C
ONTROLO DE
C
ONFORMIDADE COM
BASE NA
A
VALIAÇÃO
C
OMPORTAMENTAL
DE
S
OLUÇÕES
C
ONSTRUTIVAS
M
ÓNICAM
ARQUESR
IBEIRO DEM
ELODissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL —ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES
Orientador: Professor Doutor Rui Manuel Gonçalves Calejo Rodrigues
Coorientador: Engenheiro Joaquim Cantista Roberto
Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-508 1446 [email protected]
Editado por
FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO
Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-508 1440 [email protected] http://www.fe.up.pt
Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2015/2016 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2016.
As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir.
Aos meus Pais e Irmã
Asking questions is one of the fundamental keys of learning. It is always better to ask a question than pretend you understand. Catherine Pulsifer
AGRADECIMENTOS
Ao Professor Rui Calejo, enquanto meu orientador, agradeço por todo o entusiasmo e motivação que me transmitiu ao longo do desenvolvimento da dissertação, pelo apoio e disponibilidade sempre demonstrados e, indubitavelmente, por toda a sabedoria que me proporcionou e que de outra forma não seria possível.
Ao Engenheiro Joaquim Cantista, manifesto o meu mais sincero apreço por me ter concedido a oportunidade de realizar a presente dissertação de mestrado no âmbito de um estágio curricular, por toda a orientação prestada, ensinamentos, experiência transmitida, conselhos e, claro, pela sua paciência, descontração e, como não poderia deixar de ser, sentido de humor.
Aos profissionais que contribuíram decisivamente no meu conhecimento da temática, destacando Francisco Moreira por sempre ter demonstrado disponibilidade acompanhar-me nas obras, explicando-me todos os detalhes e respondendo sempre sem hesitar a qualquer questão ou dúvida.
À Sonae Sierra, por me proporcionar este estágio, por toda a atenção e disponibilidade, por toda a sua equipa de excelência sem a qual esta experiência não teria o mesmo significado.
Aos meus amigos, pela amizade e tolerância, por me ensinarem a encarar obstáculos como a realização desta tese sempre de forma positiva, descontraída e com humor e, claro. Obrigada pela componente social gratificante que acrescentaram ao meu percurso académico, sem os nossos momentos não teria piada. Devo também agradecer especificamente àqueles com quem realizei esta dissertação, os meus companheiros de tese, nomeadamente por toda a sua contribuição nos meus problemas informáticos que não foram poucos.
E por último - precisamente por serem aqueles que mais agradecimentos merecem dado que me possibilitaram todo o percurso que decorre até à realização de uma dissertação de mestrado - à minha família, destacando os meus pais e irmã, por tudo. Estou grata por me terem feito sempre a sua prioridade, por estarem sempre presentes e acreditarem em mim. Enfim, pela minha formação enquanto pessoa, sem eles não seria o que sou hoje, não teria as oportunidades que me proporcionaram, nem esta tese possivelmente existiria. A eles estou para sempre agradecida, por estas e infinitas razões que nem vale a pena detalhar: um muito obrigado.
RESUMO
O controlo da qualidade das obras, objeto da fiscalização, raramente tem em atenção o histórico do comportamento em serviço de soluções idênticas. O objetivo deste trabalho é tentar avaliar se, com base nesse histórico, é ou não possível aumentar a eficiência do controlo da qualidade.
Para tal desenvolveu-se uma metodologia de controlo de conformidade baseada na identificação do comportamento de soluções construtivas tradicionais relacionadas com um caso de estudo, tendo-se procedido ao levantamento do histórico comportamental que foi refletido num conjunto de fichas de controlo de conformidade (FCC) aplicadas ao caso referido.
Os resultados obtidos permitem concluir que a metodologia proposta é adequada aos objetivos (e poderá ser utilizada noutras tecnologias para que estas conclusões sejam universais) e observou-se que 83% das anomalias usuais das soluções tradicionais estudadas poderiam ter sido evitadas.
PALAVRAS-CHAVE: qualidade, conformidade, fiscalização, inspeção, histórico, avaliação comportamental.
ABSTRACT
Quality control of construction site, object of supervision, rarely takes into account the history of similar solutions in service. The goal is to try to assess whether, based on this historic, it is or not possible to increase the efficiency of quality control.
To this end was developed a method of conformity control based on behavioural identification of traditional constructive solutions related to a case study, having proceeded to the survey of behavioural history that was reflected in a set of conformity control sheets applied to the previous case.
The results showed that the first proposed methodology is appropriate to the objectives (and might be used in other technologies so that these findings become universal) and it was observed that 83% of the common anomalies of the traditional solutions studied could have been avoided.
ÍNDICE GERAL AGRADECIMENTOS ... I RESUMO ... III ABSTRACT ... V
1. INTRODUÇÃO
... 1 1.1.CONTEXTUALIZAÇÃO ... 1 1.2.PREÂMBULO ... 1 1.3.PROBLEMÁTICA E OBJETIVOS ... 2 1.4.ÂMBITO E MÉTODO ... 41.5.ENQUADRAMENTO HISTÓRICO,SOCIOCULTURAL E ECONÓMICO ... 4
1.6.ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO ... 6
2. CONTROLO DE CONFORMIDADE – ENQUADRAMENTO
TEÓRICO E REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
... 72.1.CONSCIENCIALIZAÇÃO ... 7
2.2.QUALIDADE ... 7
2.2.1.QUALIDADE E SISTEMA PORTUGUÊS DA QUALIDADE (SPQ) ... 7
2.2.2.QUALIDADE DA CONSTRUÇÃO E SISTEMAS DE APOIO À SUA IMPLEMENTAÇÃO ... 8
2.3.FISCALIZAÇÃO COMO CONTROLO DA QUALIDADE ... 8
2.3.1.AATIVIDADE DE FISCALIZAÇÃO ... 8
2.3.2.VERIFICAÇÃO DA CONFORMIDADE COMO MÉTODO DE CONTROLO DA QUALIDADE ... 11
2.4.REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 11
3. DESCRIÇÃO ESPECÍFICA DAS SOLUÇÕES
TECNOLÓGICAS DO CASO DE ESTUDO E RESPETIVAS
ANOMALIAS CORRENTES EM SERVIÇO
... 173.1.INTRODUÇÃO ... 17
3.2.TELAS DE IMPERMEABILIZAÇÃO ASFÁLTICAS ... 18
3.2.1.COMPARAÇÃO ENTRE A CONFIGURAÇÃO DA SOLUÇÃO ATUAL E DA SOLUÇÃO DE REPARAÇÃO ... 18
3.2.2.ESPECIFICAÇÕES ... 19
3.2.4.FORMA DE APLICAÇÃO EM OBRA... 20
3.2.5.ANOMALIAS CORRENTES ... 22
3.3.ETICS ... 23
3.3.1.COMPARAÇÃO ENTRE A CONFIGURAÇÃO DA SOLUÇÃO ATUAL E DA SOLUÇÃO DE REPARAÇÃO ... 23
3.3.2.ESPECIFICAÇÕES ... 23
3.3.3.CUIDADOS DE APLICAÇÃO ... 24
3.3.4.FORMA DE APLICAÇÃO EM OBRA... 24
3.3.5.ANOMALIAS CORRENTES ... 35
4 FD E FCC
... 374.1.INTRODUÇÃO ... 37
4.2.FD ... 38
4.3.FCC ... 40
5. APLICAÇÃO DAS FD, ANÁLISE DOS RESULTADOS E
ELABORAÇÃO DAS FCC
... 435.1.INTRODUÇÃO ... 43
5.2.NÍVEIS DE RELEVÂNCIA COM BASE NA FREQUÊNCIA DE OCORRÊNCIA DAS ANOMALIAS DAS FD E SUA ASSOCIAÇÃO COM O SEMÁFORO DE PRIORIDADES DE CONTROLO DE CONFORMIDADE DAS TAREFAS DAS FCC ... 44
5.3.CASOS DE ESTUDO ... 46
5.3.1.TELAS DE IMPERMEABILIZAÇÃO ASFÁLTICAS ... 47
5.3.1.1. Descrição dos edifícios e da respetiva solução tecnológica ... 47
