UNIVERSIDADE
FEDER_AL
DE
SANTA
CATARINA
-UFSC
CENTRO
DE
CIENCIAS
DA SAUDE
-CCS
DEPARTAMENTO
DE
ENFERMAGEM
-NFR
By
|v|ED|ANDo
o
DESPERTAR DA
coNsc|ÊNc|A
Do
c|DADAo
ADOLESCENTE
NA
EscoLA
Trabalho
de Conclusão
do
Curso de Graduação
em
Enfermagem da
UFSC
` I "-".'.Í'Â:_: -*À ' .'1 . ' \.-'\;. __ "n
W
Ê
Acadêmicas:
Maria
A.
M.
A.
Teodoro
_
1-__
Débora
Luciane
da
Silva'eš
Lorena Regina
Ban
, 1 _!ENF
0
60 A. r da consc e 0960 U UFSC Ma a o0 desper aA
.24 SMM
Em
_ __E
72 CCJ
~›
Orientadora:
Profi.
Angela
da
Rosa
Ghiorzi
L. L
Supervisoras:
Enlë.
Elizabeth
Becker
EnF.Terezinha
Maria
de Andrade
¢_› N.Cham. TCC Au o Teodo o u o Med'and 972496 EX. u sc BsccsM 3-.: _.. CCSM TCC UFSC
T
ENF0
60 E.H
ZFLORQNÓPOLIS,
DEZEMBRO
DE
1994
“Todos temos
a possibilidade de vencer as limitações auto-impostas e mesológicas,mesmo
assim muitas vezes é precisoum
mediadorpara
que
isso aconteça, e essa mediaçãoproporciona ao seu agente a oportunidade
de
vivenciar a transfonnação por ele gerada.”
“Uma
tempestade arrastou milharesde
conchaspara
a
beirada
praia.Um
rapazcomeçou a
colher as conchas e voltá-lasao
mar.Um
homem
ao
observara
atitude daquele rapazafirmou: que
mesmo
vivendocem
anos
elejamais
conseguiria salvar todas as conchas.Tomando
uma
cocha
em
suamão
0
rapaz disse: -Eu
sei disso,mas
para
essaconcha
issofará
uma
enorme
diferença, ejogou-a
ao
mar.”Nenhum
trabalho é realizado tão somente poruma
consciência.
Há
sempre váriasque cooperam
na sua construção.Registramos aqui os
nomes
daqueles aquem
sinceramenteadmiramos
eque
nãopodem
faltar asafirmações
de nossa gratidão por tudoo que
nos ajudaram na vivência desta etapa de nossas vidas, ate'
chegarmos
aos resultados que cuhninaram
no
surgimento deste trabalho: Angelada
Rosa
Ghiorzi; TerezinhaMaria de
Andrade; Elizabeth Becker; ZuleicaPatrício; os adolescentes
que
cuidamos; ao Wilson; à Tânia e ao Rudnei; aoCorpo Docente
e Funcionáriosda
Escola Básica MunicipalProfessor Anísio Teixeira; aos nossos pais; ao esposo Augusto;
ao
noivo Rogério e ao
namorado Marco;
à filha Mariana; aosamigos
SUMÁRIO
INTRODUÇÃQ
... .. 2 -OBJETIVOS
... .. 2.1 _oB1ETIvo
GERAL..
... .. 2.2 _oBIET1vos
EsPEc11=1cos
... ..3
_R1‹:vIsÃo
DE LITERATURA
... ..4
-METODOLOGIA
... .. 4.1 _REFERENCIAL TEÓR1co
... .., ... ..4.2 _
DESCREVENDO
0 CAMPO DE
ESTAGIO
... _.4.2.1 -
BUSCANDO
O
CAA/fl)O
... ..4.2.2 _
APRESENTAÇÃO
D0
cA1m>0
... _.ss
4.2.3 -
DESCREVENDOA POPULAÇAO ALVO
... ..5
-DESENVOLVENDO
O
PROCESSO DE CUIDAR-CUIDADO
5.1 -
GERANDO
EXPECTATIVAS
... ..5.1.1 _
NA ESCDLA
... ... ... _.5.1.2
-No CENIRD
DE
SAUDE
11 ... ..5.1.5 _
Nos
ADOLESCENIES
... ..5.2 -
DESCOBRINDO CAMINHOS DE CUIDAR
... ..5.3 _
TRABAEHANDO
c0M
As
FRUSTRAÇÕES
...5. 5.1
_AUSENc1A
DE
ENFERm‹:1R0
NA ESCOLA
... _. ... _.5. 5.2 _
MDOSSIBILIDADE
DE
TRABALHAR
COMA
FAMILIA
coNsn›1‹:RAÇõ1‹:s
FINAIS
... ..BIBLIOGRAFIA
... ..APÊNDICES
... ..Durante nossa vida acadêmica percebemos a necessidade de cuidado ao
adolescente, devido talvez à falta de conhecimento e recursos de outros indivíduos neste processo de transfomiação,
que
exige cuidados específicosque
irão auxiliar a sua iniciaçãona
vida adulta. Surgiu então a necessidade de nos envolvermos, enquanto futuros profissionais
de
saúde,
com
o Bem-Viver do
adolescente.E
foi atravésda
VIII ÊUnidade
Curriculardo Curso
de
Graduação
deEnfermagem
da Universidade Federal de Santa Catarina,que vimos
apossibilidade de satisfazer nosso desejo. Este trabalho, desenvolveu-se
no
período de 31de
agosto a
28
denovembro
de 1994 (Apêndice 01) na Escola Básica Municipal Professor AnísioTeixeira sob orientação da Professora Enfermeira Angela da
Rosa
Ghiorzi e/ supervisão dasenfermeiras Terezinha
Maria
deAndrade
e Elizabeth Becker.Alguns aspectos foram relevantes para a escolha
do tema
a ser estudado:o
desafiode trabalhar
numa
área (adolescente escolar)pouco
exploradano
currículo acadêmico; aescassez -de recursos
humanos
profissionalizados nesta área,bem
como, pouco
material didático específico para aplicação na prática.Ainda
em
nossa vida acadêmica, tivemos a oportunidade de vivenciaro
Referencialdo Cuidado
Sócio-Culturalque
se propunha adesenvolver atividades de
enfennagem
a partirdo
escolar, inserindo-oem
sua família eem
suacomunidade. Este referencial
tem
por foco acombinação
das necessidades e possibilidadesdo
homem
(crenças, valores, práticas de viver)com
as necessidades e possibilidadesdo
também
homem,
profissional de saúde.Sendo
assim, escolhemos este referencialcomo
guiade
nossa prática, porque levaem
conta os aspectos sócio-culturaisdo
homem
e nos permite exercitar a relação indivíduo-7
para cuidar deste adolescente?
Que
expectativas eletem
?Aonde
este adolescente busca ajuda, apoio, incenrivo...'? Quais são os dispositivos legaisque
amparam
este adolescenteem
nossasociedade?
Por que
a dificuldadeem
encontrar profissionaisque atuem
nesta área?(Apêndice 02).
