O COMPORTAMENTO ALIMENTAR
DOS JOVENS PORTUGUESES
Tema 5, Nº 1
Outubro 2001
Margarida Gaspar de Matos, Susana Fonseca Carvalhosa e Helena Fonseca
Equipa do Aventura Social e Saúde
Estudo realizado em co-financiamento pela Faculdade de Motricidade Humana, o Programa de Educação Para Todos – PEPT Saúde e o Gabinete de Prevenção da Toxicodependência da Câmara Municipal de Lisboa.
Resumo
Qual é o perfil dos adolescentes portugueses que fazem dieta e o perfil dos que estão satisfeitos com o seu corpo, de acordo com um estudo realizado pelo projecto Aventura Social e Saúde, Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Técnica de Lisboa? Realizámos um estudo junto de 6903 adolescentes do 6º, 8º e 10º anos de todo o país, utilizando um questionário. De acordo com os dados obtidos as raparigas e os jovens mais novos (11 anos) consomem mais frequentemente alimentos saudáveis e menos frequentemente alimentos pouco saudáveis.
Uma alimentação saudável (consumo de alimentos saudáveis e ausência de consumo de alimentos não saudáveis) aparece-nos relacionada com outros comportamentos de saúde como não fumar, não beber e não consumir drogas. Aparece ainda relacionada com um maior envolvimento com a escola, com a família e com os pares, e um envolvimento menos frequente em actos de violência. Pelo contrário uma alimentação menos saudável (consumo de alimentos não saudáveis e ausência de consumo de alimentos saudáveis) aparece ligado à existência de sintomas físicos e psicológicos e a um tempo prolongado diário em actividades sedentárias (4 horas ou mais por dia a ver televisão).
A vontade de alterar algo no seu corpo é um comportamento mais frequente nas raparigas e nos jovens mais velhos e aparece, inversamente, relacionado com indicadores de comportamentos ligados a um maior risco para a saúde (consumo de tabaco, álcool e drogas), a uma percepção de infelicidade pessoal, a um afastamento face à família, à escola e aos pares, a uma alimentação menos saudável e a um comportamento de dieta.
As raparigas referem estar mais frequentemente em dieta, ou se não estão, consideram mais frequentemente estar a precisar. Referem ainda mais frequentemente não estar satisfeitas com o seu corpo.
Os resultados sugerem que, no geral, o comportamento de estar em dieta ou a convicção de que seria preciso fazer uma dieta aparece relacionada com um menor consumo de álcool. Estes jovens referem mais frequentemente não se acharem felizes e sintomas de mal estar físico e psicológico. Referem também mais frequentemente o desejo de mudar algo no seu corpo, acharem-se gordos e considerarem ter má aparência.
Referem ainda uma maior frequência de hábitos televisivos.
O comportamento de dieta aparece ainda relacionado com uma distância face à família e aos colegas.
O comportamento de dieta está relacionado com uma ingestão inferior de alimentos pouco saudáveis, como aliás já acontece no álcool, mas esta dieta não aparece relacionada com um maior consumo de alimentos saudáveis.
Estes resultados remetem para a importância das relações interpessoais no comportamento de dieta ou na percepção de uma má aparência e ainda na motivação para mudar algo no corpo, situações estas que nos aparecem aqui como relacionadas com um mal estar pessoal e social.
Referências
Currie, C., Hurrelmann, K., Settertobulte, W., Smith, R., & Todd, J. (Eds.). (2000). Health and health behaviour among young people. HEPCA series: World Health Organization.
Matos, M., Simões, C., Carvalhosa, S., Reis, C., & Canha, L. (2000). A saúde dos adolescentes portugueses. Faculdade de Motricidade Humana /PEPT-Saúde.
2 O COMPORTAMENTO ALIMENTAR DOS JOVENS PORTUGUESES 15,4% 32,8% 33,2% 18,6% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35%
11 anos 13 anos 15 anos 16 anos ou mais Sexo Feminino 53% Sexo Masculino 47%
Introdução
Este estudo do comportamento dos jovens em
idade escolar visa compreender os estilos de vida
dos jovens e os seus hábitos de vida ligados à saúde
ou ao risco.
