CARYBÉ SUPLEMENTO DIDÁTICO. Elaborado por

Texto

(1)

CARYBÉ

Professor

Neste suplemento você encontrará duas sugestões de projetos pedagógicos para desenvolver com alunos do ensino fundamental: a primeira é destinada a turmas de 1a a 4a série do ensino fundamental; a segunda, a turmas a partir da 5a série.

Cada um desses projetos tem como base o conteúdo do livro estudado. Para apoiar o trabalho do professor são aprofundadas questões sobre o movimento a que pertence o artista, além da contextualização de uma de suas obras.

Fica a critério do professor aproveitar as atividades para outros projetos, adap-tando-as ao perfi l de sua turma.

A Editora

2 3 4

De Myriam Fraga

(Diretora Executiva da Fundação Casa de Jorge Amado desde 1986. Como jornalista, é membro da Associação Baiana de Imprensa — ABI ––, além de manter colaboração em revistas e jornais.

Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia desde 1985.)

SUPLEMENTO DIDÁTICO

Elaborado por

Eliana Pougy (Mestranda em Psicologia e Educação pela Faculdade de Educação da USP,

é autora de livros de Artes Visuais para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I)

POR QUE TRABALHAR COM CARYBÉ?

Carybé, artista moderno por excelência, deixou uma marca inconfundível em todas as suas obras. Utilizando as mais diversas técnicas e linguagens, buscou desmistifi car seu trabalho e a própria arte ao afi rmar que “rabiscar papel e pintar telas não são atos de criação”. “Inspiração é besteira”, completava.

Cidadão do mundo, abraçou no entanto a cultura da Bahia, como se pode perceber em sua paixão pelo candomblé, presente em inúmeros trabalhos. Carybé foi um verdadeiro cronista do cotidiano baiano

do século XX. Dono de um traço estilizado, quase beirando o geométrico, exímio de-senhista, retratou a mistura de raças como ninguém: em suas obras misturam-se o negro, o índio e o branco.

O livro de Myriam Fraga nos mostra o amor desse artista, argentino naturalizado brasileiro, pela cultura brasileira. Carybé teve o mérito de valorizar a cultura afro-brasileira como poucos. Suas obras espelham nossa identidade cultural e nos ajudam a entender quem somos.

✦ Objetivos

◗ Fazer desenho de observação. ◗ Fazer desenho de memória.

◗ Reconhecer procedimentos e técnicas na obra de Carybé.

✦ Conteúdos gerais (com referência nos

PCNs de Arte)

◗ Identifi cação dos signifi cados expressivos e comunicativos das formas visuais.

◗ Pesquisa e freqüência junto às fontes — ar-tistas e obras — para reconhecimento e refl e-xão sobre a arte presente no entorno.

◗ Contato com imagens e informações orais e escritas sobre a vida e a produção do artista.

◗ Consideração dos elementos básicos da linguagem visual em suas articulações nas ima-gens produzidas (relações entre ponto, linha, plano, cor, textura, forma, volume, luz, ritmo, movimento, equilíbrio). ✦ Conteúdos do projeto ◗ Obra de Caribé. ◗ Procedimentos de criação. ◗ Desenho de observação. ◗ Desenho de memória.

✦ Trabalho interdisciplinar: História, Geo-grafi a e Língua Portuguesa.

ATIVIDADE PARA ANTES DA LEITURA

✦ Sensibilizando os alunos

O livro mostra diversas obras feitas a partir da observação e da memória, obras que são o rela-to de um tempo, de um lugar, de uma cultura... Fazer desenho de observação é um tanto compli-cado, e desenvolver a memória requer exercício. Por isso, os alunos devem estar motivados para o desafi o. Que tal brincar de jogo da memória?

◗ Peça que seus alunos se organizem em pares e que cada um desenhe o rosto do amigo. Instrua-os a registrar Instrua-os traçInstrua-os característicInstrua-os do outro, como o formato do rosto, a cor da pele, o compri-mento, a cor e o corte de cabelo, a cor dos olhos, o desenho da boca, o formato do nariz etc.

◗ Lembre-se de que, por causa do jogo, eles têm de fazer duas vezes o mesmo desenho.

◗ Depois, é só montar alguns jogos com os pares de desenhos que seus alunos fi zeram, for-mar grupos de até cinco crianças e... jogar!

ATIVIDADES PARA DURANTE A LEITURA

✦ Orientações para ler o livro em sala

de aula

Professor, antes de propor a leitura do livro, convide os alunos a folhearem as páginas, ob-servando as imagens e imaginando como seria o autor dessas obras.

Conte-lhes que o artista é um argentino naturalizado brasileiro, que escolheu viver na Bahia depois de ter passado por diversos lu-gares. Peça às crianças que localizem no livro imagens de lugares e de pessoas da Bahia. Será que nessa leitura poderemos descobrir mais sobre a cultura afro-brasileira? Mostre a eles mapas do Brasil e da Bahia e fotografi as de pontos turísticos desse estado.

A leitura do texto pode ser feita de diversas maneiras: pelo professor, com os alunos em roda; pelos alunos, cada um lendo uma página; ou di-vidindo-se a classe em pequenos grupos.

O livro pode suscitar muitas questões entre os alunos. A seqüência didática planejada pelo professor deve sempre permitir uma abertura para que eles expressem suas idéias, compar-tilhando com os colegas diferentes leituras e interpretações.

Não deixe de comentar a história de vida e o contexto da morte de Carybé: coletivize as questões dos alunos, fazendo perguntas e recorrendo às imagens do livro.

SUGESTÃO DE PROJETO PEDAGÓGICO

PARA TURMAS DE 1

a

A 4

a

SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL:

VER E LEMBRAR

✦ Roteiro de apreciação das obras

repro-duzidas no livro: Rio São Francisco (pági-na 15), Festa da Conceição (pági(pági-na 19) e Série Baianas em cerâmica (página 31)

Promova um debate entre os alunos, suge-rindo que se disponham em roda para discutir algumas das seguintes questões:

◗ O que todas essas obras possuem em co-mum?

◗ Você consegue identifi car o traço de Carybé em todas as obras? O que ele tem de especial? ◗ Como são as cores utilizadas pelo artista? O que elas lhe transmitem?

◗ O que as pessoas retratadas estão fazen-do?

◗ Essas obras nos remetem a algum lugar do Brasil, em especial?

◗ Quais são as técnicas de desenho, pintura e escultura utilizadas nessas obras?

◗ Qual técnica mais lhe agrada? E a que lhe agrada menos?

◗ Na sua opinião, por que Carybé produzia tantas obras retratando a Bahia e sua gente?

◗ Carybé fazia registros do cotidiano dos baianos, seu modo de vida e costumes. Você diria que ele era uma pessoa observadora? Por quê?

✦ Contextualização (veja quadro na página 7 deste suplemento)

ATIVIDADES PARA DEPOIS DA LEITURA

✦ Produção

Os alunos podem experimentar algumas técnicas e procedimentos vivenciados pelo ar-tista e descritos no livro, como o desenho de observação e o de memória. Discuta com eles a diferença entre esses dois tipos de desenho.

Sobre o desenho de observação, comente que ele começa no olhar do artista: o que o artista vê e o modo como percebe o mundo estarão sempre presentes em seu trabalho.

Faça-os perceber como, difi cilmente, duas pessoas desenham de modo igual um mesmo modelo. O desenho de observação desen-volve a percepção de forma, de volume, de incidência de luz, de profundidade, de sobre-posição, de transparência, de valor e de tom das cores.

Quando ajudamos nossos alunos a concen-trar a atenção em alguns pontos específi cos do espaço a nossa volta e a desenhar observando, estamos estimulando-os a usar o hemisfério direito do cérebro, responsável pela produção artística do ser humano.

Estudos científi cos demonstram que, quando o cérebro está utilizando o hemisfério direito (a modalidade-D), ele processa as informações simultaneamente, relacionando-as e pensando de forma global. E que, quando utiliza o hemis-fério esquerdo (a modalidade-E), ele processa as informações logicamente, analiticamente, de maneira linear, verbal.

Ao fazermos um desenho de memória, utilizamos o lado esquerdo do cérebro, usamos esquemas preexistentes para desenhar. Por exemplo: quando desenhamos de memória uma casa, em geral acabamos por desenhar sempre a mesma casinha retangular com cha-miné e teto triangular. Mas, se olharmos mais atentamente à nossa volta, veremos que exis-tem muitas formas diferentes de casa.

Proponha a seus alunos que façam uma série de desenhos de observação e de memória.

