5)

Agradecimentos

Amor e agradecimento a minha fam´ılia, tanto a que est´a perto quanto a que est´a longe, pelo incentivo, carinho e paciˆencia.

Aos professores e colegas do Departamento de F´ısica e, em especial, aos do PET F´ısica, com os quais tive valiosas discuss˜oes que contribu´ıram na minha forma¸c˜ao.

Ao meu orientador Prof. Tommaso Macr`ı, pela confian¸ca no meu trabalho e na apre-senta¸c˜ao dos t´opicos estudados.

Ao Dr. Tony John George Apollaro e Dr. Simone Paganelli, pelas discuss˜oes, su-gest˜oes de estudo e referˆencias bibliogr´aficas.

A Onipresen¸ca.

“There are no more deserts. There are no more islands. Yet there is a need for them. In order to understand the world, one has to turn away from it on occasion; in order to serve men better, one has to hold them at a distance for a time. But where can one find the solitude necessary to vigor, the deep breath in which the mind collects itself and courage gauges its strength?”

(6)

Resumo

Comunica¸c˜ao quˆantica consiste em transferirmos estados quˆanticos de um lugar para outro. Uma das suas aplica¸c˜oes mais famosas ´e a distribui¸c˜ao de chave quˆantica, na qual uma chave secreta aleat´oria com seguran¸ca garantida pelo teorema da N˜ao-Clonagem pode ser estabelecida entre duas entidades distantes. Outra utilidade que vem se tor-nando mais relevante a ´area de processamento da informa¸c˜ao quˆantica, conhecida como computa¸c˜ao quˆantica, em que a conex˜ao entre dois processadores ´e necess´aria fazer com-putadores quˆanticos.

Para empreender esses dispositivos, precisa-se, al´em conceber a transferˆencia de es-tados quˆanticos, mapear como a mesma acontece entre processadores quˆanticos distintos que enviam e recebem a informa¸c˜ao. Neste trabalho estudaremos a transferˆencia de es-tados quˆanticos em cadeias de spins permanentemente acopladas, bem como a fidelidade da informa¸c˜ao transferida atrav´es da dinˆamica natural do sistema.

Palavras-chave: Transferˆencia de Estado Quˆantico. Cadeias de Spins. Hamiltoniano de Troca de Heisenberg. Informa¸c˜ao Quˆantica. Intera¸c˜oes de Longo Alcance. Simula¸c˜ao Quˆantica. Tecnologia Quˆantica.

(7)

Abstract

Quantum communication consists in transferring quantum states from one place to another. One of its most well known applications is quantum key distribution, in which a random secret key with security guaranteed by the No-Cloning theorem can be esta-blished by distant parties. Another utility that has been increasing in relevance is the area of quantum information processing, namely quantum computation, where the connection between two processors is necessary to make quantum computers.

To realize these devices, it is needed not only to conceive the quantum state transfer, but also to map how this happens between two distinct quantum processors that send and receive information. In this monograph we will study quantum state transfer in perma-nently coupled spin chains as well as the fidelity of the transferred information through the natural dynamics of the system.

Keywords: Quantum State Transfer. Spin Chains. Heisenberg’s Exchange Hamiltonian. Quantum Information. Long Range Interactions. Quantum Simulation. Quantum Tech-nology.

(8)

Lista de Figuras

1.1 O diagrama indica o circuito do protocolo de teletransporte quˆantico. . . . 7 2.1 O esquema ilustra a intera¸c˜ao entre primeiros vizinhos, as setas indicam os

acoplamentos entre os spins na cadeia de transmiss˜ao de estados. . . 14 2.2 A figura ilustra como o transporte do estado quˆantico ocorre no canal, em

que o estado fundamental da cadeia de spins entra em superposi¸c˜ao com o estado que evolui temporalmente. Assim, a informa¸c˜ao do spin virado ´

e transmitida ao longo da cadeia como uma s´erie de pacotes de onda que interferem construtivamente, promovendo um m´aximo na fidelidade em um tempo t?. . . . . 15

2.3 O histograma mostra a fidelidade m´axima do protocolo de comunica¸c˜ao para canais de transmiss˜ao de tamanhos diferentes. A quantidade de spins na cadeia {N ∈ N|2 ≤ N ≤ 80} e o intervalo de tempo escolhido foi de [0, 4000/J ]. O tempo t∗ em que a fidelidade m´axima ´e alcan¸cada varia com o tamanho da cadeia. . . 16 3.1 Ilustra¸c˜ao das intera¸c˜oes entre o segundo spin e o restante da cadeia. . . . 18 3.2 Autovalores referentes a cadeia com N = 10 com intera¸c˜ao dipolar. . . 19 3.3 As componentes mij ≡ h ˜m|ji foram calculadas numericamente, com i

deno-tando o ´ındice que assumido pelos bra h ˜m|, isto ´e,˜1 e ˜

2 , que representam os autoestados associados as duas autoenergias mais baixas. . . 19 3.4 Ilustra¸c˜ao da cadeia double hole com N = 5, as setas indicam as intera¸c˜oes

entre os spins. . . 20 3.5 Autovalores referentes a cadeia com N = 10. . . 21 3.6 As componentes mij ≡ h ˜m|ji foram calculadas numericamente, com i

deno-tando o ´ındice que assumido pelos bra h ˜m|, isto ´e,˜1 e ˜

2 , que representam os autoestados associados as duas autoenergias mais baixas. . . 21

(9)

3.7 A configura¸c˜ao energ´etica das cadeias double hole e completa para o caso com 50 spins. Pode-se observar que as excita¸c˜oes nas pontas possuem menor energia e tamb´em que a cadeia double hole possui maior separa¸c˜ao energ´etica entre as pontas e os spins do canal. . . 22 3.8 A figura ilustra a fidelidade como uma fun¸c˜ao do tempo para uma cadeia

com 50 spins. A linha vermelha corresponde a cadeia completa, enquanto a linha azul representa a cadeia double hole. . . 23 3.9 A fidelidade m´axima em fun¸c˜ao do n´umero de spins no canal. Os c´ırculos

vermelhos indicam a cadeia completa, enquanto os losangos azuis represen-tam os valores da cadeia double hole. . . 24 3.10 A fidelidade m´axima em fun¸c˜ao do n´umero de spins no canal. Os c´ırculos

vermelhos indicam a cadeia completa, enquanto os losangos azuis represen-tam os valores da cadeia double hole. . . 25 3.11 Raz˜ao entre o tempo ideal tid e o tempo aproximado t∆ para at´e a cadeia

de 300 spins com intera¸c˜ao dipolar. . . 25 3.12 Autovalores referentes as cadeias completa e double hole com N = 10 com

intera¸c˜ao dipolar. . . 26 3.13 As componentes mij ≡ h ˜m|ji foram calculadas numericamente, com i

deno-tando o ´ındice que assumido pelos bra h ˜m|, isto ´e,˜1 e ˜

2 , que representam os autoestados de energia mais baixa. . . 27 3.14 A configura¸c˜ao energ´etica das cadeias double hole e completa para o caso

com 50 spins. . . 28 3.15 A figura ilustra a fidelidade como uma fun¸c˜ao do tempo para uma cadeia

com 50 spins, ou seja, com distˆancia N − 1 entre o par sender -receiver. A linha vermelha corresponde a cadeia completa, enquanto a linha azul representa a cadeia double hole. . . 28 3.16 A fidelidade m´axima em fun¸c˜ao do n´umero de spins no canal. Os c´ırculos

vermelhos indicam a cadeia completa, enquanto os losangos azuis represen-tam os valores da cadeia double hole. . . 29 3.17 Raz˜ao entre o tempo ideal e o tempo aproximado para at´e a cadeia de 100

spins com intera¸c˜ao de van der Walls. . . 30 3.18 Autovalores referentes as cadeias completa, double hole e six holes com

(10)

3.19 As componentes mij ≡ h ˜m|ji foram calculadas numericamente, com i

deno-tando o ´ındice que assumido pelos bra h ˜m|, isto ´e,˜1 e ˜

2 , que representam os autoestados associados as duas autoenergias mais baixas. Na coluna a esquerda temos os dois primeiros autovalores da cadeia completa, abaixo est´a a cadeia double hole e, por ´ultimo, uma nova cadeia com seis fendas. . 32 3.20 A configura¸c˜ao energ´etica das cadeias double hole e completa para o caso

com 50 spins. . . 33 3.21 A figura ilustra a fidelidade como uma fun¸c˜ao do tempo para uma cadeia

com 50 spins. A linha vermelha corresponde a cadeia completa, enquanto a linha azul representa a cadeia double hole e a linha alaranjada a cadeia six holes. . . 34 3.22 Observa-se que a cadeia six holes possui fidelidade unit´aria para um canais

com at´e 100 spins, superando tanto o perfil do canal double hole quanto o caso da cadeia completa. . . 35 3.23 Raz˜ao entre o tempo ideal tid e o tempo aproximado t∆ para at´e a cadeia

(11)

Conte´

udo

Agradecimentos i Resumo ii Abstract iii Lista de Figuras iv 1 Introdu¸c˜ao 1 1.1 Motiva¸c˜oes . . . 1

1.2 Cadeias de Spins como Canais de Comunica¸c˜ao . . . 2

1.3 Intera¸c˜oes de Troca de Spins e Hamiltoniano de Heisenberg . . . 3

1.4 Teletransporte Quˆantico . . . 4

2 Transferˆencia de Estado Quˆantico 8 2.1 Introdu¸c˜ao . . . 8

2.2 A fidelidade do Protocolo . . . 10

2.3 Intera¸c˜ao de Primeiros Vizinhos . . . 14

3 Modelos de Longo Alcance 17 3.1 Introdu¸c˜ao . . . 17

3.2 Intera¸c˜ao de Longo Alcance Dipolar . . . 18

3.3 Otimiza¸c˜ao: Cadeia Double Hole . . . 20

3.4 Intera¸c˜ao de Longo Alcance de van der Waals . . . 26

3.5 Intera¸c˜ao de Longo Alcance Coulombiano . . . 31

4 Conclus˜ao 37

A Elementos de Computa¸c˜ao Quˆantica 40

(12)

