Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
2º CICLO EM ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO
EFEITOS
DA
APLICAÇÃO
DE
UM
PROGRAMA DE TREINO DE FORÇA NA
PERFORMANCE DE SALTO, SPRINT E
REMATE
EM
JOVENS
FUTEBOLISTAS
MASCULINOS SUB-13
Pedro Miguel Oliveira Pereira
Orientador: Professor Doutor Mário António Cardoso Marques
UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
2º CICLO EM ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO
EFEITOS DA APLICAÇÃO DE UM PROGRAMA DE TREINO
DE FORÇA NA PERFORMANCE DE SALTO, SPRINT E NA
VELOCIDADE DO REMATE EM JOVENS FUTEBOLISTAS
MASCULINOS SUB-13
Pedro Miguel Oliveira Pereira
Orientador: Professor Doutor Mário António Cardoso Marques
Universidade da Beira Interior
Dissertação apresentada à UTAD, no DEP – ECHS, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física dos Ensino Básico e Secundário, cumprindo o estipulado na alínea b) do artigo 6º do regulamento dos Cursos de 2ºs Ciclos de Estudo em Ensino da UTAD, sob a orientação do Professor Doutor Mário António Cardoso Marques.
V AGRADECIMENTOS
Ao meu Orientador Professor Doutor Mário António Cardoso Marques, pela sua disponibilidade e orientação que permitiram a realização e conclusão deste estudo;
Ao Abambres Sport Club, ao seu departamento juvenil e aos atletas que fizeram parte deste estudo;
Ao meu pai, mãe, irmão pelo apoio e encorajamento constante;
À Família F., porque sem amigos não somos ninguém. Amigos estes, com quem eu mantive amizade durante 5 anos universitários e pretendo manter para o resto da vida;
À minha namorada, Sílvia Luís, pelo apoio e ajuda que me deu ao longo deste último ano na elaboração do presente estudo;
Ao Nuno Pereira por toda a amizade e por ter ajudado em diversos momentos na realização deste trabalho.
VI ÍNDICE GERAL
ÍNDICE GERAL ... VI ÍNDICE DE TABELAS ... VII RESUMO ... VIII ABSTRACT ... IX
1. INTRODUÇÃO ... 1
2. HIPÓTESES ... 2
3. MÉTODOS ... Erro! Marcador não definido. 3.1. Amostra ... Erro! Marcador não definido. 3.2. Desenho Experimental ... 3
3.3. Antropometria ... 3
3.3.1. Peso Corporal ... 3
3.3.2. Altura ... 4
3.4. Protocolos de Avaliação ... 4
3.4.1. Avaliação da Força Explosiva dos Mebros Inferiores ... 4
3.4.2. Avaliação do Sprint ... 5
3.4.3 Avaliação da Velocidade de Saída da Bola ... 5
3.5. Programa de Treino em Estudo ... 5
3.6. Tratamento Estatístico ... 7
4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ... 8
4.1. Sprint ... 8
4.2. Velocidade de Saída da Bola ... 8
4.3. Força Explosiva dos Membros Infeirores ... 9
5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ... Erro! Marcador não definido. 6. CONCLUSÕES ... 12
VII ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1: Programa de Treino de Força Entre a 1ª e a 6ª Semana ... 6 Tabela 2: Valores da Média e Desvio Padrão dos Tempos no V15m, no V15-30m e V30m, Obtidos Pelos Grupos GC e GE ... 8 Tabela 3:Valores da Média e Desvio Padrão da VS obtidos pelos grupos GC e GE ... 9 Tabela 4: Valores da Média e Desvio Padrão dos Resultados Obtidos na A Pelos Dois Grupos, GC e GE, no CMJ ... 9
VIII RESUMO
Objectivo: A presente dissertação teve como objectivo estudar os efeitos do treino de força em acções motoras estruturalmente e funcionalmente próximas das executadas no jogo de futebol, tais como o remate, o salto e o sprint. Métodos: A amostra foi constituída por dezanove jovens futebolistas masculinos, pertencentes a uma equipa do escalão infantil, que participa de forma regular no campeonato distrital de Vila Real (média de idades: 12,1±0,75 anos). Foram formados dois grupos: experimental (GE, n=9) e de controlo (GC, n=10). O GC cumprir o programa habitual de treinos de futebol, no entanto, o GE para além do programa habitual de treinos, realizou o programa de treino de força. O programa de treino de força teve a duração de seis semanas, com duas sessões semanais. As sessões foram realizadas no final do treino habitual de futebol. Os dezanove jovens futebolistas foram avaliados através do salto vertical com contramovimento (CMJ), da velocidade aos 15 metros (V15m) e dos 15 aos 30 metros (V15-30m) e da velocidade de saída da bola no remate (VS). Resultados: Após a aplicação do programa de treino, observou-se aumentos do desempenho estatisticamente significativos, na velocidade aos 15 metros (ρ = 0,0120) e na velocidade imprimida a bola no remate (ρ = 0,0042). Nos testes de velocidade dos 15 aos 30 metros e no CMJ não se verificaram diferenças estatisticamente significativas, após a aplicação do programa de treino. Conclusões: Concluímos que o programa de treino aplicado revelou-se eficaz no aumento do desempenho no teste de velocidade aos 15 metros e no teste de velocidade de saída da bola no remate, no GE. Palavras-chave: FUTEBOL, TREINO DA FORÇA, VELOCIDADE, SALTO VERTICAL, REMATE.
