• Nenhum resultado encontrado

Inter-relação entre o desenvolvimento motor e as competências matemáticas, em crianças em idade pré-escolar

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Inter-relação entre o desenvolvimento motor e as competências matemáticas, em crianças em idade pré-escolar"

Copied!
106
0
0

Texto

(1)

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Inter-relação entre o desenvolvimento motor e

as competências matemáticas, em crianças em

idade pré-escolar

Dissertação de Mestrado em Educação Física - Especialização em Desenvolvimento da Criança

Diana Sofia Afonso

Orientação:

Professora Doutora Maria Isabel Martins Mourão Carvalhal Professora Doutora Maria Cecília Rosas Pereira Peixoto da Costa

(2)

ii

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Inter-relação entre o desenvolvimento motor e

as competências matemáticas, em crianças em

idade pré-escolar

Dissertação de Mestrado em Educação Física - Especialização em Desenvolvimento da Criança

Diana Sofia Afonso

Orientação:

Prof.ª Dra. Maria Isabel Martins Mourão Carvalhal Prof.ª Dra. Maria Cecília Rosas Pereira Peixoto da Costa

Composição do Júri:

(3)

Este trabalho foi expressamente elaborado como dissertação original para efeito de obtenção do grau de Mestre em Educação Física - Especialização em Desenvolvimento da Criança, sendo apresentado na Universidade de Trás-os- Montes e Alto Douro.

(4)

“Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não

possa ensinar”.

(5)

Agradecimentos

Uma tese de mestrado, apesar do processo solitário a que qualquer investigador está destinado, reúne contributos de várias pessoas.

Desde o início, tive o privilégio de contar com a confiança e o apoio de várias pessoas, sem as quais esta investigação não teria sido possível.

À Professora Doutora Isabel Mourão, orientadora da dissertação, agradeço o apoio, paciência, a partilha do saber e as valiosas contribuições para o trabalho.

À co-orientadora, Professora Doutora Cecília Costa, estou muito agradecida pela dedicação e disponibilidade na colaboração.

Um agradecimento especial à Professora Doutora Joana Rato pela partilha de conhecimentos e pela cedência da BANPEL, de fundamental importância para o desenvolvimento deste trabalho, pela afectuosa receção e pela total disponibilidade.

Agradeço aos meus pais por estarem sempre presentes e pela oportunidade que me concederam para que eu pudesse atingir mais uma etapa da minha formação académica e pessoal.

À minha irmã e ao meu irmão pela motivação e suporte emocional ao longo deste percurso, assim como toda a minha família, a quem agradeço de coração.

Às minhas amigas agradeço cada palavra de incentivo e ânimo ao longo deste processo. Agradeço aos pais, às educadoras que colaboraram connosco e permitiram a recolha dos dados e às crianças sem as quais não seria possível realizar este trabalho e que me receberam todos os dias com um sorriso.

(6)

Índice Geral

Agradecimentos ... iv

Índice Geral ... v

Ìndice de Tabelas ... vi

Lista de Abreviaturas... vii

Sumário ... viii

Abstrat ... x

I. INTRODUÇÃO GERAL ... 1

II. ESTUDO 1 - Efeito e interação entre idade, género e habilitações literárias dos pais no perfil motor de crianças dos 3 aos 5 anos. ... 6

III. ESTUDO 2 - Efeito e interação entre idade, género e habilitações literárias dos pais no perfil de competências matemáticas de crianças dos 3 aos 5 anos ... 20

IV. ESTUDO 3 - Relação entre as competências matemáticas e o desenvolvimento motor. 38 V. ESTUDO 4 - Variáveis motoras preditoras da gnósia digital de crianças em idade pré-escolar ... 51

VI. CONCLUSÃO GERAL ... 62

VII. SUGESTÕES ... 64

VIII. LIMITAÇÕES DO ESTUDO ... 65

IX. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 66

X. ANEXOS ... 74

Anexo 1 – Pedido autorização do estudo ... 75

Anexo 2 - Declaração de Consentimento Informado ... 76

Anexo 3 – Solicitação de informação referente às habilitações literárias dos pais ... 77

Anexo 4 – Protocolo BANPEL ... 78

(7)

Ìndice de Tabelas

Estudo 1

Tabela 1 - Caracterização da amostra em função da idade. ... 9 Tabela 2 - Caracterização dos pais em função das suas habilitações literárias... 10 Tabela 3 - Valores estandardizados e classificações para os testes e quocientes motores.... 11 Tabela 4 - Análise descritiva dos testes e quocientes motores das PDMS-2. ... 12 Tabela 5 - Análise descritiva dos resultados das PDMS-2 segundo o género e níveis classificativos... 13 Tabela 6 - Efeitos principais e interações das variáveis independentes nas PDMS-2. ... 14

Estudo 2

Tabela 1 - Caracterização da amostra em função da idade. ... 25 Tabela 2 - Caracterização dos pais em função das suas habilitações literárias. ... 25 Tabela 3 - Comparação do perfil de competências matemáticas emergentes, relativamente ao género. ... 29 Tabela 4 - Efeitos principais e interações das variáveis independentes na BANPEL. ... 30

Estudo 3

Tabela 1 - Correlação entre as competências matemáticas emergentes e o perfil motor. .... 43

Estudo 4

(8)

Lista de Abreviaturas

1º ... primeiro BANPEL ... Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Lisboa CNE ... Conselho Nacional de Educação cit. ...citado DM ...Desenvolvimento Motor E.L. ... Educational level et al. ... e outros ex. ...exemplo GLM ... modelo geral linear H.L. ... Habilitações literárias IVM ...Integração visuo-motora LO ... Locomoção Max. ... Máximo Min. ... Mínimo MO ...Manipulação de Objectos MF ...Manipulação Fina n ... número de indivíduos numa sub-amostra OCDE ... Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico p. ...página

p ... probabilidade

PDMS-2...Peabody Developmental Motor Scales 2 PO...Postura QMF...Quociente Motor Fino QMG ...Quociente Motor Grosso QMT ...Quociente Motor Total SPSS ... Statistical Package for the Social Sciences = ... igual ≤ ... menor ou igual

(9)

Sumário

No âmbito das teorias do Embodiment Cognition são vários os estudos que têm demonstrado a inter-relação entre o desenvolvimento motor e o desenvolvimento cognitivo, sustentando que a inteligência emerge de uma interação entre o organismo e o ambiente, como resultado de uma atividade sensoriomotora. Os resultados das investigações demonstram que o bom desenvolvimento das habilidades motoras facilita o funcionamento cognitivo das crianças de mais concretamente nas habilidades de leitura, linguagem e matemática.

Neste contexto, esta dissertação tem como objetivo, perceber a relação entre o desenvolvimento motor e o desenvolvimento cognitivo, em crianças em idade pré-escolar. Para o efeito, elaborámos 4 estudos.

O estudo 1 teve como objetivo verificar o efeito e interação das variáveis sociodemográficas, (idade, género, habilitações literárias (H.L.) dos pais), no perfil de desenvolvimento motor das crianças em idade pré-escolar. Contemplou uma amostra de conveniência de 38 crianças, entre os 40 e 71 meses (56.97±10.04), sendo 16 do género masculino e 22 do género feminino, de um jardim-de-infância público, de Vila Real. Para a recolha de informação relativa ao desenvolvimento motor foi utilizada a Peabody Developmental Motor Scales 2 (PDMS-2) (Folio & Fewell, 2000). As crianças evidenciaram em todos os testes e quocientes motores resultados dentro da média, demonstrando scores superiores no teste de integração visuo-motora (11.24±2.14) e no quociente motor fino (99.68±8.33). Os resultados da GLM (modelo geral linear) não registaram efeito do género em nenhum dos testes e quocientes motores, porém, as habilitações literárias do pai revelaram exercer um efeito positivo na manipulação de objetos (p=.049).