Escolha um objeto comum da sala de aula, como lápis, caneta, apagador, carteira, cadeira, mesa da professora, e comece pedindo a eles que, individualmente, desenhem o objeto de memória.

Depois, oriente-os a observar atentamente o objeto escolhido, prestando atenção nas for-mas, cores e texturas, no modo como ele refl ete ou absorve a luz, no tamanho e na proporção entre as partes. Peça a eles que façam um dese-nho de observação do objeto.

No fi nal, monte dois grandes painéis, um com os desenhos de memória e outro com os de observação, e peça que os alunos observem e discutam as diferenças entre os dois.

Festa da Conceição.

Encarte Caribe.indd 1

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CARYBÉ

Professor

Neste suplemento você encontrará duas sugestões de projetos pedagógicos para desenvolver com alunos do ensino fundamental: a primeira é destinada a turmas de 1a a 4a série do ensino fundamental; a segunda, a turmas a partir da 5a série.

Cada um desses projetos tem como base o conteúdo do livro estudado. Para apoiar o trabalho do professor são aprofundadas questões sobre o movimento a que pertence o artista, além da contextualização de uma de suas obras.

Fica a critério do professor aproveitar as atividades para outros projetos, adap-tando-as ao perfi l de sua turma.

A Editora

2 3 4

De Myriam Fraga

(Diretora Executiva da Fundação Casa de Jorge Amado desde 1986. Como jornalista, é membro da Associação Baiana de Imprensa — ABI ––, além de manter colaboração em revistas e jornais.

Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia desde 1985.)

SUPLEMENTO DIDÁTICO

Elaborado por

Eliana Pougy (Mestranda em Psicologia e Educação pela Faculdade de Educação da USP,

é autora de livros de Artes Visuais para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I)

POR QUE TRABALHAR COM CARYBÉ?

Carybé, artista moderno por excelência, deixou uma marca inconfundível em todas as suas obras. Utilizando as mais diversas técnicas e linguagens, buscou desmistifi car seu trabalho e a própria arte ao afi rmar que “rabiscar papel e pintar telas não são atos de criação”. “Inspiração é besteira”, completava.

Cidadão do mundo, abraçou no entanto a cultura da Bahia, como se pode perceber em sua paixão pelo candomblé, presente em inúmeros trabalhos. Carybé foi um verdadeiro cronista do cotidiano baiano

do século XX. Dono de um traço estilizado, quase beirando o geométrico, exímio de-senhista, retratou a mistura de raças como ninguém: em suas obras misturam-se o negro, o índio e o branco.

O livro de Myriam Fraga nos mostra o amor desse artista, argentino naturalizado brasileiro, pela cultura brasileira. Carybé teve o mérito de valorizar a cultura afro-brasileira como poucos. Suas obras espelham nossa identidade cultural e nos ajudam a entender quem somos.

✦ Objetivos

◗ Fazer desenho de observação. ◗ Fazer desenho de memória.

◗ Reconhecer procedimentos e técnicas na obra de Carybé.

✦ Conteúdos gerais (com referência nos

PCNs de Arte)

◗ Identifi cação dos signifi cados expressivos e comunicativos das formas visuais.

◗ Pesquisa e freqüência junto às fontes — ar-tistas e obras — para reconhecimento e refl e-xão sobre a arte presente no entorno.

◗ Contato com imagens e informações orais e escritas sobre a vida e a produção do artista.

◗ Consideração dos elementos básicos da linguagem visual em suas articulações nas ima-gens produzidas (relações entre ponto, linha, plano, cor, textura, forma, volume, luz, ritmo, movimento, equilíbrio). ✦ Conteúdos do projeto ◗ Obra de Caribé. ◗ Procedimentos de criação. ◗ Desenho de observação. ◗ Desenho de memória.

✦ Trabalho interdisciplinar: História, Geo-grafi a e Língua Portuguesa.

ATIVIDADE PARA ANTES DA LEITURA

✦ Sensibilizando os alunos

O livro mostra diversas obras feitas a partir da observação e da memória, obras que são o rela-to de um tempo, de um lugar, de uma cultura... Fazer desenho de observação é um tanto compli-cado, e desenvolver a memória requer exercício. Por isso, os alunos devem estar motivados para o desafi o. Que tal brincar de jogo da memória?

◗ Peça que seus alunos se organizem em pares e que cada um desenhe o rosto do amigo. Instrua-os a registrar Instrua-os traçInstrua-os característicInstrua-os do outro, como o formato do rosto, a cor da pele, o compri-mento, a cor e o corte de cabelo, a cor dos olhos, o desenho da boca, o formato do nariz etc.

◗ Lembre-se de que, por causa do jogo, eles têm de fazer duas vezes o mesmo desenho.

◗ Depois, é só montar alguns jogos com os pares de desenhos que seus alunos fi zeram, for-mar grupos de até cinco crianças e... jogar!

ATIVIDADES PARA DURANTE A LEITURA

✦ Orientações para ler o livro em sala

de aula

Professor, antes de propor a leitura do livro, convide os alunos a folhearem as páginas, ob-servando as imagens e imaginando como seria o autor dessas obras.

Conte-lhes que o artista é um argentino naturalizado brasileiro, que escolheu viver na Bahia depois de ter passado por diversos lu-gares. Peça às crianças que localizem no livro imagens de lugares e de pessoas da Bahia. Será que nessa leitura poderemos descobrir mais sobre a cultura afro-brasileira? Mostre a eles mapas do Brasil e da Bahia e fotografi as de pontos turísticos desse estado.

A leitura do texto pode ser feita de diversas maneiras: pelo professor, com os alunos em roda; pelos alunos, cada um lendo uma página; ou di-vidindo-se a classe em pequenos grupos.

O livro pode suscitar muitas questões entre os alunos. A seqüência didática planejada pelo professor deve sempre permitir uma abertura para que eles expressem suas idéias, compar-tilhando com os colegas diferentes leituras e interpretações.

Não deixe de comentar a história de vida e o contexto da morte de Carybé: coletivize as questões dos alunos, fazendo perguntas e recorrendo às imagens do livro.

SUGESTÃO DE PROJETO PEDAGÓGICO

PARA TURMAS DE 1

a

A 4

a

SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL:

VER E LEMBRAR

✦ Roteiro de apreciação das obras

repro-duzidas no livro: Rio São Francisco (pági-na 15), Festa da Conceição (pági(pági-na 19) e Série Baianas em cerâmica (página 31)

Promova um debate entre os alunos, suge-rindo que se disponham em roda para discutir algumas das seguintes questões:

◗ O que todas essas obras possuem em co-mum?

◗ Você consegue identifi car o traço de Carybé em todas as obras? O que ele tem de especial? ◗ Como são as cores utilizadas pelo artista? O que elas lhe transmitem?

◗ O que as pessoas retratadas estão fazen-do?

◗ Essas obras nos remetem a algum lugar do Brasil, em especial?

◗ Quais são as técnicas de desenho, pintura e escultura utilizadas nessas obras?

◗ Qual técnica mais lhe agrada? E a que lhe agrada menos?

◗ Na sua opinião, por que Carybé produzia tantas obras retratando a Bahia e sua gente?

◗ Carybé fazia registros do cotidiano dos baianos, seu modo de vida e costumes. Você diria que ele era uma pessoa observadora? Por quê?

✦ Contextualização (veja quadro na página 7 deste suplemento)

ATIVIDADES PARA DEPOIS DA LEITURA

✦ Produção

Os alunos podem experimentar algumas técnicas e procedimentos vivenciados pelo ar-tista e descritos no livro, como o desenho de observação e o de memória. Discuta com eles a diferença entre esses dois tipos de desenho.

Sobre o desenho de observação, comente que ele começa no olhar do artista: o que o artista vê e o modo como percebe o mundo estarão sempre presentes em seu trabalho.

Faça-os perceber como, difi cilmente, duas pessoas desenham de modo igual um mesmo modelo. O desenho de observação desen-volve a percepção de forma, de volume, de incidência de luz, de profundidade, de sobre-posição, de transparência, de valor e de tom das cores.

Quando ajudamos nossos alunos a concen-trar a atenção em alguns pontos específi cos do espaço a nossa volta e a desenhar observando, estamos estimulando-os a usar o hemisfério direito do cérebro, responsável pela produção artística do ser humano.

Estudos científi cos demonstram que, quando o cérebro está utilizando o hemisfério direito (a modalidade-D), ele processa as informações simultaneamente, relacionando-as e pensando de forma global. E que, quando utiliza o hemis-fério esquerdo (a modalidade-E), ele processa as informações logicamente, analiticamente, de maneira linear, verbal.

