INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
CURSO DE PÓSGRADUAÇÃO EM GEOLOGIA
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
LEVANTAMENTO E ZONEAMENTO BATIMÉTRICO DAS ASSEMBLÉIAS
DE FORAMINÍFEROS DA PLATAFORMA E DO TALUDE CONTINENTAIS
DO MUNICÍPIO DE CONDE, BAHIA
SONIA MARIA CAVALCANTI FIGUEIREDO
SALVADOR, BA.
2010
LEVANTAMENTO E ZONEAMENTO BATIMÉTRICO DAS ASSEMBLÉIAS
DE FORAMINÍFEROS DA PLATAFORMA E DO TALUDE CONTINENTAIS
DO MUNICÍPIO DE CONDE, BAHIA
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Geologia, Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Geologia.
Orientadora: Profa. Dra. Altair de Jesus Machado Co-orientadora: Profa. Dra. Tânia Maria F. Araújo Área de concentração: Geologia Marinha, Costeira e Sedimentar
SALVADOR, BA.
2010
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F475 Figueiredo, Sônia Maria Cavalcanti.
Levantamento e zoneamento batimétrico das assembléias de foraminíferos da plataforma continental do Município de Conde, Bahia / Sônia Maria Cavalcanti Figueiredo. - Salvador, 2010.
125f. + anexos : il.
Orientadora: Profa. Dra. Altair de Jesus Machado.
Dissertação (mestrado em geologia) – Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia, 2010.
1. Sedimentos marinhos – Conde (BA.). 2. Foraminíferos. 3. Biologia costeira. I. Machado, Altair de Jeusus. II. Universidade Federal da Bahia. Instituto de Geociências. III. Título.
CDU: 551.351(813.8)
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Elaborada pela Biblioteca Shiguemi Fujimori, Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia.
LEVANTAMENTO E ZONEAMENTO BATIMÉTRICO DAS ASSEMBLÉIAS
DE FORAMINÍFEROS DA PLATAFORMA E DO TALUDE CONTINENTAIS
DO MUNICÍPIO DE CONDE, BAHIA.
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Geologia, Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Geologia.
Aprovada em: 09 de Dezembro de 2010.
Banca Examinadora
Altair de Jesus Machado – Orientadora_________________________________________ Doutora em Geociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Tânia Maria F. Araújo – Co-Orientadora________________________________________ Doutora em Geologia Marinha Costeira e Sedimentar pela Universidade Federal da Bahia.
Maria Antonieta da Conceição Rodrigues_______________________________________ Doutora em Geociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Dedico esta realização a Deus e às minhas filhas.
Agradeço às minhas orientadoras, Prof. Dra. Altair de Jesus Machado e Prof. Dra. Tânia Maria Fonseca Araújo por dividirem comigo seus preciosos conhecimentos, pela orientação na realização deste trabalho e por me apoiarem nos momentos difíceis desta trajetória.
À grande amiga Prof. Dra. Helisângela Acris Araújo do Nascimento pelos longos anos de companheirismo e valiosas contribuições em todas as etapas deste trabalho.
Aos membros da banca pela disponibilidade e contribuições fornecidas ao trabalho.
Ao Prof. Dr. José Maria Landim Dominguez e ao Laboratório de Estudos Costeiros (LEC) da UFBA pelo fornecimento das amostras.
À Dra. Maria Antonieta da Conceição Rodrigues da Faculdade de Geologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, pela confecção das fotomicrografias;
Aos funcionários do CPGG e do departamento de Sedimentologia do Instituto de Geociências da UFBA pelo auxílio prestado. Em especial ao Nilton Almeida Santos pelo apoio administrativo e paciência.
Aos professores doutores Augusto Minervino, Marcelo Lima e Simone Moraes pelas contribuições. Aos queridos colegas Acácio, Adelino, Amanda, Bruno, Carlos, Carolina, Fabiana, Ivan, Marcus, Morgana, Rita, Ruth e Thiago pelas colaborações e momentos de descontração. Às queridas amigas Helen, Luciana, Mércia, Priscila, Rosali e Sandra, pelo carinho e efetiva participação em minha vida.
Às pérolas que Deus me confiou Stephany e Winnie por me apoiarem e entenderem os momentos de ausência. À minha mãe e irmãos que mesmo distantes estão sempre presentes me dando força para prosseguir.
Estudo desenvolvido na plataforma e talude continentais da região norte do Estado da Bahia, no Município de Conde, especificamente na área compreendida entre a desembocadura dos rios Itariri (37º30’12”W e 37º20’42”W) e Itapicuru (11º50’38”S e 11º40’12”S) visa compreender o padrão de distribuição batimétrica das assembléias de foraminíferos desta área. Analisando-se 25 amostras de sedimento superficial do fundo da plataforma e talude continentais, identificou e definiu assembléias de foraminíferos presentes nesta parte da margem continental brasileira, tendo como base a profundidade, a sedimentologia e a hidrodinâmica local. Foram isolados 7333 espécimes e identificados 267 espécies, nas amostras do sedimento da superfície do fundo, as quais representam 64 gêneros, 34 subfamílias, 38 famílias, 23 superfamílias e 8 ordens de foraminíferos com predomínio de espécies bentônicas sobre as planctônicas. As espécies dominantes na área são Quinqueloculina lamarckiana, Amphistegina lessonii, Archaias angulatus, Amphistegina gibbosa e Peneroplis carinatus o que indica ambiente de plataforma tropical de águas quentes e rasas. Além destas, 17 espécies tiveram distribuição regular ao longo da plataforma e talude continentais, sendo estas: Articulina mucronata, Cibicides pseudoungerianus, Cibicides refulgens, Elphidium poeyanum, Eponides repandus, Poroeponides lateralis, Pyrgo subsphaerica, Quinqueloculina angulata, Quinqueloculina auberiana, Quinqueloculina bicostata, Quinqueloculina polygona, Quinqueloculina pricei, Quinqueloculina sp1, Siphonina pulchra, Textularia cônica, Textularia keribaensis e Triloculina lutea. Os maiores índices de diversidade foram encontrados na plataforma externa e talude, que representam habitats mais favoráveis ao estabelecimento de espécies devido à menor oscilação nos fatores abióticos. Análise do grau de preservação das testas indica domínio de testas com abrasão sugerindo que foram submetidas a deslocamento por saltação, tração ou arrasto. A observação de coloração das testas evidencia a dominância de testas brancas o que permite inferir baixo suprimento de ferro ou sedimentação rápida com freqüente adição de testas. A fração granulométrica areia foi dominante em 80% das amostras seguida pelas frações cascalho e lama, não apresentando padrão característico destas frações em função da batimetria.
This study was conducted in the northern state of Bahia, in the municipality of Conde, specifically the area between the mouths of rivers Itariri (37 ° 30'12 "W and 37 ° 20'42" W) and Itapicuru (11 ° 50'38 "S and 11 º 40 '12 'S). By analyzing 25 superficial sediment’s samples from the bottom of the continental shelf and slope were able to identify and define foraminiferal assemblages present in this part of the Brazilian continental margin, based on depth, hydrodynamics and sedimentology site. 7333 specimens were isolated and identified 267 species in samples of sediment from the bottom surface, which represent 64 genera, 34 subfamilies, 38 families, 23 superfamilies and 8 orders of foraminifera species prevailed on benthic plankton.The dominant species in the area are Quinqueloculina Lamarckian, Amphistegina lessonii, Archaias angulatus, Amphistegina gibbosa and Peneroplis carinatus. Besides these, 17 species were regularly distributed along the
continental shelf and slope, these being: Articulina mucronata, Cibicides
pseudoungerianus, Cibicides refulgens, Elphidium poeyanum, Eponides repandus, Poroeponides lateralis, Pyrgo subsphaerica, Quinqueloculina angulata, Quinqueloculina auberiana, Quinqueloculina bicostata, Quinqueloculina Polygona, Quinqueloculina pricei, Quinqueloculina sp1, Siphonina pulchra, Textularia conica, Textularia keribaensis and Triloculina lutea. The highest diversity indices were found in the outer shelf and slope. Analysis of the degree of preservation of domain foreheads indicating foreheads with abrasion and the observation of color brows shows the dominance of white brows. The sand particle size fraction was dominant in 80% of the samples, followed by gravel and mud fractions, showing no characteristic pattern of these fractions as a function of bathymetry.
