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SEGUNDO TRIBUNAL DE ALÇADA CIVIL Décima Câmara
APELAÇÃO SEM REVISÃO Nº 558.657-0/0 – PINDAMONHANGABA Apelantes: Juízo de Direito ex officio
Instituto Nacional do Seguro Social Apelado: Jair Anastácio Moreira
REEXAME NECESSÁRIO. Lei nº 9.469, de 1997, art. 10. Equiparação da entidade autárquica à Fazenda Pública. Entendimento que beneficia o hipossuficiente, por evitar possível interposição de recurso constitucional que exigirá maior tempo para entrega da prestação jurisdicional. Conhecimento.
ACIDENTE DO TRABALHO. Disacusia Neurossensorial Bilateral. Ouvido direito = 37,90%. Ouvido esquerdo = 30,24%. Perda auditiva bilateral de 31,20%, já descontadas as insuficiências auditivas decorrentes da idade cronológica. Comprovados o nexo etiológico e a incapacidade parcial para o trabalho, concede-se o benefício de prestação continuada - Auxílio Acidente - ao Segurado.
LEI Nº 9.528, de 10/12/97, art. 2º. Restabelecimento do § 4º, do art. 86, da Lei nº 8.213, de 24/07/91. Requisitos necessários satisfeitos.
Voto nº 3.725
Visto.
JAIR ANASTÁCIO MOREIRA ingressou com Ação de Prestações por Acidente do Trabalho contra o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, qualificação e caracteres das partes nos autos, alegando que devido as condições agressivas do ambiente de trabalho tornou-se portador de disacusia neurossensorial bilateral.
Encartados os laudos médico e de vistoria firmados pelo Perito Judicial, vencida a instrução, houve entrega da prestação jurisdicional, sendo o INSS condenando aos pagamentos de auxílio acidente de 50% do salário de contribuição, abono anual, a partir de
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25.4.97 (data da citação), juros de mora, custas e despesas processuais, salários do Perito e honorários de Advogado de 10% sobre as parcelas vencidas até a data da sentença, traçando a decisão os parâmetros para a atualização.
Recorreram:
1- O MM. Juiz de Direito ex officio.
2- O INSS. Aduziu inexistir incapacidade indenizável pois “... o trabalho exercido pelo Apelado não era agressivo e muito menos executado em condições, de tal sorte prejudiciais, que fossem capazes de provocar a doença mencionada na Inicial ...” (Folha 124). Pede, ainda, que o
benefício seja calculado sobre o salário de benefício e não sobre o de contribuição.
O Segurado JAIR ANASTÁCIO MOREIRA apresentou contra-razões sustentando o acerto da decisão.
A PROMOTORIA DE JUSTIÇA inferiu pelo parcial provimento. A PROCURADORIA DE JUSTIÇA opinou pelo não conhecimento do recurso oficial e pela acolhida parcial (do recurso) do INSS.
É o relatório, adotado no mais o da r. sentença.
Tem aplicação às ações acidentárias a ordem de reexame necessário da sentença proferida contra o INSS. A matéria foi tratada pela Medida Provisória nº 1.561, de 1997, e na subseqüente Lei nº 9.469, de 1997, que, no artigo 10 manda aplicar às Autarquias o disposto no artigo 475, caput, inciso II, do Código de Processo Civil.
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Inqüestionável a natureza autárquica do ente previdenciário, em que pese sua atuação como segurador de empresas privadas. Daí sua equiparação à Fazenda Pública para os fins de reexame obrigatório das decisões de primeiro grau que lhe sejam desfavoráveis.
A mesma Lei nº 9.469, de 1997, em seu artigo 1º, prevê a possibilidade de acordos ou desistências de recursos voluntários por parte das autarquias. Em igual sentido dispõe a Lei nº 8.213, de 1991, no artigo 131, conforme redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997.
Mas nem por isso se há dizer incompatível o preceito com a revisão procedida através do chamado recurso de ofício. Basta lembrar que em processos em que seja parte a Fazenda, também se poderia aventar a hipótese de transigência ou desistência de recurso, procedimento excepcional que, todavia, não afasta a norma genérica do artigo 475, inciso II, do Código de Processo Civil.
Não constitui novidade essa previsão de reexame obrigatório no campo da legislação infortunística. Existiu norma expressa, a respeito, na Lei nº 5.316, de 1967, em seu artigo 15, § 5º. Com a superveniência de outros diplomas, até a (vigente) Lei nº 8.213, de 1991, desapareceu aquela determinação, mas a questão restou em aberto, sem previsão em sentido contrário. Por isso é que não se há de dizer incompatível o sistema de lei vigente com a norma especial agora reintroduzida pela Lei nº 9.469, de 1997.
Há entendimentos respeitáveis em sentido contrário. Enquanto a jurisprudência não se posicionar afigura-se, permissa
vênia, de melhor política econômica para o Segurado o conhecimento
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recursos constitucionais1 que, sem dúvida, demandariam tempo bem maior para possível execução da decisão que lhe for favorável.
Encontram-se comprovados o nexo etiológico e a incapacidade parcial para o trabalho. A vistoria no local de trabalho atesta:
“... O Requerente trabalhou na Fábrica I - Caldeiraria Pesada (...)
Entrada ruído ambiente igual a: 86 dB Lixadeira: 102 a 104 dB
Ruído ambiente na lixadeira: 98 dB Grafite: 112 a 114 dB
Ruído ambiente no grafite: 102 dB Maçarico: 98 dB
MIG/MAG: 95 dB (...)
Fábrica II - Caldeiraria leve (...) Entrada: 88 dB
Lixadeira: 104 dB
Ambiente da lixadeira com 2 lixadeiras em funcionamento: 92 dB
Ambiente da lixadeira com 1 lixadeira em funcionamento: 90 dB Maçarico: 90 dB. (...) Galpão de Caldeiras (...) Ambiente: 76 dB TIG orbital: 76 dB Retificador: 96 dB
Ambiente TIG e retificador: 86 dB. Cleen - Caldeiraria Especial (...) Ruído Ambiente: 92 94 dB Lixadeira: 104 a 105 dB
1- Lei nº 8.038, de 1990, c.c. art. 541 e seguintes do Código de Processo Civil, com a redação da Lei nº 8.950, de 1994 – Recursos Especial e Extraordinário.
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Ambiente da Lixadeira: 100 dB Solda interna de peças: 98 dB II - Conclusão
Do observado e exposto, concluímos que o Autor estava exposto a ruídos acima dos limites máximos de tolerância permitidos, potencialmente prejudiciais ao aparelho auditivo. ...” (folhas 91/92). A perícia revelou: “... Ouvido direito: 37,90% Ouvido esquerdo: 30,24% Perda bilateral: 31,20% (...)
Pelo critério médico otorrinolaringológico, o indivíduo portador da perda auditiva induzida pelo ruído, não deve ser permanecer em locais e atividades em que existam níveis de ruído superiores a limites que possa, agravar a lesão auditiva já instituída, sendo necessária a mudança de local de trabalho e atividade (...) este risco de agravamento que a permanência na atividade pode acarretar, que é palpável e indiscutível, está implicitamente incluído no conceito de incapacidade laborativa. ...” (folhas 87/88).
E depois, concluiu:
“... o presente Autor, portador de uma perda auditiva induzida pelo ruído perfeitamente caracterizada e decorrente do exercício de suas atividades profissionais, baseado em critério médico otorrinolaringológico e de acordo com os princípios periciais postulados pela própria previdência social, apresenta uma incapacidade laborativa que obriga a mudança de atividade para outra em que não venha a se expor a níveis de ruído onde fatalmente as suas lesões virão a se agravar, (...) visto que a nova atividade, após a devida reabilitação profissional, pode ter o mesmo nível de complexidade que a anterior ...” (folha 88).
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O ouvido relaciona o sistema nervoso
central com o mundo exterior, como os outros órgãos do sentido. É o responsável pela audição e assegura o equilíbrio. É composto de três partes: Externo, médio e interno.
O ouvido externo é a única parte visível e o responsável pela capitação dos sons. O ouvido médio compreende um sistema formado pela cadeia dos ossículos e janelas, dando-lhe interesse elementar porque transmite e amplifica as vibrações do tímpano até o ouvido interno; o ouvido interno compreende dois aparelhos distintos: o caracol ou cóclea, órgão da audição, e o vestíbulo, órgão do equilíbrio.
O aparelho receptor das vibrações acústicas chama-se Órgão de Corti. Está contido no canal coclear e estende-se em todo o seu comprimento. É ele constituído de um sistema de células sensoriais dispostas em dois grupos: Externo e interno. O grupo externo representa perto de vinte mil células sensoriais, alinhadas em três a cinco camadas. O grupo interno apenas três a quatro mil, mas em camada única.
O Órgão de Corti é de vital importância auditiva. É o verdadeiro seletor de freqüências, o lugar onde efetivamente se efetua a recepção dos sons.
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O sentido da audição começa com esse órgão e é ele que, pela sua constituição, estabelece o campo auditivo humano, as freqüências e as intensidades sonoras perceptíveis pelo ouvido do homem.2
A escala de freqüências estende-se perto de 20 a 20.000 vibrações duplas (ciclos) por segundo. Os infra-sons estão
abaixo e os ultra-sons (estão) acima e, tanto uns como outros não são
perceptíveis ao ouvido humano. Não obstante, nessa escala há, entre as freqüências de 250 a 4.000 vibrações duplas por segundo, uma zona de sensibilidade ótima correspondente às freqüências da linguagem.
Em relação à escala das intensidades ela se estende até cerca de 120 decibéis a partir do limiar. Daí em frente (além dessa intensidade sonora) a sensação se transforma inevitavelmente em dor.
Mas o Órgão de Corti, além de receptor acústico, é também um aparelho emissor, de tal sorte que pode, por um sistema de código, transformar em influxo nervoso, sem as deformar, as mensagens recebidas sob forma de vibrações sonoras.
Uma das características fundamentais da transformação é a neurofisiologia. Só pode produzir um influxo, a fibra nervosa, se a intensidade do estímulo atingir um nível suficiente, que se chama limiar. Evidente, então, que, desde que o limiar seja atingido, há origem do influxo e toda elevação da intensidade do estímulo se traduz, não pela modificação dos caracteres do influxo, mas pelo aumento do número de influxos.
2- Cada um dos indivíduos da espécie Homo Sapiens, única existente hoje em dia da família dos homínidas, do gênero Homo, da ordem dos primatas, classe dos mamíferos, espécie esta que ocupa uma posição especial na natureza, por possuírem seus membros, ao lado dos caracteres anatômicos e fisiológicos análogos aos dos mamíferos superiores, outros tantos que lhe são próprios, como a postura vertical com pés e mãos de funções diferenciadas (as mãos com o polegar oposto aos outros dedos), o volume do cérebro, o uso da linguagem articulada e
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As afecções do ouvido externo que podem repercutir sobre a audição, são aquelas que podem obstruir o conduto, dando origem ao obstáculo da propagação aérea dos sons.
Cuida-se, geralmente, de hipoacusias de transmissões puras, que afetam a única condução aérea e atacam os sons graves, seguidas quase sempre de zumbidos. A pessoa afetada pode perceber bem as conversas telefônicas apoiando o telefone contra o ouvido; ouve também sua própria voz amplificada no ouvido atingido e tem tendência natural para baixar a voz.
O ruído, atualmente, é a grande causa dos traumatismos sonoros e em determinados casos, de surdez, principalmente nos grandes centros industriais. Nessas circunstâncias tudo leva à aceitação equânime de que se trata de doença profissional ou do trabalho, v. g. explosões violentas que podem de uma só vez causar comoção labiríntica com surdez total e irreversível, maquinários, entre outros.
É bom lembrar que o tratamento dos casos de surdez de percepção é ainda decepcionante. É ineficaz a cirurgia. A terapêutica pode, é verdade, no máximo estabilizar a evocação da surdez. Somente uma prótese acústica pode melhorar a audição, mas apenas em certas formas de surdez, pois o problema se torna ainda mais complexo diante da existência de distorções da sensação sonora. Não é suficiente que os sons sejam amplificados. É
necessário que eles se tornem inteligíveis à conversação.
Difícil, mas não impossível, é determinar a incapacidade resultante das lesões auditivas, visto que não basta verificar os quadros de incapacidade determinados pela lei acidentária e simplesmente confrontá-los com a perda auditiva apresentada pelo
o desenvolvimento da inteligência, especialmente das faculdades de generalização e abstração. (Dicionário Aurélio)
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trabalhador, nas freqüências que a lei prejulga como incapacitantes para a função auditiva. Tal classificação é muito mais ampla e complexa.
O ouvido é um órgão neurossensorial e como tal participa de uma função do sistema nervoso central, que interliga o indivíduo com o meio exterior através do sentido auditivo. Como se isto não bastasse, relaciona-se diretamente com o sistema vestibular, participante primordial do equilíbrio corpóreo, o que o torna duplamente importante.
Na vida cotidiana, como nas diversas atividades profissionais, o organismo humano acha-se sujeito à ação nociva de ruídos patológicos, promovidos pelas mais diversas fontes geradoras
(de ruídos), e ocasionando uma forma de surdez que, quando
relacionada a fatores de origem profissional, recebem a denominação de surdez ocupacional.
A lesão auditiva assim constituída é decorrente da lesão das células sensoriais do Órgão de Corti e das terminações nervosas cocleares, com degeneração secundária desses elementos.
As curvas audiométricas obtidas em casos de hipoacusia neurossensorial por trauma acústico revelam, geralmente, uma perda bilateral mais acentuada, nas freqüências agudas e, particularmente, na faixa de freqüências de 3.000 a 6.000 Hz, que corresponde à região da membrana basilar mais susceptível às vibrações sonoras muito intensas ou prolongadas.
Um ambiente barulhento produz ansiedade, irritabilidade e fadiga, particularmente nos indivíduos suscetíveis. Além disso, o ruído pode determinar alterações temporais em diversas funções orgânicas, inclusive no sistema nervoso central. O ruído
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exerce ação geral sobre várias funções orgânicas, em detrimento da atividade físico-fisiológica e psíquica do indivíduo. Cada organismo
humano tem características peculiares, mais sensíveis em uns e menos em outros.
A lei acidentária exclui de sua avaliação o ouvido como um órgão, dando importância apenas a uma parte dele, como se o sentido da audição não fosse o conjunto de percepção das freqüências situadas entre 20 e 20.000 Hz (não apenas entre 500 e 3.000 Hz, como prevê). Dizer-se que esta faixa de freqüência é mais importante
que outras, visto ser a faixa responsável pela audição social, é fugir em parte da realidade.
Os limites de recepção da fala estão situados entre 250 e 4.000 Hz. Esses valores fazem parte do gráfico de limites de conversação, que é de conhecimento e de utilização mundial. As freqüências de 500, 1.000, 2.000 e 3.000 Hz, são apenas as faixas centrais dos limites de recepção da fala.
Com isto, os legisladores eximiram-se de classificar a lesão caracteristicamente profissional, que ocorre em 4.000 Hz e, que, na realidade, é apenas um sinal audiométrico que representa geralmente uma perda auditiva mais abrangente, e que se situa entre 3.000 e 6.000 Hz.
O que a lei pretende fazer, dando importância somente a faixa de freqüências situadas entre 500 e 3.000 Hz, é o mesmo que retirar teclas de um piano, interrogando sua existência, visto que são menos tocadas que outras. Imagine-se ouvir a 5ª Sinfonia de Tchaikovsky sem os sons mais agudos ou mais graves!
Isto significa que o trabalhador, estando empregado, tendo descortinada a lesão de cunho profissional em 4.000 Hz, deve ser encaminhado ao INSS pela empregadora para avaliação de sua
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incapacidade através da abertura de CAT (Comunicação de Acidente do Trabalho).
Pode-se concluir que a Lei tem sido extremamente pobre em relação ao método de pesquisa, falha com referência aos critérios de quantificação da perda auditiva e negligente com respeito ao diagnóstico da lesão e sintomas associados3.
As lesões auditivas produzidas pelo ruído atingem as faixas de freqüência de 3.000 Hz a 6.000Hz. Permanecendo o
segurado sob exposição, elas progridem e destroem os elementos sensoriais e ensejam a perda auditiva em intensidade e em extensão para outras faixas de freqüências, podendo dar causa à perda total da audição.
Essas lesões auditivas induzidas pelo ruído fazem surgir o zumbido, sintoma que permanece durante o resto da vida do segurado e, que, inevitavelmente, determinará alterações na esfera neurovegetativa e distúrbio do sono. Daí a fadiga que dificulta a sua produtividade.
Os equipamentos contra ruído não são suficientes para evitar e deter a progressão dessas lesões auditivas originárias do ruído, porque somente protegem o ouvido dos sons que percorrem a via aérea. O ruído origina-se das vibrações transmitidas para o
esqueleto craniano e através dessa via óssea atingem o ouvido interno, a cóclea e o órgão de Corti.
Como características do agente causador são lembradas a intensidade (nível de pressão sonora), o tipo (contínuo, intermitente
3- A legislação nos Estados Unidos difere de Estado para Estado daquela Federação. Desde 1978 os Estados do Alaska, Califórnia, Hawai, Iowa Maine, Nebraska, Nevada, New Hampshire, New Jersey, New York, Ohio, South Carolina, Texas, Virginia e Wisconsin, indenizam seus trabalhadores não só pela perda auditiva induzida pelo ruído, como também pela presença do zumbido, em casos de exposição ao ruído no ambiente de trabalho.
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ou de impacto), a duração (tempo de exposição a cada tipo de agente) e também a
qualidade (freqüência dos sons).
Não se pode olvidar que determinadas pessoas
apresentam maior facilidade para contrair doença, quando expostas às mesmas condições ambientais que outras. Sabe-se
que um som a 80 dB é inofensivo em termos de surdez para maior parte dos homens, independentemente do tempo de exposição, mas desde que a duração dessa exposição diária não ultrapasse dezesseis horas. Logo, um som de 92 dB pode causar surdez profissional ao longo do tempo, se a exposição do obreiro exceder a três horas por dia.
O mais conhecido efeito sobre o sistema auditivo é a surdez profissional. As perdas auditivas originárias do barulho excessivo podem ser divididas em três tipos:
1. Trauma Acústico. Resume-se na perda auditiva de
instalação repentina, provocada pela furação do tímpano, com ou sem desarticulação dos ossículos da orelha média, ocorrida normalmente após a exposição a grandes deslocamentos de ar.
2. Surdez temporária. Ocorre após uma exposição a
um barulho intenso, por um período curto de tempo.
3. Surdez permanente. Consiste na exposição repetida
dia-a-dia a um barulho considerado excessivo. Chama-se surdez profissional a que ocorre no trabalho.
O INSS, anteriormente INPS, segue de forma habitual a orientação de seu Assistente Técnico e adota posicionamento adverso da lei acidentária. Obriga o retorno do segurado às mesmas funções, por entender que a lesão por ele apresentada não atingiu as
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freqüências de 500, 1.000, 2.000 e 3.000 Hz previstas na lei. Admite o nexo etiológico e a lesão, mas não a incapacidade parcial ou total.
O Decreto nº 79.037, de 24 de dezembro de 1976, a Lei nº 5.316, de 1967, a Lei nº 6.367, de 19 de outubro de 1976, o Decreto nº 611, de 21 de julho de 1992, a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, o Decreto nº 357, de 07 de dezembro de 1991, e o Decreto n° 2.172, de 05 de março de 1.997, não consideraram os avanços técnicos e desprezaram os estudos de percepção da fala.
A legislação acidentária contrapõe-se à internacional e com a Consolidação das Leis do Trabalho, que, no Anexo nº 1, da NR-7, da Portaria nº 3.214, de 08 de junho de 1978, conforme Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977, incluiu a freqüência de 4.000Hz na avaliação da incapacidade dos trabalhadores.
A NR-7, alterada pela Portaria nº 24, de 29 de dezembro de 1994, no Quadro II, estabelece que os trabalhadores expostos a ruídos serão avaliados nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz, 3.000Hz, 4.000Hz, 6.000Hz e 8.000Hz.
Não fixou critério quantitativo para a indicação da incapacidade para o trabalho, mas determinou que ao ser constatada a ocorrência ou o agravamento da doença profissional, deve ser formalizada a Comunicação de Acidente do Trabalho - CAT -, inclusive, quando for preciso, deve haver o afastamento do trabalhador da exposição ao risco, ou do trabalho.
Não há dúvida que o obreiro, na atualidade, depara-se constantemente com local de trabalho agressivo à sua saúde. Eis a razão pela qual a filosofia de base da Saúde Ocupacional limita-se à manutenção de níveis compatíveis com a preservação da saúde.
A perda auditiva é a grande conseqüência. Depende ela de fatores relacionados ao obreiro, ao meio ambiente e ao agente
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causador. A lei deve amparar o segurado porque ele contribuiu
obrigatoriamente para, necessitado, receber o benefício acidentário de prestação continuada.
Perda e redução têm o mesmo significado. Audição (do
latim auditione), consiste na percepção dos sons pelo ouvido. É a
capacidade de ouvir. Perda (do latim perdita) é a privação da audição.
Redução, do latim reductione, é a diminuição, é a restrição, é a
limitação. Redução da audição cifra-se na restrição ou na diminuição da capacidade de ouvir.
A disacusia neurossensorial bilateral é uma lesão
irreversível e progressiva que, evidentemente, virá a agravar-se dia-a-dia, mesmo que o operário use equipamento individual de proteção contra ruído, que não protege a via óssea por onde atuam as vibrações mecânicas sempre presentes nos ambientes industriais ruidosos, visto serem produzidas pelas próprias fontes emissoras do ruído, e continuam a agredir ao ouvido humano, tornando mais grave as lesões já existentes.
O segurado vítima de acidente do trabalho ou de doença profissional ou do trabalho, que perde porcentual4 de sua audição, sem dúvida passa a ser portador de deficiência para o resto da vida. O benefício acidentário de prestação continuada é o pouco que o INSS pode retribuir-lhe porque, como segurado obrigatório, já pagou por isto.
A concessão do benefício de prestação continuada – auxílio acidente – é imperiosa, não só para amparar ao segurado, mas por encontrar-se de acordo com a jurisprudência dominante consagrada pela Súmula nº 44, do Superior Tribunal de Justiça:
4- O mesmo que percentagem. Do lat. Per centum, ‘por cento’, + agem. Parte proporcional calculada sobre uma quantidade de 100 unidades.
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"A definição, em ato regulamentar, de grau mínimo de disacusia, não exclui, por si só, a concessão do benefício previdenciário".
Eventuais censuras a essa decisão não procedem, ainda que queiram separar a natureza beneficiária da acidentária porque o fato gerador é único. O prejuízo atinge ao segurado. Basta que se analisem os valores e as datas das concessões.
A perda da audição, de qualquer grau, autoriza a concessão do auxílio acidente, uma vez comprovados o nexo etiológico e a incapacidade parcial que impede o segurado de exercer a atividade habitual.
Trata-se de entendimento que foi prestigiado pela Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, que restabeleceu os arts. 34, 35, 98 e 99, e alterou os arts. 12, 22, 25, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 38, 39, 45, 47, 55, 69, 94 e 97 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e
restabeleceu o § 4º do art. 86 e o art. 122, e alterou os arts. 11, 16,
18, 34, 58, 74, 75, 86, 94, 96, 102, 103, 126, 130 e 131 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991,
Art. 86. ...
§ 4º. A perda da audição, em qualquer grau, somente proporcionará a concessão do auxílio-acidente, quando, além do reconhecimento de causalidade entre o trabalho e a doença, resultar, comprovadamente, na redução ou perda da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia (Grifou-se).
Esta norma põe por terra a questão do porcentual de incapacidade da Tabela de Fowler, de 1940, quando o homem não ia à lua, o rádio e a televisão iniciavam os primeiros passos, o centro industrial era outro, a metrópole não tinha a poluição sonora dos dias atuais, entre outras conseqüências naturais da evolução que salta aos
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olhos de todos. É evidente que o meio ambiente e/ou centro de trabalho, industrial ou não, era bem diferente.
“PREJUÍZO LABORAL, SOCIAL E FAMILIAR. BENEFÍCIO DEVIDO. A disacusia em grau mínimo gera obrigação do pagamento de auxílio-acidente, posto que o prejuízo à saúde atinge não somente a capacidade para o trabalho, demandando maior esforço, mas também a vida social e familiar do obreiro. Recurso provido 5”.
Comprovados o nexo etiológico e a redução ou perda da capacidade para o trabalho que habitualmente executava, o que equivale à necessidade de mudar de função, o segurado deve receber o benefício de prestação continuada.
No caso é imperioso o dever de conceder-se e manter-se o benefício de prestação continuada – auxílio acidente -, diante da existência de perda auditiva decorrente do ambiente de trabalho, porque o segurado apresenta lesão que o impede da prática da mesma atividade profissional. E, agora, pode-se afirmar com
tranqüilidade: Há dispositivo legal que assim o autoriza!
Tem razão o INSS quando sustenta que a base de cálculo da prestação deve ser o salário de benefício. É como dispõe o artigo 86, da Lei nº 8.213, de 1991, com a redação que atribuída pela Lei nº 9.032, de 1995.
Em face ao exposto, dá-se parcial provimento aos recursos oficial e da Autarquia.
IRINEU PEDROTTI Relator
5- STJ - 6ª T.; Rec. Esp. nº 24.797-8-RJ; rel. Min. José Cândido; j. 18.12.1992; v.u.; DJU, Seção I, 15.02.1993, p. 1.702, ementa). BAASP, 1775/203-e, de 19.05.1993.