Editorial
Fernanda Maria Guedes de Campos
Fiat Lux
Maria Adelaide Miranda
Comentário aos Livros de Reis, de Rábano Mauro: um manual ajustado ao soberano cristão
Maria Coutinho
O iluminado 51 da Biblioteca Nacional de Portugal: uma Bíblia portátil do século XIII Luís Correia de Sousa
Os Beatos
Alicia Miguélez Cavero
Os livros das Sentenças de Pedro Lombardo na Biblioteca de Alcobaça Catarina Barreira
As Ilustrações do Cânon: a propósito dum Breviário e Missal de Santa Cruz Horácio Augusto Peixeiro
As técnicas e os estilos na iluminura da Crónica Geral de Espanha de 1344 e a representação da Igreja de Santo Isidoro de Leão
Catarina Martins Tibúrcio
Iluminar no feminino: o scriptorium do Mosteiro de Jesus de Aveiro no final do século XV
Paula Freire Cardoso
“Entre os Judeus Portuguezes e Espanhoes corriaõ algumas Traducções”: a Bíblia da Ajuda, um manuscrito em romance de iniciativa judaica Tiago Moita
A Escola de Lisboa de iluminura hebraica Luís Urbano Afonso
O cofre nº 24: um livro de horas do Palácio Nacional de Mafra, caso de estudo e de intervenção
Ana Lemos, Rita Araújo e Conceição Casanova
A iconografia das margens no Livro de Horas dito de D. Leonor Delmira Espada Custódio
Um exemplo da circulação dos manuscritos jurídicos iluminados na Europa medieval: três manuscritos jurídicos iluminados preservados em Portugal
Maria Alessandra Bilotta
Tempus (non) Fugit: o calendário medieval nos manuscritos iluminados em Portugal Joana Antunes
Bibliografia 5
6
8
16
26
32
40
48
56
64
74
82
94
106
114
124
INVENIRE
Revista de Bens Culturais da Igreja
INVENIRE é uma edição do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, organismo da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.
Directora Sandra Costa Saldanha Coordenação deste número Fernanda Maria Guedes de Campos
Comissão Científica Catarina Barreira; Fernanda Maria Guedes de Campos; Isabel Cepêda; Maria Adelaide Miranda
Colaboram neste número Alícia Miguélez Cavero; Ana Lemos; Catarina Barreira; Catarina Martins Tibúrcio; Conceição Casanova; Delmira Espada Custódio; Horácio Augusto Peixeiro; Joana Antunes; Luís Correia de Sousa; Luís Urbano Afonso; Maria Adelaide Miranda; Maria Alessandra Bilotta; Maria Coutinho; Paula Freire Cardoso; Rita Araújo; Tiago Moita
Fotografia Academia das Ciências de Lisboa; Ana Lemos; Archivo del Monasterio de Santo Domingo de Silos; Arquivo Nacional da Torre do Tombo; Balliol College; Biblio-teca da Ajuda; BiblioBiblio-teca Geral da Universi-dade de Coimbra; Biblioteca Nacional de Portugal; Biblioteca Pública de Évora; Biblioteca Pública Municipal do Porto; Bibliothèque de Genève; British Library; Bodleian Library; Catarina Barreira; Cristina Montagner; Hispanic Society of America; José Pessoa - DGPC/ADF; Luís Correia de Sousa; Luísa Oliveira - DGPC/ADF; Museu Calouste Gulbenkian; Paula Cardoso; Pierpont Morgan Library; Projecto IMAGO; Ricardo Naito; Rita Araújo
Assinaturas e publicidade Rui Almeida Design e composição SNBCI Impressão e acabamento Sersilito Distribuição Vasp
ISSN 1647-8487
Depósito legal 316372/10
Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja
Quinta do Cabeço, Porta D 1885-076 Moscavide
t. 218 855 481; f. 218 855 461 e. [email protected]
www.revistainvenire.pt
Conteúdos redigidos segundo a antiga ortografia, excepto nos casos em que os autores optaram pelo uso do novo acordo.
Abreviaturas
ACL Academia das Ciências de Lisboa
AMSDS Archivo del Monasterio de Santo Domingo de Silos ANTT Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa
ARTIS-IHA/FLUL Instituto de História da Arte/Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
BA Biblioteca da Ajuda, Lisboa
BC Biblioteca Casanatense, Roma
BlC Balliol College, Oxford
BdL Bodleian Library, Oxford
BG Bibliothèque de Genève
BGUC Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
BL British Library, Londres
BNP Biblioteca Nacional de Portugal, Lisboa
BPE Biblioteca Pública de Évora
BPMP Biblioteca Pública Municipal do Porto
CEAACP-UC Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património-UC CESEM-FCSH/UNL Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical-FCSH/UNL
DGPC/ADF Direcção Geral do Património Cultural/Arquivo de Documentação Fotográfica FCSH/UNL Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa FCT/UNL Faculdade de Ciências e Tecnologia/Universidade Nova de Lisboa FLUC Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
HSA Hispanic Society of America, Nova Iorque IEM-FCSH/UNL Instituto de Estudos Medievais-FCSH/UNL IICT Instituto de Investigação Científica Tropical, Lisboa
MAV Museu de Aveiro
MCG Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa MNAA Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa PML Pierpont Morgan Library, Nova Iorque
PNM Palácio Nacional de Mafra
Um exemplo da circulação
dos manuscritos jurídicos
iluminados na Europa medieval
1
Três manuscritos jurídicos iluminados preservados em Portugal
Abstract
The inclusion of Portugal in the European cultural circles prevailing throughout the Middle Ages also becomes clear by the illuminated medieval juridical manuscripts held in Portuguese library collections. In fact, these manuscripts belongs to a set of precious material evidence as to the shared cultural identity (written, legal, intellectual, artistic) and as well as the dialogue between Portugal and the rest of Europe. These codices also reveal the propensity of then Portugal, and already in effect since the Middle Ages, towards cultural openness that placed it right in the midst of the social and cultural dynamics prevailing in the Europe of this period.
Resumo
A inserção de Portugal no espaço cultural europeu durante a Idade Média, manifesta-se também ao nível dos
manuscritos jurídicos medievais iluminados, preservados em bibliotecas portuguesas. Estes manuscritos são, de facto, parte de um conjunto de preciosos testemunhos materiais da identidade cultural comum (escrita, legal, intelectual, artística) e do diálogo de Portugal com o resto da Europa. Estes códices revelam também uma propensão de Portugal, desde a Idade Média, para uma abertura cultural que o coloca plenamente nas dinâmicas sociais e culturais que afectaram a Europa nesta época.
IN
V
EN
IR
E
106
por
Maria Alessandra Bilotta
IEM-FCSH/UNL
Ao lado: Coimbra, BGUC, Ms. 722, fl. 2r Domenicus de Sancto Geminiano, Lectrura super sexto libro Decretalium
A
inserção de Portugal no espaço cultural europeudurante a Idade Média manifesta-se, como tivemos já ocasião de demonstrar2, através dos manuscritos
jurídicos medievais iluminados, preservados em bibliotecas portuguesas. Estes manuscritos são, como veremos, parte de um conjunto de preciosos testemunhos materiais da identidade cultural comum (escrita, legal, intelectual, artís-tica) e do diálogo de Portugal com o resto da Europa. Estes códices revelam também a propensão de Portugal, desde a Idade Média, para uma abertura cultural que o coloca ple-namente nas dinâmicas sociais e culturais que afectaram a Europa nesta época3. Preciosos livros medievais,
contribu-em, assim, para preservar a memória do contacto e mere-cem, portanto, ser postos em relevo.
BIBLIOTECA NACIONALDE PORTUGAL, LISBOA MS. ILUMINADO 111, FUERO JUZGO
O primeiro manuscrito de que tratamos é o códice
Ilumina-do 111, preservado na Biblioteca Nacional de Portugal4.
