Caraterização da desportiva procura e oferta da Junta de Freguesia de Benfica

Texto

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Universidade de Lisboa

Faculdade de Motricidade Humana

C

ARATERIZAÇÃO DA PROCURA E DA OFERTA DESPORTIVA DA

J

UNTA DE

F

REGUESIA DE

B

ENFICA

Dissertação elaborada com vista à obtenção de Grau Mestre em Gestão do Desporto

Orientadora: Professora Doutora Margarida Mascarenhas

Presidente do Júri : Doutor Luís Miguel Faria Fernandes da Cunha

Vogais: Doutora Maria Margarida Ventura Mendes Mascarenhas Doutora Elsa Cristina Sacramento Pereira

Doutor Paulo Alexandre Correia Nunes

Filipe Silveira Carvalho (2019)

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“Todos os cidadãos têm direito à prática de atividade física e desportiva.”

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Agradecimentos

Chegando ao fim da presente dissertação, não posso deixar de agradecer a quem me acompanhou ao longo deste processo e contribuiu, ainda que de formas distintas, para que conseguisse concluir este processo tão importante a nível profissional e também pessoal.

Um agradecimento à Professora Doutora Margarida Mascarenhas, sem a qual não seria possível a realização deste trabalho. De salientar a prontidão que sempre apresentou, a eficácia do seu trabalho e toda a vontade de ajudar ao longo de todo o processo. Mais uma vez, o meu sincero obrigado.

A todos os elementos da Junta de Freguesia de Benfica que me ajudaram na realização deste estudo, dos quais destaco: o Dr. Ricardo Marques, vogal da educação e formação da Junta de Freguesia de Benfica; a Drª Inês Coelho, sua assessora; a Drª Rita Ferreira, coordenadora geral do projeto Componente de Apoio à Família da freguesia de Benfica; ao Carlos Custódio, elemento do pelouro do desporto, pelas suas palavras de motivação e pela sua disponibilidade; e a todos os participantes que integraram este estudo, tornando-o ptornando-ossível.

À minha tia Cristina e prima Inês, pela constante preocupação comigo ao longo destes anos e apoio que me deram para a conclusão deste trabalho.

À minha irmã Marta, pela cumplicidade de à tanto tempo, apoio e amizade. À minha namorada e grande mulher, Raquel, incansável no sentido de me ajudar e que sempre de forma incansável me motivou e muitas vezes orientou para o avançar deste trabalho. Obrigado pelo carinho, apoio e força todos os dias. Obrigado por acreditares em mim e em nós.

Aos meus pais, João e Paulina, a quem tanto devo e tanto orgulho tenho em ser vosso filho. À minha mãe, agradecer o fato de ser um exemplo de mulher, mãe e amiga; pela força demonstrada no ultrapassar de momentos tão difíceis; pela compreensão, apoio e amizade. Ao meu pai, que para além de pai, é um exemplo para mim enquanto Homem, profissional e professor. Obrigado!

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Resumo

O presente estudo visa caraterizar os hábitos desportivos das crianças do 1.º Ciclo das escolas da freguesia de Benfica, bem como, as ofertas desportivas promovidas por esta Junta de Freguesia. Pretende ainda identificar possíveis limitações na inscrição nessas ofertas e analisar a eficácia dos meios de comunicação utilizados. Para tal, foram elaborados dois questionários, um aplicado às crianças e outro aos pais e encarregados de educação, totalizando uma amostra de 115 participantes.

Entre os resultados, destacam-se: a) dentro da oferta desportiva da Junta de Freguesia, a que mais interessa ao género masculino é a natação e ao feminino é a ginástica infantil, embora nenhuma das modalidades se tenha evidenciado de outras; b) a maioria dos pais e encarregados de educação considera os meios de comunicação utilizados pela Junta de Freguesia eficazes; c)o meio de transporte surge como um dos fatores menos limitativos para usufruir da oferta desportiva.

Os dados sugerem que a Junta de Freguesia de Benfica orienta a sua intervenção na procura e criação de uma política desportiva que consiga dar resposta às preferências das crianças; todavia, sugere-se a replicação deste estudo com uma amostra superior e mais diversificada, de modo a identificar novas limitações e, se possível, colmatá-las.

Palavras-chave: Atividade Física das crianças; Comunicação dos serviços desportivos autárquicos; Desporto para todos; Gestão do desporto; Hábitos desportivos; Junta de Freguesia de Benfica; Oferta desportiva autárquica; Procura desportiva autárquica; Prática desportiva das crianças;

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Abstract

This study intends to explore the sporting habits of children studying in schools in Benfica area, as well as the activities promoted by the parish council. In this investigation the limitations of the enrolment process for these activities are listed, together with an analysis to the effectiveness of communication. In order to do so, two questionnaires were applied: one to children and the other to parents/education sponsors, in a total of 115 individuals, to access the above explained.

Amongst the presented results, an highlight to a)within the physical activities offered by the parish council, the one most interesting for male individuals is swimming, while for female individuals kids gymnastics is preferred, nevertheless, none of these held off from other activities; b) most parents/education sponsors finds the communication methods chosen by the local council effective; c)transportation being pointed out as one of the less relevant limitations to enjoy the sports activities.

Data suggests that the parish council guidelines are thought in order to find and create a sports politics that answers to the children's preferences, however, it is suggested to reapply this study to a higher and more diverse sample, aiming to identify the limitations and, if possible, to bridge them.

Keywords: Children's physical activity; Local government sporting services communication; Sports for all; Sports management; Sporting habits; Benfica parish council; Local government sports services; Local government sports services request; Children's sporting activities.

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Índice

CAPÍTULO 1: REVISÃO DA LITERATURA ... 4

1. Atividade física e desporto ... 4

2. Desporto para todos ... 7

3. Autarquias e Desporto... 10

4. Procura e Oferta desportiva ... 16

5. Caraterização das instalações desportivas ... 17

6. Comunicação e desporto ... 21

CAPÍTULO 2: METODOLOGIA ... 23

1. Caraterização do contexto ... 24

2. Junta de Freguesia de Benfica ... 28

3. Ofertas Desportivas da Junta de Freguesia de Benfica ... 33

4. Procedimento institucional para recolha de dados ... 36

5. Amostra ... 38

6. Recolha e tratamento de dados ... 39

CAPÍTULO 3: APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS ... 44

1. Análise de resultados dos questionários aplicados – alunos ... 45

2. Análise de resultados dos questionários aplicados – pais e encarregados de educação ... 58

CAPÍTULO 4: CONSIDERAÇÕES FINAIS, IMPLICAÇÕES E SUGESTÕES PARA FUTURA PESQUISA ... 71

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Índice de Figuras

Figura 1 – Fases do processo de comunicação (adaptado de Fill & Yeshin

(2001)) ... 22

Figura 2 – Três funções da comunicação em desporto, segundo Pederson, Miloch & Laucella (2007) ... 23

Figura 3 – Freguesias do concelho de Lisboa desde a reorganização em 2012 ... 25

Figura 4 – População da freguesia de Benfica por género (Instituto Nacional de Estatística, 2011) ... 25

Figura 5 – População residente na freguesia de Benfica por grupo etário e género (Instituto Nacional de Estatística, 2011) ... 26

Figura 6 – Distribuição da população por escalão etário (%) (Instituto Nacional de Estatística, 2011) ... 26

Figura 7 – Distribuição da população dor género (%) (Instituto Nacional de Estatística, 2011) ... 27

Figura 8 – Nível de instrução da população (%) (Instituto Nacional de Estatística, 2011) ... 28

Figura 9 – Nível de instrução da população (%) (Instituto Nacional de Estatística, 2011) ... 28

Figura 10 – Organograma da Junta de Freguesia de Benfica ... 29

Figura 11 – Piscina das instalações da Junta de Freguesia de Benfica ... 34

Figura 12 – Ginásio da Junta de Freguesia de Benfica ... 34

Figura 13 – Ringue António Livramento ... 35

Figura 14 – Complexo de piscinas do bairro da Boavista... 36

Figura 15 – Gosto pela prática desportiva (N=112) ... 45

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Figura 17 – Período com maior disponibilidade para a prática desportiva

(N=112) ... 47

Figura 18 – Periocidade semanal da prática desportiva (N=112) ... 48

Figura 19 – Periocidade semanal de prática desportiva (N=82) ... 50

Figura 20 – Tempo por treino/sessão (N=82) ... 51

Figura 21 – Inscritos nas ofertas desportivas da Junta de Freguesia de Benfica (%) (N=82) ... 52

Figura 22 – Motivações para a escolha da modalidade desportiva (N=82) ... 53

Figura 23 – Modalidades desportivas de interesse futuro para as crianças ... 55

Figura 24 – Interesse pelas ofertas desportivas da Junta de Freguesia de Benfica, por género. ... 56

Figura 25 – Objetivos para a prática desportiva (N=43) ... 59

Figura 26 – Conhecimento das ofertas desportivas da Junta de Freguesia de Benfica (N=43) ... 59