IX ABSTRACT
Objective: The aim of this dissertation was to study the influence of a strength training program on motor actions, which are structurally and functionally close to those performed in a football game, such as kick, jump and running speed. Methods: The sample was constituted by nineteen young male football players, who belong to a child level team, which regularly participates in the district championship from Vila Real (aged: 12,1±0,75 years). Furthermore, this sample was divided into two groups, as it follows: on the one hand, by the experimental group (EG, nr=9), and on the other hand by the control group (CG, nr=10). The CG carried out the usual football training program as the EG has put in practice the strength training program in addition to the usual training program. Moreover, the strength training program was sustained for six weeks with two sessions per week. These sessions were performed at the end of the usual football training. In addition, the nineteen young football players were evaluated through countermovement jump (CMJ), speed at 15 meters (V15m) and speed from 15-30 meters (V15-30m), as well as in instep kick (VS). Results: After applying the training program, statistically significant performance increases were observed both in speed at 15 meters (ρ = 0, 0120) and in instep kick (ρ = 0, 0042). However, there were no statistically significant differences neither in speed tests from 15 to 30 meters nor in CMJ, after applying the training program. Conclusion: In conclusion, the training program applied to the EG revealed to be effective regarding performance increase in both speed at 15 meters (ρ = 0, 0120) and in instep kick (ρ = 0, 0042). There was no effectiveness by the training program concerning the test results in instep kick and speed from 15 to 30 meters.
Keywords: FOOTBALL, STRENGTH TRAINING, SPEED, COUNTERMOVEMENT JUMP, KICK.
1 1. INTRODUÇÃO
É consensual que a participação dos jovens em programas de treino de força pode ser benéfica não só como garante de um crescimento sustentável e harmonioso (Faigenbaum et al., 2002; Faigenbaum, 2007; Milliken et al., 2008; Faigenbaum et al., 2009; Garrido et al., 2010), como também com vista à maximização da performance desportiva (Faigenbaum, 2007; Santos e Janeira, 2008; Thomas et al., 2008; Wong et al., 2010; Faigenbaum et al., 2009).
Nos jovens, tal como nos adultos, os programas destinados ao desenvolvimento da força devem-se coadunar às necessidades específicas de cada atleta e à própria especificidade da modalidade em causa (Marques & Oliveira, 2001). A performance de um jogador, em virtude das exigências colocadas pelo jogo, solicita diferentes capacidades motoras, denominados factores de natureza condicional. No jogo de futebol as exigências relativas às acções de curta duração e alta intensidade são evidentes nas acções de remate, sprint e salto (Garganta et al., 2003). Sobre esta temática, Marques et al. (2010) avaliaram no seu estudo a relação entre a força explosiva dos membros inferiores e a velocidade aos 30 metros, onde puderam observar uma correlação significativa, mas moderada (r=-0,408, ρ<0,05). Contudo, Gonzalez e Aguiar (2001) não determinaram qualquer relação entre a corrida linear de curta duração (30 metros) e a força explosiva dos membros inferiores.
Foi observado por Wisløff et al., (2004), uma forte correlação entre a força máxima e a performance em sprints e saltos em futebolistas profissionais. Também Hoff & Helgerud (2004) puderam verificar uma melhoria significativa no desempenho no sprint e no salto vertical após o aumento da força máxima através de aplicação de um programa de treino de força em futebolistas profissionais. Cometti et al., (2001) afirmam que os sprints e saltos estão dependentes da força máxima, da potência anaeróbia e do sistema neuromuscular, principalmente nos membros inferiores. Desta forma, sendo os sprints e os saltos acções relevantes no jogo, é extremamente importante o seu desenvolvimento.
