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II Simpósio de Ciências Biológicas

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Academic year: 2021

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II Simpósio de Ciências Biológicas

Universidade Católica de Pernambuco

Recife - Pernambuco

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1SILVA JUNIOR, R. M. P.; 1ALBUQUERQUE, M. F.; 1DE BRITO, C. C; 2COSTA, M. M. A.; 3LUZ, B. R. A.

1Universidade de Pernambuco – UPE, ,2Universidade Federal de Pernambuco – UFPE 3Lab. De Biologia Marinha – ICB/UPE.

RESUMO

Os poríferos são organismos filtradores que estão inseridos entre os principais componentes das comunidades bentônicas em todos os oceanos. Ocorrem em todos os mares e profundidades predominando nos litorais rochosos Estudos espongofaunísticos mares e profundidades, predominando nos litorais rochosos. Estudos espongofaunísticos brasileiros são ainda pouco explorados, sobretudo na região Nordeste, contudo, vêm se deparando cada vez mais com novas espécies e ocorrências. Neste conceito, o objetivo desde trabalho foi realizar o levantamento da fauna de esponjas marinhas no recife arenítico da zona entremarés da praia de Gaibú, Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco,

ifi d t ló i f ló i d é i t F

verificando os aspectos ecológicos e morfológicos das espécies ocorrentes. Foram identificadas as espécies: Cliona dioryssa, Cinachyrella alloclada, Tedania ignis, Amphimedon compressa, Amphimedon viridis e Dragmacidon reticulatus. Aspéctos ecológicos e morfológicos também foram analisados, estabelecendo assim um padrão base para área estudada.

Palavras-chave: Poríferos, Recifes areníticos, Gaibú.

1. INTRODUÇÃO

As esponjas (Filo Porifera) estão entre os principais componentes de comunidades bentônicas em todos os oceanos (HOOPER & LÉVI, 1994; VAN SOEST, 1994). Ocorrem

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são ainda, importantes componentes da biomassa dos ecossistemas marinhos e em especial dos recifes de coral, onde diversos organismos utilizam este ambiente com fins de alimentação, reprodução e de abrigo (MURICY, 1989).

A composição faunística e distribuição de Porifera na costa brasileira são ainda pouco conhecidas. Os estudos sobre esponjas do Brasil se concentram no continente, principalmente em Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. (e.g. RIDLEY & DENDY, 1887; BOURY-ESNAULT, 1973; HECHTEL, 1976, 1983; HAJDU et al., 1996; HAJDU, BERLINCK & FREITAS, 1999; MURICY & MORAES, 1999; MURICY & RIBEIRO, 1999; VILANOVA & MURICY, 2001). Em Pernambuco, a composição e a distribuição da espongofauna do litoral foi publicada por MURYCY & MORAES (1998), onde foram registrados 56 espécies, incluindo 25 novas ocorrências, dentre as quais 9 espécies eram novas para a costa brasileira.p

O objetivo deste trabalho foi de realizar o levantamento da fauna de esponjas marinhas no recife de coral da zona entremarés da praia de Gaibú, Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco, verificando os aspectos ecológicos e morfológicos das espécies ocorrentes.

2 MATERIAL E MÉTODOS 2. MATERIAL E MÉTODOS 2.1 Área de Estudo

O estudo foi realizado nos recifes areníticos da zona entremarés da praia de Gaibú, localizada entre as coordenadas 8°19’S e 34°57’W, no município do Cabo de Santo Agostinho, a 47 km da cidade de Recife, litoral sul de Pernambuco. Esta praia é caracterizada pela ocorrência de grandes extensões de recifes de franja, sobre os quais se desenvolvem uma fauna e flora bem diversificada, além da presença de costões rochosos (TABARELLI & SILVA, 2002).

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Figura 1. Mapa com a localização do recife de arenito da praia de Gaibú, (a) delimitando entre os tracejados

a área de coleta.

2.2 Métodos de campo

As coletas foram realizadas, em outubro de 2009 e julho de 2010, em marés baixas de

i í i iã t é l d tã h O l btid f

sizígia, na região entremarés ao longo do costão rochoso. Os exemplares obtidos foram retirados com o auxílio de espátulas, sendo raspada a superfície de fixação dos espécimes, em seguida, foram acondicionados em sacos plásticos com água do mar, devidamente etiquetados e lacrados individualmente. Em tabelas de campo registraram-se os parâmetros relacionados com a ecologia e a morfologia externa de cada exemplar (Tabela I).

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2.3 Métodos em laboratório

Em laboratório, os espécimes coletados foram triados em bandejas plásticas com auxílio de pinças para separação de sedimentos e possível fauna associada. Realizou-se então uma revisão e complementação dos parâmetros morfológicos externos observados, de modo que todos os exemplares obtivessem as características dos parâmetros previamente estabelecidos. Posteriormente, fragmentos foram retirados e depositados em frascos devidamente etiquetados, fixados em formol salino 10%. Para identificação foram utilizados além dos dados morfológicos de campo, pequenos fragmentos dos exemplares dissociados em lâminas com hipoclorito de sódio para análise no esqueleto espícular em microscópio óptico. A identificação seguiu chave taxonômica específica para a classe Demospongiae (MURICY & HAJDU, 2006).

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3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram analisados 12 exemplares, dos quais se identificou seis espécies, todas pertencentes a Classe Demospongiae, as quais foram inseridas em 5 Ordens e 5 famílias, sendo a Ordem Haplosclerida e a Família Niphatidae as mais representativas em número de espécies e indivíduos (Tabela II).

As espécies identificadas encontravam-se distribuídas na área nas laterais do recife (modo calmo), nas superfícies expostas (sobre a rocha) e nas piscinas de maré (submersas); sendo que a espécie C. Alloclada ocorreu em todos os subambientes. O crescimento lobado foi predominante e associações entre esponjas/esponjas e esponjas/invertebrados foram verificadas principalmente entre as espécies A viridis e esponjas/invertebrados foram verificadas, principalmente entre as espécies A. viridis e A.compressa. Poliquetas, cirripédias, ofiúros e pequenos crustáceos foram os principais organismos associados. A descrição dos parâmetros para cada espécie pode ser visualizada na Tabela III.