Trata-se de uma cópia do século XIV com o texto do Fuero Jusgo,
uma tradução na língua castelhana do Liber Judiciorum (ou Lex
Visigothorum). O Codigo visigótico, ou Lex romana visigothorum,
foi uma compilação de leis visigodas, de carácter territorial, publicada provavelmente em 654 e preparada pelo rei visigodo Recesvinto (653-672). Trata-se de um verdadeiro monumento jurídico do período visigodo. O Codigo foi sancionado pelo VIII Concílio de Toledo (653), atestando também nesta altura a relevância da presença da Igreja na ratificação do direito. Esta compilação, com algumas mudanças, foi utilizada como fonte para a composição da legislação foralenga durante o reinado de Fernando III de Castela e Leon (1217-1252)
con-substanciada naoutorga de forais a algumas povoações no Sul da PenínsulaIbérica com o nome de Fuero Juzgo.
A Lex Visigothorum foi muito inspirada pela tradição
ro-mana, também do ponto de vista formal, pois o Codigo visigótico foi
dividido em doze livros, como o Código de Justiniano. O Fuero
Juzgo, com os respetivos costumes
municipais, constitui a base mais importante do direito durante mui-tos séculos. A lei visigótica revela-va uma identidade peninsular até ao século XII. Nesta época, de fac-to, esta lei foi substituída pelo
Co-dex de Justiniano no Direito civil e
pelo Decreto de Graciano no
Direi-to eclesiástico (MatDirei-toso, 1983: 115,
119). Em documentos portugueses,
o Código visigótico é
frequente-mente citado nas formas “lex
gotho-rum”, “lex gothica”, “liber judicum”,
“liber judicialis”, facto que
testemu-nha bem como o Código visigótico foi extremamente útil no exercício da justiça na Península Ibérica e, consequentemente, como foi uma das compilações jurídicas mais importantes da Idade Média (Cf. Ferreira de Almeida, 1991: 206). Quando o Liber Visigothorum foi
traduzido para o castelhano e reno-meado Fuero Juzgo, o rei Afonso X
el Sabio (1252-1284) usou esta colecção e o seu clausurado para promulgar o Fuero real (dito também Fuero de las leyes),
entre 1252 e 1255 (Nascimento, 2000a: 364).
O manuscrito Iluminado 111, preservado na Biblioteca
Nacional de Portugal, pertencia a Juan Afonso, Regedor de Logroño, Espanha (1587) (Nascimento, 2000a: 364-365)5. O
códice encontra-se escrito em duas colunas de texto, embora em letra que não pode ser considerada como carolina, como
indicado na notícia do manuscrito no site da Biblioteca Nacio-nal de Portugal (Nascimento, 2000a: 364). De facto, não se trata nem duma escrita gótica textualis, nem duma escrita caro-lina. No primeiro caso, porque não são cumpridas todas as regras paleográficas da escrita gótica6. Por outro lado, não se
pode falar igualmente de escrita carolina, uma vez que o
pro-cesso de divisão dos traços é tão avançado que a escrita é pau-sada, observando-se bem a sua execução em muitos elementos justapostos, para compor as letras individuais. A denominação mais correcta para esta tipologia de escrita continua a ser
“minúscula de transição”. A partir da análise da sua escrita, o
manuscrito pode ser datado do século XIII, não sendo de des-cartar uma semelhança gráfica com produtos similares ingle-ses do mesmo período7. Por outro lado, uma certa semelhança
já havia sido notada no passado entre a escrita inglesa
(normanda) e alguns códices portugueses, certamente relacio-nados com a produção de Cister, como por exemplo os Passiones
Seu Miraculade São Tomás de Canterbury (Lisboa, Biblioteca
Nacional de Portugal, Alc. 1438), copiado no mosteiro de
Lor-vão (Cf. Cherubini-Pratesi, 2010: 427, nota 17). A escrita do
Fuero Juzgo de Lisboa é muito similar à escrita normanda,
particularmente na maneira de alcançar a letra “s”, geralmente
com os encontros das curvas para a cima, com ogivas muito
acentuadas; a letra “g”, sob a forma quase de um 8, com o olho baixo que forma um ângulo para a esquerda; e a letra “a”, com
“barriga” muito alta, respeitante ao trato vertical9. Estas
ob-servações não são surpreendentes à luz das relações existentes entre Portugal e o Norte da Europa nos séculos XII a XIII, devidas, não só a razões comerciais, mas também religiosas, como as Cruza-das na Terra Santa (Cf. Farelo,
2001-2002: 110-112, notas 33-37).
O Fuero Juzgo de Lisboa foi
embelezado com muitas letras ini-ciais filigranadas em azul, verde e vermelho, e com outras historia-das, correspondentes ao incipit de alguns dos capítulos e, muito pro-vavelmente, por duas mãos dife-rentes. A paleta de tinta usada foi muito simples, limitada ao verme-lho e verde, definidos com pincela-das grandes e planas. O espaço delimitado pelo corpo zoomórfico de todas as letras iniciais ilumina-das foi ocupado de um modo repe-titivo por duas personagens, um rei e um bispo, também representados no interior de arcadas trilóbulas, nos quadros iluminados, feitos no início de qualquer capítulo. A sua presença nas letras e nas iluminu-ras iniciais é de grande importância e valor, pois constituem a personi-ficação do poder temporal e do
108
IN
V
EN
IR
E
109
FI
A
T L
UX
poder espiritual (Mattoso, 1983: 119). Este manuscrito perten-ce à fase inicial da iluminura de argumento jurídico, que se caracteriza por uma uniformidade quase absoluta nas escolhas iconográficas e composicionais, onde as figuras foram sempre colocadas rigidamente, de pé ou sentadas, e incorporadas em quadrados muito definidos. Essas personagens quase nunca têm uma ligação directa com o texto, mas evocam visual-mente um conceito mais geral do direito e do seu exercício, da ação judicial e do julgamento.
ARQUIVO NACIONALDA TORREDO TOMBO, LISBOA
ORDEMDE SÃO JERÓNIMO, MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE BELÉM, LIV. 81, DECRETALESCUMGLOSSIS
Uma fase mais desenvolvida da ilustração dos manuscritos jurídicos é representada pelo liv. 8110 (cota antiga: Casa Forte 146), do fundo do Mosteiro de Santa Maria de Belém,
conser-vado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Manuscrito de muito boa qualidade e bem cuidado na sua decoração, provinha do Mosteiro de Lorvão, de acordo com Isaías da Rosa Pereira
(Pereira, 1964-67: 30)11. No entanto, esta proveniência deverá
ainda ser esclarecida, o que nos propomos fazer numa próxima contribuição. Este códice, de grande formato (450x280 mm), contém o texto das Decretais compiladas por ordem do papa
Gregório IX (papa entre 1227-1241). Trata-se de um dos exemplares desta obra conservados em Portugal12. Como é
conhecido, o pontífice encarregou em 1230 o canonista domi-nicano Raimundo de Peñafort (1175-1275), seu capelão e con-fessor, de organizar todo o material canónico produzido desde o tempo de Graciano, as Quinque compilationes antiquae (Cahu,
2013: 18). As Decretais do Gregório IX fazem parte, portanto,
do Ius novum, iniciado por volta de 1140 com o aparecimento
do Decretumde Graciano (Cahu, 2013: 15). O papa Gregório
IX publicou as Decretais ou Liber Extra, o seu título técnico, em 1234, no dia 5 de Setembro, com a bula Rex pacificus.
Martin Bertram localizou até agora 675 manuscritos destas
Decretais (Cf. Bertram, 2010). Como estes dados indicam,
esta-mos assim perante uma obra muito difundida e utilizada na Idade Média, o que constituirá certamente um bom exemplo da produção de livros realizada em ambiente universitário medieval (Cahu, 2013: 21). Esta colecção (que o papa chamou
Compilatio), que se tornou uma parte do Corpus Iuris Canonicis,
estruturava-se em 5 livros: 1º Fontes de direito, bispos e juí-zes; 2º Matéria processual; 3º Do clero, sacramento e das coi-sas; 4º Matrimónio; 5º Delitos, penas e processo penal (iudex,
iudicium, clerus, sponsalia, crimen). A obra inclui 185 títulos (43
no Livro I, 30 no Livro II, 50 no Livro III, 21 no Livro IV, 41 no Livro V) e 1.871 capítulos (Cahu, 2013: 18). De acordo com a subdivisão estabelecida pelo jurisconsulto e canonista italia-no Bernardo de Parma (falecido em 1213), entre 1188 e 1192, as cinco secções das Decretais incluem: 1) De summa trinitate et
fide catholica; 2) De iudicis; 3) De vita et honestate clericorum; 4)
De sponsalibus et matrimoniis; 5) De accusationibus (Cf. L’Engle,
2012: 25).
