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Avaliação de traços psicopáticos numa população de jovens agressores sexuais

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Universidade De Trás-Os-Montes E Alto Douro Departamento de Educação e Psicologia

Avaliação de Traços Psicopáticos Numa População de Jovens

Agressores Sexuais

Dissertação de Mestrado em Psicologia Clinica

Patrícia Cristina Silva Figueiredo

Orientador: Professor Doutor Ricardo Barroso

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Universidade De Trás-Os-Montes E Alto Douro Departamento de Educação e Psicologia

Avaliação de Traços Psicopáticos Numa População de Jovens

Agressores Sexuais

Dissertação De Mestrado Em Psicologia Clinica

Patrícia Cristina Silva Figueiredo

Orientador: Professor Doutor Ricardo Barroso

Composição do Júri:

Professora Doutora Rosângela Bertelli

Professora Doutora Alice Margarida Martins dos Santos Simões

Professor Doutor Ricardo Nuno Serralheiro Gonçalves Barroso

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Agradecimentos

A conclusão desta investigação simboliza o encerrar de mais uma etapa fulcral da minha vida e o lançamento para mais desafios que a vida me pode trazer. É fruto de muito trabalho e empenho, mas que sem o apoio, dedicação e confiança que pessoas excecionais depositaram em mim, nada disto poderia ter sido realizado. Torna-se, assim, impossível realizar esta investigação sem reservar um espacinho para agradecer, do fundo do coração, às pessoas que tornaram todo este trabalho e percurso possível.

Em primeiro lugar, ao Professor Doutor Ricardo Barroso pela confiança, apoio, excelente orientação e disponibilidade demonstrada desde o início desta etapa.

Agradeço por toda a partilha dos seus sábios conhecimentos, pelo rigor, e por nunca desistir mesmo quando as coisas mudaram de rumo.

A todos os jovens que participaram neste estudo, sem eles não era possível a realização desta investigação

À minha mãe por nunca ter duvidado do que era capaz e por, mesmo sem saber, me incentivar a fazer e ser cada vez melhor.

À Eduarda Ramião, por ter estado em todas as fases da realização deste projeto. Obrigada do fundo do coração pelo apoio incondicional, por nunca me deixares baixar os braços e por teres sido o ombro amigo que precisei.

À Daniela Rêgo por ter estado do meu lado sempre que precisei, e mesmo

quando não precisei, e por me fazer perceber que a distância é só um dos fatores que nos torna mais fortes.

À Daniela Fonseca, por toda a confiança depositada, pelo apoio incondicional e por ser um pilar em todos os desafios e momentos, quando precisei e não precisei. Um obrigada!

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Aos meus amigos Vimaranenses que, mesmo duvidando, mostraram-se sempre disponíveis e presentes, tornando-me mais forte nas adversidades.

A todos aqueles que fizeram parte do meu percurso formativo e que fizeram com que todo este sonho fosse possível e gratificante. Obrigada a todos(as) por me

mostrarem que as amizades não precisam ser de sempre para durarem para sempre!

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Índice

Agradecimentos ... iii

Lista de Tabelas ... vii

Lista de Figuras ... viii

Lista de Siglas e Acrónimos ... ix

Introdução ... x

I PARTE Traços Psicopáticos em Jovens Agressores Sexuais I Parte – Artigo Teórico ... 1

Resumo ... 3

Abstract ... 4

Introdução ... 5

Violência Sexual Juvenil ... 8

Jovens Agressores Sexuais ... 11

Características de Jovens Agressores Sexuais ... 11

Traços Psicopáticos em JAS ... 15

Traços Psicopáticos ... 16

Os traços psicopáticos podem distinguir JAS de JANS? ... 19

Violadores vs Abusadores de Crianças. ... 21

Conclusão ... 23

Referências Bibliográficas ... 26

II PARTE Avaliação de traços psicopáticos numa população de jovens agressores sexuais II Parte – Artigo Empírico ... 36

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Abstract ... 39

Introdução ... 40

Objetivo do Presente Estudo ... 46

Metodologia ... 47

Amostra ... 47

Instrumentos ... 49

Psychopathy Checklist Youth Version (PCL: YV) ... 49

Procedimentos ... 50

Análises Estatísticas ... 51

Resultados ... 52

Comparações entre JANS e JAS ... 52

Comparações entre JANS e Subtipos de JAS ... 55

Discussão ... 57

Comparação entre JANS e JAS e Prevalência de Traços Psicopáticos ... 57

Comparação entre JANS e subtipos de JAS e Prevalência de Níveis de Traços Psicopáticos ... 59

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Lista de Tabelas

Tabela 1 Medidas descritivas relativamente à idade no momento do crime e no momento da recolha de dados nos dois grupos de adolescentes e na amostra total

Tabela 2 Medidas descritivas relativamente à idade no momento do crime e no momento da recolha de dados nos dois grupos de JAS

Tabela 3 Resultados obtidos com a aplicação do Test t em relação às dimensões da PCL:YV face aos JANS e JAS

Tabela 4 Resultados obtidos da ANOVA em relação às dimensões d PCL:YV face aos JANS e JAS e os seus subgrupos

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Lista de Figuras

Figura 1 Percentagem de traços psicopáticos em níveis gerais, médios e altos para JANS e JA

Figura 2 Percentagem de traços psicopáticos em níveis gerais, médios e altos para JANS e subgrupos de JAS

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Lista de Siglas e Acrónimos

ANOVA Análise de Variância

DGRSP Direção Geral de Reinserção Social e Serviços Prisionais

DSM-5 Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª Edição IATSO International Association for the Treatment of Sex Offenders

JA Jovens Agressores

JANS Jovens Agressores Não Sexuais JAS Jovens Agressores Sexuais

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Introdução

A investigação no âmbito da violência sexual juvenil tem ganho território, como resultado de muitos infratores sexuais adultos iniciarem comportamentos sexuais desajustados já durante a adolescência, revelados pelas fantasias sexuais desviantes ou pelo envolvimento em comportamentos sexualmente abusivos (Fanniff & Kimosis, 2014). Assim, as análises da violência sexual têm vindo a ser efetuadas distinguindo agressores sexuais adultos de agressores sexuais adolescentes. A nível nacional (e.g. Barroso, 2012; Pechorro, Poiares, Marôco, Vieira, 2012), alguns investigadores começaram a perceber a importância desta temática, enveredando e desbravando caminhos no âmbito da sexualidade desajustada, como forma de disponibilizar recursos clínicos e legais adequados para a realização de intervenções eficazes.

