Funcionalidade e qualidade de vida em pacientes pós acidente vascular cerebral
Functionality and quality of life in patients after cerebral vascular accident
DOI:10.34117/bjdv6n4-056
Recebimento dos originais: 11/03/2020 Aceitação para publicação: 03/04/2020
Irlanda Pereira Vieira
Residente Multiprofissional em Cuidados Continuados Integrados pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS. Campo Grande (MS).
Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso Do Sul
Endereço: Rua Do Ouvidor, 299, Bairro Caiçara, Campo Grande - MS, Brasil E-mail: [email protected]
Kátia Flávia Rocha
Residente de Fisioterapia do Programa de Residência Multiprofissional em Cuidados Continuados e Integrados
Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS. Campo Grande (MS), Brasil. Jessica Estela Benites
Residente de Fisioterapia do Programa de Residência Multiprofissional em Cuidados Continuados e Integrados
Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS. Campo Grande (MS), Brasil. Joelson Henrique Martins de Oliveira
Residente de Enfermagem do Programa de Residência Multiprofissional em Cuidados Continuados e Integrados
Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS. Campo Grande (MS), Brasil. Tuany de Oliveira Pereira
Residente de Enfermagem do Programa de Residência Multiprofissional em Cuidados Continuados e Integrados
Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS. Campo Grande (MS), Brasil. Francielly Anjolin Lescano
Residente de Enfermagem do Programa de Residência Multiprofissional em Cuidados Continuados e Integrados
Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS. Campo Grande (MS), Brasil. Suzi Rosa Miziara Barbosa
Fisioterapeuta, doutora e docente do Programa de Residência Multiprofissional em Cuidados Continuados e Integrados
Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/UFMS. Campo Grande (MS), Brasil.
RESUMO
Introdução:O Acidente Vascular Cerebral(AVC)acomete anualmente 15 milhões de pessoas, causando a morte de 6,7 milhões. É considerado a doença neurológica predominante na prática clínica, que traz déficits neurológicos como a paralisia total ou parcial do hemicorpo (hemiparesia e
hemiplegia), comprometimento sensorial, cognitivo e no campo visual. Além de prejudicar a realização das atividades de vida diária, as incapacidades físicas geradas, declinam a autonomia e independida do indivíduo, sendo assim, a assistência fisioterapêutica de suma importância para reabilitação, reversão, ou minimização das sequelas causadas pelo AVC. Objetivo:analisar os efeitos da funcionalidade e da qualidade de vida em paciente pós AVC. Método: trata-se de um estudo quantitativo, de abordagem descritivo, realizado em uma unidade de Cuidados Continuados Integrados no estado de Mato Grosso do Sul (MS), com pacientes para vítimas de acidente vascular cerebral. Resultados:a pesquisa contou com um total de 21 participantes, 21 (100%), com idade variando de 24 a 65anos, sendo 62% do sexo masculino e 91% predominando o AVCi.Diante dos dados, foi possível observar que 81% dos pacientes no início da sua internação possuíam algum grau de dependência antes de qualquer intervenção da fisioterapia, ou outrosprofissionais da equipe multiprofissional,sendo que 38% tinha um grau de dependência grave ou total, apenas 4 pacientes (19%) eram independentes após serem vítimas de AVC. Porém, na alta hospitalar 58% dos pacientes tornaram-se completamente independentes, apenas 19%, o que correspondem a 4 pacientes, do total pesquisado, ainda possuíam dependência total ou grave, 81% dos pacientes obtiveram algum ganho em seu estado clinico durante a internação que corroborou em uma maior independência e autonomia.Conclusão: os indivíduos acometidos por Acidente Vascular cerebral possuem sequelas que corroboram para o declínio da funcionalidade da qualidade de vida, visto que os dois estão interligados, resultados de fatores de risco que pode estar delineando um novo perfil dessa população composta por indivíduos menores que 60 anos predominantemente do sexo masculino.
