Enriquecimento da vinhaça com
fontes de N e outros nutrientes
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA “LUIZ DE QUEIROZ”
Departamento de Ciência do Solo
Prof. Dr. Rafael Otto
Sertãozinho, SP
Junho de 2019
- Redução no custo de adubação de
soqueira (15 a 20%) –
considerando todos os aspectos
Econômica
Ambiental
Produtividade
- Será necessário fazer PAV no futuro?
- Manejo avançado da
adubação de soqueira
OPORTUNIDADE DA VINHAÇA
LOCALIZADA
Fonte: Novo Boletim 100
Produtividade
Esperada
Nitrogênio
P resina, mg/dm
3K trocável, mmol
c
/dm
30-6
7-15
16-40
>40
0-0,7
0,8-1,5 1,5-3,0
>3,0
t/ha
kg/ha
(1)--- P
2O
5, kg/ha ---
--- K
2O, kg/ha
(3)---<100
30
180
140
80
40
140
120
100
60
100-130
30
180
160
100
60
160
140
120
80
130-150
30
200
(2)180
120
80
180
160
140
100
150-170
30
200
(2)180
140
100
200
180
160
120
>170
30
200
(2)200
140
100
220
200
180
120
(1)Complementar a adubação de plantio com 30 a 60 kg/ha de N em cobertura, maiores doses para áreas com solos mais argilosos
ou preparo reduzido/plantio direto, ou com maiores expectativas de produtividade. Aplicar o N na operação de quebra-lombo, antes da formação de colmos, junto com a adubação complementar de K.
(2) A fosfatagem é recomenda para solos com teores de P muito baixos (<7 mg/dm3). Esta deve ser feita após a calagem e a
gessagem, com aplicação de P a lanço, em área total, seguida de incorporação superficial (10-20 cm), próximo do período do plantio. Para a fosfatagem, aplicar 120 kg/ha P2O5para solos com até 25% de argila e 150 kg/ha P2O5 para os demais solos, considerando o teor total de P2O5da fonte utilizada. Quando for feita a fosfatagem, completar com 150 kg/ha de P2O5no sulco de plantio, independentemente da faixa de produtividade de colmos esperada.
(3)O cloreto de potássio, fonte mais comum de potássio, traz riscos de excesso de salinidade se aplicado em doses altas no sulco,
especialmente em solos arenosos e períodos secos. A opção é aplicar no máximo 80 kg/ha de K2O no sulco de plantio e o restante durante a operação de quebra lombo, ou a aplicação a lanço em pré-plantio. É dispensável a aplicação de adubo potássico em solos com teores acima de 6,0 mmolc/dm3.
ADUBAÇÃO DE PLANTIO
Fonte: Novo Boletim 100
Produtividade
esperada
(1)Nitrogênio
P resina, mg/dm
3K trocável, mmol
c
/dm
30-6
7-15
16-40
>40
0-0,7
0,8-1,5 1,5-3,0
>3,0
t/ha
kg/ha
(2)--- P
2O
5, kg/ha ---
--- K
2O, kg/ha
(3)---<80
80
40
20
0
0
100
80
60
40
80-100
100
40
20
0
0
140
100
80
60
100-120
120
60
40
30
0
160
120
100
80
120-140
140
60
40
30
0
180
140
120
100
>140
140
60
40
30
0
200
160
140
100
(1)Usar a produtividade do ciclo anterior ou a expectativa de produção para o próximo ciclo, a que for maior. Aplicar os adubos ao ladoou sobre as linhas de cana.
(2)Doses para cana colhida sem queima. Em áreas que recebem vinhaça, descontar 70% do N contido na vinhaça in natura e 50% do N de vinhaças concentradas. Em áreas com aplicação frequente de vinhaça, caracterizadas pela alta saturação de K (acima de 5% na CTC) a resposta da cana à adubação nitrogenada é baixa ou nula; nesse caso dispensar a adubação nitrogenada ou reduzi-la à metade para áreas com produtividades acima de 120 t/ha de colmos.
(3)As doses de K
2O recomendadas para a faixa de teor de 0,8 a 1,5 mmolc/dm3repõem aproximadamente o K exportado com o colmo. Essas doses pressupõem áreas com palha, na qual há estoque de K que será disponibilizado durante o ciclo da cultura; caso contrário o solo, o solo será empobrecido neste nutriente. Em áreas com remoção de palha, aumentar as doses de K2O em até 30%. Não aplicar adubo potássico em solos com teores acima de 6,0 mmolc/dm3. Em áreas que recebem vinhaça, descontar da adubação potássica da tabela acima todo o K contido na vinhaça pois 100% do mesmo estará disponível para a cultura.