Com
todos estes desafios presentes eum
ideal a ser alcançado cada vez mais claroem
nossas mentes, resolvemos então, “lançar a semente” (Apêndice 03).Para alguns daqueles questionamentos
buscamos
respostasna
literatura,no
Estatuto
da
Criança edo
Adolescente (1990),em
nósmesmos
e na buscado
local paraamamos.
Outros,respondemos
durante nosso Processo de Cuidar-Cuidadodo
adolescente.Mas, temos
a convicção deque
nenhuma
das respostas destes questionamentos seesgotam
neste nosso
momento,
pois elas são passíveis de transformação.Na
confecção deste relatóriooptamos
por trabalharcom
desenhos e ilustrações criados por nós, para seguirmos asmesmas
linhas de trabalho utilizadas nas oficinas, nas quaissempre
usávamos
recursos audiovisuais para enriquecer nossas exposições.Procuramos
organizar a estruturado
trabalhode
acordocom
aordem
dos acontecimentos por serum
meio
mais eficaz de organização de idéias.A
partirdo
entendimento e incorporaçãodo
referencial teóricofomos
aospoucos
definindo cada
uma
das etapasdo
trabalho.Sendo
assim,dispomos o
relatórioda
seguinte maneira: descrição dos objetivos; revisão de literatura; metodologiacom
o
referencial utilizado eo
campo
de estágio.Em
seguida, descrevemoscomo
sedeu
o
desenvolvimentodo
Processo Cuidar-Cuidado que foi dividido
em
gerando expectativas, descobrindo caminhosde
cuidar e trabalhandocom
as fiustrações, seguido das considerações finais, bibliografia,apêndices e anexos.
Assim
sendo, “adolescer é palavra latina que significa crescer, desenvolver-se,tomar-se jovem.
Os
dicionários registramque
a adolescência éo
período da vidahumana
entre4
â
a puberdade e a virilidade e
que
adolescer quer dizer crescer duranteo
períododa
adolescência.Embora
não
seja possível fixar limites universais e exatos para a sua duração osdoze
e os vinteanos, aproximadamente, são
em
geral admitidoscomo
as idades iniciais e finais desta etapado
desenvolvimentohumano”
(Netto, 1979, p.01).Segundo
a Organização Mundialda
Saúde
(OMS)
apud
Patrício (1990), a adolescênciacompreende
a faixa etária dos 10 aos 19 anos de idade,devendo
o
adolescente de11,12 e 13 anos ser diferenciado daquele de 17
ou
19 anos, pois as transformaçõesocorrem
em
todo este período.
Porém,
acreditamosnão
sero
critério cronológico básico para definiro
adolescente
mas
sim,também
o
seu contexto cultural e social.Sendo
assim, resolvemostrabalhar
com
o
adolescente escolar que, além de estar contextualizado cultural e socialrnente,tem fimdamentalmente
aEducação
como
grande auxiliador de seu exercício de Cidadania.Desde
ostempos
de Aristóteles,têm
oshomens
procurado identificar as principaiscaracterísticas dos adolescentes. Acreditamos que, se existe algo
que
caracteriza a adolescênciaé seu dinamismo.
Nada
permanece
imutável, tudomuda, o
corpodo
adolescente se desenvolveem
estatura, força e capacidade reprodutiva e sedefine
mais sexualmente; amente
se faz mais capaz de pensamentos abstratos, de previsão, de condição moral, de empatia e de capacidadepara autocontrole; as relações estreitas
com
os paiscedem
primeiro a relações intensascom
os companheirosdo
mesmo
sexo e, na maioria dos casos, a relações íntimascom
osmembros
do
sexo oposto e
um
maior contatocom
os adultos fora da esfera familiar. Estasmudanças
estãomuito inter-relacionadas e, de vez
em
quando ocorrem
irregularmente, pelo fato dos adolescentesque
são biologicamente capazes de engendrar e conceberum
filho,poderem
aindaserem socialmente imaturos.
Embora,
talvez, a seqüência seja amesma,
existeuma
ampla
variaçãono
ritmo de desenvolvimento dos indivíduos dentrodo
mesmo
sexo, e diferenças gerais entreo
sexo, entrando as meninas na puberdade algo antesque
os meninos.As
circunstâncias sociais determinam
em
grande parte a experiência, e esta incideprofimdamente
9
deverá ser saudável. Esse desenvolvimento depende de outros fatores, entre eles as condições
no
lar, a escola, a comunidade,o
trabalho, os lugares de ócio e os profissionais de saúde. Estespodem
proporcionar oportunidades para desenvolvimento social, emocional, intelectual, fisico,sexual e moral ou,
como
altemativa,podem
ser limitantesem
oportunidades para a educação,capacitação, emprego, paz e vida familiar estável
do
adolescente.Considerando
o
exposto até aqui, e sabendo queo
adolescente éum
sujeitocom
maior propensão a entrarem
conflitocom
seus valores, aquelesque
lhe são passados e aquiloque
vivencia, se faz necessárioacompanhar
seu desenvolvimento utilizando subsídiosque
permitam vê-lo
em
seus aspectos biopsicosocial e cultural, dentrodo
contextoque
ele pertence e das ações e reações das quais é sujeito. Frente a esta realidade estáo
enfermeirono
papel que2.1
-OBJETIVO
GERAL
1. Desenvolver as nossas habilidades
em
planejar, exercitar e avaliaro
cuidado 'deenfermagem
auma
clientela especificano
local de sua vivência, assegurando a elaum
cuidado qualificado, ético e legal.
2.
Conhecer que
turma de adolescente escolar necessitade
cuidado deenfermagem
apartir
da
percepçaodo
corpo diretivoda
Escola Básica Municipal Professor AnísioTeixeira
em
Florianópolis, Santa Catarina.3.
Conhecer
as necessidades e possibilidades de saúde dos adolescentes escolares indicados pelo corpo diretivo da escola supracitada e, a partir deste conhecimento,levantar expectativas para desenvolver
o
Cuidar-Cuidado deenfermagem no
períodode 31.08.94 à 28.11.94, fundamentado
no
Referencial Sócio-Cultural proposto porPzmí¢i‹›(199“o-1994).
2.2
-oBJEr¡vos Específicos
Ol. Identificar
o
referencial teórico proposto por Patrício, atravésde
levantamentosbibliográficos, leituras, análise, discussões
com
a autora supracitada, e orientadora,determinando os constructos norteadores
do
trabalho.02. Identificar a metodologia
da
formade
construção de projeto, através delevantamentos bibliográficos, leituras, análises e discussões.
03. Identificar os dispositivos jurídicos, legais e éticos profissionais para assegurar
o
11
Promover o
conhecimentodo
projeto entre a direção geral, orientadoreseducacionais e educadores
da
Escola Básica Municipal Professor Anísio Teixeirado
bairroda
Costeirado
Pirajubaé e equipe de saúdedo
mesmo
bairrocom
a intenção de obtero
aval para a realização deste projeto.Identificar os locais
que
possibilitarão a execuçãode
nosso trabalho, enquanto áreafisica,
bem como
seus recursos materiais e humanos.Identificar junto
ao
corpo diretivo da Escola, atravésde
pergunta, quais as turmasde adolescentes
que
segundo sua percepção necessitam de cuidadode
enfermagem
imediato.
