CONSELHO NACIONAL DA ÁGUA
ACTA DA 56ª REUNIÃO
21 de Julho de 2015 (minuta)
No dia 21 de Julho de 2015, às 10h00, teve lugar a quinquagésima quinta reunião do Conselho Nacional da Água (CNA), no Salão Nobre do Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, na rua de “O Século”, que contou com a presença de Sua Excelência o Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Eng.º Jorge Moreira da Silva, na qualidade de Presidente, do Secretário de Estado do Ambiente, Dr. Paulo Lemos, para além dos seguintes elementos que integram o Conselho:
Secretário-Geral: Joaquim Poças Martins
Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente: Nuno Lacasta
Vice-Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente: António Sequeiro Ribeiro
Representante do Presidente da Agência para o Desenvolvimento e Coesão: Rui Inácio
Director-Geral do Território: Rui Alves
Director-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos: Ana Paula Simão (em substituição)
Director-Geral de Energia e Geologia: José Couto (em substituição)
Subdirectora-Geral da Agricultura e Desenvolvimento Rural: Filipa Horta Osório
Representante do Instituto de Turismo de Portugal: Fernanda Praça
Presidente da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos: Orlando Borges
Representante do Ministério da Defesa Nacional: Ana Cristina Correia (em substituição)
Representante do Governo da Região Autónoma da Madeira: Alexandre Gaspar
Presidente do Conselho de Administração das Águas de Coimbra: Pedro Coimbra
Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira: Alberto Mesquita
Representante da organização não governamental QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza: Carla Graça
Representante da organização não governamental APDA; Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas: Rui Godinho
Representante da organização não governamental APESB, Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental: Paulo Ramísio
Presidente do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária: Rui Tainha do Rosário (em substituição)
Representante do Laboratório Nacional da Engenharia Civil: Rafaela Saldanha Matos
Secretário Geral da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP): Luís Mira
Representante da Confederação Empresarial de Portugal (CIP): Jaime Braga
Presidente da Assoc. das Empresas Portuguesas para o Sector do Ambiente (AEPSA): Francisco de Mariz Machado
Vice-Presidente do Grupo Águas de Portugal: Manuel Fernandes Thomaz Membros convidados:
Carlos Alberto Mineiro Aires (Ordem dos Engenheiros)
Francisco Nunes Correia (IST)
Maria da Conceição Cunha (FCTUC)
João Paulo Lobo Ferreira (LNEC)
Fernando Veloso Gomes (FEUP)
António Eira Leitão (Hidroerg)
José Barahona Núncio (FENAREG)
António Carmona Rodrigues (UNL-FCT)
Carlos Sousa Reis (FCUL)
Justificaram a sua ausência, indicando substituto nos termos estabelecidos nos n.º 3 e n.º 7 do artigo 2º do Decreto-Lei n.º 166/97, de 2 de Julho, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 84/2004, de 14 de Abril, o Director-Geral de Energia e Geologia, o representante do Ministério da Defesa Nacional e o Presidente do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária. Comunicaram e justificaram a sua ausência, o representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros, os Presidentes das Câmaras Municipais de Évora e de Tavira, o representante da Associação Portuguesa de Recursos Hídricos, os Professores João Pedroso Lima (UC) e Rui Cortes (UTAD) e os vogais convidados, Prof. Doutor António Betâmio de Almeida e Prof. Doutor Francisco Avillez. Face à
agenda da reunião, estiveram ainda presentes o Eng.º Pedro Serra e o Eng.º Theo Fernandes, da empresa 2 ECO, gestão do ambiente e economia ecológica.
Anteriormente à reunião, foram distribuídos os seguintes documentos1:
Plano Nacional da Água – Relatório n.º 2 – Análise dos principais problemas, diagnóstico, objetivos e medidas (ponto 2. da OT).
Acta da 55.ª reunião plenária (minuta) (ponto 3. da OT).