Vários investigadores têm-se debruçado nos fatores de risco, nomeadamente a história de abuso sexual, o estabelecimento de vínculos fracos durante a infância, a incompetência social, o desenvolvimento sexual, os interesses sexuais atípicos, as baixas habilidades cognitivas e a existência de psicopatologia (Seto & Lalumière, 2010), como forma a explicar os comportamentos sexuais juvenis, focando nos contextos de vida associados a estes jovens. Porém, as características individuais têm sido pouco tidas em conta, esquecendo a influência que estas podem ter aquando a determinação dos comportamentos desviantes ou não desviantes. Diversas teorias etiológicas explicativas deste comportamento postulam que o comportamento sexual abusivo ocorre como consequência de défices psicológicos e comportamentais. A literatura tem fornecido várias evidências acerca da presença ou ausência de traços psicopáticos nos jovens agressores sexuais (JAS), como forma de clarificar mais detalhadamente os comportamentos dos jovens agressores (JA) e, em particular dos JAS.

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Esta dissertação de mestrado é composta e dividida em duas partes. Na primeira, é contemplado todo o enquadramento teórico acerca da violência sexual nos jovens e adolescentes e de como os traços psicopáticos podem ter implicações nos

comportamentos sexuais desviantes. São apresentadas as várias tentativas explicativas e abordagens empíricas acerca desta temática. Num segundo momento, apresentado através de um artigo empírico, é descrito um estudo sobre a prevalência de traços psicopáticos em JAS e compara-os com um grupo de jovens agressores não sexuais (JANS). Nesta fase são abordados os procedimentos metodológicos necessários à realização do estudo, tal como todas as características inerentes à amostra, instrumentos e análises estatísticas. À luz do enquadramento teórico, são apresentadas conclusões e reflexões acerca dos resultados obtidos, finalizando com a exposição das limitações subjacentes, bem como com as implicações clínicas levantadas com o estudo.

O presente trabalho destaca-se através do levantamento de questões relevantes num contexto de intervenção clínica na fase da adolescência, face a uma temática que ainda está em desenvolvimento na sociedade atual. A continuidade e relevância de investigações no âmbito da violência sexual juvenil justifica-se pelas constantes mudanças na sociedade contemporânea e pelo crescente alargar da visão acerca de comportamentos desviantes em idades precoces.

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I PARTE

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Traços Psicopáticos em Jovens Agressores Sexuais Patrícia S. Figueiredo & Ricardo S. Barroso

*Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Escola de Ciências Humanas e Sociais, Departamento de Psicologia e Educação

Notas de autor

Patrícia S. Figueiredo* e Ricardo G. Barroso, Departamento de Psicologia e Educação, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

(*) Aluna de Mestrado em Psicologia Clínica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

A correspondência relativa a este artigo deve ser endereçada para Ricardo Barroso, Escola de Ciências Humanas e Sociais, Universidade de Trás os Montes e Alto Douro, Edifício do Complexo Pedagógico, Quinta dos Prados 5000-801, Vila Real. E-mail: patriciacsfigueiredo@gmail.com

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Resumo

A delinquência juvenil não deve ser vista, simplesmente, por um desrespeito pelas normas legais, focada na infração em si. É fundamental ter-se em atenção os fatores associados e potenciadores do ato transgressivo. No domínio da agressão sexual, diversas teorias etiológicas explicativas deste comportamento desviante postulam que o comportamento sexual abusivo ocorre como consequência de défices psicológicos e comportamentais, em que as explicações iniciais baseavam-se em descrições apoiadas nos traços individuais, como a psicopatia, as distorções cognitivas e interesses sexuais atípicos. Estas características são estáveis ao longo do tempo e são responsáveis pelo início e a continuidade do risco de envolvimento em violência sexual. Torna-se importante, por isso, entender a população de jovens agressores sexuais, como detentores de características capazes de os distinguir dos demais jovens agressores, incluindo, no próprio grupo, as tipologias de violadores e abusadores de crianças. O uso de tipologias neste grupo acarreta vantagens, nomeadamente permitir estabelecer uma intervenção específica e adequada às suas caraterísticas e necessidades. Por outro lado, o estabelecimento de categorias de agressores sexuais poderá ser útil em matéria de investigação criminal, na medida em que o conhecimento e identificação das

características proeminentes deste tipo de indivíduos poderá ser útil na avaliação do comportamento sexual ofensivo bem como no nível de reincidência.

Palavras-chave: Delinquência Juvenil, Violência Sexual, Traços Psicopáticos, Jovens Agressores Sexuais, Jovens Violadores e Jovens Abusadores de Crianças

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Abstract

Juvenile delinquency should not be seen simply disregard for legal norms, focused only the offense. It is essential to have in mind the associated factors and enhancers of transgressive act. In the area of sexual abuse, several explanatory

etiological theories of this deviant behavior posit that sexually abusive behavior occurs as a result of psychological and behavioral deficits in which the initial explanations were based in descriptions supported in the individual traits such as psychopathy, cognitive distortions, atypical sexual interests. This characteristics are stable over time and are responsible for initiating and continuing risk of meshing by sexual violence. It is therefore important to understand the population of young sex offenders, as having characteristics that distinguish them from other young offenders, including the very group the type of rapists and child molesters. The use of typologies in these groups brings advantages in particular the specific and detailed knowledge of this population will allow a specific and appropriate intervention their characteristics and needs. Moreover, establishing categories of sex offenders may be useful for criminal

investigation, in that the knowledge and identification of the prominent features of such individuals may be useful in the evaluation of offensive sexual behavior and in

recurrence level.

Keywords: Juvenile Delinquency, Sexual Violence, Psychopaths Traits, Young Sexual Offenders, Young violators and Young child molesters

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O crime, para que seja chamado como tal, necessita de responder a três

requisitos essenciais: tipicidade, a ilicitude e a culpabilidade do facto que devem estar na base do comportamento criminal. Caso falte qualquer um destes princípios, o ato criminal não pode ser denominado como tal (Código Penal Português, 2013).

