Dep. Matem´
atica
FCUP
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ALGEBRA LINEAR e
GEOMETRIA ANAL´ITICA
Resumo das aulas te´
oricas e pr´
aticas
1.
oano da licenciatura em Matem´
atica, F´ısica
Astronomia
Ano lectivo de 2010/2011
Jo˜
ao Nuno Tavares
1 Um curso r´apido de ALGA apenas em R2 1
1.1 Algebra Linear em R´ 2 . . . . 3
1.2 Aplica¸c˜oes `a geometria . . . 23
2 Algebra Linear e Geometria Anal´ıtica em R´ 3 27 2.1 Algebra Linear em R´ 3 . . . . 29 3 Espa¸cos vectoriais 57 3.1 Espa¸cos vectoriais . . . 57 3.2 Exemplos . . . 58 3.3 Subespa¸cos vectoriais . . . 61 3.4 Exerc´ıcios . . . 66
4 ALGA I. Aplica¸c˜oes lineares. Isomorfismos lineares 70 4.1 Aplica¸c˜oes lineares. Isomorfismos lineares. Operadores lineares. Funcionais lineares. O espa¸co dual V∗ . . . . 70
4.2 Exerc´ıcios . . . 73
5 ALGA I. Bases, coordenadas e dimens˜ao 74 5.1 Bases, coordenadas e dimens˜ao . . . 74
5.2 C´alculos com coordenadas. Problemas . . . 82
5.3 Mudan¸cas de base e de coordenadas . . . 85
5.4 Exerc´ıcios . . . 88
6 ALGA I. Representa¸c˜ao matricial das aplica¸c˜oes lineares 95 6.1 Matriz de uma aplica¸c˜ao linear . . . 95
6.2 C´alculo do n´ucleo e imagem . . . 96
6.3 Matriz da composta . . . 97
6.4 GL(n). Pontos de vista passivo e activo. . . 98
6.5 Determinantes . . . 99
6.5.1 Defini¸c˜ao e propriedades . . . 99
6.5.2 Determinante de um produto . . . 102
6.5.3 C´alculo da matriz inversa. Matriz adjunta . . . 103
6.6 Regra de Cramer . . . 105
6.7 Determinante de um operador linear . . . 106
6.8 Exerc´ıcios . . . 107
7 ALGA I. Espa¸cos vectoriais com produto interno 110 7.1 Espa¸cos Euclideanos reais . . . 110
7.2 Espa¸cos Hermitianos (ou Unit´arios) complexos . . . 113
7.3 Norma . . . 115
7.4 Ortogonalidade . . . 117
7.5 Bases ortonormadas num espa¸co vectorial com produto interno . 119 7.6 M´etodo de ortogonaliza¸c˜ao de Gram-Schmidt . . . 119
7.7 Decomposi¸c˜ao ortogonal. Teorema da aproxima¸c˜ao ´optima . . . 122
7.8 Aplica¸c˜oes. M´ınimos quadrados . . . 129
7.9 M´etodo dos m´ınimos quadrados. Aproxima¸c˜ao de dados por uma recta . . . 132
7.10 Transforma¸c˜oes ortogonais e unit´arias. Exemplos . . . 134
7.11 Transforma¸c˜oes unit´arias em C2. Os grupos U(2) e SU(2) . . . . 135
7.12 Exerc´ıcios . . . 136
8 ALGA I. Subespa¸cos invariantes. Subespa¸cos pr´oprios. Valores pr´oprios 142 8.1 Conjuga¸c˜ao . . . 142
8.2 Subespa¸cos invariantes . . . 145
8.3 Valores e vectores pr´oprios de um operador linear. Operadores diagonaliz´aveis . . . 147
8.4 C´alculo de valores e vectores pr´oprios . . . 148
8.6 N´umeros de Fibonacci. N´umero de ouro . . . 153
8.7 Exerc´ıcios . . . 158
9 ALGA I. Operadores auto-adjuntos (sim´etricos e hermitianos). Teorema espectral 162 9.1 Operadores auto-adjuntos (sim´etricos e hermitianos) . . . 162
9.2 Teorema espectral para operadores auto-adjuntos . . . 165
9.3 Diagonaliza¸c˜ao de formas quadr´aticas reais . . . 167
9.4 Propriedades extremais dos valores pr´oprios . . . 171
9.5 Operadores comutativos . . . 173
9.6 Exerc´ıcios . . . 173
10ALGA I. C´onicas e qu´adricas afins 175 10.1 Par´abola, Elipse e Hip´erbole . . . 175
10.2 Qu´adricas . . . 179
10.3 C´onicas e qu´adricas afins . . . 183
10.4 Redu¸c˜ao `a forma can´onica da equa¸c˜ao geral de uma c´onica . . . 189
11 Quaterni˜oes e Rota¸c˜oes 197 11.1 Defini¸c˜oes e propriedades . . . 197
11.2 Rota¸c˜oes no espa¸co dos quaterni˜oes puros . . . 200
12 O homomorfismo SU (2) → SO(3). Parˆametros de Cayley-Klein 209 12.1 Transforma¸c˜oes e matrizes hermitianas em C2. . . 209
12.2 Matrizes hermitianas de tra¸co nulo. Matrizes de Pauli . . . 210
12.3 O homomorfismo SU (2) → SO(3). Parˆametros de Cayley-Klein . 213 13 Rota¸c˜oes infinitesimais. ´Algebra do momento angular 217 13.1 so(3) e su(2) . . . 217
13.2 ´Algebra doo momento angular . . . 218
13.3 Representa¸c˜oes de sl(2, C). Spin . . . . 219
14 Geometria de Minkowski em R4 1 224 14.1 Produto escalar de Minkowski . . . 224
14.3 Car´acter causal. Cones de Luz . . . 226
14.4 Cones temporais . . . 227
14.5 Linhas de universo de observadores inerciais . . . 228
14.6 Ortogonalidade . . . 229
14.7 O espa¸co f´ısico de um observador inercial . . . 229
14.8 Desigualdade de Cauchy-Shwartz oposta, ˆangulo hiperb´olico . . . 229
14.9 Sistemas de coordenadas inerciais. O Factor de Lorentz . . . 233
14.10O Factor de Lorentz . . . 233
15 O grupo de Lorentz O(1, 3). O homomorfismo SL(2, C) → SO(1, 3)↑236 15.1 Transforma¸c˜oes de Lorentz no espa¸co de Minkowski R4. O grupo de Lorentz O(1, 3) . . . . 236
GEOMETRIA ANAL´ITICA
Referˆ
encias bibliogr´
aficas
1. T.M. Apostol: “Calculus, vol.1 e vol.2”. Xerox College Publishing Inter-national Textbook series, 1969.
2. Blyth T.S. and Robertson E.F.: “Basic Linear Algebra”. SUMS, Springer-Verlag, New York, 2002.
3. Mansfield L.E.: “Linear Algebra with Geometric Applications”. Marcel Dekker, Inc., 1976.
4. Postnikov M.: “Le¸cons de G´eom´etrie, vol.1 e 2”. ´Editions MIR, Moscou,1981.
5. Banchoff T., Wermer J.. “Linear Algebra through Geometry”. UTM, Springer-Verlag, New York, 1983.
6. Smith L.: “Linear Algebra”. UTM, Springer-Verlag, New York, 1978.
7. Curtis C.W.: “Linear Algebra, An Introductory Approach”. UTM, Springer-Verlag, New York, 1974.
8. Lipschutz S.: “Linear Algebra”. Schaum’s Outline Series. McGraw-Hill Book Company,1968.
9. Hern´andez E.: “ ´Algebra y Geometr´ıa”(2.aedicion). Addison-Wesley/Universidad Aut´onoma de Madrid, 1994.
Um curso r´
apido de ALGA
apenas em R
2
Neste primeiro m´odulo vamos retomar alguns conceitos ensinados no ensino secund´ario, e fazer uma ponte para os assuntos mais sofisticados que precisamos de aprender na disciplina de ALGA. Tentamos por agora usar as nota¸c˜oes que s˜ao mais familiares ao leitor.
Contents
1.1 Algebra Linear em R´ 2 . . . . 3 1.2 Aplica¸c˜oes `a geometria . . . 23
I Palavras chave
Vectores. R2 como espa¸co vectorial real. Subespa¸cos . Dependˆencia e in-depˆendencia linear. Base can´onica. Bases, coordenadas e dimens˜ao. Aplica¸c˜oes Lineares. Matriz de uma aplica¸c˜ao linear. Determinantes. Valores e vectores pr´oprios.
Geometria Euclideana em R2. Produto interno (euclideano). Norma (eu-clideana). ˆAngulo. Ortogonalidade. Rectas vectoriais e afins. Projec¸c˜ao or-togonal. Interpreta¸c˜ao geom´etrica de det e de det A. Reflex˜oes numa recta. Transforma¸c˜oes ortogonais em R2. Os grupos O(2) e SO(2).
I Nota¸c˜oes
x, y, u, v, w... vectores, em vez de ~x, ~y, ~u, ~v, ...
a, b, c, ..., λ, η, µ, ξ, ... escalares, isto ´e, n´umeros reais (para j´a).
I N´umero de aulas
2 te´oricas e 2 te´orico-pr´aticas.
I Objectivos
Um forte intui¸c˜ao geom´etrica sobre os principais conceitos da ALGA. Re-solver os sistemas que aparecem obrigatoriamente pelom´etodo de elimina¸c˜ao de Gauss.
