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A PRENHEZ EXTRA - UTERINA .

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(1)

CONSIDERA ÇÕES

ë S O R R E

A PRENHEZ EXTRA - UTERINA .

xa 3i3 : &

Que foi apreientadaaFaculdade de Medicinado RiodeJaneiro,e luttcntada em 18 de Dezembro de1841,

Francisco Ccncbicto Dc ítldla

,

NATURALDA CIDADE DOnlODEJANEIRO, DOUTOREM MEDICINAPELAMESMAFACULDADE

.

F

.

itei aauit&lcequi

.

itntccinire

.

Le moment Torible ae relient plui.

UcriLiiD,Ifed.pr,

3 0.1 ^

RIO DE JANEIRO ,

TYPOGRAPHIA UNIVERSAL DE LAEMMERT

,

Rua do Lavradio,Ti."53

.

1841.

(2)

FACULDADE DE MEDICINA

%

-

£>!> 2>2!

>

3

>

18 &LSr

:

£23l

DIRECTOR.

OSR

.

Dn

.

MANOELD*VALLADXOPIMENTEL

.

LENTES PROPRIETÁRIOS, OsSus

.

DOOTOMS:

I.*Asno

.

IíotanicaMedica,cprincipioselementaresde Zoologia

.

Physica Medica

.

F

.

F

.

ALLEMAO

.

F

.

DRP.CÂNDIDO

.

2

.

°Aaso

.

Cliymica Medica,cprincipioselementaresde Mineralogia

.

J.M

.

NUNESCARCIA,Examinador

. . .

Anatomiageral e dcscriptiva

.

J.V

.

TOIUtF

.

SHOMEM 3.»Asso

.

Pliysiulogia

.

Anatomiageralcdcscriptiva

.

D.R

.

DOSC

.

PEIXOTO J.M

.

NUNES GARCIA

.

/j

.

"AR .VO

.

Pharmacia ,MateriaMedica,cspecialincntca Brasileira,Thcrapcutica e Arte deformular

.

Palhologiainterna

.

Pathologia externa

.

J.J

.

D RCARVALHO

.

J

.

J

.

DASILVA,Examinador

. . .

L

.

F

.

FERREIRA,Examinador

.

5.»Anso

.

C

.

B

.

MONTEIRO,Examinador

.

V

.

J

.

XAVIER,Presidente

. . . .

Operações,Anatomia topographicaeAparelhos

.

Partos,.Moléstiasde mulheres pejadascparidas, cde meninosrcccm

-

nascidos

.

C

.

° Anso

.

t iT..j

*

G

. - •

D>»osCSANTOS

.

JOBIM

. .

. . Medicina Legal

.

HygienecHistoria de Medicina

.

«HÎÎÎAClinica interna+c

cAnat

.

Pathologica respectira

.

ClinicaexternaçAnat

.

Pathologica rcspccliv*

.

LENTES SUBSTITUTOS

.

jSecção das Scicncias acccssorias

. J

SecçãoMedica,

j

SecçãoCirúrgica

.

SECRETARIO.

M

.

D KV

.

PIMENTEL

. . . .

M

.

F.P.DRCARVALHO

. .

A

.

T

.

DAQUINO

A

.

F

.

MARTINS

J

.

B

.

D* ROSA L.DRA.P

.

D* CUNHA 1).M

.

DRA

.

AMERICANO

. .

.

!..D* C

.

FUJO,Examinador, I)i.LUIZ CARLOSD AFONSECA

.

jV

.

H

.

Em virtude de hninaResolução sua,a Faculdadenão opprova,nemreprovaas opiuiôe»

cmillidas nastheses,asquaes devemserconsideradas como proprias deseusautores

.

(3)

A MEMORIA

DK MEU RESPEIT

Á

VEL E PRESA

Û

JSSIMO PAI .

Testemunho de eterna recordação

.

A MINHA TERNA E EXTREMOSA MÃE

a 311 .

ma

íra

f

. D . filaria Ornrbicta

br

fllcllo .

A MINHA CARINHOSA AVÓ

a 311 .

*

Sra . D. Orijgiba 3

gnacta bc (

Dlíucira Oarrabas .

Signal de respeito,gratidão,c amizade

Do autljor .

2

(4)

Obrigado porloi aapresentarmoshumtrabalho sobre algum ponto dasScicncias Medicas

,

muitotempo vagámosincerto sobre a escolha

,

atéqueporfim nossas vistas pairarãosobre aprenhezextra

-

uterina

.

Não sejulgueporémque demos preferenciaaesteobjecto,porqueti

-

véssemosafatuidade dejulgar queotrataríamosemtodaasuaextensão

,

ou desenvolveríamos as mnumerasincertezas queo cercão

.

Não de certo;nossofimfoi unicamente despertarmos a attenção de nossos Práticospara hum pontotão interessante daArte Obstétrica

,

queainda se achacmconsiderável atrazo

,

sobreoqual nada quazihaescripto emnossoidioma

,

e opouco queexistedo estranholie muirarocncou

-

trar

-

senoltiodeJaneiro

.

(5)

CONSIDERAÇÕES

soniiE

A PRENHEZ EXTRA - UTERINA .

íX***

A geração , nobre cmisteriosafuncção, que temporfimaformação do liomem,desse ser cujoporte,força einlelligencia designãosuasuperioridade sobretodososseresvivos,nemsempre segueemlodosos seusactos a senda marcada pelanatureza, nemsempreseuproduclo(ocmbryão)liedeposto na cavidadeuterina,lugar destinadoaservir-lhe de berço,e emque elle devead

-

quirir nutrição ,desenvolvimentoevida;massiminloco nonconsucto

,

consti

-

tuindooqueosparteiros denominãoprenhezextra

-

uterina

,

externa

,

má

,

extraor

-

dinária

,

eimpropriamenteconceição extra

-

uterina

.

Heda prenhez extra

-

uterina,destedesvio das leis da natureza, semduvida humdosmais graves,cujo conhecimento,devendoserdetodas as épocas, dataapenasdodecimo seplimoséculo (1640), ehe devidonJoãoRiolan,que vamosnosoccupar

.

Temsidodivididarelativamenleá sua séde nasdiversaseseguintes cspccies: 1

.

*Prenheztubaria

.

Desenvolve

-

senestacspecieno tubo deFallopiooem

-

bryão : lieamaiscommun)tietodas;está, segundo C/.ilak, arespeito das outras, narelaçãodc3:1

.

Divide

-

secm duasvariedades,internaeexterna,conformo

oembryâoseacha natrompaou nopavilhãodeste orgão

.

Esta divisão , que parece maissubtil queimportante,lieentretanto necessária;nãoliesenão adiniltindo

-

n,quesepoderá fazerconcordarem entresiosauthorcs,que sus

-

tentãoque nenhumaprenheztubariapúdeprolongar

-

scalém de cincoouseis Inezes

,

comaquelles

,

quecilãoobservações desta

cspecie ,

chegadasaotermo do nove mezes

.

