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A importância da Liderança no sucesso da implementação Lean

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Academic year: 2021

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A importância da Liderança no sucesso da implementação Lean 

Paulo Cesar Brito Lauria  Muitas empresas têm se lançado na jornada de implementar a filosofia lean nas últimas décadas. No  entanto,  parece  que  o  sucesso  na  implementação  é  restrito  a  uma  pequena  parte  delas.  Considerando‐se  que  as  ferramentas  utilizadas  são  mais  ou  menos  as  mesmas  para  todas  as  empresas, faz‐se então necessário refletir sobre as possíveis causas desse fracasso e propor soluções  que permitam que um maior número de empresas tenha sucesso na implementação da filosofia lean.   A  participação  efetiva  da  liderança  nesse  processo  parece  ser  de  fundamental  importância.  Então,  não será possível uma empresa mudar – efetivamente ‐ de uma filosofia de produção em massa para  uma  filosofia  lean,  se  a  liderança  não  abandonar  suas  técnicas  de  gestão  tradicionais  e  passar  a  adotar técnicas de liderança lean. 

 

Sucesso X fracasso 

Apesar  de  a  filosofia  lean  estar  amplamente  divulgada,  das  ferramentas  serem  conhecidas  e  padronizadas, o sucesso na implementação ainda é restrito a um número pequeno de empresas. A  seguir são apresentadas algumas possíveis causas para isso: 

a)  As  empresas  consideram  os  conceitos  lean  como  algo  adicional  a  ser  feito  e  não  como  um  investimento para o futuro; 

b) A filosofia lean é conhecida superficialmente e, consequentemente, pouco enraizada. As pessoas,  em geral, não vão ao genba (incluindo os líderes que querem fazer a gestão do seu escritório);  c) Uso do lean de forma “ferramentalizada” (aplicação pura e simples das ferramentas) e não como  uma filosofia que deve ser absorvida e tornar‐se parte da cultura das empresas; 

d)  Não  envolvimento  da  liderança,  que  acaba  achando  que  a  responsabilidade  está  nas  mãos  das  áreas operacionais e, por isso, acaba não se transformando junto com a empresa; 

e)  Não  envolvimento  da  área  de  recursos  humanos.  É  de  fundamental  importância  que  os  profissionais de RH acompanhem a atuação dos líderes das organizações e percebam qual o grau de  engajamento e, em caso de baixa adesão, estabeleçam ações de convencimento e conscientização de  que eles são as peças‐chave no sucesso da jornada lean.  A prática tem mostrado que mais ou menos uma terça parte das empresas que iniciam o processo  tem sucesso na implementação; outra terça parte fala muito sobre o assunto, mas na prática, não faz  nada e, por fim, a última terça parte inicia o processo e após um ou dois anos, por acharem que já  estão  dominando  o  assunto,  deixam  de  investir  nesse  processo,  não  conseguem  sustentação  e  voltam ao sistema convencional. 

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O  papel  da  liderança  é  fundamental  para  o  sucesso  da  implementação  do  lean  nas  empresas.  É  a  liderança  a  responsável  por  patrocinar  um  processo  de  mudança  baseado  na  filosofia  lean.  É  um  processo “top‐down”, de cima para baixo. Empresas cujo “patrocinador” do lean é o presidente tem  mais chances de sucesso do que aquelas cujo “patrocinador” é um gerente de uma determinada área  (na  maioria  das  vezes,  da  produção).  É  importante  deixar  claro  que  “patrocinar”  não  significa  falar  apenas e deixar as pessoas trabalharem. É estar junto com a equipe. É falar “Siga‐me. Vem comigo  que eu estou junto com você”. É o líder participativo do processo. 

O líder deve guiar sua equipe rumo às mudanças e rumo à melhoria, seja fazendo perguntas corretas,  que  desafiem  a  equipe  a  buscar  soluções,  seja  removendo  obstáculos  para  que  a  melhoria  possa  acontecer, ou seja, proporcionando recursos para que a mudança se concretize. Acima de tudo, ele  deve reconhecer e celebrar o sucesso da sua equipe. 

Outro  ponto  importante  é  o  reconhecimento  por  parte  da  liderança  que  a  filosofia  lean  não  é  implantação  de  ferramentas  apenas.  O  líder  lean  deve  infundir  a  filosofia  lean  na  “corrente  sanguínea”  da  equipe,  não  apenas  com  palavras  bonitas,  mas  com  atitudes  concretas.  O  líder  lean  deve sair do seu escritório e fazer a gestão no genba. Deve estar junto de sua equipe e reconhecer  que  os  principais  agentes  de  mudança  ou  melhoria  são  os operadores  –  aqueles  que  efetivamente  conhecem os processos a fundo e podem contribuir em muito para a melhoria. 

