UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA 4ª Semana do Servidor e 5ª Semana Acadêmica 2008 – UFU 30 anos
1Acadêmicos do curso de Geografia/IG - UFU
2Orientadora e Professora Drª. do Instituto de Geografia/IG - UFU
ESTUDO POPULACIONAL DE UBERLÂNDIA (MG), 1996-2006
Niovaldo Vaz Carneiro Filho
1Universidade Federal de Uberlândia, Av. João Naves de Ávila nº 2121, Santa Mônica, Uberlândia-MG e-mail: [email protected]
Camila Bernardelli
1e-mail: [email protected]
Patrícia Bonolo Cruvinel
1e-mail: [email protected]
Thallita Isabela Silva
1e-mail: [email protected]
Geisa Daise Gumieiro Cleps
2e-mail: [email protected]
Resumo: O município de Uberlândia localiza-se na porção Sudoeste do estado de Minas Gerais,
na Mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Atualmente é o principal centro dessa Mesorregião e teve seu desenvolvimento em curto período. A partir desta constatação, realizou-se um estudo sobre a população residente na cidade de Uberlândia, no período de 1980 a 2006., A pesquisa baseou-se, principalmente, em dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (SEDUR) da cidade de Uberlândia e do Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômicos-Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (CEPES). Durante o período analisado, a população rural de Uberlândia diminuiu em relação à população urbana, o que segue uma lógica nacional de desenvolvimento. Em 1980, a população rural representava 3,88 % do número total de habitantes, passando a representar 2,44% em 2006. A densidade demográfica aumentou passando de 1.052,52 hab./Km
2, em 1980, para 2.674,51 hab./Km
2, em 2006. Constatou-se ainda que o Setor Central da cidade de Uberlândia apresenta maior densidade demográfica (IBGE, 2006). Entre os bairros mais populosos encontram-se o Santa Mônica, localizado no Setor Oeste; o Presidente Roosevelt, no Setor Norte; o São Jorge, no Setor Sul; o Luizote de Freitas, no Setor Oeste e o Osvaldo Resende, no Setor Central. O maior índice de nascimentos foi registrado no ano de 1999 e o menor índice em 2006, sendo que houve um aumento significativo no número de óbitos no período de 1998 a 2006.
No que se refere à população residente em Uberlândia, boa parte é proveniente de outras regiões do Estado de Minas Gerais, destacando-se o próprio Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, do Estado de Goiás, do Estado de São Paulo e uma pequena parte de outras regiões brasileiras.
Palavras-chave: densidade demográfica, mortalidade, população, Uberlândia.
1. INTRODUÇÃO
O seguinte trabalho se realizará por meio de estudos e análises sócio-ambientais da cidade de Uberlândia, tendo como objetivo específico trabalhar com a avaliação do crescimento demográfico da população de Uberlândia entre 1996 e 2006, a partir de informações censitárias disponíveis.
A elaboração deste trabalho se justifica pela importância da compreensão do crescimento e
organização do espaço urbano para a realização de pesquisas e estudos populacionais, a fim de
conhecer os perfis das populações, bem como os fenômenos associados às mesmas, que as
influenciam e/ou determinam. Com isso, buscou-se contribuir, de alguma maneira, para ampliar estes estudos no município de Uberlândia, sendo que este poderá ser utilizado como subsídio para o desenvolvimento de futuros trabalhos que abranjam a temática populacional.
A Geografia da População promove a compreensão da importância do estudo sobre a população no contexto da geografia. Dispõe de papel fundamental no contexto histórico atual, por proporcionar compreensão dos elementos ligados a população como teorias, elementos da dinâmica populacional, entre outros. Proporciona ao aluno a análise da dinâmica da população e o relacionamento desta com a organização espacial, contribuindo assim para uma compreensão mais profunda da relação homem-meio.
2. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
O Município de Uberlândia localiza-se na porção Sudoeste do estado de Minas Gerais, na Mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba e tem como referência as coordenadas geográficas 18°30’ e 19°30’ de latitude sul e 47°50’ e 48°50’ de longitude oeste do meridiano de Greenwich, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (1997). Limita-se ao Norte com Araguari, a Leste com Indianópolis, a Oeste com Monte Alegre de Minas, a Sudeste com Prata, a Sudoeste com Uberaba, a Noroeste com Tupaciguara e ao Sul com Veríssimo, conforme figura 1.
