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Motivação à prática da musculação

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Academic year: 2021

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RAFAEL LUIZ DE ANDRADE

MOTIVAÇÃO À PRÁTICA DA MUSCULAÇÃO: UM ESTUDO NAS ACADEMIAS DE SÃO JOSÉ

Palhoça 2012

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MOTIVAÇÃO À PRÁTICA DE MUSCULAÇÃO: UM ESTUDO NAS ACADEMIAS DE SÃO JOSÉ

Relatório de Estágio apresentado ao Curso de Educação Física da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Educação Física.

Orientadora: Prof. Elinai dos Santos Freitas Schütz, Msc.

Palhoça 2012

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MOTIVAÇÃO À PRÁTICA DA MUSCULAÇÃO: UM ESTUDO NAS ACADEMIAS DE SÃO JOSÉ

Este Relatório de Estágio foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel em Educação Física e aprovado em sua forma final pelo Curso de Educação Física da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Palhoça, 25 de junho de 2012.

________________________________________________ Prof. e Orientadora Elinai dos Santos Freitas Schutz, Msc.

Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL)

______________________________________ Prof. Rafael Andreis, Msc.

Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL)

______________________________________ Prof. Tatiana Marcela Rotta, Msc.

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Primeiramente quero agradecer a Deus por ter me dado saúde e força de vontade na construção desse trabalho.

Quero agradecer em especial ao Exército Brasileiro por ter dado oportunidade de estudar e trabalhar durante sete anos da minha vida, também quero agradecer a minha chefe Major Márcia Regina que me ajudou muito nessa jornada.

A toda minha família, em especial meus pais, por todo tipo de apoio que recebi deles.

Agradecer também a professora Elinai dos Santos Freitas Schütz, que me orientou durante um ano em meu Trabalho de Conclusão de Curso.

A professora Vívian Lamounier que me deu a oportunidade em estagiar em sua academia.

E todas as pessoas que participaram do questionário que dispuseram do seu tempo para responder as questões.

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A motivação, em qualquer ambiente, é um dos principais precursores para a realização de uma tarefa bem sucedida. No campo da atividade física e da prática de exercícios físicos a motivação exerce um papel de grande efeito sobre os indivíduos. A motivação é um dos grandes responsáveis para que o individuo realize uma atividade física ou não. Com o número cada vez mais crescente de academias sendo verificado nas diversas regiões e cidades do país, o estudo busca conhecer aspectos relacionados à motivação a prática da musculação no município de São José contribuindo com subsídios teóricos para aplicação prática dos profissionais de Educação Física, bem como gestores de academias no desenvolvimento de ações que busquem fidelizar seus clientes. Foi utilizado como instrumento o IMPRAF 54 (Inventário de Motivação à Prática Regular de Atividade Física), constituído por 54 questões abrangendo seis dimensões: controle de estresse, saúde, sociabilidade, competitividade, estética e prazer. Participaram 232 praticantes de musculação de 11 academias do município de São José, sendo 114 homens e 118 mulheres com idade de 18 a 60 anos. Após analise dos fatores, verificou-se o que mais motiva os praticantes de musculação é a dimensão prazer, seguido por saúde, estética, sociabilidade, controle de estresse e competitividade. Na análise por gênero e por faixa etária o prazer também foi à dimensão que mais motiva os praticantes de musculação das academias de São José.

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Gráfico 1 – Distribuição das dimensões motivacionais – amostra geral ... 36 Gráfico 2 – Distribuição das dimensões motivacionais – amostra por sexo ... 38 Gráfico 3 – Distribuição das dimensões motivacionais – amostra por faixa etária .... 41

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Tabela 1 – Dimensões motivacionais – amostra geral. ... 36 Tabela 2 – Dimensões motivacionais – amostra geral por sexo. ... 38 Tabela 3 – Dimensões motivacionais – em função da faixa etária. ... 40

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1 INTRODUÇÃO ... 9

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E PROBLEMA ... 9

1.2 OBJETIVO GERAL ... 10 1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 10 1.4 JUSTIFICATIVA ... 11 2 REVISÃO DE LITERATURA ... 13 2.1 MOTIVAÇÃO ... 13 2.1.1 Motivação intrínseca ... 15 2.1.2 Motivação extrínseca ... 17

2.1.3 Estudos sobre fatores motivacionais ... 18

2.2 ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE ... 20

2.2.1 Estresse ... 24 2.2.2 Saúde ... 25 2.2.3 Sociabilidade ... 27 2.2.4 Competitividade ... 29 2.2.5 Prazer ... 30 2.2.6 Estética ... 31 3 MÉTODO ... 33 3.1 TIPO DE PESQUISA ... 33 3.2 PARTICIPANTES DA PESQUISA ... 33 3.3 INSTRUMENTO DE PESQUISA ... 33

3.4 PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS ... 34

3.5 ANÁLISE DOS DADOS ... 35

4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ... 36

4.1 AMOSTRA GERAL ... 36

4.2 AMOSTRA POR SEXO ... 37

4.3 AMOSTRA POR FAIXA ETÁRIA ... 40

5 CONCLUSÃO E SUGESTÕES ... 43

REFERÊNCIAS ... 44

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1 INTRODUÇÃO

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E PROBLEMA

A motivação, em qualquer ambiente, é um dos principais precursores para a realização de uma tarefa bem sucedida. Pode se dizer, que sem motivação não há comportamento humano e muitos são os fatores que motivam os indivíduos no seu dia a dia tanto e esses podem vir internamente ou externamente. Além disso, a força em cada motivo influência e é influenciado pela maneira de perceber o mundo que cada indivíduo possui (MACHADO, 1997).

No campo da atividade física e da prática de exercícios físicos Malavasi e Both (2005) ressaltam que a motivação exerce um papel de grande efeito sobre os indivíduos. A motivação é um dos grandes responsáveis para que o individuo realize uma atividade física ou não.

Complementando, os mesmos autores destacam que o indivíduo que obtém um alto nível de motivação, demonstra por palavras ou ações, seu desejo pessoal de atingir com grande sucesso um padrão de excelência. Ou seja, “a personalidade, as necessidades e os objetivos de um aluno, atleta ou praticante de exercícios são os determinantes principais do comportamento motivador” (WEINBERG; GOULD, 2001, p.74).

A motivação no esporte também denota fatores e processos que levam a uma ação ou à inércia em diversas situações. De modo mais específico, o estudo dos motivos implica no exame das razões pelas quais se escolhe fazer algo ou executar algumas tarefas com maior empenho do que outras, ou ainda persistir numa atividade por longo período de tempo (CRATTY, 1984).

Cada pessoa desenvolve uma visão de como a motivação funciona, buscando teorias sobre o que as motivam. Por exemplo, se um aluno tem um professor de Educação Física de quem ele acha que é bem sucedido, provavelmente usara artifícios com as mesmas estratégias de motivação que o professor utiliza (WEINBERG; GOULD, 2001).

A motivação para a prática esportiva é o principal aspecto que deve ser considerado e analisado e está diretamente associado aos chamados ganhos psicológicos. Normalmente, o termo motivação está relacionado a variáveis internas que causam determinados comportamentos (MADEIRA et al., 2005).

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Dentro das modalidades esportivas Miranda et al. (2005), citam a musculação como uma das modalidades em que se é possível melhorar a saúde e obter uma qualidade de vida melhor.

Costa, Bottcher, e Kokubun (2009) complementam que esta modalidade se desenvolveu muito na década de 90, onde sua prescrição foi muito recomendada em função dos benefícios para a melhora da saúde, através do desenvolvimento da força muscular, bem estar psicossocial e capacidades funcionais.

Neste sentido pode-se citar que nos dias de hoje as atividades mais procuradas em academias de acordo com Pereira (2006) são a ginástica aeróbica e localizada, musculação, hidroginástica, natação, artes marciais e alongamento (PEREIRA, 2006). E ainda Santos e Knijnik (2006) destacam a musculação como modalidade mais procurada pelas pessoas atualmente.