I Site de apoio `a disciplina
http://www.fc.up.pt/cmup/alga
I Site de apoio em temas de Matem´atica elementar
1.1
Algebra Linear em R
´
2Vectores
I1.1 Umvectorx em R2´e por defini¸c˜ao um par ordenado de n´umeros reais,
representado, ou na forma x = (x1, x2), ou dispostos segundo uma
matriz-colunade duas linhas:
x = µ
x1
x2
¶
Os n´umeros reais xi, i = 1, 2, dizem-se ascomponentesdo vector x ∈ R2.
Geom`etricamente x = µ
x1
x2
¶
ser´a representado como na figura seguinte:
R2 como espa¸co vectorial real
I1.2 Dados dois vectores x = µ x1 x2 ¶ e y = µ y1 y2 ¶ , em R2, define-se a
respectivasoma vectorial, como sendo o vector x + y, dado por: x + y = µ x1 x2 ¶ + µ y1 y2 ¶ = µ x1+ y1 x2+ y2 ¶
Geom`etricamente x+y ´e obtido atrav´es da seguinteregra do paralelogramo:
I1.3 Dado um vector x = µ
x1
x2
¶
em R2, e um escalar (i.e., um n´umero
real) λ ∈ R, define-se a multiplica¸c˜ao do escalar λ pelo vector x, como sendo o vector λx dado por:
λx =
µ
λ x1
λ x2
¶
I1.4 E f´acil provar que as duas opera¸c˜oes definidas anteriormente, satisfazem´ as propriedades seguintes: [EV1]. x + y = y + x (1.1.1) [EV2]. (x + y) + z = x + (y + z) (1.1.2) [EV3]. 0 + x = x + 0 = x ∀x ∈ R2 (1.1.3) [EV4]. ∀x, ∃(−x) : x + (−x) = 0 (1.1.4) [EV5]. λ(x + y) = λx + λy (1.1.5) [EV6]. (λ + η)x = λx + ηx (1.1.6) [EV7]. λ(ηx) = (λη)x (1.1.7) [EV8]. 1x = x (1.1.8)
onde x, y, z ∈ R2, λ, η ∈ R, 0 =
µ 0 0
¶
´e o vector nulo de R2, e −x = (−1)x.
Por isso, diz-se que R2´e um espa¸co vectorial real.
I Exerc´ıcio1.1 ... Demonstre as 8 propriedades (2.1.1) a (1.1.8).
Subespa¸cos
I1.5 Um subconjunto n˜ao vazio S ⊆ R2 diz-se um subespa¸co vectorial
de R2, se S ´e fechado relativamente `as opera¸c˜oes de soma de vectores e de
multiplica¸c˜ao de escalares por vectores, i.e.:
• Se x, y ∈ S tamb´em x + y ∈ S (1.1.9)
• Se λ ∈ R, e x ∈ S tamb´em λx ∈ S (1.1.10)
Em R2 os subespa¸cos s˜ao de dois tipos:
• triviais: S = {0} e S = R2
• n˜ao triviais: S = {λv : λ ∈ R}, onde v 6= 0, que representa uma recta
que passa na origem, gerada por v 6= 0.
I Exerc´ıcio1.2 ... Diga quais dos seguintes conjuntos s˜ao subespa¸cos vectoriais de R2:
a) A =©(x, y) ∈ R2: x = yª; e) E =©(x, y) ∈ R2 : 3x − y = 1ª;
b) B =©(a, −a) ∈ R2: a ∈ Rª; f) F =©(x, y) ∈ R2: |x + 2y| = 3ª;
c) C =©(x, y) ∈ R2: x + y 6= 2ª; g) G = {(b, 2a + b) : a, b ∈ R} .
d) D =©(x, y) ∈ R2: x + 5y = 0ª; g) H = {(b, 2a + 1) : a, b ∈ R} .
Combina¸c˜ao linear
I1.6 Um vector x ∈ R2 diz-se uma combina¸c˜ao linear dos vectores a e b
de R2 se existirem escalares λ, η ∈ R tais que:
x = λ a + η b (1.1.11)
O conjunto de todas ascombina¸c˜oes lineares dos vectores a e b, isto ´e, de todos os vectores da forma λ a + η b, onde os escalares λ, η ∈ R s˜ao arbitr´arios, chama-se oespa¸co gerado por a e be representa-se por span{a, b}:
I Exerc´ıcio1.3 ... Em cada uma das al´ıneas que se seguem, verifique se x ∈ span {a, b}:
a) x = (1, 0), a = (1, 1), e b = (0, 1); b) x = (2, 1), a = (1, −1), e b = (1, 1); c) x = (1, 0), a = (1, 1), e b = (2, 2); d) x = (1, 1), a = (2, 1), e b = (−1, 0); e) x = (4, 3), a = (1, −1), e b = (−2, 2). f) x = (0, 0), a = (2, −1), e b = (−4, 2);
I Exerc´ıcio1.4 ... Em cada um dos casos, calcule o subespa¸co gerado por a e b, onde
a) a = (1, 1), b = (2, 2), em R2; b) a = ((1, 0), b = (5, 0), em R2;
c) a = (2, −1), b = (1, 0), em R2; d) a = (2, 1), b = (0, 0), em R2;
Dependˆencia e independˆencia linear
I1.7 Dois vectores x e y em R2, dizem-se linearmente dependentes, se
um deles ´e m´ultiplo escalar do outro. Se x = 0 (ou y = 0) ent˜ao x e y s˜ao linearmente dependentes. Geom`etricamente x e y s˜ao linearmente dependentes, sse eles s˜ao colineares.
I1.8 Dois vectores x e y em R2, dizem-se linearmente independentes,
se n˜ao s˜ao linearmente dependentes (o que implica que x 6= 0 e y 6= 0). Geom`etricamente x e y s˜ao linearmente independentes, sse eles s˜ao n˜ao col-ineares.
Simbolicamente:
(x e y s˜ao linearmente independentes) ⇐⇒ (λx + ηy = 0 =⇒ λ = η = 0) I Exerc´ıcio1.5 ... Verifique se os vectores que se seguem s˜ao linearmente depen-dentes ou independepen-dentes:
a) (1, 0), (2, −1) em R2; b) (1, 1), (2, 2) em R2;
c) (π, 0), (0, 1) em R2; d) (1, 2), (2, 3), (1, 1) em R2;
Base can´onica
I1.9 Os vectores de R2: e1= i = µ 1 0 ¶ e e2= j = µ 0 1 ¶
s˜ao linearmente independentes, e tˆem a propriedade de que qualquer vector x =
µ
x1
x2
¶
, se pode escrever comocombina¸c˜ao linearde e1 e e2. De facto:
x = µ x1 x2 ¶ = x1 µ 1 0 ¶ + x2 µ 0 1 ¶ = x1e1+ x2e2 (1.1.13)
Diz-se ent˜ao que C = {e1, e2} ´e uma base(ordenada) - a base can´onica
de R2.
Bases, coordenadas, dimens˜ao
I1.10 Qualquer conjunto B = {u1, u2} constitu´ıdo por dois vectores
linear-mente independentes, e que tˆem a propriedade de que qualquer vector x ∈ R, se pode escrever como combina¸c˜ao linear de u1 e u2:
x = x1u1+ x2u2 (1.1.14)
para certos escalares (´unicos) x1, x2∈ R, diz-se umabasede R2.
I1.11 Todas as bases de R2tˆem sempre dois elementos, e, por isso, diz-se que
adimens˜ao(real) de R2 ´e 2:
Os escalares x1, x2∈ R, que surgem em (1.1.14), dizem-se ascomponentes
(ou as coordenadas) do vector x, na base B = {u1, u2}. Neste caso
escrevemos: x = (x)B≡ µ x1 x2 ¶ B (1.1.15)
I Exerc´ıcio1.6 ... Verifique se os conjuntos que se seguem, s˜ao ou n˜ao bases de cada um dos espa¸cos vectoriais indicados em cada al´ınea. Calcule as coordenadas de x = (1, −1) relativamente aos que s˜ao bases:
a) {(1, 1), (3, 1)} em R2; b) {(0, 1), (0, −3)} em R2;
c) {(2, 1), (1, −1), (0, 2)} em R2; d) {(2, 1), (0, 0), (0, 1)} em R2;
I Exerc´ıcio1.7 ... Calcule uma base de cada um dos subespa¸cos que se seguem, e depois as coordenadas do vector u em cada uma das bases:
a) S =©(x, y) ∈ R2: x + y = 0ª, u = (3, −3);
b) S =©(x, y) ∈ R2: 2x = −yª, u = (4, −8);
Aplica¸c˜oes Lineares
I1.12 Uma aplica¸c˜ao A : R2 → R2 diz-se uma aplica¸c˜ao linear, se A
preserva as opera¸c˜oes que definem a estrutura vectorial de R2, i.e.:
A(x + y) = A(x) + A(y) (1.1.16)
A(λ x) = λ A(x) (1.1.17)
I1.13 Dada uma aplica¸c˜ao linear A : R2→ R2 define-se:
• on´ucleo de A:
ker A = {x ∈ R2: A(x) = 0} (1.1.18)
• aimagem de A:
im A = {y : A(x) = y ∈ R2, para algum x ∈ R2} (1.1.19)
I Exerc´ıcio1.8 ... Mostre que ker A e im A s˜ao subespa¸cos de R2.