3

(6)

fí)

.

4Prenhesovaria

.

Boelimer dividoostaespeciecmduasvariedades:ovaria externaeovaria interna

.

Knlendo

-

sepelaprimeiraodesenvolvimentodo em

-

brvãonaperipheriadoovário, cpelasegundaodesenvolvimento doembrvão dentro de sua membrana propriaou vesícula ovaria

.

Esta ultimalienegada por VelpeaueSabatier, quejulgàoquesemelhante cousalieimpossível, eque as observaçõestrazidaspara proval

-

asãofaltasdos requisitos necessários

.

3

.

Prcnlicz abdominal,lieaqucllana qualoembryãose desenvolvecmalgum ponto da cavidade abdominal , sobreoperitoneo

.

Estaespecie foinegadapor algunsphysiologislas, sobopretextodequeasradiculasdaplacentanãopodem acharfóradoutero lugar conveniente

,

ondeseimplantem;porémpresonlc

-

mentepossue

-

sebum tãograndenumerodefactos ,quejánãolie permillido conservar

-

sca maisligeira duvida

.

íj

.

*Prenhezintersticial

.

Nestaoembryão sedesenvolvenacamadamusculosa doutero, n'liumacavidade fechada por todas as parles, em apparenciaao menos

.

M

.

de SaintHilairejulga,queasobservaçõesqueprovãoesta prenhez sãocasos de embrvõesdesenvolvidosnosad uterum

.

Semelhante opiniãoporém liedestituidadelodoofundamento,porque, seassimfosse ,acommunicação das trompas comoutero ficariainterrompidaenãolivre,comose vênas obser

-

vaçõesdos MM

.

(laideeThomson

.

5

.

Prenhez utero

-

tubaria

.

Nestaespecie,quehenegada por Velpeau,o ovose achaparle noutero,partenatrompa

.

As observaçõesqueaprovão,ainda que recolhidas por pessoas de muito mérito, nãoinspirãonoentantogrande con

-

fiança ,pelafalta de detalhesessenciaes

.

Os factos , queasciencia possue,deste genero deprenhezsãoapenas sete, emui extraordinários paraseremadmitti

-

dos,quandonãocercadosdetodasascircunstanciasedesenvolvimentosneces

-

sáriosaoesclarecimento do objecto

.

Elogo que esta condiçãofalha,devemos, quantoanós,suspenderonossojuizoatéquenovasobservações venhãocom

-

provarasjáexistentes

.

M

.

Dezeimcrisadmilte ainda cinco outrasespeciesdeprenhezextra-uterina, a subpcritoneo

-

pelviana, tubo

-

ovaria

,

tubo

-

abdominal, tubo

-

uterina

-

inters

-

ticial, culero

-

tubo

-

alxlominal, que estão no mesmocasodautero

-

tubaria

.

As reflexõesque fizemosarespeito desta lhessão cmtudoapplicaveis

.

ETIOLOGIA

.

As

causas

daprenhezextra

-

uterina,parecendoáprimeira vista devorem merecer grandealtençãoda

parte

doparteiro

,

nãoapresentá

o comtudo

into

-

(7)

U

~

rossealgum,quor

relatlvaincnto

ao dingnoslico,querállierapeutica; pois

»pieauaôrparto deliasnãopodemserreconhecidasdurante a vida, eaquellas quepoderiàosel

-

osàomuih\polhelicasparaquencllasdepositemosconliança

.

Para procedermoscom methodo emsuaenumeração , asdividiremosein indirectescdirectus

.

CAUSAS INDIRECTAS

.

>

Onuméro destas causascomprehendemosaembriaguez, o narcotismo , asurpresa,omedo,avergonha,aindignação no adodacopula,que julgamos com(

.

apurou,Gardien , Brichetcaue outros meramenle prováveis ,apesar de teremcm seufavor aulhoridades degrandenome,comosejão,além de outras,Astruc que julga,(jueaprenhez extra- uterinahemais comraum nas

inoçassolteiraseviuvas (sobretudo aquellas que querem passar por virtuosas) porquea vergonha , omedoeacanhamento,queexperimentão duranteo coito,tem sobrecilas muito poderio:Baudclocque,que diz,quehumamulher naqualpraticouagastrotomia,deviaa sua prenhezaomedo que experi

-

mentou noactodacopuladesersurprehendidanosbraçosdeseuamante, ouvindomovernachave deseuquarto que imprudentementehaviadeixado pela parle defôra:Lallemant,queallirma , cmsua obra das Moléstias dos orgãosgenito

-

urinarios , quehum medotinha sido a causa da prenhez extra

-

uterina namulher que fazobjectodesuaobservação

.

CAUSAS DIRECTASi

Ascausas direclas sãoassãsnumerosas;entreasmais notáveis se contão : aobliteraçãodastrompas,depoisdo coito, cmtodooseucomprimento, sómenteemalgunsdeseuspontos,quer dependa demucosidadesespessadas, como Mangelleve occasião de observar ,quer seja oresultadode alguma inflammação;aeslreitesadeste canaljápelo aperto espasmódico deseu orifício externoouinterno ,já pelo estado,comocaloso,de suasmembranas,c já emfim pelaexcitação continua,inflammação c ulcerações da membrana mucosa

que

o forra ; as diversasdirecções viciosasda

trompa

paraorecto, paraoutero , ou para qualquer outra parte

,

comtanlo quelhefaçãoperder suaposiçãonatural;oendurecimentototalouparcialdopavilhãodeste orgão

.

.

o u

(8)

1 2

asua voila

para

aparteinlcrna

,

eassuas adhcrcnciasanormaescom algum orgã o ou

ponto

da cavidadeabdominal,dando cm resultado a falla derelação que deveria tercom o ovário parapoder recebero ovo;aresistência da caduca, tornando impossívela entrada doovo noutero;agrande espessura das membranas doovárioou dacapsula ovaria;asituação mui profundado ovo e seugrande volume , depoisde fecundado

.

A faltaouexcessode cumpri

-

mento da trompa, assim como aparalysia, oespasmo, a distorção , e o movimentoantypcrislalticodeste conduclo tem-selambem incluidonogrande numerodascausasdireclas

.

A maneira de obrar de muitas destascausaslie inexplicávelávista dasideas que hojegeralmenteseprofessão sobre ageração

.

Será isto devidoateremosautboresvistocomocapazes de determinar direc

-

tamenlc aprenhez causas queaexperiencianuncasanccionou?Asdiversas alterações dosappendices da madre, que asnecroscopies lhes mostravão coincidirem comestaaberraçãoda natureza , nãolhepoderiãoserposteriores?

SYMPTOiïïATOLCGIA E DIAGNOSTICO

.

Aprenhez extra

-

uterina ,comoa boaprenhez, não lie conhecida duranteos primeirosmezes;he d<>quartoparaoquintomezque tem lugar a apparição desymplomascaraclerislicos , quenosfazemver logoocaso que temos de tra

-

tar

.