O estudo 2 tinha como objetivo verificar o efeito e interação das variáveis sociodemográficas, (idade, género, habilitações literárias dos pais), no perfil de competências matemáticas das crianças em idade pré-escolar. Foi aplicada à mesma amostra do estudo 1, a Bateria de Avaliação Neuropsicológica Pré-escolar de Lisboa (BANPEL) de Rato e Castro Caldas (2010) para avaliar o nível das competências matemáticas emergentes. Os resultados revelam um efeito significativo do género nas funções executivas (p=.016; p=.010), e da idade em todas as competências matemáticas, exceto no reconhecimento dos dedos (p=.447) e no teste de conhecimento numérico (p=.948). As habilitações literárias do pai revelaram um efeito significativo no reconhecimento dos dedos (p=.003), a interação género × H.L.pai registou um efeito significativo no teste de conhecimento numérico (p=.026) e a interação H.L.mãe ×

(10)

H.L.pai na contagem dos dedos típico (p=.014) e no teste de conhecimento numérico (p=.048).

O estudo 3 teve como objetivo perceber a relação entre o desempenho motor e as competências matemáticas emergentes, em crianças com idade pré-escolar. Foram aplicados os instrumentos BANPEL e PDMS-2 e a amostra dos estudos 1 e 2. Os resultados comprovaram correlações estatisticamente significativas entre as habilidades posturais, de locomoção, manipulação de objetos, integração visuo-motora e todas as competências matemáticas emergentes, excepto no teste de reconhecimento dos dedos e no teste de conhecimento numérico. As habilidades de manipulação fina não apresentaram relações significativas com as competências matemáticas.

O estudo 4 tinha como objetivo verificar a relação entre desempenho motor e a gnósia digital de crianças em idade pré-escolar. Foi utilizada a mesma amostra e os instrumentos mencionados nos estudos anteriores. Os resultados da regressão linear demonstram que 48,4% da variância da competência do reconhecimento dos dedos é explicada pelas tarefas que integram a PDMS-2, mas apenas os testes de locomoção (β =0,52; p=,02) e de integração vísuo-motora (β =0,46;p=,008) foram significativos.

Concluindo, o desenvolvimento motor e o desenvolvimento das competências matemáticas apresenta uma melhoria com o decorrer da idade. Rapazes e raparigas são semelhantes no desempenho motor, mas diferentes, no desempenho das competências matemáticas. O estatuto socioeconómico dos progenitores apresenta um efeito no desenvolvimento das competências matemáticas, e de uma forma mais moderada, no desenvolvimento motor das crianças. O desenvolvimento motor encontra-se positivamente e fortemente associado ao desenvolvimento cognitivo, verificando-se uma inter-relação entre a componente motora e as competências matemáticas.

Estes resultados destacam a importância do desenvolvimento das competências motoras das crianças, em idade pré-escolar, realçando a inter-relação entre o desenvolvimento motor e o desenvolvimento cognitivo, nomeadamente das competências matemáticas.

Neste sentido, uma maior atenção do poder central e local deveria dado ao ensino pré-escolar, de forma a promover e estimular o desenvolvimento multilateral e harmonioso da criança.

Palavras-chave: embodied cognition; desenvolvimento motor; variáveis sociodemográficas;

(11)

Abstrat

In the context of theories of Embodiment Cognition, several studies have shown the interrelation between motor development and cognitive development, arguing that intelligence emerges from an interaction between the organism and the environment, as a result of sensorimotor activity. The results of investigations show that the normal development of motor skills facilitates cognitive functioning of children specifically in reading, language and mathematics skills.

In this regard, this work aims to realize the relationship between motor development and cognitive development in children of preschool age. For this purpose, we have produced 4 studies.

Study 1 aims to determine the effect and interaction of sociodemographic variables (age, gender and parent’s educational level (E.L.)), in the motor development profile of these children in preschool age. The sample comprised 38 children (16 boys and 22 girls) with ages from 40 to 71 months (56.97±10.04), from a kindergarten of Vila Real. Peabody Developmental Motor Scales 2 (PDMS-2) (Folio & Fewell, 2000) was applied to assess the motor development. The children showed in all the tests and motor quotients results in average scores demonstrating better results in visual-motor integration test (11,24 ± 2,14) and fine motor quotient (99.68 ± 8,33). GLM (general linear model) results didn’t show statistically significant differences between genders in any of the tests and motor quotients. Father’s educational level revealed a positive effect on object manipulation (p=.049).

Study 2 aims to determine the effect and interaction of sociodemographic characteristics (age, gender and parent’s educational level), in the profile of mathematical skills of children in pre-school age. We used the same sample of study 1 and Portuguese Prepre-school Neuropsychological Battery (BANPEL), from Rato and Castro Caldas (2010), was applied to assess the level of emerging math skills. Results reveal a significant effect of gender on executive functions (p=.016, p =.010) and age in all mathematical skills, except in recognition of fingers (p =.447) and numeracy test (p=.948). Father’s educational level revealed a significant effect on recognition of fingers (p=.003), gender × fatherE.L. interaction recorded a significant effect on the numeracy test (p=.026) and motherE.L. × fatherE.L. interaction in typical finger counting (p=.014) and numeracy test (p = .048).

Study 3 aimed to understand the relationship between motor development and emerging math skills in children with pre-school age. We used the instruments BANPEL and PDMS-2 and

(12)

the same sample of study 1 and 2. The results showed statistically significant correlations between stationary abilities, locomotion, object manipulation, visual-motor integration and all emerging math skills, except in the recognition finger test and numeracy test. Grasping skills showed no significant relationship with mathematical skills.

Study 4 aims to investigate the relationship between de motor performance and fingers’ gnosis on preschool children. We used the same sample and instruments mentioned in the previous studies. The results of linear regression showed that 48,4% of variance in fingers’ gnosis is explained by the PDMS-2 tasks, but only the locomotion tests (β=0,52; p=0,02) and the visual-motor integration (β=0,46 ;p=0,008) were significant.

In conclusion, motor development and the development of mathematical skills have improved in the course of age. Boys and girls are similar in motor performance but different in mathematical skills. The educational level of parents has an effect on the development of mathematical skills, and a more moderately in the motor development of children. Motor development is positively and strongly associated with cognitive development, verifying an interrelationship between the motor component and mathematical skills.

These results emphasize the importance of the development of motor skills of children in pre-school age, highlighting the interrelationship between motor development and cognitive development, in particular mathematical skills.

In this regard, central and local power should give greater attention to pre-school education in order to promote and encourage multilateral and harmonious development of the child.

Keywords: embodied cognition; motor development; sociodemographic variables;

(13)

I. INTRODUÇÃO GERAL

A elevada taxa de insucesso escolar entre as crianças é uma preocupação da sociedade atual, sendo que este insucesso é maior na área da matemática (CNE, 2012). Os últimos dados da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE), de 2009, reportam que, a nível da matemática, os alunos portugueses apresentam valores inferiores à média europeia (OCDE, 2012).

Tendo em conta que as crianças se deparam com o insucesso escolar quando entram para o 1.º ciclo, somos levados a refletir sobre o seu desenvolvimento até então, e tentar perceber a origem do problema.

A discussão sobre a relação entre os aspetos globais do desempenho cognitivo e motor foi iniciada há muitos séculos atrás por Descartes, que afirmou que os processos cognitivos eram completamente diferentes dos processos motores, originando assim a teoria do dualismo cartesiano (Hatfield, 2003). Mais tarde, Piaget veio defender que os processos cognitivos e motores não podem ser vistos como entidades separadas, pois o desenvolvimento cognitivo confia totalmente no funcionamento motor (Piaget, 1952). Mais tarde, Damásio (2000) veio defender que “O corpo e o cérebro encontram-se indissociavelmente integrados por circuitos neuronais e bioquímicos reciprocamente dirigidos de um para o outro.” É desta forma que Damásio expõe o erro de Descartes, contrariando o dualismo cartesiano que faz uma “separação abissal entre o corpo e a mente, entre a substância corporal, (…) e a substância mental (…). Em concreto, a separação das operações mais refinadas da mente, para um lado, e da estrutura e funcionamento do organismo biológico, para outro” (Damásio, 2000). Para Damásio, o corpo, a mente e o cérebro são uma realidade única que funciona de modo integrado.

Com base nos estudos de Smith (2005), e de acordo com as teorias do Embodiment Cognition, podemos afirmar que a inteligência emerge de uma interação entre o organismo e o ambiente, como resultado de uma atividade sensóriomotora.