Figura 27 – Meios de comunicação utilizados pela Junta de Freguesia de Benfica (N=43) ... 61

Figura 28 – Perceção de eficácia dos meios de comunicação utilizados pela Junta de Freguesia segundo os pais e encarregados de educação (N=43) ... 61

Figura 29 – Preferência por outro meio de comunicação (N=43) ... 62

Figura 30 – Modalidades existentes na Junta de Freguesia de Benfica com interesse futuro para a prática dos educandos (N=43) ... 63

Figura 31 – Fatores limitadores para inscrição em atividade desportiva (N=43) ... 65

Figura 32 – Conhecimento das instalações desportivas geridas pelas Junta de Freguesia (N=43) ... 67

Figura 33 – Atividade extracurricular frequentada pela criança nas ofertas desportivas na Junta de Freguesia de Benfica (N=26) ... 69

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Índice de Tabelas

Tabela 1 – Motivações para a prática desportiva ... 46

Tabela 2 – Periocidade semanal de prática desportiva ... 48

Tabela 3 – Modalidades praticadas fora da escola ... 49

Tabela 4 – Motivações para a escolha de modalidade desportiva ... 53

Tabela 5 – Modalidades desportivas de interesse futuro através das crianças 54 Tabela 6 – Ofertas desportivas existentes que interessam às crianças ... 56

Tabela 7 – Objetivos para a prática de atividade física ... 58

Tabela 8 – Meios de comunicação utilizados pela Junta de Freguesia ... 60

Tabela 9 – Interesse das crianças nas modalidades existentes ... 63

Tabela 10 – Fatores limitadores de inscrição ... 64

Tabela 11 – Modalidades de interesse para futuro, através dos pais e encarregados de educação ... 66

Tabela 12 – Distribuição das crianças inscritas em atividades extracurriculares ... 67

Tabela 13 – Modalidades extracurriculares ... 68

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Introdução

O desporto, nos dias de hoje, apresenta uma tendência evolutiva com maior pluralidade de objetivos e motivações. Ao contrário do século passado, atualmente não é apenas o fator competição que está ao alcance das populações. Assim, assume-se uma maior diversidade de valores que constituem a sociedade moderna (Pires, 2007).

Devido ao desenvolvimento do desporto a nível mundial, existe também uma enorme oferta desportiva no que respeita ao lazer e à recreação. Esta nova forma de ver o desporto cria uma grande necessidade de organização no âmbito do quotidiano de cada um, assim como uma evolução em termos de ordenamento do território, para que seja possível satisfazer as novas necessidades da população que caraterizam a atualidade, mas também, e mais importante, o futuro (Sarmento & Carvalho, 2014). Este crescimento territorial tem de estar enquadrado com estratégias nacionais e regionais, não podendo desligar-se do principal objetivo, que é a colocação da população no centro de ação para que se possa contribuir para um melhor nível de vida ativo, saúde e bem-estar físico. Devemos salientar, não obstante, que o termo “saúde” não se restringe unicamente à ausência de doenças (Gonçalves, 2016).

Todos nós poderemos observar que o envolvimento e objetivos da mais recente tendência de organização e construção de equipamentos, físicos e não-físicos, e também sociais têm novos parâmetros de avaliação. Tendo em conta a redefinição dos objetivos da população, é quase exigido que, cada vez mais, haja um padrão de qualidade elevado, assim como uma multifuncionalidade do equipamento, para que este tenha sucesso. Assim, deve existir um grande foco na população que o vai utilizar (Sarmento & Carvalho, 2014).

Segundo Garcia (2002), o ser humano não tem necessidades básicas universais, pois estas variam consoante o tempo, o local e, essencialmente, de pessoa para pessoa. Por isso, torna-se cada vez mais imprescindível existir uma linha de investigação aprofundada dos hábitos e necessidades desportivas da população, de modo a planificar uma estrutura social e desportiva.

É neste ponto que se torna exigível a existência de um conjunto de técnicos com formação especializada e profissional na área do desporto, que se

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ocupam da gestão e administração de serviços, pois estes, para além da orientação de atividades lúdicas e recreativas e animação das mesmas, têm um papel fundamental no impulsionar do desenvolvimento desportivo (Joaquim, 2009).

Esta temática é importante para a viabilização de construção ou potencialização de estruturas, tanto por uma questão política, como para direcionar os novos produtos desportivos com a principal finalidade de satisfazer os consumidores.

As autarquias são entidades imprescindíveis para promover e auxiliar o desenvolvimento desportivo, criando maiores e mais fáceis condições de acesso às diferentes atividades desportivas ao maior número de cidadãos dos diferentes grupos etários e sociais (Constantino,1990).

Devido às dificuldades sentidas por muitos, jovens ou idosos, no acesso à atividade física, é preciso refletir quanto à necessidade de adaptar os territórios para as necessidades.

Deste modo, a presente dissertação prende-se com o facto de ser preciso haver um estudo dos meios envolventes das instituições. Visto a Junta de Freguesia de Benfica não ter dados atualizados acerca das suas ofertas desportivas para as crianças do 1.º ciclo, foi oportuna a realização deste estudo.

Devido à grande preocupação que as autarquias devem ter com as necessidades das populações, assim como o ambiente que é vivido perante o desporto numa determinada região, surgiu a oportunidade de realizar um estudo sobre a oferta e o consumo desportivo das crianças de 1.º ciclo inseridas na Freguesia de Benfica, de forma a perceber se as ofertas desportivas estarão de acordo com as necessidades e desejos das crianças, para assim ter uma melhor perceção do que pode ser melhorado e adaptado às tendências juvenis.

O principal objetivo deste estudo é caraterizar os hábitos desportivos das crianças (1.º Ciclo) da freguesia de Benfica.

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Os objetivos específicos para este estudo são definidos da seguinte forma:

Perceber se as ofertas desportivas da Junta de Freguesia de Benfica estão de acordo com os interesses das crianças;

• Identificar as limitações existentes para a inscrição das crianças nas atividades da Junta de Freguesia;

• Perceber quais os meios de comunicação utilizados e verificar se existe algum outro preferido pelos pais e encarregados de educação;

• Identificar alguns aspetos que possam favorecer a instituição perante a sua população de consumidores de atividades desportivas.

A estrutura da presente dissertação está divida em quatro partes. Deste modo, as questões abordadas anteriormente, referentes à fase que o desporto atravessa nos dias de hoje, principalmente no que toca ao seu acesso por parte das variadas faixas etárias e também o papel das autarquias estão presentes no primeiro capítulo referente à “Revisão de Literatura”. Num segundo capítulo, a “Metodologia”, serão apresentados os instrumentos utilizados no estudo, o procedimento de recolha de dados, os participantes e será descrito o tratamento estatístico utilizado. De seguida, no capítulo dos “Resultados”, serão apresentados os resultados obtidos, assim como algumas referências a estudos anteriores com objetivos semelhantes. No último capítulo, “Conclusões”, serão analisados os resultados e as limitações do estudo e, por fim, colocadas questões e sugeridas linhas de orientação para futuras investigações sobre o papel das autarquias e todo o seu envolvimento na promoção de atividades de interesse para a população. O presente estudo exploratório pretende, então, contribuir para um maior conhecimento sobre as atividades desportivas sob gestão da Junta de Freguesia de Benfica, através da análise das ofertas, relacionando com os interesses das crianças e encarregados de educação inquiridos.

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Capítulo 1: Revisão da literatura

No âmbito do capítulo da revisão de literatura, serão abordados os seguintes temas: atividade física e desporto, o desporto para todos, autarquias e o seu papel enquanto entidades de promoção de estilos de vida ativos.

1. Atividade física e desporto

Nos dias de hoje, é cada vez mais notório o impacto das exigências do quotidiano, na maioria dos países considerados desenvolvidos, refletindo-se, muitas vezes, em estilos de vida pouco saudáveis, caraterizados, por exemplo, por maus hábitos alimentares e pelo aumento do sedentarismo. Neste sentido, tem-se verificado que a combinação de uma dieta pouco saudável com um estilo de vida sedentário tem impacto significativo na saúde das populações (Lopez, Mathers, Ezzati, Jamison & Murray, 2006). Em particular, Costa (2010) refere que, em Portugal, o sedentarismo é o maior fator de risco comunitário para a saúde. De facto, até ao nível do senso comum, combater o sedentarismo é uma problemática com dimensão social, sendo necessário fomentar, junto da população portuguesa, a adoção de estilos de vida mais saudáveis, nomeadamente através da promoção da atividade física e desportiva.

Tendo por base o estudo realizado por Marivoet (2001), intitulado “Hábitos Desportivos da População Portuguesa”, são apresentados factos nacionais, e as razões da prática desportiva segundo a opinião dos portugueses. Assim, no contexto nacional a autora verificou que o Algarve e a região Centro são as regiões do país com níveis de prática desportiva menor acentuada, constituindo--se a região Centro a que apresenta uma menor aquisição e desenvolvimento de hábitos desportivos, sendo este facto relacionado com o habitat e a estrutura económico-demográfica desta região.