Não queremosdizercomisto,que mesmoaestetempo omediconão se achealgumas vezes embaraçadoúcabeceira da doente;massim que entãoa dilliculdadenãobc tal,que torne impossível diagnosticaraprenhez extra

-

uteri-

na, comoquer Marc

.

Seistoalgumasvezes tem acontecido, nãohede certo porque faltemindícios capazes defazerpreverascousasasmaisextraordiná

-

rias; masporquenãoprestamosaltenção àquillo quepoucasvezestemlugar eque nãoesperamos

.

Ossymplomasque nosrevelão aexistência desta prenhezsedividem em equivocosecertos

.

«Symplomasequivocos

.

» Estessymplomassão osque sededuzem dos phenomenos, que temlugardepoisda conceição , esão osseguintes:dòres abdominaesvagasoucircunscriptasaalgumponto do ventre,acompanhadas desentimentode peso, ehum embaraçoindefinível que annuncia ámulher que algumacousadeinsolilo sepassaemsua prenhez;persistência do lluxo

catamenial

;falta dc vomilos;ausênciade engorgilamentocde leitenospeitos; desenvolvimentodoventrede humsólado, c cmlimmovimentosdo fetomais fortesquenaprenhezuterinaesentidosemlugar desusado

.

Adenominaçãode

(9)

1ft

equívocos,quedemosnestes symptômes , liemdeixa ver sua poucaou n>

nhutnaimportância nodiagnostico;“nlretanlo

,

com»nolle»lemconfiado alguns autliores,julgamosdeveraquinppreciurquulscuvalor

.

Exainirial

-

os -heinosliuiu por hum

.

1

.

°

Dôresabdominacsvagasoucircunscriptasaalgum pontodoventre,ácc

.

Este symptomamuitasvezesnão senota;bastantesexemplospoderiainos citar cmapoio doque dissemos, basta-nosporém referiro casodeM

.

"deSaint Mère :Estasenhora,mãi de oito filhos, morreurapidamentesemtersequerpre

-

visto queseachavagravida:feita anecroscopia,vio

-

sequeamorteeradevida a humaconsiderável hemorrhagia, provenientedarupluradehum kisto que continha humfetode cinco mezes

.

desenvolvidonapeiipheriadoovário

.

Mas quando assimnãofosse, ellenenhumvalor leria,porque lambem apparece emboas prenhezes ,enãoserviriaparaaprimipara , que ainda ignoraquala sensaçãoqueproduzaprenhez

.

2

.

°

Persistência do fluxocatamenial

.

Hehumdos phenomenosquemais vezes falhaede pouco valor

.

Sealgunsparteirosvirão os menslruoscontinuarema correrna máprenhez,CyprianoeBaudelocqueem suaextensapraticaobser

-

varão ocontrario

.

Demaislambem se lemencontrado na boa prenhezapersis- tênciados menslruos,oquelie sulïicientc para que estesymptomanenhuma allenção mereça

.

lia cmapoio destaasserção,entre outros factos,oreferido por Mauriceau,de humamulher , que estando gravidadecincomezes,apresença do fluxo catamenial fez queajustiça não aacreditasse, e foisuppliciada

.

Cham

-

bon ,Petioteoutrosdizemaindaleremvisto mulheresquesócrãomenstruadas durante aprenhez

.

3

.

° Falta devomitos

.

0 que dissemos dossymptomas antecedenteslie appli

-

cavelaeste

.

Muitos exemplosha desuafallencia: emhuma mulher allectada deprenhez tubaria , que hum medico deJoinvilleenviou aBaudelocque,nauseas e vomitosapparecèrão nosprimeiros mezes :cm outra mulher,de que falia Simon ,cólicasevomitosaincommodú rào desdeoprincipio até o fim da prenhez: equantashaentretantoquenãovomitàoemnenhum dosmezesda prenhez ordinaria?

U

.

° Ausênciadeengorpitamentoc.de leite nos peitos

.

Osindicios tiradosdo estado dospeitosnenhuma confiançamerecem

.

Bell diz quetiveraoceasiãode verem hum caso , emqueofetosedescnvolveono tubo«leFallopio, não só engorgitarnento,maslambem a secreçãodoleite

.

Turnbulldizqueobservara amesmacousa

.

Acresce quenaprenhezordinaria,emmulheresfracas, não senotaalgumas vezesnemengorgitamenlo

,

nemleitonospeitos;entretanto ha mulheres nãogravidas que fazem apparoccresta secreçãoemabundando

,

U

(10)

Ui

praticandocmscus pcilosloquesrcilcraclosouasucção (1);oquebem prova que esteestadobeindependenteda prenhez

.

5

.

° Desenvolvimentodo ventre dchum só ludo

.

Quanto a estesymptoma,elle pôde

ser

produzidopelas obliquidadesdamadrenaprenhezuterina ,elambem, segundo Levrct,pela implantaçãodaplacenta embum dosladosdo utero: pôdeainda deixar de existir naprenhezextra

-

uterina, se ofetose

desenvolver

naexeavaçãorecto

-

vaginal

.

6

.

° Movimentosdofetomais fortesesentidoseinlugar insolito

.

Sealtendermos aqueosfetosextra

-

uterinossãode ordinário mal nutridos,mal

desenvolvidos

, conheceremos queocontrario destesymptoma beoque maisvezesdeveter lugar: ehe istooque temvistoobservadoresde boa fé

.

Quanto á sensação dessesmovimentoscmlugar insolito,pouco peso lho deveremos dar , porque,

além dequenemsempreasmulheres pódem apreciarolugaremque ellesse fazem, odeslocamento de gazes nos intestinos poderãosimula-los

.

Peloexame ,que acabamos defazer ,mostramos que cadahumdestes sym

-

ptomas,tomado isoladamente,pouco pesomerece;mas nempor issodevemos desprcsa

-

los,seellesse acharem reunidos; puisquepelomenospoderãodar probabilidadesaoparteiro

.

Symptomascertos

.

Estessãoossymptomasquese obtein doquartoparao quintomez , por meio do tocar, edaesculaçào

.

Nemsempreseencontrão todosjuntos, mas aexistência de alguns basta para converteremccrtesaapro

-

babilidade,quenosdão ossymptomasequivocos

.

Suasimplesenumeração nos dispensa dc qualquer reflexão , eporisso conlentar-nos

-

hemosunicamenteem

apresenta

-

los;são osseguintes:Falta de relação nodesenvolvimento do utero , emudançasdeseucollo , comotempo presumido da prenhez; presença de humtumor,distinctodoutero ,noqualsepossa reconhecer, ouatravez das paredesabdominaes, oupelavagina, oupelorecto ,algumaparledofeto,seus movimentos, ou osbatimentosduplosdoseucoração;vacuidade da madre: presençade huma membranasemelhante em apparenciaácaduca, forrando acavidadedesteorgão;epossibilidadedesepraticaroballotement ( 2 )

.

