David Alfaro Siqueiros
José Augusto de Oliveira Josiane Cristine Ramos
Maria de Lourdes Alcântara Silva Silmara Aparecida Matiussi ___________________________
DEFINIÇÃO
BREVE HISTÓRICO SOBRE A TEORIA DA ANGÚSTIA
PRIMEIRA TEORIA SEGUNDA TEORIA
ANGÚSTIA NA CONTEMPORANEIDADE
DISCUSSÃO
DEFINIÇÃO
ANGÚSTIA
“estreiteza, aperto, limitação de espaço, opressão, aflição,
desgosto, tribulação, agonia”. dicionário
“angor “ > estreitamento.
(angina, angustura) > pressão precordial latim
“angst” > “elemento antecipatório e ausência de objeto” - medo, pavor, susto ou sobressalto.
alemão
inglês “anxiety” > estrangular, apertar, estreitar
edição
standart “anxiety” > “angústia” por expressar um estado de estrangulamento, estreitamento ou sufocamento.
BREVE HISTÓRICO
Sigmund Freud (1856 – 1939)
Jean-Martin Charcot (1825-1893)
Histeria
Clínica Salpêtrière em Paris
Josepf Breuer (1842-1925)
Bertha Pappenheim
(27.02.1859 – 28.05.1936)
Freud e Martha Em 1888 Freud escreve com Breuer
Sobre o método catártico em “Comunicações Preliminares”
Podemos entender que em 1888 Freud já começa a se aproximar
1887 – NEURASTENIA - (doença moderna)
Médicos da época diagnosticavam a neurastenia como tumor cerebral
Consequência frequente da vida sexual anormal Neurose sexual Excessiva descarga de substâncias sexuais como acontecia
no exagero da prática de masturbação.... Esgotamento sexual
SINTOMAS
(dores somáticas inespecíficas: fadiga física, cefaléias, dispepsia, prisão de ventre,
parestesias espinhais,dinamia, cansaço, perda da libido,...)
Pessoas que não entram em contato com os sentimentos, não simbolizam
Os neurastêncios vão pedir “ajuda” por causa das somatizações que produzem, porque não simboliza.
neurastênico se difere do hipocondríaco, este último vai nomeando “dor nisso”, então procura tratamento para “isso”, ele fala do sintoma como doença física (busca doença no corpo para não entrar em contato com a mente), já o neurastênico não fala nem de doença. Importante
Wilhelm Fliess – amigo íntimo de Freud
Otorrino, com quem Freud se correspondeu de 1887 – 1902, 1892-1899 Questionamentos sobre a angústia Wilhem Fliess1858-1928
Cartas, rascunhos , o projeto – esboços organizados de suas idéias em evolução
Sigmund Freud, a partir de 1888 já começa a se aproximar da questão da angústia, mas como ocorre em toda sua obra seu ponto de vista vai se modificando e assim acrescenta, muda, transforma seus escritos – como se refere em 1932, p. 477, em um de seus escritos “Quanto mais nos
aprofundamos no estudo dos processos mentais, mais reconhecemos sua abundância e complexidade. Muitas fórmulas simples, que,
de início, pareciam preencher nossas
necessidades, posteriormente vieram a se revelar inadequadas. Não nos cansamos de modificá-las”. (grifo nosso)
Quantidade 1892
Arcoreflexo
Teoria Econômica
-Neurose de Angústia ou -Neurose Atual Quantum de energia
Freud começou a perceber que existiam neuroses que não eram de pestes e nem de guerra, que não eram neurastenias e portanto classificou como
Freud está começando a entender as diferenças neuro-mente “Segundo o qual um estímulo aplicado ao tecido vivo
(substância nervosa) a partir de fora é descarregado por ação para fora. Essa ação é conveniente na medida em que,
afastando a substância estimulada da influência do estímulo, remove-a de seu raio de atuação. “Instinto e suas vicissitudes” (1915)
“(...) uma questão de saber que quota de libido não-utilizada uma pessoa é capaz de manter em
suspensão, e uma questão do tamanho da fração de libido que a pessoa é capaz de desviar dos fins
sexuais para os fins sublimados” “Conferência XXIII – Os caminhos da formação dos sintomas” (1916/17)
Rascunho E (1892-1899) Cartas a Fliess, onde Freud começa
a escrever COMO SE ORIGINA A ANGÚSTIA
Angústia dos pacientes tem a ver com a SEXUALIDADE
“excesso da libido que represa tanto que intoxica” / “aumento do fator erógeno”
Coitus Interruptus MULHER: receio ficar grávida
HOMEM: receio artifício preventivo poder falhar
1ª teoria: TEORIA TÓXICA DOS SINTOMAS
Origem é buscada na esfera física e não psíquica
Angústia das virgens: Principalmente nas mulheres. Nos homens é a ereção
Angústia das pessoas voluntariamente
abstinentes:
Beatas homem e mulher, bem como a obstinação pela limpeza, considerando horrível tudo o que é sexual (transformando ansiedade em atos
obsessvios, fobias,....)
Angústia das pessoas obrigatoriamente
abstinentes:
Mulheres esquecidas pelos seus maridos ou não satisfeitas devido á falta de potência (angústia que pode ser adquirida e devido a circunstânicias concomitantes combina-se com a neurastenia)
Angústia das mulheres que vivem na pratica do coito interrompido o que é parecido com mulheres que têm homens com ejaculação precoce
(estimulação física não é satisfeita)
As pessoas que, em decorrência de praticarem a masturbação, tornaram-se neurastênicas, caem vítimas da neurose de angústia tão logo abandonam sua forma de satisfação sexual. Texto: “Incidência e Etiologia da Neurose de Angústia” (1895)
Angústia dos homens que praticam coito interrompido e mesmo de homens que excitam-se de diferentes maneiras e não empregam sua ereção para o coito
Angústia dos homens que vão além do seu desejo ou da sua força, pessoas de mais idade cuja potência está diminuindo mas que ainda assim se
impõem a pratica do coito
Angústia das pessoas que se abstêm ocasinalmente:
Homens jovens que se casaram com mulher de mais idade por quem na verdade sentem repulsa
Neurastênicos que foram desviados da masturbação para a ação intelectual sem compensá-la através coito
Homens cuja potência começa a enfraquecer e que, no casamento abstém-se das relações sexuais por causa de sensações “post coitum” “Todo animal fica triste depois coito”
O que há de comum entre eles
Dois tipos de neurose atual: Inicialmente
Neurose de angústia : (resultante da libido estancada, como no
caso do coito interrompido, da angústia das virgens,...) resultante de fatores biológicos ligados à sexualidade, que agiriam através de substâncias químicas
Neurastenia: (por excesso de eliminação como no caso da
masturbação excessiva)
Freud se atentava bastante aos sintomas para fazer a diferenciação
Angústia como um principal sintoma da neurastenia “Sobre os fundamentos para destacar da neurastenia uma síndrome específica denominada neurose de angústia” (1894/95)
1895 – “Respostas às críticas a meu artigo sobre a neurose de angústia”
“(...)Mendel para 1895, publiquei um breve artigo em que me arrisquei a fazer uma tentativa de isolar da neurastenia vários estados nervosos e estabelecê-los como uma entidade independente, sob o nome de neurose
de angústia”
“(...) Neurose de angústia exibem precondições etiológicas especiais que são quase o inverso da etiologia da neurastenia”.