I Exerc´ıcio1.9 ... Das aplica¸c˜oes A : R2−→ R2 que se seguem, indique aquelas
que s˜ao lineares. Relativamente a essas, calcule o respectivo n´ucleo e diga quais as que s˜ao injectivas.
a) A : (x, y) 7−→ (x + y, x − y) b) A : (x, y) 7−→ (|x| , |y|) c) A : (x, y) 7−→ (x + 1, x − y) d) A : (x, y) 7−→ (0, x + y)
I Exerc´ıcio1.10 ... Mostre que uma aplica¸c˜ao linear A : R2 −→ R2 fica
com-pletamente determinada pelos valores que assume numa base. Mais concretamente, se {e1, e2} ´e uma base e se A(e1) = f1, A(e2) = f2, onde f1, f2 s˜ao fixos de forma
arbitr´aria, ent˜ao estes dados determinam de forma ´unica a imagem A(x) de um vector arbitr´ario.
I Exerc´ıcio1.11 ... Sabendo que A ´e uma aplica¸c˜ao linear, calcule em cada caso a imagem de um vector gen´erico:
a) Sendo A : R2 −→ R2 e A(1, 0) = (1, 1) e A(0, 1) = (1, −2);
b) Sendo A : R2−→ R2 e A(1, −1) = (1, 2) e A(0, 3) = (2, −2);
c) Sendo A : R2−→ R2e A(2, 1) = (−1, 0) e A(−1, 1) = (3, −2);
Matriz de uma aplica¸c˜ao linear
I1.14 Se B = {u1, u2} ´e uma base fixa de R2, podemos escrever que:
A(u1) = a u1+ b u2 (1.1.20) A(u2) = c u1+ d u2 (1.1.21) A matriz: A = µ a c b d ¶ (1.1.22)
diz-se amatriz de A na base B, e nota-se por:
Se as coordenadas de um vector x ∈ R2, na base B = {u 1, u2}, s˜ao x = µ x1 x2 ¶ B , i.e., se: x = x1u1+ x2u2
ent˜ao as coordenadas de A(x) na base B obtˆem-se da seguinte forma: A(x) = A(x1u1+ x2u2)
= x1A(u1) + x2A(u2)
= x1(a u1+ b u2) + x2(c u1+ d u2)
= (ax1+ cx2) u1+ (bx1+ dx2) u2
(1.1.23)
o que significa que as coordenadas de A(x) na base B: (A(x))B= µ y1 y2 ¶ B obtˆem-se matricialmente atrav´es de:
µ y1 y2 ¶ B = µ a c b d ¶ µ x1 x2 ¶ B (1.1.24) ou mais sucintamente: (A(x))B= (A)B(x)B (1.1.25)
I Exerc´ıcio1.12 ... Em cada um dos seguintes casos determine a matriz da aplica¸c˜ao linear A na base indicada e calcule ker A e im A :
a). A : R 2 −→ R2 (x, y) 7−→ (3x − y, x + 5y) , na base C = {(1, 0), (0, 1)} b). A : R 2 −→ R2 (x, y) 7−→ (3x − y, x + 5y) , na base B = {(1, 1), (1, −1)} c). A : R 2 −→ R2 (x, y) 7−→ (3x, x + y) , na base B = {(2, −1), (1, 1)}
Composta de aplica¸c˜oes lineares. Matriz da composta. Produto de matrizes.
I1.15 Sejam
A : IR2→ IR2 e B : IR2→ IR2 (1.1.26) duas aplica¸c˜oes lineares.
A composta A ◦ B : IR2→ IR2(lˆe-se A composta com B, ou A ap´os B) ´e a aplica¸c˜ao definida por:
A ◦ B : IR2 −→ IR2
Esquematicamente:
x7−→ B(x)B 7−→ A(B(x))A
I Exerc´ıcio1.13 ... Mostre que A ◦ B ´e linear.
I1.16 Se B = {u1, u2} ´e uma base fixa de R2, podemos escrever que:
A(u1) = a u1+ b u2 (1.1.28)
A(u2) = c u1+ d u2 (1.1.29)
construindo assim a matriz de A na base B:
A = (A)B = µ a c b d ¶ (1.1.30)
Analogamente, podemos escrever que:
B(u1) = e u1+ f u2 (1.1.31)
B(u2) = g u1+ h u2 (1.1.32)
construindo assim a matriz de B na base B:
B = (B)B = µ e g f h ¶ (1.1.33)
Se as coordenadas de um vector x ∈ R2, na base B = {u
1, u2}, s˜ao x = µ x1 x2 ¶ B , i.e., se: x = x1u1+ x2u2
ent˜ao B(x) ´e igual a (verificar):
B(x) = (ex1+ gx2) u1+ (f x1+ hx2) u2
e portanto as coordenadas de A(B(x)) na base B obtˆem-se da seguinte forma: A(B(x)) = A((ex1+ gx2) u1+ (f x1+ hx2) u2)
= (ex1+ gx2) A(u1) + (f x1+ hx2) A(u2)
= (ex1+ gx2) (a u1+ b u2) + (f x1+ hx2) (c u1+ d u2)
= ((ae + cf )x1+ (ag + ch)x2) u1+ ((be + df )x1+ (bg + dh)x2) u2 (1.1.34)
o que significa que as coordenadas de A(B(x)) na base B: (A(B(x)))B= µ y1 y2 ¶ B
obtˆem-se matricialmente atrav´es de: µ y1 y2 ¶ B = µ ae + cf ag + ch be + df bg + dh ¶ µ x1 x2 ¶ B (1.1.35) o que ´e de facto uma f´ormula complicada. Para simplificar os c´alculos introduz-imos o conceito deproduto de matrizes- o produto das matrizes A e B (por esta ordem) define-se atrav´es de:
AB = µ a c b d ¶ µ e g f h ¶ = µ ae + cf ag + ch be + df bg + dh ¶ (1.1.36) o que nos permite escrever (1.1.35) na forma:
((A ◦ B)(x))B= (A)B(B)B(x)B (1.1.37)
I Exerc´ıcio1.14 ...
1. Mostrar que (A ◦ B)B= (A)B(B)B
2. Mostrar que o produto de matrizes n˜ao ´e, em geral, comutativo, i.e., em geral
AB 6= BA.
3. Mostrar que o produto de matrizes ´e associativo A(BC) = (AB)C.
4. Qual a matriz da aplica¸c˜ao identidade Id : IR2 → IR2, relativamente a uma
qualquer base de IR2?
O conjunto de todas as matrizes quadradas 2×2, de entradas reais, representa-se por M2(IR).
I Exerc´ıcio1.15 ... Uma matriz A ∈ M2(IR), diz-seinvers´ıvel se existir uma
matriz B ∈ M2(IR) tal que:
AB = BA = Id Onde Id = µ 1 0 0 1 ¶
´e amatriz identidade. Neste caso escreve-se B = A−1para
a inversa de A.
1. Calcule explicitamente a inversa da matriz A = µ
a c b d
¶
, supondo que ela existe. Qual a condi¸c˜ao para que exista A−1?
2. Mostre que (A−1)−1= A
3. Mostre que se A : IR2→ IR2´e um isomorfismo e se B ´e uma base de IR2, ent˜ao:
(A−1)B= ((A)B)−1 (1.1.38)
I Exerc´ıcio1.16 ... A transposta de uma matriz A = µ a c b d ¶ ´e a matriz At= µ a b c d ¶
1. Mostrar que (A4)t= A
2. Mostrar que (AB)t= BtAt
I1.17 Um grupo ´e um conjunto n˜ao vazio G munido de uma opera¸c˜ao bin´aria:
G × G −→ G
(g, h) 7−→ g · h
que verifica as propriedades seguintes:
1. associatividade (g · h) · k = g · (h · k), ∀g, h, k ∈ G
2. existe um elemento neutro e ∈ G tal que e · g = g · e = g, ∀g ∈ G
3. cada elemento g tem um inverso, isto ´e, ∀g ∈ G existe h ∈ G tal que
g · h = h · g = e. Este inverso nota-se por g−1(em nota¸c˜ao multiplicativa).
I Exerc´ıcio1.17 ... Mostre que o conjunto das matrizes invers´ıveis:
GL(2) = {A ∈ M2(IR) : A ´e invers´ıvel}
munido da opera¸c˜ao de produto de matrizes, ´e um grupo.
Determinantes
I1.18 Dada uma matriz A = µ
a c b d
¶
, definimos o seu determinante det A, como sendo o n´umero real:
det A = det µ a c b d ¶ = ad − bc (1.1.39) Representemos por c1 = µ a b ¶ e c2= µ c d ¶ as colunas da matriz A, de tal forma que:
det A = det [c1 c2] = ad − bc (1.1.40)
Um c´alculo directo mostra que:
det [c1 c2] 6= 0 sse c1, c2 s˜ao linearmente independentes (1.1.41)
det [c1 c2] = −det [c2 c1] (1.1.42)
det [c1+ c01 c2] = det [c1 c2] + det [c01 c2] (1.1.43)
det [c1 c2+ c02] = det [c1 c2] + det [c1 c02] (1.1.44)
det [λ c1 c2] = λ det [c1 c2]
e ainda que:
det I = 1 (1.1.46)
det (AB) = det A det B (1.1.47)
det (A−1) = (det A)−1 ∀A invers´ıvel (1.1.48) det (P−1A P ) = det A ∀P invers´ıvel (1.1.49)
det (A) = det (At) (1.1.50)
onde At´e atranspostade A e I = µ
1 0 0 1
¶
´e amatriz identidade. Al´em disso ´e poss´ıvel provar que para uma matriz A:
A ´e invers´ıvel se e s´o se det A 6= 0 (1.1.51)
I Exerc´ıcio1.18 ... Demonstre todas as propriedades acima referidas.