É nesta abordagem que entra o conceito de imputabilidade, ou seja, se é ou não possível imputar a um individuo a culpa pela prática de um comportamento ilícito. Neste sentido, a inimputabilidade refere-se à incapacidade do indivíduo compreender e autodeterminar o seu comportamento derivado a uma patologia mental (Pereira, 2012). Já Aristóteles, na Antiguidade, referia só existir responsabilidade de comportamento quando o sujeito apresentava capacidade de conhecer a natureza e as consequências dos seus atos aquando o momento em que cometeu o comportamento. Caso contrário, o sujeito deve ser considerado inimputável, ou seja, irresponsável criminal e civilmente pelo seu comportamento, sendo que, não lhe é atribuída nenhuma pena judicial, já que se trata de um doente a ser acompanhado pelas unidades psiquiátricas e de saúde mental ou uma instituição adequada à idade, no caso de menores (Cordeiro, 2003). O Código Penal Português (2013) explica a inimputabilidade apontando duas circunstâncias. Segundo o Art.º. 19º, os sujeitos menores de 16 anos apresentam inimputabilidade absoluta, ou seja, não podem ser punidos criminalmente, ficando assim, por factos ilícitos que pratiquem, sujeitos a medidas de proteção, assistência e educação. A

segunda causa justificativa da inimputabilidade prende-se com a existência de anomalia psíquica.

Enfatizando, neste seguimento, a inimputabilidade como ato ilícito cometido por jovens adolescentes, é necessário ter consciência da criminalidade como a transgressão de normas e regras impostas num determinado sistema, com o intuído de manter uma disciplina exigível pela coletividade dos seus membros, tratando-se de um

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comportamento ou conduta contrária adotada face à sociedade. Com efeito, é entre os 15 e 25 anos que se dá a maior prevalência de infrações. Numa panóplia de tentativas explicativas, surge a ideia de que existe uma reação à posição social pouco estruturada para estes indivíduos, havendo um confronto de gerações, em que os mais novos tentam afirmar-se perante a sociedade (Agra, 2010). Este seria um fenómeno passageiro e típico da adolescência se estivesse isolado de fatores que favorecem os atos transgressivos, havendo uma estabilidade, desprovida da necessidade de se demarcar através de

comportamentos desviantes. Neste sentido, surge o conceito de delinquência juvenil que pode ser definido, atendendo a várias dimensões explicativas, como todo o ato que vá contra as normas instituídas, podendo ou não ser encarados como crimes, envolvendo diretamente o contato com o sistema judicial (Pral, 2007).

No entanto, a delinquência juvenil não deve ser vista, simplesmente, por um desrespeito pelas normas legais, focado na infração em si. Deverá ter-se em atenção os fatores associados e potenciadores do ato transgressivo. A noção dos fatores de risco possibilita, assim, um conhecimento mais aprofundado da delinquência juvenil,

consequentemente o seu diagnóstico precoce que permitirá desenvolver estratégias mais adequadas e assertivas na prevenção deste problema (Hofvander et al., 2011). Num estudo apoiado em meta-analises sobre os fatores de risco associados à delinquência desenvolvida na adolescência, Andrews e Bonta (2010), assim como Hoge e Andrews (2005), conseguiram identificar quatros fatores de risco que parecem determinar mais fortemente a conduta infracional: (1) as atitudes e orientações antissociais, que se prendem com atitudes, valores, crenças e racionalizações que servem de suporte para o comportamento infracional, motivando ou justificando o referido comportamento, ou a chamada “cognição antissocial”; (2) a associação a pares antissociais, que é na

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defendia, um período onde a observação e imitação adquire uma função crucial na aprendizagem de comportamentos, funcionando os amigos como fonte de gratificação ou de sanção; (3) história de comportamento antissocial e (4) a

personalidade/comportamento que está associado a apresentação de características como impulsividade, comportamentos perturbadores, temperamento instável (Loeber, Burke, & Pardini, 2009), baixa empatia, baixa resistência à frustração, agressividade,

comportamento de oposição, fatores emocionais (tais como níveis elevados de ira e raiva), problemas de autocontrolo manifestados por níveis elevados de ativação comportamental e níveis baixos de inibição comportamental, hiperatividade (Andrews & Bonta, 2011; Moffitt et al., 2011; Wasserman et al., 2004), bem como o

desenvolvimento cognitivo e baixo quociente intelectual, que são tidos, desde sempre como preditores de comportamento antissocial (Loeber & Farrington, 2001).

Num estudo de trajetórias de adolescentes após cumprimento e medida tutelar de internamento, foram encontradas diferenças entre grupos que indicam uma associação de autoestima (baixa) e reincidência de comportamento antissociais, com caracter diretamente proporcional (Nardi & Dell’Aglio, 2014), uma vez que estes satisfazem as necessidades afetivas em termos de amizade e de apoio afetivo.

Os fatores anteriormente mencionados constituem, por vezes, sintomas associados a perturbações, frequentemente manifestados na infância, resultando em comportamentos antissociais, violência e delitos diversificados, que posteriormente, na fase adulta, se manifestaria em psicopatia. A existência desta relação já havia sido relatada por diversos investigadores, como Salekin e Lynam (2011).

As perturbações descritas no DSM-5 (APA, 2013), ainda que este seja alvo de várias críticas, podem ser um auxílio, quando adequadamente utilizado, na procura de um diagnóstico adequado e na uniformização dos critérios entre os investigadores e os

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clínicos em relação a problemas comportamentais. Neste âmbito, um diagnóstico usual prende-se com Perturbação do Comportamento, que se revela como um padrão de comportamento persistente e repetitivo em que são violados os direitos básicos dos outros ou importantes regras ou normas sociais próprias da idade do sujeito (APA, 2013). Os critérios deste tipo de problema estão associados a cinco subtipos,

nomeadamente, a relação com a idade de início (infância ou adolescência), a limitação à infância, que sugere a existência de um grupo de sujeitos com problemas graves

decorridos ao longo da infância, existência de traços calosos/não-emocionais ou frieza emocional e, por fim, especificadores femininos (APA, 2013). Os traços calosos/não-emocionais pretendem definir indivíduos caracterizados por não manifestarem empatia ou remorsos, pouco afeto e insensibilidade à punição aparentemente devido a problemas neurocognitivos relacionados com uma disfunção na amígdala e na zona orbitofrontal (Barroso, 2012). A delinquência juvenil pode manifestar-se também associada à

Perturbação de Oposição, que se define como um comportamento recorrente negativista, desafiante e desobediente, marcado pela hostilidade relativamente às figuras de

autoridade (APA, 2013).

