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Análise da percepção ambiental como instrumento de planejamento de ações de educação ambiental para um edifício familiar em Natal/RN.

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA

CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL

ANDREZA MARANHÃO DA SILVA

ANÁLISE DA PERCEPÇÃO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO DE

PLANEJAMENTO DE AÇÕES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA UM EDIFÍCIO FAMILIAR EM NATAL/RN.

NATAL 2019

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Andreza Maranhão da Silva

ANÁLISE DA PERCEPÇÃO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO DE PLANEJAMENTO DE AÇÕES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA UM EDIFÍCIO

FAMILIAR EM NATAL/RN.

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de graduação em engenharia ambiental, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do grau de Engenheira Ambiental.

Orientadora: Profa. Dra. Débora Machado de Oliveira Medina.

Coorientadora: Eng. Civil Msc. Marjorie da Fonseca e Silva Medeiros.

NATAL 2019

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Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI

Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Central Zila Mamede

Silva, Andreza Maranhão da.

Análise da percepção ambiental como instrumento de planejamento de ações de educação ambiental para um edifício

familiar em Natal/RN / Andreza Maranhão da Silva. - 2019. 56 f.: il.

Monografia (graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Tecnologia, Curso de Engenharia Ambiental,

Natal, RN, 2019.

Orientador: Profa. Dra. Débora Machado de Oliveira Medina. Coorientador: Eng. Civil Ma. Marjorie da Fonseca e Silva

Medeiros.

1. Educação ambiental - Monografia. 2. Concepção ambiental - Monografia. 3. Resíduos sólidos domiciliares - Monografia. I. Medina, Débora Machado de Oliveira. II. Medeiros, Marjorie da

Fonseca e Silva. III. Título.

RN/UF/BCZM CDU 504.06:628.4

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“Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”

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RESUMO

Os resíduos sólidos constituem-se, hoje, num dos mais graves problemas ambientais, pois transformam e modificam as condições de vida na terra. A problemática em torno do consumo exagerado, do desperdício, do mau uso dos recursos naturais e da destinação inadequada dos resíduos são apenas alguns exemplos de desenvolvimento insustentável e podem estar relacionados ao nível de compreensão e percepção da sociedade no que diz respeito ao meio ambiente. A educação ambiental é uma das ferramentas existentes para a sensibilização e capacitação da população em geral sobre os problemas ambientais. Dessa forma, o objetivo desta pesquisa foi avaliar a percepção ambiental dos moradores de um bloco do Condomínio Residencial Bairro Latino, em Natal no RN e elaborar ações de educação ambiental que possam contribuir para o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos e para o consumo consciente. A metodologia consistiu em pesquisa descritiva e abordagem qualiquantitativa, a fim de levantar estratégias de ações mais adequadas para solucionar o problema, usando como técnica a aplicação de questionário para coleta de dados e posterior análise. A investigação demostrou que os moradores apresentam uma visão antropocêntrica sobre o meio ambiente, relacionando o ambiente natural como utilidade para os seres humanos e com base no levantamento das percepções acerca de meio ambiente foi possível identificar a necessidade de se trabalhar intensamente com os moradores na perspectiva de sensibilizá-los para o efetivo pertencimento das questões ambientais. As ações propostas visam contribuir para o desenvolvimento sustentável, incentivar novas ideias e formas de participação dos moradores no gerenciamento de seus resíduos, mostrar oportunidades, que aparentemente são simples, mas quando bem executadas, proporcionam um ganho real para à sociedade.

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ABSTRACT

Solid waste transform and modify the conditions of life on earth and, as a consequence, represents one of the gravest environmental issues nowadays. The problem regarding over-consumption, waste, misuse of natural resources and improper disposal of waste are some examples of unsustainable development that can be related to the level of comprehension and perception of society concerning the environment. Environmental education is an important instrument to sensitize and train the general population about environmental issues. Thus, the aim of the research is to evaluate the environmental conception of residents from the Condominium Residencial Bairro Latino in Natal, RN, and prepare environmental education actions that might contribute to the proper management of solid waste and to conscious consumption. In order to gather strategies of actions more appropriate to solve the issue, it was used an descriptive research and qualitative and quantitative approach, in order to raise more appropriate action strategies to solve the problem, using as a technique the application of a questionnaire for data collection and subsequent analysis. As a result, the analysis indicated that residents still present an anthropocentric view of the environment, relating the natural environment to usefulness. Based on the survey of environmental perceptions, it was possible to identify the need to intensively work with residents in order to sensitize them to the effective involvement on environmental issues. The proposed actions aim to contribute to sustainable development, encourage new ideas and ways of resident’s participation in waste management, and show opportunities, which are apparently simple, but when well executed, provide a real gain for society.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Quadro 1 – Concepções de meio ambiente... 22 Foto 1 – Acondicionamento dos resíduos... 24 Foto 2 – Casa do lixo... 25

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Se os respondentes se sentem responsável pela preservação do meio

ambiente... 28

Gráfico 2 – Principal fonte de informação dos respondentes sobre questões ambientais. ... 29

Gráfico 3 – Percepção dos respondentes quanto ao impacto negativo no meio ambiente de atividades diárias do cotidiano... 29

Gráfico 4 – Percepção dos respondentes quanto à destinação final do seu resíduo... 31

Gráfico 5 – Significado de reciclar... 32

Gráfico 6 – Se reutilizam os resíduos e como. ... 32

Gráfico 7 – Qual o significado de coleta seletiva... 33

Gráfico 8 – Se respondentes fazem a separação... 33

Gráfico 9 – Porque fazem a separação dos resíduos sólidos... 34

Gráfico 10– Quais os impactos que o lixo mal destinado causa ao meio ambiente... 35

Gráfico 11– O que é compostagem... 36

Gráfico 12– Sabe qual o tipo de resíduo que pode ser compostado. ... 36

Gráfico 13– Se gostariam de saber quanto de resíduo orgânico produzem diariamente... 37

Gráfico 14– Se o lixo domiciliar possui algum componente tóxico... 37

Gráfico 15– Como normalmente são descartados os resíduos de medicamentos... 38

Gráfico 16– Como normalmente são descartadas pilhas e baterias. ... 38

Gráfico 17– Como normalmente são descartadas lâmpadas fluorescentes... 39

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Percepção dos respondentes sobre o conceito meio ambiente... 27 Tabela 2 – Hábitos do cotidiano dos respondentes... 30 Tabela 3 – Porque não fazem a separação dos resíduos

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LISTA DE ABREVIATURAS

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas ABEP Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa

ABRELPE Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais

CEMPRE Compromisso Empresarial para Reciclagem COOCAMAR Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis COSERN Companhia Energética do Rio Grande do Norte EA Educação Ambiental

IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada LED Diodo Emissor de Luz

NBR Norma Brasileira

ONG CEPAS Centro de Promoção à Assistência Social PA Percepção Ambiental

PNEA Política Nacional de Educação Ambiental PNRS Política Nacional de Resíduos Sólidos RCC Resíduos da Construção Civil

RSD Resíduos Sólidos Domiciliares RSS Resíduos de Serviços de Saúde RSU Resíduos Sólidos Urbanos RN Rio Grande do Norte

UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte URBANA Companhia de Serviços Urbanos de Natal