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As espécies identificadas no local se encontram em conformidade com os achados de MURICY & MORAES (1999), que registraram ocorrência das mesmas em campanha para levantamento da espongofauna de Pernambuco, porém a região estudada não contemplava a praia de Gaibú.

As esponjas proporcionam importantes microhabitats complementares para ocupação de diversos organismos, explicando assim a diversidade dos organismos em associação encontrados, SARMENTO & CORREIA (2002) também observaram em seus estudos, grande diversidade de invertebrados associados, assim como interações com algas.

4. CONCLUSÃO

As características ecológicas e morfológicas dominantes foram à fixação na lateral do recife (modo calmo), crescimento lobado e incrustante, com consistência frágil e( ), , g facilmente desagregável ou macia, fotonegativas e associações com algas, anelídeos e crustáceos, principalmente poliquetas e cirripédias, respectivamente.

Este estudo torna-se ponto de partida para estudos posteriores na região, sendo ampliado o conhecimento sobre a biodiversidade local. Os dados preliminares resultantes indicam que o ecossistema recifal da praia de Gaibú apresenta considerável diversidade de que o ecossistema recifal da praia de Gaibú apresenta considerável diversidade de esponjas, a qual poderá ser ampliada futuramente através de estudos mais intensos. Sugere-se que o monitoramento desta diversidade possa vir a ser utilizado como potenciais bioindicadores de qualidade ambiental neste ecossistema.

5. REFERÊNCIAS

HOOPER, J.N.A., & LÉVI, C., Biogeography of indo-west pacific sponges: Microcionidae, Raspailiidae, Axinellidae. In: Sponges in Time and Space. Proc. 4 tt Sponge Conference. Rotterdam: Balkema, p.191-212, 1994.

VAN SOEST, R.W.M.; VAN KEMPEN, TH.M.G. & BRAEKMAN, J.C. (Eds.) Sponges in Time and Space. Rotterdam: Balkema. p.213-224, 1994

MURICY, G.; & HAJDU, E., Guia de identificação das esponjas marinhas do sudeste do , ; , , ç p j Brasil, Museu Nacional, série Livros 17, 104 pags. Rio de Janeiro, 2006.

MURICY, G., Sponges as pollution-biomonitors at Arraial do Cabo, Southeastern Brazil. Rev. Brasil. Biol., 49(2): 347-354, 1989.

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MURICY, G. & F. MORAES. Marine Sponges of Pernambuco State, NE Brazil. Rev. brasil. oceanogr., 46(2):213-217, 1999.

TABARELLI, M.; SILVA, J. M. C. (Orgs.). Diagnóstico da Biodiversidade de Pernambuco. ( g ) g Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, Fundação Joaquim Nabuco v.2, 722p. editora Massangana, Recife. 2002

SARMENTO, F. & CORREIA, M. D., Descrição de parâmetros ecológicos e morfológicos externos dos poríferos no recife de coral da Ponta Verde, Maceió, Alagoas, Brasil. Rev. bras. Zoociências, Juiz de Fora. v. 4, nº 2, p. 215-226, Dezembro de 2002.

RIDLEY, O.S. & DENDY, A., Report on the Monaxonida collected by H.M.S. “Challenger”

d i th 1873 1876 R t f th i tifi lt f th f th HMS

during the years 1873-1876. Reports of the scientific results of the voyage of the HMS Challenger, Londres, 20:1-275, 1887.

BOURY-ESNAULT, N., Campagne de la Calypso au large des côtes atlantiques de

l’Amérique du Sud (1961-1962). 29 - Spongiaires. Résultats Scientifiques dês Campagnes de la “Calypso”, Paris, 10:263-295, 1973.

HECHTEL, G.J., Zoogeography of Brazilian marine Demospongiae. In: Aspects of Sponge Biology Nova Iorque: Academic Press p 237-260 1976

Biology. Nova Iorque: Academic Press. p.237-260, 1976.

HAJDU, E.; MURICY, G.; BERLINCK, R.G.S., & FREITAS, J.C., Marine poriferan diversity in Brazil: knowledgement to management. In: Biodiversity in Brazil: a first approach. São Paulo: CNPq. p.57–170, 1996.

HAJDU, E.; BERLINCK, R.G.S. & FREITAS, J.C., Porifera. In: Biodiversidade do Estado de São Paulo: Síntese do Conhecimento ao Final do Século XX. Invertebrados Marinhos. São Paulo: Fapesp. v.3, p.20-30, 1999.p p , p ,

MURICY, G. & RIBEIRO, S., Shallow-water Haplosclerida (Porifera, Demospongiae) from Rio de Janeiro state, Brazil (Southwestern Atlantic). Beaufortia, Amsterdam, 49(9):83-108, 1999.

VILANOVA, E. & MURICY, G., Taxonomy and distribution of the sponge genus Dysidea Jonhston, 1842 (Demospongiae, Dendroceratida) in the Extractive Reserve of Arraial do Cabo, SE Brazil (SW Atlantic). Boletim do Museu Nacional, Nova Série, Zoologia, Rio de Janeiro (453):1-16, 2001.

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33 - MACROFAUNA ASSOCIADA À ESPONJA MARINHA Amphimedon viridis

Camila Cristina Pires de Brito1; Rui Milton Patrício da Silva Junior1,2; Mirthes Ferreira de Albuquerque1,2; Marcus Túlio Batista Wanderley1,2; Betty Rose de Araujo Luz¹,²

1Universidade de Pernambuco; 2Lab. De Biologia Marinha – UPE

RESUMO

Os poríferos são organismos bentônicos importantíssimos para a manutenção do equilíbrio marinho, sendo sede de diversas interações biológicas. Mesmo sendo estudadas há tempos, ainda há muito a ser descoberto, entre novas espécies, propriedades e inter-relações O objetivo do trabalho foi estabelecer uma análise comparativa entre as relações. O objetivo do trabalho foi estabelecer uma análise comparativa entre as frequências dos animais encontrados associados à Amphimedon viridis, correlacionando com os diferentes períodos pluviométricos (seco/ chuvoso) ocorridos na Praia de Gaibú, Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco. Todas as amostras foram retiradas de um paredão rochoso meso litoral, encontrado a uns 15m da faixa de areia da praia, com o auxílio de

át l N t i ã l i id d l l f üê i d

uma espátula. Notou-se que, com a variação na pluviosidade local, as freqüências de ocorrências dos espécimes, em questões quantitativas, alteram-se também, e que os Annelida predominam sobre o restante da fauna, sugerindo um padrão de ocorrência dos mesmos.