Promover
a divulgaçãodo
trabalho a ser executado por nósna
escola paraque
osadolescentes
conheçam
nossa proposta e, junto conosco compartilhem seu saber esua vivência.
Identificar as necessidades e possibilidades de saúde
do
adolescente escolar,indicados pelo corpo diretivo
da
escola, a partirda
aplicação e análisede
um
questionário aberto e da busca de suas expectativas.Traçar
um
plano de ação juntocom
os adolescentes escolares para cuidar delesem
seu contexto escolar, familiar e social , a partirda
análise e discussão dos dadoslevantados através
do
questionário aplicado eda
coleta de suas expectativas.Informar
o
corpo diretivo sobre as formas de trabalho e os temas a seremabordados
com
a turma integrantedo
Processo de Cuidar-Cuidado.Prestar cuidado
de enfermagem
ao adolescente escolar a nível individual e/ouem
grupo, de acordocom
a aceitaçãodo
plano proposto, tantona
escola, quanto naAumentar
e aperfeiçoar nossos conhecimentos acercado
cuidadocom
o
adolescente escolar
em
seu contexto, através de leituras, análises, discussões, oficinas , cursos e outras atividadesque
sefizerem
necessárias.Investigar a existência de
demanda
espontânea de adolescentes e qualo
motivo daprocura
do
CSH
que serve à Costeirado
Pirajubaéno
período de nosso estágio.Promover
condições paraque
haja possibilidade de continuidadedo
trabalho pornós iniciado, a nível de Escola e Centro de
Saúde
integrantes deste projeto,bem
como,
a nível de Departamento deEnfermagem,
CCS,
UFSC
e VIII” fasedo Curso
3
-REVISÃO
DE
LITERATURA
Com
o
intuito de desenvolver possibilidades , enquanto mediadorasdo
Processode
Cuidar-Cuidado
do
adolescente escolar, sentimos a necessidade de buscar conhecimentosatravés de pesquisa bibliográfica dos temas discutidos e compartilhados
com
eles: educaçãoem
saúde, cidadania, sexualidade, drogas,
Doença
Sexualmente Transmissível(DST)
eSindrome
da
Imuno
Deficiência Adquirida (AIDS).Então, a revisão
que
agora apresentamos foi oriunda das necessidades sentidas evivenciadas durante
o
Processode
Cuidar-Cuidado.Visto que,
o
ambienteonde
atuamos foio
escolar, e, cientes deque
a educaçãoconvencional, dificulta
de sobremodo o
pensar reflexivo e crítico,empenhamos
esforços para criarmosum
ambiente propício ao desenvolvimentodo
processo educativo,que
acreditamos ser questionador e estruturado demodo
a permitirao
adolescente críticas e/ou acréscimos deseu cotidiano.
Logo,
se a educação necessita ter essa amplitude sópode
compreendero
adolescente tal
como
ele é,sem
lhe impornenhum
ideal relativo acercado que pensamos que
Uma
vez que a adolescência émarcada
pelas transformações e buscandocompreendê-las, encontramos
uma
metáfora que sintetiza essemomento
de mudanças:_§' .-
dssr
y
Que
\,/
outro ser, mais
e dotado
de
asas ~permitirá voar. lagarta
pensa
e senfigf _oseu
pensamontoszo? se transformarão.o
pensar eo
sentir borboleta. Ela vai teroutro astral, outro
com
o mundo”.
<<<<<<
,.~\
/`
,; Becker (1989, p. 14-17)
.';`*'t
É
dessa forma quecompreendemos
amudança
gradativa da criança na construçãodo
que será sua adolescência, dentro e através da qual se transformará. Para isso, muitas vezesprecisa deixar de se relacionar tanto
com
omundo
que o cerca para se fecharum
pouco
em
seu “casulo”, e se relacionar agora mais consigomesmo
e sua própria metamorfose.15
Visto ser, segundo Matarazzo e
Manzin
(1988, p. 17),“a adolescência
um
períodode
buscas,de
ínquietudes,de
auto-reconhecimento e
de
auto-afirmação porque,além de
estranhar edesconhecer
o
próprio corpo, ofjovem
notaque
as modlficaçõesƒísicase psíquicas
que
lhe estão ocorrendo,provocam
alteraçõesnas
formas
de
tratamentoque
a
sociedade lhe dispensa, e quetambém
sãonovas
para
ele. ”Estas transformações integram
o
desenvolvimentohumano
da infância à idade adulta, contudonão
secumpre
de maneira rítmicaou homogênea.
Há
faixas etáriasem
que
ocorrem
mudanças
peculiaresque
nãoocorrem
em
outras. Isto justifica a divisãodo
período evolutivoem
etapasou
fases.As
etapas evolutivas geralmente são relacionadas às faixas etárias.Porém,
devidoas grandes diferenças individuais
convém
que
os limites de idade sejamfixados
com
ampla
margem
de elasticidade,bem como
eles isoladamentenão
podem
sertomados
como
único parâmetro. Fatores psicológicos, sociais e culturaistambém
influenciamo
homem
na delimitação destas etapas.Para Souza,
apud Prando
et all (1993) as característicasda
adolescênciapodem
ser verificadasem
três etapas,que
são:a) Adolescente Precoce (10-14 anos): os principais esforços
do
indivíduo estão voltados para asmodificações do
próprio corpo a estabelecer progressiva independência eseparação dos pais
ou
adultosque
o
tutelam e a livrar-se das amarrasde
infanciab) Adolescência
Média
(14-17 anos):quando
a maioria, já tendo manifestadoa
puberdade, procura melhorar sua
imagem
atravésda
cultura fisica edo
vestuário. Inicia-se a estereotipagem, a busca pela identidade, de satisfação sexual ede
um
lugarna
sociedade.c) Adolescência Tardia (17-20 anos):
emergem
os valores ecomportamentos
adultos e predomina
ou
cristaliza-seuma
identidade estável.O
relacionamentocom
o
parceiroviabilidade
econômica
e estabilidade social, elabora valores e expressaconforme
suas própriasidéias.