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 16

2 METODOLOGIA ... 21

2.1 Local de estudo ... 21

2.2 Ferramenta de coleta de dados ... 21

2.3 Análise de dados e proposições de ações ... 22

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 24

3.1 Resultado da coleta de dados ... 24

3.1.1 Perfil do respondente ... 25

3.1.2 Percepção ambiental - comportamentais e atitudinais ... 26

3.1.3 Percepção ambiental sociedade-natureza ... 31

3.2 Proposta de ações de educação ambiental ... 40

3.2.1 Coleta seletiva ... 40

3.2.2 Consumo consciente ... 41

3.2.2.1 Não desperdice, reutilize! ... 42

3.2.2.2 Troca inteligente ... 42

3.2.2.3 Troca troca ... 42

3.2.2.4 Faça você mesmo... 42

3.2.2.5 Oficinas de descarte consciente ... 43

3.2.2.6 Oficinas de aproveitamento integral dos alimentos ... 43

3.2.3 Cine ambiental ... 43

3.2.4 Produção de contéudo para redes sociais ... 44

3.2.5 Capacitações e visitas ... 45

3.2.6 Agente ambiente ... 45

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 47

4.1 Recomendações para estudos futuros ... 47

REFERÊNCIAS ... 48

APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO ... 52

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1 INTRODUÇÃO

A geração de resíduos sólidos tem crescido em uma escala considerável nos últimos anos, impulsionada, sobretudo pelo crescimento populacional, a urbanização, o desenvolvimento econômico, a revolução tecnológica e a produção e o consumo de bens não duráveis, resultando em alterações no estilo de vida e nos modos de produção e consumo da população, ocasionando uma deterioração acelerada dos recursos naturais e modificando o equilíbrio ecológico (SANTAELLA et al., 2014).

De acordo com o inciso XVI, no artigo 3º da Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), resíduo sólido é considerado como: Material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, cuja destinação final se procede, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviável em face da melhor tecnologia disponível (BRASIL, 2010).

Os resíduos sólidos são classificados, de acordo com o inciso I, no artigo 13º da Lei 12.305/10 quanto à origem e quanto à periculosidade. Em relação à origem, são definidos pelas seguintes categorias:

a) resíduos domiciliares: os originários de atividades domésticas em residências urbanas;

b) resíduos de limpeza urbana: os originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana;

c) resíduos sólidos urbanos: os englobados nas alíneas “a” e “b”;

d) resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços: os gerados nessas atividades, excetuados os referidos nas alíneas “b”, “e”, “g”, “h” e “j”;

e) resíduos dos serviços públicos de saneamento básico: os gerados nessas atividades, excetuados os referidos na alínea “c”; f) resíduos industriais: os gerados nos processos produtivos e instalações industriais;

g) resíduos de serviços de saúde: os gerados nos serviços de saúde, conforme definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária;

h) resíduos da construção civil: os gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis;

i) resíduos agrossilvopastoris: os gerados nas atividades agropecuárias e silvicultoras, incluídos os relacionados a insumos utilizados nessas atividades;

j) resíduos de serviços de transportes: os originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira; k) resíduos de mineração: os gerados na atividade de pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios.

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Em relação à periculosidade, são definidos como perigosos (Classe I) e não perigosos (Classe II). De acordo com a NBR 10.004:2004, resíduos classe I são os resíduos perigosos que, devido as suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, apresentam risco à saúde pública e ao meio ambiente; e classe II são os resíduos não perigosos. Os resíduos classe II são subdivididos em não inertes (classe II A) e inertes (classe II B). Os resíduos não inertes são aqueles que apresentam propriedades como biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água, e não se enquadram na classificação de resíduos perigosos e não perigosos inertes. Os inertes (classe II B) são todos os resíduos que não apresentam constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor (ABNT, 2004a).

Os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) são aqueles que englobam tanto os resíduos domiciliares como os de limpeza urbana (BRASIL, 2010). Os Resíduos Sólidos Domiciliares (RSD) podem ter restos de alimentos, papéis, embalagens plásticas, dentre outros, além de poderem conter alguns resíduos tóxicos. Ocasionalmente são encontrados resíduos que possuem características de Resíduos de Serviços de Saúde (RSS), que são potencialmente infectantes como agulhas, seringas, remédios, raios-X (ABNT, 1993) e Resíduos da Construção Civil (RCC), provenientes de reformas, reparos, construções e demolições de obras de construção civil (ABNT, 2004b).

Conforme parágrafo 1º do artigo 1º da Lei 12.305/10 um ponto importante é que todos estão sujeitos à observância da lei quando são responsáveis, direta ou indiretamente, pela geração de resíduos sólidos bem como se desenvolvem ações relacionadas à gestão integrada ou ao gerenciamento de resíduos sólidos. A lei tem como principais instrumentos que contribuem para esse estudo: a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, os sistemas de logística reversa, a coleta seletiva e a educação ambiental. No artigo 30º e reafirmada no artigo 6º do Decreto nº 7.404/10 que regulamentou a PNRS, a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos cabe a comerciantes, fabricantes, importadores, distribuidores, população e aos responsáveis pelos serviços de limpeza e manejo a responsabilidade pela destinação adequada, a fim de minimizar o volume de resíduos e rejeitos, assim como reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental. No que se refere à logística reversa o Decreto estabelece no parágrafo 4º do artigo 33º que o papel do consumidor é efetuar a devolução dos produtos como pilhas e baterias, lâmpadas, eletroeletrônicos, pneus entre outros assim como embalagens após o uso, aos comerciantes ou distribuidores. A PNRS no artigo 35º fala que sempre que estabelecido um

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sistema de coleta seletiva os consumidores são obrigados a acondicionar de forma diferenciada e disponibilizar adequadamente os resíduos sólidos reutilizáveis ou recicláveis para coleta ou devolução.

A Lei 12.305/10 no artigo 9º estabelece uma ordem de prioridade na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, como: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Contudo, apesar do avanço da legislação vigente, pouco se evoluiu na problemática da gestão dos resíduos sólidos urbanos, como pode ser verificado nas informações contidas no Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil1 a geração de RSU em 2017 foi de 214.868

toneladas por dia, ou seja, um aumento de quase 1% chegando a 216.629 toneladas diárias em 2018. Outro dado importante foi o crescimento da geração per capita de 1,035 kg/hab.dia em 2017 atingindo o patamar de 1,039 kg/hab.dia em 2018, isso significa que, em média, cada brasileiro gerou pouco mais de 1 quilo de resíduo por dia (ABELPRE, 2019).

Embora o número de municípios que operam programas de coleta seletiva tenha aumentado ao longo dos anos, de 405 em 2008 para 1227 municípios em 2018, apenas 8% do total de municípios brasileiros que realizam esse serviço, está situado no Nordeste. (CEMPRE, 2018). Em Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte, esse percentual é ainda menor, apenas 3% dos resíduos sólidos são reciclados.