A reunião teve a seguinte:
Ordem de Trabalhos
1. Informações Gerais.
2. Proposta de Plano Nacional da Água.
3. Acta da 55.ª reunião do CNA, realizada a 25 de Fevereiro de 2015.
Sua Exa. o Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia deu início ao 1º Ponto da Ordem de Trabalhos, apresentando um conjunto de informações sobre o desenrolar das relações luso-espanholas no domínio dos recursos hídricos, matéria que naturalmente se cruza com os temas objeto do PNA. A esse propósito, deu conta da 3ª Conferência das Partes que tinha tido lugar no Porto no dia anterior e na qual, em conjunto com a sua homóloga espanhola, tinham abordado: i) a avaliação do processo de planeamento hidrológico das bacias hidrográficas partilhadas, ii) a atribuição de tarefas adicionais ao “Grupo de Trabalho de Planeamento da CADC” para acompanhamento da qualidade das massas de água partilhadas, iii) a avaliação das situações hidrometeorológicas das bacias hidrográficas partilhadas, e iv) o desenvolvimento de um projecto conjunto de controlo das massas de água partilhadas.
Relativamente ao primeiro ponto, referiu que a Conferência das Partes se congratulou com a atividade desenvolvida pelo Grupo de Trabalho para o Planeamento da CADC na elaboração do documento designado “Elementos comuns a incluir nos Planos de Gestão de Região Hidrográfica 2016-2021”, através do qual do qual se identificam e caracterizam as massas de água partilhadas. Por outro lado e tendo em vista o aprofundamento da implementação da cooperação internacional em bacias partilhadas, a Conferência das Partes tinha atribuído ao Grupo de Trabalho a elaboração de um
documento conjunto sobre os PGRH 2016-2021 das bacias internacionais partilhadas para informar o público e a Comissão Europeia sobre os progressos alcançados.
Sobre o segundo ponto abordado, salientou que os programas de monitorização, necessários à avaliação da eficácia das medidas contidas nos planos para promover o bom estado das massas de água, exigem recursos humanos muito significativos, justificando-se a concertação entre os dois países para otimização dos meios a empenhar e para partilha de dados entre as administrações. Nesse sentido, os dois países tinham mandatado o mesmo Grupo de Trabalho para elaborar um plano de monitorização a executar por Portugal e Espanha, com o objetivo de avaliar o estado das massas de água comuns entre 2016 e 2021 e acompanhar a implementação das medidas previstas nos PGRH que influenciem essas massas de água.
No âmbito do terceiro ponto tratado na Conferência das Partes, foi concluído que apesar da ocorrência de precipitações reduzidas nas quatro bacias partilhadas no ano hidrológico em curso, estava a ser possível assegurar os usos e os caudais ecológicos com as reservas das albufeiras. Foi ainda referido que perante a potencial ocorrência de situações de seca, os dois países iriam implementar as medidas que se considerassem necessárias para a regulação dos caudais, tendo acordado intensificar os mecanismos de coordenação e acompanhamento neste domínio. Adicionalmente, as Partes mandataram a CADC para definir os procedimentos para fazer face a situações de seca nos termos do artigo 19º da Convenção de Albufeira.
No âmbito do quarto ponto, o Grupo de Trabalho para a Informação da CADC foi mandatado para avaliar a possibilidade de desenvolver um projeto comum com recursos a financiamento através do Programa de Cooperação Transfronteiriça Portugal-Espanha, que avalie as redes de monitorização e harmonize os procedimentos de estimação de caudais. A candidatura a financiamento desse projeto deverá ser apresentada até Setembro de 2016.
A concluir a sua intervenção no âmbito do primeiro ponto da OT, prestou o devido reconhecimento aos responsáveis da APA e ao embaixador Rui Lopes Aleixo pelo trabalho desenvolvido no âmbito da CADC e referiu que, embora Portugal ainda não estivesse a vivenciar uma situação de seca hidrológica, tinha decidido avançar já com várias medidas, que incluíam o reforço da fiscalização de descargas ilegais e a convocatória da Comissão de Gestão de Albufeiras com o objectivo de modelar os caudais ecológicos libertado das barragens, em particular nos aproveitamentos hidroelétricos.