Este estudo tem a ver com as ciências do
comportamento e as relações sociais, mais do que
com a epidemiologia clássica. Chamou-se a este
enquadramento teórico “perspectiva da
socialização“ na qual é sistematicamente explorada
a influência de várias “cenários sociais” (família,
escola, amigos) na saúde e nos comportamentos
de saúde dos jovens.
O Health Behaviour in School-aged
Children (HBSC)
É um estudo colaborativo da Organização Mundial
de Saúde realizado de 4 em 4 anos por uma rede
europeia de profissionais ligados à Saúde e à
Educação. Portugal através da equipa do projecto
Aventura Social e Saúde /Faculdade de
Motricidade Humana é membro desde 1994.
O Questionário
O questionário "Comportamento e Saúde em
Jovens em Idade Escolar" utilizado neste estudo
foi o adoptado no estudo europeu HBSC em 1998
(Currie, Hurrelmann, Settertobulte, Smith e Todd,
2000; Matos, Simões, Carvalhosa, Reis e Canha,
2000). Foram incluídas as questões demográficas e
um conjunto de questões relacionadas com
expectativas para o futuro, história de consumos
(consumo de álcool, tabaco e drogas), prática de
exercício físico e tempos livres, hábitos
alimentares e de higiene, bem estar e apoio
familiar, ambiente na escola (amigos, professores
e violência), imagem pessoal, queixas de
sintomas psicológicos e somáticos e crenças e
atitudes face ao VIH /SIDA.
Os Jovens Portugueses
A opinião dos jovens foi recolhida em 191 escolas
nacionais, de ensino regular, num total de 6903
alunos. As escolas foram sorteadas de uma lista
nacional.
Foram seleccionados alunos dos 6º, 8º e 10º anos
de escolaridade. A cada um destes anos
corresponde uma idade média de 11, 13 e 16
anos.
Gráfico 1 – Média da distribuição dos sujeitos
por idade
Um pouco mais de metade dos jovens (53%) são
do sexo feminino.
Gráfico 2 - Distribuição dos sujeitos por sexo
É uma amostra representativa da população
portuguesa escolar dessas idades.
O COMPORTAMENTO ALIMENTAR DOS JOVENS PORTUGUESES 3
O TIPO DE ALIMENTAÇÃO
DOS JOVENS
• Tipo de alimentação:
Neste estudo considera-se alimentação saudável se os jovens consomem diariamente todos os seguintes alimentos do grupo “saudável”: fruta, vegetais e leite, e por outro lado não consomem alimentos do grupo “pouco saudável”. Considera-se alimentação pouco saudável se os jovens consomem, pelo menos diariamente, um dos seguintes alimentos do grupo “pouco saudável”: batatas fritas, hamburgueres, cachorros quentes ou salsichas e colas ou outros refrigerantes, e se por outro lado não consomem diariamente os alimentos considerados do grupo “saudável”.
Alimentação
Saudável
(n=1997) (n=3382) Mista Pouco saudável (n=1499) 29.0% 49.2% 31.8% Da totalidade dos jovens inquiridos, 29.0% afirma ter uma alimentação saudável e 31.8% refere ter uma alimentação pouco saudável.
• Sexo:
Alimentação (n=6878)
Saudável Mista Pouco saudável
M
37.3% 62.7% F 49.1% M 50.9% F 55.0% M 45.0% F
As raparigas afirmam mais frequentemente consumir alimentos saudáveis do que os rapazes.1
• Idade:
Alimentação Saudável(n=1974) 11 13 15 16 ou + 17.5% 33.0% 31.8% 17.7% Alimentação Mista(n=3340) 11 13 15 16 ou + 15.0% 33.2% 33.3% 18.5% Alimentação Pouco saudável (n=1476) 11 13 15 16 ou + 13.6% 31.6% 34.7% 20.1%Os jovens que têm 11 anos, afirmam mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.2
• Tabaco e álcool:
Os jovens que não fumam, afirmam mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.3
Os jovens que não bebem álcool (todas as semanas ou todos os dias), afirmam mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.4
1 (χ² = 119.46, g. l. = 2, p<.001) 2 (χ² = 14.94, g. l. = 6, p<.05) 3 (χ² = 47.87, g. l. = 2, p<.001, n = 6787)
Os jovens que não se embriagaram (duas vezes ou mais), afirmam mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.5
Alimentação
Saudável Mista Pouco
saudável Sim 5.4% 8.1% 11.9% Fumar 1x ou + / semana Não 94.6% 91.9% 88.1% Sim 4.9% 9.5% 12.1% Álcool todas as
semanas /dias Não 95.1% 90.5% 87.9% Sim 6.1% 11.5% 16.4%
Embriaguez
Não 93.9% 88.5% 83.6%
• Drogas:
Alimentação
Saudável Mista Pouco
saudável Sim 3.3% 5.1% 8.0% Experimentar drogas Não 96.7% 94.9% 92.0% Sim 1.4% 2.8% 3.1% Consumir no último mês Não 98.6% 97.2% 96.9% Os jovens que nunca experimentaram drogas, referem mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.6
Os jovens que não consumiram drogas no último mês, referem mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.7
• Provocações na escola:
Alimentação
Saudável Mista Pouco
saudável Sim 8.0% 12.4% 17.0% Provocador Não 92.0% 87.6% 83.0% Sim 17.2% 20.3% 20.5% Vítima Não 82.8% 79.7% 79.5% Os jovens que não se envolvem em comportamentos de violência na escola, tanto como provocadores8, como como
vítimas 9 afirmam mais frequentemente consumir alimentos
saudáveis.