No manuscrito da Torre do Tombo, o texto das Decretais foi organizado, como habitualmente, em duas colunas, sendo enquadrado de forma harmoniosa e ampla por outras duas colunas, com o texto da glosa13. Neste manuscrito trata-se,
como pudemos verificar, da glosa ordinária14 às Decretais
(glossa ordinaria in Decretales) do supracitado Bernardo de
Par-ma (Bernardus de Botone Parmensis), que por este motivo foi
apelidado Decretalium apparatus compilator. O incipit da glosa é: In huius libri principio quinque sunt precipue prenotanda videlicet
[...]; o explicité: [...] facere quis homagium compellatur. Explicit.
Explicit textus quinti libri decretalium. Deo gratias15. As duas
escritas presentes do manuscrito, a da glosa e a do próprio texto das Decretais, são muito diferentes. O texto das Decretais foi redigido numa escrita gótica, que imita a rotunda de
Bolo-nha, muito provavelmente por uma mão vinda do sul de França, onde esta escrita era geralmente usada (veja-se, entre outrascaracterísticas gráficas, o tratamento dos pés das letras que não é italiano ou ibérico). A glosa, por sua vez, foi redigida em escrita gótica textualis do norte de França (Paris ou um outro lugar no norte). Contudo, considerando a disposição gráfica das páginas, parece difícil defender que o texto e a glo-sa não sejam contemporâneos16. Consideramos, portanto, que
duas mãos contemporâneas (mas de diferentes culturas gráfi-cas), uma do norte e outra do sul de França, tenham colabora-do no trabalho de escrita deste manuscrito. A mise en page
tex-to/glosa neste manuscrito é "equilibrada", ou seja, as linhas do texto das Decretaisvariam nas páginas em função da densidade da glosa. Isto implica que a transcrição do texto tenha sido concebida a priori, em função da quantidade de glosa corres-pondente. Que o exemplar das Decretais da Torre do Tombo
tenha duas mãos diferentes, é algo perfeitamente possível e normal. De facto, nos contratos celebrados pelos estudantes da universidade de Bolonha para a produção de livros no século XIII, por exemplo, percebe-se muitas vezes que as operações
de scribere e de glosaresão confiadas a diferentes copistas, que
tinham de transcrever o texto e os aparelhos das glosas em duas paralelas de peças, que surgem em dois momentos dife-rentes. Se atendermos a que em todos os inventários dos li-vreiros da universidade - os estacionários (stationarii), as peças do texto e da glosa (em latim pecias; ou seja cada um dos
cader-nos independentes de que eram compostos os exemplares) - foram elaboradas em duas exemplaria (as cópias oficiais dos manuais universitários, licenciadas pelas universidades e consi-deradas autênticas, ou seja corretas) separadas, verificamos como tudo isso tornou muito desafiador o trabalho de pagina-ção para os copiadores17. Apesar do sistema de peça (em latim
pecia) não continuar tão em voga no século XIV, num
momen-to em que a procura não era tão intensa como o fora anterior-mente, podemos supor que as pecias do texto e da glosa do
nosso manuscrito foram contratadas em simultâneo, mas con-fiadas separadamente a dois copistas que trabalhavam em conjunto, o que possibilitou reduzir para metade o tempo de preparação do códice18. As Decretais da Torre do Tombo
apre-sentam tambémmuitas anotações, additiones, que têm a finali-dade de integrar o texto da glosa (Bertram, 1976: 30; Cahu,
2013: 86), nas margens e nos espaçamentos entre as colunas,
indicando que o códice foi utilizado e estudado. Um outro ele-mento muito interessante neste manuscrito, identificado por nós, é a fórmula de saudação que se lê na primeira página (fl.
1r), dirigida à Universidade de Toulouse: Gregorius episcopus servus servorum dei dilectis filiis doctoribus et scolaribus universis
Tholose commorantibus salutem et apostolicam benedictionem,
com uma marca de inserção para universis antes de Tholose19.
Esta anotação foi adicionada por uma terceira mão, que es-creveu numa tinta muito escura (e frágil). Esta mão, muito angular, com os seus plenos e esbeltos muito marcados, parece mais claramente de Toulouse, podendo comparar-se com a escrita do escriba francês meridional Amigotus (o copista da
observações demonstram,
portan-to, que o manuscrito das Decretais da Torre do Tombo estava desti-nado a um cliente da Universida-de Universida-de Toulouse e, dada a escrita do seu texto, foi também, com toda a probabilidade, transcrito por um escriba de Toulouse, talvez numa das oficinas universitárias de
cópia. Parece-nos interessante notar neste contexto que a Biblio-teca Nacional de Portugal preser-vada uma outra cópia das Decretais de Gregório IX, o manuscrito
Iluminado 49, em que a fórmula
de saudação está ligada à Univer-sidade de Paris (fl. 1r): Gregorius episcopus servus servorum Dei dilec-tis filiis doctoribus et scolaribus
Parisius conmorantibus [...] (Cf.
Pereira, 1962-63: 29). Estes dois manuscritos são, assim, uma pro-va da presença de manuscritos estrangeiros em Portugal e tam-bém um testemunho das relações culturais que uniam Portugal e França.
A decoração das Decretais da Torre do Tombo, como
sem-pre acontece nos manuscritos jurídicos, tinha a finalidade de subdividir visualmente a estrutura do texto em livros, capítulos e parágrafos, a fim de facilitar a leitura. A decoração deste códi-ce, datável da primeira metade do século XIV, reforçada pelo uso de folhas de ouro, deveu-se a uma mão. Na verdade, uma mão que realizou as iniciais decoradas com motivos vegetais, apresentando as diferentes secções da glosa e do texto das
De-cretais, e as iluminuras colocadas no incipit dos cinco Livros que
compõem a obra e que ocupam a largura correspondente a uma coluna do texto. O iluminador das cenas historiadas parece ligado ao contexto parisiense, e o seu trabalho situa-se na época dos primórdios de Jean Pucelle, entre 1315-1320.
No entanto, as hastes frondosas das iniciais são pintadas em rosa, como em Toulouse. Na verdade, as iniciais decoradas, muito semelhantes do ponto de vista estilístico àquelas às das
Decretais da Torre do Tombo, encontram-se noutros
manuscri-tos originários de Toulouse, como é o caso de um exemplar do
Decretumdo Graciano, da Biblioteca Apostólica Vaticana (Vat.
lat. 2493), que recentemente identificámos e estudámos, ilumi-nado em Toulouse em meados do século XIV (Bilotta, no prelo) e um outro exemplar do Decretum do Graciano, da Biblioteca
Municipal de Avinhão (ms. 659), iluminado em Toulouse entre
1340 e 1350 (Stirnemann, 1993: 124-127)21. Até mesmo as
inici-ais filigranadas (que no manuscrito da Torre do Tombo têm o corpo azul e filigranas vermelhas no contorno, ou vice-versa), apresentam características muito semelhantes às de outros ma-nuscritos originários do sul da França, de Toulouse e da sua região, como por exemplo o Decretum do Graciano, acima
men-cionado (Vat. lat. 2493), e um outro exemplar do Decretum do
Graciano, hoje, infelizmente, desmembrado, mas que temos vindo a estudar e reconstituir parcialmente (Bilotta, 2008). Du-as páginDu-as deste último manuscrito encontram-se actualmente preservadas e expostas no Museu da Fundação Calouste Gul-benkian em Lisboa22, juntamente com um belo exemplar do
Decreto de Graciano, datado da primeira metade do século XIV,
que será objecto de uma nossa próxima contribuição.
