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Violência e a saúde física e mental

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

Violência e a saúde física e mental

Liliana Marcela Ribeiro Ferreira

Dissertação para Obtenção do Grau de Mestre em

Psicologia Clínica e da Saúde

(2º ciclo de estudos)

Orientador: Profª Graça Esgalhado

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Agradecimentos

Ao finalizar este percurso tão importante da minha vida queria expressar o meu agradecimento a todos aqueles que tiveram presentes e me apoiaram nesta caminhada e que, direta ou indiretamente tornaram possível a realização deste trabalho.

Em primeiro lugar queria agradecer à minha orientadora, Professora Graça Esgalhado, pela ajuda ao longe de todo o desenvolvimento da dissertação e por sempre esclarecer as minhas dúvidas. Obrigada pela ajuda e disponibilidade.

Aos meus amigos pelo companheirismo e ajuda.

Ao meu namorado pela dedicação e apoio ao longo de todos estes anos, que incansavelmente esteve ao meu lado e por toda a força e convicção com que acreditou em mim.

À minha irmã por todo o apoio prestado ao longo desta fase da minha vida.

Muito em especial aos meus pais pelo apoio e amor incondicional, pelo encorajamento e força transmitida e acima de tudo pela enorme dedicação e luta para que tivesse os meios de chegar até aqui. Sem eles, nada seria possível.

A todos, O meu Profundo e Eterno agradecimento

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Resumo

No âmbito do mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde apresenta-se a dissertação, que está estruturada em formato de artigo, que posteriormente, será submetido a uma revista científica com revisão por pares.

Assim sendo, esta dissertação descreve a pesquisa realizada no ano letivo 2014/2015 na Unidade Curricular Dissertação, concluindo desta forma o respetivo mestrado, tendo como finalidade o desenvolvimento de procedimentos metodológicos que permitiram analisar a violência e a saúde física e mental. Os objetivos deste trabalho foram os seguintes: (1) Analisar a violência e saúde física e mental; (2) Avaliar os níveis de saúde dos participantes e (3) Analisar a violência e a saúde física e mental em função do género, idade e estado civil.

Para tal, o presente documento, divide-se em 3 capítulos, o primeiro diz respeito a uma introdução à dissertação, o segundo constitui o artigo científico e o terceiro consiste numa consideração final.

Na parte final é ainda apresentado o anexo teórico, que pretende ser a base teórica para a fundamentação dos construtos presentes no estudo – violência e a Saúde Física e Mental.

Palavras-Chave:

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Abstract

In the framework of the masters degree in clinical and health pshycology its presented the dissertation that its structured in an article format, that posteriorly, will be submited to a scientific magazine with a pair revision.

Therefore, this dissertation describes the search made in the lecture year of 2014/2015 in the dissertation curricular unit, by this way ending the respective masters degree, having as goal the development of methodological procedures that allowed to analise the violence and menthal and physical health. The goals of this work are: (1) to analise the violence and menthal and physical health; (2) to evaluate the levels of health of the participants and (3) to analise the violence and menthal and physical health in function of the gender, age and marital status. To do such, the presente document, ita divided in 3 chapters, the first its an introduction to the dissertation, the second is the scientific article and the third it consists in a final consideration

In the final part its presented the theorical attachment, that pretends to be the theorical base to a substantiation of the constructs presented in the study - violence and the menthal and physical health.

Keywords:

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Índice

Agradecimentos ... iii Resumo ... v Abstract ... vii Lista de Tabelas ... xi

Lista de Figuras ... xiii

Capítulo I- Introdução ... 3

Capítulo II – Violência e a saúde física e mental ... 5

Resumo ... 5 Abstract ... 5 Introdução ... 6 Participantes ... 8 Instrumentos ... 10 Procedimentos ... 11 Resultados ... 12

Discussão dos resultados ... 15

Referências Bibliográficas ... 19

Capítulo III- Considerações finais ... 22

Anexos ... 25

Anexo 1- Anexo teórico ... 26

Violência ... 27

Formas e expressões da violência ... 30

Implicações na saúde física e mental ... 35

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Lista de Tabelas

Tabela 1- Caracterização sociodemográfica

Tabela 2 – Resultados para grupos de vítimas e não vítimas ao nível das várias dimensões da saúde física e mental

Tabela 3- Análise dos resultados das dimensões da saúde física e mental por sexo Tabela 4- Resultado das dimensões da escala SF-36 em relação à idade

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Lista de Figuras

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Capítulo I- Introdução

A violência é definida pelo Relatório Mundial sobre Violência e Saúde (Organização Mundial da Saúde, 2002) como “o uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação da liberdade.

Desta forma, nos últimos anos, consequência do agravamento e da evolução da violência na sociedade, são vários os autores que têm apresentado estudos sobre a violência e o seu impacto na saúde física e mental. Destes estudos pode-se verificar que todos eles se parecem nas suas conclusões sobre o impacto da violência na saúde dos indivíduos. Assim, a presente investigação, pretende ser mais um contributo na área científica, clarificando especificamente a relação que a idade, género e o estado civil pode ter com a violência e a sua implicação para a saúde.

No âmbito do mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde apresenta-se a respetiva dissertação, cujos objetivos prendem-se com o desenvolvimento de competências de investigação, de acordo com o ciclo de estudos e com o diploma do psicólogo europeu.

Estas temáticas mencionadas anteriormente são investigadas na extensão do projeto de “Saúde, Bem-estar e Felicidade ao Longo do Ciclo Vital: Estudo PT-BR”, e são apresentadas no capítulo II desta dissertação. Este trabalho contem 3 partes distintas. A atual, o capítulo I, no qual se introduz o tema e os construtos a abordar. A 2ª parte, o capítulo II, apresenta-se no formato de artigo científico. A pesquisa que se descreve nesta parte, tem como objetivos analisar a violência e a saúde física e mental, avaliar os níveis de saúde dos participantes, analisar a variável violência em função do género, analisar a variável violência em função da idade, e analisar a variável violência em função do estado civil.

Para tal, recorre-se a um estudo de natureza transversal, descritivo e inferencial. No âmbito do artigo referido, apresenta-se uma breve introdução do tema em estudo, uma descrição dos métodos utilizados, dos resultados obtidos e a discussão dos mesmos.

Por ultimo, na terceira parte, considerações finais, apresenta-se uma discussão onde se abordam vários domínios, nomeadamente uma reflexão acerca dos resultados e aplicação à Psicologia e também uma breve reflexão sobre o término do 2º ciclo em Psicologia Clínica e da Saúde, assim como as competências previstas com a realização desta dissertação e as conclusões da mesma.

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Por fim, numa última parte, irá ser apresentado um anexo teórico (cf. Anexo 1) que serve como base do presente trabalho, tendo em conta a bibliografia consultada sobre o tema.

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Capítulo II – Violência e a saúde física e mental

Violência e a saúde física e mental

Resumo

Este estudo objetivou estimar a violência e a saúde física e mental tendo em conta variáveis como a idade, o género e o estado civil. Realizou-se um estudo de natureza transversal, descritivo, correlacional e inferencial. A amostra é composta por 1.407 adultos de língua portuguesa, com uma média de idade de 42 anos (DP=17.28). Os participantes responderam à Escala SF-36 que avalia a qualidade de vida e a saúde física e mental. Depois de analisar os grupos de vítimas e não vitimas, verificou-se que o grupo de participantes que não foram sujeitos a violência apresentam resultados mais positivos. Em relação à comparação entre os sexos, verificou-se que os homens apresentam resultados positivos tendo em conta as dimensões do SF-36. Verificou-se também que os participantes mais velhos (53 anos ou mais) apresentam resultados mais fracos ao nível da saúde geral. Em relação ao estado civil, os viúvos predominam em quase todas as dimensões do SF-36 com resultados menos positivos.