• Envolvimento em lutas:
Alimentação
Saudável Mista Pouco
saudável
Sim 26.1% 35.0% 41.3%
Lutas
Não 73.9% 65.0% 58.7%
Os jovens que não se envolveram em lutas, afirmam mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.10
4 (χ² = 54.51, g. l. = 2, p<.001, n = 6125) 5 (χ² = 94.19, g. l. = 2, p<.001, n = 6856) 6 (χ² = 35.81, g. l. = 2, p<.001, n = 6526) 7 (χ² = 13.39, g. l. = 2, p≤.01, n = 6294) 8 (χ² = 65.27, g. l. = 2, p<.001, n = 6811) 9 (χ² = 8.61, g. l. = 2, p<.05, n = 6817) 10 (χ² = 92.29, g. l. = 2, p<.001, n = 6878)
4 O COMPORTAMENTO ALIMENTAR DOS JOVENS PORTUGUESES
• Sentirem-se felizes:
Alimentação
Saudável Mista Pouco
saudável
Sim 88.5% 86.5% 83.7%
Felicidade
Não 11.5% 13.5% 16.3% Os jovens que se sentem felizes, afirmam mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.11
• Tempos livres:
Alimentação
Saudável Mista Pouco
saudável
Menos de ½h 12.3% 9.5% 9.2%
½ a 3h 69.1% 60.8% 52.2%
Ver TV
4h ou mais 18.6% 29.7% 38.6%
Os jovens que vêem TV quatro horas ou mais por dia, referem mais frequentemente consumir alimentos mistos e alimentos pouco saudáveis.12
• Vida Escolar:
Alimentação
Saudável Mista Pouco
saudável Sim 91.1% 87.8% 79.3% Gosta da escola Não 8.9% 12.2% 20.7% Sim 50.7% 60.6% 68.8% É aborrecido ir à escola Não 49.3% 39.4% 31.2% Muito bom 8.9% 5.1% 4.7% Bom 37.5% 29.3% 23.4% Médio 50.8% 61.3% 64.8% Realização académica Inferior à média 2.8% 4.2% 7.2%
Os jovens que gostam da escola, afirmam mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.13
Os jovens que acham que ir à escola é aborrecido, afirmam mais frequentemente consumir alimentos pouco saudáveis.14
Os jovens que acham que os seus professores os consideram como tendo capacidades muito boas ou boas, afirmam mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.15
• Comunicação com os pais:
Os jovens que consideram fácil falar com a mãe sobre o que os preocupa, afirmam mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.16
11 (χ² = 16.99, g. l. = 2, p<.001, n = 6852) 12 (χ² = 175.68, g. l. = 4, p<.001, n = 6856) 13 (χ² = 106.90, g. l. = 2, p<.001, n = 6801) 14 (χ² = 118.98, g. l. = 2, p<.001, n = 6838) 15 (χ² = 164.28, g. l. = 6, p<.001, n = 6800) 16 (χ² = 46.55, g. l. = 4, p<.001, n = 6730) . Alimentação
Saudável Mista Pouco
saudável Fácil 83.1% 78.4% 73.6% Difícil 15.8% 19.8% 24.5% Falar Não tenho/vejo 1.1% 1.8% 1.9% Fácil 60.3% 56.0% 51.6% Difícil 34.3% 38.1% 42.5% Falar com
pai Não tenho/vejo 5.4% 5.9% 6.0%
Os jovens que consideram fácil falar com o pai sobre o que os preocupa, afirmam mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.17
• Tipo de família:
Alimentação
Saudável Mistos Pouco
saudável
Família nuclear 92.0% 90.0% 88.0%
Família monoparental 5.4% 5.9% 6.7%
Família recomposta 2.6% 4.1% 5.4% Os jovens que vivem com ambos os pais, referem mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.18
• Relação com os amigos:
Os jovens que acham que os seus colegas de turma são simpáticos e prestáveis, afirmam mais frequentemente consumir alimentos saudáveis.19
Os jovens que ficam com os amigos após as aulas (dois ou mais dias por semana), afirmam mais frequentemente consumir alimentos pouco saudáveis ou mistos.20
Alimentação
Saudá-vel Mistos saudável Pouco
Sim 89.1% 87.0% 85.5% Colegas simpáticos e prestáveis Não 7.5% 9.3% 10.1% 2 ou + dias 65.5% 71.4% 74.0% 1x ou menos 33.6% 28.1% 25.3%
Ficar com amigos após aulas, por
semana Não tenho 0.9% 0.5% 0.7%
OS JOVENS E O
GOSTAR DO SEU CORPO
• Alterar o corpo:
Alterar o corpo
Sim (n=2937) Não (n=3902)
42.9% 57.1% Cerca de 2937 (42.9%) dos jovens inquiridos gostariam de
alterar alguma coisa no seu corpo.
17 (χ² = 26.89, g. l. = 4, p<.001, n = 6693) 18 (χ² = 19.48, g. l. = 4, p≤.001, n = 6413) 19 (χ² = 10.97, g. l. = 4, p<.05, n = 6761) 20 (χ² = 35.87, g. l. = 4, p<.001, n = 6823)
O COMPORTAMENTO ALIMENTAR DOS JOVENS PORTUGUESES 5
• Sexo:
Alterar o corpo (n=6839) Sim Não M 34.0% 66.0% F 56.6% M 43.4% F As raparigas afirmam mais frequentemente que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo do que os rapazes.21• Idade:
Alterar o corpo (n=2904)
Sim
11 13 15 16 ou +
11.5% 30.4% 36.5% 21.6% Os jovens que têm 15 anos ou mais, mais frequentemente referem que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.22
• Tabaco e álcool:
Alterar o corpo Sim Não Sim 10.2% 6.6% Fumar 1x ou + / semana Não 89.8% 93.4% Sim 12.9% 9.6% Embriaguez Não 87.1% 90.4%Os jovens que fumam, afirmam mais frequentemente que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.23
Os jovens que se embriagaram (duas vezes ou mais), afirmam mais frequentemente que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.24
• Drogas:
Alterar o corpo Sim Não Sim 5.8% 4.7% Experimentar drogas Não 94.2% 95.3% Sim 3.2% 1.9% Consumir no último mês Não 96.8% 98.1%Os jovens que já experimentaram alguma droga, referem mais frequentemente que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.25
Os jovens que consumiram drogas no último mês, referem mais frequentemente que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.26
• Sentirem-se felizes:
Alterar o corpo Sim Não Sim 79.9% 91.4% Felicidade Não 20.1% 8.6%21 (χ² = 341.78, g. l. = 1, p<.001) 22 (χ² = 99.87, g. l. = 3, p<.001) 23 (χ² = 29.62, g. l. = 1, p<.001, n = 6749) 24 (χ² = 18.53, g. l. = 1, p<.001, n = 6818) 25 (χ² = 4.04, g. l. = 1, p<.05, n = 6500) 26 (χ² = 9.92, g. l. = 1, p<.01, n = 6270)
Os jovens que não se sentem felizes, afirmam mais frequentemente que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.27
• Tempos livres:
Alterar o corpo Sim Não Menos de ½h 9.4% 10.9% ½ a 3h 60.1% 62.2% Ver TV 4h ou mais 30.5% 26.9% Os jovens que vêem TV quatro horas ou mais por dia, referem mais frequentemente que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.28• Imagem do corpo:
Alterar o corpo
Sim Não
Sim 12.3% 3.5%%
Não, mas preciso 33.9% 13.8%
Estar em dieta Não 53.8% 82.7% Magro 19.7% 14.0% Ideal 22.0% 54.6% Gordo 51.6% 17.7% Corpo é ou está
Não penso nisso 6.7% 13.7%
Boa 23.7% 36.2%
Média 60.2% 51.8%
Má 9.7% 2.4%
Aparência
Não penso nisso 6.4% 9.6%
Os jovens que estão a fazer dieta ou os que não estão mas acham que precisam, afirmam mais frequentemente que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.29
Os jovens que consideram que o seu corpo é magro ou gordo, afirmam mais frequentemente que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.30
Os jovens que consideram a sua aparência média ou má, afirmam mais frequentemente que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.31
• Alimentação:
Os jovens que não consomem alimentos do tipo não saudável (batatas fritas, hamburgueres, cachorros quentes ou salsichas colas ou outros refrigerantes, pelo menos um deles uma vez por dia), referem mais frequentemente que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.32
Alterar o corpo Sim Não Sim 54.7% 57.3% Alimentos pouco saudáveis Não 45.3% 42.7%
27 (χ² = 191.26, g. l. = 1, p<.001, n = 6819) 28 (χ² = 12.64, g. l. = 2, p<.05, n = 6825) 29 (χ² = 675.36, g. l. = 2, p<.001, n = 6808) 30 (χ² = 1136.32, g. l. = 3, p<.001, n = 6813) 31 (χ² = 290.43, g. l. = 3, p<.001, n = 6821) 32 (χ² = 4.53, g. l. = 1, p<.05, n = 6820)
6 O COMPORTAMENTO ALIMENTAR DOS JOVENS PORTUGUESES
• Comunicação com os pais:
Alterar o corpo Sim Não Fácil 73.7% 82.6% Difícil 24.6% 16.0% Falar com mãe
Não tenho /vejo 1.8% 1.5%
Fácil 45.3% 64.7%
Difícil 47.8% 30.4%
Falar com pai
Não tenho /vejo 6.9% 5.0% Os jovens que consideram difícil falar com a mãe sobre o que os preocupa, afirmam mais frequentemente que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.33
Os jovens que consideram difícil falar com o pai sobre o que os preocupa e os que não têm pai ou não o vêem, afirmam mais frequentemente que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.34
• Relação com os amigos:
Alterar o corpo Sim Não Sim 81.2% 87.9% Não sei 11.3% 8.1% Colegas aceitam-me como sou Não 7.5% 3.9% Não 69.4% 78.5% Às vezes 27.3% 19.7% Colegas não fizeram companhia 1x semana ou mais 3.3% 1.8%
Os jovens que consideram que os seus colegas não os aceitam como são, mais frequentemente referem que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.35
Os jovens que já ficaram sozinhos na escola por os seus colegas não lhe quererem fazer companhia, mais frequentemente referem que gostariam de alterar alguma coisa no seu corpo.36
OS JOVENS E AS DIETAS
• Dieta:
Dieta
Não
(n=4827) Não, mas preciso (n=1535) (n=500) Sim
70.3% 22.4% 7.3% Da totalidade dos jovens inquiridos, 70.3% afirma não estar a fazer dieta porque o seu peso está bom, 22.4% refere não estar a fazer dieta mas considera precisar de perder peso e 7.3% está a fazer dieta.
