Materiais Metálicos
Nucleação de Cristais
Nucleação de cristais
Como surgem os cristais/grãos num
Nucleação de cristais
Passagem de um estado atômico de desordem, onde os átomos tem alta mobilidade, para um estado de ordem, onde os átomos perdem a mobilidade e assumem
posições fixas nucleação de um sólido num líquido; nucleação de líquido no vapor; etc.
A nucleação pode ocorrer também pela formação de uma “segunda fase” sólida numa matriz sólida precipitação numa solução sólida super-saturada.
A nucleação pode ser:
Homogênea – os núcleos são formados estatisticamente em sítios
da fase primária (que pode ser o líquido, por exemplo).
Heterogênea – os núcleos são formados em sítios preferenciais da
fase primária. No caso de nucleação a partir do líquido, os sítios preferenciais podem ser as paredes do molde, superfície do
Formação de embriões na
nucleação homogênea
Como se dá a formação de fase sólida a
partir do resfriamento de um metal
líquido???
Formação de embriões na nucleação
homogênea
Super-resfriamento
1. Redução da temperatura na fase líquida.
2. Aquecimento do sistema pela liberação do calor latente de fusão (recalescência).
3. Equilíbrio do calor gerado pela solidificação e pela transmissão de calor pela parede do molde 4. O sistema está solidificado e reduz sua temperatura.
Como se expressa o equilíbrio termodinâmico de uma
Nucleação homogênea
No caso da nucleação a partir do líquido, os átomos podem estatisticamente se aproximar o suficiente para formar embriões, que
podem ser considerados como pequenos núcleos.
Se a T > Tf, os embriões irão se decompor
espontaneamente (Gs > Gl).
Quando T = Tf, Gl = Gs.
Nucleação homogênea
A formação de um núcleo → balanço de energia
livre→ uma parcela relacionada a formação da
interface sólido/líquido e uma fração relacionada a
mudança de estado dos átomos.
Assumindo uma geometria esférica dos embriões
(com raio igual a r), temos:
energia interfacial entre a fase líquida e a sólida.
T < Tf → - Diferença da energia livre de Gibbs por
Nucleação homogênea
Na curva soma da contribuição volumétrica e da
contribuição devido a interface, temos um ponto de
máximo de onde obtemos
r* - raio crítico
ΔG* - energia de ativação (barreira energética) para
Nucleação homogênea
Para r < r* → embriões instáveis.
Para r > r* → embriões podem crescer se
tornando núcleos estáveis.
Núcleos estáveis r
0= 1,5 r*
Os núcleos que atingem o valor de r
0iniciam a
cristalização.
Derivando ΔG em função do r, é obtido o valor
de r*
Obs: Tm e Tf são a mesma coisa: Temperatura de fusão (melting). ΔT é o valor de super-resfriamento.
T
L
T
r
v m SL
2
*
Nucleação homogênea
Substituindo o valor de r* na equação da energia
livre ΔG, é obtido o valor de energia de ativação
ΔG*:
Por exemplo, no caso do Ni com super-resfriamento de 300K, um raio crítico com r* = 2,2 nm e ΔG* = 58 eV.
Devido aos altos valores de energia de ativação
para nucleação (ΔG*), são necessários
substanciais super-resfriamentos.
2 2 2 3 *.
3
16
T
L
T
G
v m SL
Nucleação homogênea
Influência do super-resfriamento térmico sobre a variação de energia livre na nucleação homogêneaMetal (Tm) Temperatura de fusão/solidificação (°C) Ls ou Hs Calor latente de solidificação (J/cm3) Energia superficial (J/cm210-7) T de super-resfriamento máximo observado (°C) Pb 327 -280 33.3 10-7 80 Al 660 -1066 93 10-7 130 Ag 962 -1097 126 10-7 227 Cu 1083 -1826 177 10-7 236 Ni 1453 -2660 255 10-7 319 Fe 1535 -2098 204 10-7 295 Pt 1772 -2160 240 10-7 332
Valores de temperatura de solidificação, calor de solidificação, energia superficial e super-resfriamento máximo de alguns metais. Fonte: B Chalmers, “Solidification of Metals”.
Nucleação homogênea
Abaixo de T
f, o líquido é a fase metaestável.
No início da transformação sólido – líquido, é
necessária energia para formação de núcleos
críticos.
