A CONSTANTE OSCILAÇÃO DO PREÇO DO TRIGO DE SEUS DERIVADOS NO MERCADO PARANAENSE ( )

Texto

(1)

A CONSTANTE OSCILAÇÃO DO PREÇO DO TRIGO DE SEUS

DERIVADOS NO MERCADO PARANAENSE (2008-2009)

RESUMO: O objetivo deste trabalho consiste em buscar o entendimento do porque

das constantes quedas no preço pago para o produtor pela saca de 60 kg do produto em grãos, já que o preço de seus derivados como a farinha de trigo, os pães, os biscoitos, as massas e demais derivados vem permanecendo constantes ou até sofrendo aumento em todo o Paraná. Usou-se o método comparativo de pesquisa buscando colocar frente a frente a queda do preço do cereal in natura, e o comportamento dos preços de seus derivados, baseando-se ainda na lei de oferta e demanda a qual afeta diretamente a formação dos preços dos produtos em estudo. Após feito o estudo foi possível analisar que a queda no preço do trigo em grãos é conseqüência basicamente de fatores climáticos que fizeram com que a qualidade do grão produzido no Paraná assim como em todo o país fosse muito baixa tendo desse modo quase metade de sua produção ter de ser destinada a produção de ração animal, assim as industrias produtoras de alimentos as quais necessitam da matéria-prima de boa qualidade se vêem obrigadas a importá-los de outros países do Mercosul ou até mesmo da Europa, os quais fornecem um trigo de altíssima qualidade propicio para tal processo, o que faz com que os preços dos bens alimentícios se mantenham estáveis ou até sofram aumentos dependendo da relação cambial existente entre o Brasil e os países fornecedores.

PALAVRAS CHAVES: oferta, demanda, trigo, importação.

ABSTRACT: The objective of this work is to seek understanding of why the constant

fall in the price paid to producers for a 60kg bag of grain products, as the price of their products such as flour, breads, crackers, masses and other products has remained constant or even increased suffering across the Parana. He used the comparative method of research seeking to put a face to face falling price of grain in nature, and the behavior of the prices of derivatives based on still in law of supply and demand which directly affects the pricing of products study. After the study was made possible to analyze the falling price of wheat grain is basically a result of climatic factors that have caused the quality of grain produced in Paraná and throughout the country were very low and thus nearly half of its production have to be for the production of animal feed, so the food producing industries which require the raw materials of good quality are forced to import them from other Mercosul countries or even Europe, which provide a wheat high quality conducive to this process, which causes the prices of food products remain stable or even suffer increases depending on the exchange relationship between Brazil and the supplier countries.

KEY-WORDS: supply, demand, wheat, imports. 1 INTRODUÇÃO

(2)

O trigo uma das principais fontes de energia para a alimentação da população nos dias de hoje, tem origem na época dos faraós e babilônicos. Chegou ao Brasil por volta do século XVI onde passou a ser produzido principalmente nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso de Sul e Minas Gerais onde o mesmo apresentou grande potencial produtivo.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Trigo (ABITRIGO, 2009). A produção brasileira cerca de 5 milhões de toneladas ano, o que não é suficiente para manter o mercado industrial, sendo um dos maiores do mundo, onde inúmeras industrias de beneficiamento se destacam colocando o país em visão privilegiada, mas o grande problema se encontra na produção dessa matéria prima a qual é insuficiente para toda a procura dentro dos limites do país. Necessitando para suprir toda essa demanda cerca de 10 a 11 milhões de toneladas/ano, o que obriga o país a importar de outros países basicamente dos que compõem o MERCOSUL, dando maior destaque a Argentina a qual fornece nos dias de hoje cerca de 96% do trigo importado, seguidos pelo Paraguai, Estados Unidos e Uruguai.

Por ser uma cultura de inverno, a qual tem seu plantio feito após a safra de verão, tanto de soja como de milho, torna-se interessante o seu cultivo na região sul, já que o inverno é consideravelmente frio. Segundo o zoneamento agrícola do Ministério da Agricultura a época ideal para o plantio de trigo no estado do Paraná é de 11 de março a 20 de julho.

Nos últimos anos o trigo vem perdendo território para outras culturas como, triticale, cevada e aveia, devido a seu baixo preço, isso se da principalmente nas pequenas propriedades onde no lugar de trigo muitos plantam outras culturas principalmente para a alimentação animal.

Há pouco tempo, o governo introduziu o preço mínimo para o trigo e outras comodityes, porem estes preços é garantido em estabelecimentos credenciados pela CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento). Medida essa que serve para proteger os produtores de trigo e outros cereais, para que os agricultores tenham um ganho mínimo garantido, e uma forma de o governo intervir também para assegurar a produção do ano posterior, e a não elevação exagerada nos preços dos derivados dessa commoditie.