Violência Sexual Juvenil

Por violência sexual entende-se a prática coerciva de qualquer ato sexual ou tentativa de conseguir o ato sexual, por qualquer pessoa independentemente da sua relação com a vítima (Krug et al. 2002). Os atos sexualmente violentos poderão incluir violações, abuso sexual, prostituição forçada e tráfico para exploração sexual (Coddy, 2010). A gravidade do ato encontra-se muitas vezes associada ao número de vítimas e ao grau de danos. Ou seja, o ato tende a ser encarado de modo gravoso quanto maior é o número de vitimas e quanto maior for o grau de danos a que as vítimas foram sujeitas. Em todo este processo é necessário distinguir atos sexuais socialmente desajustados mas

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não criminais, ou seja, pessoas que apresentem comportamentos sexuais desajustados (e.g. promiscuidade extrema) são excluídos da designação de agressores sexuais (Barbaree & Marshall, 2006).

Se, por um lado, a noção da existência de agressores sexuais já é tida em conta desde cedo, a inclusão da faixa etária mais nova nesta problemática como autores do ato ilícito constituía uma realidade que só foi conhecida a partir dos anos 70, como

resultado de pesquisas que sugerem que muito infratores adultos iniciaram as suas experiências sexuais desviantes na adolescência (Fanniff & Kimosis, 2014; Pullman & Seto, 2012). Ainda que a percentagem de casos de jovens agressores sexuais seja relativamente baixa, este tema incitou o desenvolvimento de pesquisas e a procura de razões e estratégias para o colmatar. Atualmente, apesar da escala permanecer ainda numa lenta evolução, face ao impacto que este tipo de crime causa na sociedade e o alarme social que é despoletado, os jovens agressores sexuais representam uma inquietação a vários níveis (Pullman & Seto, 2012).

Aquando uma pesquisa sobre esta temática é possível verificar que grande parte das investigações centram-se nos abusos sexuais perpetrados por adultos. Porém regista-se, estatisticamente, a nível internacional, que os jovens agressores sexuais representam 12.5% de todas as detenções por estupro e 14% de todas as detenções por outras ofensas sexuais (Pullman & Seto, 2012). Em Portugal, as taxas de violência sexual praticadas pelos nossos jovens rondam os 6% relativamente ao total de crimes sexuais realizados no ano de 2014, que incluem violações, abuso de crianças, adolescentes, lenocínio e pornografia e outros crimes sexuais (DGPJ, 2009). Perante estes dados, existe a

necessidade de desenvolver uma maior compreensão desta população a fim de criar uma gestão e prevenção destes comportamentos, que neste caso se desenvolvem durante a infância e adolescência, mas em grande parte existe a sua continuidade na fase adulta.

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Estudos realizados com o intuito de analisar a reincidência das agressões sexuais demonstraram que, embora uma grande percentagem de adolescentes agressores sexuais não dar continuidade da prática dos comportamentos sexuais abusivos, cerca de 9% a 15% desta população desempenha atividades ilícitas ligadas à sexualidade na fase adulta (Nisbet, Wilson, & Smallbone, 2004). O mesmo se conclui em estudos com agressores sexuais adultos. Cerca de metade dos agressores sexuais adultos admite ter cometido a primeira agressão sexual durante a sua adolescência, rondando os 12/13 anos de idade, bem como outros comportamentos delinquentes (Seto & Lalumière, 2006). Neste sentido, e uma vez que muitos dos agressores sexuais adultos apresentam uma

associação com a prática ilícita na adolescência, levanta-se a discussão da eficácia de incidir a intervenção na população de agressores sexuais adolescentes, sendo uma idade potencialmente importante para trabalhar a prevenção e o risco de reincidência. Assim, os delinquentes juvenis no domínio sexual podem representar um ponto crucial no que toca ao entendimento dos interesses sexuais desviantes, características específicas e diferenciadoras dos demais jovens mesma faixa etária. Tal como Carpentier e Proulx, (2011), num estudo canadiano, com cerca de 351 JAS do sexo masculino que se

encontravam em acompanhamento clinico acerca de oito anos, afirmam que estes jovens são mais propensos a responder de forma eficaz e positiva ao tratamento e consequente prevenção.

Porém, como afirma Barbaree e Marshall (2006), os crimes sexuais cometidos por jovens são, por vezes, difíceis de distinguir da atividade sexual típica da fase da adolescência. Usando o exemplo destes mesmos autores, seria necessário de

desconstruir os relacionamentos sexuais face à variável idade. Ou seja, numa relação sexual entre um rapaz de 15 anos e uma rapariga de 13 anos levantasse a questão de atividade criminal, no entanto, quando nos remetemos a relação sexual entre um homem

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de 30 anos e uma rapariga de 13, as dúvidas não surgiriam da mesma maneira. Neste sentido, outras controvérsias podem surgir como a tentativa de descoberta da

sexualidade de um jovem, no sexo oposto.

Jovens Agressores Sexuais

Na tentativa de caracterizar os agressores e criminosos, reunindo características que sejam capazes de os diferenciar dos demais elementos da sociedade, existe também, no seio dos investigadores a pertinência da diferenciação dos subgrupos dentro de uma população que adota uma conduta antissocial. Ou seja, se em tempos remotos, havia esta necessidade de traçar um perfil físico e psicológico dos delinquentes, afirmando que entre estes, o perfil pode variar consoante a gravidade do ato ilícito cometido (Cusson, 2011), então, atualmente esta necessidade surge no sentido de direcionar e ajustar a intervenção e uma futura integração social desta população problemática.

Características de Jovens Agressores Sexuais

No domínio da agressão sexual, diversas teorias etiológicas explicativas deste comportamento desviante postulam que o comportamento sexual abusivo ocorre como consequência de défices psicológicos e comportamentais (e.g. Hall & Hirschman, 1992; Marshall & Barbaree, 1990). Inicialmente, as explicações baseavam-se em descrições apoiadas nos traços individuais, como a psicopatia, as distorções cognitivas, os

interesses sexuais atípicos, que, segundo Lussier e Haeley (2000), são estáveis ao longo do tempo e são responsáveis pelo início e a continuidade do risco de engrenar pela violência sexual. No entanto, torna-se difícil, neste sentido, perceber como é que estas características individuais se desenvolvem. Seto e Lalumière (2010) salientam que durante a adolescência poderão surgir relacionamentos estabelecidos de uma forma menos positiva entre o grupo de pares, incitando o jovens a envolver-se em contatos

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sexuais coercivos com adultos ou crianças mais novas, dado que é nesta fase que há uma afluência maior da exploração e descoberta sexual. Estes jovens recorrem ao sexo como meio de lidar com a frustração e os estados emocionais negativos, por meio da masturbação ou a fantasias sexuais, por exemplo.