Restar-nos

-

hia agora ,para completarmoseste artigo, ásemelhança dc alguns

(1)Haalgunsânuos, tli/.bouchard , quo liiiniapobre inutlier\hiva esexagenariu , tocadade piedade porhumacriançaquesehaviaperdido ,arcccbeo em suacasa elhe deoachupar scus flaccidos peitos paraacalcnla

-

la:aavidez do incniuo fez vir leiteaospeitosdestadesgraçada

.

HoffmanneDicinenbrocch ,emsuaanatomia,couáofactos idciliicos

.

( 2 )Hepara lastimar queomeio proposto porMajorcaperfeiçoadoporKcrgaradcc,odacs

-

rutaçáo,applicadoaoestudo da prenhez ,servindo

-

nostantopara diagnosticardehumamaneira certaaexistênciadofeto duranteagestaçãoboaou má, estejaainda

forneçasymptoma algumdaquetratamos

.

c mtal atraso,quenãono*

(11)

15

authorcs,

occupnr -

nosdossymplomasdiflcrcnciaes dasdiversasespecios da prenhezextra

-

uterina; julgamo

-

nosporém

dispensado

de semelhantetarefa , não sòporque nossofim hetratardaprenhezextra

-

uterinaeingeral, como lambemporque doseuconhecimenton ão nosresultaria proveito algum,puis- que aproximidadedaspartesque pódemsersede doembryão , aextensão deliashumas sobreasoutras,quandocarregadas doproducto daconceição , tornàotãodiíficil distinguirposilivamenteolugarquelieoccupado pelofeto, que ainda nasnecroscopiasomesmoescalpellonãolieguia mui segura

.

DURACAO E TERMINACAO.

IIo muivariavela duraçãodaprenhezextra

-

uterina;esta prenhez póde durar apenasalgumassemanas,póde também chegar anovemezes,eaindaamais; porém em geral lieaoquartoouquintomezque temlugar suaterminação, quasi sempreprecedida,segundo liaudelocque,de contracções nokislo que contém ofeto, portal maneiraperceptiveis, quesepóde,collocandoamão sobreoventreda mulher

.

dizeroinstanteemqueadòr começa, e o emque acaba;dedilataçãodocollo doulmopor onde tem lugar algumasvezesasabida de mucosidades sanguinolentas, efinalmente dehumapparato decousasque simula muito bem otrabalhodo parlo na boa prenhez

.

Estefalso trabalho puerperal,algumasvezesinterrompidoparadenovo começardepoisde hum tempomaisoumenoslongo, oudepois de ter durado por alguns dias ,ou só

-

menlepor algumas horas,termina

-

seporhumadas maneiras seguintes:l

.

°pela ruplurado kislo;2

.

°pelamortedofeto

.

JUtptura do kislo

.

Heestadesgraçadamentea terminação mais commum do phenomenoquenosoccupa;opera

-

seoupelosimplesdesenvolvimentodofeto , ainda incompleto , cm seukislo jámuito adelgaçado, oupor alguma violência exterior

.

A épocadesta terminaçãoparece estar subordinadaáespcciede prenhez: cilatemlugar paraasprenhezes intersliciacs, tubariaseovarias,muito mais cedo queparaasahdominaes

.

Aruplura do kislo faz

-

semuitasvezes semquenenhumsymptomaprecursor tenha apparecido;mas outras vezes dures maisou menosvivas precedeme seguem-na , esãosubsliluidas por huma calmaenganadora quecmpoucas horas ,ou nofim de alguns dias

,

acaba pelamorte damulher, conforme a hemorrhagiaque seguioa ruplura hesubitaou n ão

.

Casos ha porém,cmquea mortenãopódeseratlribuidaúhemorrhagia, coutros,postoque raríssimos, emque estefinidesgraçado não tem lugar

.

Hooqueacontecequandopor

(12)

10

qualquer motivo

suspendendo -

scounôofazendo

-

seahcmorrhngia,edecla

-

rando

-

sehumapéritoniteinlensissimupela presençadofetoe seus aunexo» no meiode

partes

nãoacostumadasasupportaiseucontacto, ainulher

morre

; virtude desta inflammaçãodoperiloneo adhercnciasscestabelecem,que circunscrevem otetodemaneiraa 1erlugaraformaçãode humabscessoeli

-

minatório ,oualgumas dastransformaçõesdeque ofetohc susceplivel

.

Ilea esta ultimacircunstancia, recurso admiravcl danatureza

,

que ainulher,de que faliaBianchi,easque fazemoohjeclodas observações de Jacobe

Pouteau

deverãoa vida

.

Mortedofeto

.

Ofeto ,depoisquetem cessado de viver

,

determinapor sua presença ou aformação de hum abscesso eliminatório,ouo

desenvolvimento

dehumahydropisiaemseukislo, oufinalmenle passacom seusenvoltorios por diversastransformações :trataremospoisdestes estadoscmparticular,que podem ser encarados como outras tantas terminações da prenhez extra

-

uterina

.

ou em

Fonnação dcabscessoeliminatório

.

Muito mais rara que arupluradokisto, estaterminaçãohemaiscommuinqueatransformaçã odo feto,quegarante áinulher porlongosannosavida

.

Opera

-

sepela mutaçãodo kistoemhuma

fontepútrida , determinada pela corrupçãodo fetooupelainflammação de seusenvoltorios, quesepropagaáspartes visinhas,corroendo

-

as,de camada

em camada,atéprodusiremfístulas, que deixem passar ao exteriorofelointeiro oupor pedaços

.

Bem poucas mulheressão asque sobrevivem aosaccidentes inseparáveis destadesordem , como sejão,asdores, oesgotamentodcforças

i

que acompanhaasupuração, e areabsorpçãodas matérias pútridas que résulta« dadecomposiçãodaspartesdofeio

.

Entretantoasciencia possueexemplos de fetos desenvolvidos

,

emortos fora do utero, que tem sido expellidos por abscessos pútridos na circunferência do ventre,

cvagina , sem causarem a morte das mulheres: tal hcaobservaçãoque se encontra nas Adasliberarias da Suécia,queseuauthor intitulou

Intestinum

parturiens; a deDuverneyfilho

,

na Historia daAcademiadas Scienciasdc Paris

.

Nenhuma porém lietãodigna dc notacomo aquellaque Libre relata na mesmaHistoria da Academia dasSciencias para oannode 1702;neste casoamorte eramaisque provável,seeste habilpraticonãoextrahisse

com

humapinça de sua invençãodiversas partesdo feto,que atravezda estreita abertura

pelorecto, bexiga, ou

nã opodião

passar

quelhe haviatraçadoanatureza;ajudandodesta mulher aexpellir pelo anuso fetopor pedaços,quedepoisde se terem pulrefeilo, linhão causado hum abscessoquese havia aberto no recto

.