A cognição não é observável nem eficaz se não estiver ligada ao corpo e ao mundo físico além do corpo. Ou seja, a inserção da cognição num corpo físico, num mundo físico também significa que nem todo o conhecimento precisa de ser colocado na cabeça, em mecanismos dedicados, em representações; em vez disso, pode residir na interface entre o corpo e o mundo (Smith, 2005).

(14)

Esta interação vem apoiar a teoria dos chamados “períodos críticos”, que são os primeiros anos de vida das crianças, em que é necessária uma estimulação na forma de movimento e experiências sensoriais para atingir uma boa maturação do cérebro (Fonseca, 2007). As experiências não só reforçam os circuitos neurais como evitam o enfraquecimento e a morte dos mesmos, pois se as crianças não forem devidamente estimuladas nessa janela de oportunidades, o circuito cerebral poderá não desenvolver o potencial de uma função específica. Por exemplo, a janela de oportunidades para as habilidades motoras grossas vai desde o período pré-natal até aos 5 anos, e no caso das habilidades motoras finas, que se seguem às grossas, o período crítico surge, sensivelmente, após o nascimento até aos 9 anos de idade, (Gabbard, 2009).

Antes do século XXI, a visão da matemática em crianças de idades mais precoces era muito divergente. A entrada no novo século foi marcada por um aumento na atenção dada à educação da matemática em crianças desde o seu nascimento até à sua entrada na escola. "... A aprendizagem das crianças começa muito antes da entrada na escola... eles tiveram que lidar com as operações de divisão, adição, subtração, bem como a determinação do tamanho. Consequentemente, as crianças têm a sua própria aritmética pré-escolar, o que só psicólogos míopes poderiam ignorar." (Vygotsky, 1978, p.84)

Além disso, nós, seres humanos, nascemos com algumas capacidades aritméticas rudimentares. Starkey e Cooper (1980) realizaram experiências com bebés de três ou quatro dias, onde eram apresentados continuamente slides com dois pontos pretos, para os quais ao fim de algum tempo os bebés deixam de olhar, pois já tinham criado habituação aos estímulos. De seguida e sem qualquer aviso, aparece um slide com três pontos pretos e o que acontece é que os bebés reagem de imediato com um olhar fixo para o ecrã. Assim foi comprovado que, com três ou quatro dias de idade, um bebé consegue discriminar entre conjuntos de dois ou três itens, ou seja, já têm noções de magnitude.

Sabe-se também que entre os quatro e os seis meses, um bebé consegue “dizer” que um mais um são dois e dois menos um é um, e que pouco tempo depois, são capazes de “dizer” que dois mais um são três e três menos um são dois. Estas habilidades não são limitadas a estímulos visuais, pois os bebés conseguem discriminar quantidades de sons. Com três e quatro dias, sabem distinguir entre sons de duas e três sílabas. Finalmente, com aproximadamente sete meses, reconhecem a equivalência numérica entre conjuntos de objetos e batidas de tambor com o mesmo número (Lakoff & Núñez, 2000).

(15)

No mesmo sentido, alguns autores, entre eles, Butterworth (1999) e Dehaene (1997) afirmaram que os humanos nascem com circuitos cerebrais especializados na identificação de números pequenos. Butterworth (1999) afirmou que o ser humano possui um “módulo numérico” que lhe permite compreender quantidades sem recorrer à contagem, e que servirá de base ao posterior desenvolvimento de capacidades matemáticas mais complexas. Destaca ainda a capacidade de usar funcionalmente os dedos e de os representar mentalmente. Por sua vez, Dehaene (1997) defende que o indivíduo possui uma espécie de acumulador que lhe permite seguir quantidades de vários tamanhos, ainda que reconheça com maior precisão pequenos conjuntos de objetos.

Este último autor foi também o grande impulsionador do “sentido de número”, o qual denota a capacidade de imaginar e manipular magnitudes numéricas, defendendo a existência de uma linha numérica mental, espacialmente orientada, da esquerda (onde se encontram os números mais pequenos) para a direita (onde se encontram os números maiores), que é culturalmente adquirida e baseada no processo da escrita. A linha numérica está relacionada com o chamado efeito de SNARC (Spatial-Numerical Association of Response Codes), que se traduz no recurso rápido à mão esquerda para trabalhar números de pequena magnitude, e o recurso à mão direita para trabalhar números de maior magnitude, principalmente quando são se trata de números no sistema arábico (Dehaene, Bossini, & Giraux, 1993). Dehaene (1992) apresentou o modelo de representação numérica mais citado na literatura, denominado de triplo código. Este modelo assenta no pressuposto de existirem três formas de representação do número: duas simbólicas, a forma visual de números arábicos (ex: “5”) e a forma verbal palavra-número (ex: “cinco”); e a outra não simbólica, que corresponde à representação análoga de magnitude (ex: cinco pontos).

A matemática é considerada uma habilidade cognitiva geral. Uma estimulação ao nível da matemática no jardim-de-infância é preditora não só da posterior realização matemática, mas também da leitura e da alfabetização (Claessens, Duncan, & Engel, 2009; Magnuson, Ruhm, & Waldfogel, 2007). O conhecimento matemático no momento da entrada na escola é um preditor para o sucesso escolar, mais forte do que as habilidades socioemocionais (Claessens et al., 2009).

A relação existente entre os dedos e as habilidades matemáticas é uma das provas da relevância do corpo na matemática. Em 1924, Josef Gerstmann descobriu em três pacientes, que possuíam uma lesão cerebral localizada na região parietal inferior esquerda, um conjunto de quatro défices, desde então conhecidos por Síndrome de Gerstmann. Este síndrome

(16)

caracteriza-se por agnosia digital, ou seja, incapacidade de distinguir e indicar os dedos das mãos; desorientação entre direita e esquerda; agrafia e discalculia, resultantes de uma lesão cerebral localizada na região parietal inferior esquerda (Gerstmann, 1940). A partir daqui, foram realizadas muitas investigações com base nestes dados. Desta forma, descobriu-se que as regiões do cérebro associadas à representação dos dedos são ativadas durante tarefas que requerem a representação dos números, ou seja, estas funções são suportadas pelo mesmo circuito neural (Penner-Wilger & Anderson, 2013; Rusconi, Walsh, & Butterworth, 2005). Uma boa capacidade de reconhecimento dos dedos permite um mapeamento mais preciso entre os números (representação simbólica) e a sua magnitude (representação não simbólica) (Penner-Wilger et al., 2009), assim como melhor capacidade de contagem e de realização de problemas aritméticos simples (Penner-Wilger et al., 2007a). Além das aquisições matemáticas, favorece também as capacidades de orientação, nomeadamente no reconhecimento de direita/esquerda (Penner-Wilger & Anderson, 2008.). Estudos realizados por Gracia-Bafalluy and Noël (2008) comprovaram que um programa de treino de diferenciação dos dedos leva a um aumento no desempenho de três habilidades numéricas: o

subitizing, a ordinalidade e a contagem dos dedos. O termo subitizing refere-se à capacidade

de enumerar rapidamente pequenos conjuntos sem recorrer à contagem (Penner-Wilger et al., 2009),

O estudo de Moeller et al. (2012) sugere fortemente que o conceito de embodied numerosity não se limita ao caso da representação dos dedos, mas pode, e deve ser generalizada a outras associações específicas de experiências corporais e números.

Num estudo onde investigaram a aprendizagem dos verbos, Maouene, Hidaka, e Smith (2006) chegaram à conclusão que os primeiros verbos a serem aprendidos são aqueles que estão relacionados com as partes do corpo, ou seja, as crianças quando executam as ações referentes aos verbos, tendem a perceber melhor o seu significado. A idade revelou-se importante neste processo, pois aos 21 meses, os verbos que envolvem ações da boca e lábios representam 47% dos verbos conhecidos nesta idade, e o aumento da aprendizagem dos 22 aos 24 meses está relacionado quase por completo com ações por parte dos membros (86% de todos os novos significados). Desta forma, as experiências vividas ao longo da idade, que são cada vez mais variadas, influenciam fortemente a compreensão dos verbos. Sabe-se também que o córtex motor primário é criticamente envolvido no processamento de verbos de ação, quando é simulado o movimento correspondente (Tomasino, Fink, Sparing, Dafotakis, & Weiss, 2008).