No Paraná na ultima safra (2009) as chuvas causaram perda de qualidade do grão, o que fez o preço cair ainda mais, com isso o governo esta analisando intervir no mercado, com medidas como, um aumento na tarifa de importação do cereal, aumentando a competitividade dos preços e estimulando o agricultor a plantar, por outro lado as empresas beneficiadoras de trigo esperam aumentar o preço da farinha, que por acaso não baixou como o trigo, isso fez com que os proprietários de panificadoras cogitassem aumento nos pães, biscoitos e outros derivados.

Contrario a isso a Argentina teve boa safra, levando os preços do trigo para baixo, alem de terem uma boa qualidade o cereal advindo da Argentina se torna mais barato que o produzido internamente, devido aos subsídios que o governo de lá fornece aos produtores.

Com estes subsídios, os moinhos argentinos compram a tonelada de trigo em torno de US$120. Já o moinho brasileiro que importa a farinha da Argentina paga pelo mesmo trigo US$190, essa situação inviabiliza a produção de farinha pelos moinhos brasileiros (ABITRIGO, 2009), todos estes fatores fazem por aumentar o preço dos produtos a base de trigo.

(3)

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A pesquisa realizada teve como base o método comparativo de pesquisa de dados no mercado, o qual segundo Gonzalez, (2003c) “consiste em fazer uma comparação dos preços pagos no mercado, por propriedades similares, o método é baseado na análise de informações, sobre preços de propriedades comparáveis com a que esta sendo avaliada. No caso da pesquisa a comparação foi feita através das cotações dos preços pagos para o produtor pelo produto in natura, em função dos preços pagos pelo consumidor pelos produtos industrializados derivados do mesmo, no estado do Paraná.

Os preços pagos direto ao produtor pela saca de 60 kg de trigo em grãos foram extraídos dos bancos de dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), do DERAL (Departamento de Economia Rural), e da SEAB-Paraná

(Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná). Considerando o

período que compreende Janeiro de 2008 à Dezembro de 2009.

Na formação geral dos preços do trigo em grãos assim como na de seus derivados, foi utilizada a lei da oferta e demanda a qual:

Segundo Montoro Filho et al (1998 pg109) “a demanda e derivada de hipóteses sobre a escolha do consumidor entre diversos bens que seu orçamento permite adquirir, ou ainda demanda e o desejo de comprar.” “Define-se como oferta a quantidade de um bem ou serviço que os produtores desejam vender. A oferta de um bem depende de seu próprio preço, admitindo a hipótese ceteris paribus, quanto maior for o preço de um bem, mais interessante se torna produzi-lo, portanto a oferta e maior.”

Através dos estudos realizados aplicamos a lei da oferta e demanda, para conseguir entender a formação dos preços dos produtos tratados, sendo no caso do trigo a produção do país é pequena demais para suprir a grande demanda interna necessária para abastecer o mercado industrial de beneficiamento do mesmo, o que faz com que o país tenha que ir em busca do produto ofertado por outros países, principalmente a Argentina.

Já os seus derivados têm seus preços diretamente ligados a oferta do trigo, quanto mais trigo ofertado a facilidade em obtê-lo é maior o que ocasiona uma redução nos preços de derivados como, por exemplo, pães e biscoitos, se a oferta do mesmo é pequena como é o caso do Brasil onde a necessidade de importar faz com que o produto encareça ainda mais, já que envolvera questões ligadas além do armazenamento, um transporte de maior distancia e ainda as influências causadas pela taxa de cambio existentes entre os países, o que fará com que a matéria-prima chegue mais cara as industrias o que as obriga a repassar ao preço dos produtos que chegarão em conseqüência mais caro ao consumidor.

Ainda em relação aos preços e sua transmissão dentro de uma cadeia agroindustrial, cabe destacar as bases das leis de equilíbrio estudadas em microeconomia, onde a uma grande dependência do preço de uma mercadoria para a formação do preço do outro, sendo no caso da pesquisa a dependência do preço do trigo em grãos para a formação do preço de seus derivados.

Considerando a produção das diversas regiões do Paraná foram obtidos dados junto ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística), assim com também foram utilizados dados de outras instituições como IAPAR e SIMEPAR os quais forneceram números referentes a freqüência de chuvas acumuladas nas regiões do Paraná.

(4)

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

O Estado do Paraná é o maior produtor de trigo do Brasil, levando em consideração as exigências das indústrias de panificação, tudo isso é dado graças a uma complexa contribuição de pesquisas na área, onde vem se desenvolvendo variedades mais produtivas do grão. Valter Bianchini secretário da Agricultura e do Abastecimento apresentou um projeto, o qual visa contribuir com o projeto nacional de elevação da produção do trigo, que busca até 2012, ter uma produção suficiente para suprir cerca de 70% da demanda interna.