• Sexo:
As raparigas afirmam mais frequentemente estar a fazer dieta ou se não estão, referem achar que precisam de perder peso.37
33 (χ² = 78.83, g. l. = 2, p<.001, n = 6695) 34 (χ² = 250.20, g. l. = 2, p<.001, n = 6658) 35 (χ² = 64.59, g. l. = 2, p<.001, n = 6726) 36 (χ² = 76.30, g. l. = 2, p<.001, n = 6789) 37 (χ² = 296.94, g. l. = 2, p<.001) Dieta (n=6862)
Não Não, mas preciso Sim
M
53.6% 46.4% F 33.0% M 67.0% F 25.8% M 74.2% F
• Álcool:
Dieta
Não Não, mas
preciso Sim
Sim 9.2% 7.1% 9.3%
Álcool todas as
semanas /dias Não 90.8% 92.9% 90.7%
Os jovens que bebem álcool (todas as semanas ou todos os dias), afirmam mais frequentemente não estar a fazer dieta.38
• Sentirem-se felizes:
Dieta
Não Não, mas preciso Sim
Sim 88.9% 83.4% 72.8%
Felici-dade Não 11.1% 16.6% 27.2%
Os jovens que se sentem felizes, afirmam mais frequentemente não estar a fazer dieta.39
• Sintomas físicos e psicológicos:
Dieta
Não Não, mas
preciso Sim
Sim 86.2% 91.7% 96.2%
Sintomas físicos
e psicológicos Não 13.8% 8.3% 3.8% Os jovens que apresentam sintomas físicos e psicológicos, afirmam mais frequentemente estar a fazer dieta.40
• Imagem do corpo:
Dieta
Não Não, mas
preciso Sim Sim 32.9% 64.8% 72.6% Mudar algo no corpo Não 67.1% 35.2% 27.4% Magro 22.5% 1.8% 2.0% Ideal 53.9% 9.0% 10.5% Gordo 10.1% 85.0% 83.7% Corpo é ou está Não penso nisso 13.5% 4.2% 3.8% Boa 34.1% 22.6% 24.7% Média 53.3% 61.0% 58.1% Má 3.8% 9.2% 11.3% Aparência Não penso nisso 8.8% 7.2% 5.8%
Os jovens que gostariam de mudar algo no corpo, afirmam mais frequentemente estar a fazer dieta ou se não estão, referem achar que precisam de perder peso.41
Os jovens que consideram o seu corpo gordo, afirmam mais frequentemente estar a fazer dieta ou se não estão, referem achar que precisam de perder peso.42
38 (χ² = 6.25, g. l. = 2, p<.05, n = 6107) 39 (χ² = 116.01, g. l. = 2, p<.001, n = 6843) 40 (χ² = 23.96, g. l. = 1, p<.001, n = 6550) 41 (χ² = 675.36, g. l. = 2, p<.001, n = 6808) 42 (χ² = 3639.68, g. l. = 6, p<.001, n = 6822)
O COMPORTAMENTO ALIMENTAR DOS JOVENS PORTUGUESES 7
Os jovens que consideram a sua aparência má, afirmam mais frequentemente estar a fazer dieta ou se não estão, referem achar que precisam de perder peso.43
•
•
• Alimentação:
Dieta
Não Não, mas
preciso Sim Sim 64.9% 57.8% 66.5% Alimentos saudáveis Não 35.1% 42.2% 33.5% Sim 58.1% 52.9% 46.9% Alimentos pouco saudáveis Não 41.9% 47.1% 53.1%
Os jovens que não consomem alimentos do grupo saudável (fruta, vegetais ou leite, todos estes pelo menos uma vez por dia), referem mais frequentemente não estar a fazer dieta mas consideram precisar de perder peso44, enquanto
que os que consomem alimentos saudáveis referem mais frequentemente não estar em dieta.
Os jovens que consomem alimentos do grupo pouco saudável (batatas frita, hamburgueres, cachorros quentes ou salsichas e colas ou outros refrigerantes, pelo menos um deles uma vez por dia), referem mais frequentemente não estar a fazer dieta.45
• Comunicação com os pais:
Dieta
Não Não, mas
preciso Sim
Fácil 79.9% 76.9% 73.3%
Difícil 18.5% 21.9% 24.1%
Falar com
mãe Não tenho /vejo 1.6% 1.3% 2.7%
Fácil 59.9% 48.8% 45.0%
Difícil 34.6% 44.6% 49.7%
Falar com
pai Não tenho /vejo 5.5% 6.6% 5.3%
Os jovens que consideram difícil falar com a mãe sobre o que os preocupa, afirmam mais frequentemente estar a fazer dieta ou se não estão referem achar que precisam de perder peso.46
Os jovens que consideram difícil falar com o pai sobre o que os preocupa, afirmam mais frequentemente estar a fazer dieta ou se não estão referem achar que precisam de perder peso.47
• Relação com os amigos:
Os jovens que consideram que os seus colegas não os aceitam como são, mais frequentemente afirmam estar a fazer dieta ou se não estão referem achar que precisam de perder peso.48
Os jovens que consideram que já ficaram sozinhos na escola por os seus colegas não lhe quererem fazer companhia, afirmam mais frequentemente estar a fazer dieta.49