(17)

Vários estudos demonstram que capacidades motoras bem desenvolvidas facilitam o funcionamento cognitivo das crianças (Murray et al., 2006; Piek, Dawson, Smith, & Gasson, 2008) e mais concretamente as suas habilidades académicas de leitura, linguagem e matemática (Pagani & Messier, 2012; Viholainen et al., 2006).

Sabe-se também que crianças com dificuldades de aprendizagem apresentam um nível de desenvolvimento motor abaixo das crianças com desenvolvimento normal (Moreira, Fonseca, & Diniz, 2000; Silva & Beltrame, 2011; Westendorp, Hartman, et al., 2014).

Alguma investigação tem vindo a ser realizada, acerca da relação do desenvolvimento/competência motora e as dificuldades de aprendizagem, ou capacidades intelectuais, porém, relativamente às competências matemáticas em idade pré-escolar, os estudos são raros ou mesmo inexistentes.

A constatação desta realidade revela uma grande lacuna na investigação, uma vez que a idade pré-escolar é a idade ideal para otimizar e estimular o bom desenvolvimento das crianças, nos diferentes domínios (Fonseca, 2007) e sabe-se também que as competências numéricas fundamentais se desenvolvem antes do primeiro ano de escolaridade, sendo estas altamente preditivas de dificuldades matemáticas e realização matemática (Jordan, Glutting, & Ramineni, 2010).

Um diagnóstico atempado das crianças com problemas nas competências matemáticas emergentes, e com grande probabilidade de virem a apresentar dificuldades de aprendizagem na matemática, torna mais fácil uma intervenção precoce junto destas crianças.

Tendo em conta estes factos, questionámo-nos sobre a questão o facto de habilidades motoras estarem ou não diretamente relacionadas com as competências matemáticas das crianças, entre os 3 e os 5 anos. Assim surgiu o tema desta investigação: Inter-relação entre o desenvolvimento motor e as competências matemáticas, em crianças em idade pré-escolar. A presente dissertação está organizada em quatro estudos que contemplam os seguintes objetivos: (i)- verificar o efeito e interação das variáveis sociodemográficas, (idade, género, habilitações literárias dos pais), no perfil de desenvolvimento motor e nas competências matemáticas emergentes; (ii)- analisar a relação entre desempenho motor e as competências matemáticas emergentes; e (iii)- verificar a inter-relação entre desempenho motor e a gnósia digital de crianças em idade pré-escolar.

(18)

II. ESTUDO 1 - Efeito e interação entre idade, género e habilitações literárias dos pais no perfil motor de crianças dos 3 aos 5 anos.

Sumário

O desenvolvimento motor é um conjunto de processos de mudança que têm lugar no comportamento motor, durante todo o ciclo de vida. As alterações nos padrões de movimento mudam drasticamente durante os primeiros 10 anos de vida, mostrando ritmos de desenvolvimento diferentes de criança para criança.

O presente estudo tem como objetivo verificar o efeito e interação da idade, do género e das habilitações literárias dos pais, no perfil de desenvolvimento motor destas crianças em idade pré-escolar.

Foi utilizada uma amostra de conveniência que englobou 38 crianças com idades compreendidas entre 40 e 71 meses (56.97±10.04), sendo 16 do género masculino e 22 do género feminino, de um jardim-de-infância público, de Vila Real. Para a recolha de informação relativa ao desenvolvimento motor foi utilizada a Peabody Developmental Motor

Scales 2 (PDMS-2) (Folio & Fewell, 2000). A informação sobre as habilitações literárias dos

pais foi solicitada por escrito aos mesmos.

Os resultados revelam que em todos os testes e quocientes motores, as crianças se encontram dentro da média, tendo sido obtidos melhores resultados no teste de integração visuo-motora (11.24±2.14) e no quociente motor fino (99.68±8.33 Os resultados da GLM não registaram efeito do género em nenhum dos testes e quocientes motores, porém, as habilitações literárias do pai revelaram exercer um efeito positivo na manipulação de objetos (p=.049).

Palavras-chave: desenvolvimento motor; variáveis sóciodemográficas; educação pré-escolar;

PDMS-2.

Abstrat

Motor development is a set of shift processes which take place in motor behavior, throughout the life cycle. Changes in movement and movement patterns change dramatically during the first 10 years of life, showing different rates of development from child to child.

This study aims to determine the effect and interaction of age, gender and parent’s educational level, in the motor development profile of these children in preschool age.

(19)

The sample comprised 38 children (16 boys and 22 girls) with ages from 40 to 71 months (56.97±10.04), from a kindergarten of Vila Real. Peabody Developmental Motor Scales 2 (PDMS-2) (Folio & Fewell, 2000) was applied to assess the motor development. Information of parent’s educational level was requested in writing to them.

All the tests and motor quotients are in the average, and in visual-motor integration test (11,24 ± 2,14) and fine motor quotient (99.68 ± 8,33) the children get the highest scores. Comparing the groups, there were no statistically significant differences between genders in any of the tests and motor quotients.

Keywords: motor development; sociodemographic variables; preschool education; PDMS-2.

Introdução

O desenvolvimento motor é um conjunto de processos de mudança que têm lugar durante toda a vida, especialmente na infância e na adolescência (Barreiros & Neto, 2007). Durante os primeiros 10 anos de vida verificam-se alterações drásticas no movimento e nos padrões de movimento, com ritmos de desenvolvimento diferentes de criança para criança, ou seja, têm uma forte variabilidade inter-individual e com diferenças de grupo para grupo (Barreiros & Neto, 2007). Três grandes grupos de factores actuam neste processo de diferenciação: (1) os factores biológicos que determinam aptidões específicas, limites à performance, e tendências de desenvolvimento, (2) os factores socioculturais, que orientam em parte as opções de desenvolvimento individual, de grupos, e mesmo de género e (3) a acumulação de experiência motora, quer esta seja facultada de forma organizada ou estruturada, quer de forma não estruturada ou informal.

O desenvolvimento motor pode ser visto pelo desenvolvimento progressivo das habilidades de movimento, ou seja, a abertura para o desenvolvimento motor é dada através do comportamento de movimento observável do sujeito (Gallahue & Ozmun, 2005).

São vários os instrumentos de avaliação de desenvolvimento motor referidos na literatura, entre os quais o Teste de desenvolvimento motor grosso (TDMG-2), o Teste de proficiência motora de Bruininks-Oseretsky - segunda edição (BOT2), a Bateria de avaliação do movimento para crianças (M-ABC). As escalas Peabody Developmental Motor Scales-2 (PDMS-2) (Folio & Fewell, 2000) são um instrumento muito utilizado no âmbito da avaliação do desenvolvimento motor infantil, que permitem avaliar a execução das habilidades motoras finas e grossas de crianças até aos 71 meses de idade.

(20)

O desenvolvimento motor surge interligado com outras áreas do desenvolvimento humano, nomeadamente cognitivo, afectivo, social e físico. Atrasos, desvios e alterações na aquisição das habilidades motoras de estabilidade, locomotoras e manipulativas levam a défices nos outros níveis (American Academy of Pediatrics, 2001; Gallahue & Ozmun, 2005; Haywood & Getchell, 2004).

De acordo com o modelo teórico de desenvolvimento motor de Gallahue (1989) a criança passa por diferentes fases de desenvolvimento: movimentos reflexos (desde a fase uterina até 1 ano), movimentos rudimentares (1 aos 2 anos), movimentos fundamentais (2 aos 7 anos) e movimentos especializados (a partir dos 7 anos).

O desenvolvimento começa com reflexos primitivos, progride para movimentos posturais, locomotores e, finalmente, para movimentos manipulativos (Utley & Astill, 2008).