Figura1. Quadro representativo com a zonação das espécies restritas a determinados níveis batimétricos nas diferentes áreas da plataforma da costa brasileira. Fonte: Madeira-Falcetta (1974)... 8
Figura 2. Faixas de salinidade da água e ambientes característicos, segundo Boltovskoy et al. (1980)... 9
Figura 3. Delimitação da área de estudo, localizada na plataforma continental entre os rios Itariri e Itapicuru, litoral norte do Estado da Bahia... 13
Figura 4. Unidades Geológicas - Geomorfológicas presentes na região de Conde. Modificado de Dominguez et al., (1999). Fonte: Minervino Neto (2002)...
Figura 5. Posição das amostras na área de estudo, localizada na plataforma continental entre os rios Itariri e Itapicuru, litoral norte do Estado da Bahia. ...
15
18
Figura 6. Quadro com descrição das categorias de preservação das testas... 20
Figura 7. Percentuais das frações granulométricas nas amostras do estudo... 25
Figura 8. Percentuais das variações da fração areia nas amostras do estudo... 26
Figura 9. Localização das amostras de sedimento e distribuição das frações granulométricas cascalho (>2mm), areia (2mm – 0,062) e lama (<0,062)... 29
Figura 10. Percentuais das espécies segundo critério de classificação de abundância relativa (Dajoz, 1983)... 70
Figura 11. Percentuais das espécies principais e acessórias, segundo (Dajoz,1983) ... 71
abundância relativa superior a 5% na respectiva amostra (Dajoz, 1983)... 73
Figura 13. Espécies encontradas na plataforma média que apresentaram abundância relativa superior a 5% na respectiva amostra (Dajoz, 1983)... 75
.Figura 14. Espécies encontradas na plataforma externa que apresentaram
abundância relativa superior a 5% na respectiva amostra (Dajoz, 1983)... 77
Figura 15. Espécies encontradas no Talude que apresentaram abundância relativa superior a 5% na respectiva amostra (Dajoz,1983)... 79
Figura 16. Percentuais das espécies constantes, acessórias e acidentais, segundo Dajoz (1983)... 81
Figura 17. Índice de Riqueza (R), Diversidade (H’) e Equitatividade (J’) nas amostras analisadas... 82
Figura 18. Percentuais das espécies bentônicas e planctônicas nas amostras por nível batimétrico... 83
Figura 19. Quadro com distribuição das espécies planctônicas nas amostras... 84
Figura 20. Percentuais das testas coloridas presentes nas amostras... 85
Figura 21. Localização das amostras de sedimento e gráficos que indicam a proporção das testas coloridas... 86
Figura 22. Percentuais das testas quanto ao grau de preservação, presentes nas amostras e agrupadas por nível batimétrico... 87
quanto ao grau de preservação ... 89
Figura 24. Associações sedimentológicas das amostras, considerando o cálculo do coeficiente de similaridade de Bray- Curtis... 91
Figura 25. Associações faunística das amostras, considerando o cálculo do coeficiente de similaridade de Bray- Curtis... 93
Figura 26. Associação das amostras a partir dos dados de frequência relativa das espécies constantes... 95
Figura 27. Distribuição das espécies constantes por intervalos batimétricos, a partir dos percentuais médios de abundância absoluta de cada táxon. Plataforma Interna (PI), Plataforma Média (PM), Plataforma Externa (PE) e Talude (TL)... 103
Figura 28. Ocorrência das espécies planctônicas por nível batimétrico. Plataforma Interna (PI), Plataforma Média (PM), Plataforma Externa (PE) e Talude (TL)... 106
Figura 29. Predominância de testas coloridas (A) e dos graus de desgaste nos diferentes níveis batimétricos (B)... 107
1 INTRODUÇÃO... 1
1.1 Objetivos... 3
2 FATORES ECOLÓGICOS IMPORTANTES NA DISTRIBUIÇÃO DOS FORAMINÍFEROS... 4 2.1. Temperatura... 4 2.2. Profundidade/batimetria... 7 2.3. Salinidade... 9 2.4. Substrato... 10 3 ÁREA DE ESTUDO... 13 3.1 Área Emersa... 14 3.2 Área Submersa... 16 4 METODOLOGIA... 17 4.1. Campo... 17 4.2. Laboratório... 18
4.3. Tratamento dos dados... 21
4.3.1. Abundância relativa das espécies... 21
4.3.2. Frequência de ocorrência (constância das espécies)... 21
4.3.3. Índices de diversidade, riqueza e equitatividade... 22
4.3.4. Análises multivariadas... 23 5 RESULTADOS... 25 5.1. Análise granulométrica... 25 5.2. Classificação sistemática... 30 iv
5.2.2.1 Plataforma interna... 72
5.2.2.2 Plataforma média... 74
5.2.2.3 Plataforma externa... 76
5.2.2.4 Talude continental... 78
5.2.3 Frequência de ocorrência.(FO)... 80
5.2.4. Índices de riqueza, diversidade e equitatividade... 81
5.2.5. Relação bentônicos/planctônicos... 82
5.2.6. Coloração e estado de preservação das testas... 84
5.2.7. Análise multivariada... 90
5.2.7.1 Associação sedimentológica... 90
5.2.7.2 Associação faunística... 92
5.2.7.3 Associação das amostras... 94
6 DISCUSSÃO... 96
7 CONCLUSÃO... 108
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 111 9 APÊNDICE.
9.1 Tabelas
Tabela I: Coordenadas geográficas e níveis batimétricos
Tabela II: Parâmetros texturais do sedimento: percentuais de cascalho, areia e lama nas amostras estudadas;
Tabela III: Percentuais da Fração Areia;
Tabela IV: Dados de Abundância Absoluta (AA) e Abundância Relativa (AR);
Relativa (AR) das espécies, na área estudada;
Tabela VI: Variação dos parâmetros analisados em cada amostra N= nº de indivíduos; S= Número de espécies;H'= Índice de Diversidade; R= Riqueza e J'= Equitatividade;
Tabela VII: Preservação das testas (%);
Tabela VIII: Coloração das testas(%);
Tabela IX: Dados de Abundância Absoluta (AA) das Espécies Constantes (FO > 50%) por nível batimétrico
Tabela X : Dados de Abundância Relativa (AR) das Espécies Constantes (FO > 50%) por nível batimétrico
9.2 Estampas
Nas últimas décadas têm sido realizados esforços no sentido de caracterizar diferentes trechos da margem continental brasileira, com base na distribuição das comunidades biológicas. Kempf (1970), estudando o sedimento e sua população biológica na plataforma continental de Pernambuco, delimitou diferentes faixas batimétricas, tendo como limite a profundidade de 35-40 m. Em trabalho posterior, Carannante et al. (1988), baseados no estudo das associações carbonáticas e nos parâmetros ambientais, dividiram a plataforma continental brasileira em três zonas, com base no predomínio de diferentes organismos no sedimento.
Estes estudos confirmam a importância dos organismos na caracterização do ambiente marinho. Como componentes importantes deste ecossistema, os foraminíferos também têm sido utilizados com frequência em estudos desta natureza, sobretudo pela elevada diversidade e distribuição do grupo, facilidade de coleta e armazenamento e sensibilidade a alterações nos fatores físico-químicos. Segundo Murray (1991), determinados gêneros de foraminíferos mostram padrões de distribuição relacionados a ambientes específicos, controlados por salinidade, profundidade, temperatura e tipo de substrato. Alterações nesses fatores são refletidas pelos foraminíferos, através de variações quali-quantitativa das espécies e alterações morfológicas.