Dentro desse contexto identifica-se o município de São José, atualmente com cerca de 201.000 habitantes, distribuídos numa área territorial de 116 km2, tornando-o o quarto município em população e eleitores e o segundo em maior número de hab./km2 de Santa Catarina. (FARIAS, 2006). Não encontrou-se dados atuais sobre o número de academias que oferecem a modalidade de musculação, mas percebe-se que é cada vez mais crescente este número.

E a partir da contextualização formulou-se o seguinte problema de pesquisa: Quais fatores motivacionais de praticantes de musculação em academias de São José?

1.2 OBJETIVO GERAL

Investigar os fatores motivacionais de praticantes de musculação em academias no município de São José.

1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Identificar o perfil motivacional dos praticantes referente ao controle de estresse saúde, sociabilidade, estética e prazer em praticantes de musculação;

• Comparar o perfil motivacional de homens e mulheres praticantes de musculação;

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• Comparar o perfil motivacional de indivíduos praticantes de musculação por faixa etária.

1.4 JUSTIFICATIVA

O motivo da escolha do presente estudo foi à curiosidade em relação aos fatores motivacionais de usuários de academias de musculação, pressupondo que nos dias de hoje muitas pessoas procuram as academias de musculação, para obter resultados ligados aos mais diversos objetivos: controle de estresse, saúde, sociabilidade, competitividade, estética e prazer.

Atualmente o exercício físico, deve estar presente no dia a dia dos indivíduos, carregando sempre consigo um conceito de “wellness”, um termo que significa sentir-se bem, estar bem, satisfeito e motivado, com boa saúde, o que implica na manutenção do exercício físico por um longo tempo (SABA, 2001).

O mesmo autor ainda salienta que “o exercício físico passou a ser um dos deveres humanos, estimulando a elaboração de um modelo ginástico de conteúdo patriótico-social que imprimiu os modelos pedagógicos existentes” (SABA, 2001, p. 18).

Concordando com esta ideia, a aparência física, os significados dado a ela parecem atribuir características importantes no meio e na relação social. Nos dias de hoje o grande interesse pelo corpo “belo” vem sendo trabalhado diretamente nas academias de ginástica, como a musculação com finalidades comumente estéticas tendo como objetivo padrões de beleza e saúde (CORREIA; QUEIRÓS, 2006).

Complementando, estudos realizados por Chagas e Samulski (1992) em que verificaram os aspectos que levam indivíduos a procurarem uma academia de ginástica concluíram que manter-se em boa forma, melhorar o condicionamento físico, aumentar o bem estar corporal e psicológico, melhorar o bem estar de saúde e prazer em realizar atividade física estavam entre os mais citados.

Napoli e Sene (2008) também buscando identificar os principais fatores motivacionais que levam praticantes de musculação a treinar no período vespertino na cidade de Jaguaruna, SC, verificaram que as dimensões mais citadas foram: controle de estresse, saúde, sociabilidade, competitividade, estética e prazer. Os

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autores indicam então que a saúde foi o motivo principal para a prática da musculação e salientam ser questão primordial na vida dos indivíduos entrevistados.

Concordando com esses achados, Balbinotti e Capozzoli (2008), buscaram identificar os aspectos motivacionais nos usuários de academias de ginástica, e tiveram como resultados a saúde como fator mais motivador para os praticantes.

Sendo assim, a partir do número cada vez mais crescente de academias de musculação, com este estudo busca-se conhecer a realidade motivacional no município de São José buscando colaborar com os profissionais de Educação Física, bem como gestores de academias no desenvolvimento de ações que busquem fidelizar seus clientes.

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2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 MOTIVAÇÃO

Na relação do ensino aprendizagem, de qualquer ambiente, conteúdo ou momento, a motivação pode ser constituída em um elemento importantíssimo para a execução de uma tarefa bem realizada (MACHADO, 1997).

Murray (1983 apud WEINBERG; GOULD, 2001) refere-se à motivação, como um esforço de uma pessoa para dominar uma tarefa, atingir seus limites, superar obstáculos, desempenhar melhor do que os outros e orgulhar-se de seu talento.

Já para Gill (1986 apud WEINBERG; GOULD, 2001), motivação é a orientação de uma pessoa a lutar por sucesso, persistir ante o fracasso e experimentar o orgulho por suas realizações.

Técnicos, instrutores e professores possuem muito interesse na motivação, que é uma das características de atletas que atingem seus limites e de praticantes de exercícios que elevam altos níveis de condicionamento (WEINBERG; GOULD, 2001).

Os mesmos autores destacam que visões gerais de motivação e personalidade progrediram a partir de uma visão orientada, ao traço da ‘necessidade’ de uma conquista da pessoa, da visão interacional, que enfatiza a conquista das metas, e do modo que tais metas afetam e são afetadas pela situação.

Segundo Knijnik, Greguol e Santos (2005), quando um indivíduo se motiva por uma determinada ação, ele age por um objetivo, o qual se torna um desejo. Esse desejo pode tornar-se uma necessidade e, pela qual, talvez, caso não consiga alcançar a satisfação da meta traçada, poderá sentir-se desmotivado para a procura de outros objetivos.

Para Samulski (2002), a motivação, para praticantes esportivos, depende da interação entre a personalidade (expectativas, motivos, necessidades, interesses) e fatores do meio ambiente, como tarefas atraentes, desafios e influências sociais. Ao decorrer da vida uma pessoa pode mudar suas situações, como citado acima, dependendo das necessidades de cada um.

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Machado (1997) relata que o conhecimento dos problemas que envolvem a motivação é muito importante para os professores que atuam com a Educação Física, porque eles não trabalham apenas com atletas, mas, também, com alunos que são, às vezes, forçados a praticar esportes. Neste sentido, os profissionais precisam estar atentos a seus alunos. Às vezes, essa desmotivação pode acontecer pelo elevado nível de cobrança ou pelo baixo nível de atividade.

Howley e Franks (2000) destacam que o profissional de Educação Física deve, sempre, se preocupar com a motivação em dois níveis. O primeiro nível é conseguir com que as pessoas comecem a seguir um programa de exercício físico. As pessoas são educadas e orientadas a seguirem comportamentos saudáveis (a maioria tem consciência de que devem fazer atividade física regular), porém, são necessários programas adequados, que proporcionem contato e orientação de profissionais, para complementar as informações a respeito da saúde. O segundo nível é verificar o que pode ser feito para que as pessoas continuem a fazer exercícios, regularmente, como estilo de vida. Atenção individual, objetivos realísticos, participações em grupos, envolvimentos de cônjuges ou pessoas importantes, contratos e programas que minimizam as lesões, todos esses itens podem ajudar os praticantes a continuarem nos programas de exercícios.

Segundo Knijnik, Greguol e Santos (2005), para o estudo da motivação, deve-se levar em consideração o mundo interior das pessoas e que, nesse mundo, forças diferentes interagem para a tomada de decisão. Tal decisão leva a escolha de um caminho que garante a elas o interesse e a interpretação de seus próprios desejos inconscientes. Para os autores, entender esse complexo intrincado de forças motivadoras deve ser preocupação necessária da prática do profissional.

Cada indivíduo possui duas tendências de fatores motivacionais: tendência a chegar ao sucesso e a evitar o fracasso. O sucesso é definido como a capacidade de sentir orgulho e prazer na realização das tarefas. Já o fracasso pode ser analisado como experimentar a vergonha, humilhação em não ter conseguido alcançar os objetivos. O comportamento de uma pessoa é influenciado por esses dois componentes motivacionais (SAMULSKI, 2002).

Para Sage (1977 apud WEINBERG; GOULD, 2001), à motivação pode ser definida, simplesmente, como a direção e a intensidade de nossos esforços.

A motivação também foi estudada da perspectiva teórica das orientações motivacionais intrínsecas e extrínsecas (ELLIOTT; MESTER, 2000).

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Com isso, os psicólogos do esporte e do exercício podem considerar a motivação a partir de diversos pontos de vista, específicos, incluindo a motivação intrínseca e extrínseca (WEINBERG; GOULD, 2001).