As crianças, em idade pré-escolar, estão envolvidas no processo de desenvolvimento e de aperfeiçoamento das habilidades motoras fundamentais numa enorme variabilidade de movimentos de estabilidade, locomotores e manipulativos (Gallahue & Ozmun, 2005). O processo de desenvolvimento da competência motora está relacionado com a idade, mas não depende dela (Gallahue, 2002). Por esse motivo, elas precisam de se envolver em muitas experiências coordenadas e efetivas em termos de desenvolvimento, encaminhadas para aumentar o nível de conhecimento do corpo e do seu potencial para o movimento (Gallahue & Ozmun, 2005)

Em alguns estudos onde foram utilizadas as Peabody Developmental Motor Scales 2 (PDMS-2), as crianças evidenciaram melhores resultados no quociente motor fino relativamente ao quociente motor grosso (Afonso, 2010; Melo, 2011; Saraiva & Rodrigues, 2009). Outros estudos com outro tipo de instrumentos e crianças de diferentes idades obtiveram os mesmos resultados (Baltieri et al., 2010).

Diferenças do género no desenvolvimento de habilidades motoras fundamentais têm sido frequentemente estudadas. Estas diferenças são atribuídas a fatores biológicos e ambientais (Gabard, 2000; Gallahue, 1982).

Na infância, os melhores desempenhos dos meninos quando comparados com meninas da mesma idade, são explicados com base em factores socioculturais. Mais especificamente, as crianças do sexo masculino são mais desenvolvidas ao nível das habilidades de controlo de objetos (Goodway, Crowe, & Ward, 2003; Goodway, Robinson, & Crowe, 2010; Valentini, 2002), e das habilidades motoras grossas em geral (Pahlevanian & Ahmadizadeh, 2014;

(21)

Villwock, 2005). Por outro lado, as raparigas são melhores ao nível da motricidade fina (Pahlevanian & Ahmadizadeh, 2014). Os diferentes tipos de brinquedos, os incentivos e a estimulação diferenciada para os meninos e meninas proporciona experiências mais ativas e dinâmicas para o sexo masculino, enquanto que para as meninas as atividades são mais sedentárias que desenvolvem a interação e a motricidade fina (Blakemore & Centers, 2005). Os primeiros anos de vida são, assim, determinantes para o processo de aquisição das habilidades que constituem a base da evolução humana fundamental e especializada (Fonseca, 2005).

Na visão de Seabra, Mendonça, Thomis, Peters, e Maia (2008) e Carvalhal (2000), a família, onde se inclui pais e irmãos, tem sido identificado como o primeiro e o principal agente de socialização na transmissão de comportamentos e estilo de vida ativa, existindo uma associação estreita entre a actividade desenvolvida pelos progenitores e seus descendentes. O presente estudo pretende contribuir para um melhor conhecimento do nível do desenvolvimento motor, das crianças em idade pré-escolar. Neste sentido foi definido como objetivo verificar o efeito e interação da idade, do género e das habilitações literárias dos pais, no perfil de desenvolvimento motor destas crianças.

Metodologia

Amostra

A amostra desde estudo é de conveniência e englobou 38 crianças com idades compreendidas entre 40 e 71 meses (56.97±10.04), sendo 16 do género masculino e 22 do género feminino, de um jardim-de-infância público, de Vila Real. Na tabela 1, apresenta-se o número de crianças para cada idade, em meses.

Tabela 1 - Caracterização da amostra em função da idade.

3 anos (36-47 meses) 4 anos (48-59 meses) 5 anos (60 a 71 meses)

n 11 10 17

(22)

A tabela 2 caracteriza os pais das crianças que constituiram a amostra, tendo em conta as suas habilitações literárias.

Tabela 2 - Caracterização dos pais em função das suas habilitações literárias.

1ºciclo 2ºciclo 3ºciclo Secundário Licenciatura Mestrado Doutoramento

H.L.mãe (n) 0 2 6 13 11 3 3

H.L.pai (n) 2 3 12 10 5 3 3

Pela análise da tabela 2, verificamos que as mães têm um nível de instrução mais elevado, maioritáriamente ao nível do secundário e licenciatura, comparativamente aos pais, que relizaram na sua maioria o 3º ciclo e secundário. Por sua vez, a nível de mestrado e doutoramente, há uma total homogeneidade.

Procedimentos e Instrumentos de avaliação

Para proceder à recolha de informação relativamente ao desenvolvimento motor, foi utilizada a versão Peabody Developmental Motor Scales 2 (PDMS-2) (Folio & Fewell, 2000). Esta escala encontra-se adaptada e validada para as crianças portuguesas, em idade pré-escolar, por Saraiva, Rodrigues e Barreiros (2011b).

É adequada para crianças dos 0 aos 71 meses e contém 5 subtestes: habilidades posturais, locomoção, manipulação de objetos, integração visuo-motora e manipulação fina.

O valor resultante da soma de todos os itens em cada subteste é localizado na tabela de referência para a idade, que vai corresponder a um valor estandardizado e a um valor percentílico. Com este último, é possível realizar uma comparação entre as idades, e através da soma dos valores estandardizados dos subtestes agrupados é possível obter o quociente motor total (QMT), o quociente motor fino (QMF) ou o quociente motor grosso (QMG), consultando outra tabela.

Os valores estandardizados podem ser convertidos numa classificação qualitativa com 7 categorias (do “Muito Bom” ao “Muito Fraco”), conforme ilustra a tabela 3.

(23)

Tabela 3 - Valores estandardizados e classificações para os testes e quocientes motores.

Testes (Standard Scores)

Quocientes

(Standard Scores) Classificação

17-20 131-165 Muito Bom 15-16 121-130 Bom 13-14 111-120 Acima da Média 8-12 90-110 Média 6-7 80-89 Abaixo da Média 4-5 70-79 Fraco 1-3 35-69 Muito Fraco

Os resultados desta escala são assim expressos em três domínios do comportamento motor: 1) o quociente motor grosso (QMG) que é obtido através dos resultados dos três subtestes que avaliam a utilização de grandes grupos musculares, nomeadamente o subteste reflexos, no caso de crianças até aos 12 meses, posturais, locomoção e manipulação de objetos, para crianças a partir dos 12 meses; 2) o quociente motor fino (QMF) que é uma composição dos resultados de dois subtestes que avaliam o uso de pequenos grupos musculares, manipulação fina e integração visuo-motora; 3) o quociente motor global (QMT) que é a combinação dos resultados do QMG e do QMF, sendo a melhor estimativa das capacidades motoras globais. A administração da PDMS-2 decorreu num local calmo, amplo e livre de distrações, em que cada criança foi avaliada de forma individual e num só momento. A aplicação da PDM-2 tem uma duração média de 50 a 60 minutos.

Todas as crianças envolvidas no estudo foram autorizadas previamente pelos encarregados de educação para realizar as avaliações.

A informação sobre as habilitações literárias dos pais foi solicitada por escrito aos mesmos.

Análise Estatística

A análise estatística foi realizada com recurso ao Statistical Package for the Social Sciences - SPSS, versão 21.0. Inicialmente, aplicou-se o teste Kolmogorov-Smirnov, de forma a verificar a normalidade dos dados. Posteriormente, foi realizada uma análise descritiva dos dados, através das medidas de tendência central (média) e de dispersão (valor mínimo e máximo, desvio padrão e variância) para as variáveis numéricas e da frequência e da

(24)

percentagem, para as variáveis categóricas. Foi aplicado o modelo geral linear (GLM), de forma a verificar a interação entre variáveis, introduzindo como covariável a idade, e como variáveis fator o género (masculino; feminino) e as habilitações literárias do pai e da mãe (1º ciclo, 2º ciclo e 3º ciclo; secundário, licenciatura, mestrado e doutoramento). O nível de significância foi de 5% (p≤0,05).

Para verificar a fiabilidade dos dados realizou-se o teste re-teste tendo sido obtido o valor de α=.941, pelo que assumimos uma fiabilidade elevada.

Apresentação dos Resultados

Análise descritiva

Os valores médios das pontuações adaptadas à idade, o desvio padrão, os valores mínimo e máximo respeitante aos testes e quocientes motores das PDMS-2 são apresentados na tabela 4.

