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Os jogos no processo educativo em uma escola do campo

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Academic year: 2023

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE EDUCAÇÃO

DEPARTAMENTO EM EDUCAÇÃO DO CAMPO - DEC LICENCIATURA EM PEDAGOGIA COM ÁREA DE APROFUNDAMENTO EM EDUCAÇÃO DO CAMPO

ALDYNELI DA SILVA MIRANDA

OS JOGOS NO PROCESSO EDUCATIVO EM UMA ESCOLA DO CAMPO

JOÃO PESSOA - PB

2022

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ALDYNELI DA SILVA MIRANDA

OS JOGOS NO PROCESSO EDUCATIVO EM UMA ESCOLA DO CAMPO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para obtenção do grau de Licenciada em Pedagogia à banca examinadora no Curso Pedagogia – Área de Aprofundamento em Educação do Campo do Centro de Educação (CE), Campus I da Universidade Federal da Paraíba.

Orientadora: Profa. Dra. Francisca Alexandre de Lima

JOÃO PESSOA - PB

2022

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ALDYNELI DA SILVA MIRANDA

OS JOGOS NO PROCESSO EDUCATIVO EM UMA ESCOLA DO CAMPO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Educação, da Universidade Federal da Paraíba, como requisito parcial para obtenção do título de Licenciada em Pedagogia com Área de aprofundamento em Educação do Campo.

Aprovada em: 14/12/2022

BANCA EXAMINADORA

Profa. Dra. Francisca Alexandre de Lima (Orientadora)

Profa. Dra. Eunice Simões Lins (Examinadora convidada)

Profa. Dra. Cristiane Borges Angelo (Examinadora convidada)

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Este trabalho é dedicado a todos que acreditaram que o meu sonho poderia se tornar realidade.

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AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradeço a Deus, que me deu forças para seguira até aqui.

A minha avó Anaize de Miranda Chagas (In memórin), que foi minha mãe e meu pai e que me incentivou a sempre ir em busca dos meus sonhos.

Ao meu esposo Lenildo Bezerra de Santana, pelo apoio e incentivo diário para que eu conseguisse concluir o meu curso.

Aos meus amigos que torcem por mim e aos colegas do curso pelo encorajamento.

A minha orientadora Professora Dra. Francisca Alexandre de Lima, pelo apoio, dedicação e carinho em nossos encontros que resultaram ao final deste trabalho.

E a todos os professores (as) examinadores da banca de avaliação do Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia em Educação do Campo pelo conhecimento compartilhado.

Só tenho o que agradecer a todos que direta ou indiretamente estiveram ao meu lado durante este trajeto, estarão para sempre em meu coração.

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“Educação não transforma o mundo. Educação transforma pessoas. Pessoas transformam o mundo.”

Paulo Freire.

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RESUMO

Este trabalho de conclusão de curso trata de uma pesquisa descritiva e exploratória, que trabalhou dentro de uma abordagem qualitativa, e tem como objeto de estudo a análise da contribuição dos jogos educativos para o processo de ensino de crianças em uma escola do campo. Para construção de dados utilizou-se como técnica de pesquisa a entrevista, realizada virtualmente, a partir de um roteiro, além de um questionário, com questões abertas e fechadas, com uma professora que leciona numa turma de 1º ano do Ensino Fundamental, na Escola Municipal José Albino Pimentel, localizada numa comunidade quilombola - Gurugi, na zona rural do Município de Conde-PB. No processo de análise e resultados obtidos com a pesquisa, podemos destacar a importância dos jogos educativos nos processos de ensino e aprendizagem das crianças, a importância desse recurso, pois as crianças aprendem brincando, de forma lúdica, sem cobranças, proporcionando participação e dialogicidade entre as crianças.

Palavras-chave: Educação do Campo. Brincar e Aprender. Jogos Educativos.

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ABSTRACT

This course conclusion work deals with a descriptive and exploratory research, which worked within a qualitative approach, and has as its object of study the analysis of the contribution of educational games to the teaching process of children in a rural school.

For the construction of data, an interview was used as a research technique, carried out virtually, based on a script, in addition to a questionnaire, with open and closed questions, with a teacher who teaches a class of 1st year of Elementary Education, at Escola Municipal José Albino Pimentel, located in a quilombola community - Gurugi, in the rural area of the Municipality of Conde-PB. In the process of analysis and results obtained from the research, we can highlight the importance of educational games in the teaching and learning processes of children, the importance of this resource, as children learn by playing, in a playful way, without demands, providing participation and dialogue between the children.

Keywords: Field Education. Play and learn. Educational games.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 11

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A TEÓRICA COMPREENSÃO TEÓRICA NOS PROCESSOS

DE ENSINO E APRENDIZAGEM 12

2.1 O QUE É APRENDIZAGEM? 12

2.2 EDUCAÇÃO INFANTIL NA EDUCAÇÃO DO CAMPO 14

2.3 O LÚDICO NA EDUCAÇÃO 16

2.4 A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS EDUCATIVOS NO ENSINO

FUNDAMENTAL I 18

3 ASPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA 22 3.1 ABORDAGEM DE PESQUISA: INSTRUMENTOS E TÉCNICAS 22

3.2 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS 22

3.3 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS 23

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 28

5 REFERÊNCIAS 29

6 APÊNDICE 31

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1 INTRODUÇÃO

Esse trabalho de Conclusão de Curso analisa a contribuição dos jogos educativos no processo de ensino de crianças em uma escola do campo.

A escolha do tema surgiu por meio das experiências vivenciadas nos Estágios Supervisionados, que ao observar algumas aulas de professoras/es da escola básica, foi possível perceber que o assunto da forma que estava sendo trabalhado não estava atraindo a atenção dos alunos.

A partir daí, percebi que, de alguma forma, era possível trazer a atenção do aluno para a aula, e nas regências das sequências didáticas trabalhei alguns jogos educativos, o que trouxe a ludicidade para a sala de aula, e com isso, os alunos participaram das aulas... Vi que os jogos contribuem de alguma forma no processo de ensino dos mesmos.