(...) “por tudo aquilo que mantém a tensão sexual somática afastada da esfera psíquica, por tudo o que interfere em sua elaboração psíquica. Ao retrocedermos às circunstâncias concretas em que esse fator se torna
atuante, somos levados a afirmar que a abstinência |sexual|, quer voluntária quer involuntária, a relação sexual com satisfação incompleta, o coito
interrompido, o desvio do interesse psíquico da esfera da sexualidade e coisas similares são os fatores etiológicos específicos dos estados que denominei de “neurose de angústia”. (grifo nosso)
Na “Sintomatologia clínica da Neurose de Angústia” (1893 – 1899):
Irritabilidade geral: enfocando uma hiperestesia auditiva/ruído
Expectativa angustiada: maus pressentimentos, mania de dúvida,
Hipocondria, paciente percebe uma compulsão, sensações de loucura
Distúrbios cardíacos
Distúrbios respiratórios
Acessos de suor, geralmente à noite
Acessos de tremores e calafrios, muito facilmente confundidos com ataques histéricos
Acessos de fome devoradora geralmente acompanhada de vertigem
Diarréia, vertigem, congestões, parestesias Pavor noturno
Primeira Tópica -1º momento (1892 – 1895)
LIBIDO
Energia da pulsão sexual
Lembrando que “ a energia é acumulada e não foi descarregada de maneira adequada, se transformando em Angústia”
1893 – “Sobre o mecanismo psíquico dos fenômenos histéricos:
Comunicação preliminar”
Método Catártico “nos sonhos e nos atos falhos, há a manifestação de uma parte desconhecida do sujeito a qual ele vincula à idéia de dissociação psíquica”, que acabou sendo o fundamento de uma teorização sobre o funcionamento do psiquismo humano.
Em 1894 - “Neuropsicoses de defesa” - investigou a idéia de defesa, era a noção de ”conflito psíquico”, percebeu que há uma etiologia psíquica, um dinamismo
psíquico, com forças e idéias em oposição. Neste momento ainda estava a idéia que a angústia seria “produto da tensão sexual acumulada”, mas foi nessa época que Freud começou a perceber que quando há algo
desagradável na consciência, essa lança-o fora, enfraquecendo essa representação ou essa idéia, e deixando o afeto solto na consciência, que daí tomaria-se
um destino. É quando Freud começa a escrever então, sobre o segundo momento de sua “Primeira Teoria”.
Uma questão importante sobre as Neuropsicoses de defesa é que elas foram “... divididas em psiconeuroses de transferência e neuroses narcísicas, depois, em 1924 Freud troca a expressão psiconeuroses de transferência por neuroses propriamente ditas (Laplanche e Pontalis, 1991, p.301)”.
Nas duas patologias a tensão acumulada é
-Histeria com a Neurose de angústia
“convertida”,
HISTERIA a excitação é psíquica e é direcionada e descarregada no corpo
NEUROSE DE ANGÚSTIA, a tensão é física e não consegue passar para o âmbito psíquico, então é a situação somática que não encontra elaboração psíquica e assim se produz a angústia
O que torna patogênico AUSÊNCIA DE ELABORAÇÃO PSÍQUICA DA EXCITAÇÃO
“Sexualidade na etiologia das neuroses “– 1898
Em 1895, na “Psicoterapia da Histeria”, Freud começa a escrever sobre a importância da sexualidade na etiologia nas neuroses, que foi quando ocorreu o rompimento dele com Breuer.
“Sobre os fundamentos para destacar da neurastenia uma
síndrome específica denominada neurose de angústia” (Freud,
1895),
Neurastenia da Neurose de Angústia
Mau funcionamento sexual Esgotamento energia sexual Descarga adequada substituída por uma menos adequada
Sintomas: prisão ventre, cefaléia,...
Tensão sexual física que não foi psiquicamente ligada
Graciliano Ramos -“Angústia”
A angústia é o afeto mais elementar, o mais primordial, o mais próximo da carga energética pura, se trata de uma excitação acumulada que se escapa sob forma de angústia – essa energia sexual não elaborada e que não teve uma elaboração, é descarregada
de uma forma anárquica. É uma perturbação “econômica”, pois há um excesso de excitabilidade geral, de angústia, é um acúmulo ao qual o
1895 – Fobia (típico da neurose de angústia) – Neurose atual
1909 – “Pequeno Hans” – Fobias passam a ter uma equivalência com a Histeria de Angústia, por ter simbolização “quando
projeta faz sintoma”
Neurose de angústia, foi mais tarde denominada de:
HISTERIA DE ANGÚSTIA OU FOBIA
Onde há uma expectativa ansiosa, que se apresenta em ataques ou equivalentes em ansiedade; o estado de ansiedade é
permanente e sempre está propenso a se fixar na menor oportunidade e ao menor pretexto.
Nesse meio tempo Freud estuda os sonhos, percebe o inconsciente, escreve o caso Dora (1905). De 1895 – 1909 Freud escreve “Fobias e obsessões” E
“memórias encobridoras” (1899). Em 1909 escreve sobre Hans e então a histeria de angústia.
HISTERIA DE ANGÚSTIA - tendência “pessimista das coisas” (sempre prevêem as mais terríveis de todas as possibilidades, interpretam todos os eventos casuais como presságios do mal).
Como foi dito “existe aqui presente um quantum de energia livremente flutuante”, então, a angústia é:
Expectativa ansiosa Síndrome Nuclear
“Energia livre que, na expectativa ansiosa, domina a escolha das representações e está pronta, a cada vez, para ligar-se a qualquer conteúdo representativo que convenha”.
Alguns podem ser desprovidos de conteúdo representativo imediato mas o sujeito está ansioso sem saber o porquê, ou pode ter uma vaga percepção.