Assim, este estudo contribui para alertar a necessidade de mais estudos para analisar as variáveis mencionadas.

Palavras-chave:

Violência, Saúde física, saúde mental

Abstract

This study as the objective to estimate the violence and the menthal and physical

health having in account variables such as age, gender, and marital status. It was realized a study of transversal-descriptive nature, correlational and inferential. The sample its composed by 1407 adults of portuguese language, with an age average of 42 years old (DP=17.28). The participants answered to scale sf-36, that evaluates the quality of life and menthal and physical health. After analysing the groups of victims and non victims, it was verified that the group of participants that were not sujected to violence presents more positive results. In relation to the comparison between genders, it was verified that males presents positive results having in account the dimensions sf-36. It was also verified that the older participants (53 years old or

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more) presents weaker results of general health. In relation to the marital status, the widowers predominate in almost every dimension of sf-36 with less positive results.

This study contributes to alert to the need of more studies to analise the mentioned variables.

Keywords:

Violence, Physical Health, Menthal Health

Introdução

A palavra violência provém do latim “vis” que significa força. Tem a sua origem nos conflitos de autoridade, nas lutas pelo poder, e na vontade de domínio (Minayo, 2006). É um fenómeno complexo que envolve indivíduos, relações interpessoais, comunidades e a sociedade.

Historicamente, a violência é um fenómeno universal que atinge direta ou indiretamente pessoas de todas as idades e de ambos os sexos, classes sociais, etnias, religiões, culturas e independente do nível de desenvolvimento, socioeconómico da população vitimizada, tendo implicações sérias, imediatas e a longo prazo para a saúde e desenvolvimento psicológico e social dos indivíduos, famílias, comunidades e países (Ministério da saúde, 2005). A violência é uma das formas de violação dos direitos humanos, sendo considerada um problema social e histórico, necessitando de uma particular atenção (Schramm & Ferreira, 2000).

É referido pela literatura, que os estudos sobre a violência, ao longo dos anos, assumiram diferentes maneiras de conceituação do fenómeno. Destaca-se da literatura três grandes abordagens. A primeira consiste na visão da psicanálise, onde a violência é vista como uma condição natural do ser humano (Monteiro & Saravali, 2010), referindo Freud (1974) que o Homem é por natureza agressivo e antissocial, tendo a sociedade o papel de educar moralmente, de forma, a que se torne apto a viver em sociedade. A outra perspetiva considera que a violência tem as suas raízes na aprendizagem e propõe, na perspetiva da teoria da aprendizagem social que o comportamento agressivo é adquirido por modelação (aprendizagem por observação de modelos) ou por experiência direta e sob influência de fatores biológicos estruturais. Assim, para Skinner (1982) o comportamento violento do homem é modelado na sua história ontogenética e mantido pelas consequências reforçadoras que produz. A última abordagem, através de estudos da Sociologia, Psicologia Social, Antropologia e História têm focalizado a violência como um fenómeno gerado nos processos sociais, históricos e culturais, afirmando a inadequação de se estudar a violência de forma independente da sociedade, que se torna responsável pela sua reprodução (Monteiro & Saravali, 2010).

Atualmente, o Primeiro Relatório Mundial sobre Violência e Saúde (Organização Mundial de Saúde, 2002) define pela primeira vez, a violência como “o uso intencional da força física

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ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação de liberdade.

Muitos são os autores que ao longo dos anos têm tentado conceitualizar a violência, mas Rocha (1996) já desde então, que a define de uma forma mais completa, tendo em conta as proporções que esta pode desencadear. Para Rocha (1996) “a violência sob todas as formas das suas inúmeras manifestações, pode ser considerada como uma vis, vale dizer, como uma força que transgride os limites dos seres humanos, tanto na sua realidade física e psíquica, quanto no campo das suas relações sociais, éticas, estéticas, politicas e religiosas. Noutras palavras, a violência, sob todas as suas formas, desrespeita os direitos fundamentais do ser considerado como sujeito de direitos e deveres, e passa a ser olhado como um puro e simples objeto”.

Uma vez que a violência tem implicações nefastas na vida do ser humano, esta encontra-se interligada com a saúde, tanto física como mental.

A saúde é um fator essencial da vida humana capaz de providenciar ao indivíduo um estado de bem-estar, que lhe garanta um desempenho satisfatório em diversos planos: a nível físico, psicológico e social (Nunes & Rego, 2002). Desta forma, a compreensão do impacto da violência na saúde é fundamental, tendo-se tornado nos últimos anos um dos principais problemas de saúde pública, verificando-se consistentes evidências de que é uma das principais causas de mortalidade e morbilidade em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2002) mais de 1.2 milhões de pessoas morreram no ano 2000, sendo este apenas representativo de uma parte do custo da violência para a sociedade. No entanto, com muito maior frequência, a violência está associada a uma pior saúde física, suicídio, problemas de saúde mental, sintomas somáticos e vários estados clínicos graves (Ribeiro, Andreoli, Ferri, Prince & Mary, 2009). Seja a agressão física ou psicologia, a violência origina sempre alterações psicológicas persistentes e graves.

Segundo as investigações de Komproe et al (2003) e Zatzick et al (2002), entre 30 e 60% dos afetados pela violência grave podem desenvolver alterações que incluem Perturbações do Stress pós traumático, distimia, depressão, ansiedade, perturbações somáticas e quadros mistos.

São diversos os estudos desenvolvidos sobre o impacto da violência na saúde física e mental e as conclusões destas investigações, têm verificado que as mulheres que sofrem violência física por parte do parceiro podem chegar a padecer 60% mais doença de caráter físico do que as que não são vítimas de tal violência (Campbell, Jones, Dienemann, kub, Schollenberger & O’Campo, 2002). Assim como os estudos de Krug, Dahlberg, Mercy, Zwi e Lozano, (2002) sublinham que as mulheres que sofreram violência física ou abuso sexual na infância, comparativamente às que não sofreram, apresentam em adultos uma saúde mais precária. Estes autores também referem que as consequências que este tipo de violência apresentam na saúde física são lesões abdominais, torácicas, contusões e edemas, síndrome de

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dor crónica, invalidez, fibromialgia, fraturas, distúrbios gastrointestinais, síndrome do colon irritável, lacerações e abrasões, lesões oculares e limitações físicas.

Estudos desenvolvidos por Dahmer, Gabatz, Vieira e Padoin (2012) com mulheres da faixa etária entre 20 e 45 anos, já no sentido da saúde mental, concluíram que as mulheres vítimas de violência demonstram isolamento social, sintomas de depressão, tristeza, e medos somados à solidão, reiteram sentimentos negativos e baixa autoestima. Assim como Guedes, Silva e Fonseca (2009) referem que a violência doméstica ao nível da saúde mental, tem como consequência as perturbações do stress pós-traumático, medo, fadiga, depressão, ansiedade, disfunção sexual e perturbações de alimentação, perturbações múltiplas de personalidade e distúrbios do sono, perturbações de pânico, fobias, e por vezes, comportamento suicida.

