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Depois de uma alta de 7,70% em abril, o Ibovespa passou por uma realização no mês de maio em meio à volatilidade provocada pelas ações ligadas a commodities e o peso do noticiário político durante a transição do governo Dilma, afastada por impeachment. A primeira metade do mês girou em torno da expectativa da votação do processo no Senado, o que aconteceu no dia 12, com o vice-presidente Michel Temer assumindo o comando do país. O passo seguinte foi a formação da nova equipe econômica com a confirmação de Henrique Meirelles para tocar a área econômica, o que foi bem visto pelo mercado. Contudo, os grandes desafios impostos pela crise econômica e política estabelecida no Brasil seguem mantendo os grandes investidores afastados do mercado de ações. Isto pode ser observado na redução do volume médio negociado e principalmente o fluxo líquido de estrangeiros que abriu o mês positivo em quase R$ 3,0 bilhões reduzindo para R$ 1,4 bilhão negativos (até o dia 27/05).
O sentimento negativo em relação à economia brasileira no curto prazo somado ao comportamento também preocupante de outras economias internacionais deverá continuar influenciando o comportamento do mercado acionário este mês. Para junho, nossa opção foi manter uma carteira ainda conservadora acreditando que não existem motivações para uma retomada firme do caminho de alta para a Bolsa. Os indicadores macroeconômicos seguem preocupando, com destaque para a alta da taxa de desemprego nacional (11,2% em abril), aumento da inadimplência, queda da atividade econômica e inflação crescente no curto prazo, além de outros. Os fatos mais recentes a respeito da operação “Lava Jato” trazendo novas denúncias de políticos, da “Operação Zelotes” e o aumento da pressão sobre o governo interino de Michel Temer, deverá manter os investidores ainda na retaguarda no mês de junho.
O mercado trabalha ainda com a expectativa sobre uma possível alta da taxa de juros nos EUA no meio deste mês o que poderá provocar mais volatilidade no mercado que permanece aguardando as primeiras decisões da nova equipe econômica. No primeiro teste da equipe foi aprovado o novo teto do déficit fiscal para R$ 170,5 bilhões em 2016, mas as cobranças começarão a aparecer mais fortes de agora em diante. Além de este primeiro momento ser bastante sensível para o novo governo, o fato de já ter contabilizado o afastamento de dois ministros recém empossados, tornou-se um prato cheio para a nova oposição.
Rentabilidade Acumulada - Carteira Planner
Mês Carteira
Planner Ibov. Dif. (%)
Janeiro (5,73) (6,79) 1,06 Fevereiro 3,43 5,91 (2,48) Março 12,28 16,97 (4,69) Abril 4,06 7,70 (3,64) Maio (7,53) (10,09) 2,56 Junho - - -Julho - - -Agosto - - -Setembro - - -Outubro - - -Novembro - - -Dezembro - - -Acum. 2016 5,34 11,81 (6,47)
Fonte: Planner Corretora e Economatica
Desempenho Acumulado em 2016 70 80 90 100 110 120 130
jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov Carteira Planner Ibovespa
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Desempenho da Carteira em Maio
A Carteira Planner encerrou o mês de maio com queda de 7,53% com destaque negativo para Pão de Açúcar, Minerva e Copel que tiveram quedas acentuadas. Do lado positivo ficaram Klabin e Lojas Renner, num mês em que a grande maioria dos papéis perdeu valor, com uma sequência de fatos negativos na política e também com a divulgação de dados fracos de boa parte das empresas no 1T16. Pesou também sobre o índice o afastamento dos investidores estrangeiros, pressionando a ponta da venda.