Ao fazermos um desenho de memória, utilizamos o lado esquerdo do cérebro, usamos esquemas preexistentes para desenhar. Por exemplo: quando desenhamos de memória uma casa, em geral acabamos por desenhar sempre a mesma casinha retangular com cha-miné e teto triangular. Mas, se olharmos mais atentamente à nossa volta, veremos que exis-tem muitas formas diferentes de casa.

Proponha a seus alunos que façam uma série de desenhos de observação e de memória.

Escolha um objeto comum da sala de aula, como lápis, caneta, apagador, carteira, cadeira, mesa da professora, e comece pedindo a eles que, individualmente, desenhem o objeto de memória.

Depois, oriente-os a observar atentamente o objeto escolhido, prestando atenção nas for-mas, cores e texturas, no modo como ele refl ete ou absorve a luz, no tamanho e na proporção entre as partes. Peça a eles que façam um dese-nho de observação do objeto.

No fi nal, monte dois grandes painéis, um com os desenhos de memória e outro com os de observação, e peça que os alunos observem e discutam as diferenças entre os dois.

Festa da Conceição.

Encarte Caribe.indd 1

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CARYBÉ

Professor

Neste suplemento você encontrará duas sugestões de projetos pedagógicos para desenvolver com alunos do ensino fundamental: a primeira é destinada a turmas de 1a a 4a série do ensino fundamental; a segunda, a turmas a partir da 5a série.

Cada um desses projetos tem como base o conteúdo do livro estudado. Para apoiar o trabalho do professor são aprofundadas questões sobre o movimento a que pertence o artista, além da contextualização de uma de suas obras.

Fica a critério do professor aproveitar as atividades para outros projetos, adap-tando-as ao perfi l de sua turma.

A Editora

2 3 4

De Myriam Fraga

(Diretora Executiva da Fundação Casa de Jorge Amado desde 1986. Como jornalista, é membro da Associação Baiana de Imprensa — ABI ––, além de manter colaboração em revistas e jornais.

Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia desde 1985.)

SUPLEMENTO DIDÁTICO

Elaborado por

Eliana Pougy (Mestranda em Psicologia e Educação pela Faculdade de Educação da USP,

é autora de livros de Artes Visuais para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I)

POR QUE TRABALHAR COM CARYBÉ?

Carybé, artista moderno por excelência, deixou uma marca inconfundível em todas as suas obras. Utilizando as mais diversas técnicas e linguagens, buscou desmistifi car seu trabalho e a própria arte ao afi rmar que “rabiscar papel e pintar telas não são atos de criação”. “Inspiração é besteira”, completava.

Cidadão do mundo, abraçou no entanto a cultura da Bahia, como se pode perceber em sua paixão pelo candomblé, presente em inúmeros trabalhos. Carybé foi um verdadeiro cronista do cotidiano baiano

do século XX. Dono de um traço estilizado, quase beirando o geométrico, exímio de-senhista, retratou a mistura de raças como ninguém: em suas obras misturam-se o negro, o índio e o branco.

O livro de Myriam Fraga nos mostra o amor desse artista, argentino naturalizado brasileiro, pela cultura brasileira. Carybé teve o mérito de valorizar a cultura afro-brasileira como poucos. Suas obras espelham nossa identidade cultural e nos ajudam a entender quem somos.

✦ Objetivos

◗ Fazer desenho de observação. ◗ Fazer desenho de memória.

◗ Reconhecer procedimentos e técnicas na obra de Carybé.

✦ Conteúdos gerais (com referência nos

PCNs de Arte)

◗ Identifi cação dos signifi cados expressivos e comunicativos das formas visuais.

◗ Pesquisa e freqüência junto às fontes — ar-tistas e obras — para reconhecimento e refl e-xão sobre a arte presente no entorno.

◗ Contato com imagens e informações orais e escritas sobre a vida e a produção do artista.

◗ Consideração dos elementos básicos da linguagem visual em suas articulações nas ima-gens produzidas (relações entre ponto, linha, plano, cor, textura, forma, volume, luz, ritmo, movimento, equilíbrio). ✦ Conteúdos do projeto ◗ Obra de Caribé. ◗ Procedimentos de criação. ◗ Desenho de observação. ◗ Desenho de memória.

✦ Trabalho interdisciplinar: História, Geo-grafi a e Língua Portuguesa.

ATIVIDADE PARA ANTES DA LEITURA

✦ Sensibilizando os alunos

O livro mostra diversas obras feitas a partir da observação e da memória, obras que são o rela-to de um tempo, de um lugar, de uma cultura... Fazer desenho de observação é um tanto compli-cado, e desenvolver a memória requer exercício. Por isso, os alunos devem estar motivados para o desafi o. Que tal brincar de jogo da memória?

◗ Peça que seus alunos se organizem em pares e que cada um desenhe o rosto do amigo. Instrua-os a registrar Instrua-os traçInstrua-os característicInstrua-os do outro, como o formato do rosto, a cor da pele, o compri-mento, a cor e o corte de cabelo, a cor dos olhos, o desenho da boca, o formato do nariz etc.

◗ Lembre-se de que, por causa do jogo, eles têm de fazer duas vezes o mesmo desenho.

◗ Depois, é só montar alguns jogos com os pares de desenhos que seus alunos fi zeram, for-mar grupos de até cinco crianças e... jogar!

ATIVIDADES PARA DURANTE A LEITURA

✦ Orientações para ler o livro em sala

de aula

Professor, antes de propor a leitura do livro, convide os alunos a folhearem as páginas, ob-servando as imagens e imaginando como seria o autor dessas obras.

Conte-lhes que o artista é um argentino naturalizado brasileiro, que escolheu viver na Bahia depois de ter passado por diversos lu-gares. Peça às crianças que localizem no livro imagens de lugares e de pessoas da Bahia. Será que nessa leitura poderemos descobrir mais sobre a cultura afro-brasileira? Mostre a eles mapas do Brasil e da Bahia e fotografi as de pontos turísticos desse estado.

A leitura do texto pode ser feita de diversas maneiras: pelo professor, com os alunos em roda; pelos alunos, cada um lendo uma página; ou di-vidindo-se a classe em pequenos grupos.

O livro pode suscitar muitas questões entre os alunos. A seqüência didática planejada pelo professor deve sempre permitir uma abertura para que eles expressem suas idéias, compar-tilhando com os colegas diferentes leituras e interpretações.

Não deixe de comentar a história de vida e o contexto da morte de Carybé: coletivize as questões dos alunos, fazendo perguntas e recorrendo às imagens do livro.

SUGESTÃO DE PROJETO PEDAGÓGICO

PARA TURMAS DE 1

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A 4

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SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL:

VER E LEMBRAR

✦ Roteiro de apreciação das obras

repro-duzidas no livro: Rio São Francisco (pági-na 15), Festa da Conceição (pági(pági-na 19) e Série Baianas em cerâmica (página 31)

Promova um debate entre os alunos, suge-rindo que se disponham em roda para discutir algumas das seguintes questões:

◗ O que todas essas obras possuem em co-mum?

◗ Você consegue identifi car o traço de Carybé em todas as obras? O que ele tem de especial? ◗ Como são as cores utilizadas pelo artista? O que elas lhe transmitem?

◗ O que as pessoas retratadas estão fazen-do?

◗ Essas obras nos remetem a algum lugar do Brasil, em especial?

◗ Quais são as técnicas de desenho, pintura e escultura utilizadas nessas obras?

◗ Qual técnica mais lhe agrada? E a que lhe agrada menos?

◗ Na sua opinião, por que Carybé produzia tantas obras retratando a Bahia e sua gente?

◗ Carybé fazia registros do cotidiano dos baianos, seu modo de vida e costumes. Você diria que ele era uma pessoa observadora? Por quê?

✦ Contextualização (veja quadro na página 7 deste suplemento)

ATIVIDADES PARA DEPOIS DA LEITURA

✦ Produção

Os alunos podem experimentar algumas técnicas e procedimentos vivenciados pelo ar-tista e descritos no livro, como o desenho de observação e o de memória. Discuta com eles a diferença entre esses dois tipos de desenho.

Sobre o desenho de observação, comente que ele começa no olhar do artista: o que o artista vê e o modo como percebe o mundo estarão sempre presentes em seu trabalho.

Faça-os perceber como, difi cilmente, duas pessoas desenham de modo igual um mesmo modelo. O desenho de observação desen-volve a percepção de forma, de volume, de incidência de luz, de profundidade, de sobre-posição, de transparência, de valor e de tom das cores.