2.1.1 Motivação intrínseca

Segundo Engelmann (2010), as motivações intrínseca e extrínseca são compostas de particularidades inerentes em cada uma delas e tem propiciado um acúmulo de informações que possibilitam esclarecer alguns aspectos. Estes dois tipos de motivação foram foco do interesse de investigadores, especialmente quanto a motivação intrínseca.

Ryan e Deci (2000 apud ENGELMANN, 2010) definem motivação intrínseca como uma tendência, natural, para buscar novidades e desafios, bem como, para obter e exercitar as capacidades das pessoas. Para eles, a motivação intrínseca é o fenômeno que melhor apresenta o potencial positivo da natureza humana, sendo essencial para o desenvolvimento cognitivo e inserção social.

Para Brière e colaboradores (1995 apud, BALBINOTTI; CAPOZZOLI, 2008, p. 2), a motivação intrínseca pode ser subdividida em três tipos, motivação para saber, motivação para realizar e motivação para experiência:

• Motivação intrínseca para saber ocorre quando se executa uma atividade para satisfazer uma curiosidade, ao mesmo tempo em que se aprende tal atividade;

• Motivação intrínseca para realizar ocorre quando um indivíduo realiza uma atividade pelo prazer de executá-la;

• Motivação intrínseca para experiência ocorre quando um indivíduo frequenta uma atividade para experimentar as situações estimulantes inerentes à tarefa.

Sharkey (1998), aponta que as metas intrínsecas ou autoadministradas são mais efetivas do que fontes impessoais em motivação duradoura, em adesão a atividade. Mais do que fontes extrínsecas, a motivação, para persistir em uma atividade, deve vir de dentro das necessidades humanas. Considerando como exemplo os ex-atletas, que perdem o interesse dos esportes que praticam, quando a glória acaba e as medalhas perdem o brilho.

De acordo com Ryan e Deci (2000a), existem, na motivação intrínseca, outros fatores determinantes, que influenciam na contribuição para o envolvimento

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deste tipo de motivação como, por exemplo, as três necessidades psicológicas básicas que são, a competência, a autonomia e o pertencimento: a competência, que é a capacidade de um indivíduo abranger-se suficientemente com o meio; a autonomia, se refere à percepção do começo do comportamento ser interno, assim, a pessoa vê necessidade de perceber que a ação ocorre por vontade própria e não por situações externas; o pertencimento, condiz na percepção da existência de vínculos interpessoais estáveis e duradouros.

Os comportamentos intrinsecamente motivados são intimamente relacionados, vinculando-se ao prazer da satisfação, por si só, na própria atividade (ELLIOTT; MESTER, 2000).

Deci (1975) propôs que os comportamentos intrinsecamente motivados são baseados nas necessidades das pessoas, para se sentir(em) competente(s) e autodeterminadas.

Segundo Neves e Boruchovitch (2004), uma pessoa realiza determinada atividade pela própria vontade, por considerá-la interessante, atraente ou geradora de satisfação. Essa orientação motivacional tem por causa a autonomia do aluno e a autorregulação de aprendizagem. O mesmo autor ainda destaca, que a motivação intrínseca se regula, em uma tendência natural, para buscar novidades e desafios.

A motivação intrínseca é inerente ao objeto de aprendizagem, à matéria a ser aprendida, e ao movimento a ser executado, não dependendo de elementos externos para atuar na aprendizagem. Ela deriva-se da satisfação da própria atividade a ser aprendida. (MACHADO, 1997)

Amorim (2010) cita que os indivíduos intrinsecamente motivados são aqueles que, sozinhos, conseguem realizar determinada tarefa, onde tem capacidade suficiente para realizá-la, controlando suas próprias ações, proporcionando prazer e desfrute das atividades. Essa motivação pode ser acentuada se o indivíduo possuir um autocontrole, autodeterminação, e autonomia para realizar as tarefas adotadas.

Já Weiss (1993) coloca que todos os adultos devem envolver-se, pais, professores ou técnicos, no sentido de motivarem as pessoas. Para o autor, os adultos devem fornecer retorno ‘feedback’, pois crianças com bom grau de autoavaliação tendem a ter maior motivação intrínseca.

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2.1.2 Motivação extrínseca

Os comportamentos motivados extrinsecamente são relacionados a razões fora da atividade (ELLIOTT; MESTER, 2000).

Weinberg e Gould (2001) correlacionam motivação intrínseca e recompensas externas, afirmando que as recompensas extrínsecas têm grande força em abalar a motivação intrínseca. Para os autores, a teoria de avaliação cognitiva demonstra que as recompensas extrínsecas podem aumentar ou diminuir a motivação intrínseca, dependendo da recompensa que o indivíduo obterá.

Por consequência, a motivação extrínseca seria relativa à própria atividade a ser aprendida, não sendo o resultado como o próprio interesse, mas sim determinante, por exemplo, “à própria matéria a ser aprendida, o salário do trabalhador, ‘bicho’ no futebol ou a nota na escola”. Para que um indivíduo obtenha um grau satisfatório de eficiência na atividade que será abordada, é preciso algum motivo, seja ele, necessidade, desejo, interesse, impulso, curiosidade ou utilidade (MACHADO, 1997 p. 171).

Guimarães (2003) destaca que uma pessoa extrinsecamente motivada, pode utilizar uma atividade para melhorar as notas da escola e até mesmo ganhar prêmios e elogios, e também poderá ajudar a evitar alguns problemas relacionados à punição.

Ryan e Deci (2000a) afirmam que a associação das pessoas é a forma mais autárquica da motivação extrínseca, fazendo com que essa motivação comece a fazer parte do comportamento diário das pessoas, instaurando a prática da atividade física como uma regra, a busca de algo e para a satisfação.

Os mesmos autores ainda destacam que quando as motivações extrínsecas começam a fazer parte da vida cotidiana das pessoas, são interpretadas como um resultado de associação, sendo a forma mais independente da motivação extrínseca.

Neves e Boruchovitch (2004), definem motivação extrínseca como “a motivação para trabalhar em resposta a algo externo a tarefa, como obtenção de recompensas externas, materiais ou sociais em geral, com a finalidade de atender solicitações ou pressões de outras pessoas, ou demonstrar competências e habilidades”.

Para Deci e Ryan (2000 apud AMORIM, 2010, p. 18), a motivação extrínseca possui quatro estilos de continuum para a autodeterminação, com

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diferentes níveis de regulação tais como: regulação externa, regulação introjetada, regulação identificada e regulação integrada.

Regulação externa: é o menor nível de regulação extrínseca. Neste, o indivíduo realiza a tarefa apenas buscando o benefício que essa pode lhe proporcionar. Ou então a pessoa se submete a tarefa por coação, com medo de ser castigada. Regulação introjetada: o indivíduo participa da atividade por sentimento de culpa, ou por medo de perder o seu espaço no grupo social. Regulação identificada: nesse tipo de regulação o individuo senti uma atração especial por determinada atividade, o que a toma importante para ele, embora a busca pela atividade não tenha surgido autonomamente. Esse é um grau de autodeterminação maior. Regulação integrada: é a forma de autodeterminação regulada ao nível mais alto, relativa à motivação extrínseca. Nela os estilos externos servem como fonte e apoio para a realização das tarefas. As regulações externas são internalizadas, embora a regra externa ainda esteja presente, uma vez que o indivíduo não realizaria determinada atividade se não recebesse nada em troca.

Amorim (2010) ainda destaca que a principal característica da motivação extrínseca, em todos os níveis abordados anteriormente, são aqueles que se relacionam com razões fora da atividade, como a integração ao determinado grupo social, reconhecimento, evitar um castigo ou receber uma premiação, não utilizando as atividades apenas para sentir o prazer que podem lhes proporcionar.

2.1.3 Estudos sobre fatores motivacionais

Todos os estudos, que serão abordados logo abaixo, terão relação com fatores motivacionais, controle de estresse, saúde, sociabilidade, competitividade, prazer e estética.