Dando início ao 2.º ponto da Ordem de Trabalhos, agradeceu às pessoas encarregues da elaboração do Plano Nacional da Água (PNA 2015), em particular ao Eng.º Pedro Serra, pelo trabalho desenvolvido e pela exposição que hoje será feita, na sequência do diagnóstico apresentado na anterior reunião. Informou que a discussão pública do plano se iniciava neste momento e pelo prazo de um mês. Embora reconhecendo não ser o verão o período ideal para uma discussão pública, considerou importante concluir a elaboração deste instrumento de planeamento antes do final da legislatura. Para esse efeito, o plenário do Conselho seria convocado durante setembro para a emissão do Parecer sobre a proposta de plano.
Prosseguindo o 2.º ponto da Ordem de Trabalhos, o Eng.º Pedro Serra e o Eng.º Theo Fernandes fizeram uma exposição detalhada sobre a proposta de PNA 20152.
Iniciando o período de debate, o Prof. Poças Martins solicitou que as intervenções dos conselheiros fossem sucintas e focadas nos aspetos essenciais da proposta de PNA 2015, sendo intervenções mais detalhadas preferencialmente remetidas por via escrita.
A Prof.ª Conceição Cunha felicitou o Eng.º Pedro Serra pelo trabalho desenvolvido, considerando ser o plano, em muitos aspetos, um compêndio que sintetiza uma quantidade de informação extremamente útil. Embora o plano refira o Plano Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT), que diz estar em vigor (embora em revisão), é omisso na referência a uma avaliação existente sobre a sua implementação no período de 2007-2013, que contém muitas sugestões importantes. NA sua opinião, o texto da proposta de PNA 2015 é muito claro e sério sobre vários problemas já antes mencionados neste Conselho, de que salientou os associados à monitorização e a implementação dos programas de medidas contidos nos PGRH. Referiu a existência de aspetos que sistematicamente são menosprezados e que põem em causa a qualidade e eficácia destes instrumentos, não permitindo a sua avaliação e a clara atribuição de responsabilidades, considerando importante estabelecer a resolução destas lacunas como desígnio nacional.
Prosseguindo a sua intervenção, saudou a estratégia de partilha e integração de informação proposta, aspecto essencial na eficácia da Administração. Um outro aspeto importante realçado na proposta de PNA é a criação de mecanismos de capacitação, incluindo a ideia da formação na “Escola da Água”, que considerou dever ser transparente e meritocrática e que pode contribuir para explorar o conhecimento acumulado em muitas partes do país. Chamou ainda a atenção para outros aspetos,
nomeadamente relacionados com a robustez da Administração Pública, sugerindo a reposição dos mecanismos de admissão existentes no passado. Ainda sobre o conteúdo do PNA, sugeriu um maior desenvolvimento do capítulo 4 (síntese de medidas e ações). A concluir, referiu que apesar do plano estar globalmente bem gizado, perde-se frequentemente a noção de um grande desígnio do PNA 2015, já que o documento remete sistematicamente para medidas já previstas noutros instrumentos, faltando uma análise crítica integrada dessas medidas no contexto dos cenários prospetivos.
A Dra. Paula Chaínho felicitou o Eng.º Pedro Serra pelo trabalho desenvolvido. Embora tenha sido referido que o PNA não fazia a síntese dos PGRH, a exposição parecia demonstrar o contrário, sendo que somente na parte final do documento existiam propostas, embora mesmo para essas propostas não ficasse claro quem as iria implementar e financiar. Referiu a necessidade de melhor articular os vários instrumentos legais existentes, algo para que o PNA poderia contribuir de forma mais efetiva. A esse respeito, referiu a necessidade de articular a Quadro da Água (DQA) com a Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM). Esta última diretiva tem nomeadamente indicadores de pressão relacionados com a navegação que poderiam ser também pertinentes no âmbito das águas de transição e costeiras abrangidas pela DQA. Considerou ainda importante que o PNA informasse sobre o estado de evolução dos Planos de Ordenamento de Estuários (POE). A concluir, solicitou um esclarecimento sobre o processo de constituição e funcionamento dos Conselhos de Região Hidrográfica.