Palavras-chave: Poríferos; Interação; Gaibú

1. INTRODUÇÃO

As esponjas são organismos pertencentes ao Filo Porifera, há muito tempo conhecidas e estudadas; definidas como animais bentônicos sésseis e filtradores, embora haja exceção quanto à última variável, descoberta recentemente, que são carnívoras e não têm sistema aquífero, ressaltam Vacelet & Boury-Esnault (1995). Podem se arranjar em diversas formas

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e cores, e encontradas em diversos hábitats marinhos. São simples, porém de importância ecológica inquestionável, pois participam de importantes interações, dentro das comunidades, podendo servir como abrigo, alimento e até camuflagem para muitos invertebrados (Moraes et al., 2003) dentre eles os crustáceos (Bezerra & Coelho, 2006). Além disso, fornecem recursos economicamente viáveis, através da produção de substâncias químicas de interesses farmacêuticos.

A composição faunística e distribuição dos poríferos na costa brasileira são ainda pouco conhecidas. Os estudos sobre esponjas do Brasil se concentram no continente, principalmente em Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. (e.g. RIDLEY & DENDY, 1887; BOURY-ESNAULT, 1973; HECHTEL, 1976; HAJDU et al., 1996; HAJDU, BERLINCK & FREITAS, 1999).

Dentro deste contexto, tem-se a esponja marinha Amphimedon viridis. Essa espécie, p j p p apresenta uma morfologia maciça ou incrustante com elevações vulcaniformes e consistência macia, além de uma leve produção de muco. Dessa forma, torna-se um meio propício a interações com diversos filos, dentre os quais, os mais frequentes: Mollusca, Annelida, Echinodermata e Arthropoda. A A. viridis também possui, como tantas outras, compostos de atividades antibióticas tóxicas e antitumorais que são estudadas e compostos de atividades antibióticas, tóxicas e antitumorais, que são estudadas e aproveitadas pelo homem. De ocorrência também pernambucana, podem ser encontradas submersas, expostas à luz ou sobre rochas do meso litoral.

Devido à grande capacidade de adaptar-se a diferentes nichos ecológicos, reforçada por sua arquitetura, é que as esponjas abrigam uma gama de fauna associada. Do tanto que se encontram outras espécies por sobre e dentre as esponjas, intenciona-se estudar a macrofauna associada à A. viridis encontrada na Praia de Gaibú, Pernambuco, a fim de identificá-las em grandes grupos e avaliá-las quantitativamente, além de estabelecer uma análise comparativa de frequência dos animais encontrados entre os dados coletados em diferentes períodos pluviométricos (seco/ chuvoso) do mesmo local.

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2. MATERIAIS E MÉTODOS

Com um nome em Tupi- guarani, Aybu, o qual significa Vale do D’água, Gaibú é uma das mais belas e movimentadas praias do litoral sul pernambucano. Dotada de águas calmas e esverdeadas, localiza-se a 47 km do Recife, entre as coordenadas 8°19’S e 34°57’W, no município do Cabo de Santo Agostinho. Esta praia é caracterizada pela ocorrência de grandes extensões de recifes de franja, sobre os quais se desenvolvem uma fauna e flora bem diversificada, além da presença de costões rochosos (TABARELLI & SILVA, 2002).

Especialmente devido a essas variáveis físicas e suas atividades turísticas, esse local foi escolhido como ponto de coleta da esponja Amphimedon viridis.

Foram feitos dois levantamentos sobre a macrofauna associada a essa esponja em

Figura 1. Mapa com a localização do recife de arenito da praia de Gaibú; (a) tracejados

delimitam a área de coleta.

Foram feitos dois levantamentos sobre a macrofauna associada a essa esponja, em épocas diferentes. Realizados nos dias 16 de outubro de 2009 e 12 de julho de 2010, os períodos caracterizavam-se por suas estações, seca e chuvosa, respectivamente. Os registros físicos indicaram uma maré de 0,2m na primeira coleta, e outra de 0,1m, na coleta posterior. As medições de salinidade e temperatura também foram observadas em

b d t M ti lh t t d i d t 37 % d

ambas as datas. Mantiveram-se semelhantes, constando, aproximadamente, 37 %o de salinidade e 30oC, a temperatura.

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Todas as amostras de A. viridis foram retiradas de um paredão rochoso meso litoral, encontrado a uns 15m da faixa de areia da praia, com o auxílio de uma espátula.

Ao serem obtidas, foram acondicionadas em sacos plásticos, preenchidos com água do mar, e encaminhadas para triagem. Ainda, em tabelas de campo, foram registrados os dados relacionados à ecologia e morfologia externa de cada espécime.

Em análises técnicas laboratoriais, através de observação laminar do tipo de espícula presente, e com auxílio de chave de identificação taxonômica específica para a classe Demospongiae (MURICY & HAJDU, 2006), foi confirmada a espécie em questão. Após, a esponja foi dissecada em bandejas plásticas, com o auxílio de pinças, para observação e separação da epifauna e endofauna. Logo após, fragmentos retirados foram depositados em frascos devidamente etiquetados, fixados em formol salino 10%.

Os animais encontrados associados à esponja foram identificados e separados emp j p grandes grupos, sendo contabilizados para a realização de estimativas de frequência e diversidade. Para análises estatísticas foi utilizado o software BIO-DAP (Tabela I).