Napoli e Sene (2008) realizaram estudos em praticantes de musculação na cidade de Jaguaruna, em Santa Catarina, onde o objetivo era identificar os principais motivos que levam as pessoas a procurarem academia para a prática do exercício físico. O estudo foi realizado com 10 alunos, com idade entre 15 a 50 anos, de ambos os sexos. O instrumento utilizado pelos autores foi o inventário de motivação à prática regular de atividade física, adaptado por Balbinotti (2004). De acordo com os resultados, a saúde é uma questão primordial na vida dos indivíduos entrevistados, o prazer, estresse, social, estética e competição vieram em seguida.

Zambonato (2008) realizou um estudo, que teve como objetivo descrever e explorar a motivação à prática regular de atividades físicas em adolescentes com

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sobrepeso e obesos, que frequentam as aulas de educação física das escolas de ensino fundamental e médio de Erechim-RS. A amostra foi composta por 374 alunos, com idade entre 13 a 18 anos, e o instrumento utilizado pelo autor foi o IMPRAF 54, “Inventário de Motivação à Prática Regular de Atividade Física”. O fator mais motivador, para os adolescentes com sobrepeso e obesos, à prática regular de atividade física, foi à dimensão saúde seguido de prazer, estética, sociabilidade, controle de estresse e competitividade.

Amorim (2010) realizou um estudo sobre fatores motivacionais, em adultos jovens de uma academia de musculação em Porto Alegre, O instrumento utilizado pelo autor também foi o IMPRAF 54. Participaram 40 indivíduos, praticantes regulares de musculação, na faixa etária de 18 a 30 anos, de ambos os sexos. De acordo com os resultados do estudo, os fatores que mais motivam os adultos jovens são, a estética, o prazer e a saúde, seguidos pela sociabilidade e controle de estresse e por último a competitividade.

Capozzoli (2010) realizou um estudo, com dimensões motivacionais associadas à prática regular de atividade física, com praticantes em academias de ginástica do município de Porto Alegre/RS. O instrumento utilizado foi o IMPRAF 126 Balbinotti (2003). O estudo obteve como amostra 300 praticantes de ginástica em academia de Porto Alegre, com idade entre 18 a 65 anos. Constatou-se que a dimensão que mais motiva é a saúde seguida, respectivamente, pelas dimensões prazer, estética, controle de estresse, sociabilidade e competitividade.

Proença (2011) realizou um estudo, cujo objetivo foi investigar os motivos pelos quais as mulheres, com idade entre 20 e 35 anos, procuram a musculação. Participaram 50 mulheres e o questionário utilizado foi o Inventário de Motivação à Prática Regular de Atividade Física, “IMPRAF” 54 adaptado com 18 questões de Balbinotti e Barbosa (2006). A autora chegou à conclusão que a maioria das mulheres, adultas, procura realizar musculação por um fator primordial que é a saúde.

Outro estudo teve como objetivo identificar os fatores motivacionais que levam as pessoas a procurarem por academias para à prática do exercício físico. O estudo foi realizado na cidade de Caratinga, em Minas Gerais. A amostra foi composta por 83 alunos, de diversas atividades oferecidas na academia, com idade entre 18 a e 36 anos, de ambos os sexos. Os fatores abordados no questionário são estética, lazer, saúde, terapêutico, profilático, condicionamento físico geral,

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preparação física e alto rendimento. O autor chegou à conclusão, que o motivo que mais tem levado as pessoas à academia, para a prática de atividade física, foi o fator estética. (ARAUJO et al., 2007).

Saldanha (2008) realizou um estudo com praticantes de basquetebol infanto-juvenil, na cidade de Porto Alegre, cujo objetivo central da pesquisa foi verificar as dimensões dos níveis de motivação associadas à prática regular da atividade física (controle de estresse, saúde, sociabilidade, competitividade, prazer e estética) que melhor descrevem as atletas de basquetebol, na faixa etária dos 13 aos 16 anos. O instrumento utilizado no estudo foi o inventário de motivação à prática regular de atividade física IMPRAF 54. A dimensão mais motivadora para praticantes de Basquetebol infanto-juvenil à prática regular de atividade física foi o prazer seguida da dimensão, competitividade, saúde, sociabilidade, estética e controle do estresse.

Bühler (2010) objetivou verificar a motivação a prática regular de atividade física em jogadores de futebol de finais de semana, na cidade de Novo Hamburgo/RS. Participaram do estudo 15 indivíduos, com idade entre 17 a 60 anos. Foi constatado no estudo, que o fator mais motivador, entre os jogadores de futebol de finais de semana, foi o prazer seguido por saúde, competitividade, controle de estresse, sociabilidade e estética.

O estudo de Balbinotti e capozzoli (2008) foi realizado para comparar os níveis de motivação a prática regular de atividades físicas, de três diferentes grupos alunos, de escolas de ensino fundamental e médio, do município de Erechim/RS, obesos, com sobrepeso, e eutróficos. Participaram do estudo 274 alunos, do ensino fundamental e médio, das escolas do município de Erechim/RS. A partir dos resultados obtidos nesse estudo, a dimensão saúde foi verificada como principal fator motivacional.

2.2 ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE

Muita coisa tem sido escrita sobre a importância de um estilo de vida saudável. Apesar de tantas evidências, um grande número de pessoas ainda está desinformada ou desinteressada pelos efeitos, de médio a longo prazo, da prática de atividade física regular, de uma nutrição balanceada e de outros comportamentos relacionados à saúde (NAHAS, 2010).

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Para Howley e Franks (2000) é impossível descrever o mais alto nível de saúde e dinâmica, sem sabermos o que é atividade física. Para os autores, atividade física é essencial para uma boa saúde física e mental.

Weineck (2003) relata que todas as pessoas precisam de pouca atividade física e treinamento, porém, devem ser realizados de forma regular e direcionados para manter um nível de aptidão psicofísica até uma idade avançada, permitindo levar uma vida normal e independente.

A atividade física se destaca como um dos mais importantes objetos de estudo para a Educação Física e é conceituada como “qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulte em gasto energético” (DUCA; NAHAS, 2011, p. 14).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (2011), a atividade física regular diária é um grande componente na prevenção de doenças crônicas, juntamente com uma dieta saudável. Para as pessoas, a atividade física é um poderoso meio de prevenção de doenças crônicas, pois, pode fornecer uma boa melhora na saúde pública. Experiências disponíveis e as evidências científicas mostram que a atividade física regular proporciona às pessoas, tanto homens como mulheres, resultados benéficos (OMS, 2011). Atividade física interage positivamente com as estratégias para melhorar a alimentação, desencorajar o uso de tabaco, álcool e drogas, ajuda a reduzir a violência, aumenta a capacidade funcional e promove a integração social (OMS, 2011).

Nieman (1999) segue os mesmos passos da Organização Mundial da Saúde, quando diz que há uma fórmula para atividade física e que não custa nada. A fórmula é simples, são exercícios praticados pelo menos 30 minutos, três vezes por semana em um ritmo moderado.

Para muitas pessoas, manter um nível satisfatório de atividade física e alcançar boa condição de aptidão física, relacionada à saúde, requer um grande esforço individual. De fato nas sociedades de hoje, os níveis de atividade física somente são mantidos quando uma forte motivação esta presente, quando um indivíduo percebe os benefícios deste comportamento, ele observa como um grande valor para sua vida (NAHAS, 2010).

A qualidade de vida de uma pessoa é prevenir ou retardar o desencadeamento prematuro de problemas de saúde. Há estudos em que a atividade física está relacionada com a redução do risco de desenvolvimento nos

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mais variados problemas de saúde, incluindo ansiedade, aterosclerose, dor nas costas, câncer, doença pulmonar crônica, doença coronária, depressão, diabete, hipertensão, obesidade, osteoporose, e acidente vascular cerebral (HOWLEY; FRANKS, 2000).

Um estudo realizado na Alemanha relata que 90 por cento da população alemã tem consciência de que deveria praticar atividade física, mais somente 10 por cento praticam regulamente (WEINECK, 2003).

