• Nenhum resultado encontrado

Conceitos Básicos sobre Orquídeas

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Conceitos Básicos sobre Orquídeas"

Copied!
18
0
0

Texto

(1)

Conceitos Básicos sobre Orquídeas

Introdução

As orquídeas ou orquidáceas são plantas de evolução relativamente recente na

história do nosso planeta. Entretanto, atualmente acredita-se que sejam a maior

família de plantas com flores, apresentando entre 21.950 e 26.049 espécies

descritas e aceitas até o momento, divididas em 880 gêneros. Para se ter uma idéia,

isso representa cerca de 1/12 de todas as plantas com flores. O número de

espécies de orquídeas é mais de 2 vezes maior que o de espécies de pássaros e

cerca de 4 vezes maior que o número de espécies de mamíferos. Também

representa cerca de 10% das espécies de plantas que produzem sementes. Os

gêneros com o maior número de espécies são

Bulbophyllum

com quase 2.000

espécies;

Leptanthes

,

Stelis

,

Epidendrum

,

Pleurothallis

, e

Dendrobium

com mais de

1.000;

Oncidium

,

Habenaria

e

Maxillaria

com cerca de 700, e

Masdevallia

com mais

de 500.

Entre as orquídeas podemos citar a baunilha, e plantas comuns em floras como os

Phalaenopsis

e as

Cattleya

. Além desse grande número de espécies, entusiastas e

orquidários comerciais produziram, desde a introdução do cultivo de plantas

tropicais no século XIX, mais de 100.000 híbridos.

Etimologia

A palavra orquídea vem do grego órkhis, e significa "testículo", supostamente pelo

formato de suas raízes. O termo foi introduzido em 1845 por John Lindley em

School Botany

.

Distribuição

As orquídeas são cosmopolitas, ocorrendo em quase qualquer hábitat à exceção de

geleiras. Podem ser terrestres, crescendo tanto em campinas e savanas em meio à

relva, como sobre o solo de florestas sombrias; epífitas sobre árvores ou arbustos,

próximas ao solo abrigadas da luz, ou perto do topo das árvores e cactos,

submetidas à bastante luz; litófitas crescendo sobre solos rochosos ou apoiadas

diretamente nas pedras, psamófitas sobre a areia das praias, saprófitas em turfa e

elementos em decomposição no solo, ou raramente aquáticas, em brejos e áreas

pantanosas. Um caso extremo é o de uma espécie subterrânea da Austrália, da qual

apenas ocasionalmente emergem as flores.

A grande maioria das espécies se concentra nos trópicos, notavelmente nas áreas

montanhosas, que representam barreiras naturais e isolam as diversas populações

de plantas. Algumas áreas principais são as ilhas e a área continental do sudeste

asiático e a região das montanhas da Colômbia e Equador onde se pode encontrar

um grande número de espécies, devido ao seu isolamento pelas diversas ilhas ou

separadas pelas cadeias de montanhas, ocasionando elevado número de

endemismos. Outro local com grande diversidade é a mata Atlântica brasileira com

mais de mil e quinhentas espécies. Outras áreas importantes são as montanhas ao

sul do Himalaia na Índia e China, as montanhas da América Central e o sudeste

africano, notadamente a ilha de Madagascar.

(2)

A Colombia é o país onde existe o maior número de espécies registradas, chegando

ao número de 4 010, imediatamente seguida pelo Ecuador, com 3 549, Nova Guiné,

com 2 717 e Brasil, que totaliza 2 590. Entre outros, Bornéu, Sumatra, Madagascar,

Venezuela e Costa Rica, são países com elevado número de espécies.

São também encontradas acima do Círculo Ártico, no sul da Patagônia e duas

espécies foram encontradas próximo à Antártida.

A seguinte lista dá uma idéia de sua distribuição global:

América tropical: 250 a 270 gêneros

Ásia tropical: 260 a 300 gêneros

África tropical: 230 a 270 gêneros

Oceania: 50 a 70 gêneros

Europa e Ásia temperada: 40 a 60 gêneros

América do Norte: 20 a 26 gêneros

Lista de gêneros:

http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Orchidaceae_genera

Os tipos de orquídeas que predominam em cada uma dessas áreas são muito

variáveis. Nas regiões tropicais úmidas, onde a luz e a umidade são abundantes e a

competição com espécies arbóreas é muito acirrada, as orquídeas assumem um

hábito predominantemente epifítico. Em busca de luz sob a sombra de árvores de

mais de até 40 metros de altura, as orquídeas crescem sobre os galhos e troncos, a

alturas variadas de acordo com as necessidades de cada espécie. Suas raízes,

expostas ao ar, obtêm a maior parte dos nutrientes do material em decomposição

ao seu redor, da água da chuva que lava as folhas das árvores no alto, ou da poeira

existente no ar. Entremeado ao velame, existe um fungo chamado micorriza que

auxilia na decomposição de matéria orgânica e na transformação desta em sais

minerais, para facilitar sua absorção. Em casos extremos de umidade, as orquídeas

podem absorver a água e os nutrientes pelos poros em suas folhas, relegando as

raízes apenas a função de sustentar a planta sobre o substrato. Nenhuma orquídea

assume a função de parasita, ou seja, sua presença não prejudica seus hospedeiros

embora haja casos excepcionais em que o galho de uma árvore não suporte o peso

de uma grande colônia de orquídeas e venha a se quebrar.

Há também muitas espécies terrestres, algumas destas, nas regiões tropicais,

mantêm-se em desenvolvimento constante durante todo o ano. A grande quantidade

de matéria orgânica disponível no solo da floresta favorece o surgimento de

algumas poucas espécies saprófitas, orquídeas desprovidas de clorofila que obtêm

toda a matéria orgânica de que precisam do material em decomposição ao seu

redor.

Em regiões de clima temperado, onde a relva é predominante, ou em regiões de

secas como as áreas de savana e os campos rupestres, as orquídeas são

basicamente plantas terrestres, com raízes subterrâneas bem desenvolvidas, às

vezes com a formação de tubérculos, equipando-as para resistirem ao frio e à neve,

ou à seca prolongada e ao fogo. O frio congelaria as espécies epífitas que não têm

(3)

raízes abrigadas para armazenarem os nutrientes necessários para a brotação na

primavera. Também o fogo consumiria inteiramente as plantas epífitas. Nessas

áreas de clima sazonal, as plantas normalmente passam por um estágio de

dormência, em que, muitas vezes, sua parte aérea seca para evitar danos à sua

fisiologia devido à seca, ou ao frio extremo.

Taxonomia

A taxonomia dessa família está em constante mudança, uma vez que novos estudos

continuam a identificar novos elementos classificadores. Apenas no ano de 2008 o

International Plant Names Index registrou mais de 400 novas espécies descritas.