5.3.1.2. Base de dados obtida por aplicação das FD ... 48
5.3.1.3. Descrição das anomalias verificadas e sua interligação com a fase de execução da solução tecnológica através da enumeração das tarefas-chave a controlar conformidade, dotando-as de um semáforo de prioridades ... 51
5.3.1.4. Análise de Resultados e FCC ... 69
5.3.2.ETICS ... 74
5.3.2.1. Descrição dos edifícios e da respetiva solução tecnológica ... 74
5.3.2.2. Base de dados obtida por aplicação das FD ... 74
5.3.2.3. Descrição das anomalias verificadas e sua interligação com a fase de execução da solução tecnológica através da enumeração das tarefas-chave a controlar conformidade, dotando-as de um semáforo de prioridades ... 78
6. APLICAÇÃO DAS FCC AO CASO DE ESTUDO,
CONCLUSÕES E PERSPETIVAS DE DESENVOLVIMENTOS
FUTUROS
... 976.1.APLICAÇÃO DAS FCC ... 97
6.2.RESULTADOS ... 101
6.3.AVALIAÇÃO DA REALIZAÇÃO DOS OBJETIVOS DA DISSERTAÇÃO ... 104
6.4.CONCLUSÕES ... 105
6.5.PERSPETIVAS DE DESENVOLVIMENTOS FUTURO ... 1066
ÍNDICE DE FIGURAS
Fig. 1.1 Fluxograma demonstrativo da metodologia de controlo de conformidade aplicada na presente
dissertação ... 3
Fig. 1.2 Excerto de notícia relacionada com o setor da construção em 28 de Março de 2007 (adaptado de [1]) ... 5
Fig. 2.1 Papel central da fiscalização em relação aos intervenientes da construção de um empreendimento (adaptado de [5]) ... 9
Fig. 2.2 Fases em que intervém a fiscalização (adaptado de [5]) ... 9
Fig. 2.3 Envolvimento da atuação da fiscalização nas diferentes fases da construção de um empreendimento (adaptado de [5]) ... 10
Fig. 2.4 Áreas funcionais da fiscalização e sua interligação (adaptado de [5]) ... 10
Fig. 2.5 Cooperação entre as partes em função da fase de construção do empreendimento (adaptado de [8]) ... 14
Fig. 3.1 Perfil de arranque do sistema (adaptado de [16]) ... 25
Fig. 3.2 Pormenor construtivo do arranque do sistema ETICS (reabilitação) (adaptado de [16]) ... 25
Fig. 3.3 Disposição das placas de isolamento térmico nas arestas dos vãos (adaptado de [16]) ... 26
Fig. 3.4 Fixação mecânica das placas de isolamento térmico com 6 e 8 unidades por m2, respetivamente (adaptado de [16]) ... 27
Fig. 3.5 Perfil de esquina do sistema ETICS (adaptado de [16]) ... 27
Fig. 3.6 Perfil de junta de dilatação do sistema ETICS (adaptado de [16]) ... 27
Fig. 3.7 Pormenor construtivo da realização das juntas de dilatação no sistema ETICS (adaptado de [16]) ... 28
Fig. 3.8 Realização da junta do encontro das placas de isolamento térmico com superfícies rígidas (adaptado de [16]) ... 28
Fig. 3.9 Realização da junta do encontro das placas de isolamento térmico com superfícies rígidas (adaptado de [16]) ... 29
Fig. 3.10 Perfil de janela do sistema ETICS (adaptado de [16]) ... 29
Fig. 3.11 Pormenor construtivo da realização das ombreiras de janelas no sistema ETICS (adaptado de [16]) ... 30
Fig. 3.12 Perfil de pingadeira do sistema ETICS (adaptado de [16])... 30
Fig. 3.13 Pormenor construtivo da realização das padieiras de janelas com estores de enrolar no sistema ETICS (adaptado de [16]) ... 31
Fig. 3.14 Pormenor construtivo da realização das padieiras de janelas com estores de lâminas no sistema ETICS (adaptado de [16]) ... 31
Fig. 3.15 Reforço dos cantos de vãos no sistema ETICS (adaptado de [16]) ... 32
Fig. 3.16 Pormenor construtivo da realização dos remates superiores de paredes no sistema ETICS (adaptado de [16]) ... 33
Fig. 3.17 Pormenor construtivo da realização dos remates no peitoril de janelas no sistema ETICS – substituição do peitoril por um novo (adaptado de [16]) ... 34
Fig. 3.18 Pormenor construtivo da realização dos remates no peitoril de janelas no sistema ETICS – novo peitoril metálico sobre o existente (adaptado de [16]) ... 34
Fig. 4.1 Fluxograma demonstrativo dos modelos de fichas realizados e respetivas referências ... 38
Fig. 4.2 FD criada para a solução de telas impermeabilização asfálticas ... 39
Fig. 4.3 FD criada para a solução ETICS ... 40
Fig. 5.1 Esquema elucidativo da metodologia de controlo de conformidade fundamentada na avaliação comportamental de soluções em serviço... 44
Fig. 5.2 Divisão em intervalos de frequência de ocorrência das anomalias (amarelo – pouco frequente; laranja – frequente; vermelho – muito frequente) ... 45
Fig. 5.3 Fluxograma demonstrativo das diferentes aplicações das FD realizadas e respetivas
referências ... 46
Fig. 5.4 Mapa ilustrativo das localizações dos edifícios nos quais foram utilizadas as FD (marca vermelha – telas de impermeabilização asfálticas; marca verde – ETICS) ... 46
Fig. 5.5 Fluxograma demonstrativo das aplicações da FD de telas de impermeabilização asfálticas e respetivas referências ... 47
Fig. 5.6 Gráfico da frequência de ocorrência das anomalias verificadas por aplicações da FD de telas de impermeabilização asfálticas e respetivo semáforo de prioridades... 50
Fig. 5.7 Bolores no canto do teto da moradia em Vila Nova da Telha [A.1.3] ... 51
Fig. 5.8 Empolamento da tinta no teto da moradia em Vila Nova da Telha [A.1.3] ... 51
Fig. 5.9 Acumulação de musgos e água na cobertura do Maia Shopping [A.1.4] ... 53
Fig. 5.10 Desenvolvimento de plantas na cobertura da moradia em Vila Nova da Telha [A.1.3] ... 53
Fig. 5.11 Desenvolvimento de plantas e acumulação de água na cobertura do Maia Shopping [A.1.4] ... 53
Fig. 5.12 Acumulação de água na cobertura do Arrábida Shopping [A.1.5] ... 54
Fig. 5.13 Inexistência de grelha de proteção na ligação ao tubo de queda na moradia em Vila Nova da Telha [A.1.3] ... 55
Fig. 5.14 Demonstração da grelha de proteção na ligação ao tubo de queda na cobertura do Maia Shopping [A.1.4] ... 55
Fig. 5.15 Acumulação de água numa caleira na cobertura do Coimbra Shopping [A.1.1] ... 56
Fig. 5.16 Acumulação de água numa caleira na cobertura do Arrábida Shopping [A.1.5] ... 56
Fig. 5.17 Acessório do tubo ladrão ou troplein ... 57
Fig. 5.18 Destacamento de tela no Maia Shopping [A.1.4] ... 58
Fig. 5.19 Existência de bolhas nas telas do Arrábida Shopping [A.1.5] ... 59
Fig. 5.20 Descolamento da tela em zona de sobreposição no Maia Shopping [A.1.4] ... 60
Fig. 5.21 Furações nas telas de impermeabilização no Maia Shopping [A.1.4] ... 61
Fig. 5.22 Remates realizados no Maia Shopping [A.1.4] contrariando a contrapendência das telas de impermeabilização ... 62
Fig. 5.23 Remates realizados no Arrábida Shopping [A.1.5] contrariando a contrapendência das telas de impermeabilização ... 63
Fig. 5.24 Demonstração de um prolongamento da tela de impermeabilização na vertical de pelo menos 20 cm, e superiormente trilhada no suporte por um perfil, Coimbra Shopping [A.1.1] ... 64
Fig. 5.25 Demonstração de que a tela de impermeabilização não está sequer prolongada na vertical, Arrábida Shopping [A.1.5] ... 64
Fig. 5.26 Concordância entre a horizontal e a vertical dobrada em ângulo no Arrábida Shopping [A.1.5] ... 65
Fig. 5.27 Demonstração de uma dobragem em meia-cana na concordância entre a horizontal e a vertical, Coimbra Shopping [A.1.1] ... 65
Fig. 5.28 Desgaste não homogéneo nas telas mineralizadas na cobertura do Maia Shopping [A.1.4] 66 Fig. 5.29 Existência de ondulações nas telas na cobertura do Coimbra Shopping [A.1.1] ... 67