A qualidade de vida pode ser definida como as “reações avaliativas de uma pessoa à sua vida, em termos de satisfação ou de efeito negativo”. A qualidade de vida é destacada por vários fatores psicossociais e comportamentos de saúde e, quando vamos ficando mais velhos, vai se tornando um fator muito importante, devido à relação saúde física e mental (WEINBERG; GOULD, 2001).

Weinberg e Gould (2001, p.386) destacam algumas pesquisas na relação entre exercício e qualidade de vida:

• Indivíduos fisicamente ativos tendem a ter melhor saúde, demonstram mais energia, tem atitudes mais positivas em relação ao trabalho e demonstram uma maior capacidade de lidar com o estresse e com a tensão.

• Estudantes universitários que participaram de algum programa de condicionamento demonstraram qualidade de vida significativamente melhor do que os que não praticaram exercícios.

• Os adultos mais velhos, que são fisicamente ativos, demonstram maior satisfação de vida, devido a menor dependência dos outros, e melhor saúde física global.

Toscano (2001) aponta que atividade física e saúde evidencia níveis adequados de aptidão física. Um indivíduo que praticou exercícios, regularmente, durante toda a jornada de sua existência, obterá efeitos benéficos no seu sistema orgânico, tendo como recompensa o prolongamento da vida.

Rubio (2003) destaca que os programas de atividade física que são oferecidos para a população, vêm preconizando uma abordagem de atividades que levam as pessoas a vivenciarem vários estímulos para a área motora.

A mesma autora, ainda relata que os programas são direcionados a atender a atividade física relacionada à saúde, seguramente, constituem-se em mecanismos imprescindíveis, contribuindo para inibir o aparecimento de alguns fatores de risco, que futuramente venha a contribuir no surgimento de disfunções de caráter crônico.

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Duca e Nahas (2011 p.14) destacam que inatividade física pode ser facilmente compreendida pelo “ato de não praticar atividade física além das atividades da vida diária”. Atualmente, dentre todas as causas de morte do mundo, a inatividade física aparece na quarta posição. Quando observados apenas os efeitos dos comportamentos de risco a saúde, a inatividade física fica atrás somente do tabagismo, dentre todos os motivos de morte.

Um dado interessante do Ministério da Saúde (2004) indica que a não prática de atividade física é a principal responsável por dois milhões de mortes no mundo. Em um dado anual do Ministério da Saúde, estima-se que a inatividade física seja responsável por 10%-16% dos casos de câncer de cólon, mama e diabetes e 22% das doenças isquêmicas do coração.

O Ministério da Saúde (2004) destaca ainda que a inatividade física é mais acentuada em pessoas com renda baixa, sendo mais prevalentes em mulheres e idosos, e que após a adolescência, a diminuição da atividade física ocorre de forma progressiva.

Howley e Franks (2000) apontam o que é necessário para promover a saúde, e o ponta pé inicial é que as comunidades, as escolas, os estados incentivem e comuniquem mais a importância da atividade física para a população, para os autores, existem três elementos para a melhora da saúde da população através da atividade física, e são elas, clareza, acesso e segurança. Para clareza eles dizem que os profissionais da saúde precisam evidenciar a importância da atividade física, na medida em que se relacionam em diversas áreas de saúde. Os profissionais da saúde terão que se tornar mais qualificados na hora de fornecer explicações, e com isso facilitar o melhor entendimento das pessoas. Para um acesso melhor as instituições publicas e privadas deveriam propiciar melhores ambientes, tornando a atividade física atrativa para todas as idades, incluindo bons programas de saúde e programas comunitários que sejam abertos a todos. A segurança, para atividade física, é importantíssima, equipamentos apropriados para as atividades e para a idade e o nível de cada individuo, cuidado e monitoramento dos praticantes, fazem parte de um bom programa de qualidade.

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2.2.1 Estresse

O estresse, de acordo com Nahas (2010 p. 229), origina-se do latim stringere e, a partir do século XVII, foi empregado na Inglaterra no sentido de adversidade ou aflição. Em 1936, o fisiologista Hans Selye, utilizou a palavra estresse com o mesmo significado que é utilizado nos dias de hoje: “estresse é a maneira como o organismo responde a qualquer estímulo – bom, ruim, real ou imaginário – que altere seu estado de equilíbrio”.

Para Weineck (2003), existem fatores que são denominados como o estresse bom, que possibilita um caráter animador e ativador e que são sentidos pelas pessoas como agradáveis, como o sucesso, estar apaixonado, boas notícias, impressão agradável etc. O estresse ruim, que deixa as pessoas doentes, contêm cargas, esforços e aborrecimentos, que são expostos no seu dia-a-dia, por meio do barulho, pressa, frustrações, operações, acidentes etc.

Ambos atuam sobre o mesmo sistema, ou seja, pelos hormônios estressores, que coloca nosso corpo em elevada capacidade de rendimento e em situação de alarme (WEINECK, 2003).

Um dos hábitos mais importantes que um indivíduo pode usar, para a melhora do seu estado de espírito e controle do estresse, é a prática regular da atividade física (NIEMAN, 2011).

Segundo Nahas (2010), existem poucas situações que alteram tantos o sistema orgânico como a atividade física. Para verificar os efeitos do estresse, tem sido comum utilizar o exercício físico para investigações científicas dos efeitos agudos e crônicos do sistema cardiovascular, musculoesquelético, imunológico e metabólico hormonal. Se um indivíduo realiza um esforço físico, é considerado uma forma de estresse, se ele é praticado de forma regular, recreativa e que não leve a exaustão, é considerado um estímulo que promove a saúde. O feito agudo inerente da atividade física e a melhora da aptidão física ajudam as pessoas a reagir de forma mais eficiente a outros fatores estressantes de ordem física e psicológica.

Nieman (1999) acredita que os agentes estressores crônicos são os principais vilões, associados à lista pelos problemas de saúde. A ansiedade crônica e a depressão podem ser originadas pelo aumento de situações modificadoras da vida e da hostilidade e estão intimamente ligadas ao risco de doenças cardíacas, câncer, infecção, problemas gastro intestinais, cefaleias e insônia.

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Barefoot (1980 apud NIEMAN, 1999, p. 247) realizou um estudo em que:

Aproximadamente mil homens, acompanhados durante trinta anos, aqueles que tinham pontuações mais elevadas de insatisfação num teste psicológico realizado na segunda década de vida apresentavam uma probabilidade três vezes maior de sofrer um ataque cardíaco e seis vezes maior de um derrame durante a meia idade.

Para controlar o estresse existem cinco princípios importantes, o controle dos estressores, que podem ser modificados, reduzidos, evitados ou controlados, como escalar uma montanha com uma mochila, podendo controlar o estresse pelo ritmo e carga transportada; controlando as reações de estresse a mente escolhe uma resposta propicia, em um determinado evento estressor, desviando dos efeitos prejudiciais sobre a saúde; apoio social de outras pessoas é um fator positivo para a melhora da saúde, enquanto com o isolamento social, pode ocorrer uma queda na saúde e até mesmo aumentar o risco em adquirir uma doença; satisfação em servir os outros para obter paz na mente, a maioria das pessoas precisa estar comprometida com o trabalho em prol de algo que eles possam respeitar; mantendo-se saudável para que mantendo-se possa ter uma vida saudável o corpo precisara de sono, exercícios, relaxamento e uma dieta prudente (NIEMAN, 1999).

Segundo Nahas (2010), quando se realiza algum tipo de atividade que traz prazer como esportes recreativos, jardinagem, caminhadas, e outras, podem proporcionar uma distração dos agentes estressores do dia a dia, tranquilizando seus efeitos no organismo.

2.2.2 Saúde

Os parâmetros resultantes dos esforços para definir saúde têm em comum o fato de englobarem múltiplas dimensões, incluindo a saúde física, a capacidade de realizar as tarefas do quotidiano, o estado emocional e o ângulo social. Infortúnio de natureza física, psíquica e social, sempre estará presente, portanto, as mais variadas definições de saúde devem ser bem esclarecidas, tendo como um desafio de superar as mais diversas dimensões (TOSCANO, 2001).