QUADRO CLÍNICO: Irritabilidade, vertigem, sudorese, taquicardia, sentimento de aniquilação da vida, acabrunhamento, ameaça de loucura, que tanto são distúrbios de uma função sensível como de um distúrbio corporal como
respiração, função glandular, cardíaca...
....e pode se manifestar por exemplo na “angústia das virgens”, “na angústia dos indivíduos continentes”, “nas angústias das relações sexuais incompletas”. Freud coloca a Neurose de Angústia como uma Neurose adquirida e que tem sua etiologia num conjunto de perturbações e influências da vida sexual.
1896 – “Observações adicionais sobre as neuropsicoses de defesa” e a “Etiologia da Histeria” - Questão do sintoma
1897 – “Carta 69” – Questão da fantasia sexual inconsciente
1900 – “Interpretação dos Sonhos” - Princípio da Constância Recalque
(Veremos mais adiante)
1909
1914 – “Recalque” - Separa a idéia (representação) da quota de afeto (libido) – que pode ser descarregado sob a forma de angústia. (Recalque primário e secundário)
Medici-pionieri che costituirono le prime avanguardie del
1917 – “Primeira Teoria” ou “Primeira Tópica” – Freud se dedica a escrever Esta teoria já começa a ser formulada por Freud desde a sua
correspondência com Wilhelm Fliess em 1893 em seu Rascunho B – A
etiologia das neuroses (Freud, 1893) e Rascunho E – como se origina a ansiedade (Freud 1894).
Primeiro Momento (1892-1895) Segundo Momento (1909-1917)
Neurastenia Hipocondria Neurose de Angústia Psiconeuroses: Histeria de Conversão
Histeria de Angústia ou Fobia Neurose Obsessiva
Vale salientar que na Conferência XXV, (Freud, 1917), segundo Laplanche, é um “texto intermediário entre os primeiros escritos de Freud e aquilo que será formulado por ele posteriormente”.
O ego sente e produz a angústia, de acordo com Freud (lembrando que alguns autores referem que toda angústia
provém do id mas é sentida e percebida no ego).
1923 – “Organização Genital Infantil” – CASTRAÇÃO (Será comentado a seguir sobre a “castração”)
1923 - “Ego e Id”, Freud já começa a formular sua teoria baseando nas compreensões internas
1926 a 1932 - “Segunda Teoria” ou “Segunda Tópica”
“Inibições, sintoma e ansiedade” (1925/26)
Angústia automática ou angústia neurótica e angústia sinal ou realística
Freud começa a perceber que o sujeito se depara com
situações externas e foge delas mas quando se depara com as internas questiona como irá fugir delas... “Se o que
estava em questão era o funcionamento de um estímulo externo, obviamente se deveria adotar a fuga como método apropriado: para o instinto, a fuga não tem qualquer valia, pois o ego não pode escapar de si próprio” (Freud, 1915, p. 169).
1932 – “Ansiedade e Vida Instintual” - a angústia se torna um dos pilares que sustentam o edifício teórico da psicanálise e é para evitá-la que o ego se
defende através de seus mecanismos defensivos
Nos textos mais recentes de Freud, outros elementos passam a ser valorizados, na sua teorização sobre a fobia, que não os referentes ao Complexo de Édipo, a Angústia
de Castração. Os elementos pré-genitais tomam um novo
valor, questões sobre o desamparo e sobre o
relacionamento inicial com a mãe passa a ser visto como importante na gênese da fobia. Na mulher, o desamparo, o
masoquismo e a feminilidade, são implicados nesta
PRIMEIRA TEORIA DA ANGÚSTIA (1892-1895 / 1909-1917)
1º momento: – Teoria Tóxica dos Sintomas (1892-1895) Neurose Atual
Neurose de Angústia
Neurastenia (posteriormente uma entidade clínica específica)
Princípio da Inércia / Princípio da Constância
Segundo Freud: “(...) há um considerável desenvolvimento da tensão sexual física, mas esta não pode ser convertida em afeto pela transformação psíquica, por causa do desenvolvimento insuficiente da sexualidade psíquica, ou por causa da tentativa de suprimi-la (defesa), por causa do declínio da mesma, ou por causa do alheamento habitual entre sexualidade física e psíquica, a tensão sexual se transforma em angústia. (Freud, Rascunho E,
“energia livremente flutuante”,
Pode se ligar a uma representação
(objetos ou situações) Freud vai denominar essa “ansiedade” de fobia ou medo
Importante salientar aqui que: A fobia das psiconeuroses provém de uma representação reprimida – sintomas são
formados para tentar fugir da geração de ansiedade
Já nas neuroses atuais, o afeto não provém de uma representação recalcada, portanto a angústia não foi desligada de uma
representação e de um evento que foi esquecido...
Nas fobias da neurose de angústia (aqui também chamado de neuroses atuais) está vinculada a uma certa representação, mas por trás dessa
representação não se encontra uma outra em que a primeira seria o símbolo, o substituto.
Essa é a diferença fundamental entre a fobia nas neuroses de angústia e nas psiconeuroses.
(...) “as coisas se desvirtuam da seguinte maneira: a tensão física aumenta, atinge o nível do limiar em que consegue despertar afeto psíquico, mas, por algum motivo, a conexão psíquica que lhe é oferecida permanece insuficiente: um afeto sexual não pode ser formado, porque falta algo nos fatores psíquicos. Por conseguinte, a tensão física, não sendo psiquicamente ligada, é transformada em angústia.” (Freud, 1894, p. 273 – Rascunho E)
A partir da noção de neurose de angústia que Freud amplia a idéia de transformação do acúmulo da libido em
em 1911, ao estudar o caso Schreber, Freud descreveu um terceiro tipo de neurose atual: a Hipocondria, a qual poderia estar representado um núcleo atual de uma psiconeurose ou de uma psicose subjacente
posteriormente, “o conceito de neurose atual foi perdendo seu emprego na Psicanálise à medida que foi se
evidenciando que, seja qual foi o valor precipitante dos fatores atuais, sempre existe a presença de conflitos mais antigos.” (p. 285-286) - Zimermman
Freud nos fala das neuroses atuais, e segundo Laplanche e Pontalis, 1991, p.301, quando se referiram a esse assunto descrevem que “nas neuroses atuais há uma etiologia somática e uma explicação à nível atual, algo como falta ou excesso de práticas sexuais que gera desconforto mas não remetendo o sujeito, necessariamente, ao conflito psíquico”... Hoje,.... “a antiga noção de neurose atual leva às concepções modernas sobre as afecções somáticas” (Laplanche e Pontalis, 1991, p.301).
