Grand Court das Ilhas Caimão
Departamento de Serviços Financeiros
Caso N.º: 169 of 2016 (IMJ) Banif Finance Limited (em Liquidação Oficial) Quarto Relatório dos Co-liquidatários Oficiais (JOLs) da Sociedade Lei das Sociedades Comerciais - redação de 2018 (Companies Law)
ESTRITAMENTE PRIVADO E CONFIDENCIAL
QUARTO RELATÓRIO DOS LIQUIDATÁRIOS (JOINT OFFICIAL LIQUIDATORS) AO GRAND COURT DAS ILHAS CAIMÃO RELATIVO AO PERÍODO DE 1 DE AGOSTO DE 2017 ATÉ 31 DE DEZEMBRO DE 2017
Banif Finance Limited (Em liquidação oficial, In Official Liquidation) (de ora em diante, a “Sociedade”)
Data: 20 de março de 2018
ÍNDICE DO RELATÓRIO 1. Preâmbulo 2. Aviso 3. Contexto
4. Comissão Liquidatária 5. Livros e Registos 6. Activos
7. Investigações 8. Credores
9. Accionistas Preferenciais 10. Reconhecimento Português 11. Contas e Custos da Liquidação 12. Outros Assuntos
LISTA DE ANEXOS
Anexo I Formulário 33 da CWR com a Notificação da Intenção da Declaração do Dividendo Final (Inglês e Português)
Anexo II Recibos dos Liquidatários Oficiais e Pagamento das Contas de 06 de dezembro de 2016 até 31 de dezembro de 2017
Anexo III Resumo dos Custos dos Liquidatários Oficiais relativamente ao período de 07 de maio de 2017 a 31 de dezembro de 2017
Anexo IV Carta de Demissão do Sr. Kennedy
1. Preâmbulo
1.1 Os Srs. Christopher Kennedy e Martin Trott da RHSW (Cayman) Limited, P.O. Box 897, Windward 1, Regatta Office Park, Grand Cayman KY1-1103, Cayman Islands, na sua qualidade de Liquidatários Oficiais (Joint Official Liquidators, de ora em diante, “JOLs”) da Sociedade submetem este quarto relatório (o “Relatório”) de forma a informar o Tribunal, Grand Court of the Cayman Islands (de ora em diante, o “Grand Court”) no que diz respeito à evolução da liquidação da Sociedade, bem como do estado das questões da Sociedade até 31 de dezembro de 2017.
1.2 O presente Relatório deverá ser lido em conjunto com o primeiro, segundo e terceiro relatório dos JOLs, datados de 13 de janeiro de 2017 (o “Primeiro Relatório”), 10 de fevereiro de 2017 (o
“Segundo Relatório”) e 29 de setembro de 2017 (o “Terceiro Relatório”), respetivamente.
1.3 Este Relatório centra-se nos eventos que aconteceram entre 1 de agosto de 2017 até 31 de dezembro de 2017, pese embora as taxas/honorários que acompanham este Relatório sejam relativas ao período compreendido entre 07 de maio de 2017 até 31 de dezembro de 2017. A razão para não existir um alinhamento entre as taxas/honorários e os períodos a que o relatório se refere foi explicado detalhadamente no Terceiro Relatório e querem os JOLs alinhar as datas dos relatórios e as das taxas/honorários e assim preencher os requisitos da regra 12(2) das disposições dos Administradores de Insolvências 2018 (os “IPRs”).
2. Aviso
2.1 O presente Relatório não deverá ser copiado, divulgado a terceiros, citado ou referido, no seu todo ou em parte, sem prévia autorização escrita dos JOLs.
2.2 Caso um terceiro obtenha este Relatório ou venha a ser utilizado para qualquer propósito que não o de fornecer informações ao Grand Court com uma atualização do desenvolvimento da liquidação da Sociedade, tal terceiro utilizará a Informação constante neste Relatório a risco próprio, sem que lhe assista qualquer direito de agir judicialmente contra os JOLs, RHSW (Ilhas Caimão) Limited, RHSW Caribbean Limited, os seus sócios, administradores, colaboradores, consultores ou representantes.