Ghorayeb e Barros (1999) seguem a mesma linha de Toscano (2001), incluindo variadas dimensões referentes à saúde, podendo obter seis dimensões ou domínios, dentre estas dimensões estão à física, que engloba não somente o quadro

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clínico de uma pessoa, ou seja, a presença/ausência, gravidade/intensidade de doenças orgânicas, como também a adoção de uma alimentação saudável, a não utilização de hábitos nocivos à vida e, ainda, a utilização correta do nosso sistema de saúde. Dimensão emocional, que engloba um adequado gerenciamento das tensões do estresse e uma forte autoestima, somando um nível de inspiração com a vida. Dimensão social são os relacionamentos com o próximo, o equilíbrio com o ambiente e uma boa relação dentro de casa. Dimensão profissional é a clara satisfação com o trabalho, sendo reconhecido profissionalmente na realização do seu trabalho. Dimensão intelectual se utiliza na capacidade de criação em situações diversas, agregando conhecimentos e partilhando o potencial com outras pessoas. E por fim, dimensão espiritual, que encontra o propósito pela vida em valores éticos, associados a pensamentos positivos e otimistas. Os autores relatam que todas as dimensões ditas acima, são interligadas reciprocamente com saúde.

Portanto, a definição mais concreta e a mais convincente sobre saúde vêm da Organização Mundial de Saúde (2011). A definição apareceu no preâmbulo da constituição da OMS no final dos anos de 1940, e foi descrita da seguinte forma: “a saúde é um estado de completo bem estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença ou enfermidade’’ (NIEMAN, 1999 p.4)”.

Essa definição recebeu algumas críticas por ser difícil de mensurar, a OMS relatou que qualquer fragmentação de saúde deve considerar “a extensão pela qual o indivíduo ou grupo é capaz de realizar suas absorvências, em satisfazer as necessidades em modificar e enfrentar o ambiente”. A saúde é analisada como recurso para a vida cotidiana alem de interagir com a sociedade e de adaptar-se ao estresse, seja físico ou mental (NIEMAN, 2011).

Para Nahas (2010), a saúde é um dos nossos atributos mais preciosos. A maioria das pessoas só pensa em manter ou melhorar a saúde. Para o autor, nos dias de hoje, não se entende saúde apenas como um estado de ausência de doenças. A saúde é considerada como uma condição humana com dimensões físicas, sociais e psicológicas, formadas por um contínuo, onde, em suas extremidades, possui um polo negativo e outro positivo, como mostrado na figura abaixo.

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Figura 1 – Contínuo de Saúde

Fonte: Nahas, 2010

Nieman (2011) destaca que saúde e bem estar pressupõem que as pessoas estejam envolvidas na melhora da qualidade de vida. Esse processo é enfatizado pelo Continuum da saúde, ele demonstra que entre a saúde ideal e a morte, encontra-se a doença, que é precedida por um período prolongado de hábitos negativos de estilo de vida.

O mesmo autor relata que, segundo pesquisas, a população norte americana se encontra na zona do comportamento de risco da figura acima, relutando em passar para o lado positivo da figura. Um estudo realizado com funcionários governamentais da saúde, onde foram analisados condutas individuais e fatores ambientais, são responsáveis por 70% das mortes prematuras nos Estados Unidos.

Pesquisas em vários países, inclusive no Brasil, tem destacado que o estilo de vida passou a ser um dos mais importantes determinantes da saúde das pessoas. Até o inicio do século XX, houve um período em que a saúde pública se assentava em ações de melhoria ambiental, causa principal da mortalidade (NAHAS, 2010).

2.2.3 Sociabilidade

A dimensão sociabilidade busca relacionar as pessoas que utilizam o esporte para a prática regular da atividade física, como forma de socialização no desenvolvimento de relações com outras pessoas. Esta dimensão é um fator motivacional que parte do começo, cujos indivíduos praticam a atividade física

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regular com o objetivo de introduzir-se em um grupo ou relaciona-se com outros indivíduos (RYAN; DECI, 2000b).

Gold e Weiss (1987) destacam que a inclusão das pessoas faz com que a socialização, no meio desportivo, promova fortes laços com amigos de treino, professores, técnicos e parentes. O envolvimento das pessoas com a atividade física esportiva pode ter vários tipos de significados como, forma de lazer, cultura física, esforço de auto superação, aprendizagem ou até mesmo integração social (MACHADO, 1997).

Mota (1997) relata que atividade física regular ajuda a promover o conhecimento do desenvolvimento das habilidades cognitivas e motoras, permitindo relações de socialização com colegas e amigos.

A socialização pode ser entendida por “um processo pelo qual a pessoa adquire capacidades sociais, como a percepção social, o idioma, motivos e atitudes sociais, integração, interação e comunicação social que lhe permitem agir adequadamente em situações sociais” (SAMULSKI, 2002 p. 37).

Para Weinberg e Gould, (2001), as pessoas iniciam um programa de atividade física para ter a chance de socializar-se com outras pessoas. Elas podem interagir com outros indivíduos, combatendo a solidão e afastar-se do isolamento social, a experiência com outras pessoas levam a amizade e o companheirismo.

Cunha (1999 apud, CAPOZZOLI, 2010) salienta que alguns frequentadores passam a ser, referência para a prática do exercício físico nas academias, um espaço de convivência integrada que reafirma um status social e financeiro de seus praticantes, muito além de aspectos físicos desportivos.

Praticantes regulares de exercícios frequentemente descobrem que dividir a experiência diária torna o exercício mais prazeroso de ser realizado. Mais de 90% dos praticantes de exercícios físicos preferem se exercitar com outras pessoas e não sozinhos. O mesmo autor ainda destaca que, com a motivação elevada através da prática do exercício físico e da socialização entre os grupos, as pessoas estabelecem uma forma de aumentar a autoestima, que atua em seu desenvolvimento físico e psicológico, formando novos ciclos de amizades (WEINBERG; GOULD, 2001).

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2.2.4 Competitividade

Segundo Amorim (2010), a competição está presente, no meio da sociedade, e faz parte da vida de todos que estão em busca da melhora no desempenho, que a atividade pode propor.

O termo competição pode ser usado de maneira geral em diferentes situações. Por exemplo, “competimos contra os outros, contra nós mesmos, contra o relógio ou livro de recordes e contra objetos e os elementos naturais (alpinismo, canoagem)” (WEINBERG; GOULD, 2001 p. 120).

Coakley (1994 apud WEINBERG; GOULD, 2001 p. 120) define competição como “um processo social que ocorre quando recompensas são dadas as pessoas com base em seu desempenho comparado com os desempenhos de outros indivíduos que estejam realizando a mesma tarefa ou participado do mesmo evento”.

Gill e Deeter (1988 apud GALLEGOS et al., 2002, p. 145) destacam que a competitividade é classificada em três tendências comportamentais, competidor, determinado e vitorioso:

• Competidor reflete o prazer de competir em qualquer situação, empenhando-se ao máximo por sucesso em cenários esportivos competitivos;

• Determinado o atleta estabelece objetivos com desejo pessoal que pode ser vitória em primeiro plano ou preparação para o desenvolvimento através de experiência e, na sequência, vencer determinado campeonato de maior benefício;

• Vitorioso o atleta busca a vitória como único objetivo em comparação interpessoal e, em caso de derrota, a sua frustração é maior se comparada com os atletas com tendência aos comportamentos, determinados e competitivos.

Para De Rose Junior (2002), a competição refere-se à ocasião na qual o indivíduo demonstra suas valências, em um jogo, onde haja confronto com dois ou mais competidores. A competição esportiva pode ser considerada em um momento onde os indivíduos disputam algo pelo mesmo objetivo.

