• Nenhum resultado encontrado

UNIVERSIDADE DO PLANALTO CATARINENSE

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "UNIVERSIDADE DO PLANALTO CATARINENSE"

Copied!
81
0
0

Texto

(1)

UNIVERSIDADE DO PLANALTO CATARINENSE

Prevalência de Sintomas Respiratórios e Fatores Associados no

Município de Lages, SC, Brasil, 2007.

Adriane Cristina Bernat

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Saúde Coletiva

Área de concentração: Epidemiologia

Orientadora: Profª.Dr.a Maria Conceição de Oliveira

Lages

2008

(2)

Prevalência de Sintomas Respiratórios e Fatores Associados no

Município de Lages, SC, Brasil, 2007.

Adriane Cristina Bernat

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Saúde Coletiva

Área de concentração: Epidemiologia

Orientadora: Profª.Dr.a Maria Conceição de Oliveira

Lages

2008

(3)

Dedico esta dissertação ao meu noivo Alexandre que esteve sempre me incentivando e me apoiando e, também pela paciência. À minha mãe que sempre me incentivou a realizar meus objetivos com muita garra.

(4)

Agradecimentos

A Deus pela oportunidade que me deu em ter força e coragem na realização deste Curso. Ao meu noivo Alexandre Kolankiewicz por entender a distância e o tempo devido a esse estudo. Vencemos juntos mais uma batalha. Valeu.

Aos meus queridos pais e irmãs pelo apoio incansável.

À minha orientadora doutora Maria Conceição de Oliveira que com sua sabedoria sempre me orientou com grande tranqüilidade.

À secretária municipal de saúde de Rodeio Cíntia Marchi pela dispensa e compreensão e em nome dela agradeço a toda equipe.

À direção do Hospital e Maternidade Oase pela compreensão e liberação para o curso. Á gerente de enfermagem Dayse Wolf pelo apoio.

À minha equipe de enfermagem pela compreensão, apoio e calma nos momentos em que tive que estar ausente devido a este estudo.

À doutora Karen Glazer Peres pelo estímulo constante e ajuda com o seu conhecimento e companheirismo que somente as grandes pessoas são dotadas.

À enfermeira Liliane Zorzo pela trocas de plantão que realizou para eu poder estar ausente do hospital.

Ao meu amigo Jonas Nunes pela ajuda na tradução dos textos e correção gramatical. Obrigada!

Á minha segunda mãe Jaqueline Hertel que sempre me apoiou e incentivou.

À Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC) por financiar esse estudo. À Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva – Mestrado, Prof.a Dr.a Izabella Barison Matos, pela sua luta incansável para garantir a realização deste curso.

Aos professores do Mestrado, pela disponibilidade e atenção dedicadas ao decorrer do Curso, profissionais dedicados e competentes.

Aos colegas da turma do Mestrado, por todos os momentos compartilhados, minha amizade e gratidão e em especial a minha amiga Caroline Colla pelo apoio e recepção em sua casa para a realização deste trabalho.

Aos bolsistas que participaram da pesquisa. Aos funcionários da Uniplac, em especial à Cris (Apoio aos Mestrados).

(5)

Resumo

Dentre as doenças crônicas não transmissíveis, as doenças respiratórias constituem importante causa de morte em adultos e crianças no mundo e representam altos custos para a sua assistência. Para estimar a prevalência de sintomas respiratórios auto-referidos e os fatores associados em adultos de ambos os sexos, em Lages, SC foi realizado um estudo transversal de base populacional (n=2.051). Sintomas de bronquite crônica, falta de ar e chiado no peito foram investigados, além de características demográficas, socioeconômicas, de ambiente de trabalho, moradia e tabagismo. Utilizou-se análise de regressão de Poisson para identificar as possíveis associações. A taxa de resposta foi de 98,6%. A prevalência de bronquite crônica foi de 5,0%, chiado no peito 20,2% e falta de ar 35,7%. Análises ajustadas mostraram presença de bronquite crônica associada à baixa escolaridade (> 8 anos vs. < 5 anos de estudo), fumar 10 ou mais pacotes de cigarros ao ano e internação por problemas de pulmão na infância. Presença de chiado no peito associou-se ao sexo feminino, escolaridade (> 8 anos vs. < 5 anos de estudo), renda familiar (1o quartil vs. último quartil), cor da pele (branca vs. preta), história de internação por problemas de pulmão na infância, ser fumante e trabalhar com poeira ou pó. Falta de ar associou-se ao sexo feminino, escolaridade (> 8 anos vs. <5 anos de estudo), renda familiar (1o quartil vs. último quartil), cor da pele (branca vs. parda), história de internação por problemas de pulmão na infância, ser fumante e trabalhar com poeira ou pó. As prevalências encontradas foram semelhantes às de outros estudos. Particularidades do clima e das atividades laborais da população devem ser consideradas no planejamento das ações em saúde.

(6)

Abstract

The chronic diseases not transmissible, the breathing diseases constitute important death cause in adults and children in the world and they represent high costs for its attendance. To estimate the prevalence of self-rated respiratory symptoms and the associated factors in adults of both sex, a cross sectional population based study was carried out in, Lages, SC (n=2.051). Symptoms of wheezing, chronic bronchitis, and less breathing were analyzed. Therefore, demographic, socioeconomics, job environment, type of residence, and tabagism characteristics were also investigated. Multivariate Poisson regression statistical analyses were carried out in order to identify possible associations. The response rate 98,6%. The prevalence of chronic bronchitis was 5.0% (IC 95% 4.1;6.0), wheezing 20.2 % (IC 95%18.4;21.9) and breathing 35.7% (IC95% 33.5; 37.8). The adjusted analysis showed presence of chronic bronchitis associated to low schooling (>8 years vs. <5 years of study), to smoke 10 or more packages of cigarettes annually and hospitalization due lung problems in childhood. Presence of wheezing showed association to be female, to have low schooling (>8years vs.<5 years of study), low family income (first quartile vs. last quartile), black skin color (white vs. black), hospitalization due lung problems in childhood, being a smoker and to work with dust and powder. Presence of Breathing was associated with to be female sex, low schooling (>8 years vs.<5 years of study) low family income (first quartile vs. last quartile) hospitalization due lung problems in childhood, being a smoker and to work with dust and powder. The prevalences found of the respiratory symptoms are similar with other studies. Particularities of weather and laboral activities of the population may be considered during planning the preventive actions for respiratory diseases.

(7)

Abreviaturas AIDS – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida

CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas e Psicotrópicos CEP – Comitê de Ética em Pesquisa

DALYS – Anos Ajustados de Vida Perdidos por Incapacidades DCNT - Doenças Crônicos Não Transmissíveis

DIP – Doenças Infecciosas e Parasitárias DPOC - Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

ECRHS - European Commission Respiratory Health Study EUA – Estados Unidos da América

HIV – Vírus da Imunodeficiência Humana INCA – Instituto Nacional de Câncer

ISAAC - International Study of Asthma and Allergies in Chidhood OMS – Organização Mundial da Saúde

OPAS – Organização Pan-americana de Saúde

PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PPGSC – Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva UNIPLAC – Universidade do Planalto Catarinense

SC – Santa Catarina

SIM – Sistema de Informação de Mortalidade SMS – Secretaria Municipal de Saúde

SP – São Paulo

SUS - Sistema Único de Saúde

SVS - Secretaria de Vigilância em Saúde

(8)

VEF – Volume Expiratório Forçado

VIGIESCOLA – Vigilância de Tabagismo em Escolares

VIGITEL – Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico

(9)

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO --- 10 2. OBJETIVOS --- 14 2.1 Objetivo Geral --- 14 2.2 Objetivos Específicos --- 14 3. REVISÃO DA LITERATURA --- 15

3.1 A Importância das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) --- 15

3.2 As Doenças Respiratórias no quadro das DCNT --- 18

3.3 Estudos semelhantes sobre problemas respiratórios auto-referidos investigados em inquéritos populacionais --- 20

3.5 Epidemiologia das Doenças Respiratórias --- 22

3.6 Prevalência das Doenças Respiratórias--- 23

3.6.1 Prevalência Nacional ... 23

3.6.2 Prevalência Internacional ... 24

4. FATORES ASSOCIADOS ÀS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS --- 26

4.1 Tabagismo --- 26

4.1.2 Exposição Passiva à fumaça do cigarro... 29

4.1.3 Poluição Extra Domiciliar ... 30

4.1.4 Infecções do trato respiratório na infância ... 31

4.1.5 Sexo ... 32 4.1.6 Condições socioeconômicas ... 32 5. MÉTODO --- 32 5.1 Local do estudo --- 32 5.2 População de estudo--- 33 5.2.1 Critérios de inclusão ... 33 5.2.2 Critérios de exclusão ... 34 5.3 Tipo de estudo --- 34