Fig. 5.30 Existência de pregas nas telas na cobertura do Maia Shopping [A.1.4] ... 67
Fig. 5.31 Ausência de fissuras nas telas na zona de uma junta de dilatação do Coimbra Shopping [A.1.1] ... 68
Fig. 5.32 Comparação entre as anomalias evitáveis e as anomalias incontroláveis por intermédio do controlo de conformidade fundamentado na avaliação comportamental em telas de impermeabilização asfálticas ... 70
Fig. 5.33 Campo “Tecnologia” do modelo de FCC realizado para telas de impermeabilização asfálticas ... 73
Fig. 5.34 Legenda da FCC de telas de impermeabilização asfálticas ... 73
Fig. 5.36 Gráfico da frequência de ocorrência das anomalias verificadas por aplicações da FD de
ETICS e respetivo semáforo de prioridades ... 77
Fig. 5.37 Manchas de escorrência de água numa fachada do prédio em Pedrouços [A.2.4] ... 78
Fig. 5.38 Manchas de escorrência de água numa fachada da moradia em Pedras Rubras [A.2.3] .... 79
Fig. 5.39 Desenvolvimento de fungos numa fachada do prédio em Pedrouços [A.2.4] ... 79
Fig. 5.40 Visualização das juntas das placas de isolamento térmico numa fachada da FEUP [A.2.1] 80 Fig. 5.41 Aproximação da visualização das juntas das placas de isolamento térmico numa fachada da FEUP [A.2.1] ... 80
Fig. 5.42 Demonstração da deficiente planeza de uma fachada do Maia Shopping [A.2.2] ... 81
Fig. 5.43 Demonstração da deficiente planeza de uma fachada do prédio em Pedrouços [A.2.4] ... 82
Fig. 5.44 Empolamento e descascamento do acabamento, originando desgaste da argamassa de revestimento expondo assim a armadura de rede de fibra de vidro, moradia em Pedras Rubras [A.2.3] ... 83
Fig. 5.45 Demonstração do ensaio que traduz a dessolidarização do sistema, FEUP [A.2.1] ... 84
Fig. 5.46 Perfuração no ETICS da moradia em Pedras Rubras [A.2.3] ... 85
Fig. 5.47 Degradação do canto de uma fachada da FEUP [A.2.1] ... 86
Fig. 5.48 Degradação do canto de uma fachada da moradia em Pedras Rubras [A.2.3] ... 86
Fig. 5.49 Fissuração do ETICS ao longo de uma junta de dilatação do prédio em Pedrouços [A.2.4] 87 Fig. 5.50 Pormenor da degradação ao longo de uma junta de dilatação da FEUP [A.2.1] ... 88
Fig. 5.51 Fissuração do ETICS no encontro com uma superfície rígida, Maia Shopping [A.2.2] ... 89
Fig. 5.52 Fissuração do ETICS no encontro com uma superfície rígida, moradia em Pedras Rubras [A.2.3] ... 89
Fig. 5.53 Manchas de sujidade numa fachada do Maia Shopping [A.2.2] ... 90
Fig. 5.54 Manchas de sujidade numa fachada da FEUP [A.2.1] ... 90
Fig. 5.55 Furações no ETICS na moradia em Pedras Rubras [A.2.3] ... 91
Fig. 5.56 Outro exemplo de furações no sistema na moradia em Pedras Rubras [A.2.3]... 91
Fig. 5.57 Manchas na base de uma fachada do prédio em Pedrouços [A.2.4] ... 92
Fig. 5.58 Manchas na base de uma fachada da FEUP [A.2.1] ... 92
Fig. 5.59 Comparação entre as anomalias evitáveis e as anomalias incontroláveis por intermédio do controlo de conformidade fundamentado na avaliação comportamental em ETICS... 93
Fig. 5.60 Campo “Tecnologia” do modelo de FCC realizado para ETICS ... 95
Fig. 5.61 Legenda da FCC de ETICS ... 96
Fig. 6.1 Fotografia demonstrativa da aplicação de uma FCC em obra ... 98
Fig. 6.2 Fotografias exemplares de uma aplicação da FCC de telas de impermeabilização asfálticas ao caso de estudo (pág.1/5) ... 98
Fig. 6.3 Fotografias exemplares de uma aplicação da FCC de telas de impermeabilização asfálticas ao caso de estudo (pág.2/5) ... 99
Fig. 6.4 Fotografias exemplares de uma aplicação da FCC de telas de impermeabilização asfálticas ao caso de estudo (pág.3/5) ... 99
Fig. 6.5 Fotografias exemplares de uma aplicação da FCC de telas de impermeabilização asfálticas ao caso de estudo (pág.4/5) ... 100
Fig. 6.6 Fotografias exemplares de uma aplicação da FCC de telas de impermeabilização asfálticas ao caso de estudo (pág.5/5) ... 100
Fig. 6.7 Resultados da aplicação da FCC de telas de impermeabilização asfálticas ao caso de estudo ... 102
Fig. 6.8 Resultados da aplicação da FCC de ETICS ao caso de estudo ... 103
Fig. 6.9 Comparação entre as anomalias evitáveis e as anomalias incontroláveis por intermédio do controlo de conformidade fundamentado na avaliação comportamental das soluções tradicionais abordadas na dissertação ... 104
ÍNDICE DE TABELAS
Tab. 3.1 Caraterísticas das telas de impermeabilização asfálticas do caso de estudo... 19 Tab. 3.2 Caraterísticas dos componentes do ETICS do caso de estudo ... 23 Tab. 5.1 Base de dados das aplicações da FD de telas de impermeabilização asfálticas ... 48 Tab. 5.2 Análise da base de dados das aplicações da FD de telas de impermeabilização asfálticas e respetivo semáforo de prioridades ... 49 Tab. 5.3 Associação entre anomalias, tarefas da FCC e semáforo de prioridades de controlo de conformidade da solução telas de impermeabilização ... 71 Tab. 5.4 Base de dados das aplicações da FD de ETICS ... 75 Tab. 5.5 Análise da base de dados das aplicações da FD de ETICS e respetivo semáforo de
prioridades ... 76 Tab. 5.6 Associação entre anomalias, tarefas da FCC e semáforo de prioridades de controlo de conformidade da solução ETICS... 94
SÍMBOLOS,ACRÓNIMOS E ABREVIATURAS
ETICS – External Thermal Insulation Composite System
BASF – Fabricante de uma das soluções construtivas abordadas na dissertação FD – Ficha de Desempenho
FCC – Ficha de Controlo de Conformidade TQM – Total Quality Management
ISO 9000 – Grupo de normas técnicas que estabelecem um modelo de gestão da qualidade para organizações
FEUP – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto V – Verifica-se F – Não se verifica NA – Não aplicável C - Conforme NC – Não conforme Obs. - Observações Fig. – Figura Tab. – Tabela Ref - Referência
1
INTRODUÇÃO
1.1.CONTEXTUALIZAÇÃO
A entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia está na origem do panorama a que atualmente se assiste na indústria da construção; antes da sua entrada na comunidade o país encontrava-se muito debilitado em termos de infraestruturas, era esta a principal causa do seu atraso a nível de desenvolvimento comparativamente aos outros países membros. Entretanto, beneficiou de fundos comunitários que foram essencialmente direcionados para a atividade construtiva, construiu-se descontroladamente, provocando a saturação do mercado da construção e, face à crise financeira que se veio a instalar, deu-se um desinvestimento no setor da construção. A produtividade e competitividade das empresas de construção são, desde esses tempos, baixas. Como conseguir inverter esta tendência e recuperar o seu lugar no mercado? A satisfação do cliente surge aqui como um conceito chave: um cliente satisfeito não só procura novamente os serviços da empresa, como também a recomendará a outros. Manter um cliente é muito mais fácil do que conseguir um novo, para além de consistir numa prática muito mais sustentável. Mas, como manter um cliente? Este apresenta uma exigência crescente, decorrente de um generalizado aumento do nível de vida, está cada vez mais informado e procura essencialmente qualidade – habilidade de ir de encontro às expectativas, necessidades e requisitos do mercado e do cliente.