%
Contribuição
mai/16 Ano Oscilação
Bradesco PN BBDC4 22,80 28,00 22,8 -11,90 30,65 7,91 10,0 (1,19) 130,9 271,7 BRF ON BRFS3 45,67 70,00 53,3 -7,17 -16,32 4,23 10,0 (0,72) 36,8 141,2 Copel PNB CPLE6 23,68 34,00 43,6 -16,35 1,75 0,28 10,0 (1,64) 5,3 18,0 Estácio ON ESTC3 10,86 15,70 44,6 -8,51 -19,60 0,35 10,0 (0,85) 3,3 62,1 Grendene ON GRND3 16,54 18,00 8,8 -1,10 1,98 0,00 10,0 (0,11) 5,0 3,9 Klabin UNIT KLBN11 18,15 23,00 26,7 4,80 -21,59 1,07 10,0 0,48 21,7 42,3
Lojas Renner ON LREN3 20,90 21,50 2,9 0,63 23,70 1,63 10,0 0,06 13,4 65,9
Minerva ON BEEF3 9,47 14,50 53,1 -10,41 -28,80 0,00 10,0 (1,04) 2,3 8,7
Pão de Açucar PN PCAR4 40,45 55,00 36,0 -20,08 -3,34 0,79 10,0 (2,01) 11,4 44,2
Weg ON WEGE3 14,39 15,64 8,7 -5,20 -2,84 1,02 10,0 (0,52) 23,2 28,4
Portfólio Planner 30,04 -7,53
Ibovespa IBOV 48.471 48.630 0,33 -10,09 11,81 17,3 100,0 (7,53) 5.896,2
IBRX IBRX 20.051 -9,41 10,58
IBRX50 IBRX50 8.152 -10,18 10,81
Fonte : Planner Corretora e Economatica
Valoriz. Potencial (%) Peso na Carteira Ibovespa Proposto Oscilação - %
Portfólio Sugerido: Maio/16
Empresa Tipo Valor de Mercado (R$ bi) Vol. Méd. Neg. / Dia (R$ milhões) Código Bovespa Cot. Fechto R$ / Ação Preço Justo R$ / Ação
Portfólio Sugerido para Junho
Para o mês de junho fizemos três alterações na nossa carteira, retirando Copel (CPLE6), Minerva (BEEF3) e Pão de Açúcar (PCAR4) que tiveram desempenho muito ruim no mês de maio. Entraram na carteira as ações de Ambev (AMBV3), Natura (NATU3) e SLC Agrícola (SLCE3). Acreditamos que estas ações apresentam melhores fundamentos e poderão contribuir para uma recuperação da carteira.
Ambev ON ABEV3 19,11 20,31 6,3 8,94 12,0 299,9 243,6 Bradesco PN BBDC4 22,80 26,36 15,6 7,91 12,0 130,9 271,7 BRF ON BRFS3 45,67 67,00 46,7 4,23 10,0 36,8 141,2 Estácio ON ESTC3 10,86 15,70 44,6 0,35 8,0 3,3 62,1 Grendene ON GRND3 16,54 18,00 8,8 0,00 8,0 5,0 3,9 Klabin UNIT KLBN11 18,15 23,00 26,7 1,07 10,0 21,7 42,3
Lojas Renner ON LREN3 20,90 21,50 2,9 1,63 10,0 13,4 65,9
Natura ON NATU3 22,52 24,00 6,6 0,45 8,0 9,7 32,2 SLC Agrícola ON SLCE3 14,96 22,90 53,1 0,00 10,0 1,5 5,7 Weg ON WEGE3 14,39 15,64 8,7 1,02 12,0 23,2 28,4 Portfólio Planner 21,40 Ibovespa IBOV 48.471 48.630 0,33 25,6 100,0 5.896,2 IBRX IBRX 20.051 IBRX50 IBRX50 8.152
Fonte : Planner Corretora e Economatica
Vol. Méd. Neg. / Dia (R$ milhões) Código Bovespa Cot. Fechto R$ / Ação Preço Justo R$ / Ação Valoriz. Potencial (%) Peso na Carteira Ibovespa Proposto
Portfólio Sugerido: Junho/16
Empresa Tipo
Valor de Mercado (R$ bi)
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1.
Ações mantidas na Carteira
Bradesco (BBDC4): No mês de maio, suas ações caíram mais que o Ibovespa refletindo não só o resultado do 1º trimestre, mas o indiciamento de três diretores do banco. Do ponto de vista operacional o momento para as instituições financeiras mudou. Basta ver os resultados do 1T16 e para o Bradesco não foi diferente. O banco registrou um lucro líquido ajustado de R$ 4,1 bilhões no 1T16, com queda de 3,8% em relação ao lucro do 1T15, principalmente explicado por maior volume de PDD no trimestre para R$ 5,4 bilhões, com forte incremento de 52% em relação ao 1T15 e +30% sobre o 4T15; aliado ao crescimento de 11% das despesas administrativas e de pessoal para R$ 7,87 bilhões, em base de 12 meses, acima da inflação no período. Nesse contexto, o Retorno sobre o patrimônio líquido médio ajustado (ROAE) caiu de 20,6% no 1T15 para 17,5% no 1T16.
