ALLEGRO
VIVACE
F O R T I S S I M O N º 1 2 — 2 0 1 8
1 2 / J U L
Fabio Mechetti, regente P R O G R A M A
ALLEGRO
VIVACE
1 2 / J U L
1 3 / J U L
I N T E R V A L OJOSEPH
HAYDN
ANTON
BRUCKNER
Sinfonia nº 4 em Mi bemol maior,
“Romântica”
Agitado, não muito rápido Andante quasi Allegretto
Scherzo: Agitado – Trio: Não muito rápido Finale: Agitado, mas não muito rápido
Ministério da Cultura
apresenta
Sinfonia nº 96 em Ré maior,
Hob. I:96, “Milagre”
Adagio – Allegro Andante
Minueto: Allegretto Vivace
FO
TO: RAF
AEL MO
TT
A
Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008, Fabio Mechetti posicionou a orquestra mineira no cenário mundial da música erudita. Além dos prêmios conquistados, levou a Filarmônica a quinze capitais brasileiras, a uma turnê pela Argen-tina e Uruguai e realizou a gravação de oito álbuns, sendo três para o selo internacional Naxos. Natural de São Paulo, Mechetti serviu recentemente como Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro
regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática.
Nos Estados Unidos, Mechetti esteve quatorze anos à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville e, atualmente, é seu Regente Titular Emérito. Foi tam-bém Regente Titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane, da qual hoje é Regente Emérito. Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio. Da Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey. Continua dirigindo inú-meras orquestras norte-americanas e é convidado frequente dos festivais de verão norte-americanos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.
Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. No seu repertório destacam-se produções de Tosca, Turandot, Carmem, Don Giovanni, Così fan tutte, La Bohème, Madame Butterfly, O barbeiro de Sevilha, La Traviata e Otello.
Suas apresentações se estendem ao Canadá, Costa Rica, Dinamarca, Escandi-návia, Escócia, Espanha, Finlândia, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Suécia e Venezuela. No Brasil, regeu todas as importantes orquestras brasileiras. Fabio Mechetti é Mestre em Regência e em Composição pela Juilliard School de Nova York e vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, da Dinamarca.
FABIO
MECHETTI
Diretor Artístico e Regente Titular
A formidável tradição da música austríaca é representada na noite de hoje por dois de seus maiores compositores. Desde o classicismo exemplar do compositor respon-sável pela formatação estrutural da sinfonia como obra máxima da expressão sinfônica até um de seus maiores expoentes, que a levou à sua plenitude, a Filar-mônica mostra sua reconhecida qualidade ao embarcar nesse universo puramente instrumental.
De Haydn ouviremos sua Sinfonia
nº 96, erroneamente denominada
de “Milagre” (ver nota de pro-grama), mas certamente uma das mais charmosas do profícuo compositor clássico. No outro extremo revisitaremos a Sinfonia
nº 4 de Bruckner, conhecida como
Romântica e uma de suas obras mais célebres.
Uma oportunidade única de, lado a lado, vivenciarmos a força da música puramente instru- mental executada pela nossa Filarmônica.
FABIO MECHETTI
CAROS AMIGOS
2 flautas, 2 oboés, 2 fagotes, 2 trompas, 2 trompetes, tímpanos, cordas.
HAYDN
J O S E P H
S I N F O N I A N º 9 6 E M R É M A I O R , H O B . I : 9 6 , “ M I L A G R E ”
Rohrau, Áustria, 1732 – Viena, Áustria, 1809
1791 / 20 minutos
Instrumentação
Na segunda metade do século XVIII, os gêneros musicais associados à forma sonata clássica, como a Sinfo-nia e o Quarteto de Cordas, chega-ram à plena maturidade, sobretudo na obra de Haydn e Mozart. Sob esse aspecto, as 104 sinfonias de Haydn constituem um legado ímpar. Quando o repertório atual de con-certo se volta para os primórdios do gênero, fixa-se inevitavelmente nas três sinfonias – Le matin, Le midi,
Le soir – que ele compôs em 1761.