É desafiador desenvolver uma aula a partir de um jogo, mas para uma participação maior do aluno na aula, o professor tem que buscar uma maneira de chamar a atenção desse aluno deixando a aula mais atrativa.

Piaget (1978) acredita que os jogos não são apenas uma forma de desafogo de entretenimento para gastar energia das crianças, mas sim meios que enriquecem o desenvolvimento intelectual e que podem contribuir significativamente para o processo de ensino aprendizagem e no processo de socialização das crianças.

Desse modo, surgiu a nossa questão-problema: “Quais as contribuições que os jogos pedagógicos oferecem para o processo de ensino de crianças nas escolas do campo?” Assim, passamos a analisar as contribuições dos jogos educativos nos processos de ensino, cujo objetivo geral foi refletir sobre as contribuições dos jogos educativos na sala de aula; e os objetivos específicos, analisar a aprendizagem das crianças considerando a utilização de jogos educativos, despertar o prazer em aprender e estimular o desenvolvimento da aprendizagem através dos jogos educativos.

Nossa pesquisa é descritiva e exploratória, e como método de abordagem selecionamos a qualitativa, para coleta e análise dos dados aplicamos a técnica do questionário, com questões abertas para roteiro da entrevista que foi feita virtualmente, com uma professora do ensino fundamental I que atua em uma escola do campo

O trabalho está estruturado da seguinte maneira: iniciamos com os aspectos teóricos de autores que abordam sobre o tema proposto; em seguida tratamos dos

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aportes metodológicos, apresentando-se as características da pesquisa, seus procedimentos e instrumentos utilizados na construção de dados, além da análise dos resultados. A pesquisa foi finalizada com as considerações finais, onde são apresentadas reflexões essenciais sobre a importância dos jogos educativos no âmbito escolar, como facilitador e motivador no processo de desenvolvimento do ensino e aprendizagem de crianças nas escolas do campo.

2 A TEÓRICA COMPREENSÃO TEÓRICA NOS PROCESSOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM

2.1 O que é aprendizagem?

A aprendizagem para Paulo Freire é aquela que transforma. É um processo de transformação, é com a troca de conhecimentos e saberes reconstruídos entre os educandos e educadores, os quais ensinam e aprendem um com o outro, tornam-se sujeitos autônomos, questionadores e emancipados.

Nessa perspectiva, Freire (1996) “Nas condições de verdadeira aprendizagem, os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador igualmente sujeito do processo”. (FREIRE, 1996, p.26). Com isso, os educandos passam a ser sujeito ativo do processo de ensino aprendizagem na aquisição e construção do conhecimento.

O método de aprendizagem de Paulo Freire é político, pois o diálogo é o elemento chave para que o professor e aluno sejam sujeitos atuantes. Para ele, a educação deve levar o aluno à inquietação e com isso buscar novos conhecimentos e assim descobrir uma nova forma de “ler o mundo”.

Paulo Freire reconhece a escola como espaço de desenvolvimento da aprendizagem, um ambiente de relação mútua, de diálogo e de respeito entre todos os sujeitos que compartilham esse espaço, o qual deve contribuir para o desenvolvimento da curiosidade, do raciocínio lógico, da criatividade e do estímulo à descoberta.

Na perspectiva de Vygotsky (1997), o desenvolvimento cognitivo do aluno se dá por meio das relações sociais, ou seja, a sua forma de interação com os outros e com o meio. Nesse sentido, o professor é a figura essencial do saber por representar um elo ente o aluno e o conhecimento disponível no ambiente. O autor afirma que o desenvolvimento acontece de fora para dentro, pela internalização – a absorção do

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conhecimento é, portanto, proveniente do contexto. Em sua teoria ganha destaque as influências sociais, e não as biológicas.

Para o autor, a aprendizagem das crianças ocorre pelas suas interações infantis no ambiente, que determina amplamente o que a criança internaliza, sendo a cultura fator essencial na conexão daquele que aprende com o mundo.

Ainda de acordo com Vygotsky (1997), a criança necessita de atividades específicas que proporcionem o aprendizado, pois é através da aprendizagem que a criança desenvolve, com as experiências e interações que foram submetidas durante esse processo.

É na escola onde a criança irá vivenciar e associar suas ações a concepção de mundo em que ela está inserida; é na escola que a criança também descobre que todos são educadores e educandos, e essas relações de ensino aprendizagem se estabelecem de várias maneiras, uma delas é que as crianças têm muito a aprender entre si, tanto dentro de sala de aula com os professores e os colegas de classe, como também fora de sala de aula, com todos que fazem parte daquele ambiente.

Nesse sentido, o professor tem um papel relevante no processo de ensino aprendizagem, cabe a ele proporcionar ao aluno o desenvolvimento de habilidades e capacidades de observação, reflexão, comunicação, criação e decisão, faz parte da tarefa do docente não apenas ensinar os conteúdos, mas também refletir sobre aspectos sociais, políticos.

A aprendizagem é algo essencial na vida do sujeito, é um processo contínuo, cada um tem sua forma de desenvolver conhecimento. Na escola do campo, o direito à educação de qualidade, pública e gratuita não pode ser negligenciado, não pode ser diferente da escola urbana, está garantido na Lei. Aprender, nessa perspectiva, resulta em autonomia dos sujeitos do campo.

No entanto, a realidade das escolas do campo tem mostrado uma aprendizagem negligenciada pelo poder público. A formação de professores não é tratada de forma específica. Muitos profissionais parecem copiar “um modelo” de ensino das escolas urbanas para as escolas rurais, parecem negar a rica cultura que existe naquele nas diversas comunidades campesinas.