Este processo de maturação
no
entanto,não
evoluisem
dramas
e dificuldades, as diferenças decomportamento
entreum
e outro adolescente e a variabilidadeda
conduta dosmesmos
não
são estanques,podendo
variar conforme a situação sócio-econômica e culturalna
qualo
indivíduo está inserido.Em
nosso processo de cuidar desenvolvemos atividadescom
adolescentes na faixaetária
média
de l3 à l8 anos, epudemos
constatar as seguintes caracteristicas: crescimento estatural rápido e desproporcional; alongamento daspemas
e braços; manifestações bruscasde
mudanças
dehumor
(entusiasmo, apatia, agressividade, energia, relaxamento, comunicabilidade, interesse e desinteresse); apresentana
sua conduta características peculiares:originalidade, critica e violência;
o
adolescente acha a vida errada, as ordens impositivas eautoritárias, os padrões de vida da família arcaicos,
mas
nãotem
soluções para esses problemas; estáem
buscade
sua personalidade, fase de maturação sexual e harmonizaçãocorporal, apto para procriar e adquire a configuração corporal razoavelmente proporcional
como
decorrênciado
desenvolvimentodo
tronco e dos caracteres sexuais secundários.Na
áreapsicológica destacou-se: introversão ativa, oposição aqueles
que
se constituemum
empecilhoem
suas conquistas, nos seus ideaisna
linha das grandes tendências humanas;o
fisico feminino adquire as formas delicadas de mulher adulta e,o
fisico masculino, os delineamentos rígidos dehomem
adulto; manifestaçãoda
razão crítica edo
pensamento reflexivo equilibrado e objetivo,participa de grupos estáveis, planeja concretamente os destinos
da
própria vida, luta poruma
atitude valorativa pessoal.A
sexualidade éuma
dasmudanças
mais significativasno
processode
adolescer e independenteda
faixa etária.No
dizerde
Zecker (1985),de
um
modo
geral, os adolescentesestão desinformados a respeito
do que
vem
ocorrendo consigomesmos. Procuram
respostas às suas principais dúvidas e pessoasque
osouçam,
parapoderem
diminuir aenorme
ansiedade17
que
surge duranteo
desenvolvimentoda
sexualidade. Este aspecto reahnente foi apreendidoem
nossa prática assistencial .No
pensar de Suplicy (1983)um
grandenúmero
de pais, professores e profissionaisde
saúde acreditamque
educar sexualmente é sentar e daruma
aulade
anatomiaou
fazerum
discurso sobre os perigosdo
sexo. Continua Suplicy (1983, p.48)“A base
do
erotismo saudável eda
capacidadede
gozara
intimidade
com
o
outro é obtida nos primeirosanos de
vida atravésdo
afeto edo
contatode
pelecom
pele entrea
mãe
eo
bebê,com
paisque não tenham
receiode
acariciar e beijara
criança, que propiciemao filho amplo
contato f1'sico etemura
desdea
mais
tenra idade”Queimando
esta etapa,pode
ocorrerda
criança ingressar na escola desinformada ecom
atitudes negativasem
relação ao sexo. Suas dúvidas, crenças e valores, poderao ser transmitidos aos colegas de classe e a educação sexualpode
acontecer nas escolas, assim:das
portas,nos
banheiros,no
grafite,na
pornografia e através
de
atitudesde
professoresque
não
têmo
menor
preparo
para
lidarcom
este tipode
solicitação ” (Suplicy, l983,p.49).O
resultado dessa desinfomiação, incidiráno
processode
bem-viverdo
adolescente.
Sendo
assim, é desejávelque
a educaçãoem
saúde“aborde
a
sexualidade dentrode
um
enfoque sócio-cultural, amplie
a
visãode
mundo
do
estudante, eo
ajudea
aprofundar e refletir sobre seus próprios valores. Decorrente destapostura é
o
respeito pelas diferentes opiniões e pela dignidade eindividualidade
do
serhumano
(Suplicy, l983,p.49)..Durante os dias que convivemos
com
nossos adolescentes escolares,percebemos
que é repassado para a escola a responsabilidade de esclarecê-los sobre
o tema da
sexualidade.Porém,
também
vimos que
muitos adultos (professores e atémesmo
enfermeiros)não
têm
esteconhecimento.
Vivem
em
um
mundo
cheiode
tabus e dúvidas.Até
mesmo
não
conhecem
seu próprio corpo. Então,como
ajudaro
outro a se conhecer?As
fasesdo
desenvolvimentoda
sexualidadeno
adolescentenão têm
limitesde
) as variáveis étnicas, históricas e culturais
com
suasinfluências marcantes,
alem
da
própria hereditariedadedos
diversosgrupos
de adolescentes” (Zecker, 1985, p. 181).`
Para
Becker
(1985), existem três fasesdo
desenvolvimentoda
sexualidade.A
la ocorrecom
o
despertardo
interesse sexual por estímulos hormonais eaumentos
dos androgêneos circulantes. Já a 2” fase, envolveo
relacionamentoamoroso
entre as pessoas,onde
ocorre a masturbação e
o
adolescente passa a conhecero
seu próprio corpo, além de compará-lo
com
o
corpo de outrem.Na
3” e última fase, já háo
amadurecimentoda
inter-relação afetivae a escolha
do
par sexual. Estemomento
aconteceno
finalda
adolescência.É
na la faseque ocorrem
as primeirasmudanças
corporais,que surgem
a menarca, a polução notuma, alémdo
aparecimento dos caracteres secundários.Na
etapade
experimentação de
comportamentos
sociais surgeo
conflitodo
adolescentecom
a família. Elese debate entre a necessidade fundamental de ser independente, ser ele
mesmo,
livre eautônomo, e a necessidade de continuar dependente,
ganhando
asmordomias
de sempre,que
significam proteção, carinho e acolhimento
da
parte dos adultos.Por
outro lado, a familiapouco
aceitao
relacionamento socialque
se inicia,temendo
perder amanutenção da
dominação
e submissão sobreo
adolescente,negando
muitas vezes suas novas amizades.Concordamos
com
Gauderer (1987), Jane eCodo
(1985)apud
Patrício(l990,p.20),
quando
dizemque
“além
do
aspectoda
sexualidade serum
destaqueimportante nas relações conflitivas entre adolescentes e família, outro
ponto
crítico éa
ligacão afetivados filhos
com
outrosgrupos
sociais,responsabilizados muitas vezes pelas condutas reprováveis que apresentam
Em
nossa experiência,não
tivemos a oportunidade de entrarmosem
contato diretocom
as familias de nossa clientela. Entretanto,no
seu discurso estava evidente os aspectos levantados pelos autores acima.Assim, a partir
do
relacionamento social surge a inter-relação afetiva,acompanhada
19
“
o
adolescentecomeça
a
aceitarmelhor o papel
sexual escolhido ea
se sentirmais
confortávelcom
sua
sexualidade (...)resolve suas ambivalências e decide sobre seus valores, consolidando
sua
identidade própria sexual.Já
procuram
relações e práticas sexuaisque
intensificamsua
auto-estima eque o ajudem
a
aprofundaros aspectos íntimos de
sua
feminilidade e/ou masculinidadeÉ
entãotempo da
primeira relação sexual, tão decantada pelos nossos jovens,mas
nem
sempre consideradacomo
a melhor experiência da vida.A
população brasileiraem
geral,ainda trata este
tema
de maneira preconceituosa epoucos