Quando ajudamos nossos alunos a concen-trar a atenção em alguns pontos específi cos do espaço a nossa volta e a desenhar observando, estamos estimulando-os a usar o hemisfério direito do cérebro, responsável pela produção artística do ser humano.

Estudos científi cos demonstram que, quando o cérebro está utilizando o hemisfério direito (a modalidade-D), ele processa as informações simultaneamente, relacionando-as e pensando de forma global. E que, quando utiliza o hemis-fério esquerdo (a modalidade-E), ele processa as informações logicamente, analiticamente, de maneira linear, verbal.

Ao fazermos um desenho de memória, utilizamos o lado esquerdo do cérebro, usamos esquemas preexistentes para desenhar. Por exemplo: quando desenhamos de memória uma casa, em geral acabamos por desenhar sempre a mesma casinha retangular com cha-miné e teto triangular. Mas, se olharmos mais atentamente à nossa volta, veremos que exis-tem muitas formas diferentes de casa.

Proponha a seus alunos que façam uma série de desenhos de observação e de memória.

Escolha um objeto comum da sala de aula, como lápis, caneta, apagador, carteira, cadeira, mesa da professora, e comece pedindo a eles que, individualmente, desenhem o objeto de memória.

Depois, oriente-os a observar atentamente o objeto escolhido, prestando atenção nas for-mas, cores e texturas, no modo como ele refl ete ou absorve a luz, no tamanho e na proporção entre as partes. Peça a eles que façam um dese-nho de observação do objeto.

No fi nal, monte dois grandes painéis, um com os desenhos de memória e outro com os de observação, e peça que os alunos observem e discutam as diferenças entre os dois.

Festa da Conceição.

Encarte Caribe.indd 1

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CARYBÉ

Professor

Neste suplemento você encontrará duas sugestões de projetos pedagógicos para desenvolver com alunos do ensino fundamental: a primeira é destinada a turmas de 1a a 4a série do ensino fundamental; a segunda, a turmas a partir da 5a série.

Cada um desses projetos tem como base o conteúdo do livro estudado. Para apoiar o trabalho do professor são aprofundadas questões sobre o movimento a que pertence o artista, além da contextualização de uma de suas obras.

Fica a critério do professor aproveitar as atividades para outros projetos, adap-tando-as ao perfi l de sua turma.

A Editora

2 3 4

De Myriam Fraga

(Diretora Executiva da Fundação Casa de Jorge Amado desde 1986. Como jornalista, é membro da Associação Baiana de Imprensa — ABI ––, além de manter colaboração em revistas e jornais.

Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia desde 1985.)

SUPLEMENTO DIDÁTICO

Elaborado por

Eliana Pougy (Mestranda em Psicologia e Educação pela Faculdade de Educação da USP,

é autora de livros de Artes Visuais para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I)

POR QUE TRABALHAR COM CARYBÉ?

Carybé, artista moderno por excelência, deixou uma marca inconfundível em todas as suas obras. Utilizando as mais diversas técnicas e linguagens, buscou desmistifi car seu trabalho e a própria arte ao afi rmar que “rabiscar papel e pintar telas não são atos de criação”. “Inspiração é besteira”, completava.

Cidadão do mundo, abraçou no entanto a cultura da Bahia, como se pode perceber em sua paixão pelo candomblé, presente em inúmeros trabalhos. Carybé foi um verdadeiro cronista do cotidiano baiano

do século XX. Dono de um traço estilizado, quase beirando o geométrico, exímio de-senhista, retratou a mistura de raças como ninguém: em suas obras misturam-se o negro, o índio e o branco.

O livro de Myriam Fraga nos mostra o amor desse artista, argentino naturalizado brasileiro, pela cultura brasileira. Carybé teve o mérito de valorizar a cultura afro-brasileira como poucos. Suas obras espelham nossa identidade cultural e nos ajudam a entender quem somos.

✦ Objetivos

◗ Fazer desenho de observação. ◗ Fazer desenho de memória.

◗ Reconhecer procedimentos e técnicas na obra de Carybé.

✦ Conteúdos gerais (com referência nos

PCNs de Arte)

◗ Identifi cação dos signifi cados expressivos e comunicativos das formas visuais.

◗ Pesquisa e freqüência junto às fontes — ar-tistas e obras — para reconhecimento e refl e-xão sobre a arte presente no entorno.

◗ Contato com imagens e informações orais e escritas sobre a vida e a produção do artista.

◗ Consideração dos elementos básicos da linguagem visual em suas articulações nas ima-gens produzidas (relações entre ponto, linha, plano, cor, textura, forma, volume, luz, ritmo, movimento, equilíbrio). ✦ Conteúdos do projeto ◗ Obra de Caribé. ◗ Procedimentos de criação. ◗ Desenho de observação. ◗ Desenho de memória.

✦ Trabalho interdisciplinar: História, Geo-grafi a e Língua Portuguesa.

ATIVIDADE PARA ANTES DA LEITURA

✦ Sensibilizando os alunos

O livro mostra diversas obras feitas a partir da observação e da memória, obras que são o rela-to de um tempo, de um lugar, de uma cultura... Fazer desenho de observação é um tanto compli-cado, e desenvolver a memória requer exercício. Por isso, os alunos devem estar motivados para o desafi o. Que tal brincar de jogo da memória?

◗ Peça que seus alunos se organizem em pares e que cada um desenhe o rosto do amigo. Instrua-os a registrar Instrua-os traçInstrua-os característicInstrua-os do outro, como o formato do rosto, a cor da pele, o compri-mento, a cor e o corte de cabelo, a cor dos olhos, o desenho da boca, o formato do nariz etc.

◗ Lembre-se de que, por causa do jogo, eles têm de fazer duas vezes o mesmo desenho.

◗ Depois, é só montar alguns jogos com os pares de desenhos que seus alunos fi zeram, for-mar grupos de até cinco crianças e... jogar!

ATIVIDADES PARA DURANTE A LEITURA

✦ Orientações para ler o livro em sala

de aula

Professor, antes de propor a leitura do livro, convide os alunos a folhearem as páginas, ob-servando as imagens e imaginando como seria o autor dessas obras.

Conte-lhes que o artista é um argentino naturalizado brasileiro, que escolheu viver na Bahia depois de ter passado por diversos lu-gares. Peça às crianças que localizem no livro imagens de lugares e de pessoas da Bahia. Será que nessa leitura poderemos descobrir mais sobre a cultura afro-brasileira? Mostre a eles mapas do Brasil e da Bahia e fotografi as de pontos turísticos desse estado.

A leitura do texto pode ser feita de diversas maneiras: pelo professor, com os alunos em roda; pelos alunos, cada um lendo uma página; ou di-vidindo-se a classe em pequenos grupos.

O livro pode suscitar muitas questões entre os alunos. A seqüência didática planejada pelo professor deve sempre permitir uma abertura para que eles expressem suas idéias, compar-tilhando com os colegas diferentes leituras e interpretações.

Não deixe de comentar a história de vida e o contexto da morte de Carybé: coletivize as questões dos alunos, fazendo perguntas e recorrendo às imagens do livro.

SUGESTÃO DE PROJETO PEDAGÓGICO

PARA TURMAS DE 1

a

A 4

a

SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL:

VER E LEMBRAR

✦ Roteiro de apreciação das obras

repro-duzidas no livro: Rio São Francisco (pági-na 15), Festa da Conceição (pági(pági-na 19) e Série Baianas em cerâmica (página 31)

Promova um debate entre os alunos, suge-rindo que se disponham em roda para discutir algumas das seguintes questões:

◗ O que todas essas obras possuem em co-mum?

◗ Você consegue identifi car o traço de Carybé em todas as obras? O que ele tem de especial? ◗ Como são as cores utilizadas pelo artista? O que elas lhe transmitem?

◗ O que as pessoas retratadas estão fazen-do?

◗ Essas obras nos remetem a algum lugar do Brasil, em especial?

◗ Quais são as técnicas de desenho, pintura e escultura utilizadas nessas obras?

◗ Qual técnica mais lhe agrada? E a que lhe agrada menos?

◗ Na sua opinião, por que Carybé produzia tantas obras retratando a Bahia e sua gente?

◗ Carybé fazia registros do cotidiano dos baianos, seu modo de vida e costumes. Você diria que ele era uma pessoa observadora? Por quê?