O reconhecimento da larga aplicação e importância do grupo tem fortalecido seu uso em trabalhos taxonômicos (Carvalho et al., 1999; Oliveira-Silva et al. 1999) e ambientais (Sanches et al., 1995; Machado, 1995; Machado, 1997; Nascimento, 2003; Moraes, 2001; Araújo, 2004, Moraes, 2006). Dentre os estudos ambientais merecem destaque aqueles que utilizaram os foraminíferos como ferramenta para delimitar zonas batimétricas da
margem continental. Madeira-Falcetta (1977) identificou espécies bentônicas
características de diferentes zonas geográficas e batimétricas da costa brasileira, desde o Arroio Chuí (RS) ao Rio Oiapoque (AP). Araújo (2004), estudando a microfauna de foraminíferos da plataforma continental do nordeste do Estado da Bahia, identificou espécies e relacionou a abundância destas com a profundidade. Os gêneros mais abundantes foram Amphistegina e Archaias, o que permitiu caracterizar a área como de ambiente de plataforma tropical de águas quentes e rasas, de baixas latitudes. A mesma autora relata que a distribuição batimétrica de formas vivas da Amphistegina lessonii
atinge o máximo de 129 m e da Archaias angulatus o máximo de 45 m, por serem herbívoras e possuírem simbiontes. Contudo, a profundidade máxima em que formas mortas dessas espécies foram encontradas, neste estudo, foi 300 m e 60 m, respectivamente. Esses mesmos gêneros também se mostraram abundantes na reserva biológica do Atol das Rocas, onde Archaias angulatus foi considerada a espécie dominante devido a sua frequência elevada (69%) e presença em todas as amostras. Além de Archaias angulatus, apenas Amphistegina lessonii, Sorites marginalis e Triloculina subrotunda atingiram frequência superior a 2% (Machado & Souza, 1994).
Além da distribuição das espécies, a diferença na proporção de formas bentônicas e planctônicas também pode ser utilizada para determinar zonas batimétricas. Segundo Boltovskoy & Wright (1976), o aumento da profundidade, muda a relação entre a composição de foraminíferos bentônicos e planctônicos, com aumento gradual de formas planctônicas e redução das bentônicas.
Tendo em vista a importância desses organismos nas investigações ambientais, e buscando maior clareza para o leitor, apresentaremos inicialmente os objetivos almejados com este estudo. Será feita uma breve descrição de alguns dos principais fatores ecológicos que interferem na distribuição dos Foraminíferos, ressaltando temperatura, batimetria, salinidade e substrato. Na continuidade, haverá sumária caracterização das áreas emersa e submersa do Município de Conde, Bahia, salientando a localização dos pontos amostrais na plataforma continental. Serão explicados os procedimentos de campo e das análises laboratoriais, os critérios de observação de coloração e de desgaste das testas, e de que forma os dados obtidos foram utilizados na determinação da abundância, constância, diversidade, riqueza e equitatividade das espécies identificadas. Em seguida, estarão descritos os resultados de todas as análises que serão discutidas no capítulo subsequente. Por fim, as conclusões desta obra de investigação.
1.1 OBJETIVOS
Considerando a relevância do estudo dos foraminíferos na caracterização de ambientes marinhos, e constatada a carência de estudos sobre a distribuição dos foraminíferos bentônicos, assim como a relação de suas associações específicas com a profundidade na área da plataforma continental do Município de Conde, este trabalho visa descrever o padrão de distribuição batimétrica das assembléias de foraminíferos desta área.
Para alcançar estes objetivos foi preciso:
1. Identificar as espécies de foraminíferos encontradas no sedimento superficial de fundo;
2. Determinar a ocorrência, abundância, estado de preservação e coloração dos foraminíferos;
3. Caracterizar as assembléias de foraminíferos presentes em diferentes batimetrias.
4. Comparar o zoneamento das assembléias de foraminíferos encontrado na área de estudo, com os zoneamentos realizados em áreas afins, para determinação de assembléias indicadoras batimétricas.
A realização desse estudo poderá servir como subsídio para futuros projetos de
monitoramento ambiental realizados na área de estudo. Portanto, esse trabalho ampliará o conhecimento sobre a distribuição dos foraminíferos na plataforma continental do Estado da Bahia e fornecerá dados para futuros estudos ambientais nesta área ou em áreas correlatas.
2 FATORES ECOLÓGICOS IMPORTANTES NA DISTRIBUIÇÃO DOS FORAMINÍFEROS
A distribuição dos organismos é vinculada a diversos parâmetros físico-químicos tais como, temperatura, salinidade, profundidade, tipo de substrato, alimentação, luminosidade, microelementos, turbidez da água, pH, oxigênio e carbonato de cálcio. No caso dos foraminíferos, os fatores que mais comumente influenciam as espécies bentônicas são: temperatura, salinidade e natureza do substrato. Para os foraminíferos planctônicos, os principais fatores são: quantidade do fitoplâncton, temperatura, salinidade e turbidez da água. Existem, no entanto, interdependências entre vários desses fatores como a penetração da luz, por exemplo, que é maior nas camadas superficiais, diminuindo com o aumento da profundidade e grau de transparência da água, enquanto que a pressão, por exemplo, é diretamente proporcional à profundidade. Esses fatores influenciam a distribuição dos foraminíferos, uma vez que algumas espécies que ocorrem em águas rasas quando submetidas a pressões elevadas morrem, enquanto outras toleram bem, o que demonstra que a adaptação a diferentes fatores ecológicos varia de espécie para espécie.
A maioria dos fatores ecológicos atua desde áreas costeiras até grandes profundidades com exceção da pressão e iluminação. Esses e outros fatores ecológicos serão enumerados e comentados a seguir, a partir da análise de alguns exemplos citados na literatura que demonstram o quão importantes são para a distribuição da vida, em especial, a dos foraminíferos.
2.1 TEMPERATURA
A temperatura é um fator importante para a manutenção da vida. Cada espécie tem seu limite de tolerância e uma temperatura ótima na qual pode crescer e reproduzir-se. É um fator ecológico que delimita a distribuição dos organismos, com consequente formação de províncias biogeográficas: formas de águas equatoriais (maior que 25°C), tropicais (20 e 25°C), temperadas (10 e 15°C) e formas de zonas polare s (menor que 10°C).
Culturas de foraminíferos podem ter sua resposta a diferentes temperaturas monitoradas em laboratório, assim podem-se indicar tolerâncias e ótimos de temperatura para
sobrevivência, desenvolvimento e reprodução destes organismos. Assim, Bradshaw (1961) realizou experimentos com espécies de foraminíferos e determinou a temperatura máxima que pode ser tolerada por algum período de tempo. Por exemplo, Ammonia tepida não sobrevive à temperatura de 45°C; Bolivina compacta morre a 41°C; Spirilina vivípara não suporta temperaturas maiores que 38°C; Rosalina columbesis não sobrevive a 38,5°C; assim como Bolivina vaughani morre aos 37,5°C. Em temperatura ligeiramente inferior os espécimes podem sobreviver por um longo período de tempo, mas eventualmente morrem.
Petri & Suguio (1971) apontam a relação existente entre o tempo de formação de uma geração da Ammonia tépida e a temperatura, observada em estudo controlado, em que o intervalo de tempo entre o nascimento do indivíduo e o da sua prole é acelerado ou retardado, variando de 88 dias, numa temperatura de 20°C, até 33 dias, à temperatura de 30°C.
A temperatura também interfere na distribuição das espécies, possivelmente devido ao fato de sua oscilação na água do mar ser maior próximo à superfície do que em profundidades. Os foraminíferos planctônicos, por exemplo, por serem organismos que vivem na coluna d’água, tendem a sofrer maior influência dessas oscilações (Boltovskoy & Wright, 1976). Portanto, a temperatura influi na distribuição horizontal ou geográfica, possibilitando a distinção de associações típicas de várias zonas climáticas, apesar das correntes oceânicas poderem carregar o plâncton passando por zonas de diferentes temperaturas.
Boltovskoy (1965) apresenta um quadro com a distribuição dos foraminíferos planctônicos no Oceano Atlântico, no qual as espécies abundantes em baixas latitudes são a Globorotalia menardii, G. tumida e Pulleniatina obliquiloculata e, as menos abundantes, Globigerina eggeri e Globigerinoides sacculifer. A espécie Globigerina pachyderma é abundante tanto em latitudes médias quanto em altas. Outras espécies são abundantes em latitudes médias e raras em latitudes baixas, como a Globigerina bulloides, G. inflata, Globorotalia hirsuta, G. scitula e G. truncatulinoides. Por fim, há espécies cosmopolitas, como a Globigerinella aequilateralis, Globigerinita glutinata, Globigerinoides conglobatus, Orbulina universa e Globigerinoides ruber.