C Avalia¸c˜ao Num´erica da fidelidade 46

(13)

Cap´ıtulo 1

Introdu¸

ao

1.1

Motiva¸

oes

Acredita-se que computadores s˜ao dispositivos capazes de resolver qualquer problema num´erico com custo de tempo polinomial, ou seja, T ∼ nk. Na computa¸c˜ao cl´assica, existem tipos de problemas em que o custo do tempo cresce de maneira exponencial e computadores quˆanticos, quando constru´ıdos, prometem superar essas adversidades, pois conseguem encontrar uma sa´ıda em tempo polinomial. Um exemplo de problema com-plexo em computa¸c˜ao cl´assica ´e o da fatoriza¸c˜ao, utilizado pela chave de encripta¸c˜ao RSA, em que dado um n´umero inteiro N , o tempo necess´ario para encontr´a-lo em termos de uma multiplica¸c˜ao de primos cresce com e{O[n1/3(logn)2/3]}, no qual n = logN e n ´e o tamanho do n´umero em sua representa¸c˜ao bin´aria. Em 1994, P. Shor [1] desenvolveu um algoritmo que consegue resolver esse problema em tempo polinomial, mas sua proposta utiliza proprie-dades da mecˆanica quˆantica inexistentes em um computador cl´assico. Outro exemplo ´e o algoritmo proposto por L. Grover [2], que consegue realizar buscas em uma base de dados com um n´umero de passos da ordem de O√N, que ´e um aperfei¸coamento significativo comparado com seu an´alogo cl´assico, que encontra uma solu¸c˜ao em um n´umero de passos n˜ao menor que O(N ). Portanto, o algoritmo quˆantico ´e assintoticamente otimizado.

Comunica¸c˜ao quˆantica consiste na transferˆencia de estados quˆanticos para diferentes localiza¸c˜oes espaciais e a aplica¸c˜ao mais famosa deste processo ´e a distribui¸c˜ao de chave quˆantica. Neste protocolo de encripta¸c˜ao, duas entidades, o remetente e o destinat´ario, podem estabelecer uma chave secreta aleat´oria e ter a seguran¸ca da informa¸c˜ao garantida pelo teorema da N˜ao-Clonagem, que foi provado por W. Wootters e W. Zurek [3], e indepententemente, por D. Dieks [4], em 1982. Para este fim, f´otons s˜ao bem adequados, visto que podem ser transportados por longas distˆancias em cabos de fibra ´otica ou at´e no v´acuo, e tamb´em s˜ao facilmente medidos pelo destinat´ario com equipamentos adequados. No entanto, cada vez mais a importˆancia fundamental da comunica¸c˜ao quˆantica vem

(14)

se tornando evidente em outra ´area do processamento da informa¸c˜ao, conhecida como computa¸c˜ao quˆantica. Na constru¸c˜ao de um computador quˆantico eficaz, a conex˜ao entre diferentes processadores ´e essencial para prop´ositos mais exigentes, de forma que, para essas aplica¸c˜oes, ´e necess´ario transferirmos estados quˆanticos entre diferentes dispositivos. Portanto, ´e preciso uma maneira simples de realizarmos a troca de informa¸c˜ao entre os elementos distintos que comp˜oem um computador quˆantico e tamb´em entre as entidades que carregam os dados. Para aplica¸c˜oes de curta distˆancia, onde o mapeamento do estado quˆantico transferido para os elementos do processador tamb´em s˜ao importantes, ´e ´util ter alternativas al´em de f´otons.

Um computador quˆantico t´ıpico consiste em uma cole¸c˜ao de sistemas de dois estados chamados qubits, com os quais podemos realizar opera¸c˜oes unit´arias. A capacidade de processamento cresce conforme o aumento da quantidade de qubits. Entretanto, diversos obst´aculos s˜ao encontrados conforme se amplia a quantidade desses sistemas. Tipicamente ´e necess´ario que se aplique opera¸c˜oes em qubits, que podem ser realizadas, por exemplo, por campos localizados. Al´em disso, pode ser exigido que dois qubits interajam, o que pode ser mediado por um canal de comunica¸c˜ao comum. Dois problemas podem ser ressaltados por esse exemplo:

• Criar campos localizados em um qubit espec´ıfico dentro do material se torna dif´ıcil; • Canais de comunica¸c˜ao que mediem a intera¸c˜ao de dois qubits n˜ao podem ser

arbi-trariamente longos.

Uma poss´ıvel alternativa ´e que os qubits estejam permanentemente acoplados com seus vizinhos e, al´em disso, para que o computador quˆantico tenha um funcionamento eficiente, devemos restringir a escala de tempo em que a transferˆencia da informa¸c˜ao deve ser feita. Todos essas sugest˜oes sofrem com o problema de reescala, que consiste, de maneira sucinta, em aumentar a quantidade de qubits presentes no sistema.

1.2

Cadeias de Spins como Canais de Comunica¸

ao

Uma das maneiras concebidas para se conectar computadores quˆanticos ´e primeira-mente mapear o estado a ser transmitido dos qubits do processador para um flying qubit, que atravessar´a um canal para chegar ao destinat´ario, onde seu estado ser´a mapeado em um segundo processador. Entretanto, dependendo da natureza f´ısica dos qubits, esta t´ecnica envolve a intera¸c˜ao entre sistemas de diferentes part´ıculas conforme a proposi¸c˜ao em [5], na qual ´e descrita uma maneira de transferir o estado da polariza¸c˜ao de um f´oton para o spin de um el´etron. Outra proposta ´e o mover as unidades de processamento e sub-sequentemente fre´a-las [6], em que os autores prop˜oem uma arquitetura de computador

(15)

em que os qubits s˜ao levados at´e diferentes regi˜oes, como a de mem´oria e a de opera¸c˜oes l´ogicas, atrav´es do controle do potencial el´etrico em que elas operam. Apesar dos avan¸cos nos m´etodos de controle fino exigidos pelas propostas acima, surge uma maior necessidade de administrar as diversas partes do processamento da informa¸c˜ao, que naturalmente a tornar´a suscet´ıvel a erros.

A transferˆencia de estados quˆanticos por cadeias de spin, originalmente proposta por Sougato Bose [7], se destaca das demais por utilizar qubits estacion´arios e a dinˆamica natural do canal para realiza¸c˜ao do transporte da informa¸c˜ao, reduzindo, portanto a necessidade de controle sobre o sistema. Neste trabalho, come¸caremos por estudar o m´etodo de S. Bose, em que s˜ao investigadas cadeias de spin com intera¸c˜oes de primeiros vizinhos e, em seguida, estudaremos acoplamentos de longo alcance, proposto por Bose et al. [10] e aprimorado por G. Gualdi et al. [11], em que transferˆencia perfeita da informa¸c˜ao ´e realizada nesses sistemas. Por fim, investigaremos cadeias com intera¸c˜oes de longo alcance diferentes das estudadas por Gualdi e utilizaremos os mesmos m´etodos de otimiza¸c˜ao para aprimorar o transporte nas mesmas.

1.3

Intera¸

oes de Troca de Spins e Hamiltoniano de

Heisenberg

O spin ´e uma caracter´ıstica magn´etica intr´ınseca de part´ıculas, que corresponde a um grau de liberdade interno das mesmas. O Princ´ıpio da exclus˜ao de Pauli estabelece que dois f´ermions n˜ao podem ter o mesmo conjunto de n´umeros quˆanticos, isto ´e, n˜ao pode ocupar o mesmo estado e, matematicamente, esse princ´ıpio imp˜oe a antisimetriza¸c˜ao da fun¸c˜ao de onda total dos f´ermions.

O princ´ıpio de Pauli cria correla¸c˜oes no movimento dos el´etrons de um sistema, com importantes consequˆencias para suas propriedades magn´eticas, como o fenˆomeno do fer-romagnetismo, essencial para o estudo do transporte de estados quˆanticos em cadeias de spin. Tal fenˆomeno ocorre em s´olidos, quando os momentos magn´eticos se alinham. Suponha um potencial coulombiano entre dois el´etrons, considerando e2/4π

0 = 1,

ˆ U = 1

r. (1.1)

No qual r ´e o m´odulo da distˆancia entre os dois componentes do sistema. Buscamos en-contrar a energia m´ediaD ˆUEdas fun¸c˜oes de onda espaciais dos el´etrons, levando em consi-dera¸c˜ao tanto os estados sim´etricos quanto antissim´etricos, |χi = √1

2



(16)

temos hχ| ˆU |χi = Z d3r1d3r2 |r1− r2| ¯ φ↑(r1) ¯φ↓(r2) ± ¯φ↑(r2) ¯φ↓(r1)  √ 2 [φ↑(r1)φ↓(r2) ± φ ↑(r2)φ↓(r1)] 2 . (1.2) Na equa¸c˜ao (1.2) os termos cruzados ir˜ao se cancelar, pois podemos intercambiar as fun¸c˜oes de onda individuais, fazendo uma integral a negativa da outra. Desta forma, chegamos a um valor esperado com dois termos, em que o primeiro ´e

E =

Z d3r 1d3r2

|r1− r2|

|φ↑(r1)|2|φ↓(r2)|2. (1.3)

Identificamos a equa¸c˜ao acima como o valor esperado do potencial coulombiano e este termo seria o ´unico resultado do c´alculo desenvolvido caso n˜ao houv´essemos imposto a antissimetria da fun¸c˜ao de onda total do sistema. Devido ao Princ´ıpio da exclus˜ao de Pauli, no entanto, mais um termo emerge da computa¸c˜ao do valor m´edio da energia

Jtroca = Z d3r1d3r2 |r1− r2| ¯ φ↑(r1) ¯φ↓(r2)φ↑(r2)φ↓(r1). (1.4)

Este elemento, conhecido como energia de troca, tem uma origem puramente quˆantica, oriunda da indistinguibilidade dos dois el´etrons. Assim, verificamos que apesar da in-tera¸c˜ao entre os componentes n˜ao depender explicitamente do spin, a energia m´edia de-pender´a. ´E plaus´ıvel, ent˜ao, pensarmos que a energia do sistema possa ser escrita em termos das vari´aveis de spin,

D ˆUE

= E ± 2Jtroca˜S1· ˜S2, (1.5)

pois aplicando o tripleto ou o singleto a ˜S1· ˜S2, obteremos ±1/4, respectivamente. Assim,

recuperaremos (1.4) com sinal positivo ou negativo.