Figura 1 – Mapa de Localização de Uberlândia na Mesorregião Geográfica Triângulo Mineiro E Alto Paranaíba.
A área do município de Uberlândia perfaz 4.115,822 Km² de extensão, sendo que 3.896,822
Km² são de área rural e os outros 219,00 Km² são de área urbana. Possui ainda uma população
estimada, por dados preliminares da Secretaria de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, em
600.368 habitantes. Destes 585.719 vivem na zona urbana e 14.649 na zona rural (SEPLAMA,
2006).
Uberlândia, que teve sua origem às margens do rio Uberabinha, como Distrito de Uberaba, é, atualmente, o principal centro do Triângulo Mineiro, tendo contribuído para isso o seu comércio atacadista e varejista e a crescente expansão do setor de serviços gerais ligados ao desenvolvimento industrial. A infra-estrutura econômica do município (parque industrial, sede de armazenamento, transportes, comunicação etc.) é considerada como uma das melhores do interior do país. Sua economia baseia-se nas atividades industriais, agroindustriais, agropecuária, comércio (atacadista e varejista) e serviços.
3. ANÁLISE POPULACIONAL
Segundo HORTA e BRITO (2001, p. 1), Minas Gerais chegou ao final do século XX com pouco mais de 17,8 milhões de habitantes, distribuídos pelos 586.648,7 Km
2de sua área, o que lhe garante um segundo lugar em tamanho populacional entre os estados brasileiros, perdendo apenas para São Paulo, com quase 37,0 milhões.
Em 1980, Minas Gerais tinha 13.378.553 habitantes, dos quais somente 67,1% residiam em áreas urbanas. Entre 1991 e 2000, essa proporção aumentou para pouco mais de 82%, com a população urbana crescendo a 2,49% ao ano e a rural reprimindo-se (2,28%). A situação rural mostra uma constatação que sinaliza, à primeira vista, dois importantes processos demográficos em Minas. Primeiro, a queda dos níveis de fecundidade da população residente nas áreas rurais, e, segundo, talvez principalmente, a intensificação do "êxodo rural".
O estado sempre se caracterizou por uma grande diversidade regional, não só geográfica, mas também econômica e social. Do ponto de vista da distribuição espacial de sua população, essa diversidade também se faz presente, ainda mais quando se tem em mente a sua distribuição pelos seus 853 municípios. Analisando-os quanto ao tamanho e crescimento, emergem algumas peculiaridades extremamente interessantes.
Em 2000, aproximadamente, 40,0% da população de Minas concentrava-se em apenas 23 municípios com mais de 100.000 habitantes. Entre eles somente três tinham, em 2000, uma população acima de 500 mil habitantes: Belo Horizonte (2.238.526), Contagem (538.017) e Uberlândia (501.214).
Uberlândia possui uma evolução da população bem característica, deste modo, no quadro 1, observa-se que apesar da população rural de 1980 em relação à de 2006 ter aumentado relativamente durante este período, levando-se em consideração a população total, houve uma diminuição de aproximadamente 1,5% da mesma. A população rural em 1980 representava 3,88%
do número total de habitantes, representando em 2006, apenas 2,44% da mesma.
Tabela 1 - Evolução da População de Uberlândia 1980-2006.
Censos/Anos
Área 1980 1991 1996
12000
22001
32002
32003
32004
32005
32006
3Urbana 231.598 358.165 431.744 488.982 505.167 521.888 539.162 556.133 570.982 585.719 Rural 9.363 8.896 7.242 12.232 12.637 13.055 13.487 13.909 14.280 14.649 Total 240.961 367.061 438.986 501.214 517.804 534.943 552.649 570.042 585.262 600.368
Organização: CARNEIRO FILHO, N. V., jan./2008.
Fonte: IBGE/Secretária Planejamento e Desenvolvimento Urbano Nota: 1Contagem populacional/IBGE/1996.
2Censo Demográfico/IBGE/ 2000 3Estimativa Populacional
A densidade demográfica de Uberlândia apresenta valores significantes à análise da
população, sendo possível observar que a densidade urbana do município, no período de 1980 até
2006, cresceu passando de 1.052,52 hab./Km
2para 2.674,51 hab./Km
2, respectivamente. Com
relação à densidade populacional rural observa-se que de 1980 a 1991 houve ligeira queda, mas a
partir de 1996 a densidade tendeu a crescer atingindo 3,75 em 2006.