Palavras chave: Acidente Vascular Cerebral; Funcionalidade; Fisioterapia; Reabilitação; Centros de Reabilitação.
ABSTRACT
Introduction: Stroke (Stroke) affects 15 million people annually, causing the death of 6.7 million. It is considered the predominant neurological disease in clinical practice, which brings neurological deficits such as total or partial paralysis of the hemibody (hemiparesis and hemiplegia), sensory, cognitive and visual impairment. In addition to impairing the performance of activities of daily living, the physical disabilities generated, decline the autonomy and independence of the individual, thus, physiotherapeutic assistance of paramount importance for rehabilitation, reversal, or minimizing the sequelae caused by stroke. Objective: to analyze the effects of functionality and quality of life on post-stroke patients. Method: this is a quantitative study, with a descriptive approach, carried out in an Integrated Continuous Care unit in the state of Mato Grosso do Sul (MS), with patients for stroke victims. Results: the research had a total of 21 participants, 21 (100%), with ages varying from 24 to 65 years old, being 62% male and 91% predominantly stroke. Based on the data, it was possible to observe that 81% of patients at the beginning of their hospitalization had some degree of dependence before any intervention of physiotherapy, or other professionals from the multiprofessional team, with 38% having a degree of severe or total dependence, only 4 patients (19%) were independent after being victims of Stroke. However, at hospital discharge 58% of the patients became completely independent, only 19%, corresponding to 4 patients, of the total surveyed, still had total or severe dependence, 81% of the patients achieved some gain in their clinical condition during hospitalization that corroborated in greater independence and autonomy. Conclusion: individuals affected by stroke have sequelae that corroborate the decline in the quality of life functionality, since the two are interconnected, results of risk factors that may be delineating a new profile of this population composed of individuals under 60 years old, predominantly male.
1 INTRODUÇÃO
Anualmente 15 milhões de pessoas são acometidas por acidente cerebrovascular (AVC), causando a morte de 6.7 milhões, principalmente indivíduos com mais de 50 anos, e adultos jovens que são acometidos pelo tipo mais grave de AVC, o hemorrágico (ARAÚJO, DARCIS, TOMAS, MELLLO, 2015).
OAVC é uma lesão neurológica ampla com alteração comumente brusca do funcionamento cerebral, que pode ser ocasionado por dois mecanismos fisiopatológicos distintos, o isquêmico, que ocorre em 85% dos casos, e o hemorrágico com 15%. O isquêmico é quando ocorre a obstrução do vaso sanguíneo, impedindo o fornecimento de oxigênio e substratos ao tecido cerebral (resultado de processos ateroscleróticos ou embólicos) e o hemorrágico, é quando há o extravasamento de sangue dentro ou em volta das estruturas do sistema nervoso central(ALMEIDA, FALEIROS, MARTINS, LEMOS, TEIXEIRA, 2011).
Discorrendo sobre o estado clínico do indivíduo com AVC, os déficits neurológicos mais frequentes são: paralisia total ou parcial do hemicorpo (hemiparesia e hemiplegia), comprometimento sensorial, cognitivo e no campo visual; hemiplegia contralateral, sendo a principal disfunção motora gerada, fazendo com que 70% dos pacientes ao receber alta hospitalar,saem com problemas relacionados a comunicação verbal e incapacidade funcional, resultando em um decaimento do grau de funcionalidade do indivíduo afetando diretamente o exercício de diversas atividades do cotidiano e de seu autocuidado. (PASSOS, CARDOSO, SCHEEREN 2017, GOULART, ALMEIDA, SILVA, OENNING, LAGN, 2016).
A funcionalidadeestá diretamente ligada ao desempenho físico, que o indivíduo apresenta e nas atividades que ele consegue realizar durante o dia. Devido a isso a avaliação da independência funcional destes indivíduos pós AVCé tão importante para analisar as AVDs e assim propor intervenções terapêutica reaisas condições da vítima e melhorar os atendimentos para determinar as necessidades pessoais de cada um. (COSTA, SILVA, ROCHA 2011).