Para além dos desencadeadores stressantes relacionados com conflitos relacionais, produto de, muitas vezes, problemas de vinculação, dificuldade de

regulação emocional e crenças legitimadores de agressões (Seto & Lalumiere, 2010), as distorções cognitivas, como a minimização do dano e falta de noção de vítima, são um fator favorável ao aumento da agressão sexual relacionado com a falta de resistência do sujeito em se envolver nestes comportamentos (Hunter, 2012).

Também Thornton (2002), num estudo sobre a avaliação de risco em agressores sexuais, identificou quatro domínios que se constituem como risco, nomeadamente, (1) interesses sexuais desviantes, (2) atitudes distorcidas, (3) funcionamento socio-afetivo e (4) dificuldade de autogestão/autocontrolo. Os interesses sexuais (1) prendem-se com a direção e força dos interesses sexuais. Isto é, existem preferências sexuais relacionadas com o ataque e o poder de posse. As atitudes distorcidas (2) constituem um conjunto de crenças sobre a sexualidade ou sobre as vítimas que podem justificar ou desculpabilizar os crimes sexuais. Neste domínio Ward e Marshall (2010) afirmam que as distorções cognitivas representam um problema no conhecimento associado ao comportamento sexual e aos seus relacionamentos. O conhecimento adquirido acerca da sexualidade e relacionamentos sexuais é tido apenas parcialmente que, como tal, produzem

compreensões enganosas de uma situação abusiva, em que é dominado pela

minimização e satisfação de desejos primários, dependendo exclusivamente dos seus próprios sentimentos e crenças na ausência de uma avaliação crítica da sua fiabilidade. Outra explicação, ainda neste domínio, pode prender-se com os conhecimentos

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adquiridos e relacionados com situações vivenciadas em criança, negligenciando outros factos relevantes. Por sua vez, o funcionamento socio-afetivo (3) refere-se a formas de relacionamento com outras pessoas e às emoções associadas a este contexto. Várias emoções negativas, como raiva, ansiedade, depressão e baixa autoestima (na medida em que a total dependência de julgamentos dos outros é tido em máxima importância, procurando exercer poder e controlo sobre os outros, para aumentar a sua autoestima (Ward & Marshall, 2004)), podem desempenhar um papel negativo já identificado em alguns agressores sexuais (Hudson, Ward, & McCormack, 1999). Por fim, as

dificuldades de autocontrolo (4), referem-se à capacidade do individuo para planear e resolver os seus problemas e regular impulsos para melhor atingir as metas a longo-prazo. Este défice na capacidade de controlar as emoções pode ser contornado pelo uso do sexo como maneira de lidar com as emoções negativas. Esta estratégia, associada aos agressores sexuais, indica uma tendência para a utilização da masturbação e fantasias sexuais como escape ao humor negativo e assim aumentar o seu bem-estar (Ward & Marshall, 2004).

Ainda que todas as teorias explicativas reúnam condições favoráveis para a compreensão da agressividade sexual, estas apresentam limitações no que concerne à busca pelos fatores que poderão estar na origem das agressões sexuais. O conhecimento e consolidação dos fatores preditores da agressividade sexual é essencial para que sejam reunidas as condições necessárias para detetar a presença destes fatores aquando uma avaliação destes jovens. Coloca-se, porém, a questão sobre se os perfis dos jovens agressores sexuais são suficientemente distintos dos outros adolescentes agressores, sendo assim detentores de um tipo específico comportamento.

Muitas investigações, com a intenção de verificar a existência de diferenças entre os jovens agressores sexuais e os restantes agressores, tomaram como referência

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as teorias generalizadas do agressor e especializadas de abusos sexuais. Segundo Seto e Lalumière (2010), as teorias especializadas do abuso sexual defendem que o agressor sexual possuiu uma etiologia única em comparação com os restantes agressores. Esta teorias levantam hipóteses de que este grupo de agressores apresenta maiores taxas de vitimização sexual e maior exposição à violência sexual, pontua de uma forma mais elevada em variáveis que refletem uma infância pobre, menores habilidade

heterossociais relacionadas com a socialização com colegas do sexo aposto e habilidade sociais gerais, maior pontuação em variáveis que refletem o desenvolvimento sexual atípico, interesses sexuais atípicos, apresenta maiores níveis de psicopatologia e

habilidades cognitivas mais pobres. Já as teorias generalizadas do agressor referem que a agressão sexual é vista somente como uma manifestação da atividade antissocial, ou seja, a atividade sexual não é distinta nem independente de qualquer outro

comportamento antissocial. Para esta teoria ser considerada é necessário que, quando comparados dois grupos (e.g. agressores sexuais e agressores não sexuais), as variáveis como comportamento criminosos passado, problemas de conduta, traços de

personalidade antissocial, atitudes antissociais, ou associação com pares delinquentes e abuso de substâncias, não apresentem diferenças significativas (Seto & Lalumière, 2010).

Num estudo qualitativo, vanWijk e colaboradores (2006) concluíram que a pesquisa prévia era apoiada com a existência de várias diferenças com base nas teorias especializadas de agressores sexuais, uma vez que encontraram diferenças na

vitimização sexual, relacionamento de pares e características da personalidade e problemas comportamentais. Numa meta-analise, realizada por Seto e Lalumière (2010), envolvendo 3855 JAS e 13393 adolescentes não agressores sexuais, não suportou o pressuposto de que as agressões sexuais são apenas uma simples

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manifestação de tendências antissociais genéricas. Os resultados centraram-se na existência de diferenças entre os grupos. Os agressores sexuais apresentaram

pontuações mais elevadas na história de abuso sexual, abuso físico e negligencia, mais exposição a violência sexual, mais isolamento social, maior exposição precoce a sexo e pornografia, manifestam mais interesses sexuais atípicos e tendem a apresentar mais ansiedade e mais baixa autoestima. Porém, contrariamente às teorias que sugerem um papel etiológico por incompetência social, não foram encontradas diferenças entre os grupos em habilidades heterossociais, habilidades sociais gerais, ou outros problemas sociais. Ao contrário das expectativas, não há diferenças encontradas entre os grupos em grande escala, verbal, ou inteligência de desempenho, embora os agressores sexuais tenham apresentado significativamente maiores taxas de problemas de aprendizagem do que outros delinquentes. Assim, perante os resultados de alguns estudos, as teorias generalizadas de ofensor não parecem explicar adequadamente o agressor sexual face aos restantes adolescentes (e.g. Fanniff & Kimosis, 2014; Seto & Lalumière, 2010; Zaremba & Keiley, 2011), dado que, por exemplo, no estudo de Fanniff & Kimosis (2014) os jovens agressores sexuais pontuaram significativamente mais baixo do que outro jovem delinquente sobre algumas variáveis extraídas dessas teorias.