Outro factor em que a força explosiva é importante no futebol é na acção motora do remate. De entre as várias habilidades técnicas do Futebol, o remate é das mais importantes e mais estudadas (Sousa et al, 2003). Segundo os estudos de Sousa et al., (2003) e Marques et al., (2010) foi possível verificar que existe uma correlação positiva entre a força explosiva dos membros inferiores e a velocidade imprimida à bola no remate. Os resultados encontrados nas
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diferentes pesquisas, sugerem que, para além da força muscular, a performance do remate pode ser influenciada por outras variáveis, como por exemplo a coordenação motora e o nível competitivo dos praticantes. Contudo, a expressão da força em jogadores de futebol e sua influência em termos de performance no remate, é um tema ainda algo controverso.
Subsistem ainda na literatura lacunas relevantes sobretudo no que diz respeito à avaliação destas habilidades motoras em jogadores de futebol nos escalões de infantis (sub-13). Neste sentido, parece-nos relevante a avaliação das capacidades condicionais em jogadores não só do escalão Sénior, como tem sido frequente, mas procurando a caracterização dos jogadores de Futebol em escalões etários mais jovens, especificamente no escalão de infantis (sub-13).
Desta forma, o objectivo da presente investigação foi avaliar os efeitos de um programa de treino de força de seis semanas, nos indicadores de força explosiva do remate, quer na velocidade em 15 e 30 metros e quer na força elástica explosiva reactiva dos membros inferiores do salto com contramovimento.
2.HIPÓTESES
- Os jovens jogadores de futebol masculinos, que realizam o programa de treino de força proposto, para além do programa de treino normal de futebol, aumentam de forma estatisticamente significativa o desempenho no teste de salto vertical com contramovimento, sprint de curta duração e remate ao contrário dos atletas que não o realizam.
3 3. MÉTODOS
3.1. Amostra
A amostra foi constituída por 19 jovens jogadores de futebol, do sexo masculino, com média de idades compreendidas entre os 11 e os 13 anos, 12,1±0,759, com altura média de 1,58±0,073, com um peso médio de 45,3±6,393, pertencentes a uma equipa de Infantis (sub-13), do Abambres Sport Club, participante no Campeonato Distrital de Infantis de Vila Real, sendo esta uma equipa que luta para atingir os primeiros lugares. Todos os elementos possuíam condições de saúde necessárias para a prática desportiva e participação neste estudo, tendo sido devidamente atestadas pelo médico de família ou médico do clube. Os atletas, os pais e respectivos treinadores foram informados do objectivo deste estudo bem como de todo o processo das avaliações (número e duração das sessões de treino/avaliações), tendo ainda sido esclarecidas quaisquer dúvidas existentes.
3.2.Desenho Experimental
Foram considerados neste estudo dois grupos: um grupo de controlo (GC, n=10) e um grupo experimental (GE, n=9). O grupo experimental realizou, para além do programa de treino da equipa de futebol, um programa de treino de força (ver Tabela 2), enquanto o grupo de controlo apenas realizou o programa de treino da equipa de futebol. A amostra foi dividida de forma homogénea
3.3.Antropometria
Os parâmetros antropométricos utilizados para a caracterização da amostra foram o peso corporal e a altura.
3.3.1.Peso corporal
Para obter o peso corporal foi utilizada uma balança digital Wiso de vidro Ultra Slim W903 - Crivitta. Os atletas, descalços e apenas em calções, colocaram-se no centro da plataforma da balança e permaneceram imóveis, com os braços colocados ao lado do corpo relaxados, a cabeça virada para a frente e com o peso distribuído uniformemente sobre ambos os pés. A leitura foi
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realizada após estabilização dos dígitos da balança e o peso foi expresso em kilogramas (Kg), com aproximação às décimas.