Bonnie,Wihnan, Uiva, Danvau, Bedard, ealgunsoutros

,

temigual

-

menteobservado ,lambem acompanhadas deaucccsso,essascoimmmicaçõos

.

maneiraa

(13)

17

do kistocomasparcelesdobaixovenire,oncom osorgá

os

ôcos dénia cavidade, dizem quecalão,depoisdeevacuadooleislo, asupuraçãovae

progressivamente , suasparedesvãoapproximando

- se

humada ouïra ,eque

por fim rcunem

-

sc completameate,ou deixão fistulas ligeiras q u e, com quanto sejãoincommodas, nãoprivãoamulher de conceber dc novo

.

Contão

-

seexemploslambemdestaterminaçãofelizna boa prenhez, logo queopartonão setem podidoeffectuaipelaviaordinaria

.

f/ ydropisia enJsistada

.

Estaespeciede terminação, foi segundo temos noticia, huma unica vez observada

.

Ilea Vassal«piesedeveoseuconhecimento

.

A

mulher, que aapresentava,continhaemhum kisto, em parte ossificado, empartecartilaginoso,ceulo ecincoentalibras deliquido, decòramarella, e turvo,noqual nadavàoporçõesdehumfeto

.

Transformaçõesdofeto

.

Diversassãoastransformaçõesporquepóde passaro fetoeseusannexes,pelademoraprolongadaemoseio desuasmais

.

A ob

-

servação nosmostraasseguintes:

1

.

*Exsiccação, ossifienção cpetrificação(1) totalouparcial, quer do feto

.

querdeseusenvoltorios

.

2

.

*Cunversãodofeto ,dentro doseukisto maisoumenosalterado emsua textura,cmhuma materiaadypocirosa,misturada decabellos,unhas,dentes, e parlesósseas, quesereconhecem terpertencido aoesqueletodofeto,ou informes

.

Ile a estas transformaçõesque algumas mulheres tem devido, quando gravidas de prenhez externa, nãoserem arrebatadaspela morte ,e terem denovoconcebidosemque este estadoseopponhaaonascimento dos productosde suasnovasconceições

.

Nãoberaro, logo queofetodepoisdesuamortee seukistosoíTremestas, alterações, verasmulheres trazcl

-

os em seuseio por vinteecinco , trinta,qua

-

rentaannos , emesmopor meioséculo, semexperimentareminconnnodos,se cxceptuão

-

seaquellesquesãoinherenlesao peso do corpo, queficou no ven

-

tre

.

Morand, emhumamemoria appresentadaãAcademiadas Sciencias de Pariz , poroccasiãodo feto de Joigny,dizquehumamulher de Linzell conser- vou-scgrávida por.meioséculocomboasaude ,econcebco duasvezes neste estado

.

NoantigoJornaldeMedicina encontrãose factosanalogos

.

Ahivema observaçãode humamulher,quosuccuinbiradepoisde1erapresentado os symptomasdaprenhezdurantequarentacseis annos;abrindo

-

sesoucadaver,

achou

-

se humglobo quasiosseodo volume de humabola ordinaria, fluctuante noladoesquerdodoabdomen,que continha bum feto dosexo masculinocom* d i m i n u i n d o

(1)Oii.m l oaoquesechamapetrificação, núosedove calendersenãoporhuma crosta calcaria queenvolveofeioem lolalidude , oueinparle (Curveillier),

ß

(14)

13

pletaménte desseccndo

.

Duvernoytiimbomdiz 1erobservado,cmhum ease dc prenhezlubflria,itexsiccação dohum IntoI'mperfeito queparecia embalsama

-

do

.

Acha

-

se

,

cm Bartholin,ahistoria de huma mulher , decincoenlaannos de klade

,

quediziaterhum tumorpodroso,eque morreu subitamente dehuma quedasobreoventre

.

Asuanecroscopiamostrou hum tumordo volumede huma cabeça ordinaria ,cujo envoltorio, muiduroemui denso,adheria as par

-

tes visinhas;continha hum feloque principiavaaossificar

-

se

.

MarcoAntonio Petit,Esquiroi,Mojon, (laide ealgunsoutrosdo mesmo modo tivernoocca siãode observar muitos factos deste genero

.

NaBibliothecaMedicadePlanque, em bornamemoria de Deneux,apparecem muitos casos de kislos,contendo restosdo feto a queosauthores chamão

pilosos

,quedeixamos demen

-

cionar porquetornariãoesteartigomui longo, sem nostrazerproveito algum

.

Releva porémaquidizerque,comquantosejafrequente a existênciados kislos pilosos, etenhãoordinariamente poríéde os ovários , ellesnemsempresão resultados ,contraaopiniãode Deneux , deprenhezesporerrodelugar

.

Mas

-

sassemelhantes tem sido observadasem moçasainda longe daépocada pu

-

berdade:tal lieocasocontadoporBailly

.

Estephenomenofoiporelle visto emhumnmorade dozep

.

ra trezeannos,quenão

apresentava

ossignacsda puberdade, emaqualoutero nãotinhaoaccressimo que traz estaépoca, c ahymen estavaintacta

.

Tem-se mesmoobservado kislos idênticosempartesda mulher,que tirãotodaasuspeita deprenhez, e emhomens

.

Ruischencontrou noestomago de hum homemhum tumor steatomatoso,quecontinha hum ossoinforme,quatrodentesmolaresehummontãodecabellos

.

Hede todos bemconhecidaahistoria deAmedeoBissieu (consignadanosboletinsda Aca

-

demia de Pariz), emcujo ventre acliou

-

se hum kisto que continha hum feto adhérenteaomesocolon,perlo do colon transversoefóra das vias da digestão

.

O Dr

.

Gordon achounopeito de huma mulher hum tumor,quefazendo saliên

-

cia duranteavida por baixo das paredes llioracicas,eelevando

-

as ,tinhasido

tomadoporhuma aneurisma

.

Este tumorrepresentavamui hem a imagem do feto, econtinha humamateria sehacea,ehuma porçãodossoquetinha muita semelhançacomomaxillarsuperior,apresentandohumcomobordo alveolar comseledentes, dous caninos,dous incisivosetrèsmolares;destesdentes huns estavãoimplantadosnobordo doosso,outros,cercados de huma

capsula

emsuaraiz, seinseriãon'huma massade apparenciagraxa

.

Szolaski,em huma muitointeressante memoria,insertanosArchivos de Medicina de18Ó0 ,levaa dezenoveo numerode observaçõesconhecidas de tumores ,quecontinhão

res -

tosdefeto,equepelasuaposiçãooxlerior nãopodiãoserconsiderados

como

resultadode

concei

ção

.

Sóatheoriu lias monstruosidades por inclusãopoderá explicarlacs

phenomenon

(15)

10

-

Altendendo

-

se no quo tomos dilo,como discerniros rasos

em que

e»U

*

to

nioresdevãoser julgadoscornu osrostos deprenhez externa ? 0 diagnostic

^

poislerá em lues casospor haseoconhecimentode queo luinornão lie con

-

genial,quoseuappnrecimcnlotemsidoprecedido de incommodos semelhante

*

aosdu prenhezextra

-

uterina, temporsede algunsdoslugaresemque estase observa, etinalmcnle quehaalgumamudança noutero

.