5.4 Cálculo e seleção da amostra --- 35

5.4.1 Tamanho da Amostra ... 35

5.4.2 Seleção da amostra ... 36

5.4.3 Critérios para considerar perda... 37

5.5 Instrumento de pesquisa --- 37

5.6 Coleta de dados --- 38

5.6.1 Variável dependente - o desfecho: problemas respiratórios... 39

5.6.2 Variáveis exploratórias ... 42

5.7 Pré-teste --- 43

5.8 Estudo piloto --- 43

5.9 Equipe de trabalho – Logístico --- 43

5.10 Controle de qualidade --- 45

5.11 Análise dos Dados --- 45

5.12 Ética--- 46

6. RESULTADOS --- 47

7. DISCUSSÃO --- 54

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS --- 57

Neste trabalho foram documentados os passos detalhados desta pesquisa e todas as fases realizadas ao longo do curso, os quais proporcionaram uma experiência muito rica para nós mestrandos. Além disso, obteve-se um diagnóstico das condições de saúde da população da cidade de Lages a fim de instrumentalizar o planejamento de políticas de saúde; objetivando diminuir as prevalências identificadas e evitar fatores associados por meio de ações e trabalhos de prevenção e promoção da saúde. --- 58

(10)

9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS --- 60 10. LISTA DE ANEXOS --- 67

(11)

1. INTRODUÇÃO

Doenças crônicas oneram de forma significativa o Sistema Único de Saúde (SUS) e, se não prevenidas e gerenciadas adequadamente, continuarão determinando um custo crescente da assistência médica, de enfermagem e outros em razão da permanente e necessária incorporação tecnológica. O grande número de mortes prematuras e de incapacidades faz com que, para o enfretamento das novas epidemias causadas pelas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), sejam necessários significativos investimentos em pesquisa, no planejamento de modelos de vigilância, prevenção, promoção da saúde e defesa para que sejam alcançados níveis desejáveis de vida saudável. O Brasil, acompanhando a tendência mundial, tem passado pelos processos de transição demográfica, epidemiológica e nutricional desde há alguns séculos resultando em alterações nos padrões de ocorrência de patologias, como um aumento significativo da prevalência das DCNT1.

Dentre elas, as doenças respiratórias constituem importante causa de morte em adultos e crianças no mundo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), estes agravos representam cerca de 8% do total de mortes nos países desenvolvidos e 5% em países em desenvolvimento2. Além disso, mensurada em DALYs (anos ajustados de vida perdidos por incapacidades), a carga das doenças respiratórias crônicas, em 2005, correspondia a 4,0% da carga total de doenças no mundo e a 8,3% da carga de doenças crônicas3. As doenças respiratórias são ainda causa freqüente de absenteísmo na escola e no trabalho, além de exercerem enorme pressão sobre a gestão dos serviços de saúde2.

No Brasil, tais agravos também ocupam posição de destaque. Entre as principais causas de internação no SUS, em 2001, as doenças respiratórias crônicas e agudas ocuparam o segundo lugar em freqüência, tendo sido responsáveis por aproximadamente 16% de todas as internações do sistema2. Doenças, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), ocupam as principais posições em morbidade e mortalidade no país, como apontam Yaksic et

(12)

al4. Os autores ressaltam ainda, que de acordo com as fontes governamentais, um quarto de todas as hospitalizações por problemas respiratórios em adultos ocorre devido a DPOC sendo, portanto, considerada um problema de saúde pública4.

No município de Lages (SC), mortes por doenças respiratórias, em 2004, ocuparam o quarto lugar na lista dos índices de mortalidade geral. No ano de 2006, ocuparam o terceiro lugar com um total de 126 óbitos (14%), sendo 65 do sexo masculino e 61 do sexo feminino. Em Santa Catarina, no ano de 2006, óbitos por doenças do aparelho respiratório ocuparam o quarto lugar com 11,2% (1765 do sexo masculino e 1249 do sexo feminino) de um total de 3014 óbitos, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM)5.

Pesquisas epidemiológicas de base populacional em municípios de pequeno e médio porte são ainda escassas na literatura nacional. Tais investigações podem contribuir para o planejamento de medidas de prevenção e programas de intervenção. Um aspecto relevante, considerando os problemas respiratórios, refere-se às características e ao estilo de vida das populações de regiões frias do Brasil, que são ainda pouco investigadas. Nestes tipos de pesquisa destacam-se os inquéritos epidemiológicos que, freqüentemente, incluem módulos relacionados à auto-referência de problemas de saúde, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 19986 e 20037. Um estudo multicêntrico envolvendo grandes cidades da América Latina, como São Paulo, Cidade do México, entre outras, também abordou a investigação de sintomas respiratórios auto-referidos8.

Os inquéritos realizados no Brasil como um todo, são fundamentais para construir um panorama nacional, permitindo desagregar as informações, no máximo, até em nível dos estados6. Inquéritos de saúde de alcance local e regional tornam-se necessários e importantes para dar conta do conhecimento sobre as diversas condições de saúde dessas populações9.

Entretanto, existem ainda poucos estudos de base populacional que tenham investigado os problemas respiratórios e seus fatores associados.

(13)

Do ponto de vista epidemiológico, estimar a prevalência de sintomas respiratórios em uma população contribui para compor um indicador indireto sobre as doenças respiratórias agudas e crônicas com alto grau de confiabilidade11. A auto-referência é uma maneira simples e direta para obter informações sobre a saúde e apresenta bons níveis de concordância, reprodutibilidade e custo-benefício, em comparação aos resultados obtidos de avaliações clínicas9. Quanto às doenças pulmonares crônicas, estas também podem ser detectadas, através de sintomas relatados em entrevistas pessoais utilizando-se questionário padronizado12. Pesquisadores apontam que informações oriundas de inquéritos têm maior validade na predição de futuras incapacidades 13.

Esse é um estudo sobre a prevalência de sintomas respiratórios e seus fatores associados na população adulta do município de Lages, SC. Destaca-se ainda a importância deste estudo devido não ter sido realizado nenhum trabalho semelhante neste município.

Esse trabalho é parte de um estudo transversal de base populacional domiciliar, realizado em 2007, no âmbito do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva/PPGSC, cujo título do projeto de pesquisa é “Auto-avaliação das condições de saúde e fatores associados: estudo de base populacional em adultos de Lages, SC, 2007”. O objetivo foi investigar as condições socioeconômicas e os principais problemas de saúde auto-referidos dessa população e a pesquisa foi financiada pelo fundo de Incentivo ao Desenvolvimento da Pesquisa da UNIPLAC.

Elaborou-se então uma dissertação com uma breve introdução, em segundo lugar descreve-se os objetivos, a seguir efetua-se a revisão da literatura, descreve-se os procedimentos metodológicos contextualizando o local onde este estudo foi realizado, o instrumento de pesquisa, o detalhamento de diversas etapas e o tratamento estatístico dos dados. Enfim apresenta-se os resultados, a sua discussão, encerrando-se as considerações finais.

(14)

Conforme orientação do PPGSC essa dissertação originará um artigo que será submetido a periódico indexado.

(15)

2. OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral

Conhecer a prevalência de sintomas respiratórios e fatores associados na população do município de Lages, SC.

2.2 Objetivos Específicos

2.2.1 Estimar a prevalência de sintomas respiratórios na população de estudo.

2.2.2 Identificar as condições socioeconômicas e demográficas associadas aos problemas respiratórios.

2.2.3 Identificar os fatores associados aos problemas respiratórios, tais como história de doença respiratória severa na infância, tabagismo, exposição laboral á pó ou poeira, fogão à lenha, entre outros.