O nível de atividade econômica permanece fraco, impactando o crescimento da carteira de crédito do banco e sua rentabilidade. A inadimplência deve continuar subindo, entre 0,1pp e 0,2pp por trimestre, este ano. Em contrapartida, destaque positivo para a diversificação de receitas do banco, notadamente de serviços e seguros, que vem contribuindo para mitigar os efeitos de uma atividade econômica mais fraca e da redução de resultado. Os spreads têm registrado aumento, aliado a melhora dos índices de capitalização.
Ontem (31/05) em um dos inquéritos da "Operação Zelotes", foram indiciados três integrantes da Direção do Banco, inclusive o seu Diretor-Presidente. Em comunicado o Bradesco informou que “jamais prometeu, ofereceu ou deu vantagem indevida a quaisquer pessoas, inclusive a funcionários públicos, para encaminhamento de assuntos fiscais ou de qualquer outra natureza”. Os papéis reagiram negativamente e caíram 5,0% no dia, contudo estamos mantendo suas ações em nossa carteira mensal.
BRF (BRFS3): Estamos mantendo suas ações entendendo que existe espaço para valorização, tendo com referência, os fundamentos da empresa, o bom perfil dos seus negócios, sua sólida posição financeira e liderança em alimentos processados no Brasil e na exportação de aves. A companhia tem feito diversas aquisições no exterior, em linha com o seu plano estratégico de acessar mercados locais, fortalecer suas marcas, via distribuição e expansão de seu portfólio de produtos.
Ao mesmo tempo a BRF tem compensado a queda de margem no mercado doméstico com o incremento nas exportações impulsionadas pela expansão dos negócios da companhia no mercado externo, influenciado positivamente pela valorização do dólar. A BRF reportou seu resultado trimestral com aumento de receita e de EBITDA, mas com queda de 91% do lucro para R$ 39 milhões, impactado negativamente por maior despesa financeira líquida. Destaque para sua baixa alavancagem financeira, que ao final de mar/16 era de 1,69x, com uma dívida líquida de R$ 10,1 bilhões.
Estácio Participações (ESTC3): Seguimos com a ação em nossa Carteira mesmo com as incertezas em relação ao setor. A abertura de novas vagas de Fies pelo Ministério da Educação (MEC) para o processo seletivo do meio do ano, deverá possibilitar um bom desempenho para a companhia. No 1T16 a Estácio apresentou 389,3 mil alunos de Graduação Presencial, sendo 128,6 mil destes, utilitários do Fies, representando 33,0%, ante 41,2% no 4T15.
Mesmo com o cenário desafiador, a Estácio conseguiu entregar bons resultados no 1T16, apresentando avanço de 9,8% na receita líquida, para R$ 792,9 milhões. O EBITDA Ajustado registrou alta de 9,1%, para R$ 213,4 milhões com margem de 26,9% e lucro líquido Ajustado foi de R$ 128,5 milhões, ante R$ 130,6 milhões no 1T15.
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Levando em consideração a média das projeções compiladas pela Bloomberg, o preço alvo de 12 meses para ESTC3 é de R$ 15,55/ação, equivale a um retorno potencial de 43,3%. O múltiplo Preço/Lucro para este ano é de 6,52x e para 2017, de 5,69x.
Grendene (GRND3): Seguimos com a Grendene na carteira considerando que, a despeito da crise na economia brasileira que afeta todos os setores, pesando também sobre o setor de calçados, a Grendene conseguiu aumentar seu lucro líquido do 1T16. Mesmo com redução do volume de vendas e de seu faturamento, a sua posição de liderança de mercado, e o percentual relevante de receita via exportações, ajudou a manter resultados consistentes no período. Destaque positivo para a sua confortável posição financeira que atingiu R$ 1,4 bilhão no final de março. Neste mês de maio divulgamos um relatório de início de cobertura para a ação GRND3 com preço justo de R$ 19,30, o que significa uma valorização potencial de 16,7%. Lembrando ainda que a empresa é uma boa pagadora de dividendos, com periodicidade trimestral.
Klabin (KLBN11): Mantivemos a ação em nossa Carteira Mensal, dada a continuidade de geração de caixa operacional, mesmo em meio a um cenário interno desafiador, somado ao início das operações da nova unidade de Ortigueira (PR) e aos recentes aumentos da demanda por celulose.