Traços Psicopáticos em JAS

O comportamento antissocial tem sido uma das razões mais comuns no que toca à pesquisa sobre a saúde mental na infância e serviços de educação, tendo em conta o conhecimento prévio de que o comportamento antissocial iniciado precocemente poderá ditar um envolvimento persistente em problemas antissociais no futuro (Viding,

Fontaine, & McCrory, 2012). Tem sido também evidente, no âmbito do

desenvolvimento da psicopatologia, a heterogeneidade do grupo de jovens delinquentes, com uma importância fundamental na intervenção especializada e baseada nas

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necessidades, vulnerabilidade e pontos fortes destes jovens (Frick & Viding, 2009). Ao mesmo tempo, poucos são os estudos que privilegiam a presença da psicopatologia entre os subgrupos de jovens agressores graves e violentos (e.g. McCuish, Corrado, Lussier, & Hart, 2014) e, ainda mais especificamente, a presença de traços psicopáticos capazes de distinguir os jovens agressores sexuais dos demais, sendo os jovens

agressores sexuais considerados das formas mais graves de violência perpetrada por o ser humano.

Traços Psicopáticos

De forma a facilitar a compreensão desta associação, torna-se importante perceber as especificidades desta variável. Os traços psicopáticos, que compõem a dimensão Psicopatia, referem-se a uma perturbação de personalidade caraterizada por défices nos domínios comportamentais, afetivos e interpessoais. De acordo com Cleckley (1988), um investigador primórdio no âmbito da Psicopatia, os

comportamentos antagónicos, agressivos, predatórios, vingativos ou cruéis não eram importantes aquando a tentativa de conceituar a psicopatia, dando uma relevância especial ao papel do processamento emocional. Segundo este investigador os danos executados pelos psicopáticos seriam resultado da sua natureza superficial, ousada e caprichosa (Skeem & Cooke, 2010). A associação da psicopatia a défices

comportamentais sugerem a existência de traços impulsivos, irresponsabilidade e o envolvimento em comportamentos arriscados com intenção de satisfazer as suas

necessidades, muitas vezes antissociais, e a busca de sensações. A nível interpessoal, as características psicopáticos incluem a grandiosidade, manipulação, insensibilidade e uma orientação parasita com impacto nas suas relações com os outros. Emocionalmente, os psicopáticos são caracterizados por insensibilidade, falta de remorso e empatia, em

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conjunto com emoções de curta duração (Skeem & Cooke, 2010). Dentro da definição de Psicopatia, é possível ainda, dadas as suas diferenças específicas, distinguir a

psicopatia primária da psicopatia secundária, em que a primária é associada a indivíduos que herdaram traços psicopáticos precocemente, associado um comportamento

antissocial, também este precoce. Por sua vez, acredita-se que os psicopáticos secundários adquiriram os seus traços através de insultos ambientais, tendo

desenvolvido um comportamento antissocial como consequência da aquisição destas características psicopáticos (Skeem, Johansson, Andershed, Kerr, & Louden, 2007). Uma evidência importante a ter em conta prende-se com os défices afetivos decorrentes da dificuldade no processamento da emoção, que têm sido entendidos como uma característica central no estudo da psicopatia (Herpertz & Sass, 2000; Rogstad & Rogers, 2008; Steuerwald & Kosson, 2000). Porém, no âmbito do processamento de emoções, a desregulação emocional tem sido vastamente ignorada, sendo representada por um número reduzido de investigações (Casey, Rogers, Burns, & Yiend, 2013; Heinzen, Koehler, Smeets, Hoffer, & Huchzermeier, 2011; Ridings & Lutz-Zois, 2014) que encontraram evidências de que os traços psicopáticos eram positivamente

relacionados com estratégias mal adaptativas da regulação emocional. A longo prazo, estes traços eram componentes fundamentais subjacentes à psicopatologia no adulto (Aldao, Nolen-Hoeksema, & Schweizer, 2010). Outra faceta do processamento da emoção, que só recentemente começou a ganhar força em relação à psicopatia, refere-se à manipulação emocional, que desde cedo foi considerado um aspeto primordial da psicopatia (Grieve & Mahar, 2010).

Para que se possa intervir eficazmente e prevenir a violência, é imperativo que se determine como é que os traços psicopáticos se manifestam ao longo da vida de um individuo. Neste sentido, não parece haver qualquer hesitação entre os investigadores e

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clínicos em aplicar o termo “psicopata” a crianças e adolescentes, ganhando, ao longo dos últimos anos, grande importância, principalmente quando se dirige a compreensão a jovens agressores persistentemente violentos (Krischer & Sevecke, 2008; Reidy et al., 2015).

Antes de rotular uma criança ou adolescente com um distúrbio psicopata, é importante ter em conta que certos traços psicopáticos, como a impulsividade,

irresponsabilidade e a busca de sensações, podem refletir comportamentos transitórios normativos da faixa etária em questão (Edens, Skem, Cruise, & Cauffman, 2001). Portanto, torna-se importante, para estabelecer um diagnóstico com presença de traços psicopáticos, que se conheça a estabilidade dos mesmos nos estádios de

desenvolvimento (Reidy et al., 2015). Dados de estudos recentemente realizados têm oferecido evidências acerca da estabilidade de traços psicopáticos sugerindo que estes são geralmente estáveis, não só no que concerne à passagem da infância para a

adolescência, mas em toda a extensão até a idade adulta (Frick & White, 2008; Lynam, Caspi, Moffitt, Loeber, & Stouthamer-Loeber, 2007; Silva, Rijo, & Salekin, 2012; Salihovic, Ozdemir, & Kerr, 2014; Vachon et al., 2012).

De há uns anos para cá são registadas tentativas sistemáticas para integrar o domínio da psicopatia em teorias criminológicas. No entanto, só recentemente é que esta foi designada crucial na perspetiva de comportamentos desviantes (Farrington, 2005; Silva et al., 2012; Schmidt et al, 2011; Vaughn, Howard, & DeLisi, 2008). Isto é refletido no desenvolvimento de estudos que examinam a construção da psicopatia na trajetória criminal (e.g. McCuish et al.,, 2014; Piquero, 2012) que fornecem alterações fundamentais associadas não só ao estilo de vida, como acerca da maturação substancial neuronal do adulto envolvendo o funcionamento executivo. DeLisi e Piquero (2011) enfatizaram, também, que os comportamentos desviantes podem estar associadas ao

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desenvolvimento biossocial, incluindo transtornos da personalidade e psicopatia, em particular.