(16)

3. REVISÃO DA LITERATURA

3.1 A Importância das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)

Nas últimas décadas as Doenças Crônicas Não Transmissíveis passaram a liderar as causas de óbito no Brasil, ultrapassando as taxas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias (DIP), na década de 80. O Ministério da Saúde vem desenvolvendo várias ações, em articulação com diversos setores governamentais e não governamentais, objetivando promover a qualidade de vida, prevenir e controlar as DCNT. A “Vigilância em DCNT” consiste em um conjunto de ações que possibilitam conhecer a distribuição, magnitude, tendência e seus fatores de risco na população identificando seus condicionantes sociais, econômicos e ambientais com o objetivo de subsidiar o planejamento, execução e avaliação da prevenção e controle das mesmas. A experiência de outros países mostra que o sucesso das intervenções, no que se refere aos fatores de risco e à redução da prevalência das DCNT, tem sido atribuído ao enfoque na vigilância de fatores comuns de risco e na promoção de modos de viver favoráveis à saúde e à qualidade de vida tendo um custo menor do que as abordagens para as doenças específicas14.

A partir das últimas décadas do século passado vem sendo observado no Brasil dois processos têm produzido importantes mudanças no perfil das doenças ocorrentes em sua população14,1. O primeiro refere-se à “Transição Demográfica” com significativa diminuição das taxas de fecundidade, natalidade e aumento progressivo na expectativa de vida. Como resultado verifica-se o progressivo aumento da proporção de idosos, em relação aos demais grupos etários, tendência essa que deverá se ampliar nos próximos 20 anos. O segundo processo é caracterizado por importante mudança no perfil de morbimortalidade, denominado de transição epidemiológica que, ainda apresenta importantes diversidades regionais decorrentes das diferenças sócio-econômicas e de acesso aos serviços de saúde resultando em

(17)

um “modelo polarizado de transição”. Nesse modelo de transição temos, em distintas regiões, a ocorrência, ainda alta, de doenças infecciosas e o crescimento da morbidade e de mortalidade por DCNT. A transição epidemiológica decorre devido a outros fatores como a urbanização, o acesso a serviços de saúde, os meios de diagnóstico e as mudanças culturais expressivas ocorridas nas últimas décadas14.

As DCNTs representam um dos principais desafios à saúde para o desenvolvimento global nas próximas décadas. Ameaçam a qualidade de vida de milhões de pessoas e apresentam grande impacto econômico para países de baixa e média renda. Diante disto a OMS propôs aos países membros, o estabelecimento de compromissos para a redução das taxas de morbimortalidade, por meio de ações de prevenção dos seus principais fatores de risco, como o tabagismo, alimentação adequada, sedentarismo, hipertensão, obesidade e o consumo de álcool6. As estimativas da OMS apontam as DCNTs como responsáveis por 58,5% de todas as mortes ocorridas no mundo e por 45,9% da carga global de doenças. No Brasil, em 2004, elas responderam por 62,8% do total de mortes por causa conhecida6.

As mudanças nos padrões de ocorrência das doenças têm imposto novos desafios, não somente para gestores e tomadores de decisão do setor saúde, mas também para outros setores governamentais. Neste contexto destaca-se o desafio do financiamento das ações. O Ministério da Saúde, através da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), desenvolveu ações com o objetivo de estruturar o Sistema de Vigilância das DCNT nas três esferas do SUS. Dentre estas ações destaca-se o VIGITEL – Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico - objetivando o monitoramento contínuo da freqüência e da distribuição de fatores de risco e proteção para DCNT em todas as capitais dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. O sistema realiza entrevistas telefônicas, assistidas por computador, através de amostragem probabilística da população adulta residente em domicílios servidos por linhas fixas de telefone de cada cidade6.

(18)

Nos últimos 50 anos houve um aumento crescente na utilização de informações obtidas por meio de inquéritos domiciliares para a avaliação do estado de saúde da população incorporando as dimensões agudas e crônicas das doenças. Essas pesquisas, baseadas na auto-avaliação do estado de saúde dos entrevistados, têm como principal vantagem o potencial para coleta de informações com base em grandes amostras, muitas vezes com representatividade nacional, a um custo relativamente baixo, principalmente, quando comparadas com as que são obtidas por meio da avaliação clínica.

Os conhecimentos epidemiológicos sobre as DCNT, tratamentos e métodos para os estudos de tendências tiveram origem nos países desenvolvidos da América do Norte e Europa. No Brasil, nota-se que estes estudos ainda são escassos na área da Saúde Coletiva limitando a caracterização epidemiológica dessas doenças e dificultando a implementação de programas para a vigilância, o controle e/ ou prevenção havendo, ainda, a agravante pela dimensão continental do território nacional15.

Devido ao fato de haverem poucos estudos epidemiológicos de base populacional, que se atribui ampla importância, devido à transição epidemiológica, e da dimensão em termos de saúde pública do impacto das DCNT’s em geral. Aplica-se a metodologia de auto-avaliação de saúde, que se caracteriza como melhor instrumento para avaliar condições de saúde em inquéritos populacionais, devido à sua fácil aplicação e baixo custo, grande representatividade em nível nacional, aliados à confiabilidade de suas informações10.

Estes estudos apresentam como principal vantagem uma avaliação do estado de saúde a partir da percepção do próprio indivíduo, que inclui as dimensões biológica, psicológica, social e cultural acerca do processo de saúde e doença, diferentemente de quando são avaliados somente do ponto de vista clínico16.

(19)

3.2 As Doenças Respiratórias no quadro das DCNT

Descreve-se a seguir o grupo das principais doenças respiratórias investigadas no inquérito populacional e que integram as DCNTs.

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) denota um grupo de distúrbios respiratórios caracterizados pela obstrução crônica e recorrente do fluxo de ar nas vias aéreas pulmonares. Compreende dois tipos de doença obstrutiva das vias aéreas: o enfisema, com dilatação dos espaços aéreos e destruição do tecido pulmonar e a bronquite obstrutiva crônica, com obstrução das pequenas vias aéreas17. A DPOC é caracterizada clinicamente pela presença crônica de sintomas, como tosse e produção de catarro, e em casos mais avançados, dispnéias aos esforços ou em repouso, decorrentes das alterações da mecânica pulmonar e da troca gasosa e da diminuição aeróbica muscular periférica. Sabe-se até o presente, com excessão à cessação do tabagismo, que não existem alternativas terapêuticas capazes de alterar o declínio progressivo do volume expiratório forçado no primeiro segundo18.

A bronquite crônica é considerada outro distúrbio respiratório. De acordo com Honing et al19, é definida clinicamente como a presença de escarro não atribuível a outras causas na maioria dos dias, no mínimo de 03 meses em dois anos consecutivos. Na bronquite crônica Porth17 afirma que a obstrução das vias aéreas é causada pela inflamação das grandes e pequenas vias aéreas. Há edema e hiperplasia das glândulas submucosas, bem como secreção excessiva de muco na árvore brônquica. História de tosse produtiva crônica de duração superior a três meses, por mais de dois anos consecutivos, é necessária para o diagnóstico de bronquite crônica. Tipicamente, a tosse já está presente com o aumento gradual nas exacerbações agudas que produzem escarro francamente purulento. A bronquite crônica ocorre mais comumente em homens de meia idade e associa-se à irritação crônica causada pelo fumo e por infecções recorrentes. Nos Estados Unidos, o fumo é a causa mais importante

(20)

de bronquite crônica. As infecções viróticas e bacterianas são consideradas mais comuns em pessoas com bronquite crônica, sendo a conseqüência do problema e não a causa dele17.

A asma é uma doença inflamatória crônica da via aérea inferior que se caracteriza por limitação variável do fluxo aéreo e responsividade aumentada da traquéia e dos brônquios a vários estímulos, manifestando-se por sintomas persistentes ou paroxísticos de dispnéia, aperto no peito, sibilância e tosse20.

O enfisema pulmonar caracteriza-se pela perda da elasticidade pulmonar e aumento anormal dos espaços aéreos, com destruição das paredes alveolares e dos leitos capilares. Duas das causas reconhecidas de enfisema são: o fumo, que causa lesões pulmonares, e uma deficiência hereditária de α1-antitripsina, uma enzima antiprotease, que protege o pulmão das lesões. Além da deficiência hereditária de antitripsina, fatores genéticos também podem contribuir em fumantes que vem a apresentar DPOC na idade mais precoce. A fumaça do cigarro e outros irritantes, além da produção e liberação das antiproteases pode não ser adequada para neutralizar a produção excessiva de proteases, de modo que o processo de destruição dos tecidos elásticos não sofra oposição17 .

