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Academic year: 2021

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CAPA

EDITORIAL

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Prezados colegas,

É com muita satisfação que me dirijo a vocês na primeira edição deste ano do Jornal da SGOB.

O ano de 2009 começou em meio a muita turbulência. A crise econômica mundial se agravou e apesar do grande otimismo do nosso presidente Lula ela definitivamente chegou ao Brasil. Aparentemente restrita aos bancos e seguradoras americanos, as demissões em massa, a diminuição de renda, a diminuição da arrecadação estatal, dentre outros fatores, podem afetar ainda mais a saúde pública e privada do nosso país. A crise política e institucional está escancarada diante dos vários governadores sujeitos à perda de mandato devido à irregularidades eleitorais e as inúmeras e deploráveis anomalias descobertas recentemente no Senado Federal. Não tem sobrado tempo para que o congresso discuta e vote projetos realmente importantes para a sociedade brasileira.

Em meio a estes problemas, nos deparamos ainda com questões sociais importantes, em especial os casos de estupro e pedofilia em todos os níveis até mesmo na forma de crime organizado. O caso da criança de 9 anos, grávida de gêmeos, teve repercussão internacional por trazer à tona a polêmica discussão sobre o aborto. Sem a intenção de emitir juízo de valor, entrevistamos nesta edição o colega gineco-obstetra que conduziu o caso e que foi extremamente criticado por entidades contrárias ao aborto, sobre as dificuldades encontradas, mesmo se tratando de um caso previsto pela legislação brasileira.

Outro fato relevante é a campanha dos profissionais enfermeiros em relação à obstetrícia. Na edição de 13/03/09, da revista Caras, foi

publicada uma página do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) de estímulo ao parto normal que incluía os seguintes dizeres “...E com um profissional enfermeiro

obstetra, habilitado,

inscrito no COREN, você está em boas mãos.” É preciso que nós nos mobilizemos juntamente com a FEBRASGO na defesa do ato médico, em especial nesta questão tão delicada.

A despeito de todos estes problemas a SGOB segue em frente com seus projetos e conta com o apoio dos associados para sua realização. Convido-os a participarem dConvido-os eventConvido-os científicConvido-os da SGOB-2009. Estamos com uma programação imperdível. Teremos os seminários especializados, o V Simpósio de Medicina Fetal com a participação do professor Yves Ville (França) e o 42º Congresso de Ginecologia e Obstetrícia do Distrito Federal e I Congresso Internacional de Ginecologia Oncológica do DF com participação confirmada dos professores Nuno Montenegro - Portugal (Obstetrícia) e Albert Singer - Inglaterra (Oncologia). Aproveitem as excelentes oportunidades de atualização e as inscrições promocionais antecipadas.

Um Grande abraço,

Dr. Frederico José Silva Corrêa Presidente da SGOB

CRISES, POLÊMICAS E

PROJETOS PARA 2009

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EXPEDIENTE

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NORMAS PARA PUBLICAÇÃO DE ARTIGOS

• Os artigos deverão ter no máximo 75 linhas, com tamanho de letra 12, na fonte Times New Roman; • O espaço entre as linhas é simples. A margem é de 2,5 cm de cada lado;

• Envio de artigo por e-mail ou entregue em disquete/ CD na sede da SGOB;

• Envio de fotografia do autor por meio eletrônico ou em papel, juntamente com o texto;

• Fotos 3x4 e de passaporte devem ser evitadas. Dê preferência a fotos informais;

• Nome completo de cada autor, com seu grau acadê-mico e sua afiliação institucional;

• Título do artigo ilucidativo e suscinto; • Fontes de auxílio à pesquisa, se houver.

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ENTREVISTA

ARTIGO

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ARTIGO

SIA, Quadra 4C. Lote 51. Sala 211. 71200-045. Brasília-DF Tel.: (61) 3233-0463

www.edcomunicacao.com.br

Editora

Elizangela Dezincourt (1222/PA)

Redação Michelle Bravin Programação Visual Plínio Alves Criação e Foto ED Comunicação Secretária de Redação Aparecida Helena Klébia Rodrigues Fotolito e impressão

Êxito Gráfica e Editora

Tiragem

800 exemplares

O Jornal da SGOB não se responsabiliza por matérias assinadas. As matérias podem ser reproduzidas, desde que mencionada a fonte.