Segundo Valter Bianchini esse projeto desenvolve o potencial do Brasil em produzir trigo de qualidade, e reduzir a evasão de divisas e a dependência das importações do grão, em atendimento à necessidade de segurança alimentar do País. No ano passado, o Brasil gastou US$ 1,42 bilhão com a compra de trigo importado, a maioria vinda da Argentina e da região MERCOSUL.

O norte do Paraná é a principal região produtora de trigo é nela, em que, o risco de ocorrência de geadas e até mesmo de chuvas na colheita tem sido menor. O Gráfico I nos mostra o percentual que cada região do Paraná engloba na produção do grão em todo o estado.

Gráfico I: Participação Regional na Produção do Trigo em Grãos no Estado do Paraná.

Fonte: SEAB-Paraná.

Pode-se perceber claramente que a região Norte lidera com cerca de 30%, seguida pelo Sul com 21.8% e Oeste com 19,6%.

Atualmente vale destacar a atitude dos agricultores paranaenses, que tem agido com grande profissionalismo, não poupando em tecnologia, o que fez com que a produtividade média do trigo hectare alcançasse números relevantes considerando os núcleos da SEAB, a que foi verificada melhor média foi na região de Guarapuava, com 2.800kg/ha, seguido pela de Pato Branco, com 2.300 kg/ha e a de Toledo, com 2.290 kg/ha.

Número esses que podem ser considerados bons para o nosso estado se for comparar ao pouco incentivo pela produção do mesmo, claro que não da nem para comparar se levar em consideração com outras potencias do mundo, como a União Européia, por exemplo, o maior rendimento está em países como o Reino Unido e a Alemanha que chega a colher uma média de 8.000kg/ha, enquanto a França e a Dinamarca superam o patamar de 7.000kg/há. Tudo isso se deve ao fato de terem

(5)

melhores tecnologias, sementes cada vez mais desenvolvidas e com grande poder de resistência a pragas e excesso de chuvas.

Enquanto que no Brasil o governo busca um melhoramento na produção o qual não chegam ao produtor com resultados satisfatórios. Em termo de lucratividade, os preços recebidos ao final pelo grão produzido não são bem visto pelos produtores, já que vem se mantendo na casa dos 28 reais a saca de 60 kg, no entanto segundo analistas de mercado, para o agricultor obter certa lucratividade o

(6)

a qual levaria o cereal para a produção de rações e outros produtos da mesma espécie.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através do estudo realizado foi possível concluir que, o trigo produto de grande importância na mesa do consumidor brasileiro, vem passando por momentos difíceis dentro do comércio nacional, o qual não é produzido em quantidade suficiente para suprir toda a gigantesca demanda interna, o que obriga as indústrias que produzem seus derivados a ir em busca do produto fora dos limites territoriais em países do MERCOSUL e até mesmo em países da Europa, fato esse que faz com que as mesmas tenham um alto custo para se chegar em seus produtos finais, tendo que repassar isso diretamente ao consumidor, reflexos esses são vistos nos elevados preços dos derivados em todo comércio paranaense.

Em contrapartida a isso, conseguimos identificar o porquê dos baixos preços pagos pela saca de 60 kg para o produtor paranaense nos últimos anos, sendo eles reflexo de uma série de problemas climáticos que afetaram a região tanto na época do tratamento contra pragas como também na época das colheitas, o que fez com que o grão colhido pelo produtor paranaense fosse de baixa qualidade, resultando certo aborrecimento do produtor já que o governo impôs propostas que buscavam uma possível reclassificação do grão, o qual teria seu nível rebaixado a “outros usos” destinando o mesmo a produção de rações para animais, devida a baixa qualidade do grão.

Às empresas brasileiras produtoras de pães, biscoitos e massas, são obrigadas a buscar a matéria-prima fora do país principalmente na Argentina, país esse que produz o trigo em grande quantidade e consegue colher um produto com ótima qualidade.

Fatos como estes ocasionaram a grande baixa no preço do trigo fornecido pelo produtor, e a não baixa dos produtos derivados do mesmo, já que sua matéria prima de boa qualidade necessária para a produção dos mesmos passou a ser buscada em países vizinhos, com custos consideravelmente mais altos que os produzidos internamente.

5 REFERÊNCIAS

GONZALES, M.A.S. (2003) método de comparação de dados.Disponível em:

<http://www.exatec.unisinos.br/~gonzalez/valor/metodos/compara.html>. Acessado em 19 de março de 2010.

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA. Disponível em:

<http://www.ipea.gov.br/default. jsp> Acessado em 19 de março de 2010.

MONTORO, A. F. [et al]. Manual de Economia. 3ª Ed. São Paulo: Saraiva, 1998.

Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná – SEAB.Disponível em:

Imagem

Referências

temas relacionados :