A família Orchidaceae foi estabelecida em 1789 por Antoine Laurent de Jussieu ao

publicar seu Genera Plantarum. Antes de Jussieu classificar a família, Linnaeus já

havia descrito oito gêneros de orquídeas que, no entanto, não se constituíam em

uma família à parte. Todas as espécies epífitas pertenciam, à época, ao gênero

Epidendrum.

Sua classificação científica é a seguinte:

Reino:

Plantae

Classe:

Angiospermae

Subclasse:

Monocotyledonae

Superordem:

Liliiflorae

Ordem:

Asparagales

Família:

Orchidaceae

Famílias próximas às orquídeas são as dos lírios, amarílis e íris.

Cinco subfamílias são reconhecidas (sistema APG III, 2009):

Apostasioidea: 2 gêneros e 16 espécies, sudoeste asiático.

Cypripedioideae: 5 gêneros e 170 espécies, de regiões temperadas do globo,

bem como América e Ásia tropicais.

Vanilloideae: 15 gêneros e 250 espécies, regiões tropicais e subtropicais

úmidas, leste da América do Norte.

Epidendroideae: mais de 500 gêneros e cerca de 20.000 espécies,

cosmopolita.

Orchidoideae: 208 gêneros e 3.630 espécies, cosmopolita.

Apostasioideae Reichenbach

Plantas com pólen pastoso ou farinoso, que geralmente não formam polínias, com

duas ou três anteras férteis linear-lanceoladas, folhas de bases embainhadas,

estaminóide alongado e labelo similar às pétalas.

Cypripedioideae Lindley

Plantas com pólen pastoso ou farinoso, que geralmente não formam polínias, com

duas anteras férteis oblongas ou ovais, folhas de bases embainhadas, estaminóde

em formato de escudo e labelo geralmente saquiforme.

(4)

Vanilloideae Szlachetko

Plantas com pólen pastoso ou farinoso, que geralmente não formam polínias, com

uma antera fértil incumbente e folhas sem bases embainhadas.

Orchidoideae Lindley

Plantas com pólen coeso formando polínias, uma antera fértil ereta ou tombada para

trás e folhas enroladas claramente plicadas, raízes freqüentemente carnosas.

Epidendroideae Lindley

Plantas com pólen coeso formando polínias, com antera incumbente, ou tombada

para trás mas então com folhas claramente plicadas e raízes raramente carnosas.

Existam algumas espécies subterrâneas no deserto australiano.

Há uma tendência mais recente à classificação baseada em características

moleculares ou genéticas. Essa classificação é denominada de filogenética e

teoricamente reflete as relações evolutivas entre os grupos de espécies. No entanto,

esse sistema é ainda recente, tecnicamente mais dispendioso e de acesso restrito à

coletividade, de modo que muitos ainda preferem a avaliação morfológica. Os

filogenistas são captaneados por Mark Chase, que relega a morfologia a um plano

secundário, e Carlyle August Luer, um morfologista que há trinta anos vem se

dedicando às espécies da subtribo Pleurothallidinae, com as regras de Chase.

As orquídeas desafiam a própria definição de espécie, aquela formada por

indivíduos capazes de reproduzirem-se e darem origem a descendentes férteis. A

maioria das espécies de orquídeas pode ser cruzada com espécies próximas e

produzir híbridos férteis. Estes híbridos ainda podem ser cruzados com outras

espécies, e produzir novas gerações de híbridos férteis. A maioria dos gêneros

próximos pode ser cruzada produzindo descendentes férteis. Há inumeráveis

híbridos entre espécies, e milhares entre gêneros. Há híbridos obtidos através do

cruzamento de várias gerações de híbridos de quatro ou mais gêneros distintos.

Este fenômeno é um dos trunfos dos orquidicultores, que podem misturar suas

espécies e obter uma combinação quase infinita de novas formas e cores.

Híbridos ocorrem também naturalmente, sem a intervenção humana. É possível que

várias espécies classificadas pelos botânicos sejam, na verdade, híbridos naturais

há muito estabelecidos na natureza.

Como o conceito tradicional de espécie não se aplica às orquídeas, a delimitação

exata de cada espécie de orquídea também muitas vezes é bastante complexa.

Populações de determinadas espécies que encontram-se isolados geograficamente

apresentam pequenas diferenças morfológicas que alguns estudiosos julgam

suficientes para o estabelecimento de espécies independentes, enquanto outros

julgam estas variações apenas como características esperadas dos endemismos,

sem importância suficiente para caracterizar uma espécie à parte. Assim, o número

exato de espécies de orquídeas aceito pela comunidade científica está em

constante mutação.

Características

Orquídeas são facilmente identificadas de outras plantas, uma vez que elas

compartilham algumas características comuns muito evidentes.

(5)

Na família orchidaceae, as flores tem simetria lateral, não radial, constituídas por

seis segmentos, três externos chamados sépalas e três internos, chamados pétalas.

Uma pétala, chamada de labelo, tipicamente é muito modificada e diferente das

outras duas. Ele vem da mesma direção na flor que a superfície estigmática e serve

de plataforma de pouso para os agentes polinizadores.

Quando o botão de uma flor de orquídea primeiro se desenvolve, o labelo

geralmente está voltado para cima e, na maioria dos casos, a medida em que o

botão cresce, o ovário e o pedúnculo (nas flores simples) ou o pedicelo (nas

inflorescências compostas) torcem a flor 180º para que o labelo se volte para baixo,

quando a flor finalmente se abre. Essa característica é chamada de ressupinação.

Porque a ressupinação nas orquídeas é a regra, a falta dela é digna de nota.

As orquídeas, ao contrário de outras plantas, tem simetria bilateral.

O estame e o pistilo são total ou parcialmente fundidos, formando uma coluna.

Os estames estão todos do mesmo lado da flor (ao invés de dispostos

simetricamente). A maioria das espécies tem apenas um estame fértil (só um

gênero apresenta três).

As sementes das orquídeas são numerosas e muito pequenas (são leves e

desprovidas de endosperma).

Parte do estigma (o rostelo) está envolvida na transferência do pólen.

O pólen está agrupado em poucas e grandes massas chamadas de polínias e

encontra-se em um aparato chamado de polinário.

Para todas as características citadas acima há abundantes exceções, no entanto

todas as orquídeas compartilham em diferente grau diversas destas qualidades.

Hábito de Crescimento

Todas as orquídeas são plantas perenes e são desprovidas de estruturas tipo

madeira permanentes. A orquídeas podem crescer de acordo com dois padrões:

Monopodiais: o rizoma cresce de um broto único, folhas nascem do ápice a

cada ano e o rizoma cresce de acordo. O rizoma de orquídeas monopodiais pode

chegar a medir vários metros de comprimento, como nos gêneros

Vanda

e

Vanilla.

