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O PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO PARFOR NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA RESUMO

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Academic year: 2021

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27 O PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO PARFOR NA

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA

Maria Helena Pellegrino de Sousa/UEL [email protected] Ana Lucia Ferreira da Silva/UEL [email protected]

RESUMO

O trabalho tem por objeto a análise da ação política do programa emergencial de formação de professores (PARFOR) ofertado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), o qual oferece cursos de primeira e segunda licenciaturas e de formação pedagógica, para professores da educação básica pública. Nesta perspectiva busca-se compreender a estrutura da política e suas características organizacionais, identificar os fatores que facilitam ou dificultam seu desenvolvimento. Para tanto, propõe-se análise documental, buscando os instrumentos legais de regulamentação do funcionamento do Programa em âmbito Federal e no Estado do Paraná, referentes ao processo de implantação e de desenvolvimento do Programa no período de 2009-2012 ofertado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), e análise bibliográfica sobre a política de formação de professores na atualidade. O PARFOR, na UEL foi implantado no ano de 2009. É possível afirmar que, desde sua implantação, muitas ações foram propostas e desenvolvidas, visando à incorporação desse Programa às ações da Universidade tendo em vista aspectos políticos administrativos e pedagógicos. O estudo encontra-se em processo de desenvolvimento, sendo que os resultados apresentados são parciais e têm indicado a necessidade de uma análise mais aprofundada do PARFOR, visto que o programa sofre a influência, em seu processo de desenvolvimento, também por parte de seus agentes implementadores, os quais, de diferentes formas, interferem em sua estrutura e organização.

Palavras-chave: Política pública, PARFOR, Formação de Professores.

Introdução

Este trabalho objetiva avaliar o processo de desenvolvimento do PARFOR na Universidade Estadual de Londrina (UEL), para tanto foram feitos estudos visando compreender a estrutura da política e suas características organizacionais. Também visa identificar os fatores que facilitam ou dificultam seu desenvolvimento na instituição citada. Assim, o documento tomado para análise foi o decreto nº 6755/09 e o artigo de Souza e Perrude (2014). Entende-se que se trata de uma análise importante pelo fato de que a construção de uma política pública para a formação de professores tem sido objeto de debates e lutas dos educadores no Brasil, desde a reabertura democrática. Conforme análise de Freitas (2002), a formação de

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28 professores, em especial a partir dos anos de 1990 ganhou novos significados devido à influência das agências internacionais.

Dados referentes ao Estado do Paraná, conforme o Censo da Educação de 2010 revelavam que 3.203 professores no Estado atuavam sem a primeira licenciatura, 27.575 estavam trabalhando fora de sua área de formação e 1.976, embora atuassem na educação profissional pública, eram bacharéis.

Na UEL, o PARFOR foi implantado no ano de 2009, inicialmente ofertando dois cursos: Artes Visuais, na modalidade de Segunda Licenciatura, e Pedagogia, como Primeira Licenciatura. A partir de 2010, outros cursos foram disponibilizados, totalizando 11 cursos (onze) com turmas ativas. Em 2013, foram seis novas turmas nas três frentes previstas no Programa: primeira e segunda licenciaturas e formação pedagógica. Nesse sentido, o estudo em questão procura vislumbrar quais são os desafios e as perspectivas de se implementar o PARFOR para os cursos de Licenciatura, em especial para o professor/estudante, intentando avaliar diferentes aspectos, como a gestão, a organização didático-pedagógica, a administração acadêmica, o acesso e permanência e também efeitos da formação na atuação.

A Política Nacional de Formação de Profissionais da Educação Básica - PARFOR teve início por meio da implantação do Decreto 6.755 de 29 de janeiro de 2009, o qual instituiu a

Política Nacional de Formação de Profissionais do Magistério da Educação Básica, disciplina a atuação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível Superior – CAPES no fomento a programas de formação inicial e continuada, e dá outras providências (BRASIL, 2009).

Trata-se de uma ação emergencial de política pública, a qual compõe a agenda das políticas educacionais da CAPES/MEC1. O Programa tem como objetivo garantir que professores em exercício que atuam na rede pública da educação básica possam adquirir a formação exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN).

O PARFOR na UEL

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O desenvolvimento do PARFOR se dá em regime de colaboração entre a CAPES e secretarias de Educação estaduais, municipais e Distrito Federal e as Instituições de Ensino Superior (IES).

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29 De acordo com Souza e Perrude (2014), o PARFOR na Universidade Estadual de Londrina (UEL), iniciou suas atividades no ano de 2009, ofertando, naquele momento, dois cursos: Pedagogia em primeira Licenciatura e Artes Visuais como Segunda Licenciatura. A partir do segundo semestre de 2010 gradativamente foram formadas outras turmas de Segunda Licenciatura, na seguinte sequência: Filosofia, Música, Ciências Biológicas, Ciências Sociais, Física, Química e Formação Pedagógica. Hoje, ao todo o PARFOR/UEL contou com 37 turmas, das quais 30 já concluíram. Atualmente existem turmas em Pedagogia, Artes Visuais, Ciências Sociais, Filosofia e Música. A tabela a seguir mostra como foram distribuídas as turmas ao longo do tempo.