De acordo com o “Vocabulário Contemporâneo de Psicanálise”, Zimerman (p.284-285), referindo à Freud diz que “Incialmente
Freud descreveu dois tipos de neurose atual: “A neurose de angústia e a neurastenia”. Neste último caso ele atribuía a causa
a uma excessiva descarga de substâncias sexuais como
acontecia no exagero da prática de masturbação.... Embora Freud tenha incluído a neurastenia como uma forma de neurose atual,
posteriormente veio a considerá-la como uma entidade clínica específica”.
“Hoje em dia, os psicanalistas não aceitam sem reservas a noção de neurose atual, mas o quadro clínico de neurose de
angústia e muitas vezes esquecem que foi Freud quem a isolou da neurastenia – conserva o seu valor nosográfico na clínica: neurose em que predomina uma angústia, sem objeto
niditidamente privilegiado, e em que o papel dos fatores atuais é manifesto. Neste sentido, ela se distingue
nitidamente da histeria de angústia ou neurose fóbica, na qual a angústia está fixada num objeto substitutivo” (Laplanche e
Psiconeuroses: tem algo mais – acontecimentos e influências que estão na raiz de toda psiconeurose pertencem, não ao momento atual mas a uma época da vida há muito passada, que é, por assim dizer pré-histórica – época da primeira infância e por isso paciente nada sabe deles – ele os esqueceu, embora apenas em determinadao sentido.
Neurastenia é uma etiologia de tipo contemporâneo, enquanto que nas psiconeuroses os fatores são de natureza infantil.
Queixas: (pressão intracraniana, propensão á fadiga, dispepsia, constipação,
irritação espinhal,...) - em outros casos, esses sinais desempenham papel menor e o quadro clínico se compõem de outros sintomas, apresentando todos uma
relação com o sintoma nuclear – o de angústia (ansiedade, inquietação, expectativa angustiada, ataques de angústia completos, rudimentares ou
complementares, vertigem locomotora, agorafobia, insônia, maior sensibilidade a dor, e assim por diante...) – Neurose de Angústia
“Reservei para o primeiro tipo o nome de neurastenia mas distingui o segundo como “neurose de angústia”, e forneci as razões para essa separação em outro texto” -
Sexualidade na Etilogia das neuroses
Princípio da constância ...”começou como uma hipótese
aparentemente fisiológica. O princípio é definido no “Projeto” (Parte I, Seção I) como “princípio da inércia neuronal, que
afirma que os neurônios tendem a se desfazer da quantidade”. Foi formulado em termos psicológicos vinte e cinco anos
depois, em Além do Princípio do Prazer (1920g), como se
segue: “O aparelho mental se esforça por manter a quantidade de excitação nele presente tão baixa quanto possível, ou, pelo menos, por mantê-la constante.”
Em 1894, ainda falando sobre a tensão Freud refere que:
(...) Não são as experiências em si que agem de modo traumático, mas antes sua revivescência como lembrança depois que o sujeito ingressa na maturidade sexual” (Freud – Observações adicionais sobre as neuropsicoses
de defesa, 1894, p. 165)
Jean Laplanche, 1998, nos traz uma bela contribuição ao escrever sobre o “primeiro período” comparação entre
Conversão Histérica e Neurose de Angústia: Na Conversão Histérica:
- O afeto sai do psíqico sexual para o somático.
- O salto do psíquico sexual para o somático conserva as capacidades de simbolização do psíquico sexual.
X
Na Neurose de Angústia
- O afeto sai do físico sexual para o somático. - O salto do físico sexual para o somático não tem
2º momento: - Sonhos, Projeto, Teoria da Sexualidade Infantil, Recalque (1909-1917) (após ver o caso Dora, Hans e o inconsciente)
Ambas continuam com a mesma idéia, são tóxicas. Aqui Freud começa a falar das psiconeuroses, lembrando aqui que a
angústia está relacionada com coisas do passado, não do
presente, e com relação às psiconeuroses ele classifica como: Histeria de Conversão (histéricas que convertiam no corpo o afeto que ficava solto quando uma idéia insuportável era
recalcada), Histeria de Angústia (fobias) e Neurose Obsessiva (embora Freud ainda não tinha escrito aqui sobre o “homem dos ratos” , que é o caso clássico da neurose obsessiva).
Recalque primário Recalque Secundário
pulsão passa para o estado de recalque e é uma condição para o
recalcamento que a força do desprazer adquira uma força superior
ao do prazer obtido com a satisfação
recalcamento primitivo (corresponde ao conceito de repressão primária), uma primeira fase do recalque que consiste no fato de o representante psíquico da
pulsão ter barrada sua entrada no consciente desde o início.
ANGÚSTIA AUTOMÁTICA
O recalque secundário não se dá diretamente contra as pulsões porque
essas são biologicamente
determinadas, nem diretamente contra os afetos, mas, sim, contra suas representações e seus derivados.
repulsa por parte de uma instância superior, tanto do “superego insconsciente como da pressão da moral consciente”
.
ANGÚSTIA SINAL QUE DISPARA ESSE
À medida que Freud progride no estudo da sexualidade infantil e no estudo das Neuroses, toma consciência da importância das angústias em suas relações com o Recalque.
Freud faz uma distinção entre angústia (angst), medo (Furcht) e susto (Schreck). A Angústia “(...) refere-se ao estado e não
considera o objeto” (Freud 1917, p.461), O medo refere-se a um objeto determinado e o susto implica a um perigo ao qual não se está preparado.
Freud também relaciona a angústia infantil com a angústia neurótica dos adultos que também resulta da libido não descarregada, e pensamos que isso vem a se referir ao estado do bebê quando a mãe está ausente, e antes ainda quando o bebê se separa da mãe através no nascimento.
Laplanche - 2º Período – ANGÚSTIA E LIBIDO RECALCADA (1909-1917). Relação da angústia com a libido recalcada.
Angústia diante de um perigo real.
Está sob a dependência das pulsões de auto-conservação.
É a conseqüência da interpretação dos sinais de perigo que ameaça a integridade física do indivíduo.
Toda sinal de perigo induz um estado de alerta: atenção sensorial e tensão motora mobilizam as capacidades de resposta a esse perigo pelo combate ou pela fuga, segundo as circunstâncias.
As situações de perigo são úteis e necessárias, preparam o sujeito para o revide.
X
O Recalque é inseparável de uma situação de perigo.
Qual a Natureza? e a origem do perigo? Qual suas conseqüências?
