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CAPÍTULO 6-Produto misto

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Academic year: 2021

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CAPÍTULO VI

PRODUTO MISTO

A operação produto misto será definida para vetores de V3 , em relação a base ortonormal positiva E = (i, j, k). 6. PRODUTO MISTO Sejam os vetores u( ,u u u1 2, 3)  , v( , , )v v v1 2 3  e w(w w w1, 2, 3)  . O produto misto dos vetores u, v e w é o número real

1 2 3 1 2 3 1 2 3 u u u v v v u v w w w w       Notações: uv w     e u v w, ,    

( lê-se: produto misto de u

, v  e w  ). Exemplificando: Dados os vetores u  = (2,0,1) , v  = (3,1,2) e w(2, 3, 0)  , pede u v w  . Solução: 2 0 1 3 1 2 2 3 0 uv w     = (0 + 0 + 9) – (2 + 12 + 0) = –5 . Observação 6.1:

1) O produto misto, indicado por uv w

  

 , é o número real obtido pelo produto escalar dos vetores (u v) e w.

Temos que: 2 3 3 1 1 2 2 3 3 1 1 2 u u u u u u u v i j k v v v v v v          e ww i1 w j2 w k3     . Logo, (uv) w      2 3 3 1 1 2 2 3 3 1 1 2 u u u u u u i j k v v v v v v             (w i1w j2w k3)= = 2 3 1 3 1 2 1 2 3 2 3 3 1 1 2 u u u u u u w w w

v vv vv v e, pela regra de Laplace,

= 1 2 3 1 2 3 1 2 3 u u u v v v w w w .

(2)

2) Não é necessário utilizar parênteses para indicar o produto vetorial uv

 

quando se apresenta u v w  ou w  u v, pois ele (produto vetorial) é realizado primeiro.

3) A expressão u (v w  ) não representa produto misto de vetores, pois (v w  ) não é vetor e, neste caso, não é possível realizar o produto vetorial de u

com ele. 6.1. PROPRIEDADES DO PRODUTO MISTO

Sejam u( ,u u u1 2, 3), v( , , )v v v1 2 3 e w(w w w1, 2, 3) vetores de V3 em relação a base ortonormal positiva E = ( i

, j, k  ) e   . 6.1.1. u v w, ,     = v w u, ,     = w u v, ,    

O produto misto é um determinante e o seu valor se mantém inalterado quando se permuta suas linhas em número par de vezes.

Observe que o segundo produto misto, indicado acima, tem em sua terceira linha as coordenadas do vetor u

, igual ao da primeira linha do primeiro produto misto. O

terceiro produto misto tem em sua primeira linha as coordenadas de w, igual ao da terceira linha do primeiro produto misto. Houve dupla permutação de linhas em relação ao primeiro determinante em ambos os casos e, por isso, são iguais.

O determinante troca o sinal quando se permutam suas linhas em número ímpar de vezes. Assim, u v w  , , = v u w  , , . Houve permutação da primeira linha pela segunda, portanto, uma só permutação.

O exposto acima nos permite entender que: v u w  , ,  =   w v u, ,  = u w v  , , 

Nota:

O ciclo ao lado nos ajuda memorizar os produtos mistos de mesmo valor. Basta considerar os produtos que têm os seus vetores seguindo a ordem horária ou anti-horária. Um produto de ordem horária tem sinal contrário ao de ordem anti-horária.

Uma conseqüência da propriedade é que: (u v)w = w  ( u v), pois o pro-duto vetorial é realizado em primeiro lugar e, depois, o propro-duto escalar que é comutativo. 6.1.2. . , ,u v w   =  u v w  , , 

Utilizando o fato “Um determinante fica multiplicado por  real se apenas uma de suas linhas for multiplicada pelo  ”, a propriedade fica provada.

w  vu  Fig.6.1

(3)

6.1.3. u t v w    , ,  = u v w  , ,  + t v w  , , 

Temos que u t v w    , ,  = (u t  )  vw = (u   v t v) = w

= u  v w  t  v w = u v w  , ,  + t v w  , , . Interpretação geométrica do produto misto:

Consideremos três vetores não coplanares u

 , v

 e w



(formam conjunto LI). ( u  v) w  H vu  Fig. 6.2 ( u v  )

Vemos construído, a partir dos vetores, um paralelepípedo. Queremos o seu volume:

O volume de um paralelepípedo é dado pelo produto da área da base pela respectiva altura.

Se u

 e v

são os vetores do paralelogramo da base, então sua área é A = u v . A altura H, distância entre as bases, é a medida da projeção de w

 na direção de u  v: H = proj ( ) ( ) ( ).( ) u v u v w w u v u v u v                    2 (u v) w u v u v             u v w u v         ou H = , , u v w u v           . Então, V = A . H = u  v . u v w u v         = uv w     .

O volume de um paralelepípedo determinado pelos vetores u, v e w é igual ao valor absoluto do produto misto dos três vetores.

