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MAHARA DE OLIVEIRA GERALDO O USO DA PRÓPOLIS NA PERIODONTIA

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MAHARA DE OLIVEIRA GERALDO

O USO DA PRÓPOLIS NA PERIODONTIA

Porto Velho – RO

2017

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MAHARA DE OLIVEIRA GERALDO

O USO DA PRÓPOLIS NA PERIODONTIA

Porto Velho – RO 2017

Artigo apresentado no curso de graduação, em Odontologia do Centro Universitário São Lucas 2017, como requisito parcial para obtenção do título de bacharel.

Orientadora: Profª. Esp. Andréa Luísa Souza

Melo

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O USO DA PRÓPOLIS NA PERIODONTIA

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THE USE OF PROPOLIS IN PERIODONTICS

Mahara de Oliveira Geraldo²

RESUMO: A própolis é uma substância resinosa coletada por abelhas a partir de partes de árvores,

que possui inúmeras propriedades terapêuticas, sendo usada em larga escala na medicina atual e aos poucos sendo introduzida na odontologia. Este trabalho tem como objetivo por meio de uma revisão de literatura abordar o uso farmacológico da própolis na odontologia, focado na periodontia, suas vantagens, desvantagens e formas de utilização. Para o estudo, foram utilizados 29 artigos científicos sendo eles de pesquisas de campo e revisões de literatura que foram publicados entre os anos de 1998 a 2016. Parte dos autores revisados apontaram as propriedades da própolis como anti-inflamatória, antibacteriana, antiviral entre outras. Estudos verificaram efetividade do extrato de forma adjunta contra patógenos periodontais. Própolis possui como vantagens o fato de ser um produto natural, ter um potencial alergênico menor em comparação aos demais antibióticos e ser de baixo custo. Uma de suas desvantagens é a falta da padronização da região produtora, sendo esse motivo a razão pela qual ainda não existe produto comercializado para o fim fármaco terápico em periodontia

Palavras-chave: Própole, Doença periodontal, Compostos fenólicos.

ABSTRACT: Propolis is a resinous substance collected by bees from parts of trees, in which it has

innumerable therapeutic properties, being used in large scale in current medicine and gradually being introduced to dentistry. This work aims to review the literature on the pharmacological use of propolis in dentistry, focused on periodontics, its advantages, disadvantages and ways of using it. For the study, 29 scientific articles were used, including field research and literature reviews that were published between 1998 and 2016. Some of the authors reviewed the properties of propolis as anti-inflammatory, antibacterial, antiviral and others. Studies verified the effectiveness of the extract in an adjunctive way against periodontal pathogens. Propolis has the advantages of being a natural product, have a lower allergenic potential compared to other antibiotics and are low cost. One of its disadvantages is the lack of standardization of the producing region, and this reason is why there is still no product marketed for the purpose terapeutic drug in periodontics

Keywords: Propolis, Periodontal disease, Phenolic Compounds.

1 Artigo apresentado no Curso de graduação em Odontologia do Centro Universitário São Lucas, como requisito parcial para conclusão do curso, sob orientação da Profª. Esp. Andréa Luísa Souza Melo. E-mail:

[email protected]

² Mahara de Oliveira Geraldo, graduanda em Odontologia no Centro Universitário São Lucas, 2017. E-mail:

[email protected]

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1 INTRODUÇÃO

Própolis é uma substância resinosa coletada por abelhas a partir de folhas, casca de árvores, talos, flores entre outras partes de plantas, especialmente de espécies coníferas. O produto final é obtido quando as abelhas acrescentam enzimas salivares ao extrato bruto. Própolis possui uma coloração dourado-escuro, substância que as abelhas após extraírem o composto a levam de volta para suas colônias combinado com cera de abelha, em seguida, a utilizam em suas colméias como um agente selante e esterilizante para evitar pragas que possam atingi-las (TORRES et al., 2010).

A própolis é derivada do grego Pro – “A favor ou em defesa de” e polis – “a cidade”, daí, “defensor da cidade / colméia” é conhecida assim devido suas características antibacterianas. Tais propriedades ajudam a colméia a bloquear os vírus que possam se desenvolver em seu interior, bactérias e outros organismos, isto desempenha um papel na colônia de abelhas de proteção contra invasão e infecção, proporcionando as abelhas um “sistema imunológico” e é utilizado para vedar a colméia, além de ser importante no isolamento térmico destas (JAIN et al., 2014).