O termo de troca (1.4) teve sua importˆancia para a ordem magn´etica dos materiais primeiramente notada por Heisenberg, que escreveu a intera¸c˜ao atrav´es de

ˆ

H = ±2JtrocaS˜1· ˜S2. (1.6)

O Hamiltoniano de Heisenberg, como ´e atualmente conhecido, modela uma classe grande de materiais em que os spins est˜ao alinhados em uma rede cristalina e permanentemente acoplados por intera¸c˜oes que enfraquecem com a distˆancia.

1.4

Teletransporte Quˆ

antico

Um poss´ıvel protocolo para transferir estados ´e o teletransporte quˆantico e com as ferramentas desenvolvidas no Apˆendice A, podemos discutir as principais caracter´ısticas

(17)

desse fenˆomeno. A descri¸c˜ao a seguir foi originalmente desenvolvida por D. Mermin [20], supomos que haja um remetente, Alice, que possua um qubit no estado |ψi = α |0i + β |1i com amplitudes α e β desconhecidas. Alice deseja repassar o estado supracitado para o estado de um qubit pertencente destinat´ario, que chamaremos de Bob. Tanto o remetente da informa¸c˜ao quanto o receptor podem estar em diferentes localiza¸c˜oes espaciais e n˜ao possuem acesso um ao qubit do outro. No entanto, Alice pode enviar informa¸c˜oes cl´assicas para Bob, por meio de um telefone, por exemplo. Al´em disso, o qubit do destinat´ario est´a emaranhado com um segundo qubit do remetente em um estado de Bell |Ψi = |00i+|11i√

2 .

Para realizar o teletransporte quˆantico, primeiramente notemos que o estado do sistema composto ´e dado por

|ψi ⊗ |Ψi = (α |0iA+ β |1iA) |0iA|0iB+ |1iA|1iB

2



. (1.7)

No lado direito da equa¸c˜ao (1.7) omitimos o s´ımbolo do produto tensorial entre os esta-dos, pois se torna sup´erfluo nesta an´alise. Acrescentamos ´ındices A e B nos qubits para especificar a quem eles pertencem, em que A est´a associado a Alice e B se refere a Bob. O teorema da N˜ao-Clonagem n˜ao permite que o estado seja copiado de um lugar para o outro, por´em se Alice e Bob cooperarem ”classicamente”, ´e poss´ıvel que o estado |ψi seja teletransportado para o qubit emaranhado do Bob. Para iniciar o protocolo de tele-transporte quˆantico, primeiramente Alice aplica uma porta NOT controlada em seus dois qubits, utilizando o estado |ψi como qubit de controle e seu membro do par emaranhado como o qubit alvo

ˆ

C12,A(α |0iA+ β |1iA)

|0i

A|0iB+|1iA|1iB

2



= α |0iA|0iA|0iB+|1iA|1iB

2

 + β |1iA|1iA|0iB+|0iA|1iB

2



. (1.8)

Em seguida, o remetente aplica uma transforma¸c˜ao de Hadamard no seu primeiro qubit, de forma que obteremos superposi¸c˜oes com amplitudes probabilidade idˆenticas,

ˆ

H1Cˆ12,A|ψi ⊗ |Ψi = α

|0i

A+|1iA

2

 |0i

A|0iB+|1iA|1iB

2  + β |0i A−|1iA 2  |0i

A|0iB+|1iA|1iB

2

 , (1.9)

portanto, ˆ

H1Cˆ12,A|ψi ⊗ |Ψi =

1

2|0iA|0iA(α |0iB+ β |1iB) + 1

2|1iA|0iA(α |0iB− β |1iB) +1

2|0iA|1iA(α |1iB+ β |0iB) + 1

2|1iA|1iA(α |1iB− β |0iB) .

(1.10)

Ap´os este processo, sabemos que o sistema encontra-se no estado descrito por (1.10). Neste momento, o sender realiza uma medida em ambos os qubits a sua disposi¸c˜ao e haver˜ao quatro resultados poss´ıveis. Se o remetente operar sobre o sistema e obter os

(18)

autovalores associados a |0iA|0iA, apesar de n˜ao sabermos exatamente o estado que foi transferido, de fato o estado que encontrava-se no primeiro qubit de Alice agora se encontra no qubit do Bob. Al´em do resultado que acabamos de analisar, h´a outros trˆes poss´ıveis que exigem discuss˜ao. Se a medida dos qubits de Alice for |1iA|0iA, ent˜ao Bob possuir´a um qubit no estado

α |0iB− β |1iB. (1.11)

Munido do resultado |1iA|0iA, Alice realiza uma comunica¸c˜ao cl´assica com Bob e este, sabendo do que foi medido, submete o seu qubit a uma porta de fase para obter o estado a ser teletransportado

ˆ

Z (α |0iB− β |1iB) = α |0iB+ β |1iB. (1.12) A terceira situa¸c˜ao ´e a que Alice obt´em da medida o autovalor associado a |0iA|1iA e, reportanto o resultado a Bob, este aplica em seu qubit uma porta NOT

ˆ

X (α |1iB+ β |0iB) = α |0iB+ β |1iB, (1.13) de maneira que o estado original de Alice ´e restaurado. Por fim, temos o caso em que a medida coloca o sistema de Alice no estado |1iA|1iA e, portanto, o qubit do Bob se encontra no estado

α |1iB− β |0iB. (1.14)

Para obter o estado original, Bob submete seu qubit a duas evolu¸c˜oes unit´arias seguidas: primeiramente uma porta NOT e em seguida uma de fase, isto ´e

ˆ

Z ˆX (α |1iB− β |0iB) = ˆZ (α |0iB− β |1iB) = α |0iB+ β |1iB. (1.15) Resumindo, para realizar o protocolo de teletransporte quˆantico, Alice precisa sub-meter seu estado primeiramente uma porta l´ogica de NOT controlado, seguido de uma transforma¸c˜ao de Hadamard e, enfim, realizar medidas em seus dois qubits. Al´em disso, os resultados devem ser reportados atrav´es de um meio intermedi´ario cl´assico a Bob, que submeter´a seu sistema a evolu¸c˜ao unit´aria condizente com o que foi reportado por Alice. Portanto, o estado final presente no qubit do destinat´ario ´e o mesmo do remetente, com o custo de que se perde o emaranhamento entre o par pertencente as duas entidades. Cla-ramente nenhuma informa¸c˜ao foi transmitida para o receiver ao final do protocolo, pois tanto ele quanto o sender n˜ao sabem exatamente quais os valores de α e β. Entretanto, este protocolo pode ser usado para teletransportar um estado produzido em um determi-nado tempo de evolu¸c˜ao de uma cadeia de spins, por exemplo, do sender para o receiver, que poderia ser uma segunda etapa em um processo de computa¸c˜ao quˆantica elaborado. O protocolo de teletransporte quˆantico pode ser representado por um diagrama in-dicando as portas l´ogicas a serem aplicadas em cada est´agio. Abaixo, a figura descreve

(19)

a comunica¸c˜ao entre Alice e Bob. A primeira e a segunda linha indicam os qubit que pertencem a Alice e a terceira indica que est´a com Bob. Os colchetes indicam que h´a um emaranhamento entre o estado da segunda e terceira linha. A primeira opera¸c˜ao realizada ´e o NOT controlado, em que o qubit de controle possui um ponto escuro (•) e o qubit alvo possui sinal de mais embutido em um c´ırculo (⊕). Em seguida, Alice aplica uma porta de Hadamard em seu qubit n˜ao emaranhado e realiza, ap´os este processo, a medi¸c˜ao dos seus dois qubits, que s˜ao representados pelo contador. As linhas duplas representam opera¸c˜oes controladas, que ser˜ao executadas conforme os resultados obtidos nas medi¸c˜oes antecedentes. Por fim, o estado |ψi emerge no final do circuito na terceira linha que, reiterando, ´e a linha que representa o estado do qubit pertencente a Bob.

Figura 1.1: O diagrama indica o circuito do protocolo de teletransporte quˆantico.