Segundo Marivoet (2001), variáveis idade, género, escolaridade e estatuto socioprofissional, são estruturantes da prática desportiva. Os homens tendem a praticar mais desporto do que as mulheres, os jovens mais do que os mais velhos, assim como, os que têm um nível de escolaridade mais elevada, e os

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que detêm um estatuto socioprofissional que requer maiores níveis de qualificação e de responsabilidade.

Nos países onde o nível de escolaridade é baixo, e os sectores de atividade primária e secundária ainda abrangem uma boa fatia da população, os hábitos desportivos são inferiores como constitui o caso de Portugal.

Os benefícios da atividade física regular para a saúde são diversos e com impacto a nível físico, psicológico e social. Especificamente, verifica-se que a prática de atividade física está relacionada com: a diminuição do stress; a prevenção da hipertensão arterial; a promoção da manutenção/aumento da massa muscular e baixa de peso; o atraso de alguns processos de envelhecimento; a melhoria da autoestima e da autoconfiança; a promoção do crescimento saudável e o aumento do reportório psico-motor (Barata, Branco, Malta, Manso, Mendes, Pereira & Sardinha, 1997).

Considera-se relevante fazer a distinção dos diferentes tipos de atividade física e o modo como podem ser implementados. Deste modo, segundo Calmeira e Matos (2004), existem três tipos de atividade física:

a) Atividade física resultante de qualquer movimento espontâneo que produza dispêndio energético (e.g. atividades de lazer, ocupacionais e domésticas);

b) Atividade física moderada que provoque uma sensação de calor no participante (e.g. andar de bicicleta, dançar, caminhar);

c) Atividade física vigorosa que requer uma sensação de esforço superior (e.g. praticar desportos coletivos, correr, nadar).

A prática de atividade física regular apresenta inúmeros benefícios, como já foi referido. Adicionalmente, esta é fundamental para um desenvolvimento saudável e pleno durante a infância, sendo a sua prática essencial para as crianças entre os seis e os doze anos (segunda infância), cujas idades correspondem ao 1.º Ciclo de Escolaridade, a população alvo do presente estudo.

Além de ser essencial nesta faixa etária a prática de exercício físico para combater o sedentarismo, a obesidade infantil, entre outras, a atividade física

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também é importante por ajudar a promover a integração social e a fomentar a aprendizagem de atitudes e comportamentos que o desporto proporciona, facilitando a transição do contexto familiar para o social (Custódio, 2011).

Neste sentido, ao nível das crianças, a prática de atividade física regular contribui para: o seu desenvolvimento psicomotor; o seu desenvolvimento orgânico e a maturação do sistema nervoso; a promoção de atitudes e valores subjacentes à formação desportiva; a criação de hábitos de um estilo de vida mais saudável; responder a necessidades de socialização e formação da sua cidadania (Fórum do Desporto da Península de Setúbal, 2007).

Do ponto de vista das necessidades de desenvolvimento multilateral das crianças, a principal exigência que o currículo real dos alunos deve satisfazer é a continuidade e a regularidade de atividade física adequada, pedagogicamente orientada pelo seu professor.

O Programa de Ensino da Educação Física desenha um «continuum» de desenvolvimento pessoal, através das experiências (atividade do aluno) que estão indicadas pelos seus efeitos desejáveis (objetivos).

Incentivar a prática desportiva na infância é, portanto, fundamental. Não só pelos efeitos diretos que pode proporcionar durante esta fase de desenvolvimento, como pelo seu papel protetor em idade adulta, nomeadamente na prevenção ao nível da saúde, como na possibilidade de continuar a incluir a prática desportiva no seu estilo de vida.

Deste modo, é essencial incentivar a prática da atividade física regular na infância, sendo uma componente fundamental para o seu desenvolvimento e um hábito essencial para um estilo de vida mais ativo.

Alves (2003) apresenta algumas sugestões que podem estimular os hábitos desportivos das crianças e podem ser incluídos em programas com esse propósito, como por exemplo: estimular a participação dos alunos em competições desportivas; diminuir o número de horas de exposição à televisão, jogos de vídeo e computador; reforçar as aulas de educação física nas escolas e sensibilizar os pais como modelos para os filhos.

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2. Desporto para todos

O desporto para todos é um sistema de desenvolvimento desportivo que privilegia a promoção de práticas desportivas a todos os grupos duma determinada sociedade (Christiansen, Kahlmeier & Racioppi, 2014).

A relevância indiscutível de fomentar, junto da população portuguesa, um estilo de vida mais ativo, através da sensibilização e promoção da atividade física regular e do desporto, já é reconhecida a nível político, no qual o Estado tem um papel fundamental. De facto, segundo a Constituição da República Portuguesa (1976), artigo número 79, alíneas 1 e 2:

a) “1. Todos têm direito à cultura física e ao desporto;

b) 2. Incumbe ao Estado, em colaboração com as escolas e as associações e coletividades desportivas, promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto, bem como prevenir a violência no desporto.”

Assume-se, assim, que o desporto é um direito de todos, que contribui para promoção de saúde e bem-estar. Um direito reforçado na Lei de Bases de Atividade Física e do Desporto (2007): “Todos têm direito à Atividade Física e Desportiva, independentemente da sua ascendência, sexo, raça, língua (…)”.

Neste seguimento e com esta premissa surge o movimento do “Desporto para todos”, cujo conceito parte do princípio de que todos tenham o direito ao desporto, mas não que exista a mesma oferta para todos (Bento, 1991). Esta nova forma de desporto surge com a necessidade da individualização desportiva. Com isto pressupõe-se que todos disponham do acesso pretendido ao desporto, assim como às ofertas adequadas para que seja possível satisfazer as suas necessidades. Independentemente da raça, sexo, idade, crença religiosa, é importante que sejam criadas ofertas desportivas para que haja possibilidade envolver toda a população, possibilitando, assim, que todas as pessoas possam incluir a prática de atividade física regular como uma componente do seu estilo de vida e esta prática tornar-se um hábito de vida saudável.

Para este efeito, Constantino (1999, p. 27) aponta alguns caminhos que os municípios por sua própria iniciativa devem seguir:

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a) Educação física no 1.º ciclo do ensino básico;

b) Cooperação com a administração central do Estado (ministério da educação) no âmbito da prática desportiva escolar;

c) Criação, desenvolvimento e apoio a programas e projetos que promovam junto dos cidadãos o hábito da prática regular da atividade física e desportiva numa perspetiva da saúde e bem-estar;

d) Incidência na criação, desenvolvimento ou apoios a programas para seniores, idosos e portadores de deficiência numa perspetiva de manutenção da condição física;

e) Criação ou apoio a projetos de ocupação dos tempos livres dos jovens, designadamente nas férias escolares;

f) Numa perspetiva de desporto para todos, apoio a projetos que ofereçam à população o acesso de forma regular à prática de atividades desportivas;

g) Criação de infraestruturas com impacto direto sobre o crescimento desportivo.

A população procura no desporto um meio de fugir ao incumprimento de hábitos de vida saudáveis. Neste sentido, Sousa (1995) apresenta alguns fatores que motivam as pessoas a essa procura, uns de natureza geral e outros mais específicos. Em relação aos fatores de caráter geral, identifica os seguintes:

a) A necessidade de uma maior relação social; b) Um maior autoconhecimento;

c) A autoafirmação;

d) A vontade de experimentar novas atividades e sensações. Quanto aos fatores mais específicos, enumera os seguintes:

a) A prevenção para a saúde;

b) A manutenção e melhoria da condição física;

c) A procura de novos valores sociais e estéticos (elementos considerados importantes na atualidade e que são complementares à prática de atividade física regular);

d) A necessidade de recarregar energias e relaxar durante um tempo, após o desgaste de um dia de trabalho.

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Ainda assim, podemos observar que, apesar de já ser notória a importância atribuída ao desporto, nem sempre existe uma organização adequada, o que faz com que as ofertas, por vezes, estejam de acordo apenas com uma baixa percentagem da população.