I1.19 Se A : R2 → R2 ´e uma aplica¸c˜ao linear, define-se o respectivo
deter-minantedet A, como sendo o determinante da matriz de A, relativamente a uma qualquer base de R2. Por (1.1.49) e (1.1.48), esta defini¸c˜ao n˜ao depende
da base escolhida.
I Exerc´ıcio1.19 ... Calcule o determinante das aplica¸c˜oes lineares descritas no exerc´ıcio 1.13.
Em breve veremos uma interpreta¸c˜ao geom´etrica da no¸c˜ao de determinante.
Produto interno (euclideano)
I1.20 Dados dois vectores x = µ x1 x2 ¶ e y = µ y1 y2 ¶ , em R2, define-se o
respectivo produto interno (Euclideano), como sendo o escalar x · y ∈ R, dado por: x · y = x1y1+ x2y2 = (x1 x2) µ y1 y2 ¶ = xty (1.1.52)
I1.21 O produto interno (euclideano), que acab´amos de definir, verifica as propriedades seguintes:
•´e bilinear: (x + y) · z = x · z + y · z x · (y + z) = x · y + x · z λx · y = x · λy = λ(x · y) (1.1.53) •´e sim´etrica: x · y = y · x (1.1.54) •´e n˜ao degenerada: x · y = 0 ∀y ∈ R2 ⇒ x = 0 (1.1.55) •´e definida positiva: x · x ≥ 0 e x · x = 0 ⇐⇒ x = 0 (1.1.56) ∀x, y, z ∈ R2, ∀λ ∈ R.
I Exerc´ıcio1.20 ... Verifique que o produto interno (1.1.52) satisfaz as pro-priedades acima referidas.
Norma (euclideana)
I1.22 Define-se a norma euclideanakxk, de um vector x =
µ x1 x2 ¶ ∈ R2, atrav´es da f´ormula: kxk ≡ √x · x = √xtx = p(x1)2+ (x2)2 (1.1.57)
I1.23 A norma euclideana verifica as propriedades seguintes:
•´e positiva e n˜ao degenerada:
kxk ≥ 0 e kxk = 0 sse x = 0 (1.1.58)
•´e homog´enea (positiva):
kλ xk = |λ| kxk (1.1.59)
• verifica adesigualdade triangular:
kx + yk ≤ kxk + kyk (1.1.60)
I1.24 Todas as propriedades s˜ao de demonstra¸c˜ao imediata com excep¸c˜ao da desigualdade triangular, que resulta imediatamente de uma outra importante desigualdade que passamos a enunciar:
• Desigualdade de Cauchy-Schwarz:
|x · y| ≤ kxkkyk (1.1.61)
∀x, y ∈ R2.
Demonstra¸c˜ao...
Se y = 0 a desigualdade ´e trivial. Se y 6= 0 consideremos o vector:
u = x − x · y kyk2 y de tal forma que u · y = 0. temos ent˜ao que:
0 ≤ kuk2 = ³x − x · y kyk2y ´ ·³x − x · y kyk2y ´ = x · x −(x · y)(y · x) kyk2 = kxk2−(x · y)2 kyk2 (1.1.62)
o que portanto demonstra a desigualdade, CQD.
Demonstremos agora a desigualdade triangular (7.3.4):
kx + yk2 = (x + y) · (x + y)
= x · x + x · y + y · x + y · y = kxk2+ 2(x · y) + kyk2
≤ kxk2+ 2|x · y| + kyk2
≤ kxk2+ 2kxkkyk + kyk2, pela desigualdade de Cauchy-Schwarz (2.1.48)
= (kxk + kyk)2
e portanto kx + yk ≤ kxk + kyk, como se pretendia.
ˆ
Angulo, ortogonalidade
I1.25 Dados dois vectores n˜ao nulos x, y ∈ R2, deduzimos da desigualdade
de Cauchy-Schwarz que:
−1 ≤ x · y
kxkkyk ≤ 1 (1.1.63)
o que permite definir oˆangulo (n˜ao orientado) θ ∈ [0, π], entre os referidos
vectores n˜ao nulos x, y ∈ R2, como sendo o ´unico θ ∈ [0, π], tal que:
Portanto:
x · y = kxkkyk cos θ (1.1.65)
Dois vectores x, y ∈ R2 dizem-seortogonaisse x · y = 0.
Rectas vectoriais e afins
I1.26 Dado um vector n˜ao nulo a 6= 0, o conjunto dos vectores x que s˜ao da forma:
x = t a, t ∈ R (1.1.66)
diz-se a recta (vectorial) gerada por a. Se a = ·
a1
a2
¸
, ent˜ao (1.1.66) ´e equivalente ao sistema de equa¸c˜oes:
½
x1= t a1
x2= t a2 , t ∈ R
que se dizem asequa¸c˜oes param´etricasda referida recta. Eliminando t nestas equa¸c˜oes, obtemos a chamadaequa¸c˜ao cartesianadessa mesma recta:
a2x1− a1x2= 0 (1.1.67)
o que exibe a recta como o conjunto dos vectores x = µ
x1
x2
¶
que s˜ao ortogonais ao vector n =
·
a2
−a1
¸
, isto ´e, tais que: x · n = 0
I1.27 Dado um ponto A ∈ R2 e um vector n˜ao nulo v 6= 0, o conjunto dos
pontos P que s˜ao da forma:
P = A + t v, t ∈ R (1.1.68) diz-se arecta afim que passa em A e ´e gerada por v 6= 0.
Se P = µ x1 x2 ¶ , A = µ a1 a2 ¶ , e v = · v1 v2 ¸
, ent˜ao (1.1.68) ´e equivalente ao sistema de equa¸c˜oes:
½
x1= a1+ t v1
x2= a2+ t v2 , t ∈ R
que se dizem asequa¸c˜oes param´etricasda referida recta. Eliminando t nestas equa¸c˜oes, obtemos a chamadaequa¸c˜ao cartesianadessa mesma recta:
o que exibe a recta como o conjunto dos pontos P = µ
x1
x2
¶
que s˜ao ortogonais ao vector n =
·
v2
−v1
¸
, e que passa em A, i.e., tais que: (P − A) · n = 0
I Exerc´ıcio1.21 ... Calcule a imagem do reticulado formado pelas rectas x = n e y = m, m, n ∈ Z, sob:
(i). a aplica¸c˜ao linear A(x, y) = (2x, x + y). (ii). a aplica¸c˜ao linear B(x, y) = (x − y, x + y).
Valores e vectores pr´oprios
I1.28 Seja A : R2→ R2 uma aplica¸c˜ao linear. Um escalar λ ∈ R diz-se um
valor pr´opriode A se existir um vector n˜ao nulo v ∈ R2− {0} tal que:
A(v) = λ v (1.1.70)
Neste caso, o vector n˜ao nulo v, diz-se umvector pr´oprioassociado (ou per-tencente) ao valor pr´oprio λ.
I1.29 O conjunto constitu´ıdo pelo vector nulo 0 e por todos os vectores pr´oprios pertencentes a um certo valor pr´oprio λ, de A, ´e um subespa¸co de R2, chamado o subespa¸co pr´oprio de A, pertencente ao valor pr´oprio λ, e
nota-se por:
E(λ) = EA(λ) = {v : A(v) = λ v} (1.1.71)
A restri¸c˜ao de A a EA(λ) ´e pois umahomotetiade raz˜ao λ (eventualmente
λ pode ser 0), i.e.:
A(u) = λ u ∀u ∈ EA(λ)
Em particular, a recta gerada pelo vector pr´oprio v 6= 0 fica invariante por A, isto ´e, a sua imagem por A est´a contida nela pr´opria.
I1.30 Em particular, se λ = 0 ´e valor pr´oprio de A, isto significa que o n´ucleo de A;
ker A = EA(0)
n˜ao se reduz ao vector nulo 0, e portanto A ´e n˜ao invers´ıvel (ou singular), ou de forma equivalente, det A = 0.
Quando λ 6= 0, dizer que λ ´e valor pr´oprio de A, ´e equivalente a dizer que 0 ´e valor pr´oprio de A − λ Id, o que, pelo par´agrafo anterior, ´e equivalente a dizer que A − λ Id ´e n˜ao invers´ıvel (ou singular), ou ainda que:
O polin´omio p(λ) = det (A − λ Id) diz-se o polin´omio caracter´ısticode A. Portanto as ra´ızes reais da chamadaequa¸c˜ao caracter´ısticade A:
p(λ) = det (A − λ Id) = 0 (1.1.73) (se existirem), s˜ao exactamente os valores pr´oprios (reais) de A.
Exemplo...
Calcule os valores e vectores pr´oprios (reais) da aplica¸c˜ao linear A : R2→ R2, cuja matriz na base can´onica de R2 ´e:
A = µ
3 4
4 −3
¶
A equa¸c˜ao caracter´ıstica de A ´e:
p(λ) = det (A − λ Id) = det µ 3 − λ 4 4 −3 − λ ¶ = λ2− 25 = 0 (1.1.74)
cujas ra´ızes reais (os valores pr´oprios de A) s˜ao λ1= 5 e λ2= −5.