✦ Contextualização (veja quadro na página 7 deste suplemento)

ATIVIDADES PARA DEPOIS DA LEITURA

✦ Produção

Os alunos podem experimentar algumas técnicas e procedimentos vivenciados pelo ar-tista e descritos no livro, como o desenho de observação e o de memória. Discuta com eles a diferença entre esses dois tipos de desenho.

Sobre o desenho de observação, comente que ele começa no olhar do artista: o que o artista vê e o modo como percebe o mundo estarão sempre presentes em seu trabalho.

Faça-os perceber como, difi cilmente, duas pessoas desenham de modo igual um mesmo modelo. O desenho de observação desen-volve a percepção de forma, de volume, de incidência de luz, de profundidade, de sobre-posição, de transparência, de valor e de tom das cores.

Quando ajudamos nossos alunos a concen-trar a atenção em alguns pontos específi cos do espaço a nossa volta e a desenhar observando, estamos estimulando-os a usar o hemisfério direito do cérebro, responsável pela produção artística do ser humano.

Estudos científi cos demonstram que, quando o cérebro está utilizando o hemisfério direito (a modalidade-D), ele processa as informações simultaneamente, relacionando-as e pensando de forma global. E que, quando utiliza o hemis-fério esquerdo (a modalidade-E), ele processa as informações logicamente, analiticamente, de maneira linear, verbal.

Ao fazermos um desenho de memória, utilizamos o lado esquerdo do cérebro, usamos esquemas preexistentes para desenhar. Por exemplo: quando desenhamos de memória uma casa, em geral acabamos por desenhar sempre a mesma casinha retangular com cha-miné e teto triangular. Mas, se olharmos mais atentamente à nossa volta, veremos que exis-tem muitas formas diferentes de casa.

Proponha a seus alunos que façam uma série de desenhos de observação e de memória.

Escolha um objeto comum da sala de aula, como lápis, caneta, apagador, carteira, cadeira, mesa da professora, e comece pedindo a eles que, individualmente, desenhem o objeto de memória.

Depois, oriente-os a observar atentamente o objeto escolhido, prestando atenção nas for-mas, cores e texturas, no modo como ele refl ete ou absorve a luz, no tamanho e na proporção entre as partes. Peça a eles que façam um dese-nho de observação do objeto.

No fi nal, monte dois grandes painéis, um com os desenhos de memória e outro com os de observação, e peça que os alunos observem e discutam as diferenças entre os dois.

Festa da Conceição.

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✦ Objetivo

Por meio do estudo e da refl exão sobre a obra de Carybé, apreciar e pensar a indústria cultural e a ilustração editorial.

✦ Conteúdos gerais (com referência nos

PCNs de Arte)

◗ Conhecimento e competência de leitura das formas visuais em diversos meios de comu-nicação: fotografi a, cartaz, televisão, vídeo, histórias em quadrinhos, telas de computador, publicações, publicidade, design, desenho ani-mado etc.

◗ Refl exão sobre a ação social que os produ-tores de arte concretizam em diferentes épo-cas e culturas, estabelecendo conexões entre vida, obra e contexto.

✦ Conteúdos do projeto

◗ Características da ilustração editorial e da produção gráfi ca.

◗ A produção de Carybé em relação à indús-tria cultural.

✦ Tema transversal: Trabalho e Consumo. ✦ Trabalho interdisciplinar: Português, Ciên-cias, História e Geografi a.

ATIVIDADE PARA ANTES DA LEITURA

✦ Sensibilizando os alunos

Para iniciar a seqüência didática aqui pro-posta, o professor poderá, antes mesmo da leitura do livro, apresentar algumas idéias

SUGESTÃO DE PROJETO PEDAGÓGICO PARA

TURMAS A PARTIR DA 5

a

SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL:

ILUSTRANDO TEXTOS

sobre a produção da indústria cultural. Uma visita informal à biblioteca da escola seria uma ótima oportunidade para isso. Lá você pode deixar seus alunos folhear à vontade revistas e livros a fi m de conseguir um núme-ro razoável de diferentes estilos de ilustração editorial. Valem também jornais e revistas em quadrinhos.

Depois, converse com eles sobre o trabalho dos profi ssionais da indústria cultural, como são feitos os livros e as revistas, como é o processo de impressão off-set e como são distribuídos os livros e revistas até chegarem à nossa casa (veja a seção Para saber mais, na página 7 deste suplemento).

Comente então que alguns artistas plásticos modernos, entre eles Carybé, trabalharam para a indústria cultural ilustrando livros e revistas, e que no século XX a arte “culta” equiparou-se à indústria cultural, transformando o modo como vemos a arte e os artistas.

ATIVIDADES PARA DURANTE A LEITURA

✦ Orientações para ler o livro em sala

de aula

Depois de os alunos terem feito a leitura individualmente, o professor pode conduzir uma conversa, estimulando-os a opinar sobre o livro.

Na seqüência, em pequenos grupos, eles podem procurar as relações entre as obras de Carybé e a produção da indústria cultural. Al-gumas sugestões:

◗ Qual foi a primeira profi ssão de Carybé? ◗ Em que locais Carybé trabalhou grande parte de sua vida?

◗ Existe diferença entre trabalhar para um jornal ou para uma editora e trabalhar como artista plástico? Qual?

✦ Roteiro de apreciação das obras

repro-duzidas no livro Ilustração para o 20 Calendário Esso (página 13)

e Rio São Francisco (página 15)

No livro, obras de artes plásticas feitas por Carybé estão lado a lado com ilustrações e charges criadas por ele. Essa pode ser uma opor-tunidade de discutir a função do artista na era moderna. Sugerimos algumas questões:

◗ Que semelhanças e diferenças podemos apontar entre essas duas obras de Carybé?

◗ Como são as cores utilizadas pelo artista? O que elas lhe transmitem?

◗ O que as pessoas retratadas estão fazen-do?

◗ Essas obras nos remetem a algum lugar do Brasil em especial?

◗ Quais são as técnicas de desenho e pintura utilizadas?

◗ Qual técnica mais lhe agrada? E qual lhe agrada menos?

◗ Você vê diferença de importância entre o desenho feito com o objetivo de ilustrar um calendário ou um livro e uma pintura em tela? Justifi que.

◗ Podemos identifi car o traço de Carybé nas duas obras? A marca pessoal do artista está presente nelas?

◗ Certa vez, Carybé disse que “inspiração é besteira”. O que você pensa sobre isso?

✦ Contextualização (veja quadro na página 7 deste suplemento)

ATIVIDADES PARA DEPOIS DA LEITURA

Produção

Agora que os alunos sabem mais sobre a obra de Carybé e sobre a indústria cultural, pro-ponha a eles que ilustrem alguma poesia, conto ou crônica de que gostem. Você pode sugerir algumas técnicas como o desenho a nanquim e a aquarela, bastante utilizadas por Carybé. A classe pode montar um belo livro com os textos e as ilustrações criadas por eles.

Aproveite a ocasião para utilizar o laborató-rio de informática. Além de ser uma atividade que atrai os alunos, resultará em um produto mais bem acabado. Você pode mandar esca-near as ilustrações e eles podem diagramar as páginas do livro utilizando um software de editoração, como o Adobe Page Maker ou o MSWord.

Imprima diversas cópias do livro e circule-as entre os alunos das outras classes.

Carybé e a pintura de gênero

Carybé fazia verdadeiras crônicas da vida cotidiana em imagens, e por isso seu trabalho pode ser relacionado à pintura de gênero.

A pintura de gênero desenvolveu-se a partir da arte sacra (os temas do cotidiano aparecem como pano de fundo nos qua-dros da Pietà) e geralmente está vinculada à representação dos costumes, da vida familiar, do trabalho, das festas religiosas ou comunitárias, enfi m, do dia-a-dia nas diferentes classes sociais, tanto da cidade quanto do interior.

Na pintura de gênero, o ponto de vista do artista vem em primeiro lugar, e as pessoas entram em cena não como indivíduos, mas representadas como classe ou profi ssão. Por isso, uma das características desse tipo de pintura é a visão ingênua em relação à vida, próxima da chamada pintura naïve.

Podem ser considerados desdobramen-tos da pintura de gênero a pintura de inte-rior, que apresenta, por exemplo, cenas da vida em família, e a pintura de costumes, ou documental, como as realizadas por Debret e pelos chamados pintores-viajantes, que estiveram no Brasil no século XIX.