(21)

3.3 Estudos semelhantes sobre problemas respiratórios auto-referidos

investigados em inquéritos populacionais

Um grande estudo multicêntrico, denominado Platino, , realizado nas principais áreas metropolitanas da América Latina, entre outros desfechos, também analisou os sintomas respiratórios auto-referidos. Destaca-se a participação do município de São Paulo (SP) nesse estudo. Foram estimadas no Chile (Santiago), México (Cidade do México), Uruguai (Montevidéu) e Venezuela (Caracas) as prevalências de 6,9%, 3,9%, 3,4% e 2,8% para bronquite crônica, respectivamente. O chiado no peito foi mais prevalente no Chile (35,0%) e apresentou menor valor no México (17,1%) Com relação ao sintoma de falta de ar, as prevalências no Chile (55,2%), México (55,5%), Uruguai (42,7%) e Venezuela (50,6%) foram expressivamente maiores que os relatados nas demais localidades22.

No Brasil, os resultados da PNAD, de 2003, apontaram à prevalência de asma ou bronquite crônica auto-referida que variou de 2,63% no Nordeste a 5,89% no Sul do Brasil21. No Estado Santa Catarina, foram realizados dois estudos objetivando verificar a prevalência de sinais e sintomas de doenças respiratórias, porém um com grupo específico de suinocultores e outra com uma população bem menor que a utilizada em nosso estudo.

O primeiro, foi um estudo transversal, realizado no município do Braço do Norte (SC), em 2007, com suinocultores, através da aplicação de um questionário e da realização de espirometria. A prevalência geral encontrada foi de 84,3%,sendo que a presença de asma brônquica foi da ordem de 5,6% e a de bronquite crônica, naqueles acima de 40 anos, foi de 5,1%. Manifestações respiratórias entre os suinocultores mostraram-se associadas ao baixo nível socioeconômico, baixa escolaridade, tabagismo, uso de fogão a lenha e uso de desinfetantes. Havia uma aparente associação entre tempo e intensidade de trabalho e os achados da prevalência de manifestações respiratórias. A baixa escolaridade aumentou a chance de doença em mais de 50%. O tabagismo, além de significar um fator que aumentou

(22)

em quase quatro vezes o risco do desenvolvimento de manifestações respiratórias e de doença entre os suinocultores estudados, pode ter apresentado um efeito aditivo na manifestação dos sintomas crônicos. Entretanto, nos suinocultores de Braço do Norte não foi encontrada uma diferença importante na prevalência de bronquite crônica ao comparar tabagistas e não tabagistas23. O tabagismo é apontado como o grande promotor e um fator aditivo para o desenvolvimento de manifestações e doenças do aparelho respiratório, ocorre associação entre tabagismo e a prevalência aumentada de tosse, dispnéia e expectoração23.

No estudo acima descrito, os resultados de uma associação positiva entre o uso de fogão a lenha e existência de sinais e sintomas respiratórios, apenas confirmam o já conhecido risco da exposição passiva à fumaça. Os dados demonstraram que as chances de os suinocultores apresentarem manifestações respiratórias foram quase seis vezes maiores entre os menos privilegiados economicamente23.

O segundo estudo, realizado em Joaçaba, em 2005, teve o objetivo de estimar a prevalência de problemas respiratórios relacionados à DPOC e os fatores associados na população adulta. Foi um estudo observacional, transversal de caráter exploratório, que envolveu uma amostra de 828 indivíduos. Os dados foram obtidos por intermédio de uma entrevista estruturada, para obter informações sobre sintomas auto-referidos para DPOC e suas associações com variáveis demográficas, socioeconômicas e tabagismo. A pesquisa obteve uma taxa de resposta de 85,3%, e as prevalências de sintomas de respiratórios encontradas foram de 2,6% para bronquite crônica (IC95% 1,4 – 3,8); 10,2% para chiado no peito (IC95% 8,0 – 12,5) e 21,9% para falta de ar (IC95% 18,8 – 25,0). Para o desfecho bronquite crônica, apresentar mais de oito anos de estudo mostrou-se um fator de proteção, enquanto que ser fumante destacou-se como um fator de risco. Para chiado no peito, ter 50 anos ou mais e ser fumante atual mostraram ser fatores de risco. Ao se analisar a presença de falta de ar, ser mulher e ser fumante atual mostraram-se como fatores de risco independentes.

(23)

Por outro lado, apresentar mais de oito anos de estudo mostrou-se um fator de proteção, independente da falta de ar24.

3.5 Epidemiologia das Doenças Respiratórias

Dados sobre mortalidade indicam que a DPOC ordena o primeiro lugar entre as causas gerais de mortalidade devido às doenças respiratórias em adultos. Ao redor do mundo milhões de pessoas sofrem com essa moléstia por anos e morrem prematuramente por suas complicações4. Houve também um grande aumento do número de óbitos por DPOC nos últimos vinte anos, em ambos os sexos. A taxa de mortalidade passou de 7,88/100.000, na década de 1980, para 19,04/100.00, na década de 199027.

Outra doença respiratória preocupante é a tuberculose que representa sério problema de saúde no Brasil pelo grande número de pessoas que atinge e sendo fortemente favorecida pela precariedade das condições de vida. A partir da introdução dos quimioterápicos, os estudos têm destacado a importância das medidas médico-sanitárias para o decréscimo da mortalidade. Uso da quimioterapia coincidiu, efetivamente, com o aumento no ritmo da queda da mortalidade pela tuberculose no Brasil e em vários países desenvolvidos. Ocorre com maior freqüência em adultos jovens e na maioria dos casos compromete os pulmões28.

No Brasil, um caso suspeito de tuberculose pulmonar é definido como sendo todo o individuo com sintomatologia clínica sugestiva como: tosse com expectoração por três semanas ou mais, febre, perda de peso e apetite ou imagem radiológica sugestiva. Um caso pode ser confirmado, tanto por critério clínico laboratorial, como por clínico-epidemiológico. O diagnóstico pode ser feito a partir do achado do bacilo álcool-resistente no escarro. O profissional de saúde deve investigar ou encaminhar para investigação, nas unidades de saúde, todos os pacientes sintomáticos respiratórios, particularmente os que apresentam tosse e expectoração há mais de três semanas e os seus comunicantes28.

(24)

3.6 Prevalência das Doenças Respiratórias

3.6.1 Prevalência Nacional

De acordo com estudo Platino, realizado em São Paulo (2005), a prevalência de DPOC foi igual a 15,8%, enquanto que a prevalência de bronquite crônica, de acordo com sintomas informados, isto é, tosse com catarro durante pelo menos 03 meses em um ano; nos últimos 02 anos foi igual a 3,1%. Este estudo considerou a falta de respiração devido a exercícios e a presença de características de ofegar como outro problema respiratório. Foi avaliada a presença destas condições nos últimos 12 meses, tendo sido observadas, respectivamente, prevalências iguais a 36.9% e 23.5% de falta de ar, devido a exercício e presença de características de ofegar29.

A prevalência de DPOC tem aumentado progressivamente nas últimas décadas. Estima-se que existem 7,5 milhões de portadores de DPOC no Brasil, correspondendo a cerca de 5% da população 30.

Pivetta et al31 realizaram um estudo de prevalência de sintomas respiratórios em trabalhadores de marmorarias, com pessoas que tinham pouco tempo de exposição a poeiras das pedras, e tabagismo. Foram encontrados dentre os 84 trabalhadores investigados, 34 fumantes, 09 ex-fumantes e 41 não fumantes. Foram detectadas 24 pessoas com tosse, 30 com catarro, 1 com dispnéia grau III, 5 com chiado, 38 sintomáticos respiratórios e 09 trabalhadores bronquíticos. Foi encontrada associação significativa entre tabagismo e bronquite crônica. Adicionalmente, foi avaliada a função pulmonar através de espirometria, mostrando que a prevalência de bronquite crônica entre os trabalhadores das marmorarias estudadas, estava mais fortemente associada com tabagismo do que com tempo de exposição à poeira das pedras.