No entanto, a educação do campo precisa ser contextualizar, partir das necessidades e dos interesses de seus povos. Isso exige qualificação profissional permanente, uma formação que repense a prática pedagógica dos professores no

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trato dos conteúdos curriculares, das relações com a comunidade, valorizando a história, os saberes, as lutas e cultura dos povos campesinos.

Assim, caberá aos professores pautarem suas práticas pedagógicas na valorização humana, no empoderamento do sujeito, para que ele se sinta pertencente aquela localidade, tornando-o crítico, ativo e participativo. E a escola é esse espaço de aprendizagem permanente, pode garantir o acesso a determinados conteúdos, que a família normalmente não trata. Nesse sentido é essencial que o direito à aprendizagem seja garantido, esteja articulado com a realidade da criança e da comunidade, levando em consideração a diversidade encontrada no campo.

Com isso, não apenas a escola, mas também a família tem um papel importante ao tratar da aprendizagem. É um caminho que se deve andar juntos dando suporte à criança quando for necessário para que assim possa favorecer o sucesso na aprendizagem.

2.2 Educação Infantil na Educação do Campo

No Brasil, as primeiras instituições destinadas às crianças tinham um caráter assistencialista, não davam um suporte necessário para o desenvolvimento integral das crianças; ao fazer um paralelo entre as primeiras instituições de ensino até os dias atuais podemos afirmar que houve avanços significativos em relação a documentos, a profissionais e aos materiais que são oferecidos às crianças, mas, ainda temos muito a avançar.

Ao observar os documentos legais que asseguram à criança, de 0 a 5 anos, uma educação de qualidade, respeitando e valorizando sua individualidade, identificamos no Artigo 205 da Constituição Federal de 1988, a educação como “direito de todos e dever do Estado e da família”. Criando a obrigatoriedade de atendimento às crianças de zero a cinco anos de idade no Artigo 208, inciso IV.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) vem reafirmar a que garante a Constituição Federal, de 1988, instituindo a Lei 8.069, em julho de 1990, no seu artigo 53 pontua que “A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho”. O direito da criança à educação é garantido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei 9394/96, Artigo 29:

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A Educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade em seus aspectos físicos, psicológico, intelectual e social, completando a ação da família e da comunidade. (BRASIL, 1996, P.41)

A Lei de diretrizes e Bases da Educação Nacional assegura que a Educação Infantil sendo a primeira etapa da Educação Básica é responsável por possibilitar as primeiras construções no processo de ensino e aprendizagem da criança, é nessa etapa que a escola deve dá início ao trabalho de promover o desenvolvimento integral da criança, construindo, junto à família sua formação moral e intelectual.

Quando se trata da Educação do Campo, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil – DCNEI, explicitam que, nas propostas pedagógicas em contextos do campo, é necessário reconhecer os modos de vida do sujeito, o local onde ele está inserido, como fundamentais para a construção da identidade das crianças moradoras em território rurais, ter um vínculo com a realidade dessa população, sua cultura, tradições e identidades, com práticas sustentáveis; flexibilizar, se houver necessidade, o calendário escolar, as rotinas e as atividades em sala de aula, respeitando as diferenças quanto à atividade econômica dessas populações;

valorizar e evidenciar os saberes e o papel dos sujeitos na produção de conhecimentos sobre o mundo e sobre o ambiente natural.

A Educação do Campo começa a ganhar destaque em meados do século XX com a luta dos movimentos sociais, dos trabalhadores do campo por uma identidade própria e pela luta de igualdade de direitos, para que as escolas públicas fossem pensadas no campo, para que essa educação fosse adequada à realidade do povo que ali habita. Com isso, as políticas públicas deveriam pensar em uma educação dos sujeitos do campo. Não basta ter escolas no local onde essa população vive, mas sim, programas e Projetos Políticos Pedagógicos que tratem da cultura, da luta, dos sonhos, e a própria realidade dos povos dos campos.

Na educação das crianças do campo é necessário, portanto, aproveitar a riqueza do ambiente natural, o qual, por sua vez, quando incorporado às práticas educativas, proporcionam aprendizagens significativas, por ser um ambiente que faz parte da identidade e da realidade daquelas crianças (SILVA, PASUCH e SILVA, 2012).

Ao falarmos em Educação no Campo, precisamos compreender que há duas concepções: a de Educação e a Educação do Campo. De acordo com Caldart (2002) a Educação do Campo engloba a Educação Básica e vai além desta. Está relacionada

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com todos os sujeitos do campo, ou seja, não é somente por uma questão geográfica (residir no campo brasileiro, área não urbana), mas por questões sociais, por suas identidades.

Entende-se como Educação do Campo uma proposta de educação voltada aos povos que vivem no campo, povos esses que valorizam o lugar onde estão inseridos.

A educação infantil e o Ensino Fundamental do e no campo deve proporcionar uma educação onde a criança identifique-se enquanto sujeito daquele espaço, livre nos seus momentos de criar e recriar os diferentes significados que dão às coisas e ao mundo.

A Pedagogia – ciência da educação – deve se voltar para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que valorizem os sujeitos do campo, suas crianças, sendo a formação de professores, voltada para as especificidades campesinas, uma preocupação permanente do poder público.

2.3 O lúdico na educação

A palavra lúdico se origina do latim ludus que significa brincar. O lúdico é brincadeira, é o jogo, é a diversão. O lúdico é uma forma de desenvolver a criatividade, o aprendizado de uma forma prazerosa, divertindo e interagindo um com o outro.

O objeto de pesquisa tratado nesse TCC reflete, também, sobre o sentido da ludicidade, quando analisa as contribuições dos jogos educativos em sala de aula, como ferramenta utilizada para que o ensino se torne mais atrativo e divertido.

Sabemos que o brincar está em nosso cotidiano, fez-se presente em todas as outras épocas da humanidade. Sempre foi algo natural, vivido por todos e também utilizado como instrumento de caráter educativo para o desenvolvimento do indivíduo.