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A maioria das esponjas coletadas tinha forma incrustante, as quais foram encontradas fortemente aderidas em substratos rochosos e apresentavam uma coloração verde vivo. Foram ainda coletadas outras de morfologia diferenciada, ramificada e coloração variando

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Após análises das amostras de A. viridis, a macrofauna associada à esponja foi então identificada e alocada em seus respectivos grupos.

Entre os organismos identificados, havia representantes dos filos Annelida, Arthropoda, Echinodermata e Mollusca, sendo o primeiro com maior ocorrência, numa análise quantitativa. Resultado válido para as duas observações. Pois, embora o número de espécimes encontrados no período seco tenha sido menor, quando comparado ao chuvoso, ambas as épocas demonstraram uma prevalência dos Annelida nas amostras (Figura 1).

Na primeira coleta, de um total de 98 organismos de macrofauna encontrados, 52 eram Annelida. Na segunda amostragem, desta vez com maior abundância de chuva, dos 253 espécimes encontrados, 131 eram Annelida, ou seja, representavam 52% dos animais observados. A baixa diversidade encontrada no estudo resulta da predominância dessep filo que, por apresentar um corpo frágil, utilizam substratos secundários, como as esponjas, para reprodução e proteção contra o predador (Hernández et al. 2001).

Mas, mesmo sendo os Annelida, os animais mais observados durante as análises, as frequências dos organismos encontrados variaram por vezes, de esponja para esponja, de acordo com o volume total da espécie e mesmo sua forma

de acordo com o volume total da espécie e mesmo sua forma.

Durante a manipulação em laboratório, observou-se que, além de associada aos grupos citados, A. viridis também interagia com outras esponjas e com diversas algas.

Figura 1. Comparativo de ocorrências entre os filos Mollusca,

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4. CONCLUSÃO

Toda a estrutura morfológica das esponjas é conveniente a diversos invertebrados marinhos sendo então aproveitadas através dos diversos tipos de interações pelos marinhos, sendo então aproveitadas através dos diversos tipos de interações, pelos mesmos.

Como retratado, os mais frequentes são os dos filos Mollusca, Echinodermata, Annelida e Crustacea, em diferentes ocorrências, mostrando que não há uma grande diversidade faunística associada a essas esponjas, porém, essas relações interespecíficas apesar de variarem quantitativamente de acordo com a pluviosidade, mantêm um padrão de distribuição.

Sugere-se que mais estudos sobre essas interações e suas relações com os diferentes períodos climáticos sejam realizados. Conseguinte, o desenvolvimento de um programa de conservação nesta região costeira de grande atrativo turístico, especialmente no verão, a fim de amenizar os impactos antrópicos sobre a biodiversidade.

5. REFERÊNCIAS

Moraes FC, Vilanova EP & Muricy G (2003), Distribuição das esponjas (Porífera) na Reserva Biológica do Atol das Rocas, Nordeste do Brasil. Arquivos do Museu Nacional 61(1): 13 22

61(1): 13-22.

Bezerra LEA & Coelho PA (2006). Crustáceos decápodos associados a esponjas no litoral do Estado do Ceará, Brasil. Revista Brasileira de Zoologia, 23(3): 699-702.

RIDLEY, O.S. & DENDY, A., Report on the Monaxonida collected by H.M.S. “Challenger” during the years 1873-1876. Reports of the scientific results of the voyage of the HMS Challenger, Londres, 20:1-275, 1887.

BOURY ESNAULT N C d l C l l d ôt tl ti d

BOURY-ESNAULT, N., Campagne de la Calypso au large des côtes atlantiques de l’Amérique du Sud (1961-1962). 29 - Spongiaires. Résultats Scientifiques dês Campagnes de la “Calypso”, Paris, 10:263-295, 1973.

HECHTEL, G.J., Zoogeography of Brazilian marine Demospongiae. In: Aspects of Sponge Biology. Nova Iorque: Academic Press. p.237-260, 1976.

HAJDU, E.; MURICY, G.; BERLINCK, R.G.S., & FREITAS, J.C., Marine poriferan diversity in Brazil: knowledgement to management In: Biodiversity in Brazil: a first approach São in Brazil: knowledgement to management. In: Biodiversity in Brazil: a first approach. São

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HAJDU, E.; BERLINCK, R.G.S. & FREITAS, J.C., Porifera. In: Biodiversidade do Estado de São Paulo: Síntese do Conhecimento ao Final do Século XX. Invertebrados Marinhos. São Paulo: Fapesp. v.3, p.20-30, 1999.

TABARELLI, M.; SILVA, J. M. C. (Orgs.). Diagnóstico da Biodiversidade de Pernambuco. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, Fundação Joaquim Nabuco v.2, 722p. editora Massangana, Recife. 2002

MURICY, G.; & HAJDU, E., Guia de identificação das esponjas marinhas do sudeste do Brasil, Museu Nacional, série Livros 17, 104 pags. Rio de Janeiro, 2006.

Hernández CE, Muñoz G & Rozbaczylo N (2001) Poliquetos asociados con

A t b l itt (M li 1782) (C t Ci i di ) P í l

Austromegabalanus psittacus (Molina, 1782) (Crustacea: Cirripedia) en Península Gualpén, Chile central: Biodiversidad y efecto del tamaño del sustrato biológico. Revista de Biología Marina y Oceanografia, 36(1): 99-108

34 - AVALIAÇÃO DO PAPEL DAS FORMIGAS NA DINÂMICA DOS VISITANTES FLORAIS DE UMA PLANTA EXÓTICA E DE GRANDE IMPORTÂNCIA MEDICINAL

Jéssica Luiza1, Marcela Woolley1, Marcelo Sobral Leite1, Oswaldo Cruz Neto1, Ariadna Valentina Lopes2

1Laboratório de Biologia Floral e Reprodutiva (POLINIZAR), Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, Recife, [email protected], 2Docente Pesquisador do Departamento de Botânica, UFPE.