A violência contra as pessoas idosas também tem vindo a aumentar consideravelmente com o avançar dos anos, e sendo esta uma faixa etária inevitavelmente frágil, torna-se mais vulnerável à violência. É assim, percecionada na sua etiologia como decorrendo da crescente incapacidade física ou mental da pessoa idosa, da sua dependência face ao cuidador e do stress inerente ao ato de cuidar (Laumann, Sarah & Linda, 2008). Uma vez que a população idosa tem aumentado de dia para dia em Portugal, é necessário que as sociedades se adequem a um perfil demográfico diferente, com múltiplas necessidades, onde emerge a vulnerabilidade associada ao envelhecimento e a necessidade de criar dispositivos capazes de defender e proteger as populações mais velhas e mais frágeis. Segundo Marín e Casasnovas (2001) a questão da maior fragilidade física e mental remete para o problema da incapacidade funcional, que surge muitas vezes associada à idade, originada por uma ou várias doenças crónicas, ou reflexo da perda das funções fisiológicas, atribuível ao processo de senescência. Além disso, a maior prevalência da incapacidade severa ocorre em grupos etários com mais de 75 anos e atinge em maior proporção o grupo das mulheres (Gil, 2010). De acordo com Gaymu, Patrick, Michel e Gijs (2008) o modo como se vive na velhice constitui um potencial determinante do bem-estar e autonomia, e pode evitar ou potenciar o aumento da violência.

Contudo, a saúde é a capacidade de cada ser humano, criar e lutar pelo seu projeto de vida, em direção ao bem-estar. A saúde possui um carácter dinâmico, pois tem em conta a capacidade funcional do Homem (Carvalho, 2007). Ter saúde, significa ter a oportunidade de uma vida social e economicamente produtiva (Barros, 2009). Desta forma, denota-se uma necessidade cada vez mais crescente de intervenção, porque a vitimização provoca no individuo a desvalorização pessoal e a perda do sentido da vida.

O presente estudo teve como objetivo analisar o impacto da experiência de violência na saúde física e mental, avaliar os níveis de saúde dos participantes e verificar o impacto da violência na saúde física e mental, tendo em conta a idade, o género e o estado civil.

Participantes

A amostra do estudo é composta por 1.407 adultos de Língua Portuguesa, dos quais 812 (57.71%) são do sexo feminino e 593 (42.15%) do sexo masculino. Em relação ao local de

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residência, a maioria dos participantes pertence a uma grande cidade 654 (46.48%), e apenas 70 (4.97%) reside num meio urbano. Em relação à idade, a idade média é de aproximadamente 42.11 (DP= 17.28). 367 (26.08%) têm 28 anos ou menos anos, 336 (23.88%) têm idade entre os 29 e os 53 anos, e 335 (23.81%) com mais de 53 anos. Deve ainda salientar-se que a maioria dos participantes possuem habilitações superiores. Relativamente ao estado civil, 450 (31.98%) são solteiros, 547 (38.88%) são casados, 121 (8.59%) vivem em união de facto, 65 (4.62) são viúvos, 116 (8.24%) estão num compromisso afetivo, e 103 (7.32%) são divorciados. No que diz respeito à orientação sexual, 1.213 (86.21%) identificam-se como sendo heterossexuais, 21 (1.49%) como sendo homossexuais e 56 (3.98) identificam-se como bissexuais. Relativamente aos filhos, 681 (48.40%) referiu ter filhos e 718 (51.03) mencionou não ter. Quanto à situação profissional, 79 (5.61%) estão desempregados, 181 (12.86%) são estudantes, 161 (11.44%) são trabalhadores estudantes, 577 (41%) são trabalhadores por contra de outrem, 180 (12.79%) por contra própria, e 173 (12.29%) são reformados/aposentados. Por fim, quanto à religiosidade, 901 (64.04%) participantes referiram serem religiosos e 488 (34.68%) afirmam não o ser.

Todos estes valores referidos anteriormente são analisados na Tabela 1.

Tabela 1. Caracterização da amostra Variáveis n % Sexo Homem 593 42.15 Mulher 812 57.71 Não responde 2 0.14 Nacionalidade Portugal 677 48.12 Brasil 682 48.47 Outro 23 1.63 Local de Residência

Meio Rural Pequeno 110 7.82

Meio Rural Grande 70 4.97

Cidade Pequena 502 35.68 Cidade Grande 654 46.48 Não responde 71 5.05 Idade 28 ou menos anos 367 26.08 Entre 29 e 38 anos 336 23.88 Entre 39 e 53 anos 336 23.88 Mais de 53 anos 335 23.81 Não responde 33 2.35 Escolaridade Até 4 anos 64 4.54 Até 6 anos 13 0.92 Até 9 anos 43 3.05 Até 12 anos 176 12.50 Bacharelato/Licenciatura 426 30.28 Pós-Graduação/Mestrado 490 34.83 Doutoramento/Pós-Doutoramento 170 12.08 Não responde 8 0.57 Estado Civil Solteiro 450 31.98 Casado 547 38.88 União de Facto 121 8.59 Viúvo 65 4.62 Compromisso afetivo 116 8.24 Divorciado 103 7.32 Não responde 5 0.36

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Orientação Sexual Heterossexual 1213 86.21 Homossexual 21 1.49 Bissexual 56 3.98 Não responde 117 8.31 Tem filhos? Sim 681 48.40 Não 718 51.03 Não responde 8 0.57 Situação Profissional Desempregado 79 5.61 Estudante 181 12.86 Trabalhador-Estudante 161 11.44

Trabalhador(a) por conta de outrem 577 41.00 Trabalhador(a) por conta própria 180 12.79 Reformado(a)/Aposentado(a) 173 12.29 Outro 48 3.41 Não responde 8 0.57 Religioso Sim 901 64.04 Não 488 34.68 Não responde 18 1.28

Relativamente à questão de terem ou não sido vítimas de violência, observa-se na Figura 1, que a maioria dos participantes não foram vítimas de violência (n=1096, 77.90%), apenas (n=299, 21.25%) referem ter sido vítimas de violência.

Figura 1:

Frequência de vítimas de violência

Instrumentos

Questionário sociodemográfico

Para se poderem caracterizar os participantes do estudo, construiu-se um questionário sociodemográfico que incluiu itens relativos à idade, ao sexo, estado civil, local de residência, orientação sexual, situação profissional e se os participantes têm filhos ou não e se reportam ou não terem sido vítimas de violência.

299; 21,25%

1096; 77,90%

12; 0,85%

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Escala SF-36 (Pais-Ribeiro, 2005).

O SF-36 versão original é um questionário multidimensional formado por 36 itens, que avalia a saúde física e mental.

As dimensões que fazem parte desta escala são o funcionamento físico que avalia o impacto das limitações físicas na qualidade de vida, desde os cuidados de higiene, como o tomar banho ou vestir-se sozinho, até as atividades que requerem um maior desempenho e esforço físico, desde pequenas tarefas domésticas até ao próprio caminhar de curta e longa distância. O impacto das limitações a nível da saúde relacionadas com problemas físicos ou de foro emocional são avaliadas por escalas de desempenho físico, em que se tem em conta o tipo e quantidade de trabalho realizado assim como a necessidade de redução de trabalho ou quais as dificuldades sentidas na sua realização. A dor corporal é avaliada não só na sua componente de intensidade e desconforto, assim como na forma como a dor está diretamente relacionada com o desenvolvimento normal do trabalho. A escala direcionada à saúde em geral avalia a perceção holística da saúde, tendo em conta fatores como o estado de saúde atual; a resistência à doença e o aspeto saudável. Os níveis de energia e fadiga são agrupados e avaliados através da escala de vitalidade. A quantidade e qualidade das atividades sociais e o impacto que elas sofrem decorrentes dos problemas físicos e emocionais relatados, são avaliadas pela escala de função social. Por fim, conceitos como a ansiedade, depressão, perda de controlo comportamental ou emocional e bem-estar psicológico são agrupados na escala de saúde mental.