Tabela 4 - Análise descritiva dos testes e quocientes motores das PDMS-2.

n Média Desvio Padrão Min - Max Testes (Standard scores) Postura (PO) 38 10,55 2,21 7-16 Locomoção (LO) 38 9,58 1,95 5-13

Manipulação Objectos (MO) 38 8,00 1,63 6-12

Manipulação Fina (MF) 38 8,66 2,15 3-13

Integração visuo-motora (IVM) 38 11,24 2,14 6-15 Quocientes Motores

(Quocient scores)

Quociente Motor Grosso (QMG) 38 96,16 8,60 74-113 Quociente Motor Fino (QMF) 38 99,68 8,33 79-118 Quociente Motor Total (QMT) 38 97,05 8,10 82-112

A partir da tabela 4, numa breve análise, verificámos que todos os valores encontrados nos testes e quocientes motores se encontram dentro da média, tendo em conta os valores de valores estandardizados e classificações para os testes e quocientes motores, que constam na tabela 1. Mais especificamente, a amostra obteve melhores resultados no teste de IVM (11.24±2.14) e no QMF (99.68±8.33). Os piores resultados foram obtidos no teste de MO (8.00±1.63), de MF (8.66±2.15), de LO (9.58±1.95) no QMG (96.16±8.60) e QMT (97.05±8.10).

(25)

Na tabela 5, estão registados os resultados das PDMS-2, de acordo com o género dos sujeitos, para cada índice de classificação.

Tabela 5 - Análise descritiva dos resultados das PDMS-2 segundo o género e níveis classificativos. Muito Bom Bom Acima média Média Abaixo média Fraco Muito Fraco n % n % n % n % n % n % n % T es te s PO M 1 6.3 1 6.3 12 65 2 12.5 F 2 9.1 2 9.1 16 72.7 2 9.1 Total 3 7.9 3 7.9 28 73.7 4 10.5 LO M 2 12.5 14 87.5 F 2 9.1 17 77.3 2 9.1 1 4.5 Total 4 10.5 31 81.6 2 5.3 1 2.6 MO M 11 68.8 5 31.3 F 8 36.4 14 63.6 Total 19 50.0 19 50.0 MF M 13 81.3 3 18.8 F 1 4.5 14 63.6 5 22.7 1 4.5 1 4.5 Total 1 2.6 27 71.1 8 21.1 1 2.6 1 2.6 IVM M 3 18.8 12 75.0 1 6.3 F 3 13.6 4 18.2 15 68.2 Total 3 7.9 7 18.4 27 71.1 1 2.6 QMF M 14 87.5 1 6.3 1 6.3 F 3 13.6 18 81.8 1 4.5 Total 3 7.9 32 84.2 2 5.3 1 2.6 QMG M 1 6.3 11 31.3 4 25 F 1 4.5 15 68.2 5 22.7 1 4.5 Total 2 5.3 26 68.4 9 23.7 1 2.6 QMT M 1 6.3 12 75.0 3 18.5 F 17 77.3 5 22.7 Total 1 2.6 29 76.3 8 21.1 M – Masculino; F – Feminino.

(26)

Nos testes de PO e LO, as crianças apresentam valores dentro da média, 73.7% e 81.6%, respetivamente. Por sua vez, nos testes de MO 50% das crianças encontra-se na média e 50% abaixo da média. Nos testes de MF, 21,1% das crianças encontram-se abaixo da média, 2.6% no nível fraco e 2.6% muito fraco. Nos testes de IVM, 7.9% das crianças encontram-se na classificação de bom e 18.4% acima da média.

No que respeita aos quocientes, no QMG, as crianças apresentam mais classificações abaixo da média do que acima, com 23.7% das crianças abaixo da média e 2.6% com classificação de fraco. Também, no QMT, as crianças apresentam mais classificações abaixo da média do que acima, com 21.1% das crianças abaixo da média. No QMF a percentagem de casos é a mesma abaixo e acima da média.

A tabela 6 apresenta os efeitos principais e as interações obtidos pela GLM.

Tabela 6 - Efeitos principais e interações das variáveis independentes nas PDMS-2.

PO LO MO IVM MF QMT QMG QMF Efeitos Principais - Idade .004* .755 .691 .588 .042* .146 .045* .011* - Género .498 .388 .259 .283 .637 .218 .518 .138 - H.L.Mãe .241 .172 .500 .445 .537 .124 .165 .999 - H.L.Pai .607 .198 .049* .116 .303 .085 .087 .708 Interações 2 níveis - Género × H.L.Mãe .776 .073 .144 .972 .976 .096 .229 .932 - Género × H.L.Pai .210 .449 .611 .389 .332 .993 .629 .688 - H.L.Mãe × H.L.Pai .822 .336 .277 .471 .525 .400 .776 .084 H.L. - Habilitações Literárias * significativo para p ≤ 0,05

Tal como se pode constatar, os resultados demonstraram um efeito significativo da idade nas habilidades de postura (p=,004), de manipulação fina (p=.042), no quociente motor global (p=.045) e no quociente motor fino (p=.011); e das habilitações literárias do pai na manipulação de objetos (p=.049). Por sua vez, o género e as habilitações literárias da mãe não revelaram efeito significativo em nenhuma das variáveis. No que respeita aos resultados das interações género × H.L.mãe, género × H.L.Pai e H.L.Mãe × H.L.Pai, também não se registou qualquer efeito nas variáveis.

(27)

Discussão dos resultados

No que diz respeito aos valores obtidos nos quocientes motores, apesar de não significativos, verificámos valores de QMG, inferiores aos do QMF, à semelhança dos resultados encontrados por Saraiva e Rodrigues (2009), Afonso (2010) e Melo (2011). Estes resultados vêm confirmar que o crescente desenvolvimento tecnológico afetou o estilo de vida das pessoas alterando de diferentes formas a cultura corporal dos indivíduos. Por outro lado, as crianças têm cada vez menos espaço e tempo para brincar e se movimentar (Lucca, 2006), reduzindo as oportunidades de desenvolvimento dos movimentos amplos, como correr, trepar e saltar, estimulando os movimentos finos, como recortar e pintar, que se conseguem realizar num espaço reduzido.

Se considerarmos o Modelo Teórico de Gallahue e Ozmun (2005), as crianças do estudo situam-se na fase dos movimentos fundamentais, tendo em conta a sua idade, pelo que os resultados do QMG deveriam ser superiores aos do QMF. Os movimentos prevalentes nesta fase são os de motricidade grossa, apesar de já existem movimentos manipulativos, estes são pouco refinados.

O estudo de Melo (2011) confirma que, culturalmente, parecem ser propostas atividades motoras mais globalizantes para os meninos, o que explica a existência de influência do género na manipulação de objetos, superior nos rapazes, e mais atividades específicas e refinadas para as meninas.

No entanto, os resultados dos quocientes motores, da PO, LO, IVM e MF encontram-se predominantemente dentro da média para ambos os géneros, o que é perceptível uma vez que se trata de crianças sem atrasos nem patologias diagnosticadas. Os resultados da MO encontram-se de igual forma abaixo e dentro da média. Estes resultados podem justificar-se pelo facto de o desenvolvimento motor não depender somente da maturação motora da criança, mas também do espaço físico que estas têm para brincar, dos brinquedos disponíveis e dos ambientes, escolar e, principalmente familiar a que elas pertencem (Berleze, Bonfanti Haeffner, & Valentini, 2007), ou seja, estas crianças podem não ter sido muito estimuladas em termos de manipulação de objetos.

O efeito do género não se faz sentir em nenhum dos testes, nem nos quocientes motores. Este resultado que vai de encontro à teoria de Barreiros e Neto (2007), que diz que, na maioria das representações quantitativas da performance motora, a diferenciação entre género segue uma tendência geral em que há uma diferença muito ligeira até aos 4-5 anos, seguida de uma

(28)

acentuação das diferenças pontuais entre os 6 e os 10 anos, dando-se uma evolução significativamente mais rápida dos rapazes a partir do salto pubertário e ao longo da adolescência.

No entanto, os nossos resultados contrariam as conclusões encontradas por Saraiva, Rodrigues, Cordovil, e Barreiros (2013a), em que o género se destacou como um dos principais preditores da performance motora.