É neste sentido que a qualidade da construção desempenha um papel fundamental: contribuir para a manutenção do mercado com base na satisfação do cliente.
1.2.PREÂMBULO
A qualidade da construção é cada vez mais uma exigência do cliente, cuja satisfação representa agora a principal preocupação por parte das empresas da indústria da construção, temática que surge na presente dissertação como tema central. No âmbito de um estágio curricular na empresa Sonae Sierra, pretende analisar-se a qualidade dos trabalhos a serem realizados no Coimbra Shopping. Estes trabalhos, que constituem o estudo de caso, consistem na aplicação de soluções tecnológicas na reabilitação de uma cobertura técnica, fachadas e o pavimento do parque de estacionamento exterior, que são respetivamente: telas de impermeabilização asfálticas, ETICS, revestimento de impermeabilização em sistema multicamada de parques de estacionamento da BASF. Neste trabalho apenas serão estudadas soluções tradicionais, ou seja as telas de impermeabilização asfálticas e o ETICS, no entanto também o revestimento de impermeabilização multicamada da BASF foi
investigado por integrar o estudo de caso, encontrando-se toda a informação relativa a esta solução nova nos anexos (Anexo 3).
De forma a analisar a qualidade das tarefas descritas, serão aplicados métodos de controlo da qualidade veiculados por meio de uma equipa de fiscalização de obra que surge aqui como ferramenta fundamental, para garantia da qualidade que, se bem utilizada, deve ser capaz de prever, evitar e solucionar os problemas que da atividade construtiva possam resultar. De facto, um projeto por muito bem realizado que tenha sido não é condição suficiente para garantir a qualidade de uma construção. Aqui entra a atividade de fiscalização, atuando por antecipação, revendo o projeto, facilitando a comunicação entre os diversos intervenientes da obra, preparando-a e coordenando-a, registando tudo o que ocorre durante o processo construtivo, analisando a conformidade da obra com o previsto em projeto e agindo no sentido de, face à ocorrência de não conformidades, solucioná-las e evitar a sua ocorrência em futuras situações.
Com o intuito de aprofundar um pouco mais o conhecimento na área da fiscalização de obras, entendeu-se ser um desafio bastante interessante desenvolver um projeto sobre a aplicação das metodologias de controlo da conformidade. Neste contexto, e face à extensão de toda esta temática, decidiu-se centrar atenções num dos procedimentos inerentes às referidas metodologias, cujo princípio é o de analisar a conformidade entre o projeto e a obra – as rotinas de inspeção.
O facto da dissertação ser realizada em ambiente empresarial prende-se com o interesse em estudar um caso prático, de modo a ganhar-se alguma sensibilidade e experiência em situações profissionais reais, compreender o funcionamento dos serviços de fiscalização e a importância que desempenham na construção.
1.3.PROBLEMÁTICA E OBJETIVOS
A problemática da qualidade na construção assume nos dias de hoje um papel preponderante na sociedade civil. Constitui, mais do que nunca, um requisito fundamental por parte do cliente, contudo assiste-se com relativa frequência, mais do que o desejável, a situações de não qualidade em empreendimentos de construção. Apesar da responsabilidade destas ocorrências ser partilhada pelos vários intervenientes do processo construtivo, destaca-se a atuação da fiscalização como instrumento de gestão e coordenação dos diversos intervenientes, constituindo uma ferramenta de auxílio e cooperação cujo propósito é promover a qualidade do produto final. Então, este serviço surge como um instrumento essencial da temática desta tese – controlo da qualidade – pretendendo-se focar no procedimento de controlo de conformidade, dada a abrangência da fiscalização ser demasiado vasta para integrar uma tese.
O conhecimento do historial comportamental de uma solução construtiva surge enquanto aspeto muito pertinente e interessante sob o ponto de vista do controlo de conformidade dado que permite detetar problemas ou anomalias comuns em serviço e, assim, tentar evitar que estes reincidam em soluções construtivas futuras do mesmo género através da reflexão no controlo de conformidade dessa experiência do comportamento em serviço das soluções. Assim, o principal objetivo desta dissertação é desenvolver e aplicar uma metodologia de controlo de conformidade centralizada nas rotinas de inspeção tendo como fundamentação o conhecimento do comportamento em serviço de soluções tradicionais, mais precisamente as do caso de estudo – telas de impermeabilização asfálticas e ETICS. Assim sendo, a metodologia de controlo de conformidade delineada foi a seguinte, também ilustrada na Fig. 1.1:
Com o intuito de se obterem rotinas de inspeção de conformidade fundamentadas na avaliação comportamental de soluções reais em serviço, visitaram-se diversos edifícios em utilização de idades diferentes que integrassem uma destas duas soluções, tendo-se verificado quais as anomalias mais comuns por intermédio de uma ficha de desempenho (a partir deste momento identificada por FD – auxilia na deteção de anomalias) e posteriormente relacionando-as com a sua fase construtiva, quando possível, incluindo nas fichas de controlo de conformidade (a partir deste momento identificada por FCC - rotinas de inspeção de controlo de conformidade) a serem aplicadas por parte da fiscalização as tarefas-chave que, numa fase de construção das soluções em questão, permitiriam minimizar ou mesmo evitar as tais anomalias, associando cada tarefa a um semáforo de prioridades de controlo de conformidade que assenta na frequência de ocorrência das anomalias verificadas, tudo isto baseado num estudo estatístico de avaliações comportamentais que servirá de fundamento ao desenvolvimento e aprimoramento das rotinas de inspeção em obra.
Os restantes objetivos a alcançar com o desenvolvimento deste trabalho, prendem-se precisamente com adquirir conhecimentos e experiências relacionadas com a realidade da Engenharia Civil, contactar diretamente com uma obra e com os profissionais intervenientes, nomeadamente compreender melhor a atuação da fiscalização, e ainda aprender a nível técnico um pouco mais acerca das soluções tecnológicas estudadas ao longo desta dissertação.
Fig. 1.1 Fluxograma demonstrativo da metodologia de controlo de conformidade aplicada na presente dissertação
1.4.ÂMBITO E MÉTODO
A presente dissertação surge na sequência de uma Unidade Curricular optativa do ramo de Construções Civis, denominada Fiscalização de Obras. Insere-se no âmbito de um estágio curricular na empresa Sonae Sierra, de forma a estudar o assunto na sua realidade, assim como ganhar experiencia profissional. Integra um projeto de reabilitação de coberturas, fachadas e pavimentos de parques de estacionamento em cobertura e, acompanhando a atividade de fiscalização, o objetivo será estudar as duas já mencionadas soluções tradicionais a aplicar – telas de impermeabilização asfálticas e ETICS. Relaciona-se com a construção de edifícios comerciais, no subconjunto das operações de reabilitação, sendo excluído desta análise autoconstrução, promoção própria, identificar outros intervenientes implicados no controlo da conformidade que não os relacionados com a fiscalização, inserindo-se sempre no âmbito nacional, na construção portuguesa.