É ainda importante salientar, que nos resultados da escala SF-36, os valores devem ser interpretados da seguinte forma: No Funcionamento Físico, valores inferiores equivale a um melhor funcionamento físico; Nas limitações da saúde física, valores superiores equivalem a menos limitações físicas; Nas limitações emocionais, valores inferiores equivalem a menos limitações; Na energia/fadiga, valores superiores indicam uma maior fadiga, consequentemente, valores inferiores indicam maior energia; Relativamente ao bem-estar emocional, valores inferiores equivalem a um maior bem-estar emocional; No Funcionamento Social, valores superiores equivalem a menos funcionamento social; Na dimensão Dor, valores inferiores indicam uma menor dor; E por fim, na Saúde Geral, valores inferiores correspondem a uma melhor saúde geral.

O questionário pode ser aplicado e dirigido a qualquer individuo a partir dos 14 anos inclusive, tendo em conta os seus conhecimentos e desenvolvimento de capacidades de leitura (Pais-Ribeiro, 2005). É uma escala de autorresposta que contém itens invertidos: 24, 25, 28, 33 e 35.

Procedimentos

Foi realizado um estudo de natureza transversal, descritivo e inferencial. Este estudo baseia-se num inquérito realizado entre Outubro de 2014 e Fevereiro de 2015.

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Os critérios de inclusão dos sujeitos foram ser sujeitos de nacionalidade Portuguesa ou Brasileira, isto é, de expressão portuguesa.

O inquérito em questão foi divulgado através de contactos com organizações e redes sociais. A página online apresentava os objetivos do estudo e todos os princípios da ética tradicional psicológica de investigação, nomeadamente a confidencialidade e o anonimato, assim como o consentimento informado. Os participantes responderam de forma voluntária.

Resultados

A fim de comparar as diferenças nos níveis das várias dimensões da escala de saúde física e mental e entre os grupos de participantes que sofreram violência e o grupo dos participantes que não sofreram violência, realizaram-se testes de t Student para amostras independentes, e o teste Anova.

Após se constituírem estes dois grupos, observa-se que a amostra é superior no grupo de não vitimas de violência, mas esta diferença não é relevante, pelo que se efetuam as comparações entre os grupos.

Como se apresenta na Tabela 2, existem diferenças estatisticamente significativas para todas as dimensões, ou seja, verificam-se no Funcionamento Físico (t(1393)= -2.318; p= 0.021), Limitações na saúde física (t(1393)= -3.595; p= 0.000), Limitações emocionais (t(1393)= -4.402; p= 0.000), Vitalidade (t(1393)= 3.508; p= 0.000), Bem-estar emocional (t(1393)= 3.817; p=0.000, Funcionamento Social (t(1393)= 6.811; p=0.000, Dor (t(1393)= 4.522; p=0.000 e Saúde Geral (t(1393)= 2.651; p=0.004.

Assim sendo, o grupo não vítimas de violência apresenta pontuações mais elevadas nas dimensões, Funcionamento físico (M= 2.74; DP= 0.38), Limitações na saúde física (M= 4.28; DP= 0.87), Limitações emocionais (M= 4.15; DP= 0.92), Vitalidade (M= 3.05; DP= 0.78).

O grupo de vítimas de violência apresenta pontuações mais elevadas nas dimensões, Bem-estar emocional (M= 2.98; DP= 0.89), Funcionamento social (M= 2.31; DP= 1.02), Dor (M= 2.36; DP= 1.05) e Saúde Geral (M= 2.72; DP= 0.86).

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Tabela 2:

Resultados para grupos (vítimas de violência e não vítimas de violência) ao nível das várias dimensões da saúde física e mental

Variáveis Saúde física e mental Sim (n=299) Não (n=1096) t p

M DP M DP

Funcionamento Físico 2.68 0.39 2.74 0.38 -2.318 0.021 Limitações a saúde física 4.06 0.96 4.28 0.87 -3.595 0.000 Limitações emocionais 3.86 1.05 4.15 0.92 -4.402 0.000 Vitalidade 3.24 0.87 3.05 0.78 3.508 0.000 Bem-estar Emocional 2.98 0.89 2.77 0.77 3.817 0.000 Funcionamento Social 2.31 1.02 1.90 0.87 6.811 0.000 Dor 2.36 1.05 2.06 0.91 4.522 0.000 Saúde Geral 2.72 0.86 2.57 0.75 2.651 0.004

Em relação à comparação entre o sexo feminino e masculino foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nas dimensões, Funcionamento Físico (t(1403)= 5.077; p= 0.000), Limitações na saúde física (t(1403)= 4.281; p=0.000), limitações emocionais (t(1403)= 4.288; p=0.000), Vitalidade (t(1403)= -7.663; p=0.000), Bem-estar emocional (t(1403)= 5.223; p=0.000), Funcionamento Social (t(1403)= 5.176; p=0.000) e Dor (t(1403)= -6.948; p=0.000). Não se verificando o mesmo para a dimensão Saúde geral (t(1403)= -1.677; p= 0.094).

No Funcionamento físico, os homens apresentam pontuações mais elevadas (M=2.79; DP= 0.33) do que as mulheres (M= 2.69; DP=0.41). Quando se trata das limitações à saúde física, os homens (M=4.35; DP= 0.83) também apresentam pontuações mais elevadas do que as mulheres (M=4.15; DP= 0.93). Em relação às limitações emocionais, os homens (M=4.22; DP= 0.89) pontuam valores mais elevados que as mulheres (M=4.00; DP= 0.99). Em relação à Vitalidade, as mulheres (M= 3.23; DP= 0.82) apresentam pontuações mais elevadas do que os homens (M= 2.90; DP= 0.75). Nas restantes dimensões, bem-estar emocional (M= 2.91; DP= 0.82), funcionamento social (M=2.09; DP= 0.94), dor (M=2.28; DP= 0.96) e saúde geral (M= 2.64; DP= 0.80), são as mulheres quem apresentam pontuações mais elevadas, comparativamente aos homens. Todos estes resultados estão apresentados na Tabela 3.

Tabela 3:

Análise dos resultados das dimensões da saúde física e mental por sexo

Dimensões da Saúde Física e Mental

Sexo

t p

Homem (n=593) Mulher (n=812)

M DP M DP

Funcionamento Físico 2.79 0.33 2.69 0.41 5.077 0.000 Limitações de saúde física 4.35 0.83 4.15 0.93 4.281 0.000 Limitações emocionais 4.22 0.89 4.00 0.99 4.288 0.000 Vitalidade 2.90 0.75 3.23 0.82 -7.663 0.000 Bem-estar Emocional 2.68 0.77 2.91 0.82 -5.223 0.000 Funcionamento Social 1.84 0.87 2.09 0.94 -5.176 0.000 Dor 1.91 0.91 2.28 0.96 -6.948 0.000 Saúde Geral 2.56 0.73 2.64 0.80 -1.677 0.094

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A fim de comparar as diferenças das dimensões da escala SF-36 entre as idades, dividiu-se a amostra em quatro grupos etários diferentes (28 ou menos anos, 29-38 anos, 39-53 anos, 54 ou mais anos), com base nos critérios teóricos do desenvolvimento. Como se apresenta na Tabela 4, diferenças estatisticamente significativas observam-se para quase todas as dimensões do SF-36, ou seja, Funcionamento físico (t(3;1370)=58.324; p= 0.000), Limitações na saúde física (t(3;1370)= 8.957; p= 0.000, Vitalidade t(3;1370)= 1.120; p= 0.000, Bem-estar emocional t(3;1370)= 7.880; p= 0.000, Funcionamento Social t(3;1379)= 5.503; p= 0.001 e Saúde geral t(3;1370)= 8436; p= 0.000, com exceção das dimensões limitações emocionais (t(3;1370)= 2.501;p= 0.058 e dor (t(2;1370)= 2.311; p= 0.075) que não são estatisticamente significativas.