Para calcular os vectores p´oprios v = µ
x1 x2
¶
, pertencentes ao valor pr´oprio λ = 5, devemos resolver o sistema:
µ 3 − 5 4 4 −3 − 5 ¶ µ x1 x2 ¶ = µ 0 0 ¶ isto ´e: ½ −2x1+ 4x2 = 0 4x1− 8x2 = 0 cuja solu¸c˜ao geral ´e: ½
x1 = 2t
x2 = t t ∈ R
Portanto os vectores p´oprios de A, pertencentes ao valor pr´oprio λ1= 5, s˜ao da forma:
t µ 2 1 ¶ t ∈ R − {0}
Procedendo da mesma forma relativamente ao outro valor pr´oprio λ2= −5, pode-mos calcular que os vectores p´oprios de A, pertencentes ao valor pr´oprio λ2= −5, s˜ao da forma: s µ 1 −2 ¶ s ∈ R − {0} Note que neste exemplo os vectores pr´oprios u1 =
µ 2 1 ¶ e u2 = µ 1 −2 ¶ formam uma base B = {u1, u2} de R2 relativamente `a qual a matriz de A ´e diagonal:
(A)B=
µ
5 0
0 −5
I Exerc´ıcio1.22 ... Em cada um dos seguintes casos, determine, se existirem, os valores pr´oprios de A, os subespa¸cos pr´oprios associados e as respectivas dimens˜oes e diga se A ´e diagonaliz´avel; no caso de o ser, indique uma base do dom´ınio de A composta por vectores pr´oprios e indique a matriz de A relativamente a essa base.
a). A : R 2 −→ R2 (x, y) 7−→ (2x − y, y) b). A : R2 −→ R2 (x, y) 7−→ (−x, −y) c). A : R 2 −→ R2 (x, y) 7−→ (3x + y, 12x + 2y) d). A : R2 −→ R2 (x, y) 7−→ (x − y, x + y) Projec¸c˜ao ortogonal
Sejam a 6= 0 e x dois vectores em R2. Ent˜ao existe um ´unico vector u, na
recta gerada por a, e um ´unico vector v, ortogonal a a, tais que x = u+v. O vec-tor u, notado por Pa(x), diz-se a
pro-jec¸c˜ao ortogonal de x sobre a recta gerada por a, e ´e calculado da seguinte forma.
Uma vez que u = Pa(x) pertence `a recta gerada por a, u ´e da forma u = λ a
para um certo λ ∈ R, caracterizado pela condi¸c˜ao de que: (x − λ a) · a = 0
Obtemos ent˜ao que t = x · a
kak2 e portanto: Pa(x) = x · a
kak2a (1.1.75)
I1.31 A aplica¸c˜ao Pa : R2 → R2 definida por (1.1.75), ´e linear e satisfaz a
condi¸c˜ao P2 a= Pa.
´
E claro que Pa(a) = a. Vemos pois que a ´e vector pr´oprio de Pa, pertencente
ao valor pr´oprio 1. Por outro lado, se considerarmos um qualquer vector b 6= 0 ortogonal a a (i.e.: a · b = 0), vemos que Pa(b) = 0 e portanto:
ker Pa= {t b : t ∈ R}
A matriz de Pana base {a, b} ´e pois:
µ 1 0 0 0
Interpreta¸c˜ao geom´etrica de det e de det A
I1.32 A distˆancia d de um ponto B ∈ R2, com vector de posi¸c˜ao b =−−→OP , `a
recta vectorial gerada por a 6= 0, ´e igual `a norma do vector b − Pa(b):
Pelo teorema de Pit´agoras, e uma vez que Pa(x) = kakx·a2a, tem-se que:
d2= kbk2−(b · a)
2
kak2
e atendendo a (1.1.65):
d = kbk sin θ
onde θ ∈ [0, π] ´e o ˆangulo entre a e b. A ´area do paralelogramo P(a, b), gerado por a e b ´e portanto igual a:
´area(P(a, b)) = kak.d = kakkbk sin θ (1.1.76) Por outro lado um c´alculo simples mostra que o quadrado desta ´area (que ´e sempre ≥ 0, j´a que sin θ ≥ 0) ´e igual ao quadrado do determinante det (a b), donde se deduz que:
|det (a b)| = ´area(P(a, b)) (1.1.77) I1.33 Quando a e b s˜ao linearmente independentes, de tal forma que det [a b] 6= 0, dizemos que a base ordenada {a, b} ´e:
½
positiva se det (a b) > 0 negativa se det (a b) < 0
I1.34 Consideremos agora uma aplica¸c˜ao linear A : R2→ R2. A imagem do
quadrado Q, gerado pelos vectores da base can´onica (que ´e positiva) {e1, e2}:
Q = {λ e1+ η e2: 0 ≤ λ, η ≤ 1}
´e o paralelogramo A(Q), de lados adjacentes A(e1) e A(e2).
Pondo A(e1) = a e1+ b e2= · a b ¸ e A(e2) = c e1+ d e2= · c d ¸ , sabemos que a ´area deste paralelogramo ´e igual a:
´area(A(Q)) = |det (A(e1) A(e2)|
= |det µ a c b d ¶ | = |det A| (1.1.78) Portanto:
´area(A(Q)) = |det A| (1.1.79) Mais geralmente, se R ´e o paralelogramo gerado pelos vectores linearmente independentes u e v, ent˜ao a imagem A(R) ´e o paralelogramo gerado por A(u) e A(v), e ´e f´acil provar que a ´area desta imagem ´e igual a:
´area(A(R)) = |det [A(u) A(v)]|
= |det A| ´area(R) (1.1.80)
isto ´e:
|det A| = ´area(A(R))
´area(R) (1.1.81)
I1.35 Diz-se que a aplica¸c˜ao linear A : R2→ R2:
½
preserva a orienta¸c˜ao (ou ´e positiva) se det A > 0 inverte a orienta¸c˜ao (ou ´e negativa) se det A < 0
I Exerc´ıcio1.23 ... Calcule o determinante das aplica¸c˜oes lineares descritas no exerc´ıcio 1.13, usando a f´ormula (1.1.81).
Reflex˜ao numa recta
Seja a um vector n˜ao nulo em R2. A
simetria relativamente `a recta gerada por a, ou reflex˜ao nessa recta, ´e a aplica¸c˜ao linear Sa: R2→ R2, definida
pela condi¸c˜ao: 1 2 ¡ Sa(x) + x ¢ = Pa(x) ∀x ∈ R2 (1.1.82) isto ´e, o ponto m´edio do segmento que une x a Sa(x) deve ser igual `a projec¸c˜ao
de x sobre a recta gerada por a. I1.36 Atendendo a (1.1.75), vemos que:
Sa(x) = 2Pa(x) − x = 2x · a
kak2a − x, ∀x ∈ R 2
Sa(x) = 2 x · a
kak2a − x, ∀x ∈ R
2 (1.1.83)
Note que S2
a = Id. Uma vez que Pa(a) = a vemos que Sa= a, e portanto
a ´e vector pr´oprio de Sa, pertencente ao valor pr´oprio 1. Se considerarmos um
qualquer vector b 6= 0 ortogonal a a (i.e.: a · b = 0), vemos que Pa(b) = 0 e
portanto Sa(b) = −b.
A matriz de Sana base {a, b} ´e portanto:
µ
1 0
0 −1 ¶
o que mostra que det Sa= −1 < 0, i.e., Sainverte orienta¸c˜ao (embora preserve
o m´odulo da ´area de paralelogramos)
Transforma¸c˜oes ortogonais em R2
I1.37 Uma aplica¸c˜ao linear A : R2→ R2diz-se uma transforma¸c˜ao
ortog-onal ou uma isometria de R2, se A preserva o produto interno (Euclideano)
usual de R2, i.e.:
A(x) · A(y) = x · y ∀x, y ∈ R2 (1.1.84) Esta condi¸c˜ao ´e equivalente a:
kA(x)k = kxk ∀x ∈ R2 (1.1.85)
i.e., A preserva os comprimentos dos vectores. Se A ´e a matriz de uma tal trans-forma¸c˜ao ortogonal, relativamente a uma qualquer base ortonormada {e1, e2} de
R2 (por exemplo, a base can´onica), A ´e uma matriz ortogonal, isto ´e, AtA = I. Portanto A ∈ O(2). Vejamos como ´e a forma geral de uma tal matriz.
I1.38 Se c1= A(e1), c2= A(e2) s˜ao as colunas de A, ent˜ao:
ci· cj = δij
o que significa que c1 e c2 s˜ao ortonormais. Portanto A transforma bases
ortonormadas em bases ortonormadas, preservando ou invertendo orienta¸c˜ao, conforme det A = +1 ou det A = −1, respectivamente. Por exemplo, a simetria Sa, descrita em (1.1.83), ´e uma transforma¸c˜ao ortogonal com det igual a −1.
Como c1 = A(e1) ≡ µ a b ¶ ´e um vec-tor de norma 1, sabemos que a2+b2= 1
e portanto existe um ´unico ϕ ∈ [0, 2π[ tal que a = cos ϕ e b = sin ϕ (ϕ ∈ [0, 2π[ ´e o ˆangulo polar de c1, i.e., o ˆangulo
ori-entado que c1 faz com a parte positiva
do eixo dos xx): Portanto c1 = · cos ϕ sin ϕ ¸
, e como c2 = A(e2) ´e tamb´em um vector unit´ario e
ortogonal a c1, dois casos podem ocorrer:
(i). c2= · − sin ϕ cos ϕ ¸ , ou (ii). c2= · sin ϕ − cos ϕ ¸
No primeiro caso, a matriz A tem a forma:
A = · cos ϕ − sin ϕ sin ϕ cos ϕ ¸ (1.1.86) cujo determinante ´e 1. Neste caso A diz-se uma rota¸c˜ao de ˆangulo ϕ (no sentido positivo), em torno da origem, e nota-se por Rϕ:
No segundo caso, a matriz A tem a forma: A = · cos ϕ sin ϕ sin ϕ − cos ϕ ¸ = · cos ϕ − sin ϕ sin ϕ cos ϕ ¸ · 1 0 0 −1 ¸ = RϕSe1 (1.1.87)
cujo determinante ´e −1. Neste caso A pode ser interpretada como uma re-flex˜ao relativamente ao eixo dos xx seguida de uma rota¸c˜ao Rϕ.