RESUMO

Interações mutualísticas entre plantas e animais englobam uma grande quantidade de relações, dentre as quais se destacam a polinização e a mirmecofilia. O objetivo deste trabalho foi entender como a presença das formigas interferem na frequência dos visitantes florais de Ocimum basilicum. Para isso foi testado se inflorescências isoladas das formigasg recebem maior quantidade de visitas por abelhas e se essas visitas variam ao longo da antese floral. O estudo foi desenvolvido no jardim experimental do Centro de Ciências

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Biológicas da UFPE. Para análise do efeito das formigas sobre a frequência e comportamento dos visitantes florais de O. basilicum foram marcadas 84 inflorescências, das quais metade foi isolada das formigas e o restante mantido em condições naturais. Formigas apresentaram comportamento agonístico em relação aos visitantes florais de O. basilicum, sendo registrada menor frequência de abelhas nas inflorescências em que ocorriam formigas. A similaridade na redução do número de visitas ao longo da antese, independente da presença das formigas, indica que outros fatores, como disponibilidade polínica, devem atuar sobre o comportamento dos visitantes florais. A redução na frequência de visitas ocasionada pela presença das formigas pode interferir negativamente no fluxo polínico entre flores diferentes e consequentemente, no sucesso reprodutivo da planta.

Palavras-chave: Polinização, mirmecofilia, Ocimum basilicum.ç , ,

1. INTRODUÇÃO

Uma das formas mais conhecidas de interação mutualística entre planta e animais é a relação entre flores e seus polinizadores (Prance, 1990), em que as plantas fornecem principalmente néctar ou pólen e os polinizadores contribuem para o fluxo polínico entre principalmente néctar ou pólen, e os polinizadores contribuem para o fluxo polínico entre flores de um mesmo indivíduo ou de indivíduos diferentes (Faegri e Pijl, 1979; de Jong e Klinkhamer, 2005). A frequência de visitas à uma flor depende, além da associação de atributos morfológicos e fisiológicos entre flores e polinizadores (Faegri e Pijl, 1979; de Jong e Klinkhamer, 2005), da interação das plantas com outros organismos como as formigas (Leal et al., 2006).

Duas estratégias de associação formiga-planta podem ser distinguidas, a mirmecofitia e a mirmecofilia. Plantas mirmecófitas fornecem sítios para nidificação e são colonizadas permanentemente por formigas especializadas, enquanto as mirmecófilas fornecem alimento, por meio de nectários florais ou extraflorais, para uma comunidade oportunista

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contra herbívoros (e.g. Izzo e Vasconcelos, 2002) ou pilhadores de néctar (Leal et al., 2006). A mirmecofilia pode ainda estar restrita a um determinado estágio ontogenético das estruturas reprodutivas das plantas. Em Croton sarcopetalus, por exemplo, os nectários florais localizados na base do ovário permanecem ativos durante a formação dos frutos e assim atuam na atração de formigas, as quais passam a defender os frutos (Freitas e Galetto, 2001).

Por outro lado, interações mirmecofílicas nem sempre conferem benefícios à planta, como acontece em Roussea simplex (Rousseaceae), uma espécie rara cuja polinização e dispersão são realizadas por uma espécie de lagarto, Phelsuma cepediana (Hansen e Müller, 2009). As formigas Technomyrmex albipes patrulham intensamente as flores e frutos de R. simplex, e além de utilizarem o néctar floral e a polpa dos frutos, restringem o acesso à esses recursos por P. cepediana e reduzem o sucesso reprodutivo de R. simplexp p p p (Hansen e Müller, 2009).

Em espécies de Lamiaceae, como Ocimum gratissimum, o nectário floral pode permanecer ativo durante o desenvolvimento do fruto (Vianna, 2009) e assim pode representar uma fonte de recursos para formigas. De fato espécies de formigas forrageiam intensamente estruturas reprodutivas de espécies de Ocimum selloi (Campos forrageiam intensamente estruturas reprodutivas de espécies de Ocimum selloi (Campos et al., 2009) e podem assim exercer interferência no comportamento e frequência dos visitantes florais. O objetivo deste trabalho foi entender como o forrageamento de formigas interfere na frequência dos visitantes florais de Ocimum basilicum. A hipótese foi que formigas interferem negativamente na frequência e comportamento dos visitantes florais de O. basilicum. Foi testado por fim se inflorescências isoladas das formigas recebem maior quantidade de visitas (i) e se essas visitas variam ao longo da antese floral (ii).

2. MATERIAL E MÉTODOS

2.1 Área de estudo e espécie estudada

O estudo foi realizado no jardim experimental do Centro de Ciências Biológicas do Campus da Universidade Federal de Pernambuco, em Recife (08°03’22,57”S e

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34°56’51,98”O). O clima regional é tropical costeiro, quente e úmido, com temperatura médias superiores a 23°C. (Köppen, 1931). A espécie de manjericão, Ocimum basilicum, é um arbusto aromático exótico, de origem asiática, com cerca de 1m de altura, sendo amplamente cultivada para uso como condimento fino em culinária (Albuquerque e Almeida, 2002).

2.2 Coleta e análise dos dados

Foram marcadas 84 inflorescências para análise do efeito das formigas sobre a frequência e comportamento dos visitantes de O. basilicum. Metade dessas inflorescências foi isolada das formigas por meio da aplicação de tanglefoot na base do racemo, enquanto que o restante das inflorescências foi mantido em condições naturais. A marcação das inflorescências dos dois tratamentos foi feita em um mesmo ramo. Asç observações focais foram feitas entre 10:00 e 16:00 h para cada tratamento, totalizando 12 horas de observação. Cada inflorescência foi observada quanto ao número de flores abertas por dia e quanto à frequência e comportamento dos visitantes florais. As flores foram caracterizadas morfologicamente de acordo com protocolos usuais em biologia floral A frequência de visitas foi obtida pelo número de registros das espécies de abelhas floral. A frequência de visitas foi obtida pelo número de registros das espécies de abelhas em cada inflorescência acompanhada durante o período de observações. Espécimes-testemunho dos visitantes florais foram capturados com redes entomológicas, sacrificados em recipientes mortíferos, devidamente preparados e tombados na coleção entomológica do Laboratório de Biologia Floral e Reprodutiva da UFPE – Polinizar. Para a identificação dos efeitos do forrageamento das formigas sobre a frequência dos visitantes florais de O. basilicum foi utilizado o teste de Wilcoxon. Foi utilizado o teste de KruskalWallis, seguido do teste a posteriori de Dunn, para identificação dos horários com maior ou menor frequência de visitas. Todos os testes foram executados com auxílio do software Statistica 7.0 (StatSoft Inc, 2001).