DIRETORIA

Presidente: Frederico José Silva Corrêa Vice-presidente: Alberto Carlos Moreno Zaconeta

Secretário-geral: Carlos Portocarrero Sanches Tesoureiro: Vinícius Medina Lopes

Diretora Científica: Walquíria Quida Salles Pereira Primo Diretor de Comunicação: Jean Pierre Barguil Brasileiro

Diretora de Defesa Profissional: Lucíla Nagata Diretor de Eventos: José Domingues dos Santos Júnior

Conselho Fiscal Efetivos

Adelino Amaral Silva Adalberto Xavier F. Filho Carla Maria Martins da Silva

Suplentes

Etelvino de Sousa Trindade Hitomi Miura Nakagava

Rosaly Rulli Costa

Associação de Ginecologia e Obstetrícia do DF

SEPS EQ. 713/913. Lote E. Ed. AMBr. Brasília-DF Tel.: (61) 3245-3681. Telefax: (61) 3245-4530. Site: www.sgob.com.br • E-mail: [email protected]

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EXPEDIENTE

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Hormônio anti-ülleriano e reserva ovariana Dr. Olímpio Moraes

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AGENDA

Confira os eventos programados para 2009 Uso de metformina na gravidez

O Jornal da SGOB traz nessa edição uma entrevista com o Dr. Olímpio Moraes,e a agenda de eventos para 2009. Aproveite as inscrições promocionais!

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CAPA

ENTREVISTA

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Autoridade do Vaticano critica posição do

arcebispo brasileiro de excomungar médicos

Quais eram os riscos reais que a mãe a os bebês cor-riam em decorrência de uma gravidez de gêmeos em uma menina de 9 anos?

Apesar de a gravidez encontrar-se na décima quinta se-mana, por ser gemelar em uma menina de baixa estatura (1 metro e 33 cm), o fundo uterino já estava próximo ao rebordo costal, ocupando quase todo o abdôme, au-mentando assim o risco de parto prematuro extremo, com nascimento de recém-nascidos inviáveis. Quanto mais jovem a gestante, maior o risco de pré-eclâmpsia e suas complicações como eclâmpsia e HELLP síndrome, que juntas se constituem na primeira causa de morte

ma-Uma menina de 9 anos de Alagoinha, no agreste pernambucano, grávida de gêmeas após ser estuprada pelo padrasto desde os 6 anos de

idade, foi submetida a um aborto legal, realizado pelo Dr. Olímpio Moraes,

diretor da maternidade onde a criança estava internada.

Após a grande repercussão do caso na mídia, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho decidiu excomungar todos os que participaram do aborto, como os familiares e os médicos envolvidos. Sua justificativa era a de que a gravidez decorrente de violência não era motivo para retirar a vida “de dois inocentes indefesos”.

Alguns dias após a polêmica, o Vaticano rompeu o silêncio e, em um

artigo do Monsenhor Salvatore Rino Fisichella, presidente da Pontifícia Academia para a Vida, publicado no jornal vaticano L’Osservatore Romano, afirmou que antes de pensar na excomunhão dos envolvidos no aborto não se podeira deixar a terrível história da violência cotidiana passar despercebida com a intervenção do bispo. “A criança levava dentro de si outras vidas, tão inocentes quanto a sua, embora frutos de violência, e que foram suprimidas, mas isso não era suficiente para fazer um julgamento que pesa como um machado”, afirma.

Com a intenção de favorecer a reflexão, o Jornal da SGOB realizou uma entrevista com o Dr. Olímpio Moraes, que revelou os fatos de toda polêmica. O Jornal da SGOB está aberto a receber opiniões de outros colegas que desejem se manifestar sobre o assunto.

terna no nosso país. O risco que esta criança correria de ser acometida por esta doença hipertensiva, com o avan-çar da gravidez, seria então bem maior que o percentual de 10% encontrado em gestante adulta.

A possibilidade de hemorragias também seria grande, sendo estas a segunda causa de morte materna. Um útero infantil, ainda em processo de amadurecimento, possivelmente não suportaria uma gravidez gemelar, podendo apresentar ruptura durante a gravidez ou atonia uterina logo após o parto. Ambas podendo evoluir para choque hipovolêmico e até a realização de uma histerectomia, o que encerraria a vida reprodutiva da menina.