As grandes decisões sobre o PARFOR ocorrem em reuniões do Fórum Estadual Permanente de Apoio à Formação Docente, que foi implantado nos termos do §1º, do Artigo 4º, do Decreto nº 6.755, de 29 de janeiro de 2009, do qual participam: o Secretário de Educação do Estado ou do Distrito Federal e mais um membro indicado pelo Governo do Estado ou do Distrito Federal; um representante do Ministério da Educação; dois representantes dos Secretários Municipais de Educação indicados pela respectiva seção regional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME; o dirigente máximo de cada instituição pública de educação superior com sede no Estado ou no Distrito Federal, ou seu representante; um representante dos profissionais do magistério indicado pela seccional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação - CNTE; um representante do Conselho Estadual de Educação; um representante da União

Curso Nº de Turmas Pedagogia 8 Artes visuais 7 Ciências biológicas 2 Ciências sociais 3 Filosofia 5 Física 2 Geografia 1 Matemática 1 Música 4 Química 2 Formação Pedagógica 2

Tabela constando os cursos do PARFOR/UEL e o número de turmas efetivadas segundo dados da

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30 Nacional dos Conselhos Municipais de Educação - UNCME; e um representante do Fórum das Licenciaturas das Instituições de Educação Superior Públicas.

Características dos cursos PARFOR presencial

Algumas questões não podem ser ignoradas, pois os cursos do PARFOR são emergenciais, o que significa afirmar que eles possuem objetivos e público específicos, e, por isso, têm caráter temporário. Cabe lembrar que as IES para poderem ofertar os cursos no PARFOR necessita ter seus cursos de origem devidamente credenciados no e-mec2.

Outro aspecto que é necessário ressaltar é o fato de esses cursos serem especiais, isto se explica porque eles requerem planos de cursos organizados e adaptados para atender as necessidades de formação de professores em exercício e aos projetos pedagógicos das redes de ensino. Este é um dos grandes diferenciais em relação à graduação regular, pois os professores estudantes trazem para a Universidade as dificuldades que vivenciam em suas respectivas salas de aula. Assim, ter os “[...] professores da Educação Básica presentes na Universidade, trazendo para a sala de aula um retalho das escolas em que atuam foi sinônimo de conquista para muitos” (SOUZA; PERRUDE, 2014, p. 28), complementando, as autoras afirmam que:

Tais presenças nos obrigaram a pensar melhor na formação de professores dos cursos regulares, assim, as coisas acontecem numa via de mão dupla: os professores estudantes procuram soluções para os problemas da sala de aula e nós, professores formadores, nos obrigamos a refletir para aprimorar nossa ação docente (SOUZA e PERRUDE, 2014, p. 28).

Com base na citação acima, é possível perceber que o Programa vem desempenhando seu papel e cumprindo seu objetivo no sentido de que tem propiciado aos professores estudantes um espaço para estudo, reflexão e revisão de sua atuação profissional.

Considerações finais

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E-MEC é o sistema de tramitação eletrônica dos processos de regulação (Credenciamento e Recredenciamento de Instituições de Ensino de Superior - IES, Autorização, Reconhecimento e Renovação de Reconhecimento de Cursos), regulamentados pelo Decreto nº. 5.773, de 9 de maio de 2006.

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31 Por tratar-se de estudo em andamento as considerações finais apresentadas, neste caso são parciais e o estudo possibilitou a compreensão de que ao longo dos anos, alguns problemas em relação ao PARFOR puderam ser verificados, conforme apontado pelo estudo de Souza e Perrude (2014), que indica, entre outros aspectos, a incompatibilidade entre oferta e demanda, porque as Secretarias de Educação apontam determinada demanda, mas quando se concretiza o processo de inscrição e seleção, os números são muito aquém daquilo que as demandas apontavam. Há pouca interatividade entre as IES e as Secretarias na definição e organização dos cursos, fato que foi resolvido apenas neste último ano, segundo a coordenadora geral do PARFOR/UEL. Evasão que muitas vezes ocorre independente da vontade dos professores/estudantes, mas estes possuem muitas obrigações que acabam por dificultar o estudo que ocorre aos sábados em período integral. A divulgação é sempre difícil, pois a Secretaria de Estado da Educação não se dispõe a veicular nos veículos de comunicação de massa os períodos de inscrição na Plataforma Freire para os cursos do PARFOR.

Se por um lado há dificuldades, por outro lado é preciso apontar os pontos favoráveis do Programa na ação docente na educação básica. Segundo os próprios professores/estudantes, eles estudam um assunto no sábado e colocam em prática na segunda-feira na escola onde atuam, isso certamente é um grande ganho para todos.

Referências

BRASIL. Decreto 6.755 de 29/01/2009. Institui a Política Nacional de Formação dos Profissionais do Magistério e regulamenta a ação da CAPES. Lex: Brasília, 2009. Disponível em:

<http://www.capes.gov.br/images/stories/download/legislacao/Decreto-6755-2009.pdf>. Acesso em 19 de Novembro de 2014.

FREITAS, Helena Costa Lopes De. FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO BRASIL: 10 ANOS DE EMBATE ENTRE PROJETOS DE FORMAÇÃO. Educação e

Sociedade. Campinas, vol. 23, n. 80, setembro/2002, p. 136-167. Disponível em: <http://www.cedes.unicamp.br>. Acesso em 09 de março de 2015.

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32 SOUZA, M. I. P. O., PERRUDE, M.R.S. e ZANETTI, R. R. (orgs.). A formação do professor no PARFOR/UEL: percursos do ensino para a docência. Londrina: PARFOR/UEL, 2014.

Referências

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