Simpodiais: as plantas produzem uma série de brotos que crescem até atingir

um determinado tamanho, florescem e então param de crescer, sendo substituídos

no ano seguinte por novo brotamento. Orquídeas simpodiais crescem lateralmente

ao invés de verticalmente, seguindo a sua superfície de suporte. O crescimento

continua com o desenvolvimento de novas frentes, com suas próprias folhas e

raízes. O rizoma, na base do pseudobulbo, apresenta gemas. Essas gemas dão

origem aos brotos. Ocasionalmente mais de uma gema brota, dando origem a uma

bifurcação ou nova frente.

(6)

Apresentam crescimento contínuo ou sazonal, simpodial ou monopodial, agrupado

ou espaçado, ascendente ou pendente, aéreo ou subterrâneo, o crescimento das

orquídeas dá-se de maneiras muito diversas. Conforme o ambiente predominam

certas formas de crescimento. Nas áreas tropicais o crescimento contínuo é mais

comum, porém existem espécies de crescimento sazonal. Em áreas sujeitas a

secas ou frio intenso o crescimento costuma ser sazonal. As orquídeas monopodiais

costumam crescer de maneira contínua. As simpodiais apresentam certa

sazonalidade.

Rizoma e Raízes

Nas espécies epífitas de crescimento simpodial o caule geralmente é composto por

parte reptante, curta ou longa, fina ou espessa, chamada rizoma e parte aérea que

pode ou não encontrar-se espessada em estrutura para reserva de água e

nutrientes conhecida como pseudobulbo. Em alguns gêneros epífitas,

particularmente em alguns gêneros relacionados às

Huntleya

o caule secundário

aéreo encontra-se reduzido a um nódulo ínfimo que origina as folhas.

Nas espécies epífitas de crescimento monopodial o caule é único e aéreo, ereto ou

pendente, e não se encontra espessado em pseudobulbos, sendo ajudado no

armazenamento de nutrientes pelas folhas e raízes que brotam continuamente ao

longo de todo o caule.

As espécies terrestres podem ou não apresentar caules desenvolvidos e estes,

diferente das epífitas, que sempre apresentam caules perenes, podem ser

parcialmente decíduos. Algumas das orquídeas terrestres apresentam caules muito

longos, que podem chegar a mais de seis metros de comprimento.

Orquídeas terrestres podem ter rizoma ou formar tubérculos ou bulbos. O rizoma

está em contato direto com o substrato. Nas plantas epífitas ele rasteja sobre o

substrato e nas terrestres, semi-terrestres e rupícolas ele geralmente está soterrado

pelo substrato. O rizoma apresenta anéis de onde surgem as raízes. Os

revestimentos externos das raízes das orquídeas terrestres são lisos e brancos. O

rizoma pode ainda servir de reservatório de água e nutrientes.

As espécies terrestres normalmente encontram-se espessadas em pequenas ou

grandes estruturas parecidas com tubérculos de esféricos a longamente cilíndricos

que servem de reserva de nutrientes e água e substituem os pseudobulbos

presentes nas espécies epífitas. Ocasionalmente estes tubérculos separam-se da

planta principal originando novas plantas. Algumas simpodiais terrestres, tais como

as dos gêneros

Orchis

e

Ophrys

, tem dois tubérculos subterrâneos. Um é utilizado

como reserva de nutrientes durante os períodos de inverno e provê para o

desenvolvimento do segundo, do qual novos brotamentos surgem.

Em climas quentes e úmidos, muitas orquídeas terrestres não necessitam de

pseudobulbos.

As orquídeas não apresentam raízes primárias, que são raízes centrais principais de

onde brotam outras raízes secundárias, mas apenas as raízes secundárias as quais

brotam diretamente do caule e ocasionalmente de outras raízes. Raízes de

(7)

orquídeas epífitas tem raízes aéreas modificadas que podem atingir alguns metros

de comprimento. As partes mais antigas das raízes são revestidas por uma

epiderme esponjosa chamada de velame, que tem a função de absorver umidade. O

velame é constituído de células mortas e pode ter coloração prateada, acinzentada,

esverdeada (quando molhada), branca ou marrom. Em algumas orquídeas, o

velame inclui corpos esponjosos e fibrosos próximos às células de passagem.

Essas estruturas são chamadas de tilossomos. Em alguns casos são também

órgãos clorofilados capazes de realizarem fotossíntese durante os períodos em que

as plantas perdem as folhas. As espécies epífitas geralmente apresentam robustas

raízes, cilíndricas enquanto aéreas, as quais assumem formato achatado após

aderirem ao substrato.

As células da epiderme radicular crescem perpendicularmente ao eixo de

crescimento da raiz, o que permite uma ótima adesividade ao seu suporte.

Nutrientes, na natureza, provém principalmente de excrementos animais e detritos

orgânicos da superfície de suporte. Variam em espessura, de muito finas a

extremamente grossas. A durabilidade das raízes varia em função dos fatores

ambientais e geralmente é inferior à duração dos caules. Novas raízes costumam

brotar durante ou no final do período de crescimento vegetativo da planta.

Apesar de geralmente não ser a fonte principal de nutrientes das orquídeas, estas

geralmente valem-se da associação com um fungo chamado Micorriza que se aloja

nas células exteriores do velame de suas raízes e excreta diversos nutrientes então

diretamente absorvidos por suas raízes.

As plantas simpodiais geralmente apresentam uma dilatação acima do rizoma e

abaixo das folhas, chamada de pseudobulbo (os bulbos verdadeiros são de origem

rizomática). Esse contém água e nutrientes que são utilizados nos períodos de

seca.

O pseudobulbo tem uma superfície lisa com sulcos longitudinais e podem ter

formatos diferentes, freqüentemente cônicos, oblongos e fusiformes. O seu tamanho

também é muito variável; em algumas espécies de micro

Bulbophyllum

é menor que

2 mm, enquanto que no

Grammatophyllum speciosum

(orquídea gigante), pode

chegar a 3 metros. Algumas espécies de

Dendrobium

tem pseudobulbos longos,

semelhantes a cana, com folhas curtas e arredondadas ao longo de toda a sua

extensão, nos nós. Algumas outras orquídeas tem pseudobulbos escondidos pela

folhagem ou muito pequenos.

Com a idade, os pseudobulbos perdem as suas folhas e ficam dormentes. Nesse

estágio, são chamados de bulbos traseiros, ou traseira (quando divididos da parte

da planta ativamente crescendo, ou frente). Normalmente, os brotos novos extraem

nutrientes dos mais antigos em momentos de dificuldade e, além de um certo ponto,

as reservas acumuladas nos bulbos traseiros se exaurem e eles secam e morrem.

Um pseudobulbo tipicamente vive cerca de 5 anos, mas potencialmente mais se as

condições climáticas e nutricionais permitirem.

A grande maioria das espécies se desenvolveu nas regiões tropicais e se adaptou

ao hábito epifítico. Não são plantas parasitas, nutrindo-se apenas de material em

decomposição que cai das árvores e acumula-se ao emaranhar-se em suas raízes.