O Eng.º Lobo Ferreira felicitou os autores pela forma aberta como apresentaram os resultados contidos no PNA 2015, o que considerou valorizará o País. Fez algumas considerações sobre a questão das águas subterrâneas no maciço antigo que, embora não constituindo aquíferos, possuem valor estratégico, lançando um desafio relacionado com a proteção das pequenas captações subterrâneas nessa zona. Referiu ainda um outro aspeto relevante, sobre como fazer face à variabilidade climática no âmbito dos recursos hídricos subterrâneos, nomeadamente tendo em conta a dependência que os ecossistemas aquáticos e ribeirinhos apresentam relativamente àqueles recursos. A esse respeito referiu a existência de técnicas capazes de solucionar problemas relacionados com o aumento da variabilidade climática, como a recarga artificial de aquíferos. Referiu também a necessidade de o PNA 2015 dar um maior aprofundamento às regiões hidrográficas da Madeira e dos Açores. A finalizar a sua intervenção, referiu a questão da incorporação do conhecimento proveniente da Sociedade Civil, dando o exemplo de projetos como o MO4Rivers, vencedor do concurso IGEO Mentes Criativas, em que troços de rio são atribuídos à população, que, conjuntamente com a Administração, participam na monitorização e na resolução dos problemas identificados.
O Eng.º Rui Godinho começou por referir que o documento irá, naturalmente, requerer uma leitura mais detalhada. Não obstante, considerou ser o PNA 2015 um excelente documento de trabalho para discussão pública. Alertou que a descrição sobre o estado de qualidade das massas de água contida no PNA 2015 irá implicar a revisão imediata dos eixos 1 e 2 do PENSAAR 2020. Salientou que a aprovação de um plano com esta natureza irá necessitar de um sistema robusto e continuado de monitorização de recursos hídricos, sistema que teve percalços conhecidos. Sublinhou também o documento da OCDE “stakeholders engagement”, um dos importantes documentos que o programa Water Governance Initiative já produziu, e os seus vários aspetos inovadores, referindo que a ambição de um plano com esta natureza, bem como o segundo ciclo de PGRH, obrigará a revisitar a actual estrutura de administração dos recursos hídricos.
O Eng.º Luís Mira congratulou-se com o conteúdo da proposta relativamente às derrogações e prorrogações dos objetivos ambientais para as massas de água, que deverão incluir análises custo-benefício, custo-eficácia, bem como a avaliação da capacidade de pagamento. Manifestou dúvidas sobre a responsabilização quase exclusiva da agricultura pela poluição por nitratos tendo em conta as técnicas de fertilização actualmente utilizadas. Realçou a abordagem da seca no PNA, em contraste com os PGRH em que o tema, estranhamente, não é considerado. Sobre as ribeiras do oeste, referiu que os problemas relacionados com as suiniculturas não é tão generalizado como referido, estando estas instalações concentradas na zona da Lourinhã. Considerou a questão dos caudais nos rios partilhados com Espanha, nomeadamente no rio Tejo, relevante para a agricultura. A revisão da ENEAPAI é apontada como uma estratégia a explorar na proposta de PNA, embora a filosofia que lhe esteve subjacente tenha de ser profundamente revista e atualizada, uma vez que foram identificados muitos entraves à sua execução. Ainda sobre a Comissão Interministerial proposta no PNA 2015, considerou óbvio ser necessário articular as instituições do Governo, mas alertou para a necessidade de não esquecer os stakeholders, questionando a esse respeito a evolução do processo de constituição e funcionamento dos Conselho de Região Hidrográfica, que ainda não tinham reunido.
O Prof. Poças Martins saudou o aparecimento da proposta de PNA, relembrando ter feito parte do Grupo de Trabalho do CNA que acompanhou a elaboração inconclusiva do PNA até ao final de 2011. Referiu ser este um plano com rostos, o que se considerou, por experiências anteriores, fazer toda a diferença. O plano estabelecido na Lei da Água cumpre os seus objetivos, faz um registo exaustivo das obrigações do Estado português, embora pela sua natureza estratégica devesse ter uma ligação mais clara entre a visão os objetivos e as medidas. Seria também conveniente que o plano clarificasse a identificação de algumas doenças comuns a um conjunto de sintomas, que depois se refletem em
várias disfunções na gestão dos recursos hídricos (por exemplo o ordenamento do território, divisão administrativa, fragmentação, etc.).
