XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental

Texto

(1)

III-094 - SITUAÇÃO DAS INDÚSTRIAS GALVÂNICAS NA REGIÃO

NORDESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL QUANTO AO PASSIVO

AMBIENTAL DE LODOS DE ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE

EFLUENTES

Vania Elisabete Schneider(1)

Bióloga pela Universidade de Caxias do Sul (UCS/RS). Mestre em Gerenciamento de Recursos Hídricos e Saneamento (UNICAMP/SP). Doutoranda em Gerenciamento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (IPH/UFRGS/RS). Pesquisadora do Instituto de Saneamento Ambiental da Universidade de Caxias do Sul (ISAM/UCS/RS).

Fernanda Bettin

Graduanda em Licenciatura Plena e Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS/RS). Bolsista de Iniciação Científica - FAPERGS (ISAM/UCS/RS).

Flávio Parise Júnior

Graduando em Ciências da Computação pela Universidade de Caxias do Sul (UCS/RS). Bolsista de Iniciação Científica - FAPERGS (ISAM/UCS/RS).

Endereço(1): Universidade de Caxias do Sul - Instituto de Saneamento Ambiental - Rua Francisco Getúlio Vargas, 1130 Bairro Petrópolis Caxias do Sul RS CEP: 95070560 Brasil Tel.: (54) 2121133 Ramal: 2334 -e-mail: veschnei@ucs.tche.br

RESUMO

A Região Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul concentra grande quantidade de empresas que possuem processos galvânicos em suas atividades, destacando-se no cenário industrial como pólo metal-mecânico. Esta posição chama a atenção para a produção em larga escala de resíduos potencialmente perigosos ao ambiente e à saúde humana, a exemplo dos lodos galvânicos. Pouco se conhece, no entanto, sobre as condições de geração, quantidades geradas e o destino dado aos mesmos. Diagnósticos que apontem maiores informações sobre a situação em questão fazem-se necessários, no sentido de se buscar soluções ambientalmente corretas ao manejo destes resíduos. Este estudo efetuou diversos levantamentos sobre as empresas potencialmente geradoras de resíduos galvânicos, identificando que 45% das empresas do Estado situam-se na Região Nordeste, enquanto 33% estão na Região Metropolitana de Porto Alegre e 22% no restante do Estado. Neste trabalho, são analisadas 32 empresas que atuam na área galvânica. As informações obtidas através de entrevistas e visita ao setor galvânico, estação de tratamento e local de armazenamento dos resíduos, foram armazenadas em um banco de dados, e são aqui analisadas quanto às técnicas de minimização utilizadas no processo, tipo de sistema de tratamento de efluente, quantidade de lodo gerada e passivo ambiental, técnicas de redução de umidade dos lodos, armazenamento e destino final dos resíduos. PALAVRAS-CHAVE: Galvanoplastia, Lodo Galvânico, Resíduos Industriais.

INTRODUÇÃO

O acelerado processo de industrialização observado em algumas regiões do Brasil, aliado à expansão demográfica dele decorrente, tem acarretado um aumento considerável na produção de resíduos sólidos, particularmente no que se refere aos de origem industrial. Segundo a CETESB, o gerenciamento inadequado dos resíduos industriais contribui de forma marcante para o agravamento dos problemas ambientais, notadamente nos grandes centros urbanos. Como evidência desse fato, destaca-se o destino final dos resíduos sólidos industriais, que constitui atividade potencialmente poluidora do meio ambiente.