Segundo Volmer e Weber, Nn é o número de N
embriões com n átomos, que é dado pela estatística de Boltzmann:
Onde N = NL / Vm é o número total de átomos por unidade
de volume no metal super-resfriado, NL é o número de Avogadro, Vm é o volume molar, ΔG(n) é a energia
necessária para formar embriões contendo n átomos e kB é a constante de Boltzmann.
Nucleação homogênea
Alguns modelos para formação de núcleos em regime
estacionário foram propostos (por Volmer e Weber, Becker e Doring, Turnbull e Fisher).
A taxa de conversão de embrião de tamanho n* para n*+1,K+
n* é dada por:
Onde fv (= kB.T / h; h = cte de Planck) é a freqüência de vibração dos átomos no estado líquido; o fator 4n*2/3
considera que a incorporação de mais um átomo ao embrião só pode ocorrer na superfície.
Nucleação homogênea
Nucleação homogênea
Então, a taxa de nucleação em estado estacionário é dada por:
Onde Γz é o fator de Zeldovich relacionado com a variação de energia livre do estado líquido para o sólido e assume valores entre 0,01 e 0,1; ΔGa – barreira de ativação para difusão
interatômica no líquido.
Para altas taxas de super-resfriamento, a primeira exponencial (energia de ativação para difusão no líquido) controla a taxa de nucleação; para baixas taxas de super-resfriamento a segunda exponencial (energia de ativação para a formação de núcleos críticos) controla a taxa de nucleação.
Nucleação heterogênea
Na nucleação heterogênea, a formação de núcleos é favorecida pela presença de interfaces em contato com o líquido (paredes de moldes, inclusões, agentes
nucleantes, etc.)
Primeiro modelo de nucleação heterogênea foi proposto por Volmer conforme a figura abaixo.
SL= tensão sólido/líquido;
ST= tensão sólido/substrato;
LT= tensão líquido/substrato;
é o ângulo de molhamento que traduz a afinidade físico/química entre o embrião e o substrato.
Então, se tem um equilíbrio de tensões superficiais:
LT - ST + SL Cos
T
L
Tf
r
V
SL
2
*
Nucleação heterogênea
Raio crítico
3 2 2 2 2 *cos
cos
3
2
3
4
T
L
T
r
G
V f SL
f
T
T
G
G
HET HOM HOM HET 2 * *
3 cos cos 3 2 4 1 fCasos-limite de molhamento entre o embrião e o substrato na nucleação heterogênea
Nucleação heterogênea
1
180
f
* * HOM HETG
G
Solidificação de Metais
Solidificação – Transformação de fase do
estado líquido para o estado sólido.
Em geral, os metais e ligas passam pelo processo de solidificação, seja na etapa final ou numa etapa
intermediária de processamento.
Diversas rotas de processamento de metais utilizam a solidificação e fusão (processo inverso da
solidificação) na fabricação de peças e componentes metálicos.
O processo de solidificação é decisivo na formação de estrutura, homogeneidade e microestrutura dos metais e ligas.
Solidificação de Metais
Solidificação de um metal
puro
Platô da curva – ponto de
fusão – específico do metal.
Ponto de fusão – relacionado
Solidificação de Metais
Microestrutura formada durante a solidificação é fortemente influenciada pelas condições de extração de calor do metal líquido. A taxa de nucleação também influencia fortemente na microestrutura formada.Solidificação de Metais
Crescimento de cristais
Após a etapa de nucleação, se segue a etapa de crescimento dos núcleos estáveis.
Esta etapa depende da maior ou menor facilidade dos átomos do líquido se ligarem a interface de
Solidificação de Metais
Crescimento de
cristais
A interface sólido / líquido pode ser
classificada, conforme a sua topologia, em dois tipos:
Rugosa ou difusa Lisa ou facetada
Solidificação de Metais
Interface sólido / líquido
Rugosa ou difusa: a transição sólido / líquido ocorre ao longo de uma série de camadas atômicas.
Lisa ou facetada: interface densamente empacotada e lisa em nível atômico. Pode-se admitir esquematicamente que a
transição sólido / líquido ocorra em uma única camada atômica.
Solidificação de Metais
Interface sólido / líquido
O tipo de interface é definido pela variação da energia livre de superfície devido a incorporação aleatória de átomos às camadas atômicas de maior ordenação.