2.3 Os JOLs, RHSW (Ilhas Caimão) Limited, RHSW Caribbean Limited, os seus sócios, administradores, trabalhadores, consultores ou representantes não aceitam qualquer tipo de responsabilidade nem assumem qualquer dever de cuidado perante terceiros (mesmo se trate de um cessionário ou um sucessor de terceiro ou outra parte relativamente a este Relatório e qualquer acesso indevido a uma cópia deste Relatório, seja através dos JOLs ou de qualquer outra fonte, não trará qualquer direito de agir judicialmente contra os JOLs, RHSW (Caimão) Limited, RHSW Caribbean Limited, os seus sócios, administradores, colaboradores, consultores ou representantes.
2.4 Na elaboração deste Relatório, os JOLs basearam-se em informação, documentação e registos relativos à Sociedade disponibilizados por terceiros, não tendo tais materiais sido analisados para aferir do seu rigor e completude. O objeto dos trabalhos desenvolvidos pelos JOLs é, nestes termos, diferente daquele de uma auditoria, pelo que não deverá ser tido como fonte de informação com o mesmo nível de exatidão.
2.5 Este Relatório baseia-se na informação detida pelos JOLs a 31 de dezembro de 2017. Qualquer evento após esta data será detalhado no próximo relatório ao Grand Court.
2.6 Qualquer referência a consultoria jurídica neste Relatório não constitui nem deverá ser considerado como renúncia ao sigilo profissional e /ou quaisquer outros privilégios aplicáveis.
3. Contexto
3.1 O Grand Court terá conhecimento do contexto desta matéria, estando os seus detalhes explicados no Primeiro, Segundo e Terceiro Relatórios. No entanto, de forma sumária podemos recapitular o contexto da Sociedade da seguinte forma:
3.1.1 A Sociedade foi constituída com o propósito de obter financiamento para a atividade do Banco Internacional Funchal S.A., com sede na Rua de João Tavira, 9004-509, Funchal, Portugal (de ora em diante “Banif SA”).
3.1.2 O Banif SA é uma instituição de crédito constituída ao abrigo das leis de Portugal e regulada pelo Banco de Portugal. O Banif SA é o beneficiário ultimo das participações sociais da Sociedade.
3.1.3 A Sociedade celebrou com o Banif SA um Contrato de Indemnização Geral (General Indemnity Agreement, de ora em diante, “Contrato de Indemnização”) a 6 de junho de 2016. Nos termos da sub-claúsula 1.1(a) do Contrato de Indemnização, o Banif SA comprometeu-se a realizar quaisquer pagamentos a terceiros por conta da Sociedade que, por sua exclusiva discricionariedade, determinar que fossem necessários para a prossecução da atividade da Sociedade.
3.1.4 A 12 de Setembro de 2016, o Banif SA endereçou uma interpelação escrita à Sociedade para o pagamento dos montantes devidos resultantes do Contrato de Indemnização. Na sequência do incumprimento pela Sociedade no pagamento do montante em dívida (acrescida do juro aplicável), o Banif SA requereu a insolvência da Sociedade por incapacidade de cumprir com as suas obrigações.
3.1.5 A 6 de dezembro de 2016, o pedido de insolvência foi ouvido pelo Grand Court, que determinou que a Sociedade devia ser liquidada, tendo para o efeito sido nomeados enquanto liquidatários oficiais Matthew Wright e Christopher Kennedy.
3.1.6
A 30 de setembro de 2017, o Senhor Matthew Wright demitiu-se de liquidatário oficial da Sociedade (na sequência da sua anterior demissão da RHSW (Ilhas Caimão) Limited).Subsequentemente, o Senhor Martin Trott foi nomeado sucessor do Senhor Wright como liquidatário oficial da Sociedade por decisão do Grand Court datada de 28 de novembro de 2017.
4. Comissão Liquidatária
4.1 Não se registou qualquer alteração à determinação como insolvente das obrigações da Sociedade desde o nosso Terceiro Relatório.
4.2 Consequentemente, a Comissão Liquidatária que foi devidamente constituída de acordo com a Ordem 8, regra 1 da do Regime de Liquidação das Ilhas Caimão de 2018 (Cayman Islands Winding Up Rules, de ora em diante, “CWR”) continua em funções, composta por três membros, representantes dos credores da Sociedade.
4.3 Os JOLs forneceram à Comissão Liquidatária uma atualização por escrito a 14 de julho de 2017, detalhando todos os diferentes trabalhos de investigação que estavam a ser executados pelos JOLs. Foi, posteriormente, tida a quarta reunião da Comissão Liquidatária em Lisboa a 21 de novembro de 2017.