(2)

Pelas leis brasileiras e internacionais, o manejo e o tratamento dos resíduos sólidos industriais é uma responsabilidade das fontes geradoras. No caso brasileiro, no entanto, o destino final destes é uma incógnita, em função da carência de informações geradas por estudos sistemáticos. Mesmo as informações geradas a partir dos órgãos de controle ambiental são falíveis, uma vez que poucas são as empresas que buscam o licenciamento, e quando o fazem, muitas vezes é em decorrência de processos de autuação, não representando, portanto, a realidade do universo das empresas geradoras. O fato mais preocupante é que, diariamente, estes resíduos são dispostos a céu aberto, poluindo o solo, o ar e os recursos hídricos superficiais e subterrâneos. Considerando-se a diversidade e o porte do parque industrial brasileiro, pode-se afirmar que, em termos ambientais, a quantidade e a qualidade dos resíduos gerados assumem importância considerável no processo de degradação do ambiente. A questão do manejo, tratamento e destino final dos resíduos sólidos industriais no Brasil, segundo Lima, só não é mais crítica pelo total desconhecimento da realidade, pois a desinformação conduz a uma visão equivocada e parcial do problema.

A alta concentração industrial em algumas regiões do país e a carência de instalações e locais adequados para o tratamento e destinação final dos resíduos gerados, tem se configurado em um novo problema ambiental dos grandes centros. Diante da falta de responsabilidade legal, o que ocorre em larga escala é a destinação inadequada dos resíduos, incluindo aí os resíduos industriais perigosos. Apesar de algumas empresas recorrerem à estocagem em suas propriedades, criando aterros cativos ou galpões de armazenamento controlado, ainda são insuficientes as instalações dedicadas ao tratamento e descontaminação dos resíduos perigosos.

Os processos de galvanoplastia geram diferentes tipos de resíduos, dos quais o lodo galvânico é o mais representativo. Trata-se de um processo produtivo geralmente caracterizado por uso excessivo de energia para redução de metais e aquecimento de banhos, excessivo consumo de água para enxágüe, gerando um grande volume de águas contaminadas, emissões atmosféricas através das perdas por vapor em banhos aquecidos e geração de aerosóis, e descarte de banhos com grandes quantidades de metais contaminantes, caracterizando um alto impacto ambiental.

Independentemente dos tipos de material que os constitui, os lodos devem ser tratados ou dispostos em instalações localizadas dentro da própria indústria ou fora dela, e transportados dos locais de geração até essas instalações. Existem inúmeros métodos de tratamento e destinação de lodos, sendo que um dos mais usados é a disposição em aterros industriais. Muito embora, em alguns casos particulares, seja possível dispor em aterros resíduos com teor de umidade superior a 85%, geralmente só se aceitam materiais com baixo teor de umidade e com uma certa capacidade de suporte. Os métodos mais comumente utilizados para secagem e desidratação de lodos são a centrifugação, os filtros-prensa, a filtragem a vácuo e os leitos de secagem. Na Região Nordeste do Rio Grande do Sul, “pólo metal-mecânico” do Estado, o alto grau de desenvolvimento é evidenciado, entre outros fatores, pelo crescimento industrial acelerado e competitividade de suas indústrias, que a tem projetado nos cenários estadual, nacional e internacional. Neste contexto, se por um lado, o progresso industrial trouxe consigo o crescimento econômico, por outro, trouxe também os problemas causados pela industrialização. Neste contexto, a região assume, igualmente, destaque para a produção em grande escala de resíduos potencialmente perigosos, a exemplo dos lodos galvânicos. Quando se trata de avaliar os impactos ambientais causados pelas atividades industriais, bem como a busca de soluções através de tecnologias para a recuperação, reuso, reutilização ou o tratamento dos resíduos gerados, torna-se necessária uma avaliação quali-quantitativa da geração, manejo e destinação final destes resíduos, situação que pode ser alcançada através de diagnósticos ambientais. Relativo a este assunto, existem poucas ou nenhuma informação oriunda de investigação direta, apesar dos resíduos galvânicos apresentarem um potencial significativo de contaminação ambiental.

MATERIAIS E MÉTODOS

(3)

As informações obtidas foram compiladas em um banco de dados, para o qual foi utilizado o Sistema de

Gerenciamento de Banco de Dados Microsoft Access ®.

Para esta análise, foram destacadas apenas as 32 empresas que possuem atividades galvânicas com instalações de estações de tratamento de efluentes, divididas em pequena, média e grande, segundo o critério de geração de lodos (T / mês).