Essas pequenas sinfonias foram os primeiros trabalhos do músico para a poderosa família Esterházy, à qual serviu por quarenta anos. Confi-nado aos palácios de seus patrões, Haydn vivia em grande isolamento artístico. Por outro lado, tinha uma excelente orquestra à sua disposi- ção, podendo assim testar imedia-tamente suas originais experiências musicais. Essas se estenderam por cerca de meio século – começam no estilo galante e culminam nos primórdios do Romantismo. Nas primeiras sinfonias, ele faz uma
síntese brilhante do Barroco e do Classicismo. Aos poucos, toma dife-rentes orientações. De 1766 até 1774 (época do movimento romântico
Sturm und Drang), sua obra adquire
um tom mais subjetivo. E quando, em 1784, Haydn estabelece uma relação de amizade e admiração recíproca com Mozart, os dois gênios deixam-se influenciar mutuamente, apesar da grande diferença de idade e de temperamento.
Inevitavelmente, a fama de Haydn ex-trapolaria os domínios dos Esterházy. Com as duas longas viagens a Londres, realizadas entre 1791 e 1795, por con- ta do empresário e violinista Johan Peter Salomon, o compositor encon-trou-se finalmente em contato direto com o grande público. O sucesso
fenomenal dessas turnês marcou a história da música, pois Haydn, aos sessenta anos, aceitou o desafio de escrever música realmente nova – as doze sinfonias Salomon (números 93 a 104) possuem acentuado caráter experimental. A série de concertos teve início em 11 de março de 1791, nos Hanover Square Rooms, quando a Sinfonia nº 96 foi apresentada, causando grande entusiasmo (a cronologia das sinfonias londrinas não corresponde à sua numeração).
O primeiro movimento possui uma solene e lenta introdução em Adagio, seguida do brilhante Allegro baseado em motivo rítmico de três notas repetidas. No Andante, a participa-ção dos trompetes e dos tímpanos possui grande efeito dramático. Em uma inusitada cadência, dois violinos solo reverenciam o gosto inglês pelo
concerto grosso. Esse movimento foi
bisado em sua estreia. O Minueto (Allegretto) lembra uma grandiosa
marcha. Seu Trio, entretanto, é um característico Ländler vienense – apresentando o famoso solo de oboé acompanhado pelas cordas. Para o último movimento, Vivace, Haydn recomendava “pianíssimo e o mais rápido possível”. Trata-se de um Rondó, com destaque para a estrofe angustiada em tom menor e a seção somente para os sopros.
O curioso subtítulo Milagre foi atri- buído a essa sinfonia pelo biógrafo Dies, referindo-se à queda de um pesado candelabro no teatro, duran-te sua primeira apresentação. Por milagre, ninguém ficou ferido. Mais tarde, soube-se que esse fato se deu, na verdade, durante a estreia da Sinfonia nº 102, mas o subtítulo permaneceu ligado à Sinfonia nº 96.
Referências Para ouvir CD Haydn – Famous Symphonies, vol. 1 – Nos. 82, 96, 100 – Capella Istropolitana – Barry Wordsworth, regente – Naxos – 1988 Para ouvir
The Netherlands Radio Philharmonic Orchestra – Federico Maria Sardelli, regente – Acesse: fil.mg/hmilagre Editora Bärenreiter com a Filarmônica Primeira apresentação Para ler H. C. Robbins Landon – Haydn, sinfonias – Guias Musicais BBC – Zahar – 1984 Para assistir Le Concert Olympique – Jan Caeyers, regente (1º mov.) – Acesse:
fil.mg/hmilagre1
Paulo Sérgio Malheiros dos Santos
Pianista, Doutor em Letras, professor na UEMG, autor dos livros Músico, doce músico e O grão perfumado – Mário de Andrade e a arte do inacabado. Apresenta o programa semanal Recitais Brasileiros, pela Rádio Inconfidência.
2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, 4 trompas, 3 trompetes, 3 trombones, tuba, tímpanos, cordas
BRUCKNER
A N T O N
S I N F O N I A N º 4 E M M I B E M O L M A I O R , “ R O M Â N T I C A ”
Ansfelden, Áustria, 1824 – Viena, Áustria, 1896
1874, revisão em 1880 / 70 minutos
Instrumentação
Durante um ensaio de sua quarta sinfonia, conta-nos Roland de Candé em sua História Universal da Música, Bruckner “se aproxima encantado do maestro Hans Richter e põe-lhe na mão um táler, recomendando-lhe beber uma caneca de cerveja à sua saúde”. Essa moedinha, segue Candé, foi conservada religiosamente por Richter presa à corrente de seu relógio. Das muitas anedotas que envolvem a pessoa de Bruckner, essa talvez seja a mais célebre e ilustra bem a sua figura um tanto simplória, tímida, ao mesmo tempo desajeitada e enternecedora. Por isso mesmo é que ele se tornou uma das personagens mais cativan-tes da história da música. Mas isso não lhe diminuiu a importância! Ao contrário, Bruckner é uma ponte direta entre Schubert e Mahler e, daí, à Segunda Escola de Viena. Foi através da ascendência de Wagner sobre Bruckner que a música na Áustria encontrou a necessidade de escapar das estruturas clássicas e de finalmente emancipar a disso-nância. Por isso seu romantismo é tão profundo: ele é mais instintivo,
mais livre e mais ousado do que a maioria de seus contemporâneos.