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ENTREVISTA

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ENTREVISTA

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Outras complicações importantes com agravamento do prognóstico materno-fetal também teriam maiores chances de ocorrer em relação a gestantes adultas, como a ruptura prematura das membranas, descolamento da placenta, placenta prévia, morte fetal de um ou dos dois fetos, coagulação intravascular disseminada, diabetes gestacional, polidrâmnio e parto distócico.

De repente, o senhor se viu no meio de um turbilhão de notícias negativas sobre seu trabalho e sua equipe. Como católico assumido, qual foi a sua postura em relação à excomunhão?

Sigo os princípios da bioética de beneficência, na ma-leficência e justiça. Os direitos canônicos que o arcebispo utilizou para me excomungar são do século XIV. Portanto, foram escritos por homens da Idade Média. Tanto assim que o Vaticano reconsiderou a nossa excomunhão.

Como se sente com sua consciência?

Tranqüila. Recebi nesta semana mais de 2.000 e-mails de elogios e apoio. Recebi e continuo recebendo apoio de minha família e de pessoas que nem conheço, de todo os lugares, na rua, na padaria, no posto de gasolina e na igreja que freqüento. Acho até estranho, porque não fizemos nada mais do que fazemos há mais de 12 anos no serviço de atendimento de mulheres vítima de violência.

A sua relação com Deus é a mesma? A fé continua inalterada?

Acho que a fé não pode ser influenciada por falhas dos homens que compõem a igreja. Será que devemos perder a fé porque há padres pedófilos? Será que de-vemos perder a fé porque há preconceitos na igreja? Fico triste pelo mal que esses religiosos praticam contra es-tas mulheres pobres que não conhecem os seus direitos. Devemos lembrar sempre que o Brasil é um estado laico e que a igreja não deve se intrometer em questões de saúde pública.

O que o senhor acha dessa nova posição do Vaticano? Acredita que essa resposta deveria ter vindo logo após o pronunciamento do arcebispo de Recife e Olinda, e

não agora após toda a repercussão alcançada?

Acho que esta nova posição do Vaticano só ocorreu devido a grande pressão que a Igreja sofreu, principal-mente na Europa, após a nossa excomunhão.

O senhor concorda quando o Monsenhor Fisichella fala que “o anúncio da excomunhão por parte de D. José Cardoso Sobrinho colocou em risco a credibili-dade da Igreja Católica”?

Caso a Igreja Católica não se humanize, corre sério risco de desaparecer daqui a duas ou três gerações. Não é de hoje que vem perdendo fiéis para outras religiões ou seitas aproveitadoras.

Monsenhor Fisichella falou que a decisão do aborto “é difícil para os médicos e para a própria lei moral. Não é possível dar parecer negativo sem considerar que a escolha de salvar uma vida, sabendo que se coloca em risco uma outra, nunca é fácil. Ninguém chega a uma decisão dessas facilmente, é injusto e ofensivo somente pensar nisso.” O que o senhor acha da afirmação?

Não sou teólogo. Mas acho que é a primeira vez des-de o século XIV que a opinião da igreja avança em relação ao abortamento.

Como se sente um médico no momento de ter que executar um procedimento que lhe é desagradável, para evitar o sofrimento ou a morte de outrem?

Fazendo o bem. Senti isto através do abraço acompanhado de um choro de gratidão que recebi da mãe logo após que a comuniquei que a filha já tinha abortado.

Alguns obstetras e ginecologistas católicos não con-cordaram com sua decisão. O que o senhor tem a dizer para eles?

Gosto sempre de colocar desta maneira. Como é que eles agiriam se o mesmo ocorressem com suas filhas?

Link para o artigo do jornal do Vaticano:

http://januacoeli.files.wordpress.com/2009/03/losser-vatore062q01.pdf

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ENTREVISTA

ENTREVISTA

ARTIGO

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HORMÔNIO ANTI-MÜLLERIANO

E RESERVA OVARIANA

Bruno Ramalho de Carvalho, especialista em Reprodução Humana do

GÊNESIS – Centro de Assistência em Reprodução Humana

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Contexto

Considerando-se que a mulher moderna vem postergando a maternidade e sendo cada vez maior a procura por técnicas de reprodução assistida (TRA), a avaliação da reserva funcional ovariana surge como tentativa de melhor aconselhar os casais interessados e nortear protocolos de estimulação, amenizando encargos emocionais e financeiros de um processo cujos resultados, em geral, ainda se encontram aquém do desejado.