É possível encontrar este estilo de pintura do ilumina-dor das Decretais da Torre do Tombo (e essas hastes
pinta-das em rosa como em Toulouse) em dois manuscritos da Biblioteca Municipal de Reims, os manuscritos 818 e 82323,
dois Codices de Justiniano, talvez um pouco posteriores na
sua produção. Duas hipóteses são possíveis: ou este artista trabalhou em Paris, mas adaptou-se ao gosto de um cliente de Toulouse; ou mudou-se do norte para Toulouse, onde realizaria o seu trabalho. Esta segunda hipótese parece-nos a menos provável24.
Como referido anteriormente, o início de cada Livro das
Decretais é introduzido por uma iluminura25. Na primeira, das
Decretais da Torre do Tombo (fl. 1r), descreve-se uma cena de
apresentação da obra concluída ao seu cliente pelo autor, cer-cado por um grupo de prelados, um bispo, um monge e um cardeal, que evocam, muito provavelmente, os membros da Cúria. Trata-se de uma iconografia habitual, usada para ilus-trar o primeiro Livro das Decretais (L’Engle, 2012: 30-32;
Cahu, 2013: 142). Iconografias semelhantes à do manuscrito da Torre do Tombo estão presentes, por exemplo, noutros manuscritos franceses como o texto das Decretais, todos eles
datados de entre as últimas décadas do século XIII e o início do século XIV: o códice ms. 376 da Biblioteca Municipal em Angers26, fl. 2r; o códice ms. 359 da Biblioteca Municipal em
Amiens27, fl. 9r; o códice ms. 434 da Biblioteca Municipal em
Saint-Omer, fl. 1r (Cahu, 2013: 118, fig. 29); e o códice ms. E.
51 da Biblioteca Municipal em Rouen, fl. 1r (Cahu, 2013: 118,
fig. 27; 524, fig. 27). Num manuscrito italiano, iluminado em Bolonha e preservado na Biblioteca Apostólica Vaticana (Vat. lat. 1388), na cena de dedicação que introduz o texto do pri-meiro Livro das Decretais, a representação da Cúria papal é representada em detalhe28.
Embora não esteja ainda esclarecido como as Decretais da
Torre do Tombo chegaram a Lisboa, a presença em Portugal de manuscritos jurídicos originários de França não deve sur-preender. De facto, como foi esclarecido recentemente por Mário Farelo, o advento das universidades a partir do século
Lisboa, MCG (Gratianus, Decretum) LA 212, fl. 1r e M. 36B, fragmento (folha simples) Fotos MCG
110
IN
V
EN
IR
XIII e o seu desenvolvimento nos séculos subsequentes, incre-mentou o fenómeno de deslocação dos estudantes e mestres portugueses para as universidades europeias de maior nomea-da. É o caso das universidades de Paris (pense-se, só para dar algum exemplos, no conhecido médico e bispo Afonso Dinis e nos mestres franciscanos Álvaro Pais e Gonçalo Hispano), de Bolonha (como, por exemplo, o mestre João de Deus no século XIII) e, mais tarde, as de Oxford, Salamanca, Montpellier e Toulouse, como foi claramente demonstrado pelos trabalhos já clássicos de Joaquim Veríssimo Serrão (Cf. Farelo, 1999,
2001-2002: 162-163; Veríssimo Serrão, 1962, 1970, 1971). Dessa
forma, os estudantes portugueses participaram e alimentaram, nos séculos XIII e XIV, juntamente com os estudantes de outras universidades na Cristandade, o fenómeno da
peregrina-tio academica, ou seja, da peregrinação académica internacional,
como foi definida por Jacques Verger. Trata-se, como é conhecido, do fenómeno de deslocamento dos estudantes para alcançar precisamente tais universidades (Verger,
1991). Neste contexto de mobilidades, circulações e
intercâm-bios, é inteiramente possível, portanto, que os manuscritos jurídicos produzidos em França e noutras partes da Europa tenham sido transportados para Portugal. É claro que a pere-grinação académica e os diferentes fenómenos de circulação relacionados com a mobilidade universitária (circulações dos estudantes, dos mestres, dos iluminadores e dos copistas, transporte dos manuscritos) não foram a única causa desta circulação29, mas certamente estes fenómenos terão
contribuí-do para que chegassem a Portugal manuscritos estrangeiros. Sabemos, por exemplo, através do estudo de Sven Stelling-Michaud, que entre os séculos XIII e XIV, era costume entre os estudantes estrangeiros que tinham concluído os seus estudos em Bolonha levarem os seus livros manuscritos, feitos na cidade bolonhesa, para os países de origem, através de companhias comerciais (Cf. Stelling-Michaud, 1963). A presença de france-ses em Portugal, particularmente daqueles eclesiásticos oriun-dos do sul de França, entre os séculos XIII e XIV (estudada por GérardPradalier, Rosário Morujão e Mário Farelo), deve ter facilitado o transporte de manuscritos estrangeiros para Portugal. Mas também a presença de juristas italianos, como André Anes, neto do jurista italiano Francisco Acúrcio, docu-mentado em Coimbra (Pradalier, 1982; Morujão, 2005; Farelo,
2010). Além disso, os mesmos dois filhos de Francisco Acúrcio,
como é bem conhecido, terão ensinado: um em Salamanca
(Guilherme), outro em Inglaterra e, provavelmente, também
em Toulouse (Francisco) (Costa, 1962; Soetermeer 1985).
BIBLIOTECA GERALDA UNIVERSIDADE, COIMBRA MS. 3155, CORPUS IURIS CIVILIS
Um outro manuscrito que provavelmente chegou a Portu-gal proveniente da França meridional, é o códice ms. 3155, preservado na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra30.
Trata-se de um exemplar de grande formato (310x490 mm), datável do início do século XIV, com o texto dos cinco volu-mes do Corpus Iuris Civilis (em português Corpo de Direito Ci-vil), a compilação do direito romano, encomendada pelo impe-rador Justiniano: 1) as Pandectas ou Digesto Velho (Digesta seu
Pandectae, uma compilação de fragmentos de jurisconsultos
clássicos; fls. 1r-104v); 2) o Inforciatum (fls. 107r-194v); 3) o
Digesto Novo (fls. 195r-289v); 4) os três livros do Código (fls.
291r-410v); 5) os quatros livros das Institutiones ou Instituta
(um manual escolar que servia aos estudantes como
introdu-ção ao direito compendiado no Digesto; fls. 411r-428v) e o
Authenticum (colecção de 134 novelas que chegam até o ano
556; fls. 429r-472r). Como é sabido, o Corpus constitui o
fun-damento do ensino de Direito Civil nas universidades europei-as a partir do século XIII. Muitos dos códices do Corpus Iuris
Civilischegaram até nós intactos. Outros, no entanto, foram
posteriormente desmembrados e as suas folhas aproveitadas para outros fins, como pastas de documentos de arquivo, ou de capa a um volume encadernado no período moderno (como é o caso do fragmento que constitui a capa do documento nº 1383 do Arquivo Histórico Municipal do Porto). O códice de Coim-bra não tem a glosa de Acúrcio, sendo redigido numa escrita gótica textualis, não rotunda, provavelmente francesa, com
abreviaturas tipicamente italianas (especialmente a abreviatu-ra "qui"). Italiana é também, por exemplo, a conjunção et (7)
cortada com uma linha transversal. Características gráficas italianas estendem-se ainda a outros detalhes, como os tituli muito curtos e a diferença de tratamento entre os pés das le-tras m/n. Essas características paleográficas permitem supor que o copista tinha sido formado em Itália, ou sobre modelos italianos. Interessante é também o arranjo das rubricas, pro-longadas para baixo. Trata-se porventura de uma solução ad hoc, para remediar o tamanho errado dos espaços destinados às rubricas, cuja escrita deverá ser francesa. O copista do texto não é um mestre, pois verifica-se não ser bom no cálculo dos espaços utilizados para títulos. Nessa época, em Bolonha, as iniciais rubricadas ou decoradas já não estão nas margens ou nos espaçamentos entre as colunas do texto, mas eram incor-poradas no espaço do texto. Nos exemplarianão havia decora-ções e o escriba do códice de Coimbra copiou o exemplar sem
ter a habilidade dos copistas de Bolonha31. O manuscrito de
Coimbra é um manuscrito inteiramente copiado segundo no sistema universitário de peça (pecia) como se pode deduzir das
indicações escritas nas margens das páginas, onde são anota-dos os números progressivos de cada peça copiada32. Trata-se,
portanto, de um manuscrito realizado em contexto universitá-rio. Trata-se também de um manuscrito de luxo, uma vez que foi adornado com iniciais iluminadas, historiadas e ornadas, que apenas os estudantes muito ricos podiam comprar. É constituído por 39 cadernos, na maioria de seis fólios cada um, o que nos permite supor que foi feito em França, local onde os cadernos dos manuscritos jurídicos são compostos de seis folhas (enquanto em Bolonha são compostos de cinco folhas). A indicação do início da peciano códice também o liga a Fran-ça. Em Bolonha e
em Pádua, o texto
do Digestum Vetus
foi copiado por dois exemplaria, o
primeiro dividido em 38 peciae, o
segundo em 35. No manuscrito de Coimbra, na Pars
II do Digestum, a
primeira indicação
de peciaestá no fl.