43 (χ² = 171.81, g. l. = 6, p<.001, n = 6830) 44 (χ² = 27.51, g. l. = 2, p<.001, n = 6844) 45 (χ² = 31.31, g. l. = 2, p<.001, n = 6844) 46 (χ² = 19.40, g. l. = 4, p≤.001, n = 6713) 47 (χ² = 88.24, g. l. = 4, p<.001, n = 6675) 48 (χ² = 44.60, g. l. = 4, p<.001, n = 6735) 49 (χ² = 20.85, g. l. = 4, p<.001, n = 6802) Dieta
Não Não, mas
preciso Sim Sim 86.7% 81.3% 80.4% Não sei 8.6% 12.2% 9.9% Colegas aceitam-Não 4.7% 6.5% 9.7% Não 75.8% 72.5% 67.6% Às vezes 22.0% 24.8% 28.5% Colegas não 1x semana ou mais 2.2% 2.7% 3.8%
Conclusões
De acordo com os resultados de um estudo realizado junto de 6903 adolescentes do 6º, 8º e 10º anos de todo o país, utilizando um questionário, as raparigas e os jovens mais novos (11 anos) consomem mais frequentemente alimentos saudáveis e menos frequentemente alimentos pouco saudáveis. Uma alimentação saudável (consumo de alimentos saudáveis e ausência de consumo de alimentos não saudáveis) aparece-nos relacionada com outros comportamentos de saúde tais como não fumar, não beber e não consumir drogas. Aparece ainda relacionada com um maior envolvimento com a escola, com a família e com os pares, e com um envolvimento menos frequente em actos de violência. Pelo contrário, uma alimentação menos sudável (consumo de alimentos não saudáveis e ausência de consumo de alimentos saudáveis) aparece ligada à existência de sintomas físicos e psicológicos e a um tempo prolongado diário em actividades sedentárias (4 horas ou mais por dia a ver televisão).
A vontade de alterar algo no seu corpo é um comportamento mais frequente nas raparigas e nos adolescentes mais velhos e aparece relacionada com indicadores de comportamentos ligados a um maior risco para a saúde (consumo de tabaco, álcool e drogas), a uma percepção de infelicidade pessoal, a um afastamento face à família, à escola e aos pares, a uma alimentação menos saudável e a um comportamento de dieta. As raparigas referem estar mais frequentemente em dieta, ou se não estão, consideram mais frequentemente estar a precisar. Referem ainda mais frequentemente não estar satisfeitas com o seu corpo.
Os resultados sugerem que, no geral, o comportamento de estar em dieta ou a convicção de que seria preciso fazer uma dieta aparece-nos relacionada com um menor consumo de álcool. Estes adolescentes referem mais frequentemente sintomas de mal estar físico e psicológico e não se acharem felizes. Também mais frequentemente referem gostar de mudar algo no ser corpo, acharem-se gordos e considerarem ter má aparência.
Referem ainda uma maior frequência de hábitos televisivos. O comportamento de dieta aparece ainda relacionado com maiores dificuldades nas relações interpessoais com os pais e os colegas.
O comportamento de dieta está relacionado com uma ingestão inferior de alimentos pouco saudáveis, como aliás já acontece no álcool, mas esta “dieta” não aparece relacionada com um maior consumo de alimentos saudáveis.
Uma alimentação saudável aparece-nos relacionada com indicadores de proximidade em relação à família, colegas e escola, bem como a uma percepção de bem estar pessoal e social.
Estes resultados remetem para a importância das relações interpessoais no comportamento de dieta, na percepção de uma má aparência e ainda na motivação para mudar algo no corpo, situações estas que nos aparecem aqui como relacionadas com um mal estar pessoal e social.
8 O COMPORTAMENTO ALIMENTAR DOS JOVENS PORTUGUESES
A
VENTURA
S
OCIAL
Faculdade de Motricidade Humana
Universidade Técnica de Lisboa
Promoção da Saúde / Comportamento Social
Correspondência deverá ser enviada para: Profª Drª Margarida Gaspar de Matos Drª Susana Fonseca Carvalhosa Faculdade de Motricidade Humana Estrada da Costa
1495-688 Cruz Quebrada
Contactos:
Aventura Social e Saúde Telef. 21 419 67 77 Fax 21 415 12 48 E-Mail:
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Publicações
LIVROS:
Matos, M., Simões, C., Canha, L., & Carvalhosa, S. (2000). Saúde e estilos de vida nos jovens portugueses. Lisboa: FMH /PPES.