Melo (2011) e Saraiva, Rodrigues, Cordovil, e Barreiros (2013b) nos seus estudos concluíram que os rapazes apresentam valores superiores às raparigas no teste motor de MO, e estas têm valores superiores na IVM, sendo estas diferenças estatisticamente significativas. O facto de, no nosso estudo, o género não influenciar o desenvolvimento motor, permite-nos sugerir que, nesta amostra, os factores socioculturais, tal como o estereótipo do papel do género, podem estar a perder força na influência que exercem no comportamento e desenvolvimento motor das crianças, contrariamente aos estudos anteriores de Afonso (2010), Melo (2011), Fernandes (2011) e Saraiva et al. (2013b). Pensamos que a informação proveniente da investigação realizada sobre esta temática tem vindo a criar uma maior sensibilização e uma mudança de mentalidades dos profissionais e dos pais, relativamente ao tipo de atividades e brinquedos propostos, atenuando a diferenciação entre rapazes e raparigas.

No que respeita à variável idade, esta exerce influência no perfil motor. À medida que vão ficando mais velhas, as crianças vão melhorando as suas habilidades motoras finas e grossas, nomeadamente na postura, e na manipulação fina. No seu estudo, Saraiva et al. (2013a), utilizando o mesmo instrumento e uma amostra com a mesma idade, também destacaram a idade em meses como um dos principais preditores da performance motora. Estes resultados eram esperados, pois as crianças, em idade pré-escolar, estão envolvidas no processo de desenvolvimento e de aperfeiçoamento das habilidades motoras fundamentais numa enorme variabilidade de movimentos de estabilidade, locomotores e manipulativos (Gallahue & Ozmun, 2005).

Carvalhal (2000) considera que a família seja o agente sociocultural mais importante na vida de uma criança, sendo que existe uma interação diária entre ambos. No nosso estudo, as habilitações literárias da mãe não demonstram nenhum efeito sobre o desenvolvimento motor das crianças. A literatura retrata, no entanto, uma realidade diferente, como é o caso do estudo de Melo (2011) onde as habilitações literárias da mãe se apresentaram como uma das variáveis com maior influência positiva com o QMT e o QMF, nos testes PO e MF, sendo que

(29)

exerceu mais influência que as variáveis biológicas. Esta tese é apoiada por vários estudos que comprovaram um aumento do risco de atraso motor relacionado com a diminuição da escolaridade da mãe (Andraca, Pino, La Parra, & Castilho, 1998; Halpern, Giugliani, Victora, Barros, & Horta, 2002; Santos et al., 2009). Ao contrário do que a literatura reporta, no nosso estudo as habilitações literárias do pai evidenciaram uma influência positiva na habilidade de MO.

Conclusões

Podemos concluir com este estudo que as crianças em idade pré-escolar se encontram dentro da média ao nível do desenvolvimento motor, sendo esta uma conclusão positiva pela importância que este fator tem na vida das mesmas. Contudo, sendo esta idade considerada a “idade de ouro”, julgamos que, se fossem otimizadas as oportunidades de estimulação, seria possível que estas crianças atingissem níveis superiores no seu perfil motor, o que seria vantajoso para outras áreas do desenvolvimento, como cognitivo, afetivo e social.

Neste estudo, a idade revelou ser a variável mais determinante no desempenho motor de crianças em idade pré-escolar. No entanto, é difícil um consenso com a literatura, uma vez que os resultados são contraditórios, talvez devido à variedade de instrumentos utilizados para avaliação.

Referências Bibliográficas

Afonso, C. S. C. (2010). Relação entre as oportunidades de estimulação presentes na casa

familiar e o desenvolvimento motor de crianças dos 19 aos 42 meses. (Dissertação de

Mestrado), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real.

American Academy of Pediatrics, Committee on Children With Disabilities. (2001). Developmental Surveillance and Screening of Infants and Young Children. Pediatrics,

108(1), 192-195. doi: 10.1542/peds.108.1.192

Andraca, I., Pino, P., La Parra, A., & Castilho, M. (1998). Factores de riesgo pára el desarrollo psicomotor em lactantes nacidos em óptimas condiones biológicas. Revista

de Saúde Pública, 32, 138-147.

Baltieri, Letícia, Santos, Denise Castilho C., Gibim, Nathália Copoli, Souza, Carolina Tarcinalli, Batistela, Ana Carolina T., & Tolocka, Rute Estanislava. (2010). Desempenho motor de lactentes frequentadores de berçários em creches públicas.

Revista Paulista de Pediatria, 28, 283-289.

Barreiros, J, & Neto, C. (2007). O Desenvolvimento Motor e o Género.

(30)

Berleze, Adriana, Bonfanti Haeffner, Léris Salete, & Valentini, Nadia Cristina. (2007). Motor performance of obese children: an investigation of the process and product of basic motor abilities. 2007, 9(2), 134-144. doi: 10.5007/4054

Carvalhal, I.M.M. (2000). Efeito da interacção das Variáveis Sócio-Culturais, Biológicas e

Motoras na Prestação das Habilidades de Corrida, Lançamento, Salto e pontapé em Crianças de 7 e 8 anos de idade. (Tese de Doutoramento), Universidade de Trás os

Montes e Alto Douro, Vila Real.

Fernandes, M. J. . (2011). Estudo Exploratório da Peabody Developmental Motor Scales-2

(PDMS-2), dos 36 aos 71 meses de idade. (Dissertação de Mestrado), Faculdade de

Motricidade Humana, Lisboa.

Folio, M. R., & Fewell, R. R. (2000). Peabody Developmental Scales. Second Edition.

Examiner´s Manual. Austin, Texas: Pro-ed.

Fonseca, V. d. (2005). Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem. Lisboa: Âncora Editora Gabard, C. P. . (2000). Lifelong motor development. (3ª ed.). Boston: Allyn & Bacon.

Gallahue, D. (1982). Motor development and movement experiences for children. New York: Wiley & Sons.

Gallahue, D. (2002). Desenvolvimento motor e aquisição da competência motora na Educação de Infância. In B. Spodek (Ed.), Manual de Investigação em Educação de

Infância. (pp. 49-83). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

Gallahue, D. . (1989). Understanding motor development: infants, children, adolescents. (2ª ed.). Indianópolis: Brown & Benchmark Publishers.

Gallahue, D. , & Ozmun, J. (2005). Compreendendo o Desenvolvimento Motor. Bebês,

crianças, adolescentes e adultos. (3 ed.). São Paulo: Phorte.

Goodway, J., Crowe, H., & Ward, P. (2003). Effects of Motor Skill Instruction on Fundamental Motor Skill Development. Adapted Physical Activity Quarterly, 20, 298-314.

Goodway, Jacqueline D., Robinson, Leah E., & Crowe, Heather. (2010). Gender Differences in Fundamental Motor Skill Development in Disadvantaged Preschoolers From Two Geographical Regions. Research Quarterly for Exercise and Sport, 81(1), 17-24. doi: 10.1080/02701367.2010.10599624

Halpern, Ricardo, Giugliani, Elsa R. J., Victora, Cesar G., Barros, Fernando C., & Horta, Bernardo L. (2002). Fatores de risco para suspeita de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor aos 12 meses de vida. Revista chilena de pediatría, 73, 529-539. Haywood, M., & Getchell, N. . (2004). Desenvolvimento motor ao longo da vida. (3ª Ed.).

Porto Alegre: Artmed.

Melo, A. S. L. (2011). Influência das variáveis biológicas e socioculturais no perfil motor de

crianças dos 36 aos 71 meses. (Dissertação de Mestrado), Universidade de

Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real.

Pahlevanian, A. A., & Ahmadizadeh, Z. (2014). Relationship Between Gender and Motor Skills in Preschoolers. Middle East J Rehabil Health, 1(1), e20843. doi: 10.5812/mejrh.20843

Santos, DCC, Tolocka, RE, Carvalho, J, Heringer, LRC, Almeida, CM, & Miquelote, AF. (2009). Desempenho motor grosso e sua associação com fatores neonatais, familiares e de exposição à creche em crianças até três anos de idade. Brazilian Journal of

Physical Therapy, 13, 173-179.