Os traços psicopáticos podem distinguir JAS de JANS?

Uma das questões continuamente levantadas centra-se na tentativa de perceber se os perfis dos agressores sexuais menores de idade são distintos dos outros agressores adolescentes. A literatura tem fornecido várias evidências acerca da presença ou

ausência de traços psicopáticos nos JAS, como forma de clarificar mais detalhadamente os comportamentos dos jovens agressores e, em particular dos JAS. Várias pesquisas (e.g. Pullman, Leroux, Motayne, & Seto, 2014; Pullman & Seto, 2012) têm reunido tentativas para perceber quais os fatores que determinam a tendência para um comportamento delinquente e para a agressividade sexual destes jovens.

Caputo, Frick e Brodsky (1999) verificaram que os traços calosos não emocionais eram mais evidentes em JAS (34,8%) em comparação com outros agressores violentos (8,9%) e não violentos ou sem contacto (6,9%). Este estudo foi realizado com 70 participantes do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos, que se encontravam a cumprir medidas de detenção. Também Lawing, Frick e Cruise (2010), numa amostra de 150 adolescente detidos, com média de 15 anos de idade, corroboraram esta evidência, porém com uma maior prevalência de traços calosos/não-emocionais para os JAS (54%). Em termos de características de

perturbação afetiva, Caputo, Frick e Brodsky (1999) verificaram que os JAS eram mais suscetíveis de ser caracterizados por insensíveis e por características de personalidade sem emoção em comparação com adolescentes agressores não sexuais e adolescentes agressores não-violentos. Gretton, McBride, Hare, Shaughnessy e Kumba (2001), num outro estudo com 220 adolescentes do sexo masculino, com o intuito de avaliar um

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programa de tratamento em ambulatório de agressores sexuais, relataram a prevalência de 13% de traços psicopáticos, classificada como elevada.

A nível neurológico, Kafka (2003) sugeriu uma associação da psicopatologia ao agressor sexual, refletindo perturbações subjacente nos sistemas serotonérgicos do cérebro, sendo a serotonina associada a níveis de humor positivo, comportamento sexual e agressão.

Finalmente, Parks e Bard (2006) demonstraram no seu estudo que a dimensão interpessoal da PCL:YV (Psychopathy Checklist Youth Version) previu uma maior reincidência sexual, ao passo que a dimensão antissocial previu reincidência não sexual. No estudo de Caldwell, Zimke e Vitacco (2008), numa investigação no contexto norte-americano, onde os autores avaliaram 91 rapazes que permaneciam em julgamento por crimes sexuais e 174 rapazes sem historial de ofensas sexuais, foi possível verificar que as características psicopáticas estavam associadas tanto à reincidência geral como sexual dos JAS. Da mesma forma, num estudo efetuado na Suécia com 46 jovens agressores sexuais, Langstrom e Grann (2000) constataram que a psicopatia também previa a reincidência de violência geral, mas pelo contrário, não previa a reincidência sexual numa amostra sueca de JAS. Num outro estudo, Langstrom, Grann, e Lindblad (2000) acrescentam que os JAS caraterizados por traços psicopáticos apresentavam mais histórias de comportamento antissocial graves.

Associado com praticamente todos os tipos de comportamento criminoso, o relacionamento de traços psicopáticos com o agressor sexual é bastante complexa e ainda dúbia. Porém, existem estudos que vão de encontroao que foi defendido até agora, ou seja, parece que os problemas de saúde mental são negativamente associados com futuras agressões entre os JAS (Katsiyannis, Zhang, Barrett, & Flaska, 2004; Vermeiren, Schwab-Stone, Ruchkin, De Clippele, & Deboutte, 2002) sugerindo, por

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isso, que a psicopatia não está associada ao desenvolvimento de um ofensor sexual. De facto, embora seja certo perante alguns estudos que a psicopatia está associada a comportamento sexuais violentos (Hare et al., 2000; Knight & Guay, 2007; Porter, Campbell, Woodworth, & Birt, 2002), alguns estudos apontam para correlações fracas entre a psicopatia e o agressor sexual em geral (Quinsey, Rice, & Harris, 1995).

Violadores vs Abusadores de Crianças.

Os crimes de abuso sexual está associado a um grupo de delinquentes muito heterogéneo, capaz de se distinguir dos demais delinquentes, pelo que pode ser, ainda, classificado segundo diferentes tipologias. O uso de tipologias nestes grupo específico acarreta vantagens, nomeadamente o conhecimento específico e pormenorizado desta população irá permitir estabelecer uma intervenção específica e adequada as suas caraterísticas e necessidades. Por outro lado, o estabelecimento de categorias de agressores sexuais poderá ser útil em matéria de investigação criminal, na medida em que o conhecimento e identificação das características proeminentes deste tipo de indivíduos poderá ser útil na avaliação do comportamento sexual ofensivo bem como no nível de reincidência (Vieira, 2010).

Segundo Robertiello e Terry (2007), a diferenciação mais comum destes sujeitos prende-se com o tipo de vítima, nomeadamente violadores e abusadores de crianças. Os primeiros indivíduos, ainda que não seja considerado um grupo homogéneo de

indivíduos, existem diversas características comuns a estes, como a visão negativa sobre o sexo oposto, a baixa autoestima, problemas com abuso de substâncias, dificuldades no controlo de sentimentos de raiva e estado de humor oscilatórios.