A natureza do perigo é o perigo da CASTRAÇÃO.
?
Ele faz uma comparação entre a Angústia que aparece na Fobia e a Angústia
Angústia Neurótica
Aparentemente nada a justifica sob o ângulo da auto-conservação A ameaça vem de outro lugar
A angústia por si mesma, não tem nenhuma utilidade, tem um efeito desorganizador, perturbando a conduta que deve ser adotada diante do perigo
A angústia patológica se manifesta de duas formas:
.
O perigo é localizado, a segurança está em todos os lugares. Diferentemente da Angústia, nas psiconeuroses (histeria, fobia e
obsessão), os sintomas são produzidos para impedir o aparecimento da angústia. (pg 77)
A angústia aparece aqui como conseqüência e não como causa do Recalque. (pg 79)
1ª) Angústia Flutuante
Pronta para ligar-se a qualquer representação.
O perigo está em toda parte e a segurança em nenhum lugar. É sempre interpretada como uma inibição à descarga.
Causas: vicissitudes da pulsão como: insuficiência dos mecanismos de
deslocamento, de inibição de fim, de dessexualização, de sublimação, acentuação dos fatores quantitativos adquiridos (puberdade, menopausa). É encontrada a falta de elaboração psíquica
Conclusão: o entrave da libido da origem a processos, todos eles,
unicamente de natureza somática
SEGUNDA TEORIA DA ANGÚSTIA (1926 – 1932)
Angústia automática ou neurótica e angústia sinal ou realística
A angústia automática: tem a ver com a questão do nascimento, e segundo comentários de estudiosos da biografia de Freud, ele começa a pensar nessa angústia ao andar pelos corredores do Hospital de Paris “Salpêtrière”, e a
parteira ao realizar o parto diz: “Hi, essa criança vai sofrer na vida, o parto foi complicado”, Freud então pensa: “A angústia esta aí”, e assim começa a desenrolar todo o conteúdo sobre
esse tipo de angústia, e lhe deu o nome de “angústia automática”, ou seja, é uma angústia que vem, que se apresenta assim de repente, e a primeira vez é no parto, por
isso que usa o termo “trauma do nascimento”. Freud vai pensando que a criança já vem sentindo o ambiente e se “recusa a nascer”. (reflexões em sala de aula). A primeira luta do bebê é no parto, com as contrações que o estimulam
a lutar para nascer. 1926
Inibições, sintomas e ansiedade (Freud, 1926) que “(...) no
homem e nos animais superiores, pareceria que o ato do nascimento, como a primeira experiência de ansiedade do
indivíduo, imprimiu ao afeto de ansiedade certas características de expressão”. (Freud, 1926, p.115).
O nascimento é então para Freud o “primeiro trauma” e o “protótipo de todos os estados de angústia que surgirão ao longo da vida do sujeito”. (Freud, 1926, p.186).
Toda criança, segundo Freud, vai nascer angustiada pelo desconhecido – ambiente frio, hostil, gelado, barulho, flash, medo insegurança. Alguns autores contemporâneos, no entanto, não pensam assim, como Winnicott, por exemplo que refere que o trauma não vem do nascimento e sim do ambiente, quando a mãe não é “suficientemente boa”. (reflexões em aula)
Só para relembrar: “a angústia experimentada pelo recém-nato fica circunscrita ao corpo, pois ainda não existe ego para representá-la. Freud designa esta angústia do corpo de angústia automática. Esta, por sua vez, propicia a
formação de um aparelho psíquico neste organismo. Experimentando a falta e, por conseguinte vivendo a angústia, a criança poderá representá-la, simbolizá-la. Isto fala de um ego que se constitui a partir da primeira experiência de satisfação e da angústia proveniente da falta. Nesta nova fase da vida do infas, a angústia automática e involuntária dá lugar à angústia sinal que é emitida pelo ego como um sinal de alerta e como um mecanismo de defesa, que coloca em marcha o processo de recalque” (Telles, 2001, p.73)
De 1926 a 1932, afirma que a angústia surge no ego e o ego é então “ a sede da angústia”, e a angústia só pode ser entendida pela sede pulsional. É via caminho da angústia do conflito e da defesa que entenderemos a nosologia psicopatológica psicanalítica em sua evolução até a atualidade.
A angústia automática é então a experiência
do desamparo, há um acúmulo de excitação (quer interna, quer externa), com a qual o ego
não pode lidar. Não há pensamento.
A angústia, portanto é que inaugura o psiquismo – “angústia
automática” - é automática porque tem que ficar fora da consciência, para não se ter acesso, depois e o ego vai se organizando fazendo angústias sinais
O ego vai se estruturando para a pessoa se desenvolver e não entrar em contato direto com a angústia automática e assim pode ir se
Resumindo então, as angústia vão se modificando no decorrer da vida, os “perigos internos” também se modificam com os diferentes períodos da vida, mas possuem uma característica comum:
a separação ou perda do amor (desejos insatisfeitos e assim uma experiência de desamparo, exemplo: nascimento, perda da mãe, perda do “pênis”, perda do amor do objeto, perda de amor ao superego, lembrando que, no início não
sabe-se que é angústia e sim um desconforto que é vivido tão intensamente que forma-se o sintoma.
A angústia sinal: corresponde a uma função de defesa do ego, é uma angústia ante um perigo real, antes a angústia era vivida passivamente e agora é vivida ativamente.
De acordo com Juan Carlos:
“A angústia sinal não é provocada pelo acúmulo de energia pulsional, muito pelo contrário, são as séries de significações desencadeadas da angústia (angústia de castração), que provocam a repressão (recalque). Aparece desse modo o conceito de sinal de desprazer, ou seja, uma espécie de dispositivo sediado no ego e posto em ação por ele, perante uma situação de perigo, cuja finalidade é evitar que
aconteça o que sucede com a angústia automática... No caso da angústia sinal, essa funciona como um alarme e a instância posta em jogo é o ego, que aqui sim, pode controlar a situação.
A angústia deixa de ser o resultado de um movimento de defesa do ego e passa a ser um disposito que avisa o ego que ele tem que se organizar para se defender de situações de perigo.
O perigo interno, para Freud tem a ver com a perda do objeto amado, situação
essa que leva à desejos incestuosos e consequentemente ao desamparo.
O ego então, utiliza-se da angústia sinal para defender-se desta sobrecarga libidinal, colocando em marcha o processo de recalque.
Constata-se aqui que, “ao invés do recalque causar angústia, a angústia sinal é que causa o recalque” (Freud,1926).