O método utilizado na realização deste trabalho é, numa fase inicial, apoiado em pesquisa bibliográfica relacionada com a temática do controlo de conformidade assim como com as soluções tecnológicas já referidas, sendo que numa fase posterior é experimental e dedutivo, consistindo no caso de estudo inserido no estágio curricular já descrito e noutros de construções já em serviço que integrem as referidas soluções, a partir dos quais as análises e posteriores conclusões serão formadas. Para isso, são preparadas e aplicadas FD, e a partir dos resultados destas elaboram-se FCC com tarefas-chave associadas a um semáforo de prioridades de controlo de conformidade, posteriormente aplicadas à obra cujo estágio pretende acompanhar, validando-as e concluindo assim acerca da sua aplicabilidade e adequabilidade à realidade.
1.5.ENQUADRAMENTO HISTÓRICO,SOCIOCULTURAL E ECONÓMICO
Quando Portugal aderiu em 1985 à Comunidade Económica Europeia o seu Produto Interno Bruto por habitante era apenas 55% da média dos países membros. O enorme atraso do país em infraestruturas, justificado pelo montante insignificante de investimento público nos anteriores 10 anos devido à instabilidade política e crise económica, foi identificado como um dos maiores entraves ao seu desenvolvimento.
A partir de 1983, Portugal começou a beneficiar de fundos de pré-adesão à Comunidade Económica Europeia, que juntamente com o clima de otimismo que se seguiu devido a, em 1995, existir a perspetiva de que o país poderia vir a pertencer ao primeiro grupo de países constituintes da moeda única e com o consequente desenvolvimento de programas de investimento financiado principalmente por endividamento bancário (redução das taxas de juro), conduziram a um crescimento descontrolado do setor da construção. Todo este otimismo aliado à redução das taxas de juro fez disparar o mercado imobiliário e os investimentos em infraestruturas: a indústria da construção teve o seu pico de produção entre 1999 e 2001. No entanto, investir na qualidade não era uma preocupação, conforme se verificou mais tarde.
Em 2002, dada a crise financeira do Estado português e a saturação do mercado da construção, o setor entra também em declínio, sendo um dos mais afetados e conduzindo à falência de inúmeras empresas de construção. Na União Europeia, a taxa de emprego cresceu de forma mais ou menos consistente entre 2002 e 2013, enquanto Portugal registou o comportamento contrário: houve uma queda quase contínua da taxa de emprego durante esse período. É exequível relacionar esse decréscimo com a paralisação da atividade construtiva, por representar inúmeros postos de emprego, conforme pode ser comprovado pela notícia da Fig. 1.2, [1].
O desinvestimento no setor da construção contribui, inevitavelmente, para a estagnação económica, tornando-se urgente dinamizá-lo. A qualidade na construção pode constituir um ponto chave na recuperação de mercado e na reconquista da competitividade das empresas de construção, é uma prática sustentável que conduz a melhores resultados e mais duradouros recorrendo a processos otimizados, ou seja, poupando tempo e dinheiro, que numa fase de crise são fundamentais.
Fig. 1.2 Excerto de notícia relacionada com o setor da construção em 28 de Março de 2007 (adaptado de [1])
“Construção perdeu mais de 33 mil empregos desde 2001
O sector da construção nacional perdeu cerca de 33 mil empregos desde 2001. O número foi avançado
pelo presidente da Associação das Empresas de Construção e Obras Públicas (Aecops), na conferência anual que arrancou ontem.
Segundo Joaquim Fortunato, o sector atravessa a "pior crise dos últimos 20 anos", visível a partir do último trimestre de 2002. A produção da construção caiu cerca de 22%, o correspondente a uma perda de 1,4 mil milhões de euros. A queda de emprego em termos percentuais atingiu os 5,6% desde 2001. Em 2002, a construção representava cerca de 12,2% do emprego total. No ano passado, não ia além dos 10,7%.
Apesar da trajectória negativa, a queda do emprego na construção tem vindo a estabilizar e no ano passado ficou-se por menos mil postos de trabalho, o correspondente a uma redução de 0,2%. Também em 2006, a produção caiu 700 milhões de euros em valor e 5,7% em volume.
A consequência é a redução do contributo da construção para o produto interno bruto (PIB), que encolheu de 6,8% para 5,5%. As perspectivas para o comportamento do sector este ano continuam negativas, prevendo-se um novo recuo de 3% na produção. A redução da actividade em Portugal, visível na quebra de 50,5% verificada no valor dos concursos adjudicados no ano passado, acentuou a concorrência entre as empresas e a degradação do valor das propostas a concurso.
A Aecops aponta o dedo a sucessivos governos, incluindo o actual, por esta recessão, que é inédita na União Europeia. E por razões que vão desde a quebra do investimento público e do atraso dos vários projectos até à demora na aprovação do novo quadro legal com destaque para o novo código de contratação pública e ao enquadramento legal. A somar à redução do investimento público e dos concursos e adjudicações está a constante dívida das entidades públicas às construtoras. Segundo estimativa de Joaquim Fortunato, este valor andará na casa dos 500 milhões de euros, sendo que uma fatia da ordem dos 60% será da responsabilidade das autarquias.
Sem responder directamente às criticas, o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, reconheceu que o
novo código, em elaboração há mais de um ano, está "atrasado uns meses". O ministro, que prometeu a revisão da lei dos alvarás do sector, realçou a importância da construção na recuperação económica nacional. Se a construção tivesse estagnado em 2006, a economia portuguesa teria crescido 3% no ano passado e não apenas 1,3%, exemplificou Mário Lino.
A retoma não é esperada antes de 2008, mas mais que os grandes projectos de obras públicas, como o aeroporto da Ota e a rede de alta velocidade, responsáveis por investimentos superiores a 11 mil milhões de euros, o sector parece apostar nas energias renováveis, com destaque para as anunciadas barragens do
Picote, já adjudicada, Bemposta, Alqueva e Baixo Sabor, e no ambiente. As plataformas logísticas, as
concessões rodoviárias e o complexo de regadio do Alqueva são outros projectos. Mas o aeroporto da Ota, por exemplo, nunca irá permitir obra relevante para a construção nacional, antes de dois anos, estimou Joaquim Fortunato.”
1.6.ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO
A presente dissertação está estruturada conforme em seguida se expõe:
Capítulo 1 – Introdução: neste capítulo constam a justificação relativamente ao tema da atual tese, a problemática que o justifica, os objetivos que se pretende atingir, o âmbito em que se insere, o método científico utilizado, o enquadramento histórico, social, económico e ambiental, assim como a organização da dissertação;
Capítulo 2 – Controlo de Conformidade – Enquadramento Teórico e Revisão Bibliográfica: aqui abordam-se as temáticas qualidade e fiscalização como controlo da qualidade, sendo que este capítulo constitui uma breve inserção aos conceitos e metodologias implicados no tema da presente dissertação, assim como a revisão da bibliografia existente respeitante ao assunto; Capítulo 3 – Descrição Específica das Soluções Tecnológicas do Caso de Estudo e Anomalias
Correntes em Serviço: inclui-se a descrição específica das soluções tecnológicas que serão empregues no âmbito dos trabalhos no Coimbra Shopping e alvo do controlo de conformidade, nomeadamente caraterísticas dos materiais e produtos, cuidados e procedimentos de aplicação em obra e anomalias frequentemente verificadas nessas soluções quando já em serviço;
Capítulo 4 – FD e FCC: expõe-se a estrutura de modelos de fichas que serão criados durante a dissertação, a descrição genérica da organização e dos campos que serão incluídos em cada um dos dois tipos de fichas e no caso das FD apresentam-se os modelos realizados com base nas anomalias descritas no capítulo anterior;
Capítulo 5 – Aplicação das FD, Análise dos Resultados e Elaboração das FCC: neste capítulo aplicam-se as FD apresentadas no capítulo 4 a soluções reais, analisam-se os resultados obtidos em termos de anomalias e frequência da sua ocorrência, e relacionam-se com tarefas a integrar nas FCC e correspondente semáforo de prioridades de controlo de conformidade, apresentando-se também nesta fase os modelos de FCC realizados;
Capítulo 6 – Aplicação das FCC ao Caso de Estudo, Conclusões e Perspetivas de Desenvolvimentos Futuros: aqui aplicam-se as FCC do capítulo anterior às obras de soluções tradicionais que integram o âmbito do estágio curricular – reabilitação parcial do Coimbra Shopping – demonstrando-se também os resultados e conclusões obtidas; apresentam-se também aqui as perspetivas/propostas de desenvolvimentos futuros relativamente a este trabalho, no sentido de o completar.