PARA SABER MAIS

Indústria cultural Conjunto de produtos

e serviços que tem como objetivo informar e entreter a população. Engloba a produção e distribuição, venda e/ou exibição de livros, re-vistas, jornais, fi lmes, vídeos, música, bem como transmissões radiofônicas e/ou televisivas feitas em sistema aberto ou fechado. O início dessa in-dústria, mais simbólico do que prático, remonta ao século XV, quando Gutemberg criou os tipos móveis de imprensa.

BIBLIOGRAFIA Carybé

CARYBÉ. Olha o boi: roteiro das graças da Bahia. Edição Diaulas Riedel. São Paulo: Cultrix, 1966.

CATÁLOGO DE EXPOSIÇÃO: CARYBÉ. Apre-sentação de Jorge Amado. São Paulo: Galeria de Arte André, 1984.

PECCININI, D. Objeto na arte Brasil anos 60. Catálogo da Exposição: Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado. São Paulo: Fundação Armando Álvares Penteado, 1978. Sites www.memorial.org.br/paginas/biblioteca/ biografi as/carybe.html www.itaucultural.org.br Arte-educação

ARGAN, G. C. Arte Moderna. São Paulo: Com-panhia das Letras, 1998.

BARBOSA, A. M. Arte-educação: confl itos / acertos. São Paulo: Ateliê Editorial, 1997.

––––––. A imagem do ensino da arte: anos oi-tenta e novos tempos. São Paulo / Porto Alegre: Perspectiva / Fundação Iochpe, 1981.

––––––. Arte-educação no Brasil: das origens ao Modernismo. São Paulo: Perspectiva,1997.

BRASIL. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF. Parâmetros Curriculares: Arte. Brasília: MEC, 1996.

––––––. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF. Parâmetros Curriculares – Ensino Médio. Brasília: MEC, 1999.

Ao rodarem os cilindros, a chapa é pressionada contra um cilindro de borracha, que aceitará a tinta e a transferirá para o papel.

Lima Barreto, Vítor (1906-1982) Autodidata,

radialista, jornaleiro, jornalista e escritor, Lima Barreto foi uma das personalidades mais fasci-nantes do cinema brasileiro. Seu fi lme O

canga-––––––. Secretaria do Ensino Fundamental. Parâmetros Curriculares: Introdução. Brasília: MEC, 1998.

GOMBRICH, E. H. Arte e ilusão. São Paulo: Edusp,1992.

IAVELBERG, R. Para gostar de aprender arte: sala de aula e formação de professores. Porto Alegre: Artmed, 2003.

JANSON, H. W. Iniciação à História da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

MARTINS, M. C. et alii. Didática do ensino da arte: a língua do mundo — Poetizar, fruir e co-nhecer arte. São Paulo: FTD, 1998.

PARSONS, M. J. Compreender a arte. 1. ed. Lisboa: Presença, 1992.

ROSSI, M. H. W. A compreensão das imagens da arte. Arte & Educação em revista. Porto Ale-gre: UFRGS / Iochpe. I: 27-35, out. 1995.

DICIONÁRIOS

DICIONÁRIO DA PINTURA MODERNA. São Paulo: Hemus, 1981.

DICIONÁRIO OXFORD DE ARTE. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

MARCONDES, Luis Fernando (org.). Dicionário de termos artísticos. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1988.

READ, Herbert (org.). Dicionário da arte e dos artistas. Lisboa: Edições 70, 1989.

ENCICLOPÉDIA

ENCICLOPÉDIA DOS MUSEUS. Museu de Arte de São Paulo. São Paulo: Melhoramentos, 1978.

CONTEXTUALIZAÇÃO: CARYBÉ E A ARTE MODERNA BRASILEIRA

Indústria cultural

No fi nal do século XIX, o desenvolvi-mento industrial aproximou-se da cultura, e assim nasceram a indústria cultural, o

marketing e o design. O artista se profi

s-sionalizou.

Destinados a seduzir o consumidor, levando-o a escolher um determinado produto entre tantos exatamente iguais, os objetos culturais tornaram-se infor-mações estéticas, pequenos espetáculos cheios de signifi cados e simbologias. O que pode diferenciar um produto indus-trializado de outro exatamente igual? Os símbolos que ele carrega.

A indústria cultural imprimiu um ritmo acelerado à produção de objetos culturais, infl uenciando a produção de arte. Além disso, as mudanças e rupturas estéticas aconteceram tão rapidamente que a profi ssionalização do crítico de arte tornou-se necessária para tentar explicar e organizar essa profusão.

Assim é possível afi rmar que na mo-dernidade, principalmente no século XX, a produção de arte nivelou-se ao entrete-nimento e à indústria, transformando os objetos de arte em objetos de consumo.

Impressão off-set Processo no qual as

cha-pas de impressão são instaladas em um cilindro e transferem a imagem a ser reproduzida para um cilindro de borracha limpo. Baseia-se no princí-pio de que o azeite e a água não se misturam. Quando os cilindros giram, a chapa passa sobre um rolo encharcado de água e depois sobre um rolo que contém a tinta, à base de óleo. A cha-pa, quimicamente tratada, tem uma área para a qual a tinta será transferida e repelirá a água. O resto da chapa reterá a água e repelirá a tinta.

ceiro foi o primeiro longa-metragem brasileiro a ganhar um prêmio no Festival de Cinema de Cannes, em 1953. Nesse fi lme ele realizou uma saga bem brasileira, transformando o cangaceiro em fi gura indispensável no romanceiro popular do Nordeste. Lima Barreto criou um novo estilo: o faroeste brasileiro.

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✦ Objetivo

Por meio do estudo e da refl exão sobre a obra de Carybé, apreciar e pensar a indústria cultural e a ilustração editorial.

✦ Conteúdos gerais (com referência nos

PCNs de Arte)

◗ Conhecimento e competência de leitura das formas visuais em diversos meios de comu-nicação: fotografi a, cartaz, televisão, vídeo, histórias em quadrinhos, telas de computador, publicações, publicidade, design, desenho ani-mado etc.

◗ Refl exão sobre a ação social que os produ-tores de arte concretizam em diferentes épo-cas e culturas, estabelecendo conexões entre vida, obra e contexto.

✦ Conteúdos do projeto

◗ Características da ilustração editorial e da produção gráfi ca.

◗ A produção de Carybé em relação à indús-tria cultural.

✦ Tema transversal: Trabalho e Consumo. ✦ Trabalho interdisciplinar: Português, Ciên-cias, História e Geografi a.

ATIVIDADE PARA ANTES DA LEITURA

✦ Sensibilizando os alunos

Para iniciar a seqüência didática aqui pro-posta, o professor poderá, antes mesmo da leitura do livro, apresentar algumas idéias

SUGESTÃO DE PROJETO PEDAGÓGICO PARA

TURMAS A PARTIR DA 5

a

SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL:

ILUSTRANDO TEXTOS

sobre a produção da indústria cultural. Uma visita informal à biblioteca da escola seria uma ótima oportunidade para isso. Lá você pode deixar seus alunos folhear à vontade revistas e livros a fi m de conseguir um núme-ro razoável de diferentes estilos de ilustração editorial. Valem também jornais e revistas em quadrinhos.

Depois, converse com eles sobre o trabalho dos profi ssionais da indústria cultural, como são feitos os livros e as revistas, como é o processo de impressão off-set e como são distribuídos os livros e revistas até chegarem à nossa casa (veja a seção Para saber mais, na página 7 deste suplemento).

Comente então que alguns artistas plásticos modernos, entre eles Carybé, trabalharam para a indústria cultural ilustrando livros e revistas, e que no século XX a arte “culta” equiparou-se à indústria cultural, transformando o modo como vemos a arte e os artistas.

ATIVIDADES PARA DURANTE A LEITURA

✦ Orientações para ler o livro em sala

de aula

Depois de os alunos terem feito a leitura individualmente, o professor pode conduzir uma conversa, estimulando-os a opinar sobre o livro.

Na seqüência, em pequenos grupos, eles podem procurar as relações entre as obras de Carybé e a produção da indústria cultural. Al-gumas sugestões:

◗ Qual foi a primeira profi ssão de Carybé? ◗ Em que locais Carybé trabalhou grande parte de sua vida?

◗ Existe diferença entre trabalhar para um jornal ou para uma editora e trabalhar como artista plástico? Qual?

✦ Roteiro de apreciação das obras

repro-duzidas no livro Ilustração para o 20 Calendário Esso (página 13)

e Rio São Francisco (página 15)

No livro, obras de artes plásticas feitas por Carybé estão lado a lado com ilustrações e charges criadas por ele. Essa pode ser uma opor-tunidade de discutir a função do artista na era moderna. Sugerimos algumas questões:

◗ Que semelhanças e diferenças podemos apontar entre essas duas obras de Carybé?