Com relação à variação relativa da população por sexo, pode-se notar que no período de 1970 e 1980 os homens representavam 92,98% da população, enquanto que as mulheres representam 89,23%. A partir de 1980 em frente a variação relativa feminina ultrapassou a masculina, no período de 2000 elas representavam 36,9%, sendo que os homens apresentavam-se como 36,18% da população, conforme figura 2.
Elaboração: CARNEIRO FILHO, N. V., jan./2008.
Fonte: FIBGE - Censos Demográficos 1970, 1980, 1991 e 2000 Para 2003, projeções CEPES/IEUFU
Figura 2 – Gráfico da Variação Relativa da População por Sexo e Total (%)
Como forma de melhor ilustrar a população uberlandense, é de maior relevância destacar os grupos de 70 a 79 anos e os que apresentam mais de 80 anos, os quais ostentam índices de aumento de 1996 a 2006, o que se pode concluir é que cada vez mais a população idosa de Uberlândia eleva os índices de expectativa de vida da cidade. Hoje os jovens e adultos com idade entre 15 e 29 anos representam 30% da população. As pessoas com idade entre 30 e 64 anos somam 39%. E a idade mediana da população é 27 anos, segundo estimativas com base no último censo demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Assim como ocorre com todo o Brasil, que possui 10% de sua população na classe da terceira idade, a tendência para os próximos anos é que a população de Uberlândia também envelheça.
4. CARTOGRAFIA E DADOS
Após todo o levantamento dos dados, verificou-se a necessidade de se espacializar a população de Uberlândia, no mapa da cidade de Uberlândia, dividindo esta mesma população por setores, dentro dos respectivos bairros da cidade. A mesma foi catalogada através de tabelas, as quais indicavam o número de habitantes por área (Km
2). Para a confecção do mapa utilizou-se o programa ArcView 3.1, com a base de dados cedida pela Secretária de Desenvolvimento Urbano (SEDUR), como pode ser visto no mapa abaixo (figura 3).
Conforme se observa a partir do mapa, Figua 3, no setor Central estão concentrados 17,86%
da população total. As concentrações populacionais dos outros setores são: Norte: 17,73%; Leste 22,74%; Oeste: 23,21% e Sul: 18,46%. Portanto, desses o mais populoso é o Setor Oeste.
Podemos observar ainda que a maioria dos bairros menos populosos estão localizados na parte mais externa da cidade. Alguns desses bairros são tidos como de classe média alta e como exemplos temos: Mansões Aeroporto, no Setor Leste, e Morada do Sol, no Setor Oeste.
Entre os bairros mais populosos encontram-se o Santa Mônica, localizado no Setor Oeste; o
Presidente Roosevelt, no Setor Norte; o São Jorge, no Setor Sul; o Luizote de Freitas, no Setor
Oeste e o Osvaldo Resende, no Setor Central.
Figura 3 - Distribuição Populacional de Uberlândia – MG, por setor Estimativa 2003 – Zona Urbana.
A concentração populacional no Bairro Santa Mônica pode ser explicada, entre outros fatores, pela localização do Campus Santa Mônica e do Campus da Educação Física- localizado próximo a esse bairro- da Universidade Federal de Uberlândia. Muitos dos estudantes de outras cidades alojam-se próximos ao campus para estudar. É também um bairro que se localiza próximo ao Setor Central, que concentra a maior parte das atividades comerciais da cidade.
É importante lembrarmos que apesar do Setor Central possuir maior densidade demográfica, não significa que o mesmo seja o mais populoso. A densidade demográfica leva em consideração o número total de habitantes de cada setor em relação à área total do mesmo. Sendo assim, é um indicativo de concentração populacional em relação à área.
Ao relacionar todas estas informações com as taxas de natalidade e mortalidade da população de Uberlândia, sendo que o desenvolvimento é promovido pelo crescimento vegetativo, representado pelos nascimentos, destes de 1998 a 2006, o maior índice registrado foi o do ano de 1999 quando se registrou 10.285 nascimentos. Desde então, o número de nascimentos oscilou muito. No ano de ano de 2006 foi registrado o menor índice de nascimentos, representando 8.161.
As razões para uma diminuição do crescimento demográfico estão diretamente relacionadas com a urbanização e industrialização e com incentivos à redução da natalidade, como a disseminação de anticoncepcionais.