Em relação aos jovens abusadores sexuais de crianças, Worling (1995), no seu estudo, não confirma a hipótese de que os jovens abusadores sexuais de crianças são

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mais socialmente isolados, com piores relações sociais com os seus pares e níveis de autoestima mais baixos em comparação aos restantes jovens violadores sexuais. Porém, mais tarde, estudos (e.g. Hunter, Figuerdo, Malamuth, & Becker, 2003) afirmam que este tipo de jovens delinquentes sexuais apresentam um funcionamento psicossocial baixo. Hunter et al. (2003) constataram que os adolescentes que ofendiam sexualmente contra crianças apresentavam maiores défices no funcionamento psicossocial,

caracterizados por falta de confiança social, depressão e ansiedade, fazendo menores usos à agressão, pelo que eram mais propensos a ofender contra os seus parentes. Estes investigadores concluíram que os dois grupos podem ter contrastadas diferentes

necessidades clínicas. Por sua vez, Hendriks e Bijleveld (2004), num estudo Holandês com o intuito de testar se os jovens que cometem crimes sexuais contra crianças diferem daqueles que agridem sexualmente colegas ou pessoas idosas vítimas, fazendo recurso a uma amostra de 116 menores do sexo masculino, sugerem que os jovens que ofendem sexualmente de crianças apresentavam maiores indicações de perturbações psicológicas e com maior probabilidade de reincidência em comparação com os restantes jovens violadores. Uma característica central comum a estes jovens parece ser o seu isolamento social como consequência de vitimização de intimidação e más relações concomitantes com os seus pares.

Na tentativa categorizar estes dois tipos de agressores e perceber as suas especificidades, existe relevância não só em avaliá-los mas também por compará-los e perceber até que pontos estes grupos de agressores sexuais podem constituir subgrupos distintos. Ainda que a investigação sobre traços psicopáticos entre os abusadores sexuais de crianças seja escassa, alguns estudos indicam que, como num estudo de Olver e Wong (2006), com o intuito de analisar as relações entre psicopatia, tipos de abusadores sexuais, desvio sexual e reincidência, foi possível verificar que os violadores

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e os criminosos não sexuais apresentavam maiores níveis de psicopatia do que os abusadores de crianças e agressores incestuosos.

Conclusão

Na nossa sociedade, a agressão sexual é tida como um problema significativo, sendo associada a sua gravidade ao resultado do número de vítimas e aos danos que estes sofrem. No entanto, quando se fala de agressão sexual o papel do agressor é subvalorizado (face à vitima), desprezando a necessidade de intervenção que existe por detrás deste facto e deste individuo. Se, por um lado, a existência de agressões sexuais é já considerada, a inclusão da faixa etária mais jovem nesta problemática é algo que ainda não parece ser claro para a sociedade.

No seio dos investigadores, esta preocupação é despoletada como resultado de pesquisas que sugerem que os infratores sexuais adultos iniciaram as suas experiências sexuais já na adolescência (Fanniff & Kimosis, 2014; Pullman & Seto, 2012). Como é visto ao longo deste artigo, com a necessidade de entender estes comportamentos, várias foram as teorias especuladas, nas quais é possível verificar que a etiologia dos

comportamentos delinquentes não é suficiente para explicar um comportamento tão específico como os abusos sexuais perpetrados por adolescentes, surgindo, deste modo, a necessidade de conhecer melhor esta população. Daqui surge a questão relacionada com a heterogeneidade deste grupo peculiar de comportamento desviante, questionando, principalmente, sobre se as características relacionadas com este grupo são

suficientemente diferentes para o distinguir dos demais delinquentes. Neste sentido, e de forma a sintetizar estas características, Seto e Lalumiere (2010) reuniram uma série de artigos de forma a desenvolver uma meta-análise que aponta um leque de fatores de risco que tendem a propiciar o comportamento sexual desviante (experiência de abuso sexual, físico ou emocional durante a infância, os interesses sexuais atípicos, a

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exposição precoce ao sexo ou pornografia e os problemas de ansiedade, baixa autoestima e isolamento social). Porém estes fatores são, na sua generalidade,

associados a um contexto de vida, pondo um pouco de parte características individuais que se desenvolvem nestes contextos.

Neste estudo, pretendeu-se incidir numa dessas características – traços

psicopáticos – como variável capaz de distinguir os JAS do grupo mais vasto de Jovens Agressores (JA). Tendo em conta a literatura no seu geral, é possível verificar que estes estudos fornecem evidência preliminar de que as dimensões da psicopatia são

diferencialmente relacionadas com aspetos sobre a agressividade sexual, porém ainda não é claro a prevalência de traços psicopáticos existente entre os JAS.

Atendendo à premissa de que os JAS constituem um grupo heterogéneo (Caldwell, 2002; Seto & Lalumière, 2010), sendo capaz de se distinguir dos demais delinquentes, a sua heterogeneidade pode ser ainda vista de uma forma mais específica, ou seja, estes JAS podem ser classificados segundo diferentes tipologias. Na tentativa categorizar estes dois tipos de agressores e perceber as suas especificidades, existe relevância não só em avaliá-los mas também compará-los e perceber até que ponto estes grupos de agressores sexuais podem constituir subgrupos distintos. Ainda que a

investigação sobre traços psicopáticos entre os abusadores sexuais de crianças seja escassa, é possível verificar que não existe um consenso no seio dos investigadores para a diferenciação entre os subtipos de agressores sexuais. Se por um lado existem

diferenças significativas face aos traços psicopáticos, ainda não se percebeu se são os abusadores sexuais ou os violadores que detém maiores níveis de traços psicopáticos subjacentes ao comportamento desajustado. Por outro lado, existem estudos que indicam que estes dois subgrupos não são suficientemente heterogéneos para consistirem grupos distintos, sendo que o distinto tipo de vítima associado a cada

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individuo é apenas uma das variantes características dos agressores sexuais (Katsiyannis et al., 2004).

O uso de tipologias nestes grupos acarreta vantagens, nomeadamente o

conhecimento específico e pormenorizado desta população irá permitir estabelecer uma intervenção específica e adequada as suas caraterísticas e necessidades. Por outro lado, o estabelecimento de categorias de agressores sexuais poderá ser útil em matéria de investigação criminal, na medida em que o conhecimento e identificação das características proeminentes deste tipo de indivíduos poderá ser útil na avaliação do comportamento sexual ofensivo bem como no nível de reincidência (Vieira, 2010).

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II PARTE

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Avaliação De Traços Psicopáticos Numa População De Jovens Agressores Sexuais

Patrícia S. Figueiredo & Ricardo S. Barroso

*Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Escola de Ciências Humanas e Sociais, Departamento de Psicologia e Educação

Notas de autor

Patrícia S. Figueiredo* e Ricardo Barroso, Departamento de Psicologia e Educação, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

(*) Aluna de Mestrado em Psicologia Clínica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

A correspondência relativa a este artigo deve ser endereçada para Ricardo Barroso, Departamento de Educação e Psicologia, Universidade de Trás os Montes e Alto Douro, Complexo Pedagógico, Campus de Prados, 5001-558 Vila Real. E-mail: patriciacsfigueiredo@gmail.com

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