Algumas outras de suas propriedades são: (potente) anti-inflamatórias, bactericidas, anti-protozoárias, antivirais, anestésicos locais, hepatoprotetoras, cicatrizantes, imuno-estimulantes e fungicidas. Devido a isso, o extrato de própolis vem sendo utilizado em larga escala na medicina fitoterápica para o tratamento de inúmeras doenças e sua participação na composição de vários medicamentos só tem crescido a cada dia que passa e seu uso na odontologia vem sendo defendido por autores como uma rota alternativa para os tratamentos convencionais já existentes (DO AMARAL et al., 2006; LUSTOSA et al., 2008; PAROLIA et al., 2010).

Suas propriedades tem se mostrado tão eficazes, a ponto de serem utilizadas em escala comparável aos antibióticos convencionais, com a vantagem de possuírem menos efeitos colaterais, combatendo patógenos causadores de doenças bucais, sendo utilizada contra halitose, estomatites, líquen plano, abcessos, sensibilidade dentinária cervical, pericoronarites, queilite angular, lesões endodônticas, xerostomia, doenças fúngicas da mucosa oral, utilizada como capeamento pulpar e doenças periodontais (DODWAD & KUKREJA, 2016).

Como um agente anti-inflamatório, a própolis tem demonstrado ser capaz de

inibir a síntese de prostaglandinas, ativando a glândula timo, ajudando o sistema

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imunológico a promover a atividade fagocitária, induzindo a migração de células de defesa e aumentando os efeitos de cura dos tecidos epiteliais, sendo assim um grande aliado nas doenças periodontais (RIBEIRO et al., 2015).

O desenvolvimento de estratégias eficazes para o tratamento da periodontite crônica tem sido um desafio, considerando o aumento das infecções bacterianas oportunistas. Alguns dos fármacos utilizados no tratamento da periodontite, como a associação de metronidazol / amoxicilina são limitados devido à alta taxa de alergia, resistência bacteriana e custo elevado (PAROLIA et al., 2010). Assim, a procura de compostos antibacterianos alternativos tem sido uma grande preocupação nos últimos anos. A própolis é amplamente empregada na medicina popular, principalmente em comunidades com condições inadequadas de saúde pública e tem sido estudada para descobrir compostos mais efetivos e menos tóxicos. A própolis brasileira exibe a efetividade in vitro contra microorganismos orais gram-positivos e gram-negativos (JUNIOR et al., 2006).

Própolis é altamente conhecida por suas propriedades medicinais. As propriedades antimicrobianas da própolis contra patógenos humanos são conhecidas desde a antiguidade (BARBOSA et al, 2012). Anteriormente, Juiz; Alves e Barros (2010), Do Amaral et al (2006) e Sanghani et al (2014) confirmaram propriedades antibacterianas da própolis em relação aos patógenos da periodontite.

Sua composição química varia de acordo com a região que é extraída, o tipo de abelha produtora do extrato, as plantas a serem extraídos os exsudatos, bem como a climatografia, o meio de produção e não menos importante a maneira com que o extrato é armazenado e manuseado. O extrato bruto da própolis possui mais de dez tipos de flavonoides (metabólitos secundários de baixo peso molecular, benéficos ao organismo), que são responsáveis pelas propriedades terapêuticas do composto, principalmente antibacteriana, além de compostos ésteres e fenólicos, ácidos graxos, substâncias voláteis, grãos de pólen, as quais possuem uma gama de nutrientes essenciais como: cálcio, ferro, magnésio, zinco e níquel (GALVÃO; GALVÃO, 2003).

Um estudo clínico controlado contendo extrato de própolis demonstrou sua eficácia para a cicatrização de feridas cirúrgicas na boca. Além disso, estudos têm demonstrado sua boa atividade contra bactérias e leveduras associadas com a cárie dentária, gengivite e doença periodontal (PACKER, 2007; NOGUEIRA et al., 2009;

JAIN et al., 2014).

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O extrato de própolis possui um alto valor de comércio, sendo utilizado não só em medicamentos para medicina, mas como também na odontologia, já fazendo parte de dentifrícios, colutórios e fármacos para tratamentos de patologias dentro da estomatologia, endodontia, cirurgia e periodontia (PEREIRA, 2014).

O objetivo do presente estudo é por meio de uma revisão de literatura abordar o uso farmacológico da própolis na odontologia, focado na periodontia, suas vantagens, desvantagens e maneiras de utilização.

2 COMPOSIÇÃO QUÍMICA

A composição química da própolis é bastante complexa. Os constituintes farmacologicamente ativos mais importantes na própolis são flavonóides, ácidos fenólicos, aromáticos e o ácido cafeico. Acredita-se que os flavonóides representam grande parte da atividade biológica na própolis. Além disso, a própolis contém elementos, como ferro e zinco, sendo fundamentais para a síntese de colágeno. A própolis também contém proteínas, aminoácidos, vitaminas e minerais (GALVÂO;

GALVÃO, 2003).

A própolis é coletada comercialmente por apicultores, raspando a substância de partes da colméia com madeira ou utilizando tapetes de coleção especialmente construídos. O produto cru é então processado para remover a cera de abelhas e outras impurezas antes de ser utilizado em uma variedade de produtos fitoterápicos de cuidados de saúde. A própolis é uma criação de 55% de resinas, 30% de cera, 10% de óleos aromáticos e 5% de pólen (SANGHANI et al., 2014).

2.1 PROPRIEDADES DA PRÓPOLIS

Os flavonóides concentrados da própolis são poderosos antioxidantes. Foi

demonstrado que os antioxidantes são capazes de destruir os radicais livres e assim

proteger os lipídeos e outros compostos, tais como a vitamina C, de serem oxidados

ou destruídos. É provável que os radicais livres ativos, juntamente com outros fatores,

sejam responsáveis pelo envelhecimento e degradação celular em condições tais

como doenças cardiovasculares, artrite, câncer, diabetes, doença de Parkinson e

doença de Alzheimer (JAIN et al., 2014). Danos oxidativos também podem resultar

em má função hepática. Estudos em ratos in vitro mostram que os extratos de própolis

protegem contra danos às células do fígado (OTA, 1998)

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Como agente anti-inflamatório, a própolis é mostrada para inibir a síntese de prostaglandinas, ativar a glândula timo, ajudar o sistema imunológico, promovendo a atividade fagocitária, estimular a imunidade celular e aumentar os efeitos de cura nos tecidos epiteliais. (GALVÃO; GALVÃO, 2003).

Outras propriedades também são encontradas na própolis, como propriedades cicatrizantes, sendo que por esse motivo a própolis foi altamente utilizada no século XX durante a segunda guerra mundial, estando presente em hospitais soviéticos para o tratamento de feridas dos soldados (BARBOSA et al., 2012).

Lustosa et al. (2008) descrevem ainda propriedades antissépticas, anti- protozoárias, anti-tumoral, bactericidas, fungicidas, antimicótico, hepatoprotetoras, antiviral, imuno-estimulante e anestésico local, sendo que todas essas propriedades estão relacionadas aos flavonóides encontrados no extrato. Em razão de sua alta qualidade farmacológica, a própolis já faz parte de inúmeros medicamentos que tratam de diferentes tipos de doenças.

2.2 Solubilidade do extrato e utilização em odontologia

Própolis não pode ser usada diretamente como matéria-prima devido à sua estrutura complexa. Os solventes mais comuns utilizados para a extração comercial são os seguintes: água, metanol, etanol, clorofórmio, diclorometano, éter e acetona.

Muitos dos componentes bactericidas são solúveis em água ou álcool. Estes solventes removem o material inerte e preservam os compostos desejados. Métodos de extração também afetam a atividade da própolis (LUSTOSA et al., 2008).