(4)

O volume de um prisma de base triangular determinado pelos vetores u  , v  e w  é a metade do volume do paralelepípedo determinado pelos mesmos vetores. Daí,

w  H v  Fig. 6.3 u

O volume de uma pirâmide triangular determinado pelos vetores u, v e w  é 1/3 do volume do prisma de base triangular e, portanto, 1/6 do volume do paralelepípedo determinado pelos mesmos vetores. Daí,

w H v  Fig. 6.4 uNota:

As alturas do tetraedro podem ter medidas diferentes, dependendo da base de vetores escolhida. H1 = u v w u v      

  se a base é formada com u

 e v  . H2 = u v w u w      

  se a base é formada com u

 e w  . H3 = u v w v w      

  se a base é formada com v

 e w  . H4 = ( ) ( ) u v w v u w u        

    se a base é formada com (v u) e (w u  ).

Se u v w  = 0 , então u, v e w são coplanares e, daí, V = u  v w = 0. --- VT = 2 uv w     e H =T u v w u v         V = Te 6 u  v w e H =Te u v w u v        

(5)

EXEMPLO 6.1 1) Dados os vetores u  = (2,1, 1) , v  = (0, 2, 1) e w(2, 3, 0)  , pede u v w  e discutir

a posição relativa dos vetores. Solução: 2 1 1 0 2 1 2 3 0 uv w    

 = 0. Os vetores u, v e w são coplanares, sendo w u v

   .

2) Dados os pontos A(1, 2, 0), B(1, 3, 1), C(3,1,2) e D(0,2,3), determinar o volume do paralelepípedo que tem arestas AB , AC e AD .

Solução: Temos: u = AB= (0, 1, 1) , v = AC = (2, 1, 2) e w = AD= (1, 0, 3). 0 1 1 2 1 2 1 0 3 uv w     

= 9. Os vetores não são coplanares, pois uv w

     0.

Portanto, V = u v w  = 9 = 9 uv.

3) Os pontos A(2, 1, 5), B(3, 1, 3), C(0, 2, 4) e D(1, 3, 2) são vértices de um tetraedro. Determine:

a) O volume do tetraedro ABCD. Temos: u  = AB= (1, 2, 2) , v  = AC = (2, 1, 1) e w = AD= (1, 4, 3). 1 2 2 2 1 1 1 4 3 u v w              = 15. Portanto, VTe = 6 u  v w = 15 6  = 15 6 uv. b) A altura do tetraedro ABCD relativa à base ABC.

1 2 2 2 1 1 i j k u v          = (4, 5, 3) e, daí, u v  = 2 2 2 4 5  ( 3) = 5 2 . Portanto, 1 T H = u v w u v         = 15 5 2  = 3 2 2 uc. c) A altura do tetraedro ABCD relativa a base ABD.

1 2 2 1 4 3 i j k u w           = (2, 5, 6) e, daí, u w = 2 2 2 ( 2) 5  ( 6) = 65 .

(6)

Portanto, 2 T H = u v w u w         = 15 65  = 15 65 = 3 65 13 uc.

d) A altura do tetraedro ABCD relativa a base BCD. Temos que BC    v u

3, 3, 1

   e BD  w u    

2, 2, 1

   . BC BD 3 3 1 2 2 1 i j k            = (1,5, 12) e, daí, BC BD  = 2 2 2 ( 1)  ( 5) 12 = 170 . Portanto, 3 T H = BC BD u vw        = 15 170  = 15 170 = 15 170 170 = 3 170 34 uc.

Fica confirmado, no exemplo, que as alturas relativas a cada uma das bases têm valores diferentes.

4) Os pontos X, Y e Z são distintos não colineares e estão no planoe A não pertence a . Utilize a interpretação geométrica do produto misto para mostrar que a distância do ponto A ao plano  é igual a

XY XZ XA XY XZ         . Solução:

Considerar que o ponto X é fixo em  . Tomemos os vetores XY e XZ. Queremos calcular a altura H (distância de A até  : dA,) do paralelepípedo que tem os pontos X, Y e Z em sua base.

A área da base do paralelepípedo é Abase= XYXZ  

. O volume do paralelepípedo é VParalelepipedo= (XYXZ) XA

    . Altura do paralelepípedo dA, = H = Paralelepipedo base V A =

XY XZ

XA XY XZ         .

5) Calcule a distância de A(0,0,0) ao plano que tem os pontos (1,0,0), (0,1,0) e (0,0,1). Solução:

Consideremos o plano  contendo o conjunto dos pontos X(1, 0, 0), Y(0,1, 0) e Z(0, 0, 1). O ponto X é fixo em  . O ponto A(0, 0, 0) não pertence a  . Tomemos os vetores XY= (1, 1, 0) e XZ = (1, 0, 1) e XA = (1, 0, 0).

Queremos calcular a altura (distância de A até  ) do paralelepípedo que tem os pontos X, Y e Z em sua base.

Temos que XYXZ   = 1 1 0 1 0 1 i j k      = (1, 1, 1) e ( XYXZ   ) XA = 1.