Essa reflex˜ao fixa e1 e transforma e2 em −e2. Se ent˜ao rodamos de ˆangulo
ϕ, temos que:
e1→ e1→ cos ϕe1+ sin ϕe2
e2→ −e2→ −(− sin ϕe1+ cos ϕe2) (1.1.88)
De facto, neste caso A representa uma simetria relativamenta `a recta que faz um ˆangulo ϕ2 com a parte positiva do eixo dos xx.
I Exerc´ıcio1.24 ... Classifique as seguintes isometrias de R2: a) A(x, y) = (1 2x + √ 3 2 y, √ 3 2 x − 1 2y). b) A(x, y) = (1 2x + √ 3 2 y, − √ 3 2 x + 1 2y). c) A(x, y) = (−4 5x + 3 5y, − 3 5x − 4 5y). d) A(x, y) = (x, y). e) A(x, y) = (−y, x).
I Exerc´ıcio1.25 ... Em cada um dos casos que se seguem, determine a simetria S relativamente `a recta indicada, a matriz de S relativamente `a base can´onica de R2
e uma base B de R2 relativamente `a qual a matriz de S seja do tipo
µ
1 0
0 −1
¶
.
a) r ´e a recta de equa¸c˜ao y = 2x; b) r ´e a recta de equa¸c˜ao 3x − y = 0; c) r ´e a recta de equa¸c˜ao y = (tgπ
5)x;
I Exerc´ıcio1.26 ... Em cada um dos seguintes casos, mostre que a transforma¸c˜ao linear A de R2 ´e uma isometria linear e descreva A geom`etricamente (isto ´e, diga se
A ´e uma simetria ou uma rota¸c˜ao; no caso de ser uma simetria, diga relativamente a que recta, no caso de ser uma rota¸c˜ao determine o ˆangulo).
a) A(x, y) = (y, x); b) A(x, y) = (y, −x); c) A(x, y) = (√2x−√2y 2 , √ 2x+√2y 2 ); d) A(x, y) = ((− cosπ 8)x + (sin π 8)y, (sin π 8)x + (cos π 8)y);
Os grupos O(2) e SO(2)
I1.39 O conjunto de todas as transforma¸c˜oes ortogonais de R2, constituem
um grupo que se diz o grupo ortogonal O(2). Este grupo ´e isomorfo ao grupo das matrizes ortogonais, tamb´em notado por O(2).
O subgrupo de O(2) constitu´ıdo por todas as transforma¸c˜oes ortogonais de R2, que tˆem determinante 1 (isto ´e, constitu´ıdo por todas as rota¸c˜oes Rθ, θ ∈
[0, 2π[, em R2) diz-se o grupo ortogonal especial e nota-se por SO(2). Este
grupo ´e isomorfo ao grupo das matrizes ortogonais de determinante 1, tamb´em notado por SO(2).
I Exerc´ıcio1.27 ... Demonstre estas afirma¸c˜oes, isto ´e, verifique que O(2) e
SO(2) s˜ao grupos (ambos subgrupos de GL(2)).
1.2
Aplica¸c˜
oes `
a geometria
I1.40 Exemplo ... As diagonais de um losango intersectam-se perpendicu-larmente.
Dem.: Como OQRP ´e um losango, kuk = kvk. Pretende-se provar que−−→QP ⊥ −−→
OR, isto ´e que, (u − v) · (u + v) = 0. Mas:
(u − v) · (u + v) = kuk2− kvk2= 0
I1.41 Exemplo [Lei dos cossenos] ... Num triˆangulo plano 4(ABC), onde
a = BC, etc. tem-se que:
c2= a2+ b2− 2ab cos C
Dem.: Escolhamos um referencial com origem em C, e ponhamos u =−→CA e
v =−−→CB. Ent˜ao−−→AB = v − u, e da´ı que:
k−−→ABk2= kv − uk2= kvk2− 2u · v + kuk2
ou, com as nota¸c˜oes referidas:
c2= a2+ b2− 2ab cos C
I1.42 Exemplo ... Se R ´e um ponto sobre um c´ırculo de diˆametro P OQ, mostre que P R ⊥ QR.
Dem.: Seja u =−−→OQ, v =−−→OR. Ent˜ao −→
P R =−−→OR −−−→OP = u + v −−→
QR =−−→OR −−−→OQ = v − u
Sabe-se que kuk = kvk e portanto:
−→
P R ·−−→QR = (u + v) · (v − u) = kvk2− kuk2= 0
I1.43 Exemplo ... As alturas de um triˆangulo intersectam-se num ´unico ponto (chamado o ortocentro do triˆangulo).
Dem.: Pretende-se encontrar um ponto X tal que:
−−→
AX ·−−→BC = 0, −−→BX ·−→CA = 0, −−→CX ·−−→AB = 0
Identificando um ponto P com o seu vector de posi¸c˜ao −−→OP , relativamente a
uma origem fixa O no plano, ´e f´acil verificar a identidade seguinte:
Seja X o ponto de intersec¸c˜ao de duas das alturas, digamos, das alturas partindo de A e de B. Temos ent˜ao que, lembrando que−−→AX = X − A, etc:
(X − A) · (C − B) = 0 (1.2.2)
(X − B) · (A − C) = 0 (1.2.3)
Subtraindo (1.2.2) e (1.2.3) de (1.2.1), obtemos: (X − C) · (B − A) = 0 como se pretendia.
I1.44 Exemplo ... Dados dois pontos distintos A 6= B no plano, mostrar que o lugar geom´etrico dos pontos P cuja distˆancia a A ´e o dobro da distˆancia a B ´e um c´ırculo.
´
Algebra Linear e Geometria
Anal´ıtica em R
3
Neste segundo m´odulo vamos generalizar os conceitos aprendidos no m´odulo 1, e tamb´em no ensino secund´ario, estudando ´Algebra Linear e Geometria Anal´ıtica no espa¸co R3. Do ponto de vista coceptual a generaliza¸c˜ao ´e imediata - em vez de
vectores com duas componentes temos agora vectores com trˆes componentes. H´a no entanto maior diversidade de conceitos e os c´alculos tornam-se um pouco mais trabalhosos. Mas ´e apenas isso! No in´ıcio tentamos usar as nota¸c˜oes que s˜ao mais familiares, an´alogas `as que us´amos no m´odulo 1, mas, quando introduzimos o c´alculo matricial, vamos come¸car a usar nota¸c˜oes mais apropriadas que se revelar˜ao muito ´uteis de futuro.
Contents
2.1 Algebra Linear em R´ 3 . . . . 29
Palavras chave
Vectores. R3 como espa¸co vectorial real. Subespa¸cos . Dependˆencia e in-depˆendencia linear. Base can´onica. Bases, coordenadas e dimens˜ao. Mudan¸ca de base e de coordenadas. Aplica¸c˜oes Lineares. Matriz de uma aplica¸c˜ao linear.
GL(2). Pontos de vista passivo e activo. Conjuga¸c˜ao. Determinantes. Valores
e vectores pr´oprios.
Geometria Euclideana em R3. Produto interno (euclideano). Norma (eu-clideana). ˆAngulo. Ortogonalidade. Rectas vectoriais e afins. Planos vectoriais e afins. Produto vectorial em R3. Produto misto em R3. Projec¸c˜ao ortogonal. Interpreta¸c˜ao geom´etrica de det e de det A. Simetrias relativamente a uma recta e a um plano. Transforma¸c˜oes ortogonais em R3. Os grupos O(3) e SO(3).
Nota¸c˜oes
x, y, u, v, w... vectores, em vez de ~x, ~y, ~u, ~v, ...
a, b, c, ..., λ, η, µ, ξ, ... escalares, isto ´e, n´umeros reais (para j´a).
I Site de apoio `a disciplina
http://www.fc.up.pt/cmup/alga
I Site de apoio em temas de Matem´atica elementar
2.1
Algebra Linear em R
´
3Vectores
I2.1 Umvectorem R3´e por defini¸c˜ao um terno ordenado de n´umeros reais,
representado na forma x = (x1, x2, x3), ou dispostos segundo uma
matriz-colunade trˆes linhas:
x = xx12 x3
Os n´umeros reais xi, i = 1, 2, 3, dizem-se ascomponentesdo vector x ∈ R3.
R3 como espa¸co vectorial real
I2.2 Dados dois vectores x = xx12 x3 e y = yy12 y3 , em R3, define-se a
respectivasoma vectorial, como sendo o vector x + y, dado por:
x + y = xx12 x3 + yy12 y3 = xx12+ y+ y12 x3+ y3
Geom`etricamente x + y ´e novamente obtido atrav´es da regra do paralelogramo.