4.4 Desde esta reunião os JOLs continuarão em ligações com a Comissão Liquidatária relativamente aos trabalhos principais da liquidação e continuarão a responder às questões que surgiam da comissão.
4.5 Tal como estava sublinhado no nosso Terceiro Relatório da Liquidação, a Comissão Liquidatária assinou o acordo de remuneração dos JOLs ,a 19 de julho de 2017, de acordo com as IPRs.
5. Livros e Registos
5.1 Os JOLs continuam a reunir todos os livros e registos pertencentes à Sociedade forma a auxiliar com as investigações à Sociedade e aos eventos que levaram à sua liquidação.
5.2 Tal como descrito no nosso Terceiro Relatório, este processo foi retardado dado que grande parte dos registos da Sociedade eram detidos pela sua empresa controladora, Banif SA, e foram posteriormente transferidos para o Banco Santander-Totta SA (“Banco Santander”), em consequência da resolução de dezembro de 2015 do Banco de Portugal.
5.3 Para além da reunião com a Comissão Liquidatária em Novembro 2017, os JOLs também se reuniram com o Banif SA e com o Santander SA de forma a mais facilmente conseguir reunir os livros e registos da Sociedade, para auxiliar a nossa investigação, cujos detalhes estão melhor descritos infra.
6. Ativo
6.1 Como detalhado nos nossos relatórios anteriores, o principal ativo da Sociedade consistia em depósitos bancários no Banco Santander. Depois de esforços substanciais, a 23 de maio de 2017, estes depósitos em numerário foram transferidos para as contas da Sociedade controladas pelos JOLs nas Ilhas Caimão. Foram transferidos, no total, €12,7 milhões e US$994.000.
6.2 Assumindo o controlo dos depósitos em numerário da Sociedade alterando a sua localização para as Ilhas Caimão, os JOLs foram posteriormente informados que dada a política corrente do Banco Central Europeu, o saldo da Sociedade, relativamente ao Euro, iria sofrer uma taxa de juro negativa de 0,5% por ano.
6.3 Com base no saldo euro detido pelos JOLs isto equivale a um cash drain de €5.000 por mês.
Consequentemente, durante o mês de dezembro foram encetados alguns debates com diferentes bancos para encontrar uma conta bancária Euro nas Ilhas Caimão, de forma a não sofrer custos diários.
6.4 Em janeiro de 2018, o saldo Euro foi transferido para uma nova conta controlada pelos JOLs, que já não tem de suportar custos diários.
7. Investigações
7.1 Os JOLs, após terem consultado a Comissão Liquidatária, iniciaram inúmeras investigações com base na revisão que fizeram dos livros e registos da Sociedade, que lhes foram providenciados no mesmo dia em que se tornaram publicamente disponíveis.
Estado do Penhor Financeiro
7.2 Está listado, nas contas auditadas da sociedade a 31 de dezembro de 2014, como ativo da Sociedade um empréstimo de uma conta a receber no valor de €14.75 milhões. Está alegadamente relacionado com a Sucursal do Banif SA na Offshore da Madeira.
7.3 Os JOLs e a Comissão Liquidatária, com visão limitada dos registos da Sociedade, pensaram inicialmente que isto seria potencialmente um ativo recuperável. No entanto, durante a reunião de novembro dos JOLs com o Banif SA, este ultimo afirmou que este empréstimo a receber de
€14.75 milhões não era devido e estava incorretamente registado.
7.4 Os JOLs não receberam qualquer prova que suportasse a análise do Banif SA e continua a investigar relativamente a esta matéria.
Extratos Bancários
7.5 Desde o nosso ultimo relatório, foram feitos mais pedidos ao Banif SA e ao Banco Santander para fornecerem os extratos bancários completos da Sociedade dos três anos anteriores a dezembro de 2016 e do período após a nomeação até 23 de maio de 2017, quando os fundos foram transferidos para o controlo dos JOLs.
7.6 Apesar da reunião com ambas as partes em novembro e os pedidos subsequentes, à data deste Relatório, ainda não foram fornecidos aos JOLs os extratos bancários completos da Sociedade.
As ações preferenciais do Banco Banif International
7.7 Como realçado previamente, os JOLs têm investigado os motivos que levaram à venda de 10.000 ações preferenciais nas Bahamas incorporadas no Banif International Bank (Em Liquidação Voluntária) (de ora em diante “BIB”) que foram vendidas pela Sociedade ao acionista maioritário do BIB, Santander SA, por US$100.000 em julho de 2016, cinco meses antes da nomeação dos JOLs.