Ao nível do funcionamento físico, o grupo de 28 anos ou menos apresenta pontuações mais elevadas (M= 2.84; DP= 0.29) comparativamente aos restantes grupos, seguindo-se o grupo de 29-38 anos (M= 2.82; DP= 0.26). Em relação às limitações de saúde física, o grupo 29-38 anos apresenta pontuações mais elevadas (M= 4.34; DP= 0.80), seguindo-se tanto o grupo de 28 anos ou menos (M= 4.29; DP= 0.86) como o de 39-53 (M= 4.29; DP= 0.87) que apresentam igualmente as pontuações elevadas, comparativamente aos restantes.

Nas limitações emocionais, é o grupo 54 ou mais anos (M= 4.20; DP= 0.92) quem apresenta pontuações mais elevadas, comparativamente aos restantes grupos. Nas dimensões Vitalidade, o grupo de 28 anos ou menos (M= 3.24; DP= 0.78) apresenta pontuações mais elevadas, assim como no bem-estar emocional, o grupo de 28 anos ou menos (M= 2.94; DP= 0.78) também apresenta pontuações mais elevadas do que os restantes grupos. No funcionamento social, o grupo de 29-38 anos (M= 2.09; DP= 0.93) apresenta pontuações mais elevadas. Na dimensão dor, o grupo de 54 anos ou mais (M= 2.22; DP= 1.03) apresenta pontuações mais elevadas, assim como na saúde geral, o grupo de 54 anos ou mais (M= 2.77; DP= 0.81) apresenta pontuações mais elevadas comparativamente aos restantes grupos.

Tabela 4:

Resultado das dimensões da escala SF-36 em relação à idade

Dimensões da Saúde Física e Mental Idade f P 28 ou menos anos Entre 29 e 38 anos Entre 39 e 53 anos 54 ou mais anos M DP M DP M DP M DP Funcionamento Físico 2,84 0,29 2,82 0,26 2,75 0,33 2,51 0,52 58.324 0.000 Limitações de saúde física 4,29 0,86 4,34 0,80 4,29 0,87 4,01 1,02 8.957 0.000 Limitações emocionais 4,03 1,02 4,03 0,96 4,10 0,92 4,20 0,92 2.501 0.058 Vitalidade 3,24 0,78 3,19 0,81 3,02 0,82 2,92 0,79 1.120 0.000 Bem-estar Emocional 2,94 0,78 2,88 0,81 2,77 0,79 2,66 0,82 7.880 0.000 Funcionamento Social 2,05 0,92 2,09 0,93 1,99 0,92 1,82 0,87 5.503 0.001 Dor 2,08 0,94 2,04 0,87 2,15 0,95 2,22 1,03 2.311 0.075 Saúde Geral 2,61 0,74 2,48 0,76 2,57 0,77 2,77 0,81 8.436 0.000

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Em relação ao estado civil, dividiu-se a amostra em seis grupos diferentes (Solteiros, Casados, unidos de facto, Viúvos, Compromisso afetivo e divorciados).

Através da tabela 5 é possível referir que existem diferenças estatisticamente significativas para todas as dimensões da escala SF-36.

Assim, ao nível do funcionamento físico tanto o grupo de solteiros (M= 2.81; DP= 0.32) como o de compromisso afetivo (M= 2.81; DP= 0.27) apresentam pontuações mais elevadas comparativamente aos restantes. Nas limitações da saúde física, o grupo de unidos de facto (M= 4.32; DP= 0.85) apresenta valores mais elevados, assim como o grupo de casados (M= 4.31; DP= 0.82). Ao nível das limitações emocionais, o grupo de casados (M= 4.23; DP= 0.88) apresenta pontuações mais elevadas do que os restantes grupos. Em relação às dimensões Vitalidade (M= 3.28; DP= 0.89), bem-estar emocional (M= 3.08; DP= 0.98), funcionamento social (M= 2.18; DP= 0.13) dor (M= 2.66; DP= 1.19), e saúde geral (M= 3.29; DP= 0.92) é o grupo dos viúvos quem apresenta pontuações mais elevadas.

Tabela 5:

Resultados das dimensões da escala SF-36 em relação ao estado civil

Dimensões Saúde Física e Mental Estado Civil f p Solteiro(a) (n=450) Casado(a) (n=547) Unido(a) de facto (n=121) Viúvo(a) (n=65) Compromisso afetivo com alguém significativo (n=116) Divorciado(a)/Separado(a) (n=103) M DP M DP M DP M DP M DP M DP Funcionamento Físico 2,81 0,32 2,74 0,34 2,78 0,28 2,08 0,68 2,81 0,27 2,67 0,40 51.051 0.000 Limitações da saúde física 4,28 0,86 4,31 0,82 4,32 0,85 3,29 1,34 4,29 0,76 4,12 0,93 16.761 0.000 Limitações emocionais 3,99 0,99 4,23 0,88 4,19 0,94 3,72 1,09 3,99 0,97 4,09 0,94 5.781 0.000 Vitalidade 3,19 0,81 2,94 0,78 3,12 0,83 3,28 0,89 3,25 0,71 3,12 0,84 6.780 0.000 Bem-estar Emocional 2,91 0,78 2,62 0,77 2,77 0,84 3,08 0,98 2,95 0,79 2,97 0,83 8.152 0.000 Funcionamento Social 2.08 0.92 1.87 0,88 1.90 0,88 2.18 0,13 2.06 0,89 2,17 1.03 4.562 0.000 Dor 2,08 0,91 2,10 0,95 2,00 0,90 2,66 1,19 2,22 0,91 2,15 1,00 5.091 0.000 Saúde Geral 2,59 0,74 2,56 0,76 2,49 0,72 3,29 0,92 2,59 0,76 2,60 0,78 11.311 0.000

Discussão dos resultados

A violência resulta em custos económicos e sociais para a sociedade, com efeitos emocionais nas famílias, impacto na saúde, na qualidade de vida e nos anos potenciais perdidos

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(Ministério da saúde, 2010) indicando a relevância de investigações que objetivem a sua consciencialização e mesmo prevenção.

Este estudo teve como objetivo avaliar a violência e a saúde física e mental de participantes de língua portuguesa, avaliar os níveis de saúde dos participantes e avaliar a violência e a saúde física e mental tendo em conta a idade, o género e o estado civil, através da utilização de instrumentos confiáveis, a fim de melhorar a disponibilidade de informação sobre o tema.

Na sequência de se criar grupos de participantes sujeitos a violência e grupos não sujeitos a violência, após serem analisados os resultados desses mesmos grupos com as dimensões da saúde física e mental, foi possível verificar que os participantes que foram vítimas de violência, apresentam piores resultados comparativamente aos participantes que não foram vítimas, ou seja, em todas as dimensões os participantes que vivenciaram a violência apresentam mais dificuldades e predisposição na realização das tarefas, sentindo-se com menos energia, e mais comprometidos nas relações sociais, desempenho de tarefas, desmotivação e infelicidade. Como nos refere Rocha, (1996) a violência, sob todas as formas das suas inúmeras manifestações, é como uma força que transgride os limites dos seres humanos, tanto na sua realidade física e psíquica, quanto no campo das suas relações sociais, éticas, estéticas, politicas e religiosas. Hijar, Lopez e Blanco (1997) acrescentam ainda que a violência é capaz de causar a morte, doença e essencialmente diminuição da qualidade de vida, confirmando assim, os condicionamentos que a violência desencadeia na vida do sujeito.