I2.3 Dado um vector x = xx12
x3
em R3, e um escalar (i.e., um n´umero
real) λ ∈ R, define-se a multiplica¸c˜ao do escalar λ pelo vector x, como sendo o vector λ x dado por:
λ x = λ xλ x12 λ x3
mais uma vez as propriedades seguintes: [EV1]. x + y = y + x (2.1.1) [EV2]. (x + y) + z = x + (y + z) (2.1.2) [EV3]. 0 + x = x + 0 = x ∀x ∈ R3 (2.1.3) [EV4]. ∀x, ∃(−x) : x + (−x) = 0 (2.1.4) [EV5]. λ(x + y) = λx + λy (2.1.5) [EV6]. (λ + η)x = λx + ηx (2.1.6) [EV7]. λ(ηx) = (λη)x (2.1.7) [EV8]. 1x = x (2.1.8) onde x, y, z ∈ R3, λ, η ∈ R, 0 = 00 0
´e o vector nulo de R3, e −x = (−1)x.
Por isso, diz-se que R3 ´e umespa¸co vectorial real.
Subespa¸cos
I2.5 Um subconjunto n˜ao vazio ∅ 6= S ⊆ R3 diz-se umsubespa¸co vectorial
de R3, se S ´e fechado relativamente `as opera¸c˜oes de soma de vectores e de
multiplica¸c˜ao de escalares por vectores, i.e.:
• Se x, y ∈ S tamb´em x + y ∈ S (2.1.9)
• Se λ ∈ R, e x ∈ S tamb´em λ x ∈ S (2.1.10)
I2.6 Em R3 os subespa¸cos s˜ao de trˆes tipos:
• triviais: S = {0} e S = R3
• rectas vectoriais: S = {λ v : λ ∈ R}, onde v 6= 0, que representa uma recta que passa na origem, gerada por v 6= 0.
• planos vectoriais: S = {λ u + η v : λ, η ∈ R}, onde u e v s˜ao dois
vectores n˜ao colineares em R3, que representa um plano que passa na
origem, gerado por u e v.
I Exerc´ıcio2.1 ... Diga quais dos seguintes conjuntos s˜ao subespa¸cos vectoriais de R3:
a) A =©(x, y, z) ∈ R3: x + y + z = 0ª; e) E =©(a, −a, 5a) ∈ R3: a ∈ Rª.
b) B =©(x, y, z) ∈ R3: x + y = 3zª; f) F =©(a, −a + 1, 5a) ∈ R3: a ∈ Rª.
c) S =©(x, y, z) ∈ R3: x − y = 3z e z = 2yª; g) G = {(b, 2a + b, 1) : a, b ∈ R} .
Combina¸c˜ao linear
I2.7 Dados n vectores em R3, digamos {a
1, a2, · · · , ak}, um vector x ∈ R3 diz-se umacombina¸c˜ao lineardos vectores {a1, a2, · · · , ak} se existirem escalares
λ1, λ2, · · · , λn∈ R tais que:
x = λ1a1+ λ2a2+ · · · + λkak (2.1.11)
I2.8 O conjunto de todas ascombina¸c˜oes linearesdos vectores a1, a2, · · · , ak,
isto ´e, de todos os vectores da forma λ1a1+ λ2a2+ · · · + λkak, onde os
es-calares λi ∈ R s˜ao arbitr´arios, chama-se o espa¸co gerado pelos vectores a1, a2, · · · , ak e representa-se por span{a1, a2, · · · , ak}:
span{a1, a2, · · · , ak} = {λ1a1+ λ2a2+ · · · + λkak : λ1, · · · , λn∈ R}
(2.1.12)
I Exerc´ıcio2.2 ... Mostre que S = span{a1, a2, · · · , ak} ´e um subespa¸co de R3.
I Exerc´ıcio2.3 ... Em cada uma das al´ıneas que se seguem, verifique se x ∈ span {a, b, c}: a) x = (1, 0, 0), a = (1, 1, 1), b = (−1, 1, 0) e c = (1, 0, −1); b) x = (1, 0, 0), a = (1, 1, 2), b = (−1, 1, 0) e c = (1, 0, 1); c) x = (1, 1, 1), a = (0, 1, −1), b = (1, 1, 0) e c = (1, 0, 2); d) x = (0, 0, 1), a = (1, 1, 1), b = (−1, 1, 0) e c = (1, 0, −1); e) x = (1, 2, 3), a = (1, 1, 1), b = (−2, −2, 0) e c = (0, 0, −1). f) x = (1, 0, 0), a = (1, 1, 1), b = (2, 2, 0) e c = (1, 0, −1).
I Exerc´ıcio2.4 ... Em cada um dos casos, calcule o subespa¸co gerado por a, b e c, onde
a) a = (1, 1, −1), b = (2, 2, −2), c = (0, 0, 0), em R3;
b) a = ((1, 0, 1), b = (5, 0, −1), c = (0, 1, 0), em R3;
c) a = (2, −1, 1), b = (1, 0, 1)c = (1, 0, 1), em R3;
d) a = (2, 1, 2), b = (0, 0, 0), em R3;
Dependˆencia e independˆencia linear
I2.9 Dois vectores x e y em R3, dizem-se linearmente dependentes, se
um deles ´e m´ultiplo escalar do outro. Se x = 0 (ou y = 0) ent˜ao x e y s˜ao linearmente dependentes. Geom`etricamente x e y s˜ao linearmente dependentes, sse eles s˜ao colineares.
I2.10 Trˆes vectores x, y e z em R3, dizem-selinearmente dependentes, se
um deles ´e m´ultiplo escalar dos restantes. Se x = 0 (ou y = 0, ou z = 0) ent˜ao x, y e z s˜ao linearmente dependentes. Geom`etricamente x, y e z s˜ao linearmente dependentes, sse eles s˜ao coplanares.
I2.11 Dois vectores x e y em R2, dizem-se linearmente independentes,
sse n˜ao s˜ao linearmente dependentes (o que implica que x 6= 0 e y 6= 0). Geom`etricamente x e y s˜ao linearmente independentes, sse eles s˜ao n˜ao col-ineares. Simbolicamente:
(x e y s˜ao lin. indep.) ⇐⇒ (λx + ηy = 0 =⇒ λ = η = 0)
I2.12 Trˆes vectores x, y e z em R3,, dizem-selinearmente independentes,
sse n˜ao s˜ao linearmente dependentes (o que implica que x 6= 0, y 6= 0 e z 6= 0). Geom`etricamente x, y e z s˜ao linearmente independentes, sse eles s˜ao n˜ao coplanares. Simbolicamente:
(x, y e z s˜ao lin. indep.) ⇐⇒ (λ x + η y + µ z = 0 =⇒ λ = η = µ = 0) I Exerc´ıcio2.5 ... Verifique se os vectores que se seguem s˜ao linearmente depen-dentes ou independepen-dentes:
a) (1, 0, 1), (2, −1, 1) em R3; b) (1, 0, 1), (2, 2, 0) em R3;
c) (0, 0, 0), (0, 1, 1), (0, −1, 2) em R3; d) (1, 1, 2), (2, 3, 0), (1, 1, −1) em R3;
Base can´onica
I2.13 Os vectores de R3: e1= i = 10 0 e2= = 01 0 e e3= k = 00 1
s˜ao linearmente independentes, e tˆem a propriedade de que qualquer vector x =
xx12
x3
, se pode escrever como combina¸c˜ao linear de e1, e2 e e3. De
facto: x = xx12 x3 = x1 10 0 + x2 01 0 + x3 00 1 = x1e1+ x2e2+ x3e3 (2.1.13)
Diz-se ent˜ao que C = {e1, e2, e3} ´e uma base (ordenada): a base can´onica
de R3.
I2.14 Qualquer conjunto B = {u1, u2, u3} constitu´ıdo por trˆes vectores
lin-earmente independentes, e que tˆem a propriedade de que qualquer vector x ∈ R3,
se pode escrever como combina¸c˜ao linear de u1, u2e u3:
x = a1u1+ a2u2+ a3u3 (2.1.14)
para certos escalares (´unicos) a1, a2, a3∈ R, diz-se umabasede R3. Os escalares
a1, a2, a3 dizem-se ascoordenadasdo vector x na base B escreve-se:
x = aa12 a3 B (2.1.15)
Todas as bases de R3 tˆem sempre trˆes elementos, e por isso, diz-se que a
dimens˜ao(real) de R3´e 3.
I Exerc´ıcio2.6 ... Verifique se os conjuntos que se seguem, s˜ao ou n˜ao bases de cada um dos espa¸cos vectoriais indicados em cada al´ınea. Calcule as coordenadas de x = (1, −1) relativamente aos que s˜ao bases:
a) {(1, 1, 1), (1, −1, 5)} em R3;
b) {(1, 1, 1), (1, 2, 3), (2, −1, 1)} em R3;
c) {(1, 2, 3), (1, 0, −1), (3, −1, 0), (2, 1, −2)} em R3;
d) {(1, 1, 2), (1, 2, 5), (5, 3, 4)} em R3;
I Exerc´ıcio2.7 ... Calcule uma base de cada um dos subespa¸cos que se seguem, e depois as coordenadas do vector u em cada uma das bases:
a) S =©(x, y, z) ∈ R3: x + y + z = 0ª, u = (1, 1, −2);
b) S =©(x, y, z) ∈ R3: 2x − y = zª, u = (3, 2, 4);
b) S =©(x, y, z) ∈ R3: 2x − y = 0 = x + y − zª, u = (−1, 2, 3);
Aplica¸c˜oes Lineares
I2.15 Uma aplica¸c˜ao A : R3 → R3 diz-se uma transforma¸c˜ao linear, se A
preserva as opera¸c˜oes que definem a estrutura vectorial de R3, i.e.,:
A(x + y) = A(x) + A(y) (2.1.16)
A(λ x) = λ A(x) (2.1.17)
∀x, y ∈ R3, e ∀λ ∈ R.