A temperatura pode interferir não só na distribuição, mas também em características físicas dos foraminíferos, entre elas o enrolamento das testas para a direita (destrógiro) ou para a esquerda (levógiro). O enrolamento do tipo destrógiro é comum nas faunas de águas tropicais, e o enrolamento levógiro caracteriza a fauna de águas frias (Boltovskoy, 1959). Camacho (1974) mostra que as populações do gênero Globigerina evidenciam enrolamento levógiro em regiões árticas e antárticas, enquanto que nas regiões temperadas e tropicais são destrógiras. De acordo com Kennett & Huddlestun (1995), as espécies Globigerina pachyderma e Globoquadrina pachyderma exibem enrolamento para a direita, mas 90% dos espécimes apresentam enrolamento para a esquerda em águas com temperaturas inferiores a 8ºC.
Outro padrão de variação morfológica em função da temperatura é observado na espécie Neogloboquadrina pachyderma. Em águas frias as testas dessa espécie apresentam-se tubulares e, em águas quentes, as testas apresentam-se em espiral (Kucera & Kennett, 2000).
Bé (1968 apud Boltovskoy, 1976) observou correlação entre a temperatura da água e a quantidade e espaçamento dos poros de espécies planctônicas, concluindo que espécies que vivem em águas tropicais exibem 20% de porosidade e, as de águas polares, apresentam apenas 5%. Uma explicação para essa correlação seria a capacidade de flutuação, ou seja, espécimes que vivem em águas quentes devem compensar a baixa densidade da água para manter sua flutuação.
Os foraminíferos, como grupo, estão presentes desde as lagunas tropicais e as pequenas poças d’água deixadas pela maré em que a temperatura pode subir a 43°C, até as regiões com a presença de gelo no mar, em que a temperatura pode chegar a -2°C (Sen Gupta et al,1982). No entanto individualmente, as espécies são bem mais específicas quanto à tolerância à temperatura.
Segundo Boltovskoy (1965), a relação entre temperatura e a distribuição vertical das espécies, é um estudo mais complexo, pois é difícil distinguir se o decréscimo na temperatura com a profundidade é a principal causa da distribuição batimétrica ou se outros fatores controladores da profundidade são dominantes. O mesmo autor sugere que a temperatura é um dos principais fatores que controlam a distribuição de profundidade.
Entretanto, existem casos em que a profundidade parece ter maior influência do que a temperatura, visto que vários gêneros vivem em águas de temperaturas muito diferentes, mas sempre na mesma profundidade.
2.2 PROFUNDIDADE / BATIMETRIA
A influência da profundidade sobre a distribuição dos foraminíferos é difícil de ser avaliada, devido à sua interrelação com outros fatores como a temperatura, luz, pressão, quantidade de oxigênio e de carbonato de cálcio, entre outros. O aumento da profundidade leva ao aumento da pressão, à diminuição da penetração da luz, à
diminuição da temperatura e ao aumento na pressão parcial do CO2 elevando a
solubilidade do carbonato de cálcio (CaCo3). Em profundidades que estejam abaixo do
ponto de compensação do carbonato, pode haver fragmentação das testas, afinamento das câmaras, ou ainda a dissolução da parede externa.
Segundo Boltovskoy & Wright (1976), as espécies bentônicas dominam em águas rasas e as planctônicas em zonas mais profundas. As condições ótimas para os foraminíferos bentônicos ocorrem em profundidades de 150 a 300 metros, onde é encontrado um número máximo de espécies. Enquanto espécies planctônicas são pouco tolerantes a ambientes instáveis como áqueles próximos a costa.
No caso dos foraminíferos planctônicos, após sua morte, as testas sofrem deslocamento horizontal somente nos primeiros 100 metros, tendo uma trajetória vertical a partir daí. Isso significa que as testas presentes nos sedimentos refletem as condições ambientais das águas superiores e que as percentagens de planctônicos encontradas em faunas fósseis podem fornecer indicações quanto a profundidade original da água, a localização da linha de praia e, às vezes, a presença de ilhas oceânicas (Camacho,1974; Hilbrecht, 1996).
Um importante estudo sobre os foraminíferos bentônicos da costa brasileira, desde o Arróio Chuí (RS) ao Rio Oiapoque (AP) foi realizado por Madeira- Falcetta (1977). A maior parte da área estudada compreende a região tropical ou quente e somente a parte sul abrange a região temperada. Essas zonações geográficas podem mostrar influências de
correntes frias ou quentes o que reflete na fauna de foraminíferos e, conseqüentemente, limitações em termos de distribuição geográfica e batimétrica. Considerando a latitude de 23°S como a linha divisória entre as áreas norte e sul, observa-se que existem dois grandes grupos de espécies restritas a cada uma das áreas e um terceiro grupo de espécies cosmopolitas que ocorre em ambas as áreas (Figura 1).
Plataforma interna (até 75m) Plataforma média (até 100m) Plataforma externa (até 100 a 150m) Espécies cosmopolitas
Spiroloculina subimpressa Ammonia pauciloculata Bulimina marginata Bulimina patagonica Elphidium depressulum Fursenkoina pontoni Quinqueloculina aragwnathi Cassidulina crassa Cibicides mundulus Lenticulina clerecii Marginulina bacheii Marginulina subulata
Grupo Norte Amphisorus hemprichii Articulina mucronata Articulina paucicostata Dentotosmina enoplostoma Elphidium oweianum Elphidium sagrum Neoalveolina pulchra Nodobaculariella cassis Peneroplis discoideus Pyrgo tainanensis Quinqueloculina polygona
Grupo Sul Bulimina gibba
Nonionella turgida Recurvoides contortus Lagena aspera
Cornuspira foliacea Textularia calva
Figura 1. Zonação das espécies restritas a determinados níveis batimétricos nas diferentes áreas da plataforma da costa brasileira.
2.3 SALINIDADE
A salinidade é outro fator limitante na distribuição dos organismos marinhos, fazendo com que o conjunto de organismos nas áreas de águas marinhas e salobras sejam bastante distintos entre si.
Segundo Boltovskoy et al. (1980), as faixas de salinidade caracterizam os tipos de ambientes (Figura 2). Salinidade (ups) Tipo de Ambiente 40 – 75 Hiperhalino 30 – 40 Euhalino 18 – 30 Hipohalino-Mixohalino 0,5 – 18 Hipohalino-Salobro < 0,5 Doce
Figura 2. Faixas de salinidade da água e denominação dos ambientes característicos. Fonte: Boltovskoy et al. (1980).
A tolerância dos foraminíferos às variações de salinidade vai depender da espécie e do seu modo de vida. As espécies planctônicas são muito sensíveis às mudanças de salinidade, sendo encontradas em águas com salinidade de 34 a 36, embora sejam capazes de tolerar de 33 a 40 de salinidade. Entre os bentônicos estão as formas que suportam maior variação de salinidade (Boltovskoy & Wright, 1976).
Como dito anteriormente, a distribuição dos foraminíferos de águas profundas é influenciada pela batimetria, associada a temperatura e a pressão. Enquanto que os foraminíferos de águas rasas, principalmente de planícies costeiras, são diretamente condicionados pela salinidade e, secundariamente, por outros fatores. Assim, determinadas formas de foraminíferos são muito mais tolerantes a variações de salinidade do que outras, como os gêneros aglutinantes Miliammina, Trochammina e Jadamina e os calcários Rotalia, Elphidium, Nonion e os miliolídeos (Boltovskoy & Wright, 1976).
As espécies aglutinantes e algumas formas calcárias, como os gêneros Ammonia, Elphidium e Nonion são tolerantes à condições de baixas salinidades (Murray, 1991). Levy (1971 apud Bock, 1975) descreve cinco subzonas de litoral tendo por base a salinidade e fauna característica. Neste estudo a espécie Ammonia becari var. tepida se mostra dominante tanto em ambiente hipo quanto hipersalinos em contraste a outras espécies, como Quinqueloculina seminulum, que se adapta bem em ambientes com salinidade entre 18 e 30.