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3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

As inflorescências de O. basilicum são racemosas, medem em média 63,6 ± 23,18mm e apresentam cerca de 3,51 ± 2,54 flores abertas por dia (Figura 1A). As flores de O. basilicum são diperiantadas, heteroclamídeas, hermafroditas e oligostêmones apresentando fusão de verticilos tanto no cálice quanto na corola (Figura 1B). O cálice mede, em média, cerca de 3,43mm de comprimento e 2,23mm de largura, é gamossépalo e apresenta coloração verde enquanto a corola tem em média comprimento de 4,70mm e largura de 3,23mm, é branca e gamopétala, ambos são pentâmeros e zigomorfos. O androceu é didínamo e dialistêmone. Os estames se apresentam livres e são excertos. As anteras apresentam inserção do tipo dorsifixa e deiscência longitudinal. O ovário é bicarpelar, o estilete é ginobásico sendo o estigma bífido. De acordo com os atributos florais, como antese diurna, odor adocicado, oferta de grãos de pólen ornamentados e, , , g p com grande quantidade de pollenkit, as flores de O. basilicum se enquadram na síndrome de polinização de melitofilia (sensu Faegri e Pijl, 1979).

De fato, abelhas foram os visitantes florais mais frequentes em O. basilicum. No total foram encontradas quatro espécies de abelha visitando as flores, além de duas espécies de formiga patrulhando permanentemente as inflorescências de O basilicum O período de formiga patrulhando permanentemente as inflorescências de O. basilicum. O período de maior frequência de visitas foi entre 12:30 e 14:00h, onde foi possível observar as quatro espécies de abelhas visitando as flores de O. basilicum (Figura 2). A espécie de abelha mais frequente, tanto em número de visitas, quanto de inflorescências visitadas, foi Trigona spinipes. As abelhas pousavam nas flores e raspavam as anteras com as pernas médias ou anteriores para coletar grãos de pólen (Figura 1C).

Formigas, Camponotus sp. e Crematogaster sp., também foram encontradas nas inflorescências de O. basilicum (Figura 1D) visitando frutos em formação ou até mesmo flores em busca de néctar, o qual é secretado por um nectário discóide localizado na base do ovário. O nectário floral de Ocimum gratissimum permanece ativo mesmo após a senescência da flor (Vianna, 2009), fato que também deve estar ocorrendo em O. basilicum, o que justificaria o patrulhamento intensivo das formigas aos frutos em

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Figura 1. Inflorescência (A) e vista lateral (B) das Figura 1. Inflorescência (A) e vista lateral (B) das

flores de Ocimum basilicum; Tigona spinipes e

Camponotus sp. visitando, respectivamente, uma flor

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formação. A atividade de um mesmo nectário em fases distintas do desenvolvimento das estruturas reprodutivas das plantas, como flores e frutos, representa uma adaptação que deve contribuir para o aumento do sucesso reprodutivo das plantas (Freitas et al., 2001), seja na polinização ou na dispersão das sementes.

Além de acessarem o néctar de frutos ou flores, as formigas apresentaram comportamento agonístico em relação aos visitantes florais de O. basilicum, sendo encontrada menor frequência de abelhas nas inflorescências em que ocorriam formigas (Z = 4,103; p < 0,001) (Figura 3). Foi encontrada uma redução similar na frequência de visitas nas inflorescências com ou sem formigas ao longo da antese (Figura 4), indicando que outros fatores como a disponibilidade polínica, devem atuar no padrão de forrageamento dos polinizadores de O. basilicum. A menor quantidade de visitas ao longo da antese pode ser resultado da diminuição do número de grãos pólen ofertados, o quep ç g p , q tornaria as flores menos atrativas para as abelhas. A redução na frequência de visitas ocasionada pela presença das formigas pode interferir negativamente no fluxo polínico entre flores diferentes e consequentemente, no sucesso reprodutivo da planta, como ocorre em Passiflora coccinea (Leal et al, 2006) e Roussea simplex (Hansen e Müller, 2009) e como deve ser o caso de O basilicum

2009), e como deve ser o caso de O. basilicum.

Figura 3. Frequência de visitas por abelhas ao longo da

antese em inflorescências de Ocimum basilicum com e sem formigas.

(22)

4 CONCLUSÃO

Figura 4. Frequência de visitas por abelhas em inflorescências de Ocimum basilicum com e sem formigas ao longo da antese. (Barras representadas com letras diferentes são valores significativamente distintos; P<0,05).

4. CONCLUSÃO

A ocorrência de interação mutualística em mais de um nível, como mirmecofilia e polinização zoófila, em uma mesma planta, pode acarretar no comprometimento de uma dessas interações. No caso de O. basilicum, a ocorrência de interação com formigas interfere negativamente na frequência dos visitantes florais. Por outro lado, interações mirmecofílicas geralmente conferem benefícios à planta, como a proteção de determinadas estruturas, que no caso de O. basilicum devem ser os frutos imaturos. Estudos futuros devem abordar como a polinização zoófila em associação com a mirmecofilia interferem, respectivamente, na formação e desenvolvimento dos frutos de O. basilicum.

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III Simpósio Nordestino de Ciências Biológicas

5. REFERÊNCIAS

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André Felipe de Araujo Lira¹, Adriano Medeiros de Souza ¹

1Departamento de Zoologia, Universidade Federal de Pernambuco, Recife - PE.