I2.16 Dada uma aplica¸c˜ao linear A : R3→ R3 define-se:
• on´ucleo de A:
• aimagem de A:
im A = {y : A(x) = y ∈ R3, para algum x ∈ R3} (2.1.19)
I Exerc´ıcio2.8 ... (i). Mostrar que ker A e Im A s˜ao subespa¸cos de R3.
(ii). Mostrar que A ´e injectiva se e s´o se ker A = {0}.
I Exerc´ıcio2.9 ... Das aplica¸c˜oes que se seguem, indique aquelas que s˜ao lin-eares. Relativamente a essas, calcule o respectivo n´ucleo e diga quais as que s˜ao injectivas.
a) A : R3−→ R3 ; (x, y, z) 7−→ (x + y, x − y, x + z)
b) A : R3−→ R3; (x, y) 7−→ (|x| , |y| , x − z2)
c) A : R3−→ R3 ; (x, y, z) 7−→ (x + 1, x − y, 3)
d) A : R3−→ R3; (x, y, z) 7−→ (0, x + y, 0)
I Exerc´ıcio2.10 ... Sabendo que A : R3 −→ R3´e uma aplica¸c˜ao linear, calcule
em cada caso a imagem de um vector gen´erico:
a) sendo que A(1, 0, 0) = (1, 1, −1), A(0, 1, 0) = (1, −2, 0); e A(0, 0, 1) = (1, 1, 1) b) sendo A(1, −1, 1) = (1, 2, 0) e A(0, 3, −1) = (2, −2, 0); e A(1, 0, 0) = (1, 1, 1)
Matriz de uma aplica¸c˜ao linear
I2.17 Vamos nesta sec¸c˜ao introduzir pela primeira vez as nota¸c˜oes que ser˜ao usadas na parte mais avan¸cada do curso. `A primeira vista, estas nota¸c˜oes pare-cem muito complicadas mas, ap´os algum treino, veremos que elas facilitam substancialmente os c´alculos e as dedu¸c˜oes te´oricas que vamos estudar. E n˜ao fossem elas usadas intensivamente por Einstein ... As principais diferen¸cas s˜ao:
• para as coordenadas dos vectores usamos ´ındices superiores x1, x2, x3, ...
em vez de ´ındices inferiores x1, x2, x3, .... O risco aqui ´e a poss´ıvel confus˜ao
entre ´ındices superiores x1, x2, x3, ... e expoentes. Neste contexto, por
ex-emplo, x2n˜ao representa “x ao quadrado”mas sim a segunda componente
do vector x. N˜ao fa¸ca pois essa confus˜ao e esteja atento ao contexto.
• o uso de ´ındices superiores e inferiores A1
1, A32, A33, ... para as entradas de
uma matriz, de tal forma que na matriz A = (Ai
j), o ´ındice superior i ´e o ´ındice-linha- o que numera as linhas - enquanto que o ´ındice inferior j
´e o´ındice-coluna- o que numera as colunas:
A
i→ ´ındice linha: numera as linhas de AI2.18 Se B = {u1, u2u3} ´e uma base fixa de R3, podemos escrever que: A(u1) = A11u1+ A12u2+ A31u3 (2.1.20) A(u2) = A12u1+ A22u2+ A32u3 (2.1.21) A(u3) = A13u1+ A32u2+ A33u3 (2.1.22) A matriz: A = A 1 1 A12 A13 A2 1 A22 A23 A3 1 A32 A33 (2.1.23)
diz-se a matriz de A na base B, e nota-se por:
A = (A)B
I2.19 Se as coordenadas de um vector x ∈ R2, na base B, s˜ao x =
x 1 x2 x3 B , i.e., se: x = x1u 1+ x2u2+ x3u3
ent˜ao as coordenadas de A(x) na base B obtˆem-se da seguinte forma: A(x) = A(x1u 1+ x2u2+ x3u3) = x1A(u 1) + x2A(u2) + x3A(u3) = x1(A11u1+ A21u2+ A31u3) + x2(A12u1+ A22u2+ A32u3) +x3(A1 3u1+ A23u2+ A33u3) = (A11x1+ A12x2+ A13x3) u1+ (A21x1+ A22x2+ A23x3) u2 +(A3 1x1+ A32x2+ A33x3) u3 (2.1.24)
o que significa que as coordenadas de A(x) na base B:
(A(x))B= y 1 y2 y3 B se obtˆem matricialmente atrav´es de:
y 1 y2 y3 B = A 1 1 A12 A13 A2 1 A22 A23 A3 1 A32 A33 x 1 x2 x3 B (2.1.25) ou mais sucintamente: (A(x))B= (A)B(x)B (2.1.26)
ou ainda, em“nota¸c˜ao tensorial”, pondo (A)B= (Ai
j) e yi= (Ax)i:
yi=P3
i=1 Aijxj= Aijxj (2.1.27)
onde, na segunda igualdade adoptamos a chamada“conven¸c˜ao de Einstein” que consiste em omitir o sinal de somat´orio, ficando subentendido que o facto de surgir o ´ındice j repetido, uma vez em cima e outra em baixo, implica que se fa¸ca esse somat´orio no ´ındice j.
Determinantes
I2.20 Dada uma matriz A = A 1 1 A12 A13 A2 1 A22 A23 A3 1 A32 A33
, definimos o seu determi-nante det A, como sendo o n´umero real:
det A = ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ A1 1 A12 A13 A2 1 A22 A23 A3 1 A32 A33 ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ = A11 ¯ ¯ ¯ ¯ A 2 2 A23 A3 2 A33 ¯ ¯ ¯ ¯ − A12 ¯ ¯ ¯ ¯ A 2 1 A23 A3 1 A33 ¯ ¯ ¯ ¯ + A13det ¯ ¯ ¯ ¯ A 2 1 A22 A3 1 A32 ¯ ¯ ¯ ¯ (2.1.28)
Veremos en breve uma interpreta¸c˜ao geom´etrica para det A. I2.21 Representemos por: c1= A 1 1 A2 1 A3 1 , c2= A 1 2 A2 2 A3 2 e c3= A 1 3 A2 3 A3 3
as colunas da matriz A, de tal forma que:
det A = det (c1 c2 c3) (2.1.29)
´
E poss´ıvel mostrar as seguintes propriedades do det :
(i). det (c1 c2 c3) 6= 0 sse c1, c2, c3s˜ao linearmente independentes.
(ii). det [c1 c2 c3] muda de sinal, sempre que se permuta um par de colunas.
(iii).
det (c1+ c01 c2 c3) = det (c1 c2 c3) + det (c01 c2 c3) (2.1.30)
det (c1 c2+ c02 c3) = det (c1 c2 c3) + det (c1 c02 c3) (2.1.31)
det (c1 c2 c3+ c03) = det (c1 c2 c3) + det (c1 c2 c03) (2.1.32)
det (λ c1 c2 c3) = λ det (c1 c2 c3)
= det (c1 λ c2 c3)
e ainda que: (iv).
det I = 1 (2.1.34)
det (AB) = det A det B (2.1.35)
det (A−1) = (det A)−1 ∀A ∈ GL(3) (2.1.36)
det (P−1A P ) = det A ∀P ∈ GL(3) (2.1.37)
det (A) = det (At) (2.1.38)
onde At´e a transposta de A.
(v). Al´em disso ´e poss´ıvel provar que para uma matriz A:
A ´e invers´ıvel se e s´o se det A 6= 0
.
I2.22 Finalmente, se A : R3 → R3 ´e uma aplica¸c˜ao linear, define-se o
re-spectivo determinante det A, como sendo o determinante da matriz de A, relativamente a uma qualquer base de R3. Veremos, num pr´oximo cap´ıtulo, que
esta defini¸c˜ao n˜ao depende da base escolhida.
Veremos en breve uma interpreta¸c˜ao geom´etrica para det A.
I Exerc´ıcio2.11 ... Calcule o determinante das aplica¸c˜oes lineares descritas no exerc´ıcio ??.
Produto interno (euclideano)
I2.23 Dados dois vectores x = xx12 x3 e y = yy12 y3 , em R3, define-se o
respectivo produto interno (euclideano), como sendo o escalar x · y ∈ R, dado por: x · y = x1y1+ x2y2+ x3y3 = (x1 x2 x3) yy12 y3 = xty (2.1.39)
I2.24 O produto interno (euclideano), que acab´amos de definir, verifica as propriedades seguintes:
•´e bilinear: (x + y) · z = x · z + y · z x · (y + z) = x · y + x · z λx · y = x · λy = λ(x · y) (2.1.40) •´e sim´etrica: x · y = y · x (2.1.41) •´e n˜ao degenerada: x · y = 0 ∀y ∈ R2 ⇒ x = 0 (2.1.42) •´e definida positiva: x · x ≥ 0 e x · x = 0 ⇐⇒ x = 0 (2.1.43) ∀x, y, z ∈ R3, ∀λ ∈ R.
I Exerc´ıcio2.12 ... Verifique que o produto interno (2.1.39) satisfaz as pro-priedades acima referidas.
Norma (euclideana)
I2.25 Define-se a norma euclideana kxk, de um vector x = xx12 x3 ∈ R3, atrav´es da f´ormula: kxk ≡ √x · x = √xtx = p(x1)2+ (x2)2+ (x3)2 (2.1.44)
I2.26 A norma euclideana verifica as propriedades seguintes:
•´e positiva e n˜ao degenerada:
kxk ≥ 0 e kxk = 0 sse x = 0 (2.1.45)
•´e homog´enea (positiva):