Quanto ao tamanho, temos o

Grammatophyllum speciosum

que chega a medir mais

(8)

de 3 metros de altura, as escandentes do gênero

Vanilla

com muitos metros,

enquanto outras orquídeas, tais como

Platystele junghermannioides, Bulbophyllum

minutissimum

e

Pleurothallis rubens

medem menos de 5 mm.

Folhas

Como a maioria das monocotiledôneas, as orquídeas tem folhas simples com veias

paralelas, apesar de algumas Vanilloideae terem sistema vascular reticulado. As

folhas podem ser ovais, lanceoladas, redondas, planas, curvas, côncavas, macias

ou rígidas e são muito variáveis em tamanho. As suas características são

freqüentemente diagnósticas para a espécie. Elas normalmente são alternadas no

bulbo, freqüentemente plicadas, e não tem estípulo na sua base. Folhas de

orquídea freqüentemente tem corpos silicosos chamados de estegma na bainha do

feixe vascular (ausente nas Orchideoideae) e são fibrosos.

A estrutura das folhas corresponde ao seu hábitat específico. Espécies que

normalmente estão expostas ao sol ou que crescem em lugares que, durante uma

época do ano, se tornam muito secos, tem folhas espessas com textura de couro e

as laminas são recobertas por uma cutícula cerosa para reter umidade. Espécies de

ambientes sombreados, por outro lado, tem folhas finas e longas.

As folhas da maioria das orquídeas são perenes, isto é, vivem por vários anos,

enquanto outras, especialmente aquelas com folhas plicadas, as descartam

anualmente e desenvolvem novas folhas juntamente com novos pseudobulbos,

como nos

Catasetum.

Nesse caso as folhas são ditas caducas.

As folhas de algumas orquídeas são consideradas ornamentais. As folhas da

Marcondes sanderiana

, uma planta semi-terrestre e rupícola, exibe veias prateadas

ou douradas contra um fundo verde claro. As folhas da

Psychopsiella limminghei

tem coloração verde amarronzada clara com manchas vinho criadas por

pigmentos floríferos. As atraentes manchas das folhas de diversas espécies

do gênero

Paphiopedilum

são causadas por distribuição desigual de clorofila.

A

Ludisia discolor

é cultivada mais pelas folhas coloridas que pelas flores

brancas.

Algumas orquídeas, tais como a

Dendrophylax lindenii

,

Aphylorchis

e

Taeniophyllum

dependem das suas raízes verdes para fazer fotossíntese e são desprovidas de

folhas "normalmente" desenvolvidas, assim como fazem as espécies heterotróficas.

Orquídeas do gênero

Corallorhiza

são totalmente desprovidas de folhas e, ao invés,

envolvem as suas raízes em torno das raízes de árvores maduras e se utilizam de

fungos para extrair açúcares.

Existem ainda alguns gêneros nos quais as folhas são apenas rudimentares, dando

a impressão de serem constituídas apenas pelas raízes e flores. Nestes casos as

raízes são responsáveis pela fotossíntese.

(9)

Inflorescência

As orquidáceas são notórias pela enorme variedade estrutural de suas flores.

Algumas orquídeas tem flores únicas, mas a maioria tem inflorescências racemosas,

freqüentemente com um grande número de flores. As flores podem formar cachos,

panícula, rácimo e espiga. Esses podem se arranjar em ramos, corimbos ou

umbelas. As flores podem se abrir simultaneamente ou irem se abrindo em

sucessão, seja longo da inflorescência ou brotando sempre no mesmo local. A haste

floral pode ser basal, ou seja, produzida a partir da base do pseudobulbo, como nos

Cymbidium,

apical, significando que cresce no topo do pseudobulbo, como nas

Cattleya

, ou axilar, o que quer dizer que a haste cresce a partir da base das folhas

na sua inserção no rizoma ou pseudobulbo, como nas

Vanda

.

Em algumas espécies a inflorescência cresce protegida por uma folha modificada,

geralmente localizada no ápice do pseudobulbo, junto à base da folha verdadeira.

Essa folha modificada se chama espata, e pode ser única ou dupla. No caso de

haver espata, a floração se propaga no sentido distal.

Algumas espécies apresentam estruturas perenes que servem apenas para a

floração, como no caso das espécies do gênero

Psychopsis

e algumas das

Masdevallia

. As flores geralmente apresentam brácteas em sua base, muitas vezes

extremamente reduzidas em tamanho, ou bastante grandes e até mais vistosas que

as flores, como em algumas espécies do gênero

Eria

e

Cyrtopodium

. A

inflorescência das espécies do gênero

Dimorphorchis

pode estender-se por quase

cinco metros, com flores espaçadas em quase um metro. A inflorescência das

Octomeria

mede poucos milímetros de comprimento.

Flores

Dentre todas as famílias de plantas, possivelmente, a das orquídeas seja a família

que apresenta o maior espectro de variação floral. Geralmente apresentam flores

hermafroditas mas, além destas, em alguns gêneros podem apresentar flores

exclusivamente masculinas ou femininas.

O tamanho das flores varia de dois milímetros a mais de vinte centímetros. Suas

cores vão de quase transparentes ao branco, com tons esverdeados, rosados ou

azulados até cores intensas como o amarelo, o vermelho ou o púrpura escuro.

Muitas flores são multicoloridas.

As flores de orquídeas, assim como as da maioria das monocotiledôneas, tem duas

coroas de elementos estéreis. A coroa externa possui 3 sépalas e a interna 3

pétalas. As sépalas podem ser muito similares às pétalas, quando são denominadas

tépalas, mas podem ser completamente distintas.

Uma das pétalas, a superior e intermédia (com o botão novo e fechado), é sempre

modificada e aumentada. Essa pétala é denominada labelo e é quase sempre é

diferenciada. Pode ser expandida ou ser bastante simples e parecida com as

outras pétalas. Pode apresentar calos, lamelas ou verrugas, além de assumir

formatos e tamanhos muito variados e bastante intrincados, com cores diversas e

(10)

contrastantes. Em muitos gêneros, o labelo apresenta um prolongamento tubular

oco ou um nectário próximo ao local em que se fixa à coluna, o qual recebe o nome

de calcar.

O ovário inferior e o pedúnculo (nas flores simples) ou o pedicelo (nas

inflorescências compostas) geralmente gira 180º, de modo que o labelo se

posiciona na parte inferior da flor, assim se tornando uma plataforma ideal para os

agentes polinizadores. Essa característica, denominada ressupinação, ocorre

primitivamente nessa família e pode ser considerada apomórfica (característica).

Algumas orquídeas perderam secundariamente a ressupinação, tais como algumas

espécies de

Zygopetalum

e o

Epidendrum secundum.