Carvalho (1994) sugere que o “Desporto para todos” é um fenómeno popular que se apoia na criação de atividades desportivas para que todos os cidadãos tenham a possibilidade de beneficiar da prática de atividade física em qualquer momento da sua vida. Devido à diversidade existente de formas de prática, motivações ou interesses, o autor identificou cinco tipos de atividades que procuram responder às necessidades e interesses dos diversos cidadãos:

a) Atividades de caráter intensamente formativo – Neste âmbito estão inseridas as atividades que procuram responder às necessidades das crianças, através de um caráter lúdico, contribuindo para o seu desenvolvimento maturacional, assim como para a sua aprendizagem de integração social. Integram estas atividades o trabalho desenvolvido nas escolas (através da educação física e do desporto escolar), o associativismo (através dos clubes, formação e animação);

b) Atividades de caráter recreativo – Estas atividades são orientadas para o indivíduo. Este organiza as atividades ao seu nível, gosto e objetivos. Através destas atividades, poderão ser alcançados níveis de bem-estar físico e emocional;

c) Atividades de manutenção – Procuram responder a objetivos de reconstrução de força, prevenção da saúde e de bem-estar, através de atividades organizadas, coletivas ou individuais;

d) Atividades de caráter expressivo – Este meio desenvolve atividades muito específicas e também, em grande parte, destinadas a grupos muito específicos (mulheres, idosos, entre outros). Estes grupos veem neste tipo de atividades uma forma de socialização, divertimento, bem como uma forma de expressão através do corpo;

e) Atividades de confronto direto e intenso (alto rendimento) – A representação destas atividades é feita, na sua maioria, através da competição do médio ao mais alto nível. Complementando estes

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indicadores, apresenta-se a competição aliada à necessidade de superação, através do desporto espetáculo.

O desporto está, assim, em constante mutação, atingindo vários pontos de diversidade e mudança; a importância do corpo, o local de prática, o vestuário utilizado, a modernização dos equipamentos são fatores que levam a uma constante revolução nesta área.

Para um melhor desenvolvimento deste setor é relevante analisar o contexto atual. No presente, segundo os autores Januário, Sarmento e Carvalho (2010), vemos, já inserido nas sociedades, o desporto para todos baseado em atividades de lazer, ou seja, uma área que integra o desporto como forma de divertimento, convívio e de lazer, diferenciando-se do conhecido desporto espetáculo que está vinculado à competição e objetivos de rendimento; e também o desporto escolar, inserido nas atividades escolares. Ainda segundo a ideia dos autores referidos, atualmente, as pessoas praticam desporto de forma a cultivar o seu “eu”, tanto físico como emocional, de forma a possibilitar uma maior integração social, o sentido de superação, assim como usufruir do divertimento a este associado.

3. Autarquias e Desporto

O desporto assumiu um papel importante, segundo Carvalho (1994),a partir da Revolução de 1974, visto que, desde esse acontecimento, as pessoas tomaram posse do seu ser, isto é, um ser com desejos, vontades e objetivos. Fato corroborado por Carvalho (2007), ao afirmar que foi nos últimos 30 anos que os municípios emergiram como entidades proporcionadoras de desenvolvimento desportivo local e nacional.

As autarquias são formas autónomas de organização das populações locais, como refere a Lei de Bases de Atividade Física e do Desporto (2007). Assim, presume-se que pertence às autarquias o interesse de desenvolver o território em conformidade com as necessidades da população respetiva. Visto que estas entidades são as mais próximas dos cidadãos, deverão também ser as responsáveis pela promoção da atividade física dos munícipes, ainda com a possibilidade de regular outras entidades vocacionadas para esta área.

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Neste sentido, é importante salientar outros domínios importantes anunciados no documento de Lei de Bases do Sistema Desportivo de 2007:

a) Artigo 6.º, n.º 1 – “Incumbe ao Estado (…) e às autarquias locais, a promoção e generalização da atividade física, enquanto instrumento essencial para a melhoria da condição física, da qualidade de vida e da saúde dos cidadãos”;

b) Artigo 6.º, n.º 2 – “(…) Adotar programas que visem criar espaços públicos aptos para a atividade física, incentivar hábitos de atividade física regular e promover a conciliação da atividade física com a vida pessoal, profissional e familiar (…)”;

c) Artigo 8.º, n.º 1 – “(…) O Estado, em estreita colaboração com (…) as autarquias locais e entidades privadas, desenvolve uma política integrada de infraestruturas e equipamentos desportivos (…)”;

d) Artigo 28.º, n.º 2 – “(…) As atividades desportivas escolares devem valorizar a participação (…) das autarquias locais, desenvolvimento e avaliação”;

e) Artigo 46.º – “(…) podem beneficiar de apoios e comparticipações financeiras por parte (…) das autarquias locais, as associações desportivas, bem como eventos desportivos de interesse público (…)”.

Segundo Meirim (2007), a LBAFD apresenta soluções bem concretas em múltiplos domínios; contudo, ignora a realidade, marginaliza o movimento associativo e descura a importância das autarquias locais no desenvolvimento desportivo nacional.

Pires (1996, p.126) assumia “o setor do desporto autárquico, o setor do futuro”, visto ter todas as potencialidades para desenvolver o sistema desportivo. Neste seguimento, as autarquias devem ter bem presentes as suas funções e assumir as suas responsabilidades, que, segundo Cunha (1997), são: a) Constituir-se como o suporte das atividades desportivas, com especial atenção para os grupos desfavorecidos;

b) Ter uma política que favoreça a política das instalações desportivas, de espaços de recreio e espaços verdes, o respetivo apetrechamento e sua gestão;

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c) Financiar projetos de desenvolvimento desportivo;

d) Articular ações com outros setores do sistema desportivo e do sistema social, visando estabelecer sinergias entre estes nos processos desencadeados;

e) Criar as condições favoráveis de arranque para os processos de desenvolvimento desportivo.

Segundo Pereira (2009, pp. 109-115), o Estado tem no poder local, em particular nas Câmaras Municipais, órgãos com atribuições e competências fundamentais para a prossecução da sua missão, isto é, servir os cidadãos e as organizações, dar boas respostas às suas aspirações, necessidades e motivações e contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

“O papel das autarquias locais no desenvolvimento do desporto é hoje insubstituível, tal o significado e dimensão atingidos no panorama do desenvolvimento desportivo nacional” (Pereira, 2012, p. 207).

O mesmo autor (2012, p. 209) refere que:

“As principais áreas de intervenção das câmaras municipais no desporto são:

a) Os equipamentos, os espaços e o ordenamento do território; b) As parcerias e os apoios ao associativismo;

c) Os programas e as atividades;

d) O relacionamento com o sistema educativo; e) A formação, os estudos e o apoio documental;

f) A organização de eventos e de espetáculos de desporto; g) O desporto profissional.”

Devido ao aumento da atenção e consciência que as pessoas tomaram na relação entre o desporto e a sua saúde, o controlo/legislação nacional tornou-se insuficiente para a monitorização de práticasdesportivas. Deste modo, surgiu a necessidade de atribuir papéis, começando a responsabilizar as entidades regionais e locais pelo desenvolvimento do setor, nomeadamente, as autarquias. Estas têm cada vez mais um papel participativo e decisivo, tanto ao nível da construção de infraestruturas, como na promoção da atividade física. Na perspetiva de Carvalho (2003), a atuação das autarquias passa pela construção

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de infraestruturas desportivas, a organização de atividades dos clubes, o desenvolvimento de atividades desportivas nas escolas, até à organização de grandes eventos desportivos. De facto, é importante que seja cada vez maior e melhor o envolvimento destas entidades e que possam contribuir de forma mais ativa e eficaz no combate ao sedentarismo e acompanhamento de populações mais desfavorecidas.

Complementando, as autarquias devem centrar as suas ações na perspetiva global dos cidadãos para que todos possam ter acesso ao desporto e deixem de ser apenas espetadores do desporto espetáculo. Constantino (1999) afirma que uma autarquia deve promover e estimular o aumento da oferta desportiva e das condições que permitam à maioria dos cidadãos terem o acesso às mais diversas formas de prática desportiva. Este acesso surge com intuito de as populações adquirirem um estilo de vida ativo, no qual o desporto possa ser entendido como um meio imprescindível de valorização individual e coletiva.

Para que as autarquias consigam responder a estes desafios, estas precisam de encontrar estratégias para que haja um equilíbrio entre as necessidades dos cidadãos e as suas ações de desenvolvimento desportivo, bem como a criação de espaços que potenciem a prática desportiva para todos. Constantino (1994) criou um modelo de intervenção das autarquias, no qual descreve princípios de atuação, tais como:

a) Generalização do acesso à prática do desporto, com a pretensão de aumentar os níveis de participação e a frequência dos diferentes escalões etários e sociais da população;

b) Criação de infraestruturas com impacto direto sobre o crescimento desportivo;

c) Melhoria da qualidade das atividades e práticas desportivas ao nível material, humano e logístico;

d) Cooperação com a sociedade civil, nomeadamente o associativismo desportivo e a iniciativa privada;

e) Modernização da gestão e estruturação das estruturas municipais. Segundo Pires e Colaço (2005), nos primeiros anos nos quais foi visível o desenvolvimento do setor desportivo foi notória a sua evolução através da

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construção de infraestruturas desportivas com o objetivo de crescimento do setor. No entanto, na atualidade, a finalidade passa pelo aumento da qualidade, da eficiência e da generalização da prática desportiva. Assim, é necessário planear melhor, aumentar a rendibilidade e fazer evoluir o desporto.