Um teste de avaliação da reserva ovariana seria ideal se permitisse a inferência do tamanho e da qualidade do pool de folículos restantes nos ovários após um ciclo menstrual normal, e, assim, a identificação das candidatas a TRA com menor chance de obter uma gestação, mesmo depois de repetidas tentativas. Com grande entusiasmo, marcadores séricos e ultrassonográficos têm sido testados, sem que, até o momento, tenham-se estabelecido conclusões contenham-sensuais sobre a relevância de sua utilização na avaliação da reserva ovariana.

Conquanto sejam modestas as capacidades dos testes disponíveis para predição de reserva e resposta ovarianas, observa-se a valorização de um marcador endócrino em especial na

literatura recente, o hormônio anti-mülleriano (AMH). Nas próximas linhas, pretendemos agrupar informações que respaldem sua utilização como ferramenta propedêutica em ginecologia endócrina e reprodução humana, não deixando de abordar os aspectos fisiológicos do marcador.

O papel do AMH no recrutamento folicular

O hormônio anti-mülleriano (AMH) pertence à superfamília dos fatores de crescimento β (TGF-β) e é classicamente reconhecido como produto das células testiculares de Sertoli, respondendo pela regressão dos ductos paramesonéfricos durante a diferenciação sexual de embriões humanos masculinos. Conquanto a expressão do AMH seja ausente durante a difere intra-uterina, como produto das células da granulosa dos primeiros folículos primordiais recrutados. As maiores concentrações, contudo, serão observadas apenas a partir da puberdade.

O papel biológico do AMH na mulher ainda é pouco esclarecido, mas dados recentes levam a crer que atue sobre a modulação do recrutamento folicular, atuando nas células pré-granulosas com vistas a limitar o número de unidades recrutáveis. Sua expressão é, para tanto, mantida até que os

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folículos atinjam cerca de 6 mm de diâmetro, quando a diferenciação para o estágio antral é suficiente para a dominância e o crescimento do folículo se torna dependente do hormônio folículo-estimulante (FSH).

É possível que o AMH também atue como fator decisivo da seleção folicular para a dominância,

pela determinação da permissividade ao

crescimento folicular FSH-dependente, uma vez

que já foram demonstradas, tanto in vitro quanto

in vivo, maior sensibilidade das células foliculares

à ação do FSH na ausência do AMH e expressão reduzida da aromatase e dos receptores do hormônio luteinizante (LH) em células da granulosa cultivadas na presença de AMH exógeno. Estudos animais também reforçaram a função inibitória do AMH; comparações entre camundongas selvagens e espécies knock-out para AMH demonstraram que estas apresentam quantidades três vezes maiores de folículos ovarianos em crescimento em um ciclo ovulatório, bem como evoluem precocemente com o esgotamento da população folicular.

O AMH na prática clínica

A aferição do AMH na prática clínica tem sido proposta para avaliação da reserva folicular ovariana. Uma vez que sinaliza o tamanho do pool de folículos em crescimento, considera-se que o AMH seja um marcador capaz estimar a quantidade e a atividade das unidades recrutáveis de folículos ovarianos em estágios precoces de maturação, sendo, assim, mais fidedigno para a predição da reserva ovariana.

Embora não seja unânime na literatura, as mínimas variações nas concentrações séricas do AMH ao longo do ciclo menstrual têm sido argumento para credibilidade e maleabilidade quanto ao momento de dosagem, sendo uma das principais vantagens do marcador em comparação a testes clássicos, como FSH, inibina B e estradiol e reforçam a hipótese de não haver influência gonadotrófica sobre a produção do AMH.

Vários estudos têm dado subsídios para acreditar que o AMH seja realmente um bom marcador sérico da reserva gonadal e, portanto, tenha seu valor na propedêutica em TRA. Tremellen et al. (2005) demonstraram que ocorre decréscimo dos níveis séricos de AMH a partir dos 30 anos de idade (o que não se observa com tamanha veemência para o FSH, que se eleva insidiosamente) e que existem diferenças significativas entre os níveis médios do AMH de pacientes más e boas respondedoras, corroborando resultados de outros estudos. Van Rooij et al. (2002) encontraram forte correlação positiva entre os níveis do AMH e contagem de

folículos antrais, e demonstraram que estes estão reduzidos em mulheres más respondedoras. Muttukrishna et al. (2005), por fim, afirmaram ser o AMH o marcador bioquímico que melhor prediz a resposta em ciclos de FIV/ICSI e o cancelamento de induções de ovulação.