ADUBAÇÃO DE SOQUEIRA
FONTES DE N E OUTROS NUTRIENTES PARA
VINHAÇA LOCALIZADA OU CONCENTRADA
TÉCNICA
OPERACIONAL
ECONÔMICA
FONTES DE NITROGÊNIO PARA VINHAÇA
•
NITRATO DE AMÔNIO É MAIS SEGURO PARA
APLICAÇÃO SOBRE A PALHA
•
UREIA APRESENTA PERDAS SIGNIFICATIVAS DE N POR
VOLATILIZAÇÃO (media de 30%)
•
URAN APRESENTA PERDAS INTERMEDIÁRIAS
•
PERDA DE AMÔNIA POR VOLATILIZAÇÃO OCORRE
DEVIDO AO AUMENTO DO pH NA REGIÃO DO
GRÂNULO DO FERTILIZANTE
•
COMO A VINHAÇA TEM CARÁTER ÁCIDO, CONTRIBUI
PARA REDUZIR AS PERDAS DE AMÔNIA POR
VOLATILIZAÇÃO
Ureia
•
Casa de vegetação
(40ºC, solo úmido)
•
Vinhaça concentrada
•
6,7 m
3/ha
•
150 kg/ha K
2O
58
35
28
21
0
10
20
30
40
50
60
70
Ureia
Ureia +
vinhaça
Uran
vinhaça
Uran +
P
er
d
a
d
e
NH
3(%
d
a
d
ose
)
•
Vinhaça reduz perdas de amônia
por volatilização!
35
31
26
21
0
10
20
30
40
Ureia +
vinhaça
vinhaça +
Ureia +
MAP + B
Ureia +
vinhaça +
H3PO4 + B
Uran +
vinhaça
P
er
d
a
d
e
NH
3(%
d
a
d
ose
)
•
Casa de vegetação
(40ºC, solo úmido)
•
Vinhaça concentrada
•
6,7 m
3/ha
•
150 kg/ha K
2O
•
Adição de fertilizantes com caráter
“ácido” reduzem ainda mais a
volatilização!
OUTRA ESTRATÉGIA
→ ADIÇÃO DE NBPT
0
10
20
30
40
Vinhaça concentrada + Ureia sólida Vinhaça concentrada + Ureia líquida Vinhaça concentrada + Uran Vinhaça concentrada + Ureia+NBPT Vinhaça concentrada + Uran+NBPT Vinhaça concentrada + Nitrato líquido Vinhaça concentrada + Nitrato sólido%
Perdas de
N
Ureia+NBPT
Redução nas
perdas de
14%
•
Perdas de NH
3
em laboratório são superestimadas!
Fonte: Cantarella et al. (2018) – J Adv. Res.
Perda média = 22%
•
Campo = 15%
Trat.
Descrição
Dose de N
kg ha
-10
Controle
-1
Vinhaça Concentrada
-2
Vinhaça Concentrada + Ureia
40
3
Vinhaça Concentrada + Ureia
80
4
Vinhaça Concentrada + Ureia
120
5
Vinhaça Concentrada + Uran
40
6
Vinhaça Concentrada + Uran
80
7
Vinhaça Concentrada + Uran
120
8
Vinhaça Concentrada + Ureia + P
2O
5+ B*
80
9
Vinhaça Concentrada + Nitro 20
80
10
Ureia líquida (20-0-0)
80
11
Uran (32-0-0)
80
12
Ureia acidificada (20-0-0)**
80
* Visando fornecer 30 kg ha
-1de P
2
O
5e 0,8 kg ha
-1de B.
** Ureia acidificada com ácido fosfórico H
3PO
4→
baixa concentração
VC (T1)
VC + 40 kg ha
-1N-URAN (T5)
4,5 m
3ha
-1vinhaça concentrada
→
150 kg ha
-1de K
2O
VC (T1)
VC + 80 kg ha
-1N-UREIA (T3)
4,5 m
3ha
-1vinhaça concentrada
→
150 kg ha
-1de K
2O
4,5 m
3ha
-1vinhaça concentrada
→
150 kg ha
-1de K
2O
21
86 a
88 a
VC + UREIA
VC + URAN
PR
ODUTIVI
D
ADE
(T HA
-1
)
Produtividade de colmos
7
9
10
13
13
15
15
16
18
0
10
20
Controle Ureiaacidificada VC + Nitro 15 Ureia VC + ureia VC + uran Uran VC + ureia + P + B DMS
P
R
ODUT
IVI
D
ADE
(T/HA)
Ganho em relação à vinhaça concentrada sem N
Obs.: sem diferença significativa;
•
APESAR DAS PERDAS POR VOLATILIZAÇÃO, A UREIA
TEM DESEMPENHADO TÃO BEM QUANTO O NITRATO
DE AMÔNIO → Mesmo sem a mistura com vinhaça
•
Vários estudos tem comprovado isso!
Média de 6 experimentos
(Us. Estiva, Us. Noble, Us. Interlagos)
Fonte: Trivelin e Otto (dados não publicados)
FONTES DE N
92 c
96 bc
96 bc
97 bc
99 ab
99 ab
103 a
60
90
120
Produtividad
e
(t
/ha)
Case 2
Vinhaça concentrada
6 a 12 m
3
/ha
Vinhaça in natura
20 a 30 m
3
/ha
Lâmina
(m
3/ha)
Largura da faixa de
aplicação
10 cm
15 cm
6
9 mm
6 mm
12
18 mm
12 mm
Lâmina
(m
3/ha)
Largura da faixa de
aplicação
10 cm
15 cm
20
30 mm
20 mm
30
45 mm
30 mm
LÂMINA EQUIVALENTE (mm)
•
Quanto menor a faixa de aplicação
(largura), maior a lâmina de água (mm)
•
Quanto maior a lâmina (mm), maior a
profundidade incorporação (cm)
•
Tudo isso ajuda a reduzir as perdas de
amônia do N-ureia
Desnitrificação
•
Produção de formas gasosas de N a partir do NO
3
-•
Bactérias anaeróbias facultativas:
–
Bacilus
–
Pseudomonas
–
Spirilum
–
etc.