(20)

Cap´ıtulo 2

Transferˆ

encia de Estado Quˆ

antico

2.1

Introdu¸

ao

Spins s˜ao dotados de momento magn´etico quantizado e muitos materiais nos oferecem uma imensa quantidade deles. Uma caracter´ıstica desses materiais ´e o alinhamento dos momentos magn´eticos paralelamente ou anti-paralelamente, fenˆomenos conhecidos como ferromagnetismo e anti-ferromagnetismo, respectivamente. Uma cadeia de spins modela uma grande quantidade de materiais, nos quais essas part´ıculas est˜ao permanentemente acopladas e arranjadas em uma estrutura unidimensional. Um canal de comunica¸c˜ao quˆantico pode ser representado por uma cadeia de spins e o Hamiltoniano que governa esse sistema foi primeiramente proposto por Heisenberg. Em 2003, Sougato Bose [7] propˆos um modelo semelhante ao supracitado, que consiste em uma cadeia unidimensional imersa em um campo magn´etico constante na dire¸c˜ao −z no qual as intera¸c˜oes entre os spins ocorrem apenas entre os primeiros vizinhos. Supondo que tal cadeia possua N spins, o Hamiltoniano do sistema ´e descrito por

ˆ H = − X <i,j> Jij~σi· ~σj − N X i=1 Biσˆiz. (2.1)

Na equa¸c˜ao acima, consideramos ~ = 1, ~σi = (ˆσix, ˆσ y i, ˆσ

z

i) as matrizes de Pauli para o

spin na i -´esima posi¸c˜ao, Bi > 0 s˜ao o campo magn´etico est´atico, Jij > 0 s˜ao os termos

de acoplamento e < i, j > representa os spins sendo tomados par a par. A cadeia ser´a iniciada no estado ferromagn´etico, isto ´e, todos os spins est˜ao alinhados na dire¸c˜ao −z e os estados referentes a cada spin ser˜ao representados na base dos autovetores da matrizes σiz correspondentes. Assim, o estado fundamental da cadeia ´e dado pelo produto tensorial entre os kets |0i = ⊗Nn=1|0in, em que |0in = |↓in e |1in = |↑in. Fixamos a energia do estado ferromagn´etico como E0 = 0, de forma que o operador de evolu¸c˜ao aplicado a ele

(21)

Primeiramente ´e importante notar que o Hamiltoniano (2.1) comuta com a magne-tiza¸c˜ao total, definida como ˆSz =

PN k=1σˆ z k/2. Assim, h ˆH,PN k=1σˆ z k i = −P <i,j>Jij~σi· ~σj − PN i=1Biσˆ z i  PN k=1σˆ z k −PN k=1σˆ z k  −P <i,j>Jij~σi· ~σj− PN i=1Biσˆzi  = 0. (2.2) O segundo e quarto termo da equa¸c˜ao acima se cancelam pois as somas ˆσz

i e ˆσzk podem

ser intercambiadas. Expandindo o produto escalar no primeiro e terceiro termo, todas as rela¸c˜oes em que k 6= i, j devido a atuarem em espa¸cos de Hilbert diferentes e quando k = i, j, podemos usar a rela¸c˜ao de comuta¸c˜ao  ˆσαn, ˆσmβ = 2iαβγσˆ

γ

i para eliminar o restante

dos termos. O comutador (2.2) implica que podemos realizar a diagonaliza¸c˜ao simultˆanea do Hamiltoniano e das matrizes, ou seja, somos capazes de obter os espectros em fun¸c˜ao dos autoestados de ˆSz. Esta verifica¸c˜ao implica que o sistema preserva a magnetiza¸c˜ao

total M, restringindo que a evolu¸c˜ao temporal do estado inicial da cadeia seja apenas para estados com a mesma magnetiza¸c˜ao. Portanto, se inicialmente introduzimos no canal de comunica¸c˜ao o estado |1i = ⊗Nn=1 ; n6=1|0in|1i1, decorrido um intervalo de tempo arbitr´ario, o estado presente na cadeia pode ser representado por uma combina¸c˜ao linear de |ji = ⊗N

n=1 ; n6=j|0in|ji. Portanto, a regra de comuta¸c˜ao acima reduz o tamanho da

base necess´aria para diagonalizar o sistema, de forma que o Hamiltoniano efetivo torna-se N dimensional ao inv´es de 2N.

Vamos inserir dois novos r´otulos para a discuss˜ao a seguir, s representar´a o qubit do sender, que ´e inicialmente virado. J´a r denota o qubit do receiver, para o qual queremos transferir o estado. Os outros spins n˜ao recebem nenhuma demarca¸c˜ao especial, apenas suas posi¸c˜oes na cadeia e ser˜ao referidos como spins do canal. Para iniciarmos o protocolo de comunica¸c˜ao, o estado |1i precisa ser introduzido no sender no tempo t = 0 e essa configura¸c˜ao ´e denotada por

|ψinis = cos (θ/2) |0i + eiφsin (θ/2) |1i (2.3)

e o estado da cadeia como um todo ´e representado pelo produto tensorial do estado |ψini

com os estados |0i de cada s´ıtio da cadeia. Desta forma, o estado inicial do canal ´e |Ψ(0)i = cos (θ/2) |0i + eiφsin (θ/2) |si . (2.4)

O protocolo de comunica¸c˜ao consiste em esperar um intervalo de tempo espec´ıfico t = t?,

no qual o estado inicial |Ψ(0)i ir´a evoluir sob a¸c˜ao do propagador para um estado que seja o mais pr´oximo poss´ıvel de

(22)

2.2

A fidelidade do Protocolo

Para averiguar a qualidade do protocolo de comunica¸c˜ao, precisamos acompanhar o transporte da informa¸c˜ao atrav´es da cadeia. Nesta se¸c˜ao estudaremos o conceito da fun¸c˜ao fidelidade1 da transferˆencia do estado quˆantico, investigaremos algumas de suas

propriedades e como ela serve como uma maneira de quantificar a qualidade do canal de comunica¸c˜ao. Lembrando que fixamos a energia do estado fundamental E0 = 0, a

aplica¸c˜ao do operador de evolu¸c˜ao temporal da equa¸c˜ao de Schr¨odinger e−i ˆHt ao estado inicial (2.4) nos fornece

|Ψ(t)i = cos (θ/2) |0i + eiφsin (θ/2) e−i ˆHt|si . (2.6)

Para que tenhamos transmiss˜ao perfeita, queremos que o qubit r possua o mesmo estado que inserimos inicialmente no sender

|ψoutir = cos (θ/2) |0i + eiφsin (θ/2) |1i . (2.7)

A fidelidade m´edia F (t), portanto, consiste em acharmos a m´edia da proje¸c˜ao do estado (2.6) no estado do receiver (2.7) avaliada em todos os estados da esfera de Bloch. Para isso, precisamos de um operador que atue como a identidade em todos os spins do canal, com exce¸c˜ao do pertencente ao receiver. Denotaremos esse operador identidade como 1N −1 e tomaremos o produto tensorial desta com a proje¸c˜ao no estado ideal (2.7).

F (t) = 1 4π

Z

dΩ hΨ(t)| [1N −1⊗ (|ψoutihψout|)r] |Ψ(t)i . (2.8)

O subscrito r indica que a proje¸c˜ao ´e no spin do receiver e 1N −1 atua como a identidade

nos outros N − 1 qubits da cadeia. A integral angular se refere `a m´edia da fidelidade na esfera de Bloch. Expandindo 1N −1⊗ (|ψoutihψout|)r,

1N −1⊗ cos2θ/2 |0ih0| + e−iφcos2θ/2 sin2θ/2 |0ih1| + eiφcos2θ/2 sin2θ/2 + sin2θ/2 |1ih1|



r.

(2.9) Aplicando (2.9) no estado da cadeia |Ψ(t)i, obtemos

[1N −1⊗ (|ψoutihψout|)r] |Ψ(t)i = cos3θ/2 |0i + eiφcos θ/2 sin θ/2 |Ni

+ eiφcos2θ/2 sin θ/2(|0ih0|) re

−i ˆHt|si

+ cos θ/2 sin2θ/2(|0ih1|)re−i ˆHt|si

+ e2iφcos θ/2 sin2θ/2(|1ih0|)re−i ˆHt|si + eiφsin3θ/2(|1ih1|)re−i ˆHt|si ,

(2.10)

(23)

e fechando a equa¸c˜ao acima com hΨ(t)|, F (t) = 1 R dΩ cos4θ/2 + 1

4πR dΩ e

cos3θ/2 sin θ/2 h0| e−i ˆHt|si

+ 1

4πR dΩ cos

2θ/2 sin2θ/2 hr| e−i ˆHt|si

+ 1 R dΩ e−iφcos3θ/2 sin θ/2 hs| ei ˆHt|0i + 1 R dΩ cos2θ/2 sin2θ/2 hs| e−i ˆHt|ri + 1 R dΩ cos2θ/2 sin2θ/2 hs| ei ˆHt(|0ih0|)

re

−i ˆHt|si

+ 1 R dΩ e−iφcos θ/2 sin θ/2 hs| ei ˆHt(|0ih1|) re

−i ˆHt|si

+ 1 R dΩ eiφcos θ/2 sin3θ/2 hs| ei ˆHt(|1ih0|) re

−i ˆHt|si

+ 1 R dΩ sin4θ/2 hs| ei ˆHt(|1ih1|)re−i ˆHt|si .

(2.11)

Antes de progredirmos com o c´alculo, vale notar as integrais no ˆangulo polar φ ir˜ao anular todos os termos que contˆem e±iφ, pois

Z 2φ 0

dφe±iφ= 0 (2.12)

e, com essa informa¸c˜ao, simplificamos a equa¸c˜ao (2.11), obtendo F (t) = 1 R dΩ cos4θ/2 + 1

4πR dΩ cos

2θ/2 sin2θ/2 hr| e−i ˆHt|si

+ 1 R dΩ cos2θ/2 sin2θ/2 hs| ei ˆHt(|0ih0|) re

−i ˆHt|si

+ 1

4πR dΩ cos

2θ/2 sin2θ/2 hs| e−i ˆHt|ri

+ 1 R dΩ sin4θ/2 hs| ei ˆHt(|1ih1|)re−i ˆHt|si .

(2.13)

Note que o segundo e o quarto termo de (2.13) s˜ao as amplitudes de transi¸c˜ao entre a excita¸c˜ao no sender e no receiver. Definindo fr,s(t) = hr| e−i ˆHt|si, podemos somar os

termos supracitados,

F (t) = 1 R dΩ cos2θ/2 sin2θ/2|f

r,s(t)| cos γ

+ 1 R dΩ cos4θ/2 + sin4θ/2|f r,s(t)|2

+ 1 R dΩ cos2θ/2 sin2θ/2 hs| ei ˆHt(|0ih0|)re−i ˆHt|si + 1 R dΩ sin4θ/2 hs| ei ˆHt(|1ih1|)re−i ˆHt|si ,

(2.14)

no qual tamb´em definimos γ = arg[fr,s(t)]. Analisando os dois ´ultimos termos, os

simpli-ficamos se inserirmos a rela¸c˜ao de completeza PN

j=1|jihj| entre as proje¸c˜oes nos spins do

receiver e os propagadores, cos2θ/2 sin2θ/2 hs| ei ˆHtPN j=1|jihj| e −i ˆHt|si − cos2θ/2 sin2θ/2|f r,s(t)|2+ sin4θ/2|fr,s(t)|2. (2.15) Portanto, F (t) = 1 R dΩ cos4θ/2

+ 1 R dΩ cos2θ/2 sin2θ/2|fr,s(t)| cos γ + 1 R dΩ sin4θ/2|fr,s| 2 + 1 R dΩ cos2θ/2 sin2θ/2 − 1 4πR dΩ cos 2θ/2 sin2θ/2|f r,s(t)| 2 . (2.16)

(24)

Avaliando as integrais, obtemos a fidelidade para grafos arbitr´arios de qubits F (t) = 1 6|fr,s(t)| 2 +1 3|fr,s(t)| cos γ + 1 2. (2.17)

Para maximizar a fidelidade da transferˆencia do estado quˆantico, o termo com cosseno da express˜ao acima deve ser 1, ou seja, devemos escolher os campos magn´eticos Bi de

forma que gamma seja um m´ultiplo inteiro de 2π. Buscamos algumas condi¸c˜oes cujas as fun¸c˜oes envolvidas no c´alculo da fidelidade devem obedecer de maneira a obtermos seu valor m´aximo. Por inspe¸c˜ao da equa¸c˜ao (2.17), percebemos que o valor m´aximo ´e atingido se, e somente se,

|fr,s(t)|2 = |fr,s(t)| = 1. (2.18)

Queremos investigar quais condi¸c˜oes s˜ao necess´arias para que o m´odulo do propagador atinja seu valor m´aximo. Dado um conjunto de autovetores {| ˜mi} do Hamiltoniano, podemos expandir a amplitude de excita¸c˜ao fr,s(t) = hr| e−i ˆHt|si como

fr,s(t) = N

X

m=1

e−iEmthr| ˜mi h ˜m|si . (2.19)

De maneira geral, os n´umeros hr| ˜mi e h ˜m|si s˜ao complexos, ent˜ao admitem a decomposi¸c˜ao ρrme−iφm e ρsmeiψm, respectivamente. Portanto, podemos reescrever |fr,s(t)|2 em dois

termos, fr,s(t) ¯fr,s(t) = N X m=1 ρrmρsme−i(Emt+φm−ψm) N X n=1 ρrnρsnei(Ent+φn−ψn) = fm+ ft, (2.20) no qual fm = N X m=1 ρ2rmρ2sm. (2.21) Tomando ∆mn= Em− En e ξmn= φm− φn+ ψn− ψm, obtemos ft= 2 N X m=1 N X n=m+1 ρrmρsmρrnρsncos (∆mnt?+ ξmn). (2.22)

Percebemos atrav´es da equa¸c˜ao (2.21) que h´a uma contribui¸c˜ao para amplitude de ex-cita¸c˜ao que independe do tempo, enquanto que (2.22) assiste a fidelidade com um termo oscilat´orio de frequˆencia ∆mn. Sem perda de generalidade, podemos assumir que as fases

no termo oscilat´orio se cancelam, fazendo que ξmn = 0. Assim, escrevemos o m´odulo

quadrado do propagador como

|fr,s(t)| 2 = N X m=1 ρ2rmρ2sm+ 2 N X m=1 N X n=m+1 ρrmρsmρrnρsncos (∆mnt) = fm+ ft. (2.23)

(25)

Nos voltamos agora para o problema de encontrar uma express˜ao anal´ıtica para o m´aximo que a soma fm+ ft pode tomar. Como |fr,s(t)|2 ∈ [0, 1] e fm ≥ 0, pois depende

do quadrado de dois n´umeros reais, ent˜ao o valor m´ınimo de ft ´e −fm. Al´em disso, ft

´e uma fun¸c˜ao sim´etrica em rela¸c˜ao ao tempo devido aos termos cossenoidais, ent˜ao ´e razo´avel supor que o valor m´aximo permitido para a mesma ´e −fm. Consequentemente,

consideraremos que 2fm´e uma boa aproxima¸c˜ao para o valor m´aximo atingido por |fr,s(t)|2

e, assim, buscamos condi¸c˜oes que maximizem o valor de fm. Devido as condi¸c˜oes de

normaliza¸c˜ao,        N X m=1 ρ2rm = N X m=1 ρ2sm= 1 ; ρ2rm+ ρ2sm+ γjm2 = 1 ∀ m. (2.24a) (2.24b) Na equa¸c˜ao (2.24b), o termo γjm2 ´e a proje¸c˜ao do autovetor m nos qubits com exce¸c˜ao do sender e do receiver, γjm2 = N X j=1 j6=s,r | h ˜m|ji |2. (2.25)

Considerando γjm2 fixo, podemos reescrever o quadrado da proje¸c˜ao no sender, isto ´e, ρ2sm, como uma fun¸c˜ao de ρ2rm na equa¸c˜ao (2.24b). Substituindo o resultado na equa¸c˜ao para fm, obtemos fm = N X m=1 ρ2rm 1 − ρ2rm− γ2 jm. (2.26)

Diferenciando (2.26) com respeito a ρrm e igualando a zero,

∂fm ∂ρrm = N X m=1 2ρrm 1 − 2ρ2rm− γ 2 jm = 0. (2.27)

Eliminando a solu¸c˜ao trivial, encontramos que o valor m´aximo ´e obtido quando ρ2rm = ρ2

sm, demonstrando que, para maximiza¸c˜ao da fidelidade, precisa-se que a proje¸c˜ao dos

autovetores nos estados do sender e do receiver seja igual ρ2rm = ρ2sm = 1 − γ

2 jm

2 . (2.28)

Essa condi¸c˜ao se traduz em uma simetria espacial entre o par de qubits em que eles devem estar em posi¸c˜oes espacialmente sim´etricas ao centro do do eixo que os une. Note que at´e o momento, nenhuma men¸c˜ao ao Hamiltoniano do sistema foi feita, de forma que as condi¸c˜oes derivadas acima s˜ao um requerimento topol´ogico entre o par sender -receiver. Utilizando a equa¸c˜ao (2.24a) e (2.28), podemos obter a condi¸c˜ao de normaliza¸c˜ao para γ2 jm, N X m=1 γjm2 = N − 2 −→ γjm2 = N − 2 N , (2.29)

(26)

e, portanto,

ρ2rm = ρ2sm = 1

N. (2.30)

2.3

Intera¸

ao de Primeiros Vizinhos

Como planejamos usar uma cadeia de spins para transportar estados quˆanticos, iremos usar uma geometria natural para um canal de comunica¸c˜ao, que ´e uma cadeia unidimensi-onal aberta em que o sender e o receiver estejam nas pontas. Para tratarmos um problema analiticamente sol´uvel, consideremos o caso em que o termo de intera¸c˜ao de troca entre os spins do canal seja de primeiros vizinhos, Assim, o acoplamento entre cada spin tem a

Figura 2.1: O esquema ilustra a intera¸c˜ao entre primeiros vizinhos, as setas indicam os acoplamentos

entre os spins na cadeia de transmiss˜ao de estados.

Fonte: Elaborado pelo autor.

mesma for¸ca e inserimos um campo magn´etico constante B = B0 em todos os elementos

da cadeia. Substituindo a intera¸c˜ao Jij = J2δi,j+1 no Hamiltoniano dado pela equa¸c˜ao

(2.1), temos como resultado ˆ HN = − J 4 N −1 X j=1 ˆ σj+σˆj+1− + ˆσ+j σˆ−j+1+ 2ˆσjzσˆzj+1 − B0 N X j=1 ˆ σjz. (2.31)

A descri¸c˜ao do sistema acima ´e conhecida como Hamiltoniano de Heisenberg com intera¸c˜ao de troca isotr´opica. Os autoestados para o problema em quest˜ao s˜ao dados por

| ˜mi = am N X j=1 cos π(m − 1) 2N (2j − 1)  |ji , (2.32) em que m = 1, ..., N e os termos a1 = √1N, am6=1 = q 2 N e km = π(m−1) N garantem a

normaliza¸c˜ao do estado. A energia ser´a medida em rela¸c˜ao ao primeiro n´ıvel energ´etico Em = 2B + 2J [1 − cos (km)] . (2.33)

Agora queremos estudar a performance do canal para diferentes tamanhos. Em geral, o receptor localizado na posi¸c˜ao N precisa esperar intervalos de tempo diferentes para cadeias com diferentes tamanhos, para que a fidelidade obtida na transferˆencia seja maior. Para entender a dinˆamica que ocorre no canal, na figura 2.2 ´e mostrado o estado inicial da cadeia e, ap´os virado o primeiro qubit, como ocorre a evolu¸c˜ao temporal do sistema.

(27)

Figura 2.2: A figura ilustra como o transporte do estado quˆantico ocorre no canal, em que o estado

fundamental da cadeia de spins entra em superposi¸c˜ao com o estado que evolui temporalmente. Assim,

a informa¸c˜ao do spin virado ´e transmitida ao longo da cadeia como uma s´erie de pacotes de onda que

interferem construtivamente, promovendo um m´aximo na fidelidade em um tempo t?.

Fonte: Elaborado pelo autor.

A informa¸c˜ao inserida no spin na posi¸c˜ao 1 se espalha (dispersa) e se propaga como uma s´erie de ondas, algumas em dire¸c˜ao `a posi¸c˜ao N e outras contr´arias.

Um pacote inicial com grande amplitude chega ao estado N em um tempo N/J , mas os picos de amplitude de transferˆencia ocorrem quando h´a interferˆencia construtiva de diver-sos pacotes de onda. O tempo espec´ıfico t = t? no qual essa interferˆencia acontece n˜ao ´e

dado por uma f´ormula fechada, de forma que precisamos avaliar numericamente o m´aximo da fidelidade F (t?) e as amplitudes de transmiss˜ao f

1,N(t?) para diversos tamanhos do

canal de comunica¸c˜ao.

Com esses resultados em m˜aos, podemos avaliar numericamente os m´aximos da fide-lidade para cadeias de tamanhos variados, tendo escolhido {N ∈ N|2 ≤ N ≤ 80} e um intervalo longo de tempo tal que Tm´ax= 4000/J . Escolher um tempo finito ´e fisicamente

razo´avel, pois em aplica¸c˜oes reais n˜ao podemos esperar indefinidamente que uma trans-ferˆencia perfeita ocorra e ´e esperado tamb´em que o tempo ´otimo para obter a fidelidade m´axima seja uma fun¸c˜ao de N .

A figura 2.3 apresenta v´arias caracter´ısticas interessantes. O gr´afico mostra que al´em do caso trivial em N = 2, N = 4 tamb´em provˆe uma transferˆencia de estado quˆantico perfeita e N = 8 garante fidelidade F = 0.99. Ademais, os casos N = 7, 10, 11, 13 e 14 excedem 0.9 de fidelidade. At´e N = 21 a fidelidade da transmiss˜ao do estado atrav´es do canal ´e menor quando N ´e divis´ıvel por 3. Conforme os dados obtidos para a fidelidade da transferˆencia do estado, vemos que uma cadeia com intera¸c˜ao entre primeiros vizinhos n˜ao pode ser arbitrariamente grande, pois n˜ao h´a garantia de que o transporte da informa¸c˜ao seja feito de maneira ´ıntegra. H´a a possibilidade de aumentarmos o tempo de espera

(28)

Figura 2.3: O histograma mostra a fidelidade m´axima do protocolo de comunica¸c˜ao para canais de

transmiss˜ao de tamanhos diferentes. A quantidade de spins na cadeia {N ∈ N|2 ≤ N ≤ 80} e o intervalo

de tempo escolhido foi de [0, 4000/J ]. O tempo t∗ em que a fidelidade m´axima ´e alcan¸cada varia com o

tamanho da cadeia.

Fonte: Elaborado pelo autor.

do receptor, por´em, para aplica¸c˜oes cotidianas, queremos que o protocolo seja conclu´ıdo em um tempo finito e n˜ao h´a garantia definitiva de que os pacotes de onda interfiram construtivamente gerando uma fidelidade maior do que a obtida. Com o modelo analisado nas se¸c˜oes antecedentes, n˜ao se pode concluir definitivamente que a transferˆencia de estado quˆantico possui fidelidade para cadeias arbitrariamente longas de spins.

Portanto, ´e preciso introduzir novos mecanismos para que o protocolo proposto trans-porte informa¸c˜ao com maior integridade entre s´ıtios opostos da cadeia. O estudo de-senvolvido sobre teletransporte quˆantico 1.4 pode ser usado como uma outra forma de descrever a qualidade do canal, pois algumas proposi¸c˜oes demonstram que pode-se pro-duzir emaranhamento de alta qualidade nessas cadeias [8][9]. No entanto, isso fomenta a necessidade de mais controle sobre a cadeia e sujeita o transporte a erros. No pr´oximo cap´ıtulo estudaremos sistemas semelhantes ao descrito pela equa¸c˜ao (2), por´em com o termo de acoplamento de longo alcance. Por fim, investigaremos maneiras de otimizar as cadeias como um todo, aprimorando a fidelidade e o tempo necess´ario para a transferˆencia.

(29)

Cap´ıtulo 3

Modelos de Longo Alcance

3.1

Introdu¸

ao

Para encontrar um sistema em que haja melhor fidelidade na transferˆencia de estado quˆantico entre o sender e o receiver, podemos considerar outros tipos de acoplamento en-tre os componentes do canal. Sistemas com intera¸c˜oes de longo alcance dipolar se tornam imediatamente uma op¸c˜ao de estudo, visto que s˜ao pass´ıveis de implementa¸c˜ao experimen-tal conforme diversas propostas, dentre elas [12], [13] e [14]. Todas envolvem diferentes esquemas para cria¸c˜ao de um sistema com intera¸c˜ao de longo alcance que simulem cadeias de Heisenberg 1D em sistemas de estado s´olido, com um foco especial em ´ıons. Ademais, j´a foi demonstrado que sistemas compostos por ´ıons armadilhados s˜ao excelentes op¸c˜oes para computa¸c˜ao quˆantica universal e processamento de informa¸c˜ao quˆantica, pois estes podem ser facilmente resfriados, armadilhados e fixados em posi¸c˜oes definidas.

Al´em de modelos com intera¸c˜oes dipolares, recentemente h´a a proposi¸c˜ao de utili-zar ´atomos de Rydberg como qubits [15]. Estes sistemas possuem termo de acopla-mento de van der Waals forte, permitindo a constru¸c˜ao de redes fortemente correlaci-onadas [16][17][18]. Tamb´em h´a proposi¸c˜oes de implementa¸c˜oes experimentais desses sis-temas, que incluem modelos para constru¸c˜ao de portas l´ogicas, essenciais para computa¸c˜ao quˆantica [19].

Na pr´oxima se¸c˜ao, nos concentraremos em estudar o modelo de longo alcance com modelo dipolar, ser˜ao investigadas as t´ecnicas de otimiza¸c˜ao propostas por [11]. Verifi-caremos que pode-se alcan¸car transporte perfeito do estado quˆantico com um protocolo simples como o proposto no cap´ıtulo anterior. Em seguida, aplicaremos os mesmos pro-cedimentos para cadeias com acoplamento de van der Waals e de Coulomb, nas quais confirmaremos que as t´ecnicas de otimiza¸c˜ao podem ser estendidas.

(30)

3.2

Intera¸

ao de Longo Alcance Dipolar

Vamos investigar a qualidade e a eficiˆencia do transporte de estado quˆantico em uma cadeia finita de spins acoplados por intera¸c˜oes de longo alcance. A partir de agora, iremos omitir o campo magn´etico na dire¸c˜ao −z, visto que seu efeito ´e apenas deslocar os n´ıveis de energia. Novamente, iniciaremos com uma cadeia linear no estado ferromagn´etico ⊗N

k=1|0in, onde teremos o termo de acoplamento Jij = C

|i−j|ν, em que ν > 0 especifica o

tipo de intera¸c˜ao entre os spins do canal, a ´e a distˆancia entre cada elemento da cadeia e C ´e uma constante que depende do modelo sendo trabalhado.

Figura 3.1: Ilustra¸c˜ao das intera¸c˜oes entre o segundo spin e o restante da cadeia.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Utilizando a intera¸c˜ao proposta, podemos descrever a intera¸c˜ao entre os spins do sistema atrav´es do Hamiltoniano,

ˆ H = N X i=1 N X j=1 j6=i C 2aν|i − j|ν  ~Si· ~Sj− 3 ˆS z iSˆ z j  . (3.1)

Semelhantemente ao caso do acoplamento entre primeiros vizinhos, este Hamiltoniano novamente comuta com a magnetiza¸c˜ao total. Assim, o canal de transmiss˜ao possui no m´aximo uma excita¸c˜ao, nos permitindo caracterizar a dinˆamica do sistema somente em termos da base |ji = ⊗N

k=1;k6=j|0ik⊗ |1ij. Tomando ~ = 1,

C

2aν = 1 e escrevendo o sistema

em termos das matrizes de Pauli, ˆ H = N X i=1 N X j=1 j6=i 1 8|i − j|ν σˆ + i σˆ − j + ˆσ − i σˆ + j − 4ˆσ z iσˆ z j  (3.2)

Nesta forma, podemos verificar que os termos fora da diagonal s˜ao oriundos dos operadores de spin flip ˆσ+ e ˆσe os termos diagonais recebem contribui¸c˜ao apenas das matrizes ˆσz.

Os termos da diagonal correspondem a excita¸c˜ao de um spin no s´ıtio j e abaixo est˜ao explicitados os elementos de matriz do Hamiltoniano (3.2)

             hi| ˆH |ji = 1 |i − j|ν ; hj| ˆH |ji = − N X k=1 k6=l 1 2|k − l|ν + N X k=1 k6=j 2 |k − j|ν. (3.3a) (3.3b)

(31)

Assim, come¸caremos por analizar o comportamento dos autovalores do Hamiltoniano para um exemplo espec´ıfico, uma cadeia com N = 10 spins. Ap´os a diagonaliza¸c˜ao do

Figura 3.2: Autovalores referentes a cadeia com N = 10 com intera¸c˜ao dipolar.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Hamiltoniano, o primeiro detalhe que podemos notar com o gr´afico 3.2 ´e que existem duas autoenergias do sistema que possuem valores que claramente as distinguem das restantes.

Figura 3.3: As componentes mij≡ h ˜m|ji foram calculadas numericamente, com i denotando o ´ındice que

assumido pelos bra h ˜m|, isto ´e,˜1 e

˜

2 , que representam os autoestados associados as duas autoenergias

mais baixas.

Fonte: Elaborado pelo autor. Associados a esses autovalores, h´a dois autovetores, ˜1 e

˜2 , que atuam significa-tivamente na propaga¸c˜ao da perturba¸c˜ao inserida no sender para o restante da cadeia.

(32)

Queremos analisar como esses dois autoestados se projetam sobre os s´ıtios do canal e, es-pecificamente, gostar´ıamos de estudar suas proje¸c˜oes em |1i e |Ni, que juntos formam o par sender -receiver. Na figura 3.3, vemos que os autoestados ˜1 e

˜2 possuem proje¸c˜oes significativas nos estados |1i, |2i, |9i e |10i, tornando estes spins os mais afetados na dinˆamica.

3.3

Otimiza¸

ao: Cadeia Double Hole

Para obtermos fidelidade unit´aria na transmiss˜ao de estados quˆanticos, precisamos que nosso canal se assemelhe a um cuja transferˆencia da informa¸c˜ao seja realizada diretamente entre o par sender -receiver. Portanto, devemos empreender uma maneira diminuir o acoplamento dos espa¸cos de Hilbert referentes aos spins |1i e |2i do restante do canal. Motivados pelas proje¸c˜oes dos autoestados ˜1

e ˜2

nos spins da base |ji no caso da cadeia completa, vamos inserir dois defeitos no canal, localizados nas posi¸c˜oes sim´etricas correspondentes aos s´ıtios 2 e 9, que equivale a fixarmos em 0 as constantes de acoplamento J2,j e J9,j no Hamiltoniano da equa¸c˜ao (3.2) para todos os valores de j. Este procedimento

preserva a topologia sim´etrica do sistema em geral, enquanto aumenta a energia que separa o subespa¸co do par sender -receiver do restante da cadeia. Al´em disso, elimina as proje¸c˜oes dos autoestados nas posi¸c˜oes desses spins.

Figura 3.4: Ilustra¸c˜ao da cadeia double hole com N = 5, as setas indicam as intera¸c˜oes entre os spins.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Diagonalizando numericamente o Hamiltoniano e organizando seus autovalores e seus autovetores associados em ordem crescente de energia, verificamos que a inclus˜ao dos defeitos no canal de transmiss˜ao preserva uma conduta das autoenergias semelhante a da cadeia completa. Essa afirma¸c˜ao pode ser verificada atrav´es da figura 3.5, na qual percebe-se novamente que as duas autoenergia mais baixas se distinguem das restantes. Al´em disso, outro detalhe relevante ´e que essas energias possuem um gap maior quando comparadas ao observado na cadeia completa. Devido a preserva¸c˜ao deste comporta-mento, iremos investigar a proje¸c˜ao dos autoestados referentes aos dois autovalores de menor energia nos spins da cadeia de transmiss˜ao.

(33)

Figura 3.5: Autovalores referentes a cadeia com N = 10.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura 3.6: As componentes mij≡ h ˜m|ji foram calculadas numericamente, com i denotando o ´ındice que

assumido pelos bra h ˜m|, isto ´e,˜1 e

˜

2 , que representam os autoestados associados as duas autoenergias

mais baixas.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Podemos observar na figura 3.6 que houve um aumento na proje¸c˜ao dos autoestados

˜1 e

˜2 nos estados do par sender -receiver. A energia de liga¸c˜ao entre o remetente e o destinat´ario na cadeia double hole, como chamaremos daqui por diante, e seus primeiros vizinhos se tornar´a mais fraca.

Os elementos diagonais do Hamiltoniano (3.2) representam a configura¸c˜ao energ´etica do sistema quando o mesmo ´e encontrado com uma excita¸c˜ao no s´ıtio j. O gr´afico 3.7 mostra que na cadeia double hole h´a um aumento na separa¸c˜ao entre as excita¸c˜oes no par

(34)

Figura 3.7: A configura¸c˜ao energ´etica das cadeias double hole e completa para o caso com 50 spins.

Pode-se observar que as excita¸c˜oes nas pontas possuem menor energia e tamb´em que a cadeia double hole

possui maior separa¸c˜ao energ´etica entre as pontas e os spins do canal.

Fonte: Elaborado pelo autor.

sender -receiver e as nos spins do canal, ent˜ao h´a maior desacoplamento entre os espa¸cos de Hilbert dos spins nas pontas e nos da cadeia. Percebe-se tamb´em que as configura¸c˜oes mais est´aveis do sistema s˜ao aquelas em que a excita¸c˜ao se encontra nos spins das pontas da cadeia.

Pelos c´alculos desenvolvidos na se¸c˜ao 2.2, podemos fazer uma estimativa do m´aximo da fun¸c˜ao F (t). Percebemos que o caso ideal ´e aquele em que h´a apenas dois spins na cadeia, pois n˜ao haver´a contribui¸c˜ao dos termos γ2

jm. Supondo que haja apenas dois spins

separados por uma distˆancia N − 1, o Hamiltoniano e seus autovalores ser˜ao

ˆ H = − 1 |N −1|ν |N −1|1 ν 1 |N −1|ν −|N −1|1 ν ! ; Eid + = 0 E id − = 2 (N − 1)ν. (3.4)

Substituindo as energias na equa¸c˜ao para a amplitude de transi¸c˜ao, podemos usar a identidade trigonom´etrica de arco duplo para obtermos |fr,s(t)|2 = sin2 E−idt, que nos

fornece fidelidade perfeita para o tempo

tid=

π

2(N − 1)

ν

. (3.5)

Como esperado, o tempo de transferˆencia ideal tid cresce com uma lei de potˆencia

de-pendente do tipo de intera¸c˜ao e com a distˆancia entre o sender e o receiver. Assim, aproximaremos o m´aximo da fidelidade utilizando as duas autoenergias mais baixas, em

(35)

analogia ao caso ideal tid, de onde estimamos o tempo para o m´aximo de F (t) como

t ≈ π ∆21

, (3.6)

no qual ∆21= E2− E1 e Ei representam os autovalores dos estados com menor energia.

Assim, podemos fazer o c´alculo da fidelidade m´axima da cadeia completa e da cadeia double hole e comparar os desempenhos.

Observemos agora algumas caracter´ısticas da performance da cadeia double hole como um canal de transmiss˜ao de estados em termos da fidelidade e do tempo de transferˆencia. Com este prop´osito, mapeamos o comportamento da equa¸c˜ao (2.17).

Figura 3.8: A figura ilustra a fidelidade como uma fun¸c˜ao do tempo para uma cadeia com 50 spins. A

linha vermelha corresponde a cadeia completa, enquanto a linha azul representa a cadeia double hole.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Na figura 3.8, em que usamos a cadeia com 50 spins, comparamos as performances da cadeia completa e da cadeia double hole. Vale notar que varremos o comportamento de F (t) da cadeia double hole no mesmo intervalo de tempo estimado (3.6) para o m´aximo da cadeia completa.

Trˆes rela¸c˜oes essenciais entre os canais emergem:

• A cadeia double hole alcan¸ca fidelidade perfeita, enquanto a cadeia completa mal consegue se manter em torno de 0.9;

• A cadeia double hole alcan¸ca seu valor m´aximo aproximadamente trˆes vezes mais r´apido que a cadeia completa;

(36)

• A fidelidade da cadeia double hole ´e uma fun¸c˜ao suave do tempo, podendo ser aproximada por um comportamento senoidal.

Figura 3.9: A fidelidade m´axima em fun¸c˜ao do n´umero de spins no canal. Os c´ırculos vermelhos indicam

a cadeia completa, enquanto os losangos azuis representam os valores da cadeia double hole.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Desta forma, podemos concluir que a cadeia double hole supera a cadeia completa como um canal de transmiss˜ao de estados. Esse aperfei¸coamento na performance se deve pela redu¸c˜ao da sobreposi¸c˜ao dos espa¸cos de Hilbert do par sender -receiver e o restante da cadeia. Portanto, de fato, a cadeia double hole n˜ao somente ´e vantajosa em rela¸c˜ao a cadeia completa, mas tamb´em a fidelidade unit´aria aparenta ser independente da quantidade de spins entre o par sender -receiver e da distˆancia entre eles. Ademais, dada uma distˆancia de transmiss˜ao, a fidelidade aparenta se tornar invariante sob uma reescala do sistema. Para corroborar essas afirma¸c˜oes, simulamos o mesmo sistema para cadeias com at´e 200 spins e dispomos o resultado no gr´afico 3.10. Por fim, dada uma distˆancia de transmiss˜ao de estados fixa, queremos encontrar o tempo para que o transporte seja feito do sender para o receiver. Uma forma de investigar esse tempo ´e calculando a raz˜ao entre o tempo ideal de transmiss˜ao, que seria o tempo mais r´apido, e o tempo aproximado obtido na equa¸c˜ao (3.6). Verificamos que o tempo de transmiss˜ao de estados aparenta se tornar invariante sob reescala do sistema no limite em que γjm2 → 0 com m = 1, 2. A raz˜ao demonstra se aproximar do valor assint´otico tid/t = 0.883 para o caso double hole e tid/t = 0.326

para a cadeia completa, os resultados est˜ao ilustrados no gr´afico 3.11. Portanto, apesar de estarmos aumentando a distˆancia entre o par sender -receiver e tamb´em o tamanho da cadeia, a fidelidade da transmiss˜ao da mensagem ´e maior e mais r´apida para o caso

(37)

Figura 3.10: A fidelidade m´axima em fun¸c˜ao do n´umero de spins no canal. Os c´ırculos vermelhos indicam a cadeia completa, enquanto os losangos azuis representam os valores da cadeia double hole.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura 3.11: Raz˜ao entre o tempo ideal tid e o tempo aproximado t∆para at´e a cadeia de 300 spins com

intera¸c˜ao dipolar.

Fonte: Elaborado pelo autor.

double hole. Podemos interpretar os spins entre o sender e o receiver como repetidores do sinal, cuja refletˆancia ´e proporcional a proje¸c˜ao dos autoestados de menor energia na base dos spins do canal. Desta forma, somos levados a interpretar γ2

jm com m = 1, 2 como a

(38)

2.2, de onde confirmamos a afirma¸c˜ao de que o menor tempo de entrega da mensagem ao receiver ´e tid.

3.4

Intera¸

ao de Longo Alcance de van der Waals

Um segundo poss´ıvel modelo de longo alcance ´e o do tipo van der Waals, que ´e uma das mais fracas intera¸c˜oes existentes nas entre ´atomos e mol´eculas. Tornemos agora para o problema da transmiss˜ao em uma cadeia de Heisenberg cuja intera¸c˜ao entre que os componentes ´e do tipo van der Waals, isto ´e, o fator de potˆencia no Hamiltoniano de longo alcance ´e ν = 6. Tal modelo se torna interessante visto que existem proposi¸c˜oes experimentais para sistemas de dois estados, isto ´e, qubits com ´atomos de Rydberg, que interagem entre si por um potencial de van der Waals. O Hamiltoniano do sistema torna-se

ˆ H = N X i=1 N X j=1 j6=i 1 8|i − j|6 σˆ + i σˆ − j + ˆσ − i σˆ + j − 4ˆσ z iσˆ z j . (3.7)

Para esse tipo de cadeia, esperamos que o modelo double hole tamb´em promova uma significativa melhora na transferˆencia de estados quˆanticos, pois as intera¸c˜oes entre os spins do canal s˜ao de menor energia. Assim, repetiremos a an´alise feita por Gualdi [11] para o caso de van der Waals, come¸cando por analisar seus autovalores. Atrav´es

Figura 3.12: Autovalores referentes as cadeias completa e double hole com N = 10 com intera¸c˜ao dipolar.

Fonte: Elaborado pelo autor.

(39)

autoenergias em rela¸c˜ao as demais. Tamb´em vemos que a cadeia double hole, tal como no caso dipolar, aumenta o espa¸camento entre as autoenergias mais baixas e as restantes.

Figura 3.13: As componentes mij ≡ h ˜m|ji foram calculadas numericamente, com i denotando o ´ındice

que assumido pelos bra h ˜m|, isto ´e,˜

1 e

˜

2 , que representam os autoestados de energia mais baixa.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Desta forma, podemos estudar as proje¸c˜oes dos autoestados na base dos spins do ca-nal de transferˆencia, note que n˜ao precisamos nos dedicar ao estudo das autoenergias m ≥ 3, visto que confirmamos a preserva¸c˜ao da conduta no gr´afico 3.12. Al´em disso, podemos estudar a configura¸c˜ao energ´etica do sistema conforme as excita¸c˜oes se encon-tram nos diferentes s´ıtios da cadeia. Podemos confirmar pelos gr´aficos 3.13 e 3.14 que o comportamento continua similar ao caso dipolar:

• A cadeia double hole aumenta a proje¸c˜ao dos dois autoestados de energia mais baixa no par sender -receiver ;

• A configura¸c˜ao energ´etica da cadeia double hole com as excita¸c˜oes nas pontas possui maior diferen¸ca em rela¸c˜ao as excita¸c˜oes no canal em compara¸c˜ao ao caso sem defeitos.

A fun¸c˜ao fidelidade nos d´a o comportamento temporal da entrega da informa¸c˜ao para o receiver, isto ´e, nos d´a o tempo necess´ario para que o estado seja transferido para o ´

(40)

Figura 3.14: A configura¸c˜ao energ´etica das cadeias double hole e completa para o caso com 50 spins.

Fonte: Elaborado pelo autor.

dois casos e, assim, avaliaremos numericamente as fun¸c˜oes no mesmo intervalo do caso dipolar e compararemos a performance das cadeias como canais de comunica¸c˜ao.

Figura 3.15: A figura ilustra a fidelidade como uma fun¸c˜ao do tempo para uma cadeia com 50 spins, ou

seja, com distˆancia N − 1 entre o par sender -receiver. A linha vermelha corresponde a cadeia completa,

enquanto a linha azul representa a cadeia double hole.

Fonte: Elaborado pelo autor.

(41)

estado no receiver aproximadamente trˆes vezes mais r´apido que a cadeia completa. Assim, verificamos que h´a uma otimiza¸c˜ao da performance do protocolo de comunica¸c˜ao na cadeia com os defeitos sim´etricos. Al´em dos estudos realizados acima, precisamos verificar se os m´aximos da fidelidade s˜ao adequados para um canal para transporte de estados e para esta an´alise, novamente iremos aproximar o m´aximo da fun¸c˜ao F (t) como a equa¸c˜ao (3.6).

Figura 3.16: A fidelidade m´axima em fun¸c˜ao do n´umero de spins no canal. Os c´ırculos vermelhos indicam

a cadeia completa, enquanto os losangos azuis representam os valores da cadeia double hole.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Nota-se pelo gr´afico acima, que a fidelidade da cadeia completa cai em rela¸c˜ao ao seu an´alogo dipolar, no entanto, a cadeia double hole permanece com performance unit´aria para at´e pelo menos 100 spins. Foram investigadas cadeias maiores, mas por limita¸c˜oes de tempo computacional, bem como erros num´ericos oriundos da diferen¸ca entre as autoener-gias na aproxima¸c˜ao temporal (3.6), apenas o gr´afico acima foi mantido. As dificuldades de precis˜ao, neste caso, acontecem devido a quase degenerescˆencia entre os dois primeiros autoestados, que podem j´a ser verificadas nos gr´aficos 3.2, 3.5 e 3.12. Os trˆes gr´aficos su-pracitados, no entanto, s˜ao para o caso com N = 10, ent˜ao valores est˜ao confortavelmente dentro da precis˜ao num´erica dos c´alculos e n˜ao h´a divergˆencia na estimativa do tempo. Apesar dessas dificuldades, o programa utilizado consegue calcular a fidelidade m´axima para a maioria dos valores acima de 100 spins, e, nestes casos, os resultados obtidos se mantˆem unit´arios, sendo um indicativo de que a cadeia de van der Waals permanece como um bom canal para transmiss˜ao. Os resultados num´ericos indicam 0.9999, com flutua¸c˜oes na quinta casa decimal, enquanto que no caso dipolar as flutua¸c˜oes ocorrem na quarta casa de precis˜ao, mostrando que o modelo da cadeia com intera¸c˜ao de van der Waals

(42)

aparenta ter uma pequena vantagem na fidelidade do estado entregue ao receiver.

Por fim, buscamos estudar o comportamento do tempo de entrega do canal de van der Waals em rela¸c˜ao ao do canal ideal. Para o canal perfeito, o tempo de entrega do estado ´e tid e faremos esta investiga¸c˜ao em analogia ao estudo para o caso dipolar. Portanto,

queremos avaliar a raz˜ao entre o tempo ideal da entrega do estado e o tempo aproximado, que obtemos no final da se¸c˜ao 2.2.

Figura 3.17: Raz˜ao entre o tempo ideal e o tempo aproximado para at´e a cadeia de 100 spins com

intera¸c˜ao de van der Walls.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Investigamos o funcionamento da raz˜ao at´e 100 spins, pois o termo da estimativa temporal novamente causa divergˆencia se buscarmos al´em disso. Os valores da cadeia completa possuem um comportamento igual ao caso dipolar, em que a raz˜ao tende a um valor assint´otico tid/t = 0.326 e, para casos menores que 30 spins, a aproxima¸c˜ao (3.6)

´e muito pequena, fazendo que a raz˜ao tenha um valor grande e, por isso, a ausˆencia dos pontos referentes a N ≤ 30 no gr´afico. O resultado mais interessante, no entanto, ´e o caso double hole, em que a raz˜ao entre tempo ideal de transferˆencia e o estimado ´e tid/t = 0.981, isto ´e, a cadeia de van der Waals possui tempo de entrega aproximadamente

igual ao tempo ideal. Que nos leva a conclus˜ao de que o caso com ν = 6 se comporta praticamente como um canal ideal para transferˆencia de estados.

(43)

3.5

Intera¸

ao de Longo Alcance Coulombiano

Outro caso do modelo de longo alcance ´e quando o fator ν = 1, chamado de potencial de Coulomb, que ´e um tipo de intera¸c˜ao bastante comum na natureza. Investigaremos, a seguir, como uma cadeia com intera¸c˜ao do tipo Coulombiana se comporta como um canal para transferˆencia de estados. O Hamiltoniano que descrever´a a dinˆamica desse sistema para transporte toma, portanto, a seguinte forma

ˆ H = N X i=1 N X j=1 j6=i 1 8|i − j| σˆ + i σˆ − j + ˆσ − i σˆ + j − 4ˆσ z iσˆ z j  (3.8)

Seguiremos a mesma l´ogica adotada nas se¸c˜oes subsequentes para estudar o funciona-mento das cadeias para a transferˆencia de estados, no entanto, o faremos com maior brevidade. Primeiramente iremos verificar os autovalores das cadeias e j´a introduziremos um novo canal, que chamaremos de six holes, o qual corresponde a cadeia otimizada para realiza¸c˜ao de transporte de estados quˆanticos quando a intera¸c˜ao dos constituintes ´e do tipo Coulomb.

Figura 3.18: Autovalores referentes as cadeias completa, double hole e six holes com N = 15.

Fonte: Elaborado pelo autor.

A cadeia six holes, introduzida no gr´afico 3.18, corresponde a um modelo com trˆes defeitos adjacentes ao sender e outros trˆes pr´oximos ao receiver, isto ´e, desligamos os termos de intera¸c˜ao J1,j, J2,j, J3,j, J12,j, J13,j e J14,j. O espa¸camento entre as energias dos

autoestados, para uma cadeia coulombiana, ´e menor, indicando que o sistema em estudo ´e mais fortemente ligado, o que indica que para realizar um desacoplamento maior do espa¸co

Referências

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