estudosdemonstram o
comportamento
sexualdo
adolescente (Souza,.l99l).E
ele se deparacom
contradiçõesmarcantes entre as representações assimiladas pela sua cultura e
o que
é veiculado através dosmeios
de
comunicação. Independenteda
atitude sexual assumida,o
adolescente terá deconviver
com
as reações dos outrosque
também
influenciamno
desenvolvimento de sua sexualidade futura.Com
o
evoluirda
liberação sexual, toma-se cada vez mais precoceo
início desta experiência.Meninos
e meninas extremamente jovens, desinforrnados e imaturos, envolvem-seem
relacionamentos de curta duração. Desta maneira, sucedem-se os parceiros e instala-se apromiscuidade sexual e
o
risco deuma
gravidez indesejada.Manzin apud
Barroso e Bruschine (1988) deixa claro que,nem
sempre as pessoasque
seenvolvem
num
relacionamento sexual, pretendem ter filhos, pois a atividade sexualtem
como
primeiro objetivo preencher necessidades afetivas, satisfazero
desejode
obter prazerfisico e ser
um
meio de
comunicação. Estaafirmação
se faz presenteno
discurso dosadolescentes escolares durante nossos contatos. Engravidar é
um
problema paraalguém que
não
se encontra preparado fisica e psicologicamente para encarar a gravidez.“E
as estatísticascomprovam, que
a
cada
década
cresce0
número
de
partosde meninas cada
vezmais
jovens. Dentre asadolescentes grávidas
que
tentam interrompera
gestação,a
imensa
maioria (cerca
de
95%)
não
conheceou
faz usode
qualquermétodo
De
fato,métodos
anticonceptivosfigurou
como
conteúdo eleito pelos jovens paradiscutirmos
com
eles.Por
este motivo,houve
a necessidade deum
estudo maior sobre eles:o
que existe; quais seus beneficios e maleficios;
o que
indicar aum
adolescente?A
partir de leituras, reflexões, estudos realizados duranteo
curso, ficou-nos claroque não
existeum
método
ideal ,que
seja100%
efetivo todas as vezesque
necessário e, de usofacílimo, inócuo, barato e reversível. Entretanto, é possível combinar técnicas aproveitando as
vantagens de cada
uma
e conseguindopromover o
desfiutamento dos encontros sexuaissem
o
receio deque
uma
gravidez não desejada venha a acontecer.Mas
édo
adolescente a decisão final sobre qualo
melhormétodo
a ser seguido.A
nós cabeo
papel de levar a informação,discuti-la, propiciar reflexão e ação,
mas
nunca decidir por ele.É
precisotambém
refletir sobre as doenças sexualmente transmissíveis, alémda
gravidez indesejada.Para Oliveira
apud
Zecker, (1985, p. 129)“as doenças venéreas são
comuns na
adolescência.Um
dos
fatores principaisque
provavelmente contribuírampara
asatividades sexuais
mais promíscuas
emais
precoces éo
usode
anticoncepcionais,
o que aumentou
muitoo
número
de
casosde
gonorre'ia.
Os
anticoncepcionaisfizeram
com
que
houvesseum
número
de
relações sexuaismais
fieqüentes
e estão eliminandoo
usode
preservativoou
condon, poisquando
se usaadequadamente
osreferidos,
dão
uma
proteção contra as enfermidades venéreas”De
fato,o
adolescentetem
dificuldadesem
identificar e recusar relações sexuaisnão
seguras, visto a sua necessidadeem
satisfazer seu lado sexual.Entretanto, adolescentes,
homens
e mulheresdevem
evitar ato sexualsem
preservativo, principalmente porque
está aí aAIDS,
e elanão
traz escrito nas pessoasonde
se encontra.É
preciso prevenir,promovendo
a saúde e protegendo especificamente as pessoas.Nesse
contexto, os profissionaisde
saúde, professores e pais,devem
refletir juntocom
os jovens sobre as perturbações fisicas, emocionais e sociaisque
podem
resultarde
uma
relação sexual destrutiva,da
gravidez não desejada das doenças venéreas e sobretudoda
AIDS,
doença21
que, segundo
Matarazzo
eManzin
(1988) impossibilitao
organismo de lutar contra asinfecções, devido a perda da resistência normal
do
organismo.Seu
causador éum
vírusdenominado HIV.
Pode
ser adquirida pelo contato sexual, agulhas contaminadas, transfusão sangüínea e derivados ede
mãe
para filho.Até
o
momento
não
existe cura para aAIDS,
sendoseu tratamento realizado para combater as infecções oportunistas.
Sendo
assim, deve-sesalientar a necessidade de sua prevenção.
Outro
tema que
convém
ser aqui lembrado enão
menos
importante é a questãoda
busca e
do
envolvimentodo
adolescenteao
usode
drogas e álcool.Segundo
PREVIDA
(1991, p.24)“nesta fase, muitas vezes
o
adolescentetoma
a
decisãode
experimentar
o
álcoolou
outra droga, poiso
periodoque
atravessa se caracteriza pelo descyio às autoridades, às normas, às leis e àsinstituições
em
geral; pelo espíritode
aventura, pela curiosidade,na
busca
de
novas sensações e descobertas; mostra-se críticoem
relaçãoa
tudo ea
todos, especialmente, aos valores vivenciados pelos pais, escola, igreja, e outros.E
importante alertá-lospara
os riscos existentesna
curiosidadede
experimentara
droga.”Além
disso,o
adolescenteque
faz uso de drogas normalmenterompe
com
seu contexto sócio-cultural e familiar, impedindo ainda mais a sua adaptação na família,no
trabalho, na escola e nos relacionamentos pessoais.
O
jovem
passa a buscar somente as fontesque
correspondem às suas necessidades determinadas pela preocupaçãocom
as drogas, marginalizando-seem
relação aomeio
social.Mas como
abordar todos estes temascom
nossos adolescentessem
propiciarmos aeles acréscimos, críticas, reflexões sobre seu viver cotidiano? Este viver
que
impregna a suarepresentação de
mundo,
a sua concepçãode
saúde-doença?Cientes
de que
estávamos utilizandoo
conceitode
cidadania escolhido paranortear nosso referencial teórico, sentimos a necessidade de clareá-lo, explicá-lo e entendê-lo. E, por incrível
que
possa parecer, essetema
acompanhou
todas as nossas leiturascomo
um
doseixos centrais
do
processo de cuidar.Assim,
no próximo
capítuloprocuramos
mostrarcomo
executamoso
Processode
A
opção
teórico-metodológica éum
passo decisivo para a execução deum
trabalhoassistencial
em
enfermagem.Assim
sendo,optamos
porum
referencial holísticoque
se colocacomo
mediadorna
valorizaçãoda
dimensão sócio-cultural dos indivíduos, pois acreditamos estaro
homem em
constante relaçaocom
a natureza e a sociedadeno
seu cotidiano.Iniciamos então, leitura bibliográfica nas férias acadêmicas, para identificação
do
referencial
que
iríamos utilizar.Encontramos no
referencial teórico proposto por Patrício(1990/1994) afinidade
com
o
tipode
cuidado parao
qual nospropusemos
desenvolver: Cuidar-Cuidado. Identificado, realizamos vários encontros
com
nossa orientadora para discussão e análisedo mesmo.
Foram
ainda necessárias três reunioescom
a autorado
referencial para sanarmos nossas dúvidas e melhorarmoso
nível decompreensão
do
gmpo.