O  nível  de  comprometimento  da  liderança  é  diretamente  proporcional  ao  sucesso  ou  fracasso  da  implementação.  Ainda,  nas  empresas  que  obtiveram  sucesso  ou  que  fracassaram,  os  bons  e  maus  exemplos de implementação do lean se resumem em uma coisa: “o comprometimento do líder”.  Características do líder lean 

Ao  se  observar  empresas  bem  sucedidas  na  implementação  do  lean,  algumas  característicasda  liderança parecem estar presentes: 

Ser  agente  de  mudança,  liderar  pelo  exemplo.  Nesse  caso,  é  o  líder  que  efetivamente  atua  para  transformar a empresa e fazer com que a filosofia lean passe a “correr nas veias” de sua equipe. É o  líder que diz “Siga‐me. Vem comigo que eu estou junto com você”. 

Saber escutar a todos, ser democrático. É o líder que reconhece que o conhecimento dos processos  está  disseminado  por  toda  a  equipe  e  que  ninguém  melhor  do  que  ela  para  dar  idéias  simples  e  eficazes de melhoria. É o líder que entende que a opinião do grupo deve prevalecer sobre a opinião  individual. 

Conhecer lean. O líder lean deve estudar a filosofia lean, ler livros sobre o assunto (inclusive sobre as  chamadas  ‘ferramentas  lean’).  É  claro  que  o  líder  não  precisa  conhecer  a  fundo  a  utilização  das  ferramentas, já que, na maior parte das vezes, ele não vai se envolver na aplicação delas. Ainda, ele  deve procurar reconhecer que mudanças são necessárias no seu modo de gestão. De uma maneira 

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Ter tempo e disposição para freqüentar o genba. É o líder que faz sua gestão no genba, ou seja, no  local onde o trabalho é realizado. É o líder que entende que a liderança vai muito além de planilhas e  relatórios  apresentados  no  seu  computador,  semanal  ou  mensalmente.  O  líder  lean  deve  estar  constantemente  no  genba  e,  acompanhar  ‘em  tempo  real’  o  que  está  acontecendo.  Relatórios  semanais  (ou  mesmo  diários)  dão  uma  visão  do  que  já  ocorreu  e,  conseqüentemente,  as  ações  tomadas a partir dessa visão serão sempre ações corretivas, de contenção, onde os desperdícios já  ocorreram e o cliente já foi impactado de alguma maneira. Então, o líder deve estar sempre presente  no genba. 

Fazer a pergunta certa. O líder deve ter consciência que sua atitude frente à sua equipe é estimular  as  pessoas  a  resolverem  os  problemas,  melhorarem  os  processos  e  se  sentirem  responsáveis  por  isso.  O  líder  deve,  então,  fazer  perguntas  adequadas  que  provoquem  na  equipe  o  desejo  pela  melhoria.  Essas  perguntas  devem  permitir  que  a  equipe  explore  mais  a  problemática,  tenha  mais  fatos  e  dados,  faça  uma  reflexão  sobre  as  causas  do  problema  (diagnóstico)  e,  também,  sejam  desafiadoras (provoquem o desejo pela melhoria). É importante salientar que essa atitude de fazer  perguntas certas, de provocar a equipe precisa, obrigatoriamente, ser acompanhada do respeito por  todos. Perguntas que levem a respostas do tipo ‘sim’ ou ‘não’ devem ser evitadas.  Desenvolvimento da liderança lean  O desenvolvimento do líder lean passa obrigatoriamente pela formação em conceito e ferramentas  lean, mas também passa por conceitos de liderança lean.  Em termos de formação, além das ferramentas lean, o líder deve se dedicar a matérias como gestão  de  mudanças,  transformação  lean  e  aspectos  relacionados  a  relacionamento  interpessoal.  Futuros  líderes  lean  devem  ser  escolhidos  não  somente  por  seus  diplomas,  mas  principalmente  por  suas  competências. 

O desenvolvimento da liderança, então, deve ser acompanhado de perto por pessoas experientes em  liderança lean, para que através de treinamento e coaching, comecem a moldar os líderes na filosofia  lean. Um dos pontos importantes a ser explorado é o chamado pensamento A3. Os líderes devem se  acostumar  a  encarar  os  problemas  e  oportunidades  de  melhoria  de  uma  forma  sistêmica  e  bem  estruturada, de modo a atingir resultados precisos e sustentáveis. Eliminação de desperdícios e busca  diária  da  melhoria  dos  processos  é  pré‐requisito  para  toda  a  liderança.  E  para  que  isso  ocorra  de  modo natural e  constante, o  uso do A3 deve  passar da simples  aplicação do  formulário A3 para  a  utilização do pensamento A3.  