Comludoseo utero

deixar de apresentar

alguma

mudança , nãopoderemosporistosuppórquenã o tenha havido prenhez, pois quemuitas vezeseste orgão nãosoflrealteração algumanamáprenhez

.

Oexamedas historias dos fetos que tempassadoporestas diversastransfor

-

maçõesde qoc temos tratado,nãonosmostra nenhum symplomaparticular quetenhapodidodarlugaraprcdizcl

-

as

.

Do tempo porém, emque a natureza principiaaoperara transformaçãodo feio de maneira anãoprejudicaramay, aléa suainorte (quasisempreindependented’eslacircunstancia), ha signaes pelosquaesse apóde conhecer; oestudodellestorna

-

se necessárioparasoc

-

corrermosamulher, se anaturezaaahandona

.

EstessignaessetirãosegundoMorand doajuntamentodas circunstanciasse

-

guintes:

1

.

*Huma prenhez que tem passadootermo denove mezes;2

.

*Ainterrupr cãodossymplomasprecursoresdo parlo;3

.

*O pesoincoinmodode humcorpo estranho quesenãopóde tomar por hum scirrho, pelaausência dos signaes quecaracterisão estamoléstia, c sereconheceserhumfeto

.

Nã olie difíicil obter

-

se este conhecimento,pois que muitos casos lia de se ter reconhecidoofeto pelotacto atravezdasparedesdo ventre:no casoque mencionaojornal

Nou

-

velles de laRépubliquedes lettres

perccbião

-

setodasas suaspartes:nofeto

,

quefazobjectoda observaçãodeCornax ,quefoilançado empedaçospor sua maynoespaçode trezeannos , era bemvisiveloseuesqueleto queseapalpava aponto deseconheceremascostcllas, os ossosda cabeça ,das espaduasedas coxas

.

PROGNOSTICO

.

Oprognosticonaprenhez extra

-

uterina,quandoaartenão vem

cmsoccorro

danatureza, liesempre fatalparaofeto

.

Sua mortelenilugaroupelaruptura do kisto , ouporqueaspartesemquesetem implantadosuaplacentanàolhe pódemfornecer huma nutriçãosuflicienlc

.

Quantoúmulher

,

uprenhez extra

-

uterina

,

quando

mesmo

abandonadaa

(16)

5ft

natureza, nãohesempre mortal, comquanto muitograve ,como já

fitemos

ver emNãodevemos poroartigo

Terminaém

,

paraçõesfirmar

.

oprognostico, confiar muito nesses

casos

felizes,emque anatureza tem sahidocompletaincntc vencedora;sehuma ou outra tem tido a felicidade de escapar á morte,hum grande numero temsido victimas;cdestas que tem sidosalvas,muitas leriãoperecidoaos accidentes inseparáveisda formaçãodos abscessos eliminatórios, emquetanto temconfiadoLevrct, seacirurgianãolhes viessecmsoccorro

.

CONSIDER ACOES ANATÓMICAS

.

Pouco temosa dizersobreeste objecto, tendo já feito ver noartigo

Terminaçõesda prenhez extra

-

uterina

osdiversos estadosemquesepódc acharofeto, conformeoqueasnecroscopiasnostemmostrado

.

Contentar-

nos

-

hemosemdar humaligeiraidéa do feto extra

-

uterinoe seus annexos emrelação ao fetouterino,efaz*r veroestado do utero nestas prenhezes

.

O fetoextra

-

uterinoapresenta humaorganisação cmtudo semelhanteao uterino, e, como este,tem suasmembranasproprias

chorion e amnios;

nadaemliquidoamniolico,clieprovido de hum cordãoumbilicaleplacenta

.

Aplaceulahe de ordináriomais larga quea(pie sedesenvolvenacavidade uterina

.

Algumasvezeshecomomeuibranosa equasi sempre fornecida de mui pequenos vasos , circunstancia esta devidaádilliculdade deobterhuma quantidade adequada de sangue dos orgãosrisinhos

.

Além destas diversasparles

,

ofetoextra

-

uterino conta ainda humaoutra que lheservedeultimo envoltorio , deprotecçãocontraasviolências exterio

-

res, e osepara dasvisceras queocercão,áqualse tem dadoonomede kisto

.

Este kisto fazas vezesdo utero ,edilfere muitosegundoaespeciede prenhez:assimelle lieformadona prenhez lubaria , ovaria, c

intersticial

, pelos tecidos destas diversaspartes; noentanto que noabdominaloliepelo productoda irritaçãoquesetemdesenvolvidocm torno doovo

.

Muivariavel

cm sua extensão,fórma , espessura eelasticidade, lie muito

susccptivcl

do passaraoestado cartilaginoso, fibrosoemesmo osseo: seaparta tanto niais doestado primitivo,quantoaprenhez extra

-

uterina lie mais antiga,segundo Baudclocque , quetemdelles leito humestudoparticular

.

As

tem pouco maisou menos aespessura dehumalinha, exceploporém no lugarcmque se insere aplacenta

.

A suusuperficie interna heforrada

por

paredes

suas

(17)

21

humamembrana de apparcncinserosa ( I)

.

Asuagrandosaeforma approxi- mào

-

so muito tla doulero

.

Diversosvasos

percorrem

suasparedes, em g

id

pouco desenvolvidos

.

Comludo, o professor Baudelocque diz quee/n hum caso por elleobservado, cem queokistoolferecia duranteavida pulsações arteriaesmuilories,na nccroscopia pareciaser formadoporhummontãode vasos

.

Isto he raro

.

Mudançasdo utero

.

Oexameanatomico dos diversoscasosdeprenhez extra

-

uterina nos mostra,queo uleronãooffereceemsuasdimensõesnaluraes, namaioriados casos,mudançaalguma

.

Dizemos na maioria doscasos ,porque algunsauthores dizem ter observado hum certo desenvolvimento do utero; suacapacidade,aindaque vasia ,tornar

-

semaisespaçosa e ser forradapor huma membrana quetemamollesae aapparenciada caduca

.

11craro porém que esteaugmenlodevolume sejana mesmaproporçãoquena prenhez ute

-

rina

.

Quanto á membrana que forraointerior da cavidade uterina , deque fallão esses authores ,somosinlciramenteavessos aopensar de M

.

Velpeau. Sendo a membrana caduca, como geralmente hoje se admitte ,o resul

-

tadodaexcitaçãode humacopula fecundante ,existindojá no utero antes da chegada do ovo na boa prenhez , nãovemosrasão para que deixe de existir na má prenhez

.

Seemalgunscasosnão setemobservado,he porque cilatemsido destruidaearrastada por perdas sanguineas do utero

.

Estanota hedevida aM

.