A
partir de então,o
Referencialdo Cuidado
Sócio-Cultural nos oportunizou a reflexão eo
relacionamentodo
pensar-fazerem
enfermagem de
modo
dinâmico. Estandoo
Processo de Cuidar-Cuidado voltado para a interação
com
o
outro, e, fazendo a mediaçãono
processo
de
transformação das necessidades de saúdedo
homem,
no
seu ciclo de crescimento e desenvolvimento,optamos
por cuidardo
adolescente escolar.Para tanto, partimos para a elaboração de nossos objetivos
acompanhados
dasestratégias operacionais e avaliação (Apêndice 04)
do
cuidado prestado.Este cuidado teve
como
instrumento metodológicoo
Processo deEnfermagem,
operacionalizado através
das
atividades de Consulta deEnfermagem
e trabalhode
grupo.Foram
realizadas04
Consultas deEnfennagem
para04
adolescentes escolaresnuma
proporção de Ol para 01 ao longo de 55 dias.
Com
relação ao trabalho de grupooptamos
pela técnica de oficina (Workshop), pois,na
nossa percepção foio que
mais se enquadroucom
o
23
referencial escolhido por nós.
Foram
realizadas27
oficinas para46
adolescentes distribuídosem
03 turmasde 7ë
séries.Para
que
este cuidado se concretizasse partimos de contatoscom
a populaçãoenvolvida (professores, orientadora educacional, supervisora, diretora, adolescentes e
enfermeira
do
CSII) afim
de colhermos as suas expectativas quanto ao nosso trabalho,bem
como
percepção dos alunos sobre: saúde-doença, adolescência, direitos e deveresna
escola,trabalho, família, e enfennagem/enfermeiro,
mantendo
a integralidade de nosso referencialteórico (Apêndice 05).
Desta conduta emergiram: a) a escolha das turmas de trabalho (sugestão
da
direção e professores); b) os temas e as formas
de
cuidá-los (Sexualidade, Drogas,Doença
Sexuahnente Transmissível e
Aborto
-Anexo
01); e c)o
trabalho de Primeiros Socorros feito juntocom
os professores. Nesta oportunidade integramos nossa atividadecom
outro grupo deVIII” ,
que
tinhacomo
um
de seus objetivos desenvolver palestras sobre Primeiros Socorrosem
escolas.Em
função destes dados coletados, ainda necessitamostambém
aprofiindarestudos específicos sobre:
o
adolescente,o
nossoCódigo
de Ética,o
Estatutoda
Criança edo
Adolescente, a Constituição Brasileira de 1988, nos artigos de soberania e cidadania brasileiras,
a sexualidade humana, as drogas, as
Doenças
Sexuahnente Transmissíveis, osmétodos
contraceptivos/aborto, os primeiros socorros,
o
exercíciode
cidadania e as técnicas para aconstrução
do
material didático. Estudos estes realizadosao
longodo
pen'odo de 01/agosto à28/novembro
de 1994 através de estudos independentes, oficinas, participação de encontros econgressos
(Anexo
02) efichamento
de textos. .Passamos
a seguir a descrição dos elementos teórico-metodológicosem
suas amplitudes.4.1
-REFERENCW.
rEÓRlco
Os
conceitos que guiaram nossa prática foram :_homem,
necessidades, recursos,adolescente, familia, ambiente, cultura, saúde e doença, Cuidar-Cuidado, enfermeiro e
processo de enfermagem. Tais conceitos foram extraídos
do
referencialde
Patrício (1990/1994)e
sofieram
algumasmodificações
e acréscimos oriundosda
nossa prática social,que
serãodescritas
ao
finaldo
conceito referenciado.Convém
aqui salientarque
o
termo recurso deve ser substituído pelo leitor por possibilidades,também
já escolhido pela autorado
referencial.Além
disso, ao entendermoscomo
o
adolescente escolar vivia,que
necessidades epossibilidades possuía
no
seu cotidiano eo
que ahnejava,vimos
confirmar a necessidadede
associannos ao referencial escolhido os conceitos explícitos de: cidadania, trabalho e educação.
HOMEM
um
ser sócio-cultural e espiritual, singular, individualrepresentado pelo ser
homem
e pelo ser mulher.É
pensante, elaborasignificações
a
partirde sua
visãode mundo.
É
ativo, suas açõesgeram
uma
culturaque
orientanovas
ações, transformandoa
si próprio eao
ambienteem
que
vive. Auxiliaou
limitao
viverde
outroshomens.
É
suscetível às influências dos elementosde
todoo
ambiente,o
que resultaem
limitaçõesou
recursos (individuais e coletivos).No
seu processode
evolução percorre etapasde
desenvolvimentode
acordo
com
sua cultura, sexo, classe social e características biológicas. Integrauma
família, tem necessidades e executa cuidadosde
saúde, individuais e grupais, durante todoo
seu crescimento e desenvolvimento, compreendidos dentrode
crenças e valores originadosde sua
cultura atravésda
história, epor
influênciasde
culturas estranhas.
É
capazde
ter liberdadepara pensar
e agir, ede
buscar, criar e
manter
recursosno
ambientepara
atender suasnecessidades e alcançar seus recursos
de
bem-viver” (Patricio, 1990, p. 64-65).“As
NECESSIDADES
do
homem
são elementos dinâmicos, essenciaisà
vida eao
bem-viver,promovendo a
reproduçãoda
espécie,
o
crescimento e desenvolvimentodo
indivíduocomo
ser singular e social.As
necessidadespossuem
dimensão
física, sócio- cultural, biológica, espiritual e psicológica (afetivas). Dentre estasnecessidades está
o
cuidado de saúde.O
sentidodas
necessidades estácondicionado
à
visãode
mundo
do homem,
às suas crenças, valores e metas,como
ser singular e social,em
cada
estágiode
seu crescimento e desenvolvimento, estandoo
atendimento destas necessidades condicionado às possibilidades disponíveis pelohomem
” (Patrício, 1990, p. 65).“Os
RECURSOS
do
homem
são fatores fundamentaispara
o
atendimentodas
necessidadesdo
homem
como
ser singular e social. Esses fatoresfazem
parteda
constituiçãode cada
indivíduo,da
familia e de outros
grupos
sociais.São
fatores provenientesda
hereditariedade
do homem,
do
seu processode
crescimento e desenvolvimento,da
sua visãode
mundo
e atitudesfiente
à
vida edas
condições
do
ambienteem
que vive. Esse ambiente é ofísico eo
sócio- cultural,que
setomam
recursosquando
oferecemao
homem
aspossibilidades (incluindo os direitos)
de
criar, buscar emanter
os seus elementos físicos, tecnológicos, culturais, sociais, econômicos,educacionais, políticos, legais, religiosos, afetivos, cuidados
familiares e cuidados
de
saúde profissionais,que
são essenciaispara
o
atendimentode
suas necessidades durante todoo
seu crescimento e desenvolvimento” (Patrício, 1990,p.65-66). (Apêndice O6)Ao
longo de nosso trabalho muito refletimos sobre direitos e deverescom
osadolescentes e, por isso, acreditamos que
o
ambientedá ao
homem
possibilidades ( direito etambém
deveres) de buscar (...), epercebemos que
há necessidade de acréscimodo
elementocivil a esse ambiente, pois trata
da
liberdadedo
ser.ADOLESCENTE
“É
o
homem
que
no
seu processode
crescimento edesenvolvimento está
na
faseda
adolescência, representada pelo processode
transição entreo
ser criança eo
ser adulto,caracterizando-se
por
transformações biológicas, psicológicas, culturais e sociais, cujo significado e vivênciasão
dependentesdo
sexo, classe social e
do
ambiente emomento
históricoem
que
se insereo
adolescente.É
uma
faseque
oportuniza novas sensações e experiências, antes completamente desconhecidas, cujos determinantesprincipais são
o
desenvolvimentoda
sexualidade,nos
aspectosde
prazer e reprodução, as
novas
capacidades,de pensar
a
respeitode
simesmo
edo
mundo
que
o
cerca, as respostas queobtém de
seumundo
cultural frente às suas reações e às ações
no
ambiente.Na
buscade
sua
individualidade eno
confrontocom a
cultura,o
adolescentepropostas novas,
0 que
em
algumas
culturas temgerado
situaçõesde
mal-viver” (Patrício, 1990, p. 76-77). (Apêndice O7)
Durante nossa prática, percebemos ser
o
aspecto psicológico a transformação maisevidente naqueles adolescentes;
que
demonstraram vivernum
conflito humoral entre ossentimentos de paciência
X
impaciência, afetividadeX
agressividade e intolerância ,caracterizando-se pela presença freqüente
do
elemento social.FAMÚJA
um
sistema interpessoalformado por homens
que
interagem
por
variados motivos, taiscomo
afetividade e reprodução, dentrode
um
processo históricode
vida,mesmo
sem
habitaro
mesmo
espaço fisico.