Um  fator  complicador  no  desenvolvimento  de  líderes  lean  é  a  dificuldade  de  se  mudar  o  modelo  mental da gestão tradicional para a gestão lean, já que muitos conceitos são contraditórios frente ao  que  foi  aprendido  durante  a  formação  acadêmica  ou  à  prática  utilizada  há  longo  tempo.  O  quadro  abaixo mostra algumas diferenças entre a gestão tradicional e a gestão lean. 

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    Medidas de engajamento  Com relação à maneira de se medir o engajamento da liderança aos princípios e práticas lean, não  existem medidas diretas. No entanto, algumas evidências observadas dão pistas desse engajamento:  a) Envolvimento do líder no genba:Quanto mais o líder frequenta o genba, em busca de desperdícios  e demelhorias nos processos, mais chance a empresa tem de ser bem sucedida na implementação do  lean.  b)Pesquisa de Clima Organizacional: Uma liderança lean fomenta o espírito de melhoria contínua e  isso se reflete no clima da organização. 

c)  Mudanças  de  hábitos,  comportamento  e  atitudes:  Quase  sempre  essas  mudanças  refletem  no  resultado da área e na geração de novos líderes lean. 

d)  Resultados  do  negócio  a  longo  prazo  e  solidez  dos  processos:  A  liderança  lean  tem  responsabilidade direta pelo sucesso da implementação do lean na empresa e, consequentemente,  no resultado organizacional. 

e) Desdobramento vertical e horizontal da estratégia: A existência de um desdobramento profundo  na  estratégia  (ou  norte  verdadeiro)  de  uma  empresa,  tanto  na  vertical  (entre  níveis  hierárquicos)  quanto na horizontal (entre pares) caracteriza‐se como uma evidência que os líderes dessa empresa  assumiram atitudes e comportamentos de líderes lean. Esse desdobramento deve partir do primeiro  homem da empresa (independente do tamanho), que determina o norte verdadeiro e, a partir daí, ir  transformando‐se em A3, depois em planos de ação e em ações (como kaizens, por exemplo). Se isso  acontece, se a liderança está alinhada, então ela está fazendo o lean e está comprometida de fato.  No TPS – Toyota Production System esse desdobramento é conhecido como hoshin‐kanri.    Considerações finais: 

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capacitação do corpo operacional nessas ferramentas e esquecem – ou deixam para um segundo ou  terceiro plano – a real capacitação da liderança numa nova disciplina – a ‘Liderança Lean’. No início,  ou até nos primeiros anos, o programa lean parece estar surtindo resultado, já que as ferramentas  são  poderosas  e  os  desperdícios  (mudas)  são  muitos  e  extremamente  visíveis.  Após  esse  período  inicial os desperdícios deixam de ser tão visíveis e a busca por eles passa a ser ‘uma carga a mais’,  uma  atividade  adicional,  uma  rotina  que  não  passou  a  fazer  parte  da  cultura  da  empresa.  É  nesse  ponto  que  deveria  entrar  a  liderança  como  agente  de  transformação,  como  formadora  de  cultura  organizacional. 

Parece,  então,  que  seja  necessária  uma  inversão  de  prioridades  quando  uma  empresa  resolve  implementar a filosofia lean. Normalmente se começa com a capacitação dos níveis operacionais nas  ferramentas  lean  e  com  algumas  palestras  de  conscientização  para  a  liderança.  A  inversão,  então,  está na real capacitação da liderança, não só nas ferramentas (que ela também tem que conhecer),  mas nas técnicas de liderança lean (incluindo pensamento A3 e atitude genba). Nesse ponto, a ação  da  área  de  Recursos  Humanos  é  de  extrema  importância.  Ela  deve  acompanhar  de  perto  o  desenvolvimento da liderança nos conceitos e práticas de liderança lean, monitorar a adesão e, caso  seja detectada alguma aversão ou dificuldade, trabalhar na conscientização e convencimento de toda  a liderança. 

Paulo Cesar Brito Lauria. Mais de 25 anos de experiência no setor aeroespacial nas áreas de Engenharia da Qualidade, Qualidade de Fornecedores e Auditoria da Qualidade. Atuou como representante da Qualidade Embraer junto aos Programas Douglas, Boeing e Sikorsky. Foi coordenador do Programa de Eliminação de Objetos Estranhos (FOE) da Embraer por mais de 10 anos. Coordenou o grupo de trabalho que preparou a NBR-15169 relativa à prevenção contra objetos estranhos no setor aeroespacial.Nos últimos 6 anos tem atuado como Consultor Lean no Programa de Excelência Empresarial da Embraer (P3E), exercendo funções de instrutor, consultor interno e avaliador, tanto no Brasil quanto no exterior.Examinador do Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ) da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) desde 2010.Engenheiro Eletrônico e MBA em Gestão Estratégica de Negócios. 

     

Referências

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