RESULTADOS

A Tabela 1 expressa, em intervalos, o número de funcionários do setor galvânico das empresas, uma vez que muitas delas não apresentam somente esta atividade. Esta informação pode dar um panorama para se chegar ao porte da empresa, desde que associada, também, com a automatização de suas linhas e com a quantidades de peças / superfície de peças tratadas.

Tabela 1 - Número de funcionários do setor galvânico.

FUNCIONÁRIOS NÚMERO DE EMPRESAS PERCENTUAL (%) De 1 a 10 19 59,4 De 11 a 20 5 15,6 De 21 a 30 3 9,4 Acima de 31 5 15,6

A Figura 1 apresenta os turnos de operação das linhas de produção das empresas. Este dado relaciona-se com o potencial produtivo da empresa no setor de tratamento de superfícies.

Figura 1 - Turnos de operação das galvânicas.

A Figura 2, abaixo, pode ser relacionada com a figura anterior, uma vez que expressa os turnos de operação das estações de tratamento de efluentes.

Figura 2 - Turnos de operação da ETE.

62,5% 21,9% 15,6% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 1 tu rn o 2 tu rn o s 3 tu rn o s 71,9% 21,9% 6,2% 0% 20% 40% 60% 80%

(4)

A Figura 3 expressa os diferentes sistemas de operação das estações de tratamento de efluentes das empresas, evidenciando que a grande maioria delas opera em batelada.

Figura 3 - Sistemas de operação das estações de tratamento de efluentes.

Ao analisar os três gráficos acima (Figuras 1, 2 e 3), observa-se uma certa correspondência nos percentuais, indicando um padrão aproximado entre os processos de produção e a operação das ETEs.

As 32 empresas analisadas foram divididas segundo o critério da quantidade de lodo gerada/mês, em três grupos. Os dados compilados na tabela abaixo expressam ainda a quantidade estocada (passivo ambiental) por cada grupo de empresas.

Tabela 2 - Geração de lodos e passivo ambiental das indústrias galvânicas. GRUPOS DE EMPRESAS NÚMERO DE EMPRESAS GERAÇÃO DE LODOS (T) QUANTIDADE GERADA (T / mês) QUANTIDADE ESTOCADA (T) Grandes 10 Acima de 1 43 1.350,5 Médias 10 De 0,1 a 1 4,5 307,9 Pequenas 12 De 0 a 0,1 0,8 1.123,5 TOTAL 32 - 48,3 2.781,9

Pelos valores expressos, evidencia-se que as empresas de porte médio deveriam apresentar um passivo maior, assim como a diferença entre o passivo das grandes empresas e das pequenas não apresentam diferença significativa. Isto pode ser explicado pelo tempo de existência da ETE, o qual reflete igualmente o tempo de armazenamento destes resíduos. Considera-se relevante o dado final de 48,3 toneladas geradas por mês quando projetado para o universo das empresas identificadas apenas neste estudo. Se consideramos um valor médio de por exemplo de 1,5 toneladas/mês (média de geração das 32 empresas), projetado para as 244 empresas tidas como potencialmente geradoras deste tipo de resíduos, ter-se-ia uma geração estimada de 366 toneladas/mês apenas para a região. Projetados para o Estado, a geração alcançaria a marca de 813 toneladas/mês. Convém considerar, no entanto, que algumas das empresas apresentadas como potencialmente geradoras de resíduos galvânicos, quando contatadas, não exerciam a atividade, ou seja, terceirizavam os serviços, ou ainda mantinham apenas os processos de fosfatização e/ou pintura. Outras, ainda, haviam encerrado suas atividades. Por outro lado, novos levantamentos feitos apenas no Município de Caxias do Sul, passíveis ainda de uma melhor análise, apontam um número muito maior do que o encontrado para a região apenas neste Município.