54rb: .II. p. e a
última é no fl.
102rb: .XXXIIII. p.
Como o texto da
Coimbra, BGUC, Ms. 3155, fl. 1v
(Corpus Juris Civilis)
Foto BGUC 111
FI
A
T L
segunda parte termina no fl.
104v, é provável
que esta parti-ção coincida com a de Bolo-nha (= 35
peci-ae). A
possibili-dade de noutras universidades
(não italianas)
terem sido utili-zados exempla-riacom partição idêntica às dos m a n u s c r i t o s italianos não é surpreendente, considerando que os copistas e os mestres italia-nos, como referi-do, circularam pela Europa nesta altura. Como dissemos anteriormente, o manuscrito de Coimbra não contém a glosa, conhecida como a Magna Glossa, de Francisco
Acúrcio sobre o Corpus Iuris Civilis. Circunstância que não é habi-tual, a falta desta glosa poderá significar que quem o encomendou não estava interessado na glosa de Acúrcio33. O Digestum de
Coimbra, ao contrário das Decretais da Torre do Tombo, não apresenta additiones e os vestígios de uso, por conseguinte, a sua elaboração não pode ser circunscrita a um contexto universitário.
Uma anotação redigida no fl. 289v, em correspondência ao
explicit do Digestum novum (finis Digesti novi, amen), permite
apreender algumas informações sobre as vicissitudes pelas
quais passou este códice: “Ego Johanes Fabri recepi in solutum
hunc librum cum quod alio volumina in quo sunt glo. C. Et trium librorum instituta etiam autenticum pro XX libris. Datum die mar-cis post festum exaltacionis sancte crumar-cis anno domini M° CCC°
xlviij”34. O ano 1348 é, por conseguinte, um terminus ante quem
para a datação do códice. De acordo com Saul Gomes, este
Jean Fabri mencionado no códice de Coimbra poderia ser iden-tificado com o homónimo que foi bispo de Carcassonne entre
1362 e 1370 (Cf. Gomes, 2009: 55).
Muito provavelmente este manuscrito pertence ao núcleo primitivo da Biblioteca da Universidade de Coimbra (Cf. Mi-randa, 1999b: 274). Saul Gomes sugeriu também que o manus-crito do Corpus Iuris Civilis possa ter entrado nos fundos da
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra juntamente com outros manuscritos legais, datados do século XV, com os co-mentários de Domenico de S. Gimignano (ms. 722) e João de Imola (ms. 721), a partir da antiga biblioteca do bibliófilo bre-tão D. Jean du Chastel, bispo de Carcassonne entre 1459 e
1475 (Cf. Gomes, 2009: 55-56), o ano da sua morte35.
A decoração do manuscrito é homogénea e consiste em iniciais rubricadas a vermelho ou a azul, decoradas com moti-vos vegetalistas e de animais, e iniciais historiadas (presentes até ao final do Digesto Velho ao fl. 104v). Estas últimas, assim como as iniciais decoradas, devem-se a uma única mão. As iniciais historiadas, embelezadas pela utilização do ouro, foram colocadas no início dos Livros e apresentam uma estreita liga-ção temática com as secções do texto, seguindo a configuraliga-ção ornamental elaborada na produção iluminada em Paris do terceiro quartel do século XIII. Na verdade, as letras iniciais com rebentos de plantas, que se estendem na área interna da letra inicial, em alguns casos, habitadas por animais, reais ou imaginários, e por cabeças humanas, são elementos ornamen-tais que se espalharam em Paris desde meados do século XIII. Trata-se, portanto, de uma decoração em estilo francês, o que nos permite supor que este manuscrito, tal como as Decretais da Torre do Tombo, foi iluminado em França. Dado que a escrita tem características gráficas italianas, é plausível que o nosso códice tenha sido escrito no sul de França, onde a escrita italiana era mais conhecida.
Os manuscritos examinados nestas páginas atestam, por-tanto, a presença de códices estrangeiros em Portugal, de-monstrando que, apesar da sua localização periférica, integrava já na Idade Média o espaço cultural europeu, entre os séculos XIII e XIV. Espaço fértil para o diálogo cultural, intercâm-bios, transmissões e circulações de pessoas, bens, objectos, modelos e livros, deram origem, com o seu dinamismo, a nu-merosas e fecundas experiências.
1. Gostaria de agradecer aos meus amigos e colegas, Mário Farelo,
Pedro Pinto, Gonçalo Silva, André Vitória, Rosário Morujão e Anísio Miguel de Sousa Saraiva, pelos conselhos e ajuda durante a preparação deste artigo. Agradeço também à Doutora Isabel João Ramires da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, pela amabilidade e valiosa colaboração.
2. M. A. Bilotta, Os manuscritos jurídicos iluminados da BNP. Quatro
exemplos significativos. Seminário realizado no dia 5 de setembro de
2013, na Biblioteca Nacional de Portugal. “Manuscritos iluminados.
A União Europeia também começou assim”, entrevista com Maria Alessandra Bilotta por Carolina Pelicano Falcão, publicada no dia 23
de setembro de 2013 no Jornal I. Disponível em http://
www.ionline.pt/artigos/liv/manuscritos-iluminados-uniao-europeia -tambem-comecou-assim [consultado a 10 de março de 2014].
3. Sobre este assunto, sobretudo a partir da análise da biblioteca do
mosteiro de Sta. Cruz de Coimbra conservada no Porto, veja-se Meirinhos, 2001.
4. Sobre os códices Iluminados da BNP veja-se a notícia no site da
Biblioteca (com bibliografia), disponível em http:// www.bnportugal.pt [consultado a 10 de março de 2014]. O códice
Iluminado 111 encontra-se inteiramente digitalizado no site da
mesma Biblioteca, disponível em http://purl.pt/23972 [consultado a 10 de março de 2014].
5. A descrição do manuscrito está disponível também on-line na base
de dados “PhiloBiblon” da Universidade de Berkeley; e o
manuscri-to, inteiramente digitalizado no catálogo on-lineda BNP, disponível
em http://purl.pt/23972 [consultado a 20 de março de 2014].
6. As três regras de Wilhelm Meyer, relacionadas com a
sobre-posição das curvas opostas e com o uso de "r" e "d" rodadas, e as duas preconizadas por Stefano Zamponi relativas à
eli-minação e ao encerramento das letras abertas à direita. Cf.
Zamponi, 1988. Artigo parcialmente disponível no site da Universi-dade de Cassino: http://www.let.unicas.it/dida/links/didattica/ palma/testi/zamponi1.htm [consultado a 20 de março de 2014].