Exímio organista, atividade que exerceu boa parte de sua vida, Bru-ckner era extremamente devoto, por formação e por temperamento. Sua música transpira tanto uma coisa quanto outra. Seja por opor famílias instrumentais homogêneas, seja por nos fazer contemplar um grandioso cheio, a disposição de sua orquestra lembra, por vezes, os registros do órgão. Sua piedade religiosa é uma das principais fon-tes de sua atividade criadora. Ele transporta para o universo sinfônico a espiritualidade dos corais, e os extensos desenvolvimentos temá-ticos de suas sinfonias parecem exalar uma metafísica em que o tempo não conta no diálogo com
Deus. Ademais, os longos períodos de maturação em seu trabalho de compositor e as múltiplas revisões de suas obras parecem refletir um senso de temerosa responsabilidade diante da vocação que as inspira.
A Quarta Sinfonia não escapa ao caso. Ela sofreu inúmeras modifi-cações, até 1888. A despeito das revisões anteriores e posteriores, foi estreada em Viena, sob a batuta de Hans Richter, em 1881. Foi um sucesso estrondoso e conta-se que o compositor foi chamado ao palco para saudar o público ao final de cada um dos movimentos. Desde então, ela se tornou uma das obras mais célebres e mais executadas de Bruckner. O apelido “Romântica”, dado por ele mesmo, parece advir de um programa imagético, à maneira de Wagner, baseado em castelos, caçadas e festejos medievais. Isso,
no entanto, é o que menos conta na obra. Importam muito mais o
Ländler (dança tradicional austríaca)
usado na seção central do terceiro movimento, que, se não se tivesse a certeza de Bruckner, suspeitar-se-ia Schubert; as duas ideias melódicas que se opõem no segundo movi-mento (de causarem inveja a qual-quer dialética) e, aí, o discurso quase declamado posto na voz das violas; os contrastes entre metais e cordas no primeiro movimento e, nele, as melodias que sabem ao popular.
É que Bruckner nunca abandona o lirismo melódico da tradição de Schubert. Se ele algum dia foi cha-mado de prolixo, é porque seus críticos não souberam ver que suas obras exalam o perfume da eternidade. Referências Para ouvir CD Bruckner 4 – Münich Philharmonic Orchestra – Sergiu Celibidache, regente – EMI Classics – 2005 Editora Kalmus
Moacyr Laterza Filho Pianista e cravista, Doutor em Literaturas de Língua Portuguesa, professor da Universidade do Estado de Minas Gerais e da Fundação de Educação Artística. Para assistir Münchner Philharmoniker – Sergiu Celibidache, regente (versão 1881) – Acesse: fil.mg/ bromanticasc Última apresentação 02/10/2008 Fabio Mechetti, regente
Para ler Constantin Floros – Anton Bruckner: the man and the work – Peter Lang GmbH/ Internationaler Verlag der Wissenschaften – 2014 Para assistir Wiener Philharmoniker – Claudio Abbado, regente (versão 1878/1880) – Acesse: fil.mg/bromanticaca
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DIAS 2 E 3 DE AGOSTO, 20h30
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FILARMÔNICA
DE MINAS GERAIS
Diretor Artístico e Regente Titular Regente Associado
Fabio Mechetti
* principal ** principal associado *** principal assistente **** principal assistente substituta ***** músico convidado
Primeiros Violinos
Anthony Flint – Spalla Peter Danis – Spalla
convidado
Rommel Fernandes –
Spalla associado
Ara Harutyunyan –
Spalla assistente
Ana Paula Schmidt Ana Zivkovic Arthur Vieira Terto Dante Bertolino Joanna Bello Roberta Arruda Rodrigo Bustamante Rodrigo M. Braga Rodrigo de Oliveira Segundos Violinos Frank Haemmer * Hyu-Kyung Jung **** Gideôni Loamir Jovana Trifunovic Luka Milanovic Martha de Moura Pacífico Matheus Braga Radmila Bocev Rodolfo Toffolo Tiago Ellwanger Valentina Gostilovitch Violas