◗ Como são as cores utilizadas pelo artista? O que elas lhe transmitem?

◗ O que as pessoas retratadas estão fazen-do?

◗ Essas obras nos remetem a algum lugar do Brasil em especial?

◗ Quais são as técnicas de desenho e pintura utilizadas?

◗ Qual técnica mais lhe agrada? E qual lhe agrada menos?

◗ Você vê diferença de importância entre o desenho feito com o objetivo de ilustrar um calendário ou um livro e uma pintura em tela? Justifi que.

◗ Podemos identifi car o traço de Carybé nas duas obras? A marca pessoal do artista está presente nelas?

◗ Certa vez, Carybé disse que “inspiração é besteira”. O que você pensa sobre isso?

✦ Contextualização (veja quadro na página 7 deste suplemento)

ATIVIDADES PARA DEPOIS DA LEITURA

Produção

Agora que os alunos sabem mais sobre a obra de Carybé e sobre a indústria cultural, pro-ponha a eles que ilustrem alguma poesia, conto ou crônica de que gostem. Você pode sugerir algumas técnicas como o desenho a nanquim e a aquarela, bastante utilizadas por Carybé. A classe pode montar um belo livro com os textos e as ilustrações criadas por eles.

Aproveite a ocasião para utilizar o laborató-rio de informática. Além de ser uma atividade que atrai os alunos, resultará em um produto mais bem acabado. Você pode mandar esca-near as ilustrações e eles podem diagramar as páginas do livro utilizando um software de editoração, como o Adobe Page Maker ou o MSWord.

Imprima diversas cópias do livro e circule-as entre os alunos das outras classes.

Carybé e a pintura de gênero

Carybé fazia verdadeiras crônicas da vida cotidiana em imagens, e por isso seu trabalho pode ser relacionado à pintura de gênero.

A pintura de gênero desenvolveu-se a partir da arte sacra (os temas do cotidiano aparecem como pano de fundo nos qua-dros da Pietà) e geralmente está vinculada à representação dos costumes, da vida familiar, do trabalho, das festas religiosas ou comunitárias, enfi m, do dia-a-dia nas diferentes classes sociais, tanto da cidade quanto do interior.

Na pintura de gênero, o ponto de vista do artista vem em primeiro lugar, e as pessoas entram em cena não como indivíduos, mas representadas como classe ou profi ssão. Por isso, uma das características desse tipo de pintura é a visão ingênua em relação à vida, próxima da chamada pintura naïve.

Podem ser considerados desdobramen-tos da pintura de gênero a pintura de inte-rior, que apresenta, por exemplo, cenas da vida em família, e a pintura de costumes, ou documental, como as realizadas por Debret e pelos chamados pintores-viajantes, que estiveram no Brasil no século XIX.

PARA SABER MAIS

Indústria cultural Conjunto de produtos

e serviços que tem como objetivo informar e entreter a população. Engloba a produção e distribuição, venda e/ou exibição de livros, re-vistas, jornais, fi lmes, vídeos, música, bem como transmissões radiofônicas e/ou televisivas feitas em sistema aberto ou fechado. O início dessa in-dústria, mais simbólico do que prático, remonta ao século XV, quando Gutemberg criou os tipos móveis de imprensa.

BIBLIOGRAFIA Carybé

CARYBÉ. Olha o boi: roteiro das graças da Bahia. Edição Diaulas Riedel. São Paulo: Cultrix, 1966.

CATÁLOGO DE EXPOSIÇÃO: CARYBÉ. Apre-sentação de Jorge Amado. São Paulo: Galeria de Arte André, 1984.

PECCININI, D. Objeto na arte Brasil anos 60. Catálogo da Exposição: Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado. São Paulo: Fundação Armando Álvares Penteado, 1978. Sites www.memorial.org.br/paginas/biblioteca/ biografi as/carybe.html www.itaucultural.org.br Arte-educação

ARGAN, G. C. Arte Moderna. São Paulo: Com-panhia das Letras, 1998.

BARBOSA, A. M. Arte-educação: confl itos / acertos. São Paulo: Ateliê Editorial, 1997.

––––––. A imagem do ensino da arte: anos oi-tenta e novos tempos. São Paulo / Porto Alegre: Perspectiva / Fundação Iochpe, 1981.

––––––. Arte-educação no Brasil: das origens ao Modernismo. São Paulo: Perspectiva,1997.

BRASIL. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF. Parâmetros Curriculares: Arte. Brasília: MEC, 1996.

––––––. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF. Parâmetros Curriculares – Ensino Médio. Brasília: MEC, 1999.

Ao rodarem os cilindros, a chapa é pressionada contra um cilindro de borracha, que aceitará a tinta e a transferirá para o papel.

Lima Barreto, Vítor (1906-1982) Autodidata,

radialista, jornaleiro, jornalista e escritor, Lima Barreto foi uma das personalidades mais fasci-nantes do cinema brasileiro. Seu fi lme O

canga-––––––. Secretaria do Ensino Fundamental. Parâmetros Curriculares: Introdução. Brasília: MEC, 1998.

GOMBRICH, E. H. Arte e ilusão. São Paulo: Edusp,1992.

IAVELBERG, R. Para gostar de aprender arte: sala de aula e formação de professores. Porto Alegre: Artmed, 2003.

JANSON, H. W. Iniciação à História da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

MARTINS, M. C. et alii. Didática do ensino da arte: a língua do mundo — Poetizar, fruir e co-nhecer arte. São Paulo: FTD, 1998.

PARSONS, M. J. Compreender a arte. 1. ed. Lisboa: Presença, 1992.

ROSSI, M. H. W. A compreensão das imagens da arte. Arte & Educação em revista. Porto Ale-gre: UFRGS / Iochpe. I: 27-35, out. 1995.

DICIONÁRIOS

DICIONÁRIO DA PINTURA MODERNA. São Paulo: Hemus, 1981.

DICIONÁRIO OXFORD DE ARTE. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

MARCONDES, Luis Fernando (org.). Dicionário de termos artísticos. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1988.

READ, Herbert (org.). Dicionário da arte e dos artistas. Lisboa: Edições 70, 1989.

ENCICLOPÉDIA

ENCICLOPÉDIA DOS MUSEUS. Museu de Arte de São Paulo. São Paulo: Melhoramentos, 1978.

CONTEXTUALIZAÇÃO: CARYBÉ E A ARTE MODERNA BRASILEIRA

Indústria cultural

No fi nal do século XIX, o desenvolvi-mento industrial aproximou-se da cultura, e assim nasceram a indústria cultural, o

marketing e o design. O artista se profi

s-sionalizou.

Destinados a seduzir o consumidor, levando-o a escolher um determinado produto entre tantos exatamente iguais, os objetos culturais tornaram-se infor-mações estéticas, pequenos espetáculos cheios de signifi cados e simbologias. O que pode diferenciar um produto indus-trializado de outro exatamente igual? Os símbolos que ele carrega.

A indústria cultural imprimiu um ritmo acelerado à produção de objetos culturais, infl uenciando a produção de arte. Além disso, as mudanças e rupturas estéticas aconteceram tão rapidamente que a profi ssionalização do crítico de arte tornou-se necessária para tentar explicar e organizar essa profusão.

Assim é possível afi rmar que na mo-dernidade, principalmente no século XX, a produção de arte nivelou-se ao entrete-nimento e à indústria, transformando os objetos de arte em objetos de consumo.

Impressão off-set Processo no qual as

cha-pas de impressão são instaladas em um cilindro e transferem a imagem a ser reproduzida para um cilindro de borracha limpo. Baseia-se no princí-pio de que o azeite e a água não se misturam. Quando os cilindros giram, a chapa passa sobre um rolo encharcado de água e depois sobre um rolo que contém a tinta, à base de óleo. A cha-pa, quimicamente tratada, tem uma área para a qual a tinta será transferida e repelirá a água. O resto da chapa reterá a água e repelirá a tinta.

ceiro foi o primeiro longa-metragem brasileiro a ganhar um prêmio no Festival de Cinema de Cannes, em 1953. Nesse fi lme ele realizou uma saga bem brasileira, transformando o cangaceiro em fi gura indispensável no romanceiro popular do Nordeste. Lima Barreto criou um novo estilo: o faroeste brasileiro.

Encarte Caribe.indd 2

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✦ Objetivo

Por meio do estudo e da refl exão sobre a obra de Carybé, apreciar e pensar a indústria cultural e a ilustração editorial.