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CONTROLO DE CONFORMIDADE –
ENQUADRAMENTO TEÓRICO E
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1.CONSCIENCIALIZAÇÃO
Quando se fala em qualidade na construção imediatamente ressalta o facto de que, em Portugal, esta não está tão presente quanto deveria, assiste-se frequentemente a muitas situações de falta de qualidade.
Enquanto estratégia para vingar no mercado e reverter a situação atual de reduzida produção e competitividade, a qualidade deve estar intima e permanentemente associada à atividade construtiva, destina-se a garantir internamente a obediência às boas práticas e o princípio do bem fazer e externamente à satisfação do cliente. Mas e em que consiste a qualidade aplicada à construção? A qualidade na construção relaciona-se com diversos fatores, sendo o de maior relevância a conformidade entre o previsto e o construído, aspeto gerido especificamente pela temática abrangida nesta dissertação – o controlo da conformidade – e no caso especifico desta tese relacionado com o histórico comportamental de soluções em serviço por se acreditar que permitirá obter resultados dotados de uma atitude preventiva e por isso, em princípio, mais satisfatórios.
2.2.QUALIDADE
2.2.1.QUALIDADE E SISTEMA PORTUGUÊS DA QUALIDADE (SPQ)
Qualidade é a adequação ao uso e a conformidade com as exigências. É a habilidade de ir de encontro às expetativas, necessidades e requisitos do mercado e do cliente, é o fornecimento de produtos que não voltam, a clientes que voltam, é a conformidade com standards que representam as características básicas do produto ou serviço, características estas baseadas nas necessidades e expetativas do consumidor. [2]
Definido o conceito da qualidade, compreende-se que está intimamente relacionado com a satisfação do cliente, prática que nos dias de hoje assume protagonismo enquanto estratégia de competição nos mercados, e o da construção não é exceção.
O Sistema Português da Qualidade (SPQ), coordenado, gerido e desenvolvido pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ), é composto por entidades e organizações interrelacionadas e interatuastes cujo objetivo é a dinamização da qualidade em Portugal, seguindo e aplicando regras, princípios e
procedimentos internacionalmente aceites na normalização, qualificação e metrologia. A sua função tem como finalidade o desenvolvimento sustentado de Portugal e o aumento da qualidade de vida da sociedade, ou seja, garantir qualidade de um modo global. [3] [4]
2.2.2.QUALIDADE DA CONSTRUÇÃO E SISTEMAS DE APOIO À SUA IMPLEMENTAÇÃO
Na indústria da construção a qualidade é percecionada pelo desempenho e durabilidade dos empreendimentos, contudo, a falta desta não se resume apenas a defeitos subjacentes ao produto final. Manifesta-se também em derrapagens do orçamento, incumprimento dos prazos, falhas na segurança, implicações ambientais, entre outros. A qualidade da construção implica uma transposição exata do previsto em projeto para a obra, conformidade, mão-de-obra qualificada, informação em constante atualização e comunicação, adequação das técnicas, equipamentos e tecnologias, qualidade intrínseca dos materiais, coordenação entre trabalhos, planeamento de custos e prazos, preocupações ambientais, etc.
Todo este universo pode ser controlado pela atividade de fiscalização que consiste num instrumento de apoio à implementação da qualidade da construção imprescindível no controlo e consequente garantia da qualidade, conforme será detalhado ao longo da dissertação.
Para além da fiscalização de obras existem outros instrumentos de apoio à implementação da qualidade da construção, obrigatórios ou voluntários, e que apenas serão enumerados por já se encontrarem perfeitamente descritos noutras literaturas relacionadas com o assunto. Assim, dentro dos instrumentos de caráter obrigatório existem textos legislativos regulamentares, homologação de produtos, certificação obrigatória de produtos e a Diretiva dos Produtos de Construção; quanto aos instrumentos voluntários têm-se textos técnicos, certificação de produtos, certificação de sistemas da qualidade de empresas e a certificação de empreendimentos de construção.
O incremento da qualidade da construção exige um aumento das exigências e uma mudança de mentalidade dos intervenientes da atividade construtiva, praticar o bom senso, investir em formação e dar prioridade a mão-de-obra especializada, otimizar o processo construtivo em todas as suas vertentes, reduzir o desperdício, apostar em novos materiais, tecnologias e equipamentos. A fiscalização já atua de forma adequada, preventivamente, contudo pode ainda tentar inserir os instrumentos voluntários de apoio à implementação da qualidade da construção no SPQ, incluindo a sua própria atuação que deveria ser obrigatória para todo o tipo de obras.
2.3.FISCALIZAÇÃO COMO CONTROLO DA QUALIDADE
2.3.1.AATIVIDADE DE FISCALIZAÇÃO
Em tempos anteriores, a fiscalização era meramente um conceito relacionado com o controlo do que era construído em obra, baseado essencialmente na função de vigia/inspeção de forma a verificar a conformidade dos trabalhos realizados, ao invés, hoje é uma atividade preventiva. A qualidade de uma equipa de fiscalização observa-se pelo número de previsões de potenciais não conformidades, evitando-as, e não pelo número de constatações de não conformidades já ocorridas, que obviamente necessitam de ser solucionadas implicando acréscimo de custos.
A construção engloba a gestão de inúmeros conflitos, intervenientes com diversas opiniões e interesses, incompatibilidade de soluções técnicas, atenções a prazos, custos, segurança, questões ambientais, entre muito outros. Este cenário cria a oportunidade de intervenção da fiscalização que,
assumindo um papel central conforme se elucida na Fig. 2.1, deve conciliar interesses, promover a comunicação, coordenar e gerir a atividade construtiva, entre outros aspetos. [5]
Fig. 2.1 Papel central da fiscalização em relação aos intervenientes da construção de um empreendimento (adaptado de [5])
Tradicionalmente a fiscalização apenas atua na fase de execução da construção, mas a tendência é que a sua ação seja ampliada às fases de conceção e exploração, conforme se ilustra na Fig. 2.2. Deve iniciar as suas funções antes da contratação, preferencialmente antes da organização dos elementos de projeto de modo a revê-los, corrigi-los em caso de necessidade, e a familiarizar-se com o mesmo. Assim, a necessidade de intervenção em fase de execução ou mesmo de receção a trabalhos já erradamente executados é bastante reduzida, foi substituída por uma atitude preventiva durante a fase de projeto. É então fundamental intervir durante a fase de projeto, é neste período que a sua atuação deve ser mais intensa, reduzindo-a consoante a evolução das fases do empreendimento, conforme demonstra a Fig. 2.3,pois a maior preparação da obra influi na necessidade de reparar erros em fase de execução e de receção. [5]
Concluído o empreendimento, na fase de receção, a fiscalização deve garantir a conformidade da construção através da realização de ensaios de desempenho e receção e resolver as eventuais não conformidades, terminando aqui o seu exercício, de acordo com o esquema da Fig. 2.2. [5]
Fig. 2.3 Envolvimento da atuação da fiscalização nas diferentes fases da construção de um empreendimento (adaptado de [5])
A atividade de fiscalização, entendida como um processo de controlo da qualidade, pode ser repartida por funções, distribuindo-se nas seguintes áreas funcionais [5]: Conformidade, Economia, Planeamento, Informação, Licenciamento, Segurança, Qualidade, Ambiente. Segue-se uma breve descrição:
Conformidade – procura garantir que a execução da obra seja idêntica ao previsto em projeto; Economia – trata de questões relacionadas com custos e faturação;
Planeamento – trata de questões relacionadas com prazos; Informação – conduz e regista toda a informação;
Licenciamento – conduz, regista e implementa atos administrativos; Segurança – motiva a implementação do Plano de Segurança e Saúde; Qualidade – implementa mecanismos de garantia da qualidade; Ambiente – observa as regras de Gestão Ambiental aplicáveis.