João Carlos Ferreira * Roberto Papi *** Flávia Motta Gerry Varona Gilberto Paganini Katarzyna Druzd Luciano Gatelli Marcelo Nébias Nathan Medina Violoncelos Philip Hansen * Robson Fonseca *** Camila Pacífico Camilla Ribeiro Eduardo Swerts Emília Neves Lina Radovanovic Lucas Barros William Neres Contrabaixos Nilson Bellotto * André Geiger *** Marcelo Cunha Marcos Lemes Pablo Guiñez Rossini Parucci Walace Mariano Flautas Cássia Lima * Renata Xavier *** Alexandre Braga Elena Suchkova Oboés Alexandre Barros * Públio Silva *** Israel Muniz Moisés Pena Clarinetes
Marcus Julius Lander * Jonatas Bueno *** Ney Franco Alexandre Silva Fagotes Catherine Carignan * Victor Morais *** Andrew Huntriss Francisco Silva Trompas
Alma Maria Liebrecht * Evgueni Gerassimov *** Gustavo Garcia Trindade José Francisco dos Santos Lucas Filho Fabio Ogata Trompetes Marlon Humphreys * Érico Fonseca ** Daniel Leal *** Tássio Furtado Trombones
Mark John Mulley * Diego Ribeiro ** Wagner Mayer *** Renato Lisboa Tubas Eleilton Cruz * Rafael Mendes ***** Tímpanos Patricio Hernández Pradenas * Percussão Rafael Alberto * Daniel Lemos *** Sérgio Aluotto Werner Silveira Harpa Clémence Boinot * Teclados Ayumi Shigeta * Gerente Jussan Fernandes Inspetora Karolina Lima Assistente Administrativa Débora Vieira Arquivista
Ana Lúcia Kobayashi
Assistentes Claudio Starlino Jônatas Reis Supervisor de Montagem Rodrigo Castro Montadores Hélio Sardinha Klênio Carvalho Risbleiz Aguiar
Marcos Arakaki
Oscip – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público — Lei 14.870 / Dez 2003
Fortissimo Julho nº 12 / 2018 ISSN 2357-7258 Editora Merrina Godinho Delgado Edição de texto Berenice Menegale O Fortissimo está indexado aos sistemas nacionais e internacionais de pesquisa. Você pode acessá-lo também em nosso site. Este programa foi impresso em papel doado pela
Resma Papéis. Conselho Administrativo Presidente emérito Jacques Schwartzman Presidente
Roberto Mário Soares
Conselheiros Angela Gutierrez Arquimedes Brandão Berenice Menegale Bruno Volpini Celina Szrvinsk Fernando de Almeida Ítalo Gaetani Marco Antônio Pepino Marco Antônio Soares da Cunha Castello Branco Mauricio Freire Octávio Elísio Paulo Brant Sérgio Pena Diretoria Executiva Diretor Presidente Diomar Silveira Diretor Administrativo-financeiro Estêvão Fiuza Diretora de Comunicação Jacqueline Guimarães Ferreira Diretora de Marketing e Projetos Zilka Caribé Diretor de Operações Ivar Siewers Equipe Técnica Gerente de Comunicação Merrina Godinho Delgado Gerente de Produção Musical Claudia da Silva Guimarães Assessora de Programação Musical Gabriela de Souza Produtores
Luis Otávio Rezende Narren Felipe Analistas de Comunicação Mariana Garcia Renata Gibson Renata Romeiro Analista de Marketing de Relacionamento Mônica Moreira Analistas de Marketing e Projetos Itamara Kelly Mariana Theodorica Assistente de Marketing de Relacionamento Eularino Pereira Assistente de Produção Rildo Lopez Auxiliares de Produção André Barbosa Jeferson Silva Equipe Administrativa Gerente Administrativo-financeira
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AGENDA
Julho / 2018N A C A PA
Anton Bruckner, de Kaulbach
AGENDA
Julho / 2018DIAS 5 E 6, 20h30 Presto e Veloce DIAS 12 E 13, 20h30 Allegro e Vivace DIA 21, 18h Fora de Série /
Estados Unidos
DIA 29 Clássicos na Praça / Betim
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