Saraiva, L., & Rodrigues, L. . (2009). Peabody Development Motor Scales (PDMS-2):

Validação preliminar para a população pré-escolar Portuguesa. Paper presented at

the Actas do 1º Congresso Internacional de Aprendizagem na Educação de Infância, V. N. Gaia.

(31)

Saraiva, L., Rodrigues, L. P., & Barreiros, J. (2011). Adaptação e Validação da versão Portuguesa Peabody Developmental Motor Scales-2: Um estudo com crianças pré-escolares. R. da Educação Física, 22, 511-521.

Saraiva, L., Rodrigues, L. P., Cordovil, R., & Barreiros, J. (2013a). Influence of age, sex and somatic variables on the motor performance of pre-school children. Annals of Human

Biology, 40(5), 444-450. doi: doi:10.3109/03014460.2013.802012

Saraiva, L., Rodrigues, L. P., Cordovil, R., & Barreiros, J. (2013b). Motor profile of Portugueses preschool children on the Peabody Developmental Motor Scales-2: A cross-cultural study. Research in Developmental Disabilities, 34, 1966-1973. doi: 10.1016/j.ridd.2013.03.010

Seabra, André F., Mendonça, Denisa M., Thomis, Martine A., Peters, Tim J., & Maia, José A. (2008). Associations between sport participation, demographic and socio-cultural

factors in Portuguese children and adolescents (Vol. 18).

Utley, A. , & Astill, S. . (2008). Motor control, learning and development. New York: Taylor & Francis Group.

Valentini, N. C. (2002). Percepções de Competência e Desenvolvimento Motor de meninos e meninas: um estudo transversal. Movimento, 8, 51-62.

Villwock, G. (2005). O estudo Desenvolvimentista da Percepção de Competências Atlética,

da Orientação Motivacional, da Competência Motora e sua Relação em Crianças de Escolas Públicas. (Dissertação de Mestrado), Universidade Federal do Rio Grande do

(32)

III. ESTUDO 2 - Efeito e interação entre idade, género e habilitações literárias dos pais no perfil de competências matemáticas de crianças dos 3 aos 5 anos

Sumário

Estudos que avaliam as influências das variáveis sociodemográficas na cognição humana têm vindo a ganhar maior espaço na literatura internacional recente. Fatores como a idade, escolaridade e género podem ser importantes moduladores de performance em instrumentos neuropsicológicos sobretudo em crianças e adolescentes. O presente estudo tem como objetivo verificar o efeito e interação de algumas das principais características sociodemográficas, como a idade, o género e as habilitações literárias dos pais, no perfil de competências matemáticas das crianças em idade pré-escolar.

Foi utilizada uma amostra de conveniência que englobou 38 crianças com idades compreendidas entre 40 e 71 meses (56.97±10.04), sendo 16 do género masculino e 22 do género feminino, de um jardim-de-infância público, de Vila Real. Recorreu-se à Bateria de Avaliação Neuropsicológica Pré-escolar de Lisboa (BANPEL) de Rato e Castro Caldas (2010) para avaliar o nível das competências matemáticas emergentes.

Os resultados da GLM revelam um efeito significativo do género nas funções executivas (p=.016; p=.010) e da idade em todas as competências matemáticas, exceto no reconhecimento dos dedos (p=.447) e no teste de conhecimento numérico (p=.948). As habilitações literárias do pai revelaram um efeito significativo no reconhecimento dos dedos (p=.003), a interação género × H.L.pai registou um efeito significativo no teste de conhecimento numérico (p=.026) e a interação H.L.mãe × H.L.pai na contagem dos dedos típico (p=.014) e no teste de conhecimento numérico (p=.048).

Concluindo, os resultados deste estudo realçam a importância das habilitações literárias do pai e da mãe no desenvolvimento e aprendizagem do conhecimento numérico, evidenciando igualmente uma melhoria das competências matemáticas com a idade.

Palavras-chave: variáveis sociodemográficas; competências matemáticas; avaliação

(33)

Abstract

Studies evaluating the influence of sociodemographic variables in human cognition have been gaining more space in recent international literature. Factors such as age, education and gender may be important performance’s modulators in neuropsychological’s instruments especially in children and adolescents. This study aims to determine the effect and interaction of some of the main socio-demographic characteristics such as age, gender and parent’s educational level, in the profile of mathematical skills of children in pre-school age.

A convenience sample was used which included 38 children aged between 40 and 71 months (56.97 ± 10.04), being 16 males and 22 females, from a kindergarten of Vila Real. Portuguese Preschool Neuropsychological Battery (BANPEL) from Rato e Castro Caldas (2010) was applied to assess the level of emerging math skills.

The results reveal a significant effect of gender on executive functions (p=.016, p=.010) and of age in all mathematical skills, except in recognition of fingers (p =.447) and in numeracy test (p=.948). Father’s educational level revealed a significant effect on recognition of fingers (p=.003), gender interaction × fatherE.L. recorded a significant effect on the numeracy test (p=.026) and the interaction motherE.L. × fatherE.L. in typical counting fingers (p =.014) and in numeracy test (p=.048).

In conclusion, the results of this study highlight the importance of father and mother’s educational level in the development and learning of numeracy, also showing an improvement of mathematical skills with age.

Keywords: sociodemographic variables; mathematical skills; neuropsychological assessment;

(34)

Introdução

A tese defendida por Piaget relativamente à conservação do número tem vindo a ser alvo de algumas críticas. A argumentação utilizada sustentava que o conceito de número só surgia por volta dos 4-5 anos de idade, e que a ideia de numerosidade era construída com base em conceitos lógicos mais primitivos, entre os quais: o raciocínio transitivo; a habilidade de abstração e a conservação do número (Piaget, 1952).

Atualmente sabemos que o problema não está na conservação do número, mas na forma como as perguntas eram formuladas, levando as crianças a não perceberem o que lhes era perguntado, e consequentemente, a uma subestimação por parte dos professores, e dos investigadores, das capacidades de numeracia das crianças, no estádio pré-operatório.

Starkey e Cooper (1980) foram os primeiros a provar que bebés de 6-7 meses de idade conseguem detetar alterações no número de objetos apresentados visualmente, apesar de não recorrerem à linguagem, nem ao raciocínio abstrato, nem terem muita oportunidade de manipular o ambiente à sua volta.

Consequentemente, alguns autores, entre eles, Butterworth (1999) e Dehaene (1997), afirmaram que os humanos nascem com circuitos cerebrais especializados na identificação de números pequenos.

Butterworth (1999) afirmou que o ser humano possui um “módulo numérico” que lhe permite compreender quantidades sem recorrer à contagem, fundamental para o posterior desenvolvimento de capacidades matemáticas mais complexas. Destaca ainda a capacidade de usar funcionalmente os dedos e de representá-los mentalmente.

Por sua vez, Dehaene (1997) defende que o indivíduo possui uma espécie de acumulador que lhe permite seguir quantidades de vários tamanhos, ainda que reconheça com maior precisão, pequenos conjuntos de objetos. Este último autor foi o grande impulsionador da designação “sentido de número”, a qual significa a capacidade de imaginar e manipular magnitudes numéricas, numa linha numérica mental, espacialmente orientada, da esquerda (onde se encontram os números mais pequenos) para a direita (onde se encontram os números maiores) (Dehaene et al., 1993). Foi também Dehaene (1992) que criou o modelo do triplo código (modelo de representação numérica mais citado na literatura), o qual pressupõe três formas de representação do número: duas formas simbólicas, que são a forma visual de números arábicos (ex: “5”), a forma verbal palavra-número (ex: “cinco”); e a forma não simbólica, que corresponde à representação analógica de magnitude (ex: ●●●●● cinco pontos).

Imagem

Tabela 2 - Caracterização dos pais em função das suas habilitações literárias.
Tabela 3 - Valores estandardizados e classificações para os testes e quocientes motores
Tabela 4 - Análise descritiva dos testes e quocientes motores das PDMS-2.
Tabela 5 - Análise descritiva dos resultados das PDMS-2 segundo o género e níveis classificativos
+7

Referências

Documentos relacionados