Segundo Jackson (1958), temos que a variação de energia livre da superfície em função dos N sítios atômicos
disponíveis na interface para incorporação de átomos é dada por:
Onde x é a fração de átomos ordenados e α* é chamada de
constante adimensional de Jackson que define o tipo de material.
Solidificação de Metais
Interface sólido / líquido
A constante de Jackson (α*) é dada por:
Onde Lm é o calor latente de fusão, R a constante dos gases,
Tm a temperatura de fusão e ξ é um fator que depende da cristalografia da interface. Geralmente, 0,5 < ξ < 1,0 em planos compactos.
Solidificação de Metais
Quando α* < 2:
o valor mínimo de ΔG ocorre em x = ½ (metade dos sítios estão
preenchidos).
interface rugosa.
muitos sítios disponíveis incorporação dos átomos →
crescimento contínuo.
Quando α* > 2:
mínimos de ΔG ocorrem em altos e baixos valores de x interface com poucos sítios preenchidos (ou disponíveis).
Interface lisa (facetada) → solidificação ocorre por camada ou
crescimento lateral.
Planos não compactos podem exibir baixos valores de ξ e, para
alguns metais, podem exibir interface rugosa. Os planos compactos apresentam interface lisa.
Solidificação de Metais
Solidificação de Metais
Interface sólido / líquido
Solidificação de Metais
©2003 Brooks/Cole, a division of Thomson Learning, Inc. Thomson Learning™ is a trademark used
herein under license.
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Crescimento dendrítico – com
super-resfriamento
Solidificação de Metais
Velocidade de crescimento dos cristais crescente de cima
Solidificação de Metais
Contração; possibilidade de microporosidade nos espaços interdendríticos
Imagem de MO que mostra a mudança de morfologia celular para dendrítica com o aumento da velocidade de crescimento através do centro da poça de soldagem. Imagem de MEV mostrando a
formação de dendritas numa super-liga de níquel.
Solidificação de Metais
Solidificação de Metais
Solidificação de Metais
Estrutura bruta de fusão Zona coquilhada Zona colunar Zona equiaxial centralRefino de grãos com uso de
inoculantes
m m sa
a
a
e
e = índice de epitaxiaas= espaçamento da rede cristalina do substrato
am= espaçamento da rede cristalina do metal (núcleo) Alta eficiência para e < 0,15
Exemplos de inoculantes para refino de grão e sua eficiência relativa de atuação
Metais e Ligas
Inoculantes Eficiência relativa
Ligas de Magnésio Cloreto de ferro
Carbono Zircônio
Alta Alta Moderada
Alumínio e suas ligas Titânio
Boro Nióbio
Alta Alta Moderada
Titânio e suas ligas Terras raras (Pr, Nd, Dy)
Níquel Cobalto
Moderada Baixa Baixa
Zinco Alumínio Moderada
Estanho Germânio
Índio
Moderada Baixa
Chumbo Telúrio Moderada
Ligas e Cobre Ferro
Nióbio Vanádio
Moderada Baixa Baixa
Ligas de Níquel Cobalto
Óxido de Cobalto
Moderada Alta
Ferro Fundido Terras raras Moderada
Aço Comum Nióbio
Titânio
Moderada Moderada
(a) (b)
Macroestrutura (x1) da seção longitudinal de lingotes de alumínio solidificados em molde de coquilha de aço: (a) estrutura solidificada normal sem nenhum tipo de inoculação; (b) com inoculação prévia de boro-titânio para refino de grão.
Bibliografia
R. Asthana, et. al. Materials Processing and Manufacturing Science. Elsevier Science, 2005.
A. Garcia. Solidificação: Fundamentos e Aplicações.Editora da Unicamp, 2001
D.A. Porter, K.E. Easterling. Phase Transformations in Metals
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D. Herlach, et. al. Metastable Solids from Undercooled Melts. Pergamon Materials Series, 2007.
OSÓRIO, W. R.; PEIXOTO, L. C.; GARCIA, A. Efeitos da agitação mecânica e de adição de refinador de grão na
microestrutura e propriedade mecânica de fundidos da liga Al-Sn. Revista Matéria, v. 14, n. 3, pp. 906 – 917, 2009.