A Klabin, que é líder na América Latina na produção integrada de papéis para embalagens, tem apresentado geração operacional de caixa recorrente, que somado ao resultado financeiro positivo do 1T16, permitiu a companhia registrar lucro líquido de R$ 1,1 bilhão no período. No 1T16, a companhia apresentou EBITDA Ajustado de R$ 512 milhões e margem de 35%, a dívida líquida ficou em R$ 12,0 bilhões, o que perfaz uma relação Endividamento líquido/EBITDA (UDM) de 5,9x ante 6,3x no 4T15 e 4,2x no 1T15.
Levando em consideração a média das projeções compiladas pela Bloomberg, o preço alvo de 12 meses para KLBN11 é de R$ 22,07/ação, equivale a um retorno potencial de 21,6%. Os múltiplos de Preço/Lucro para 2016 e 2017, são 26,5x e de 26,6x, respectivamente.
Lojas Renner (LREN3): Mantivemos a Lojas Renner na carteira para junho mesmo com a desaceleração no ritmo de vendas no mês de março, com problemas provocados pela mudança de estação e aumento de despesas operacionais não recorrentes. Mesmo assim os resultados do 1T16 foram satisfatórios, a despeito da queda do resultado líquido. Acreditamos que sem a incidência dos fatores mencionados, a empresa poderá retomar o crescimento de seu resultado líquido. Acreditamos que a empresa reúne condições de recuperação dos resultados, pela qualidade de seus fundamentos e presença no mercado. Destacamos também como ponto positivo o fato de não ser alavancada. No mês de maio a ação teve um desempenho bem melhor que o mercado.
Weg (WEGE3): Mantivemos esta ação e elevamos sua participação na Carteira de 10% para 12%, porque acreditamos que a empresa continuará a apresentar bons resultados, mesmo na difícil conjuntura econômica atual.
Para manter seus lucros, a Weg conta com mais da metade de suas receitas com exportações e vendas das subsidiárias no exterior (59% no 1T16), além de uma grande diversificação de produtos e setores de atuação e um baixíssimo endividamento.
A Weg obteve um bom resultado no 1T16, com o lucro líquido atingindo R$282 milhões (R$0,17 por ação), valor 14,9% maior que no mesmo período do ano passado. A receita líquida no 1T16 cresceu 13,4%, comparado ao 1T15, devido principalmente ao aumento de 28,9% das exportações e do faturamento das unidades fora do Brasil. Os principais mercados da Weg no exterior são a América do Norte (41,6% das vendas consolidadas) e a Europa com 27,8% do total. No restante do ano, no segmento de energia da Weg deve continuar aumentando suas vendas no Brasil e na América Latina. Em motores, a empresa deve ter reduções nos volumes, mas aumentos de preços. Em tintas e vernizes, a Weg deve buscar outros mercados emergentes, para compensar a redução de vendas no mercado interno.
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As ações da Weg estão sendo negociadas com um indicador Preço/Lucro de 19,6x para 2016 e 16,6x em 2017, considerando as expectativas do mercado (Bloomberg). O Preço Justo médio é de R$15,80/ação, indicando um potencial de alta em 7%.
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Ações retiradas da Carteira
Copel (CPLE6): Suas ações registraram forte queda em maio penalizando a nossa carteira. Como pano de fundo, um lucro líquido de R$ 136 milhões no 1T16, com queda de 71% em relação aos R$ 470 milhões do 1T15, explicado pela queda de 27% na receita operacional líquida, que totalizou R$ 3,07 bilhões, reflexo da queda de 5,1% no fornecimento de energia elétrica para 6.896 GWh, e a redução de 4,3% na venda de energia para o mercado cativo da distribuidora. Some-se a queda no preço de energia no mercado de curto prazo e a menor geração da termelétrica Araucária, e o registro de R$ 121 milhões em provisões e reversões.
O EBITDA caiu 36,7% no trimestre para R$ 528 milhões. Desconsiderando os efeitos não recorrentes do período, o EBITDA ajustado seria de R$ 598 milhões no 1T16, 34,5% inferior ao registrado no 1T15. Nesse contexto, com a menor geração operacional de caixa o endividamento da companhia aumentou, sendo que ao final do 1T16 sua dívida líquida era de R$ 7,4 bilhões, correspondente a 3,3x seu EBITDA ante 2,8x em dez/15.