Deste modo, através da reflexão sobre estes argumentos, é possível perceber que, no âmbito do desporto, o que é realmente necessário é centralizar as atenções para o que tem significado para os cidadãos. Devem, assim, ser implementadas políticas desportivas do interesse dos mesmos, de modo a que não seja desperdiçado tempo e dinheiro, devido a tomadas de decisão desenquadradas da realidade. Pereira (2012, pp. 207-209) refere que cada concelho e cada freguesia constituem realidades muito próprias.

Neste seguimento, Januário (2010) relembra o quanto é importante existirem políticas desportivas adequadas à realidade, com a finalidade de promover, orientar, apoiar e regular o processo de desenvolvimento desportivo. Segundo o autor, para que este desenvolvimento desportivo seja verdadeiro é necessário que haja um envolvimento ativo e comprometido dos munícipes e do associativismo. Muitas vezes, são as atividades oferecidas pelos clubes a principal via de acesso à prática desportiva por parte de diferentes grupos de cidadãos (Arraya, 2014).

Também Pires (2000) revela que as autarquias terão uma responsabilidade crescente na configuração do desporto no futuro, sendo importante a necessidade de encontrar um equilíbrio entre os excessos, isto é, nos extremos de rendimento e desporto espetáculo, assim como uma coerência de desenvolvimento desportivo que deveríamos notar entre todos os parceiros, públicos e privados, com ou sem fins lucrativos, individuais ou coletivos que integram o fenómeno desportivo.

Na perspetiva de Carvalho (2000), é abusivo e incorreto patentear uma das formas do desporto em detrimento das outras.

Para que isto aconteça, é impossível não falar de planeamento estratégico, que enquadra a missão e as linhas de orientação futuras nos objetivos a longo prazo. A este propósito, Pires e Colaço (2005) referem que os objetivos de uma organização definem-se como o processo pelo qual uma

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organização, após determinada análise do ambiente e definidos os objetivos, seleciona estratégias mais adequadas para os atingir. Para isso, define os projetos a serem executados para o desenvolvimento dessas estratégias, assim como o conjunto de ações orientadas e selecionar e implementar as que melhor correspondem à missão e objetivos definidos.

O crescimento das estruturas desportivas não está diretamente relacionado com maiores benefícios na qualidade de oferta, não sendo suficiente promover mais atividades, afetar mais verbas, conseguir mais clientes/praticantes ou melhor obtenção de resultados. Cunha (2003) defende que é necessário um enquadramento articulado e estratégico na aplicação destes esforços de crescimento, para que se obtenha um valor acrescentado em termos de benefícios à comunidade e ao cidadão em matéria do desporto.

Melo de Carvalho (1994) centra-se no desenvolvimento desportivo e na sua concretização, na qualidade de informação que precisamos retirar e assume o rigor como indispensável neste processo. É importante que exista um plano estratégico de desenvolvimento desportivo; de facto, este é um elemento imprescindível para definir linhas de ação que devem estar de acordo com a intervenção que os municípios devem exercer para o sucesso do desenvolvimento. Para além dos elementos que contribuem para a construção do processo de planeamento, para Melo de Carvalho (1994), este só poderá ter algum efeito benéfico e preciso caso seja tomado em consideração o seguinte:

a) A análise de toda a oferta desportiva do concelho; b) A elaboração da carta de instalações desportivas;

c) O estudo dos hábitos desportivos da população em questão.

A complementar todo o envolvimento do planeamento, é necessário perceber quem são os agentes de decisão, pois nem sempre o grau académico é o fator mais significativo. Segundo Pires (1996), alguns estudos foram realizados acerca das constituições das equipas inseridas nas autarquias; no entanto, muitos foram inconclusivos. Assim, este autor refere que 35,6% das autarquias contavam com a colaboração de técnicos de desporto e que, desses, 16,5% tinham grau académico superior ou bacharelato. As organizações desportivas públicas enfrentam desafios na contratação de pessoal qualificado que possa responder eficientemente às exigências dos serviços desportivos

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oferecidos por estas entidades; contudo, na maioria das vezes a seleção do pessoal não é a mais adequada (Taylor, Doherty, & McGraw, 2015).

Em suma, torna-se indispensável que, no futuro, a planificação do desporto seja feita de acordo com os estudos realizados acerca da oferta já existente, a procura atual do setor e a previsão da evolução, para que sejam realizadas ações de acordo com os desejos e as necessidades das populações.

Planear, construir e equipar as instalações desportivas é a principal chave para promover a participação desportiva dos cidadãos, pois, como é defendido por vários autores, existe uma interdependência entre a existência, a proximidade, a variedade de instalações desportivas e participação nas práticas desportivas (Grieve & Sherry, 2012; Hallmann, Wicker, Breuer & Schönherr 2012; Hoekman, Breedveld & Kraaykamp 2016; Wicker, Breuer, Pawlowski 2009).

4. Procura e Oferta desportiva

Os benefícios da prática de atividade física são, atualmente, conhecidos e reconhecidos pela globalidade da população. É expetável que a procura pelo exercício físico e atividade física tenha tendência a aumentar e, posto isto, é importante que a oferta se adapte aos objetivos da procura. Neste aspeto, as autarquias exercem uma função muito importante, visto que atuam a um nível local e podem adaptar o que existe de infraestruturas desportivas àquilo que as pessoas procuram.

Pires (2003) define a oferta como a qualidade de bens ou serviços postos à disposição dos consumidores. Ou seja, a oferta são todos os serviços e bens disponíveis para a utilização dos já praticantes ou futuros, desde as instalações até às atividades praticadas. Assim, a construção de infraestruturas ou adaptação das já existentes carece de ser feita do ponto de vista do utilizador.

A sociedade tem-se adaptado e seguido as novas tendências e modas criadas à volta do desporto, com maior incidência em atividades recreativas e de lazer. Consequentemente, devido ao aumento da procura, surge também um aumento da oferta. Por isso, está implícita a necessidade de rendibilidade das atividades já existentes. Com o aparecimento constante de novas atividades e modas desportivas, tornam-se de cada vez maiores as exigências e pressões

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que se colocam sobre as instituições e mercados. Até porque a procura tem vindo a sofrer alterações e a tornar-se mais diversificada. Assim sendo, os consumidores querem receber o melhor serviço e, em simultâneo, que este seja o mais indicado para si, respondendo às suas necessidades e desejos.

Numa perspetiva de organização territorial é necessário tomar consciência de que, cada vez mais, são implementadas novas atividades, com ligações a novas tendências e modas, e que isso requer também um equilíbrio em estruturas que suportem essas práticas. Caso este equilíbrio não exista, por muita promoção que se faça, não será viável pensar que possamos, um dia, integrar uma população com bons hábitos de prática desportiva e saudável.

Tal como já foi referido, é importante identificar qual é a realidade na qual se está inserido desportivamente, de forma a não se desperdiçar recursos desnecessariamente, devido ao facto de que as populações alvo são diferentes e com caraterísticas específicas que variam de acordo com, por exemplo, os escalões etários, os grupos sociais, as tradições, entre outras. Em consequência, as tendências desportivas podem mudar consoante a região, o que leva a ser necessário fazer uma análise da sua procura, para que seja oportuno o investimento.

Constantino (1994, p. 89) afirmou que o futuro do desporto seria o que é realmente:

“Um desporto construído à medida de cada um (…). Exigirão de um modo crescente dos poderes públicos as respostas sociais a uma existência feliz, equilibrada e saudável.”

5. Caraterização das instalações desportivas

Estando em causa o tema da oferta desportiva, faz sentido abordar a questão das instalações desportivas por também estas serem, muitas vezes, um elemento que os consumidores têm em consideração na escolha de um serviço. Segundo o decreto-lei n.º 141/2009, de 16 de junho (Diário da República, 2009), instalação desportiva define-se por “Espaço edificado ou conjunto de espaços resultantes de construção fixa e permanente, organizados para a

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prática de atividades desportivas, que incluem as áreas de prática e áreas anexas para os serviços de apoio e instalações complementares.” Ainda no mesmo documento, são distinguidas as tipologias das instalações. As instalações desportivas podem ser agrupadas nos seguintes tipos:

a) Instalações desportivas de base;

b) Instalações desportivas especializadas ou monodisciplinares; c) Instalações desportivas especiais para o espetáculo desportivo.

As Instalações desportivas de base são:

Instalações recreativas as que se destinam a atividades desportivas com caráter informal ou sem sujeição a regras imperativas e permanentes, no âmbito das práticas recreativas, de manutenção e de lazer ativo.

Consideram-se instalações recreativas, designadamente, as seguintes: a) Recintos, pátios, minicampos e espaços elementares destinados a iniciação aos jogos desportivos, aos jogos tradicionais e aos exercícios físicos;

b) Espaços e percursos permanentes, organizados e concebidos para evolução livre, corridas ou exercícios de manutenção, incluindo o uso de patins ou bicicletas de recreio;

c) Salas e recintos cobertos, com área de prática de dimensões livres, para atividades de manutenção, lazer, jogos recreativos, jogos de mesa e jogos desportivos não codificados;

d) As piscinas cobertas ou ao ar livre, de configuração e dimensões livres, para usos recreativos, de lazer e de manutenção.