A forma normal das sépalas pode ser encontrada nas

Cattleya,

gênero no qual

formam um triângulo. Nos

Paphiopedilum

as duas sépalas inferiores são fundidas

em uma estrutura denominada sinsépala, enquanto o labelo assume a forma de

uma bolsa. Nas

Masdevallia

, todas as sépalas são fundidas.

Flores de orquídeas com número anormal de pétalas e/ou sépalas e/ou labelo, para

a espécie em questão, são chamadas de pelóricas. Peloria é um traço genético,

mas a suas expressão é influenciada pelo ambiente e pode parecer randômica.

Gineceu é o termo coletivo para o conjunto de carpelos de uma flor. Em uma flor

típica, o gineceu é a estrutura mais central, e é cercada pelo androceu (estames) e

pelo perianto (pétalas e sépalas). Os carpelos são as unidades fundamentais do

gineceu e consistem de ovário (que contém placentas possuidoras de óvulos), estilo

(estrutura tubular pela qual o pólen cresce para atingir o ovário) e estigma

(geralmente encontrado na extremidade do estilo, é a parte do carpelo que recebe o

pólen e é geralmente grudento ou peludo para que o possa capturar). Os órgãos

reprodutivos (androceu e gineceu) encontram-se reduzidos e fundidos em uma

estrutura central chamada coluna, ginostêmio ou androstilo.

O número de estames varia entre as subfamílias. Flores de orquídeas

primitivamente tinham 3 estames, mas somente o gênero

Neuwiedia

reteve essa

condição. Os gêneros

Apostasia

e

Cypripedioideae

tem 2 estames, sendo que o

central é estéril e reduzido a um estamenodo. Todas as demais orquídeas retiveram

apenas o estame central, e os outros ficaram reduzidos a estamenodos. Os

filamentos dos estames são sempre fundidos (adnados) ao pistilo formando uma

estrutura cilíndrica chamada de ginostêmio ou coluna. Nas primitivas

Apostasioideae essa fusão é apenas parcial, nas Vanilloideae ela já é mais

completa, enquanto que nas Orchidoideae e Epidendroideae ela é total. O Estigma

é muito assimétrico, uma vez que todos os seu lóbulos são voltados para o centro

da flor e repousam na parte inferior da coluna.

O Pólen é liberado como grãos únicos, como na maioria das plantas, nas

Apostasioideae, Cypripedioideae, e Vanilloideae. Nas outras subfamílias, que

englobam a grande maioria das espécies de orquídeas, a antera carrega polínias.

Uma polínia é uma massa ceruminosa de grãos de pólen agrupados por um

alcalóide com propriedades adesivas chamado viscina, que contém tanto moléculas

de celulose quanto de mucopolissacarídeos. Cada polínia é conectada por um

(11)

filamento que pode levar a forma de um caudículo, como nas

Dactylorhiza

e

Habenaria

, ou de um estipe, como nas

Vanda.

Caudículos e estipes conectam as

polínias ao viscídio, uma plataforma grudenta que serve para aderir as polínias ao

corpo dos polinizadores. Nesse estágio, as polínias permanecem coladas por um

líquido espesso secretado pelo rostelo. A maioria das espécies epífitas apresenta

uma pequena capa recobrindo as polínias, denominada antera.

Os estigmas se apresentam em número de 3, concrecionados, formando a cavidade

estigmatífera. Na borda superior do estigma de orquídeas com apenas uma antera,

à frente da antera, um dos estigmas dá origem a um rostelo, uma delgada extensão

envolvida no complexo mecanismo de polinização. Sua principal função é servir

como parede e evitar que as polínias alojadas na antera caiam na cavidade

estigmatífera e auto-fecundem a flor. Outra função do rostelo e ajudar na projeção e

fixação do viscídio ao agente polinizador, afixando as polínias ao mesmo.

Como mencionado anteriormente, o ovário é sempre proximal (localizado entre a flor

e a haste floral). O ovário é sempre tri-carpelado e possui uma, ou mais raramente,

3 partições, com placentamento parietal (os óvulos, que após fecundados pelo pólen

darão origem às sementes, estão internamente aderidas à parede externa do

ovário). Somente nas Apostasioideae o placentamento é axial. Os óvulos não se

desenvolvem antes que a planta seja polinizada. Dessa forma, ela não terá

desperdiçado energia na sua produção caso não seja polinizada.

Frutos

O ovário tipicamente se desenvolve em uma cápsula. Praticamente todas as

orquídeas apresentam frutos capsulares. Eles claramente diferem em tamanhos,

formas e cores. As epífitas apresentam frutos muito mais espessos com paredes

carnosas, espécies terrestres apresentam frutos mais finos com paredes mais

delicadas. Geralmente são triangulares, mais ou menos arredondados, com

números de lamelas que variam de três a nove, que se fundem nas extremidades.

Alguns são lisos outros rugosos ou mesmo cheios de tricomas, verrugas ou

protuberâncias em sua superfície. Os frutos desenvolvem-se com o engrossamento

do ovário na base da flor, o qual geralmente é dividido em três câmaras. Quando

maduro o fruto seca e abre-se em três ou seis partes ao longo do comprimento,

embora não inteiramente, mantendo-se sempre preso à inflorescência. O

amadurecimento de uma cápsula pode levar de 2 a 18 meses. Boa parte das

sementes logo cai, depositando-se entre as raízes da planta mãe, as sementes são

também amplamente dispersas com o vento por longas distâncias.

Sementes

As sementes são geralmente quase microscópicas e muito numerosas, em algumas

espécies uma cápsula pode conter mais de 1.000.000 delas. Após o

amadurecimento elas são sopradas pelo vento como poeira ou esporos. As

sementes são constituídas por um pequeno aglomerado de células de cobertura

abrigando um embrião. As semente são desprovidas de endosperma (tecido

presente na semente de outras plantas que visa nutrir o embrião com amido e, às

vezes óleos e proteínas) e precisam entrar em uma relação simbiótica com várias

espécies de fungos basidiomicetos micorrizicos que as provê com os nutrientes

(12)

necessários para a sua germinação. Dessa forma, todas as orquídeas são

denominadas micoheterotróficas durante a sua germinação e dependentes desses

fungos para completarem o seu ciclo de vida. Tão logo o embrião é capaz de

realizar a fotossíntese, este processo torna-se responsável pela alimentação da

planta e a Micorriza não é mais necessária. No entanto, algumas espécies de

orquídeas saprófitas nunca serão capazes de realizar a fotossíntese plenamente e

permanecem dependentes do fungo por toda a vida.

Algumas espécies de orquídeas, por exemplo as do gênero

Bletilla

, apresentam

alguma quantidade de endosperma. Poucas espécies de orquídeas têm sementes

grandes. Essas são representadas principalmente pelos membros da subfamília

Vanilloideae.

Uma vez que a probabilidade de uma semente se encontrar com o fungo adequado

e na situação ambiental adequada é pequena, somente um número muito reduzido

de todas as semente produzidas crescerá e se tornará uma planta adulta. Em

cultivo, a germinação tipicamente leva semanas, embora haja reportagem de um

Paphiopedilum

que levou 15 anos.

