Texto

(1)

Curso Completo Redação

Professor Raphael Torres

Parágrafo de Conclusão

Objetivos principais

Fragmento final da dissertação argumentativa, correspondendo ao último parágrafo, a Conclusão, em linhas gerais, consiste no fechamento de um ciclo de defesa de um posicionamento, processo iniciado com a Introdução. Parte que tende a causar certa angústia no redator, devido a uma sensação comum de já se ter dito tudo que poderia a respeito do tema proposto, trata-se de um trecho do texto com amplas possibilidades de atuação e, em bancas como a do ENEM, papel decisivo no atendimento aos objetivos pretendidos pela Banca.

Avisar o fim

Cumprir esse papel de encerramento textual passa por, em primeiro lugar, avisar ao leitor/avaliador que se aproxima o fim do que há a ser dito, o que pode ser perfeitamente alcançado a partir de um conector conclusivo (“portanto”, “por isso”, “enfim”, “então”, “assim” etc.), como já tivemos a oportunidade de estudar quando da aula de Mecanismos de Coesão (3ª Parte).

Dentro da intenção de buscar certo nível de originalidade para o texto, mesmo sem desrespeitar o que se espera em termos de regras ou estilo, o candidato, ao contrário do que muitos fazem nessa parte da Redação, poderia deslocar o conector conclusivo do início do parágrafo, colocando-o entre vírgulas em meio ao seu primeiro período. Trata-se de um diferencial que, subjetivamente, pode melhorar a percepção de um avaliador desgastado por tantos outros textos corrigidos no mesmo dia serem marcados por uma posição já desgastada para essa conjunção.

(2)

Retomada da Tese

Cabe à Conclusão confirmar o posicionamento que motivou todo o texto a surgir, principalmente sua defesa, feita por meio de argumentos. Entretanto, com a necessidade de a dissertação ter certo dinamismo, obtido principalmente pela continuidade de suas ideias, tende a causar uma impressão longe das melhores contar com as mesmas palavras com que se havia anunciado a opinião do autor no primeiro parágrafo. Dessa forma, parece bastante conveniente a substituição das palavras usadas na Introdução para expor a tese por outras que conservem seus significados originais. A dissertação fecha seu ciclo com vocabulário renovado a partir do uso de fenômenos semânticos já vistos em outras aulas, como Sinonímia, Hiperonímia e Hiponímia, como ferramentas eficazes para alcançar esse objetivo.

Ex.

(ENEM 2014)

O uso da imagem infantil como ferramenta publicitária tem violentado o respeito ao consumidor.

A frase acima, que carrega consigo a tese do candidato a respeito do tema proposto, no caso a publicidade infantil (ENEM 2014) poderia ser retomado na conclusão a partir da seguinte reescritura:

(ENEM 2014)

Propagandas com crianças e adolescentes vêm interagindo negativamente com públicos-alvo de seus produtos.

A expressão “ferramenta publicitária” encontra no hipônimo “propaganda” uma eficaz estratégia de retomada, assim como “infantil” pôde ser resgatado pela sinonímia em “crianças” e “tem violentado”, pela hiperonímia “interagindo negativamente”.

(3)

Intervenção

Aparece objetivamente como critério de correção de Redação ENEM: “Elaborar proposta de solução para o problema abordado”. Assim, é obrigatório propor nessa produção textual intervenções que necessariamente respeitem os direitos humanos, bem como busquem de forma concreta, possível, aceitável solucionar os transtornos em discussão. Deve-se tomar todo cuidado possível para que, mesmo involuntariamente, o projeto proposto pelo autor não se aproxime de uma realidade utópica, partindo de um plano de mundo perfeito, que conte com sentimentos individuais nobres ou sociedades justas, engajadas e igualitárias.

Para que haja maior eficácia no que se refere à entrega da proposta, favorece ao candidato atentar a principalmente três perguntas básicas, cujas respostas estão exemplificadas em destaque a cada tópico abaixo, em um mesmo parágrafo-exemplo:

c.1) O quê?

Qual a solução idealizada em si? De que se trata a ideia central proposta pelo candidato?

Ex.

(ENEM 2014)

É necessário que haja, por parte de órgãos de regulação da propaganda, como o CONAR, uma atuação constante no que diz respeito a possíveis

linguagens manipuladoras, acatando e investigando posicionamentos da

sociedade civil contrários a peças publicitárias abusivas. Outra medida pertinente seria uma atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente, acrescentando mecanismos que punam legalmente agências que corrompam princípios éticos e morais.

c.2) Quem?

De que pessoas, instituições ou segmentos sociais seria a responsabilidade pela execução da proposta exposta?

(4)

Ex. (ENEM 2014)

É necessário que haja, por parte de órgãos de regulação da propaganda, como o CONAR, uma atuação constante no que diz respeito a possíveis linguagens manipuladoras, acatando e investigando posicionamentos da sociedade civil contrários a peças publicitárias abusivas. Outra medida pertinente seria uma atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente, acrescentando mecanismos que punam legalmente agências que corrompam princípios éticos e morais.

Obs. A segunda proposta do parágrafo, a que diz respeito ao aperfeiçoamento de um código legal, não exigiria explicitamente o agente no texto, ficando subentendida a participação do Estado, principalmente do Poder Legislativo, atuando nas sugestões de modificações das leis originais. Além disso, cabe ressaltar uma tendência generalizada de se culpar somente o Estado por certos contextos sociais problemáticos, quando nem sempre aparece como o único responsável pelo transtorno. Dividir a atuação entre instituições públicas, sociedade civil, ONG’s e mesmo iniciativa privada pode aperfeiçoar a solução sugerida, criando uma cadeia colaborativa para que se resolva o cenário ruim focado pela Banca.

c.3) Como?

Que mecanismos, estratégias ou caminhos tornariam possível a execução do projeto proposto pelo candidato?

Ex.

(ENEM 2014)

É necessário que haja, por parte de órgãos de regulação da propaganda, como o CONAR, uma atuação constante no que diz respeito a possíveis linguagens manipuladoras, acatando e investigando posicionamentos da

sociedade civil contrários a peças publicitárias abusivas. Outra medida

pertinente seria uma atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente, acrescentando mecanismos que punam legalmente agências que

(5)

d) Direitos Humanos

Quando falamos a respeito da necessidade, imposta pelos critérios de correção da Banca, de que haja intervenção para um problema abordado pelo tema proposto pela prova, transcrevemos um trecho que compõe a regra para os avaliadores pontuarem os textos: “Elaborar proposta de solução para o problema abordado”. A definição da chamada Competência V apurada na produção da dissertação, entretanto, não termina nesse ponto, já que essa alternativa só deve ser construída “mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.”

Como, além de muitas vezes não se tratar de assunto amplamente discutido em sala de aula, devido a inúmeros fatores como falta de tempo em meio a uma carga horária já altamente desgastante ou mesmo indiferença à importância desse traço na composição das intervenções, vale recorrer a um importante documento, proclamado em 1948 pela Organização das Nações Unidas, chamado Declaração Universal dos Direitos Humanos, que prevê uma norma comum a servir de meta a todos os povos e nações e que motivou a criação de uma série de outros documentos, como, por exemplo, a Convenção sobre os Direitos da Criança (1989) e Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006). Por se tratar de um texto de certa forma complexo, segue uma sequência de tópicos em que estão resumidos os principais pontos abordados, que servem como pontos de partida para que quaisquer propostas de intervenção possam surgir já com uma base comprometida com a sociedade como um todo, como almeja a Banca em sua correção.

- Direito a liberdade e igualdade em dignidade e a direitos plena e legalmente reivindicáveis;

- Direito à vida, liberdade, segurança e privacidade;

- Proibição de constrangimento, escravidão e tortura;

- Direito a manutenção da condição de inocência até prova de culpa;

- Direito a julgamento independente e a exercício de defesa;

- Direito a asilo internacional em caso de perseguição arbitrária;

(6)

- Direito a casamento em equivalência de condições aos participantes;

- Direito a propriedade privada;

- Direito a ideologia, consciência e religião;

- Direito a composição de reunião e associações pacíficas;

- Direito a sufrágio igual e universal;

- Direito a segurança social;

- Garantia de transparência no uso dos recursos públicos;

- Direito a trabalho em condições dignas e a proteção ao desemprego;

- Direito a salário e sindicato;

- Direito a assistência materna e infantil;

- Direito a ensino elementar fundamental; e

- Direito a vivência cultural e participação científica.

e) Perspectivas Futuras

Caso não se trate da avaliação de Redação cobrada pelo ENEM, que exige do candidato proposta de solução para situação-problema, uma alternativa com que o candidato pode contar para tornar mais denso um parágrafo que tende a normalmente ser menor que os demais seria mencionar tendências de futuro para aquele cenário descrito pela proposta da prova, como a sociedade em geral provavelmente lidará com a discussão proposta em tempos ainda por vir a curto, médio ou mesmo longo prazo.

Ex. O Estado, portanto, tem falhado historicamente no consumo dos recursos arduamente pagos pelo cidadão comum. Assim, com a continuidade de poucos investimentos estatais em segmentos imprescindíveis como saúde pública, a tendência é a de gerações futuras ainda desassistidas em condições básicas e, dessa forma, de menos condições de se constituírem desde cedo indivíduos mais conscientes dos cuidados com sua própria manutenção física e ideológica.

A palavra “tendência” tira do candidato a responsabilidade de prever com precisão o desenrolar da discussão proposta pela prova, mas sem perder a

(7)

oportunidade de demonstrar como, na sua visão, as situações em foco podem prosseguir.

Professor Responsável pelo Conteúdo Raphael Torres

Graduado em Letras pela UFRJ, atua há 10 anos em turmas de Ensino Médio e de pré-vestibular civil e militar. Coautor do livro Gramática ESAF, também leciona em cursos preparatórios para concursos públicos do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Imagem

Referências

temas relacionados :