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A MODALIDADE NA LEITURA DE UMA PROPAGANDA EM LiNGUA INGLESA

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Academic year: 2021

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A MODALIDADE NA LEITURA DE UMA PROPAGANDA EM LiNGUA INGLESA Maria Inez M. DOTA

(UNESP-Baum)

ABSTRACT: The objective of this paper is to analyse an advertising and to propose reading exercises based on the modalization operation in Antoine Culioli's theory. KEY WORDS: reading, modality, enunciators.

A analiselexercfcios desenvolvidos neste trabalho objetivam fornecer elementos facilitadores para 0ensino de leitura em lingua inglesa. Utilizamos a modalidade porque as marcas dessa categoria refletem uma oper~ao da linguagem - a operacao de modalizacao - (comum as diversas Hnguas), podendo levar ao aproveitamento da experiencia que 0 leitor possui de sua lingua materna (Dota, 1996), no contexto de

aprendizagem de uma lingua estrangeira, principalmente se 0 professor oferecer estrategias que tomem tal operacao como elemento unificador entre as linguas.

A teoria das oper~oes enunciativas de Antoine Culioli (1976 e 1985) fundamenta o trabalho didatico que propomos por se tratar de uma teoria da pratica. Ao estudar as Hnguas atraves de operac6es generalizaveis, esse modelo ja propoe uma metodologia para 0 ensino de linguas, embasada nos pontos comuns entre elas. Nesse sentido, 0

proprio modele contem a articulacao teoria e pratica.

Definimos a modalidade como a atitude do sujeito face aquilo que enuncia e face ao seu interlocutor e apresentamos os quatro tipos dessa categoria, discutidos por Culioli. A partir dai, empreendemos uma analise "pre-pedagogica" de um texto de propaganda e, em decorrencia dessa, propomos exercicios de compreensao, com a finalidade de guiar 0 entendimento dos aprendizes em suas atividades de leitura,

(2)

Culioli (1976:69-74 e 1985:80·86) aborda a categoria da modalidade, classificando-a em quatIO tipos, embora ele mesmo reconh~a que esses tipos se apresentam imbricados quando se eonfiguram nos enuneiados.

Essa modalidade ocorre: com a asser~iio • 0 enunciador valida 0 conte1ido da relaciio predicativa, afirmando ou negando; com a interrQ&a~aO• 0 enunciador nao

assume a posiCao entre 0 afirmativo e 0negativo e propoe ao co-enunciador a decisao

sobre a validacao; com a jnjuD~iio • esse termo reeobr, a snplica, 0pedido e a sugestao,

isto e, algo que pode vir a ser verdadeiro ou falso; com 0hjpot6ticQ - OU0enunciador

coloca a hip6tese de maneira absoluta, considerando como sabida a existencia da relacao predicativa ou ele emite uma hip6tese positiva, de preferencia com reIacao a uma hip6tese negativa colocada anteriormente.

Conhecida como modalidade epistemica, exprime uma ausencia de certeza por parte do enunciador quanto

a

validacao da relaciio predicativa. Nao se trata de falso ou verdadeiro, como ocorre na assercao, mas de uma avaliacao essencialmente quantitativa, oscilando entre 0provavel, 0improvavel, 0possivel, 0incerto, etc.

Esta modalidade, conhecida como apreciativa, nao visa

a

assuncao da re1acao predicativa, mas

a

sua qualificacao. Trata-se de fazer uma apreciacao sobre 0 carater

born, ruirn, feliz, infeliz, etc., do conte1ido da relacao predicativa. Para Vignaux (1988:110), e a dimensao apreciativa ou afetiva centrada no sujeto enunciador. Ela se compOe com a assercao para qualificar 0validado, ou com 0nao-certo para qualificar 0

valor distinto ou previsto.

E

chamada de modalidade intersubjetiva (Culioli, 1976:72), uma vez que se ref ere as relacoes entre sujeitos, sujeito enunciador e sujeito do enunciado e sujeito enunciador e co-enunciador.