7. Anteriormente, o códice foi datado do século XIV (Mattoso, 1983:
119; Ferreira de Almeida, 1991: 206).
Coimbra, BGUC, Ms. 721, fl. 2r (Johannes de Imola,
Commentaria super Decretales) | Foto BGUC
112
IN
V
EN
IR
8. Sobre este manuscrito veja-se Duggan, 1997. Diponível em http:// hispaniasacra.revistas.csic.es/index.php/hispaniasacra/article/ viewFile/77/76
9. Agradeço a Paolo Cherubini as importantes observações sobre a
escri-ta deste manuscrito (comunicação escriescri-ta de 26 de março de 2014).
10. O manuscrito está inteiramente digitalizado no site Digitarq do
Arquivo Nacional da Torre do Tombo: http://
digitarq.dgarq.gov.pt [consultado a 10 de março de 2014].
11. Sobre Lorvão como centro produtor de manuscritos veja-se Rocha,
2007/2008; Nascimento 2008, 2011.
12. Os outros são: Lisboa, BNP, Alc. 306, 307, 308; Iluminado 49. Cf.
Bertram, 2010.
13. Na verdade, como se sabe, a glosa é um comentário sobre o texto
legal em que são analisadas algumas passagens do texto ou algu-mas palavras específicas, a fim de ajudar o leitor a compreender melhor o texto. Num um texto jurídico podemos encontrar glosas interlineares, marginais, o aparelho e a glosa ordinária. Cf. Ascheri,
2000: 211; Cahu, 2013: 84.
14. A glosa ordinária é o comentário oficial ao texto legal aprovado pela Universidade. Cf. Ascheri, 2000: 212; Cahu, 2013: 85.
15. No Inventário dos códices iluminados até 1500 (1994) a glosa do
ma-nuscrito é erroneamente indicada como glosa do Guido de Baiso
(Guido Abaisi; latim medieval: Guido a Baysio, morreu em 1313),
jurisconsulto e canonista de Bolonha; trata-se em vez da glosa do
Bernardus de Botone Parmensis. Agradeço a Martin Bertram as
in-formações sobre o texto que me forneceu (comunicação escrita do 17 de março de 2014).
16. Agradeço a Marc Smith e François Avril as importantes
informa-ções sobre a análise paleográfica deste manuscrito (comunicainforma-ções escritas de 17 e de 25 de março de 2014).
17. Sobre a estrutura da glosa nos manuscritos jurídicos medievais veja
-se Maniaci, 2002; Devoti,1999, 2000.
18. Agradeço a Ezio Ornato as importantes observações sobre a glosa
deste manuscrito (comunicação escrita de 20 de março de 2014). Sobre o sistema da peça veja-se Soetermeer, 1997; Murano, 2005.
19. Agradeço a Marc Smith a ajuda na interpretação da inscrição
(comunicação escrita do 17 de março de 2014).
20. Agradeço a François Avril as informações sobre a anotação que me
forneceu (comunicação escrita de 25 de março de 2014). Sobre o
escriba Amigotus veja-se Stones, 2005.
21. As reproduções fotográficas deste manuscrito estão disponíveis
on-line na base "Enluminures": http://www.enluminures.culture.fr [consultado a 10 de março de 2014].
22. Lisboa, Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, M. 36A e M.
36B. Cf. Bilotta, 2008: 54-55, 62-63.
23. A reprodução destes manuscritos está disponível on-line na base
"Enluminures”, idem.
24. Agradeço a François Avril as importantes observações sobre o estilo
deste manuscrito (comunicação escrita de 25 de março de 2014).
25. A análise do programa iconográfico deste manuscrito será o
assunto duma nossa próxima contribuição.
26. A reprodução desta iluminura está disponível on-line na base
"Enluminures”idem. Veja-se também Cahu, 2013: 125, figs.
39, 256.
27. A reprodução desta iluminura está disponível on-line na base
"Enluminures”idem.. Veja-se também Cahu, 2013: 110, fig. 14.
28. A reprodução desta iluminura está disponível on-line na obra
Decretales Pictae. Le miniature nei manoscritti delle Decretali di
Gregorio IX (Liber Extra). Atti del colloquio internazionale
tenuto all’Istituto Storico Germanico, Roma 3-4 marzo 2010,
a cura di Martin Bertram e Silvia Di Paolo, Indici compilati da Marta Pavón Ramírez, Università degli Studi Roma Tre, Roma 2012, p. 382, fig. 6: http://dspace-roma3.caspur.it/ handle/2307/711 [consultado a 10 de março de 2014].
29. Catarina Barreira fala em “Nomadismo” para definir esta circulação.
Cf. https://www.academia.edu/3603326/Contributos_para_o
_estudo_do_Compendium_Theologiae_Veritatis_no_scriptorium_de_
Sta._Maria_de_Alcobaca [consultado a 10 de março de 2014].
30. O manuscrito está inteiramente digitalizado no site Alma
Ma-ter da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:http://
almamater.uc.pt [consultado a 10 de março de 2014].
31. Agradeço a Marc Smith e a Giovanna Murano as importantes
observações sobre a escrita deste manuscrito (comunicações escritas de 22 e de 24 de março e de 1 abril de 2014).
32. Este aspecto do manuscrito já havia sido indicado por Gomes,
2009: 55.
33. Agradeço a Giovanna Murano as importantes observações
sobre o sistema da peciadeste manuscrito (comunicação
escri-ta de 24 de março de 2014).
34. Esta anotação também foi publicada por Gomes, 2009: 55.
35. Sobre o Jean du Chastel e a sua atividade de bibliófilo veja-se
o site editado por Jean-Luc Deuffic, Bibliophiles bretons du
Moyen Âge - Jehan du Chastel, disponível em https://
sites.google.com/site/bibliophilesbretons/ [consultado a 10 de março de 2014].
Porto, AHMP, 1383, capa (Digestum, fragmento/Justinianus) Foto AHMP
113
FI
A
T L
124
IN
V
EN
IR
E
ADAM, C. (1984) - Restauration des manuscrits et des livres anciens. Erec: Puteaux.
AFONSO, Luís (2012) - O fólio em branco: a iluminura hebraica
portuguesa da Idade Média. First International Conference “Jewish
Heritage - Science, Culture, Knowledge”. Proceedings. Tomar:
Insti-tuto Politécnico de Tomar [publicado em CD].
__________ Ed. (2011) - The Materials of the Image. As Matérias da
Imagem. Lisboa: Campo da Comunicação.
ANGOTTI, Claire (2007) - Les débuts du Livre des Sentences
comme manuel de théologie à l’Université de Paris in Université,
Église, Culture. L’Université Catholique au Moyen-Âge. Actes du 4ème Symposium. Katholieke Universiteit Leuven.
ANGOTTI, Claire; DELMAS, Sophie (2010) - La théologie
sco-lastique. In CEVINS, Marie-Madeleine de, MATZ, Jean-Michel -
Structures et dynamiques religieuses dans les societés de l’Occident latin
(1179 - 1449). Rennes: Presses Universitaires de Rennes.
ANSELMO, Artur (1981) - Origens da Imprensa em Portugal. Lisboa:
INCM.
ANTUNES, Júlio da Cunha; LAMELAS, Isidro Pereira, Ed. crítica
(2007) - Apringio Bispo de Beja: Comentário ao Apocalipse. Lisboa: Alcalá. [texto policopiado]
ASCHERI, Mario (2000) - I diritti del Medioevo italiano: secoli XI-XV.
Roma: Carocci.
AVENOZA, Gemma (2001) - La Biblia de Ajuda y la Megil.lat
An-tiochus en romance. Madrid: CSIC, Biblioteca de Filología Hispánica.
__________ (2011) - Biblias castellanas medievales. San Millán de la
Cogolla: Cilengua, Fundación San Millán de la Cogolla.
BENTO XVI (2010) - Exortação Apostólica Verbum Domini.
BERT ROEST (2009) - Observant reform in religious orders. In
RUBIN, Miri; SIMONS, Walter, Ed. - The Cambridge History of
Christianity: Christianity in Western Europe c. 1100-c. 1500.