Outro fato que entrou no radar dos investidores foi a iminente definição do 4º Ciclo de Revisão Tarifária Periódica da Copel Distribuição, que prevê uma redução de 10,4% nas tarifas aplicadas aos consumidores, a ser homologada pela Aneel até 24 de junho de 2016. Reiteramos que o foco da companhia tem sido a expansão de sua área de geração, através de diversos projetos em andamento, e que devem sustentar seus resultados no longo prazo.
Minerva (BEEF3): Sua entrada na carteira mensal teve como fundamento o melhor resultado no 1º trimestre, em continuidade ao bom resultado do 4T15, um lucro líquido de R$ 46 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 587 milhões do 1T15, reflexo do melhor resultado operacional e pelo resultado financeiro impactado pelo comportamento favorável do câmbio. Estes aspectos compensaram a queda de volume entre os trimestres, tanto em abate (14,8% menor) quanto de volume de vendas, com queda de 5,4% para 132,6 mil toneladas.
Nesse cenário a Minerva reduziu seu índice de alavancagem de 4,1x no 4T15 para 2,9x ao final de março de 2016, favorecido pela maior geração operacional de caixa, junto com a entrada de R$ 750 milhões recebidos da Saudi Agricultural and Livestock Investment (Salic) no processo de aumento de capital. A tendência de desalavancagem permanece como reflexo do melhor resultado operacional ao longo do exercício.
Mas os papéis não refletiram esta melhora. Nem mesmo a abertura de um novo Programa de Recompra de Ações, para aquisição de até 9.988.017 ações ordinárias, correspondentes a até 10% das ações em circulação, segurou as cotações. Nesse contexto, e antevendo um câmbio não tão favorável aos resultados da companhia neste 2T16, resolvemos realizar a posição em busca de outro ativo com melhor perspectiva de valorização.
Pão de Açúcar (PCAR4): Retiramos a ação da carteira em razão da forte queda no mês de maio mesmo depois de o Grupo Pão de Açúcar ter mostrado um bom desempenho operacional no 1T16, mas que não refletiu nos resultados financeiros. A empresa registrou crescimento de 3,0% na receita líquida do período somando R$ 127,7 bilhões, mas o EBITDA e o resultado líquido foram negativos. Pesou sobre o resultado final principalmente o aumento das despesas financeiras líquidas além as despesas operacionais que tiveram aumento bem superior ao da receita obtida. Os dados mais recentes divulgados para o setor de supermercados tendo como fonte a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostram que as vendas dos supermercados brasileiros caíram 2,5% no mês de abril (em termos reais), na comparação com o mês de
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abril de 2015. Em relação ao mês de março deste ano, a queda real (tendo como referência o IPCA), foi de 5,87%. Se considerado o período acumulado de quatro meses, as vendas tiveram crescimento de 0,24% sobre igual período de 2015.
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Ações incluídas na Carteira
Ambev (ABEV3): Estamos incluindo a ação na carteira, com uma participação de 12%, por conta de sua conhecida resiliência em períodos de turbulência da Bolsa. Além disso, apesar das dificuldades da economia brasileira, a empresa continua mostrando bons resultados, devido à sua dominância no mercado nacional e ao excelente desempenho de suas unidades no exterior.
No 1T16, a Ambev apresentou queda no volume total vendido, mas mesmo assim conseguiu aumentar a receita e o EBITDA, comparado ao mesmo período de 2015. No entanto, o lucro líquido foi menor em função do aumento dos custos e despesas operacionais, conjugado com uma expressiva elevação do resultado financeiro negativo. O lucro líquido do trimestre de R$2,9 bilhões (R$0,18 por ação) foi 33,3% menor que no 1T15.
Apesar da recessão, existem pequenos sinais de retomada do setor de bebidas. A produção brasileira de cervejas em abril de 2016 cresceu 8,6% e a de refrigerantes 8,0% comparado ao mesmo mês de 2015, segundo os dados fornecidos pelo Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) da Receita Federal. Em relação a março/2016, a produção destas bebidas também aumentou, sendo 9,0% em cervejas 1,7% para os refrigerantes. Porém, no primeiro quadrimestre os volumes produzidos ainda mostram baixa de 3,5% para as cervejas e 4,1% em refrigerantes.
As ações da Ambev estão sendo negociadas com indicador Preço/Lucro de 20,6x para 2016 e 18,0x para 2017, considerando as projeções médias do mercado. O Preço Justo médio para ABEV3 é de R$20,31/ação, indicando um potencial de alta em 6%.