Apesar de a violência muitas vezes resultar em morte, com muito maior frequência esta encontra-se relacionada, segundo os estudos de Ribeiro, Andreoli, Ferry, Prince e Mary (2009) a uma pior saúde física, suicídio, problemas de saúde mental, problemas de saúde reprodutiva, sintomas somáticos e vários estados clínicos graves, sendo assim fulcral, as investigações nesta área, de forma a compreender a complexidade da mesma. Todavia, apenas na dimensão funcionamento físico, o grupo de vítimas de violência apresenta resultados mais positivos comparativamente ao grupo que não foi sujeito a violência.

Um dos objetivos deste estudo passa por analisar a violência e a saúde física e mental tendo em conta o género, idade e estado civil.

Assim sendo, relativamente ao género, verificou-se que os homens, comparativamente às mulheres, apresentam resultados mais positivos, demonstrando uma melhor saúde, tanto física como mental, assim como melhor qualidade de vida, que de acordo com as investigações de Campbell, Jones, Dienemann, kub, Schollenberger e O’Campo (2002) as mulheres que sofrem violência podem chegar a padecer 60% mais doença de carácter físico, podendo as lesões, o medo e o stress levar a problemas de saúde crónicos. Os estudos de Krug, Dahlberg, Mercy, Zwi e Lozano (2002) também caminham neste sentido, referindo que as mulheres que sofrem violência na infância, em adultos apresentam uma saúde mais precária. Guedes, Silva e Fonseca

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(2009) elaboraram um estudo em que mulheres vitimas de violência apresentaram o seu depoimento afirmando que a pior consequência da violência é o agravar da saúde, tanto física como mental, referindo o aparecimento de uma maior ansiedade, sentimentos de tristeza, baixa-autoestima, sentimentos de invulnerabilidade, e incapacidade para realizar as atividades do dia-a-dia.

Contudo, os resultados do estudo quanto ao género, demonstrarem resultados mais positivos nos homens, pode ocorrer do facto destes automaticamente defenderem a sua masculinidade perante a sociedade e devido à existência de estereótipos de género. Esta questão é confirmada por alguns estudos em que defendem que as lesões e hospitalizações são mais frequentes nas mulheres, facto que poderá estar relacionado com uma maior necessidade de cuidados médicos imediatos, mas também pelo estigma associado à procura de ajuda por parte dos homens, assim como ao nível dos sintomas verbalizados, os estudos revelam que os homens quando são vítimas experienciam os mesmos sintomas psicológicos que as mulheres, no entanto, não os exteriorizam.

Em relação às idades, é possível verificar que no grupo dos participantes mais novos (28 anos ou menos) estes apresentam baixos níveis de bem-estar emocional, níveis inferiores de funcionamento físico, mais limitações emocionais, e sentem-se mais fatigados.

O grupo de 29-38 anos apresenta resultados mais positivos nas dimensões limitações físicas e saúde geral, consequentemente, apresenta mais limitações emocionais e menos funcionamento social. Corroborando os resultados deste estudo, Dahmer, Gabatz, Vieira e Padoin (2012) na elaboração de um estudo com mulheres da faixa etária entre 20 e 45 anos, quanto à saúde mental, concluíram que as mulheres vítimas de violência demonstram mais isolamento social, sintomas de depressão, tristeza, e medos somados à solidão, reiteram sentimentos negativos e baixa autoestima.

Ao nível da saúde geral, limitações físicas e maior dor é o grupo de participantes mais velhos (54 ou mais) que apresenta piores resultados, comparativamente aos restantes. Segundo Carrilho e Patrício (2010) entre 2004 e 2009 a população de jovens decresceu de 15.6% para 15.2% da população residente total. Consequentemente, o que contribuiu para aumentar a vulnerabilidade da população idosa face às situações de violência é o facto de Portugal ser um dos países da União Europeia onde existe uma maior proporção de pessoas com 75 ou mais anos. Contudo, tendo em conta a afirmação de Gil (2010) a maior prevalência de incapacidade severa ocorre em grupos etários com mais de 75 anos e atinge em maior proporção o grupo das mulheres.

Com o avançar da idade, o isolamento social que muitas vezes ocorre nestas faixas etárias, a permanência mais frequente em casa pelo término da vida profissional e o aparecimento de problemas de saúde, deixam os indivíduos mais vulneráveis e frágeis aos acontecimentos de vida e como nos refere Gaymu, Patrick, Michel e Gijs, (2008) o modo como se vive na velhice constitui um potencial determinante do bem-estar e autonomia, e pode evitar ou potenciar a ocorrência de violência. A violência nesta faixa etária é percecionada na sua

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etiologia como decorrendo da incapacidade física ou mental da pessoa idosa, consoante o seu estado de saúde, da sua dependência face ao cuidador e do stress inerente ao ato de cuidar (Laumann, Sarah & Linda, 2008) considerando pertinente que, quando o estado de saúde das pessoas se encontra deteriorado, haja uma necessidade de apoio, quer por parte da família ou um cuidador remunerado. De acordo com Lafarga (2006) as consequências a violência contra os idosos, pode ter consequências como a ansiedade, a depressão, baixa autoestima, vergonha, irritabilidade, problemas de memória, tentativa de suicídio, tonturas, dores de cabeça e perturbações alimentares. Tendo em conta todos estes fatores, são percetível as implicações que a violência pode ter na saúde e vida das pessoas nesta faixa etária.

Relativamente ao estado civil, através do teste ANOVA, foi possível observar que esta variável encontra-se relacionado com todas as dimensões da escala de Saúde Física e mental (SF-36).

Salienta-se assim, que o estado civil viúvos são o grupo que apresenta piores resultados nas dimensões vitalidade, bem-estar emocional, dor, funcionamento social, saúde geral e nas limitações físicas e emocionais. A bibliografia existente sobre a saúde dos viúvos refere que geralmente são idosos viúvos, e especialmente as mulheres, com mais de 75 anos as vitimas mais frequentes de violência. Concretamente falando das pessoas idosas, viúvas, existem evidências associando o luto em idosos a um maior risco de transtorno mental pelo sofrimento causado (Bennett, 1998; Byrne, & Raphael, 1994; Gallagher-Thompson, Futterman, Farberow, Thompson, & Peterson, 1993; Zisook, & Schuchter, 1993), e em concordância com este estudo, a um maior número de enfermidades de saúde geral (Helsing e Szklo, 1981; Kaprio, Koskenvuo, & Rita, 1987; Parkes, 1996), que consequentemente ocasiona menor bem-estar emocional, e um incumprimento no funcionamento social. Wolf e MacCarthy (1991, cit. in Dias, 2004) corroboram também os resultados deste estudo quando, através de uma análise comparativa de diferentes tipos de violência, identificam dois perfis de idosos, as vítimas de violência física e psicológica: no primeiro perfil as vítimas mostram-se independentes nas suas atividades diárias, contudo, sofrem problemas emocionais; no segundo perfil os idosos são vítimas de negligência e são geralmente pessoas de idade bastante avançada que sofrem de incapacidade mental e física.

Porém, os resultados tendo em conta a variável estado civil, relativamente às outras dimensões, demonstra que o grupo dos solteiros e de compromisso afetivo, apresentam resultados negativos no funcionamento físico, o grupo de união de facto apresentam menos limitações físicas, menos dor e mais saúde geral, e os casados apresentam melhor bem-estar emocional e melhor funcionamento social.

A violência e a saúde como nos remete a literatura, estão cada vez mais relacionadas pelo impacto que a mesma provoca na saúde e na qualidade de vida dos sujeitos, assim sendo, este estudo tentou demonstrar e explicar as consequências que a mesma acarreta nas várias dimensões da saúde, tendo em conta três variáveis que se considerou importante investigar.