7.8 Na mais recente reunião com o Banif SA, foi entregue aos JOLs uma cópia das contas do BIB datadas de 31 de dezembro de 2015 (seis meses antes da venda das ações ao Banco Santander).
Estas contas demonstram que o BIB estava insolvente com um passivo líquido no valor de US$36,7m. Consequentemente, foram informados os JOLs que o Banif SA tinha a opinião que as ações preferenciais que a Sociedade detinha no BIB não tinham qualquer valor. Foi também fornecido aos JOLs correspondência do Central Bank das Bahamas e do Banco Santander, que indicava um compromisso pelo último de contribuir com capital suficiente para o BIB de forma a assegurar um processo de liquidação, sem recurso à insolvência.
7.9 Durante a reunião entre os JOLs e o Banco Santander confirmou-se que a compra de ações preferenciais no BIB foi com o intuito de evitar um processo de insolvência e as suas conotações negativas. Embora não tenha sido realizada nenhuma avaliação formal, os JOLs entendem que o preço de compra foi um gesto simbólico de forma a comprometer a Sociedade na transação
que requereu tempo e esforços para ser celebrada, nos termos dos acordos executados e tendo sido necessária assessoria jurídica.
7.10 Com base nas informações disponíveis aos JOLs, estes pensam que a Sociedade não tem qualquer reclamação contra o BIB e/ou contra o Banco Santander relativamente à venda de ações preferenciais no BIB. No entanto, a obtenção de mais informação poderá alterar materialmente esta opinião.
Nota Banif SFE 09 (XS0476678288)
7.11 Como já sublinhado no Terceiro Relatório, as demonstrações financeiras de 2014 da Sociedade mostram um ativo no balanço, Nota Banif SFE 09, que representa uma obrigação emitida pelo Banif SA para a Sociedade no valor de €10 milhões.
7.12 A resolução bancária emitida em dezembro de 2015 pelo Banco de Portugal, dispensou o Banif SA de aderir aos termos e condições de certas obrigações incluindo a Banif SFE 09. Isto significa que, o Banif SA não terá de pagar qualquer juro ou custos de amortização relativamente à Obrigação Banif SFE 09 à Sociedade, enquanto a resolução estiver em vigor.
7.13 Os JOLs são ainda da opinião que seria difícil desafiar a decisão do governo português na tentativa de invalidar a medida de resolução que impede por completo qualquer reclamação que a Sociedade possa ter relativamente a esta matéria. Consequentemente, não existe qualquer perspetiva de recuperar este ativo.
7.14 No entanto, os JOLs não descartaram ainda a hipótese de participar numa ação conjunta com outras entidades e/ou credores, caso seja este seja o melhor interesse dos credores da Sociedade e iremos continuar a controlar esta posição.
8. Credores
8.1 Como detalhado no Segundo e Terceiro Relatório, os JOLs continuaram a investigar a ordem de prioridade entre as várias partes interessadas e, com base na informação atualmente detida pelos JOLs, entende-se que os credores (sendo “noteholders e unsecured creditors”) seriam
preferenciais em termos de senioridade relativamente aos acionistas preferenciais, que por sua vez teriam prioridade sobre os acionistas ordinários.
8.2 Ademais, após revistos os vários prospectos e termos das obrigações emitidas pela Sociedade, parece que certas obrigações são subordinadas em termos de prioridades. Enquanto a sua posição ainda está a ser analisada, uma análise preliminar sugere que dos três tipos de obrigações emitidas pela Sociedade, a obrigação perpétua não datada (XS0280064204 a
“Undated Note”) é subordinada às duas obrigações datadas (XS0476077366 e XS0280064469, coletivamente as “Dated Notes”).
8.3 À data deste Relatório, os JOLs receberam reclamações não decididas na Sociedade, da seguinte forma:
Tipo de Credor (Ordem de Prioridade) € US$
Unsecured Creditors 968.357,97 29.907,97
Dated Notes 16.417.610,00 Zero
Undated Notes 2.221.080,00 Zero
Total 19.607.047,97 29.907,97
8.4 O processo de adjudicação de todas as reclamações submetidas por “unsecured creditors” já começou. De acordo com a Ordem 18, regra 7 da CWR, o aviso da intenção de declarar um valor final para “unsecured creditors”, excluindo “Dated e Undated Notes” (Obrigações) (conjuntamente referidos como “Notes”), foi publicado no Correio da Manhã, um jornal nacional português, a 09 de fevereiro de 2018 (em Português), na Cayman Islands Gazette em 12 de fevereiro de 2018 (em Inglês) e publicado no site dos JOLs a 02 de fevereiro de 2018 (em inglês e português). Encontra-se no anexo I uma cópia destes anúncios.