Prosseguindo a sua intervenção, referiu existirem situações que são referidas, por exemplo na zona do Tejo em que terão sido licenciados áreas agrícolas em locais ainda sem garantia de disponibilidade de água, que deviam ser evitadas. Considerou ser desejável que o PNA fosse um documento mais apelativo, com mais gráficos e figuras. Referiu ainda não se rever em alguma da informação apresentada no PNA 2015, dando o exemplo do rio Minho que aparece a vermelho na figura que ilustra o seu Estado, sendo que o país não é só vermelho ou verde. A concluir a sua intervenção, salientou que muitas massas de água continuam com má qualidade depois de muitos milhões de euros investidos em infraestruturas de saneamento, o que irá requer uma avaliação cuidada das situações, embora possa existir algum desfasamento natural entre a implantação e funcionamento das infraestruturas e a melhoria da qualidade das massas de água.
O Eng.º Pedro Serra esclareceu ser o PNA constituído por três relatórios. Um primeiro relatório faz o levantamento dos vários planos e programas sectoriais existentes e avalia a sua interação com o PNA, correspondendo sensivelmente aos elementos apresentados na anterior reunião do Conselho. O segundo relatório, agora apresentado, contem a análise dos principais problemas, diagnóstico, objetivos e medidas, a partir do qual será elaborada uma versão reduzida que constituirá o PNA 2015 a aprovar em Conselho de Ministros. Esclareceu que as figuras utilizadas na exposição foram retiradas dos PGRH e que os objetivos que o PNA propõe são complementares ou devem ser refletidos nos próprios PGRH. Concordou que seria preferível completar o PNA antes da elaboração dos PGRH, embora nesse caso a informação utilizada no diagnóstico não estivesse disponível. Manifestou concordância com a importância de articular DQA e DQEM, algo que referiu está a ser desenvolvido nos PGRH.
Manifestou as dificuldades sentidas para manter atualizada a legislação com reflexos no PNA 2015 e referiu não ter sido possível consultar todos os elementos disponíveis para os Açores e a Madeira, tendo solicitado o envio de documentos que pudessem ainda melhorar a qualidade do PNA relativamente às duas regiões autónomas. Sendo a agricultura o principal utilizador de recursos hídricos, considerou que porventura estará ainda a pagar por ter sido durante muito tempo a maior pressão sobre os recursos hídricos, manifestando concordância com a revolução registada na agricultura portuguesa nos últimos 10 anos, que irá seguramente continuar. Será assim necessário que o PNA projete o que pode ser o desenvolvimento da agricultura do ponto de vista das necessidades de água, o que foi feito fundamentalmente no primeiro relatório. No segundo relatório é
salientado sobretudo o que tem de ser feito relativamente às pressões qualitativas, de que salientou a problemática relacionada com os nitratos, aspeto em relação ao qual o Estado português está em falta. Considerou também necessário continuar a avançar na recuperação de custos, matéria em relação ao qual a Comissão Europeia é muito sensível. Sobre a questão dos efluentes pecuários, referiu que muitos efluentes de suiniculturas da zona oeste são espalhados de forma pouco controlada noutras regiões, como o Ribatejo e Alentejo. Precisamente por isso, foi proposta não a revisão do ENEAPAI, estratégia muito datada, mas a elaboração de um plano especial vinculante para todas as partes, no qual a agricultura deve participar ativamente e em que o CNA deve ser chamado a acompanhar a respetiva implementação. A este respeito, referiu ainda que os PGRH espanhóis também tinham identificado as suiniculturas como sendo das pressões qualitativas mais severas sobre as massas de água. Considerou que a questão do caudal dos rios internacionais levantada pelo Eng.º Luís Mira tem muito a ver com os regimes de caudais ecológicos, o que aliás justificou o primeiro PEGA proposto pelo PNA 2015, sendo necessário determinar de forma mais cuidada o que será esse regime.
Quanto aos gráficos apresentados, esclareceu terem sido retirados dos PGRH, considerando terem sido feitos para serem lidos por juristas (as massas e água ou alcançam os objetivos e estão a verde, ou não alcançam e estão a vermelho). Todavia, concordou com a existência de divergências entre o estado de algumas massas de água e a perceção da sua qualidade pelas pessoas, como referido pelo Prof. Poças Martins relativamente ao rio Minho. Esclareceu ainda que os PGRH apresentam todas as figuras relacionadas com as massas de água, incluindo, separadamente, o estado ecológico (avaliado numa escala de cinco classes, excelente, bom, razoável, medíocre e mau) e o estado químico, sendo fáceis de ler por terem sido elaborados de acordo com uma matriz comum. A concluir a sua exposição, referiu ficar a aguardar todos os comentários que fossem feitos posteriormente por escrito.
O Prof. Poças Martins referiu que o PNA não é devido no âmbito da DQA e que deverá representar uma importante peça de comunicação, propondo a incorporação no plano de informação adicional, nomeadamente a relativa às diferentes classes do estado ecológico.
O Eng.º Rui Godinho manifestou desconhecer se em relação aos indicadores utilizados para a classificação das massas de água foi avaliado o impacto da poluição difusa. A esse respeito, referiu que a organização do território português tem imensas fontes de poluição difusa que são completamente impossíveis de intersectar e resolver com sistemas de saneamento e que contribuem
para alguns dos problemas de qualidade que temos e que vamos continuar a ter nas nossas massas de água.
O Dr. Nuno Lacasta agradeceu não apenas ao Eng.º Pedro Serra e à equipa que elaborou a proposta de PNA, mas também às várias equipas técnicas da APA envolvidas, que têm estado a trabalhar com grande intensidade para garantir o cumprimento dos prazos de planeamento. Por isso, as dezenas de reuniões de trabalho realizadas na elaboração dos planos de recursos hídricos, mas também de instrumentos relacionados com outras áreas temáticas, como as alterações climáticas, garantiram a existência de estratégias transversais aos diferentes instrumentos de planeamento.
Referiu ainda alguns aspetos relacionados com a utilização de métricas no âmbito da implementação da DQA, nomeadamente a necessidade de aplicar o princípio “one out all out”, que refere que o Estado de uma massa de água é determinado pelo elemento de qualidade mais afetado pela atividade humana, o que pode gerar classificações que parecem por vezes assincrónicas com os investimentos feitos para melhoria do Estado das massas de água. Referiu que a CE se comprometeu a melhorar a vertente da comunicação e que estava em preparação uma infografia para o PNA.
Sua Exa. o Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia referiu ter tomado boa nota dos vários contributos feitos, sendo que o secretariado do CNA irá fazendo chegar à equipa que está a elaborar o plano os contributos adicionais que forem enviados pelos membros do Conselho. A discussão pública em Agosto fará prever a próxima reunião do CNA no início de setembro para emissão do Parecer sobre a proposta de PNA, embora não tivesse ainda decidido se nessa altura daria início ao processo legislativo necessário para a publicação do PNA em Diário da República. Referiu que o POSEUR irá abrir o essencial das candidaturas a partir do final de 2015, pelo que seria conveniente ter entretanto o PNA aprovado para, conjuntamente com o PENSAAR 2020, serem criadas condições mais favoráveis ao enquadramento estratégico dessas candidaturas.
Por outro lado, referiu que a aprovação do PNA facilitará o diálogo com Espanha, nomeadamente no âmbito da CADC e da agenda exigente proposta na 3ª Conferência das Partes. Considerou importante trabalhar para consolidar as posições portuguesas e realçou a notável capacidade técnica da APA e das ARH nos trabalhos desenvolvidos. Considerou que, porventura, não terá sido valorizada a disrupção conceptual que o PNA faz, nomeadamente no diagnóstico, que é muito cru, o que não é habitual em documentos desta natureza. Ao nível dos investimentos, referiu que o diagnóstico reflete a realidade de que grande parte dos esforços a desenvolver para melhoria do estado das massas de
água não irão envolver infraestruturação, relevando aspetos como a necessária gestão de ativos, o que irá requerer uma mudança de mentalidades.