(7)

A área da base do paralelepípedo é Abase= XY XZ = 2 2 2

1   = 3 uc. 1 1 O volume do paralelepípedo é VParalelepipedo= (XY  XZ) XA = 1 = 1.

Altura do paralelepípedo d = H = Paralelepipedo base V A =

XY XZ

XA XY XZ         = 1 3 = 3 3 . 6) Supondo que u 0, mostre que é verdadeira a sentença:

“Se u vu w       e u v u w    , então vw   ”. Solução:

Temos, da hipótese, que u 0 e:

1º) u v  u w  , logo, u v  u w  0 e, daí, u v w  (  ) 0. Assim, u (v w ) (I) 2º) u v  u w     , logo, u v   u w 0      , daí, u (v w)0     . Assim, //(u v w )    (II) Comparando (I) e (II), verificamos que (v w )

 

é ortogonal e, também, paralelo a

u. Nestas condições, entende-se que (v w  )0 e, daí, segue que v w .

7) Apresente uma interpretação geométrica que justifique a conclusão do exercício acima. Solução:

Temos, do exercício acima, que u  (v w)

  

e, também, que u v  u w

   

. Esta última relação nos informa que os vetores (u v )

 

e (uw)  

têm mesma direção e sentido. Logo, os vetores u  , v  e w 

são coplanares. Vê-se, também, que u v   u w e, daí, que as áreas dos paralelogramos formados a partir dos vetores u

 e v  e dos vetores u  e w  são iguais. w v w   H v h u

Os paralelogramos possuem mesma base com medida u e alturas H e h, respectiva- mente, onde H = h + v w

 

. O fato das áreas e das bases serem iguais, impõe que H = h. Portanto, v w  =0 e, daí, v w 0

  

. Então, segue que vw

 

.

Prof Aguinaldo diz: “Aprendi com o Prof. Dr. Paul G. Ledergerber”

(8)

EXERCÍCIOS PROPOSTOS 6.1

Resolva, em relação à base ortonormal positiva E = (i

, j, k

), as seguintes questões:

1) Determinar o produto misto dos vetores u, v e w:

a) u= (1, 1, 4) v= (2, 1, 2) w= (0, 2, 3) R. a) 3 b) u= (4, 2, 3) v= (5, 0, 1) w= (8, 4, 6) R. b) 0 c) u  = (5, 1, 2) v= (2, 1, 0) w  = (3, 1, 1) R. c) 9 2) Verifique se os pontos A(3, 1, 2), B(1, 0, 1), C(2, 1, 3) e D(5, 2, 7) são coplanares. R. Sim 3) Determinar o volume do paralelepípedo que tem as arestas AB , AC e AD , onde A(3, 1, 2), B(1, 1, 1), C(2, 1, 3), D(2, 3, 5).

R. 2 4) Determinar o volume do prisma triangular de base ABC e D o vértice da base oposta, sendo A(2, 1, 0), B(1, 3, 1), C(1, 0, 1), D(3, 1, 0).

R. 3/2 5) Determinar o volume do tetraedro de vértices A(0, 0, 1), B(3,1, 2), C(1,1,1), D(3,1,0). R. 1 6) Determinar o volume do tetraedro de vértices A(0, 2, 1), B(1,0, 1), C(1,1,2), D(0,3,2). R. 0 (não temos um tetraedro) 7) Dados os pontos A(0, 0, 1), B(1, 3, 1), C(0, 1, 1), D(2, 1, 1), determinar a altura do: a) paralelepípedo que tem as arestas AB , AC e AD , relativa ao vértice D.

b) tetraedro ABCD, relativa à base ABC.

R. a) 2 b) 2 8) Dados os pontos A(0, 2, 1), B(1,0, 1), C(1,1,2), D(3,2,1), determinar:

a) o volume do paralelepípedo que tem as arestas AB , AC e AD . b) volume do prisma de base triangular ABC e arestas AB , AC e AD . c) volume do tetraedro ABCD.

d) altura do tetraedro ABCD, relativa ao vértice D.

R. a) 6 b) 3 c) 1 d) 6 9) Calcule a distância de O(0,0,0) ao plano que tem os pontos (1,0,0), (0,2,0) e (0,0,3). R. 6/7 uc 10) Utilizando coordenadas, mostre que u (vw)

  

 = (uv) w

  

 (comutam sinais).

11) Considere os pontos O(0,0,0), I(1,0,0), J(0,1,0) e K(0,0,1). Calcule: a) as distâncias entre O e I, O e J e O e K.

b) as áreas das faces do tetraedro OIJK

c) o volume do tetraedro determinado pelos pontos OIJK. d) centro do tetraedro OIJK.

e) verifique se A2IJK A2OIJ A2OJK A2OKJ.

R. a) 1 uc, 1uc e 1uc b) base IJK = 3

2 ua e as demais iguais a 1/2 ua c) 1/6 uv d) C(½, ½, ½) e) É verdadeiro.

Referências

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