E,

tambern, conhecida como modalidade radical, porque incide sobre 0

sujeito do enunciado, em oposicao

a

modalidade epistemica, que incide sobre toda a relacao predicativa. Para Bouscaren &Chuquet (1987:37), encontram-se aqui todos os

1Essa tipologia ~ discutida de fonna arnpliada em Dota (1996, DOprelo), oode se faz uma an'Jis~ de urn texto jomal{stico.

(3)

valores deonticos: ordem, permissao, desejo, sugestlio, vontade, causa~lio, possibilidade, capacidade...

A seguir, faremos a analise de urn texto de propaganda, tendo como base essa tipologia da modalidade apresentada por Culioli, conduzindo ao preparo de exercfcios para uma aula de leitura em lingua inglesa.

Trata-se de urna propaganda de veiculos movidos a gas natural. Propagandas, pela sua pr6pria natureza, tentam vender uma ideia ou urn produto aos possiveis leitores. Para tanto, 0 enunciadorprecisa inserir"0 outro" em seu discurso e esta opera~lio fara

aparecer marcas da reI~ao intersujeitos na superficie do texto, urn conduzindo0outro. Assim, neste texlo, 0 enunciador estabelece contato com 0 co-enunciador (0

possfvel comprador dos veiculos a gas) atraves de oper~oes de modaliza~iio, principalmente em:

(l) fou won't see exhaustfumes - particulates - coming out of the back of this van.(I. 1-3)

(3) NGV pickup trucks and vans lrilI be produced by General Motors, Ford and Chrysler. (1. 15-17)

I

(4) And wi(h North America's abundant natural gas, we'll avoid the toll taken by foreign oil. (1.19-21)

Em (1)0enunciador se dirige diretamente ao "tu" que a propaganda quer atingir:0

sujeito do enunciado • "you" -

e

tambem 0 co-enunciador. 0 futuro negativo - "you

won't see" - e usado de forma prescritiva para mostrar ao co-enunciador a grande vantagem de se usar um veiculo movido a gas: "ele nlio vera particulas poluidoras saindo do escapamento de urn furglio". 0 alcance da negaclio acima se estende a toda rela~iiopredicativa.

A predictibilidade presente em (l) se repete em (3), (4) e (5), em que este valor

e

0

resultado de uma reiaclio estabelecida entre 0 enunciador e toda a relacao predicativa

(modalidade 2 - valor epistemico). 0 enunciador visa, no presente,

a

validacao de uma reIa~aopredicativa, situada, por urn momento, no futuro.

Paralelamente, a pressao que 0 enunciador faz sobre 0 sujeito do enunciado

e

tamMm inerente ao emprego do futuro em (1), (3), (4) e (5), caracterizando, dessa forma urn valor deontico (modalidade 4 - radical): a sugestlio para a utiliza~ao do

(4)

produto. Essa superposi~ao de val ores - episremico e radical - aponta para a observ~ao de Bouscaren & Chuquet (1987:40) de que h3. uma estreita rela~ao entre os valores epistemicos e radicais do mesmo modal.

Em (2) temos apenas 0valor radical, pois poderia ser glosado como: "e possivel

para os veiculos a gas natural cortarem 0 monoxido de carbona e os custos de

manutenyao". Nesse caso 0enunciador diz algo sobre 0sujeito do enunciado (they

=

os veiculos a gas), mostrando, especificamente, uma propriedade destes veiculos (modalidade 4).

No fecho da propaganda, (5) - "Use natural g¥" - a forma imperativa reitera a for~a de ordem/sugestao que 0 enunciador quer p~sar ao co-enunciador, isto e, aos

leitores do jomal.

Com relayao ao imperativo, Culioli (1985:81) considera-o tanto como marc a da modalidade 4 (valor deontico), quanto marc a de modalidade 1 (com injun~ao). Ainda observa:

o

imperativo remere a algo que nao

e

nem verdadeiro nemfalso, mas que pode se tomar Verdadeiro ou Falso;

e

a asser~iio como conseqiiencia eventual da injun~ao ...(Culioli, 1976:70).