Cambridge--Nova Iorque: Cambridge University Press. Vol. 4, p. 446-457.
BERTRAM, Martin (1976) - Aus kanonistischen Handschriften
der Periode 1234 bis 1298. In KUTTNER, Stephan, Coord. -
Proceedings of the fourth international Congress of Medieval Canon
Law. Città del Vaticano: Biblioteca Apostolica Vaticana.
Monu-menta Iuris Canonici, Series C, Subsidia 5, p. 27-44.
__________ (2010) - Signaturenliste der Handschriften der
Dekreta-len Gregors IX. (Liber Extra). Roma. Disponível em http ://
www.dhi-roma.it/bertram_extrahss.htlm
BÍBLIA Sagrada (2001). Lisboa/Fátima: Difusora Bíblica, Centro Bíblico dos Capuchinhos.
BILOTTA, Maria Alessandra (2008) - Un manuscrit de droit
canonique toulousain reconstitue: le Decret de Gratien. Art de
l’enluminure. Dijon: Édition Faton. N° 24 (Mar.- Abr.- Mai. 2008). __________ (2015) - L’iconographie du travail e la culture de
l’alimentation: élaborations figuratives dans la production enluminé
liturgique de Émilie-Romagne au XIIe siècle. In FERNANDES, Carla Varela, Coord. - Imagens e Liturgia na Idade Média. Lisboa: Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja. p. 109-130. __________ (prelo) - Un manoscritto giuridico miniato tolosano proveniente dalla biblioteca di Jean Jouffroy, cardinale di Albi: il Decreto di Graziano Vat. lat. 2493. In MAFFEI, Paola; VARA-NINI, Gian Maria, Coord. - Studi in onore di Mario Ascheri per il
suo 70 compleanno.
BOESPFLUG, François; ZALUSKA, Yolanda (1994) - Le dogme
trinitaire et l’essor de son iconographie en Occident de l’époque
carolingienne au IVe Concile du Latran (1215). Cahiers de
civilisa-tion médiévale. A. 37, Nº 147 (Jul.-Set. 1994) p. 181-240
BONNIWELL, William, O.P. (1945) - A History of the Dominican
liturgy 1215-1945. New York: Joseph F. Wagner.
BOUSMANNE, Bernard (1997) - Guillaume Wielant ou Willem
Vrelant. Miniaturiste à la cour de Bourgogne au XVesiècle. Bruxelles:
Bibliothèque royale de Belgique.
CAHU, Frédérique (2013) - Un témoin de la production du livre
universitaire dans la France du XIIIesiècle: la collection des Décrétales
de Grégoire IX. Bibliologia, 35. Turnhout: Brepols.
CARDOSO, Paula Freire (2013) - A iluminura de Maria de Ataíde
e Isabel Luís no Mosteiro de Jesus de Aveiro (c. 1465-1500) [texto
policopiado]. LISBOA: [s.n.]. Dissertação de Mestrado em Arte, Património e Teoria do Restauro apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
CARRUTHERS, Mary (2002) - Le livre de la mémoire. Une étude
de la mémoire dans la culture médiévale. Paris: Macula.
CASTIÑERAS GONZÁLEZ, Manuel Antonio (1996) - El
calen-dario medieval hispano. Textos e imágenes (siglos XI-XIV). Valladolid: Junta de Castilla y León.
__________ (2002) - Trabajo, descanso y refrigerio estival: un topos griego en el calendario medieval hispano. Troianalexandrina.
Santiago de Compostela: Universidade de Santiago de Compostela. Nº 2, p. 75-96.
CEPÊDA, Isabel; FERREIRA, Teresa Duarte, Coord. (1994) -
Inventário do Património Cultural - Códices Iluminados até 1500.
Lisboa: Biblioteca Nacional.
CHARBONNEAU-LASSAY, Louis (1940) - Le Bestiaire du
Christ. Archè-Milano: Desclée, De Brouwer & Cie.
CHERUBINI, Paolo; PRATESI, Alessandro (2010) - Paleografia
latina. L'avventura grafica del mondo occidentale. Littera Antiqua, 16.
Città del Vaticano: Scuola Vaticana di Paleografia, Diplomatica e Archivistica.
CHEVALIER-ROYET, Caroline (2009) - Les commentaires
bibliques carolingiens: recueillir et relire l’heritage patristique. In
L'autorité de l'écrit au moyen âge: orient-occident (XXXIXe congrès
de la SHMESP, Le Caire, 30 avril-5 mai 2008). Paris: Publications de la Sorbonne, p. 153-157.
__________ (2010) - Le Commentaire de Raban Maur sur Les Livres des Rois. In Raban Maur et Son Temps. Turnhout: Brepols, p. 293-303.
__________ (2011) - Lectures des Livres des Rois à l’époque
carolin-gienne [texto policopiado]. Paris: [s.n.]. Tese de Doutoramento
em História Medieval apresentada Universidade Paris-Sornonne.
Disponível em http://www.paris-sorbonne.fr/IMG/pdf/
Position_de_these-15.pdf
CHICÓ, Mário Tavares (1968) - A arquitectura gótica em Portugal.
Lisboa: Livros Horizonte. 2ª edição.
CINTRA, Luís Filipe Lindley (2009) - Crónica Geral de Espanha de
1344: edição crítica do texto português. Lisboa: Imprensa Nacional- -Casa da Moeda. Vol. I, 2ª edição.
CLARKE, M. (2011) - ‘Mediaeval Painters’ Materials and
Tech-niques. The Montpellier Liber diversarum arcium. London: Archetype Publications.
CONTESSA, Andreina (2008) - Noah’s Ark and the Ark of the
Convenant in Spanish and Sephardic medieval manuscripts. In KOGMAN-APPEL, Katrin; MEYER, Mati, Ed. - Between Juda-ism and Christianity. Art Historical Essays in Honor of Elisheva
(Elisabeth) Revel-Neher, Leiden/Boston: Brill. p. 171-189.
__________ (2004) - Noah’s Ark on the Two Mountains of Ararat: The Iconography of the Cycle of Noah in the Ripol and Roda Bibles. Word&Image. 20/4, p. 257-270.
COMET, Georges (1992) - Les calendriers médiévaux, une
répré-sentation du monde. Journal des Savants. Paris. Vol. 1, Nº 1, p. 35-98.
125
FI
A
T L
UX
__________ (2005) - Technique et société. Un couple d’insépa-rables. Siècles, Cahiers du CHEC. Clermont-Ferrand: Presses Uni-versitaires Blaise-Pascal. Nº 22, p. 9-22.
__________ (2006) - Comment situer e paysan dans le monde crée?. Le Monde et Les Mots. Mélanges Germaine Aujac. Toulouse: Presses Universitaires du Mirail. Nº 72, p. 377-394.
CONTRERAS, Juan de (1935) - El arte gótico en España,: arquitectura,
escultura, pintura. Barcelona: Labor.
COSTA, Mário Júlio de Almeida (1962) - Um jurista em Coimbra,
parente de Acúrsio. Boletim da Faculdade de Direito da Universidade
de Coimbra. N°38, p. 251-256.
COUTINHO, Maria (2014) - De computo de Rábano Mauro. O
texto e as iluminuras do Santa Cruz 8 e do Alc. 426. Medievalista. Nº 15 (Jan.-Jun. 2014). Disponível em http://www2.fcsh.unl.pt/ iem/medievalista/MEDIEVALISTA15/coutinho1506.html
CRUZ, António (1964) - Santa Cruz de Coimbra na Cultura
Portu-guesa na Idade Média. Porto: Emp. Ind. Gráf. do Porto.
CUSTÓDIO, Delmira Espada (2010) - A luz da grisalha. Arte,
liturgia e história no Livro de Horas dito de D. Leonor (IL 165 da
BNP)[texto policopiado]. Lisboa: [s.n.]. Dissertação de Mestrado
em História da Arte Medieval apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Disponível em http://run.unl.pt/handle/10362/5551.