2.3 Doença periodontal e a efetividade da própolis

A doença periodontal é uma condição infecciosa iniciada pelo biofilme

microbiano carregada por microrganismos periodontopatogênicos, que se acumula na

superfície do dente e na margem gengival e que induz uma reação inflamatória do

hospedeiro afetado. A função do processo inflamatório é proteger o hospedeiro, porém

o processo também pode contribuir para a destruição do tecido. No estágio inicial da

gengivite clínica (inflamação gengival) há um recrutamento de leucócitos para a área

de acúmulo de iofilme, especialmente polimorfonucleares (PMNs). Sendo mediado por

citocinas pró-inflamatórias, esse processo desencadeado pelo sistema imunológico

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contribui para o agravamento da doença pré-instalada (ARMITAGE; MARIOTTI;

HOLMSTRUP, 1999).

Alguns microrganismos como o: Aggregatibacter actinomycetemcomitans, Treponema denticola Porphyromonas gingivalis, Fusobacterium nucleatum, Tanerella forsythensis e Eikenella corrodens são considerados associados à periodontite crônica e alguns estudos têm demonstrado que esses microrganismos são susceptíveis a formulações etanólicas e de gel de própolis (DO AMARAL et al., 2006;

JÚNIOR et al., 2006).

Francisco et al. (2010) descreveram que uma das principais vantagens do própole em relação a outros tipos de medicamentos utilizados para controle bacteriano, é baixo custo, e o menor risco a ter efeitos adversos por se tratar de um produto natural, a reação imunológica do organismo torna-se mais favorável.

2.4 Hipersensibilidade à própolis

Em seu trabalho de revisão, Pereira (2014) descreve que a própolis tem um alto potencial de desencadear quadros de hipersensibilidade e citou casos onde pacientes tiveram quadros alérgicos pelo uso do extrato. Descreveu também casos onde o uso prolongado da própolis levou à mucosite oral aguda e em casos mais graves um caso de edema de glote e posterior choque anafilático pelo uso tópico de própolis em spray para amigdalite, no qual o paciente evoluiu para dispneia, tendo perda de consciência, apresentando cianose e gerando um quadro de crise generalizada, o que levou o mesmo a óbito.

Munsted et al. (2009) descreve que assim como qualquer medicamento antibiótico, a própolis segue os preceitos básicos da farmacologia e os efeitos adversos podem surgir com a utilização, assim como qualquer outra medicação.

Esses eventos alérgicos são rotineiros à prática clínica, representando até 30% de tratamentos em que são administrados qualquer tipo de droga, sendo que nessa estatística, a pele aparece como o órgão mais afetado por esses quadros. As reações adversas ao uso de medicamentos acometem aproximadamente 8% da população, sendo que os medicamentos que mais apresentam potencial alergênico são os antibióticos seguidos por AINEs (anti-inflamatórios não esteroidais).

3 MATERIAIS E MÉTODOS

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Para o presente estudo de revisão de literatura, foram utilizados 30 artigos científicos em português e inglês sendo eles de pesquisas de campo e revisões de literatura que foram publicados entre os anos de 1998 a 2017. Os veículos de pesquisa utilizados foram as bases de dados: Google Acadêmico, Lilacs, Medline e PubMed.

Para a pesquisa foram utilizadas as palavras chave: própolis, doença periodontal e compóstos fenólicos.

4 DISCUSSÃO

Existe um consenso na literatura que apontaram para inúmeras propriedades farmacológicas da própolis, entre elas: antibacteriana, imunoestimulante, cicatrizante, anti-tumoral, antiviral, antioxidante, antifúngica, antimicótica e analgésica (LUSTOSA et al., 2008; PAROLIA et al., 2010; JAIN et al., 2014). Tais características variam de acordo com a região produtora, bem como a época do ano da extração e outros fatores como a forma de manipulação e armazenamento do material (LUSTOSA et al., 2008).

Heimbach et al. (2016) relataram que um dos principais problemas que ainda inviabiliza o extrato da própolis como medicamento no Brasil para as mais diferentes enfermidades, é a falta da padronização da região produtora, já que o extrato sofre variações de propriedades de acordo com a região a ser produzida Lustosa (2008) e Pereira (2014), os quais relataram de forma similar que a quantidade de ácidos fenólicos obtidos dos extratos variam de acordo com a região produtora da própolis.

Castro et al. (2007) relataram que a própolis atualmente encontra-se classificada em 12 diferentes grupos, ou seja, cada extrato possui suas determinadas características farmacológicas.