A mortalidade registrada na cidade de Uberlândia apresenta desde 1998 a 2006 aumento na relação de óbitos, sendo que em 1998 foram 2.101 óbitos e em 2006 registraram-se 3.198 óbitos. É notável que os acidentes de transporte, ao longo de 1980-1990-2000, sempre estiveram na terceira posição em termos de ocorrência de mortes, mas, em termos de números absolutos e proporcionais, tiveram uma tendência crescente. Deve-se ressaltar que a mortalidade por homicídios acentuou-se a partir da década de 1990, atingindo, particularmente, os jovens do sexo masculino, com destaque para duas faixas etárias: entre 20-29 anos e 29-39 anos.
Os números do Censo Demográfico 2000 confirmaram a tendência crescente de aumento da
urbanização no Brasil. Uberlândia não é diferente com relação a esta realidade, a cidade passou por
elevada taxa de urbanização, o que refletiu na densidade demográfica populacional, que de 30,7
hab./Km
2em 1970, atingiu 122,1 hab./Km
2em 2000.
O acréscimo de 12.208 habitantes urbanos resultou no aumento do grau de urbanização, que passou de 30,7% em 1970, para 97,56% em 2000. Esse incremento foi basicamente em conseqüência de dois fatores: do próprio crescimento vegetativo nas áreas urbanas, e da migração com destino urbano.
Observando-se a evolução da população residente de Uberlândia, é notável o grande aumento da população urbana do ano de 1970 até 2000 e, por conseqüência, a queda de residentes da zona rural do mesmo período, sendo que no ano de 2000 houve um ligeiro aumento de residentes rurais. A população urbana em 1970 representava 89,3% do total de moradores do município e a rural 10,6%, já em 2006 os moradores urbanos eram 97,5% da população e 2,44% eram moradores rurais.
O número de pessoal ocupado na atividade industrial é de 48.944, participando em aproximadamente 44% do total (222.577) de empregos oferecidos pelo mercado de trabalho.
Uberlândia é uma das cidades que apresentam proporcionalmente a maior população em idade ativa do Brasil. Mais de 70% dos habitantes têm entre 15 anos e 64 anos – faixa considerada apta para o trabalho, segundo conceitos do IBGE.
Em contrapartida, deve-se chamar a atenção para a pressão que o mercado de trabalho sofre, não há emprego para todos. Em 2001, a taxa de desemprego era em torno de 12,5%. Além disso, sobrecarregava-se também o mercado imobiliário, devido à grande procura por moradia, o sistema de saúde e o sistema educacional, já que a grande parte dessa população vem em busca de educação universitária e, como a Universidade Pública não consegue absorver todos estudantes, o sistema de Ensino Superior privado cresce. Portanto, observa-se que todos esses fatores são desafios e dificuldades que também criam oportunidades para as pessoas que chegam e para as que são da cidade.
No que concerne a arrecadação total do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), Uberlândia, no ano de 2003, arrecadou R$182.924.411,00. Esse valor equivale aproximadamente a 10,7% do IPI arrecadado por Minas Gerais neste mesmo ano, que foi de R$1.709.611.371,00 (Receita Federal, 2003).
O setor industrial participa com o segundo maior PIB em relação aos outros setores. Já o setor de serviços, por ser dinâmico na região, ocupou o primeiro lugar em relação ao PIB, possuidor de eficientes sistemas de transportes, grande rede de comércio, atacadista e varejista, telecomunicações, destacados estabelecimentos de Ensino Superior etc. Fornece uma porcentagem de empregos maior em relação aos demais, que são agropecuária e indústria.
O PIB de Uberlândia no ano 2004, a preços de mercado foi equivalente a 4,75% e 40,76%, do PIB Minas Gerais (R$ 166.586.327,00) e do Triângulo Mineiro (R$ 19.393.898,00) respectivamente (Fundação João Pinheiro, 2004). Quanto à arrecadação municipal no ano de 2004, em reais correntes, Uberlândia obteve o valor total de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de R$ 783.422.835, sendo este imposto 89,3% do total arrecadado pelo município.