Na história antiga, há relatos de que o ato de brincar era desenvolvido por toda a família, possibilitando assim que pudessem influenciar positivamente a educação de suas crianças. Ensinar brincadeiras e jogos de antigamente também aproxima adultos e crianças. Dessa maneira, essa interação deixa o vínculo familiar mais forte, além de tirar um pouco os pequenos do mundo tecnológico de videogame, filmes, desenhos e jogos virtuais.

Teóricos apontam a importância da utilização dos jogos para que o aprendizado das crianças pudesse ser desenvolvido. Além de seres divertidos, os jogos auxiliam no aprendizado. As crianças aprendem regras, estratégias, controle de tempo, e esses benefícios podem ser utilizados na escola e fora dela.

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Os jogos podem ser trabalhados individualmente e de forma colaborativa, é importante trabalhar os jogos colaborativos pois as crianças aprendem a trabalhar em equipe, e trabalhar em equipe é necessário e deve ser adquirido desde a infância, e os jogos podem desenvolver essa habilidade.

De acordo com Vygotsky (1998), o ser humano se desenvolve a partir do aprendizado, que envolve a interferência direta ou indireta de outros seres humanos, e a mediação faz a diferença, interferindo na relação de aprendizagem da criança.

Os jogos e suas regras proporcionam desafios e estímulos para a busca de conquistas mais avançadas. Ao utilizar o lúdico o professor está mediando o aprendizado dos alunos. A utilização do lúdico na educação, além do objetivo de desenvolver o aprendizado de uma forma mais atrativa para o aluno, traz o resgate histórico e cultural das comunidades escolares, seja no campo ou na cidade. É um momento para o reconhecimento do seu histórico familiar e sua cultura regional.

Existem evidências que revelam que o lúdico é utilizado desde a antiguidade por alguns povos como egípcios e fenícios. Podemos conhecer alguns jogos egípcios através das escritas e criptogramas deixados por eles, e esses jogos relatavam aspectos culturais de alguns povos. Embora exista alguns relatos sobre os jogos lúdicos já serem utilizados na antiguidade, esses registros são bem escassos, o que torna ainda mais difícil saber de onde surgiram os jogos e por quem foram inventados.

Na Grécia antiga, eram passados os ensinamentos às crianças através dos jogos. Os índios ensinavam seus costumes através da ludicidade. Na Idade Média, aqui, no Brasil, os jesuítas ensinavam utilizando brincadeiras como instrumentos para aprendizagem. A metodologia lúdica sempre foi valorizada, desde os primórdios, se faz necessário esse instrumento metodológico o que torna o aprendizado de maneira espontânea.

Kishimoto em suas obras argumenta que “a criança é um ser em pleno processo de apropriação da cultura, precisando participar dos jogos de uma forma espontânea e criativa. (KISHIMOTO, 2000p. 46).

Deve-se pensar no jogo como instrumento metodológico para o ensino. Este deve contribuir para que as crianças tenham um aprendizado qualitativo e significativo.

A criança é um ser sociável que se relaciona com o mundo que a envolve. Ela brinca espontaneamente e independente de seu ambiente e contexto. Por isso, quanto maior o número de brincadeiras infantis inseridas nas atividades pedagógicas, maior será o

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desenvolvimento da criança. Mas, deve-se respeitar cada uma das fases do seu desenvolvimento para que os objetivos sejam atingidos.

A utilização do lúdico nas escolas faz com que exista uma valorização das relações sociais, trazendo a realidade do aluno alguns valores já esquecidos, novos conhecimentos, novas formas de desenvolver a criatividade e a valorização da cultura.

Não existe um jogo pronto que seja capaz de garantir o sucesso em qualquer sala de aula; ele precisa ser adaptado as necessidades e realidades dos alunos, como idade e nível de conhecimento.

Almeida (2003, p.23) diz que “o grande educador faz do jogo uma arte, um admirável instrumento para promover a educação para as crianças”. Antes de ir à escola às crianças utilizam os brinquedos e jogos muitas vezes sem sentido algum, ao chegar na escola, através do professor elas aprendem que os jogos possuem significados e aprendem que são fontes de conhecimentos. O professor se encarrega de mostrar para as crianças que o brincar também é uma maneira de aprender.

2.4 A importância dos jogos educativos no ensino fundamental I

Os jogos educativos possibilitam o estudo da relação da criança com o mundo, eles também contribuem para o desenvolvimento infantil, tendo total influência nos campos cognitivos, psicomotores e emocionais. Os jogos tem a possibilidade de desenvolver atenção, memória, coordenação motora, e é através dos jogos e brincadeiras que as crianças liberam suas energias e transformam sua realidade. O brincar permite um jogo de imaginação onde a criança desenvolve atenção e concentração, além de expressar o que sente, desenvolvendo aspecto socioemocional. Proporciona o aprender fazendo.

Vygotsky (1998, p.1, apud ROCHA E HOFFMAN E RODRIGUES, 2014) diz que “o lúdico influencia enormemente o desenvolvimento da criança. É através do jogo que a criança aprende a agir, sua curiosidade é estimulada, adquire iniciativa e autoconfiança, proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração”.

A partir daí, é possível observar que o lúdico é uma metodologia indispensável no processo escolar das crianças, uma prática apresentada por meios de atividades que desenvolvem o pensar, o agir, e que facilita a aprendizagem por meio do

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desenvolvimento intelectual, físico e mental. São atividades essenciais a serem desenvolvidas nos anos iniciais e finais, trazendo benefícios ao seu aprendizado.

É no brincar que a criança desenvolve sua autonomia, quando a criança brinca ela transforma o mundo com sua imaginação, mas se ela não tem acesso ao lúdico em sala de aula, não haverá criatividade de pintar, desenhar, criar novas histórias. Por isso a importância de inserir o lúdico no espaço escolar.