Técnicas horticulturais foram desenvolvidas para a germinação de sementes em um

gel contendo nutrientes, eliminando a necessidade dos fungos para a germinação.

O principal componente na semeadura de orquídeas em condições artificiais é o

ágar-ágar (gelatina de origem nas algas marinhas). essa substância é combinada a

um tipo de carboidrato (glicose) que aporta alimento. A fonte de glicose pode ser

banana, abacaxi, pêssego, tomate, leite de côco ou outra. Após o cozimento em

ambiente estéril a mistura é resfriada e então gelatifica.

Evolução

Até recentemente não se sabia o momento exato em que as orquídeas se

separaram dos ancestrais comuns que tem com as outras Asparagales. No entanto,

a descoberta do primeiro fóssil destas plantas na República Dominicana em 2007,

fez retroceder as estimativas anteriores de que as orquídeas teriam 45 ou 50

milhões de anos para a estimativa atual de 84 milhões de anos. O fóssil descoberto

é de uma espécie terrestre similar às espécies hoje classificadas no gênero

Microchilus

. Tratam-se apenas das polínias de uma flor aderidas às costas de uma

abelha que ficou presa e conservada em âmbar desde então.

A dispersão pantropical de certos gêneros primitivos como

Corymborkis

e

Vanilla

parece indicar que isto ocorreu antes que os continentes se separassem

inteiramente. No entanto, a evolução mais ativa das orquídeas ocorreu após esta

separação e as diversas áreas tropicais já estavam bem estabelecidas, há cerca de

55 milhões de anos. Aceita-se também a presunção de que, por esta data, as cinco

subfamílias já encontravam-se estabelecidas e seus mais primitivos ancestrais, bem

desenvolvidos.

O epifitismo de todas as orquídeas decorre de ajustamento às condições ambientais

presentes ao longo de sua evolução, não se constituindo em característica

(13)

maneira a poderem ser levadas pelo vento, e a associação com o fungo micorriza

podem ter ocorrido ao mesmo tempo que essa migração do solo para as árvores.

Características compartilhadas pelas orquídeas modernas indicam que o ancestral

primitivo dessas plantas deveria ser uma planta pequena e de crescimento

simpodial, rizoma delicado, raízes carnosas, folhas dobradas e inflorescências

terminais.

As flores desenvolveram-se a partir de uma espécie de lírio, aos poucos

adaptando-se a cada um dos polinizadores, eliminando estruturas desnecessárias e

acrescentando elementos estruturais facilitadores da polinização por agentes

específicos. A pétala inferior, por ser o local de pouso dos insetos, adaptou-se e

diferenciou-se cada vez mais das outras duas pétalas, tornando-se cada vez mais

atrativa.

Biologia Floral

As flores das orquídeas são adaptadas para a fecundação cruzada (alogamia),

permitindo assim uma maior variabilidade genética e, por conseguinte, uma maior

adaptabilidade a novas situações. Os responsáveis pela polinização são animais

(zoofilia), sendo raros os casos em que a autogamia seja a regra. Suas flores não

são produtoras de pólen, como no caso das plantas que possuem corola aberta,

com muitos estames e pólen. Para poderem atrair os polinizadores à flor, utilizam-se

de vários artifícios (aromas, horário de produção de odores, colorido, formato das

flores, guias de néctar e odor, nectários, pêlos alimentícios, produção de cera,

etc…). O conjunto de estratégias selecionadas durante centenas ou milhares de

anos e que permitem que determinada espécie se utilize de um determinado agente

polinizador para efetuar a sua reprodução é denominada "síndrome floral".

Odor e horário de sua produção - em muitas orquídeas é considerado de extrema

importância e consiste no principal mecanismo de atração do agente polinizador.

Pode ser diurno, como no caso das

Cattleya

ou noturno, como no caso das

Brassavola

. Os odores fazem com que as orquídeas das subtribos Catassetinae,

Gongorinae e algumas das Zygopetalinae e Oncidiinae tenham uma relação muito

interessante com as abelhas Euglossinae. As orquídeas dessas subtribos não

produzem néctar e são visitadas quase que exclusivamente pelos machos dessas

abelhas. Esses são primariamente atraídos para a flor por substâncias aromáticas,

ou seja, terpenóides, ácidos aromáticos, entre outros, num total de cerca de 60

compostos documentados. Conforme a substância odorífera ou combinação de

substâncias, ocorrerá a atração de muitas espécies de abelhas ou, até mesmo,

apenas uma. Essa especificidade de atração tem grande impacto nos mecanismos

de isolamento e de especiação das orquídeas dessas subtribos. Depois que os

machos são atraídos à flor, começam a esfregar-se ao osmóforo, tecido onde são

produzidas as substâncias odoríferas. Para isso usam as patas dianteiras, que são

providas de pêlos e são responsáveis pela transferência de substâncias odoríferas

coletadas no osmóforo para as patas traseiras, onde são depositadas por

capilaridade no órgão tibial.

Cor - a atração visual pela cor é geralmente secundaria, mas mesmo assim é muito

importante. Flores vermelhas, associadas a outras estratégias, são geralmente

polinizadas por pássaros ou borboletas. Um bom exemplo, que ocorre nas flores

(14)

vermelhas, é que o polinário freqüentemente assume a cor azul. Os pássaros não

enxergam a cor azul e o polinário então se confunde com a cor do próprio bico do

pássaro, que portanto não tenta se livrar das polínias afixadas ao mesmo por meio

da esfregação.

Outras orquídeas possuem pigmentos que absorvem a luz ultra-violeta e a refletem.

Esse comprimento de onda da luz não é perceptível ao olho humano, mas para

diversos agentes polinizadores o é. Assim o inseto pode encontrar o nectário, pois

os pigmentos ficam brilhando aos seus olhos e efetivamente funcionam como "guias

de néctar".

Formato das Flores - conforme o tipo de polinizador e os seus hábitos, teremos as

peças florais adaptadas a ele. No gênero

Epidendrum

, para cada agente polinizador

existe uma espécie com uma determinada posição de labelo. Em algumas o labelo

apresenta-se em posição horizontal, pois o seu polinizador é uma espécie de

borboleta que precisa de uma plataforma de aterrissagem para extrair o néctar. Em

outras o labelo apresenta-se em posição vertical, o que caracteriza o polinizador

como pássaros (diurnos) ou mariposas (noturnos), que não precisam de pousar no

labelo para obter o néctar. Algumas orquídeas possuem o labelo com o formato do

inimigo natural de um determinado inseto, que no final acaba sendo atraído à flor.