Deve-se levar em conta, ainda, as condições em que se encontram estas empresas, uma vez que muitas não têm sequer estação de tratamento de efluentes, ou seja, não são geradoras destes resíduos no estado sólido, porém lançam seus efluentes diretamente nos recursos hídricos. Outro fator a ser considerado ainda é o porte da empresa, ou do setor galvânico, questão de difícil análise, pois muitos fatores devem ser considerados (número de funcionários, automatização do setor galvânico, quantidade de peças tratadas, ou melhor ainda, superfície tratada). Este dado, no entanto é, na maioria das vezes, impreciso, dependendo do tipo de produto. A informação é dada geralmente em número de peças (peças maiores) ou quantidade em quilogramas. Trata-se aqui de uma projeção, portanto, meramente especulativa, que carece de verificações mais precisas por abordagem direta às empresas. Estas informações deverão vir à tona a partir do diagnóstico que vem sendo realizado pela equipe de pesquisadores, particularmente no Município de Caxias do Sul, bem como através do cadastro que vem sendo realizado pela FEPAM, dentro do Projeto Pró-Guaíba.

71,9% 18,7% 9,4% 0% 20% 40% 60% 80%

(5)

Os resíduos que constituem o passivo ambiental estão estocados nas próprias empresas e/ou em centrais de resíduos, sendo que cerca de 872,2 toneladas de lodo (31,3%) estão em área própria, enquanto os outros 68,7% encontram-se estocados nas centrais de resíduos em diversos Municípios, como expresso na tabela abaixo.

Tabela 3 - Quantidade de lodo estocada nas diferentes centrais de armazenamento e

respectivo município em que se encontram. CENTRAL DE RESÍDUOS MUNICÍPIO QUANTIDADE ESTOCADA (T) PERCENTUAL (%)

NTA Caxias do Sul 1.339,0 48,15

PROAMB Bento Gonçalves 416,2 15,00

FUNRESÍDUOS Carlos Barbosa 70,0 2,50

PRÓ-AMBIENTE Porto Alegre 66,0 2,35

SÍLEX Gravataí 10,0 0,35

ULTRESA Estância Velha 8,5 0,30

TOTAL 1.909,7 68,65

Neste aspecto, cabe analisar as condições em que estes resíduos se encontram, uma vez que nem todas estas centrais têm destinação final. Em Caxias do Sul, os resíduos ficam acondicionados em tambores de 200 litros e armazenados em área fechada e coberta. A respectiva central aguarda a definição de uma área e o licenciamento ambiental para instalação de aterro para resíduos industriais. Em Bento Gonçalves, os resíduos estão sendo dispostos em ARIP (aterro para resíduos perigosos). A central deste Município, no entanto, não é aberta, e atende apenas aos 50 associados. O mesmo acontece com a central de resíduos do Município de Carlos Barbosa. Os Municípios de Porto Alegre e Estância Velha têm aterros industriais e são centrais abertas, enquanto que, em Gravataí, a central estaria processando estes resíduos com vistas à recuperação de componentes dos mesmos. Junto às empresas, os resíduos ficam armazenados em tambores ou sacos (Figura 4), nem todos em área coberta ou licenciada. Observe-se que, neste aspecto, ainda que em alguns casos esteja sendo dado um encaminhamento para a questão, a situação geral ainda não é definitiva nem tampouco correta. Ainda que a maior parte dos resíduos estejam acondicionados e armazenados, continuam representando um risco em potencial.

Figura 4 - Dispositivos de estocagem dos lodos gerados nas ETEs.

Relativamente às condições de umidade dos lodos estocados, foram identificadas diferentes situações, sendo que o valor percentual da umidade fornecido pela maioria das empresas não condiz com as informações descritas na literatura. Isto se deve ao fato de que poucas empresas realizam análises de seus resíduos, desconhecendo, portanto, esta informação. Apenas 28,2% das empresas consultadas realizam análises físico-químicas dos resíduos gerados. Sendo assim, os dados abaixo expressam o teor de umidade esperado para as condições em que foram gerados os resíduos (técnicas utilizadas):

• 44% utilizam filtro-prensa (umidade esperada em torno de 60 a 80%);

• 47% utilizam leitos de secagem (umidade esperada acima de 80%);

• 3% utilizam sacos (umidade esperada acima de 80%.);

• 3% utilizam filtro-prensa e calcinador (umidade esperada de até 5%);

(6)

Os dados acima evidenciam as diferentes condições em que estes resíduos são gerados, configurando, igualmente, as diferenças das condições físico-químicas dos mesmos. Para efeito de tratamento e mesmo de disposição em aterros, estas condições deveriam ser padronizadas, mesmo porque, isto interfere no custo do tratamento ou disposição final. O volume estocado poderia ser significativamente reduzido com a utilização de técnicas de redução de umidade destes resíduos.

