Consultas de Jurisprudência

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Identificar­se Bem­vindo > Consultas de Jurisprudência Consultas de Jurisprudência Agravo Interno Em Mandado de Segurança Com Liminar n° 2016.006073­7/0001.00 Origem:      Tribunal de Justiça Agravante:        Estado do Rio Grande do Norte Procuradora:    Juliana de Morais Guerra Agravada:         Unimed Natal – Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico Advogado:       Cristiano Luiz Barros F. da Costa Relator:      Desembargador Virgílio Macêdo Jr.    

EMENTA:    PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  INTERNO  EM  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PRETENSÃO  DE

REFORMA DA DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEFERIU A LIMINAR PARA AFASTAR DA BASE DE CÁLCULO DO ICMS­ENERGIA ELÉTRICA SOBRE OS VALORES REFERENTES A TUSD, TUST E ENCARGOS SETORIAIS. REJEIÇÃO. AUSÊNCIA DE FATOS OU FUNDAMENTOS IDÔNEOS A INFIRMAR A CONCLUSÃO DA DECISÃO RECORRIDA.  BASE  DE  CÁLCULO  DO  ICMS  COMPOSTA  PELA  ENERGIA  EFETIVAMENTE  CONSUMIDA. MANUTENÇÃO  DO  PRONUNCIAMENTO  JUDICIAL  ANTERIOR.  CONHECIMENTO  E  DESPROVIMENTO  DO AGRAVO. 1. Inexistentes razões de fato e de direito bastantes para que seja modificada a decisão agravada, deve, nessa oportunidade, ser ratificado o pronunciamento jurisdicional monocrático, por todos os seus fundamentos. 2. As tarifas de distribuição (TUSD) e de transmissão (TUST) e, ainda, dos encargos setoriais não se incluem na base de cálculo do ICMS, mostrando­se indevida a sua exigência, pois deve incidir tão somente sobre a energia elétrica efetivamente consumida.

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3.  Precedentes  do  STJ  (Súmula  166;  AgRg  no  REsp  1408485/SC,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  j. 12/05/2015;  AgRg  no  REsp  1075223/MG,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  j.  04/06/2013;  AgRg  no  REsp 1278024/MG,  Rel.  Ministro  Benedito  Gonçalves,  Primeira  Turma,  j.  07/02/2013;  REsp  960.476/SC,  Rel.  Ministro  Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, j. 11/03/2009) e do TJRN (AgRg em MS nº 2016.003989­7/0001.00, Rel. Desembargador Cornélio  Alves,  Tribunal  Pleno,  j.  13/07/2016;  AgRg  em  MS  nº  2015.019812­9/0001.00,  Rel.  Desembargador  Cornélio Alves, Tribunal Pleno, j. 13/07/2016; Ag nº 2016.014667­3, Rel. Desembargador Amaury Moura Sobrinho, 3ª Câmara Cível, j. 29/11/2016). 4. Agravo interno conhecido e desprovido.   ACÓRDÃO   Vistos, relatados e discutidos estes autos, em que são partes as acima nominadas. Acordam os Desembargadores que integram o Tribunal Pleno deste Egrégio Tribunal de Justiça, em sessão plenária, por de votos, conhecer e negar provimento ao presente agravo interno, nos termos do voto do Relator, parte integrante deste.     RELATÓRIO   1. Trata­se de Agravo interno interposto pelo Estado do Rio Grande do Norte em face da decisão que deferiu a liminar para determinar a suspensão de exigibilidade do ICMS sobre os valores da TUSD, TUST e encargos setoriais na fatura de energia elétrica dos contratos citados pela agravada (fls. 116/121­v).   2. Em suas razões (fls. 128/134­v), o Estado do Rio Grande do Norte sustenta que a incidência do imposto é admitida, sendo o preço final composto pelas atividades de geração, transmissão e distribuição.   3. Sustenta que os consumidores livres necessitam ter acesso aos sistemas de transmissão e distribuição de energia, através de contratos de uso do sistema de distribuição e de contrato de conexão ao sistema de distribuição.  