Após o AVC, inicia-se uma nova etapa de vida com foco direcionado as incapacidades geradas, que podem impactar diretamente aqualidade de vida doindivíduo, de modo que a avaliação da qualidade de vida (QV), juntamente com a dependência funcional, torna-se fundamental para a melhor compreensão do impacto da doença na vida do indivíduo e na preparação de programas de reabilitação que considerem os vários fatores presentes na vida desses indivíduos, beneficiando a elaboração de técnicas que minimizem esses efeitos (REIS, PEREIRA, PEREIRA, SOANE, SILVA 2017).
Assim, a QV é vista como a percepção do indivíduo quanto ao seu lugar na vida, no contexto da cultura e sistema de valores no qual se insere e bem como a relação aos seus objetivos,
expectativas, padrões e preocupações, mesmo como uma questão ética na sociedade, que deve, primordialmente, ser analisada a partir da percepção de cada um (ARAÚJO, RIBEIRO, OLIVEIRA, PINTO, 2007).
Por meio de técnicas e métodos empregados, a fisioterapia produz resultados significativos em vítimas de AVC que lidam com sequelas do incidente em condições crônicas, a nível de melhora da marcha, no ganho de independência funcional e realização de atividades de vida diária, quando se compara casos de indivíduos que não tem acesso a este serviço, que contribui ativamente para a normalização gradativa do estado clinico do indivíduo (ALBANO, PINHEIRA, COUTINHO, 2013).
As doenças crônicasnão transmissíveis e cerebrovascularessão as principais causas de internação com intuito de reabilitação em unidades como a Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI), onde o estudo se conduziu. Neste local as práticas de saúde são realizadas na perspectiva de promoção da saúde, o processo assistencial da equipe multiprofissional de saúde na prevenção e manejo da doença tem o intuito de criar meios de melhoria na qualidade de vida desses pacientes, devolvendo o máximo de autonomia que as limitações e sequelas causaram.
Diante do exposto, este estudo tem como objetivo primário avaliar a funcionalidade e a qualidade de vida em pacientes pós-AVC em uma Unidade de Cuidados Continuados Integrados.
2 OBJETIVO
Analisar os efeitos da funcionalidade e da qualidade de vida em pacientes pós Acidente Vascular Cerebral.
3 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo quantitativo, de abordagem descritiva,os dados foram coletados e posteriormente analisados por meio de medidas de proporcionalidades para variáveis categóricas e as variáveis numéricas contínuas apresentadas em média, desvio padrão e número absoluto.
O presente estudo foi realizado em uma unidade de Cuidados Continuados Integrados - CCI no estado de Mato Grosso do Sul (MS), vinculada a um hospital geral, filantrópico, de média complexidade, conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade CCI do referido hospital possui 22 leitos para pacientes em processo de reabilitação biopsicossocial.
O período do estudo foi entre fevereiro e junho 2019,a população do estudo incluiu triagem inicial por meio dos prontuários.Dessa forma, os critérios de inclusão, como idade acima de 18 anos e o diagnóstico de AVC foram observados para uma posterior abordagem do paciente.
O estudo foi realizado com 22 pacientes internados na unidade referida por análise em prontuários, sendo um dos participantes excluídos por motivo de alta posteriormente,a busca foi feita por indivíduos que preencheram os critérios de inclusão estabelecidos, conhecendo seu histórico médico e a confirmação do diagnóstico de Acidente Vascular Cerebral Isquêmico ou Hemorrágico, após isso, a avaliação se configurou em dois momentos, um no início da internação e outro na semana da alta hospitalar para aplicação das três fichas de avalição: Ficha de avaliação inicial, Escala de Barthel e Escala de Qualidade de Vida para AVC.
A participação na pesquisa é feita de forma voluntaria e concedida mediante o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, a desistência em qualquer fase da entrevista, bem como anonimato são assegurados pelos pesquisadores ao participante. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul em seus aspectos éticos e metodológicos sob o parecer de número: 3096730.