Os autores revisados são unânimes quando descrevem o conceito de doença

periodontal, como uma condição onde o biofilme bacteriano carregado de

microrganismos periodontopatogênicos afetam os tecidos adjacentes ao dente

causando inflamação gengival (inicial) e se não removida com raspagem mecânica

desencadeia inflamação do periodonto de suporte levando a perda tecidual. Nem

sempre o tratamento convencional de raspagem e alisamento radicular apresenta-se

eficaz, tendo que associar a antimicrobianos, no entanto, esses medicamentos

apresentam inúmeras reações adversas, o que tem levado a novas pesquisas sobre

tratamentos alternativos (DO AMARAL et al., 2006; BARBOSA et al., 2012; NEWMAN

et al., 2012).

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O tratamento clínico das doenças periodontais é iniciado controlando o acúmulo de biofilme dental a partir da remoção mecânica utilizando raspagens com instrumentais específicos associadas com alisamento radicular, que permite a eliminação de biofilme e cálculo e dificulta a sua adesão reincidente. Porém, às vezes este tratamento não é suficiente para controlar a gravidade da doença, necessitando o uso de antibióticos (NEWMAN et al., 2012). No entanto, o uso de antibióticos apresenta suas desvantagens como a não colaboração do paciente com a administração correta do fármaco, casos de hipersensibilidade à composição da droga e a resistência bacteriana que pode vir a ocorrer. Devido a isso outras formas de tratamento vem sendo estudadas, como é o caso da própolis (BARBOSA et al., 2012).

Toker et al. (2008) analisaram à periodontite experimental em ratos em resposta à administração sistêmica de própolis. A própolis reduziu significativamente a perda óssea relacionada à periodontite quando administrada sistemicamente, impediu a perda óssea alveolar no modelo de rato.

Um estudo para explorar a eficácia clínica e microbiológica do extrato de própolis como irrigante subgengival no tratamento periodontal. Concluiu-se que a irrigação subgengival com extrato de própolis pode ser considerada como coadjuvante da raspagem e alisamento radicular (RAR) (COUTINHO et al., 2012).

Sua forma bruta se apresenta resinosa tornando difícil seu uso, para as pesquisas revisadas, foi verificado que os extratos de própolis tinham diferentes concentrações, em alguns casos 0,01% e em outros casos até 30% de solução hidroalcoólica de própolis, a variar para seu fim farmacológico (CASTRO et al., 2007;

DE ALMEIDA, 2017).

Atualmente, ainda não há nenhuma fórmula comercial patenteada para uso em odontologia, por se tratar de um produto novo para utilização bucal, seu uso está sendo estudado por pesquisadores, para que possa se conhecer seus benefícios e riscos acerca do produto. No entanto, comercialmente falando para uso geral, pode ser encontrada sob a forma de cápsula, forma bruta, em gel, com extratos alcoólicos, aquosos, hidro-alcoólicos, em pó e pastilha (DE ALMEIDA, 2017).

No estudo conduzido por Sanghani et al. (2014), a eficácia da própolis como

administração local de fármaco foi avaliada em relação à raspagem e alisamento

radicular (RAR). Os resultados demonstraram uma redução significativa. Tais achados

são relacionados provavelmente às propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias

da própolis (SANGHANI et al., 2014).

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Em um estudo realizado em ratos inoculados com S. mutans, cerca de metade das fissuras dos dentes foram acometidas por cárie, enquanto a atividade da bactéria era significativamente menor em ratos que recebiam água contendo o extrato de própolis. A própolis também tem se mostrado eficaz como um tratamento subsidiário para gengivite (inflamações de gengiva) e biofilme em que o extrato é utilizado como irrigante subgengival sob a forma líquida. Verificou-se que um extrato de própolis a 50% era antisséptico contra a necrose da polpa. Própolis também mostrou-se capaz de inibir o crescimento de uma série de microrganismos bacterianos encontrados na cárie dentária (OTA, 1998).