Considerações finais

O hormônio anti-mülleriano (AMH) desponta entre os marcadores basais como o mais promissor na determinação da quantidade e da qualidade do patrimônio folicular ovariano, com base na sua produção por folículos em estágios precoces de evolução e seu papel na transição para a fase antral. Ainda que sejam poucos os estudos bem desenhados envolvendo o AMH e a predição da resposta ovariana disponíveis na literatura especializada (e, por isso, não possa ser considerado superior a testes classicamente utilizados, como a dosagem do FSH basal), os resultados favoráveis apresentados e as correlações significativas com variáveis importantes, como a contagem de folículos antrais e o número de oócitos aspirados em TRA, fortalecem a crença no futuro promissor desse marcador.

Leitura Complementar

1. Broekmans FJ, Kwee J, Hendriks DJ, Mol BW, Lambalk CB. A systematic review of tests predicting ovarian reserve and IVF outcome. Hum. Reprod. Update 12(6): 685-718 (2006).

2. Carvalho BR, Rosa e Silva ACJS, Rosa e Silva JC, Reis RM, Ferriani RA, Silva de Sá MF. Ovarian Reserve Evaluation: State of the art. J Assist Reprod Gen 25:311-322 (2008).

3. Durlinger AL, Gruijters MJ, Kramer P, Karels B, Kumar TR, Matzuk MM, Rose UM, de Jong FH, Uilenbroek JT, Grootegoed JA, Themmen AP. Anti-Müllerian hormone attenuates the effects of FSH on follicle development in the mouse ovary. Endocrinology 142(11):4891-9 (2001).

4. van Rooij IA, Broekmans FJ, te Velde ER, Fauser BC, Bancsi LF, de Jong FH, Themmen AP. Serum anti-Müllerian hormone levels: a novel measure of ovarian reserve. Hum. Reprod. 17(12):3065-71 (2002).

5. Muttukrishna S, McGarrigle H, Wakim R, Khadum I, Ranieri DM, Serhal P. Antral follicle count, anti-mullerian hormone and inhibin B: predictors of ovarian response in assisted reproductive technology? BJOG 112(10): 1384-90 (2005).

6. Fanchin R, Taieb J, Lozano DHM, Ducot B, Frydman R, Bouyer J. High reproductibility of serum anti-Müllerian hormone measurements suggests a multi-staged follicular secretion and strenghtens its role in the assessment of ovarian follicular status. Hum. Reprod. 20(4): 923-927 (2005).

Obs: As referências para as informações encontradas neste artigo podem ser solicitadas ao autor pelo e-mail [email protected].

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ENTREVISTA

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O

diabetes mellitus (DM) é uma

doen-ça metabólica crônica caracteriza-da por hiperglicemia resultante do defeito na secreção de insulina, na sua ação ou ambos. O diabetes mellitus na ges-tação (DMG) ocorre por intolerância à glicose de graus variáveis em qualquer fase da gestação. 1 A incidência de DMG tem sido estimada entre 3% e 8% das gestantes. No Setor de Gestantes de Alto Risco do Hospital Regional da Asa Sul (HRAS), en-tre os anos de 2005 e 2007, a incidência de pa-cientes com DM foi de aproximadamente 17%.

As complicações fetais no DMG decorrem basi-camente da hiperglicemia materna, que atingindo o feto estimula a produção exagerada de insulina fetal, podendo ocorrer: fetos grandes para idade gestacional (GIG), aumento das taxas de cesárea, traumas de canal de parto e distocia de ombro, hipoglicemia, hiperbilirrubinemia, hipocalcemia,

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Zilma Eliane Ferreira Alves, médica especialista em Medicina Fetal Denílson Medeiros Bem2, médico especialista em Medicina Fetal