Entendemos aqui que a angústia automática está relacionada com o recalque primário e a angústia sinal com o recalque secundário.
Freud descreve inicialmente a angústia realística ou angústia sinal e depois a angústia neurótica ou angústia automática.
“Freud estudou a angústia em dois momentos diferentes de sua
obra. Na primeira formulação, a angústia seria conseqüente à repressão, o que provocaria uma libido acumulada que funcionaria
de uma maneira “tóxica” no organismo. A partir de sua monografia “Inibições, sintomas e
angústia” (1926) ele conceituou de forma inversa, ou seja, é a repressão que se processa como
uma forma de defesa contra a ameaça de irrupção de angústia, mais especificamente, angústia
de castração”.
O complexo de castração é muito importante na Segunda Teoria da Angústia, pois refere à “perda fantasiada do pênis”. O sujeito, no entanto, teve outras perdas, no registro real-concreto:
a primeira delas é a perda do útero no ato do nascimento, o chamado “trauma do nascimento”,...
:... a segunda é a experiência do desmame... acompanhada dos afetos angústias correspondentes.
Será preciso lembrar que o desmame é um processo rítmico que consiste numa série de perdas sucessivas, não só do peito em si, mas também de todo um conjunto de experiências córporo-afetivas, que são componentes necessários do ato de mamar”...
... na fase seguinte, a anal, a perda de fezes será codificada pela criança como uma angústia de separação ou renúncia, e ao mesmo tempo que se exercitam muscularmente os controles da ansiedade.
Freud expõe que um dos elementos possíveis da angústia de separação do pênis (castração), é o julgamento de que ele é separável do próprio corpo, experiência que a criança teve, cotidianamente na fase anal”. (Juan Carlos Kusnetzoff, p. 159)
De acordo com o Vocabulário Contemporâneo de Psicanálise, Zimerman, se referindo a Freud, em “Análise de uma fobia em um menino de cinco anos” – Hans, Freud enfatiza:
“O quanto a mãe de Hans o ameaçava de cortar seu pipi, se ele continuasse a se masturbar, e a enorme surpresa que a criança demonstrava diante da constatação de que as mulheres não tinham pênis.
Essa história publicada em 1909, apresenta três aspectos
interessantes,...e um deles é que a partir de uma esmiuçada análise da fobia de Hans por cavalo, Freud conseguiu demonstrar sua
postulação da existência de uma angústia de castração que estava em ligação direta com um conflitivo complexo de Édipo.
Igualmente, Freud comprovou a existência de teorias existentes na mente das crianças com as quais ele tenta decifrar o mistério do nascimento.”
Para Green a angústia de castração na menina não deve ser identificada com a secção do pênis, mas a temores referentes ao interior do corpo, e que a sua ausência levaria a menina a ficar presa de ameaças vagas, por mais tempo presa à mãe, devido ao medo de perder seu amor.
Menina: Castração vem pela frustração inicialmente com a mãe, que a fez trocar de objeto e seguir com o pai, com quem não poderia ter o bebê
desejado em fantasia...
O efeito observável do complexo de castração nas mulheres é na terna catexia objetal que surge e que a situação de perigo seria vivenciada em temer a perda do amor do objeto
Para Anzieu a feminilidade se refere a afetos ligados à
representações do corpo interno, ligados ao desejo de gestação e ao prazer narcísico de ser possuída. É próprio da mulher, ser
constituída de um interior invisível e fecundo, exposto à penetração e fonte de gozo. A angústia da castração surge como medo de
sufocamento, num retorno das vivências pré-edípicas da menina com a mãe”.
De acordo com as aulas pudemos compreender que na histeria de angústia há a dialética da castração, e que o problema central do fóbico gira em torno do pai, e tem a ver com a castração. O que falta no fóbico é a interdição.
No caso Hans percebemos que ele faz angústas sinais - ele possui um medo externo e fica se protegendo disso.
Quando o ego faz sintomas é um modo de evitar a geração de angústia, que nada mais é do que a vivência de um perigo de
castração ou de algo que se remonta à castração – perda do amor.
No caso Hans o que fica desintegrador para o ego é que horas ele tem amor e horas ele tem ódio pelo pai, e há um desejo pelo pai. O desejo é avassalador e quando não há controle surge o DESAMPARO.
O medo, então, é para proteção, para não entrar em contato com o desamparo. “Temos medo para nos protegermos, nos
defendermos,... mas se ficamos sempre nos defendendo o ego fica pobre, forma-se
patologias”
O medo de Hans já é uma organização da patologia –
O ego lê sinal de perigo e faz a pessoa se organizar sem psicotizar
Segundo as aulas, quando referindo-se à Laplanche, “temos um desamparo psíquico não só de morrer mas com relação á
sexualidade e a agressividade também”.
Para lidar com a angústia ego vai se organizando fazendo angústias sinais
Quando se projeta para o mundo externo, problema fica “não sendo mais da pessoa” e sim do objeto externo.
Quando a idéia vai para o inconsciente e o afeto fica solto na consciência, o ego fica “maquiando” o afeto, disfarçando, disfarçando,...e ele precisa de uma saída.
A angústia sinal é responsável pelo início de todas as operações defensivas contra a invasão pulsional do id. Neste caso, os mecanismos de defesa, quaisquer que sejam cumprem uma atividade simbólica operativa a serviço da adaptação ao meio, com a finalidade de modificá-lo... não existe uma angústia do Ego e uma angústia do Id. Toda angústia se dá no Ego mas como é lógico, provém do Id...
Seguindo o esquema de Green, no caso da angústia automática, ela parece responder a uma manifestação do id que invade, alarga as possibilidades de contenção do ego cuja consequência clínica é o pânico, desespero, a
impotência, o abandono,... “o que a angústia automática faz é apagar
violentamente as diferenças entre as instâncias e, também, entre o interno e o externo. O Ego, aí desaparece (no sentido de perda da autonomia) e o
A partir de 1926, Freud modifica posições anteriores e sustenta uma série de proposições:
A angústia tem sua sede no ego. Só o ego pode sentir angústia.
Não é o recalque que produz angústia, mas a angústia que produz o recalque. A angústia é a evocação pelo ego, em função de uma exigência pulsional nova, de uma situação de perigo antiga.
O sinal de desprazer (a angústia) suscita da parte do ego uma reação passiva ou
ativa.
A energia da exigência pulsional pode sofrer diversos destinos.
O ego em sua relação de conjunção e de disjunção com o id está por um lado, sob a dependência deste último, mas por outro lado, revela-se menos impotente do que parece pois é apto a utilizar o recalque por desencadeamento do sinal de alarme.