Matos, M., Simões, C., & Carvalhosa, S. (Eds.). (2000). Desenvolvimento de competências de vida na prevenção do desenvolvimento social. IRS – MJ. Matos, M., Simões, C., Carvalhosa, S., Reis, C., & Canha,
L. (2000). A saúde dos adolescentes portugueses. Lisboa: FMH /PEPT-Saúde.
Matos, M., Simões, C., Carvalhosa, S., & Canha, L. (2001). A saúde dos adolescentes de Lisboa. Lisboa: FMH /PEPT /GPT.
FOLHAS INFORMATIVAS:
Matos, M., & Carvalhosa, S. (2001). Quem afinal experimenta drogas em Lisboa?. 1, 1.Lisboa: FMH /PEPT /GPT.
Matos, M., & Carvalhosa, S. (2001). Os jovens portugueses e o consumo de drogas. 1, 2. Lisboa: FMH /PEPT /GPT.
Matos, M., & Carvalhosa, S. (2001). Violência na escola: provocadores, vítimas e outros. 2, 1. Lisboa: FMH /PEPT /GPT.
Matos, M., & Carvalhosa, S. (2001). Saúde mental e mal estar físico na idade escolar. 3, 1. Lisboa: FMH /PEPT /GPT.
Matos, M., Carvalhosa, S., & Diniz, J. (2001). Actividade física e prática desportiva nos jovens portugueses. 4, 1. Lisboa: FMH /PEPT /GPT. Matos, M., Carvalhosa, S., & Fonseca, H. (2001). O
comportamento alimentar dos jovens portugueses. 5, 1. Lisboa: FMH /PEPT /GPT.
Será oportuno aqui sublinhar a reconhecida relevância das normas culturais contemporâneas, nomeadamente a pressão do grupo social e dos “mass media”, no sentido da aspiração pessoal a um “corpo perfeito”, situação esta que poderemos relacionar com a adopção de comportamentos de restrição alimentar com possível risco para a saúde.
O facto dos adolescentes mais velhos nos referirem mais frequentemente ter uma alimentação menos saudável sugere-nos por um lado a importância que a escola poderá ter na “neutralização”deste efeito; por outro lado esta situação remete-nos para a possibilidade dos adolescentes na sociedade contemporânea terem um acesso real a uma alimentação saudável no seu dia a dia fora de casa, na área onde se movem e com os recursos económicos que querem (ou podem) pôr disponíveis para a sua alimentação. Também aqui não será de negligenciar o papel das normas culturais contemporâneas, nomeadamente a pressão do grupo de pares e dos “mass media”.
No âmbito da promoção de estilos de vida saudáveis nos adolescentes, este estudo reforça a importância já reconhecida dos contextos sociais do jovem. Assim, a família, o estabelecimento de laços de amizade com os pares no contexto escolar aparecem aqui como factores potencialmente protectores no que diz respeito à adopção de uma alimentação mais saudável ou, inversamente, à adopção de uma dieta (não relacionada com um consumo de alimentos saudáveis), a uma insatisfação com o seu corpo e com a sua aparência e ainda a vontade de mudar algo no seu corpo. O perfil aparece assim esboçado, não para nos preocuparmos, mas para nos guiar na intervenção e na pesquisa de modos de promoção de estilos de vida alternativos.
É ERRADO concluir-se que são as situações que indicámos associadas irrefutavelmente com o aparecimento de comportamentos de dieta, com uma alimentação pouco saudável ou com uma vontade de alterar o seu corpo. É ERRADO, falarmos de CAUSAS e muito menos de CULPAS… É ainda ERRADO pensarmos (apressadamente) que lá porque um jovem se encontra em alguma destas situações, que ele ou ela vai acabar por apresentar comportamentos de dieta, de tentativa de alterar o seu corpo ou de adoptar uma alimentação pouco saudável.
É por fim ERRADO em geral, fixarmo-nos em ideias preconcebidas ou em fatalismos.
Estamos a falar de Riscos, de facilitadores, de tendências…
Está porém nas mãos de nós todos pensar em ALTERNATIVAS!… Vamos a isso!…