✦ Conteúdos gerais (com referência nos

PCNs de Arte)

◗ Conhecimento e competência de leitura das formas visuais em diversos meios de comu-nicação: fotografi a, cartaz, televisão, vídeo, histórias em quadrinhos, telas de computador, publicações, publicidade, design, desenho ani-mado etc.

◗ Refl exão sobre a ação social que os produ-tores de arte concretizam em diferentes épo-cas e culturas, estabelecendo conexões entre vida, obra e contexto.

✦ Conteúdos do projeto

◗ Características da ilustração editorial e da produção gráfi ca.

◗ A produção de Carybé em relação à indús-tria cultural.

✦ Tema transversal: Trabalho e Consumo. ✦ Trabalho interdisciplinar: Português, Ciên-cias, História e Geografi a.

ATIVIDADE PARA ANTES DA LEITURA

✦ Sensibilizando os alunos

Para iniciar a seqüência didática aqui pro-posta, o professor poderá, antes mesmo da leitura do livro, apresentar algumas idéias

SUGESTÃO DE PROJETO PEDAGÓGICO PARA

TURMAS A PARTIR DA 5

a

SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL:

ILUSTRANDO TEXTOS

sobre a produção da indústria cultural. Uma visita informal à biblioteca da escola seria uma ótima oportunidade para isso. Lá você pode deixar seus alunos folhear à vontade revistas e livros a fi m de conseguir um núme-ro razoável de diferentes estilos de ilustração editorial. Valem também jornais e revistas em quadrinhos.

Depois, converse com eles sobre o trabalho dos profi ssionais da indústria cultural, como são feitos os livros e as revistas, como é o processo de impressão off-set e como são distribuídos os livros e revistas até chegarem à nossa casa (veja a seção Para saber mais, na página 7 deste suplemento).

Comente então que alguns artistas plásticos modernos, entre eles Carybé, trabalharam para a indústria cultural ilustrando livros e revistas, e que no século XX a arte “culta” equiparou-se à indústria cultural, transformando o modo como vemos a arte e os artistas.

ATIVIDADES PARA DURANTE A LEITURA

✦ Orientações para ler o livro em sala

de aula

Depois de os alunos terem feito a leitura individualmente, o professor pode conduzir uma conversa, estimulando-os a opinar sobre o livro.

Na seqüência, em pequenos grupos, eles podem procurar as relações entre as obras de Carybé e a produção da indústria cultural. Al-gumas sugestões:

◗ Qual foi a primeira profi ssão de Carybé? ◗ Em que locais Carybé trabalhou grande parte de sua vida?

◗ Existe diferença entre trabalhar para um jornal ou para uma editora e trabalhar como artista plástico? Qual?

✦ Roteiro de apreciação das obras

repro-duzidas no livro Ilustração para o 20 Calendário Esso (página 13)

e Rio São Francisco (página 15)

No livro, obras de artes plásticas feitas por Carybé estão lado a lado com ilustrações e charges criadas por ele. Essa pode ser uma opor-tunidade de discutir a função do artista na era moderna. Sugerimos algumas questões:

◗ Que semelhanças e diferenças podemos apontar entre essas duas obras de Carybé?

◗ Como são as cores utilizadas pelo artista? O que elas lhe transmitem?

◗ O que as pessoas retratadas estão fazen-do?

◗ Essas obras nos remetem a algum lugar do Brasil em especial?

◗ Quais são as técnicas de desenho e pintura utilizadas?

◗ Qual técnica mais lhe agrada? E qual lhe agrada menos?

◗ Você vê diferença de importância entre o desenho feito com o objetivo de ilustrar um calendário ou um livro e uma pintura em tela? Justifi que.

◗ Podemos identifi car o traço de Carybé nas duas obras? A marca pessoal do artista está presente nelas?

◗ Certa vez, Carybé disse que “inspiração é besteira”. O que você pensa sobre isso?

✦ Contextualização (veja quadro na página 7 deste suplemento)

ATIVIDADES PARA DEPOIS DA LEITURA

Produção

Agora que os alunos sabem mais sobre a obra de Carybé e sobre a indústria cultural, pro-ponha a eles que ilustrem alguma poesia, conto ou crônica de que gostem. Você pode sugerir algumas técnicas como o desenho a nanquim e a aquarela, bastante utilizadas por Carybé. A classe pode montar um belo livro com os textos e as ilustrações criadas por eles.

Aproveite a ocasião para utilizar o laborató-rio de informática. Além de ser uma atividade que atrai os alunos, resultará em um produto mais bem acabado. Você pode mandar esca-near as ilustrações e eles podem diagramar as páginas do livro utilizando um software de editoração, como o Adobe Page Maker ou o MSWord.

Imprima diversas cópias do livro e circule-as entre os alunos das outras classes.

Carybé e a pintura de gênero

Carybé fazia verdadeiras crônicas da vida cotidiana em imagens, e por isso seu trabalho pode ser relacionado à pintura de gênero.

A pintura de gênero desenvolveu-se a partir da arte sacra (os temas do cotidiano aparecem como pano de fundo nos qua-dros da Pietà) e geralmente está vinculada à representação dos costumes, da vida familiar, do trabalho, das festas religiosas ou comunitárias, enfi m, do dia-a-dia nas diferentes classes sociais, tanto da cidade quanto do interior.

Na pintura de gênero, o ponto de vista do artista vem em primeiro lugar, e as pessoas entram em cena não como indivíduos, mas representadas como classe ou profi ssão. Por isso, uma das características desse tipo de pintura é a visão ingênua em relação à vida, próxima da chamada pintura naïve.

Podem ser considerados desdobramen-tos da pintura de gênero a pintura de inte-rior, que apresenta, por exemplo, cenas da vida em família, e a pintura de costumes, ou documental, como as realizadas por Debret e pelos chamados pintores-viajantes, que estiveram no Brasil no século XIX.

PARA SABER MAIS

Indústria cultural Conjunto de produtos

e serviços que tem como objetivo informar e entreter a população. Engloba a produção e distribuição, venda e/ou exibição de livros, re-vistas, jornais, fi lmes, vídeos, música, bem como transmissões radiofônicas e/ou televisivas feitas em sistema aberto ou fechado. O início dessa in-dústria, mais simbólico do que prático, remonta ao século XV, quando Gutemberg criou os tipos móveis de imprensa.

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Ao rodarem os cilindros, a chapa é pressionada contra um cilindro de borracha, que aceitará a tinta e a transferirá para o papel.

Lima Barreto, Vítor (1906-1982) Autodidata,

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ENCICLOPÉDIA

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CONTEXTUALIZAÇÃO: CARYBÉ E A ARTE MODERNA BRASILEIRA

Indústria cultural

No fi nal do século XIX, o desenvolvi-mento industrial aproximou-se da cultura, e assim nasceram a indústria cultural, o

marketing e o design. O artista se profi

s-sionalizou.

Destinados a seduzir o consumidor, levando-o a escolher um determinado produto entre tantos exatamente iguais, os objetos culturais tornaram-se infor-mações estéticas, pequenos espetáculos cheios de signifi cados e simbologias. O que pode diferenciar um produto indus-trializado de outro exatamente igual? Os símbolos que ele carrega.

A indústria cultural imprimiu um ritmo acelerado à produção de objetos culturais, infl uenciando a produção de arte. Além disso, as mudanças e rupturas estéticas aconteceram tão rapidamente que a profi ssionalização do crítico de arte tornou-se necessária para tentar explicar e organizar essa profusão.

Assim é possível afi rmar que na mo-dernidade, principalmente no século XX, a produção de arte nivelou-se ao entrete-nimento e à indústria, transformando os objetos de arte em objetos de consumo.

Impressão off-set Processo no qual as

cha-pas de impressão são instaladas em um cilindro e transferem a imagem a ser reproduzida para um cilindro de borracha limpo. Baseia-se no princí-pio de que o azeite e a água não se misturam. Quando os cilindros giram, a chapa passa sobre um rolo encharcado de água e depois sobre um rolo que contém a tinta, à base de óleo. A cha-pa, quimicamente tratada, tem uma área para a qual a tinta será transferida e repelirá a água. O resto da chapa reterá a água e repelirá a tinta.

ceiro foi o primeiro longa-metragem brasileiro a ganhar um prêmio no Festival de Cinema de Cannes, em 1953. Nesse fi lme ele realizou uma saga bem brasileira, transformando o cangaceiro em fi gura indispensável no romanceiro popular do Nordeste. Lima Barreto criou um novo estilo: o faroeste brasileiro.

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Referências

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