(25)

No Brasil, o International Study of Asthma and Allergies in Chidhood” ISAAC foi realizado em seis cidades e incluiu 13.604 crianças e 20.554 adolescentes. Em crianças com idade entre seis e sete anos, detectou-se que 7,3% dos meninos e 4,9% das meninas apresentavam asma, comparativamente a 9,8% e 10,2%, respectivamente dos adolescentes com 13 e 14 anos. Aparentemente a prevalência da asma vem aumentando em crianças e adultos em cerca de 5% por ano20.

3.6.2 Prevalência Internacional

A DPOC tem elevada prevalência em todo mundo. Estima-se que entre 7% e 10% da população adulta seja afetada. Em estudo realizado na Espanha a prevalência encontrada foi de 9% em adultos de 40 a 70 anos de idade32.

Embora a DPOC tenha sido reconhecida há muitos anos, os aumentos recentes na sua prevalência de mortalidade fizeram com que, em 1997, a OMS e o “National Heart, Lung and Blood Institute”, norte americano, coordenassem um projeto concessional com a participação de especialistas de todo o mundo surgindo então a “Global Iniciative for Chronic Obstrutive Lung Disease” (GOLD). Esta iniciativa tem como finalidade implementar a prevenção e conduta terapêutica baseada em evidências entre os profissionais do mundo inteiro. Segundo a GOLD, a DPOC se caracteriza pela restrição do fluxo aéreo que não é totalmente reversível33. Nos Estados Unidos, a DPOC é a quarta causa de morte, afetando pelo menos 15 milhões de norte americanos, e sua prevalência teve o incremento de 60%. A taxa de mortalidade ultrapassa os 50% após 10 anos do diagnóstico inicial34.

Em relação à asma, as estimativas de prevalência baseiam-se, predominantemente, em inquéritos populacionais que investigam sinais e sintomas sugestivos de doenças nos últimos 12 meses, diagnóstico médico prévio e emprego de medicação antiasmática. O “European

(26)

Commission Respiratory Health Study” (ECRHS), realizado em indivíduos adultos residentes em 22 países da Europa Ocidental incluiu 140.000 pessoas com idade entre 20 e 44 anos. Neste estudo foi identificado que 2% a 11,9% dos indivíduos haviam apresentado sintomas nos últimos 12 meses20.

O ISAAC incluiu 463.801 escolares de 13 e 14 anos, provenientes de 56 países e 257.800 crianças, de seis a sete anos, residentes em 38 países. A partir do diagnóstico médico prévio e dos sintomas nos últimos 12 meses verificou-se que 2,1% a 32,2% dos adolescentes e 4,1% a 32,1% das crianças eram portadores de asma20.

Em estudo realizado em um grupo de escolares em Porto Alegre (RS), através de um questionário aplicado e da realização de testes cutâneos, em 855alunos de cinco escolas, a prevalência de asma encontrada foi de 42,5% de asma cumulativa e 22% de asma ativa com predominância nas meninas35. Um estudo realizado em Ribeirão Preto (SP) mostrou que as doenças pulmonares crônicas podem ser detectadas, através de sintomas relatados em entrevistas pessoais usando um questionário padronizado. Numa amostra de 3.353 indivíduos de mais de três anos de idade observou-se que 3,4% de pessoas de sexo feminino e 2,4% do sexo masculino apresentavam sintomas sugestivos de asma brônquica. Adicionalmente, 5,5% do sexo masculino e 3,3% do feminino apresentavam sintomas sugestivos de bronquite crônica e 15,5% dos homens e 11,3% das mulheres relataram tosse. Dispnéia com limitação funcional foi referida em 0,96% dos homens e 2,48% das mulheres. Neste estudo foi considerado como portador de sintomas sugestivos de asma brônquica, os respondentes que relatassem a presença de dispnéia em crises, associada de chiado no peito. Com bronquite crônica, considerou-se o quadro de tosse acompanhado de expectoração por período maior que três meses em um ano12.

Yaksic et al4 afirmam que os fatores associados ao desenvolvimento de DPOC são a poluição ambiental, exposição a químicos, fumaça inalada, tabagismo passivo, infecções

(27)

virais e bacterianas, deficiência de alfa – 1 – antitripsina e outras moléstias associadas (pulmonares ou não).

4. FATORES ASSOCIADOS ÀS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS

4.1 Tabagismo

O uso inicial do tabaco é bastante precoce na vida dos estudantes da rede pública de ensino, sendo que, entre 10 e 12 anos de idade, cerca de 11% dos alunos já fizeram uso experimental do cigarro, de acordo com o estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID). A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas tóxicas, incluindo benzeno, cádmio, polônio radioativa, benzopireno, amônia, monóxido de carbono e nicotina 25.

A iniciação da sua prática se inicia na adolescência, através da influência e publicidade da indústria do tabaco. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) realizou um inquérito sobre o tabagismo em escolares (Vigiescola) e hoje se tornou um sistema de vigilância mundial promovido pela OMS e na América Latina pela Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS. Seu principal objetivo foi monitorizar, através de inquéritos repetidos, em um grupo de pessoas de 13 a 15 anos, a prevalência de uso de tabaco em escolares de escolas das capitais brasileiras26.

O principal poluente do ar que lesa as vias respiratórias, nas sociedades urbanas contemporâneas, é o fumo. Embora fosse suspeitado, desde longa data, como responsável por inúmeros danos à saúde, foi particularmente a partir da década de 50 que começou a se estudar, de modo exaustivo, os efeitos do tabagismo. Muitos trabalhos do ano de (1954), hoje clássicos, comprovaram, a importância do cigarro no aumento dos casos de câncer de pulmão, fato este que já se tornou de domínio público, tão forte foi à associação encontrada. Sabe-se

(28)

hoje que o hábito de fumar contribui de modo significativo não apenas para as neoplasias das vias respiratórias (boca, laringe e pulmão), mas também para diversas outras neoplasias, tais como de bexiga, rim, pâncreas, esôfago, estômago. Por outro lado, as doenças pulmonares obstrutivas crônicas (asma, bronquite e enfisema), bem como doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, angina pectoris e infarto do miocárdio, por exemplo), têm no fumo importante agente etiológico36.

Segundo relatório da OMS (2002), o uso do tabaco foi atribuído a 8,8% das mortes do ano no mundo, a 4,1% dos anos de vida perdidos ajustados por incapacidades, a 12% das doenças vasculares, a 66% das neoplasias de traquéia, brônquios e pulmão e a 38% das doenças respiratórias crônicas. O tabagismo é considerado como a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Estima se que um terço da população mundial adulta fuma, ou seja, um bilhão e 200 milhões de pessoas (entre 200 milhões de mulheres), ou seja, 47% dos homens e 12% das mulheres do mundo fumam25. O tabaco é maléfico à saúde determinando vários problemas respiratórios. O tabagismo aumenta o risco de morbimortalidade por doenças coronarianas, hipertensão arterial, bronquite, enfisema e câncer. Além disso, os custos sociais, econômicos e ambientais são enormes para a sociedade como um todo.

De acordo com os resultados do VIGITEL, o hábito de fumar disseminado mais entre os homens (20,3%) do que entre as mulheres (12,8%). A freqüência de fumantes foi de 16,2% no conjunto da população adulta das 27 cidades estudadas. Em ambos os sexos a freqüência tende a aumentar com a idade; a freqüência de fumantes diminui com o aumento da escolaridade, em ambos os sexos, alcançando 24,2% e 14,7% dos homens e mulheres com até 08 anos de escolaridade e 14,4% a 9,1%dos homens e mulheres com doze ou mais anos de escolaridade respectivamente6.

O Brasil é um dos principais produtores e exportadores de tabaco do mundo. A dependência econômica do setor fumageiro torna complexo qualquer estratégia de

(29)

intervenção. Por outro lado, o controle do tabagismo exige um eficiente e sistemático mecanismo de vigilância para monitorizar as tendências do tabaco. Atento a isso o governo brasileiro implantou o Programa Nacional de Controle do Tabagismo com a implementação de ações educativas, legislativas e econômicas. Dentre elas, destaca-se o monitoramento do padrão de consumo de tabaco e a proporção de fumantes ex-fumantes a partir de estudos populacionais periódicos25.