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  5. Requer, assim, a reforma da decisão recorrida, indeferindo o pedido liminar.   6. Em sede de contrarrazões (fls. 206/213), a parte agravada postula que seja negado provimento ao agravo interposto.   7. É o relatório.   VOTO  

8.  Pretende  o  agravante  que  seja  reformada  a  decisão  que  afastou  da  base  de  cálculo  do  Imposto  sobre  Circulação  de Mercadorias e Serviços – ICMS – a tarifa de transmissão (TUST) e distribuição (TUSD) de energia elétrica, bem como os encargos setoriais.

 

9. Entendo não assistir razão ao agravante.  

10. Acerca da relevância da fundamentação, a consideração das tarifas de distribuição (TUSD) e de transmissão (TUST) e, ainda,  dos  encargos  setoriais  na  base  de  cálculo  do  ICMS,  mostra­se  indevida,  pois  não  poderia  incidir  sobre  toda  a  fatura,  mas  tão  somente  sobre  a energia elétrica efetivamente consumida.   11. De fato, a Súmula 166 do Superior Tribunal de Justiça afasta a incidência, veja­se:   "Não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento de mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte."  

12.  Nesse  contexto,  a  transmissão  de  energia  elétrica  e  a  distribuição  não  são  fatos  geradores  de  ICMS  se  não  houve  a entrega ao consumidor, porquanto não há a circulação jurídica apta a ensejar a tributação do ICMS, mas tão somente das tarifas indicadas definidas pela ANEEL.

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13.  Logo,  incabível  a  incidência  do  ICMS  sobre  as  tarifas  de  distribuição  (TUSD)  e  de  transmissão  (TUST)  de  energia elétrica, conforme os julgados do Superior Tribunal de Justiça:   "PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ICMS SOBRE "TUST" E "TUSD". NÃO INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE CIRCULAÇÃO JURÍDICA DA MERCADORIA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial em que se discute a incidência de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços sobre a Taxa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD). 2. Inexiste a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do acórdão recorrido.

3.  Esta  Corte  firmou  orientação,  sob  o  rito  dos  recursos  repetitivos  (REsp  1.299.303­SC,  DJe  14/8/2012),  de  que  o consumidor  final  de  energia  elétrica  tem  legitimidade  ativa  para  propor  ação  declaratória  cumulada  com  repetição  de indébito que tenha por escopo afastar a incidência de ICMS sobre a demanda contratada e não utilizada de energia elétrica. 4. É pacífico o entendimento de que "a Súmula 166/STJ reconhece que 'não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento de mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte'. Assim, por evidente, não fazem parte da base de cálculo do ICMS a TUST (Taxa de Uso do Sistema de Transmissão de Energia Elétrica) e a TUSD (Taxa de Uso do Sistema de Distribuição de Energia Elétrica)". Nesse sentido: AgRg no REsp 1.359.399/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/06/2013,  DJe  19/06/2013;  AgRg  no  REsp  1.075.223/MG,  Rel.  Ministra  ELIANA  CALMON,  SEGUNDA  TURMA, julgado  em  04/06/2013,  DJe  11/06/2013;  AgRg  no  REsp  1278024/MG,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/02/2013, DJe 14/02/2013.

Agravo regimental improvido."

(STJ,  AgRg  no  REsp  1408485/SC,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  julgado  em  12/05/2015,  DJe 19/05/2015) Grifos acrescidos

 

"PROCESSO CIVIL ­ TRIBUTÁRIO ­ AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL ­ COBRANÇA DE ICMS COM INCLUSÃO  EM  SUA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  TARIFA  DE  USO  DO  SISTEMA  DE  DISTRIBUIÇÃO  DE  ENERGIA ELÉTRICA ­ TUSD ­ INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO ICMS ­ IMPOSSIBILIDADE ­ PRECEDENTES.