Outro tipo de instalações são as instalações formativas, definidas como apresentado em seguida.

São instalações formativas as instalações concebidas e destinadas para a educação desportiva de base e atividades propedêuticas de acesso a disciplinas desportivas especializadas, para aperfeiçoamento e treino desportivo, cujas caraterísticas funcionais, construtivas e de polivalência são ajustadas aos requisitos decorrentes das regras desportivas que enquadram as modalidades desportivas a que se destinam.

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Consideram -se instalações formativas, designadamente, as seguintes: a) Grandes campos de jogos, destinados ao futebol, râguebi e hóquei em campo;

b) Pistas de atletismo, em anel fechado, ao ar livre e com traçado regulamentar;

c) Pavilhões desportivos e salas de desporto polivalentes;

d) Pequenos campos de jogos, campos polidesportivos, campos de ténis e ringues de patinagem, ao ar livre ou com simples cobertura;

e) Piscinas, ao ar livre ou cobertas, de aprendizagem, desportivas e polivalentes.

Quanto às instalações desportivas especializadas ou monodisciplinares: As instalações permanentes concebidas e organizadas para a prática de atividades desportivas monodisciplinares, em resultado da sua específica adaptação para a correspondente modalidade ou pela existência de condições naturais do local, e vocacionadas para a formação e o treino da respetiva disciplina.

Constituem-se como instalações desportivas especializadas,

designadamente, as seguintes:

a) Pavilhões e salas de desporto destinados e apetrechados para uma modalidade específica;

b) Salas apetrechadas exclusivamente para desportos de combate; c) Piscinas olímpicas, piscinas para saltos e tanques especiais para atividades subaquáticas;

d) Pistas de ciclismo em anel fechado e traçado regulamentar; e) Instalações de tiro com armas de fogo;

f) Instalações de tiro com arco;

g) Pistas e infraestruturas para os desportos motorizados em terra; h) Instalações para a prática de desportos equestres;

i) Pistas de remo e de canoagem e infraestruturas de terra para apoio a desportos náuticos;

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l) Outras instalações desportivas cuja natureza e caraterísticas se conformem com o disposto no n.º 1. 3 — Para efeitos do disposto no presente decreto-lei, consideram-se ainda instalações desportivas especializadas as integradas em infraestruturas destinadas à preparação de desportistas, designadamente em centros de alto rendimento e centros de estágio desportivos.

Por fim, as instalações desportivas especiais para o espetáculo desportivo estão definidas como:

As instalações permanentes, concebidas e vocacionadas para acolher a realização de competições desportivas, e onde se conjugam os seguintes fatores:

a) Expressiva capacidade para receber público e a existência de condições para albergar os meios de comunicação social;

b) Utilização prevalente em competições e eventos com altos níveis de prestação;

c) A incorporação de significativos e específicos recursos materiais e tecnológicos destinados a apoiar a realização e difusão pública de eventos desportivos.

Consideram-se instalações desportivas especiais para o espetáculo desportivo, designadamente, as seguintes:

a) Estádios;

b) Pavilhões multiusos desportivos;

c) Estádios aquáticos e complexos de piscinas olímpicas; d) Hipódromos;

e) Velódromos;

f) Autódromos, motódromos, kartódromos e crossódromos; g) Estádios náuticos;

h) Outros recintos que se configurem nos termos dos números 1 e 3 do presente artigo.

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Os requisitos específicos que determinam a classificação das instalações previstas neste artigo são definidos na regulamentação a que se refere o artigo 14.º do presente decreto-lei.

6. Comunicação e desporto

Assim sendo, pretende-se apresentar o conceito de comunicação, os meios utilizados para promoção do desporto e perceber quais os meios mais eficazes.

Tal como indica Dias (2011), comunicar faz parte do ser humano, sendo vital para o bem-estar deste. Faz parte do Ser, permitindo a troca de experiências, passando por informar, ensinar, aprender, transmitir conhecimentos.

O homem é um ser preparado para viver em sociedade, partilhando opiniões, comportamentos. Assim, comunicar não é um processo unilateral. Muito pelo contrário, torna-se um processo multilateral que possibilita relações interpessoais, assim como a construção e coesão de comunidades, sociedades e culturas.

Sousa (2009) indicou algumas razões para comunicar: a) Para trocar informações;

b) Para entender e ser entendido;

c) Para integrar grupos e comunidades, nas organizações e na sociedade; d) Para satisfazer as necessidades económicas que nos permitem pagar a alimentação, o vestuário e bens que consumimos.

A comunicação e a informação, embora dependentes, são conceitos distintos. A informação é um conjunto de dados organizado que dá origem a uma mensagem enquanto a comunicação conduz à partilha dessa mensagem, o que dá origem a dois polos distintos – o emissor e o recetor.

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22 Figura 1 – Fases do processo de comunicação (adaptado de Fill & Yeshin (2001))

Não só a informação como também a comunicação, fazendo parte do ser humano, estão sempre presentes nas organizações, o que permite a evolução e a criação de estratégias integrantes na entidade.

Segundo Bueno (2005), a comunicação é um instrumento estratégico de inteligência empresarial, que possibilita a persecução dos objetivos globais de uma organização.

Pela sua importância social e relevância nos elementos constituintes de uma organização, a comunicação constitui um processo essencial no âmbito do desporto.

O desporto, como forma de desenvolvimento intelectual e social, procura desenvolver variados aspetos pessoais, como autonomia, autoconhecimento, espírito de equipa, superação, entre outros. É através da comunicação, por parte de colegas, treinadores e professores, que muitos destes conceitos são alcançados.

Adaptada ao desporto, segundo Pederson, Miloch e Laucella (2007), a comunicação tem três funções distintas:

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23 Figura 2 – Três funções da comunicação em desporto, segundo Pederson, Miloch & Laucella (2007)

A comunicação aplicada ao desporto é muito importante, pois, se não houvesse a possibilidade de comunicar, não seria possível, por exemplo, organizar uma equipa, analisar/observar um jogo, existir uma promoção de um determinado conceito ou mesmo de um evento desportivo.

O desporto profissional está intimamente ligado aos meios de comunicação que transmitem, relatam e veiculam uma opinião sobre ele (Billings, Butterworth & Turman, 2012).

Capítulo 2: Metodologia

De acordo com Pires (1989), o processo de investigação tem uma determinada metodologia relativamente ao conjunto de operações que nos levam à verificação dos propósitos da investigação.

Neste sentido, no presente capítulo será apresentada a metodologia desta investigação, isto é, a amostra de participantes deste estudo, bem como os questionários nele aplicados e os procedimentos metodológicos efetuados, nomeadamente os métodos adotados na recolha e tratamento dos dados, tendo em consideração os objetivos definidos.

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24

É de salientar que o principal foco da análise do estudo é direcionado para as ofertas desportivas da Junta de Freguesia de Benfica dirigidas a crianças com idades correspondentes ao 1.º Ciclo, quanto ao grau de diversidade e pertinência dos serviços desportivos prestados atualmente e no futuro e de que modo correspondem às preferências desportivas das crianças que frequentam as escolas da freguesia. Outro foco importante considerado é dirigido aos meios de comunicação utilizados por esta entidade pública para divulgar as suas ofertas desportivas ao público-alvo, ou seja, a quem decide – os pais e encarregados de educação das crianças.

1.

Caraterização do contexto

Benfica é uma freguesia portuguesa no concelho de Lisboa, com uma área de 8,02 km2 e com 36 821 habitantes dos quais 35 035 são eleitores,

segundo a Câmara Municipal de Lisboa. Benfica engloba dois terços do grande pulmão da capital portuguesa, o Parque Florestal de Monsanto.

Segundo o site da Junta de Freguesia de Benfica, no século XV foi

promovida a sede de julgado do Termo de Lisboa, sendo-lhe concedidos dois juízes privativos. Foi também nessa altura que se fixaram três importantes Irmandades: Nossa Senhora do Amparo, Santo António e São Sebastião.

No século XVIII começou a registar-se uma forte atração de novas classes

abastadas, seduzidas pela paisagem, que se instalam em quintas; todavia, no século XIX aparecem as ligações com transportes públicos e assiste-se ao

crescimento exponencial da cidade.

Com a extinção do Termo de Lisboa em 1852, o território de Benfica é primeiro integrado no novo concelho de Belém e, mais tarde, em 1886, é dividido. A parte exterior à nova Estrada da Circunvalação de Lisboa é integrada em Oeiras (e atualmente na Amadora) e a parte interior é integrada em Lisboa, dando origem à atual freguesia.