A causa mais comum de DPOC é o fumo. Infelizmente, os achados clínicos estão quase sempre ausentes durante os estágios iniciais da DPOC e, quando os sintomas aparecem, a doença geralmente já está bem avançada. Em fumantes com sinais iniciais de acometimento das vias aéreas, há a esperança de que o reconhecimento precoce, combinado com tratamento apropriado e o abandono do cigarro podem impedir ou retardar a progressão geralmente inexorável da doença17. O uso do cigarro é o mais conhecido e freqüente fator de risco para DPOC, sendo o seu uso crônico associado à queda acentuada da função pulmonar; o uso de charutos ou cachimbos também apresenta relação com o declínio do VEF (volume expiratório forçado) em menor intensidade sendo que a porcentagem de fumantes que desenvolvem DPOC é de 15% a 20%27. Em pelo menos 85% dos casos, a substância nociva envolvida é a fumaça do cigarro, mas apenas 15% dos fumantes desenvolvem DPOC, portanto a predisposição também pode influenciar. A prevalência de DPOC aumenta dramaticamente para (45%) com o uso do tabaco25.

Os tabagistas possuem uma maior prevalência de anomalias relacionadas à função pulmonar e de sintomas respiratórios, uma maior taxa anual de declínio do VEF1, e taxas mais elevadas de morte por DPOC. O fumo do cachimbo e de charuto também leva a uma maior morbidade e mortalidade por DPOC, em relação aos indivíduos não fumantes. Durante a gravidez, o tabagismo pode apresentar risco ao feto, prejudicando o crescimento pulmonar e o crescimento intra-útero e, possivelmente, o amadurecimento do sistema imunológico37.

(30)

Num estudo de base populacional realizado na Espanha, 25% dos indivíduos entre 40 e 70 anos eram tabagistas e 25% eram ex-tabagistas. Aproximadamente 15% a 20% dos tabagistas desenvolvem DPOC. Os tabagistas portadores de DPOC caracterizam-se por um consumo maior de tabaco, maior dependência da nicotina e mais de um terço deles nunca tentaram parar de fumar. É importante ressaltar que a situação na Espanha é pior do que em outros países. Um estudo recente, realizado em 13 países europeus e três não europeus, demonstrou que a Espanha é o país com a maior prevalência de tabagistas em indivíduos de ambos os sexos, entre 20 e 40 anos (56%) e, paralelamente, é também o país que apresenta a maior prevalência de bronquite crônica nessa faixa etária (9%)32.

4.1.2 Exposição Passiva à fumaça do cigarro

O fumo, além de prejudicar os fumantes também afeta os não-fumantes, através do que se convencionou denominar "fumo passivo". Pesquisas em adultos demonstraram que não-fumantes expostos a ambientes de trabalho enfumaçados absorvem em 8 (oito) horas diárias o equivalente ao consumo de um fumante leve, cerca de 5 (cinco) cigarros. Também as crianças são vítimas do cigarro36.

A exposição passiva à fumaça de cigarro também pode contribuir para sintomas respiratórios e para a DPOC, através do aumento do impacto total de partículas e gases inalados pelos pulmões. A exposição passiva da fumaça do cigarro pode contribuir para a presença de sintomas respiratórios e para o acúmulo de partículas inaladas. As exposições ocupacionais por período de tempo prolongado e em grande intensidade também podem provocar DPOC, mesmo sem uso do tabaco27.

Para as crianças o impacto decorre do compartilhamento de ambientes com adultos que fumam e do uso de tabaco pelas mães durante a gravidez. As seguintes conseqüências do

(31)

tabagismo para as crianças são: redução da capacidade pulmonar, infecções respiratórias baixas como pneumonia e bronquite, tosse, piora da asma e outros. Nos Estados Unidos da América (EUA) estima-se a ocorrência de 3.000 óbitos por câncer de pulmão em fumantes passivos a cada ano25.

4.1.3 Poluição Extra Domiciliar

Outros agentes podem poluir o ar que se respira em casa, originando a poluição domiciliar — “indoor pollution”. São eles: a fumaça - produzida pela combustão de biomassa (lenha, folhas, esterco,), particularmente importante nas áreas rurais; os produtos gerados pela combustão do gás de cozinha (para a preparação de alimentos, para o aquecimento de água e da própria casa); pesticidas e solventes empregados para limpeza; asbestos utilizados para isolamento contra incêndios; dentre outros. Estes poluentes tornam-se tão mais importantes, quanto mais diferente é o ambiente doméstico, em relação ao ar externo. Nos países temperados onde, durante o inverno, as casas permanecem quase sempre fechadas para evitar o frio, a poluição doméstica vem merecendo atenção crescente, motivando inúmeras pesquisas36.

O papel da poluição extra-domiciliar no aparecimento da DPOC é ainda obscuro, porém essa poluição é prejudicial para os indivíduos com doença pulmonar ou cardíaca preexistente. Já a poluição intra-domiciliar causada pelo combustível de biomassa utilizado para cozinhar e aquecer residências pouco arejadas tem sido considerado um fator de risco para o desenvolvimento da DPOC37. A inalação da fumaça de lenha é descrita como fator de risco em populações que utilizam lenha para o aquecimento ou para cozinhar27.

Quando as exposições são suficientemente intensas ou prolongadas, as poeiras e produtos químicos (vapores, fumaças irritantes) podem causar DPOC, independentemente do tabagismo, e aumentar o risco da doença quando esse estiver associado. A exposição a essas

(32)

substâncias provoca aumento da hiper-responsividade das vias aéreas, especialmente em indivíduos que já têm acometimento por outras exposições ocupacionais, asma ou fumaça do cigarro37.

Honing et al19 relata que a bronquite crônica é mais prevalente em trabalhadores que executam seus trabalhos em locais de exposição a poeiras inorgânicas ou orgânicas, ou a gases nocivos e que inquéritos epidemiológicos foram bem sucedidos na demonstração de um declínio acelerado na função pulmonar em muitos trabalhadores sugerindo que sua exposição ocupacional contribui para futura incapacidade.

4.1.4 Infecções do trato respiratório na infância

Estudos recentes demonstram que infecções do trato respiratório em crianças fazem com que estes pacientes sejam mais susceptíveis a desenvolver DPOC expostos a agentes potencialmente lesivos. Dentre os tabagistas, a diminuição do clareamento mucociliar e das defesas auto-imunes locais permite aos agentes infecciosos (vírus e bactérias) colonizar o trato respiratório inferior. Esses patógenos podem provocar ainda mais danos mucociliares, devido ao aumento da produção e secreção de muco, interrupção da atividade ciliar normal e danos no epitélio da via aérea. Assim, por exemplo, a tuberculose pulmonar poderia contribuir para a patogênese da DPOC por mecanismos de inflamação crônica e de destruição do parênquima pulmonar que, somado ao tabagismo, faria com que a probabilidade de desenvolver DPOC aumentasse. Ainda que pouco discutida na literatura, a tuberculose pode ser um fator de desenvolvimento de DPOC em países de alta prevalência como o Brasil4.

A presença de infecções respiratórias graves na infância tem sido relacionada aos sintomas respiratórios e à redução da função pulmonar no adulto. Os sintomas respiratórios são mais freqüentes em pacientes de classes econômicas mais baixas, sendo, portanto o risco

(33)

de desenvolver DPOC maior nestes indivíduos27. As infecções respiratórias severas na infância podem ser fatores de risco para doenças alérgicas em etapas posteriores da vida38.

4.1.5 Sexo

A manifestação de DPOC parece ser mais prevalente em homens do que em mulheres, principalmente quando a casuística se refere à mortalidade e às internações hospitalares, sugerindo maior gravidade da doença nesse gênero4. A incidência é maior em homens do que em mulheres e aumenta com a idade. Estas diferenças podem ser devidas à maior prevalência de tabagismo e à exposição ocupacional entre os homens. Com o aumento do tabagismo em mulheres este dado pode mudar num futuro próximo. No entanto, há de se considerar a maior exposição das mulheres à fumaça produzida pela combustão da lenha utilizada ainda em muitas cozinhas da zona rural27.

4.1.6 Condições socioeconômicas

Certas situações demográficas ou sociais estão associadas ao maior risco para o desenvolvimento da tuberculose: a raça negra, extremos de idade, desnutrição, más condições de moradia, alcoolismo e certas ocupações, como profissionais de saúde, técnicos de laboratório ou mineiros portadores de silicose1. Algumas condições clínicas podem contribuir para o aumento da incidência da doença como: corticoterapia, quimioterapia antineoplásica, diabetes melitus, neoplasias, silicose, sarcoidose e estado de pós-gastrectomia 28.