Nesse ataque acaba por carrear inadvertidamente o polinário até outra flor da

mesma espécie, que porventura venha a atacar. Outra estratégia de atração é a de

imitar o aspecto a fêmea do inseto. Em algumas orquídeas européias, tais como a

Ophrys speculum

o labelo da flor imita a fêmea de uma espécie de vespa do gênero

Scociliaciliata

. Uma semana antes das fêmeas saírem do ninho os machos já estão

em atividade. Nessa mesma época as flores das orquídeas desabrocham e exalam

um odor igual ao odor sexual da fêmea desta vespa. O macho atraído, ao fazer o

movimento de cópula sobre o labelo, tem o polinário aderido à sua cabeça. Em

seguida percebe que a flor não é uma fêmea e sai à procura da mesma e pode

novamente encontrar mais uma flor pelo caminho e acabar por depositar o pólen na

sua cavidade estigmatífera, polinizando a flor.

Guia de Néctar e Odor - pela distribuição estratégica de máculas, estrias, pêlos e

pigmentos nas partes florais que absorvem e refletem a luz ultravioleta, a planta

indica ao inseto aonde está localizado o nectário. No caso de odores, nota-se uma

diferença gradual das áreas de produção dessas substâncias, o que serve para

guiar o inseto ao sítio de maior desenvolvimento do osmóforo.

Nectários e outras recompensas de alimento - os nectários podem ser de vários

tipos. Em algumas orquídeas, as sépalas laterais se fundem e se modificam dando

origem a nectários. Em outras são modificações ou extensões das pétalas e mesmo

do labelo. No gênero

Epidendrum

o nectário é do tipo tubular e encontra-se inserido

no receptáculo. Outra recompensa são os pêlos comestíveis, calosidades e

pseudopólen.

Assim sendo, no momento em que o animal visita a flor a busca de alimento, ele dá

início ao ciclo de polinização, pois terá fixado ao dorso, cabeça ou outra parte do

corpo, dependendo da espécie, o polinário e, ao visitar outra flor, quase que

infalivelmente ocorrerá a polinização.

(15)

Alguns mecanismos de polinização - no gênero

Catasetum

o polinário encontra-se

alojado na antera com o estipe dobrado. O rostelo, com o auxílio das antenas,

mantém a antera alojada no clinândrio. Quando a flor amadurece e um inseto que

esteja coletando odores esbarra em suas antenas, a antena é liberada, o estipe se

dobra e, nesse movimento, o polinário é arremessado no dorso do inseto. Ao entrar

em uma flor feminina, o inseto deixa a polínia na cavidade estigmatífera dela,

ocasionando a fecundação e formação da cápsula de sementes.

Em

Stanhopea

, um dos mecanismos envolvidos é o de queda. A abelha

Euglossinae,

após esfregar as patas dianteiras nos osmóforos, solta-se do mesmo

e, pela ação da gravidade, é deslocada para baixo, esbarra no viscídio e tem o

polinário afixado no abdome ou no tórax (escutelo).

No gênero

Cattleya

, a flor é do tipo tubular, pois os lobos laterais no labelo

geralmente abraçam a coluna. Em algumas espécies o labelo tema forma de uma

língua e forma, entre o labelo e a coluna um estreitamento semelhante à garganta.

Ao visitar as suas flores, o animal pousa no labelo, que se desloca ligeiramente para

baixo e, forçando a passagem, o animal chega até o local onde coleta os odores. Ao

sair da flor, o inseto o faz de marcha à ré e vai também forçando o caminho. Nesse

momento ele roça o dorso contra o rostelo que aplica no mesmo o viscídio, em

seguida arranca a capa do polinário e sai com as polínias fixas no dorso. Ao visitar

um outra flor, fecha-se o ciclo.

Ladrões de néctar e odor - nem todo animal que visita uma flor de orquídea é seu

real polinizador. Assim, temos que ficar atentos para discernir qual dos visitantes o

é. Se um visitante não leva polínias mas leva ou destrói as recompensas ou a

própria flor, nós o denominamos de ladrão de néctar ou odor.

Agentes Polinizadores

Denominação das Plantas e Síndromes florais

Abelhas e Vespas

Melitófilas - odor diurno forte; cores violeta,

azul, verde e amarelo; labelo geralmente em posição horizontal;

guias de néctar, calosidades e pêlos presentes; nectário

tubular presente ou não; néctar abundante ou

ausente.

Borboletas

Psicófilas - odor diurno e suave; cores

vermelho, amarelo, verde e laranja; labelo em posição horizontal; guias

de néctar e calosidades presentes; néctar abundante

produzido em nectário tubular, calcar, etc…

Mariposas

Esfingófilas e Falenófilas - odor noturno forte; cores

branco, creme e verde; labelo em posição vertical; guias

de néctar coloridos ausentes e calosidades presentes; néctar abundante

produzido em nectário tubular,

calcar, etc…

Moscas

Sapromiófilas - odor diurno ou noturno

putrescente; cores verde, púrpura e marrom; labelo vertical muito

flexível; guia de néctar ausente; pêlos alimentício presentes.

Miófilas - Odor diurno ou noturno e agradável;

cores variadas; labelo com posição vertical, flexível ou não;

(16)

superfície do labelo ou em calcar; pêlos

alimentícios presentes ou não.

Pássaros (beija-flor)

Ornitófilas - Odor ausente; cores vivas

(vermelho, laranja, etc…), labelo vertical; guia de néctar ausente; néctar

abundante produzido em nectário tubular ou calcar.

As orquídeas e o homem

As orquídeas têm fascinado os homens por mais de dois mil e quinhentos anos.

Foram utilizadas no passado em poções curativas, afrodisíacos, para decoração e

ocuparam grande papel nas superstições. Há diversas referências na internet ao

interesse do filósofo Chinês Confúcio por estas plantas. No entanto, a maioria das

menções sobre Confúcio e estas flores, nas quais ressaltava as propriedades de

seu perfume. A este atribuía o caráter Lán, que significa beleza, delicadeza, amor,

pureza e elegância. Mas as menções, de fato, vem de textos publicados por seus

seguidores e admiradores. Há pelo menos uma referência às orquídeas feita pelo

filósofo em The School Sayings of Confucius. Contudo, mesmo este possivelmente

seja um texto apócrifo. O fato de seus seguidores atribuírem a Confúcio as mais

diversas citações sobre estas plantas apenas confirma o interesse que já

despertavam nesta época.

A China tem longa história na apreciação destas flores. Orquídeas são citadas pela

literatura antiga e retratadas pela arte chinesa desde o décimo século antes de

Cristo. Pinturas do começo de dinastia Song, entre 960 e 1127 chegaram até os

nossos dias. Todavia, investigações recentes revelam que o cultivo de

Cymbidium

começou apenas no final da dinastia Tang, entre 860 e 890 e não nos tempos de

Confúcio, como se pensava antes. Possivelmente, a primeira publicação

exclusivamente sobre orquídeas seja uma monografia sobre a cultura extensiva

destas plantas, no final da dinastia Song, entre 1128 e 1283. Pelo trabalho

percebe-se que seu cultivo estava já bem estabelecido na China por esta época.

