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PROMISE POLICY BRIEF: PORTUGAL (1 DE 2)

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Academic year: 2021

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- EUROPEANPOLICYBRIEF -

P á g i n a| 1 O projeto PROMISE explorou as formas de participação social de jovens com experiência de estigmatização ou conflito. Em Portugal a investigação centrou-se em rapazes e raparigas com idades compreendidas entre os 17 e os 32 anos e que estão em desacordo com as normas sociais relativas aos papéis e à desigualdade de género. Estes e estas jovens encontram-se envolvidos de modo formal ou informal em atividades cujo objetivo é a promoção da igualdade de género.

Em Portugal, apesar de as iniciativas para a promoção da igualdade de género estarem a crescer em número e impacto, e de os e as jovens se envolverem cada vez mais, social e culturalmente, neste tipo em iniciativas, continuam a existir desigualdades nos rendimentos, nas oportunidades de emprego e nas responsabilidades familiares. Em termos de legislação, Portugal mostrou progressos significativos nas políticas para a igualdade de género, contudo, a sua implementação continua a precisar de ser encorajada.

Este policy brief foca-se na cisão intergeracional que reforça os discursos dominantes de desigualdade de género e de desvalorização dos e das jovens, nas lacunas na implementação das políticas para a igualdade de género, e nas experiências de conflito e de estigma que os e as jovens enfrentam por causa do seu ativismo. As recomendações de políticas apresentadas direcionam-se aos e às jovens, às famílias e gerações mais velhas, ao contexto escolar e aos agentes educativos, aos profissionais que trabalham na área da juventude, às organizações da sociedade civil, às autoridades públicas, e aos agentes e decisores políticos regionais e nacionais.

PROMISE

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ORTUGAL

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DE

2)

Jovens ativistas em questões de género

Outubro 2018

INTRODUÇÃO

National

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P á g i n a| 2

1. Contribuir para a implementação efetiva e alargada de políticas de igualdade de género

De acordo com os jovens ativistas, os discursos sociais dominantes relativos aos papéis de género continuam a conduzir a oportunidades desiguais entre géneros, e a manter a pouca tolerância e respeito pela diferença. Para estes e estas jovens, existe um falso sentimento de mudança e de aceitação na sociedade portuguesa, que não se encontra ainda preparada para mudanças mais profundas.

Os e as jovens ativistas sugerem que já ocorreram algumas mudanças positivas ao nível da igualdade de género, mas de forma lenta e insuficiente. Acreditam, ainda, que muitos direitos já foram conquistados ao longo das últimas décadas de ativismo. O foco destes e destas jovens ativistas é assegurar que as políticas garantam a execução dos direitos considerados no âmbito das políticas para a igualdade de género.

Os políticos nacionais e regionais devem ser encorajados a adotar um discurso mais

inclusivo, nomeadamente através do reconhecimento das desigualdades de género e da consideração pelas necessidades mais específicas dos homens e das mulheres. Devem ser

tomadas medidas que inspirem as instituições públicas e privadas a seguirem as políticas de

igualdade de género e a garantir que a igualdade é tida em consideração noutras áreas,

nomeadamente nas políticas juvenis (ex. reconhecimento público de boas práticas, certificação pelo Estado das práticas sociais e de apoio judicial e social para aqueles e aquelas que são alvo de tratamento desigual, por exemplo no local de trabalho ou na escola).

2. Disseminar e fortalecer o papel dos e das jovens ativistas

Os e as jovens ativistas reconhecem o impacto positivo do seu ativismo, em si próprios/as e nos outros, mas consideram que o ativismo nem sempre é percebido de forma positiva. De facto, ao descreverem os principais conflitos que experienciam, estes e estas jovens mencionam a resistência ao ativismo em si, por exemplo, quando os seus familiares e amigos não compreendem as ideias que defendem ou o seu envolvimento no ativismo, ou quando os professores resistem, em vez de apoiarem, à promoção de iniciativas para a promoção da igualdade de género. Além disso, vários e várias participantes referiram que os media e as redes sociais são meios de disseminação

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P á g i n a| 3 de estereótipos de género e sobre o ativismo de género, e, simultaneamente, meios de desconstrução de expectativas baseadas no género e de rótulos atribuídos ao ativismo de género.

Os e as jovens ativistas apresentam algumas ideias sobre como disseminar e promover o envolvimento de outros e de outras jovens no ativismo de género, nomeadamente: encorajar a utilização de uma linguagem simples quando falarem com outros e outras jovens acerca das questões de género e do ativismo de género; passar de forma mais efetiva a mensagem do ativismo de género e clarificar algumas ideias erradas acerca de conceitos como, por exemplo, o feminismo; fornecer mais informação sobre as atividades que são organizadas (ex. local, como se envolver); formar professores e outros agentes escolares para estarem sensibilizados e informados acerca das desigualdades de género; e promover debates acerca da igualdade de género e da tolerância em relação à diferença.

As organizações da sociedade civil que se debruçam sobre as questões de género

poderiam contribuir para a disseminação de informação acerca do trabalho que desenvolvem e deveriam facilitar a articulação entre os e as jovens, por exemplo, alargando as suas iniciativas a uma audiência mais alargada. As iniciativas e organizações juvenis que procuram trabalhar a favor da igualdade de género deveriam ser mais suportadas por financiamento público e privado, e por serviços ligados à juventude. Os projetos de educação para a cidadania, direcionados para a igualdade de género e para outros temas relacionados, deveriam ser mais frequentemente implementados nas escolas, estimulando a curiosidade e o conhecimento acerca do tema, empoderando os agentes educativos, as famílias e os e as jovens para participarem mais ativamente na sociedade. Estes projetos educativos deveriam incluir crianças e jovens de todas as idades, e os e as jovens ativistas deveriam ser convidados a fazer parte (ex. dinamizar workshops), promovendo o valor do envolvimento social dos e das jovens na sociedade, nomeadamente através do ativismo. Adicionalmente, os media poderiam ser mais ativos na desconstrução de papéis e de expectativas de género, bem como disseminarem mais informação e uma imagem mais positiva das organizações ativistas em questões de género.

3. Fortalecer as relações intergeracionais e promover o papel dos e das jovens na sociedade

De acordo com os e as jovens ativistas entrevistados, os e as jovens são vistos negativamente pelas gerações mais velhas. Ou seja, a discriminação que experienciam, baseada no género e no seu envolvimento no ativismo, interseta com a discriminação de que são alvo por serem jovens.

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P á g i n a| 4 Dentro das próprias organizações ativistas, estes e estas jovens referem ser, por vezes, mal compreendidos e não incentivados pelas gerações mais velhas. Por exemplo, os e as ativistas mais velhos, que tendem a ser vistos como responsáveis pelo envolvimento dos mais jovens, tendem também a ver os e as ativistas mais jovens de forma competitiva. Esta circunstância pode dificultar o acesso dos mais jovens ao seu espaço no ativismo enquanto procuram continuar o trabalho dos e das ativistas mais velhos.

Alguns e algumas jovens ativistas reportaram não se sentirem apoiados pelas gerações mais velhas no âmbito do ativismo, e acreditam que esta ausência de suporte se relaciona com o facto de serem jovens, uma vez que os e as jovens tendem a não ser levados a sério.

Metade dos participantes sentem que as gerações mais velhas poderiam ter um papel importante na motivação dos mais jovens para este tipo de ativismo, especialmente, através da partilha das suas histórias.

Deveriam ser promovidas mais iniciativas em contextos como a escola ou organizações ativistas, permitindo, assim, que as gerações mais velhas e as mais jovens se encontrassem,

partilhassem e cooperassem. Estes encontros permitiriam a partilha de experiências e de

dificuldades, aumentando o entendimento mútuo entre gerações e promovendo abordagens partilhadas à resolução dos problemas. Estes encontros também deveriam ocorrer no contexto familiar, de forma a contribuir para uma maior aceitação de perspetivas e um maior conhecimento mútuo, diminuindo o sentimento de não-aceitação dos e das jovens.

Este policy brief baseia-se em entrevistas individuais realizadas a 20 ativistas para as questões de género (5 rapazes), com idades compreendidas entre os 17 e os 32 anos de idade. Os e as participantes têm diferentes tipos de envolvimento no ativismo: 11 foram ou são ativistas envolvidos em organizações formais; 7 são simpatizantes/participantes ocasionais em iniciativas para a promoção da igualdade de género (ex. festivais feministas, workshops, manifestações, encontros de ativistas); e 2 são “ativistas independentes” (ex. editores/as de zines, têm uma marca de roupa feminista). Adicionalmente, foram realizadas observações participantes em 6 eventos relacionados com o ativismo para as questões de género, tais como manifestações e workshops, que resultaram na elaboração de diários de campo e no recrutamento de alguns e de algumas participantes.

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NOME DO

PROJETO

Promoting Youth Involvement and Social Engagement (PROMISE)

COORDENADOR Dr Jo Deakin, University of Manchester, UK. [email protected]

CONSÓRCIO Raffaele Bracalenti, Istituto Psicoanalitico per le Ricerche Sociali, Italy.

[email protected]

Eckart Müller-Bachmann, Christliches Jugenddorfwerk Deutschlands e.V., Germany.

[email protected]

Zyab Ibanez, Universitat Autonoma de Barcelona, Spain.

[email protected]

Raquel Matos, Universidade Catolica Portuguesa, Portugal.

[email protected]

Ivan Chorvát, Univerzita Mateja Bela v Banskej Bystrici, Slovakia.

[email protected]

Leena Suurpää, Finnish Youth Research Network, Finland.

[email protected]

Annett Wiedermann, YES Forum (Youth and European Social Work), Germany.

[email protected]

Anna Markina, University of Tartu, Estonia.

[email protected]

Markus Quandt, GESIS - Leibniz Institut Fur Sozialwissenschaften E.V., Germany.

[email protected]

Elena Omelchenko, National Research University, Russia.

[email protected]

Ben Perasović, Ivo Pilar Institute, Croatia.

[email protected]

FINANCIAMENTO Horizon 2020 Framework Programme for Research and Innovation (2014-2020), Societal Challenge 6 – Europe in a changing world: inclusive, innovative and reflective societies", call YOUNG-2015.

DURAÇÃO Maio 2016 – Abril 2019 (36 meses).

ORÇAMENTO Contribuição da UE: 2 500 000 €.

WEBSITES http://www.promise.manchester.ac.uk/en/newsfeed/

http://www.fep.porto.ucp.pt/en/project-promise

PARA MAIS INFORMAÇÃO

Contacto: Eckart Müller-Bachmann ([email protected])

Raquel Matos ([email protected])

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BIBLIOGRAFIA

ADICIONAL

Matos, R., Martins, F., Carneiro, A., Ribeiro, L., Campos, M., & Negrão, M. (2016). Relatório de Contexto Nacional – Portugal. Porto: CEDH – Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano, Universidade Católica Portuguesa. Publicado

online

http://www.fep.porto.ucp.pt/sites/default/files/files/Relatorio%20de%20Context o%20Nacional_PROMISE_Portugal.pdf

Matos, R., Carneiro, A., Martins, F., Campos, L., Ribeiro, L., & Negrão M. (2018).

Young gender activists (case study report). Porto: CEDH – Research Centre for

Human Development, Universidade Católica Portuguesa. Published online

http://www.promise.manchester.ac.uk/wp-content/uploads/2018/06/Young-Gen...

Matos, R., Martins, F., Carneiro, A., Ribeiro, L, Campos, L. & Negrão, M. (2019). Jovens, género e desviância em Portugal: evoluções recentes e desafios atuais. In J. Martins & M. Simões (coords.) Risco, Desvio e Crime na Adolescência. Lisboa: Sílabo. Pp. 59-76.

Referências

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