5. MÉTODO

5.1 Local do estudo

Foi realizado um estudo transversal de base populacional, com coleta de dados entre maio a outubro de 2007, no município de Lages, que se localiza na Serra Catarinense no

1

Silicose – é a formação de cicatrizes permanentes nos pulmões provocada pela inalação de do pó de sílica (quartzo).2 Sarcoidose é uma doença inflamatória que afeta qualquer órgão do corpo .

(34)

Estado de Santa Catarina. A população de Lages, segundo censo do IBGE (2006)39 é igual a 168.302 habitantes. A economia lageana é basicamente sustentada pela pecuária, agricultura, indústria madeireira, com destaque na produção de papel e celulose, além do turismo rural. Lages caracteriza-se por ter altitude bem elevada, de 850 a 1500 metros acima do nível do mar, no inverno é bastante frio sendo comum a ocorrência de geadas e neve com temperaturas de até – 7,4º C e temperatura média de 12,3º C. Já no verão o clima se torna quente e as temperaturas chegam a 35º C. A figura, a seguir, mostra a localização geográfica de Lages no mapa de Santa Catarina e no detalhe a sua posição no mapa do Brasil.

Figura 1: Mapa do município de Lages – SC, Brasil.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lages

5.2 População de estudo

A população de referência do estudo foi composta por adultos na faixa etária entre 20 e 59 anos completos no momento da pesquisa, de ambos os sexos, residentes na zona urbana do município nos meses entre maio e outubro de 2007. Esta faixa etária compreende aproximadamente 52% da população total do município perfazendo cerca de 86.998 pessoas39.

(35)

5.2.1 Critérios de inclusão

Foram incluídos na pesquisa os adultos de 20 a 59 anos, de ambos os sexos, residentes em domicílio na zona urbana de Lages, Santa Catarina.

5.2.2 Critérios de exclusão

Foram excluídos sujeitos com doenças mentais, institucionalizados (hospitais, asilos, prisões ou outros). Aqueles indivíduos que apresentaram dificuldades especiais, por exemplo, surdos e mudos, puderam participar da pesquisa com o auxílio de alguém da residência.

5.3 Tipo de estudo

Este estudo fez parte de um grande inquérito populacional que foi desenvolvido pelos alunos do Mestrado em Saúde Coletiva da UNIPLAC intitulado Auto-avaliação das condições de saúde e fatores associados: estudo de base populacional em adultos de Lages, SC, 2007, que investigou diferentes aspectos socioeconômicos e de saúde auto-referida da população, da zona urbana de Lages, e os fatores associados a estas condições. Contou com a participação dos onze alunos do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva/PPGSC, turma 2006-2008, da UNIPLAC, do corpo docente do referido Programa e de trinta e nove alunos dos cursos de graduação, sendo vinte e nove bolsistas de pesquisa e dez alunos voluntários.

Trata-se de um estudo transversal observacional, descritivo de caráter exploratório. De acordo com Pereira40, um estudo transversal faz uma radiografia do que ocorre naquele determinado tempo; observacional está reservada a investigação de situações que ocorrem naturalmente sem intervenção do investigador e descritivo, pois tem objetivo de informar sobre a distribuição de um evento na população em termos quantitativos. Segundo

(36)

Medronho41, um estudo exploratório avalia a associação entre as mudanças no tempo do nível médio de uma exposição e das taxas de doenças em uma população geograficamente definida, sem uma hipótese específica prévia. Esse tipo de estudo é um bom método para detectar freqüências de doenças e fatores de risco, assim como identificar os grupos, na população, que estão mais ou menos afetados.

A pesquisa estudou o desfecho de prevalência de sintomas respiratórios, através de um inquérito populacional e análise dos fatores associados.

5.4 Cálculo e seleção da amostra

5.4.1 Tamanho da Amostra

A população de referência do inquérito foi constituída por adultos na faixa etária entre 20 e 59 anos de idade, completos no momento da pesquisa, de ambos os sexos e residentes na zona urbana do município de Lages, SC, nos meses entre maio e outubro de 2007. Essa faixa etária compreende aproximadamente 52% da população total do município (n=86.998)39.

Para o tamanho da amostra utilizou-se a fórmula para cálculo de prevalência, considerando-se população de referência igual a 86.998 (adultos), utilizando os seguintes parâmetros: nível de confiança de 95%, a prevalência esperada do fenômeno foi considerada desconhecida (50%), erro amostral de 3,5 pontos percentuais e efeito do desenho do estudo (amostra por conglomerados), estimado como igual a 2. Adicionou-se 10% a fim de compensar recusas e perdas e 20% considerando a presença de variáveis de confusão. O cálculo do tamanho da amostra foi realizado através do programa Epi-Info (versão 6.04), de domínio público42. Para o presente estudo, o tamanho da amostra analisada também foi suficiente para estimar a prevalência do desfecho de prevalência de sintomas respiratórios igual a 50%.

(37)

Utilizou-se a seguir a fórmula descrita abaixo para cálculo de prevalência, através do mesmo software:

n = N. z2. P (1-P)/d2. (N – 1) + z2. P (1-P) x deff + % de perdas estimadas Onde:

n = Tamanho mínimo da amostra necessária para o estudo. N = Número da população de referência: 86.998

z = Nível de confiança (geralmente igual a 95%) expresso em desvios-padrão (1,96). P = Prevalência esperada do fenômeno a ser investigado na população: 50% (dados desconhecidos).

d = Erro amostral previsto (precisão): 3,5%.

deff = efeito do desenho do estudo, por conglomerados, estimado como igual a 2. % Perdas estimadas = 10%.

% controle de fatores de confusão = 20%.

Aplicando a formula descrita obteve-se uma amostra final foi de 2051 adultos. A prevalência de 50% foi utilizada em decorrência de o presente estudo estar inserido em um grande projeto de pesquisa onde foram analisados outros desfechos e fatores associados, muitos com prevalências desconhecidas, como: doenças auto-referidas, hábitos de vida, pressão arterial, atividade física, saúde bucal, escolaridade, renda, fatores demográficos, entre outros.

5.4.2 Seleção da amostra

O processo de seleção foi realizado através de conglomerados representados pelos setores censitários do IBGE39 do referido município.

Com base nas informações da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística39, foram selecionados, por sorteio casual simples sem reposição, 60 setores

(38)

censitários (unidades de recenseamento do IBGE) para o estudo propriamente dito, e mais três setores reservas, dentre os 186 setores existentes na zona urbana de Lages. Esse número foi considerado adequado para o porte do município estudado e para se atingir o tamanho da amostra do estudo maior43.

Após o sorteio de 60 setores censitários, quarteirões de cada setor foram identificados e numerados. Em seguida, foi sorteado o quarteirão e, posteriormente, no sentido horário, a esquina onde seria iniciado o trabalho de campo.

Os setores censitários são constituídos por, aproximadamente, 300 domicílios cada e o número médio de moradores, por domicílio, equivale a quatro. Assim, em cada um dos setores censitários de Lages existem aproximadamente 300 domicílios, que multiplicados por quatro pessoas, em média, equivale a 1.200 pessoas; ou 720 pessoas (60%), na faixa etária de interesse para a pesquisa. Considerando que o número calculado como necessário para a amostra foi igual a 2.051, dividindo-se esse valor pelo número de setores censitários sorteados (60), obtêm-se aproximadamente, 30 pessoas, com idade entre 20 a 59 anos, por setor.

Os participantes foram entrevistados no domicílio, através de questionário estruturado. As questões relativas aos sintomas respiratórios foram obtidas do questionário Platino, a saber: tosse, falta de ar, chiado no peito e bronquite crônica. As variáveis exploratórias foram: aspectos demográficos, escolaridade, aspectos socioeconômicos, fatores ambientais, hereditariedade e tabagismo.

5.4.3 Critérios para considerar perda

Convencionou-se que seriam consideradas como perdas: residentes em domicílios visitados, no mínimo, quatro vezes incluída pelo menos uma visita em final de semana e outra no período noturno, sem que se conseguisse localizar a pessoa a ser aplicado o instrumento. Ou caso houvesse recusa desse em participar. Cada um desses tipos de perdas foi devidamente anotado na ficha do responsável pela aplicação do questionário.