A Angústia neurótica é causada pelo aparecimento no psiquismo de um estado de grande tensão sentida como desprazer, cuja liberação pela descarga é
impossível.
Laplanche, também contribui nesta tópica descrevendo- a como:
A evolução libidinal implica que o perigo a que se está exposto não é o mesmo nas diferentes etapas do desenvolvimento.
A angústia é dependente do duplo dispositivo do recalque originário e posterior.
Recalque originário: está sob a dependência das exigências libidinais,
pode ser a expressão de uma situação traumática. Assim nos deparamos com a angústia automática-traumática.
Recalques secundários se desencadeiam em função da recordação de uma antiga situação de perigo, pode ser, portanto, em sinal de alarme. Assim, nos deparamos com a angústia sinal.
No caso da angústia automática-traumática, supõe-se que a angústia é devida a uma manifestação direta do id, invadindo e ultrapassando as possibilidades defensivas do ego.
No caso angústia sinal de alarme, a angústia é a manifestação é uma manifestação do ego a que utiliza para comandar a realização das operações defensivas contra as pulsões emanadas do id ou seus representantes. (pg 81 e 82)
A Neurose de angústia não nasce de uma idéia recalcada, ela não é, para Freud, do domínio de uma análise psicológica.
Os sintomas da neurose de angústia são substitutos da ação específica(o coito) que deveria seguir normalmente a excitação sexual. ( pg 75)
TEORIA DA ANGÚSTIA NA CONTEMPORANEIDADE
A partir da virada dos anos vinte, Freud coloca a noção de trauma, que é abordado através de um transbordamento de intensidades pulsionais no
aparelho psíquico, e o que caracteriza o trauma é a “o que” invade o psiquismo de forma abrupta e o quantum de energia que o psiquismo tem para lidar com o fator desestabilizante”.
Em 1920, Freud enfatiza em “Além do princípio do prazer” , que se o sujeito não pode utilizar o recurso da angústia para lidar com o choque então se forma o trauma. “Por analogia às neuroses de guerra, podemos dizer que o psiquismo precisa de um exército constante de defesa em atenção constante. A angústia funciona como uma sentinela que dará o sinal para que este possa se preparar para a defesa. Como no trauma, a angústia não é ativada devido ao fator
surpresa, o psiquismo é pego desprevenido – sem um exército que o proteja”. (Maia, Marisa Schargel, p. 100).
Na Segunda Tópica, uma das formas defensivas que o sujeito passa a ter é o recalque e Freud fala da angústia automática e da angústia sinal e esta última como recurso para evitar que o sujeito entre em contato com essa angústia
automática, que se assemelha aos sentimentos vividos no nascimento quando o sujeito se separa do corpo da mãe, bem como experiências posteriores de não-satisfação.
O grito Edvard Munch
Essa angústia automática hoje é entendida como as crises de Pânico, que produz sintomas hoje classificados pelo DSM-IV e CID-10 como:
1- Palpitações ou ritmo cardíaco acelerado; 2- Sudorese
3- Tremores ou abalos
4- Sensações de falta de ar ou sufocamento 5- Sensações de asfixia
6- Dor ou desconforto torácico
7- Náusea ou desconforto abdominal
8 – Sensação de tontura, irritabilidade, vertigem oudesmaio 9- Desrealização (sesnsações de irrealidade) ou
despersonalização (estar distanciado de si mesmo). 10 – Medo de perder o controle ou enlouquecer
11- Medo de morrer
12- Parestesias (anestesia /sensações de formigamento) 13 – Calafrios ou ondas de calor
O Pânico, como discutimos em aula, na verdade, trata-se de um “psiquismo extremamente rudimentar” que não recebeu nomeação da figura materna.
Alguns autores, como já dissemos anteriormente, hoje não vêem a angústia automática surgindo no nascimento, entendem que a criança que passa por um bom parto não terá traumas, terá traumas sim se não tiver uma mãe suficientemente boa, um bom ambiente, um desses autores, por exemplo, é Winnicott.
Donald Woods Winnicott (1896-1971)
Medo da noite, de lugares fechados,... não é neurastenia e nem
hipocondria, é Neurose de Angústia Atual. (Hoje, no entanto é
denominado como agorafobia, fobia social, bem como a psicossomática).
AGORAFOBIA
Mario Eduardo Costa Pereira – Unicamp, referindo a Westphal, psiquiatra Alemão, que em 1872 – descreve sobre agorafobia como:
“Quadro ansioso relacionado ao fato de o sujeito Temer irracionalmente os lugares públicos”....
“... Esse temor desencadeia um comportamento de evitação dessas circunstâncias ou, no caso de serem inevitáveis, o sujeito busca o amparo Na companhia de pessoas de sua confiança”.
Continuando, Mario Eduardo ainda diz que “em 1870, o médico austríaco Moritz Benedikt havia corrrelacionado o aparecimento de ataques de pânico com alterações patológicas do ouvido interno”
Pensamos aqui que por isso vários pacientes com o “quadro de Pânico” se queixam de tontura e muitas vezes são diagnosticados pela clínica médica de labirintite e na verdade pode não se tratar disso, há a hipótese, como é
colocada por este médico que”.
“o elemento central seria uma vertigem decorrente de uma disfunção do sistema vestibular, que acometia o paciente em espaços abertos de forma que ele receia cair ou é acometido de tanto medo que não ousa mais passar por aquele lugar
“Berrios (1996) lembra que, em sua autobiografia publicada 36 anos mais tarde, Benedickt afirma ter sido ele o primeiro a descrever, no começo dos anos 1870, o quadro clínico da agorafobia, tendo-a denominado então de Platzchwindel (vertigem das praças)”
Westphal discordou e concordou mais tarde com o psiquiatra francês
Legraund du Saulle onde ele busca demonstrar que “o substrato psicológico desses casos não reside à exposição à lugares públicos, mas em certas condições espaciais determinadas, como a amplidão e o vazio”, afirmava ainda que, “... os doentes têm medo do espaço, do vazio, e isso tanto na rua, como no teatro, na igreja, em um andar um pouco mais elevado, em uma janela que dá sobre um grande pátio ou sobre um campo, em um ônibus, em uma barca ou sobre uma ponte” e sugere o termo “medo dos espaços”.
