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RELATÓRIO DE VIVÊNCIA

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Academic year: 2021

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Victor Roberto Silva Neto

RELATÓRIO DE VIVÊNCIA

4ª Edição VER-SUS-TO

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Relatório VER-SUS-PALMAS-TO Realizado do dia 01 a 07 de Agosto de 2016.

Vivente: Victor Roberto Silva Neto

Aluno do 6º ano do curso de Medicina da UESB – Matrícula 201010702.

Dia 1: 01/08/16

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À tarde fomos para um passeio junto com a comissão organizadora e os facilitadores do VER-SUS, conhecemos a cachoeira do Rocandeira, localizada no distrito de Taquaruçu em Palmas, importante momento de distração para aumentar a afinidade entre os viventes.

À noite após jantar, fomos convidados para participar de uma roda de conversa com a professora da UFT, especialista em saúde da família, Dra. Seyna onde debatemos a mudança nos currículos na formação dos profissionais de saúde, agora abordando o indivíduo com um olhar holístico, sendo ele não resultado apenas de alteração patológicas/biológicas e sim de um contexto biopsicossocial. Participamos de uma dinâmica e distribuímos os “anjos”.

Dia 2: 02/08/16.

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de saúde da mulher e saúde do homem e junto com programa de residência de saúde da família estão tentando implantar o programa de saúde do adolescente. O atendimento desta unidade é realizado mediante marcação dos próprios pacientes ou através dos ACS, sendo que o usuário aguarda no máximo de 15 a 20 minutos na recepção para ser atendido. Foi nítido o envolvimento dos profissionais das UBS, nos revelando tratamentos inovadores para doenças crônicas, como exemplo, a acupuntura. Dentro da Unidade percebemos uma estrutura completa e bem organizada e com inovações como exemplo a área destinada a criação de hortas suspensas.

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Dia 3: 03/08/16

No terceiro dia de vivencia visitamos o assentamento São João que indo de veículo automotor fica a mais ou menos uma hora da capital Palmas. Para se ter acesso ao assentamento tivemos dificuldade devido à precária condição da estrada. Ao chegarmos nos deparamos com uma realidade totalmente distinta da que conhecemos na capital. A única Unidade de Saúde da Família existente estava fechada, com bastante sujeira e sem materiais adequados para as atuações de profissionais da área de saúde. Conversamos com uma ACS, que permitiu adentrarmos a Unidade, ela nos revelou que apenas na Quarta-feira existe atendimento a população, atendimento este realizado por um médico e uma enfermeira e que no momento não compareceram. Em diálogo com o Presidente do Conselho de saúde, Edson, este nos revelou que o conselho de saúde foi recentemente formado, há apenas dois anos e que encontrara muitas dificuldades para atuação. Edson nos confirmou que as campanhas de vacinação ocorrem assiduamente, entretanto é difícil o acesso a consulta com médicos e enfermeiras, necessitando que os usuários daquela comunidade, que se totalizam em torno de 200 famílias e 1000 pessoas se utilizem de transporte alternativos, através de ônibus que vão 3 vezes por dia para a capital em busca de atendimento médico.

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Pela tarde visitamos o Centro de Zoonoses, onde fomos recebidos pela Fisioterapeuta, residente em saúde da família Kamile, que nos apresentou todo espaço físico e corpo profissional. Inicialmente adentramos o setor de controle vetorial sendo responsável a Bióloga Gabriele que tem por função a vigilância e o combate a endemias provocadas tanto por insetos ou por contaminações químicas. Gabriele nos informou que os dados verificados eram passados para o SISFAD, tendo com isso um controle rigoroso de possíveis áreas endêmicas. Fomos para o controle de reservatório, logo após conhecemos a entomofalma onde tivemos a experiência de termos contato com animais peçonhentos, insetos transmissores de doenças crônicas. Senti falta do CIAVE no estado do Tocantins, uma vez que foi nos dito, que não existia esse Centro anti-veneno para os profissionais atuarem de forma eficaz tratando os enfermos vítimas de intoxicação. Visitamos com o residente em Medicina Veterinária, Pedro, o local de castração de cachorros, Programa que é destinado a redução dos vetores de Leshimaniose. Fomos no centro de controle de borrifação, no canil onde os cachorros com leishmaniose soro positivo são observados, aguardam adoção ou sofrem eutanásia.Visitamos o departamento de vigilância em Saúde Ambiental onde é avaliada a água, o ar e o solo de Palmas e cidades circunvizinhas. Percebemos em todos os setores, locais bastantes organizados e profissionais bem comprometidos.

