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The Construction of a Learning Strategy Scale for Basic Education Students

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297 Psicologia: Teoria e Pesquisa

Set-Dez 2006, Vol. 22 n. 3, pp. 297-304

mentos ou atividades que se escolhem com o propósito de

facilitar a aquisição, o armazenamento e a utilização da

in-formação (Pozo, 1996). Têm um caráter consciente e

inten-cional e em nível mais específico, podem ser consideradas

como qualquer procedimento adotado para a realização de

uma tarefa (Da Silva & De Sá, 1997). Alguns teóricos

distin-guem as estratégias cognitivas das metacognitivas (Garner &

Alexander, 1989). Para Dembo (1994), enquanto as

estraté-gias cognitivas referem-se a comportamentos e pensamentos

que influenciam o processo de aprendizagem de maneira que

a informação possa ser armazenada mais eficientemente, as

estratégias metacognitivas são procedimentos que o

indiví-duo usa para planejar, monitorar e regular o seu próprio

pen-samento (Boruchovitch, 1993; 1999).

Da Silva e De Sá (1997) apontam que a instrução em

es-tratégias de aprendizagem possibilita aos estudantes

ultrapas-sar dificuldades pessoais e ambientais de forma a obter um

maior sucesso escolar. Estratégias de aprendizagem podem

As pesquisas brasileiras sobre estratégias de

aprendiza-gem, embora tenham aumentado recentemente, ainda são

es-cassas, em todas as etapas da escolarização. Alguns estudos

nacionais vêm sendo realizados no sentido de conhecer o que

alunos fazem espontaneamente para aprender e estudar em

diversas situações específicas de aprendizagem e estudo

(Bo-ruchovitch, 1995, 2001; Chakur, 1998; Costa, 2000; Costa &

Boruchovitch, 2004; Cruvinel & Boruchovitch, 2004,

Esco-lano & Linhares, 1998; Gombi, 1999; Gomes &

Boruchovi-tch, 2005; Jalles, 1997; Joly, Cantalice & Vendramini, 2004;

Joly & Paula, 2005; Lopes, 1997; Machado, 2005; Molina,

1983, 1984, Schlieper, 2001).

Estratégias de aprendizagem são seqüências de

procedi-A Construção de uma Escala de Estratégias de procedi-Aprendizagem para

Alunos do Ensino Fundamental

1

Evely Boruchovitch

2

Universidade Estadual de Campinas

Acácia Aparecida Angeli dos Santos

Universidade São Francisco

Elis Regina da Costa

Faculdade de Ciências Sociais e Agrárias de Itapeva

Edna Rosa Correia Neves

Miriam Cruvinel

Universidade Estadual de Campinas

Ricardo Primi

Universidade São Francisco

Sueli Edi Rufini Guimarães

Universidade Estadual de Londrina

RESUMO – Embora as estratégias de aprendizagem sejam importantes para o processo de escolarização, existe uma carência de instrumentos nacionais que possibilitem um conhecimento do repertório referente a elas em estudantes brasileiros. Assim sendo, os objetivos deste trabalho são: descrever os passos relativos à construção de uma escala para avaliar as estratégias de aprendizagem de alunos do ensino fundamental e apresentar o estudo preliminar de suas propriedades psicométricas. Discute-se a utilidade desse instrumento para diagnóstico, intervenção e prevenção em psicologia escolar e educacional.

Palavras-chave: psicometria; construção de teste; ensino fundamental.

The Construction of a Learning Strategy Scale for Basic Education

Students

ABSTRACT – Although learning strategies are important tools for schooling process, there is a lack of national instruments to evaluate their knowledge by brazilian students. Therefore, the objectives of this paper are to describe the steps necessary for the construction of a scale to evaluate the learning strategies for basic education students and to present the preliminary study of its psychometric properties. It is also discussed the utility of this instrument for diagnosis, intervention and prevention in school and educational psychology.

Key words: psychometric; test construction; basic education.

1 Os autores agradecem o apoio financeiro do CNPq

(2)

E. Boruchovitch e cols

ser ensinadas para alunos de baixo rendimento escolar. É

possível ensinar a todos os alunos a expandir notas de

au-las, a sublinhar pontos importantes de um texto, a monitorar

a compreensão da leitura, usar estratégias de memorização,

fazer resumos, entre outras.

Resultados de pesquisas revelam que a intervenção para

o desenvolvimento de estratégias de aprendizagem tem sido

bem sucedida, de modo geral, pois é capaz de produzir,

tan-to uma melhora imediata em seu uso, quantan-to no rendimentan-to

escolar geral dos alunos (Garner, Hare, Alexander, Haynes

& Winograd, 1984; Pressley & Levin, 1983; Weinstein &

Mayer, 1985). Ressaltam os teóricos nessa área que apenas

conhecer as estratégias não é suficiente para melhorar o

ren-dimento escolar dos estudantes. Faz-se necessário que os

alu-nos compreendam como e quando usá-las.

Se por um lado, o ensino de estratégias de aprendizagem

é capaz de melhorar consideravelmente o desempenho dos

alunos, por outro lado, não há dúvidas de que a intervenção

em estratégias de aprendizagem somente será eficaz para

de-senvolver a capacidade do aluno para aprender a aprender,

se ao ensino de estratégias forem associadas estratégias de

apoio afetivo, destinadas a modificar variáveis psicológicas,

tais como, ansiedade, auto-eficácia, autoconceito, atribuição

de causalidade, muitas vezes incompatíveis ao uso

apropria-do das estratégias. Deste moapropria-do, o ensino de estratégias de

aprendizagem pode ser otimizado (Hattie, Biggs & Purdie,

1996).

Entre os instrumentos disponíveis para mensurar

estraté-gias de aprendizagem na literatura internacional, podem-se

destacar como principais, o

Learning and Study Strategies

Inventory

(LASSI) desenvolvido por Weinstein e Palmer

(1987; 1990), o

Motivated Strategies for Learning

Question-naire

(MSLQ) de Pintrich e Groot (1989) e a

Self-Regulated

Learning Interview Schedule

de Zimmerman e Martinez-Pons

(1986; Zimmerman, 1986; Zimmerman, 1998).

No Brasil, as primeiras investigações, visando conhecer as

estratégias de aprendizagem de alunos do ensino

fundamen-tal, foram baseadas em instrumentos traduzidos e adaptados

da literatura estrangeira (Boruchovitch, 1995, 2001; Costa,

2000, Costa & Boruchovitch, 2004; Schlieper, 2001). Tendo

em vista a reconhecida importância das estratégias de

apren-dizagem em todos os níveis de escolarização e a ausência de

instrumentos nacionais que possibilitem um conhecimento

mais rápido do repertório de estratégias de aprendizagem,

desenvolveu-se, inicialmente, uma escala para alunos

univer-sitários (Santos & Boruchovitch, 2001; Santos,

Boruchovi-tch, Primi, Bueno & Zenorini, 2004) e, também, uma escala

infantil (Boruchovitch & Santos, 2001).

Para a construção das duas escalas, levou-se em conta,

criteriosamente, tanto os instrumentos internacionais

dispo-níveis na literatura da área, quanto os resultados provenientes

de pesquisas internacionais e nacionais sobre o tema.

Es-tratégias de memorização, de elaboração, de administração

de tempo, de estruturação do ambiente, de auto-avaliação,

específicas de compreensão da leitura, de apoio afetivo têm

sido as principais atividades mencionadas por pesquisadores

como fazendo parte do repertório de estratégias de alunos de

diversas faixas etárias e diferentes nacionalidades. Tendo em

vista sua relevância para a representatividade do construto,

essas atividades integram o conteúdo dos itens das escalas

existentes (Boruchovitch, 1995; 2001; Chakur, 1998; Costa,

2000; Costa & Boruchovitch, 2004; Escolano & Linhares,

1998; Gombi, 1999; Jalles, 1997; Lopes, 1997; Molina, 1983,

1984, Purdie & Hattie, 1996; Schlieper, 2001).

Considerando-se a importância de se construir

instru-mentos válidos e fidedignos, que possam estar disponíveis

para diagnóstico, intervenção e prevenção em psicologia

es-colar (Noronha, 2002; Noronha, Oliveira & Beraldo, 2003,

entre outros), os objetivos desse trabalho são descrever os

passos relativos à construção de uma escala para avaliar o

repertório de estratégias de aprendizagem de alunos do

en-sino fundamental e apresentar a análise preliminar de suas

propriedades psicométricas, o que ocorreu em dois estudos

descritos a seguir.

Estudo 1

Método

Participantes

Fizeram parte do estudo 305 alunos de duas escolas do

ensino fundamental de Campinas, divididos em dois grupos.

Ambas as escolas atendiam alunos provenientes de classe

so-ciais desfavorecidas. O primeiro grupo foi composto de 155

alunos de 2

a

série (24,5%), 4

a

série (25,8%), 6

a

série (25,8%)

e 8

a

série (23,9%), de ambos os sexos, sendo 51,6% do sexo

masculino e 48,4% do sexo feminino. Dos participantes

desse grupo, 51,6% nunca havia repetido uma série escolar,

enquanto que 43,9% tinha tido pelo menos uma reprovação.

A faixa etária variou de 7 a 18 anos, sendo que 39,4% dos

alunos tinham de 7 a 10 anos, 42,6 %, entre 11 e 14 anos, e

18,1%, entre 15 a 18 anos. A média da idade dos alunos foi

11, 64 e o desvio padrão de 2,98.

O segundo grupo foi composto de 150 estudantes de 3

a

série (33,3%), 5

a

série (33,3%) e 7

a

série (33,3%) do ensino

fundamental, de ambos os sexos, sendo 51,3% do gênero

fe-minino e 48,7% do gênero masculino. A faixa etária variou

de 9 a 15 anos, sendo que 31,3% dos estudantes tinham 9

anos, 63,3% entre 10 a 12 anos e 5,4%, entre 13 a 15 anos.

A média de idade dos participantes foi de 11,32 e o desvio

padrão foi de 1,69. A maioria dos participantes desse grupo

não havia repetido nenhuma série escolar (76,0%). Cabe

es-clarecer que a faixa etária dos alunos do primeiro grupo foi

mais ampla (7 a 18 anos) do que a dos estudantes do

segun-do grupo (9 a 15 anos) porque a escola segun-do primeiro grupo

não havia ainda adotado o regime de progressão continuada

(LDB – Lei 9394/96, artigo 32, parágrafo segundo).

Instrumento

(3)

299 Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, Set-Dez 2006, Vol. 22 n. 3, pp. 297-304

Escala de Estratégias de Aprendizagem

(Zimmerman & Martinez-Pons, 1986), traduzida e

adapta-da por Boruchovitch, (1995). Como esse material foi

origi-nalmente escrito em inglês, a autora efetuou sua tradução

do inglês para o português num primeiro momento, e, em

seguida, solicitou que um outro pesquisador brasileiro que

morou num país de língua inglesa, fizesse a versão dos

ins-trumentos para o inglês (

back translation

). Esse cuidado

possibilitou uma adaptação confiável do instrumento, tal

como originalmente proposto.

A entrevista era composta de 17 questões abertas,

algu-mas contendo itens fechados do tipo

sim

e

não

. As questões

dessa entrevista eram baseadas em situações concretas

re-lativas ao ensino e a aprendizagem dos participantes, que,

mais precisamente, mapeavam as seguintes situações: a)

aprendizagem em sala de aula, b) estudo em casa, c)

rea-lização de tarefas escolares em casa e de preparação para

provas. Como exemplo, pode se citar a seguinte questão:

A maioria dos professores costuma dar testes no final do

semestre. Esses testes determinam a nota dos alunos. Você

tem alguma maneira que possa lhe ajudar a se preparar

para uma prova de português ?

Procedimento

Inicialmente foi realizado um contato com diretores de

duas escolas de Campinas, e estabelecido o cronograma de

atividades de comum acordo. Foram observados os

princí-pios e procedimentos éticos estabelecidos pelo Conselho

Nacional de Saúde (CNS, 1996), tais como o respeito à

li-berdade e privacidade dos participantes, a não interferência

nas rotinas da escola, assim como o caráter confidencial dos

dados.

Os aplicadores, especialmente treinados para a tarefa,

realizavam a entrevista com cada estudante em uma única

sessão com duração de 45 a 60 minutos. Era pedido para o

participante que explicasse melhor sempre que a resposta

dada fosse ambígua ou vaga. Se o participante desse uma

resposta clara, perguntava-se a ele, se costuma fazer mais

alguma coisa além das que havia citado, seguindo assim,

o procedimento recomendado pelos autores da entrevista

original.

É importante ressaltar que era permitido que os

partici-pantes mencionassem mais de uma estratégia de

aprendiza-gem para cada situação proposta, se assim o desejassem. O

procedimento de coleta de dados e a entrevista foram

pré-testados em estudo piloto realizado com 60 alunos de 2

a

a

8ª série do ensino fundamental que não fizeram parte da

amostra.

Resultados e Discussão

As respostas dos alunos do primeiro grupo às questões

abertas foram examinadas, mediante os procedimentos de

análise de conteúdo

(Bardin, 1977/1991; Berelson, 1952).

Para aumentar a confiabilidade da análise de conteúdo, foi

desenvolvido um sistema de categorização de respostas

para cada questão. Assim, cada categoria foi definida

ope-racionalmente e um conjunto de regras para a classificação

de uma resposta numa dada categoria foi cuidadosamente

desenvolvido por Boruchovitch e Costa (Costa, 2000). As

respostas dos estudantes foram analisadas à luz do sistema

de categorização proposto. Durante a análise dos dados, os

pesquisadores não tiveram acesso a informações relativas

aos dados demográficos da amostra. Análises mais

detalha-das a respeito detalha-das relações entre as respostas dos

participan-tes e as variáveis idade, série escolar, gênero e repetência

foram também realizadas e podem ser encontradas em

Cos-ta (2000), CosCos-ta e Boruchovitch (2004) e

Schlieper (2001).

A consistência do processo de categorização foi

avalia-da mediante a utilização de juízes independentes que

ana-lisaram 20% das respostas dos participantes selecionadas

aleatoriamente, utilizando o conjunto de regras

menciona-do. Os juízes também não foram informados sobre os dados

relativos à reprovação escolar dos participantes durante o

processo de categorização, ou seja, trabalharam às cegas

para que essa informação não contaminasse suas análises. A

porcentagem de correspondência alcançada entre os juízes

e os pesquisadores foi de 90% .O sistema de categorização

desenvolvido foi, posteriormente, aplicado às respostas dos

participantes do segundo grupo, tendo-se revelado

adequa-do para análise das respostas obtidas na ocasião. Foi

nova-mente realizada uma análise da consistência do processo de

categorização das respostas de forma idêntica à primeira,

tendo se encontrado o mesmo percentual de concordância

entre juízes.

Embora a utilização de questões abertas sempre exija

o desenvolvimento de uma análise de conteúdo

sistemáti-ca e criteriosa, elas permitem um melhor mapeamento das

categorias de respostas existentes para uma dada questão.

Assim, podem se constituir numa primeira etapa para a

construção de instrumentos, possibilitando coletas de dados

de forma mais rápida, objetiva e precisa sobre o construto

de interesse. Pesquisadores defendem a utilidade das

ques-tões abertas, sugerindo que as mesmas funcionem como um

estudo piloto, antecedendo a construção de medidas mais

objetivas, adequadas e sensíveis à realidade a ser

investiga-da (Boruchovitch & Schall, 1999; Günther & Lopes, 1990;

Isaac & Michael, 1982).

Baseada nas informações obtidas em estudos anteriores

com questões abertas e na literatura da área, a primeira

ver-são da escala de estratégias de aprendizagem para alunos

do ensino fundamental (EAEF) (Boruchovitch & Santos,

2001) foi construída com o objetivo de avaliar o repertório

de estratégias de aprendizagem de alunos, bem como a

fre-qüência com que os estudantes as utilizam. Os autores

con-sideraram que essa etapa poderia ser de grande valia para os

passos seguintes da construção do instrumento pretendido.

(4)

E. Boruchovitch e cols

em seguida, no que diz respeito a pequenos problemas de

lin-guagem que foram detectados e implicaram na reformulação

da redação de alguns deles. Como exemplo de uma

modifi-cação decorrente dessa primeira aplimodifi-cação, pode-se citar que

a palavra “

sublinhar

” foi substituída pela frase “

passar uma

linha embaixo das partes importantes do texto”

.

A escala de estratégias de aprendizagem (EAEF) foi

ini-cialmente construída com 40 itens, propostos em forma de

escala

likert

e uma questão aberta, visando investigar se

o aluno usa mais alguma estratégia não contemplada nos

itens apresentados. A idéia inicial era de se explorar a

fun-cionalidade, adequação e potencialidades de um maior

nú-mero de itens, com o propósito de se chegar, num segundo

momento, a um instrumento menor e de aplicação menos

cansativa para as crianças.

Assim sendo, os itens 1, 2, 5, 7, 12, 13, 15, 16, 33

e 36 englobavam as principais estratégias cognitivas de

aprendizagem (ensaio, elaboração e organização). Já os

demais itens referiam-se a estratégias metacognitivas

como planejamento, monitoramento, controle e

regula-ção da aprendizagem. Após a elaboraregula-ção das frases, foi

feita uma avaliação do conteúdo e uma classificação de

cada uma, considerando-se o sistema proposto por

Mcke-achie, Pintrich, Lin, Smith e Sharma (citados por

Dem-bo, 1994). Com isso, confirmou-se que de fato os itens

eram representativos dos principais tipos de

estratégias

cognitivas e metacognitivas a que se propunham, tanto

para tarefas simples quanto para as mais complexas. Foi

elaborado também um conjunto de instruções que

acom-panham a escala, a ser lido pelos aplicadores de forma a

garantir a homogeneidade da aplicação do instrumento.

Estudo 2

Método

Participantes

A amostra foi composta de 433 estudantes de 3

a

a 8

a

série do ensino fundamental de 3

a

a 8

a

série, de ambos os

sexos, de nível sócio-econômico médio e baixo,

provenien-tes de escolas públicas do ensino fundamental de Campinas

e de Catalão – Goías, sendo 265 alunos de Campinas e 168

de Catalão. A faixa etária variou de 8 a 18 anos. A média

de idade foi de 11,65 e o desvio padrão de 2,12, sendo 32%

dos participantes entre 8 a 10 anos, 47% entre 11 a 13 anos,

20% entre 14 e 16anos e 1% entre 17 e 18 anos. No que diz

respeito à série escolar, 16% dos alunos encontravam-se na

3

a

série, 15% na 4

a

série, 21% na 5

a

série, 15% na 6

a

série,

15% na 7

a

série e 15% na 8

a

série Em relação ao gênero, 56

% dos participantes eram do sexo masculino e 44% do sexo

feminino.

Instrumento

Como descrito anteriormente, a escala consta de 40

itens propostos em forma de escala

likert

e uma questão

aberta, visando investigar se o aluno usa mais alguma

es-tratégia não contemplada nos itens apresentados, com três

alternativas de respostas para cada item, a saber: sempre,

algumas vezes e nunca. Para a resposta “sempre”

atribuiu-se 3 pontos, para “algumas vezes” 2 pontos e para “nunca”

1 ponto, com exceção das questões 28, 30, 31, 32, 35, 37,

38, 39 e 40, cuja pontuação na hora da análise teve seu valor

invertido. O valor máximo de pontos obtidos na escala é de

120 pontos e o valor mínimo é de 40 pontos.

Procedimentos

Seguindo os mesmos procedimentos realizados no

Es-tudo 1, os pesquisadores, previamente treinados para

ad-ministrar a escala estabeleceram um bom

rapport

com os

participantes.

As questões da escala de estratégias de aprendizagem

foram gravadas em fita cassete, de forma a se evitar a

inter-ferência do pesquisador, bem como facilitar a sua utilização

uniforme pelos três pesquisadores da equipe. As instruções

e as questões da escala foram ouvidas pelos participantes.

As crianças foram orientadas sobre como preencher a

esca-la e caso tivessem dúvidas que levantassem a mão para que

as mesmas fossem esclarecidas.

A escala foi aplicada em classes completas, todavia, em

pequenos grupos compostos de três a cinco alunos para

alu-nos de 3ª e 4ª séries e em grupos um pouco maiores para

alunos de 5

a

série em diante, sempre na presença de um

aplicador treinado para garantir a objetividade e a

homo-geneidade na coleta de dados. A aplicação da escala durou

em torno

de 20 minutos. Cabe mencionar que optou-se por

incluir, nesse estudo, somente alunos de 3ª série a 8ª série,

uma vez que a escala era relativamente longa e seria

aplica-da coletivamente e não individualmente como ocorreu com

a entrevista utilizada na coleta de dados do Estudo 1.

Resultados e Discussão

Para investigar as propriedades psicométricas da escala,

em termos de validade e precisão, recorreu-se aos métodos

da análise fatorial exploratória, correlação bivariada de

Pe-arson

e às estatísticas descritivas. Para verificar se haveria

a possibilidade de aplicar a análise fatorial, realizou-se o

Teste de Esfericidade de

Bartlett

, que indicou uma

correla-ção entre os itens (

X

2

[780,

N

=432]=2549,436;

p

<0,000). A

medida de adequação da amostra foi averiguada pelo índice

de

Kaiser-Meyer-Olkin

(KMO) que foi de 0,758.

A análise fatorial por componentes principais e rotação

varimax

revelou inicialmente a existência de três fatores

com

eigenvalues

acima de 1,50, capazes de explicar 27%

da variância total. Decidiu-se pela exclusão dos itens que

apresentaram saturação em mais de um fator, bem como

daqueles com carga fatorial menor que 0,35. Na Tabela 1

estão apresentados os itens resultantes.

(5)

301 Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, Set-Dez 2006, Vol. 22 n. 3, pp. 297-304

Escala de Estratégias de Aprendizagem

itens e o gráfico de sedimentação,

apresentado na Figura 1,

decidiu-se pela manutenção dos três fatores como a melhor

configuração para a escala.

Excluídos os itens com saturação inferior a 0,35, o Fator

1 reuniu oito itens (28, 30, 31, 32, 35, 37, 38 e 40), cujos

conteúdos referem-se à ausência de utilização de estratégias

de aprendizagem. Interessante destacar que se agruparam

nesse fator apenas itens que precisaram ter o valor

inver-tido para a análise, ou seja, elaborados com a intenção de

apresentarem comportamentos negativos para a

aprendiza-gem. O Fator 2 englobou seis itens (2, 5, 7, 12, 16 e 25),

sendo todos eles relacionados a estratégias cognitivas. O

Fator 3 reuniu os itens 4, 6, 17, 21, 26 e 27 com conteúdos

característicos das estratégias metacognitivas, envolvendo

basicamente a consciência de situações em que não estão

conseguindo alcançar a aprendizagem pretendida.

Com relação à precisão, a escala total alcançou um

índi-ce satisfatório, com coeficientes de

Cronbach

igual a 0,60.

O primeiro fator foi o que alcançou o maior índic

e α=0

,71

e os fatores 2 e 3 ficaram respectivamente com

α=

0,59 e

α

=0,51. Tais índices apontam para a necessidade de que a

escala seja submetida a novos estudos para que se possa

avaliar melhor o grau de precisão desses itens. É possível

que em uma aplicação da escala com a nova configuração

e reduzida à metade do número de itens originais e com

um maior número de participantes, os índices de precisão

obtidos sejam mais altos do que os que agora foram

identi-ficados (Prieto, & Muñiz, 1999).

Os 20 itens finais, ao se agruparem em três fatores,

reve-lam congruência da escala com os construtos teóricos que

ela se propõe a medir. Assim, cada item representa a

presen-ça ou ausência das principais estratégias de aprendizagem

cognitivas (ensaio, elaboração e organização) e

metacogni-tivas existentes na literatura (planejamento, monitoramento

e regulação dos processos cognitivos, afetivos e

motiva-Itens da escala F 1 F 2 F 3

37-Você costuma se distrair ou pensar em outra coisa quando está lendo ou fazendo o dever de casa? 0,679 31-Você costuma ficar pensando em outra coisa quando o professor está dando explicações? 0,666

38-Você costuma “se esquecer” de fazer o dever de casa? 0,620

28-Você costuma estudar ou fazer o dever de casa na “última hora? 0,597 32-Você escuta música ou assiste televisão enquanto estuda ou faz a lição de casa? 0,586 30-Você costuma desistir quando uma tarefa é difícil ou chata? 0,507 35-Você costuma comer enquanto estuda ou faz o dever de casa? 0,451 40-Você se sente cansado quando lê, estuda ou faz o dever de casa? 0,429

7-Quando você lê um texto, procura escrever com suas palavras o que entendeu da leitura, para poder estudar depois? 0,639 25-Você costuma ler outros textos e livros sobre o assunto que o professor explicou em aula? 0,634

5-Você resume os textos que o professor pede para estudar? 0,606

16-Você costuma fazer um esquema usando as idéias principais do texto? 0,561 12-Você cria perguntas e respostas sobre o assunto que está estudando? 0,538 2-Você costuma grifar as partes importantes do texto para aprender melhor? 0,363 4-Você percebe quando está com dificuldade para aprender determinados assuntos ou matérias. 0,604 27-Quando você percebe que não entendeu o que leu, você costuma parar e ler novamente? 0,553

26-Você percebe quando não entende o que está lendo? 0,547

6-Quando você estuda, você percebe se não está conseguindo aprender? 0,540

21-Você costuma pedir ajuda ao colega ou a alguém de sua casa, Quando não entende alguma matéria? 0,503 17-Quando você estuda, você consegue perceber o quanto está aprendendo? 0,433 Tabela 1. Distribuição dos itens por fator com a carga fatorial apresentada

Figura 1. Gráfico de sedimentação com os eingenvalues obtidos

Número de Componentes

Eigen

(6)

E. Boruchovitch e cols

cionais). Esses resultados diferem dos dados encontrados

por Santos e cols. (2004), em estudo realizado com alunos

universitários no qual foram identificados cinco fatores. É

possível que o construto estratégias de aprendizagem em

crianças seja menos complexo do que em amostras mais

avançadas de idade. Futuros estudos devem examinar o

im-pacto que as diferenças desenvolvimento podem apresentar,

apontando novas evidências de validade de construto.

Análise de conteúdo da questão aberta

Dos 433 estudantes, a maioria (91,5%) afirmou não usar

nenhuma outra estratégia de aprendizagem. Somente 37

participantes (8,5%) responderam à questão aberta. A

maio-ria dos respondentes (

n

=32) mencionou algumas estratégias

que já constavam na escala de estratégia de aprendizagem

como, por exemplo, procurar um lugar calmo para estudar,

fazer perguntas a respeito da matéria estudada, prestar

aten-ção no que o professor diz, fazer perguntas ao professor

diante de dúvidas e entender as figuras para compreender

o texto. Atividades como, brincar de escolinha, decorar a

matéria, pedir para os pais “tomarem” a lição, ler a matéria

e depois fechar o caderno e falar tudo o que entendeu,

es-tudar em grupo, usar o gravador, usar o computador, listar

dúvidas, entre outras estratégias, foram citadas por apenas

cinco estudantes. Portanto, pode ser constatado que, entre

as estratégias mencionadas pelos participantes na questão

aberta, houve predomínio daquelas cujo conteúdo era

simi-lar aos itens já propostos na escala.

Considerações Finais

A escala de estratégias de aprendizagem para alunos do

ensino fundamental representa uma primeira tentativa de se

medir o construto estratégias de aprendizagem por meio de

um instrumento nacional. Acredita-se que esta escala possa

se constituir num instrumento útil para avaliação,

diagnós-tico e intervenção em Psicologia Escolar e em

Psicopedago-gia. Tendo em vista que os índices de consistência interna,

obtidos para a escala e subescalas, não terem sido elevados,

faz-se necessário um exame mais aprofundado da sua

es-trutura, de forma a se verificar a sua consonância e

valida-de empírica com os construtos que se propõe a medir, bem

como uma aplicação da escala em amostras maiores e mais

representativas, em nível nacional.

Importante considerar que pelo fato do instrumento ter

como objetivo avaliar o uso de estratégias em estudantes do

ensino fundamental, o número de itens inicialmente

propos-tos pode ter sido um elemento que a tenha tornado cansativa

e dificultado respostas mais atentas das crianças.

Poder-se-á, possivelmente, verificar em futuras pesquisas em que a

escala seja aplicada com sua formulação final com 20 itens

que os participantes respondam com mais facilidade e

aten-ção, visto que seriam poucas frases. Estudos com a versão

reduzida da escala em amostras mais jovens como alunos

de 1ª e 2ª série podem também trazer resultados

interes-santes quanto ao alcance do instrumento, sendo, portanto,

recomendados. Novas análises que garantam maior

fidedig-nidade dos itens devem ainda ser empreendidas para que o

uso do instrumento possa realmente fornecer informações

confiáveis.

Futuros estudos devem ser orientados no sentido de se

avaliar os alcances e as limitações do uso da escala para

diagnóstico, intervenção e prevenção na área de

aprendiza-gem, no ensino fundamental. Por um lado, espera-se que o

uso desta escala possa trazer contribuições, fornecendo

in-formações válidas e confiáveis para que ações pedagógicas,

visando à melhoria e à prevenção de problemas relativos

ao rendimento acadêmico de alunos do ensino fundamental

possam ser implementadas. Por outro lado, sua utilização

também poderá contribuir para a implementação de ações

preventivas de desenvolvimento da capacidade

metacogniti-va e da auto-regulação da aprendizagem de estudantes.

Assim, acredita-se que o investimento na construção e

no refinamento de um instrumento dessa natureza abre

ave-nidas importantes para o campo da psicologia educacional e

das práticas educativas. Representa não só uma tentativa de

resposta necessária à carência de instrumentos nacionais de

avaliação psicoeducacional, tendo como referencial teórico

a Psicologia Cognitiva contemporânea, mas também uma

contribuição para a ampliação da discussão e produção de

conhecimento nessa área.

Referências

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Recebido em 15.06.2005 Primeira decisão editorial em 13.01.2006

Versão final em 02.06.2006

Aceito em 13.11.2006

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(9)

379

ISSN 1413-8557

Revista Quadrimestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE) Quarterly Journal of the Brazilian Association of Educational and School Psychology (ABRAPEE) Revista Cuatrimestral de la Asociación Brasilera de Psicología Escolar y Educacional (ABRAPEE)

Volume 18 Número 3 Setembro/Dezembro 2014 Volume 18 Number 3 September/December 2014

(10)

Psicologia Escolar e Educacional

Volume 18, N

o

. 3, 2014

Versão eletrônica ISSN 2175-3539

EDITORA

Silvia Maria Cintra da Silva Universidade Federal de Uberlândia - MG

EDITORA ASSISTENTE

Marilda Gonçalves Dias Facci Universidade Estadual de Maringá – PR

COMISSÃO EDITORIAL

Anabela Almeida Costa e Santos Peretta Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia – MG Luciane Maria Schlindwein Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis – SC Marilene Proença Rebello de Souza Universidade de São Paulo, São Paulo – SP

Mitsuko Aparecida Makino Antunes Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo – SP Sergio Antonio da Silva Leite Universidade Estadual de Campinas, Campinas – SP

CONSELHO EDITORIAL

Albertina Mitjáns Martinez Universidade de Brasília, Brasília - DF Acácia Aparecida Angeli dos Santos Universidade São Francisco, Itatiba – SP

Alacir Villa Valles Cruces Centro Universitário de Santo André, Santo André - SP

Alexandra Ayache Anache Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande - MS Anita Cristina Azevedo Resende Universidade Federal de Goiás, Goiânia – GO

Célia Vectore Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia - MG

Cristina Maria Carvalho Delou Universidade Federal Fluminense, Niterói - RJ

Elenita de Rício Tanamachi Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Bauru - SP Elvira Aparecida Simões de Araújo Universidade de Taubaté, Taubaté - SP

Eulália Henriques Maimone Universidade de Uberaba, Uberaba - MG Eunice M. L. Soriano de Alencar Universidade Católica de Brasília, Brasília - DF

Fátima Regina Pires de Assis Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo –SP Fraulein Vidigal de Paula Universidade de São Paulo, São Paulo - SP

Glória Fariñas León Universidade de Havana, Havana - Cuba Guilhermo Arias Beaton Universidade de Havana, Havana - Cuba

Herculano Ricardo Campos Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal – RN Iolete Ribeiro da Silva Universidade Federal do Amazonas, Manaus - AM Iracema Neno Cecílio Tada Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho - RO João Batista Martins Universidade Estadual de Londrina, Londrina – PR

Jorge Castélla Sarriera Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre - RS

Leandro Almeida Universidade do Minho, Braga - Portugal

Lino de Macedo Universidade de São Paulo, São Paulo – SP

Lygia de Sousa Viégas Universidade Federal da Bahia, Salvador – BA Marco Eduardo Murueta Universidade Nacional Autônoma do México - México Maria Cristina Azevedo Rodrigues Joly Universidade São Francisco, Itatiba – SP

Maria Regina Maluf Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo – SP

Marilena Ristum Universidade Federal da Bahia, Salvador – BA

Marisa Lopes da Rocha Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro – RJ Marta Ofelia Shuare Universidade Lomosóf de Moscou - Rússia

Mercedes Villa Cupolillo Centro Universitário da Zona Oeste, Campo Grande - Rio de Janeiro, RJ Regina Lúcia Sucupira Pedroza Universidade de Brasília, Brasília – DF

Rita Laura Avelino Cavalcante Universidade Federal de São João del-Rei, São João del-Rei - MG Roseli Fernandes Lins Caldas Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo – SP

(11)

381

CONSULTORES Ad Hoc

Psicologia Escolar e Educacional

Volume 18, N

o

. 3, 2014

Versão impressa ISSN 1413-8557

Versão eletrônica ISSN 2175-3539

Adriana de Fátima Franco Universidade Estadual de Maringá, Maringá – PR Adriano Henrique Nuernberg Universidade Federal de Santa Catarina- SC Ana Lúcia Galinkin Universidade de Brasília, Brasília – DF

Ana Maria Falcão de Aragão Universidade Estadual de Campinas, Campinas - SP Ana Paula Almeida de Pereira Universidade Federal do Paraná, PR

Ariane Kuhnen Universidade Federal de Santa Catarina -SC

Carmem Beatriz Neufeld Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto – SP

Celso Francisco Tondin Universidade Comunitária da Região de Chapecó, Chapecó - SC Claisy Maria Marinho-Araújo Universidade de Brasília, Brasilia–DF

Claudia Cristina Fukuda Universidade Católica de Brasília, Brasília - DF Elsa Maria Mendes Pessoa Pullin Universidade Estadual de Londrina - PR José Aloyseo Bzuneck Universidade Estadual de Londrina - PR José Leon Crochik Universidade de São Paulo, São Paulo – SP Laêda Bezerra Machado Universidade Federal de Pernambuco - PE Liana Fortunato Costa Universidade de Brasília, Brasilia – DF

Lizia Helena Nagel Universidade Estadual de Maringá, Maringá – PR Lúcia Cecília da Silva Universidade Estadual de Maringá, Maringá – PR Maria Isabel da Silva Leme Universidade de São Paulo, São Paulo – SP

Maria Suzana de Stefano Menin Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho –SP Mônica Giacomini Guedes da Silva Universidade de São Paulo - USP

Nádia Kienen Universidade Estadual de Londrina - PR

Nilza Sanches Tessaro Leonardo Universidade Estadual de Maringá, Maringá – PR

Raul Aragão Martins Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, São José do Rio Preto – SP Rosane Gumiero Dias da Silva Universidade Estadual de Maringá, Maringá – PR

Sílvia Aparecida Fornazari Universidade Estadual de Londrina – PR Solange Franci Raimundo Yaegashi Universidade Estadual de Maringá, Maringá – PR

Sonia Sampaio Universidade Federal da Bahia – BA

Vanessa Aparecida Alves de Lima Universidade Federal de Santa Catarina – SC

(12)

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais

Psicologia Escolar e Educacional./ Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional.- v. 1, n. 1. 1996-

Campinas: ABRAPEE, 1996.

Quadrimestral: 1996-1999. Semestral: 2000-2013. Quadrimestral: 2014-ISSN 1413-8557

l. Psicologia educacional. 2. Psicologia escolar.

3. Educação. 4. Brasil. I. Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional.

Psicologia Escolar e Educacional

Volume 18, N

o

. 3, 2014

Versão eletrônica ISSN 2175-3539

Versão eletrônica

Site da ABRAPEE - www.abrapee.psc.br

SciELO - Scientific Electronic Library Online: www.scielo.br PEPSIC - Periódicos Eletrônicos em Psicologia: www.bvs-psi.org.br REBAP - Rede Brasileira de Bibliotecas da Área de Psicologia: www.bvs-psi.org.br

Indexadores

CLASE - Citas Latinoamericanas em Ciências Sociales y Humanidades

DOAJ (Directory of Open Access Journals) INDEX - Psi Periódicos (CFP)

LILACS (BIREME) PSICODOC

REDALYC (Red de Revistas Científicas de America Latina y El Caribe, España y Portugal)

SciELO - Scientific Electronic Library Online SCOPUS / Elsevier

EDUBASE (FE/UNICAMP)

Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional

Rua Aimbere, 2053 Vila Madalena, São Paulo. CEP 01258-020

Telefone (11) 3862-5359.

Endereço eletrônico: [email protected]

Endereço eletrônico da Revista: [email protected] Colaboradores

Adriana Gonzaga Cantarelli Ana Luiza de Mendonça Oliveira

Ana Luiza Faria Lima Ana Maria Pereira Dionísio

Elis Bertozzi Aita Fabíola Batista Gomes Firbida Lais Fernanda da Silva Larice Santos Silva

Tradução Espanhol Marilsa do Carmo R. Leon

Tradução Inglês Miguel Nenevé

Revisão de Português Raul Pimenta

Revisão Normas APA Ana Paula Alves Vieira

Camila Nascimento

Diagramação Gérson Mercês

Apoio

:

(13)

383

Expediente

A revista Psicologia Escolar e Educacional é um veículo de divulgação e debate da produção científica na área

específica e está vinculada à Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE). Seu objetivo

é constituir um espaço acadêmico para a apresentação de pesquisas atuais no campo da Psicologia Escolar e

Educacional e servir como um veículo de divulgação do conhecimento produzido na área, bem como de informação

atualizada a profissionais psicólogos e de áreas correlatas. Trabalhos originais que relatam estudos em áreas

relacionadas à Psicologia Escolar e Educacional serão considerados para publicação, incluindo processos básicos,

experimentais, aplicados, naturalísticos, etnográficos, históricos, artigos teóricos, análises de políticas e sínteses

sistemáticas de pesquisas, entre outros. Também, revisões críticas de livros, instrumentos diagnósticos e softwares.

Com vistas a estabelecer um intercâmbio entre seus pares e pessoas interessadas na Psicologia Escolar e

Educacional, conta com uma revisão às cegas por pares e é publicada quadrimestralmente. Seu conteúdo não reflete

a posição, opinião ou filosofia da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional. Os direitos autorais

das publicações da revista Psicologia Escolar e Educacional são da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e

Educacional, sendo permitida apenas ao autor a reprodução de seu próprio material, previamente autorizada pelo

Conselho Editorial da Revista. São publicados textos em português, espanhol, francês e inglês.

Psicologia Escolar e Educacional

is a journal, associated to the Brazilian Association of Educational and School

Psychology (Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional - ABRAPEE), for the communication and

debate of the scientific production in its area of specificity. Its objective is to provide a medium for the presentation

of the latest research in the field of Educational and School Psychology, for spreading knowledge, which is being

produced in the area, as well as updated information to psychologists and other professionals in correlated areas.

Original papers, which report studies related to Educational and School Psychology may be considered for publication,

including, among others: basic processes, experimental or applied, naturalistic, ethnographic, historic, theoretical

papers, analyses of policies, and systematic syntheses of research, and also critical reviews of books, diagnostic

instruments and software. As a means of establishing an interchange among peers, as well as people who are

interested in Educational and School Psychology, it employs a double blind review by peers and it is published every

four months. Its contents do not, in any way, reflect the positions, opinions or philosophy of the Brazilian Association

of Educational and School Psychology. Copyrights on the publication of the Journal of Educational and School

Psychology are property of the Brazilian Association of Educational and School Psychology, and each author will only

be allowed to reproduce his or her own material, with prior permission from the Editorial Board. Texts in Portuguese,

Spanish, French, and English are published.

La revista

Psicología Escolar y Educacional

es un medio de divulgación de debates de producción científica en

su área específica y está vinculada a la Asociación Brasilera de Psicología escolar y Educacional (ABRAPEE). Su

objetivo es constituir un espacio acadêmico para la presentación de investigaciones actuales en el campo de la

Psicología Escolar y Educacional y servir como un vehiculo de divulgación del conocimiento producido en el área,

además de informaciones actualizadas a profesionales psicólogos y de áreas relacionadas. Trabajos originales que

relaten estudios en áreas relacionadas a la Psicología Escolar y Educacional serán considerados para publicación,

incluyendo procesos básicos, experimentales, aplicados, naturalísticos, etnográficos, históricos, artículos teóricos,

análisis de políticas y síntesis sistemáticas de investigaciones, entre otros, además de revisiones críticas de libros,

instrumentos de diagnóstico e software. Con el objetivo de establecer un intercambio entre pares y personas

interesadas en Psicología, la revista tiene una revisión “a ciegas” hecha por pares y por consiguiente, los contenidos

no reflejan la posición, opinión o filosofía de la Asociación Brasilera de Psicología Escolar y Educacional. Los derechos

(14)
(15)

385

Psicologia Escolar e Educacional

PUBLICAÇÃO QUADRIMESTRAL

Volume 18 Número 3 2014

Editorial

Artigos

Papers

Publicaciones

391

Concepções e autorregulação

da

aprendizagem da arte

Conceptions and self-regulations on art learning

Concepciones y autorregulación

del

aprendizaje del arte

Luiz Gustavo Lima Freire

401

Autorregulação da aprendizagem: contribuições da psicologia educacional para

a formação de professores

Self-regulated learning: contributions of the educational psychology to teacher

education

Autorregulación del aprendizaje: contribuciones de la psicología educacional para la

formación de profesores

Evely Boruchovitch

411

Autoeficácia e desempenho escolar de alunos do ensino fundamental

Self-efficacy and school performance of elementary school students

Autoeficacia y desempeño escolar de alumnos de la enseñanza fundamental

Juliana da Silva

Thais Silva Beltrame

Maick da Silveira Viana

Renata Capistrano

Annelise do Vale Pereira de Oliveira

421

Queixa escolar: uma revisão crítica da produção científica nacional

School complaint: a critical review of the national scientific literature

Queja escolar: una revisión crítica de la producción científica nacional

Maria Virgínia Machado Dazzani

Eliseu de Oliveira Cunha

Polyana Monteiro Luttigards

Patrícia Carla Silva do Vale Zucoloto

Gilberto Lima dos Santos

429

O jogo dominó das 4cores: estudo sobre análise de protocolos

The 4 colours game: a study about protocol analysis

El juego dominó de los 4 colores: estudio sobre análisis de protocolos

Lino de Macedo

Ana Lucia Petty

Gisele E. de Carvalho

Maria Thereza C. C. de Souza

(16)

439

TDA/H – Análise documental sobre a produção do conceito

TDA / H - Documentary analysis on the concept of roduction

TDA/H - Análisis documental sobre la produción del concepto

Ieda Maria Munhós Benedetti

Alexandra Ayach Anache

447

Psicologia da educação e as tecnologias digitais de informação e comunicação

Educational psychology and digital information and communication technologies

Psicología de la educación y las tecnologías digitales de información y comunicación

Fabio Scorsolini-Comin

457

Indicadores de estresse e estratégias de enfrentamento em professores de

ensino multisseriado

Stress indicators and coping strategies for teachers of multigrade teaching

Indicadores de estrese y estrategias de enfrentamiento en profesores de enseñanza

multiseriada

Kelly Ambrósio Silveira

Sônia Regina Fiorim Enumo

Elisa Pozzatto Batista

467

A formação de professores no âmbito da abordagem multirreferencial

Teacher´s education under the multi-referential approach

La formación de profesores en el ámbito del abordaje multirreferencial

João Batista Martins

477

Proposições metodológicas na intervenção com estudantes com queixa escolar

The center for studies and service for school complaints: reflections on practice

Proposiciones metodológicas en la intervención con estudiantes con queja escolar

Joyce Lúcia Abreu Pereira Oliveira

Regina Ingrid Bragagnolo

Simone Vieira de Souza

485

A medicalização da educação e da resistência no presente: disciplina,

biopolítica e segurança

Nowaday´s medicalization of Education and resistance : discipline, biopolitics and

security

La medicalización de la educación y de la resistencia en el presente: disciplina,

biopolítica y seguridad

Flávia Cristina Silveira Lemos

493

A formação dos conceitos em Vigotski: replicando um experimento

Vigotski´s concept formation: replicating an experiment

La formación dos conceptos en Vygotsky: replicando un experimento

Maria Sara de Lima Dias

Roberta Kafrouni

Camilla Silva Baltazar

Juliana Stocki

501

Constituição da identidade infantil: significações de mães por meio de

narrativas

Children´s identity constitution: the meaning of mothers in narratives

Constitución de la identidad infantil: significaciones de madres por intermedio de

narrativas

Camila Turati Pessoa

(17)

387

511

Aprendizagem da docência em atividade de ensino no clube de matemática

Learning to teach thorugh activity in the mathematics club

Aprendizaje de la docencia en actividad de enseñanza en el club de matemáticas

Vanessa Dias Moretti

519

Pesquisa-intervenção sobre violências em escolas

Intervention-research on violence in schools

Investigación-intervención sobre violencias en escuelas

Irme Salete Bonamigo

Celso Francisco Tondin

Ana Paula Risson

Alana Lazaretti Solvalagem

529

Envolvimento parental na tarefa escolar

Parental involvement in homework

Envolvimiento parental en la tarea escolar

Ana Patrícia de Oliveira Fernandez

Fernando Augusto Ramos Pontes

Simone Souza Costa e Silva

Mayara Barbosa Sindeaux Lima

Cláudia Oliveira dos Santos

537

Avaliação do desempenho escolar de crianças contaminadas por chumbo

Academic performance evaluation of lead-poisoned children

Evaluación del desempeño escolar de niños contaminadas por plomo

Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues

Christiana Gonçalves Meira de Almeida

Veronica Aparecida Pereira

Vera Lúcia Messias Fialho Capellini

Resenha

Review

Reseña

547

Queixa Escolar

School Complaints

Queja Escolar

Lúcia Veiga Schermack

História

History

Historia

551

Entrevista com Carl Ratner

(18)

Relato de Práticas Profissionais

Report on Educational Practices

Relato de Práctica Profesional

567

Estágio em psicologia escolar e educacional: ruptura com a medicalização da

educação

Internship in school and educational psychology: breaking with education

medicalization

Pasantía en psicología escolar y educacional: ruptura con la medicalización de la

educación

Vânia Aparecida Calado

571

Notícias Bibliográficas

Bibliographic notes

Noticias bibliográficas

573

Normas Editoriais

(19)

389

Editorial

“Não oblitero moscas com palavras.

Uma espécie de canto me ocasiona. Respeito as oralidades. Eu escrevo o rumor das palavras. Não sou sandeu de gramáticas. Só sei o nada aumentado. Eu sou culpado de mim. Vou nunca mais ter nascido em agosto. No chão de minha voz tem um outono.

Sobre meu rosto vem dormir a noite.” Manoel de Barros1

No último dia 13 de novembro a noite eterna veio dormir sobre o rosto do poeta Manoel de Barros. Ourives dos

signos, criou novas palavras e compôs inspirados poemas, deixando-nos o legado de um olhar mais sensível sobre

o homem, a natureza e o mundo.

Nesta perspectiva, lembramos que 2014 está chegando ao fim e junto com ele nos vêm várias reflexões sobre o

ano que passou. Foi um período de muita movimentação, em que tivemos a Copa do Mundo e as eleições. Na

Psicologia tivemos, em São Paulo, o IV Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão. Mais especificamente

vinculados à Psicologia Escolar e Educacional, houve quatro eventos estaduais: o V Encontro Paranaense de

Psicologia Escolar e Educacional, em Foz do Iguaçu – PR; o

II Encontro Paulista, em Bauru – SP; o IV Encontro

Mineiro de Psicologia Escolar e Educacional, em Uberlândia – MG, e o II Encontro Goiano de Psicologia Escolar e

Educacional, em Goiânia – GO.

Muitos foram os debates travados em prol de uma educação para todos e reflexões foram desenvolvidas em torno da

relação entre Psicologia e Educação. Os temas “Fracasso escolar” e “Processos de avaliação” foram contemplados

em vários trabalhos, denotando o avanço que está ocorrendo na compreensão das multideterminações que

permeiam o ensinar e o aprender.

Em meio a esta efervescência de ideias, recebemos, recentemente, informação sobre a decisão - anunciada em março

de 2014 no Fórum Internacional

de Políticas Públicas “Educar para as Competências do Século 21”, organizado pela

Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em parceria com o Instituto Ayrton Senna

(IAS), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e o Ministério da Educação

– quanto à avaliação em larga escala de crianças e jovens sobre habilidades não cognitivas e socioemocionais.

Entendemos que apoiar um programa de medição de competências socioemocionais e não cognitivas vai contra as

críticas que a área de Psicologia Escolar e Educacional vem tecendo quanto ao papel psicometrista que o psicólogo,

historicamente, assumiu na escola. Uma avaliação que não considera as condições histórico-sociais que produzem

o fracasso escolar pode reforçar uma visão ideológica de que as crianças filhas da classe trabalhadora

são menos

competentes ou que possuem um déficit cognitivo.

Isso pode significar a volta de explicações pseudocientíficas,

como a teoria da carência cultural, além da compreensão equivocada a respeito das habilidades “não cognitivas”,

como se as funções psíquicas fossem cindidas dessa maneira!

É notório que, em uma sociedade na qual convivem classes antagônicas, nem todos têm acesso ao conhecimento,

por isso muitas crianças estão sendo prejudicadas no seu desenvolvimento cognitivo. Testar a capacidade intelectual

dos alunos sem analisar o contexto em que vivem e as contradições e mazelas que permeiam a prática pedagógica

pode levar a referendar ideias que considerávamos já superadas - ou melhor, que deveriam estar superadas -, as

quais colocam no indivíduo, seja este o aluno, o professor ou os pais, a culpa pelo não aprender ...

1 Barros, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2010.

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Figura 1. Gráfico de sedimentação com os eingenvalues obtidosNúmero de Componentes
Tabela 1 .  Autoeficácia  de  crianças  estudantes  do  ensino  fundamental  em  função  do  indicativo  de  dificuldades  de  aprendizagem em escrita, aritmética, leitura e geral.
Tabela 3 . Autoeficácia  de  crianças  estudantes  do  ensino  fundamental  em  função  do  desempenho  em  teste  de  escrita,  aritmética, leitura e geral.
Tabela 4. Autoeficácia de meninos e meninas estudantes do ensino fundamental de diferentes grupos etários.
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Referências

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