Guilleineau , que havendo recolhido lodososfactos que existem até o presente, pôde cerlilicar

-

sede que , todasasvezes quenão se derão perdassanguineasnaprenhez externa ,o uleroapresentava

-

se desenvolvidoe forradopela membrana anhisla;entretantoque logo que havia hum mentosanguíneo desde ocomeçoda gestação , o uleroconservavaseuvolume natural, e nãoofferecia vestígios de producção membraniforme em sua cavidade

.

corri

-

IIVDICACOES CURATIVAS

.

As indicações curativas desta aberraçãodanatureza diíTerem, segundoos diversos estadosemquesepóle acharamulher:assim , se a formaçãode hum

(1)Emliuin casoobservado por Baudelocque,deprenhez tubaria,okislon ãolinhaa mesmaespessuracm todosos seus ponlos :em

membrana ; emoutros eraformado portrèscamadas distinotas:\i

. .

-schuma superficieovlcrna, de apparencia serosa , humainterna eregulir,mais oumenosvilloa,ehum tecidoinlcr

-

nos de fibras muscularesbem muitoslugares offerecia a dehumaforte

Diediario fihro

-

cclltiloso, noqual scdwliuguiàoalguns pia pronunciadas

.

d

(18)

2*2

abscessoliver jálidocomeço ,deverse

-

ha abri

-

lo, oudilalar convenien

temente

asaberturasespontâneas ,cusocxisláo, favorecerasabida dasparles dofeto«

matériaspulridas, fazer injccçõesdclersivasouou ïras ,nfimdeconservar

sempre

limpaacavidadedokisto, cíinalmcnlc combaterainllammação oufortificar adoentesegundoanecessidade

.

Sc poré misto nào sc der , e seapresentarem algumas daquellas transformaçõesdofeto ,de que játemostratado, comas quaesasmulherespodemviver longosannos sem sergrandemenleincommo

-

dadas, aconducladoparteiroselimitará ahum tratamentopalliativo

.

Outro tanto não lerá lugar, scelleestiver presenteáruptura do kisto outiver reco

-

nhecidoaprenhez extra

-

uterina,estandoainda todasaspartesinluclas

.

Então humsórecursolhe resta,liepraticaragaslrotomia,operaçãoquereuneem tornode siomaiornumerode probabilidades , para salvar a humtempoduas vidas

.

Nàohe esteporémopensar de alguns authores

.

Estafacil,utileinteressante operação ,que já temsidotantastezescoroadadefeliz sucéesso ,quehe muito menosperigosa queaoperação csarea, poisnãointeressa,comoesta, outero, conta, comotodasaqucllas queseafaslão humpoucodoordinário,seusanta

-

gonistas

.

Lcvret, Sabatier e osauthores modernos quecomoelles pensão, fundando-se emalguns casosfelizes, emqueasmulheresforãosalvas pelos sósrecursos da natureza ,dolim trágico que lhes agouravasuaprenhez;ejul

-

gandomortalahemorrhagia que sobreviria depois do despregamenlo daplacenta pela faltadecontractilidadedo kisto ,queimpediriaque aboca dosvasos abertos se fechasse , comotem lugarnoutero, não temhesitadocm proscreveragas

-

trotomia,cdãopor conselhoemtodososcasos

deixar amulher entregueaos recursosEstesmotivos para regeida natureza

. —

ção dagaslrotomia sãoporémillusorios

.

A terminação

maisnaturaldaprenhez extra

-

uterina , que maisvezestemlugar, liede certo aquesefaz pela ruptura do kisto , terminação quasisempre mortaljá pela hemorrhagia queasegue,jápelapéritonite inlcnsissima quescdeclarapela presençadofeto,liquidoamniolicocsanguenoperilonco; esendomui raros, para quesobre elles possamos fundar alguma regra ,oscasoscmqueporfeli

-

cidadeosproductosdelaesprenhezessetemdessecadoouconvertido emhuma massaconcreta

,

semcausarem hum preju ízonotávelá saúdeda mãi ,e bem assim aquellescmqueanaturezatemdispostohuma sabidaás parlesdo feto jáseparadas pela pulrefacção,expulsando

-

aspeloumbigo

rias,&c

.

&c

.

:deixaranatureza pois ,qualquerque sejaaépoca daprenhez

operar

pelassuas

para a maiesperaihtunlim muiduvidoso,mui perigosoemuitasvezesfunesto

.

Quantasvezesamorte vem antesquehum feto scmomifiqucou hum abscesso ,anus ,viasunna

-

forças

,

lieregoilarparaofeto Ioda a cspecic de salvação , c

(19)

23

soformo? Kneste ultimo caso,quandoImitiu fistula

que

permit!«;aexpulsão

<lo fetoseestabeleço ,bempoucas

uuillicres

são asque sobrevivem: d«:«!«•/

escapa

huma,segundo Baudelocque

.

Quanto ahemorrhagia que deve seguirodcspregamcnlo«laplacenta nãobe para temer

-

se, poisque osvasos do baixo ventre nãoneccssitão

como

osda madre de huma fortecompressão ;aquella« piebeproduzida pelo abdomenem consequência daelasticidadedesuasparedeseorgãosnollecontidosbasla

-

llies, porqueelles não sepodem dilatarcomo osdo utero:dondevemqueosfetos nutridosfóra do uterosão cmgeral pequenos,fracos , magrosenãocliegãoao termo davilabilidade;(piesuasplacentassãodelgadascomomembranosas, o que já\\illiamTurnbullteveoceasiãode observar

.

Apraticacorroboraoque acabamosdeavançar

.

Nãoexistemexemplosde hemorrbagiasdepoisdagaslro

-

tomiaquesetenliâotornado bum phenomeno grave

.

Demais se se temer que a força contract'd dasparedesda cavidade abdominal nãoseja bastante para obliterarosvasos , nãolianecessidadealguma defazer a exlracçãoda placenta depoisda do feto;nada impede que a deixemosnoventreatéque,destacando

-

sepor si,venha apresentar

-

seáabertura exterior

.

Objectar

-

se

-

nos

-

ba talvez,que assim praticando, tornamos maisgravea operaçãopelapulrefacçãoque devesobrevirúplacenta

.

Kste perigolieexage

-

rado

.

Agravidade que por ventura dahi possa vir jamais poderá,nemde longe, serequiparadaáquella que trazoabandono da mulheránatureza;por

-

que então, alémda pulrefacçãodessa massa esponjosa ,lemosmaisadofeto, accrescendo quenão ha humaaberturafranca por ondeasmatériasseescoem, opela qual possamosfazer injecçõesconvenientes para que cilas ahisenão demorem

.

Finalmente,seestas razões ainda não sãosuflicientcs para convencer aquel

-

les , que semoslràoapoderadosdebumterror pânicopelasortedas mulheres, emquesepraticaagaslrotomia,de queosperigosdesta operação,se nãochi

-

mericos, sãomui pouco fundados;separa acreditaragaslrotomia fa/.-se ne

-

cessário invocar aullioridadcs , nósacharemos, nosmais estimáveis authores, exemplos

.

Brewer deLeipsick,assim comoMuller, salvou porestaoperaçãoahuma pobre mulhereseu Fillio

.