As diversas áreas funcionais são bastante dependentes entre si, por exemplo: a área funcional Conformidade é um método de controlo da área funcional Qualidade; a área funcional Informação poderia englobar todas as restantes; a área funcional Qualidade é o objeto de todas as outras; conforme ilustrado na Fig. 2.4.
A área funcional Conformidade é, conforme já referido, um método de controlo da qualidade, temática que constitui precisamente o objeto de estudo desta dissertação, portanto esta área funcional e a sua forma de atuação serão em seguida convenientemente aprofundadas, visto que assumem em todo este trabalho uma posição de destaque.
2.3.2.VERIFICAÇÃO DA CONFORMIDADE COMO MÉTODO DE CONTROLO DA QUALIDADE
A área funcional Conformidade, por ser a que integra uma das atividades mais importantes da fiscalização – rotinas de inspeção dos trabalhos – assume grande protagonismo no processo de controlo da qualidade da construção. De facto, as rotinas de inspeção dos trabalhos são dos procedimentos que melhor evidenciam a ação da entidade fiscalizadora, apesar de ser apenas o reflexo de um trabalho de bastidores muito completo, e cujo intuito é comprovar, por controlo visual e/ou com recurso a ensaios simples, a conformidade dos trabalhos.
Frequentemente, para auxiliar esta rotina, recorre-se a documentos escritos que concentram a informação, uma espécie de “sinopse”, do projeto do empreendimento a verificar em obra. Estes documentos denominam-se fichas de controlo de conformidade (FCC) que para além de proporcionarem uma grande ajuda ao fiscal orientando o processo de fiscalização e auxiliando a memória por conter registos fotográficos, incidem também nas tarefas chave onde geralmente se verificam mais falhas e permitem evitar determinadas situações no futuro por servirem de base de dados de registo de não conformidades. As FCC constituem o assunto central desta dissertação, e serão abordadas em pormenor num capítulo próprio.
A área funcional Conformidade deve, então, desempenhar as seguintes funções [5]:
Garantir que a obra é realizada de acordo com o previsto em projeto, e que este é totalmente executado;
Revisão do projeto;
Realização de reuniões de preparação da obra nas quais devem participar para além da fiscalização o projetista, o empreiteiro e o dono de obra;
Execução de rotinas de inspeção utilizando como instrumento de orientação FCC;
Levantamento e correção de não conformidades, acompanhando a sua resolução e verificando no final se já se encontram em conformidade;
Realização de ensaios de desempenho e receção, e corrigir as não conformidades detetadas da forma descrita no ponto acima.
Entendidas então as temáticas relacionadas com a presente dissertação assim como a relevância que desempenham para a realização da mesma, importa agora, com o intuito de enriquecer o estado de conhecimento e a própria dissertação, analisar a literatura existente sobre o assunto.
2.4.REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Na presente seção, após a pesquisa e estudo de literatura relacionada com o tema controlo da qualidade da construção, apresentam-se referências retiradas da análise de artigos científicos, questionários aplicados aos intervenientes da construção e monógrafos de autores relevantes no assunto e, assim, compreender a orientação que esta dissertação deve seguir, contribuindo convenientemente para o desenvolvimento do estado de conhecimento da temática. [6] [7] [8]
Então, nota-se que surge como matéria comum a praticamente todas as pesquisas o método TQM – Total Quality Management – e a família de normas ISO 9000, que são abordagens inter-relacionadas, mas não sinónimas: enquanto a ISO 9000 tem o enfoque de sistema da qualidade, de garantia da qualidade do produto, o TQM tem centra-se num método de gestão, mais amplo, incluindo além da ISO 9000, a garantia do lucro, a garantia da segurança individual, a garantia da satisfação dos clientes, a garantia da satisfação dos funcionários, entre outros.
A ISO 9000, desenvolvida por Doyle, é uma metodologia desenvolvida com o objetivo de propor um modelo de implantação de sistemas da qualidade, aplicável a qualquer empresa, tendo como enfoque a garantia da qualidade, é um conjunto consistente e uniforme de procedimentos, elementos e requisitos para a garantia da qualidade. No entanto, a sua aplicação à indústria da construção não é assim tão direta, dado o caráter único desta atividade.
O TQM foi desenvolvido originalmente no Japão a partir dos ensinamentos de Deming e Juran, e consiste em direcionar os sistemas de gestão na melhoria contínua em todos os aspetos de uma organização, enquanto forma de atingir a qualidade com zero defeitos, conceito introduzido por Crosby [6] e que contrasta com a noção de níveis da qualidade aceitáveis.
Os desvios da qualidade têm como consequência um grande acréscimo de custos, implicam desfazer e refazer, desperdícios, recorrer a maiores quantidades de recursos do que o previsto, mão-de-obra adicional, despesas de água, eletricidade, etc.. De facto, os custos da não-qualidade são bastante superiores aos custos da qualidade, que incluem aspetos como previsão de desvios, verificação da conformidade, entre outros. As metodologias TQM e ISO 9000, trabalhando em conjunto, surgem na indústria da construção como forma implementação da qualidade com o intuito de revigorar a atividade construtiva, que constitui o assunto desta tese. A bibliografia refere várias orientações como sendo as principais chaves de atuação no sentido da qualidade da construção, sendo que quase todas culminam nas seguintes:
Compromisso de gestão e liderança
Uma das principais causas apontadas pela associação Business Roundtable em “More construction for the money” [8] para a queda da produtividade e da competitividade da construção são as débeis práticas de gestão. Oberlender [8] defende que a gestão deve participar no processo de implementação de um programa para a qualidade e estar totalmente comprometida.
Formação e especialização
Smith [8] afirma que deveriam existir planos de formação estipulados para as diferentes áreas operadas pelos profissionais (gestão, engenharia, trabalho de campo, etc.). A norma ISO 9001, pertencente à família das normas ISO 9000, defende a importância da educação e realça que as atividades que requerem capacidades específicas devem ser identificadas e objeto de especialização por parte dos profissionais que as exercem. Joiner [8] sublinha ainda que a formação de profissionais com experiência é tão importante quando a formação de novatos. De acordo com Arditi e Gunaydin [7] [8], todos os intervenientes da construção, incluídos trabalhadores de campo, gabinete e também a gestão, devem receber educação relacionada com os conceitos base da qualidade.
A atividade construtiva deve procurar identificar as causas da falta da qualidade e incidir precisamente nesses pontos através da formação do pessoal. A educação constitui a medicina preventiva para a maior parte dos problemas que a indústria da construção enfrenta.
Trabalho de equipa
Arditi, Gunaydin e Deming [7] [8] acentuam que equipas de qualidade fornecem às empresas o ambiente necessário e constituem o instrumento mais direto para o sucesso da implementação do
processo de melhoria contínua da qualidade. Deve fomentar-se a expressão de opiniões, quebrar barreiras entre áreas profissionais e na estrutura organizacional da empresa, melhorando a comunicação, incentivando a cooperação e o envolvimento de todos os intervenientes no processo de melhoria contínua, reduzindo a falta da qualidade por coordenar e otimizar toda a atividade construtiva.
Métodos estatísticos
Deming, Oberlender e o conteúdo da norma ISO 9001 [7] [8] realçam a importância dos dados estatísticos enquanto ferramenta essencial na resolução de problemas. Uma das premissas do TQM é que as decisões devem fundamentar-se em factos, em dados reais e não em opiniões e intuições. No entanto, existem autores que discordam deste método: Hellard [8] afirma que o projeto de um edifício é único e que por muito que se pretenda prototipar e generalizar tal não é possível, pois ainda que a única diferença seja o local de implementação desse edifício já dá lugar a toda uma singularidade, produzindo variedade e eliminando o potencial de qualquer tipo de controlo estatístico, por não ter dados comparáveis devido à unicidade inerente. O mesmo autor destaca ainda a dificuldade de receber o feedback relativo a uma construção e que serviria de base de dados estatísticos, dado que o ciclo de vida de um edifício é longo e, consequentemente, algumas constatações tardam muito a ser descobertas.