A competitividade auxilia na evolução dos atletas, uma em que o sentimento de derrota pode ser um fator intrínseco em dar a volta por cima. No entanto, a competitividade, dependendo do nível do atleta, pode passar dos limites, despertando a falta de lealdade na tomada de algumas atitudes antidesportivas. A

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falta de competitividade pode ser demonstrada em uma atitude física ou verbal perante o adversário, pela desestabilização psicológica oferecida pela competição (ESPORTE SOCIAL, 2011).

2.2.5 Prazer

Zambonato (2008 p. 26) destaca que “o ser humano, em geral, precisa ter mais prazer pela vida, pois dessa maneira, se sentirá mais feliz, adaptando-se melhor a sociedade, diante das constantes modificações”.

Pode-se afirmar, cada vez mais, que os benefícios advindos da prática da atividade física redundam na melhora da qualidade de vida. Contudo, diversos fatores podem ser determinantes para a escolha de uma atividade física, desde a obtenção de saúde, estética, lazer, socialização e o prazer, dentre muitos outros (SALVADOR, 2008).

Os sentimentos de prazer, experimentados pela participação em uma atividade, cria a sensação de competição e autodeterminação. O prazer é uma gratificação experimentada em uma conduta motivada intrinsecamente em definir a operação dos níveis de motivação intrínseca (DECI; RYAN, 1985).

Um indivíduo, intrinsecamente motivado, ingressa na atividade física por sua própria vontade, quer dizer, pela satisfação e pelo prazer de conhecer uma nova atividade. Os comportamentos intrinsecamente motivados tem relação com o bem estar, psicológico, interesse, prazer e persistência (RYAN; DACI, 2000b).

Raposo (1996 apud, FREITAS, 2002) destaca que a maioria das pessoas prática atividade pelo prazer proporcionado e pelo divertimento protagonizado pela atividade. Esses fatores podem ser classificados como intrínsecos.

Saba (2001), cita que a influência na manutenção da rotina à prática de exercícios físicos, é o prazer. Mesmo que o exercício não leve a condição de bem estar completo pelo indivíduo, o prazer pela prática garante a continuidade. O fator prazer é de suma importância, pois desata o processo de interesse pela prática do exercício físico, levando o sujeito em um maior entendimento na atividade em que pratica.

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Segundo Ornstein e Sobel (1989 apud SHARKEY, 1998 p. 350):

As sensações prazerosas obtidas pela atividade física liberam em nosso sistema nervoso, endorfinas e outras substâncias químicas semelhantes à opiatos. Essas substâncias alcançam os receptores e satisfazem as necessidades fisiológicas. Os autores afirmam que o desejo humano por prazer evoluiu para estimular a sobrevivência.

O efeito positivo sobre os aspectos psicológicos origina-se do prazer que é obtido na atividade realizada (ARAUJO et al., 2007). O exercício não tem que ser doloroso ou fatigante para ser prazeroso, mais sim apenas ser regular e moderado para oferecer prazeres saudáveis (SHARKEY, 1998). A sensação de prazer é o reflexo de uma aptidão física, pois passa a ser compreendida como um organizador que representa um estado multifacetado de bem estar resultante da prática da atividade física (CORBIN, 1987).

2.2.6 Estética

Nos últimos tempos o corpo tornou-se uma preocupação geral que atinge diversas classes sociais, faixas etárias e grupos da sociedade. A preocupação excessiva com o corpo toma caminhos desiguais em nossa sociedade. As academias de ginástica, musculação, dança entre outras, proliferam a imagem do corpo saudável, que deve ser cuidado a qualquer preço, oferecendo um modelo estético a ser seguido (CORREIA, 2006).

Thompson (1996 apud SAIKALI et al., 2004 p. 164) destaca que no conceito de imagem corporal existem três componentes:

• Perceptivo, que se relaciona com a precisão da percepção da própria aparência física, envolvendo uma estimativa do tamanho corporal e do peso;

• Subjetivo, que envolve aspectos como satisfação com a aparência, o nível de preocupação e ansiedade a ela associada;

• Comportamental, que focaliza as situações evitadas pelo indivíduo por experimentar desconforto associado à aparência corporal.

Correia (2006) destaca que a aparência física e os significados cominados a ela, constituem elementos importantes nas relações sociais. O interesse pelas práticas corporais realizadas nas academias de ginástica, como a

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musculação com propósitos estéticos, tem o objetivo principal em buscar certos padrões de beleza e saúde.

Atualmente se vive na era da imagem corporal, na qual as pessoas são bem vistos pela nossa imagem, por padrões de estética e beleza, que são atribuídos pela nossa sociedade. Indivíduos utilizam a prática regular da atividade física para alcançar e manter um corpo que seja invejável, aprovado pela sociedade que ela esteja inserida (CAPOZZOLI, 2010).

Estudos realizados por Saba (2001) apontam que o principal motivo pela procura de academias é o fator estético, evidenciando que a busca é pelo corpo bonito e escultural.

Muitas das vezes a procura pela atividade física está relacionada ao descontentamento corporal, colocando o fator estético como um fator principal para a prática do exercício físico, deixando a saúde como consequência da boa forma física (COELHO et al., 2010).

Kakeshita e Almeida (2006 apud COELHO, et al., 2010) realizaram uma pesquisa a respeito do tamanho corporal com pessoas de ambos os sexos, e mostrou que 87% das mulheres gostariam de reduzir o tamanho da silhueta e 73% dos homens gostariam de aumentar. O autor destaca que estudos como este demonstra que a insatisfação corporal atingem pessoas de ambos os sexos.

Outro estudo realizado por Kelley e Neufeld (2010 apud COELHO, et al., 2010), com homens e mulheres abordando a satisfação corporal, verificou que a busca pelo corpo magro ou musculoso não esta relacionada ao gênero. De acordo com o estudo, as pessoas de ambos os sexos buscam a satisfação em ter um corpo bonito, pelo ganho da massa muscular. Por esses resultados, as mulheres buscam o corpo magro e esbelto e os homens a musculatura desenvolvida.

Quando ocorre uma insatisfação pela imagem corporal as pessoas iniciam um programa de atividade física. As mulheres buscam a magreza e os homens, ter músculos fortes e volumosos. Um programa de atividade física bem elaborado pode reduzir o peso corporal, como de desejo para as mulheres, ou, para os homens, aumentar a massa muscular. Em consequência a isso, a prática da atividade física leva as pessoas a alcançarem corpos que idealizam (DAMASCENO et al., 2005).

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3 MÉTODO

3.1 TIPO DE PESQUISA

Este estudo, quanto à sua natureza, caracteriza-se como uma pesquisa aplicada. Para Oliveira (1998) pesquisa aplicada se determina como teorias ou leis amplas para um ponto de partida, e tem por objetivo pesquisar, comprovar ou rejeitar hipóteses propostos pelos modelos teóricos fazendo uma aplicação de diferentes necessidades humanas.

Quanto à abordagem do problema, o trabalho foi caracterizado como uma pesquisa quantitativa. Oliveira (1998) define que uma abordagem quantitativa significa quantificar opiniões, dados, nas formas de coleta de informações e também utilizar recursos e técnicas estatísticas mais simples.

Por fim, quanto aos objetivos, foi classificada como exploratória. Segundo Oliveira (1998) pesquisa exploratória tem como razão a formulação de um problema para efeito de uma pesquisa mais precisa ou, ainda, para elaboração de hipóteses.

3.2 PARTICIPANTES DA PESQUISA

Participaram da pesquisa 232 praticantes de musculação de 11 academias do Município de São José, com idade entre 18 a 60 anos, de ambos os sexos.

A escolha dos participantes foi de forma não aleatória, intencional e com participação voluntária.

Justifica-se este tipo de escolha dos sujeitos para a realização deste trabalho, o número significativo e crescente de academias no município de São José, contribuindo com isso para que se tenha uma amostra representativa e que responda satisfatoriamente aos objetivos do trabalho.

3.3 INSTRUMENTO DE PESQUISA

Para verificar a motivação dos participantes de musculação das academias de são José, foi utilizado o “Inventário de Motivação à Prática Regular de Atividade Física” IMPRAF-54 elaborado por Balbinotti e Barbosa (2006).