Na Europa, existem registros do período clássico grego de Teofrasto de Lesbos,

cerca de 300 AC. Em seu trabalho, Historia Plantarum, volume 9, descreve uma

planta com dois pequenos tubérculos subterrâneos aos quais chama orchis, que

corresponde à palavra testículos, possivelmente um exemplar de

Anacamptis morio

.

Antes dos Espanhóis conquistarem o México, a fruta de Tlilxochitl, uma espécie de

Vanilla

, era a mais estimada dentre as especiarias astecas. Este povo admirava

também as Coatzontecomaxochitl,

Stanhopea

, como flores sagradas e as quais

cultivavam em seus jardins. Os astecas utilizavam também algumas espécies de

orquídeas para a fabricação de cola.

A partir do século XVI diversos trabalhos foram publicados na Europa: Leonhart

Fuchs em Historia Stirpium (1542), Hieronymus Bock em suas anotações volume 2

(1546), Jacques Daléchamps em Historia Generalis Plantarum (1586). Após a

publicação de Species Plantarum por Lineu, em 1753, os registros sobre orquídeas

ficaram cada vez mais abundantes. Breve resumo da história de sua classificação

encontra-se no artigo sobre a taxonomia da família Orchidaceae.

(17)

cultivadas como plantas de jardim. A primeira orquídea introduzida na Europa foi um

exemplar de

Brassavola nodosa

que chegou à Holanda em 1615. Em 1688,

desembarcaram as

Disa uniflora

vindas da África do Sul.

Provavelmente, devido à sua supremacia, diversas coleções importantes

formaram-se na Inglaterra durante o século XIX. Em 1818, chegaram os primeiros

exemplares de

Cattleya labiata

provenientes do Brasil, causando grande sensação e

reforçando ainda mais o interesse pelas espécies tropicais destas plantas.

Com o advento dos primeiros e vistosos híbridos, no final do século XIX, o interesse

por novas plantas provenientes dos trópicos diminuiu um pouco por algumas

décadas. O interesse científico pela descrição de novas espécies no início do século

XX, fez com que a coleta de plantas e seu envio à Europa aumentasse,

principalmente para jardins botânicos e amadores interessados na recomposição de

suas coleções.

A oferta de híbridos tem aumentado constantemente. As técnicas de semeadura

desenvolveram-se muito, diminuindo bastante o preço destas plantas, outrora caras.

As técnicas de seleção também se aprimoraram e mesmo espécies naturais de

difícil cultivo tem sido selecionadas de modo a tornar viável a cultura doméstica. A

oferta de variedade raras de espécies naturais, com cores e formas selecionadas,

vem também possibilitando a quase todos a aquisição de plantas antes apenas

cultivadas por milionários. Em poucos anos qualquer planta altamente desejável

pode ser reproduzida aos milhares. Vale notar o exemplo do

Phragmipedium

kovachii

, espécie raríssima, desconhecida da ciência até 2002, hoje comum em

coleções ao redor do mundo.

Conservação

Algumas espécies são consideradas ameaçadas de extinção na natureza, tanto

pelas coletas indiscriminadas como pelo corte das florestas para agricultura e

mesmo pela utilização de agentes desfoliantes em guerras ocorridas no passado.

Surpreendentemente, a maioria das espécies consideradas ameaçadas de extinção

estão entre as mais comuns em cultivo e das quais há maior produção comercial. A

maioria das espécies realmente raras não está presente nestas listas por não

apresentarem verdadeiro valor comercial e pouco interesse despertarem. De modo

geral, pelo seu baixo valor comercial, os governos não fazem levantamentos sobre a

população de orquídeas presentes na natureza e os que existem são apenas

resultado de estudos acadêmicos pontuais.

É interessante ressaltar ainda o fato de que um único fruto de orquídea carrega

centenas de milhares de sementes e que a existência de dois ou três indivíduos em

cultivo pode produzir no espaço de poucos anos elevadíssima quantidade de

plantas, tornando a ameaça de extinção desta planta muito diferente da ameaça de

extinção de uma animal, que produz apenas poucos filhos por gestação.

(18)

Morimoto

Orquídeas da Chapada Diamantina, de A.L.V. Toscano de Brito.

Serra dos Órgãos sua História e suas Orquídeas, de David Miler, et. al.

Orchidaceae Brasilienses, de Guido Pabst e Fritz Dungs.

Genera Orchidacearum, de Pridgeon, Chase Cribb e Rassmusen

Illustrated Dictionary of Orchid Genera, de Alrich, Higgins, Hansen,

Dressler, Sheehan & Atwood publicado pelo Marie Selby Botanical Gardens

Illustrated Encyclopedia of Orchids, de Alec Pridgeon.

Guia Como Cultivar Orquídeas Para Iniciantes - Editora Casa Dois.

Revista O Mundo das Orquídeas, On Line Editora.

Fontes

http://en.wikipedia.org/wiki/Orchidaceae

http://pt.wikipedia.org/wiki/Orchidaceae

http://en.wikipedia.org/wiki/File:VanillaFlowerLongitudinalSection-en.png

Schnitt durch Orchideenkapseln verschiedener einheimischer Orchideen.

Zusammengestellt von Wolfgang Apel aus verschiedenen Illustrationen

Original book source: Prof. Dr. Otto Wilhelm Thomé

Flora von Deutschland,

Österreich und der Schweiz

1885, Gera, Germany

Source:

www.biolib.de

Por Theo Gontijo

Referências

Documentos relacionados

Mesmo que não seja possível atribuir à substância em estudo a classificação de corrosiva ou fortemente irritante ocular, os dados obtidos pelo método BCOP podem ser úteis,

Conectas espera que este número fomente o de- bate sobre o futuro do movimento global de direitos humanos no século 21, permitindo que ele se rein- vente como é necessário

No contra-ataque: os melhores alimentos para combater o problema são, portanto, os que ajudam a proteger os capilares e que garantem o bom funcionamento do sistema circulatório, como

1 - Quem, no quadro de um conflito armado internacional ou no quadro de um conflito armado de carácter não internacional, com perfídia, utilizar indevidamente uma bandeira de

11h Atividade a ser respondida no Google Forms – o link para a atividade será disponibilizado no horário da aula Antes do período de quarentena, realizamos as atividades pontuadas

Quando a nuvem ficou muito pesada, cheia de gotas de água, e encontrou ar mais frio, algumas gotas caíram em forma de chuva e outras, com ar ainda mais frio,?. transformaram-se

Entendo que esses nomes científicos dos gêneros, espécies e variedades de nossas orquídeas, quase todos escritos em latim com exceção de algumas variedades, são

As borboletas têm cores bonitas As borboletas têm cores bonitas As borboletas têm cores bonitas De vlinders hebben mooie kleuren As orquídeas também são bonitas As orquídeas