Apesar dos exemplos supracitados, Bradshaw (1955, 1961) constatou que as taxas de reprodução, de crescimento e de alimentação vão sendo progressivamente retardadas a depender do teor de sais no ambientes.
2.4 SUBSTRATO
O substrato constitui um fator ecológico importante para os foraminíferos bentônicos que vivem sobre ou dentro do sedimento. As espécies de foraminíferos aglutinantes, através de seus pseudópodos, retiram partículas do substrato que são utilizadas para a construção de suas testas (Boltovskoy, 1965).
A maioria dos foraminíferos são membros da endofauna (Murray, 1991). O tamanho das partículas sedimentares, a profundidade até onde se prolonga a camada superficial óxica e a quantidade de alimento, constituído por bactérias e detritos orgânicos, condicionam a vida destes organismos no interior do sedimento. Verifica-se que ocorre, em geral, uma diminuição da abundância de foraminíferos vivos, alguns centímetros abaixo da superfície. Contudo, vários estudos demonstraram que os mesmos podem sobreviver, por vezes em grande número, até 9-16 cm abaixo da interface água-sedimento (Buzas, 1974).
Phleger (1976) estudou a distribuição dos foraminíferos de águas rasas em fundos rochosos e arenosos. Como resposta, encontrou diferenças no tamanho das populações nos diferentes substratos. Em algumas profundidades, ocorre uma maior produção sobre os fundos rochosos do que sobre os arenosos. As principais diferenças entre as populações e o substrato ocorreram em águas mais rasas que 10 ou 12 metros. A ação efetiva das ondas, explica as diferenças quantitativas das faunas em ambientes mais
rasos que 30m entre as grandes populações de fundo rochoso e as menores populações de fundo arenoso. Entretanto, este estudo ao fazer comparações das assembléias destes organismos em variados substratos, mostrou que existem foraminíferos, principalmente espécies de Buccella, Buliminella e a família Elphididae, que vivem preferencialmente sobre os fundos arenosos mais turbulentos e não sendo encontradas vivendo sobre fundos menos turbulentos, próximos a fundos rochosos em profundidades equivalentes, e ainda são raros em águas mais profundas.
Como indicado em Tinoco (1972), as espécies aglutinantes são mais frequentes em sedimentos lamo-arenosos e arenosos, sendo comuns em baías, lagoas e estuários. Os gêneros Ammonia, Bolivina, Fursenkoina, Melonis, Nonion, Nonionella e Reophax, por exemplo, são característicos de substratos constituídos de areia fina e lamosa. O gênero Bigenerina é freqüente em sedimentos de areia grossa, enquanto que os gêneros Discorbis, Peneroplis e Poroeponides são comuns em substrato duro e areia (Murray, 1991). Como os foraminíferos são distribuídos no substrato de acordo com a granulometria do sedimento (Murray, 1991) e a densidade deles é indiretamente influenciada pela composição do sedimento, é possível estabelecer uma relação direta entre esses organismos e a dinâmica ambiental. Phleger (1960) confirma que os Miliolideos preferem fundos arenosos ou areias com conchas, enquanto Elphidium e Rotalia têm preferência por sedimentos argilosos.
Estudando os sedimentos superficiais da margem continental nordeste do Brasil, França apud REMAC (1975) salienta que se trata de uma das poucas áreas do mundo onde uma plataforma aberta e estável se apresenta quase completamente coberta por carbonatos biogênicos e reconhece sete associações faunísticas principais com base na distribuição dos vários organismos nas frações areia e cascalho.
Na plataforma sul brasileira, Vicalvi e Milliman (1977) observaram que variações oceanográficas e sedimentológicas se refletem nas assembléias foraminíferas encontradas ao norte de Cabo Frio (RJ) que incluem foraminíferos tropicais com várias espécies de miliolídeos e peneroplideos, bem como a espécie incrustante Homotrema rubrum. Já os sedimentos subtropicais ricos em carbonatos, em Cabo Frio e São Paulo, estão restritos à plataforma externa, apresentando quantidades crescentes de foraminíferos aglutinados. Nas águas costeiras os foraminíferos bentônicos,
especialmente em áreas temperadas, caracterizam-se pela pobreza tanto em espécies como em indivíduos.
Andrade (1997), estudando a distribuição dos foraminíferos recentes na transição carbonatos/siliciclastos na plataforma continental da região da Praia do Forte, litoral norte do Estado da Bahia, verificou que os gêneros Archaias e Amphistegina são importantes produtoras de areias carbonáticas, principalmente nas frações areia grossa e média.
No intuito de melhor entender a distribuição destes organismos foram coletadas e analisadas amostras de superfície de um trecho da plataforma continental do Nordeste do Brasil, caracterizado a seguir.
3 ÁREA DE ESTUDO
A área estudada está situada no litoral norte do Estado da Bahia, distando aproximadamente 160km da cidade de Salvador, limitada pela latitude da desembocadura dos rios Itariri (11° 50’ 38’’ S – 37° 30’ 12’’ W) ao sul, e Itapicuru (11° 40’ 12’’ S – 37° 20’ 42’’ W) ao norte, ambos pertencentes ao município de Conde (Figura 3). A principal via de acesso, a partir de Salvador, é a rodovia BA 009 denominada Linha Verde e, a partir dessa rodovia, pode-se ter acesso à linha de costa.
Figura 3. Delimitação da área de estudo, localizada na plataforma continental entre os rios Itariri e Itapicuru, litoral norte do Estado da Bahia. Fonte: DHN,1979
3.1 ÁREA EMERSA
Nesta área afloram rochas Pré-Cambrianas e depósitos Terciários e Quaternários que são acumulações de sedimentos inconsolidados depositados diretamente sobre o embasamento cristalino (Dominguez et al., 1996), e representam as principais acumulações sedimentares presentes na zona costeira nordeste do Estado da Bahia. Constituem a planície costeira e estão subdivididos em: leques aluviais coalescentes pleistocênicos, terraços marinhos e dunas pleistocênicas e holocênicos, depósitos de pântanos, mangues e brejos e depósitos flúvio-lagunares (Bittencourt, 1996; Dominguez et al., 1996) (Figura 4).
Além dos rios Itariri e Itapicuru, que delimitam a área de estudo, apenas o rio Real (situado a 40 km ao norte do rio Itapicuru) exerce uma maior influência sobre a plataforma continental neste trecho do litoral.
A bacia hidrográfica do rio Itapicuru possui 36.440 km2, com uma vazão média de 30 m3/s (SRH,1995). No baixo curso do rio Itapicuru, ao atravessar os sedimentos quaternários, ocorrem extensas planícies de inundação colonizada pelas vegetações de mangue, brejo e pântano (Dominguez et al. 1996). O rio Itapicuru no seu médio curso corta ainda a bacia sedimentar do Tucano, sendo esta bacia um importante fornecedor de sedimentos para este rio.
A bacia do rio Itapicuru encontra-se em grande parte nas regiões de temperaturas maiores que 25°C e pluviosidade inferior a 800 mm, o que lhe confere o caráter de semi-aridez (SRH,1995). A bacia hidrográfica do rio Itariri apresenta limitada abrangência, com
Figura 4. Unidades Geológicas-Geomorfológicas presentes na região de Conde. Modificado de Dominguez et al., (1999) e Minervino Neto (2002).
3.2 ÁREA SUBMERSA
A área de estudo faz parte da porção Nordeste da Plataforma Continental Brasileira que corresponde ao trecho compreendido entre o Delta do Rio Parnaíba (PI) e Salvador (BA), conforme definido pelo Projeto Revizee (1995). A plataforma nesta região caracteriza-se pela reduzida largura e pouca profundidade (Vital et al. 2005).