É
uma
relação socialdinâmica
que, durante todo seu processode
desenvolvimento,assume
formas, tarefas e sentidos,a
partirde
um
sistemade
crenças, valores enormas
estruturadosna
culturada
família ena
classe sociala
qual pertence e também,em
outras influências e determinações
do
ambienteem
que
vivem, incluindo valores enormas
de outras culturas.Durante
seu processode
desenvolvimento,a
dinâmica
familiar apresentamudanças
representadas
por
aquelasmudanças
esperadasno
decorrerdo
desenvolvimento e
por
mudanças
situacionaisou
acidentais, originadasno
ambiente familiar e extemo.A
famíliatambém pode
serum
recursopara o
crescimento e desenvolvimentode
seusmembros
'como
também pode
colaborarna
limitação desses aspectos atravésda
imposição
de normas
ede
tarefas (para as quais seusmembros
aindanão
estejampreparados ou
quenão façam
parte de seus valores);da
limitaçãoda
liberdade cultural e atravésdo não
provimentode
recursos (incluindo
o
cuidadopara
o
atendimentodas
necessidadespara
o
crescimento e desenvolvimento saudável) ” (Patrício, 1990, p.74-75).Não
tivemos oportunidadede
vivenciaro
referencial de família, portantonão temos
condições de analisaro
mesmo.
AMBIENTE
a
natureza fisica eo
contexto sócio-culturalno
qualo
homem
vive.São
elementos dinâmicos, interdependentes e inter-relacionados, cuja dinâmica influencia e é influenciada pelo ambiente
maior, representado pelo
mundo.
A
natureza física é representada pela flora, fauna, ar, terra, rios,mares
edemais
elementosdo
universo.
O
Contexto Cultural é representadopor
todas as culturasinfluenciando-o constantemente. Este contexto é representado pelos elementos sociais (incluindo
o grupo
familiarcom
seu espaço físico e cultura própria): históricos, econômicos, políticos, legais,tecnológicos, religiosos e educacionais,
bem como
de produção de
alimentos e
de
cuidadosà
saúdeQopular
e profissional).Da relação sócio-culturalcom
a
natureza égerado
o
contexto fz'sico, representadopelas transformações elaboradas pelo
homem.
O
ambiente estáem
constante mudanças, observadas atravésda
história geral e particular.Essas
mudanças
ocorrem
por
influênciada
natureza física (atravésdas
leis naturaisdo
universo) epor
influênciados
homens
atravésde
suas ações, geradas pelas suas necessidades e utilização
de
recursos, individuais e coletivos.O
contexto sócio-cultural eo
contexto físico (elementos produzidos pelo
homem
e natureza)influenciam
a
vidados
homens na
medida
em
que
podem
auxiliarou
limitaro
atendimentode
suas necessidades durante todo
o
seu processode
crescimento e desenvolvimento, interferindo noscomportamentos de
cuidado enos
recursos
para
o
seu bem-viver” (Patrício, l990,p.67-68).ambiente que vivenciamos foi
o
escolar, e neste presenciamos a influenciado
meio
sobre a vida dos indivíduos.CULTURA
quanto os indivíduos estão ligados
ao
seumeio
cultural e constatamosuma
grande interferênciado meio
social na vida dos adolescentes, pois estes estavam sempre preocupadoscom
o que o
“Cultura refere-se
aos
valores, crenças,normas
emodos
de
vida praticadosque
foram
aprendidas, compartilhados etransmitidos entre os
homens ao
longoda
história.É
um
processopermanente
pelo qual oshomens
orientam edão
significado ás suasações, cuja dinamicidade ocorre
a
partirdas
reorganizaçõesdas
representações
na
prática social.Apesar
dessa dinamicidade, algunsfatores
não
semodificam por
longo tempo,tomando-se
característicadominantes
do
indivíduoou
grupo. Praticamente todas as culturas tem seus pontosde
vista sobre saúde edoença
ecomportamentos de
cuidados próprios. Através
da
culturao
homem
determina suasnecessidades e
obtém
possibilidadespara o
atendimento dessasnecessidades, incluindo
o
cuidadode
saúde.Os
valoresque
integramuma
cultura são forças difundidas eprofundamente
enraizadasque
guiam
os pensamentos, decisões e açõesdas
pessoas, variandomarcantemente
em
fimção
deum homem
para
outro dentrode
uma
mesma
cultura ecom
tendênciaa
se modificar durante os estágiosde
seu desenvolvimento ”(Patrício, 1990, p. 68-69).
Este referencial foi
um
grande norteador dos nossos cuidados.Observamos o
sA
ÚDE
E
DOENÇA
“Saúde é
a
capacidadeque
o
homem
tem,como
ser individual e social,de
buscar,manter
e normalizar seu bem-viver. Bem-`viver éum
sentimento condicionado às necessidadesdo homem.
Sendo
assim, somente se consegue conceitualizar Bem-viver se tivermos presentea
realidadedo homem,
com
suas crenças e valoresem
constante dinamismo, atravésde
todoo
seu processode
crescimento e desenvolvimento.