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O IMPRAF-54 é um instrumento que possibilita verificar a partir de 54 itens, com 9 blocos, seis possíveis dimensões associadas à motivação à prática regular de atividades física; sendo que o primeiro bloco apresenta uma questão relativa a dimensão motivacional: (1º) Controle de Estresse, (2º) Saúde, (3º) Sociabilidade, (4º) Competitividade, (5º) Estética e (6º) Prazer. Essas questões são repetidas até o oitavo bloco sendo que o último bloco, o nono é composto por seis questões repetidas tendo como objetivo investigar o grau de concordância acordadas a primeira e a segunda resposta ao mesmo item.

O questionário apresenta uma escala tipo likert com cinco opções, em uma ordem crescente de avaliação: (1) “isto me motiva pouquíssimo”, (2) “isto me motiva pouco”, (3) “mais ou menos, não sei dizer, tenho dúvida”, (4) “isto me motiva muito” e (5) “isto me motiva muitíssimo”.

3.4 PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS

Inicialmente foram contactadas 11 academias de musculação do município de São José, foi explicado os objetivos da pesquisa e como houve concordância foi assinado o Termo de Ciência e Concordância entre as Instituições.

Na pesquisa foram levados em consideração os princípios éticos de acordo com a Resolução n.196, de 10 de outubro de 1996 do Conselho Nacional de Saúde.

Com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Sul de Santa Catarina, (CEP – UNISUL, registro 11.516.4.09.III) foi agendado os dias e horários para aplicação dos questionários, estando presente no local o pesquisador para esclarecimento de possíveis duvidas.

A coleta de dados foi realizada nos meses de março e abril de 2011 em 11 academias do município de São José.

Os participantes da pesquisa foram convidados a participar do estudo, informados quanto aos procedimentos a serem realizados, e após concordarem, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, para em seguida, responder os questionários.

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3.5 ANÁLISE DOS DADOS

Para análise dos dados, como se trata de um estudo transversal e visa descrever os dados quantitativos, foi utilizado dados de estatística descritiva utilizando parâmetros de média, desvio padrão e mediana através dos escores obtidos pelo instrumento de pesquisa, apresentados através de gráficos e tabelas.

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4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

4.1 AMOSTRA GERAL

Na tabela 1 e gráfico 1 a seguir estão apresentados os dados descritivos dos valores observados em cada dimensão na amostra geral (Estresse, Saúde, Sociabilidade, Competitividade, Estética e Prazer).

Tabela 1 – Dimensões motivacionais – amostra geral.

Dimensões Média ± (dp) min-max Mediana Controle de estresse 25,3 ± 7,9 9 – 40 24 Saúde 30,6 ± 4,2 19 – 40 31 Sociabilidade 25,8 ± 7,0 13 – 40 25 Competitividade 17,4 ± 5,4 8 – 37 16 Estética 29,1 ± 5,7 8 – 40 30 Prazer 34,9 ± 5,4 10 – 40 36

Fonte: Elaboração dos autores, 2012.

Gráfico 1 – Distribuição das dimensões motivacionais – amostra geral.

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De acordo com a tabela 1 e gráfico 1 apresentados acima, a maioria dos sujeitos praticam musculação pelo prazer pela prática, seguido pelo motivo saúde e estética. Para as dimensões sociabilidade e controle de estresse os sujeitos obtiveram resultados semelhantes à média. Como fator que menos esta associado à motivação a prática da musculação pode-se citar a dimensão competitividade, que pode ser explicada pela característica da modalidade musculação.

Os resultados deste estudo estão próximos, mas não semelhantes aos encontrados por Capozolli (2010) que objetivou verificar os fatores motivacionais para a pratica em academias de ginástica do município de Erechim/RS. O autor encontrou que os motivos que levam a maioria dos sujeitos a buscar as academias de ginástica foi a busca pela saúde, seguido pelo prazer, estética, controle de estresse, sociabilidade e competitividade. Resultados semelhantes foram encontrados por Napoli e Sene (2008) quando analisados os principais fatores motivacionais que levam praticantes de musculação a treinar no período vespertino na cidade de Jaguaruna, SC.

Buscando uma relação com outra modalidade esportiva, percebe-se que os dois principais motivos foram semelhantes. No estudo de Bühler (2010) realizado com praticantes de futebol de finais de semana também verificou-se que os praticantes buscam a prática pelo prazer subsequente de, saúde, competitividade, controle de estresse, sociabilidade e estética.

4.2 AMOSTRA POR SEXO

Na tabela 2 e gráfico 2 abaixo são apresentados os dados descritivos dos valores observados em cada dimensão em uma amostra comparativa por sexo.

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Tabela 2 – Dimensões motivacionais – amostra geral por sexo.

Gênero Dimensões Média ± (dp) min-max Mediana

Feminino (n = 118) Controle de estresse 25,5 ± 7,4 12 – 40 26 Saúde 30,2 ± 4,3 19 – 37 31 Sociabilidade 25,1 ± 7,1 13 – 40 25 Competitividade 16,0 ± 4,1 8 – 33 16 Estética 29,5 ± 5,3 9 – 40 31 Prazer 34,7 ± 5,6 19 – 40 37 Masculino (n = 114) Controle de estresse 25,1 ± 8,5 9 – 40 24 Saúde 30,9 ± 4,1 22 – 40 32 Sociabilidade 26,6 ± 6,8 13 – 40 26 Competitividade 18,8 ± 6,2 10 – 37 16 Estética 28,7 ± 6,1 8 – 40 30 Prazer 35,0 ± 5,2 10 – 40 36

Fonte: Elaboração dos autores, 2012.

Gráfico 2 – Distribuição das dimensões motivacionais – amostra por sexo.

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Conforme a tabela 2 e gráfico 2, as dimensão que mais motiva as mulheres a prática da musculação foi o prazer seguido pela saúde, estética, controle de estresse, sociabilidade e competitividade. Nas dimensões controle de estresse e sociabilidade obtiveram resultados próximos da média. Não muito diferente das mulheres, os motivos que levam os homens a prática da musculação também foi o prazer subsequente de saúde, estética, sociabilidade, controle de estresse e competitividade. Percebe-se com os resultados uma similaridade entre homens e mulheres na busca pela prática da musculação, diferindo apenas na terceira dimensão em que para as mulheres aparece o controle do estresse e para os homens a sociabilidade. E quando comparado com um estudo com objetivos semelhantes, verificou-se que o principal motivo difere-se tanto para homens quanto para mulheres que buscam a prática em academias com objetivos de saúde, seguido por prazer, estética, controle de estresse, sociabilidade e competitividade (BALBINOTTI; CAPOZZOLLI 2008).

Diferentemente dos resultados encontrados neste estudo, Napoli e Sene (2008) encontraram como principais fatores motivacionais a prática da musculação no período vespertino, à saúde, seguido por prazer, estética, sociabilidade, controle de estresse e competitividade. Neste mesmo estudo citado, para as mulheres a saúde também vem em primeiro lugar subsequente de prazer, estética, controle de estresse, sociabilidade e competitividade.

No estudo de Zambonato (2008) os resultados quando analisados separando homens e mulheres também diferem desse estudo e concordam com os resultados de Napoli e Sene (2008). Os motivos dos adolescentes com sobrepeso e obesos a prática da atividade física para os homens teve como fator primordial à saúde, seguido pelo prazer, estética, sociabilidade, controle de estresse e competitividade, para as mulheres a saúde também vem em primeiro lugar, já as outras dimensões vem seguido por estética, prazer, sociabilidade, controle de estresse e competitividade.

No estudo de Saldanha (2008) foi verificado os motivos dos atletas de basquetebol infanto-juvenil de 13 a 16 anos a prática regular da atividade física e o fator que mais motiva as mulheres a prática é o prazer seguido de saúde, sociabilidade, competitividade, estética e controle de estresse. Comparando a variável sexo feminino na tabela 2 acima, somente as dimensões prazer e saúde correspondem aos resultados. Já para os homens o motivo principal também é o

Referências

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