Ângela K. Menescal Landwehr, mestre em Saúde Pública

Breno C. Abreu Sena, médico residente

Membros do Setor de Gestantes de Alto Risco do HRAS – Brasília (DF)

distúrbios respiratórios neonatais e óbito fetal in-trauterino.1,2 O DMG também é fator de risco im-portante para parto pré-termo. Estudo realizado por Sibai mostrou que 9% das gestantes diabéticas tive-ram trabalho de parto prematuro espontâneo antes das 34 semanas de gestação, comparado com 4,5% daquelas não diabéticas. O aborto espontâneo está associado a controle glicêmico pobre no 1º trimes-tre. São considerados fatores de risco: hemoglobina glicada maior que 12% e persistência da elevação da glicemia pré-prandial acima de 120mg/dl.3-4

As complicações maternas mais comuns são as infecções (candidíase, ITU, infecção puerperal e in-fecções do trato respiratório).

O uso da insulina no tratamento do DMG e nas pacientes com DM tipo 2 altera significativamente o prognóstico materno e fetal e tem sido usada roti-neiramente há vários anos. A insulina é introduzida quando a dieta e exercícios não são suficientes para

Trabalho em execução no Setor de Gestantes de Alto Risco do Hospital

Regional da Asa Sul/ HRAS, Brasília (DF).

Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, SES/DF

USO DE METFORMINA NA GRAVIDEZ

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controlar a glicemia. 5-7

A metformina é uma droga hipoglicemiante oral utilizada no tratamento do DM tipo 2. Classificada pela FDA na categoria Bm*, não há contra indicação do seu uso na gestação; além de ter baixo custo e po-sologia simples e adequada para o uso na gestação. Da classe das biguanidas, a metformina é uma subs-tância estável, não se liga às proteínas plasmáticas e é excretada, in natura, na urina; possui meia vida de 1,3 a 4,5 horas e a dose máxima recomendada é de 3g fornecida em três doses com as refeições. Não provoca liberação de insulina a partir do pâncreas e não causa hipoglicemia, mesmo em grandes doses. As principais causas dos níveis reduzidos de glicose durante a terapia com metformina parecem ser um aumento da ação da insulina nos tecidos periféricos e o débito hepático reduzido de glicose devido à inibição da gliconeogênese.

As contra-indicações ao uso da metformina são: pacientes com comprometimento renal, doença he-pática, história pregressa de acidose lática de qual-quer etiologia, insuficiência cardíaca ou doença pul-monar hipóxica crônica.

Os efeitos colaterais agudos da metformina que acontecem em até 20% dos casos são: diarréia, dor abdominal, náuseas, paladar metálico e anorexia; sintomas que podem ser atenuados com a adminis-tração após as refeições. A absorção da vitamina B12 e ácido fólico está frequentemente diminuída durante a terapia crônica com a metformina. O in-farto agudo do miocárdio ou a septicemia obrigam a interrupção imediata da substância.

A fisiopatologia do DM tipo 2 se caracteriza prin-cipalmente pelo aumento da resistência periférica à insulina. O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG), por sua vez, também é conseqüência do aumento da resistência periférica à insulina causada pelos hor-mônios da gestação. 9-11

Considerando o mecanismo de ação da metfor-mina e a fisiopatologia do DM tipo 2 e do DMG , é

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racional considerar o uso terapêutico dessa droga . É universalmente aceito que a insulina humana é a melhor droga para o controle do DM na gestação, porém a dificuldade na aderência da paciente e a ne-cessidade de internações freqüentes impedem uma maior abrangência e eficácia da terapêutica e conse-quentemente o aparecimento de complicações neo-natais como: malformações do tubo neural, malfor-mações cardíacas, macrossomia fetal, polidrâmnio, prematuridade e suas conseqüências.

Portanto consideramos que a utilização da dieta e metformina associadas, quando necessário, à insuli-na contribuiriam para diminuir o número de interinsuli-na- interna-ções, as doses de insulina e custo da terapêutica sem prejuízo do controle e resultados perinatais.

OBJETIVOS: Avaliar os resultados perinatais no

tratamento do DM tipo II e DMG em gestantes com metformina e/ou insulina com o intuito de:

- Manter a paciente com DM tipo II e DMG

durante a gravidez euglicêmica com o uso de metfor-mina como droga única ou associada à insulina .

- Diminuir as complicações maternas e fetais de-correntes da hiperglicemia materna.

- Aumentar a aderência da paciente à terapêutica hipoglicemiante.

- Diminuir número e tempo de internação. - Diminuir o custo do tratamento.