A modalidade de asser~ao (tipo 1) e tarnb6rn, neste texto, uma forma que 0

enunciador utiliza para convencer 0 co-enunciador a aderir aos veiculos a gas. No

tempo presente, 0enunciador assevera as qualidades de tal veiculo (imbricando com a

modalidade 3 - apreciativa), mostrando 0que e born, 0que e conveniente. Sua funyao e

influenciar 0comportamento do interlocutor. Por exemplo:

(7)What's more, natural gas costs the equivalent of gasoline at 70 to 80 cents a gallon. (1. 9-12)

o

locutor justapoe uma serie de constatayoes e de fatos envolvendo os vefculos movidos a gas, express os sob a forma de asseryoes (mostrando a evidencia generalizada para se evitar a poluiyao) e fazendo-as acompanhar de recomendacoes.

A parncula "do" em (6), normalmente considerada como enfatica, e tambem uma marca do esfor~o que 0enunciador faz para conduzir 0co-enunciador. A expressao

"what's more" tern a fun~ao de "re-asseverar" a relacao predicativa validada ern (7). Tanto "do" como "what's more" corroboram a modalidade intersubjetiva (tipo 4) que se estabelece ern todo 0texto.

(5)

Com essa questao levaremos os alunoslleitores a refletirem sobre 0 papel desta propaganda, isto

e,

vender urn produto: vefculos a gas.

3.2. Aponte, no texto, marcas de que 0idealizador dessa propaganda objetiva urn

publico. {

Esperamos, com os exercfcios 3.2 e 3.3, urn completando 0 outro, que os aprendizes de leitura em lingua inglesa apontem marcas lingiifsticas, tais como, "You won't see", "Use natural gas.", em que 0 enunciador se dirige diretamente ao co-enunciador, Como 0objetivo dos exercfcios propostos nao

e

testar, mas, sim, ensinar, facilitando as atividades de leitura, podemos estender 0 inventano de marcas iniciado pelos alunos, apontando-lhes outros indices dessa relaCao enunciador/co-enunciador, tais como a ja citada partfcula "do", as assercoes/apreciacoes, em que 0locutor fala das caracterfsticas dos vefculos a gas e da forca de predictibilidade que 0enunciador tenta passar com 0emprego do modal "will",

Sugerimos, dessa forma, uma alternativa para a leitura de uma propaganda em lingua inglesa, tendo na categoria da modalidade uma diretriz para 0levantamento de marc as textuais que podem conduzir

a

construcao do sentido.

(6)

RESUMO: 0 objetivo deste trabalho

e

analisar uma propaganda e propor exerdcios de leitura, baseados na opera~iio de modaliza~ao, de acordo com a teoria de Antoine Culioli.

PALA VRAS-CHA VB: leitura, modalidade, enunciadores.

BOUSCAREN J. & CHUQUET, J. (1987) Grammaire et tates anglais: guide pour l'aNJlyse linguistique.

Paris: Ophrys.

CULIOLI, A. (1976) Tmscription du seminaire de D.EA. de M.A. Culioli -1975-1976. Paris: Universite de Paris VII, D.RL

__ . (1985) Notes du seminaire de D.EA. -1983-1984. Paris: Itpitiers.

DOTA, M.I.M. (1996) Modalidade: urn caminho para leitura em lingua inglesa. Alfa, Sio Paulo, v. 40, no prelo.

(7)

You won't see exhaust fumes - par-ticulates - coming out of the back of this van. BecausEt it's Natural

Gas Vehicle (NGV). Not only do 5 NGVscut r\l'&dean'!1'a\f. particulates

,,~ to virtually 0%,

ey can cut carbon monoxide and maintenance costs, too. What's 10 more, natural gas costs the

equiva-lent of gasolinlp at 70 to 80 cents a gallon. And NGVs are no longer

down the road. They're on the road. 30,000 vans, trucks, buses, taxis and 15 other fleet vehicles. NGV pickup

trucks and vans will be produced by General Motors, Ford and Chrysler.

More and more stations are being built to refuel them. And with North 20 America's abundant natural gas, we'll

avoid the toll taken by foreign oil.

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..

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TheWall Street Journal, October 7, 1992, p. A-18. 504

Referências

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