Em seguida, são representadas por ilustração as freguesias do concelho de Lisboa, onde se inserem: Ajuda, Alcântara, Alvalade, Areeiro, Arroios, Avenidas Novas, Beato, Belém, Benfica, Campo de Ourique, Campolide,

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25

Carnide, Estrela, Lumiar, Marvila, Misericórdia, Olivais, Parque das Nações, Penha de França, Santa Clara, Santa Maria Maior, Santo António, São Domingos de Benfica e São Vicente.

Figura 3 – Freguesias do concelho de Lisboa desde a reorganização em 2012

Dados retirados dos Censos (Instituto Nacional de Estatística, 2011), indicam que a população da freguesia de Benfica conta com um total de 36 821 indivíduos, sendo que 16 493 (45%) são homens e 20 328 (55%) são mulheres.

Total Homens Mulheres Homens (%) Mulheres (%) 36.821 16.493 20.328 45% 55%

Figura 4 – População da freguesia de Benfica por género (Instituto Nacional de Estatística, 2011)

Também através de dados apresentados pelo estudo dos Censos (Instituto Nacional de Estatística, 2011), foi possível aferir qual a população residente por grupo etário e por género. Podemos verificar que a população entre os 25 e os 64 anos corresponde à maioria da população residente na freguesia

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26

de Benfica, enquanto a população com 65 ou mais anos corresponde a 29,1%, e a população dos 0 a 24 anos corresponde apenas a 20,2% da população.

Faixas etárias Número de residentes % Indivíduos Residentes Género Indivíduos Residentes Género

Masculino Feminino Masculino Feminino 0 a 14 anos 4064 2098 1966 11% 5,7% 5,3% 15 a 24 anos 3373 1682 1691 9,2% 4,6% 4,6% 25 a 64 anos 18662 8465 10197 50,7% 23% 27,7% 65 ou mais anos 10722 4248 6474 29,1% 11,5% 17,6% Total 36821 16493 20328 100% 44,80% 55,20%

Figura 5 – População residente na freguesia de Benfica por grupo etário e género (Instituto Nacional de Estatística, 2011)

Nos dados apresentados graficamente na figura 6, é possível observar que a população desta freguesia se situa maioritariamente entre os 25 e os 64 anos, ainda idade ativa, do ponto de visto profissional.

Figura 6 – Distribuição da população por escalão etário (%) (Instituto Nacional de Estatística, 2011)

Quanto à apresentação gráfica por género, figura 7, é possível observar que existem em maior percentagem (27,7%) mulheres entre os 25 e os 64 anos

11,0% 9,2% 50,7% 29,1% 0 a 14 anos 15 a 24 anos 25 a 64 anos 65 ou mais

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e os 65 anos ou mais, correspondendo a 17,6%. Nas restantes faixas etárias existe maior equilíbrio entre escalões etários.

Figura 7 – Distribuição da população dor género (%) (Instituto Nacional de Estatística, 2011)

Ainda através dos Censos (Instituto Nacional de Estatística, 2011), foi possível aferir qual o nível de instrução da população de Benfica. É possível verificar com 25,5 % da população desta freguesia tem uma formação superior, em comparação com o Pós-Secundário, categoria com menor significância com 2,2%.

Nível Instrução

Número de Residentes %

Indivíduos

Residentes Masculino Feminino Género Residentes Indivíduos Masculino Feminino Género

Nenhum 4957 2152 2805 13,5% 5,8% 7,6% Básico 1º Ciclo 7704 3124 4580 20,9% 8,5% 12,4% Básico 2º Ciclo 3227 1584 1643 8,8% 4,3% 4,5% Básico 3º Ciclo 5259 2490 2769 14,3% 6,8% 7,5% Secundário 5464 2695 2769 14,8% 7,3% 7,5% Pós-Secundário 808 447 361 2,2% 1,2% 1,0% Superior 9402 4001 5401 25,5% 10,9% 14,7% Total 36821 16493 20328 100% 44,80% 55,20% 5,7% 4,6% 23,0% 11,5% 5,3% 4,6% 27,7% 17,6%

0 A 14 ANOS 15 A 24 ANOS 25 A 64 ANOS 65 ANOS OU MAIS

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28 Figura 8 – Nível de instrução da população (%) (Instituto Nacional de Estatística, 2011)

Em seguida, é apresentado graficamente, em percentagem, o nível de instrução sobre categorias que são: Ensino Superior com 25,5%, Ensino Básico 1.º Ciclo com 20,9%, Ensino Secundário com 14,8%, Ensino Básico 3.º Ciclo com 14,3%, nenhum com 13,5%, Ensino Básico 2.º Ciclo com 8,8% e Ensino Pós-Secundário com 2,2%.

Figura 9 – Nível de instrução da população (%) (Instituto Nacional de Estatística, 2011)

2. Junta de Freguesia de Benfica

A Junta de Freguesia de Benfica orienta a sua ação com o objetivo de contribuir ativamente para que a freguesia se afirme como referencial de excelência no serviço público autárquico, por forma a garantir a satisfação plena das necessidades, expetativas e aspirações dos seus cidadãos, e a promoção da qualificação e valorização do seu capital humano.

A missão desta instituição passa por planear, definir e implementar estratégias e linhas orientadoras que promovam o desenvolvimento sustentável da freguesia, abordando as mais diversas áreas, tais como, social, ambiental, educação, desporto e cultura, mas também promover a valorização e a coesão

13,5% 20,9% 8,8% 14,3% 14,8% 2,2% 25,5% Nenhum Básico 1º Ciclo Básico 2º Ciclo Básico 3º Ciclo Secundário Pós-Secundário Superior

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29

social. Esta entidade trabalha e desenvolve-se através de valores como o Compromisso, Responsabilidade Social e Ambiental, Transparência, Coesão, Integridade, Inovação e Excelência no serviço público.

A Junta de Freguesia está organizada por departamentos/pelouros distintos, como indica a figura 10.

Figura 10 – Organograma da Junta de Freguesia de Benfica Fonte: Grande Opções do Plano de 2016 da Junta de Freguesia

O pelouro da Educação/Formação e Juventude centra-se especificamente em três pilares distintos:

• Educação; • Formação; • Juventude.

Relativamente à educação, são desenvolvidos vários projetos e atividades de acordo com o objetivo de promover um ensino de excelência para todas as crianças e jovens que têm o seu percurso formativo nas instituições de ensino e educação em Benfica. Numa perspetiva de continuar a fomentar o sucesso

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educativo, são propostos vários objetivos/planos de atividade; no entanto, serão enumerados apenas os mais pertinentes para o presente estudo:

“Dinamizar uma Comissão de educação envolvendo todos os atores educativos e forças vivas locais;

• Ambos os projetos visam contribuir, o primeiro através da prática desportiva e o segundo da música, para o crescimento/desenvolvimento sadio da criança, tanto a nível físico e como mental;

• Planear, executar, gerir e avaliar as atividades de animação e apoio à Família (AAAF), nos jardins-de-infância, e a Componente de apoio à Família (CAF), nas escolas básicas do 1.º ciclo, com vista à persecução do trabalho de excelência desenvolvido pelas mesmas;

Continuar a promover as academias Desportivas – “active Start” – no âmbito das AAAF/CAF, com as modalidades de natação, Judo, Futebol11, Hóquei em Campo, andebol, Basquetebol, Xadrez e Ginástica”;

• Documento “Grandes Opções do Plano-Junta de Freguesia de Benfica” Na área da Formação, a Junta de Freguesia de Benfica compromete-se a contribuir para a promoção de uma sociedade mais desenvolvida. Esta pretende ir ao encontro de uma população satisfeita com a oportunidade de formação profissional, com objetivos de integração e promoção social e realização pessoal.

Também nesta temática são enumerados alguns planos de atividades, parte dessas apresentadas em seguida:

Realizar candidatura junto da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGert), com vista a encetar processo de certificação para a área de Formação Profissional, dinamizada pela Junta de Freguesia de Benfica;

• Estabelecer novas parcerias com entidades, cuja oferta formativa demonstre ir ao encontro das necessidades identificadas pelos fregueses de Benfica e pelas freguesias limítrofes;

Apostar na realização de workshops e seminários, de modo a otimizar as capacidades, habilidades e aptidões dos fregueses de Benfica e das

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31

freguesias limítrofes, bem como sessões de esclarecimento sobre temas considerados pertinentes;

Implementar projetos de reflexão e construção social com jovens em risco, assim como apoiar no âmbito de orientação vocacional;

Criar uma plataforma de e-learning com oferta formativa complementar, que vá ao encontro das necessidades formativas identificadas pelos fregueses de Benfica.

Na vertente juventude, o pelouro da Educação/Formação e Juventude da Junta de Freguesia de Benfica tem como linha de ação uma política juvenil coerente, sustentada, dinâmica e objetiva. Para isto, é necessário que exista uma noção efetiva e precisa da realidade e da constante necessidade de adequar o modo de ação às mudanças na sociedade. É objetivo desta Junta encontrar um equilíbrio de energias que possibilitem a criação de oportunidades aos jovens.