A plataforma continental do nordeste é dividida em: plataforma interna, limitada pela isóbata de 20m, com um relevo suave mostrando algumas irregularidades devidas à presença de recifes, canais e ondulações; a plataforma média que se estende de 20 a 40m de profundidade e exibe um relevo bem mais irregular e plataforma externa que se inicia a partir de 40m de profundidade, (Freire, 1985). A borda da plataforma localiza-se entre as isóbatas de 60 e 80 m a uma distância de aproximadamente 18 km da linha de costa, iniciando a o talude continental (DHN 1993).
4 METODOLOGIA
A partir da análise de diversos trabalhos correlatos se optou pela metodologia apresentada a seguir por ter se mostrado eficaz neste tipo de estudo.
4.1 Campo
As amostras de sedimento superficial de fundo da plataforma continental e talude utilizadas foram coletadas por pegador de mandíbula do tipo Van Veen e cedidas pelo Laboratório de Estudos Costeiros do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (LEC) para o estudo dos foraminíferos.
As coordenadas geográficas dos pontos coletados foram identificadas pelo Global Positioning System (GPS) e plotados em carta náutica referente à área de estudo, o que possibilitou estimar as profundidades de cada ponto amostral (Figura 5).
As coordenadas geográficas e níveis batimétricos das vinte e cinco amostras do estudo estão relacionados na Tabela I (apêndice) e representadas no mapa a seguir, dentre elas sete de plataforma interna em vermelho (amostras 12,13, 37, 38, 50, 63, 64), nove de plataforma média em branco (amostras 10,11, 21, 22, 33, 36, 60, 61, 62), seis de plataforma externa em amarelo (amostras 8, 42, 44, 45, 46, 59) e três de talude em azul (amostras 20, 32, 58) (Figura 5).
4.2 Laboratório
As amostras foram lavadas com água corrente para eliminação dos sais em peneira com espaçamento de malha de 0,062 mm e separação da fração lama. A fração 0,062 mm foi utilizada por ser mais significativa em termos de abundância de foraminíferos (Schröder et al., 1987). Posteriormente, as amostras foram secas em estufa do tipo Thelco (série 21-AB-9) a 60ºC e pesadas em balança analítica E. Mettler (modelo H6T). Para a análise granulométrica, as amostras foram peneiradas em aparelho vibrador Rotap (modelo Produtest) durante 10 minutos, segundo a escala de Wentworth (1962), com intervalo de
Figura 5 – Posição das amostras na área de estudo. PI= Vermelho, PM= Branco, PE=Amarela, TL=Azul. Fonte do mapa: DHN,1979.
um phi. O material retido em cada uma das peneiras foi pesado em balança analítica para posterior cálculo do percentual das frações cascalho (>2,000mm), areia muito grossa (2,000-1,000mm), areia grossa (1,000-0,500mm), areia média (0,500-0,250mm), areia fina (0,250-0,125mm), areia muito fina (0,125-0,062mm) e lama (<0,062mm). A fração lama, quando presente, foi seca a 40°C e pesada. O tipo de sedimento de cada amostra foi determinado segundo a nomenclatura proposta por Shepard (1954).
A triagem dos espécimes se deu por separação aleatória das trezentas primeiras testas de foraminíferos, sendo realizada com o auxílio de microscópio estereoscópio (lupa binocular) marca Zeiss (modelo 472022) e os exemplares selecionados foram colados em lâminas de Franke para identificação das espécies.
A classificação sistemática genérica foi baseada em Loeblich & Tappan (1988) adaptado para Sen Gupta (1999) e a específica de acordo com diversas publicações de foraminíferos recentes dentre elas: Tinoco (1955; 1958 a, b); Narchi (1956); Barker (1960); Closs & Barberena (1960a, b); Akers & Dorman (1964); Bock et al. (1971); Almasi (1978); Boltovskoy 1980; Boltovskoy et al. (1980); Machado (1981); Leipnitz (1991); Leipnitz et al. (1992); Levy et al. (1995); Andrade (1997); Rossi (1999); Moraes (2001); Araújo (2004).
Todas as testas de foraminíferos que foram utilizadas para a identificação das espécies, foram analisadas em relação ao grau de preservação e coloração. A coloração das testas foi analisada segundo os padrões de cor utilizados por Leão & Machado (1989), sendo estas: branca ou incolor, amarela, marrom, preta e mosqueada. A branca ou incolor refere-se à testa recém depositada no sedimento e a mosqueada refere-se àquela testa que apresenta duas ou mais cores.
O grau de preservação das testas foi avaliado segundo padrões adotados por Moraes (2001) (Figura 6).
Preservação Descrição
Normal testa íntegra
Abrasão testa que apresenta arranhões, perfurações ou estrias
Quebramento testa que apresenta depressões de impacto ou câmaras
periféricas quebradas
Dissolvida testa com a parte externa dissolvida mostrando estruturas
internas das câmaras
Mista dois ou mais padrões citados anteriormente forem encontrados
em uma mesma testa.
Figura 6: Descrição das categorias de preservação das testas. Fonte: Moraes (2006)
Os resultados das análises foram comparados à de outras regiões ecologicamente semelhantes, principalmente a compreendida entre Salvador e Barra do Itariri, no litoral norte do Estado da Bahia, investigada por Andrade (1997) e Araújo (2004).
As fotomicrografias das espécies mais constantes foram feitas no Departamento de Geologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) em Microscópio Eletrônico de Varredura - MEV, de forma que os espécimes fotografados foram posicionados em fita condutora dupla face, fixada em suporte de alumínio. Em seguida foram recobertas por uma camada de ouro, através do metalizador EMITLCH K575X, a fim de torná-las condutoras. Foram então analisadas ao microscópio eletrônico de varredura MEV CARL ZEISS EVO MA10 com EDS acoplado, IXRF System em imagens por elétrons secundários, operando a 20 KV e com distância de trabalho de 12 mm. As imagens digitais foram obtidas através do Sistema de Análise de Imagens ORION acoplado ao MEV.
4.3 TRATAMENTO DOS DADOS
A partir dos dados obtidos com a análise do número de indivíduos por espécie, e seguindo a metodologia proposta por Dajoz (1983), Tinoco (1989) e Clarke & Warwick (1994), pôde-se calcular os seguintes índices:
4.3.1 Frequência Relativa (Abundância relativa das espécies)
A partir dos dados absolutos foram realizados cálculos de abundância relativa (FR), que é a razão entre o número de indivíduos de uma determinada espécie (n) e o número total de indivíduos da amostra (T) (Tinoco, 1989).
FR = n x 100 T
Os resultados foram classificados de acordo com Dajoz (1983) em:
- Principais: frequência acima de 5%;
- Acessórias: valores de freqüência entre 4,9 e 1%; - Traços: valores inferiores a 1%.
Os valores de abundância foram utilizados na confecção de tabelas e na elaboração de gráficos. As espécies que apresentaram valores acima de 5% definiram a formação das assembléias.
4.3.2 Frequência de Ocorrência (Constância das espécies)
Segundo Tinoco (1989), freqüência de ocorrência (FO) é a relação entre o número de amostras onde a espécie ocorreu (p), e o número total de amostras analisadas (P):
FO = p x 100 P
De acordo com os valores de frequência de ocorrência, as espécies podem ser agrupadas nas seguintes categorias propostas por Dajoz (1983):
•Espécies constantes: presentes em mais de 50% das amostras; •Espécies acessórias: presentes em 25% a 49% das amostras; •Espécies acidentais: presentes em menos de 25% das amostras.
Com base neste critério de classificação, foram elaborados gráficos que ilustram os percentuais de espécies constantes, acessórias e acidentais em cada amostra.
Utilizando-se os dados das espécies constantes foi possível estabelecer uma assembléia representativa da área estudada.
4.3.3 Índices de Diversidade, Riqueza e Equitatividade
- Riqueza de espécies (R): Esta medida está relacionada ao número total de espécies presentes (S) e ao número total de indivíduos (N) (Clarcke & Warwick 1994). Em geral utiliza-se o índice de Margalef (1958) apud Ludwig & Reynolds (1988), o qual se propõe a
medir riqueza de espécies em uma comunidade independente do tamanho da amostra.
(S – 1) R =
log N
- Diversidade (H’): A partir dos dados biológicos obtidos foi calculado o Índice de
Diversidade (H’) de Shannon-Wiener (1949), que pode ser definido como a abundância relativa das espécies de uma determinada comunidade, e a distribuição das espécies em cada amostra.