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Todavia, apesar de existirem vários estudos que abordam a violência e as consequências para a saúde, são poucos os estudos que relacionam estes dois pontos com as variáveis sociodemográficas, nomeadamente, a idade, o género e o estado civil, o que se tornou um obstáculo encontrar estudos para que fosse possível comparar ou contrapor os resultados desta investigação com estudos existentes na literatura. Assim sendo, apesar de se considerar que este estudo é um contributo para a literatura, salienta-se a importância de se estudar a relação que estas variáveis têm com a violência e saúde, de forma a compreender melhor a complexidade da violência e as suas manifestações na saúde física e mental para, consequentemente, ser um auxilio para os profissionais de saúde ou indivíduos que trabalhem e se interessem pela área, numa altura em que a violência tem aumentado de dia para dia e a sociedade se tem transformado num ciclo de violência vicioso.

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Capítulo III- Considerações finais

O 2º ciclo em Psicologia Clínica e da Saúde da Universidade da Beira Interior está estruturado de acordo com o EUROPSY e persiste a preparação do estudo para um exercício profissional independente como Psicólogo na área da Clinica e da Saúde ou para o seguimento num 3º ciclo.

Deste modo, o curso pretende desenvolver competências tais como a compreensão de modelos teóricos, construtos e processos, a aplicação de métodos, técnicas e instrumentos de avaliação e de intervenção psicológica, a interpretação e comunicação de resultados, a compreensão e aplicação de metodologias de investigação, o comprometimento com obrigações deontológicas e éticas e a interpretação crítica da produção científica.

Segundo o Diploma do Psicólogo Europeu, o objetivo primordial da prática profissional de psicologia passa por desenvolver e aplicar conhecimentos, métodos, princípios, modelos de uma forma ética e científica, tendo em vista o bem-estar e eficácia dos indivíduos e a sociedade em geral, a promoção do desenvolvimento, assim como a consciencialização das problemáticas.

Neste sentido, para a obtenção de Grau de Mestre em Psicologia Clinica e da Saúde pela Universidade da Beira Interior, é indispensável que seja desenvolvido um conjunto de competências de trabalho em três áreas: Avaliação, intervenção e investigação psicológicas. A presente investigação visou desenvolver competências na área de investigação científica. Assim, e tendo em conta o Diploma do Psicólogo Europeu, o psicólogo deve desenvolver um conjunto de competências que se dividem em dois grupos principais, o das competências primárias e o das competências secundárias. O primeiro grupo abrange várias competências e todo o profissional de psicologia deve ser capaz de demonstrar. Estas estão relacionadas com os papéis profissionais, nomeadamente 1) especificação de objetivos, 2) avaliação prévia, 3) desenvolvimento, 4) intervenção, 5) avaliação posterior e por fim 6) comunicação.

O grupo das competências secundárias estão relacionadas com a prática profissional em geral e nas quais o psicólogo deve evidenciar as competências primárias, designadamente, 1) estratégia profissional, 2) desenvolvimento profissional contínuo, onde o psicólogo deve estar sempre em atualização, numa constante investigação, de forma a aprender e reaprender novas técnicas e métodos para lidar com as problemáticas que lhe chegam 3) relações profissionais, o psicólogo deve estar em constante contacto com outros profissionais e instituições 4) pesquisa e desenvolvimento, ou seja, a presente investigação pode encontrar-se neste ponto, o profissional deve estar em constante investigação para evoluir profissional e pessoalmente como psicólogo 5) marketing e “venda”, 6) gestão de clientes, 7) gestão da prática, 8) garantia de qualidade e 9) autorreflexão.

A presente investigação pretende ser um contributo científico na área, alertando assim para a necessidade de trabalhos nestas variáveis, uma vez que existem poucos estudos que

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relacionam a idade, género e o estado civil com as consequências da violência, de forma a consciencializar e informar o público e interessados que trabalham na área.

Indo de encontro com o preconizado anteriormente foi desenvolvida a presente investigação. Esta é parte integrante do 2º ciclo, que permite assim a sua finalização, desenvolvendo as competências supracitadas anteriormente, de forma a permitir o seu desenvolvimento ao nível da investigação e auto-reflexão.

A realização da presente investigação levou ao desenvolvimento e à consolidação de inúmeras competências transversais, tais como a tomada de decisão, a análise critica, a integração e aplicação prática de informação científica, a aprendizagem auto-orientada, a comunicação oral e escrita e ainda a utilização avançada de recursos informáticos. Neste sentido, ao longo deste ultimo ano, com a elaboração deste estudo, evidenciaram-se competências de gestão de tempo, no sentido em que houve constantemente prazos a cumprir, pesquisas para realizar em determinado tempo definido, o que obrigou a uma organização mais metódica. A pesquisa e utilização de informação científica, ou seja, para a realização da pesquisa base do estudo, foi necessário selecionar a informação mais adequada e cientificamente rigorosa para obter assim um trabalho mais completo e adaptado ao exigido, uma vez que sendo necessário a elaboração deste trabalho para o término do 2º ciclo, a exigência e metodologia deve ser em concordância com o requerido, um trabalho rigoroso e cientifico.

Todo o trabalho desenvolvido ao longo deste ano letivo foi repleto de interajuda, um trabalho em equipa que permitiu partilhar e debater sobre os obstáculos encontrados ao longo do percurso, contudo, todo este processo apesar de contribuir positivamente para o trajeto como profissional da psicologia, contribuiu principalmente para desenvolver competências pessoais, pois um psicólogo, apesar de seguir todo um conjunto de técnicas e métodos aprendidos ao longo da formação, tem de possuir competências pessoais que complementem as profissionais. Um bom psicólogo tem de ter a capacidade de ouvir, de criar empatia diante de um paciente, mas também diante de alguém que necessite de auxílio, mesmo não estando num contexto profissional, deve possuir disponibilidade de interajuda.

Ao longo da pesquisa para a elaboração desta dissertação, foi possível verificar que existe um número considerável de estudos sobre o tema violência, contudo, encontrar estudos que se refiram à violência no geral, sem especificação de algum tipo de violência em concreto, foi uma tarefa árduo. Com o evoluir da violência nos dias de hoje, são também vários os autores que se interessam em estudá-la e explicá-la, assim como são vários os que a relacionam à saúde, tanto física como mental, tendo em conta que a sociedade atual encontra-se consideravelmente mais vulnerável, mais frágil a acontecimentos traumáticos, deixando que essas situações alterem o seu bem-estar, tanto físico como psicológico, contribuindo para que a violência em si, seja um dos motivos que mais prejudica a saúde e, consequentemente, se

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encontre relacionada. No entanto, encontrar estudos que relacionassem a violência com as variáveis idade, género e estado civil, como já tem vindo a ser referido ao longo do trabalho, demonstrou-se um obstáculo, uma vez que são poucos os autores que têm em conta estas variáveis e que as relacionam com a violência e saúde. Especificamente em relação ao estado civil, não foi possível encontrar estudos que explicassem a sua relação, impedindo, de uma maneira geral, a possibilidade de contrapor os resultados deste estudo com a literatura, considerando-se pertinente e enriquecedor que existissem estudos neste sentido. Da mesma forma que não existe literatura que relacione o estado civil com a violência e o seu impacto na saúde, também são poucos os estudos que têm em conta as idades, sendo mais um obstáculo na elaboração deste trabalho.