RESUMO

A mata Atlântica é um dos biomas com maior biodiversidade do planeta, além de apresentar um alto grau de endemismo. Por possuir tais características esse trabalho tem como objetivo fazer um levantamento da fauna de escorpiões e opiliões ocorrentes num fragmento de mata Atlântica localizado entre os municípios de Jaboatão dos Guararapes e fragmento de mata Atlântica, localizado entre os municípios de Jaboatão dos Guararapes e São Lourenço da Mata, Pernambuco. Os animais foram coletados através de coletas ativas noturnas realizadas durante o mês de Janeiro de 2010 onde foram coletados, 145 espécimes de escorpiões e opiliões. Com base nos dados, a biodiversidade dos dois grupos estudados não foge ao padrão esperado para a mata Atlântica nordestina.

P l h Bi di id d S i O ili

Palavras-chave: Biodiversidade; Scorpiones; Opiliones.

1. INTRODUÇÃO

A Mata Atlântica constitui uma das áreas com maior biodiversidade do mundo (GALINDO-LEAL; CÂMARA, 2005), sendo que grande parte de sua fauna e flora são endêmicos. Esta característica peculiar desse ecossistema fez com que o mesmo fosse incluído em uma das 25 prioridades mundiais para a conservação da biodiversidade mundial (PORTO; ALMEIDA-CORTEZ; TABARELLI, 2005). Mesmo assim, boa parte da fauna e flora da Mata Atlântica permanece desconhecida (SILVA; CASTELETI, 2005). Conhecer a biodiversidade de uma área é fundamental para se desenvolver um projeto de conservação

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Dentre os grupos de organismos que habitam a Mata Atlântica, os invertebrados sem dúvida são aqueles menos amostrados. Uma avaliação dos registros de opiliões Laniatores da Mata Atlântica (KURY, 2003) revelou a ocorrência de uma fauna exclusiva, com um alto grau de endemismo. Este bioma abriga a maior diversidade de opiliões do planeta, com mais de 600 espécies descritas, dentre as 900 registradas no Brasil. Esse alto grau de endemismo, associado a pouca tolerância à fragmentação de habitat e a preferência por viverem em ambiente restritos os tornam bons indicadores de ambientes bem conservados (BRAGAGNOLO et al., 2007).

Estudos sobre a distribuição e ecologia da fauna de escorpiões

em florestas urbanas são escassos (CRUCITTI et al., 1998; MCINTYRE, 1999, 2000; DIAS et al., 2006). O conhecimento desses animais em áreas urbanas no Brasil é quase que totalmente restrito aos aspectos epidemiológicos. A falta de amostragens da fauna de

q p p g g

escorpiões em áreas urbanas é um problema quando se lida com a distribuição geográfica ou estudos ecológicos, uma vez que existe uma deturpação em várias localidades. Lourenço (1986a, 1986b; 2002; 2004) contribuiu para o conhecimento e a distribuição geográfica de escorpiões Neotropicais, mas em seus trabalhos muitas localidades não são citadas simplesmente devido à falta de amostragem em ambientes urbanos Essa são citadas, simplesmente devido à falta de amostragem em ambientes urbanos. Essa falta de amostragem provoca uma subestimação da real ocorrência e distribuição da escorpiofauna Neotropical.

O presente estudo tem como objetivo fazer um levantamento faunístico de escorpiões e opiliões num fragmento de Mata Atlântica do Nordeste do Brasil, fornecendo mais uma localidade de ocorrência para algumas espécies.

2. MATERIAIS E MÉTODOS 2.1 Área de estudo

A Mata do Engenho Mamucaia é um remanescente de Mata Atlântica, situada entre os municípios de Jaboatão dos Guararapes e São Lourenço da Mata, no estado de Pernambuco (8° 02' 34" S, 35° 02' 22" O). A área possui cerca de 430 ha e inicialmente boa parte da vegetação foi desmatada para o monocultivo da cana-de- açúcar, sendo que

(26)

o cultivo na área cessou há cerca de 45 anos. A cobertura vegetal é constituída predominantemente por vegetação secundária em estágio avançado de regeneração, com algumas áreas de vegetação primária. A área tem um açude (Açude Mamucaia) a partir do qual nasce a Bacia do Rio Tejipió, que tem uma área total de 93,2 km2, dos quais, 4,2 km2 (4,5%) encontram-se no município de São Lourenço da Mata, 21,4km2 (23,0%) no município de Jaboatão dos Guararapes e 67,6km2 (72,5%) no município do Recife, constituindo terceira bacia mais importante da Região Metropolitana do Recife, depois das bacias dos rios Capibaribe e Jaboatão. Hoje a área está sob administração particular, cujo principal objetivo é a conservação da biodiversidade e da Mata Ciliar.

2.2 Coleta

Foram realizadas coletas ativas manuais noturnas durante 12 dias no mês de janeiro dej 2010, tendo cada coleta um esforço amostral de 2 horas. Sendo utilizados dois tipos diferentes de técnicas para os diferentes grupos abordados, para a captura de escorpiões foi necessário o uso de lanternas de mão com luz ultravioleta (UV) e para os opiliões, lanternas comuns de cabeça. Para a realização da coleta foi delimitado um transecto de 50m de comprimento Durante cada amostragem o coletor deslocava se até dois metros 50m de comprimento. Durante cada amostragem o coletor deslocava-se até dois metros para as laterais do transecto, averiguando todos os possíveis abrigos para os animais, como folhiço, troncos ou pedras. Após as coletas os indivíduos foram conservados em álcool 70% e determinados até o nível de espécie utilizando-se literatura disponível (HARA; DA-ROCHA, 2008; MENDES, 2005; DA-ROCHA, 1997; PINTO-DA-ROCHA ET AL., 2007 para Opiliones e LOURENÇO, 2002 para Scorpiones).

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Foram coletadas quatro espécies de escorpiões, três delas pertencentes ao gênero Tityus C. L. Koch, 1836 e a outra ao gênero Ananteris Thorell, 1981. Sendo elas, Tityus brazilae

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pertecentes a três gêneros diferentes; foram elas: Gaibulus schubarti Roewer, 1943 (n=6), Pickeliana pickeli Mello-Leitão 1932 (n=28), Pseudopucrolia discrepans (Roewer, 1943) (n=19), totalizando 53 espécimes coletados.