A noite nos deslocamos para a sala 5 do anfiteatro onde tivemos uma discussão sobre Atenção Integral e Atenção especializada com a médica de Família e Comunidade Drª Seyna e o Secretário de Saúde, Nésio. Discutimos a atual situação do cenário da atenção básica em Palmas, criticamos o que achamos indevido, propondo soluções para os problemas encontrados e elogiamos o que nos surpreendeu positivamente. Realizamos uma dinâmica proposta por um grupo de

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Dia 4: 04/08/16

No quarto dia iniciamos com um café da manhã às 7 horas, e nos direcionamos a Unidade Básica de Saúde de Taquari. Essa região localiza-se mais perifericamente em Palmas, distando uns 40 minutos da UFT. É considerada uma área populosa devido a invasão populacional desorganizada ocorrida na década de 90. Ao adentrarmos a Unidade Básica de Saúde, fomos recebidos pela técnica de enfermagem, Jéssica, ela queixou-se do enorme contingente de habitantes da área e da pequena quantidade de ACS, deixando então grande parte da comunidade descoberta. Revelou-nos que a Unidade é responsável por aproximadamente 2929 famílias, que resultam em quase 12000 pessoas, sendo apenas 16 ACS e 3 Equipes de Saúde da Família pela manhã e 2 a tarde, dificultando o trabalho em prevenção e promoção em saúde. A coordenadora da Unidade nos revelou que as maiores demandas são dos pacientes diabéticos e pacientes portadores de Leshimaniose visceral. A farmácia como nas outras Unidades de Saúde de Família de Palmas, é gerida pelo sistema HORUS, entretanto é comum a queixa por parte dos pacientes, da falta de medicamentos. As equipes são completas, entretanto, os funcionários reclamam da falta de estrutura para execução dos trabalhos, da falta de transporte para a visita domiciliar e falta de segurança.

À tarde visitamos o CAS – Centro de Atenção a Saúde, usualmente descrito pelos usuários como uma Policlínica. Fomos recebidos pela coordenadora e essa nos mostrou a estrutura física e o corpo profissional do complexo. O CAS funciona com atendimento de médicos especialistas, Cirurgião Geral, Pediatra, Ortopedista, Ginecologista, Otorrino que atendem a solicitação dos pedidos dos médicos das UBS. A equipe é formada por duas enfermeiras, sendo uma do período matutino e outro vespertino, dois farmacêuticos, seis técnicos de enfermagem, três pela manhã e três pela tarde, recepcionistas, e administradores. A estrutura é nova e aconchegante, entretanto na sala de pequenas cirurgias encontramos alguns equipamentos quebrados e materiais enferrujados.

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Palmas e a importância do profissional não se acomodar diante de tantas dificuldades impostas pela rede de atenção básica.

Dia 5: 05/08/16

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A tarde visitamos o setor Santo Amaro 2, que dista aproximadamente 1hora da UFT. Caracteriza-se por ser uma comunidade carente, fruto de habitantes que emigraram para ocupação de forma desorganizada na década de 2000. Apesar da falta de saneamento básico, o local possui água encanada e energia elétrica. As casas são feitas de material compensado, lona e papelão, o bairro possui três ruas apenas e ao redor da comunidade há muito lixo, percebemos a presença de criança brincando meio as excretas da comunidade.

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situações de vulnerabilidade, como usuários de drogas, LGBT e prostitutas. Os organizadores visitam prostíbulos, orientando os pacientes sobre o risco de DSTs, fazendo doações de roupas e medicamentos. Estavam presentes na reunião Artur, que integra o Projeto Palmas Que Lhe Acolhe e Poliana, Odontóloga, que faz parte do Projeto Palmas Para Todos, juntos explicaram a atuação, o objetivo e as dificuldades e conquistas de cada projeto.

Dia 6: 06/08/16

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À tarde visitamos a aldeia indígena Xerente, localizada próximo ao município de Tocantínia- TO, onde fomos recebidos pelos poucos moradores, pois a maioria dos habitantes foi prestigiar um campeonato de futebol que ocorria em uma aldeia próxima. Conversamos com o Agente de saúde local, que nos revelou a estrutura da aldeia e sistema de atendimento médico. Normalmente o atendimento é realizado através de um rastreio feito pelos agentes de saúde comunitários, que realizam visitas domiciliares, os pacientes selecionados são atendidos durante um turno, uma vez por mês, na estrutura da Unidade Básica de Saúde indígena, por um médico cubano do programa Mais Médicos. Pacientes com casos mais complicados são encaminhados para a Capital. O Pajé da Aldeia nos convidou para assistir ao campeonato na região da Porteira, onde sua aldeia estava competindo, nós o acompanhamos e adoramos a experiência.

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À noite tivemos uma roda de discussão relatando a realidade experimentada por cada grupo, uns visitaram o SAMU, outros a UPA Norte e outros a UPA Sul. Foi muito enriquecedora a discussão, visto que conhecemos visões distintas de cada participante sobre os serviços de pronto atendimento, comparando o serviço local com o serviço prestado em sua cidade/estado.

Dia 7: 07/08/16

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Pela tarde iniciamos o encerramento da atividade do VER-SUS PALMAS 2016-2. Revelamos os “anjos”, nos aproximamos de quem não tivemos tantos contatos, falamos os pontos positivos que foram muitos, inclusive parabenizamos a comissão organizadora e os facilitadores que concretizaram uma vivencia muito organizada, harmoniosa e produtiva. Apenas senti falta devido a problemas burocráticos na esfera estadual de não termos conhecido a atenção secundária (HGP).

Estou no último semestre da faculdade, foi emocionante e gratificante Vivenciar e VER o SUS tão intensamente durante uma semana. Desmistifiquei muitos preconceitos, reativei a esperança de um SUS funcionando de acordo a teoria preconizada, ampliei minha visão sobre o ser humano, observando agora todo seu contexto biopsicossocial. Estou motivado para novas vivências, com toda certeza, foi a mais enriquecedora experiência acadêmica nesses 6 anos de graduação.

Referências

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