1. É firme a Jurisprudência desta Corte de Justiça no sentido de que não incide ICMS sobre as tarifas de uso do sistema de distribuição de energia elétrica, já que o fato gerador do imposto é a saída da mercadoria, ou seja, no momento em que

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a energia elétrica é efetivamente consumida pelo contribuinte, circunstância não consolidada na fase de distribuição e transmissão. Incidência da Súmula 166 do STJ. Precedentes jurisprudenciais. 2. Agravo regimental não provido." (STJ, AgRg no REsp 1075223/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 04/06/2013, DJe 11/06/2013) Grifos acrescidos  

"TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  LEGITIMIDADE  ATIVA  DO  CONTRIBUINTE  DE FATO.  UTILIZAÇÃO  DE  LINHA  DE  TRANSMISSÃO  E  DE  DISTRIBUIÇÃO  DE  ENERGIA  ELÉTRICA.  ICMS  SOBRE TARIFA  DE  USO  DOS  SISTEMA  DE  DISTRIBUIÇÃO  (TUSD).  IMPOSSIBILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  OPERAÇÃO MERCANTIL.

1. O ICMS sobre energia elétrica tem como fato gerador a circulação da mercadoria, e não do serviço de transporte de transmissão e distribuição de energia elétrica, incidindo, in casu, a Súmula 166/STJ. Dentre os precedentes mais recentes: AgRg nos EDcl no REsp 1267162/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 24/08/2012.

2. A Primeira Seção/STJ, ao apreciar o REsp 1.299.303/SC, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 14.8.2012, na sistemática prevista  no  art.  543­C  do  CPC,  pacificou  entendimento  no  sentido  de  que  o  usuário  do  serviço  de  energia  elétrica (consumidor em operação interna), na condição de contribuinte de fato, é parte legítima para discutir a incidência do ICMS sobre a demanda contratada de energia elétrica ou para pleitear a repetição do tributo mencionado, não sendo aplicável à hipótese a orientação firmada no julgamento do REsp 903.394/AL (1ª Seção, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 26.4.2010 ­ recurso submetido à sistemática prevista no art. 543­C do CPC).

3.  No  ponto,  não  há  falar  em  ofensa  à  cláusula  de  reserva  de  plenário  (art.  97  da  Constituição  Federal),  tampouco  em infringência da Súmula Vinculante nº 10, considerando que o STJ, o apreciar o REsp 1.299.303/SC, interpretou a legislação ordinária (art. 4º da Lei Complementar nº 87/96).

4. Agravo regimental não provido."

(STJ,  AgRg  no  REsp  1278024/MG,  Rel.  Ministro  Benedito  Gonçalves,  Primeira  Turma,  julgado  em  07/02/2013,  DJe 14/02/2013) Grifos acrescidos

 

14. Acerca da incidência sobre os encargos setoriais, a relevância da fundamentação do impetrante decorre do fato gerador do ICMS sobre energia elétrica, definido no REsp 960.476/SC, julgado na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543­C, CPC), veja­se:

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"TRIBUTÁRIO.  ICMS.  ENERGIA  ELÉTRICA.  DEMANDA  DE  POTÊNCIA.  NÃO  INCIDÊNCIA  SOBRE  TARIFA CALCULADA  COM  BASE  EM  DEMANDA  CONTRATADA  E  NÃO  UTILIZADA.  INCIDÊNCIA  SOBRE  TARIFA CALCULADA COM BASE NA DEMANDA DE POTÊNCIA ELÉTRICA EFETIVAMENTE UTILIZADA.

1. A jurisprudência assentada pelo STJ, a partir do julgamento do REsp 222.810/MG (1ª Turma, Min. José Delgado, DJ de 15.05.2000), é no sentido de que "o ICMS não é imposto incidente sobre tráfico jurídico, não sendo cobrado, por não haver incidência, pelo fato de celebração de contratos", razão pela qual, no que se refere à contratação de demanda de potência elétrica, "a só formalização desse tipo de contrato de compra ou fornecimento futuro de energia elétrica não caracteriza circulação  de  mercadoria".  Afirma­se,  assim,  que  "o  ICMS  deve  incidir  sobre  o  valor  da  energia  elétrica  efetivamente consumida,  isto  é,  a  que  for  entregue  ao  consumidor,  a  que  tenha  saído  da  linha  de  transmissão  e  entrado  no estabelecimento da empresa".