Convém salientar que a grande maioria das empresas, 71,8%, não realiza análises físico químicas de seus resíduos. Esta informação é de significativa importância, particularmente no aspecto do teor de umidade dos lodos, uma vez que as condições destes só podem ser avaliadas segundo o sistema de redução de umidade adotados pelas mesmas. Através dos dados obtidos quanto ao tempo de atuação das empresas na área galvânica em função do tempo de existência da ETE, quantidade de lodo gerada e quantidade de lodo estocada, estruturou-se a Tabela 4, que expressa os dados individuais das empresas, uma vez que agrupá-los utilizando-se intervalos por características comuns, torna-se difícil, particularmente em função de que, como já foi dito, o tamanho, ou o porte da empresa não pode ser definido em função dos dados disponíveis. Neste caso cabe uma análise apenas da relação temporal X geração de lodo e quantidade lodo estocada.

Tabela 4 - Síntese da geração de efluentes e resíduos em função do tempo de atuação das empresas na área galvânica e

do tempo de existência da estação de tratamento de efluentes.

Empresa Tempo de atuação da empresa na área galvânica (anos) Tempo de existência da ETE (anos) Tempo de atuação da empresa sem ETE (anos) Quantidade de lodo gerada (T/mês) Quantidade de lodo estocada / Passivo ambiental (T) 1 37 01 36 0,25 16,0 2 40 19 21 0,10 40,0 3 18 02 16 0,35 3,5 4 20 20 0 0,04 1.000,0 5 13 03 10 0,02 2,2 6 15 01 14 0,04 0,4 7 40 37 03 4,00 120,0 8 19 21 - 1,20 46,0 9 25 01 24 0,20 1,4 10 10 13 - 2,80 100,0 11 35 07 28 0,08 2,0 12 23 06 17 0,03 20,0 13 31 17 14 0,80 100,0 14 48 07 41 0,30 3,0 15 30 20 10 0,10 30,0 16 50 10 40 8,00 700,0 17 22 35 - 0,09 2,5 18 20 04 16 0,20 10,0 19 07 03 04 0,02 0,6 20 25 18 07 0,20 35,0 21 07 07 0 3,00 2,0 22 05 06 - 6,00 20,0 23 20 09 11 1,00 50,0 24 25 18 07 3,00 350,0 25 20 08 12 0,08 4,6 26 10 02 08 6,00 6,0 27 15 15 0 40,00 4,0 28 15 09 06 5,00 2,5 29 12 03 09 0,10 20,0 30 10 08 02 0,40 4,0 31 06 02 04 0,05 1,2 32 30 10 20 0,80 85,0 TOTAL 48,30 2.781,9

Por estes dados, observa-se que apenas 3 empresas (7, 17 e 19) tem ETE instalada há mais de 20 anos, e mesmo assim não a possuíam desde sua implantação, tendo isto ocorrido posteriormente.

(7)

Observa-se, ainda, que se a taxa de geração por mês fosse projetada pelo tempo de instalação das ETEs, os valores não coincidiriam coma a quantidade de resíduos estocada. Ficaria o questionamento sobre o destino destes resíduos, não deixando de considerar, no entanto, a possibilidade de variações no processo ao longo do tempo.

Apenas três empresas (4, 21 e 27) implantaram as ETEs juntamente coma instalação da empresa. Nas demais, observa-se uma defasagem que varia de 2 a 42 anos, período este em que os efluentes foram lançados diretamente ao ambiente sem tratamento prévio, devendo ser considerado, aqui, o impacto causado sobre o solo e os recursos hídricos.