Três das quatro espécies de escorpiões coletados pertencem ao gênero Tityus Koch, 1836. É um gênero de escorpiões bastante numeroso, com cerca de 175 espécies e 6 sub-espécies descritas (DE SOUZA et al., 2009). Tityus pusillus é uma espécie bem distribuída pelo nordeste do Brasil (DIAS ET AL., 2006). De acordo com Lourenço (1982) essa espécie foi inicialmente considerada como restrita ao “Centro de Endemismo Pernambuco”. No entanto a sua distribuição foi ampliada para Sergipe, Bahia e Piauí (FET et al., 2000). De acordo com Albuquerque (2009) T. pusillus é capaz de causar acidentes escorpiônicos no estado de Pernambuco. Tityus stigmurus, é uma espécie descrita para o Nordeste do Brasil, sendo considerado o principal responsável pelosp , p p p p acidentes escorpiônicos nessa região (BRASIL, 2009). Embora em baixa densidade, já que foi coletado apenas um exemplar, a presença desse escorpião pode indicar um futuro problema epidemiológico, visto que nas proximidades da área de estudo existem habitações humanas e o mesmo pode se instalar em tais locais. Tityus brazilae de acordo com Brazil et al (2009) é considerado endêmico para o estado da Bahia embora com Brazil et al. (2009) é considerado endêmico para o estado da Bahia, embora Albuquerque et al. (2009) tenha citado esse animal como ocorrente em Pernambuco, não são fornecidos dados mais precisos. No presente trabalho apresentamos o primeiro registro consistente de ocorrência desta espécie no estado, estando o único espécime coletado depositado na coleção aracnológica da UFPE. Além das espécies citadas nesse trabalho, já foi registrada para a área a ocorrência de Tityus neglectus Mello–Leitão, 1932, sendo que este registro veio uma coleta aleatória. Possivelmente essa espécie não foi coletada devido a sua alta especificidade por habitat, sendo encontrada principalmente em bromélias (LOURENÇO; VON EICKSTEDT, 1988) ou ainda pela pouca amostragem realizada na área de estudo. O exemplar dessa espécie também se encontra depositado na Coleção Aracnológica da UFPE. O gênero Ananteris é exclusivamente neotropical, podendo ser encontrado em quase toda a América do Sul; no Brasil sua distribuição abrange a Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica (LOURENÇO, 2004). Ananteris

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mauryi Lourenço, 1982 inicialmente registrado para o “Centro de Endemismo Pernambuco” (sensu SILVA; TABARELLI, 2000); Lourenço (1986b) afirmou que esta espécie foi isolada durante um período de seca no refúgio de Mata Atlântica. Entretanto, segundo Dias (2006) a sua distribuição foi ampliada para o estado de Sergipe.

Quanto à opiliofauna, os indivíduos coletados pertenciam a duas famílias: Gonyleptidae e Stygnidae. A duas famílias pertencem à subordem Laniatores, a mais diversa dos Neotrópicos.

Gonyleptidae Sundevall, 1833, apresenta a maior diversidade de Opiliones da região Neotropical, tendo 16 subfamílias, 284 gêneros e 823 espécies descritas (KURY, 2003). Trata-se de uma famíla muito abundante na Mata Atlântica, sendo que de suas subfamílias Heteropachylinae Kury, 1994 é uma das subfamílias basais de Gonyleptidae e inclui pequenos opiliões cuja distribuição se concentra no domínio da Mata Atlânticap q p j ç nordestina. Recentemente a subfamília foi revisada, tendo sido determinado um total de 11 espécies, sendo destes três descrições de novas espécies (MENDES, 2005). Pseudopucrolia discrepans (Roewer, 1943) é uma espécie com distribuição restrita aos estados de Sergipe, Paraíba, Pernambuco e Ceará. Sua distribuição vai além do Centro de Endemismo Pernambuco estendendo se ao estado do Ceará

de Endemismo Pernambuco, estendendo-se ao estado do Ceará.

Stygnidae Simon, 1879 é uma família também com distribuição restrita aos Neotrópicos, com 85 espécies, com distribuição das Antilhas a América do Sul (HARA; PINTO-DA-ROCHA, 2008; PINTO-DA-ROCHA; CARVALHO, 2009). A maioria das espécies ocorre na Floresta Amazônica, com algumas espécies com ocorrência no Nordeste. Gaibulus schubarti Roewer, 1943, é uma espécie que faz parte de um gênero monotípico, que até o presente estudo tinha registro apenas para Gaibu, Pernambuco, que é a sua localidade tipo (PINTO-DA-ROCHA, 1997). Nada se conhece sobre qualquer dado ecológico da espécie. Pickeliana Mello-Leitão, 1932, é um dos gêneros menos diversos de Stygnidae, com apenas três espécies descritas. Esse gênero tem distribuição restrita ao Nordeste,

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III Simpósio Nordestino de Ciências Biológicas

no estado de Pernambuco, mas também com ocorrências nos estados de Alagoas, Sergipe e Paraíba. São animais de pequeno porte e pouco se conhece sobre aspectos de sua reprodução ou comportamento.

4. CONCLUSÃO

A área amostrada apresenta uma diversidade de espécies dentro do esperado para a Mata Atlântica nordestina, tanto para escorpiões quanto para opiliões. Na região Nordeste, numa forma geral a diversidade de escorpiões e opiliões são relativamente baixas, quando comparada a outros biomas, como a Floresta Amazônica. Entretanto, vale ressaltar que a escorpiofauna e a opiliofauna da área em questão pode ser maior que a registrada, visto que o esforço amostral pode não ter sido o suficiente para amostrar a área de estudo. Um indício disso seria o não registro de T. neglectus,

p g g ,

com ocorrência na localidade, mas que ainda não foi coletado no presente estudo. Assim faz-se necessária a realização de mais coletas, assim como a utilização de outras metodologias de coleta, a fim de se obter animais com hábitos e nichos ecológicos mais específicos.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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