2. Na linha dessa jurisprudência, é certo que "não há hipótese de incidência do ICMS sobre o valor do contrato referente à garantia  de  demanda  reservada  de  potência".  Todavia,  nessa  mesma  linha  jurisprudencial,  também  é  certo  afirmar,  a contrario sensu, que há hipótese de incidência de ICMS sobre a demanda de potência elétrica efetivamente utilizada pelo consumidor.

3. Assim, para efeito de base de cálculo de ICMS (tributo cujo fato gerador supõe o efetivo consumo de energia), o valor da  tarifa  a  ser  levado  em  conta  é  o  correspondente  à  demanda  de  potência  efetivamente  utilizada  no  período  de faturamento, como tal considerada a demanda medida, segundo os métodos de medição a que se refere o art. 2º, XII, da Resolução ANEEL 456/2000, independentemente de ser ela menor, igual ou maior que a demanda contratada.

4.  No  caso,  o  pedido  deve  ser  acolhido  em  parte,  para  reconhecer  indevida  a  incidência  do  ICMS  sobre  o  valor correspondente à demanda de potência elétrica contratada mas não utilizada.

5. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543­C do CPC e da Resolução STJ 08/08." (STJ,  REsp  960.476/SC,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Seção,  julgado  em  11/03/2009,  DJe  13/05/2009) Grifos acrescidos

 

15.  Em  outras  palavras,  os  encargos  setoriais  definidos  pela  Aneel  não  representam  hipótese  de  incidência  do  ICMS,  não sendo  admitida  a  sua  tributação.  Na  mesma  linha,  há  as  decisões  do  Tribunal  Pleno  (AgRg  em  MS  nº  2016.003989­7/0001.00,  Rel.  Desembargador Cornélio  Alves,  Tribunal  Pleno,  j.  13/07/2016;  AgRg  em  MS  nº  2015.019812­9/0001.00,  Rel.  Desembargador  Cornélio  Alves,  Tribunal  Pleno,  j. 13/07/2016) e da 3ª Câmara Cível (Ag nº 2016.014667­3, Rel. Desembargador Amaury Moura Sobrinho, 3ª Câmara Cível, j. 29/11/2016).

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16. Denota­se, portanto, que a incidência do ICMS sobre toda a fatura, incluídos aí a TUST, a TUSD e os encargos setoriais, conforme se visualiza nos documentos de fls. 47/106, através do cotejo das partes de informações de tributos e de composição do consumo, demonstra a ilegalidade levada a efeito pela autoridade impetrada.   17. Assim, não se está negando o direito de recebimento dos valores definidos pela ANEEL de transmissão, distribuição e os encargos setoriais, mas tão somente inviabilizando a cobrança de tributos sobre elementos de composição da conta de energia elétrica do consumidor que não representam hipóteses de incidência do ICMS.   18. No tocante à pretensão do Estado de que seja reconhecida a incidência com base no art. 34, § 9º, do ADCT, é cediço que não se pode acolher a alegação sobretudo em virtude da orientação pacífica do STJ acerca do tema – citados acima – que reconhecem a impossibilidade de incidência no presente caso.  

19.  Por  fim,  o  recorrido  não  pode  ser  enquadrado  como  consumidor  livre,  que  corresponde  àquele  que  compra  a  energia elétrica no mercado livre, diretamente dos produtores e geradores, mas consumidor cativo para o qual não há a necessidade de contrato de transmissão e distribuição, uma vez que no Estado do Rio Grande do Norte a energia é comercializada apenas pela COSERN.   20. Por todo o exposto, voto pelo conhecimento e desprovimento do agravo interno.   21. É como voto.   Natal, 19 de dezembro de 2016.     Desembargador AMÍLCAR MAIA Presidente     Desembargador VIRGÍLIO MACÊDO JR. Relator

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Doutor JOVINO PEREIRA DA COSTA SOBRINHO Procurador­Geral de Justiça em substituição

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