3.3.2.Altura
Para medir a altura foi utilizada uma fita métrica, colocada verticalmente na parede. A altura foi definida como a distância, em linha recta, entre o vértex (cránio) e o piso sobre o qual se apoiam os pés, estando o indivíduo em posição erecta, posicionado segundo o plano de Frankfurt. Este plano consiste numa linha imaginária que passa pelo ponto mais baixo do bordo inferior da órbita da orelha direita e pelo ponto mais alto do lado superior do meato auditivo externo correspondente. Os atletas encontravam-se descalços, com os pés juntos e com os calcanhares, o cóccix, a coluna dorsal e a parte posterior da cabeça em contacto com a parede. A leitura foi expressa em centímetros (cm), com aproximação às décimas.
3.4.Protocolos de avaliação
As avaliações foram feitas 2 semanas antes do inicio da aplicação do programa de treino de força. As avaliações da V15m, V15-30m, da VS e do CMJ foram realizadas num pavilhão gimnodesportivo, de forma que as condições ambientais e do piso não sofressem alterações importantes nos dois momentos de avaliação nem interferissem na utilização dos aparelhos de medição. Antes da execução dos diferentes testes, todos os jogadores realizaram o habitual aquecimento, orientado pelo respectivo treinador. Todos os sujeitos foram previamente familiarizados com os procedimentos em cada um dos testes. A ordem de realização dos testes correspondeu à sequência de apresentação dos respectivos procedimentos que são descritos nos próximos subtítulos.
3.4.1. Avaliação da força explosiva dos membros inferiores
Para a avaliação da explosiva dos membros inferiores foi utilizado o CMJ. Este teste foi aplicado com os sujeitos a partir da posição de pé, com o tronco direito, as mãos na cintura e os membros inferiores em extensão, o sujeito efectua uma semi-flexão dos joelhos (contramovimento) a 90°, seguida de um salto vertical. Para a avaliação deste salto recorreu-se a uma plataforma de contactos (Ergojump, Digitime 1000, Digest Finland). O ergómetro utilizado para avaliar o CMJ esteve ligado a um cronómetro digital para registar o tempo (TV) em
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segundos (s) e a altura de voo (A) em centímetros (cm). A avaliação da força explosiva foi realizada de acordo com o protocolo descrito por Marques e González-Badillo (2006). Foram concebidas 3 tentativas, com 2 minutos de intervalo, sendo registado e considerado o melhor dos três saltos.
3.4.2. Avaliação do Sprint
A avaliação da velocidade foi realizada inicialmente com o sujeito assumindo uma posição vertical em situação estática e com um dos apoios mais adiantado. Todos os segmentos corporais encontravam-se atrás da linha inicial do percurso. O sinal da partida foi dado de forma sonora utilizando um apito e aquando do inicio do teste, o atleta realizava o percurso com a máxima velocidade até ultrapassar a linha de chegada. O teste de velocidade foi realizado em linha recta numa distância de 30 metros. Os tempos em segundos (s) foram medidos com três pares de células fotoeléctricas (Microgate Equipment, Racetime2 Light Radio Kit, USA), colocadas nos seguintes pontos: um par de células no ponto de partida (0 metros); o segundo par de células aos 15 metros; e o terceiro par de células aos 30 metros. Foram concedidas três tentativas, separadas por 3 minutos de repouso sendo registado e considerado o melhor tempo. 3.4.3- Avaliação da velocidade de saída da bola
Para avaliação da VS, utilizou-se um radar (Stalker – Profissional Sports Radar), calibrado da seguinte forma: Setup menu: Ball Lo 16; range: Low. O radar foi colocado atrás da posição inicial da bola, no mesmo plano de deslocamento da bola à baliza (0º), diminuindo o erro associado (erro de 0.13 m/s). O remate foi efectuado com a bola parada, encontrando-se esta a uma distância de 11m da linha de baliza, e na perpendicular do ponto que separa esta linha em duas metades iguais (marca de grande penalidade). Cada sujeito foi encorajado a realizar o remate à máxima velocidade com eficácia. Foram concedidas três tentativas, com intervalo de repouso de 2 minutos entre tentativas, registando-se e considerando-se o melhor remate das três. 3.5.Programa de treino em estudo
O programa de treino em estudo (Tabela 1) foi aplicado em duas sessões semanais, à 2ª feira e à 4ª feira, durante 6 semanas, com uma duração de 40 minutos. As avaliações foram executadas no final da sessão de treino de futebol, após cinco minutos de exercícios de flexibilidade dos
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grupos musculares envolvidos no treino de força em estudo. Foi permitido um intervalo de repouso entre as categorias de exercícios de 2 minutos.
Tabela 1 - Programa de treino de força entre a 1ª e a 6ª semana.