Natura (NATU3): Entramos com a Natura na carteira acreditando que a ação já refletiu o impacto negativo doa queda do mercado consumidor no Brasil, parcialmente compensada pelo aumento das exportações. No total a receita da empresa cresceu 2,9% no 1T16. O efeito negativo aconteceu sobre o EBITDA e lucro líquido, com aumento da carga tributária e impacto do câmbio. Parte do prejuízo apresentado se deu em função do efeito não caixa de R$ 61,9 milhões pela reavaliação da provisão para compra da parcela remanescente da Aesop. Desta forma, acreditamos que os próximos resultados voltem para uma normalidade, mesmo com o mercado ainda retraído para o consumo.
SLC Agrícola (SLCE3): Suas ações não acompanharam a evolução do Ibovespa este ano, por conta de uma expectativa de queda na produtividade da soja e a decisão de reduzir o ritmo de avanço em suas áreas mais novas de plantio, localizadas principalmente no “Matopiba” (confluência entre os Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), por eventos climáticos negativos. Ainda assim, a SLC está otimista com uma recuperação da produção no Nordeste do país.
Some-se o resultado do 1º trimestre, abaixo do esperado, um prejuízo líquido de R$ 2,7 milhões ante um lucro de R$ 33,2 milhões no 1T15, em grande devido à apropriação dos Ativos Biológicos na receita e principalmente no custo, aliado aos baixos preços do algodão faturado. O EBITDA ajustado caiu 2,9% para R$ 48,3 milhões com decréscimo de 3,9pp na margem EBITDA ajustada para 14,5%, dado que o maior volume de soja faturado e com melhores margens nesta cultura, compensaram a queda de margem na cultura do algodão.
No curto prazo, a tendência é positiva, notadamente para a soja. A demanda crescente, os problemas na oferta, sobretudo na Argentina, e o dólar favorável, sensibilizaram fortemente as cotações da commodity que estão sendo negociadas em patamar recorde.
Página | 7 Mario Roberto Mariante, CNPI*
[email protected] Luiz Francisco Caetano, CNPI
[email protected] Victor Luiz de Figueiredo Martins, CNPI [email protected] Ricardo Tadeu Martins, CNPI [email protected]
DISCLAIMER
EQUIPE
Parâmetros do Rating da Ação
Nossos parâmetros de rating levam em consideração o potencial de valorização da ação, do mercado, aqui refletido
pelo Índice Bovespa, e um prêmio, adotado neste caso como a taxa de juro real no Brasil, e se necessário ponderação
do analista. Dessa forma teremos:
Compra:
Quando a expectativa do analista para a valorização da ação for superior ao potencial de valorização do
Índice Bovespa, mais o prêmio.
Neutro:
Quando a expectativa do analista para a valorização da ação for em linha com o potencial de valorização do
Índice Bovespa, mais o prêmio.
Venda:
Quando a expectativa do analista para a valorização da ação for inferior ao potencial de valorização do Índice
Bovespa, mais o prêmio.
Este relatório foi preparado pela Planner Corretora e está sendo fornecido exclusivamente com o objetivo de informar. As informações, opiniões, estimativas e projeções referem-se à data presente e estão sujeitas à mudanças como resultado de alterações nas condições de mercado, sem aviso prévio. As informações utilizadas neste relatório foram obtidas das companhias analisadas e de fontes públicas, que acreditamos confiáveis e de boa fé. Contudo, não foram independentemente conferidas e nenhuma garantia, expressa ou implícita, é dada sobre sua exatidão. Nenhuma parte deste relatório pode ser copiada ou redistribuída sem prévio consentimento da Planner Corretora de Valores.
(*) Conforme o artigo 16, parágrafo único, da ICVM 483, declaro ser inteiramente responsável pelas informações e afirmações contidas neste relatório de análise.
Declaração do(s) analista(s) de valores mobiliários (de investimento), nos termos do art. 17 da ICVM 483
O(s) analista(s) de valores mobiliários (de investimento) envolvido(s) na elaboração deste relatório declara(m) que as recomendações contidas neste refletem exclusivamente sua(s) opinião(ões) pessoal(is) sobre a companhia e seus valores mobiliários e foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à Planner Corretora e demais empresas do Grupo.
Declaração do empregador do analista, nos termos do art. 18 da ICVM 483
A Planner Corretora e demais empresas do Grupo declaram que podem ser remuneradas por serviços prestados à(s) companhia(s) analisada(s) neste relatório.
Cristiano de Barros Caris [email protected] Ingrid Lima de Jesus