Com base nestas informações, o Índice de Diversidade pôde ser calculado, levando-se em consideração a seguinte fórmula:
s
H’= ∑∑∑∑ (pi. Log2pi) i=1
Onde s é o número total de espécies e pi é a proporção de indivíduos da espécie (ni) para o número total de indivíduos (N), ou seja:
ni PI =
N
Em trabalhos onde a diversidade é calculada a partir de logaritmo na base 2 utiliza-se a unidade “bit” por indivíduo.
- Equitatividade (J): Está relacionada com a uniformidade em que os indivíduos estão distribuídos entre as diferentes espécies (Clarcke & Warwick 1994). A equitatividade pode ser calculada pelo índice de Pielou (1969) a partir da fórmula:
H’ H’ J = =
Hmax log2S
Onde H’ é a diversidade de espécies, Hmax a diversidade sob condições de máxima equitatividade, expresso como log2, e S é o número de espécies.
4.3.4 Análises Multivariadas
Os métodos de análises multivariadas são caracterizados por fundamentarem-se em comparações entre duas ou mais amostras, ressaltando até que ponto estas amostras compartilham características em comum, a exemplo de espécies particulares com níveis comparáveis de abundância. Explicitamente ou implicitamente, todas as técnicas multivariadas são baseadas em coeficientes de similaridade, calculados entre todos os pares de amostras (Clarcke & Warwick, 1994).
Neste trabalho a análise multivariada foi utilizada para relacionar teores sedimentológicos de cascalho, areia e lama com as diferentes amostras além de verificar a relação entre espécies de foraminíferos e a batimetria. Tendo em vista a adequação destes métodos
com o tipo de trabalho realizado, foram aplicadas aos dados quantitativos (freqüência absoluta das espécies e variáveis batimétricas) as análises de classificação.
A análise de classificação ou agrupamento (Cluster Analysis) tem sido muito utilizada em estudos envolvendo grande número de amostras e espécies, e consiste em reconhecer um grau de similaridade entre os objetos estudados, que permita reuní-los num mesmo conjunto (Clarcke & Warwick 1994). Desta forma, utilizando-se o programa MVSP (versão 3.11), esta análise foi efetuada sob dois diferentes “modos”: modo-Q (agrupamento entre amostras, segundo as espécies nelas contidas) e modo-R (agrupamento entre espécies, considerando as amostras que as encerram). Para quantificar a similaridade entre os objetos, foi utilizado o coeficiente de similaridade de Bray-Curtis.
A partir dos dados das espécies que apresentaram maior abundância relativa e que ocorrem em mais da metade das amostras (espécies constantes) foi possível estabelecer uma assembléia representativa da área estudada.
A análise de agrupamento granulométrico se deu pelo modo-Q em que as amostras foram agrupadas em função de seus percentuais de cascalho, areia e lama.
5 RESULTADOS
5.1 Análise Granulométrica
O sedimento superficial da plataforma continental da área estudada teve sua constituição analisada quanto às dimensões de seus grãos, uma vez que o substrato é um importante fator ecológico na distribuição dos Foraminíferos.
A tabela II, apresentada em apêndice, indica a granulometria de cada amostra estudada. A partir desta foi construído gráfico (Figura 7) onde se observa a variação dos tamanhos dos grãos, considerando a disposição batimétrica dos pontos coletados.
Figura 7. Percentuais das frações granulométricas nas amostras do estudo.
Observa-se na área estudada a predominância de grãos carbonáticos tamanho areia, sendo dominante em 80% das amostras seguidas das frações cascalho e lama. A análise granulométrica das amostras indica que o sedimento superficial da plataforma continental
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% % 12 13 37 38 50 63 64 10 11 21 22 33 36 60 61 62 8 42 44 45 46 59 20 32 58
Plataforma
Interna
Plataforma
Média
Plataforma
Externa
Talude
Cas calho Areia Lam a
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% % 12 13 37 38 50 63 64 10 11 21 22 33 36 60 61 62 8 42 44 45 46 59 20 32 58
Plataforma
Interna
Plataforma
Média
Plataforma
Externa
Talude
Plataforma
Interna
Plataforma
Média
Plataforma
Externa
Talude
Plataforma Interna Plataforma Média Plataforma Externa Talude 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% % 1 2 1 3 3 7 3 8 5 0 6 3 6 4 1 0 1 1 2 1 3 3 6 0 6 1 8 4 2 4 4 4 5 4 6 5 9 2 0 3 2 5 8 Am ostras
grossa m édia fina
nesta área, é constituído principalmente da fração areia. Os percentuais variaram entre 51,25% na amostra 20 (87m de profundidade) e 98,49 % na amostra 38 (12m de profundidade). Apenas as amostras 10, 13, 21, 44, 58 e 59 apresentaram percentuais de areia abaixo de 50%, estando distribuídas em profundidades que variam entre 10m (amostra 13) e, aproximadamente, 82m (amostra 58).
As amostras que apresentaram percentual maior de cascalho são a 10, 13, 44, 58 e 59, e apenas a amostra 21 apresentou valores maiores da fração lama (Figura 7 – Tabela II – Apêndice).
O percentual médio da fração areia na área estudada foi de 61,01 % predominando areia grossa com 27,31%, seguida de areia fina com 20,61% e areia média com 13,09% (Figura 8 - Tabela III - Apêndice).
Figura 8: Percentuais das variações da fração areia nas amostras do estudo.
Na plataforma interna (amostras 12, 13, 37, 38, 50, 63, 64) os percentuais de areia variaram de 1,01% (amostra 13) a 98,49% (amostra 38), enquanto que na plataforma
média (amostras 10, 11, 21, 22, 33, 36, 60, 61, 62) a variação foi de 20,80% (amostra 21) a 80,19% (amostra 33), na plataforma externa (amostras 8, , 42, 44, 45, 46, 59) variaram de 33,29 a 89,00% (nas amostras 44 e 45, respectivamente) enquanto que no talude (amostras 20, 32 e 58) a variação detectada foi de 41,48% (amostra 58) e 59,49% (amostra 32) em profundidades de 82 e 92m, respectivamente (Figura 7 - Tabela II - Apêndice).
A fração cascalho apresentou, no total de amostras do estudo, percentuais variando de 0 (amostra 37) a 98,99 % (amostras 13). Quatro amostras (10, 13, 44 e 59) revelaram mais de 50% de cascalho, localizadas em profundidades aproximadamente iguais a 28, 10, 50 e 40 metros, respectivamente. Além dessas nove amostras (11, 12, 20, 22, 32, 58, 60, 61, 62) apresentaram percentuais de cascalho acima de 30 %, sendo que apenas uma delas (amostra 12) situa-se em profundidade inferior a 20 metros. (Figura 7 - Tabela II - Apêndice).
As amostras localizadas na plataforma interna apresentaram teores de cascalho variando de 0,0% (amostra 37) a 98,99% (amostra 13), localizadas a 10m de profundidade. No entanto, vale ressaltar que este limite superior da variação ocorreu isolado dos demais percentuais que alcançaram um máximo de 34,46% (amostra 12) e quatro (amostras 38, 50, 63, 64) apresentaram percentuais inferiores a 10% (Figura 7 - Tabela III - Apêndice).
Nas amostras da plataforma média os percentuais extremos de cascalho foram de 0,14% na amostra 21 a uma profundidade de 38m, e 68,72 % na amostra 10, situada a 28m de profundidade. Apenas uma das nove amostras apresentou percentual superior a 50% (amostra 8) (Figura 7 - Tabela II - Apêndice).
Na plataforma externa, a fração cascalho variou seu percentual entre 0,40% em um ponto de amostragem situado a 42m (amostra 46) e 61,20% em outro localizado a 50m de profundidade (amostra 44). Das seis amostras situadas neste intervalo batimétrico, somente duas expressaram percentuais superiores a 50% (amostras 59 e 44) e quatro amostras (8, 42, 45, 46) percentuais inferiores a 30%. Esta fração granulométrica do sedimento atinge percentual médio de 28,82 % na área de estudo total (Figura 7 - Tabela II– Apêndice).