8.5 As notificações estabelecem que todos as reclamações de créditos relativos a “unsecured creditors” terão de ser apresentadas aos JOLs até 16 de abril de 2018. Isto cumpre com a obrigação que os JOLs têm de fornecer um aviso de 60 dias aos “unsecured creditors” de acordo com a Ordem 18 regra 7 da CWR.
8.6 Como explicado no nosso Terceiro Relatório, os JOLs sabiam que as Notes foram emitidas através do sistema de pagamento global. Os JOLs trocam constantemente correspondência com a Citicorp Trustee Company Limited (a “Trustee”) que é o agente pagador e o trustee das Obrigações (“Notes”). As discussões com o Trustee dizem respeito à clarificação da forma actual das (“Notes”), quem é a entidade responsável por manter os detalhes dos beneficiários subjacentes e como as distribuições do produto da liquidação deverá ser realizada
8.7 Os JOLs foram avisados pelos advogados que o “Trustee” tem a obrigação e o direito contratual a representar o interesse dos “noteholders” na liquidação estando sujeito a certas condições e indemnizações caso exista incumprimento da entidade emissora. Isto inclui fazer uma reclamação em representação dos “noteholders”, recebendo um dividendo e distribuindo esse dividendo aos “noteholders”.
8.8 Estando ainda sujeito à conclusão destas discussões e a novos contributos dos assessores jurídicos, os JOLs acreditam firmemente que o envolvimento do “Trustee” irá diminuir os custos futuros da liquidação e irá acelerar a adjudicação das reclamações e o processo de distribuição do pagamento aos “noteholders” elegíveis.
9. Acionistas Preferenciais
9.1 À data do Relatório, os JOLs receberam reclamações de créditos de acionistas preferenciais da Sociedade, ainda não adjudicados, perfazendo um total de €3.312.425,31 e US$1.560.000,00.
9.2 De momento as reclamações de crédito de “unsecured noteholders” da Sociedade excedem o ativo em recuperação e assim o foco dos JOLs neste processo de adjudicação não irá incluir as pretensões dos acionistas preferenciais.
10. Reconhecimento de Sentença em Portugal
10.1 Os JOLs continuam regularmente a monitorizar o alcance das matérias relacionadas com o BANIF nos meios de comunicação portugueses. Em junho de 2017, os JOLs tomaram conhecimento das alegações feitas nos meios de comunicação em Portugal relativamente à propriedade da venda de ações preferenciais do BIB ao Banco Santander, tal como estabelecido no parágrafo 7.7, e da intenção de tomada de posição/ ações pela Associação de Vítimas do Banif ("ALBOA"). Pareceu aos JOLs que a ação coletiva em nome da Sociedade estava a ser
considerada em Portugal o que, se fosse iniciado, iria desobedecer a autoridade de supervisão exercida pelo Grand Court sobre os JOLs e a Sociedade.
10.2 Nessa conformidade, legalmente aconselhados, os JOLs iniciaram o processo para reconhecimento da sentença de insolvência e liquidação da Sociedade, bem como da sua nomeação como liquidatários, perante os tribunais portugueses, e procuraram a aprovação do Grand Court para agirem desta forma. A 28 de novembro de 2017, o Grand Court deu aos JOLs consentimento para prosseguirem qualquer ação necessária em Portugal para obter o reconhecimento da sua nomeação. Tendo recebido o Reconhecimento da Declaração de Insolvência para Procedimentos Estrangeiros do Tribunal de Comércio de Lisboa a 21 de setembro de 2017, a ordem do Grand Court permitiu que os JOLs obtivessem a publicação do seu reconhecimento em Portugal. Foi submetido o pedido para publicação e publicidade da decisão que reconheceu a Declaração de Insolvência em Portugal a 29 de janeiro de 2018. Esta decisão foi publicada pelo site oficial português “Citius” a 7 de fevereiro de 2018.
11. Contas e Custos da Liquidação
11.1 Está incluido no Anexo II uma cópia das contas dos JOLs que mostra os recibos e pagamentos pela Sociedade. À data do Relatório, o saldo de tesouraria da Sociedade era de €12.560.228,26 e US$249.079,27.