A ficha de avaliação inicial é composta pelos dados do prontuário: idade, sexo e tipo de AVC, posteriormente é aplicado a escala de Barthel(Para a avaliação dafuncionalidade)é uma escala que analisa o nível de independência do sujeito para a realização de dez atividades básicas de vida diária: comer, higiene pessoal, uso dos sanitários, tomar banho, vestir e despir, controle de esfíncteres, deambular, transferência da cadeira para a cama, subir e descer escadas,com score variando para cada uma das atividades de 0, 5 e 10, em que 0 significa dependente, não consegue realizar a ação, 5 significa que necessita de ajuda para realizá-la e 10 sendo totalmente independe na realização da atividade, o resultado final das somatória das categorias pontuadasirá variar entre 0 e100 (com intervalos de 5 pontos), a pontuação mínima de zero corresponde à máxima dependência para todas as atividades de vida diárias (AVD) avaliadas, e a máxima de 100 equivale à independência total para as mesmas AVD avaliadas (MOREIRA, TORRES, DANTAS, ANDRADE 2015).
Consiste na aplicação da escala de Qualidade de Vida Específica para AVE(EQVE-AVE), que foi adaptada transculturalmente para a língua portuguesa, 49 itens. Subdivididos em 12 domínios (energia, papel familiar, linguagem, mobilidade, humor, personalidade, autocuidado, papel social, raciocínio, função de membro superior, visão e trabalho/produtividade).Com três possibilidades de resposta para cada item, com escores de um a cinco: (1) quantidade de ajuda necessária para realizar tarefas específicas, indo de nenhuma ajuda a ajuda total; (2) quantidade de dificuldade experimentada quando é necessário realizar uma tarefa, indo de nenhuma dificuldade a incapaz de realizar a tarefa; (3) grau de concordância com afirmações sobre sua funcionalidade, indo de discorda fortemente a concorda fortemente. O ponto de referência para todos os itens se refere à semana anterior (MOREIRA, TORRES, DANTAS, ANDRADE 2015).
4 RESULTADOS
A pesquisa contou com um total de 21 participantes(100%), com idade variando de 24 a 65anos,conforme tabela 1 pode ser visto que há maior ocorrência de AVE isquêmico em relação ao hemorrágico.
Tabela 1 - Perfil dos pacientes de acordo com os dados colhidos por meio da aplicação da ficha de avaliação inicial.
Informações Total de Pacientes Porcentagem (n=21) (100%)
Sexo
Feminino 8 38 Masculino 13 62 Idade Média (DP) 46.6 (±12.9)
Faixa etária em anos
20 a 40 7 33 41 a 60 9 42 ≥61 5 25 Tipos de AVC Isquêmico 19 91 Hemorrágico 2 9 DP: desvio padrão
O gráfico 1 mostra o percentual por grau de dependência dos pacientes apontados pela escala de Barthel aplicadaem dois momentos, na admissão hospitalar e na alta, entende-se que os indivíduos que pontuaram um score menos que 25 possuem uma dependência grave ou total, de 40 a 55 significa dependência moderada, de 60 a 95 leve e 100 pontos independência.
Gráfico 1 – Percentual, estratificado por categorias, do grau de dependência apresentado pelos pacientes entrevistados na admissão e alta.
Diante dos dados, foi possível observar que 81% dos pacientes no início da sua internação possuíam algum grau de dependência antes de qualquer intervenção da fisioterapia, ou outrosprofissionaisda equipe multiprofissional. Sendo que 38% tinha um grau de dependência grave ou total, apenas 4 pacientes (19%) eram independentes após serem vítimas de AVC. Porém, na alta hospitalar 58% dos pacientes tornaram-se completamente independentes, apenas 19%, o que correspondem a 4 pacientes, do total pesquisado, ainda possuíam dependência total ou grave, 81% dos pacientes obtiveram algum ganho em seu estado clinicodurante a internação que corroborou em uma maior independência e autonomia
Conforme tabela 2 é possível observar os resultados produzidos por meio da aplicação da Escala de Qualidade de Vida Especifica para AVE em entrevista com os pacientes pesquisados.
Tabela 2–Média estratificada, com desvio padrão, por domínio dos resultados obtidos pela aplicação da Escala de Qualidade de Vida Especifica para AVE – EQVE-AVE.
Domínios Admissão DP Alta DP Energia 6.5 ±3.2 9.6 ±3.9 Papel familiar 5.3 ±3.7 8.9 ±4.6 Linguagem 13 ±3.6 15 ±3.9 Mobilidade 12 ±4.7 15.8 ±5.1 Humor 13.7 ±5.7 19.1 ±6.9 Personalidade 5.6 ±1.4 6.7 ±1.5 0 10 20 30 40 50 60 70
Total Moderada Leve Independente
Percentual n=21 (100%)
Autocuidado 14.4 ±5.3 19 ±6 Papeis sociais 7.4 ±1.13 8.7 ±1.17 Memória 9.8 ±2.8 12.1 ±3.2 Visão 12.5 ±1 13.7 ±1.4 Trabalho 3 ±0 3 ±0 Função de E.S 14 ±4.717.5 ±5.1
ES: extremidades superiores
Ao visualizar os dados percebe-se que o domínio Linguagem foi o que obteve maior aumento na medição da alta em relação a admissão, crescendo 6 pontos, seguidos pelos domínios Humor e Autocuidado, com crescendo 5.4 e 4.6 respectivamente.
Pode-se observar que houve a estagnação de um único domínio, o Trabalho, todos os outros tiveram algum crescimento no período da alta, a média de crescimento geral é de 2.9 pontos, sendo o menor crescimento registrado no domínio Personalidade de 1.1 pontos.
5 DISCUSSÃO
Com relação à pesquisa realizada, os dados apresentados, foram que mais pessoas abaixo dos sessenta anos estão sendo vítimas de AVC, um cenário que até alguns anos atrás era constituído por idosos, essa mudança é atribuída aos fatores de risco que podem desencadear o evento, sendo o aumento do números de casos de hipertensão um dos que mais se destaca, o que pode ser associado a uma baixa escolaridade e renda familiar, agrande maioria dessas pessoas com a idade média apontada pelo estudo (46.6 anos) está em uma fase economicamente ativa, o que pode gerar mais fatores de risco, o que inclui: o stress, sedentarismo, dislipidemia e tabagismo, o que pode aumenta as chances de um evento como o AVC ocorrer, principalmente na população masculinaa partir dos 35 anos. (TRAD, PEREIRA, BAPTISTA, 2017).
No presente estudo, a incidência maior do evento foi constituída por homens, ao contrário do que é observado na maioria dos estudos que prevalece o sexo feminino;Na pesquisa de Silva, Neves, Vilela, Bastos e Henriques(2016) foi visto que, dos 55 pacientes participantes com AVC, 69.1% eram do sexo masculino com uma escolaridade baixa e nível de instrução também, levando a um perfil de população com menos preocupação e interesse aos fatores de risco do AVC, agravando a saúde e não realizando uma devida prevenção da doença.
Um dos resultados apontados pela pesquisa,é que a maioria dos casos de AVC foram de origem isquêmica,o que corrobora com outros estudos anteriores, o tipo isquêmico apresenta uma prevalência maior ao do hemorrágico, o que pode estar atrelado aseus fatores como a presença de doenças crônicas, estilo de vida e níveis séricos muito altos de colesterol total, fatores que são frequentemente presentes na população Brasileira, já o tipo hemorrágico vem associado a alterações
e doenças cardíacas graves que normalmente já acompanha o indivíduo desde a primeira infância, e que não são tão frequentes na população quanto os outros fatores já citados (CORREIA, FIGUEIREDO, COSTA, BARROS, VELOSO, 2018).
Os agravos à saúde gerados pelo AVC podem ocasionar a perda da autonomia e independência do indivíduo, o que pode ser observado neste estudo em que 81% dos pacientes possuíam algum grau de dependência funcional gerada por esses agravos,a incapacidade de realização das atividades da vida diária pode trazer consequências psicológicas, familiares e sociais de grande impacto para o paciente e sua rede de apoio, pois há, na grande maioria dos casos, há dependência do auxílio de outras pessoas para a realização de diversas tarefas, incluindo as do próprio autocuidado, o que pode comprometer o seu poder de decisão (CASTRO, MARTINS, COLTO, REIS, 2018).
No estudo foi apontado que apenas 19% dos pacientes eram independentes, a grande maioria necessitava de algum auxílio para realizar diversas tarefas, decorrências das consequências do AVC que traz distúrbios de sensibilidade, hipotonia, presença de espasticidade, perda dos padrões dos movimentos seletivos, problemas de cognição, alteração do equilíbrio, maior incidência de disfagia, essas alterações levam a uma dependência funcional. (PASSOS, CARDOSO, SCHEEREN 2017).
As sequelas gerados pelo incidente prejudicam a funcionalidade do indivíduo, o que pode ser visto no estudo em que 81% dos participantes tinham alguma dependência, sendo maioria (38%) com esta grave ou total, esse quadro impactaváriosaspectos da vida do paciente, como apontado pela Escala de qualidade de vida, antes de qualquer intervenção profissional os índices mobilidade, autocuidado, visão, linguagem e função de extremidades superiores possuíam índices menores, o que resulta em uma piora da qualidade vida, pois significa que muitas atividades não podiam ser realizadas total ou parcialmente. (GASPARI, CRUZ, BATISTA, ALPENDRE, ZETOLA, LANGE, 2019).
Este estado clinico de dependência pode ser acompanhado deem os sentimentos de angustia e ansiedade, que interferem diretamente no cuidado prestado e na qualidade de vida do indivíduo, sendo assim, para tentar minimizar esses efeitos deve haver um acompanhamento dos sentimentos e sequelas funcionais existentes, uma assistência biopsicossocial, priorizando um atendimento multiprofissional com visando o ganho gradativo de sua autonomia e independência (YOSHIDA, BARREIRA, FERNANDES, 2019).
De acordo com Luvizutto e Gameiro (2011), as lesões em virtude do AVC têm como consequência a espasticidade, que é uma das principais causas da perda funcional e um dos desafios para a fisioterapia, e que precisam ser priorizadas nas intervenções terapêuticas, pois cerca de 20% a 40% dos indivíduos podem ser acometidos pela espasticidade após 3 a 12 meses da lesão, esta,
revela-se em hiperatividade muscular que provoca dor e incapacidade, acarretando em perda das funções musculoesqueléticas que implicam em limitações nas atividades da vida diária (AVD’s), nesses casos, o tratamento é focado no aprendizado de novas habilidades, ou técnicas para a realização dessas atividades.
SegundoArraes Junior; Lima; Silva (2016) após o AVC é necessário o início da reabilitação no meio hospitalar, cuja finalidade é o estimulo precoce do paciente, para que use toda sua capacidade para adaptar-se a nova situação e reassumir suas atividades, as técnicas fisioterapêuticas são adequadas para que o paciente seja reinserido ao meio em que se encontra proporcionando-lhe melhor qualidade de vida.
Como visto por meio da Escala de Qualidade de Vida – AVC, quase todos os índices por domínio tiveram melhora e aumento da pontuação após atuação de profissionais de saúde, os profissionais de fisioterapia em seu trabalho com sobreviventes de AVC possuem uma gama de serviços, de modo que a fisioterapia é expressivamente eficaz na recuperação da independência funcional por meio da melhoria na função dos membros superiores, inferiores e controle postura, além de atuar diretamente nos transtornos e lesões consequentes do incidente tem como alguns de seus objetivos a viabilização da funcionalidade, a promoção do conforto, qualidade de vida e orientações ergonômicas e de atividades de vida diárias (SILVA E SOUZA et al, 2003).
Os resultados obtidos por meio da EQVE-AVE refletem o atendimento prestado pela equipe multiprofissional e a dedicação do paciente durante a internação hospitalar, o ganho de mobilidade, força e massa muscular é refletido no ganho de independência e qualidade de vida do indivíduo, com a gráfico é possível observar que domínios como mobilidade, autocuidado, função de E.S., que transparecem diretamente a atuação da fisioterapia com o paciente obtiveram um aumento da média da alta em relação a da admissão de 4.6; 2.7 e 3.5 pontos respectivamente (MOURA et al 2017).
Para a melhora da funcionalidade e qualidade de vida do indivíduodestaca-se osexercícios terapêuticos, eletroterapia, termoterapia, que tendem a reduzir os sintomas, como dor, edemas e limitações articulares e orientações para promover a prevenção e uma correta e adequada imobilização do membro afetado com utilização de órteses e calçados adaptados quando necessário, essas intervenções contribuem para aumento dos índices, pincipalmente dos domínios autocuidado, mobilidade e função de membro superiores (MOURA et al 2017).
Junto a atuação da fisioterapia e outras áreas, a atuação da enfermagem também ajuda na melhora da independência e autonomia do paciente observando, incialmente, como o indivíduo vivencia essa nova condição de vida para o tracejo de estratégias terapêuticas mais eficazes, em seguida atuando diretamente na assistência, a terapia por caixa de espelho é um ação realizado por este profissional que tem como objetivo melhorar a plasticidade e funcionalidade cerebral, por meio
do estimulo ao paciente em realizar várias atividades, como pentear o cabelo, em frente ao espelho com membro afetado por sequelas de AVC ( CASTRO, MARTINS, COLTO, REIS, 2018).
A aumento da qualidade de vida do paciente está diretamente ligada a melhora da independência funcional, e para que cada vez mais tenhamos bons resultados e melhora nessas duas funções é necessário quea reabilitação seja iniciada ainda em ambiente hospitalar, com o intuito de estimular precocemente o paciente a usar toda sua capacidade para se adaptar à nova realidade e reassumir suas atividades, treinando a rede de apoio para desempenhar o auxílio necessário, favorecendo assim a redução no tempo de internação, e possíveis complicações, sendo atrelado a assistência, preferencialmente, fornecida por uma equipe multiprofissional em uma unidade especializada em reabilitação(GASPARI, CRUZ, BATISTA, ALPENDRE, ZETOLA, LANGE, 2019).
6 CONCLUSÃO
Diante deste estudo pode-se concluir que os indivíduos acometidos por Acidente Vascular cerebral possuem sequelas que corroboram para o declínio da funcionalidade da qualidade de vida, visto que os dois estão interligados, resultados de fatores de risco que pode estar delineando um novo perfil dessa população composta por indivíduos menores que 60 anos predominantemente do sexo masculino.
Verificou-se por meio desta pesquisa que após a intervenção da fisioterapiahouve ganhos significativos com relação ao estado clinico dos pacientes dos participantes, que resultaram na melhora ilustrada por meio do aumento de 11 de 12 domínios da escala EQV- AVE, destacando aqueles impactados diretamente pela atuação deste profissional: autocuidado, mobilidade e função de ES, juntamente com o ganho de dependência funcional constatado em 81% dos pacientes pesquisados pela aplicação do índice de Barthel.
Ainda há carência de novos estudos neurocientíficos inovadores, programas e centros específicos para reabilitação de longa permanecia que tenha uma equipe de reabilitação multiprofissional capacitada, capaz de trazer recuperação, minimizando a incapacidade e melhorando na qualidade de vida do paciente, visto que são medidas imprescindíveis a melhora da reabilitação como campo cientifico da saúde, que ainda carecem de estudos que discorram sobre o tema e tragam bases cientificas como contribuição para o seu avanço.
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