Os condomínios são capazes de ser uma fonte de problemas ambientais e sociais, como também possuírem um alto potencial de recuperação de recicláveis. Segundo Bassani (2011) os condomínios residenciais merecem destaque no gerenciamento dos resíduos sólidos e nos programas de coleta seletiva, visto que a partir da adoção de programas de coleta seletiva e de campanhas de informação seriam capazes de aumentar a quantidade e melhorar a qualidade do material destinado à reciclagem. Os condomínios residenciais são considerados grandes geradores de resíduos sólidos, pois ultrapassam a geração de 200 litros por dia de acordo com inciso XII, no artigo 3º da Lei Municipal 4.748, de 30 de abril de 1996, que regulamenta a Limpeza Urbana do Município de Natal. E ainda, a Lei Municipal 6.227/11 estabelece a obrigatoriedade de condomínios e edifícios residenciais com mais de dez unidades habitacionais a manterem em suas dependências recipientes destinados à separação de resíduo orgânico (composto de materiais originados de organismos vivos) e inorgânico (composto de materiais de produtos manufaturados). A lei prevê a doação integral do material

1 O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil é uma publicação anual da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), com o objetivo de facilitar o acesso às informações sobre os resíduos sólidos em seus diversos segmentos.

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coletado para associações e cooperativas de catadores de lixo e, na falta destas, para instituições congêneres cadastradas nos órgãos municipais competentes.

Apesar da existência de uma lei que visa aumentar a quantidade de material a ser enviado às cooperativas de materiais recicláveis, somente a lei sem o suporte de ações de educação ambiental não será efetiva (BRASIL, 1999). A EA é um dos principais instrumentos da PNRS e tem suas diretrizes para ações referentes aos resíduos sólidos definidas no artigo 77º do Decreto nº 7.404/10 como desenvolver ações educativas voltadas à conscientização dos consumidores com relação ao consumo sustentável e às suas responsabilidades no âmbito da responsabilidade compartilhada, divulgar os conceitos relacionados à coleta seletiva, à logística reversa, consumo consciente e a minimização da geração de resíduos sólidos, realizar ações educativas voltadas aos fabricantes, importadores, comerciantes e distribuidores, com enfoque diferenciado para os agentes envolvidos direta e indiretamente com os sistemas de coleta seletiva e logística reversa.

A Educação Ambiental (EA) no artigo 1º da lei 9.795/99 que institui a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) é definida como:

Um conjunto de processos a partir dos quais os indivíduos e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (BRASIL, 1999).

A EA tem como possibilidade fazer com que os moradores tomem consciência de seu papel na questão do gerenciamento dos resíduos, relacionando o nível de compreensão e a percepção no que diz respeito à problemática ambiental. Gerando mudanças na qualidade de vida e maior consciência de conduta pessoal, assim como harmonia entre os seres humanos e destes com outras formas de vida (BRASIL, 2005, p.57). Ainda tem o propósito de envolver a perspectiva holística, evidenciando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo, a fim de unir a noção de um em outro.

A Percepção Ambiental (PA) é um instrumento que contribui com a implantação da EA e pode ser definida como a tomada de consciência do ser humano, isto é, o ato de perceber o ambiente em que está inserido e responsabilizar-se por ele (CAMPOS; NEHME; COLESANTI, 2011). A EA e a PA são ferramentas importantes na defesa do meio ambiente, pois permite a aproximação do homem com o meio natural, assegurando um futuro com mais qualidade de vida para todos (FREITAS; MAIA, 2009).

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Este trabalho teve como objetivo principal avaliar a percepção ambiental dos moradores de um bloco do Condomínio Residencial Bairro Latino, em Natal/RN e elaborar um conjunto de ações de EA que possam contribuir para o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos e para o consumo consciente.

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2 METODOLOGIA

O presente trabalho se desenvolveu no campo da pesquisa descritiva que visa descrever as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Com uma abordagem qualiquantitativa usando como suporte cálculos mensurativos para identificar os problemas, analisá-los, discriminar as necessidades prioritárias e propor ações mais eficazes (CHIZZOTTI, 1991). De natureza aplicada, como mostra Marconi e Lakatos (2006), a pesquisa aplicada se caracteriza pelo seu interesse prático, ou seja, que os resultados sejam aplicados ou utilizados na solução de problemas reais.

2.1 Local de estudo

A pesquisa se desenvolveu no bloco 38 do Condomínio Residencial Bairro Latino, localizado na Avenida Alameda das Mansões, 3696 – Candelária, Natal – RN. O condomínio possui 47 blocos, cada bloco com 3 andares, 4 apartamentos por andar, o que totaliza 12 apartamentos por bloco.

Num universo de doze apartamentos, obtivemos onze respostas representando 91,67% do total de respondentes do bloco e de acordo com as informações obtidas, as respostas foram agrupadas em categorias por meio de análise das descrições acerca do questionamento e depois quantificadas.

2.2 Ferramenta de coleta de dados

O método da pesquisa foi por meio de levantamento de dados usando como técnica a aplicação de questionário. A coleta de dados foi realizada no período de 11 a 15 de setembro de 2019, pela ferramenta online do Google, o Google Forms.

Para a obtenção dos dados de campo, houve a aplicação de questionário que mesclou questões fechadas de múltipla escolha, onde as questões eram apenas respostas únicas, e abertas, pois algumas questões de múltipla escolha havia também a opção “outro” na qual os entrevistados puderam acrescentar itens aos já existentes nas opções de respostas ao questionamento.

O questionário consistiu em trinta e quatro questões divididas em dois módulos, conforme apêndice A. No primeiro módulo as perguntas serviram para o levantamento de

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dados socioeconômicos dos respondentes, no segundo as questões foram direcionadas à comportamentos e atitudes em relação ao meio ambiente, com o intuito de identificar a percepção predominante do grupo em estudo baseando-se nas concepções estabelecidas: naturalista, antropocêntrica ou globalizante, resumidos no Quadro 1, ( REIGOTA ,1991).

Quadro 1 - Concepções de meio ambiente

Categorias Características

Naturalista

Meio ambiente como sinônimo de natureza intocada, evidencia-se

somente os aspectos naturais.

Antropocêntrica

Evidencia a utilidade dos recursos naturais para a sobrevivência do ser

humano

Globalizante Relações recíprocas entre natureza e sociedade.

Fonte: Reigota (1991).

2.3 Análise dos dados e proposições de ações

A análise dos resultados foi realizada através apresentação de tabelas e gráficos, onde como parte do processo de interpretação observou-se como é a percepção do sujeito (respondente) ante ao meio em que vive e como isso se relaciona com suas ações. No intuito de avaliar o poder de compra das famílias em estudo, analisou-se algumas variáveis entre elas, se possuem empregada doméstica, automóveis, computador, televisão, DVD, geladeira, freezer, lava roupa, micro-ondas, telefone, rádio.

Deste modo, a partir da análise dos dados foram elaboradas propostas de ações de educação ambiental visando o desenvolvimento sustentável, transformando os modelos de produção de consumo da sociedade, em prol das gerações presentes e futuras (ALENCASTRO; SOUSA-LIMA, 2014). A abordagem utilizada foi “alternativa” (LAYRARGUES, 2002), “emancipatória” (LOUREIRO, 2008) e “crítica” (GUIMARÃES, 2000) onde busca-se pela transformação dos valores e práticas sociais como forma de construir democraticamente sociedades sustentáveis, fazendo com que os condôminos possam se apropriar do gerenciamento adequado dos seus resíduos.