Pelo contrário, Rounds e Chi [8] enfatizam a importância do feedback na indústria da construção, enquanto base de dados da qualidade e como forma de eliminar a repetição de erros detetados. Joiner [8] concorda também com a utilização de métodos estatísticos na atividade construtiva, apontando que melhores processos podem ser identificados com base nos dados estatísticos, através da compreensão de quais os processos que conduzem a melhores resultados. Oberlender [8] afirma que quando um projeto está completo e em utilização deve acontecer uma reunião com o utilizador do edifício ou o seu representante, obtendo o feedback acerca do seu desempenho e, assim, proceder à avaliação da qualidade do projeto construído e o grau de satisfação do cliente, podendo identificar pontos a incidir nos próximos projetos no sentido da melhoria contínua. Preiser [8] concorda com esta abordagem e enuncia que a avaliação de edifícios após a sua ocupação permite obter informação que pode ser utilizada preventivamente em projetos futuros.
Envolvimento e cooperação do prestador de serviços e do cliente
Arditi e Gunaydin [7] [8] afirmam que a habilidade de conceber um empreendimento construtivo de qualidade depende profundamente da relação entre as partes envolvidas no processo – prestador de serviços e cliente; e que a qualidade de qualquer fase depende da qualidade das fases antecedentes. Por exemplo, a qualidade da fase de projeto está diretamente relacionada com a clareza e detalhe das instruções fornecidas pelo dono de obra relativamente aos requisitos que pretende que sejam satisfeitos – na fase de conceção o dono de obra atua como prestador de serviços e o projetista como cliente; a qualidade do processo construtivo está intimamente dependente da qualidade das especificações por parte do projetista – na fase de projeto o projetista é o prestador de serviços e o empreiteiro é o cliente; a qualidade do produto final obtido pelo cliente está sujeita à qualidade do projeto e da construção – na fase de execução o empreiteiro é o prestador de serviços e o cliente é o dono de obra; na fase de feedback o utilizador final é o prestador de serviços e os profissionais da atividade construtiva são o cliente, como se encontra ilustrado na Fig. 2.5. A qualidade final de um empreendimento construtivo é, portanto, função da qualidade do projeto, das operações de construção, da utilização, manutenção e gestão do edifício. Se cada interveniente funcionar com base neste jogo de papéis, toda a atividade construtiva processa-se de forma otimizada, com base na cooperação e coordenação, e o resultado final é um produto de qualidade superior. Dumas [8] defende que relações
próximas e longas entre o cliente e o prestador de serviços em todas as fases da construção são necessárias no processo de melhoria contínua da qualidade. Ferguson e Clayton [8] apontam que quando os intervenientes de uma atividade são competentes e trabalham em cooperação, as hipóteses de alcançar um nível de qualidade superior aumentam. Segundo Kubal [8], a cooperação entre os intervenientes constrói o mecanismo de trabalho de equipa necessário para atingir o sucesso individual e coletivo. Defende ainda que a cooperação é um processo de gestão da qualidade que melhora o fluxo das comunicações, desenvolve a troca de informação entre partes, o espírito de equipa e entreajuda, e incentiva a atuação no sentido de alcançar objetivos comuns. Hancher [8] refere a cooperação como uma estratégia de negócio que acarreta vantagens para todas as partes evolvidas.
Todos os autores consideram benéfico o envolvimento e cooperação dos intervenientes, é uma postura fundamental por permitir a coordenação e otimização de processos, que são fulcrais na implementação da qualidade da construção.
Fig. 2.5 Cooperação entre as partes em função da fase de construção do empreendimento (adaptado de [8])
De acordo com Burati [8], cerca de 78% das principais causas de desvios da qualidade total de uma construção estão relacionadas com a fase de projeto. Assim, compreende-se que é nesta fase que é fundamental atuar, de forma preventiva para evitar que voltem a ocorrer os mesmos problemas. Surgem aqui como essenciais a clara, concisa e consistente especificação de requisitos do empreendimento construtivo por parte do projetista, a cooperação no sentido da comunicação e coordenação de tarefas entre o projetista e o empreiteiro, de modo a associar engenharia e construtibilidade para detetar fontes de não qualidade e esclarecer eventuais dúvidas. A atuação preventiva no sentido de minimizar a falta da qualidade baseia-se na revisão do projeto de forma a detetar erros, reuniões de preparação e esclarecimento de dúvidas, fluxo de informações nomeadamente da ocorrência de alterações eficaz e análise de bases de dados estatísticas para identificar e evitar fontes de não qualidade.
Em suma, na fase de conceção é necessário compreender os requisitos que o cliente pretende, na fase de projeto é essencial especificar todas as caraterísticas de forma clara e minuciosa, na fase de execução controlar a conformidade e resolver as não conformidades detetadas, e na fase de utilização é adequado fornecer ao utilizador final um manual de operação e manutenção contendo a descrição do modo correto de utilizar o edifício e o conteúdo e calendarização das operações de manutenção do
mesmo, sendo que será aconselhável que o próprio utilizador dê o seu feedback relativo ao empreendimento de forma a apoiar a base de dados estatística que permite atuar preventivamente ao eliminar a repetição de erros detetados e, assim, adotar um processo de melhoria contínua. É importante realçar que a originalidade da presente dissertação prende-se justamente com a integração do histórico comportamental de soluções em serviço no controlo da conformidade enquanto forma de garantia da qualidade, que constitui precisamente os métodos estatísticos e feedback defendidos por muitos dos autores. Para obter estas informações é necessário analisar construções já realizadas e o nível de qualidade das mesmas, isto é, verificar quais os desvios da qualidade – anomalias – ocorridos e averiguar acerca da sua origem de forma a relacionar com os processos construtivos a verificar conformidade.
3
DESCRIÇÃO ESPECÍFICA DAS
SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS DO
CASO DE ESTUDO E RESPETIVAS
ANOMALIAS CORRENTES EM
SERVIÇO
3.1.INTRODUÇÃO
Neste capítulo serão abordados os trabalhos a realizar no Coimbra Shopping nomeadamente serão detalhadas e especificadas as soluções tecnológicas atuais e que serão empregues na reabilitação do edifício comercial, assim como cuidados a considerar aquando da sua aplicação, descrição da sua correta execução. Enumera-se ainda uma lista de anomalias correntemente verificadas em serviço para cada uma das soluções analisadas.
A informação das soluções em estudo depende bastante do conteúdo fornecido pelos fabricantes seja na internet, por catálogos, ou no mesmo contato direto com profissionais da área no sentido de complementar ao máximo o conhecimento acerca das mesmas. Assim, não se consegue obter a mesma qualidade e a mesma quantidade de informação para as soluções abordadas por depender largamente daquilo que o próprio fabricante disponibiliza, pelo que na descrição de cada uma delas o nível de especificação será bastante distinto, conforme o que a pesquisa teórica e contato com pessoal especializado permitiram.
Como chamada de atenção destacam-se algumas medidas de segurança que são comuns a estas soluções tecnológicas e obrigatórias em obra, no sentido de que a segurança também a qualidade de execução:
Sinalização adequada e andaimes corretamente montados, quando aplicável; Respeitar as fichas de segurança dos produtos;
Respeitar as especificações de armazenamento, preparação e aplicação dos produtos previstas nas respetivas fichas técnicas, assim como consumos e tempos de secagem indicados nas mesmas;
Não fumar e garantir um extintor na frente de trabalho;
Utilizar capacete de proteção, calçado de proteção, luvas não absorventes, vestuário de trabalho que evite o contato do produto com o utilizador (se necessário), máscaras respiratórias (se necessário), óculos de proteção (se necessário) e arnês de segurança (se necessário);