Os dados obtidos no trabalho fazem parte de um diagnóstico preliminar da situação das indústrias galvânicas no Estado do Rio Grande do Sul. O perfil levantado, mesmo que resultado de uma amostragem realizada na área de maior desenvolvimento do setor no Estado, demonstra a falta de domínio técnico e o descaso quanto ao controle e acompanhamento do processo industrial, refletindo em perdas significativas e na elevação do custo operacional.

CONCLUSÕES

A investigação direta oferece a possibilidade de verificação de muitas informações, o que não seria possível pelo envio do instrumento às empresas. Neste trabalho buscou-se não apenas levantar informações por entrevista como também realizar a observação direta das condições do processo produtivo e das condições do sistema de tratamento e armazenamento de resíduos. As informações fornecidas pelas empresas visitadas podem, ainda assim, suscitar questionamentos quanto a sua abordagem técnica. Isto pode estar relacionado com a formação do profissional entrevistado, uma vez que as informações nem sempre foram fornecidas por funcionários capacitados na área. Neste sentido, o instrumento de coleta de dados utilizado deverá ser alterado para trabalhos futuros, e uma ênfase ainda maior deverá ser dada à observação direta.

Com as informações obtidas até o momento, evidencia-se que há uma carência de dados precisos, uma vez que estes não são devidamente informados ao órgão ambiental, ou ainda muitas empresas não fazem parte dos registros do mesmo. Isto foi identificado nos levantamento de dados feitos junto às Centrais de Resíduos, onde algumas empresas não aparecem na listagem oficial do órgão ambiental.

Considera-se significativo o passivo ambiental identificado para o número de empresas analisado, particularmente em função de que estes resíduos, ainda que armazenados em centrais, não passaram por nenhum processo de tratamento e/ou inertização e tampouco sofreram destinação final adequada. No caso de Caxias do Sul, por exemplo, onde está estocada a maior quantidade de resíduos, a situação é de armazenamento em tambores à espera de uma destinação final adequada. Neste contexto, a busca de alternativas para a recuperação e/ou reciclagem destes resíduos justifica-se pelo potencial gerador da região. A continuidade de estudos nesse sentido se faz necessária, em função de que pressupõe-se que o universo de empresas potencialmente geradoras de resíduos é muito maior, particularmente no Município de Caxias do Sul, e que o contingente de empresas que possuem ETEs é pequeno frente à quantidade de empresas existentes. Estes estudos podem revelar, ainda, as inadequações do parque industrial local quanto às questões ambientais. Estas informações já estão sendo levantadas pela equipe de pesquisadores e deverão representar o cenário local da geração de resíduos galvânicos.

(8)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. BRASIL - CETESB (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo). Resíduos sólidos industriais. 2ª Edição. São Paulo (SP): CETESB, 1992. 234 p. il.

2. BERNARDES, A. M.; NÍQUEL, C. L. V.; SCHIANETZ, K.; SOARES, M. R. K.; SANTOS, M. K. e SCHNEIDER, V. E. Manual de orientações básicas para a minimização de efluentes e resíduos na indústria galvânica. Porto Alegre (RS): GWZ / SENAI, 2000.

3. LIMA, L. M. Q. Tratamento de resíduos sólidos industriais. In MANDELLI, S. M. De C.; LIMA, L. M. Q. e OJIMA, M. K. Tratamento de Resíduos Sólidos / Compêndio de Publicações. Caxias do Sul (RS): Gráfica da Universidade de Caxias do Sul, pp. 169-181, 1991.

4. CERQUEIRA, L. Poluição industrial - Risco de contaminação dos solos ameaça a RSPM. Revista Saneamento Ambiental. São Paulo (SP): Ano X, no 56, pp.22-25, 1999.

5. TAUKTORNISIELO, S. M.; GOBBI, N; FORESTI, C. e LIMA, S. T. Análise ambiental -Estratégias e ações. São Paulo (SP): Fundação Salim Farah Maluf, T. A. Queiroz Editora,1995. 381 p. il.

Imagem

Referências

temas relacionados :