Posto isto, a presente investigação pretende ser um contributo nesta área, de forma a perceber a relação que as variáveis mencionadas anteriormente têm com a violência e consequentemente com a saúde, uma vez que estas variáveis podem contribuir para as causas da violência e para se perceber melhor a sua ligação com a saúde.

Inicialmente, agrupou-se os participantes em dois grupos, os que foram vítimas de violência e os que não foram sujeitos a violência, e verificou-se que o grupo de pessoas vítimas de violência, era consideravelmente mais baixo que o grupo que não foi sujeito a violência, contudo, esta diferença na amostra não é relevante. Tendo em conta o género, verificou-se a predominância dos homens nos resultados de saúde mais positivos, consequentemente, as mulheres apresentam resultados ao nível da saúde mais negativos. Por sua vez, no que se refere às faixas etárias, verificou-se que os participantes mais velhos (53 anos ou mais) apresentam resultados menos positivos em três dimensões (limitações físicas, saúde geral e dor). Quanto ao estado civil, o grupo de viúvos apresentam resultados menos positivos em quase todas as dimensões do SF-36.

Assim, com a presente investigação pretende-se contribuir para alertar para a importância da existência de mais trabalhos que articulem as três variáveis (idade, género e estado civil), oferecendo informação pertinente para todos os técnicos que trabalham nesta área e mesmo para as pessoas que vivenciam este tipo de acontecimentos consigam ter uma perceção mais exata e consciência da sua realidade, percebendo a relação da violência com a saúde.

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Anexos

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Anexo 1- Anexo teórico

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Violência

Definição

A palavra violência provém do latim “vis” que significa força. Tem a sua origem nos conflitos de autoridade, nas lutas pelo poder, e na vontade de domínio (Minayo, 2006).

A violência é um fenómeno complexo que envolve indivíduos, relações interpessoais, comunidades e a sociedade. Está presente em todas as culturas, etnias, nos dois géneros e nas diferentes classes sociais e faixas etárias. Ela atinge tanto os países ricos como os pobres, embora seja mais notória nos países onde as condições de vida são mais precárias (Maia & Barreto, 2012). De modo geral, a violência é a negação, a usurpação e a violação das condições físicas, psíquicas, intelectuais, morais e de liberdade que garantem a vida em sociedade das pessoas, seja nas relações interpessoais como nas coletivas.

Desse modo, o conceito de violência inclui-se como objeto de direito uma vez que tem como referencia o ato de ferir valores e princípios de convivência, gerando a injustiça, a infelicidade, a exclusão, a discriminação, a privação material e de liberdade (Hayasida, 2005). A violência é uma das formas de violação dos direitos humanos, sendo considerada um problema social e histórico, presente em todas as sociedades (Schramm & Ferreira, 2000). Uma vez que origina consequências pessoais e coletivas, deixa de ser um problema de quem a sofre e do agressor, e passa a ser um problema social e de saúde pública, reconhecida em todo o mundo, capaz de resultar em morte, doença e diminuição da qualidade de vida (Hijar, Lopez & Blanco, 1997). Como é referido no Relatório Mundial da Violência e Saúde (2002) todos os anos, mais de um milhão de pessoas perdem as suas vidas e muitas outras sofrem lesões não fatais, resultantes da violência autoinfligida, interpessoal ou coletiva.

A alta incidência da violência, tanto em nível nacional quanto mundial, e o seu impacto na vida das pessoas e coletividades fizeram com que esta questão se transformasse numa prioridade da saúde pública mundial, pois pela sua complexidade envolve a conscientização e a participação efetiva de toda a sociedade (Minayo, 2010).

No entanto, a violência não é um estigma da sociedade contemporânea, acompanha o homem desde tempos imemoriais, mas com o passar do tempo ela tem vindo a manifestar-se de formas e circunstâncias diferentes, gerando repercussões cada vez mais alarmantes.

De forma a entender a complexidade da violência, é fundamental defini-la e classifica-la. Desta forma, conceitualizar a violência torna-se muito difícil, visto que a ação geradora ou sentimento relativo à violência pode ter múltiplos significados e diferentes dependentes da cultura, momentos e condições em que ocorre. Mesmo assim, é possível defini-la, apesar de diversos autores terem a sua forma de analisá-la.

Tendo em conta que diversos autores defendem que a violência é determinada culturalmente, a Organização Mundial da Saúde define-a em relação à saúde ou ao bem-estar das pessoas, considerando as suas implicações físicas e mentais.

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O Primeiro Relatório Mundial sobre a Violência e Saúde (Organização Mundial da Saúde, 2002) define pela primeira vez, a violência como “o uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação de liberdade. A Organização Mundial da Saúde (2002), assim como Hijar, Lopéz & Blanco (1997) defendem a intencionalidade do ato independentemente do resultado produzido, fazendo a distinção e excluindo os incidentes não intencionais, uma vez que a violência implica sempre intencionalidade. O “uso da força física ou do poder”, não traduz necessariamente a intenção de provocar dano apesar de muitas vezes isso acontecer, o objetivo final do comportamento violento é submeter o outro mediante o uso da força. O facto da violência se caracterizar pela intenção de exercer controlo e poder sobre o outro, ela distingue-se do comportamento agressivo ou da agressividade, que visa a sobrevivência e a defesa, e não o domínio sobre o outro, distingue-se também do conflito, uma vez que neste está presente uma “igualdade entre as partes” de tal forma que é possível a negociação e outras formas de resolução que não a violência.

A Organização Mundial da Saúde (2002) alerta também para a negligência e todos os tipos de abuso físico, sexual e psicológico, presentes em todas as manifestações de violência, realçando as diversas consequências que a violência acarreta. Nomeadamente o dano psicológico, privação e a deficiência no desenvolvimento. Ao salientar os problemas físicos, psicológicos e sociais causados pela violência e não só os que levam a lesões, invalidez ou morte, a Organização Mundial da Saúde facilita a compreensão da totalidade do impacto da violência sobre as pessoas, as comunidades e a sociedade como um todo.

A Organização Mundial da Saúde desenvolveu uma tipologia da violência que caracteriza os diferentes tipos de violência e os elos que os conectam. Esta tipologia divide a violência em três amplas categorias, segundo as características daqueles que cometem o ato violento: a) violência autodirigida; b) violência interpessoal; c) violência coletiva.A categorização inicial estabelece uma diferença entre a violência que uma pessoa inflige a si mesma, a violência infligida por outro individuo ou por um pequeno grupo de indivíduos. Estas três categorias amplas são ainda subdivididas, a fim de melhor refletir tipos mais específicos de violência.

A Violência infligida é subdividida em comportamento suicida e agressão auto-infligida. O primeiro inclui pensamentos suicidas, tentativas de suicídio e suicídios propriamente ditos. A auto-agressão inclui atos como a automutilação.

A Violência interpessoal divide-se em duas subcategorias: A violência de família e de parceiros íntimos, isto é, a violência principalmente entre membros da família ou entre parceiros íntimos, que ocorre usualmente nos lares; A violência na comunidade que consiste na violência entre indivíduos sem relação pessoal, que podem ou não se conhecerem. Geralmente ocorre fora dos lares. O primeiro grupo inclui formas de violência tais como abuso infantil, violência entre parceiros íntimos e maus-tratos de idosos. O segundo grupo inclui violência da juventude, atos variados de violência, estupro ou ataque sexual por desconhecidos e violência em instituições como escolas, locais de trabalho, prisões e asilos.

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Tabela 1.   Caracterização da amostra   Variáveis  n  %  Sexo  Homem  593  42.15 Mulher 812 57.71  Não responde  2  0.14  Nacionalidade  Portugal  677  48.12 Brasil 682 48.47  Outro  23  1.63  Local de Residência

Referências

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