Junior et al (2006) avaliaram extratos de própolis obtidos em regiões diferentes do Brasil. Eles pesquisaram as diferenças entre os extratos a partir de concentrações mínimas inibitórias (CIM) entrando em contato com bactérias gram positivas como: Enterococcus sp e Staphylococcus aures e gram negativas:

Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli e o fungo Candida albicans. A atividade inibitória para tais bactérias foram variadas de acordo com a região que foi obtida a amostra do extrato, em que as bactérias gram positivas (Enterococcus sp e S. aureus) e o fungo Candida albicans foram inibidos de forma mais eficiente pelo extrato da região sudeste, enquanto as bactérias gram negativas foram inibidas de forma mais eficaz pelo extrato da região sul e o da região nordeste foi melhor contra P.

aeruginosa.

A pesquisa feita por Coutinho et al. (2012) possibilitou concluir que a irrigação subgengival adicional com extrato de própolis durante o tratamento periodontal permitiu obter melhores resultados do que a RAR por si só, resultado da avaliação dos parâmetros clínicos e microbiológicos.

Barbosa et al (2012) relatou que em sua pesquisa, a maioria dos autores revisados verificaram níveis elevados de Porphyromona gingivalis, Prevotella intermedia e Fusobacterium nucleatum em bolsas com doença periodontal instalada.

O uso de própolis em locais de teste mostrou redução significativa na prevalência dos três patógenos. Alguns estudos in vitro e in vivo demonstraram atividade da própolis contra patógenos periodontais (SIMÕES et al., 2008; LUNGARENZE et al., 2010;

SANTIAGO, 2015; DODWAD & KUKREJA, 2016).

Mecanismos de atividade da própolis contra microrganismos ainda são

controversos. Alguns componentes presentes em extratos de própolis como

flavonóides (quercetina, galangina, pinocembrina) e ácido cafeico, ácido benzóico,

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ácido cinâmico, provavelmente atuam na membrana microbiana ou no local da parede celular, causando danos funcionais e estruturais a estas (GOMES et al., 2016;

HEIMBACH et al., 2016).

A própolis tem efeitos anti-inflamatórios e atua modulando as citocinas e mediadores inflamatórios, como a supressão na produção de prostaglandinas, histamina, TGF-β (RIBEIRO et al., 2015) Os resultados do uso de própolis sobre a gravidade do sangramento gengival sugerem seus efeitos anti-inflamatórios (LUNGARENZE et al., 2010).

Evidências sugerem que a própolis pode ativamente proteger contra a doença oral devido às suas propriedades antimicrobianas (PEREIRA et al., 2014; DODWAD

& KUKREJA, 2016). Devido à sua forte atividade anti-infecciosa, a própolis tem sido frequentemente chamado de "antibiótico natural" (SANGHANI et al., 2014).

Apesar de ser um produto natural e ter poucos relatos de quadros alergênicos, a própolis possui restrições em relação a reações adversas. Munstedt et al (2009), realizaram uma pesquisa com apicultores que apresentavam reações alérgicas na cultura do extrato da própolis e tiveram como objetivo determinar os aspectos dessas reações, tempo do início de alergia, métodos de prevenção e morbidade. Os resultados apontaram que a doença foi desenvolvida pelos apicultores em um período de 9 anos, e que alguns desses trabalhadores também apresentavam reações sistêmicas ao extrato. No entanto, a pesquisa não foi conclusiva, pois apontou que na lavagem das mãos, os trabalhadores utilizavam solventes como o hexano e o acetato de etila após manipular a própolis, podendo estar relacionada ao desencadeamento dessas reações alérgicas.

Francisco et al. (2010) descreve que o uso de produtos fitoterápicos como a própolis possui um menor risco de causar quadros de alergia e efeitos colaterais adversos, sendo até mais eficazes que medicamentos usados em alopatia, e possuem também um melhor custo/benefício. No entanto, Munsted et al. (2009) e Ribeiro et al.

(2015) relatam que apesar de ser um produto natural, este também possui seus riscos e contra-indicações, devendo ser utilizado como um medicamento qualquer, devendo o profissional da saúde ter conhecimento de seus princípios ativos para que possa saber utilizar com segurança.

5 CONCLUSÃO

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Inúmeros estudos revelam que a própolis é capaz de inibir de forma adjunta as bactérias causadoras de doenças periodontais e possui como vantagens o fato de ser um produto natural, ter um potencial alergênico menor em comparação aos demais antibióticos e ser de baixo custo. No entanto, possui a desvantagem de apresentar reação alérgica em algumas pessoas.

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Referências

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