As ações de EA propostas foram direcionadas para uma mudança do padrão de consumo, a fim de que se possam ultrapassar convicções que vêm levando à degradação humana-ambiental, dando lugar a formas de cuidado e atuação ambiental. Buscando novas

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formas de desenvolvimento menos individualista, sendo mais comunitário e cooperativo almejando a sustentabilidade ambiental.

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3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Resultados da coleta de dados

Como pode ser observado (foto 2), o acondicionamento dos resíduos gerados pelos moradores é feito em sua grande maioria em sacolas plásticas e depositados pelos moradores em uma das duas “casas do lixo” (foto 3) assim denominados por eles, posteriormente esses resíduos são coletados pela empresa VITAL ENGENHARIA AMBIENTAL S.A que presta serviço terceirizado para a Companhia de Serviços Urbanos de Natal (URBANA). A frequência da coleta é de três vezes por semana e sua destinação final é o Aterro Sanitário Metropolitano de Natal.

Foto 1 – Acondicionamento dos resíduos.

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Foto 2 - Casa do lixo.

Fonte: Autor (2019).

3.1.1 Perfil do respondente

No questionário foram abordados aspectos referentes ao perfil socioeconômico dos entrevistados, considerando que isso pode influenciar a visão ambiental, especialmente quando há uma perspectiva holística para conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental (AMÉRIGO; GARCÍA; CÔRTES, 2017). Do total de moradores que responderam o questionário, nove eram do sexo feminino (81,8%) e dois do sexo masculino (18,2%). Identificou-se que quatro dos respondentes (36,4%) possuem faixa etária de mais de 60 anos de idade e três dos respondentes (27,3%) a faixa etária de 19 a 30 anos de idade. Ao se perguntar quantos moradores possuíam em cada apartamento, observou-se que seis dos respondentes (54,5%) disseram possuir de 3 a 4 moradores. Demonstrou-se que, de um modo geral, seis (54,6%) dos respondentes não possuem ensino superior e dos sete (45,5%) que possuíam observa-se a predominância da área de atuação em ciências humanas com quatro (57,1%) dos respondentes e com dois (28,6%) sendo das ciências exatas e da terra.

Ao se falar em aumento dos padrões de consumo e geração de resíduos sólidos domiciliares, esses termos estão relacionados com as massas coletadas de RSD e correlacionados fortemente com consumo de energia, índice de alfabetização e índice de renda domiciliar (MEDEIROS, 2015). Nesse sentido perguntou-se qual a renda mensal dos

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respondentes, cinco (45,5%) deles disseram possuir uma renda de seis a nove salários mínimos (de R$ 5.988,00 até 8.982,00), enquadrando-se na classe B2 segundo critério de classificação econômica no Brasil feito pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP, 2019). Verificou-se também que os onze respondentes tem telefone celular, oito possuem televisão, dez possuem computador, oito possuem automóvel e somente dois dos respondentes possuíam empregada doméstica. Demostrou-se a necessidade de mudança no consumo, desperdício e descarte de resíduos visando alcançar a sustentabilidade ambiental.

Perguntado quanto à forma de locomoção dos respondentes de sua residência até seu local de trabalho/ estudo, cinco (45,5%) dos respondentes utilizam veículo próprio para se locomover, apesar de o condomínio ser bem localizado, estando próximos a shoppings, pontos de ônibus, supermercados e universidades.

3.1.2 Percepção Ambiental – Comportamentais e atitudinais

As questões a seguir abordam os aspectos referentes aos comportamentos e as atitudes dos respondentes envolvidos sobre o tema meio ambiente. Conforme Reigota (1991) é necessário conhecer as concepções das pessoas envolvidas sobre meio ambiente, pois, só assim será possível realizar atividades de EA que possam se tornar eficazes. A tabela 1 apresenta a percepção dos entrevistados sobre o conceito do meio ambiente de acordo com Reigota (1991).

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Tabela 1 - Percepção dos respondentes sobre o conceito meio ambiente.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

A concepção predominante do grupo em estudo com nove (81,8%) das respostas foi a antropocêntrica, que de acordo com Reigota (1991) relaciona a utilidade dos recursos naturais para a sobrevivência do homem, ou um lugar ou espaço que existe para que o ser humano viva. Dentro desse contexto, vemos a necessidade de intervenção, não no sentido de corrigir essa concepção de ambiente, mas para ampliá-la através de ações de EA que deverão

Qual das expressões abaixo melhor representa, para você, o conceito de meio ambiente?

moradores Porcentagem O habitat, o espaço físico natural, que os seres

normalmente ocupam, onde ocorre a interação dos fatores abióticos e bióticos. (Naturalista).

1 9,10%

É o espaço físico que nos cerca e onde vive o ser humano. O espaço é um sistema indissociável de objetos e ações. (Antropocêntrica)

1 9,10%

Em geral o ambiente consiste no conjunto de condições em que existe determinado objeto ou ocorre determinada ação; é o todo, completo e como o próprio nome diz é um meio e não um fim.

(Globalizante)

0 0,00%

É o todo complexo sistema de vida da terra, estando todos interligados e sofrendo influência uns dos outros. (Naturalista)

1 9,10%

Qualquer local que esteja no seu entorno e que precisa ser preservado, na água, no ar, na terra; e que devemos cuidar para nós mesmos e para as futuras gerações. (Antropocêntrica)

8 72,70%

Local onde se abriga e sobrevive a vida, sendo regido por diversos fatores de ordem social, físico, químico, biológico, que, entre outros fatores, determinam o meio em que vivemos.

(Globalizante)

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incluir atividades de sensibilização dos respondentes para o seu efetivo pertencimento nas questões ambientais de modo que se engajem e tomem consciência do seu papel como cidadãos comprometidos com o bem estar de todos. Transformando, questionando e se desenvolvendo de forma individual e coletiva, a partir da ideia que o ambiente engloba relações recíprocas entre aspectos sociais e naturais.

Quando perguntados sobre a responsabilidade de preservação do meio ambiente, dos onze respondentes, um não se sentia responsável pela preservação do meio ambiente da sua cidade, do seu bairro, da sua rua e do seu condomínio, quatro dos respondentes se sentiam parcialmente responsáveis e seis se sentiam totalmente responsáveis pela preservação em todas as esferas (gráfico 1).

Gráfico 1 - Se os respondentes se sentem responsáveis pela preservação do meio ambiente.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Constatou-se que a maioria dos respondentes sentiam-se totalmente responsáveis pela preservação do meio ambiente, o que pode ser visto como algo positivo, pois nas ações de EA serão necessários apenas alguns estímulos no sentindo de incentivar os indivíduos a passar do entendimento de responsabilidade ao compromisso de fazer e participar de forma atuante dos cuidados com os recursos naturais existentes, fortalecendo a interação entre sociedade e natureza.

A pesquisa demonstrou, que dos onze respondentes, seis (54,5%) tem como fonte principal de informação sobre questões ambientais a internet, um (9,10%) dos moradores recebe essa informação através de jornal e quatro (36,40%) desses moradores recebem essa informação pela televisão (gráfico 2).