O jogo, para ser aplicado em sala de aula, ele deve promover situações interessantes e desafiadoras quanto a solução de problemas, a fim de que o aluno possa construir seu próprio conhecimento e compartilhar com os colegas, para que possa ter uma participação ativa de todos.

Vygotsky (1991) enfatiza que a brincadeira apresenta três aspectos que são relevantes para a vida criança, que são: a imitação, a regra e a imaginação, e essas três regras estão sempre presentes em qualquer brincadeira, até mesmo nas que as crianças possam inventar.

O jogo permite que a criança construa seu próprio mundo, trazendo sua própria realidade de várias maneiras para o mundo imaginário, e assim contribuindo para o seu desenvolvimento. Ele também possibilita a ampliação do conhecimento do indivíduo, uma vez que estimula áreas ligadas a aprendizagem.

Muitos autores defendem a importância dos jogos e brincadeiras como atividades lúdicas para a criança, e nos mostram essas atividades como ferramenta que permite o desenvolvimento da aprendizagem, cognitivo e social. Para Piaget, por exemplo, quando a criança brinca, ela assimila o mundo à sua maneira, sem que este mundo necessariamente tenha correspondência com realidade, pois sua interação com o objeto não depende da natureza deste objeto, mas sim da função que a criança lhe atribui. (PIAGET, 1978).

Com essa reflexão, observamos que quando a criança brinca, vivencia situações que possibilitam o amadurecimento do cognitivo e nessa relação dos brinquedos e a imaginação favorecem na construção de novos conhecimentos, pensamentos, raciocínio lógico e habilidade.

Cabe ressaltar que nem todas as atividades lúdicas tem caráter pedagógico.

Portanto, o professor é a ponte para a mediação da descoberta e do saber. Ao optar por uma atividade prática com jogos educativos, o professor precisa ter seus objetivos bem definidos. Nesse sentido, os jogos educativos são ferramentas que podem ser utilizadas para motivar o aluno, deixando o processo de ensino e aprendizagem mais

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atrativos, preenchendo as lacunas deixadas no processo de transmissão e recepção do conhecimento, facilitando assim a compreensão dos conteúdos abordados, e também colaborando para o estreitamento da relação professor – aluno, de forma a proporcionar uma aprendizagem mais afetiva.

A aprendizagem tem que acontecer de forma prazerosa, para que a criança conheça o mundo em sua volta e saiba qual é o seu papel para construir uma sociedade melhor. Com isso, essa aprendizagem pode acontecer de diversas maneiras, entre elas na sala de aula, com o ensino tradicional com a voz do professor e o giz, ou com auxílio de jogos educativos como estratégia de ensino.

Pode-se aprender de forma lúdica, contando que o aluno não seja apenas um espectador, mas sim um participante fundamental para a construção do seu próprio conhecimento. O ser humano é movido pela motivação e, sentindo-se importante, irá ter um desenvolvimento cognitivo mais dinâmico.

A BNCC prevê dentro de seu texto a presença de jogos como meio auxiliar de ensino, ela orienta em usar os jogos educativos como um meio de ensinar matérias e habilidades e em estudar os jogos como conteúdos próprios e como são postos na sociedade.

Além disso, as brincadeiras educativas trazem um contraponto ao ensino normal, e o aprendizado lúdico e criativo, onde as crianças aprendem brincando e adquirindo muitas habilidades.

O ensino fundamental é o maior período de tempo do aluno dentro da educação básica. Ele atende os alunos dos seis (06) aos quatorze (14) anos e abrange a transição da fase de criança para adolescente. Com isso, existem muitos jogos educativos que devem ser trabalhados nessa fase, de acordo com o ano, o grau de desenvolvimento dos alunos e os conteúdos.

O Ensino Fundamental é amparado pela Lei Federal 9394/96 - Lei de Diretrizes e Base da Educação – LDB, que assegura “a formação comum e indispensável para o exercício da cidadania fornecendo-lhes meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores”. Garante o ensino de oito (08) anos de educação. Porém em 06 de fevereiro de 2006, conforme a Lei n° 11.274, onde foi consolidada por muitas escolas em 2010, sendo obrigatório a entrada das crianças de seis (06) anos de idade em todas as redes educacionais do país. Com isso, o Ensino fundamental passa a ter nove (09) anos de duração, para o desenvolvimento das aprendizagens dos alunos principalmente no quesito ler e escrever.

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O Ensino Fundamental é dividido em duas partes, anos iniciais e anos finais.

Os primeiros entendidos como do 1° ao 5º ano e o segundo, do 5° ao 9º ano. Enquanto as séries finais abrangem do 6° ao 9° ano do ensino fundamental.

Nos anos iniciais, os jogos educativos seguem uma linha mais lúdica e interdisciplinar, auxilia no processo de alfabetização assim como na assimilação e memorização de conceitos.

Nos anos finais do Ensino Fundamental, os jogos educativos têm maior complexidade. Com isso, os alunos desenvolvem habilidades mais específicas, com objetivos dentro das áreas de conhecimento.

Segundo Moylés (2006), no processo contínuo de reconhecimento, inserção, interação e a ação da criança no mundo por meio de brincar, três fatores são determinantes: a qualidade de provisão de recursos para o brincar, o valor atribuído aos processos do brincar e o envolvimento dos adultos. Com isso, as práticas lúdicas estabelecem um recurso capaz de conquistar as crianças e mediar o processo de ensino.

Os jogos educativos nos anos iniciais do ensino fundamental estimulam o conhecimento já existente dos alunos, além da facilidade que o aluno terá para desenvolver certo conhecimento.

Assim, os jogos educativos são essenciais na Educação Infantil ou no Ensino Fundamental, no sentido de criar e fortalecer laços de amizades, afeto, companheirismo, trabalho em equipe, solidariedade, tolerância e respeito, pois viver o lúdico dentro da escola, é uma forma de descoberta para o mundo.

Os jogos educativos irão proporcionar uma facilitação para o entendimento do conteúdo, parte do professor a utilização dessa metodologia no momento adequado na busca dos seus objetivos.

Entendemos que o lúdico é uma estratégia insubstituível para ser usada como estímulo na construção de conhecimento humano e na progressão das diferentes habilidades e também é uma importante ferramenta de progresso pessoal.

A ludicidade tem papel fundamental na vida de uma criança, ela proporciona momentos de prazer, entrega e dedicação, é onde a criança descobre o mundo ao seu redor.

Almeida (2003) afirma que o professor que desperta na criança a paixão por aprender, está proporcionando a ela a sua própria busca pelo conhecimento. Ninguém

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precisará dizer-lhe o que fazer, ela com seu encanto e prazer se encarregará de buscar os infinitos conhecimentos.

3 ASPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA 3.1 Abordagem de pesquisa: instrumentos e técnicas

Este trabalho de pesquisa tem como objetivo geral analisar a contribuição dos jogos educativos para o processo de aprendizagem de crianças nas escolas do campo. Buscando refletir sobre as contribuições dos jogos educativos na sala de aula;

analisar a perspectiva do ensino no processo de aprendizagem das crianças, considerando a utilização dos jogos educativos; despertar o prazer em aprender e estimular o desenvolvimento da aprendizagem através dos jogos educativos.

Uma pesquisa descritiva, bibliográfica e experimental. Com método de abordagem qualitativo para construção de dados, aplicamos o questionário como instrumento de pesquisa e entrevista, a partir de um roteiro, com perguntas abertas, como técnica de pesquisa, realizada virtualmente.

Uma pesquisa com abordagem qualitativa permite ao pesquisador realizar interpretações e compreender as ações sociais do objeto de estudo em sua totalidade.

Segundo Denzi e Lincoln (2006), o método de abordagem qualitativo envolve uma abordagem interpretativa do mundo, o que significa que seus pesquisadores estudam as coisas em seus cenários naturais, tentando entender os fenômenos em termos dos significados que as pessoas a eles conferem.

Nesse sentido, esse tipo de pesquisa preza pela descrição detalhada dos fenômenos e dos elementos que o envolve. A abordagem qualitativa tem por objetivo a obtenção de dados com as pesquisas realizadas, possibilitando que o pesquisador compreenda e interprete o material aplicado em sua pesquisa.

3.2 Instrumento de coleta de dados

Para esta pesquisa foi utilizado um questionário contendo perguntas abertas com a finalidade de construir dados sobre o objeto de estudo. O questionário foi respondido por uma professora do ensino fundamental I que atua na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental José Albino Pimentel, é uma escola da rede municipal da cidade de Conde - Paraíba, situada na zona rural, no sítio Gurugi.

Os estudantes da escola são pessoas da comunidade Gurugi/Ipiranga, são

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estudantes de famílias de assentados, agricultores, indígenas e quilombolas. O nome da escola é uma homenagem ao proprietário das terras de Gurugi, um latifundiário próspero na localidade que possuía a maioria das terras na época, a escolha foi feita pelo poder público municipal. A escola foi fundada em 1979.

A EMEF José Albino Pimentel organiza seu tempo escolar de forma seriada, vinculadas aos segmentos Educação Infantil e Ensino Fundamental, anos iniciais (1°

ao 5 ano) distribuídos nos turnos da manhã e tarde: Educação Infantil, Ensino Fundamental, Sala AEE – Atendimento Educacional Especializado. A escola tem seu horário de funcionamento nos turnos manhã: 7h às 11hs e tarde: 13hs às 17hs, tempo em que contempla todas as atividades e práticas pedagógicas desenvolvidas na escola.

Foram feitas perguntas que contemplam o trabalho da professora com a utilização dos jogos educativos em sala de aula. O questionário, segundo Gil (1999, p. 128) pode ser definido “como a técnica de investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas e etc.”.

Foi feito um roteiro para o questionário com nove perguntas abertas onde a professora respondeu e me enviou de forma remota. A escola fica na cidade de Conde-PB, região Metropolitana de João Pessoa, 67km da cidade onde moro, Pilar- PB, interior do estado, devido à distância utilizamos a tecnologia a nosso favor, o questionário foi enviado via Whastapp e algumas dúvidas foram tiradas através de ligações e chamadas de vídeo.

As questões foram baseadas na experiência vivenciada pela professora em sala de aula, que servirá como técnica para coletar as informações da realidade que será fundamental na construção final deste trabalho.

3.3 Análise e interpretação de dados

Os dados apresentados abaixo são perguntas e repostas relacionadas à pesquisa, serão apresentadas de forma descritiva com a finalidade de estabelecer um melhor entendimento sobre os mesmos. Esse questionário foi respondido por uma professora do ensino fundamental I, que não terá seu nome divulgado, será identificada como Professora.

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A primeira pergunta foi: Como são utilizados os jogos educativos em sala de aula?

São utilizados como estratégias para atingir objetivos durante o processo de aprendizagem da criança. Em grupo e individual (Professora).

Além de tornar as tarefas mais divertidas, os jogos educativos possibilitam ao educador a chance de aplicar muitos saberes de forma compartilhada ou individual.

Segundo Kishimoto (1999), o jogo educativo utilizado em sala de aula na maioria das vezes vai além das brincadeiras e se torna uma ferramenta para o aprendizado”. Além disso, durante as brincadeiras educativas são formados laços afetivos entre alunos e professores, e esse fato favorece ainda mais uma aprendizagem mais eficaz em um ambiente saudável e amigável para a criança.

A segunda foi: Qual a importância dos jogos educativos na aprendizagem?

“Os jogos ajudam a estimular as habilidades dos estudantes, como concentração, assimilação dos conteúdos e criatividade”. (Professora).

O jogo estabelece um incentivo ao desenvolvimento da criança gerando novas habilidades, pois é necessário trabalhar com elas situações imaginárias e hipotéticas, adotando assim, determinadas regras para a desenvoltura desse processo.

De acordo com Silveira e Barone (1998), os jogos educativos constituem um poderoso recurso de estimulação do desenvolvimento integral da criança, pois desenvolve a atenção, a disciplina, o autocontrole, o respeito as regras. Eles devem possuir as seguintes características: estimular a imaginação, auxiliar no processo de integração grupal, liberar a emoção, facilitar a construção do conhecimento, auxiliar na construção da autoestima, promover a criatividade, desenvolver a autonomia, e favorecer a expressão da personalidade.

Vimos que o autor deixa bastante claro a importância de se trabalhar jogos na infância, tendo em vista que a interação entre as crianças facilita para a aquisição do conhecimento, uma vez que o ambiente escolar é importante para que a criança passe a desenvolver suas habilidades através dos esforços físicos e mentais.

A terceira pergunta foi: Quais os conteúdos você trabalha os jogos educativos?

A maioria dos conteúdos. (Professora).

Uma das formas mais afetivas de tornar as aulas mais atraentes para os alunos é o uso de meios lúdicos. Os jogos educativos têm como principal aspecto a sua multidisciplinaridade. Eles têm um objetivo principal de acordo com o ensinamento

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para qual foi criado. Inclusive essa multidisciplinaridade é muito importante nas primeiras fases da vida da criança, com isso, a educação infantil é pautada a partir de jogos educativos que ajudam na evolução da criança em sua fase inicial.

A quarta pergunta foi: Em sua opinião, os alunos compreendem melhor os conteúdos quando trabalhados de forma lúdica?

Com certeza, além de facilitar a assimilação dos conteúdos, as crianças se divertem vivenciando e aprendem na prática.” (Professora)

O jogo é uma ferramenta indispensável para trabalhar no desenvolvimento da criança, pois ele desperta o interesse para o conhecimento de uma maneira divertida, fazendo com que facilite essa aprendizagem.

Segundo Velasco (1996, p.78):

Brincando a criança desenvolve suas capacidades físicas, verbais ou intelectuais. Quando a criança não brinca, ela deixa de estimular, e até mesmo de desenvolver as capacidades inatas podendo vir a ser um adulto inseguro.

Sendo assim é necessário trabalhar o lúdico em sala de aula, pois essa relação contribui com o processo de ensino-aprendizagem da criança, uma vez que o jogo desperta o interesse e abre a mente para o mundo, ofertando mais qualidade na produção do conhecimento da criança.

A quinta pergunta foi: O que torna a aula mais atraente?

“O desenvolvimento da aula precisa ser estimulador, desafiador, animado, conteúdos com significados, com as crianças interagindo o tempo todo expressando suas ideias e hipóteses sobre o conteúdo abordado, como também fazendo inferências em relação ao que vai ser transmitido a elas”

(Professora).

Uma aula interessante deve abordar assuntos que estão presentes no dia a dia da criança. Uma aula de maneira lúdica, prazerosa e participativa a criança irá relacionar-se com o conteúdo escolar, levando a ela uma maior apropriação dos conhecimentos envolvidos.

E quando o assunto da aula tem o interesse do aluno ela flui de forma divertida e animada. A sexta pergunta foi: qual era a reação dos alunos ao perceberem que na aula será trabalhado um jogo educativo?

“Ficam eufóricos e animados para desenvolver a parte lúdica e mostrar os resultados adquiridos com ela”. (Professora).

A realização de atividades lúdicas por meio de brincadeiras favorece a autoestima das crianças. Ao levar uma atividade lúdica para a sala de aula o professor

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pode observar e construir sua visão a respeito dos processos de desenvolvimento das crianças, de forma coletiva ou individual. A sala de aula é um lugar para adquirir e compartilhar conhecimento, mas também é um lugar de brincadeiras, portanto, cabe ao professor conciliar os objetivos pedagógicos com os desejos das crianças.

Possibilitando assim, um ambiente que proporciona prazer, diversão durante a construção do conhecimento.

A sétima pergunta foi: Que tipo de material a escola disponibiliza para trabalhar o lúdico? E quais são os jogos utilizados em suas aulas?

“A escola não dispõe no momento de nenhum jogo educativo. Os jogos são confeccionados e comprados por mim. Jogos relacionando numeral a quantidades, quebra cabeças, vários tipos de dominós, jogos da memória, pega varetas, jogos de letra inicial, quebra cabeça de palavras, etc.”

(Professora)

Infelizmente ainda existe escolas que falta esse tipo de material didático, materiais esses que contribuem para o aprendizado das crianças e a professora sabendo dessa importância e a necessidade desses materiais didáticos, tira dinheiro do seu próprio salário para comprar e confeccionar materiais que deveriam ser ofertados na escola.

Para cumprir o papel de ensinar, muitos professores se deparam com situações difíceis de se contornar, a falta de materiais didáticos nas escolas é uma realidade que infelizmente enfrentamos.

A professora contorna essa situação confeccionando materiais para deixar sua aula mais atrativa, pois ela reconhece que o jogo, o brinquedo, a brincadeira, tudo isso pode ser útil para estimular o desenvolvimento do aluno.

Para Santos (1997), a ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. Ao levar uma atividade lúdica para a sala de aula o professor deve ter os objetivos bem definidos, propor regras, fazendo com que o aluno tome decisões e troquem ideias para chegar em um acordo sobre essas regras, motivando sempre o desenvolvimento da iniciativa, confiança e agilidade, contribuindo sempre para o desenvolvimento da autonomia.

A oitava pergunta foi: ela participava ativamente das brincadeiras junto com as crianças?

“Com certeza, é muito bom para as crianças ver a professora participando com elas. O vínculo afetivo se fortalece muito mais. Me divirto muito.”

(Professora)

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Trabalhar a afetividade é permitir uma troca entre o professor e o aluno, os momentos de afetividade vividos nas escolas são fundamentais para a formação de personalidades sadias e capazes de aprender. É fundamental que os professores olhem para os alunos de uma forma mais humana e próxima, criando vínculos de amizade, fazendo com que esse vínculo facilite e torne mais atraente o desejo de aprender.

A nona pergunta foi: Considerando que os jogos educativos estão presentes em sua sala de aula. Quais as contribuições desses jogos na aprendizagem?

“Estimula o aluno a frequência diária na escola interferindo diretamente na construção da aprendizagem como também auxilia aqueles alunos mais tímidos a participar interagindo no desenvolvimento da aula.” (Professora).

A professora ressalta que o jogo faz com que desperte o interesse da criança frequentar a escola diariamente, contribui para a participação dos alunos que são mais tímidos nas aulas, e esses são alguns dos objetivos do jogo segundo (SILVEIRA, 1998, p.2):

Os jogos podem ser empregados em uma variedade de propósitos dentro do contexto de aprendizado. Um dos usos básicos e muito importantes é a possibilidade de construir-se a autoconfiança. Outro é o incremento da motivação. Um método eficaz que possibilita uma prática significativa daquilo que está sendo aprendido.

O jogo educativo é um grande facilitador no processo de desenvolvimento de ensino aprendizagem da criança, por isso existe uma necessidade de ser trabalhado em sala de aula. Para que essas atividades com jogos educativos em sala de aula tenham significado é necessário a mediação do professor que precisa ser planejada para que ele possa entrar no mundo imaginário da criança. O ensino através das atividades lúdicas é significativo, pois a criança aprende brincando, sem cobranças e através de regras, que proporcionam o conhecimento.

A visão da professora em relação a importância dos jogos educativos em sala de aula é positiva, fica evidente diante das respostas que os jogos estão presentes em suas aulas, e que são desenvolvidos diversos tipos de atividades lúdicas através dos jogos e brincadeiras na rotina diária dos alunos.

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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho de conclusão de curso buscou apresentar reflexões relevantes referentes a contribuição dos jogos educativos para o processo de ensino de crianças das escolas do campo.

Diante dos fundamentos teóricos apresentados e a entrevista com a professora, foi possível perceber o quanto é importante inserir os jogos educativos e o brincar no processo de aprendizagem na educação infantil.

A entrevista com a professora foi bastante positiva, ela nos afirma na segunda pergunta que os jogos educativos ajudam a estimular as habilidades dos estudantes como concentração, assimilação dos conteúdos e criatividade.

Partimos do pressuposto de que o jogo é uma ferramenta indispensável para trabalhar o desenvolvimento da criança, despertando o interesse para o conhecimento de uma maneira divertida, facilitando o ensino. Um fator preocupante foi quando a mesma na questão sete afirma que no momento a escola não dispõe de nenhum jogo educativo, mas diante desse desafio ela mesma compra os materiais e confecciona os jogos para alcançar os objetivos de ensino e aprendizagem dos alunos.

Os objetivos do trabalho foram alcançados, pois através da pesquisa realizada, juntamente com a entrevista da professora, foi possível verificar a importância dos jogos educativos em sala de aula, refletindo suas contribuições, analisando a contribuição no ensino e aprendizagem e a forma que os jogos despertam o prazer em aprender.

Portanto, ao concluir este trabalho, percebemos que os jogos educativos precisam ser trabalhados de forma mais ampla para atender as necessidades de cada criança, sendo este um instrumento indispensável no cotidiano escolar, visto como recurso pedagógico capaz de oferecer um ensino prazeroso e eficaz para qualquer criança em qualquer lugar, tanto nas escolas urbanas, quanto nas escolas do campo.

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REFERÊNCIAS

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BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069, de 13 de junho de 1990.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9394/96. Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1996.

CALDART, Roseli Salete. (Orgs.). Educação do campo: identidade e políticas públicas. Brasília, Distrito Federal: Articulação Nacional Por uma Educação do Campo, 2002

DENZIN, N. K. e LINCOLN, Y. S. Introdução: a disciplina e a prática da pesquisa qualitativa. In: DENZIN, N. K. e LINCOLN, Y. S. (Orgs.). O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e abordagens. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. p.

15-41.

FREIRE, PAULO. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5 ed. São Paulo: Atlas, 1999.

KISHIMOTO, T. M. Jogos, brinquedos, brincadeiras e educação. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2000.

MOYLÉS, J. R. (2006) Só brincar? O papel do brincar na educação infantil. Trad.

Maria Adriana Veronese. Porto Alegre: Artmed Editora, 2006.

PIAGET, Jean. A formação do símbolo para a criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

ROCHA, Douglas Diego Palmeira; HOFFMAN, Jéssica Fernanda de Andrade;

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RODRIGUES, Paula Margherita Maria de Oliveira. Faz de conta segundo Vygotsky.

Disponível em:<http://www.webartigos.com/artigos/o-faz-de-contassegundo- vygotsky/123299> acesso em: 21 outubro 2022.

SANTOS, Santa Marli Pires. O lúdico na formação do educador. Petrópolis, RJ:

Vozes,1997.

SILVA, Ana Paula Soares da; PASUCH, Jaqueline; SILVA, Juliana Bezzon da.

Educação Infantil do Campo. São Paulo: Cortez, 2012.

SILVEIRA, Sidnei. R.; BARONE, Dante A. C. Jogos educativos computadorizados utilizando a abordagem de algoritmos genéticos. Curso de pós graduação em Ciências da Computação, 1998.

VELASCO, Calcida Gonsalves. Brincar: o despertar psicomotor. Rio de Janeiro:

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VYGOTSKY, L.A. Aprendizagem, desenvolvimento e linguagem. 2 ed. São Paulo:

Icon, 1998.

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Tradução de Marta Kohl de Oliveira. Local: São Paulo. Ed. Scipione, 1997.

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APÊNDICE:

Referências

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