Nas três amostras do talude a fração cascalho teve variação de 30,17 e 42,09% nas
amostras 32 e 58, respectivamente (Figura 7 - Tabela II – Apêndice).
Os percentuais de lama (silte e argila) variaram entre 0,0 e 79,05% (amostras 13 e 21), somente a amostra 21, coletada a uma profundidade de 38m, apresentou mais de 50% desta fração. Além desta, percentuais de lama acima de 20 % ocorreu em, apenas três amostras (amostras 46, 50 e 64) localizada a 42, 10 e 11m de profundidade, respectivamente. Percentuais entre 10 e 18,55% foram observados em cinco pontos de coleta (amostras 20, 32, 42, 45, 58) entre 40 e 92m de profundidade. Um total de dezesseis amostras (8, 10, 11, 12, 13, 22, 33, 36, 37, 38, 44, 59, 60, 61, 62, 63) apresentaram concentrações de lama inferiores a 10% (Figuras 7 e 9 - Tabela II – Apêndice).
Nas amostras localizadas na plataforma interna os teores de lama tiveram variação de 0,0 a 43,95 % (amostras 13 e 50), situadas a profundidades de 14 e 10m, respectivamente. Dos sete pontos de amostragem deste intervalo batimétrico, uma não apresentou essa fração (amostra 13), quatro (amostras 12, 37, 38, 63) expressaram percentuais abaixo de 3% e apenas duas (amostras 50 e 64) acima de 20%; enquanto que na plataforma média variaram de 0,44 a 79,05 % (amostras 61 e 21), este percentual máximo foi alcançado a aproximadamente 38m de profundidade, os demais pontos amostrais (amostras 10, 11, 22, 33, 36, 60, 61, 62) revelaram percentuais muito aquém, não atingindo, sequer, a 3%; observando-se os teores de lama na plataforma externa, encontramos valores percentuais variando de 1,07 a 35,85% (amostras 59 e 46) em profundidades de 40 e 42m, respectivamente. Vale ressaltar que somente a amostra 46 obteve percentual desta fração acima de 20%. Nas amostras referentes ao sedimento superficial do talude, os percentuais de lama variaram de 10,35 (amostra 32) a 18,55% (amostras 20), localizadas a profundidades 92 e 87m, respectivamente (Figuras 7 e 9 - Tabela II - Apêndice).
Figura 9. Localização das amostras de sedimento e distribuição das frações granulométricas cascalho (>2mm), areia (2 – 0,062mm) e lama (<0,062mm) elaborada pela autora. Fonte do mapa: DHN,1979.
Cascalho Areia Lama
5.2 Classificação Sistemática
A classificação taxonômica geral dos foraminíferos teve por base a classificação proposta por Loeblich & Tappan (1988) adaptada para Sen Gupta (1999), enquanto que para a específica foram utilizados outros autores citados a seguir. O estudo contabilizou 267 espécies inseridas em 65 gêneros, 34 subfamílias, 38 famílias, 23 superfamílias e 8 ordens.
Sistemática
Reino PROTOCTISTA Haeckel, 1866 Filo GRANULORETICULOSA Margulis, 1999
Classe FORAMINIFERIDA Sen Gupta, 1999 Ordem LITUOLIDA de Blainville, 1827
Superfamília HORMOSINACEA Haeckel, 1894 Família REOPHACIDAE Cushman, 1910
Subfamília REOPHACINAE Cushman, 1910 Gênero Reophax de Montfort, 1808
Reophax agglutinatus Cushman, 1913
Referências: Barker (1960); Narchi (1963); Barbosa 2002; Andrade (1997); Araújo (2004)
Reophax irregularis Parker,1954
Referências: Boltovskoy (1962); Araújo (2004)
Ordem TEXTULARIIDA Delage e Hérouard, 1896
Superfamilia TEXTULARIACEA Ehrenberg, 1838 Família TEXTULARIIDAE Ehrenberg, 1838 Subfamília TEXTULARIINAE Ehrenberg, 1838
Gênero Bigenerina d´Orbigny, 1826
Bigenerina irregularis Phleger & Parker, 1826
Referências: Narchi (1963); Bock (1971); Araújo (2004)
Bigenerina nodosaria d’Orbigny, 1826
Referências: Bock (1971); Machado (1981); Macedo (1994); Andrade (1997); Figueirêdo (2000); Nascimento (2003); Araújo(2004)
Bigenerina textularoidea (Goës, 1894)
Referências: Boltovskoy & Lena (1966); Bock (1971); Machado (1981); Rossi (1999); Figueirêdo (2000). Araújo (2004)
Gênero Textularia Defrance, 1824
Textularia agglutinans (d’Orbigny, 1839)
Referências: Barker (1960); Andrade (1997); Rossi (1999); Figueirêdo (2000); Moraes (2001); Nascimento (2003); Araújo (2004)
Textularia barrettii (Jones & Parker, 1876)
Referências: Barker (1960); Bock (1971); Araújo (2004)
Textularia candeiana d’Orbigny, 1840
Referências: Machado (1981); Leipnitz (1987); Figueirêdo (2000); Moraes (2001); Nascimento (2003); Araújo (2004)
Textularia conica d’Orbigny, 1839
Referências: Barker (1960); Machado (1995 a); Macedo (1994); Figueiredo (2000) ; Araújo (2004)
Textularia gramen d’Orbigny, 1846
Referências: Tinoco (1958 a); Closs & Barberena (1960); Andrade (1997); Rossi (1999); Figueirêdo (2000); Nascimento (2003); Araújo (2004).
Textularia kerimbaensis Said, 1949
Referências: Macedo (1994); Andrade (1997); Rossi (1999); Figueiredo (2000); Nascimento (2003); Araújo (2004)
Textularia mayori Cushman, 1922
Referências: Bock (1971); Rossi (1999); Figueirêdo (2000) ; Araújo (2004)
Textularia sp.
Família PSEUDOGAUDERYINIDAE Loeblich & Tappan, 1985 Subfamília PSEUDOGAUDERYININAE Loeblich & Tappan, 1985
Gênero Pseudoclavulina Cushman, 1936 Pseudoclavulina humilis Cushman
Referências: Macedo (1994).
Ordem MILIOLIDA Delage & Hérouard, 1896
Superfamília CORNUSPIRACEA Schultze, 1854 Família CORNUSPIRIDAE Schultze, 1854
Subfamília CORNUSPIRINAE Schultze, 1854 Gênero Cornuspira Schultze, 1854
Cornuspira involvens (Reuss,1850)
Referências: Tinoco (1958 a); Boltovskoy & Lena (1966); Macedo (1994); Andrade (1997); Bonetti (2000); Figueirêdo (2000); Araújo (2004).
Cornuspira planorbis (Schultze, 1854)
Referências: Boltovskoy & Lena (1966); Andrade (1997); Nascimento (2003); Araújo (2004).
Superfamília NUBECULARIACEA Haynes, 1981 Família FISCHERINIDAE Millett, 1898
Subfamília NODOBACULARIELLINAE Bogdanovich, 1981 Gênero Nodobaculariella Cushman & Hanzawa, 1937 26
Nodobaculariella cassis (d’Orbigny, 1840)
Referências: Bock (1971); Ferreira (1977); Andrade (1997); Rossi (1999); Araújo (2004).
Gênero Wiesnerella Cushman, 1933
Wiesnerella auriculata (Egger, 1893)
Referências: Boltovskoy & Lena (1966); Andrade (1997); Rossi (1999); Figueirêdo (2000); Nascimento (2003); Araujo (2004).
Superfamília MILIOLACEA Ehrenberg, 1839 Família SPIROLOCULINIDAE Wiesner, 1920
Gênero Spiroloculina d’Orbigny, 1826
Spiroloculina antillarum d’Orbigny, 1839
Referências: Tinoco(1958a) ; Bock (1971) ; Moraes(2001) ; Araújo (2004).
Spiroloculina caduca Cushman, 1922
Referências: Boltovskoy & Lena (1966); Figueirêdo (2000); Nascimento (2003); Araújo (2004).