(39)

5.5 Instrumento de pesquisa

Um questionário estruturado (Anexo 1 ) foi construído pelos alunos (turma 2006-2008) e professores do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva /PPGSC da UNIPLAC, contendo 186 questões, contemplando os temas de estudo dos onze mestrandos. Esse instrumento, de coleta de dados e informações, apresenta dois blocos: o primeiro, com perguntas sobre as características socioeconômicas - composto de questões referentes à idade, gênero, anos de estudo, estado civil, cor da pele auto-referida, renda familiar, número de filhos, residentes por domicílio, consumo de eletricidade, posse de bens domésticos, número de indivíduos por cômodo-dormitório e tipo de moradia.

O segundo grande bloco, sobre condições de saúde e comportamento, contempla perguntas acerca de: doenças auto-referidas, consumo auto-referido de medicamentos, doenças que já apresentou ou apresenta, tabagismo, nível de conhecimento sobre fisioterapia, se fez consulta médica e o motivo, alcoolismo, prática de atividade física, dor de dente e intensidade, uso e necessidade de próteses dentárias, utilização e avaliação de serviços médicos e odontológicos, alimentação, violência de gênero entre casais e práticas sociais relativas ao uso de chupeta. No início desse segundo bloco, em campo específico, coube ao aplicador do questionário verificar e registrar o peso, altura, perímetro da cintura e pressão arterial (essa verificada em dois diferentes momentos). Cada questionário recebeu uma numeração. Além disso, foi elaborado um manual de instruções para orientar a equipe de campo.

Aplicou-se um questionário para cada adulto residente no domicílio na forma de entrevista.

(40)

As variáveis independentes foram classificadas em quatro grupos: o demográfico, o socioeconômico, o de hábitos relacionados à saúde e o da situação de saúde.

Foram consideradas as variáveis demográficas como: sexo, idade, situação conjugal e raça/ etnia. A idade foi dividida em anos completos (20-29, 30-39, 40-49, 50-59). Quanto à situação conjugal, foram categorizados em casado (a)/ companheiro (a), solteiro (a), divorciado (a)/ separado (a) ou viúvo (a). Em relação à raça/ etnia, os indivíduos foram classificados em branco, pardo, negro (ou preto), amarelo e indígena.

Para a presente pesquisa foram utilizadas como variáveis sócio-econômicas renda familiar e escolaridade. A renda mensal da família foi obtida pelo somatório de todas as rendas, incluindo salários, pensões, aluguéis, mesadas e etc. Definiram-se quatro categorias da renda mensal per capita em salários mínimos estratificada em quartis (1,59-19,74; 0,89-1,58; 0,60-0,88; 0,03-0,50). A escolaridade foi avaliada em anos de estudo completos, e depois, categorizada em 12 e mais, 9-11, 5-8, 0-4 anos de estudo.

Os fatores ambientais foram classificados em: tipo de habitação (alvenaria, madeira ou mista). Adicionalmente foram analisadas questões relacionadas à hereditariedade no que se refere a familiar com diagnóstico de DPOC, asma ou bronquite, internamento por problemas respiratórios na infância. Por fim investigou-se o tabagismo (nunca fumou, ex-fumante e fumante atual).

5.6.1 Variável dependente - o desfecho: problemas respiratórios

Foram utilizadas as questões elaboradas e utilizadas no Projeto Latino-americano de Investigação da Obstrução Pulmonar29 que visa medir a prevalência de DPOC e problemas respiratórios, a saber:

(41)

2. Existem meses em que o (a) Sr.(a) tosse na maioria dos dias ou quase todos os dias? 3. O(a) Sr.(a) tosse na maioria dos dias, no mínimo por três meses, a cada ano?

4. Há quantos anos o (a) Sr.(a) vem tendo essa tosse?

5. O(a) Sr.(a) geralmente tem catarro que vem do seu pulmão, ou catarro difícil de por para fora, mesmo sem estar resfriado(a)?

6. Existem meses em que o(a) Sr.(a) tem esse catarro na maioria dos dias ou quase todos os dias?

7. O (a) Sr.(a) tem esse catarro na maioria dos dias, no mínimo por três meses, a cada ano? 8. Há quantos anos o(a) Sr.(a) vem tendo esse catarro?

9. O Sr.(a) teve chiado no peito, alguma vez, nos últimos 12 meses?

10. O(a) Sr.(a) teve esse chiado no peito, nos últimos 12 meses, somente quando esteve resfriado?

11. Alguma vez, nos últimos 12 meses, o(a) Sr.(a) teve um ataque (crise) de chiado no peito com falta de ar?

12. O(a) Sr.(a) tem algum problema que não o(a) deixa andar, sem ser problema de pulmão ou coração?

13. O(a) Sr.(a) sente falta de ar quando anda (caminha) mais rápido no chão reto ou quando anda numa pequena subida?

14. O(a) Sr.(a) tem que andar (caminhar) mais devagar no chão reto, do que pessoas da sua idade, por causa da falta de ar?

15. O(a) Sr.(a) já teve que parar de andar (caminhar), no chão reto, para puxar o ar, no seu passo normal?

16. O(a) Sr.(a) já teve que parar de andar (caminhar) no chão reto para puxar o ar, depois de andar uns 100 metros ou alguns minutos?

(42)

17. A sua falta de ar é tão forte que não deixa o(a) Sr.(a) sair de casa ou não deixa o(a) Sr.(a) trocar de roupa?

18. O médico alguma vez lhe disse que o(a) Sr(a) tem enfisema nos seus pulmões?

19. O médico alguma vez lhe disse que o(a) Sr.(a) tem asma, ou bronquite asmática ou bronquite alérgica?

20. O(a) Sr.(a) ainda tem asma ou bronquite asmática ou bronquite alérgica? 21. O médico alguma vez na vida lhe disse que o(a) Sr.(a) tem bronquite crônica? 22. O(a) Sr.(a) ainda tem bronquite crônica?

23. O médico alguma vez na vida lhe disse que o(a) Sr.(a) tem doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)?

24. O(a) Sr.(a) alguma vez na vida trabalhou por um ano ou mais em um trabalho com poeira ou pó?

25. Por quantos anos o(a) Sr.(a) trabalhou em lugar assim?

26. Alguma vez o médico lhe disse que o (a) Sr.(a) tinha Tuberculose?

27. O(a) Sr.(a) esteve internado quando criança( 9 anos) por problemas de pulmão? 28. O médico ou outro profissional de saúde lhe disse que seu pai, mãe ou irmãos tiveram Enfisema, ou bronquite crônica ou DPOC?

29. Na sua casa, por mais de 6 meses em toda a sua vida, usaram fogão com carvão para cozinhar? Na média, quantos anos?

30. O(a) Sr.(a) agora fuma cigarro industrializado (pronto) ou feito a mão? 31. Quantos cigarros o Sr.(a) fuma por dia?

32. Que idade o(a) Sr.(a) tinha quando começou a fumar regularmente? 33. Alguma vez na vida o(a) Sr.(a) fumou regularmente?

Referências

Documentos relacionados

O romance Usina, diferentemente dos demais do conjunto da obra pertencente ao ciclo-da-cana-de-açúcar, talvez em função do contexto histórico em que se insere, não

As resistências desses grupos se encontram não apenas na performatividade de seus corpos ao ocuparem as ruas e se manifestarem, mas na articulação micropolítica com outros

ITIL, biblioteca de infraestrutura de tecnologia da informação, é um framework que surgiu na década de mil novecentos e oitenta pela necessidade do governo

Por último, temos o vídeo que está sendo exibido dentro do celular, que é segurado e comentado por alguém, e compartilhado e comentado no perfil de BolsoWoman no Twitter. No

Solos em cavernas são formados em sua maior parte de sedimentos provenientes do exterior através dos rios subterrâneos e precipitação de substâncias solúveis na água, acrescidos

Frondes fasciculadas, não adpressas ao substrato, levemente dimórficas; as estéreis com 16-27 cm de comprimento e 9,0-12 cm de largura; pecíolo com 6,0-10,0 cm de

BARHAM, 1982 (2), define as diferenças conceituais e campos de ação, tanto para en­ sino como investigação, entre Biomecânica e Cinesiologia Mecânica. Não trataremos

Ninguém quer essa vida assim não Zambi.. Eu não quero as crianças