Desta
forma, saúde tem expressãoindividual, significando que
num
indivíduo (ou grupo), se mostrarádistinta
de
um
outro, devidoà
presençados
caracteres genéticos e ambientais. Assim, entendo que ter saúde é possuir recursospara
o
atendimento
das
necessidadesna
saúde ena
doença
(incluindo0
cuidado popular e
o
cuidado profissional)para
recuperaçãode
sofrimentos e vivência
do
seu processode
desenvolvimentocom
capacidadede
efetuar as tarefasda
vida (incluindoa
do
cuidado)bem
como
para
alcançar,com
satisfação, os objetivos e ospadrões de
vidadesejados.
A
doença
écompreendida
por
situaçõesde
mal-viver, nos quaiso
homem
apresenta dificuldadepara
atender as suasnecessidades.
A
exteriorização dessas situações sefará
através de seu corpomente , edas
relaçõescom
os outros indivíduos ecom
o
ambiente.
Poderá
ser expressapor
queixasde sofiimentos
ede
incapacidade
de
realizar suas tarefas e expectativas, epor
sinaisde
disfunções e incapacidades fisicas, psicoespirituais e sócio-culturais
nos
aspectosde
crescimento e desenvolvimento.O
sentimento ecompreensão
da
doença,bem
como
os cuidadoscom
ela,são
determinados pela cultura queo
homem
elaborou e pelos recursos disponíveispara
esses cuidados.“Saúde é
um
conceitomais
amplo,uma
vezque
a
doença
éum
momento
que
inserea
buscada
saúde,ou
da
normalizaçãoanterior
do
bem-viver”(Patrício, 1990, p. 69-70).Durante
o
desenvolvimentodo
nosso trabalhopercebemos
aspectosdo
referencial,porém
acrescentamos nesse conceito os aspectos psicológicos e espirituaisque
trabalhamosintensamente, pois acreditamos
que o
equilíbrio psico-espiritual leva a homeostase biológica.Pressupomos,
também, que
as interferências geradas pelomeio
na homeostase biológicado
serhumano
não
sedá
diretamente a nível biológico, atuando sim na situação psicológica eC
UIDAR-CUIDADO
“Enquanto
conceito operacional (...)Cuidado
Sócio-cultural é
denominado de
Cuidar-Cuidadoou Cuidar-Cuidando o que
sign1`fica cuidar
com
cuidado .É
representadopor
diversoscomponentes
queo
caracterizamcomo
um
processode
cuidar, poistraduzem objetivos, ações e
o
própriomodo
de
cuidar.O
Processode
Cuidar
sefundamenta
na
interaçãocom
o
outro, atravésda
comunicação
verbal enão
verbal ede
ações físicasque
fazem
a
mediação no
processode
transformaçãodas
necessidadesde
saúdedo
homem. Para
tanto, incorporaem
sua prática, conhecimentos teórico- práticos oriundosda
medicina oriental eda
parapsicologia (..)dialogar, refletir, meditar com, trocar idéias, experiências,
promover
conhecimentos; esclarecer; informar; reforçar; (...) educar;
desenvolver potencialidades; (...) tocar (diferente
de
manuseio);prevenir; (...) adotar atitudes
com
a; fazer por; ter sensibilidade,consideração, paciência; ser empático, autêntico, sincero; observar, analisar,
comparar
, validar, expressar, ;manter
(preservar),acomodar
e repadronizarmodos
de
cuidar;propor
e negociarmodos
de
cuidar; planejar, organizarcom;
coordenar; estar abertoà
outrapessoa; dispensar atenção; demonstrar interesse, estar
dando
importância, disponibilidaü; (...) dedicar-se; (..) compreender;calar; (...)
amar;
valorizar; (...) comparecer; assumirresponsabilidade, compromisso; (...)
não
condenar; colocar limites; (...) desafiar; estimular; lutarcom;
desenvolvera
capacidadede
reflexão
críticade
crenças, valores e práticas@ensar
criticamente);(...) supervisionar/vigiar (segurança
com
liberdade); (...)promover
momentos
de
alegria/prazer; aceitar expressõesde
sentimentos negativo; preservar individualidade ea
integridadedo
outro;(..) executarmedidas de promoção,
tratamento e reabilitação; desenvolver afetividade/compromisso entre pares; considerar caracteristicas individuais/coletivosde
vivero
cotidiano, suas interações, suas potencialidades e limitações, valores, crenças , metas, desejos eexpectativas; considerar
a
história de vida, queixas e sinaisdo
corpoatual; demonstrar confiança e ajudar'
o
indivíduoa
desenvolver confiança, esperança, fé, coragem,também
aos
seus pares; tercomportamento
altruísta somenteem
casode
emergência, visandoseus direitos; ajudar
o
indivíduoa
desenvolver suas possibilidadesde
liberdade e
também
de
assumir responsabilidade pelasua
própriaexistência e pela existência
dos
outros, incluindo ser solidário ecuidados
à
natureza; ajudaro
indivíduoa
identificar, desenvolver e utilizar seus recursos Qossibilidades) individuais, incluindoa
suavontade,
de
seus familiares,da
sua comunidade
e sociedadecomo
um
todo,em
buscada
transformaçãode
limitaçõesde
bem-viver; (..) ajudaro
indivíduoa
desenvolver possibilidadesde
participar ativamente, politicamente consciente,nas
decisõesque
envolvem seus processosde
viver coletivo, incluindo seu próprio cuidado;desenvolver os cuidados baseados
em
conhecimentos e técnicos científicos e nas significações e maneiras culturais próprias dosindivíduos; focalizar as possibilidades presentes
ao
processode
cuidar, as possibilidades
dos
indivíduos, e aqueles necessáriospara o
bem-viver (qualidade de vida),
bem como
os recursosque o
profissional necessitapara
prestar os cuidados, incluindoo
usoda
Constituição Federal, incluindo
o
Estatutoda
Criança edo
Adolescente, e
da
colaboraçãode
profissionaisde
outras disciplinas”(Patricio, I994,p.20-21-22).
seguir, mostraremos
o
Referencial Teóricodo
Cuidar-Cuidado adaptadoao
REEERENCIAL
TEÓR1c0
D0
CUIDAR-CUIDADO
c0M
0
ADOLESCENTE
ESCOLAR
. 'ó'\a`.Ô
(MundQ
`
' . . . . ',we
° ..'+`ø
0.//ëi.`.\\
1.
'
Q
',Ãmbiente
interno
do\
1?
Enfermeuo
Ç
90
*_.-iv
adolescente
escolar. ›
\
. Necessidades, °Q
° . Possibilidades, . Práticas profissionais de _ .d A,;,~ . ô~ -ø -9 _ ` *zrçu DADQ , z : .¬:1'.¬ã_:z'"
z Necessidades 'ÊE_.f% . Possibilidades5-;_Í › Práticas populares de saúd Situações de saúdee doença, . Educação, . Cidadania, . Práticas de vida ,\ (família-grupo-social) . `°. , \\?° .`‹""". -- n . 1 educaçao
em
sau e ,. Práticas populares de saúde,
. Processo de enfermagem,
_
. Conhecimento das ciênciasbiol' `
I í
humanas e ogicas.
. Conhecimento das ciências
I sociais. ú . Educação, I ó Cidadania f'