NO
2-NO
3-H
2N
2O
2N
2O
N
2desnitrificação
Motivos para evitar a mistura de nitrato de
amônio à vinhaça concentrada
→
Pode se tornar um
problema em situações
de
certificação
da
URAN (32-0-0)
Nitrato de amônio = 353 kg
Ureia = 435 kg
Água = 212 kg
Total = 1000 kg
Densidade = 1,28 g/ml
Ureia líquida (20-0-0)
Ureia = 435 kg
Água = 565 kg
Total = 1000 kg
Densidade = 1,12 g/ml
Se possível, utilizar água quente (80 a 90
o
C) e manter água
aquecida com uso de serpentina e vapor!
→
Para não cristalizar, evitando atrasar o processo.
ECONÔMICA
•
PRODUÇÃO
MUNDIAL
DE
UREIA
TEM
AUMENTADO, MAS NÃO DE SULFATO OU NITRATO
DE AMÔNIO
•
TEM-SE
OBSERVADO
DIMINUIÇÃO
NA
IMPORTAÇÃO DE NITRATO DE AMÔNIO NO BRASIL
IMPORTAÇÕES DE NITRATO DE AMÔNIO
(MIL TON DE PRODUTOS)
305 347 356 267 218 273 270 212 360 288 443 204 64 89 146 156 27 32 31 21 118 109 108 0 96 98 99 127
0
200
400
600
YARA FERTIPAR(GR) HERINGER ADUFERTIL COOPERFERTIL MOSAIC OUTROS
2015
2016
2017
2018
TOTAL IMPORTADO (mil t) : 2015 – 1.188 2016 – 1.236 2017 – 1.453 2018 – 987
IMPORTAÇÕES DE UREIA
(MIL TON DE PRODUTOS)
561 883 954 1.140 274 647 646 659 725 866 777 562 516 581 754 330 69 193 149 249 162 199309 234 85 109 121 116 719 1.119 1.060 1.587
0
500
1.000
1.500
2.000
FERTIPAR(GR) MOSAIC YARA HERINGER CIBRAFERTIL(1) KOCH UNIFERTIL OUTROS
2015
2016
2017
2018
TOTAL IMPORTADO (mil t.) : 2015 – 3.111 2016 – 4.597 2017 – 4.770 2018 – 4.877
•
UREIA É O PRINCIPAL FERTILIZANTE UTILIZADO NO
BRASIL E NO MUNDO
Fonte: IFA, 2019
Fertilizantes nitrogenados no Brasil (% do total)
14 19
22
14 10 12 12 15 16
20 17 20 18 16 12 16 13
23
23 20
21 21 19 21 19 15
18 16 15 15
14
13
14
12
62 57 58 65 68 68 68 66 69 61 65 63 64 69 71 66 71
0
25
50
75
100
Consum
o
(%)
Nitrato Amônio
Sulfato Amônio
CAN
Ureia
Fonte: IFA, 2019
Fertilizantes nitrogenados no mundo (% do total)
9
8
8
8
8
7
7
7
7
6
6
5
5
4
4
3
3
49
50
51
51
52
48
48
47
50
50
49
50
50
50
50
50
48
5
6
6
6
6
6
6
6
6
7
6
6
7
7
7
7
7
10
9
9
9
9
15
15
16
14
14
15
14
13
14
14
15
17
0
25
50
75
100
Ammonia dir. applic.
Ammonium nitrate
Ammonium sulphate
CAN
N sol.
Other N straight
Urea
Ammonium phosphate
N P K compound
Urea facts
Ammonium sulphate facts
100 200 250 280 300 450 600 450 290 320 450 530 450 380 360 310 230 275 230 295 70 130 150 150 200 330 450 300 195 270 400 440 340 310 320 250 200 265 200 230 70 70 100 100 150 250 300 250 140 185 270 320 260 280 255 255 180 200 190 200
U$/t
Ureia
Nitrato de Amônio
Sulfato de Amônio
ECONÔMICA
0.9 1.7 2.2 2.4 2.6 3.9 5.2 3.9 2.5 2.8 3.9 4.6 3.9 3.3 3.1 2.7 2.0 2.4 2.0 2.6 0.8 1.6 1.8 1.8 2.4 4.0 5.5 3.6 2.4 3.3 4.8 5.3 4.1 3.8 3.9 3.0 2.4 3.2 2.4 2.8 1.3 1.3 1.9 1.9 2.9 4.8 5.7 4.8 2.7 3.5 5.1 6.1 5.0 5.3 4.9 4.9 3.4 3.8 3.6 3.8