11.2 A 31 de dezembro de 2017, o custo total do tempo dos JOLs era de US$421.601,50. O desembolso total de custos foi de US$85.413,42. Estes custos de desembolso relacionados com custos de correio, fotocópias e outros custos de comunicação feitos com várias partes interessadas internacionais. Também inclui os voos e custos de alojamento dos JOLs nas repetivas reuniões que foram tidas em Portugal. Podemos encontrar um sumário do custo do tempo dos JOLS no Anexo III.
11.3 A 31 de dezembro de 2017, os custos com assessoria jurídica eram os seguintes:
11.3.1 Cayman Counsel, Walkers Global: US$456.208,01 11.3.2 Assessoria Portuguesa, PLMJ $95.557,41
12. Outros Assuntos
12.1 O Sr. Kennedy notificou as RHSW (Ilhas Caimão) Limited e o Sr. Trott da sua demissão da RHSW (Ilhas Caimão) Limited e assim também da sua demissão dos vários compromissos relativos à liquidação, incluindo o desta Sociedade.
A notificação da demissão do Sr. Kennedy considerou-se eficaz a partir de 28 fevereiro de 2018, tendo sido enviada para a Comissão Liquidatária a 28 de Fevereiro de 2018. É possível encontrar uma cópia desta carta no Anexo IV.
12.2 É assim, intenção dos JOLs apresentar um requerimento junto do “Grand Court” que confirma a demissão do Sr. Kennedy como liquidatário oficial da Sociedade. Tendo como objetivo evitar custos desnecessários e maximizar o uso eficiente do tempo do “Grand Court”, esta notificação será feita ao mesmo tempo com o pedido de aprovação dos honorários dos JOLs para o período até 31 de dezembro de 2017.
12.3 De momento, não existe qualquer intenção de nomear um substituído do Sr. Kennedy. No entanto, se parecer necessário, será apresentado um pedido ao Grand Court para a nomeação de um segundo liquidatário.
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12.4 Caso tenha qualquer dúvida relativamente ao conteúdo deste Relatório, por favor contacte o JOL Martin Trott, através do endereço de e-mail [email protected] ou Owen Walker através do endereço de e-mail [email protected].
______________________
Martin Trott
Co-Liquidatário Oficial
Banif Finance Limited (Em Liquidação Oficial)
Anexo I
Formulário 33 da CWR com a Notificação da Intenção da Declaração do Dividendo Final (Inglês e Português)
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CWR Form 33
Notice of Intention to Declare Final Dividend (O.18, r.7) THE COMPANIES LAW
NOTICE OF INTENTION TO DECLARE FINAL DIVIDEND Banif Finance Limited – In Official Liquidation
(the “Company”)
Grand Court Cause No. 169 of 2016 (IMJ)
To: The Unsecured Creditors of the Company
TAKE NOTICE that the Joint Official Liquidators intend to declare a final dividend.
Any Unsecured Creditor who has not already lodged his proof of debt with the Joint Official Liquidators must do so no later than Monday 16 April 2018. The Joint Official Liquidators are not obliged to adjudicate upon any proof of debt received after this date with the result that your failure to lodge a proof of debt by the final date for proofing may result in you being excluded from the final distribution.
Please note that above notice applies to unsecured creditors only and not Company Noteholders or Preferred Shareholders.
Dated: 2 February 2018 Martin Trott
Joint Official Liquidator Contact for Enquiries:
James McGrath
Telephone: (345) 949 7576 Facsimile: (345) 949 8295
Email: [email protected] Address for Service:
P.O. Box 897 Windward 1 Regatta Office Park Grand Cayman KY1-1103 Cayman Islands
Formulário 33 do Regime de Liquidação das Ilhas Cayman (Cayman Islands Winding Up Rules, na redação em vigor, de ora em diante, “CWR”)
Notificação da Intenção de Declarar um Dividendo Final (O. 18, r. 7) THE COMPANIES LAW
NOTIFICAÇÃO DA INTENÇÃO DE DECLARAR UM DIVIDENDO FINAL Banif Finance Limited – Em Liquidação Oficial, In Official Liquidation
(de ora em diante, a “Sociedade) Processo n.º 169 de 2016 (IMJ) do Grand Court
Para: Credores não Garantidos da Sociedade
CONSIDEREM-SE INFORMADOS que os Liquidatários oficiais tencionam declarar um dividendo final.