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Gráfico 2 - Principal fonte de informação dos respondentes sobre questões ambientais.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Esse dado contribui para direcionar as ações de EA utilizando como ferramenta a internet, pois “possibilita que o trabalho se torne mais interessante, criativo e interativo, facilitando o acesso a uma infinidade de informações independente de tempo e espaço” (SOUZA, 2013).

Perguntado sobre os impactos negativos que as atividades domésticas diárias causam ao meio ambiente, seis (54,5%) dos respondentes consideram que causam muito impacto, três (27,30%) entendem que causam pouco impacto, um (9,10%) dos respondentes acredita que não causa nenhum impacto e outro (9,10%) não tinha informação suficiente para responder (gráfico 3).

Gráfico 3 - Percepção dos respondentes quanto ao impacto negativo no meio ambiente de atividades diárias do cotidiano.

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Os resultados demonstram que 45,5% dos respondentes não consideram que suas atividades diárias do cotidiano causam um impacto negativo ao meio ambiente, o que corrobora com a visão dos entrevistados, visto que na visão antropocêntrica não é percebido que muitas atividades que melhoram a qualidade de vida dos humanos também causam vários impactos ao meio ambiente. Dessa forma ações de EA com enfoque na relação pessoa-ambiente devem ser a mais adequada para ver atitudes positivas relacionadas ao meio ambiente revertidas em práticas cotidianas.

No intuito de analisar hábitos do cotidiano dos respondentes, perguntou-se quais as principais ações que eles realizavam (tabela 2).

Tabela 2 - Hábitos do cotidiano dos respondentes. No seu cotidiano, você: Nunca Ás vezes Sempre Recusa sacolas plásticas entregues pelo

comércio. 3 8 0

Reduz o consumo de carne. 6 4 1

Substitui o consumo de determinado produto por outro similar, a fim de reduzir impactos ambientais, mesmo que seja mais caro.

4 7 0

Controla o consumo de gás, energia e água

de sua casa para tentar evitar desperdícios. 1 5 5 Observa se as embalagens dos produtos que

consome são recicláveis. 3 5 3

Consome como preferência produtos

orgânico. 1 10 0

Guarda e encaminha o óleo de fritura

a locais para destinação adequada. 5 6 0

Usa lâmpadas fluorescentes ou de led. 6 5 0

Evita o uso de descartáveis. 1 9 1

Usa sacolas retornáveis quando sai às

compras. 3 7 1

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Observou-se que as respostas se concentraram na coluna do NUNCA e do ÀS VEZES. Outro fato interessante foi que a única ação que teve uma adesão maior da atitude SEMPRE foi o “Controle do consumo de gás, energia e água de sua casa”, revelando que quando a ação gera ganhos monetários, parece haver um maior interesse. Por outro lado, observa-se que no quesito “uso de lâmpadas fluorescentes ou led” não houve a mesma atitude. Como as questões financeiras têm um peso considerável sobre os respondentes, e a partir da concepção de uma visão antropocêntrica, focada em benefícios pessoais é possível trabalhar

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com ações de EA explorando os benefícios pessoais que podem ser obtidos a partir de padrões de consumo moderados, consumo de produtos menos agressivos à vida, escolhas mais sustentáveis, tendo como consequência uma diminuição nos resíduos gerados. Ampliando a perspectiva antropocêntrica e reduzindo o desinteresse que impede o desenvolvimento de um consumo mais sustentável.

3.1.3 Percepção Ambiental – sociedade natureza

As questões a seguir abordam os aspectos referentes aos comportamentos e as atitudes dos respondentes envolvidos em relação ao resíduo que produz. Constatou-se que seis (54,5%) dos respondentes sabiam que o seu resíduo é destinado ao aterro sanitário e cinco (45,5%) deles acreditam que o resíduo é destinado ao lixão (gráfico 4).

Gráfico 4 - Percepção dos respondentes quanto à destinação final do seu resíduo.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

A porcentagem de respondentes que acreditam que seus resíduos são destinados ao lixão foi algo que chamou atenção, visto que desde 2004 o lixão que se localizava em Cidade Nova foi desativado (START, 2015). E devido a isso, constata-se a importância de ações de EA no sentido de informar os moradores sobre a destinação dos seus resíduos e a diferença entre lixão e aterro sanitário.

Dos onze apartamentos que participaram da pesquisa, sete (63,6%) dos respondentes disseram saber o significado de reciclar (gráfico 5).

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Gráfico 5 - Significado de reciclar.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

No entanto, quatro (36,4%) dos moradores não entende com clareza o significado da palavra reciclar. O que orienta para ações de EA no sentido de haver capacitações ou oficinas no sentido de esclarecer o significado do termo.

Quando perguntados sobre ações de reutilização, cinco (45,5%) dos respondentes não faziam a reutilização dos resíduos por não saberem como. Dois (18,2%) dos respondentes reutilizavam caixas de sapatos como embalagem para presentes, dois (18,2%) reutilizavam garrafas pet para armazenar óleo de cozinha e dois (18,2%) reutilizavam sacolas plásticas que antes iam para o lixo para fazer compras (gráfico 6).

Gráfico 6 - Se reutilizam os resíduos e como.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Verificou-se que por mais que os respondentes demonstrem vontade de reutilizar seus resíduos, conforme algumas atitudes relatadas, a grande maioria (45,5%) ainda não o faz por falta de conhecimento das possibilidades de reutilização, demostrando que não sabiam de

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fato a diferença entre reciclar e reutilizar. O que reforça ações de EA no sentido de esclarecer alguns conceitos relacionados a esses temas, assim como, incentivar que essas atitudes se tornem práticas do cotidiano.

Perguntado se sabiam o que era coleta seletiva, três (27,3%) dos respondentes demonstraram não saber, no entanto, oito (72,7%) disseram que coleta seletiva significa separar o lixo para ser recolhido (gráfico 7).

Gráfico 7 - Qual o significado de coleta seletiva.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Quanto a aqueles que realizam a separação dos seus resíduos, somente três (27,3%) deles afirmaram fazer (gráfico 8).

Gráfico 8 - Se respondentes fazem a separação.

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Questionado o motivo de realizarem a separação dos seus resíduos, dois (50%) dos respondentes disseram fazer pelo meio ambiente, um (25%) para evitar desperdícios e outro (25%) mencionou todas as alternativas, que incluía a preocupação com futuras gerações, geração de renda, entre outros (gráfico 9).

Gráfico 9 - Porque fazem a separação dos resíduos sólidos.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Indagado o motivo aos que não faziam a separação, quatro (44,40%) dos respondentes não sabiam fazer, um (11,40%) nunca tinha pensando nisso, entre aqueles que indicaram “outros” com 44,40% os motivos foram: um não fazia porque acredita que uns iam fazer e outros não, um acreditava que a coleta seletiva seria difícil de implantar, um que não tinha tempo e por fim, outro não fazia porque não tinha coleta seletiva no condomínio (tabela 3).

Tabela 3 - Porque não fazem a separação dos resíduos sólidos. Se NÃO, por quê? Nº moradores Porcentagem

Não sabemos fazer 4 44,40%

Nunca pensamos nisso 1 11,10%

Outras 4 44,40%

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Quando perguntados se gostariam de receber mais informações sobre como fazer a separação de seus resíduos, onze (100%) dos respondentes afirmou que sim. O que direciona para ações de EA no sentindo de incentivar os respondentes para a correta separação dos seus resíduos e para tornar esse um hábito do cotidiano e também desenvolver um trabalho em conjunto com cooperativas ou catadores de materiais recicláveis para que o aspecto social da

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geração de renda tenha o poder de influenciar e sensibilizar os respondentes a adotarem a separação dos seus resíduos.

Indagou-se aos respondentes quais os impactos que o lixo mal destinado pode causar no meio ambiente, dois (18,2%) acreditam que somente a poluição do ar e do solo e nove (81,8%) responderam todas as anteriores, que inclui contaminação de lençol freático, propagação de doenças entre outras (gráfico 10),

Gráfico 10 - Quais os impactos que o lixo mal destinado causa ao meio ambiente.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Verificou-se que cerca de 80% conhece quais os impactos que a má destinação acarreta à saúde e ao meio ambiente. O que coopera para ações de EA, no sentido que alguns estímulos contribuiriam para ações pró-ambientais, como o uso consciente da água e da energia, consumo sustentável, compra de produtos ecológicos que não agridem ao meio ambiente, a realização da separação do seu resíduo entre outros. Trabalhando com base na perspectiva antropocêntrica e ampliando a visão dos respondentes para que entendam que a sua relação com o meio é dinâmica, os indivíduos agem sobre o ambiente assim como o ambiente transforma e influencia as suas condutas (HIGUCHI; KUHNEN, 2008).

Quando perguntado sobre o que é compostagem, sete (63,3%) dos respondentes sabiam o que era compostagem e quatro (36,4%) não sabiam (gráfico 11).

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Gráfico 11 - O que é compostagem.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Indagado sobre os tipos de resíduos que podem ser compostados, dos onze apartamentos que participaram da pesquisa, somente sete responderam, e destes, seis (85,7%) sabiam qual o tipo de resíduo e um (14,3%) não sabia (gráfico 12).

Gráfico 12 - Sabe qual o tipo de resíduo que pode ser compostado.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Sobre a quantidade de resíduo orgânico produzido por dia, dez (90,9%) dos moradores gostaria de saber quanto de resíduo orgânico geram diariamente (gráfico 13).

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Gráfico 13 - Se gostariam de saber quanto de resíduo orgânico produzem diariamente.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Observou-se que embora a maioria soubesse o que é compostagem, muitos ainda tem dúvidas sobre os tipos de resíduos que, de fato, podem ser compostáveis. Cerca de 90% dos respondentes demostraram interesse em saber quanto de resíduo orgânico produz, podendo esse resíduo compostado ser vendido ou utilizado para a manutenção das áreas verdes do próprio condomínio. Com base na visão antropocêntrica, o fato de haver a possibilidade de ganho financeiro pode ser um incentivo para a implantação desse projeto.

Indagado aos respondentes sobre se o lixo domiciliar possuía algum componente tóxico, oito (72,7%) responderam que sim e três (27,3%) responderam que não tinha (gráfico 14).

Gráfico 14 - Se o lixo domiciliar possui algum componente tóxico.

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Perguntou-se como eram descartados os resíduos de medicamentos, sete (63,60%) dos respondentes descartam no lixo comum, três (27,3%) em postos de recolhimento (farmácias e drogarias) e um (9,1%) em latas ou caixas de leite (gráfico 15).

Gráfico 15 - Como normalmente são descartados os resíduos de medicamentos.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Perguntou-se também como são descartadas pilhas e baterias, seis (54,5%) dos respondentes descartavam em postos de recolhimentos de eletroeletrônicos e cinco (45,5%) no lixo comum (gráfico 16).

Gráfico 16 - Como normalmente são descartadas pilhas e baterias.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Verificou-se como são descartadas as lâmpadas fluorescentes, cinco (45,5%) dos respondentes descartam em postos de recolhimentos e seis (54,5%) no lixo comum (gráfico 17).

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Gráfico 17 - Como normalmente são descartadas lâmpadas fluorescentes.

Fonte: Elaborada pelo autor (2019).

Segundo Chaves e Silva (2015) apesar da grave ameaça dos resíduos domésticos perigosos para a saúde e o meio ambiente, estes não são percebidos como danosos pela maioria da população. Observou-se que embora a maioria dos respondentes soubesse que o resíduo domiciliar possui componentes tóxicos, não associam essa toxicidade aos resíduos de medicamentos, pilhas e baterias, assim como lâmpadas fluorescentes, visto que não descartam esses resíduos adequadamente. Acredita-se que campanhas com o intuito de expor a ameaça que o descarte incorreto desses resíduos gera, pode acarretar mudanças na forma como são descartados. Assim como apresentar outros resíduos domésticos perigosos que não tem o seu perigo reconhecido, como por exemplo aerossóis, solventes, esmaltes, itens de perfumaria entre outros.

Quando perguntado aos respondentes se gostariam que o seu condomínio fosse um exemplo de responsabilidade socioambiental através de soluções como compostagem e a criação de hortas comunitárias, onze (100%) dos respondentes demostrou que gostariam desse reconhecimento.

O que podemos perceber é que para melhorar a gestão de resíduos é necessário dar ênfase nas atitudes antropocêntricas, focada em benefícios pessoais que podem ser alcançados. Trabalhando com ações de EA voltadas para que os respondentes se tornem responsáveis na resolução desses problemas ambientais, construindo uma afinidade emocional com o meio onde vive e superando a indiferença com o tema.

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3.2 Proposta de ações de educação ambiental

A partir da análise dos resultados optou-se por um trabalho com conteúdos e princípios ligados à educação para a sustentabilidade, consumo consciente bem como para a minimização de resíduos, através de oficinas, capacitações, palestras e visitas. Possuindo como público alvo das ações os moradores e o síndico do edifício familiar.

3.2.1 Coleta seletiva

Objetivo: Envolver os moradores na prática da separação dos seus resíduos, com o intuito de incentivar a redução e a reciclagem dos resíduos sólidos.

Planejamento: A coleta deve ser encarada como uma corrente de três junções: educação ambiental, logística e destinação. Se um deles não for planejado a tendência é o programa não perseverar, sendo o seu planejamento feito do fim para o começo. Primeiramente se pensa qual será a destinação, depois a execução (logística) e por fim as ações de educação ambiental.

Estratégias e Funcionamento: O programa de coleta seletiva se dará pela separação dos resíduos pelos moradores e como destinação contaria com três alternativas. A primeira é a destinação para o programa “Vale Luz” que é um projeto da COSERN com o objetivo de trocar os resíduos sólidos recicláveis (papel e papelão, plásticos, metal, óleo vegetal e azeites e eletrônicos) por descontos na conta de energia. O programa segue um cronograma de coleta, atendendo todos os sábados os moradores do bairro Candelária no Hipermercado Carrefour na zona sul, BR-101, s/n - Lagoa Nova, Natal/RN, localizado a 700 metros do condomínio. Os materiais arrecadados são encaminhados às cooperativas de catadores parceiras do projeto para destinação correta. O programa também inclui a “Ação Merrecas” que tem como principal objetivo aumentar a participação no projeto incentivando a arrecadação e reciclagem de latas de alumínio, que por sua vez é o resíduo reciclável de maior ganho energético e sua troca possibilita o ganho de brindes/produtos ou crédito na conta de energia (NEOENERGIA, 2018). O programa conta também com um aplicativo chamado “Vale luz” e o cliente pode obter informações como: localização de pontos de troca, histórico de trocas, brindes/produtos disponíveis, crédito na conta de energia entre outros. A ação de EA pode corroborar para uma maior adesão dos moradores, visto que o retorno financeiro é um dos atrativos para a visão antropocêntrica. A segunda opção seria a destinação dos resíduos no ponto de coleta do Natal Shopping, que fica a 750 metros do condomínio ou mesmo na estação de reciclagem do Hipermercado Carrefour. A terceira opção seria a destinação dos resíduos recicláveis para a COOCAMAR, empresa contratada pela Prefeitura

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Municipal de Natal, por intermédio da URBANA. A cooperativa está implantada na área do transbordo provisório de Natal, localizado no bairro de Cidade Nova e o seu trabalho é feito exclusivamente com a coleta e triagem dos resíduos recicláveis para a comercialização. A COOCAMAR é a única cooperativa que atende o bairro de Candelária, esse atendimento acontece toda segunda-feira no período da tarde e as coletas são realizadas porta a porta, mas no caso de condomínios esses resíduos recicláveis são coletados na casa do lixo através de big bags que a empresa fornece.

Para desenvolver essa ação, serão necessárias campanhas de divulgação pelas mídias sociais de cartilhas e materiais explicativos para mostrar como será feita essa separação e incentivar os moradores para levarem os seus resíduos ao Carrefour ou fazerem doação às cooperativas ou para adesão ao programa Vale Luz. No que se refere aos materiais potencialmente perigosos (pilhas, baterias, medicamentos, lâmpadas etc) também deverão ser realizadas campanhas para divulgação dos riscos associados ao descarte incorreto e a forma adequada de destinação.

3.2.2 Consumo consciente

Objetivo: Envolver os moradores em ações visando à mudança de comportamento e incentivar por meio de suas escolhas cotidianas a consumir apenas o suficiente, repensando o seu consumo.

Planejamento: As ações devem ser pensadas para a redução do consumo no cotidiano, o que não significa parar de consumir, mas consumir de forma moderada. Mudar padrões de produção e consumo significa mudar hábitos, comportamentos, valores e cultura. É uma atividade que requer engajamento e perseverança e terá como ferramenta a medição da pegada ecológica de cada morador. A pegada ecológica é um indicador empregado internacionalmente e se aplica ao impacto do consumo humano, a partir do calculo da quantidade de terra biologicamente produtiva e área de água que são utilizadas para a obtenção dos recursos consumidos por uma população, como também a absorção dos resíduos gerados por ela (FASIABEN et al, 2011).

Ações principais: Elaborar oficinas e palestras para o trabalho de temas como o combate ao desperdício, uso racional e reuso dos recursos como: água, energia. Assim como o descarte consciente falando sobre o aproveitamento integral dos alimentos, compostagem e a reciclagem do óleo para a fabricação de sabão. Oficinas de troca inteligente orientando para a substituição de lâmpadas fluorescentes por LED, compras de alimentos orgânicos em

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substituição a alimentos convencionais, trocas de roupas e de cosméticos convencionais por naturais. Todas essas ações visando contribuir para um consumo mais consciente.

3.2.2.1 Não desperdice, reutilize!

Palestra com o objetivo de tratar de temas como: o uso racional da água, captação da água de chuva para fins não potáveis, como limpeza de áreas comuns, irrigação de jardins, descargas de vasos sanitários e etc, além de incentivar praticas para a diminuição do consumo de água. Palestras para o uso racional de energia mostrando como funcionam as bandeiras tarifárias de energia, e como alguns itens: ar condicionado, geladeira, chuveiro elétrico podem se transformar em vilões da economia.

3.2.2.2 Troca inteligente

Oficinas para orientar a substituição de lâmpadas fluorescentes por LED, mostrando que a troca gera benefícios ao meio ambiente, pois no caso da LED, além de ser reciclável, reduz o consumo de energia, não possui mercúrio na sua composição e tem longa durabilidade. Outra oficina seria para aconselhamento da substituição de alimentos convencionais por alimentos orgânicos, a oficina teria como intuito expor os benefícios que uma alimentação orgânica gera a saúde e ao meio ambiente.

3.2.2.3 Troca troca

O bazar de troca é uma solução sustentável e tem por objetivo a renovação do guarda-roupa sem apelar para o consumo desenfreado. Através de encontros que servem para conversas e dicas de renovação e reparo de peças, como também para o desapego de roupas em bom estado e acessórios que não estão tendo mais utilidade, mas ainda podem ser úteis para outros.

3.2.2.4 Faça você mesmo

Oficinas para a produção de produtos de limpeza naturais e itens de higiene pessoal que são menos agressivos ao meio ambiente em substituição aos convencionais que em sua composição possuem substâncias químicas e são mais agressivos ao meio assim como para a nossa saúde.

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3.2.2.5 Oficinas de descarte consciente

A ideia é divulgar informações sobre o descarte consciente através de oficinas de compostagem assim como da reciclagem do óleo de cozinha usado. Na oficina de compostagem a intenção é ensinar a fazer uma composteira caseira, com o objetivo de estimular o aproveitamento do resíduo orgânico, ao produzir um composto rico em nutrientes, que pode ser usado como adubo em jardins, hortas e canteiros. Com o óleo de cozinha usado, a proposta é fazer uma parceria com a ONG CEPAS (Centro de Promoção a Assistência Social) que desenvolve o Projeto Sabão Ecológico, para ministrar uma oficina ensinando como se faz a reciclagem do óleo de cozinha com a fabricação do sabão caseiro. O projeto teria como benefício mais um ponto de coleta do óleo de cozinha que seria no condomínio. Desta forma, as informações repassadas contribuiriam para minimizar o impacto ambiental e o recolhimento do óleo colaboraria na geração de renda familiar que é o intuito do projeto.

3.2.2.6 Oficinas de aproveitamento integral dos alimentos

A ideia é disseminar informações e conhecimento junto aos respondentes sobre a gestão dos resíduos orgânicos e informar sobre a importância de evitar o desperdício e aproveitar de forma integral alimentos que muitas vezes vão parar no lixo. A oficina tem como objetivo despertar o interesse e oferecer meios para tornar os participantes consumidores mais conscientes e responsáveis.

Sugere-se: O uso da rede social “Tem açúcar” (http://www.temacucar.com/) que facilita o empréstimo de objetos entre vizinhos e a colaboração nas vizinhanças. Além disso, você pode encontrar companhia para fazer exercício, ajudar a vizinhança, organizar encontros de vizinhos, trocar informações, compartilhar comida, oferecer carona e muito mais. Uma rede que contribui para uma economia colaborativa e o consumo consciente.

3.2.3 Cine ambiental

Objetivo: Sensibilizar os moradores quanto à problemática dos resíduos através de vídeos, documentários e filmes.

Parcerias: Circuito Tela verde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que possui grande acervo de curtas, Natal Shopping para exibição de filmes e documentários e o próprio condomínio cedendo o salão de eventos para essas exibições.

Estratégias e funcionamento: Utilizar o audiovisual como recurso didático, possibilitando que os moradores adquiram conhecimentos sobre diversas temáticas

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ambientais. A educação ambiental é o processo em que se constrói valores sociais, voltadas para a conservação do meio ambiente. O cinema é capaz de auxiliar na transformação de atitudes e valores das pessoas e, dessa forma, pode ser uma excelente ferramenta de disseminação da educação ambiental (FERREIRA; LIMBERGER, 2017).

Ações principais: Exibições de documentários como “A história das coisas” que apresenta as relações entre o consumo exagerado de bens materiais, e o impacto negativo que esse consumo causa no meio ambiente. “Minimalismo: um documentário sobre as coisas importantes” tem o intuito de provocar uma reflexão sobre o porquê como sociedade consumimos tanto. “The True Cost” documentário que tenta mostrar o problema da indústria da moda e o quão insustentável é esse sistema. O filme “Unravel” retrata como mulheres indianas trabalham reciclando 100 mil toneladas de roupas vindas do ocidente, transformando em cobertores, entre outras exibições com essa mesma temática.

Programação: A programação pode variar de acordo com a disponibilidade dos moradores.

3.2.4 Produção de conteúdo para redes sociais

Objetivo: Levar aos moradores conhecimento numa linguagem acessível, tornando viável e eficiente a divulgação de informações.

Ações principais: O ingresso nas redes sociais com um perfil no Instagram, um grupo no Whatsapp, uma página no Facebook, são ferramentas acessíveis e atrativas para o desenvolvimento de ações de EA, visto que a maioria dos respondentes tem como principal fonte de informação a internet. Através de ferramentas de agendamento de postagem diversos assuntos podem ser fornecidos, como: O que é compostagem, a diferença entre reutilização, reciclagem e reaproveitamento, reflexões sobre o consumo consciente, sustentabilidade, mudanças climáticas. Segundo Rodrigues e Colesanti (2008) o conteúdo visual, a música, o vídeo e o compartilhamento das informações devem ser um motor propulsor para a sensibilização e a identificação dos problemas ambientais.

Fonte de informações: Akatu (https://www.akatu.org.br/), Aneel (https://www.youtube.com/user/aneel) ou (https://www.aneel.gov.br/servicos), Separe. Não pare. (http://separenaopare.com.br/).

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3.2.5 Capacitações e visitas

Objetivo: Levar aos moradores conhecimento numa linguagem acessível e convidá-los a visitar locais importantes para o desenvolvimento das ações de EA.

Parceria: Buscar apoio com a Prefeitura Municipal do Natal para fornecimento do transporte ou com a UFRN através de algum projeto ou ação de extensão.

Ações principais: Desenvolver junto aos moradores capacitações no intuito de esclarecer a diferença de alguns conceitos da temática ambiental e realizar visitas ao Aterro Sanitário Metropolitano de Natal assim como em cooperativas de catadores no intuito de apresentar como são processados os resíduos e materiais e quais os benefícios associados a estes empreendimentos.

3.2.6 Agente ambiental

Objetivo: Formar agentes ambientais atuantes na manutenção do meio ambiente saudável, capacitando com informações referentes aos aspectos físicos e biológicos da comunidade onde estão inseridos.

Ações principais: Selecionar os moradores que desejam atuar como voluntários na formação de uma turma de agentes ambientais, para trabalhar na manutenção e na continuação dos projetos de EA. Desenvolver nos agentes a capacidade de autonomia na resolução dos problemas ambientais que surgirem no decorrer da implantação, através da consulta na legislação ou na busca de alternativas na literatura.

Ações de educação ambiental de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) podem ser categorizadas em quatro tipos, sendo eles: Tipo 1 (Informações objetivas), tipo 2 (Sensibilização/mobilização da comunidade diretamente envolvida), tipo 3 (Informação, sensibilização ou mobilização para o tema resíduos sólidos desenvolvidos em ambiente escolar) e tipo 4 (Campanhas e ações pontuais de mobilização). As ações de EA apresentadas neste trabalho são reconhecidas como do tipo 2 - Sensibilização/mobilização da comunidade diretamente envolvida, pois o programa visa ir além e incorporar um novo olhar ético sobre os direitos, responsabilidades e limites de cada pessoa.

Segundo Layargues (2002), a questão do lixo vem sendo apontado pelos ambientalistas como um dos mais graves problemas ambientais, sendo necessária a percepção do gerenciamento integrado dos resíduos sólidos e não somente a instalação de um programa de educação ambiental reducionista. Deve se trabalhar acerca dos valores culturais da

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sociedade de consumo, do consumismo, do modo de produção capitalista e dos aspectos políticos e econômicos da questão do lixo.

O diagnóstico de educação ambiental em resíduos sólidos realizado pelo IPEA (2012) ao tratar do tema relativo à educação ambiental atrela o sucesso dos projetos as metodologias que se fundamentaram em ações de sensibilização e mobilização o que acarreta em apoio da população e continuidade das práticas.

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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados permitiram observar que a percepção do termo meio ambiente definida pelos moradores ainda privilegia basicamente a visão antropocêntrica, relacionando os termos a utilidade do ambiente natural para os seres humanos. O levantamento das concepções permitiu a elaboração de ações de EA mais direcionadas na resolução dos problemas encontrados. Sendo possível a identificação da necessidade de se trabalhar na sensibilização dos moradores para o desenvolvimento de uma afinidade emocional com as questões ambientais, diminuindo a falta de interesse com relação a esse tema e enfatizando a interdependência do ser humano com o ambiente natural.

A proposta buscou trazer uma contribuição no processo pelo desenvolvimento sustentável, incentivando novas ideias e formas de participação da sociedade no gerenciamento de seus resíduos, sensibilizando e mostrando oportunidades, que aparentemente são simples, mas quando bem executadas, proporcionam um ganho real para à sociedade.

Assim, a partir da análise foi elaborado um conjunto de ações de EA visando contribuir para o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos e para o consumo consciente. Nas ações de EA propostas, estão descritas as estratégias e funcionamentos para a implementação do programa, tendo como foco tornar os condôminos responsáveis na resolução desses problemas ambientais e para que também tomem consciência da importância da coleta seletiva para a geração de renda. É importante considerar que, como é um estudo exploratório, a generalização dos resultados para todo o condomínio não é possível.

4.1 Recomendações para estudos futuros

A aplicação de um novo questionário após a implementação das ações de EA, com o objetivo de analisar se houve mudança de hábitos. Assim como a utilização de outras técnicas que possibilitem acessar as representações ambientais, através de fotografias, narrativas, atividades lúdicas entre outros.

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REFERÊNCIAS

ALENCASTRO, M. S. C; SOUSA-LIMA, J. S. EDUCAÇÃO AMBIENTAL: breves considerações epistemológicas. Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade. Ed. Especial, v. 7, n. 3, p. 601-629, 2014. Disponível em:

https://www.researchgate.net/profile/Jose_De_Souza_Lima2/publication/325429929_EDUC ACAO_AMBIENTAL_BREVES_CONSIDERACOES_EPISTEMOLOGICAS/data/5b0db44 f4585157f87222978/2015-Educacao-Ambiental-consideracoes-epistemologicas.pdf . Acesso em: 22 nov.2019.

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Referências

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