Dubois não foi tãofeliz; sópôde salvar ofeto, morrendosua doente algunsdias depois da operação

,

não por causadestaque

,

comoelleconfessa,nadaapresentou de grave;massimpelo estado deplorável emqueseachava amulherantesdeseroperada

.

Zaisleveoceasiãodepraticar agaslrotomia aindaquebumpouco tarde,jáquandoofotoseachava morto , porqueos seuscollegesemconferencia tinlino decidido«pieose a fizesse

.

«unosevf*dasuaobservação

, quo

aquitranscrevemos du

Ucvisla Medica

(20)

24

fhmceza —

:M

.

°S idadetrintaecincoonnos ,aprcsentou

-

scgravida pela segundavoz.emdezembrode 1827, onzeannosdepois da primeiraprenhez quehaviasido normal;nolim de cincosemanassenlia

-

senaregiãoumbilical

hum tumoralongado

.

Pelosfinsde marçoM

.

cS achava

-

seconsideravel

-

mentemagracmconsequênciade humcorrimentodesanguecliquido escuro que lhe durava ha oitoouhaquinzedias, precedido algumasvezes porlipo

-

thymias:outeroeseucollo estavão,comocostumão serãoquartomez

.

Dolado esquerdo, acimacnadireeçãodoligamentodePoupart, havia humtumor dolorosodagrossura de humovo,eparecendo glandulosoaotocar;julgou-se seroovário infiammado

,

efizerão

-

sefricçõescom ounguentonapolitano e iodo,que forãologo suspensasemvirtude dasalivaçãoque excitiuão

.

Pelos fins de abril a doente abandonouoleito ,occupou

-

se nostrabalhosdeseujardim;

porem não sepodia abaixar muito porcausade humcorpoduro(acabeçado feto ) que sentia do lado direito

.

Aoseptimoinezfoiobrigadaapôr

-

sedecama :

entãoreconbeceo-sea existência de humaprenhez abdominal

.

Oabdomentinha asdimensõesquedeveteraoseptimo niezde humaboa prenhez: eslavauniformemenle distendidoeelevadoparaoumbigo

.

Logoque ofeto movia os membros, notavão

-

se movimentos oscillatorios dasparedes abdominaes, ebum tumor esphcrico proeminente formava

-

se nobaixoventre

.

Oemmagrecimenla tornou mui visívelaposiçãodofeto: otroncodeste estava eollocadotiansversalmenle entreoumbigoe oconcavodoestomago,acabeça paraadireita, e ospés para aesquerda

.

Üorifício do collodoutero olhava paratrazeparaadireitaredifficilinente podiaser tocado: não sesentia na vaginacorpo algumduro

.

Abacia eslavacheia de huma massa arredondadae elastica (massa intestinal), enaqualseulia-se ,depoisdamortedo feto , hum deseuspés

.

Os movimentos do fetocausavãovivas dòres

.

A doente foi incom

-

modada deconstipação,eructaçõesdolorosas,vomilos ,dòresnoventre, e ca

-

deiras;haviaemmagrccimentoehumestadoheclico: oupio,aquinacdiversos outrosamargosarestabelecerãoem parle

.

O termo daprenhezapproximou

-

se,

oDr

.

Zais propôza gaslrotunia:porémesta foiregeitada

.

Nodiadezoito para dezenovedeAgosto erãotãofortesascontracçõesqueapressãoexercida porhum homem sobreoventrepodiaapenas moderal

-

as;havia sentimento depeso para as parlesgenitaesqueestavãodistendidase erão séde debumcorrimentosan

-

guíneo;ofetoparecia mortoemconsequência dos exlorçosconvulsivos;as parles genitaes internasconservavão

-

senomesmoestado;adoente esgotadae sem dòres achava

-

se bem,dousdias depoisdamortedofeto;oventreeslava frioeachatado

.

M

.

Zais julgou ainda dever praticaragaslrolomia,porémfoi impedido pelafebre que semanifestou,acompanhadade dòresnoventre, tie dorperiódicanuregiãosub

-

pubianaepeloemmagro

cimento

cprostração

con

-

(21)

25

sidoravel

.

Voperação sópôdelorlugara doze deOutubro,oilo semanasde

-

poisdamorledofeio

.

A pnrcdo abdominalfoi abcrla na

polegadas,enlroobaço ooumbigo :dcscobrio

-

seopcriloneocmgrandepaite

adhérenteaokislo;sendo aberto, bouve corrimento de bumliquidolurvo,ama

-

relloefétido;asparedes do kislo linliãoduasa 1reslinhas deespessura, cor vcrmelba escura, cestruclurafibrosa

.

Humfeiodosexomasculinoe a tempo foisemdilficuldadc tirado;eradecòrescura ,clinha,emparle, osolhos, dedos e calcanhares putrefactos

.

Asmembranas doovo,assimcomo ocordão umbilical,longode seispolegadas, achavão

-

sc emdissolução nofundo do kislo

.

A faceinternadesleera lisacomo adas membranasserosas

.

Aplacenta parecia lixadaácolmnna vertebral entreoumbigoeoconcavo do estomago; mellia,lisa,deformaalongada, ede bomaspeclo

.

Deixou

-

se

-

anomesmolu

-

gar, creunio

-

se aferidasuperiormentecom algunsponlosdesutura , einfe

-

riormenlecom tiras agglulinativas

.

Todaadòr cessoulogodepoisda extraeção dofeto,chuma supuraçãoabundanteede bomcaracler semanifestou

.

No decimo sexto diadepoisda operação , aferidaeslavacicalrisada; adoenteera atormentada pordûtessemelhantesás do parlo,ehavia dormêncianospés

.

Oitodias depois, aparteinferior da ferida jácicalrisadaahrio

-

se;correodu

-

rantemuitos dias saniefétida,contendo alguns restos membraniforines que parecião serpartes decompostas da placenta;porém ao fimdealgumtempo tudoistocessou , aferida cicatrisou

-

scdenovo , eM

.

eS recuperouasaude cadquirioforçascomo nuncateve

.

Na Bibliotheca deMedicina

,

Duboisnosdá contada observaçãodeM

.

Lucas, extensãodeseis

era ver

-

cirurgiãoemS

.

Ló(Baixa Normandia), tirada do Jornal dos Sábios, quemerece bem queademosaquiemdetalhe pelamaneirasingularporque foipraticada agaslrotomia, sem ocirurgiãosaber quesetratava de huma prenhez extra

-

uterina

.

M

.

Lucas foi chamado pela mulher dehum corriciro, que morava duas legoasdistantesdeS

.

Ló,para lralal

-

a dehumincommodoqueaperse

-

guia ,haviaalgum tempo

.

Quando elle chegou,jáhaviãocinco semanas

,

que a doenteeraobrigada asustentar

-

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-

sebumdedo peloorifícioexternodavagina, sentia

-

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-

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,

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-

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-

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.

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.

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,

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-

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Referências

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