Isso nos faz pensar na verdade na questão da angústia que nada mais é, ao
nosso ver como a vivência desse vazio quando o bebê se separa da mãe
Westphal destaca o fato de que “quanto menos uma superfície livre é interrompida por objetos, tanto mais
facilmente o estado surge...a agorafobia estaria relacionado à percepção de amplidão, vazio e, quem
sabe, de solidão abandonada.”
ao longo de sua obra, fala da questão da agorafobia quando se refere às neuroses atuais onde a agorafobia era concebida como
uma reação fóbica secundária à repetição de acessos
inesperados e inexplicáveis de angústia desesperadora, próprios à neurose de angústia. Por outro lado a agorafobia era vista também nas neuroses de defesa, em particular na histeria (expressão de fantasias sexuais intoleráveis e, por isso mesmo, recalcadas). No dizer de Freud, “uma mulher que se recusa a sair sozinha, testemunha, dessa forma, a infidelidade de sua mãe”. Mesmo no tempo de Freud essa questão da agorafobia era bastante debatida. As discussões hoje marcam os debates precedentes ainda não inteiramente resolvidos.
Hoje com a criação, segundo Mario Eduardo, da categoria psiquiátrica de transtorno de pânico no início dos anos oitenta destacou um dos pólos da discussão: “o que prioriza o papel dos ataques de pânico inesperados na origem dos estados agorafóbicos”.
1993 – OMS, sobre transtornos ansiosos:
Por um lado sustenta autonomia psicopatológica da agorafobia
Ataques de pânico decorreriam da exposição do sujeito às circunstânicas patologicamente temidas. Visão
Européia
Visão
Americana
a prioridade é dada aos ataques de pânico: por temer a instalação incontrolável de um acesso de angústia em condições desfavoráveis, o sujeito tenderia a restringir o âmbito de suas ações a ambientes familiares e reasseguradores.
“Em um primeiro momento a American View teve grande impacto, chegando no DSM-III-R a sustentar que não existiria agorafobia como categoria nosológica autônoma. Existiria, isso sim,
transtorno de pânico com ou sem agorafobia secundária” (Pereira, 1997, p.155-79) Atualmente, tanto a Cid-10 quanto o DSM-IV expressam a convivência entre as duas posições, aceitando-se tanto a existência da agorafobia primária quanto a da agorafobia secundária aos ataques de pânico.
Hoje, os pacientes chegam aos consultórios diagnosticados como Transtorno do Pânico, esse transtorno, ao nosso ver, já havia sido referido por Freud quando escreveu sobre a “angústia automática”. Importante dizer que a angústia é o “alicerce da clínica”. (reflexões em aula – Ipcamp)
Esses pacientes buscam atendimento, primeiramente médico, especialmente quando estão em crises de Pânico, vão a Prontos-Socorros, muito inseguros e assustados, achando que irão morrer, é um sentimento intenso de
desamparo, uma sensação de que algo muito ruim vai acontecer. O paciente fica extremamente regredido e necessitando muito de se sentir amparado
A análise é uma forma de conter esse paciente,
ampará-lo e construir um significado para aquilo que não tem nome. Tudo o que o paciente precisa no momento é que alguém o entenda e nomeie o que está sentindo.
Pacientes se sentem muito regredidos, ficam confusos, produzem certas
alucinações, se identificam com problemas de saúde de outras pessoas, possuem agressividade e sexualidade sem suas formas saudáveis de expressão, ficam
muito “regredidos”, são pessoas que, conforme entendemos, não desenvolveram o que Freud chamou de “ angústias sinais” (ou desenvolveram muito
precariamente) que seriam os recursos para lidarem com a angústia. Percebemos que, a angústia, por fazer
sintomas, torna-se facilmente objeto de medicação.
Em nossos consultórios chegam também pacientes com fobias, que já era um assunto tratado por Freud.
Importante enfocar aqui que, em português, o termo latino cura,quanto o alemão
Sorge, remetem basicamente ao sentido de cuidado. Na verdade o vocábulo tem
diversas traduções como cuidado, solicitude, preocupação, dedicação, zelo e outros afins.
O paciente regredido quando sente que tem um espaço que o acolhe, um
pessoa (analista) que o ajuda a nomear o que sente, que o entende, tende a se integrar, e a partir do momento que pode sentir isso, bem como acomodar
dentro de si a ambivalência amor x ódio, passa a sentir melhor. (Esse assunto no entanto, não será destrinçado aqui nesse trabalho)
Para finalizar, importante enfatizar aqui, que um bom analista tem que ter a função
paterna e a materna, senão não é boa a análise, precisa amparar, acolher e também interditar. O analista só irá conseguir fazer isso se tiver a sua
BESSET, Vera Lopes (Org) – “Angústia” Editora Escuta, São Paulo, 2002 CID.10 – “Classificação Internacional de doenças” – 10ª. Revisada
DSM.IV – “Diagnostic and Statistical manual of Mental Disorders”
KUSNETZOFF, Juan Carlos – “Introdução à Psicopatologia Psicanalítica”, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1982.
LAPLANCHE, J. – “Problemáticas I – A Angústia”, São Paulo,Editora Martins Fontes, 1998
LAPANCHE & PONTALIS –“ Vocabulário da Psicanálise”, São Paulo,Editora Martins Fontes, 1982
MAIA, Marisa Scharel – artigo sobre “Angústia de vida, angústia de morte: sobre os processos de subjetivação e contemporaneidade” - Livro ANGÚSTIA, organizado por Vera Lopes Besset, pág. 100)
SANTOS, Tânia Coelho – artigo sobre “Um estudo comparativo da angústia na neurose obsessiva e na histeria” – Livro ANGÚSTIA, organizado por Vera Lopes Besset, pág. 37, 38 e 39, 2002.
FREUD, Sigmund – “Obras psicológicas completas de Sigmund Freud: edição
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TELLES, Rosana da Silva – artigo sobre “As vicissitudes da teoria da angústia na obra Freudiana” - Revista Mal-Estar e Subjetividade / Fortaleza / v. III / n.1 / p.60 -77 / Mar. 2003
TSCHIRNER, Sandra C. – artigo sobre “Que angústia é essa?” - Livro
ANGÚSTIA, organizado por Vera Lopes Besset, pág. 37, 38 e 39, 2002.
ZIMERMAN, David E. – “Fundamentos Psicanalíticos: Teoria, técnica e clínica”, Porto Alegre, Editora Artmed, 1999.
ZIMERMAN, David E. – “Vocabulário Contemporâneo de Psicanálise”, editora Porto Alegre, Artmed, 2001
Aulas com o professor Mario Eduardo Costa Pereira, Unicamp, ano de 2001 Aulas No Ipcamp – Instituto de Psicanálise de Campinas, ano de 2006 e 2007