Exercícios Sessão 1 Sessão 2 Sessão 3 Sessão 4 Sessão 5
Salto Bilateral
(sem flexão) 3 x 20 3 x 20 3 x 20 3 x 25 3 x 25
Salto Bilateral
(com flexão) 3 x 10 3 x 10 3 x 10 3 x 10 4 x 10
Salto unilateral curto e rápido
(pé dominante no solo) 3 x 10 3 x 10 3 x 10 3 x 10 2 x 10 Salto unilateral o mais distante
possível (pé dominante no solo) 2 x 8 2 x 8 2 x 8 2 x 8 3 x 8
Sprint – 20 metros 5 6 6 6 2 x 4
Exercícios Sessão 6 Sessão 7 Sessão 8
Salto bilateral (sem flexão) 3 x 25 3 x 30 (o mais distante possível) 3 x 30 (o mais distante possível) Salto bilateral (com flexão) 4 x 10 3 x 10 3 x 10
Salto unilateral curto e rápido
(pé dominante no solo) 2 x 10 3 x 10 3 x 10
Salto unilateral o mais distante
possível (pé dominante no solo) 3 x 8 3 x 10 3 x 10
Sprint
(da posição de deitado) 2 x 4 x 10m 5 x 30m 5 x 15m
Exercícios Sessão 9 Sessão 10 Sessão 11 Sessão 12
Salto bilateral (sem flexão) nas escadas
– 1 degrau 4 x 20 4 x 20 5 x 20 5 x 20
Salto bilateral (com flexão) o mais
distante possível 4 x 10 4 x 10 4 x 10 4 x 10
Salto unilateral curto e rápido
(pé dominante no solo) 3 x 10 3 x 10 3 x 10 3 x 10
Cabeceamento sem bola, o mais
distante possível 3 x 5 3 x 5 3 x 5 3 x 5
Sprint
7 3.6.Tratamento estatístico
No tratamento de dados os procedimentos estatísticos foram elaborados através do SPSS 17.0. A utilização deste programa permitiu uma análise descritiva para o estudo da média aritmética e do desvio padrão. Através da utilização do T-Test comparou-se o pré-teste e o pós-teste verificando a existência de diferenças estatisticamente significativa. Foi aceite um nível de significância de ρ <0.05.
8 4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
4.1.Sprint
Na tabela 2 são apresentados os valores médios do tempo realizado na velocidade aos 15 metros (V15m), na velocidade dos 15 aos 30 metros (V15-30m) e na velocidade aos 30 metros (V30m), pelos dois grupos de atletas em estudo antes e após o programa de treino.
Tabela 2 – Valores da média e desvio padrão dos tempos no V15m, V15-30m e V30m, obtidos pelos grupos GC e GE.
Grupo V15m Média±DP (s) V15-30m Média±DP (s) V30m Média±DP (s)
Pré Pós Pré Pós Pré Pós
GC (n = 10) 2,23±0,105 2,24±0,132 5,19±0,236 5,19±0,236 5,19±0,236 5,22±0,262
GE (n = 9) 2,25±0,071 2,17±0,100* 5,16±0,187 5,16±0,187 5,16±0,187 5,10±0,202*
Legenda: DP - Desvio padrão; V15 – Velocidade aos 15 metros; V15-30m – Velocidade dos 15 aos 30 metros; V30m – Velocidade aos 30 metros; * p<0,05;
A análise da tabela 2 permite constatar a diminuição do tempo necessário para percorrer a distância de 15 metros, após a aplicação do programa de treino, nos grupos GC e GE, com significativo estatístico para GE (p=0,01). O mesmo não se verificou nos resultados obtidos na velocidade dos 15 aos 30 metros, não se observando diferenças significativamente estatísticas em nenhum dos grupos, GC (p=0,84) e GE (p=0,56). Ainda assim, constatou-se também, a diminuição do tempo necessário para percorrer a distância de 30 metros, após o programa de treino, nos grupos GC e GE, com significativo estatístico para o GE (p=0,02).
4.2.Velocidade de saída da bola
Na tabela 3 são apresentados os valores médios dos resultados obtidos, no teste de avaliação de velocidade de saída da bola (VS) pelos atletas dos dois grupos em estudo, antes e após o programa de treino.
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Tabela 3 – Valores da média e desvio padrão da VS obtidos pelos grupos GC e GE.