Alguns dos planos de atividades deste setor serão agora enumerados: • “Dinamizar uma Comissão da Juventude;

Promover a divulgação de informação direcionada aos jovens, com especial enfoque em temas e oportunidades, que os capacitem na tomada de decisão e na perspetivação do seu projeto de vida;

Promover e apoiar o associativismo juvenil, recorrendo para isso à concretização de atividades culturais, desportivas, ambientais e sociais conjuntas;

Estimular o empreendedorismo jovem e, consequentemente a

inovação na freguesia;

Criar/Promover ateliers para jovens;

Desenvolver em parceria com o Pelouro do Desporto um leque de atividades desportivas direcionadas à população jovem de Benfica.” Quanto ao pelouro do Desporto, a Junta de Freguesia de Benfica apresenta uma noção muito factual da realidade do Desporto a nível nacional, assim como a importância que hoje em dia está atribuída às autarquias locais;

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com isto, promove e dinamiza atividades desportivas que envolvam toda a comunidade de forma harmoniosa e integrada. Através de parcerias que esta Junta de Freguesia estabeleceu, possui um elevado número de atletas jovens, o que garante também o futuro das coletividades. É objetivo também deste pelouro fazer os investimentos necessários para uma melhor eficiência energética dos seus equipamentos desportivos, assim como a elaboração e implementação de modelos organizativos internos que promovam a sustentabilidade, desde que assegurado o orçamento.

Também fazendo parte deste pelouro, está presente a gestão do Centro Clínico sediado nas instalações da Junta de Freguesia. A atualização dos processos e investimento para a melhoria das condições do espaço, bem como a melhoria dos serviços prestados aos utentes, é assumida como uma estratégia básica.

O pelouro do Desporto da Junta de Freguesia de Benfica, propõe:

“Organizar, promover e dinamizar formação para atletas, treinadores e dirigentes desportivos, em parceria com o Instituto Português do Desporto e Juventude, Federações, associações Profissionais e Coletividades locais;

Organizar e promover programas de atividade desportiva que visem despertar o interesse dos mais novos pelo desporto e o reconhecimento da sua importância;

Organizar e promover atividades desportivas ao ar livre, que estimulem e motivem a população para a necessidade e importância da prática de atividade física;

Organizar, promover e dinamizar programas de atividades em Monsanto, através de uma parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e o Parque Florestal de Monsanto;

Promover os estudos necessários à otimização e eficiência energética dos Complexos Desportivos, com vista à instalação e implementação de equipamentos e procedimentos que permitam reduzir a fatura energética e a pegada ambiental da Junta de Freguesia de Benfica, nomeadamente nos seus equipamentos desportivos.”

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Figura 1 – Fases do processo de comunicação (adaptado de Fill & Yeshin (2001))

Figura 1

– Fases do processo de comunicação (adaptado de Fill & Yeshin (2001)) p.31
Figura 2 – Três funções da comunicação em desporto, segundo Pederson, Miloch & Laucella (2007)

Figura 2

– Três funções da comunicação em desporto, segundo Pederson, Miloch & Laucella (2007) p.32
Figura 3 – Freguesias do concelho de Lisboa desde a reorganização em 2012

Figura 3

– Freguesias do concelho de Lisboa desde a reorganização em 2012 p.34
Figura 5 – População residente na freguesia de Benfica por grupo etário e género ( Instituto Nacional de  Estatística, 2011)

Figura 5

– População residente na freguesia de Benfica por grupo etário e género ( Instituto Nacional de Estatística, 2011) p.35
Figura 6 – Distribuição da população por escalão etário (%) ( Instituto Nacional de Estatística, 2011)

Figura 6

– Distribuição da população por escalão etário (%) ( Instituto Nacional de Estatística, 2011) p.35
Figura 7 – Distribuição da população dor género (%) ( Instituto Nacional de Estatística, 2011)

Figura 7

– Distribuição da população dor género (%) ( Instituto Nacional de Estatística, 2011) p.36
Figura 8 – Nível de instrução da população (%) ( Instituto Nacional de Estatística, 2011)

Figura 8

– Nível de instrução da população (%) ( Instituto Nacional de Estatística, 2011) p.37
Figura 10 – Organograma da Junta de Freguesia de Benfica  Fonte: Grande Opções do Plano de 2016 da Junta de Freguesia

Figura 10

– Organograma da Junta de Freguesia de Benfica Fonte: Grande Opções do Plano de 2016 da Junta de Freguesia p.38
Figura 11 – Piscina das instalações da Junta de Freguesia de Benfica

Figura 11

– Piscina das instalações da Junta de Freguesia de Benfica p.43
Figura 12 – Ginásio da Junta de Freguesia de Benfica

Figura 12

– Ginásio da Junta de Freguesia de Benfica p.43
Figura 13 – Ringue António Livramento

Figura 13

– Ringue António Livramento p.44
Figura 14 – Complexo de piscinas do bairro da Boavista

Figura 14

– Complexo de piscinas do bairro da Boavista p.45
Figura 15 – Gosto pela prática desportiva (N=112)

Figura 15

– Gosto pela prática desportiva (N=112) p.54
Tabela 1 – Motivações para a prática desportiva

Tabela 1

– Motivações para a prática desportiva p.55
Figura 17 – Período com maior disponibilidade para a prática desportiva (N=112)

Figura 17

– Período com maior disponibilidade para a prática desportiva (N=112) p.56
Figura 19 – Periocidade semanal de prática desportiva (N=82)

Figura 19

– Periocidade semanal de prática desportiva (N=82) p.59
Figura 20 – Tempo por treino/sessão (N=82)

Figura 20

– Tempo por treino/sessão (N=82) p.60
Figura 21 – Inscritos nas ofertas desportivas da Junta de Freguesia de Benfica (%) (N=82)

Figura 21

– Inscritos nas ofertas desportivas da Junta de Freguesia de Benfica (%) (N=82) p.61
Figura 23 – Modalidades desportivas de interesse futuro para as crianças

Figura 23

– Modalidades desportivas de interesse futuro para as crianças p.64
Figura 24 – Interesse pelas ofertas desportivas da Junta de Freguesia de Benfica, por género

Figura 24

– Interesse pelas ofertas desportivas da Junta de Freguesia de Benfica, por género p.65
Figura 26 – Conhecimento das ofertas desportivas da Junta de Freguesia de Benfica (N=43)36%2%10%12%25%15%0%5%10%15%20%25%30%35% 40%Promover a saúdeMelhorar o aspeto físicoMotivos terapêuticos/saúdeOcupação de tempos livresDivertimentoMelhorar a condição Fí

Figura 26

– Conhecimento das ofertas desportivas da Junta de Freguesia de Benfica (N=43)36%2%10%12%25%15%0%5%10%15%20%25%30%35% 40%Promover a saúdeMelhorar o aspeto físicoMotivos terapêuticos/saúdeOcupação de tempos livresDivertimentoMelhorar a condição Fí p.68
Figura 25 – Objetivos para a prática desportiva (N=43)

Figura 25

– Objetivos para a prática desportiva (N=43) p.68
Tabela 8 – Meios de comunicação utilizados pela Junta de Freguesia  Meios de comunicação utilizados  Frequência

Tabela 8

– Meios de comunicação utilizados pela Junta de Freguesia Meios de comunicação utilizados Frequência p.69
Figura 27 – Meios de comunicação utilizados pela Junta de Freguesia de Benfica (N=43)

Figura 27

– Meios de comunicação utilizados pela Junta de Freguesia de Benfica (N=43) p.70
Figura 28 – Perceção de eficácia dos meios de comunicação utilizados pela Junta de Freguesia segundo  os pais e encarregados de educação (N=43)

Figura 28

– Perceção de eficácia dos meios de comunicação utilizados pela Junta de Freguesia segundo os pais e encarregados de educação (N=43) p.70
Figura 29 – Preferência por outro meio de comunicação (N=43)

Figura 29

– Preferência por outro meio de comunicação (N=43) p.71
Figura 31 – Fatores limitadores para inscrição em atividade desportiva (N=43)

Figura 31

– Fatores limitadores para inscrição em atividade desportiva (N=43) p.74
Figura 32 – Conhecimento das instalações desportivas geridas pelas Junta de Freguesia (N=43)

Figura 32

– Conhecimento das instalações desportivas geridas pelas Junta de Freguesia (N=43) p.76
Figura 33 – Atividade extracurricular frequentada pela criança nas ofertas desportivas na Junta de  Freguesia de Benfica (N=26)

Figura 33

– Atividade extracurricular frequentada pela criança nas ofertas desportivas na Junta de Freguesia de Benfica (N=26) p.78
Tabela 14 – Valor mensal despendido com atividades extracurriculares

Tabela 14

– Valor mensal despendido com atividades extracurriculares p.78

Referências