5. O PROCESSO DE MIGRAÇÂO EM UBERLÂNDIA
A análise demográfica de Uberlândia requer a compreensão dos fluxos migratórios direcionados a este local, já que este tema é extremamente importante para fundamentar as discussões acerca do crescimento e do desenvolvimento da cidade. A composição populacional uberlandense conta com um grupo de não naturais superior aos nascidos neste município. A seguir, discutir-se-á os fatores que impulsionaram a migração e os impactos gerados na configuração social, econômica e espacial da cidade.
A posição geográfica de Uberlândia favorece a sua interligação com o Centro-Oeste
brasileiro e com o estado de São Paulo. Essa cidade assumiu papel de destaque ante a modernização
econômica do Triângulo Mineiro, configurando como fator determinante para o estabelecimento
dos fluxos migratórios. De acordo com Juliano e Leme (2002), pode-se destacar que: “(...) é na
articulação privilegiada com a economia paulista que se deve buscar as bases propulsoras do
dinamismo que alicerçou a centralidade de Uberlândia, forte condicionante do comportamento demográfico.”
A acentuada tendência imigratória contribui para o rápido crescimento populacional da cidade, distanciando-a dos municípios vizinhos. Exemplo disso é Uberaba que ainda na década de 1970 abrigava cerca de 400 habitantes a mais que Uberlândia. Atualmente, a população uberabense não atinge nem metade do contingente populacional de sua vizinha.
A migração pode ser definida como mobilidade espacial da população. É um mecanismo de deslocamento populacional, que reflete mudanças nas relações entre as pessoas (relações de produção) e entre essas e o seu ambiente físico (BECKER, 1997).
O gráfico a seguir (figura 4), demonstra as principais regiões emissoras de migrantes para Uberlândia, baseado no censo demográfico do IBGE (1991).
Figura 4 - Chefes de família não naturais de Uberlândia – Local de Última Residência.
Neste contexto, Juliano e Leme (2002, p.8), afirmam que:
(...) o fluxo migratório mais importante é formado por pessoas nascidas na área de influência do Município de Uberlândia, a saber, a mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (TMAP), sul de Goiás e parte do norte paulista.
Ainda segundo esses autores, quase 60% da população não natural de Uberlândia, no ano de 2001, era proveniente do Estado de Minas Gerais. Destes, 43,8% originavam-se do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba e 13,2% oriundos dos demais municípios mineiros. Somado a esses encontram-se os goianos (20,8%) e os paulistas (8,8%). As demais regiões brasileiras totalizam 13,5% deste contingente. É importante salientar que a faixa etária predominante desses imigrantes varia entre 15 e 64 anos. Desta forma, conclui-se que os motivos principais de atração são a procura por trabalho e educação.
Outro fator relevante para esta discussão são os índices de escolaridade. Nota-se entre os imigrantes valores discrepantes no que tange a esse tema, já que cerca de 10% dessas pessoas são analfabetas, ao passo que 6,2% possuem Ensino Superior completo. Ambos os números superam as médias nacionais, revelando um quadro de diferenças socioeconômicas. O último dado pode ser explicado pelo papel educacional que Uberlândia desempenha, atraindo fluxos contínuos de pessoas que visam, além do Ensino Superior, melhores condições de emprego (Juliano e Leme, 2002).
Destaca-se ainda os movimentos pendulares, característicos de estudantes universitários que fazem o trajeto rumo a Uberlândia diariamente, a partir de diversas cidades vizinhas.
Além disso, considera-se importante salientar a questão da renda familiar dos migrantes.
Juliano e Leme (2002), colocam que há o predomínio de famílias vivendo com até 3 salários
Organização: BERNARDELLI, C. e SILVA, T. I., 2008.
Fonte: Juliano e Leme (2002).
*TMAP: Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba
** Centro-Oeste exceto estado de Goiás.
míninos por mês (51,4%), sendo uma percentagem de 65,3% as que recebem até 5 salários e somente 5,8% chegam a receber mais de 10 salários mensais. Em Uberlândia, cerca de 40% das famílias vivem abaixo da linha da pobreza e, aproximadamente, 9% abaixo da linha de indigência.
No entanto, observa-se que:
Dentre as famílias chefiadas por não naturais, 40,6% são pobres, enquanto entre aquelas com chefes naturais o patamar é de 37,5%. Constata-se, dessa forma, que embora a distância não seja tão marcante, a incidência de pobreza é mais elevada nas famílias cujo chefe é imigrante. (Juliano e Leme, 2002, p.19)