Grupo VS Média±DP (Km/h)
Pré Pós
GC (n = 10) 67,93±8,616 69,62±8,410
GE (n = 9) 67,27±8,514 74,07±9,140*
Legenda: DP - Desvio padrão; VS – Velocidade de saída da bola; * p<0,05;
A análise da tabela 3 permite constatar o aumento da velocidade de saída bola no remate, após o programa de treino, nos grupos GC e GE, sendo esse aumento significativamente estatístico para GE (p=0,00).
4.3. Força explosiva dos membros inferiores
Na tabela 4 são apresentados os valores médios dos resultados obtidos na altura de voo (A), pelos dois grupos, no CMJ, antes e após o programa de treino.
Tabela 4 – Valores da média e desvio padrão dos resultados obtidos na A pelos dois grupos, GC e GE, no CMJ.
Grupo A Média±DP (cm)
Pré Pós
GC (n = 10) 0,32±0,102 0,34±0,118
GE (n = 9) 0,33±0,60 0,33±0,045
Legenda: DP - Desvio padrão; A – Altura de voo; * p<0,05;
A análise da tabela 4, permite verificar que após aplicação do programa de força, não se registaram alterações com significado estatístico nos resultados obtidos na A no CMJ, pelo GC (p=0,12) e GE (p=0,76).
10 5.DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Após a aplicação do programa de treino, o valor médio registado que observamos no teste V15 (2.25±0.07 s), é inferior ao observado (2.41±0.10 s), em futebolistas profissionais portugueses, por Rebelo & Oliveira (2006) e ao observado (2.38±0.09 s), em futebolistas pertencentes ao escalão júnior que participavam no campeonato nacional (Alves, 2006). No entanto, após aplicação do programa, apenas a velocidade inicial aumentou (V15m), o mesmo não se verificou na velocidade final (V15-30m). Assim, uma vez que em crianças, os ganhos induzidos pelo treino de força são mais relacionados a mecanismos neurais que a factores hipertróficos (Ramsey et al., 1990; Ozmun et al., 1994; Faigenbam et al., 2009), já que os níveis de testosterona circulante ainda não são os adequados para estimular aumentos no tamanho de músculo (Hansen et al., 1999), podemos afirmar que o factor determinante para a melhoria da velocidade aos 15 metros (V15), pode dever-se essencialmente às adaptações neurais. Estas adaptações são causa primordial dos factores de adaptação na faixa etária em questão (Ramsey et al., 1990; Ozmund et al., 1994; Faigenbaum et al., 2009), uma vez que se pode observar adaptações nervosas durante as primeiras 6/8 semanas de treino (Hakkinen, 1985; Paéz & Luque, 2002).
Além disso, vários estudos (Marques e Badillo, 2005; Santos e Janeira, 2008; Garrido et al., 2010; Wong et al., 2010) comprovaram a eficácia do trabalho de força em indivíduos pré-púberes, durante períodos de treino que variavam entre as 6 e as 10/12 semanas, ou até mesmo 14/20 semanas. Deste modo, os factores neurais relacionados com a velocidade e que são influenciados pelo treino de força prendem-se com o aumento da capacidade do músculo para gerar tensão máxima, de forma mais rápida, com o aumento da velocidade de condução do estímulo nervoso, com o aumento da excitabilidade dos motoneurónios e com o aumento do limiar de excitabilidade das potências de reflexo (Ross et al., 2001). Desta forma, visto que os sujeitos não aumentaram o desempenho na velocidade nos 15 metros finais, podemos afirmar que o programa de treino aplicado, potenciou o aumento nos 15 metros iniciais, podendo este facto estar associado a maior eficácia de descargas de impulsos nervosos.
Relativamente aos resultados obtidos na velocidade em 30 metros, o GE aumentou o seu desempenho, no entanto, este aumento está associado essencialmente à redução do tempo nos primeiros 15 metros. Este facto deve-se, como foi referido e explicado anteriormente, principalmente a um processo de adaptações características em jovens pré-púberes, as
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adaptações neurais. No entanto, o valor médio obtido, (5,16s), é inferior ao observado por Marques et al. (2010), com futebolistas juniores amadores (4,50s). Porém, estes sujeitos, possuem um biótipo mais definido, encontrando-se numa fase de especialização da modalidade. Wisløff et al., (2004) no seu estudo com jogadores profissionais noruegueses, registou valores ainda mais baixos (4s), o que nós permite concluir que a especialização na modalidade e o consequente elevado número de horas e sessões de treino, influenciam os valores obtidos. Já Wong et al. (2010), após a aplicação de um programa de treino de força em jovens futebolistas sub-14, de 12 semanas, registaram valores médios de (4,74s). Valores superiores aos observados no nosso estudo, no entanto, a diferença deve-se sobretudo a metodologia e objectivo do programa de treino utilizado pelos autores.