MATERIAL E MÉTODOS: Estão sendo

seleciona-das para o estudo as pacientes admitiseleciona-das no Serviço de pré-natal de Alto Risco do HRAS com diagnóstico prévio de DM tipo II e DMG diagnosticado antes de 28 semanas, com idade gestacional entre 7 a 28 semanas. São realizados os seguintes exames adicio-nais no início e durante a gestação: uréia, creatinina, ácido úrico, triglicerídeos e transaminases séricas, bem como a dosagem de hemoglobina glicada.

Após diagnóstico é iniciada dieta com restrição calórica e de carboidratos, sob orientação e

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nhamento de uma nutricionista, e o registro diário das glicemias capilares de jejum e pós-prandiais du-rante 2 semanas pela própria paciente. Se necessá-rio, a metformina está sendo prescrita, inicialmente um comprimido de metformina 850mg após almo-ço e jantar, com limite máximo de 3 comprimidos ao dia. As pacientes são avaliadas semanalmente no primeiro mês. E, associado à metformina, in-sulina NPH e/ou regular é introduzida se não hou-ver o controle glicêmico ideal (glicemia de jejum ≤ 95mg/dl e/ou glicemias pós-prandias ≤ 130mg/dl) e/ou circunferência abdominal do feto (CA) acima do percentil 75 para a idade gestacional, e índice de líquido amniótico (ILA) maior que 18 cm e/ou maior bolsão maior que 8 cm.

São excluídas as gestações gemelares, todas as pa-cientes com DM que já apresentam complicações por vasculopatia crônica e gestações com fetos malforma-dos identificamalforma-dos em qualquer fase da pesquisa.

Até o momento, onze pacientes estão sendo acompanhadas sem nenhum efeito colateral pelo uso da metformina. Destas, três já tiveram partos – 2 partos vaginais a termo sem complicações e 1 parto cesárea por cesariana prévia. Todos os recém-nasci-dos foram de termo com peso adequado para a ida-de gestacional; não houve abandono durante o trata-mento. Em breve serão publicados os resultados.

LEITURA COMPLEMENTAR

1. Yamamoto et al. Vitalidade fetal em diabéticas. RBGO - v. 22, nº 9, 2000

2. Rowan JA et al. Metformin versus Insulin for the Treatment of Gestational Diabetes. N Engl J Med. 2008 May 8;358(19):2061-3.

3. Tuffnell DJ et al. Treatments for gestational diabe-tes and impaired glucose tolerance in pregnancy. The Cochrane Library, 2005

4. Maganha CA et al, Tratamento do Diabetes melito Gestacional, Rev Assoc Med Bras 2003; 49(3): 330-4

SGOB promove venda de móveis de escritório

Em decorrência da mudança da AMBr para a nova sede do Clube do Médico, a SGOB acompanhará essa transferência e coloca a venda todo o seu mobiliário.

Os associados interessados na aquisição podem vê-los na sede atual da sociedade. Somente os associados terão direito às compras. No caso de haver mais de um interessado no mes-mo móvel, será feito sorteio entre eles.

Os móveis serão disponibilizados para retirada somen-te quando ocorrer a mudança da AMBr/SGOB, prevista para maio de 2009.

Abaixo relação de móveis e preços:

I – MÓVEIS SEMI -NOVOS

03 Mesas grandes de escritório R$ 165,00 cada

02 Mesas pequenas de escritório R$ 135,00 cada

01 Gaveteiro volante (com 04 gavetas) R$ 210,00

01 Gaveteiro volante (com 04 gavetas) - defeito na chave R$ 130,00

04 Armarios de duas portas R$ 300,00 cada

08 Cadeiras (com braços, sobre rodizios, com regulagem de altura, inclinação etc.)

R$ 240,00 cada

01 Mesa de reunião (14 pessoas) R$ 420,00

02 Armarios Magno R$ 300,00 cada

01 Sofá com quatro modolos R$ 175,00

II – MÓVEIS ANTIGOS

01 Armário de duas portas de ferro R$ 500,00

01 Armário de duas portas de madeira R$ 100,00 01 Geladeira (Média) R$ 80,00 01 Máquina de Xerox R$ 200,00 (necessita manutenção) 01 Mesinha de ferro R$ 30,00 01 pratileira de ferro R$ 30,00

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Referências

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