Embora não queira confundir recursos hídricos com serviços da água, considerou necessário abordar os dois temas de forma integrada. Referiu que não é por existirem 634 milhões de euros no POSEUR ainda para o setor das águas e saneamento que isso corresponderá ao fecho de ciclo ao nível das baixas, tendo confessado perplexidade com o facto de não ter sido até ao momento apresentado um único projeto intermunicipal. Revelou ser sua preocupação mobilizar os municípios maiores para que não avancem sozinhos em candidaturas que depois impeçam a recuperação da qualidade das massas de água associadas a sistemas de menor dimensão. Nesse sentido, tentará que as primeiras calls do POSEUR avancem com sinais claros de aumento de massa crítica e que favoreçam candidaturas que entrem em lógica intermunicipal ou de verticalização. Manifestou total concordância com a relevância dos CRH, que estão a ser constituídos e que deverão reunir ainda duas vezes em 2015 para discussão dos PGRH. Referiu também a questão da integração de planos, sendo necessário que estes documentos não estejam cristalizados e possam ser adaptados através do feedback de outros instrumentos. Assim e mesmo tendo em conta a base comum utilizada na elaboração do PENSAAR 2020, dos PGRH e do PNA, o primeiro prevê explicitamente mecanismos de atualização.
Sobre as relações com Espanha, considerou ser percetível para todos, que Portugal com a 3ª Conferência das Partes e sem reabrir o diálogo sobre os caudais, pretendeu criar condições para que os caudais venham a ser definidos de uma forma articulada também num contexto de seca. Assim, mesmo em situação de seca deverá haver coordenação, troca de informação e decisão partilhada entre Portugal e Espanha. Com o mandato dado à CADC e desde que Portugal faça bem o seu trabalho, considerou existirem condições para impor ao lado espanhol um nível de participação e articulação que hoje não existe. Alertou todavia para as nossas responsabilidades nesta matéria, referindo que várias ONG estão a atirar culpas para Espanha relativamente aos caudais do rio Tejo, embora face ao estipulado na Convenção os caudais descarregados estejam a respeitar o acordado. Salientou a necessidade de algumas atividades alterarem determinados procedimentos em situações de seca, referindo também a importância de associações como a CAP na articulação com os agricultores em situações de exceção.
Pediu ao CNA para que contribuísse para fazer do PNA 2015 uma oportunidade de capacitação, incrementando a literacia e aproximando a temática dos cidadãos, algo que tem sido difícil na área dos recursos hídricos, em contraste com a área dos serviços de água onde essa comunicação é mais
direta. A concluir, referiu as muitas decisões importantes na área do ambiente que se registarão até ao final do ano, desde logo com a Conferência de Paris, onde a adaptação às alterações climáticas no domínio dos recursos hídricos terá realce, bem como a aprovação dos PGRH e o reforço da discussão com Espanha. Será uma oportunidade excelente para aprofundar e melhorar em Portugal a política de ambiente, no geral, e a de recursos hídricos, em particular.
Num esclarecimento sobre os POE, o Dr. Nuno Lacasta referiu que o do Tejo estava mais avançado, tendo mesmo sido feita uma primeira ronda de discussão com os stakeholders. Em relação aos restantes POE, foi entendido que em termos de prioridade de financiamento fazia mais sentido dar prioridade aos PGRH e o PNA.
O Prof. Poças Martins colocou a votação a ata da reunião plenária anterior (55.ª), (3.º ponto da Ordem de Trabalhos), que foi aprovada unanimidade. Informou ainda que o livro sobre os 20 anos de atividade do CNA estava pronto e que seria em breve disponibilizado aos conselheiros para apreciação crítica, precedendo a sua edição. Essa apreciação poderia focar-se não apenas sobre as intervenções pessoais mas também sobre outros aspetos gerais referentes à organização e conteúdo do livro. Ainda sobre a publicação referiu que terá como anexo um capítulo dirigido a alunos do ensino básico e secundário das escolas Portuguesas, em que se procura explicar, de forma simples, os problemas associados à água e, especialmente, o que cada um pode fazer para preservá-la e usá-la bem.