Quanto à velocidade de saída da bola (VS), na literatura, existem poucos estudos que incluam este tipo de teste, especialmente em jogadores de futebol pré-púberes. Contudo, no nosso estudo foram apurados valores médios de 74,07km/h para o GR (p=0,004). Estes valores são próximos, no entanto inferiores, 77,2km/h, aos observados por Wong et al. (2010). Manolopoulos et al. (2006) observaram a VS, após a aplicação de um programa de treino de 10 semanas, que combinava treino de força e remate em jogadores amadores adultos, tendo sido registado valores de velocidade do remate de 101 km/h. Desta forma, podemos sugerir que a discrepância dos valores percebidos no nosso estudo pode ser parcialmente explicada através das diferenças entre metodologias de treino adoptadas em cada um dos estudos, nos tipos de população utilizados e nos diferentes níveis de treino dos participantes. Isto significa que um trabalho de força bem estruturado pode ser eficiente para se melhorar a performance de força (Marques, 2010), inclusivamente em jovens pré-púberes, tal como é mencionado em diferentes estudos (Hansen et al, 1999; Diallo et al., 2001; Marques & Badillo, 2005; Faingenbaum et al., 2007; Thomas et al., 2008; Wong et al., 2010).
Assim, a melhoria dos nossos resultados para VS, podem dever-se ao tipo de trabalho de força e de coordenação motora a que os atletas cada vez mais estão sujeitos, no respectivo processo de pré-especialização desportiva e dada a importância que estas capacidades assumem na performance do remate.
Deste modo, podemos afirmar que uma das causas para o aumento verificado, deve-se ao tipo de treino aplicado, nomeadamente aos exercícios que constituíam o programa de treino, tais como salto bilateral e unilateral, que teve como consequência o reforço muscular dos membros
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inferiores. Pois, a técnica individual e o nível de controlo coordenativo também são factores preponderantes no remate (Sousa et al., 2003; Marques et al., 2010; Manolopoulos et al., 2006) e além disso, o remate é uma acção motora que depende de vários factores, tais como o sincronismo e transferência de energia entre segmentos corporais envolvidos na acção motora do remate (Manolopoulos et al., 2006).
Relativamente a capacidade de impulsão vertical (CMJ), na literatura existem poucos estudos que incluam testes de salto vertical, especialmente em jovens jogadores de futebol pré-púberes (Seabra et al., 2001; Wong et al., 2010). No nosso estudo, após seis semanas de aplicação do programa de treino, não se observaram aumentos no CMJ. Este facto deve-se à dificuldade dos jovens em “cumprir” o protocolo do teste. O facto de os jovens estarem limitados em termos de espaço de salto na plataforma, mas também a própria estrutura do gesto técnico, uma vez que esta condicionada pela colocação das mãos na cintura para anular a acção dos braços no momento de impulsão, influenciaram os resultados. Deste modo, o desequilíbrio no momento do salto poderá ter sido preponderante para os resultados obtidos, assumindo a coordenação motora um papel importante neste tipo de salto.
Ainda que o treino dito “pliométrico” seja um importante processo de trabalho para o desenvolvimento da capacidade de salto em pré-púberes, como corroboram vários estudos (Diallo et al., 2001; Kotzaminidis, 2006; Faigenbaum et al., 2007; Thomas et al., 2008), comprovou-se que um simples trabalho de força durante seis semanas é altamente eficaz para o aumento da força explosiva em crianças de 11 a 13 anos de idade.
6. CONCLUSÕES
Os jovens futebolistas que realizaram o programa de treino de força, durante seis semanas, com duas sessões semanais, realizado em conjunto com o habitual programa de treinos de futebol, melhoraram de forma significativa os resultados nos testes de velocidade imprimida à bola no remate e na velocidade aos 15 metros e aos 30 metros, sendo esta em parte influenciada pela diminuição de tempo aos 15 metros. Não se verificou qualquer influência do programa de treino no salto, na velocidade dos 15 aos 30 metros e no salto com contramovimento.
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