Qualquer Credor não Garantido que ainda não tenha apresentado o comprovativo de dívida junto dos Liquidatários Oficiais deverá faze-lo até ao dia 16 de abril de 2018, segunda feira. Os Liquidatários Oficiais não estão obrigados a pronunciar-se relativamente a qualquer comprovativo de dívida recebido após a mencionada data, sendo que a falta de apresentação do comprovativo de dívida até ao dia 16 de abril de 2018 poderá resultar na exclusão da distribuição final.
Recordamos que a informação supra aplica-se a credores que ainda não se consideram provados e não a detentores de Obrigações ou Acionistas Preferenciais da Sociedade.
Data: 02 de fevereiro de 2018 Martin Trott
Liquidatário Oficial Contacto para Questões:
James McGrath
Telefone: (345) 949 7576 Facsimile: (345) 949 8295
E-mail: [email protected] Morada para Correio:
P.O. Box 897 Windward 1 Regatta Office Park Grand Cayman KY1-1103 Cayman Islands
Anexo II
Recibos dos Liquidatários Oficiais e Pagamento das Contas de 06 de dezembro de 2016 até 31 de dezembro de 2017
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USD EUR Receipts
Cash at Bank $ 994,222.82 € 12,675,575.16
Refunded Retainer $ - € 522.66
Total Receipts € 994,222.82 € 12,676,097.82
Payments
Bank Charge $ (680.00) € (425.00)
Former Director Fee $ (3,670.00) € -
Legal Fees $ (223,090.20) € (88,846.13)
Liquidator Fee $ (443,511.98) € -
Petitioner Costs $ (74,191.37) € -
Negative Interest Charge $ - € (26,598.43)
Total Payments $ (745,143.55) € (115,869.56)
Closing Cash Balance $ 249,079.27 € 12,560,228.26
Accrued Expenses
JOLs' Fees and Costs $ (47,387.80) € -
Legal Fees and Costs $ (241,349.73) € 47.22
Total Accrued Expenses $ (288,737.53) € 47.22
Net Closing Position $ (39,658.26) € 12,560,275.48
Conversion of USD to EURO (USD/EURO rate of 0.8347 at 31 December 2017) € (47,511.99) € 12,560,275.48
EURO Net Closing Position € 12,512,763.49
Accounts of the Joint Official Liquidators
6 DECEMBER 2016 (DATE OF APPOINTMENT) TO 31 DECEMBER 2017 RECEIPTS AND PAYMENTS ACCOUNT
BANIF FINANCE LIMITED (IN OFFICIAL LIQUIDATION)
Anexo III
Resumo dos Custos dos Liquidatários Oficiais relativamente ao período de 07 de maio de 2017 a 31 de dezembro de 2017
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Summary of the Liquidators’ Time Costs for the Period 7 May 2017 to 31 December 2017
Hours Cost
Liquidator Hours 5.00 - 3.60 2.50 4.30 27.20 0.40 5.60 0.80 49.40 37,050.00 Director Hours 14.70 0.40 - - 1.70 16.50 - 6.70 2.00 42.00 27,300.00 Manager Hours 45.30 8.00 17.50 - 26.30 94.30 - 47.50 10.00 248.90 112,005.00 Assistant
Manager Hours - - - - - - - - - - - Senior
Administrator
Hours 26.90 1.80 16.60 0.80 34.80 54.70 7.90 30.10 12.90 186.50 53,152.50 Hours 91.90 10.20 37.70 3.30 67.10 192.70 8.30 89.90 25.70 526.80
Cost 41,356.50 4,373.00 15,306.00 2,103.00 26,083.00 89,149.50 2,551.50 38,508.50 10,076.50 229,507.50 450.02 428.73 405.99 637.27 388.72 462.63 307.41 428.35 392.08
750 Total Fees $ 229,507.50 Director 650 Disbursements $ 19,076.16 545 Total $ 248,583.66 450
350 285
Liquidators Reports
Total
435.66
Assistant Manager
Investigations
and Legal Investors Liquidation Committee
Liquidator
Senior Manager Manager
Senior Administrator
Charge out Rates as per Remuneration Agreement
Banif Finance Limited (In Official Liquidation)
Avg Hourly Rate Total
Administration Appointment Assets
Collection and Review of Information
Creditors
Anexo IV
Carta de Demissão do Sr. Kennedy
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