__________ (2013) - Livros de Horas dos séculos XV e XVI de origem flamenga em bibliotecas e instituições portuguesas: calen-dário e iconografia. In D. Álvaro da Costa e a sua descendência, sécs.
XV-XVII: poder, arte e devoção. Lisboa: IEM/CHAM/Caminhos
Romanos, p. 191-208.
DENIS-BOULET (1965) - Les sources de la messe romaine: dès
Sacramentaires au missel e au cérémonial. In MARTIMORT -
L’Eglise en prière - Introduction à la liturgie. Paris: Desclée.
DEPREUX, Philippe (1997) - Prosopographie de l’entourage de
Louis le Pieux (781-840). Sigmaringen: Thorbecke.
DESWARTE-ROSA, Sylvie (1977) - Les Enluminures de la
"Leitura nova": 1504-1552. Étude sur la culture artistique au Portugal
au temps de l'humanisme. Paris: Fondation Calouste Gulbienkian,
1977.
DEVOTI, Luciana (1999) - Un rompicapo medievale: l'architettura
della pagina nei manoscritti e negli incunaboli del codex di
Giusti-niano. In BUSONERO, Paola; CASAGRANDE MAZZOLI, Maria
Antonietta; DEVOTI, Luciana; ORNATO, Ezio, Coord. - La
fabbrica del codice. Materiali per la storia del libro nel tardo Medioevo.
I libri di Viella, 14. Roma: Viella. p. 143-206.
__________ (2000) - Ipertestualità del commento e strategie di
copia: la glossa accursiana al "codex" di Giustiniano. In GOULET -CAZÉ, Marie-Odile, Coord. (2000) - Le Commentaire entre
tradi-tion et innovatradi-tion. Actes du colloque internatradi-tional de l’Institut des traditradi-tions
textuelles (Paris et Villejuif, 22-25 septembre 1999). Paris: Librairie Philosophique J. Vrin. p. 119-125.
DIAS, Isabel de Barros (2003) - Metamorfoses de Babel.A
Historio-grafia Ibérica (Sécs. XIII-XIV): Construções e Estratégias Textuais.
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian / Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
DIAZ Y DIAZ, Manuel Cecilio (1985) - El texto de los beatos. In
Los Beatos. Bruselas: Europalia. p. 9-16.
DUGGAN, Ead (1997) - The Lorvao transcription of Benedict of
Peterborough’s Liber miraculorum Beati Thome: Lisbon, cod. Alco-baça CCXC/143. Scriptorium. N°51.1, p. 51-68.
ELEEN, Luba (1982) - The Illustration of the Pauline Epistles in
French and English Bibles of the Twelfth and Thirteenth Centuries.
Oxford: Clarendon Press.
EPSTEIN, Marc Michael (2011) - The Medieval Haggadah. Art,
Narrative and Religious Imagination. Londres: Yale University
Press.
ERMENGAUD, Matfre (1862) - Le Breviari d’Amor. T. I, Béziers
& Paris, [Au Secrétariat de la Société Archéologique & Librairie
A. France].
FARELO, Mário (1999) - Les Portugais à l’Université de Paris au
Moyen Âge. Aussi une question d’acheminements de ressources.
Memini. Travaux et Documents publiés par la Société des études
médié-vales du Québec. N° 5, p. 101-129.
__________ (2001-2002) - Os estudantes e mestre portugueses nas escolas de Paris durante o périodo medievo (sécs. XII-XV): elementos de história cultural, eclesiástica e económica para o seu estudo. Lusitania Sacra. Lisboa: Universidade Católica Portuguesa
- CEHR. 2asérie, N° 13-14, p. 161-196.
__________ (2010) - Les clercs étrangers au Portugal durant la période de la papauté avignonnaise: un aperçu préliminaire.
Lusi-tania Sacra. Lisboa: Universidade Católica Portuguesa - CEHR. 2a
série, N° 22, p. 85-147.
FERNÁNDEZ, Miguel Pérez (1984) - Los capítulos de Rabbí
Elie-zer. Valencia: Institución S. Jerónimo para la Investigación Bíblica.
FERREIRA DE ALMEIDA, Carlos A., Coord. (1991) - Aux
con-fins du Moyen Âge art portugais XIIe - XVe siècle. Catálogo da
expo-sição. Bruxelas: Fondation Europalia International.
FRANCO, Anísio, Coord. (1992) - Jerónimos, quatro séculos de pintura.
Lisboa: SEC. II Vol.
GILBERT, B. et al. (2003) - Analysis of green copper pigments in
illuminated manuscripts by micro-Raman spectroscopy. Analyst. Nº128/10, p. 1213-1217.
GOEHRING, Margaret (2011) - Exploring the Borders: The
Breviary of Eleanor of Portugal. In BLICK, Sarah; GELFAND, Laura, Ed. - Push Me, Pull You: Imaginative, Emotional, Physical,
and Spatial Interaction in Late Medieval and Renaissance Art. Leiden:
Brill, p. 123-148.
GOMES, Saul António (2009) - Manuscritos medievais iluminados
e fragmentos. In MAIA, A. E. do Amaral, Coord. - Tesouros da
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Coimbra: Imprensa da
Universidade de Coimbra. p. 41-71.
GÓMEZ-MORENO, Manuel (1980) - Catálogo Monumental de
España, Província de Léon. Léon: Editorial Nebrija. 2ª edição.
GORMAN, Michael (1979) - The commentary on Genesis of
Claudio of Turin and Biblical Studies under Louis the Pious. Speculum. Vol. 72, Nº 2 (Abr. 1979) p. 279-329.
GOUDRIAAN, Koen (2014) - Empowerment through reading,
writing and example: the Devotio Moderna. In RUBIN, Miri; SIMONS, Walter, Ed. - The Cambridge History of Christianity:
Christianity in Western Europe c. 1100-c. 1500. Cambridge-Nova
Iorque: Cambridge University Press. Vol. 4, p. 407-419.
GRYSON, Roger, Ed. (2012) - Beati Liebanensis Tractatvs de Apocalipsin.
Corpus Christianorum, Series Latina, 107 C. Turnhout: Brepols.
GÜNTHER, Jörn (2008) - Masterpieces. Hamburg: Antiquary.
GUTWIRTH, Eleazar (1988) - Religión, historia y las Biblias
romanceadas. Revista Catalana de Teologia. XIII, 1, p. 115-133.
HAMBURGER, Jeffrey (1997) - Nuns as Artists: The Visual Culture
of a Medieval Convent. University of California Press.
__________ (1998) - The Visual and the Visionary: Art and female
spirituality in Late Medieval Germany. New York: Zone Books.
HAMEL, Christopher de (1986) - A History of Illuminated
Manu-scripts. Oxford: Phaidon.
__________ (2002) - La Bible. Histoire du Livre. Paris: Phaidon.
HENNESSY, Marlene (2004) - Passion, devotion, penitential
reading and the manuscript page. Medieval Studies. Vol. 66, p. 213-252.
INVENTÁRIO (1930-1978) - Inventário dos códices alcobacenses. Lisboa: Biblioteca Nacional de Lisboa.
INVENTÁRIO (1994) - Inventário dos Códices Iluminados até 1500. Lisboa: SEC/IBNL/IPCM. Vols. 1 e 2.
INVENTÁRIO(2004) - Inventário dos Códices Iluminados até 1500 - Distritos Aveiro, Beja, Bragança, Coimbra, Évora, Leiria, Portalegre,
Porto, Setúbal, Viana do Castelo e Viseu. Lisboa: SEC/IBNL/IPCM.
KLEIN, Peter (2013) - Remarques sur le manuscript bénéventin
de Beatus récemment découvert à Genève. Cahiers de Civilisation
Médiévale. Vol. 56, p. 3-38.
__________ (2004) - Beato de Liébana. La ilustración de los manuscritos
de Beato y el Apocalipsis de Lorvão. Valencia: Patrimonio Ediciones.
KOGMAN-APPEL, Katrin (2006) - Illuminated Haggadot from
Medieval Spain: Biblical Imagery and the Passover Holiday. Pennsylvania: