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Comunicação e Interatividade em AVA: um Estudo de Caso
Cristina Haguenauer Marcus Vinícius Freitas Mussi
Francisco Cordeiro Filho
Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação Escola de Comunicação – Universidade Federal do Rio de Janeiro.
www.latec.ufrj.br - [email protected]
Resumo
Este artigo apresenta e discute a experiência de desenvolvimento e implementação de um curso online de capacitação de profissionais em serviço, utilizando recursos de Tecnologias da Informação e da Comunicação e metodologias de Ensino a Distância.
Palavras-Chave: ensino a distância, ensino online, ambientes virtuais de
aprendizagem, capacitação em serviço.
Communication and Interactivity in Virtual Learning Environments:
a case study
Abstract
This article presents and discusses the experience of developing and implementing an online course for working professionals, using resources of Information and Communication Technologies (ICT) and methodologies for Distance Learning.
Keywords: distance learning, online learning, virtual learning environments,
Introdução
O Laboratório de Pesquisa em tecnologias da Informação e da Comunicação – LATEC/UFRJ, da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, vem desenvolvendo pesquisas e projetos envolvendo Tecnologias da Informação e da Comunicação e Ensino a Distância desde 2001. Nesse período foram desenvolvidos diversos programas de capacitação profissional em parceria com diferentes grupos de pesquisa da própria UFRJ, além de empresas e instituições externas. Dentre os projetos desenvolvidos pode-se destacar o Programa de Capacitação para a Qualidade (Haguenauer ET al, 2007), que envolveu desenvolveu a capacitação de técnicos da Coppe / UFRJ em Sistemas de Gestão da Qualidade as Normas da série NBR ISO 9000:2000. Além deste, destaca-se ainda o Programa de Capacitação em Segurança, Meio Ambiente e Saúde (Haguenauer ET AL 2008), fruto de uma parceria com a Gerência de Grandes Consumidores da Petrobras Distribuidora, que capacitou cerca de 1.000 profissionais, distribuídos por todo o Brasil e Mercosul.. Além dessas, destaca-se também o Programa de Capacitação de Frentistas em Postos de Serviço (haguenauer ET AL, 2005, 2006 e 2007), desenvolvido em parceria com a gerência de postos da Petrobras Distribuidora, envolvendo um conjunto de ações que envolvem treinamentos presenciais e a distância, desenvolvimento de material didático e informativo, desenvolvimento de portal de informações.
Pesquisa Desenvolvida
A presente pesquisa teve como objeto de estudo o Programa de Capacitação em Gestão de Passivos Ambientais, desenvolvido em parceria com a Escola Politécnica da UFRJ, o Sindicato das Indústrias Distribuidoras de Combustíveis – SINDICOM e a Associação Brasileira das Entidades de Meio Ambiente – ABEMA. Esse programa envolveu diversas iniciativas educacionais, como a criação de um portal de
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eletrônica e um hot site com informações sobre o curso, além da utilização de um sistema de gerenciamento de aprendizagem online (Sistema Quantum) e o desenvolvimento de um sistema hipermídia com o conteúdo do curso.
O objetivo dessa pesquisa foi identificar aspectos relacionados com os processos de comunicação e interação que influenciaram na eficiência da aprendizagem, com foco nos recursos das tecnologias da informação e da comunicação e nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem utilizados.
Sistemas de Gerenciamento de Aprendizagem, de Conteúdo e
Ambientes Virtuais de Aprendizagem
Sistemas de Gerenciamento da Aprendizagem (SGA) (Learning Management
Systems - LMS), também conhecidos como plataformas de ensino a distância, são
recursos das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (NTICs), que têm como característica principal a utilização de banco de dados, a definição de perfis diferenciados de acesso aos conteúdos e às funcionalidades da plataforma, além da disponibilização de ferramentas de comunicação e de publicação de conteúdos. Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs), por sua vez, são criados com base nos SGAs, a partir da definição de estratégias de ensino (desenho instrucional), da escolha das ferramentas a serem utilizadas, que inclui ferramentas de comunicação, de colaboração e de publicação de conteúdos, e da definição da forma de utilização dessas ferramentas, além da disponibilização dos conteúdos propriamente ditos (textos, figuras, links etc).
Os Sistemas de Gerenciamento de Conteúdo (SGC) permitem construir Portais de Informação, que são especializados na publicação de conteúdo, mas que podem também ser utilizados no suporte à aprendizagem não formal e livre. No Programa de Capacitação em estudo os portais de informação foram utilizados como complemento às ações educativas, além de serem disponibilizados para o público em geral. Para a construção dos portais foi utilizada a plataforma Joomla.
Segundo Ribeiro, SGAs são softwares educacionais que apóiam atividades de educação a distância, permitindo desenvolver as atividades no tempo, espaço e ritmo de cada participante (Ribeiro, et al, 2007:4).
Segundo Keski (2007):
“a sala de aula foi redesenhada em um novo ambiente de aprendizagem, agora virtual, pela evolução tecnológica. Localizado no ciberespaço, o ambiente virtual disponível pela internet é para poucos, pois, seu acesso depende de senha. As funções dos AVAs são elaborar e acompanhar cursos via web, e para isso, contém ferramentas abertas para seus usuários com as finalidade de apresentar informações, disponibilizar conteúdo ou comunicação entre os participantes do grupo, além de outras administrativas e exclusivas para professores e formadores”(Kenski 2007: 97 – 99).
Ribeiro, et al (2007) define o objetivo dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem da seguinte forma:
“Os AVA’s (...) fornecem aos participantes ferramentas a serem utilizadas durante um curso, para facilitar o compartilhamento de materiais de estudo, manter discussões, coletar e revisar tarefas, registrar notas, promover a interação entre outras funcionalidades. Eles contribuem para o melhor aproveitamento da educação e aprendizagem.” (Ribeiro, et al 2007:2)
No entanto, para que o AVA contribua efetivamente para a aprendizagem, segundo Keski, é preciso desfazer as noções de tempo e espaço através de uma “nova pedagogia”, visto que as tecnologias e os conteúdos trabalhados não garantem tal objetivo:
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“As características tecnológicas do ambiente virtual devem garantir o sentimento de telepresença, ou seja, mesmo que os usuários estejam distantes e acessem o mesmo ambiente em dias e horários diferentes, eles se sintam como se estivessem fisicamente juntos, trabalhando no mesmo lugar e ao mesmo tempo. Para que as funcionalidades aconteçam, é preciso que, muito além das tecnologias disponíveis e do conteúdo a ser trabalhado em uma disciplina ou projeto educativo, instale-se uma nova pedagogia.”(Kenski, 2007:96)
Imersos nesse contexto tecnológico, os aprendizes necessitam reaprender a aprender, utilizando os AVAs e suas respectivas ferramentas para, de forma interativa e construírem seus conhecimentos.
Ao mesmo tempo, para se obter uma maior eficiência do processo de aprendizagem em Ambientes Virtuais, é fundamental perceber como a comunicação e, consequentemente, as trocas, ocorrem nesses espaços de aprendizagem.
Sistema Quantum de Educação Online
Quantum é um sistema de gerenciamento de aprendizagem online desenvolvido pela empresa Semear (WWW.semear.com.br). O sistema Quantum foi utilizado com base para o desenvolvimento da plataforma utilizada pelo Centro de Educação a Distância do Estado do Rio de Janeiro – CEDERJ, que envolve o consórcio das universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro (UENF, UERJ, UniRio, UFF, UFRJ e UFRRJ) na oferta de cursos de graduação e de extensão a distância.
O Sistema Quantum possui cinco tipos de usuário, cada um com permissões de acesso diferentes: administrador, coordenador, professor, tutor e aluno. O administrador tem a função de administrar o sistema, o coordenador coordena as atividades de ensino, como aceitar a inscrição de alunos, definir turmas, estabelecer
conteúdos e habilitar todos os mecanismos de comunicação disponíveis para o curso, o professor cuida especificamente das ferramentas que envolvem interação e coordenação de estudo como fórum, agenda, mural e chat, tem acesso às informações cadastrais do aluno e seu histórico escolar, o tutor auxilia o professor nas tarefas complementares, e o aluno tem acesso à sala de aula e as ferramentas selecionadas para o curso. (Hauguenauer, et al, 2007:4).
O sistema Quantum oferece ferramentas de interação e comunicação (Chat, Fórum, E-mail, Mural, Agenda, Quadro de avisos, tira dúvidas) que permitem comunicação síncrona ou assíncrona entre os participantes do curso. Oferece também ferramentas de publicação de conteúdos (Bibliografia, Biblioteca, FAQ Janela pop up). Além dessas, é disponibilizada a ferramenta que permite download de textos pelos alunos diretamente do servidor.
Diversos artigos foram desenvolvidos pela equipe de pesquisa do LATEC/UFRJ, analisando o desempenho do Sistema Quantum e de suas ferramentas, a partir da experiência obtida em diferentes programas de capacitação (Haguenauer ET AL, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2007 e 2007).
Comunicação e Interatividade na Educação Online
Anderson (2003) define interação na educação a distância, como:
“Um conceito complexo e multifacetado em todas as formas. Tradicionalmente interação focava na interação entre professores e alunos em sala de aula. Esse conceito foi expandido para incluir diálogos sincronizados à distância (conferencias de áudio e vídeo); formas assíncronas de diálogo simulado e diálogo assincrono mediado (conferecnia por computador e correio de voz); e respostas e retornos de objetos e dispositivos inanimados, tais como “programas de
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computador interativos” e “televisão interativa”. (Anderson, 2003: 129. Tradução: Marcus Mussi).
Ainda segundo Anderson (Anderson, 2003: 129) a relação entre o homem e a máquina ocorre através de adaptações, que segundo Silva (2001) é um desafio para as mídias de massa, professores e gestores da educação cujo objetivo é a participação do público:
“Interatividade significa libertação do constrangimento diante da lógica da transmissão que predominou no século XX. É o modo de comunicação que vem desafiar a mídia de massa – rádio, cinema, imprensa e tv – a buscar a participação do público para se adequar ao movimento das tecnologias interativas. É o modo de comunicação que vem desafiar professores e gestores da educação, igualmente centrados no paradigma da transmissão, a buscar a construção da sala de aula onde a aprendizagem se dá com a participação e cooperação dos alunos (…). Vivemos a transição do modo de interação massivo para o interativo.” (Silva, 2001:1)
Nesse novo contexto comunicativo é importante destacar o conceito de “distância transacional” (John Dewey, 1964) que se refere, não ao simples sentido geográfico, mas a uma separação de tempo e espaço num conceito pedagógico. (MOORE, 1993).
Segundo Moore (2004) citado por Kenski (2007), a distância transacional serve para medir o grau de interação em atividades educativas. A distância física e comunicativa em sala de aula será intensificada a depender de como os aprendizes são tratados (quanto maior a comunicação entre aprendiz e professor, a distância deles será menor) e a estrutura material do ensino (quanto mais o aprendiz estiver
direcionado para estrutura do material, maior será sua distância transacional). Quanto maior for o grau de interação e comunicação entre os participantes do processo, mais significativa será a aprendizagem. (Kesnki, 2007:89).
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Programa de Capacitação em Gestão de Passivos Ambientais
O Programa de Capacitação em Gestão de Passivos Ambientais envolveu estratégias educativas específicas, associadas aos diferentes produtos e recursos tecnológicos adotados, como a criação de um hot site contendo informações sobre o Programa de Capacitação (http://www.latec.ufrj.br/passivosambientais) (figura 1), a criação de um portal de informações, para suporte à comunidade de aprendizagem e prática (http://www.latec.ufrj.br/portalgestaoambiental) (figura 2), associado a uma revista eletrônica, para publicação de artigos científicos e técnicos relacionados ao tema (http://www.latec.ufrj.br/revistagestaodepassivos), (figura 3), a utilização de um
SGA (Sistema Quantum de Educação Online) (http://www.latec.locaweb.com.br/quantum/latec/default2.asp), a criação de um AVA
baseado nessa plataforma (figura 4) e a criação de um sistema multimídia, onde o conteúdo é apresentado em forma de hipertexto (figuras 5, 6 e 7).
Figura 2: Portal de Informações, para suporte à comunidade de aprendizagem e prática (http://www.latec. ufrj.br/gestaoambiental).
27 Figura 3: Revista Eletrônica, para publicação de artigos científicos e técnicos
relacionados ao tema de Gestão de Passivos Ambientais (http://www.latec. ufrj.br/gestaoambiental).
Figura 4: SGA utilizado e AVA criado com base na plataforma quantum (http://www.latec. ufrj.br/gestaoambiental).
Figura 5: Tela de entrada no sistema multimídia contendo o menu de acesso aos módulos do curso.
Figura 6: Exemplo de telas do curso.
Análise das Estratégias de Comunicação Adotadas
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Canais e Estratégias de Comunicação do Portal
O portal de Gestão de Passivos Ambientais (Portal GPA), tem por objetivo principal complementar o processo de aprendizagem iniciado no curso de capacitação, além de apoiar a comunidade de conhecimento formada por profissionais envolvidos com o tema.
A plataforma Joomla e o desenho adotado possibilitam, em conjunto, duas formas de distintas de interação: uma com o conteúdo e outra com a equipe do portal. São exemplos de possibilidades de interação diferenciada com o conteúdo, os recursos Últimas Notícias, Mais Lidas e Enquetes. Alguns exemplos de possibilidades de interação entre equipe e usuários são: a seção Perguntas Freqüentes, onde o usuário é incentivado a enviar perguntas por e-mail, a seção Fale Conosco, que disponibiliza telefone e e-mail da equipe e a seção Newsletter, onde a equipe envia, periodicamente, um resumo das principais novidades do portal. A parte inferior do portal traz uma lista com as últimas notícias publicadas no portal e com as notícias mais lidas (figura 7), a fim de guiar o leitor mais rapidamente às novidades do portal. A ferramenta Enquete, permite criar um canal permanente de consulta aos usuários do portal, sobre os temas mais variados (figura 8).
Figura 8: Ferramenta enquete.
Canais e Estratégias de Comunicação do AVA
A plataforma Quantum permite a escolha das ferramentas a serem utilizadas, além da atribuição de novos nomes, diferentes dos originais (default). O conjunto de ferramentas selecionadas permite diferentes vetores de comunicação: Equipe → Aluno; Aluno → Equipe; Equipe → Equipe; Aluno → Aluno. Dentro desses vetores, a comunicação pode ocorrer de forma pontual, por exemplo utilizando a ferramenta
e-mail para comunicação individual (de aluno para um membro da equipe, e
vice-versa ou de um aluno para outro aluno), ou de forma coletiva, por exemplo utilizando a ferramenta e-mail como lista de distribuição (enviando um mesmo e-mail para todo o grupo ou para mais de um integrante do grupo). Outro exemplo de vetor Indivíduo → Grupo, é a ferramenta Colaboração, onde um integrante da equipe ou um aluno, pode postar documentos que serão disponibilizados para o grupo. Algumas ferramentas são de publicação exclusiva da equipe, ou seja, apenas integrantes da equipe autorizados previamente podem atribuir conteúdo às mesmas, este é o caso da ferramenta Avisos, por exemplo.
A ferramenta Tira – dúvidas funciona como um poderoso instrumento de auxílio aos alunos, que podem se dirigir aos professores no momento do surgimento de sua dúvida, em qualquer hora do dia ou da noite, e será respondido assim que a equipe
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equipe para o atendimento das dúvidas, que vai definir o tempo de espera dos alunos. Outro aspecto relevante relacionado a essa ferramenta é a importância para o processo ensino-aprendizagem, de se criar a cultura de consultar a ferramenta Tira-dúvidas periodicamente, pois ela pode representar uma excelente fonte de aprendizado.
As ferramentas Chat e Forum permitem a reunião de todo o grupo ou de vários participantes. A principal diferença entre elas é o fato de que a primeira exige a participação simultânea (de forma síncrona) enquanto que a segunda permite a participação de forma assíncrona, de acordo com as disponibilidades e preferências individuais dos participantes. Por esse motivo, a ferramenta Fórum foi privilegiada na definição do desenho instrucional do curso em questão. Devido a características de projeto da plataforma, somente professores e elementos da equipe previamente autorizados podem criar questões para debate no fórum. Nos casos onde é interessante ampliar as possibilidades de participação dos alunos, permitindo que proponham questões para debate, outros canais de comunicação como e-mail e tira dúvidas podem ser utilizados.
Algumas ferramentas podem se configurar como canais de comunicação a partir das funções a elas atribuídas na fase de desenho instrucional, como é o caso, por exemplo, das ferramentas Mural e Agenda. No curso GPA, a ferramenta Mural foi definida como um espaço informal, exclusivo dos alunos, onde eles podem se apresentar para os colegas e enviar mensagens para o grupo, não obrigatoriamente relacionadas aos conteúdos do curso, como noticiar eventos. No caso específico do curso em análise, a ferramenta Agenda não foi utilizada, pois decidiu-se privilegiar o ritmo individual de cada aluno, além do que, adotou-se o procedimento de entrada livre, ou seja, os alunos poderiam iniciar o curso em momentos diferentes, o que aumenta a dispersão da localização dos alunos em determinado ponto do curso, o que torna a ferramenta Agenda contra indicada.
As ferramentas Blibliografia, FAQ, Glossário e Sites são consideradas apenas como ferramentas de consulta, onde o aluno tem acesso a conteúdos preparados e
publicados pela equipe, relacionados ao curso em questão, mas que não configuram canais de comunicação entre os participantes. A ferramenta Bloco de notas funciona como um diário, um local para o aluno fazer suas anotações pessoais e de uso exclusivo do aluno, ou seja, apenas ele tem acesso ao seu conteúdo.
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Considerações Finais
Sobre os Canais e Estratégias de Comunicação do Portal
Uma análise preliminar aponta para uma insuficiência dos canais de comunicação do portal. No entanto, com base na observação do comportamento da comunidade de usuários do próprio portal e de outros portais semelhantes, acreditamos que as estratégias mais eficientes não dependem unicamente das ferramentas da plataforma, mas sim do estabelecimento de estratégias de interação complementares, baseadas em e-mail, na criação de destaques de notícias, que podem utilizar a página principal do portal (home), ou mesmo a ferramenta Newsletter, como canal, de forma a mobilizar a comunidade de usuários para enviarem suas contribuições para o portal.
Sobre os Canais e Estratégias de Comunicação do AVA
Uma parte do desempenho das ferramentas é condicionado pelo próprio projeto da plataforma, enquanto que outra parte de seu funcionamento é definida na fase de desenho instrucional, ou seja, no estabelecimento das estratégias de utilização dessas ferramentas. Ao mesmo tempo, a possibilidade oferecida pela plataforma, de se atribuir nomes e funções diferenciadas para cada ferramenta, permite um grande número de combinações de usos das mesmas. Por esses motivos, a fase de atribuição de funções às ferramentas deve ser realizada com muito cuidado, pois em alguns casos as ferramentas podem sofrer de duplicidade de funções, passando a “competir” uma com as outras, deixando o aluno perdido e diminuindo a eficiência dos canais de comunicação, tanto individualmente, quanto de forma global, para o grupo.
Por outro lado, as diferentes possibilidades de comunicação e os diferentes uso que podem ser atribuídos às ferramentas permitem agilizar os processos de comunicação internos da equipe, além de permitirem tornar o processo de comunicação da equipe com os alunos mais rápido e eficiente. Além disso, essa
flexibilidade da plataforma permite oferecer aos alunos diferentes possibilidades de participação e de expressão junto ao grupo. Os momentos críticos do processo se encontram, portanto, na fase de desenho instrucional, no momento da escolha das ferramentas, da atribuição de suas funções e, principalmente, na forma e no momento de sinalizar para os alunos as formas de uso de cada ferramenta.
Portanto, deve-se tomar muito cuidado para não sobrecarregar os alunos com canais de comunicação em excesso, correndo o risco de criar duplicidade de funções entre elas, como é o caso das ferramentas e-mail e tira dúvidas, que podem ser utilizadas para o mesmo fim, ou ainda competir com o e-mail particular do aluno, que pode eventualmente usar este canal para se comunicar com a equipe. Outro exemplo de competição entre ferramentas ou duplicidade de funções, pode ocorrer entre as ferramentas agenda e Avisos.
Existe ainda um outro fato relevante a ser considerado na fase de seleção, atribuição de funções às ferramentas e redação das orientações para os alunos sobre o uso dessas ferramentas: devido ao crescimento da oferta de cursos online e a distância, existe uma grande possibilidade de que os alunos já tenham tido alguma experiência com essa modalidade de ensino e estejam acostumados a outras estratégias de utilização dos canais de comunicação, o que faz aumentar a importância de uma orientação clara, precisa, segura e realizada no momento mais adequado.
Por fim, é interessante observar e ressaltar um aspecto geralmente negligenciado na literatura sobre ensino a distância, ensino online, ou ensino apoiado por NTICs: o fato de que uma parte do conteúdo do curso é criado pelos próprios alunos e registrado nas ferramentas da plataforma, durante a realização do curso. São exemplos dessa situação, os conteúdos registrados nas ferramentas Fórum, Chat, Tira dúvidas e Colaboração. Este conteúdo pode e deve ser analisado e processado, durante o próprio curso e devolvido para os alunos em forma de comentários, observações e de novos conteúdos. Da mesma forma, esses conteúdos, após
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no portal como no curso, criando-se assim um movimento de trocas constantes e de produção de novos conhecimentos, configurando e confirmando o potencial colaborativo da Aprendizagem Online.
Referências
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Developments and Research Questions. In: MOORE, Michael G.; ANDERSON,
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HAGUENAUER, Cristina Jasbinschek; LOPEZ, Fabiana Barreto; MARTINS, Flávia Nogueira; BARBOSA, Marcus Vinícius Grandão. Estudo comparativo de Amabientes
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HAGUENAUER, C. J. et al. Análise das Ferramentas de Comunicação da plataforma CEDERJ/Sistema Quantum. In VI COINFE – Congresso Estadual de Informática na Educação. Rio de Janeiro. VI COINFE, 2002.
KENSKI, Vani Moreira. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. Papirus. 2007.
MOORE, Michael G. Theory of Transactional Distance. KEEGAN, D. Theoretical Principles of Distance Education. London: Routledge. 1993.
RIBEIRO, Élvia Nunes; MENDONCA, Gilda Aquino de A.; MENDONCA, Auzino Furtado de. A Importância dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem na Busca De
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Sintonia com a Era Digital e a Cidadania. INTERCOM – Sociedade Brasileira de
Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XXIV Congresso Brasileiro de Comunicação. Campo Grande/MS. Setembro.2001.
Sobre os Autores
Cristina Jasbinschek Haguenauer
Graduada em Engenharia Civil pela UERJ (1985), Mestre em Engenharia pela PUC-RJ (1988) e Doutora em Ciências de Engenharia UFRJ (1997). Atualmente é professora Associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua em ensino, pesquisa e consultoria na área de Tecnologias da Informação e da Comunicação, com foco em Educação a Distância, Capacitação Profissional, Formação Continuada, Produção de Hipermídia, Jogos Educativos, Ambientes Virtuais de Aprendizagem, Portais de Informação e Realidade Virtual.
Marcus Vinicius Freitas Mussi
Graduado em Letras Português/Literaturas pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB); graduado em Português/Inglês pela Universidade Veiga de Almeida (UVA), com especialização em Língua Inglesa pelas Faculdades Integradas de Jacarepaguá-RJ (FIJ). Tem experiência em docência de ensino fundamental, médio, pré-vestibular, cursos de idiomas, e coordenação administrativa e pedagógica em cursos de idiomas. Professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), professor de inglês do Centro de Treinamento de Idiomas (CTIN), pesquisador do Laboratório de Pesquisa em Tecnologia da Informação e da Comunicação da Escola de Comunicação/UFRJ (LATEC/UFRJ). Mestrando bolsista (CNPq) em Linguística Aplicada na UFRJ. Pesquisa nas áreas de Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (NTIC), Portais, Comunicação Mediada por Computador (CMC), Ensino a Distância (EAD), Ensino/Aprendizagem de inglês, Tradução, Interação e Interatividade, Discurso, e áreas afins.
Francisco Cordeiro Filho
Doutor em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992), Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1983), Licenciado em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1967). Professor Associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Coordena o grupo de Educação Ambiental e Ensino de Ciências (GEA/UFRJ); coordenador do Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação (LATEC/ UFRJ). Desenvolve pesquisas envolvendo Formação de Professores, Teorias e Práticas Pedagógicas e Teorias e Métodos de Ensino de Ciências e Educação Ambiental.